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  1. 1. ECONOMIA DA CULTURA: contribuições para a construção do campo Manoel Marcondes Neto FAF/UERJ comcultcivil3
  2. 2. O que dispõe o mercado Não sei como se consente que mil inventadas coisas aos ignorantes se vendam pelos cegos que as tomam. Ali se contam milagres, martírios, mortes, desonras, que não acontecem no mundo mas no fim se vende e se compra. cordel espanhol (in Martín-Barbero)
  3. 3. Custa às instituições governamentais dedicadas à difusão cultural admitir que sua tarefa de formar públicos deveria ir além de repetir a oferta para todos, divulgar palavras de ordem e cartazes, multiplicar bibliotecas públicas e escolas. Com fundos raquíticos, elas competem mal com as indústrias da comunicação, em vez de promover inovações, gerar, nos tempos longos da educação, experiências que levem ao desfrute tanto da arte como das novas linguagens. (Canclini)
  4. 4. A tendência para mercantilizar a produção cultural, massificar a arte e a literatura e oferecer os bens culturais com o apoio de vários suportes ao mesmo tempo tira autonomia dos campos culturais (fusão Time-Warner). Editores que não sabem ler, mas sabem contar, que transplantaram para a França o sistema norte-americano no qual as editoras frequentemente estão nas mãos de grupos que não têm nada a ver com a edição, ou seja; bancos, sociedades petrolíferas, companhias gerais de eletricidade. (Bourdieu, in Canclini)
  5. 5. O conceito de leitor foi trabalhado no marco de uma teoria dos campos culturais. A noção de espectador, embora mais difusa, foi definida em relação a campos específicos (recitais, cinema e televisão). Se falamos de internauta, fazemos alusão a um agente multimídia que lê, ouve e combina materiais diversos. (Canclini)
  6. 6. As “teorias” que propunham relatos para entender como se relacionavam os saberes específicos de cada campo – a economia com a educação e ambas com a arte e o poder – foram incapazes de controlar as desordens (liberalismo clássico) ou o fizeram com um absolutismo, no final ineficaz, que gerou mais descontentamento do que soluções ( o marxismo). Se na educação, na arte, na ciência e na política ocorrem processos distintos daqueles próprios do intercâmbio de mercadorias, trata-se de detalhes supostamente redutíveis a o que tais âmbitos têm de mercado. (Canclini)
  7. 7. Economia da Cultura: contribuições para a construção do campo <ul><li>(Fonte: www.contasabertas.com - 25/03/2011) </li></ul><ul><li>Orçamento da União ( 2010 ) pago: R$ 1.421,998 bilhões. </li></ul><ul><li>  Fazenda: 776,1 Previdência Social: 269,2 Saúde: 59,5 Defesa: 55,9 Educação: 55,5 Trabalho e Emprego: 46,0 Justiça Federal: 18,9 Desenvolvimento Social: 16,5 Minas e Energia: 16,5 Cidades: 13,1 Transportes: 12,8 Justiça do Trabalho: 12,1 Integração Nacional: 10,2 Justiça: 8,8 Agricultura: 8,5 Ciência e Tecnologia: 5,7 Presidência: 5,5 Planejamento: 4,9 Justiça Eleitoral: 4,4 Câmara dos Deputados: 3,3 MPF: 3,3 Senado: 2,9 Desenvolvimento Agrário: 2,5 Relações exteriores: 2,1 Meio Ambiente: 1,8 Comunicações: 1,5 TCU: 1,2 Desenvolvimento, Indústria e Comércio: 1,1 Cultura : 0,918 ( 0,06% ) Turismo: 0,639 Esporte: 0,351 Pesca: 0,290 . </li></ul>
  8. 8. Economia da Cultura: contribuições para a construção do campo <ul><li>  </li></ul><ul><li>■ A PRESENÇA DA ECONOMIA </li></ul><ul><li>A Economia como uma “ciência da Casa”, nominando e denominando fatos e trocas econômicas, ocupa cada vez mais espaço, ao lado da Política, nas discussões sobre Cidadania, Estado e Organizações, muitas vezes, preponderando. (Habermas, Huberman, Thompson e Throsby auxiliam-nos a compreender este fenômeno). </li></ul>
  9. 9. Economia da Cultura: contribuições para a construção do campo <ul><li>  </li></ul><ul><li>■ A PRESENÇA DA ECONOMIA (Vasconcellos) </li></ul><ul><li>Tal presença no contexto da produção </li></ul><ul><li>artístico-cultural, nas esferas da Gestão e </li></ul><ul><li>das Finanças, aliada à convicção de que a </li></ul><ul><li>disciplina “Marketing” é, em essência, uma </li></ul><ul><li>disciplina econômica, muito mais que </li></ul><ul><li>administrativa, é que ensejou a presente </li></ul><ul><li>aproximação. </li></ul>
  10. 10. Economia da Cultura: contribuições para a construção do campo <ul><li>  </li></ul><ul><li>■ CONCEPÇÃO </li></ul><ul><li>Se há uma criação autônoma e distinta </li></ul><ul><li>(Benjamin), esta é digna de atenção, de </li></ul><ul><li>estudos e de formação de perfis </li></ul><ul><li>especializados (um dos fundamentos da </li></ul><ul><li>Política Nacional de Cultura, do SNC e </li></ul><ul><li>dos Pontos de Cultura). </li></ul>
  11. 11. Economia da Cultura: contribuições para a construção do campo <ul><li>■ PRODUÇÃO SIMBÓLICA </li></ul><ul><li>Se há bens reconhecidamente culturais, </li></ul><ul><li>há, também, consequentemente, um </li></ul><ul><li>“ PIB” da cultura: </li></ul><ul><li>Bens tangíveis </li></ul><ul><li>Bens intangíveis </li></ul><ul><li>E serviços culturais. </li></ul><ul><li>  </li></ul>
  12. 12. Economia da Cultura: contribuições para a construção do campo <ul><li>  </li></ul><ul><li>■ CONSUMO </li></ul><ul><li>- Se há um “consumo” (fruição) cultural, </li></ul><ul><li>há, também, consequentemente, uma </li></ul><ul><li>clientela e um “PIB” da cultura. </li></ul>
  13. 13. Economia da Cultura: contribuições para a construção do campo <ul><li>  </li></ul><ul><li>■ MERCADO </li></ul><ul><li>- Se há um mercado de arte e de produtos </li></ul><ul><li>e serviços culturais; </li></ul><ul><li>- E há práticas de troca mais ou menos </li></ul><ul><li>reconhecidas, mais ou menos bem </li></ul><ul><li>sucedidas: </li></ul>
  14. 14. Economia da Cultura: contribuições para a construção do campo <ul><li>  </li></ul><ul><li>■ TEMOS AS PRÉ-CONDIÇÕES PARA </li></ul><ul><li>INSTITUCIONALIZAÇÃO DO SETOR </li></ul><ul><li>- Há, claramente, espaço para uma </li></ul><ul><li>Economia da Cultura.   </li></ul>
  15. 15. Economia da Cultura: contribuições para a construção do campo <ul><li>  </li></ul><ul><li>■ PROCESSOS E CADEIAS PRODUTIVAS </li></ul><ul><li>- Há, também, que reconhecer-se a </li></ul><ul><li>especificidade do marketing cultural – a </li></ul><ul><li>aplicação do instrumental de marketing </li></ul><ul><li>pelos atores e agentes da cultura </li></ul><ul><li>(embora a disciplina ainda não seja – </li></ul><ul><li>com exceções – reconhecida pelos </li></ul><ul><li>institutos e escolas de arte). </li></ul>
  16. 16. Economia da Cultura: contribuições para a construção do campo <ul><li>  </li></ul><ul><li>■ ESTABELECIMENTO DE POLÍTICAS </li></ul><ul><li>Top-down (Estado  Mercado) </li></ul><ul><li>- Fim dos incentivos atuais </li></ul><ul><li>- Políticas de fomento setorizadas </li></ul><ul><li>- Decuplicação dos recursos OU </li></ul><ul><li>fusão da Cultura com a esfera da </li></ul><ul><li>Educação. </li></ul>
  17. 17. Economia da Cultura: contribuições para a construção do campo <ul><li>  </li></ul><ul><li>■ ORGANIZAÇÃO DOS MEIOS </li></ul><ul><li>Bottom-up (Mercado  Capital) </li></ul><ul><li>- Setores (editoras, produtoras, agentes, </li></ul><ul><li>captadores, investidores, financiadores) </li></ul><ul><li>- O segmento Cinema amadureceu e já </li></ul><ul><li>atingiu um bom patamar de organização </li></ul>
  18. 18. Economia da Cultura: contribuições para a construção do campo <ul><li>  </li></ul><ul><li>■ ORGANIZAÇÃO DOS MEIOS </li></ul><ul><li>- Formalização (tipos de organização) </li></ul><ul><li>- Legislação e regulamentação </li></ul><ul><li>- Medição (qualificação/quantificação) </li></ul><ul><li>- Construção de Bases de Dados confiáveis </li></ul><ul><li>- Gerando um Sistema de Informação </li></ul><ul><li>- (Direito Societário e Ciências Contábeis </li></ul><ul><li>dão conta, apenas, dos aspectos legais) </li></ul>
  19. 19. Economia da Cultura: contribuições para a construção do campo <ul><li>  </li></ul><ul><li>■ DESAFIOS </li></ul><ul><li>- Migrar de uma política equivocada de </li></ul><ul><li>. incentivo às empresas e agências </li></ul><ul><li>. incentivo a indivíduos e grupos </li></ul><ul><li>estabelecidos </li></ul>
  20. 20. Economia da Cultura: contribuições para a construção do campo <ul><li>  </li></ul><ul><li>■ ORGANIZAÇÃO DOS MEIOS </li></ul><ul><li>- Reconhecimento pela clientela ( ticket , </li></ul><ul><li>vale-cultura, IRPF, IPTU) </li></ul><ul><li>- Incentivo ao “consumo” cultural - 1 </li></ul>
  21. 21. Economia da Cultura: contribuições para a construção do campo <ul><li>  </li></ul><ul><li>■ ORGANIZAÇÃO DOS MEIOS </li></ul><ul><li>- Reconhecimento pelo Estado (alvarás, </li></ul><ul><li>benefícios, incentivos, isenções, </li></ul><ul><li>alíquotas) </li></ul><ul><li>- Incentivo ao empreendedorismo - 2 </li></ul>
  22. 22. Economia da Cultura: contribuições para a construção do campo <ul><li>  </li></ul><ul><li>■ Referências </li></ul><ul><li>HABERMAS, Jürgen. Agir comunicativo e razão destrancendentalizada. Tempo Brasileiro. 2003. </li></ul><ul><li>HUBERMAN, Leo. A história da riqueza do homem. LTC. 2010. </li></ul><ul><li>THOMPSON, John. Ideologia e cultura moderna. Petrópolis, Vozes. 1995. </li></ul><ul><li>THROSBY, David. Economia y cultura . Madrid: Cambridge University Press. 2001. </li></ul>

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