Ficha Informativa 8 – 11º Ano FILOSOFIA     Argumentação, Persuasão e Manipulação. Publicidade e PropagandaArgumentação e ...
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Ficha arg. 8

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Ficha arg. 8

  1. 1. Ficha Informativa 8 – 11º Ano FILOSOFIA Argumentação, Persuasão e Manipulação. Publicidade e PropagandaArgumentação e PersuasãoA argumentação é distinta da persuasão. Se podemos dizer que todo o discurso argumentativo épersuasivo, o contrário não é verdadeiro, pois nem todo o discurso persuasivo é argumentativo.A argumentação para poder ser convincente tem que fazer apelo à razão, ao julgamento dequem participa ou assiste ao confronto de ideias.A persuasão está ligada à sedução. A adesão de alguém a certas ideias é feita através degestos, palavras ou imagens que estimulam nela sentimentos ou desejos ocultos, acabando porgerar falsas crenças. Através da persuasão o orador reforça os seus argumentos despertandoemoções, de modo a criar uma adesão emotiva às suas teses. Na persuasão ao contrário daargumentação faz-se apelo a processos menos racionais. Como veremos, os actuais meios decomunicação de massas, veiculam discursos publicitários que utilizam sofisticadas técnicas depersuasão dirigidas a públicos-alvo bem determinados.Chaim Perelman questiona este critério de distinção. Segundo este autor, o critério dedistinçãonão assenta na dicotomia razão/emoção, mas sim na dimensão do auditório: osdiscursos argumentativos dirigem-se a públicos particulares, capazes de avaliarem as teses emconfronto. Os discursos persuasivos dirigem-se a públicos universais, pouco versados nos temaem discussão e por isso mais receptivos à sedução.2. Logos, Ethos e PathosUm discurso argumentativo requer uma organização e encadeamento de argumentos, tal deforma lógica que o auditório não apenas possa acompanhar o raciocínio do orador, mas tambémque possa ser convencido da justeza da posição que está a ser defendida (Logos). Para alémdeste aspecto, é também fundamental para que o discurso seja persuasivo que o próprio oradorseja credível (Ethos) e que desperte simpatia ou gere empatia com o auditório (Pathos)Este aspecto realça a importância do emissor (orador, o que elabora a argumentação). Ele temque conhecer as características do seu receptor (auditório) e saber calcular as suas reacçõesface à mensagem pretende veicular. O discurso argumentativo valoriza o receptor e as suasopiniões ou reacções.3. Persuasão e ManipulaçãoPersuadir não é a mesma coisa que manipular. A grande diferença reside na intenção do orador.No caso da persuasão o objectivo é apenas provocar a adesão, apelando a factores racionais eemocionais. No caso da manipulação, existe uma intenção deliberada de desvalorizar osfactores racionais, apelando a uma adesão emocional. O próprio discurso é baseado emfalácias, onde é patente a intenção de confundir o auditório.
  2. 2. As técnicas de persuasão (manipulação ) ensinadas pelos sofistas, apesar da sua eficácia,podem ser consideradas muito rudimentares face às aplicadas no século XX para manipularemmilhões de pessoas.A persuasão dos sofistas estava muito confinada às capacidades manifestadas pelo orador. Apalavra tinha ainda uma lugar central. As técnicas de persuasão actuais, ornaram os oradoresparte de uma vasta encenação, onde se recorre a uma enorme variedade de mais para seduzir,persuadir e manipular.O ditador Adolfo Hitler, foi o primeiro a integrar a retórica em gigantescos espectáculos depropaganda, produzindo um poderoso efeito hipnótico sobre os auditórios.Os discursos Hitler eram cuidadosamente ensaiados. Modelações no tom de voz, gestosdramáticos, olhares acutilantes, e expressões faciais acentuavam os momentos maisimportantes nos seus discursos. Os discursos abordavam de forma muito emocional quasesempre os mesmos temas: o ódio aos judeus, o desemprego e o orgulho ferido da Alemanha. Oslocais eram decorados de forma a acentuar a sua presença. As paradas militares, bandeiras esímbolos conferiam à sua figura e palavras uma dimensão sobrenatural.4. Novas Formas de ManipulaçãoAs práticas de manipulação são milenares. Estão intrinsecamente ligadas à vontade de domínio.Há manipulação sempre que alguém procura controlar o conhecimento de outro tendemem vista condicionar ou alterar o seu comportamento. As formas de manipulação ligadas aopoder político são as mais conhecidas, mas não são as únicas existentes.Formas Directas de ManipulaçãoAs formas manipulação mais conhecidas são as realizadas pelos regimes ditatoriais. Podemosneste caso identificar facilmente quem as faz, com que objectivos e os meios que utiliza. Trata-se de um manipulação com rosto, que coloca desde logo os cidadãos de sobreaviso em relaçãoàqueles que as planeiam e executam. A censura, a propaganda e a violência repressiva sobre os"desviantes" são os seus meios privilegiados .Censura: a informação é manipulada não apenas tendo em vista omitir factos relevantes, mastambém deformar o conteúdo da informação veiculada de modo a que a mesma se ajuste àsideias dos censores. Em Portugal a censura foi um dos instrumentos mais utilizados peladitadura (1926-1974) para a manipulação da opinião pública: a informação que era autorizadaera previamente mutilada. A restante era simplesmente proibida.Propaganda: a informação é forjada de forma provocar a uma adesão imediata a certosestímulos, explorando para tal as emoções ou os medos das pessoas. Durante a 1ª. GuerraMundial (1914-1945), as técnicas de propaganda aos serviços dos Estados tornaram-seenormes máquinas de mobilização de massa, dotadas de enormes recursos técnicos, que foramdepois eficazmente aplicados e desenvolvidos pelos diferente regimes totalitários.
  3. 3. Em Portugal, uma das primeiras acções da ditadura (1926-1974) foi a de criar importantesorgãos de propaganda do regime ( consultar ). O regime de nazi, foi contudo aquele maisdesenvolveu as técnicas de propaganda e as aplicou com grande êxito. No Congresso deNuremberg, em 1936, Hitler afirmou: "a propaganda conduziu-nos ao poder, a propagandapermitiu-nos conservar depois o poder, a propaganda, ainda, dar-nos-à a possibilidade deconquistar o mundo". Uma das suas acções mal conquistou o poder foi criar um Ministério daPropaganda, dotando-o de enormes recursos. A propaganda nazi assentava em ideias muitossimples, que podia ser facilmente apreendidas pelas pessoas. Estas ideias apelavam à emoção,estimulando reacções de medo, ódio, violência e desejo de vingança.Formas Difusas ManipulaçãoOs processos de manipulação da informação são todavia mais amplos, e estão largamentedisseminados nas sociedades democráticas ocidentais, utilizando-se técnicas muito sofisticadas,mas não menos eficazes, nomeadamente porque os cidadãos estão desprevenidos.Televisão: Um Perigo para a Democracia ?Karl Popper, no início da década de 90, acusou a televisões de estarem a destruir os regimesdemocráticos. Afirmando:1. A finalidade das televisões não é a educação ou a melhoria das pessoas, mas apenas o lucro.2. Aquilo que oferecem às pessoas não é o que é melhor para a sua educação, mas apenasaquilo que as seduz e as mantém presas aos ecrans de televisão, fazendo desta forma subir asaudiências. A receita que utilizam é sempre a mesma: sexo, violência, sensacionalismo, etc.Uma receita que cansa, por isso mesmo obriga-as a um reforço continuo das suas doses diárias(mais sexo, mais violência, mais sensacionalismo…).3.Com o aumento do número de canais de televisão, cresceu também o número de pessoasmediocres ou gente sem escrúpulos ligadas à produção de programas televisivos. Gente queapesar da sua enorme influência social, trabalha na mais completa impunidade e sem qualquercontrolo democrático.4. As pessoas mais vulneráveis a esta influência nefasta da televisão são as que possuem umnível de formação e maturidade insuficiente para estabelecerem uma distinção entre a ficção e arealidade.Exemplos de ManipulaçãoA - Os meses que precederam a ocupação do Iraque, em 19 de Março de 2003, assistiu-se auma campanha de manipulação da informação a nível mundial.As principais agências de comunicação social divulgavam informações provenientes das maisdiversas fontes e origens todas num único sentido: sustentarem a tese dos EUA de que a oditador do Iraque possui armas de destruição maciça .
  4. 4. Em vários países, como Portugal, muitos jornalistas e especialistas em questões militaresapoiaram activamente esta campanha preparando a opinião pública para aceitar a inevitabilidadede uma intervenção no Iraque, a fim de acabar com os arsenais e a produção das alegadasarmas de destruição maciça.Um ano depois da ocupação, os governos dos EUA e da Grã-Bretanha reconheciam que estasarmas não existiam e que haviam enganado a opinião pública. Acusaram na altura os seusserviços de espionagem de lhes terem fornecido de informações forjadas.Objectivo da manipulação: o controlo das enormes reservas de petróleo existentes noIraque.B - Logo após o atentado de Madrid de 11 de Março de 2004, o governo espanhol procuroudeliberadamente manipular a comunicação social, veiculando informações no sentido de fazercrer à população que a ETA era a autora do atentado ( A ETA é uma organização fundada emfinais dos anos 50 do século XX e que luta pela Independência do país Basco (Euskadia). Opróprio primeiro-ministro da altura (José Maria Aznar) pressionou directamente directores dejornais para veicularem uma informação que sabia ser falsa.Objectivo da manipulação: vencer uma disputa eleitoral. Professora: Rosa Sousa

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