68 a geraçãoque queria mudaro mundo: relatos
68 a geraçãoque queria mudaro mundo: relatosrealização
Governo FederalMinistério da JustiçaComissão de AnistiaPresidenta da RepúblicaDILMA VANA ROUSSEFFMinistro da JustiçaJOSÉ E...
ProjetoMarcas da MemóriaUm projeto de memória e reparação coletiva para o Brasil8
Criada há dez anos, em 2001, por meio de medida provisória, a Comissão de Anistia doMinistério da Justiça passou a integra...
reparação individual em um processo de reflexão e aprendizado coletivo, fomentandoiniciativas locais, regionais e nacionai...
esqueça, para que nunca mais aconteça”, exposição de painéis com fotos e textos              sobre os 30 anos da Lei de An...
Apresentação     PAULO ABRÃO     Presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça12
A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, desde o ano de 2007, por sua incumbênciaconstitucional, passou a empreende...
Trata-se de dar repercussão às vozes caladas no passado. Fazendo-o, cumpre sua funçãolegal de divulgar a memória política ...
“Brava gente brasileira!	                    Longe vá... temor servil:	                      Ou ficar a pátria livre      ...
Reconhecimentos     ELIETE FERRER16
Homenagens68 A Geração que Queria Mudar o Mundo homenageia a todos os que tombaram naluta por um Brasil livre, com justiça...
SumárioINTRODUÇÃOEliete Ferrer                                          32PANORAMA HISTÓRICOGênero, militância, torturaCec...
2 - Geração Rebelde2.1 - Geração 1968 e avalanche culturalLeoncio de Queiroz                                              ...
4.9 - Éramos mais do que sabíamos...José Flamarion Pelúcio Silva                  1154.10 - Gregório Bezerra: armas e choc...
8 - Morte do Che (9/10/1967)8.1 - Che - Um homem sem fronteirasMarilia Guimarães                                     1568....
11 - A Batalha da Maria Antônia (3/10/1968) e o Congresso de Ibiúna (12/10/1968)11.1 - Eu tinha 20 anos...Mário Albuquerqu...
13.2 - Tempos de opçãoGil Vicente N. Simões                               24813.3 - O baile do esqueletoAluízio Palmar    ...
14.9 - 1971Marco Albertim                                                         28314.10 - Casamento perigosoLao-Tsen de...
15.8 - Um carro em SampaJosé Pereira da Silva                                       33115.9 - RibeiraRoberto Menkes       ...
16.8 - Médicos e resistênciaMiguel Olímpio Cavalcanti                             36916.9 - Exílio dentro de seu próprio p...
16.23 - Natal 1971Memélia Moreira                               42116.24 - Decisão que marcou minha vidaJosé Pereira da Si...
17.6 - ResistirNewton Leão Duarte                                                46618 - Sequestros18.1 - Onde foi que voc...
20.5 - Claros sonâmbulos da noiteGuilem Rodrigues da Silva                              52721 - Uruguai21.1 - Na cama do C...
24 - Argentina24.1 - Ebó em Buenos AiresInêz Oludé da Silva                            59824.2 - Salva pelo gongoInêz Olud...
28.5 - Sobre o Brasil minha pequenaGuilem Rodrigues da Silva             63628.6 - Amo a SuéciaEliete Ferrer              ...
Introdução     eliete ferrer32
Apresentação68 A Geração que Queria Mudar o Mundo compõe-se de histórias reais ocorridasdesde 1964 até a abertura política...
Somos 100 colaboradores. 100 personagens. Cada página é um testemunho vivo deeventos autênticos, pequenos detalhes, retrat...
Nosso objetivo principal é criar um processo permanente de encontros reais e virtuais,visando cultivar e desenvolver as ra...
que o Elmar era grande amigo e agregador - um exemplo de solidariedade. Ele sempreprocurou aquilo que unia, sempre buscou ...
Panorama Histórico     CECÍLIA COIMBRA     LEONCIO DE QUEIROZ     MARIO JAPA, CHIZUO OSAVA     MARIO MAESTRI38
GÊNERO, MILITÂNCIA, TORTURA                                                                        Cecília Coimbra        ...
massacre, o extermínio – é caminhar num fio de navalha, numa “corda bamba”. Esse“equilibrismo” é auxiliado pelas palavras ...
Nesse quadro, fortaleceram-se diferentes movimentos sociais direcionados para achamada “conscientização popular”. Sem dúvi...
de que participei, minha função era – para disfarçar – cozinhar para os companheiros.Contudo, o casamento deixava, aos pou...
Ocorriam espetáculos – tudo em circuito fechado – peças de teatro, filmes, até que, eminício de 68, as passeatas estudanti...
hierarquia, da disciplina, da submissão eram enfatizados, e onde o medo às autoridadesdominava a todos, medo que abrangia ...
As “brilhantes” conclusões dessa pesquisa apresentavam 73% de indivíduos comdificuldades de relacionamento, escasso intere...
caracterizam-se como forma de anular a pessoa, o ser humano, a mulher, a companheirae a mãe.É difícil calcular o número da...
em cima dessa interpretação, até hoje, nenhum torturador do período da ditadura militarfoi responsabilizado. Ao contrário,...
Infelizmente a prática hedionda da tortura continua, ainda hoje, ocorrendo em nossopaís de forma sistemática e generalizad...
Guerra Mundial e a permissão para instalar uma base aérea dos Estados Unidos no RioGrande do Norte.Nem tudo foram rosas, p...
polícia Filinto Müller, egresso do movimento tenentista. Getúlio, contudo, poderia ter-seempenhado em poupar a companheira...
Eleito, não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lode governar”.Getúlio elegeu-se e pôde,...
três aviões da aeronáutica e tomaram à força um avião da Panair, que se constituiu noprimeiro sequestro de avião ocorrido ...
detinha o controle da telefonia. Depois do golpe militar de 1964, ambas as empresasforam milionariamente indenizadas pelo ...
Ampliar o foco para a década ajuda a entender o contexto em que 1968 entra para aHistória com a insurreição estudantil de ...
deficiência, a ideia de inclusão em geral. Indígena não é mais um estágio pré-históricoque se supera por extinção ou assim...
É difícil imaginar hoje que a segregação racial era lei em muitos estados norte-americanosaté 1964, quando a Lei dos Direi...
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Livro 68 a geração que queria mudar o mundo

  1. 1. 68 a geraçãoque queria mudaro mundo: relatos
  2. 2. 68 a geraçãoque queria mudaro mundo: relatosrealização
  3. 3. Governo FederalMinistério da JustiçaComissão de AnistiaPresidenta da RepúblicaDILMA VANA ROUSSEFFMinistro da JustiçaJOSÉ EDUARDO CARDOZOPresidente da Comissão de AnistiaPaulo AbrãoVice-presidentes da Comisssão de AnistiaEGMAR JOSÉ DE OLIVEIRASueli Aparecida BellatoSecretário-Executivo da Comissão de AnistiaMULLER LUIZ BORGESCoordenação-Geral de Memória Histórica da Comissão de AnistiaMARCELO D. TORELLYRealizaçãoCOMISSÃO DE ANISTIA DO MINISTÉRIO DA JUSTIÇAOrganizaçãoELIETE FERRERObra “68 A Geração que Queria Mudar o Mundo: relatos”“As opiniões contidas nos textos desta edição são de responsabilidade de seus autores. O Ministério da Justiça publica aobra “68 A Geração que Queria Mudar o Mundo: relatos” como parte de sua política de divulgação da anistia política noBrasil e como forma de dar cumprimento ampla a sua obrigação constitucional de promover a reparação material e morala todos os perseguidos políticos entre 1946 e 1988, sem que qualquer das opiniões expressas pelos autores traduzaopiniões oficiais do Governo Federal.”Capa Inspirada no Original de JAIR DE SOUZARevisão e EdiçãoELIETE FERRERProjetoLEONCIO DE QUEIROZRevisão FinalKELEN MEREGALI MODEL FERREIRAMARCELO D. TORELLYRUANNA LARISSA NUNES LEMOSProjeto GráficoRIBAMAR FONSECADiagramaçãoÉMERSON CÉSAR S493g 68 a geração que queria mudar o mundo: relatos / Organização: Eliete Ferrer. – Brasília: Ministério da Justiça, Comissão de Anistia, 2011. 690 p. ISBN 978-85-85820-06-0 Distribuição 1. Movimento social, Brasil. 2. Ditadura, história, Brasil. 3. Golpe militar (1964), Gratuita Brasil. 4. Oposição política. 5. Direitos e garantias individuais. I. Ferrer, Eliete, org. II. Título. Venda Proibida 1ª Edição CDD 321.9 3.000 exemplares Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca do Ministério da Justiça
  4. 4. ProjetoMarcas da MemóriaUm projeto de memória e reparação coletiva para o Brasil8
  5. 5. Criada há dez anos, em 2001, por meio de medida provisória, a Comissão de Anistia doMinistério da Justiça passou a integrar em definitivo a estrutura do Estado brasileiro noano de 2002, com a aprovação de Lei nº 10.559, que regulamentou o artigo 8º do Ato dasDisposições Constitucionais Transitórias.Com o objetivo de promover a reparação de violações a direitos fundamentais praticadasentre 1946 e 1988, a Comissão configura-se como espaço de reencontro do Brasil comseu passado e subverte o senso comum da anistia enquanto esquecimento. A Anistia noBrasil significa, a contrário senso, memória. Em seus dez anos de atuação, o órgão reuniumilhares de páginas de documentação oficial sobre a repressão no Brasil e, ainda,centenas de depoimentos, escritos e orais, das vítimas de tal repressão. Desse grande 9reencontro com a História surgem não apenas os fundamentos para a reparação àsviolações como, também, a necessária reflexão sobre a importância da não repetiçãodesses atos de arbítrio.Se a reparação individual é meio de buscar reconciliar cidadãos violados que têm, então,a oportunidade de ver o Estado reconhecer que errou para com eles devolvendo-lhes acidadania e o patrimônio roubados, por sua vez, as reparações coletivas, os projetos dememória e as ações para a não repetição têm a clara finalidade de permitir que toda asociedade conheça, compreenda e, assim, repudie tais erros. A afronta aos direitosfundamentais de qualquer cidadão igualmente ofende a toda a humanidade que temosem comum e, por isso, tais violações jamais podem ser esquecidas. Esquecer a barbárieequivaleria a nos desumanizar. PROJETO MARCAS DA MEMÓRIAValendo-se desses pressupostos e, ainda, buscando valorizar a luta daqueles que resistiram– por todos os meios que entenderam cabíveis –, a Comissão de Anistia, a partir de 2008,realizou sessões públicas em territórios onde se concentram os pedidos de anistia, demodo a tornar o passado recente acessível a todos. São as chamadas “Caravanas daAnistia”. Ao fazê-lo, transferiu seu trabalho cotidiano das quatro paredes de mármore doPalácio da Justiça para a praça pública, para escolas e universidades, associaçõesprofissionais e sindicatos, bem como para todo e qualquer local onde perseguiçõesocorreram. Dessa forma, contribuiu ativamente para conscientizar as novas gerações, 68 a geraçao que queria mudar o mundo: relatosnascidas na democracia, da importância de hoje vivermos em um regime livre, que devee precisa seguir sempre sendo aprimorado.Com a ampliação do acesso público aos trabalhos da Comissão, cresceu exponencialmenteo número de relatos de arbitrariedades, prisões, torturas... mas, também, pôde-se rompero silêncio para ouvir centenas de depoimentos sobre resistência, coragem, bravura e luta.Nesse contexto surge o projeto “Marcas da Memória”, que expande ainda mais a
  6. 6. reparação individual em um processo de reflexão e aprendizado coletivo, fomentandoiniciativas locais, regionais e nacionais que permitam àqueles que viveram tal períodosombrio, ou que a seu estudo se dedicaram, compartilhar leituras de mundo que permitama reflexão crítica sobre um tempo que precisa ser lembrado e tratado sob auspíciosdemocráticos.Para atender a esses amplos e inovadores propósitos, as ações do Marcas da Memóriaestão divididas em quatro campos: a) Audiências Públicas: criação de eventos para promover processos de escuta pública dos perseguidos políticos sobre o passado e suas relações com o presente. São exemplos dessas audiências as sessões temáticas, ocorridas desde 2008, direcionadas às diferentes categorias profissionais de trabalhadores e sindicalistas demitidos arbitrariamente na ditadura, bem como as audiências públicas sobre os limites e possibilidades para a responsabilização dos torturadores, em Brasília (2008), e sobre o regime jurídico do anistiado político militar, mais recentemente, no Rio de Janeiro (2010); b) História Oral: realização de entrevistas com perseguidos políticos baseadas em critérios teórico-metodológicos próprios da História Oral. O primeiro projeto em andamento produziu 108 entrevistas gravadas, filmadas e transcritas de pessoas que vivenciaram episódios atrelados à resistência nos períodos de ditadura, que foram contempladas pela Lei nº 10.559/2002. Esse trabalho é efetivado em parceria com as Universidades Federais de Pernambuco (UFPE), Rio Grande do Sul (UFRGS), e Rio de Janeiro (UFRJ), com o financiamento do Conselho Federal Gestor do Fundo de Defesa de Direitos Difusos – CFDD (2009-2010). Todas as entrevistas ficarão disponíveis no Memorial da Anistia e poderão ser consultadas pela juventude, por pesquisadores e pela sociedade em geral nas bibliotecas e centros de pesquisa das universidades participantes; c) Chamadas Públicas de fomento a iniciativas da Sociedade Civil: convocação por meio da qual a Comissão avalia projetos de preservação, de memória, de divulgação e de difusão advindos de Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) e de Entidades Privadas sem Fins Lucrativos. No 1º Chamamento Público, em 2010, foram elaborados livros, documentários, materiais didáticos e informativos, exposições artísticas, peças teatrais, palestras e musicais. Entre os selecionados estão: “Caravanas da Democracia”, documentário sobre a atuação da Comissão de Anistia; livro “Caravanas da Anistia - O Brasil pede perdão”; “Repare Bem”, documentário sobre os filhos dos perseguidos políticos; documentário sobre 24 ex-presas políticas da Colônia Penal do Bom Pastor de Recife; “Para que não se 10
  7. 7. esqueça, para que nunca mais aconteça”, exposição de painéis com fotos e textos sobre os 30 anos da Lei de Anistia; “Filha da Anistia”, peça teatral com 27 apresentações gratuitas em seis estados da federação; “Resistir é Preciso”, palestra musical sobre a luta pela anistia e democracia, oficinas de debates e criação de Centros Culturais de Direitos Humanos para a paz; “Tempo de Resistência”, musical sobre marcos da ditadura; “Sala Escura da Tortura”, exposição da obra de quatro artistas plásticos renomados internacionalmente, sobre protestos à violação de direitos humanos. Já foi lançada a 2ª Chamada Pública de 2011. d) Publicações: ações com o intuito de lançar uma coleção de livros de memórias dos perseguidos políticos; publicar dissertações e teses de doutorado sobre o 11 período da ditadura e a anistia no Brasil, além de reimprimir ou republicar outras obras e textos históricos e relevantes e registrar anais de diferentes eventos sobre anistia política e justiça de transição. Sem fins comerciais ou lucrativos, todas as publicações são distribuídas gratuitamente, especialmente para escolas e universidades. O primeiro desses livros foi publicado com os “Anais do Seminário Luso-Brasileiro sobre Repressão e Memória Histórica” (2009) e com os “Anais do Seminário Internacional sobre Anistias na Era da Responsabilização” em parceria com a Universidade de Oxford (2010). A Comissão mantém, ainda, a publicação periódica da Revista “Anistia Política e Justiça de Transição”. E agora, esta obra originada nas atividades do grupo Os Amigos de 68, com escritos de 100 perseguidos políticos (2011).O projeto “Marcas da Memória” reúne depoimentos, sistematiza informações e fomenta PROJETO MARCAS DA MEMÓRIAiniciativas culturais que ensejem a toda a sociedade conhecer o passado e dele extrairlições para o futuro. Reitera, portanto, a premissa de que apenas conhecendo o passadopodemos evitar sua repetição no futuro, fazendo da Anistia um caminho para a reflexãocrítica e o aprimoramento das instituições democráticas. Mais ainda: o projeto investeem olhares plurais, selecionando iniciativas por meio de edital público, garantindo igualpossibilidade de acesso a todos e evitando que uma única visão de mundo imponha-secomo hegemônica. 68 a geraçao que queria mudar o mundo: relatosEste projeto permite que todos conheçam um passado que temos em comum e que osolhares históricos anteriormente reprimidos adquiram espaço junto ao público para que,assim, o respeito ao livre pensamento e o direito à verdade disseminem-se como valoresimprescindíveis para um Estado plural e respeitador dos direitos humanos. Comissão de Anistia do Ministério da Justiça
  8. 8. Apresentação PAULO ABRÃO Presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça12
  9. 9. A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, desde o ano de 2007, por sua incumbênciaconstitucional, passou a empreender diversas ações inovadoras com fundamento noconceito global de “reparação”.A reparação devida aos perseguidos políticos extrapola a dimensão eminentementeeconômica, nos termos da Lei nº 10.559/2002 e compreende também fornecer umressarcimento moral satisfatório aos atingidos por atos de exceção. A retratação não seesgota na dinâmica individual, sendo ampliada também socialmente, num processo decoletivização de medidas reparatórias. Tudo isso fez com que passássemos a empreenderaquilo que diversas diretivas internacionais definem como um “programa de reparação”, 13que se insere num marco mais amplo que a simples restituição de direitos ou compensaçãoeconômica às vítimas, contribuindo também para a revelação da verdade, a afirmação damemória social, a reabilitação moral dos prejudicados por atos de exceção e, especialmente,o fomento à não-repetição do autoritarismo.É neste contexto que se edita a presente obra, publicada pela Comissão de Anistia.O livro “68 – a geração que queria mudar o mundo” é composto por relatos de umacentena de ex-militantes políticos, organizados e sistematizados ao longo dos anos porEliete Ferrer, do grupo “Os Amigos de 68”. Trata-se de contribuição ímpar para a difusãoda memória daqueles que combateram o regime militar por descrever, sob diversosmatizes, as percepções e concepções de vida que eles sustentaram, o modo como lutaramcontra a ditadura, bem como as interrupções que tiveram em suas vidas e os recomeçosque puderam construir. Nesse sentido, a publicação da obra é ato de reparação moral,pois contribui para a conexão da geração de 1968 com a história do país, permitindo que APRESENTAÇÃOsuas lutas e memórias constituam efetivamente parte da identidade nacional brasileira.O livro que agora editamos não tem o objetivo de constituir-se em “a verdade oficial”sobre qualquer fato mas quer apenas viabilizar às novas gerações e aos estudiosos doperíodo a leitura de depoimentos pessoais sobre uma série de fatos por demais narrados 68 a geraçao que queria mudar o mundo: relatostanto na história dos “arquivos oficiais”, quanto em outros relatos indiretos, para queestes possam ser avaliados e compreendidos hoje, dentro de um novo contexto social epolítico.Divulgando estes textos, que são escritos em primeira pessoa dos perseguidos, a Comissãode Anistia contribui para pluralizar as fontes de pesquisa sobre a ditadura no Brasil, numexercício que estimula a tolerância e o respeito às diversas formas de ver e viver o mundo.
  10. 10. Trata-se de dar repercussão às vozes caladas no passado. Fazendo-o, cumpre sua funçãolegal de divulgar a memória política do período que se estende entre 1946 e 1988 e,ainda, fortalece valores necessários à democracia, como o fomento à pluralidade e àtolerância. A Comissão de Anistia reúne o arquivo dos que foram atingidos pela ditaduramilitar, pois nosso compromisso é com a verdade das vítimas. Significativa parte doconteúdo deste livro está presente nos processos administrativos de anistia, constituindo-se em fatos já reconhecidos pelo Estado brasileiro. Assim sendo, o objetivo de publicar aobra não é gerar consensos, justo o oposto! Pretende-se ampliar possibilidades de leiturae permitir a mais atores sociais que falem livremente sobre aquilo que viveram e sobre oque pensam dessas experiências.Com o mais sincero respeito e admiração a todos os resistentes brasileiros que contribuírampara a escrita desta obra, tornamo-la pública, para que tantos outros a possam ler eseguir interpretando a história de nosso país, sob o manto de um regime plural,democrático e constituído no respeito aos direitos humanos e fundamentais.Boa e proveitosa leitura a todos e todas.Brasília, maio de 2011. 14
  11. 11. “Brava gente brasileira! Longe vá... temor servil: Ou ficar a pátria livre Ou morrer pelo Brasil.” (Refrão do Hino da Independência do Brasil escrito por Evaristo da Veiga.)
  12. 12. Reconhecimentos ELIETE FERRER16
  13. 13. Homenagens68 A Geração que Queria Mudar o Mundo homenageia a todos os que tombaram naluta por um Brasil livre, com justiça social e com o povo mais feliz.68 A Geração que Queria Mudar o Mundo homenageia, ao mesmo tempo, o GrupoTortura Nunca Mais do Rio de Janeiro - entidade ilibada, referência importante nocenário nacional, que continua denunciando antigos e novos casos de tortura e exigindoa responsabilização daqueles que violam os Direitos Humanos. 17 Dedicatória68 A Geração que Queria Mudar o Mundo é dedicado a todos os participantes doGrupo Os Amigos de 68, inclusive e especialmente aos que já fizeram a grande viagem ejá povoam os Verdes e Floridos Campos de Valhalla onde confraternizam com outrosguerreiros, seus pares. São eles: Velso Ribas, João Batista de Andrade, Miguel Olímpio eArnaldo Bertone, além de Elmar de Oliveira e Almir Dutton, que sempre se esforçarampela nossa união. Agradecimentos RECONHECIMENTOSAos que acreditaram no projeto e o incentivaram de todas as formas. Agradecemos pelaconfiança depositada no projeto.A todos os que colaboraram e enviaram seus relatos muitas vezes escritos com osofrimento e a angústia da recordação. 68 a geraçao que queria mudar o mundo: relatosAos que batalharam para que esta publicação fosse concretizada. Agradeço, eu, Eli Elieteà imensa colaboração do Léo, meu companheiro, amante e segurança, sem a qual não seise seria possível a conclusão deste trabalho.Agradecemos ao Presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, e ao então Ministro daJustiça, Tarso Genro, que aceitaram o desafio de editar este livro que conta, com nossaspróprias palavras, a nossa História.
  14. 14. SumárioINTRODUÇÃOEliete Ferrer 32PANORAMA HISTÓRICOGênero, militância, torturaCecília Coimbra 39O Golpe não começou em 1964Leoncio de Queiroz 481968 a década do caosMario Japa, Chizuo Osava 53Brasil, 1968: o assalto ao céu, a descida ao infernoMário Maestri 57RELATOS1 - Ligas Camponesas / Marinheiros1.1 - O tribuno Francisco JuliãoMarcelo Mário de Melo 651.2 - Resistência ao golpeAntonio Duarte 68 18
  15. 15. 2 - Geração Rebelde2.1 - Geração 1968 e avalanche culturalLeoncio de Queiroz 692.2 - Paissandu e OklahomaEliete Ferrer 732.3 - Meu amigo ElmarAffonso Henriques; Lucio Sattamini; Fernando Silva; Jean Marc vonder Weid; Lavínia Borges; Amaro Bittencourt; Eliete Ferrer 79 193 - Cultura3.1 - O CPC da UNELeoncio de Queiroz 863.2 - Paulo FreireAirton Queiroz 874 - O Golpe (1964)4.1 - Aquele primeiro de abrilIvan Cavalcanti Proença 904.2 - Sede da UNELuiz Alberto Sanz 964.3 - Incêndio no prédio da UNEEduardo Benevides; Luiz Alberto Sanz; Ronald Lobato 99 SUMÁRIO4.4 - Quem eram os verdadeiros...José Flamarion Pelúcio Silva 1044.5 - Prova do crimeMilton Coelho da Graça 106 68 a geraçao que queria mudar o mundo: relatos4.6 - Perda de memóriaJosé Flamarion Pelúcio Silva 1074.7 - Dois amigosMario Marcio Damasco 1084.8 - Primeiro de abril de 1964Urariano Mota 110
  16. 16. 4.9 - Éramos mais do que sabíamos...José Flamarion Pelúcio Silva 1154.10 - Gregório Bezerra: armas e chocolatesMarcelo Mário de Melo 1174.11 - A luta continuaTânia Marins Roque 1195 - Movimento Estudantil depois do Golpe5.1 - Primeiro D.A. livre da FNFiTânia Marins Roque 1265.2 - UEG, hoje UERJ - SonhosSusan Guggenheim 1286 - A Opressão da Ditadura6.1 - O TigreLeoncio de Queiroz 1316.2 - As marquises de NiteróiAluízio Palmar 1336.3 - O difícil café com pãoCládice N. Diniz 1406.4 - 1964 - MotivoFrancisco Manuel Leite Pinheiro 1476.5 - PerseguiçãoPaulo de Tarso Carvalho 1486.6 - Febeapá da ditaduraEmilio Mira y Lopez 1506.7 - Otto Maria CarpeauxEmilio Mira y Lopez; Arthur Poerner 1537 - Invasão da Medicina (1966)7.1 -Invasão da MedicinaLeoncio de Queiroz 154 20
  17. 17. 8 - Morte do Che (9/10/1967)8.1 - Che - Um homem sem fronteirasMarilia Guimarães 1568.2 - Che vive!Marcos Arruda 1589 - Morte do Edson Luís (28/3/1968)9.1 - A morte de Edson LuísAirton Queiroz 161 219.2 - Sardinha no CalabouçoAdair Gonçalves Reis 16410 - Passeatas, Manifestações, Ações10.1 - A culpa foi de Monteiro LobatoAlfredo Lopes 16510.2 - 1968 - Dia de manifestaçãoFrancisco Manuel Leite Pinheiro 17010.3 - 1968: Quarenta anos depoisMaria Clara Lucchetti Bingemer 17010.4 - Quimbanda contra opressãoArthur Poerner 17210.5 - Brasília, quinta-feira, 29 de agosto de 1968 SUMÁRIOMemélia Moreira 17710.6 - Cadê a massaRenato Mayer 17910.7 - Vemaguet revolucionária 68 a geraçao que queria mudar o mundo: relatosGil Vicente N. Simões 18010.8 - Passeata dos cem milDalva Bonet 181
  18. 18. 11 - A Batalha da Maria Antônia (3/10/1968) e o Congresso de Ibiúna (12/10/1968)11.1 - Eu tinha 20 anos...Mário Albuquerque 18411.2 - Torturadores também tinham medoCládice N. Diniz 18811.3 - ÁcidoMário Albuquerque 19011.4 - Maria Antônia, 68Risomar Fasanaro 19111.5 - Uma viagem atribuladaRoberto Menkes 19511.6 - IbiúnaJean Marc von der Weid 19912 - O AI-5 (13/12/1968)12.1 - Normal só a vitória da MangueiraArthur Poerner 22112.2 - Hino NacionalAdair Gonçalves Reis 22312.3 - Na faculdade de EconomiaGil Vicente N. Simões 22512.4 - Origem de algumas distorções nas leituras de 1968Alípio Freire 22712.5 - Clandestinidade na Ilha de Santa CatarinaDerlei Catarina de Luca 23212.6 - Meu pai BenjamimVelso Ribas 23713 - Opções de Luta e Militância13.1 - Jamais catuque a onça com vara curtaJoão Batista de Andrade 240 22
  19. 19. 13.2 - Tempos de opçãoGil Vicente N. Simões 24813.3 - O baile do esqueletoAluízio Palmar 24913.4 - Nossa política externaMario Japa, Chizuo Osava 25013.5 - Luta sindicalDelson Plácido 25613.6 - Hélio Pelegrino, um capítulo ímpar em 1968 23Emilio Mira y Lopez 25813.7 - Causos da resistência à ditaduraRonald Lobato 26114 - Clandestinidade e Solidariedade14.1 - Nome falso: um adjetivoVictória Grabois 26514.2 - Seu Andrade, o ibadianoJosé Flamarion Pelúcio Silva 26814.3 - Raquel, a viúvaUrariano Mota 26914.4 - A primeira noite na clandestinidadeJulio César Senra Barros 273 SUMÁRIO14.5 - Tudo começa onde terminaArnaldo Agenor Bertone 27514.6 - Geração 68Maria Lucia Dahl 279 68 a geraçao que queria mudar o mundo: relatos14.7 - Exílio em São PauloUrariano Mota 28114.8 - Até sempre, Leda!Pedro Viegas 282
  20. 20. 14.9 - 1971Marco Albertim 28314.10 - Casamento perigosoLao-Tsen de Araújo Dias 28914.11 - Macarrão de molhoTânia Marins Roque 29114.12 - Encontro com ApolônioUmberto Trigueiros 29214.13 - TrilhasPedro Albuquerque 29414.14 - SpaghettilândiaJuarez Ferraz de Maia 30614.15 - Operação salvamentoPedro Viegas 31215 - Luta Armada15.1 - ResistênciaNeguinho, Antonio Geraldo Costa 31415.2 - Primeira açãoLeoncio de Queiroz 31615.3 - Guerrilheiro assassinadoColombo Vieira de Sousa Júnior 32115.4 - Inícios da ALN no RioJosé Pereira da Silva 32215.5 - O carro pagador do IPEGSergio Granja 32515.6 - Expropriações e dinheiroMarcelo Mário de Melo; José Pereira da Silva; Zenaide M. de Oliveira 32915.7 - Finanças do M.A.R.Júlio César Senra Barros 330 24
  21. 21. 15.8 - Um carro em SampaJosé Pereira da Silva 33115.9 - RibeiraRoberto Menkes 33215.10 - Treinamento em CubaJosé Pereira da Silva 33715.11 - No dia em que o Marighella foi mortoRose Nogueira 339 2515.12 - O coldreZé Gradel 34115.13 - Movimento estudantil e sequestroColombo Vieira de Sousa Júnior 34215.14 - Nossa lutaPedro Viegas 34416 - Prisões / Violência Institucional / Terror de Estado16.1 - O terror de EstadoCecília Coimbra 34716.2 - Saquinho de mel - BacuriJúlio César Senra Barros 35116.3 - O violão e o tapaMarco Albertim 352 SUMÁRIO16.4 - A malaFerrer da Cunha 35516.5 - Mãe coragemYara Falcon 363 68 a geraçao que queria mudar o mundo: relatos16.6 - MedoCládice N. Diniz 36516.7 - Doce pássaro da juventudeLilian Newlands 366
  22. 22. 16.8 - Médicos e resistênciaMiguel Olímpio Cavalcanti 36916.9 - Exílio dentro de seu próprio paísTânia Marins Roque 37516.10 - Memória, esquecimento e verdadeVictória Grabois 37916.11 - 1969Dalva Bonet 38216.12 - O dia em que o Che foi encontrado em OsascoRisomar Fasanaro 38416.13 - Tortura e eliminação físicaAna Muller 39116.14 - Operário, estudante, comunistaRoque Aparecido da Silva 39216.15 - Década de 70 - confiançaFrancisco Manuel Leite Pinheiro 39816.16 - Queimaram o filme do João CândidoSilvio Tendler 40116.17 - Demônios logradosInêz Oludé da Silva 40316.18 - 1970 - Abril entrincheiradoMarilia Guimarães 40616.19 - Final de Copa do MundoUrariano Mota 40916.20 - O pijamaEmilio Mira y Lopez 41516.21 - Médico na torturaMarcos Arruda 41816.22 - FragmentosNorma Bengell 419 26
  23. 23. 16.23 - Natal 1971Memélia Moreira 42116.24 - Decisão que marcou minha vidaJosé Pereira da Silva 42216.25 - DesabafoMarcelo Mário de Melo 43116.26 - Tinha uma pedra no meio da chuvaRisomar Fasanaro 43216.27 - Agitação no salão de tortura 27Affonso Henriques Guimarães Correa 43816.28 - Barão de MesquitaColombo Vieira de Sousa Júnior 44016.29 - A morte de Odijas CarvalhoClaudio Gurgel 44116.30 - Prisão e tortura no arJosé Duarte dos Santos 44316.31 - Morte do JangoJoão Otávio Goulart Brizola 44517 - Solidariedade e Camaradagem no Cárcere17.1 - O compartilhar do pãoPedro Alves 446 SUMÁRIO17.2 - Verso & reversoJosé Flamarion Pelúcio Silva 45517.3 - Memórias da Ilha das FloresFrancisco R. Mendes 456 68 a geraçao que queria mudar o mundo: relatos17.4 - Mário Alves presenteAffonso Henriques Guimarães Correa 46317.5 - As mães dos presosMarcelo Mário de Melo 465
  24. 24. 17.6 - ResistirNewton Leão Duarte 46618 - Sequestros18.1 - Onde foi que você escondeu o embaixador?Gregório Banar 46818.2 - Os que não foram trocados por embaixadorAffonso Henriques Guimarães Correa 47118.3 - Nome na listaAdair Gonçalves Reis 47219 - Retiradas19.1 - Junho de 1970, a retiradaAntonio Duarte 47419.2 - A saídaRoberto Menkes 47719.3 - Mendiga contando a outros onde encontrar o pãoNúria Mira Ruelis 48019.4 - Brasil 4 x 1 TchecoslováquiaSérgio Valença 48219.5 - Viagem ao exílioAntonio Duarte 49420 - Exílio20.1 - ExíliosJaime Wallwitz Cardoso 50120.2 - Passaporte para o mundoEliete Ferrer 50620.3 - Vida no exílioVelso Ribas; Eliete Ferrer; Eduardo Benevides; Aurélio Ferreira 51820.4 - Fui para o exílio com sete filhosThereza Rabêlo 521 28
  25. 25. 20.5 - Claros sonâmbulos da noiteGuilem Rodrigues da Silva 52721 - Uruguai21.1 - Na cama do ChêLeoncio de Queiroz 52821.2 - MR-8 no Chile ou Jango no Uruguai?Ivan Pinheiro 530 2922 - Argélia22.1 - ArgéliaLia, Maria do Carmo Brito 53322.2 - Argélia e CubaMarco Antonio Meyer 53523 - Chile23.1 - Na sombra da cordilheiraJean Marc von der Weid 53723.2 - RiñihueWilson Barbosa 54023.3 - 45 dias prisioneiro da Junta Militar no ChileLuiz Carlos Guimarães 56523.4 - Eu estive presa no Estádio Nacional do Chile SUMÁRIOSolange Bastos 57323.5 - Chile - Algumas lembrançasUbiratan Kertzscher 577 68 a geraçao que queria mudar o mundo: relatos23.6 - Mãe durante exílioTereza Cristina de Siqueira Cavalcanti 58523.7 - Terremoto ou bombardeioEliete Ferrer 59023.8 - Embaixada do PanamáLia, Maria do Carmo Brito 592
  26. 26. 24 - Argentina24.1 - Ebó em Buenos AiresInêz Oludé da Silva 59824.2 - Salva pelo gongoInêz Oludé da Silva 60525 - Panamá25.1 - Salsa panamenhaDalva Bonet 60926 - Inglaterra26.1 - Viva o Reino UnidoDalva Bonet 61326.2 - Muammar Al-QadhafiDalva Bonet 61727 - França27.1 - Lembranças de Nova IorqueSergio Granja 62127.2 - Revendo amigos na FrançaPedro Alves 62528 - Suécia28.1 - Asilo político na SuéciaGuilem Rodrigues da Silva 62628.2 - A Suécia era sinônimo de fim do mundoGuilem Rodrigues da Silva 62728.3 - Escolha - Acolhida na SuéciaJuca, José Alves Neto 63328.4 - A dor da perdaFrancisco R. Mendes 634 30
  27. 27. 28.5 - Sobre o Brasil minha pequenaGuilem Rodrigues da Silva 63628.6 - Amo a SuéciaEliete Ferrer 63728.7 - À guisa de crônica de NatalGuilem Rodrigues da Silva 63928.8 - Saudades do Olof PalmeEliete Ferrer 63928.9 - Boal em Estocolmo 31Francisco Alencar 64128.10 - Volta e reviravoltaEliete Ferrer 64329 - Suíça29.1 - Flores para SimonsenGuido Rocha 65229.2 - Suíça sem açúcarNelson Serathiuk 65330 - Angola30.1 - Meus golpesMario Japa, Chizuo Osava 656 SUMÁRIOEPÍLOGOSem saudadesWilson Barbosa 663 68 a geraçao que queria mudar o mundo: relatosSuplementosSiglas 673Colaboradores 675
  28. 28. Introdução eliete ferrer32
  29. 29. Apresentação68 A Geração que Queria Mudar o Mundo compõe-se de histórias reais ocorridasdesde 1964 até a abertura política - nas reuniões, na militância, nas manifestações, nasdiscussões, na prisão, nas ações armadas ou não, nos treinamentos, na clandestinidade,no Brasil ou no exterior, no exílio.Aqui, são descritos acontecimentos interessantes de que o colaborador tenha participadoou que tenha presenciado. Episódios, momentos íntimos; aquilo que se conta quando seestá em uma roda de amigos; aquilo que ainda não foi narrado; aquela circunstância 33singular que o autor vivenciou ou a que tenha assistido; recortes de memória;reminiscências, fatos apresentados sob uma ótica peculiar; partículas da realidade vividapor cada um; fragmentos relevantes da nossa vivência na luta por um Brasil melhor.Há todo tipo de relatos: sérios, engraçados, trágicos, pitorescos, dramáticos, emocionantesou não, simples. Com esse livro pretendemos preservar a memória de uma época etransmitir seu clima, assim como as emoções e esperanças que eram então compartilhadas,às novas gerações, aos nossos filhos e netos.O diferencial de 68 A Geração que Queria Mudar o Mundo caracteriza-se pelarevelação do lado humano e afetivo daqueles que não aceitaram a prepotência do Golpede 64, concebido e engendrado nos Estados Unidos. Os golpistas rasgaram a Constituiçãoe depuseram o presidente legalmente eleito. O Terror de Estado implantado pela ditaduraperseguiu, sequestrou, torturou, assassinou e ainda criou a figura do desaparecidopolítico. INTRODUÇÃOConsiderando que nossa ideia criou raízes no âmbito do Grupo Os Amigos de 68,esclarecemos que alguns textos aqui publicados nasceram no calor da discussão, foramextraídos da troca de mensagens entre seus integrantes e refletem nossa preocupaçãocom a Memória Nacional. 68 a geraçao que queria mudar o mundo: relatos68 A Geração que Queria Mudar o Mundo mostra a voz daqueles que, militantes ounão, reagiram e se rebelaram contra os usurpadores do poder, já que este trabalho éconstituído de “flagrantes de lembranças”, de “cenas vistas por um olhar individual”. Seufoco são as experiências pessoais entremeadas de breves contextuações históricas. Defato, a luta contra a ditadura foi o primeiro movimento social rebelde de abrangêncianacional.
  30. 30. Somos 100 colaboradores. 100 personagens. Cada página é um testemunho vivo deeventos autênticos, pequenos detalhes, retratos instantâneos de um período que marcounossa geração, indignada com as arbitrariedades estabelecidas pelos golpistas. Aqui,focalizam-se e revelam-se ângulos da nossa disposição, da nossa esperança no futuro.Cada pessoa é um exemplo real da história de todos. Cada vivência é um retrato dahumanidade.68 A Geração que Queria Mudar o Mundo destina-se a todos os que querem sabermais um pouco a respeito das nossas lutas por um mundo melhor, aos que queremconhecer mais aqueles que se revoltaram contra a ordem imposta pela tirania dos que seapropriaram da máquina estatal. Destina-se a leitores de todas as gerações, especialmente,aos mais jovens que somente ouviram falar que, certa vez, recentemente, muitosbrasileiros estiveram unidos contra o autoritarismo e o terrorismo de Estado.Esperamos que o conhecimento proporcionado pela publicação desta obra, junto com aabertura dos arquivos secretos da ditadura, contribua para que esses fatos nunca possamocorrer novamente. Grupo Os Amigos de 68O Grupo Os Amigos de 68 é um grupo virtual, criado em junho de 2006 que, sempre combom humor, congrega, pela Internet e por meio de encontros políticos, amistosos,calorosos e recreativos, amigos ex-militantes que participaram da luta por uma sociedademais justa e do enfrentamento e resistência à opressão dos que subverteram a ordemconstitucional.O Grupo Os Amigos de 68 promove a união de antigos combatentes de todas as frentesde luta contra a ditadura, em todas as suas fases, correntes e modalidades. Perseguidospela repressão, muitos de nós fomos presos e exilados, temos amigos ou familiares mortose desaparecidos.O Grupo Os Amigos de 68 reúne brasileiros que ousaram resistir à ditadura e exerceramo legítimo direito universal, humano, de reagir contra a tirania instaurada no Brasil apartir de 1º de abril de 1964. O direito de rebeldia faz parte da história da humanidade. 34
  31. 31. Nosso objetivo principal é criar um processo permanente de encontros reais e virtuais,visando cultivar e desenvolver as raízes comuns e os laços de amizade e solidariedade quenos unem, respeitando e admirando a diversidade e as diferenças que o tempo e a vidacultivaram em cada um de nós.Somos cerca de 300 integrantes oriundos de muitas partes do Brasil, residentes aqui e nomundo. Temos associados que moram na Suécia, na França, no Canadá, nos EstadosUnidos, na Bélgica, em Portugal, na Suíça, na Dinamarca e na Itália.De dentro do Brasil temos companheiros nas seguintes cidades: 35Rio de Janeiro, Recife, Niterói, São Paulo, Goiânia, Fortaleza, Vitória, Brasília, BeloHorizonte, Salvador, João Pessoa, Olinda, Porto Alegre, Aracaju, Maceió, Osasco,Araçatuba, Campinas, Uberlândia, Ribeirão das Neves, Foz do Iguaçu, Curitiba, Criciúma,Ribeirão Preto, Itapuá, Armação de Búzios, Macaé, Guarapari, Juiz de Fora, Valença,Maricá, Sorocaba, São Bernardo do Campo, etc.Costumamos dizer que somos um Grupo descontraído, alegre, afetivo e cheio deinformação.É realmente emocionante usufruir de um espaço como o do Grupo Os Amigos de 68 epoder “rever” velhos companheiros e apóia-los, trocar carinhos, notícias, planejar outrosencontros, discutir assuntos atuais, promover eventos e sonhar com o futuro, pois aindaqueremos mudar o mundo. INTRODUÇÃO HistóricoA ideia deste livro nasceu em fins de 2006, quando integrantes do Grupo Os Amigos de 68 a geraçao que queria mudar o mundo: relatos68 homenagearam nosso companheiro Elmar de Oliveira na Taberninha da Glória. Eranovembro e o Elmar tinha feito a grande viagem.O encontro foi muito afetivo, alguns discursaram e muito se falou do Elmar, da Cinematecado MAM, das lutas contra a ditadura, do companheirismo, das reuniões, da militância,dos exílios, do “exílio” do Elmar em Mar de Espanha. Todos não se cansaram de afirmar
  32. 32. que o Elmar era grande amigo e agregador - um exemplo de solidariedade. Ele sempreprocurou aquilo que unia, sempre buscou a congregação de todos.Concluímos, naquele dia, mais uma vez, que tínhamos que dar início a um Livro deMemórias, que deveria estar pronto até meados do ano seguinte para ser editado elançado no início de 2008, quando o ápice do nosso movimento completasse 40 anos.A maneira como devemos passar nossas vivências para os nossos filhos e netos semprefoi motivo de preocupação para nós, atentos ao que é ensinado nas escolas, inquietoscom a desinformação geral dos jovens. Pensamos em registrar, nós mesmos, nossasexperiências em uma coletânea que contivesse parte da História do Brasil contada pelospróprios participantes, onde nosso lado humano e afetivo fosse sua característicaessencial e se mostrasse presente em cada vírgula, em cada palavra ou parágrafo.Formou-se um grupo interessado nos cuidados com a publicação, que participaria daseleção dos trabalhos que, depois de revisados, entrariam na composição do nosso livro:Beth Müller, Chiquinho Roberval Mendes, Colombo Vieira, Eliete Ferrer, Jaime WallwitzCardoso (Jaimão), Leoncio de Queiroz (Léo), Newton Leão Duarte e Zé Gradel. O Léoelaborou o projeto. Eu, Eli, fiquei responsável pelo recebimento, revisão e edição dostextos, além de coordenar e organizar o livro. Meu grande desafio consistiu em convenceras pessoas a que escrevessem e enviassem seus relatos em tempo.Pela alta qualidade dos relatos recebidos por mim, todos foram aproveitados.Ressalto a inestimável atuação de Julio César Senra Barros no intuito de publicar nossolivro, o esforço incansável de Emilio Mira y Lopez e Marília Guimarães com esse mesmoobjetivo, assim como a tentativa de Roberto Menkes e a atenção de Robson Achiamé.Destaco o carinho do meu amigo Arthur Bosisio por seus preciosos conselhos.Nosso livro passou a chamar-se 68 A Geração que Queria Mudar o Mundo. 36
  33. 33. Panorama Histórico CECÍLIA COIMBRA LEONCIO DE QUEIROZ MARIO JAPA, CHIZUO OSAVA MARIO MAESTRI38
  34. 34. GÊNERO, MILITÂNCIA, TORTURA Cecília Coimbra 39 “Lembra daquele tempo Que sentir era A forma mais sábia de saber E a gente nem sabia?” (Alice Ruiz) PANORAMA HISTÓRICO - GÊNERO, MILITÂNCIA, TORTURA Trazer um tempo vivido intensa e ativamente, de forma um tanto frenética, pois tudo nosparecia urgente de ser realizado, sem cair em uma espécie de saudosismo conservador, éum desafio. Desafio que aceitamos ao tentar trazer alguns fragmentos de uma históriaque será não somente minha, mas de uma geração que generosamente sonhou, ousou,correu riscos e, como a peste, foi marcada, massacrada e exterminada: uma geração que,apaixonadamente, nos anos 60 e 70, caracterizou-se não pela “mesmice”, pelo instituído,pelo conformismo, mas, ao contrário, pela denúncia, pela desmitificação, pela criação denovos espaços.Este livro compõe-se, portanto, de muitas outras seqüências de ações: dos que 68 a geraçao que queria mudar o mundo: relatossobreviveram, dos que sucumbiram e – por que não? – dos que, muitas vezes, aterrorizados,assistiam e/ou passavam ao largo desses mesmos acontecimentos.Trazer esses tempos de militância – descritos aqui, inicialmente, como um tanto eufóricose mesmo despreocupados, pois, sem dúvida, acreditávamos e pensávamos poder mudaro mundo e, posteriormente, como tempos sofridos e dolorosos, quando recrudesceu o
  35. 35. massacre, o extermínio – é caminhar num fio de navalha, numa “corda bamba”. Esse“equilibrismo” é auxiliado pelas palavras do poeta Paulinho da Viola – quando dolançamento de um filme documentário sobre sua obra.- É uma coisa muito minha ter essa sensação de que todas as coisas que eu vivi,experimentei, senti ou vi estão agora aqui comigo.Contar essas memórias significa, sem dúvida, tentar navegar por outras histórias,diferentes da oficial que nos tem sido apresentada e afirmada como única e verdadeira.Há relatos que atravessam e constituem todos nós, mesmo os que não tiveram comaqueles tempos implicações tão intensas ou que neles não viveram.O conhecimento do passado que nos tem sido imposto seleciona e ordena os fatossegundo alguns critérios e interesses e, com isso, constrói zonas de sombras, silêncios,esquecimentos, repressões e negações. A memória “oficial” tem evidenciado, portanto,seu lado perverso, pelas práticas dos “vencedores” com o intuito de apagar os vestígiosque os tornados subalternos e os opositores, em geral, têm deixado ao longo de suasexperiências de resistência e luta. A versão “oficial” tem engendrado distorções,estimulado a ignorância a respeito dos embates ocorridos em nosso país, como se os“vencidos” não estivessem presentes no cenário político e, ainda, apaga, até mesmo, seusprojetos e utopias.Entretanto, apesar desse poderio, não tem sido possível ocultar ou eliminar a exposiçãocotidiana de outras realidades. Não obstante essas estratégias de silenciamento eacobertamento, outros fatos vazam, escapam e, de vez em quando, reaparecem, invadindomuitos de nós. Por isso, falar deles é afirmar/fortalecer experiências ignoradas,desqualificadas, negadas.Toda uma geração de jovens estudantes, intelectuais e artistas – e ali estava eu – vivemosintensamente o alegre e descontraído início da década de 60, continuação do que ficouconhecido como os famosos “anos dourados” – os anos 50 da Bossa Nova, do bem-humorado e sorridente presidente JK, Juscelino Kubistcheck que governou o país de1956 a 1961. Aqueles tempos destacaram-se pela implementação de projetos daschamadas reformas de base e de desenvolvimento nacional, frente ao reordenamentomonopolista do capitalismo internacional, o que gerou uma política populista dosgovernos de Jânio Quadros até 1961 e João Goulart de 1961 a 1964. 40
  36. 36. Nesse quadro, fortaleceram-se diferentes movimentos sociais direcionados para achamada “conscientização popular”. Sem dúvida, foram anos marcados pelos debates emtorno do “engajamento” e da “eficácia revolucionária”, onde a tônica era a formação deuma “vanguarda” e seu trabalho de “conscientizar as massas” para que pudessemparticipar do “processo revolucionário”. A efervescência política, o intenso clima demobilização e os avanços na modernização, industrialização e urbanização queconfiguravam o período traziam, necessariamente, as preocupações com a participaçãopopular.Ressoavam muito próximos de nós os ecos da vitoriosa Revolução Cubana, que passou a 41embalar toda uma juventude e grande parte da intelectualidade latino-americana, comoo sonho que poderia tornar-se realidade.Aqui no Brasil, a despeito de toda uma política populista, os grupos dominantes, muitosaliados aos capitais estrangeiros, mostraram-se incapazes de formular uma políticaautônoma. Assim, surgiram pressões em diferentes áreas, apesar de muitos dessesmovimentos serem alimentados pelo próprio governo populista/desenvolvimentista deJoão Goulart. PANORAMA HISTÓRICO - GÊNERO, MILITÂNCIA, TORTURAFoi a época do Centro Popular de Cultura da UNE, dos Cadernos do Povo Brasileiro, defilmes como Cinco Vezes Favela e do, então, inacabado Cabra Marcado para Morrer.A finalidade era “educar o povão” por meio da arte. No nordeste, Francisco Julião e asLigas Camponesas incendiavam com sonhos de liberdade e de reforma agrária ospequenos camponeses da Zona da Mata. Diferentes experiências com alfabetização deadultos eram realizadas, desde Com Pés Descalços Também se Aprende a Ler, no RioGrande do Norte, passando pelo Movimento de Cultura Popular, em Pernambuco, até oPrograma Nacional de Alfabetização de Paulo Freire, em Pernambuco e Rio de Janeiro.Tratava-se, sem dúvida, da produção de territórios singulares, ainda marcados, muitosdeles, pela sisudez, rigidez e stalinismo vigentes no período e que foram radicalizados 68 a geraçao que queria mudar o mundo: relatospela geração de 68. Provavam-se e aprovavam-se novos valores e padrões decomportamento, especialmente entre a juventude e a intelectualidade militante. Aparticipação das mulheres passava a ser, gradativamente, valorizada, não somente emsua profissionalização, mas, principalmente, no seu engajamento político, a despeito detodos os limites que ainda eram impostos pelos companheiros de militância. Por exemplo,as tarefas reservadas às mulheres na militância, com raríssimas exceções, eram as quesempre foram desempenhadas secularmente por elas. Em uma reunião política clandestina
  37. 37. de que participei, minha função era – para disfarçar – cozinhar para os companheiros.Contudo, o casamento deixava, aos poucos, de ser para nós a única perspectiva honradade independência familiar. Explorávamos novos caminhos onde se tornava fundamentala satisfação pessoal nos mais diferentes relacionamentos, desde a sexualidade até otrabalho, que deixava de ser mera ocupação, por vezes provisória, para tornar-se vialegítima de realização pessoal e afirmação da própria independência. A reproduçãotornava-se uma opção nos debates travados em torno do direito ao aborto e ao uso dapílula anticoncepcional. A sexualidade expandia-se para além dos limites do casamentoe a monogamia teve sua discussão iniciada. O tabu da virgindade caía por terra. Asrelações entre homens e mulheres eram pensadas de forma um pouco mais igualitária.Luiz Carlos Maciel, no livro Anos 60, afirmou:- Queríamos mudar o mundo, era a nossa questão básica; mais: tínhamos a certeza deque isso ia acontecer (...) Não nos passava pela cabeça que o ser humano pudesse passarseu tempo de vida sobre a terra, alheio aos problemas sociais e políticos; esta era para nósa pior das alienações. Foi assim que, nos anos 60, produziu-se uma arte política, umacultura voltada para a questão social. Muitos da geração comprometeram suas vidas coma política e seu modo específico de encarar a realidade.O pacto populista entre o governo de João Goulart e os setores populares começou a setornar perigoso para a expansão monopolista do capital estrangeiro. Foi engendrado ogolpe militar de 64, quando as forças armadas ocuparam o Estado para servir a taisinteresses. Para isso, como preparação de terreno, uma intensa campanha se desenvolveudesde os anos 50, por meio da qual se construía a figura do comunista como o traidor dapátria. O fantasma do comunismo ameaçava e rondava as famílias brasileiras; eranecessário esconjurá-lo, estar sempre alerta para que a pátria, a família e a propriedadecontinuassem territórios sagrados e intocáveis por tal peste. Não foi por acaso que ogolpe de 1º de abril de 1964 teve o apoio de significativas parcelas das classes médiasque denunciavam o avanço do comunismo na sociedade brasileira e exigiam um governoforte.E, a despeito do golpe e da intensa propaganda anticomunista, das prisões, das cassações,dos primeiros desaparecimentos – em especial, entre operários, marinheiros e camponeses– havia, ainda, grande difusão de toda aquela “postura participante e conscientizadora”,no período entre o golpe e o Ato Institucional nº 5, de 1968. 42
  38. 38. Ocorriam espetáculos – tudo em circuito fechado – peças de teatro, filmes, até que, eminício de 68, as passeatas estudantis tomaram conta das ruas nas principais capitais dopaís, culminando com a famosa Passeata dos Cem Mil, realizada no Rio de Janeiro, emjunho do mesmo ano.Em outubro, aconteceu o célebre congresso clandestino da UNE, em Ibiúna, São Paulo,“estourado” pela polícia, quando cerca de 700 estudantes foram presos. As grevesoperárias em Contagem e Osasco, com a ocupação de algumas empresas pelostrabalhadores, apontavam – segundo algumas leituras da época – para o enfrentamentocom o regime. A repressão agia de forma cada vez mais violenta e mostrou um de seus 43aspectos mais agressivos: os grupos paramilitares. Bombas foram colocadas em teatrosdo Rio e São Paulo, em editoras, jornais, espaços culturais e faculdades. Sucederam-seseqüestros, espancamentos de artistas e estudantes. A peça Roda Viva foi proibida emtodo o território nacional. Houve denúncia do envolvimento e utilização de uma tropade elite da Aeronáutica (o PARASAR) na prática de ações criminosas e atos terroristascontra alguns dos opositores do regime.Estava sendo armada a cena para o grande amordaçamento: o golpe dentro do golpe, oAto Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968, que encerrou a década de 60 e PANORAMA HISTÓRICO - GÊNERO, MILITÂNCIA, TORTURAinaugurou os terríveis e dolorosos anos 70.A partir daí, o regime militar consolidou a sua forma mais brutal de atuação porintermédio de uma série de medidas como o fortalecimento do aparato repressivo, combase na Doutrina de Segurança Nacional. Dessa forma, estava garantido o desenvolvimentoeconômico com a crescente internacionalização da economia brasileira e a devidaeliminação das “oposições internas”. Silenciava-se e massacrava-se toda e qualquerpessoa e/ou movimento que ousasse levantar a voz: era o terrorismo de Estado que seinstalava; a ditadura sem disfarces.A censura tornava-se, a cada dia, mais feroz e violenta, pois dificultava e impedia 68 a geraçao que queria mudar o mundo: relatosqualquer circulação e manifestação de caráter um pouco mais crítico. A televisão passoua ter um grau de eficiência e eficácia internacionais, fabricava e sedimentava valores epadrões para um país que “vai pra frente”.Muitos passaram a acreditar no “Brasil Grande”, no “progresso”, no “crescimento”, na“modernização”, na “grande potência” em que iria se transformar nosso país. Havia,simultaneamente, um profundo conformismo político, em que a defesa da ordem, da
  39. 39. hierarquia, da disciplina, da submissão eram enfatizados, e onde o medo às autoridadesdominava a todos, medo que abrangia desde o tratamento de questões mais amplas atéproblemas triviais do cotidiano.Duas categorias passaram a ser construídas e muito disseminadas naqueles anos 70, noBrasil: a do subversivo ou terrorista e a do drogado, ligadas à juventude da época. Aprimeira era apresentada com conotações de grande periculosidade e violência, porquese revelava como uma ameaça política à ordem vigente; deveria ser identificada,denunciada, controlada e, se necessário, exterminada. Tal categoria vinha acompanhadade outros adjetivos como: criminoso, ateu, traidor e prostituta para as mulheres, poiscarregava fortes implicações morais. O subversivo ou terrorista não atuava somentecontra o regime político, mas contra a religião, a família, a pátria, a moral, a civilização,tornando-se, assim, um anti-social. Estava contaminado por “ideologias exóticas”, pormandatários de fora. No drogado, o aspecto de doença já estava dado, pois era um sermoralmente nocivo, com hábitos e costumes desviantes. Na época, as drogas foramassociadas a um plano externo para minar a juventude, tornando-a presa fácil das“ideologias subversivas”. Então, juntavam-se drogado e subversivo, o que se tornavaperigosíssimo.Essa juventude que ia para “o caminho da subversão e do terrorismo”, onde algunspegaram em armas para lutar contra o regime, advinha, em sua grande maioria, dascamadas médias urbanas, da pequena burguesia, da intelectualidade. Por que se tornavam“terroristas”, negando suas origens de classe? Esta era uma questão que alguns militarescolocavam, em especial, após o Congresso de Ibiúna, onde quase 90% dos jovens presosadvinham daqueles segmentos. As causas não poderiam estar vinculadas à “crise dafamília moderna”? Não seriam esses “terroristas” jovens desajustados emocionalmente,originários de famílias desestruturadas?Para provar essas hipóteses – há muito anunciadas pela mídia acerca dos jovens “inocentesúteis” –, em 1970, foi realizada uma pesquisa entre presos políticos, no Rio de Janeiro,com o apoio de psicólogos contratados para tal fim e que ficou conhecida como “perfilpsicológico do terrorista brasileiro”. Por meio de anamneses, testes objetivos de nívelmental e de interesses e testes projetivos de personalidade como o Rorschach e oRosenzweig, levantou-se a situação familiar e psicológica desses presos, suas militâncias,o que pensavam fazer ao sair da prisão e várias outras questões. 44
  40. 40. As “brilhantes” conclusões dessa pesquisa apresentavam 73% de indivíduos comdificuldades de relacionamento, escasso interesse humano e social e difícil comunicação;em suma, pessoas difíceis. Além disso, outras características lhes foram atribuídas:imaturos, desajustados, inseguros, instáveis. Portanto, aqueles que se lançavam naresistência contra a ditadura militar apareciam desacreditados com a pecha de doentes,como casos patológicos que deveriam ser submetidos a tratamento.Essa pesquisa mostrou não apenas uma necessidade por parte da repressão de conhecermelhor os militantes políticos e traçar um perfil psicológico daqueles que estavam sendocombatidos, mas, fundamentalmente, difundir na sociedade, nas famílias de classe média 45e nas mães desses jovens, em especial, a crença de que seus filhos encontravam-sedoentes. Elas, em suma, eram as principais responsáveis pelos transtornos que essesjovens traziam para a nação.Ao lado dessas táticas repressivas mais sutis e tão perversas quanto as utilizadasusualmente, os órgãos diretamente vinculados à repressão sofisticavam-se dia a dia. Em1964, foi criado o Serviço Nacional de Informação, que cresceu a ponto de se transformarna quarta força armada não uniformizada. De 1967 a 1970, foram estruturados osCentros de Informações do Exército (CIE), da Aeronáutica (CISA) e da Marinha (CENIMAR), PANORAMA HISTÓRICO - GÊNERO, MILITÂNCIA, TORTURAassim como “forças unificadas antiguerrilhas” que receberam financiamentos públicos eprivados: os DOI-CODIs (Destacamento de Operações e Informações/Centro de Operaçõese Defesa Interna) que, em cada região militar do país, permaneciam sob a jurisdição doComando Regional do Exército. Tais eram seus poderes que certa análise política falavada existência de um verdadeiro Estado dentro do Estado.A tortura foi institucionalizada. Os centros de tortura consolidaram-se como um fatoreal e horripilante.A tortura não quer “fazer” falar, ela pretende calar e é justamente esta a terrível situação:por meio da dor, da humilhação e da degradação tentam transformar-nos em coisa, em 68 a geraçao que queria mudar o mundo: relatosobjeto. Resistir a tal violência revela-se como enorme e gigantesco esforço para nãoperder a lucidez, para não permitir que o torturador penetre em nossa alma, em nossoespírito, em nosso pensamento.Em especial, a tortura perpetrada à mulher mostra-se brutalmente machista. Inicialmente,os xingamentos, as palavras ofensivas e de baixo calão ditas agressiva e ferozmente
  41. 41. caracterizam-se como forma de anular a pessoa, o ser humano, a mulher, a companheirae a mãe.É difícil calcular o número daqueles que se opuseram à ditadura após o golpe de 1964,em nosso país. Mais difícil ainda apontar quantas mulheres participaram desse processo.No Projeto Brasil Nunca Mais, consta que 884 mulheres foram presas e denunciadas àJustiça Militar à época. Entretanto, acredito que esse número seja bem maior, tendo emvista que muitas presas – como foi o meu caso – não foram levadas à Justiça Militar emuitas que militaram no período não chegaram a ser presas.Além disso, pelo levantamento feito por entidades de direitos humanos publicado noDossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos a partir de 1964 (1995) há 24 mulheresmortas e 20 desaparecidas, números que consideramos bastante incompletos ainda.Podemos constatar, porém, que não foi pequeno o número de mulheres participantes daluta contra o regime militar. Contudo, trabalhos sobre tais experiências são muitoescassos. Há, sim, livros de terceiros sobre algumas dessas mulheres vivas ou mortas comoIara Iavelberg, Sônia Maria de Moraes Angel Jones, Zuzu Angel, Carmela Pezzuti, algumasguerrilheiras do Araguaia, reportagens e trabalhos acadêmicos sobre algumas delas.Relatos pessoais das experiências não há nenhum. Ao escrever este artigo, constatei quenão existem livros feitos pelas próprias mulheres. Fica a certeza de que essas históriasprecisam ser contadas.Entendo que, por mais perigoso, delicado e doloroso que seja o ato de denunciar, de falarsobre as violações que sofremos, ele é o início de uma caminhada fundamental para quehistórica e socialmente possamos conviver com os terríveis efeitos produzidos em nóspor semelhantes práticas. A fala, a denúncia, o tornar público, retiram-nos do territóriodo segredo, do silêncio, da clandestinidade. Com isso, podemos sair do lugar de vítimafragilizada, impotente e ocupar o da resistência, da luta, daquele que passa a perceberque seu caso não é um acontecimento isolado; ele toma forma, passa a ser parte deoutros e sua denúncia, esclarecimento, “publicização” e responsabilização abrem espaçose fortalecem novas denúncias, novas investigações. A dimensão coletiva desse caminhose afirma e, com isso, temos a possibilidade de começar a tocar na não responsabilização,de mostrar que tal quadro pode ser mudado, pode ser revertido.Segundo a interpretação dominante da Lei da Anistia, sancionada em 1979, no governoFigueiredo, em função dos chamados “crimes conexos”, todos aqueles que cometeram,em nome da segurança nacional, crimes de lesa humanidade estariam anistiados. Ou seja, 46
  42. 42. em cima dessa interpretação, até hoje, nenhum torturador do período da ditadura militarfoi responsabilizado. Ao contrário, continuam sendo premiados e, em muitas ocasiões,têm ocupado cargos de confiança em governos municipais, estaduais e no federal.Histórica e socialmente, a não “publicização” e a não responsabilização produzem umadupla violação: além da que foi sofrida – se nenhuma atitude for tomada por parte doafetado e/ou autoridades – a pessoa continua no dia a dia sendo violentada. O desrespeitopela falta de investigação e esclarecimento dos fatos e a falta de “publicização” eresponsabilização significam uma nova brutalidade. Não é por acaso que algunsatendimentos clínicos a pessoas afetadas pela violência institucionalizada articulam-se 47com a luta contra a impunidade e têm um caráter pedagógico-social.A própria concepção de “superação” dos efeitos produzidos por essas práticas de violaçãovinculam-se, portanto, às lutas político-sociais, como o combate contra a impunidade epor uma sociedade sem torturas.Trecho extraído de depoimento de um ex-preso político:- “Infelizmente, setores importantes da sociedade não têm a menor ideia de que significa PANORAMA HISTÓRICO - GÊNERO, MILITÂNCIA, TORTURAtortura (...) Tortura é uma das práticas mais perversas: é a submissão do sujeito ao lhe serimposta a certeza da morte. Não uma morte qualquer: é a morte com sofrimento, amorte com muita agonia, é a morte que ocorre bem devagar, porque o desespero deveser potencializado. O choque elétrico rasga, como golpes, as entranhas do indivíduo e ocoração parece que vai explodir. O afogamento, mescla de água e ar, é a consciência daparada cardíaca, a dor dos pulmões que vão encharcando. O pau de arara, o cigarro acesoqueimando a pele e a carne. Várias horas seguidas e em várias horas do dia, da noite, damadrugada”.Desde 1992, funciona no Grupo Tortura Nunca Mais/RJ, seu projeto Clínico-Grupal: umaequipe de psicólogos, psicanalistas, psiquiatras e fisioterapeutas que atende a pessoas 68 a geraçao que queria mudar o mundo: relatosatingidas direta e/ou indiretamente pela violência institucionalizada ontem e hoje. Esteprojeto, além do atendimento, hoje no Rio de Janeiro a 95 pessoas, preocupa-se tambémcom a questão da formação, e organiza cursos, oficinas, seminários para se pensar aquestão da violência, da clínica e dos direitos humanos hoje em uma sociedade globalizadade controle neoliberal.
  43. 43. Infelizmente a prática hedionda da tortura continua, ainda hoje, ocorrendo em nossopaís de forma sistemática e generalizada, principalmente para as camadas empobrecidasda população. O GOLPE NÃO COMEÇOU EM 1964 Leoncio de QueirozNa República Velha, o voto não era universal nem secreto. Analfabetos e mulheres nãovotavam. Não havia urnas onde o voto fosse depositado em um envelope fechado. Oeleitor registrava seu voto em um livro, geralmente sob a supervisão do cacique local.Além disso, depois de eleitos, os candidatos tinham de passar por um crivo denominado,então, de “reconhecimento dos poderes”, isto é, podiam ser aceitos ou “degolados”conforme a conveniência da maioria da Assembleia Legislativa ou do Congresso eleito. Oresultado era uma imbatível oligarquia de latifundiários – os “coronéis” –, dominada porMinas Gerais e São Paulo, que se revezavam no poder. Não havia limite à jornada detrabalho, nem proibição de trabalho infantil, nem estabilidade no trabalho, nem férias,nem 13º salário, nem indenização trabalhista, nem aposentadoria.A revolução de 30 foi o principal marco na História do Brasil depois do descobrimento.Representou uma transformação sem precedentes, muito mais significativa do que aIndependência ou a Proclamação da República. Com ela, o coronelismo rural perdeu suahegemonia e pôde esboçar-se um início de industrialização. Foi Getúlio Vargas quemcriou o Estado brasileiro como ele existe hoje e lançou as bases ainda vigentes dademocracia burguesa. Embora o voto universal – que inclui os analfabetos – só tenhasido incorporado na Constituição de 1988, a eleição para a Assembleia Constituinte, em1933, foi a primeira realizada com os votos femininos e por meio de voto secreto, assimcomo a primeira em que as mulheres puderam candidatar-se. O Governo do Getúlio crioua Legislação Trabalhista e a Justiça do Trabalho para garanti-la. Instituiu as férias, aestabilidade, a jornada de trabalho de oito horas, criou os institutos de previdência eproibiu o trabalho infantil. Getúlio nacionalizou o subsolo brasileiro (os recursos minerais)e fundou a Companhia Vale do Rio Doce, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e aFábrica Nacional de Motores (FNM). A construção da CSN e da FNM foi negociada como governo de Franklin Roosevelt, que se comprometeu a fornecer a tecnologia e osfinanciamentos necessários em troca da adesão brasileira aos países aliados na Segunda 48
  44. 44. Guerra Mundial e a permissão para instalar uma base aérea dos Estados Unidos no RioGrande do Norte.Nem tudo foram rosas, porém. À esquerda dos revolucionários de 30, organizados naAliança Liberal, formou-se uma frente, em torno de um programa de conteúdo antifascistae antiimperialista, liderada pelos comunistas e pelos tenentes revoltosos da década de 20,chamada de Aliança Nacional Libertadora (ANL). Luís Carlos Prestes havia liderado acoluna de tenentes rebelados, que ficou conhecida como a Coluna Prestes e que, de 1925a 1927, percorrera grande extensão do país, pregando reformas políticas e sociais edando combate a tropas dos governos de Artur Bernardes e de Washington Luís, para 49finalmente retirar-se, invicta, para o território boliviano. Prestes, que passou a serchamado de Cavaleiro da Esperança, teve, no exílio, contato com comunistas brasileirose argentinos e passou a estudar o Marxismo. Quando retornou ao Brasil, já membro doentão denominado Partido Comunista do Brasil (PCB), foi escolhido para a presidência daANL. O crescimento vertiginoso deste movimento assustou Getúlio, que o colocou nailegalidade. O PCB e parte do movimento tenentista passaram a planejar uma insurreiçãopopular contra o Governo. Em 1935, ocorreu, prematuramente, em Natal, um levante detropas do Exército que contou com o apoio do PCB local e teve grande adesão dapopulação. Os comunistas e os tenentes sediciosos, apanhados de surpresa, tentaram PANORAMA HISTÓRICO - O GOLPE NÃO COMEÇOU EM 1964eclodir a insurreição. Houve levantes em guarnições do Recife e do Rio de Janeiro, mastodas essas revoltas foram rapidamente sufocadas. Desencadeou-se, a seguir, uma grandecaça aos comunistas, socialistas e membros da ANL. Os dirigentes do PCB foram todospresos. Prestes e sua mulher, a alemã Olga Benário, caíram em março de 1936.A nódoa que denigre o Governo de Vargas consiste na perseguição à ANL e nos maus-tratos e nas torturas infligidas aos comunistas e tenentes aprisionados. Terríveis os relatosda tortura sofrida pelo alemão Harry Berger e sua mulher, Elisa, enviados pela InternacionalComunista para assessorar a direção do PCB. Preso embaixo de um vão de escada, Bergerficava dias sem poder dormir, sendo torturado por meio de um arame enfiado na uretracuja outra ponta era aquecida até ficar em brasa. Era tratado como um bicho, o que 68 a geraçao que queria mudar o mundo: relatoslevou o famoso advogado Sobral Pinto a requerer, em sua defesa, a aplicação da Lei deProteção aos Animais. Harry Berger enlouqueceu na prisão. Prestes passou nove anos emprisão solitária. O mais hediondo crime do Governo, entretanto, foi deportar a esposagrávida de Prestes, judia e comunista, entregando-a aos nazistas. Olga foi executada emum campo de concentração. Leocádia, a mãe de Prestes conseguiu resgatar e criar a neta– Anita Leocádia. O principal responsável por todas essas atrocidades foi o chefe de
  45. 45. polícia Filinto Müller, egresso do movimento tenentista. Getúlio, contudo, poderia ter-seempenhado em poupar a companheira e a filha do adversário vencido, mas não o fez.Getúlio, portanto, foi um protagonista controverso. Se por um lado perseguiu cruelmenteos que estavam à sua esquerda, por outro introduziu reformas profundas, iniciou aindustrialização e criou instituições que se consolidaram na vida nacional. Tudo semabalar a hegemonia do capital e do latifúndio.Os Estados Unidos nunca lhe perdoariam a nacionalização do subsolo, que antes eraconcessão da empresa estadunidense Farquhar, nem a criação da Cia. SiderúrgicaNacional, que conferia relativa auto-suficiência industrial ao Brasil. Com o fim daSegunda Guerra, surgiram duas campanhas antagônicas, ambas pela convocação de umaConstituinte: uma por eleições sem Getúlio e outra, fortíssima, o Queremismo, poreleições com Getúlio. Apesar de já haver convocado as eleições, Getúlio foi deposto, emoutubro de 1945, no auge de sua popularidade, pelos mesmos chefes militares quesempre lhe deram apoio e participaram de seu Governo: Góes Monteiro e Eurico Dutra. Épura falácia a versão de que a ditadura de Vargas foi derrubada por um amplo movimentode retorno à democracia. Getúlio foi removido por seus ministros, que sempre participaramde suas decisões e que continuaram dando as cartas.As eleições que se seguiram foram vencidas por Eurico Dutra, unicamente devido aoapoio que este recebeu de Vargas. São paradoxos da política brasileira: Getúlio apoiou ogeneral que o depôs e, anos mais tarde, recebeu o apoio de Prestes, a quem haviaperseguido tão implacavelmente.Dutra teve um mandato marcado pelo entreguismo, pela subserviência aos interesses dosEstados Unidos, pelo desperdício das divisas acumuladas durante a guerra com importaçãode Pirex e Cadilacs, pelo arrocho salarial, pela repressão aos sindicatos e por uma ferozperseguição aos comunistas. Estes, que haviam sido anistiados no fim do Governo doGetúlio e que puderam participar das eleições, conquistando uma representaçãosignificativa na Assembleia Constituinte e, inclusive, a maior bancada na CâmaraMunicipal do Distrito Federal, foram novamente postos na ilegalidade e tiveram seusmandatos cassados.Em 1950, Getúlio candidatou-se à reeleição. Carlos Lacerda, um ex-comunista recrutadopela direita, lançava-se como líder do mais histérico golpismo, ao escrever: “O Sr. GetúlioVargas, senador, não deve ser candidato à presidência. Candidato, não deve ser eleito. 50
  46. 46. Eleito, não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lode governar”.Getúlio elegeu-se e pôde, mais uma vez, governar a favor do progresso. Criou a Petrobrás,instituiu a SUMOC (precursora do Banco Central), debelou o desequilíbrio cambial atravésda Instrução 70, limitou a 10% as remessas de lucros das empresas estrangeiras, eaumentou em 100% o salário mínimo. Tudo isso exaspera a direita, desatina as classespatronais, enfurece o imperialismo e enlouquece os militares golpistas. Estes soltam ohidrofóbico Carlos Lacerda, que dá continuidade a uma campanha difamatória contra ogoverno de Getúlio. Ocorre, naquele torvelinho, o atentado contra Carlos Lacerda em que 51morre o major da aeronáutica Rubens Vaz. Embora Getúlio nada tenha tido a ver com essefato e a polícia tenha rapidamente elucidado o crime e prendido os culpados, os ataque aele e o clima golpista se acirram cada vez mais. Pressionado a renunciar, Getúlio prefere osuicídio, em 24 de agosto de 1954, causando, assim, grande comoção nacional e profundaconsternação no seio do povo. O movimento que articulava a deposição do presidente foi,de um dia para o outro, abafado por um sentimento geral antigolpista e getulista. Osuicídio de Vargas atrasou em dez anos a tomada do poder tramada pela direita.Novo golpe de Estado foi tentado contra a posse dos novos presidente e vice-presidente PANORAMA HISTÓRICO - O GOLPE NÃO COMEÇOU EM 1964eleitos: Juscelino Kubitschek e João Goulart. O êxito dessa conspiração foi evitado peladecisiva intervenção do Ministro da Guerra, o general legalista Henrique Lott. Juscelinofez um governo de conciliação nacional e grande prosperidade. Estimulou o investimentoestrangeiro, que resultou no desabrochar da indústria automobilística brasileira, construiuBrasília e obteve um elevado ritmo de crescimento econômico. Realizou ou iniciougrandes obras, como as barragens e usinas hidrelétricas de Furnas e de Três Marias e aestrada Belém-Brasília. No entanto, foi também odiado pela direita furibunda que sentiafalta da repressão às lutas populares e sentia-se sufocada no clima de liberdade existente.Duas revoltas ocorreram durante esse período – a de Jacareacanga, em 1956, e a deAragarças, em 1959. Na primeira, dias depois da posse de Juscelino, dois majores da 68 a geraçao que queria mudar o mundo: relatosAeronáutica desertaram, roubaram um avião e tomaram a localidade de Jacareacanga,no sul do Pará. A rebelião foi debelada em alguns dias, seu principal chefe foi preso e osdemais fugiram para a Bolívia. Pouco depois, foram todos anistiados por Juscelino ereintegrados ao serviço ativo, sem sofrerem nenhuma execração raivosa por parte deseus colegas direitistas, bem ao contrário do que ocorreu anos mais tarde com o capitãoLamarca. Na segunda, Haroldo Veloso, o líder da primeira, já tenente-coronel, desertoujuntamente com o tenente-coronel João Paulo Burnier e outros oficiais. Eles furtaram
  47. 47. três aviões da aeronáutica e tomaram à força um avião da Panair, que se constituiu noprimeiro sequestro de avião ocorrido no Brasil. Depois ocuparam a localidade deAragarças, em Goiás. A revolta durou 36 horas. Seus líderes fugiram nos aviões para oParaguai, Bolívia e Argentina. Posteriormente, foram todos anistiados e reintegrados asuas carreiras.Findo o Governo de Juscelino, as forças populares e nacionalistas, juntamente comsocialistas e comunistas, apresentaram as candidaturas de Lott, para presidência, e deJoão Goulart – o Jango –, para a vice-presidência. Lott, general legalista, cumpridor dosregulamentos, introdutor no Exército da promoção exclusivamente por mérito segundoa folha de serviço, católico praticante e nacionalista, era um homem honrado. Era incapazde perseguir qualquer de seus inimigos, de direita ou de esquerda. Durante todo o tempoem que foi Ministro da Guerra, nunca promoveu nenhum de seus filhos ou genros queseguiam a carreira militar, mesmo que estes estivessem na vez. Como não fazia promessas,nem se comprometia a distribuir nem cargos nem verbas em troca de apoio, foi aospoucos sendo abandonado por aqueles políticos clientelistas que povoam os partidosbrasileiros e controlam os currais eleitorais. Adstrito apenas ao eleitorado consciente,Lott foi derrotado pelo candidato da UDN, Jânio Quadros. Este era um político demagogoe histriônico que ganhou fama de varredor do serviço público. Pode-se traçar um paraleloentre ele e o Collor, muitos anos mais tarde – o Caçador de Marajás. É incrível como aHistória se repete. A direita, na impossibilidade de usar a submissão aos interesses docapitalismo e do imperialismo como argumento, levanta sempre o fantasma da corrupção,que tenta imputar aos governos que lhe caem em desgraça.Já que, naquele tempo, as eleições para presidente e para vice-presidente eramdesvinculadas, Jango, que tinha sido Ministro do Trabalho de Getúlio e possuía forteapoio no movimento sindical, foi eleito para vice.Da mesma forma que Collor, Jânio não conseguiu terminar o mandato. Logo no primeiroano, tentou dar um golpe que lhe saiu pela culatra. Renunciou para tentar voltar maisforte, mas seu ato foi aceito sem maiores problemas. Ou com apenas um problema. Ovice era o Jango, inaceitável para a direita reacionária. Tentaram impedir a sua posse,aproveitaram-se de que ele estava em viagem pelo mundo e se encontrava na Chinaquando se deu a renúncia. Nesse momento, entrou em ação Leonel Brizola, governadordo Rio Grande do Sul. Brizola era o homem que havia tido a coragem de encampar aempresa de força e luz de Porto Alegre, subsidiária da Bond & Share, dos Estados Unidos,pagando segundo seu valor histórico, como mais tarde fez com subsidiária da ITT que 52
  48. 48. detinha o controle da telefonia. Depois do golpe militar de 1964, ambas as empresasforam milionariamente indenizadas pelo governo de Castelo Branco. Na crise da posse deJango, Brizola, orientado por Lott, entrou em contato com o General Machado Lopes eambos resolveram resistir e garantir o cumprimento da Constituição. Criou-se, no rádio,a Cadeia da Legalidade. Jango desembarcou em Porto Alegre. Constituído o impasse eiminente a guerra civil, fez-se um acordo: Jango tomaria posse, mas o regime mudariado presidencialismo para o parlamentarismo. O Brasil teve três primeiros ministros,enquanto Jango foi presidente parlamentarista. Depois, realizou-se um plebiscito quedecidiu o retorno ao presidencialismo.Jango caracterizou-se por preconizar as Reformas de Base: agrária, educacional, fiscal, 53administrativa, bancária e urbana. Instituiu o 13º salário, nacionalizou as telecomunicaçõese criou a Embratel e fundou a Eletrobrás. Autorizou a Petrobrás a entrar no mercadonacional de distribuição de derivados do petróleo, antes restrito às empresas estrangeiras.Lançou uma Campanha Nacional de Alfabetização, baseada no método criado por PauloFreire, com o objetivo de erradicar o analfabetismo no Brasil. Esse Governo progressista,nacionalista e de elevada preocupação social, despertou a ira da direita raivosa e docapitalismo internacional. Essas forças retrógradas aproveitaram o clima de rebeldiaexistente no meio dos sargentos e marinheiros para acirrar a reação da oficialidade ao“clima de indisciplina” e conseguir a adesão de setores vacilantes das forças armadas. PANORAMA HISTÓRICO - 1968 A DÉCADA DO CAOSCom o apoio decisivo dos serviços de inteligência dos Estados Unidos, levaram a cabo ogolpe de Estado que foi, ironicamente, apelidado, pelo inesquecível humorista SérgioPorto, de “Revolução Redentora”.Iniciou-se um trágico período da História do Brasil. 1968, A DÉCADA DO CAOS Mário Japa, Chizuo Osava 68 a geraçao que queria mudar o mundo: relatos1968 é um ano símbolo, mas não necessariamente um ano síntese. Acontecimentosespetaculares, violentos e envolvendo multidões lhe deram a marca de revolucionário,mas definir a natureza dessa revolução é que são elas. Enigma e polêmicas o tornaram“interminável”.
  49. 49. Ampliar o foco para a década ajuda a entender o contexto em que 1968 entra para aHistória com a insurreição estudantil de maio na França, a invasão da Checoslováquiapor tropas soviéticas e a ofensiva do Tet que decretou a derrota da intervençãoestadunidense no Vietnam. Alguns autores franceses se referem a “anos 1968”.Na década de 1960, anos mais, anos menos, surgia na Itália o movimento antimanicomial,havia o auge da luta dos negros por direitos civis nos Estados Unidos, nascia o movimentodos homossexuais e o feminismo se sofisticava, ampliando a luta pela simples igualdaderumo à equidade de gênero e aos direitos reprodutivos. O ambientalismo dava seusprimeiros passos, despertando para a importância vital da biodiversidade.O reconhecimento da diversidade como valor e princípio vital, em contraposição aséculos de valorização da homogeneidade - massificação era o termo da época -, foi umareviravolta que o mundo sofreu naquela década. Entrou na ordem do dia o respeito àdiversidade étnica, sexual, humana, biológica, de pensamentos, religiosa, cultural. Nessesentido, o tropicalismo estava mais de acordo com os novos tempos que outras “escolas”artísticas e os militantes revolucionários.A industrialização das sociedades exacerbou a padronização de quase tudo, em nome daprodutividade. A família devia ter pai, mãe e dois filhos, a escola é uma fábrica deprofissionais qualificados. Casas, roupas, comidas, carreiras, tudo o mais idêntico possível,feito numa cadeia de produção. O ideal da uniformização não tinha ideologia, ainda queo comunismo o levasse mais a fundo, com o partido único tentando extirpar ideiasdissidentes.Essa tendência fica mais evidente na alimentação, por exemplo. A humanidade, em suahistória, consumiu umas dez mil espécies vegetais, hoje reduzidas a cerca de 150, comarroz, batata, milho e trigo representando mais da metade do volume consumido. É umdos fatores da atual crise alimentar.Ainda restam umas sete mil línguas no mundo e hoje há preocupação em conservá-las.Antes o ideal era, no máximo, uma língua por país, suprimindo todo o resto. Reconhecerque o Brasil tem 180 línguas é coisa recente.As novas perspectivas de sobrevivência de indígenas, com sua língua e cultura, comopovos de identidade própria, é também produto da “revolução da diversidade” que selocaliza nos anos 1960. Assim como as da livre opção sexual, a cidadania das pessoas com 54
  50. 50. deficiência, a ideia de inclusão em geral. Indígena não é mais um estágio pré-históricoque se supera por extinção ou assimilação, como se pensava antes.Não se trata só de valores ou direitos reconhecidos, mas também de enriquecimento dahumanidade, de mais criatividade e muitas vezes da nossa sobrevivência. Mas são ideiasque demoram a vingar. Só agora Bolívia e Equador se definem como estados plurinacionaise no Brasil ainda temos generais que vêem reservas indígenas na fronteira como ameaçaà soberania e segurança nacional.Naquela década, também chegou ao mercado a pílula anticoncepcional, nasceu acontracultura que teve seu momento de glória no festival de Woodstock, em 1969. A 55América Latina ganhou um potencializador da agitação política, com a revolução cubanae Che Guevara assumindo a missão de disseminar guerrilhas até ser morto em 1967, naBolívia. Grupos guerrilheiros se tornaram comuns, até mesmo na próspera Europa.A rebelião de 1968 se tornou pandêmica principalmente pelo movimento estudantil. NoBrasil, desafiou a ditadura com a Passeata dos Cem Mil, no Rio de Janeiro, e outrosembates de rua com a polícia, até a prisão de toda a sua liderança em outubro. NoMéxico, os estudantes tiveram como resposta o massacre de Tlatelolco, com dezenas oucentenas de mortes, nunca se soube ao certo. Alemanha, Estados Unidos, Itália, Japão e PANORAMA HISTÓRICO - 1968, A DÉCADA DO CAOSoutros países ricos e democráticos também reprimiram violentamente estudantes.O maio francês foi emblemático pela amplitude da sublevação e dos questionamentos.As barricadas de Paris contagiaram milhões de trabalhadores que paralisaram o país,ocupando umas 300 fábricas. “Proibido proibir”, “abaixo o Estado”, “a imaginação aopoder”, “seja realista, peça o impossível” e “não confie em ninguém de mais de 30 anos”foram pichações e palavras de ordem dos manifestantes.A fúria da rejeição a tudo foi o grito de liberdade de uma juventude emergente que jánão podia suportar as camisas-de-força herdadas. A pílula já existia desde 1960, mas amoral vigente ainda reprimia o sexo. Nada de sexo antes do casamento. As religiões eram 68 a geraçao que queria mudar o mundo: relatosonipresentes, castradoras, por quase toda parte. Ser ateu era praticamente um crime.Cabelos compridos um sinal de delinquência. A hierarquia era absoluta, militar, nasrelações familiares, laborais, escolares, entre Estado e sociedade. A Europa prosperavacom um sistema de proteção social sem precedentes. Mas era uma euforia de reprimidos,pelo menos para estudantes.
  51. 51. É difícil imaginar hoje que a segregação racial era lei em muitos estados norte-americanosaté 1964, quando a Lei dos Direitos Civis foi aprovada, reivindicação do movimentonegro cujos protestos se tornaram de massa e abertos a partir de 1955. Naquele ano,Rosa Parks se recusou a ceder o assento no ônibus a um branco, insurgindo-se contra alei do Alabama. Em 1968, foi assassinado Martin Luther King, principal líder domovimento.A intolerância reinante era agravada pela Guerra Fria, que aterrorizava o mundo com aiminência da guerra nuclear e cerceava atividades políticas e ideias com as “fronteirasideológicas”. No Brasil ou se era pela “civilização ocidental, cristã e democrática” oucomunista, sujeito à prisão e tortura a partir de 1964. Não era diferente do outro lado domuro. A invasão da Checoslováquia em agosto de 1968 sufocou uma tentativa deflexibilizar o regime para um “socialismo de rosto humano”. Muitas guerrilhas de entãoforam tentativas de criar um socialismo diferente do soviético e nisso a revolução cubanafoi uma esperança.Mas foi também uma época extremamente criativa. Não só deu origem aos movimentosmais diversos, como a uma grande variedade de novas ideias e criações artísticas. Nossosgrandes compositores populares surgiram naqueles anos, assim como Paulo Freire, aigreja progressista, a Teologia da Libertação.Era um período de muitas utopias, esperanças e entregas generosas. Na África nasciamnovos países independentes, alguns após guerras anticoloniais sangrentas, como a daArgélia (um milhão de mortos estimados), e com promessas revolucionárias. Também setentavam “revoluções pacíficas”, como a eleição de Salvador Allende no Chile, em 1970.Eram ilusões, na maioria dos casos. Allende morreu sob o golpe de Pinochet em 1973, osgovernos auto-proclamados marxistas na África eram uma impossibilidade que terminouem guerras internas e corrupção. Muitos manifestantes do maio francês saudaram aRevolução Cultural, ignorando que se tratava da negação do espírito libertário dosestudantes.Não por casualidade se desenvolveu também nos anos 1960 a teoria do caos ou dossistemas dinâmicos não-lineares. Seus estudos constataram que pequenas alteraçõesnum sistema, antes consideradas desprezíveis, podem alterar totalmente o resultado. É ochamado “efeito borboleta”, cujo vôo poderia provocar tempestades do outro lado doplaneta, um grau de incerteza incorporado às ciências. 56

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