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CONCEITOS DE
    ENVOLVE
       TEMA
        ESTE
               Foto: KLEIDE TEIXEIRA/ EDITORA GLOBO
Guia ÉPOCA




         Em cima da base deixada por Getúlio Vargas, a política para o setor começa
         com Juscelino e tem continuidade sob os militares      POR OSCAR PILAGALLO




                                                                O
                                                                        crescimento do Brasil se dá em espasmos. Após alguns anos de
                                                                        estagnação, segue-se um surto de expansão com intensidade e
             TRANSPORTE RODOVIÁRIO                                      duração variáveis. Até certo ponto, trata-se de um padrão típico do
                                                                capitalismo, em que o mercado, e não o planejamento das antigas socieda-
             > Estima-se que três quartos                       des comunistas, é responsável pela dinâmica da economia. No caso brasi-
             das rodovias do país estejam                       leiro, porém, essa natureza incerta é potencializada pela dependência de
             em estado regular, ruim ou pés-                    fatores que escapam ao controle do governo, como a disponibilidade
             simo. As estradas brasileiras                      de recursos externos.
             são responsáveis por 60% do                          Hoje, com a abundância de dólares no mundo, sobretudo antes da tur-
             transporte de cargas no país.                      bulência dos mercados, o país está em meio a um desses soluços. Depois
                                                                de um período de alta medíocre do Produto Interno Bruto (PIB), é provável
                                                                que até dezembro a média de crescimento dos últimos quatro anos fique
                                                                acima dos 4%. É um resultado que está aquém da necessidade e do poten-
                                                                cial do Brasil, mas que não é desprezível, chegando até a causar efeitos
                                                                negativos, como a formação de gargalos de infra-estrutura.
             REPÚBLICA VELHA                                      A crise aeroportuária é um trágico lembrete de que as condições para
                                                                o país continuar crescendo estão muito próximas do limite. Congonhas,
             > Período que vai da Proclama-                     o aeroporto da cidade de São Paulo, é apenas a ponta do iceberg.
             ção da República, em 1889, à                       Abaixo do nível da água estão a oferta inadequada de energia, o precário
             Revolução de 1930. Foi caracte-                    transporte rodoviário, a malha ferroviária insuficiente, a já saturada
             rizado pelo domínio da oligar-                     capacidade dos portos, enfim, para onde quer que se olhe há uma carência
             quia agrícola. Revezavam-se no                     a ser resolvida.
             poder central representantes                         O anúncio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em janeiro
             dos Estados onde essa burgue-                                         deste ano, é um reconhecimento por parte do governo
             sia tinha mais expressão, São                                         da necessidade de desobstrução desses e de outros gar-
             Paulo e Minas Gerais.                                                 galos. O PAC prevê investimentos de mais de meio tri-
                                                                    O PAC é um
                                                                                   lhão de reais ao longo do segundo mandato do presiden-
                                                                 reconhecimento
                                                                                   te Lula, embora, a julgar pela morosidade dos primeiros
                                                                 da necessidade
                                                                                   passos, dificilmente chegue lá.
                                                                  de desobstruir
                                                                                     O programa divide as opiniões. Os críticos falam em
                                                                     gargalos
                                                                                   volta da interferência do Estado, os simpatizantes vêem
                                                                     da infra-
                                                                                   aí um desenvolvimentismo “light”. O fato é que um país
                                                                     estrutura
                                                                                   periférico como o Brasil, que vive a reboque dos grandes
                                                                                   centros de poder e riqueza do mundo, dificilmente teria
                                                                condição de dispensar a presença do Estado em sua expansão, seja como
                                                                investidor, seja como regulador da atividade econômica.
DIVULGAÇÃO




                                                                  Essa é, em resumo, a história da industrialização brasileira, uma história
                                                                que começa meio por acaso com a Revolução de 30. Por acaso, sim, pois
         Deodoro, o primeiro presidente                         o movimento que pôs fim à República Velha não tinha um plano para

2 I          r e v i s ta é p o c a   I   11 de junho de 2007 R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O I
                                                         2 |
industrializar o                                                                    Getúlio
                  Brasil. Apenas rea-                                                                 (ao centro),
                  giu à Depressão de                                                                  responsável
                  1929, que atingiu                                                                   pela primeira
                                                                                                      siderúrgica
                  em cheio o consu-
                  mo de café, motor
                  da economia bra-
                  sileira. O primeiro                                                                     O PAPEL DAS
                  apoio consistente                                                                       PRIVATIZAÇÕES
                  à indústria viria
                  só com o Estado                                                                            Após os ciclos de expansão
                  Novo, entre 1937 e                                                                      da indústria por indução estatal, o
                  1945, período mar-                                                                      Brasil, em sintonia com a onda
                  cado pela aliança                                                                       liberal liderada pela Grã-Bretanha de
                  entre a burocracia civil e militar e a nascente burguesia industrial.                   Margaret Thatcher (1979-1990) e os
                                           Até o início da Segunda Guerra Mundial, a indústria            Estados Unidos de Ronald Reagan
                                         nacional só engatinhava. O conflito militar proporcionou         (1981-1989), deu início em 1990 a um
                       Até o início      a primeira oportunidade para o setor ficar em pé. Ela            programa de desestatização. Entre
                      da Segunda         foi decorrente da atitude do ditador Getúlio Vargas, que         as primeiras privatizações, ainda no
                    Guerra Mundial, condicionou o apoio do Brasil aos Aliados ao financia-                governo de Fernando Collor (1990-
                       a indústria       mento pelos Estados Unidos da Companhia Siderúrgica              1992), estavam siderúrgicas, o que, até
                        nacional         Nacional, em Volta Redonda, no Rio de Janeiro. A cria-           no nível simbólico, fechou um ciclo.
                         apenas          ção do BNDES, banco de fomento à indústria, e a da                  O programa ganharia impulso
                      engatinhava        Petrobras, no segundo governo Vargas, seriam passos na           nos dois mandatos de Fernando
                                         mesma direção.                                                   Henrique Cardoso (1995-2002),
                                           Embora Vargas tenha lançado as bases, o grande salto           quando as vendas geraram
                  da indústria só seria dado por seu herdeiro político, Juscelino Kubitschek.             US$ 93 bilhões, dos quais 5% em
                  Ao tomar posse, JK anunciou o Plano de Metas, cujo objetivo era crescer                 “moedas podres” (títulos de dívida
                  “50 anos em 5”. Por trás do slogan havia uma iniciativa consistente de                  do governo aceitos como parte do
                  planejamento – a primeira do gênero no Brasil. O plano consistia em apro-               pagamento). No período anterior
                  fundar o processo de substituição de importações. Os setores de energia e               (Collor e Itamar Franco), a receita
                  transporte, que consumiram quase três quartos dos investimentos previs-                 fora de quase US$ 12 bilhões
                  tos, foram privilegiados.                                                               (80% em “moeda podre”).
                     A meta mais visível foi a criação da indústria automobilística. Até então,              Em A Arte da Política, seu livro de
                  circulavam no país apenas carros importados, o que acentuava o desequi-                 memórias, FHC defende o progra-
                  líbrio das contas externas. JK trouxe empresas estrangeiras, inaugurando                ma como uma “inovação na busca
                                 o modelo nacional-desenvolvimentista (em oposição ao nacio-              do interesse público”. O ex-presi-
                                    nalista, avesso ao capital de fora). Ao fim de seu mandato, o         dente cita a criação das agências
                                     presidente chegou próximo da marca dos 100 mil veículos              reguladoras, que têm o objetivo
                                      fabricados que anunciara no início.                                 de imunizar áreas importantes de
                                         O Plano de Metas exigiu um grande esforço de coordena-           ingerências políticas, como um
AGÊNCIA O GLOBO




                                       ção entre áreas distintas. Para evitar gargalos, era preciso       complemento das privatizações.
                                     que não faltassem aço e borracha nas montadoras, nem                 Para tanto, seus integrantes não
                                              material de construção civil para as estradas – e           podem ser demitidos, como na
                                                para Brasília, a cereja do bolo de JK, que custou         tradição anglo-saxã que serviu de
                                                 o equivalente a pouco mais de 2% do PIB. Uma             molde para as agências.
                                                    expansão de tal magnitude teve um preço ele-             O papel lamentável que a Agência
                                                       vado: a conta foi apresentada na forma de          Nacional de Aviação Civil (Anac)
                                                                                                          desempenhou no caos aeroportuário,
                                                                                                          porém, mostra que esses órgãos
                                                           Geisel, que investiu                           ainda precisam ser aperfeiçoados.
                                                           na indústria de base
Guia ÉPOCA



                                                                                                                                 inflação, que dobrou




                                                                 CEDOC
                                                                           Guerra do Yom Kippur,                                 para 40% ao ano
                                                                           que elevaria os preços                                durante o mandato.
                                                                           do petróleo em 1973                                     Depois de patinar
                                                                                                                                 com os dois suces-
                                                                                                                                 sores civis de JK
                                                                                                                                 (Jânio Quadros e João
                                                                                                                                 Goulart), a indústria
                                                                                                                                 teria um novo espas-
                                                                                                                                 mo de crescimento
                   CHOQUE DO PETRÓLEO                                                                                            sob a ditadura militar.
                   > Nos anos 70, a Opep impôs                                                                                   No primeiro momen-
                   dois choques do petróleo. O                                                                                   to, houve o que ficou
                   segundo foi em 1979, quando                                                                                   conhecido como
                   o preço do barril dobrou. A alta                                                                              “milagre brasileiro”.
                   provocou a mais grave recessão                                                                                Entre 1968 e 1973, o
                   mundial desde 1929. No Brasil,                                                                                Brasil teve um cresci-
                   a inflação disparou e houve de-                       mento “chinês”: a expansão anual foi superior a 10%. A receita mostrou-se
                   terioração das contas externas.                       eficiente, mas nada tinha de original: tratava-se apenas de captar os dóla-
                                                                         res que estavam sobrando no mercado internacional.
                                                                           O milagre acabou com o choque do petróleo. Em 1973, a Organização
                                                                         dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) triplicou o preço do barril em
                                                                         represália aos governos ocidentais que haviam apoiado Israel contra os ára-
                                                                         bes na guerra do Yom Kippur. Seria o momento de o Brasil desacelerar, como
                                                                         fez a maioria. Mas os militares decidiram continuar apostando no crescimento.
                                                                           Assim, em 1974, Ernesto Geisel lançou o Segundo Plano Nacional de
                                                                         Desenvolvimento. Se o plano de JK visava à indústria de consumo, o de
                                                                         Geisel visava à indústria de base (fertilizantes, produtos petroquímicos) e
                                                                         à geração de energia. Mais uma vez, o país passaria por um ciclo de subs-
                                                                                                tituição de importações, desta vez de maior enverga-
                                                                                                dura. Entre 1974 e 1978, o Brasil cresceria a um ritmo
                                                                                                médio anual de 7%. Até os críticos de Geisel não
                                                                              Os militares      deixam de reconhecer a importância do investimento
                                                                             lançaram um        em infra-estrutura. O problema foi o elevadíssimo
                                                                                plano de        custo da tentativa de tornar o país auto-suficiente
                                                                           desenvolvimento      em áreas estratégicas. O descontrole da inflação e o
                                                                            num momento         crescimento exponencial da dívida externa – heran-
                                                                                em que o        ças do regime militar – só seriam equacionados duas
MARCO SERRA LIMA




                                                                                 mundo,         décadas mais tarde.
                                                                               depois do           Diante dos planos de JK e dos militares, o PAC
                                                                                primeiro        é um programa modesto, mesmo que venha a ser
               Plataforma                                                      choque do        cumprido à risca, o que é improvável. Uma diferença
               de petróleo                                                      petróleo,       objetiva é a limitação de seu financiamento. Hoje em
               no Brasil                                                      caminhava         dia, o consenso em torno dos valores da estabiliza-
                                                                            para a recessão     ção da moeda não mais permite pagar o crescimento
                                                                              econômica         presente com a inflação futura.


                                                                                                                    OSCAR PILAGALLO, jornalista, é autor
                                                                                                                    de A História do Brasil no Século 20
                                                                                                                    (em cinco volumes, pela Publifolha)



4 I                r e v i s ta é p o c a   I   11 de junho de 2007
Leia o texto:                                                  Sobre as PPPs é correto afirmar:                  são de responsabilidade exclusiva
Depois da necessária e proveitosa discus-                      A) são uma alternativa que o governo              do governo.
são no Congresso Nacional, foi sancionada                      encontrou para atrair investimentos               D) o atual governo nega-se a imple-
a Lei no 11.079, que institui normas para a                    privados para as obras de infra-estrutura         mentar as PPPs, pois faltam meios
contratação das Parcerias Público-Privadas                     necessárias ao país.                              para fiscalizar a correta aplicação dos
no Brasil. Os obstáculos a vencer com as                       B) são um meio de atrair investimentos            recursos, o que implicaria muita cor-
PPPs são muitos e complexos. Para que                          para obras públicas; elas gozam do mais           rupção nas obras públicas.
se obtenha aceitação e confiança públicas,                     absoluto apoio de todas as forças                 E) são um contrato entre o setor público
é preciso, antes de mais nada, grande                          políticas do país.                                e o privado, no qual as empresas tornam-
determinação e apoio governamental,                            C) os empresários não aceitam                     se donas de um serviço público, como
além de plena transparência nas ações.                         as PPPs, pois entendem que os                     uma estrada, em troca da tarifa cobrada
Fonte: CNI in:www.cni.org.br/empauta/src/INFRA-ESTRUTURA.pdf   investimentos em infra-estrutura                  dos usuários.




QUESTÕES RESPONDIDAS

Concreto e bossa nova

1ª questão                                                     ponsável pelo fornecimento de gás natural
                                                               a importantes atividades industriais.
                                                                                                                 2.593 km em território brasileiro.
                                                                                                                 Parte de Santa Cruz de La Sierra, na
A ampliação e diversificação da matriz ener-                   D) a construção do gasoduto pode                  Bolívia, e termina em Porto Alegre,
gética brasileira é uma necessidade frente                     representar o esgotamento rápido do gás           passando por Mato Grosso do Sul,
às possibilidades de retomada do cres-                         natural boliviano, pois, além do Brasil, a        São Paulo, Paraná, Santa Catarina e
cimento econômico e industrial do país. O                      Bolívia abastece ainda a Argentina, que           Rio Grande do Sul. Seu traçado corta
mapa ilustra o gasoduto Bolívia–Brasil.                        não possui reservas deste recurso.                uma área responsável por boa parte
Sobre o gás natural e seu uso como                             E) após a construção do gasoduto, o gás           do PIB brasileiro.
fonte energética no Brasil, é correto                          natural passou a ser a fonte de
afirmar que:                                                   energia mais consumida no país,
A) o gás natural é um recurso mineral                          pelo baixo custo de sua obten-
                                                                                                                                                                  Ilustração: AKE ASTBURY




renovável, encontrado em bacias sedi-                          ção e facilidade de distribuição.
mentares e formado pela decomposi-                             UFSCar, 2005 (questão 25 da prova de Geografia)
ção de matéria orgânica em ambientes                           COMENTÁRIO
periglaciais.                                                  A presença do mapa constitui
B) a substituição do petróleo e do carvão                      boa dica para o acerto da
mineral e vegetal por gás natural, apesar                      alternativa, mas só ajudará os
de reduzir custos, não é recomendável,                         que conhecem o valor do gás
pois o gás é mais poluente que os demais.                      natural como fonte energéti-
C) o gasoduto, que no Brasil passa                             ca. O gasoduto Brasil–Bolívia
somente por Estados do Centro-Sul, é res-                      possui 3.150 km, dos quais
                                                                                                                                                 GABARITO 1 (C)
Guia ÉPOCA



                                                         que as rodovias federais devem receber          A) diferenças de bitolas entre as linhas
  2ª questão                                             neste ano R$ 1,2 bilhão. No ano que vem
                                                         não devem receber muito mais que isso.
                                                                                                         férreas e traçados desiguais nas diferen-
                                                                                                         tes regiões do país.
     O setor ferroviário ultrapassou o rodo-             (O Estado de S. Paulo, 12/10/2003)              B) reduzida demanda para o transporte
  viário na corrida por investimentos. Um                   Apesar das perspectivas promissoras          de cargas no setor e fracasso do modelo
  levantamento concluído nesta semana                    apontadas na reportagem, o setor ferro-         de gestão privada.
  pela Agência Nacional de Transportes                   viário brasileiro, privatizado nos anos 90,     C) inexistência de fábricas de material
  Terrestres (ANTT) mostra que as conces-                tem apresentado modestos indicadores            ferroviário e preferência das transporta-
  sionárias privadas de estradas de ferro                de crescimento do transporte de cargas.         doras pela navegação de cabotagem.
  já garantiram R$ 2,5 bilhões de recursos                  Entre os fatores que têm contri-             D) custos mais baixos do transporte rodo-
  para 2003 e 2004. Do outro lado, dados                 buído para esse baixo desempenho,               viário para grandes distâncias e reduzida
  do Ministério dos Transportes mostram                  podemos citar:                                  conexão ferroviária entre interior e litoral.
                                                                                                         Uerj, 2004 (questão 14 da prova de Geografia)


                                                                                                         COMENTÁRIO
                                                                                                            Quanto ao enunciado, observe que
                                                                                                         começa com a locução prepositiva “ape-
                                                                                                         sar de”, que indica concessão em relação
                                                                                                         ao afirmado anteriormente. Sendo assim,
                                                                                                         o texto, em destaque, não altera o que o
                                                                                                         enunciado solicita.
                                                                                                            Quanto ao conteúdo, no Brasil, é
                                                                                                         comum o uso de duas bitolas diferentes,
                                                                                                         a métrica e a larga. Alguns traçados têm
                                                                                                         bitolas mistas, adaptadas para o uso
                                                                                                         das duas. Apesar dessa dificuldade, o
                                                                                                         transporte de carga por via férrea, princi-
 Estrada de Ferro Vitória                                                                                palmente de produtos como o minério de
 a Minas, responsável por                                                                                ferro, vem avançando no país. Quanto ao
 um terço do transporte da                                                                               transporte de passageiros, restringe-se
 carga ferroviária no Brasil
                                                                                                         às regiões metropolitanas.




  3ª questão                                             bilaterais que, assinados pelo país, res-
                                                         tringem o número de parceiros e itens
                                                                                                         que não destacam a palavra “incorreta”,
                                                                                                         uma armadilha aos desatentos.
    O desempenho atual da indústria                      comercializados.                                   Nesta questão, veja que os acordos
  brasileira sofre interferência negativa de             D) internamente, pelo baixo poder               bilaterais ampliam – e não restrin-
  fatores de ordem interna ou externa.                   aquisitivo de grande parte do mercado           gem – parceiros e itens comercializa-
    Considerando-se essa informação,                     consumidor, conseqüência da má dis-             dos pelo país. Tais acordos obedecem
  é INCORRETO afirmar que, no Brasil,                    tribuição de renda no país.                     às normas da Organização Mundial do
  a indústria é afetada                                  UFMG, 2006 (questão 40 da prova de Geografia)   Comércio. Observe que a questão é
  A) internamente, pelo custo das tarifas                                                                datada. No início deste ano, com a modi-
  públicas e pela carga tributária, que                  COMENTÁRIO                                      ficação na fórmula de calcular o PIB, o
  penalizam o setor produtivo brasileiro.                  Enunciados que pedem a indicação              montante da carga tributária recuou. Da
  B) externamente, pelas oscilações no                   da informação incorreta exigem cuidado          mesma forma, o consumo das classes
  valor da moeda do país, que interferem                 extra, uma vez que devem ser interpre-          menos favorecidas vem crescendo nos
  na competitividade do produto nacional.                tados no sentido inverso ao normalmen-          últimos dois anos, o que poderia levar a
  C) externamente, pelos acordos                         te solicitado. E atenção: há instituições       um questionamento da alternativa D.
                                                                                                                                                   GABARITO 2 (A) 3 (C)


6 I   r e v i s ta é p o c a   I   11 de junho de 2007
4ª questão                                    A CIDADE EM PROGRESSO
O poema ao lado faz referência ao             “A cidade mudou. Partiu para o futuro
desenvolvimento urbano, muito pre-            Entre semoventes abstratos
sente na década de 1950 no Brasil.            Transpondo da manhã o imarcescível muro
Sobre esse período, é CORRETO                 Da manhã na asa dos DC-4s
afirmar que:
                                              Comeu colinas, comeu templos, comeu mar
01. no final da década de 1950, o             Fez-se empreiteira de pombais
Brasil teve como presidente Juscelino         De onde se vêem partir e para onde se vêem voltar
Kubitschek (JK), conhecido por                Pombas paraestatais. [...]
seu slogan de governo “50 anos
em 5”.                                        E com uma indagação quem sabe prematura
                                              Fez erigir do chão
02. durante o governo de JK, o país           Os ritmos da superestrutura
                                              De Lúcio, Niemeyer e Leão. [...]
teve grande crescimento da indústria          MORAES, Vinicius de. Nova Antologia Poética. São Paulo: Cia. de Bolso, 2005, p. 237.
de bens de consumo duráveis, a
maioria pertencente a empresas
multinacionais. As propagandas             Indique a soma das
de automóveis e aparelhos                  respostas corretas: ______
eletrodomésticos da época revelam          UFSC, 2007 (questão 17 da prova de História)
essa tendência.
                                           COMENTÁRIO
04. esse período é conhecido pelo          Sobre o enunciado, repare que o
decréscimo da dívida externa               poema, embora guarde relação com
brasileira, que pôde ser paga              o contexto solicitado, só ilustra a
gradativamente graças ao aumento           questão. Ou seja, o entendimento
das exportações.                           do poema é irrelevante para você
                                           dar a resposta certa. Fique esperto:
08. a construção de Brasília foi           nem sempre a presença de poemas,
idealizada por Getúlio Vargas e            trechos de reportagens e gráficos
concluída por JK. O objetivo era           guardam relação determinante com
desenvolver o litoral brasileiro,          o que será solicitado. E atenção
construindo a capital do país na região.   redobrada para não errar a soma
                                           e morrer na praia.
16. o desenvolvimento industrial           Sobre o conteúdo: o governo JK
atingiu, principalmente, o Nordeste        (1956-1961) possibilitou a entra-                                                                       Vinicius,
brasileiro. Isso provocou grande afluxo    da das multinacionais de bens                                                                          poeta que
migratório do Sul e Sudeste para           de consumo duráveis, tendo à                                                                             aderiu à
a região, provocando o inchaço de          frente a indústria automobilís-                                                                       bossa nova
cidades como Salvador e João Pessoa.       tica. No período, o Brasil viveu
                                           grande efervescência cultural,
32. também como reflexo da                 com o surgimento da bossa
industrialização, pôde-se observar         nova – representada por
um grande crescimento na população         João Gilberto, Tom
rural brasileira.                          Jobim e Vinicius
                                           de Moraes, entre
64. no plano cultural, o período do        outros – e grande
governo JK presenciou a difusão do         atividade no cinema,
cinema brasileiro e da bossa nova,         no teatro, na
                                                                                                                                                                        AGÊNCIA O GLOBO




na qual Vinicius de Moraes teve            literatura e na
presença marcante.                         arquitetura.
                                                                                                                                           GABARITO 4 (67=1+2+64)


                                                                                                     11 de junho de 2007             I   r e v i s ta é p o c a   I 7
Guia ÉPOCA




                                                                                   Como aproveitar este guia
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                                                                                          em sua revista em dez fascículos. Além dos temas abordados (veja
                                                                                          o calendário abaixo), haverá outro assunto a ser escolhido pelos
                                                                                   leitores e que será tratado num 11o fascículo disponível apenas no site da
                                Antes de                                           revista. Para votar num dos assuntos propostos, basta acessar www.epoca.com.br
                                começar                                            e clicar na seção “especiais”.
                                a responder às
                                perguntas, leia
                                                                    E fique           O guia ajudará o candidato a melhorar seu desempenho na prova de
                                todas as questões                   atento:        atualidades. O tema de cada fascículo será exposto num texto didático. Para
                                para sentir a                          é comum
                                dimensão da                     aparecer algum     avaliar o grau de conhecimento dos estudantes, os professores vão propor
                                prova e o grau                   dado que pode
                                de dificuldade                  ser utilizado em   uma questão inédita e comentarão outras quatro formuladas para exames em
                                dos enunciados.                outras questões.    universidades espalhadas pelo Brasil.
                                                                                      O comentário será dividido em duas partes. Na primeira, foca-se o enun-
                                                                                   ciado, com destaque para as diversas maneiras de formular uma questão. Na
Ilustração: AKE ASTBURY




                                                                                   segunda, analisa-se o conteúdo. O ideal é o candidato responder à questão
                                                                                   antes de ler o comentário. O gabarito encontra-se no pé da página em que
                                                                                   está a questão. As quatro questões são transcritas sem modificações, para
                                                                                   que você possa treinar em casa a partir de uma situação real.




                                                                          Calendário
                                                                                                                                       DIRETOR EXECUTIVO Juan Ocerin
                                                                                                                                       DIRETOR EDITORIAL Paulo Nogueira
                                                                                                                                       DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto Corazza
                                                                                                                                       DIRETOR DE FINANÇAS Frederic Zoghaib Kachar
                                                                                                                                       DIRETOR DE ASSINATURAS Stavros Frangoulidis Neto


                                     FASCÍCULO                         TEMA
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Os gargalos da infraestrutura

  • 1. CONCEITOS DE ENVOLVE TEMA ESTE Foto: KLEIDE TEIXEIRA/ EDITORA GLOBO
  • 2. Guia ÉPOCA Em cima da base deixada por Getúlio Vargas, a política para o setor começa com Juscelino e tem continuidade sob os militares POR OSCAR PILAGALLO O crescimento do Brasil se dá em espasmos. Após alguns anos de estagnação, segue-se um surto de expansão com intensidade e TRANSPORTE RODOVIÁRIO duração variáveis. Até certo ponto, trata-se de um padrão típico do capitalismo, em que o mercado, e não o planejamento das antigas socieda- > Estima-se que três quartos des comunistas, é responsável pela dinâmica da economia. No caso brasi- das rodovias do país estejam leiro, porém, essa natureza incerta é potencializada pela dependência de em estado regular, ruim ou pés- fatores que escapam ao controle do governo, como a disponibilidade simo. As estradas brasileiras de recursos externos. são responsáveis por 60% do Hoje, com a abundância de dólares no mundo, sobretudo antes da tur- transporte de cargas no país. bulência dos mercados, o país está em meio a um desses soluços. Depois de um período de alta medíocre do Produto Interno Bruto (PIB), é provável que até dezembro a média de crescimento dos últimos quatro anos fique acima dos 4%. É um resultado que está aquém da necessidade e do poten- cial do Brasil, mas que não é desprezível, chegando até a causar efeitos negativos, como a formação de gargalos de infra-estrutura. REPÚBLICA VELHA A crise aeroportuária é um trágico lembrete de que as condições para o país continuar crescendo estão muito próximas do limite. Congonhas, > Período que vai da Proclama- o aeroporto da cidade de São Paulo, é apenas a ponta do iceberg. ção da República, em 1889, à Abaixo do nível da água estão a oferta inadequada de energia, o precário Revolução de 1930. Foi caracte- transporte rodoviário, a malha ferroviária insuficiente, a já saturada rizado pelo domínio da oligar- capacidade dos portos, enfim, para onde quer que se olhe há uma carência quia agrícola. Revezavam-se no a ser resolvida. poder central representantes O anúncio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em janeiro dos Estados onde essa burgue- deste ano, é um reconhecimento por parte do governo sia tinha mais expressão, São da necessidade de desobstrução desses e de outros gar- Paulo e Minas Gerais. galos. O PAC prevê investimentos de mais de meio tri- O PAC é um lhão de reais ao longo do segundo mandato do presiden- reconhecimento te Lula, embora, a julgar pela morosidade dos primeiros da necessidade passos, dificilmente chegue lá. de desobstruir O programa divide as opiniões. Os críticos falam em gargalos volta da interferência do Estado, os simpatizantes vêem da infra- aí um desenvolvimentismo “light”. O fato é que um país estrutura periférico como o Brasil, que vive a reboque dos grandes centros de poder e riqueza do mundo, dificilmente teria condição de dispensar a presença do Estado em sua expansão, seja como investidor, seja como regulador da atividade econômica. DIVULGAÇÃO Essa é, em resumo, a história da industrialização brasileira, uma história que começa meio por acaso com a Revolução de 30. Por acaso, sim, pois Deodoro, o primeiro presidente o movimento que pôs fim à República Velha não tinha um plano para 2 I r e v i s ta é p o c a I 11 de junho de 2007 R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O I 2 |
  • 3. industrializar o Getúlio Brasil. Apenas rea- (ao centro), giu à Depressão de responsável 1929, que atingiu pela primeira siderúrgica em cheio o consu- mo de café, motor da economia bra- sileira. O primeiro O PAPEL DAS apoio consistente PRIVATIZAÇÕES à indústria viria só com o Estado Após os ciclos de expansão Novo, entre 1937 e da indústria por indução estatal, o 1945, período mar- Brasil, em sintonia com a onda cado pela aliança liberal liderada pela Grã-Bretanha de entre a burocracia civil e militar e a nascente burguesia industrial. Margaret Thatcher (1979-1990) e os Até o início da Segunda Guerra Mundial, a indústria Estados Unidos de Ronald Reagan nacional só engatinhava. O conflito militar proporcionou (1981-1989), deu início em 1990 a um Até o início a primeira oportunidade para o setor ficar em pé. Ela programa de desestatização. Entre da Segunda foi decorrente da atitude do ditador Getúlio Vargas, que as primeiras privatizações, ainda no Guerra Mundial, condicionou o apoio do Brasil aos Aliados ao financia- governo de Fernando Collor (1990- a indústria mento pelos Estados Unidos da Companhia Siderúrgica 1992), estavam siderúrgicas, o que, até nacional Nacional, em Volta Redonda, no Rio de Janeiro. A cria- no nível simbólico, fechou um ciclo. apenas ção do BNDES, banco de fomento à indústria, e a da O programa ganharia impulso engatinhava Petrobras, no segundo governo Vargas, seriam passos na nos dois mandatos de Fernando mesma direção. Henrique Cardoso (1995-2002), Embora Vargas tenha lançado as bases, o grande salto quando as vendas geraram da indústria só seria dado por seu herdeiro político, Juscelino Kubitschek. US$ 93 bilhões, dos quais 5% em Ao tomar posse, JK anunciou o Plano de Metas, cujo objetivo era crescer “moedas podres” (títulos de dívida “50 anos em 5”. Por trás do slogan havia uma iniciativa consistente de do governo aceitos como parte do planejamento – a primeira do gênero no Brasil. O plano consistia em apro- pagamento). No período anterior fundar o processo de substituição de importações. Os setores de energia e (Collor e Itamar Franco), a receita transporte, que consumiram quase três quartos dos investimentos previs- fora de quase US$ 12 bilhões tos, foram privilegiados. (80% em “moeda podre”). A meta mais visível foi a criação da indústria automobilística. Até então, Em A Arte da Política, seu livro de circulavam no país apenas carros importados, o que acentuava o desequi- memórias, FHC defende o progra- líbrio das contas externas. JK trouxe empresas estrangeiras, inaugurando ma como uma “inovação na busca o modelo nacional-desenvolvimentista (em oposição ao nacio- do interesse público”. O ex-presi- nalista, avesso ao capital de fora). Ao fim de seu mandato, o dente cita a criação das agências presidente chegou próximo da marca dos 100 mil veículos reguladoras, que têm o objetivo fabricados que anunciara no início. de imunizar áreas importantes de O Plano de Metas exigiu um grande esforço de coordena- ingerências políticas, como um AGÊNCIA O GLOBO ção entre áreas distintas. Para evitar gargalos, era preciso complemento das privatizações. que não faltassem aço e borracha nas montadoras, nem Para tanto, seus integrantes não material de construção civil para as estradas – e podem ser demitidos, como na para Brasília, a cereja do bolo de JK, que custou tradição anglo-saxã que serviu de o equivalente a pouco mais de 2% do PIB. Uma molde para as agências. expansão de tal magnitude teve um preço ele- O papel lamentável que a Agência vado: a conta foi apresentada na forma de Nacional de Aviação Civil (Anac) desempenhou no caos aeroportuário, porém, mostra que esses órgãos Geisel, que investiu ainda precisam ser aperfeiçoados. na indústria de base
  • 4. Guia ÉPOCA inflação, que dobrou CEDOC Guerra do Yom Kippur, para 40% ao ano que elevaria os preços durante o mandato. do petróleo em 1973 Depois de patinar com os dois suces- sores civis de JK (Jânio Quadros e João Goulart), a indústria teria um novo espas- mo de crescimento CHOQUE DO PETRÓLEO sob a ditadura militar. > Nos anos 70, a Opep impôs No primeiro momen- dois choques do petróleo. O to, houve o que ficou segundo foi em 1979, quando conhecido como o preço do barril dobrou. A alta “milagre brasileiro”. provocou a mais grave recessão Entre 1968 e 1973, o mundial desde 1929. No Brasil, Brasil teve um cresci- a inflação disparou e houve de- mento “chinês”: a expansão anual foi superior a 10%. A receita mostrou-se terioração das contas externas. eficiente, mas nada tinha de original: tratava-se apenas de captar os dóla- res que estavam sobrando no mercado internacional. O milagre acabou com o choque do petróleo. Em 1973, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) triplicou o preço do barril em represália aos governos ocidentais que haviam apoiado Israel contra os ára- bes na guerra do Yom Kippur. Seria o momento de o Brasil desacelerar, como fez a maioria. Mas os militares decidiram continuar apostando no crescimento. Assim, em 1974, Ernesto Geisel lançou o Segundo Plano Nacional de Desenvolvimento. Se o plano de JK visava à indústria de consumo, o de Geisel visava à indústria de base (fertilizantes, produtos petroquímicos) e à geração de energia. Mais uma vez, o país passaria por um ciclo de subs- tituição de importações, desta vez de maior enverga- dura. Entre 1974 e 1978, o Brasil cresceria a um ritmo médio anual de 7%. Até os críticos de Geisel não Os militares deixam de reconhecer a importância do investimento lançaram um em infra-estrutura. O problema foi o elevadíssimo plano de custo da tentativa de tornar o país auto-suficiente desenvolvimento em áreas estratégicas. O descontrole da inflação e o num momento crescimento exponencial da dívida externa – heran- em que o ças do regime militar – só seriam equacionados duas MARCO SERRA LIMA mundo, décadas mais tarde. depois do Diante dos planos de JK e dos militares, o PAC primeiro é um programa modesto, mesmo que venha a ser Plataforma choque do cumprido à risca, o que é improvável. Uma diferença de petróleo petróleo, objetiva é a limitação de seu financiamento. Hoje em no Brasil caminhava dia, o consenso em torno dos valores da estabiliza- para a recessão ção da moeda não mais permite pagar o crescimento econômica presente com a inflação futura. OSCAR PILAGALLO, jornalista, é autor de A História do Brasil no Século 20 (em cinco volumes, pela Publifolha) 4 I r e v i s ta é p o c a I 11 de junho de 2007
  • 5. Leia o texto: Sobre as PPPs é correto afirmar: são de responsabilidade exclusiva Depois da necessária e proveitosa discus- A) são uma alternativa que o governo do governo. são no Congresso Nacional, foi sancionada encontrou para atrair investimentos D) o atual governo nega-se a imple- a Lei no 11.079, que institui normas para a privados para as obras de infra-estrutura mentar as PPPs, pois faltam meios contratação das Parcerias Público-Privadas necessárias ao país. para fiscalizar a correta aplicação dos no Brasil. Os obstáculos a vencer com as B) são um meio de atrair investimentos recursos, o que implicaria muita cor- PPPs são muitos e complexos. Para que para obras públicas; elas gozam do mais rupção nas obras públicas. se obtenha aceitação e confiança públicas, absoluto apoio de todas as forças E) são um contrato entre o setor público é preciso, antes de mais nada, grande políticas do país. e o privado, no qual as empresas tornam- determinação e apoio governamental, C) os empresários não aceitam se donas de um serviço público, como além de plena transparência nas ações. as PPPs, pois entendem que os uma estrada, em troca da tarifa cobrada Fonte: CNI in:www.cni.org.br/empauta/src/INFRA-ESTRUTURA.pdf investimentos em infra-estrutura dos usuários. QUESTÕES RESPONDIDAS Concreto e bossa nova 1ª questão ponsável pelo fornecimento de gás natural a importantes atividades industriais. 2.593 km em território brasileiro. Parte de Santa Cruz de La Sierra, na A ampliação e diversificação da matriz ener- D) a construção do gasoduto pode Bolívia, e termina em Porto Alegre, gética brasileira é uma necessidade frente representar o esgotamento rápido do gás passando por Mato Grosso do Sul, às possibilidades de retomada do cres- natural boliviano, pois, além do Brasil, a São Paulo, Paraná, Santa Catarina e cimento econômico e industrial do país. O Bolívia abastece ainda a Argentina, que Rio Grande do Sul. Seu traçado corta mapa ilustra o gasoduto Bolívia–Brasil. não possui reservas deste recurso. uma área responsável por boa parte Sobre o gás natural e seu uso como E) após a construção do gasoduto, o gás do PIB brasileiro. fonte energética no Brasil, é correto natural passou a ser a fonte de afirmar que: energia mais consumida no país, A) o gás natural é um recurso mineral pelo baixo custo de sua obten- Ilustração: AKE ASTBURY renovável, encontrado em bacias sedi- ção e facilidade de distribuição. mentares e formado pela decomposi- UFSCar, 2005 (questão 25 da prova de Geografia) ção de matéria orgânica em ambientes COMENTÁRIO periglaciais. A presença do mapa constitui B) a substituição do petróleo e do carvão boa dica para o acerto da mineral e vegetal por gás natural, apesar alternativa, mas só ajudará os de reduzir custos, não é recomendável, que conhecem o valor do gás pois o gás é mais poluente que os demais. natural como fonte energéti- C) o gasoduto, que no Brasil passa ca. O gasoduto Brasil–Bolívia somente por Estados do Centro-Sul, é res- possui 3.150 km, dos quais GABARITO 1 (C)
  • 6. Guia ÉPOCA que as rodovias federais devem receber A) diferenças de bitolas entre as linhas 2ª questão neste ano R$ 1,2 bilhão. No ano que vem não devem receber muito mais que isso. férreas e traçados desiguais nas diferen- tes regiões do país. O setor ferroviário ultrapassou o rodo- (O Estado de S. Paulo, 12/10/2003) B) reduzida demanda para o transporte viário na corrida por investimentos. Um Apesar das perspectivas promissoras de cargas no setor e fracasso do modelo levantamento concluído nesta semana apontadas na reportagem, o setor ferro- de gestão privada. pela Agência Nacional de Transportes viário brasileiro, privatizado nos anos 90, C) inexistência de fábricas de material Terrestres (ANTT) mostra que as conces- tem apresentado modestos indicadores ferroviário e preferência das transporta- sionárias privadas de estradas de ferro de crescimento do transporte de cargas. doras pela navegação de cabotagem. já garantiram R$ 2,5 bilhões de recursos Entre os fatores que têm contri- D) custos mais baixos do transporte rodo- para 2003 e 2004. Do outro lado, dados buído para esse baixo desempenho, viário para grandes distâncias e reduzida do Ministério dos Transportes mostram podemos citar: conexão ferroviária entre interior e litoral. Uerj, 2004 (questão 14 da prova de Geografia) COMENTÁRIO Quanto ao enunciado, observe que começa com a locução prepositiva “ape- sar de”, que indica concessão em relação ao afirmado anteriormente. Sendo assim, o texto, em destaque, não altera o que o enunciado solicita. Quanto ao conteúdo, no Brasil, é comum o uso de duas bitolas diferentes, a métrica e a larga. Alguns traçados têm bitolas mistas, adaptadas para o uso das duas. Apesar dessa dificuldade, o transporte de carga por via férrea, princi- Estrada de Ferro Vitória palmente de produtos como o minério de a Minas, responsável por ferro, vem avançando no país. Quanto ao um terço do transporte da transporte de passageiros, restringe-se carga ferroviária no Brasil às regiões metropolitanas. 3ª questão bilaterais que, assinados pelo país, res- tringem o número de parceiros e itens que não destacam a palavra “incorreta”, uma armadilha aos desatentos. O desempenho atual da indústria comercializados. Nesta questão, veja que os acordos brasileira sofre interferência negativa de D) internamente, pelo baixo poder bilaterais ampliam – e não restrin- fatores de ordem interna ou externa. aquisitivo de grande parte do mercado gem – parceiros e itens comercializa- Considerando-se essa informação, consumidor, conseqüência da má dis- dos pelo país. Tais acordos obedecem é INCORRETO afirmar que, no Brasil, tribuição de renda no país. às normas da Organização Mundial do a indústria é afetada UFMG, 2006 (questão 40 da prova de Geografia) Comércio. Observe que a questão é A) internamente, pelo custo das tarifas datada. No início deste ano, com a modi- públicas e pela carga tributária, que COMENTÁRIO ficação na fórmula de calcular o PIB, o penalizam o setor produtivo brasileiro. Enunciados que pedem a indicação montante da carga tributária recuou. Da B) externamente, pelas oscilações no da informação incorreta exigem cuidado mesma forma, o consumo das classes valor da moeda do país, que interferem extra, uma vez que devem ser interpre- menos favorecidas vem crescendo nos na competitividade do produto nacional. tados no sentido inverso ao normalmen- últimos dois anos, o que poderia levar a C) externamente, pelos acordos te solicitado. E atenção: há instituições um questionamento da alternativa D. GABARITO 2 (A) 3 (C) 6 I r e v i s ta é p o c a I 11 de junho de 2007
  • 7. 4ª questão A CIDADE EM PROGRESSO O poema ao lado faz referência ao “A cidade mudou. Partiu para o futuro desenvolvimento urbano, muito pre- Entre semoventes abstratos sente na década de 1950 no Brasil. Transpondo da manhã o imarcescível muro Sobre esse período, é CORRETO Da manhã na asa dos DC-4s afirmar que: Comeu colinas, comeu templos, comeu mar 01. no final da década de 1950, o Fez-se empreiteira de pombais Brasil teve como presidente Juscelino De onde se vêem partir e para onde se vêem voltar Kubitschek (JK), conhecido por Pombas paraestatais. [...] seu slogan de governo “50 anos em 5”. E com uma indagação quem sabe prematura Fez erigir do chão 02. durante o governo de JK, o país Os ritmos da superestrutura De Lúcio, Niemeyer e Leão. [...] teve grande crescimento da indústria MORAES, Vinicius de. Nova Antologia Poética. São Paulo: Cia. de Bolso, 2005, p. 237. de bens de consumo duráveis, a maioria pertencente a empresas multinacionais. As propagandas Indique a soma das de automóveis e aparelhos respostas corretas: ______ eletrodomésticos da época revelam UFSC, 2007 (questão 17 da prova de História) essa tendência. COMENTÁRIO 04. esse período é conhecido pelo Sobre o enunciado, repare que o decréscimo da dívida externa poema, embora guarde relação com brasileira, que pôde ser paga o contexto solicitado, só ilustra a gradativamente graças ao aumento questão. Ou seja, o entendimento das exportações. do poema é irrelevante para você dar a resposta certa. Fique esperto: 08. a construção de Brasília foi nem sempre a presença de poemas, idealizada por Getúlio Vargas e trechos de reportagens e gráficos concluída por JK. O objetivo era guardam relação determinante com desenvolver o litoral brasileiro, o que será solicitado. E atenção construindo a capital do país na região. redobrada para não errar a soma e morrer na praia. 16. o desenvolvimento industrial Sobre o conteúdo: o governo JK atingiu, principalmente, o Nordeste (1956-1961) possibilitou a entra- Vinicius, brasileiro. Isso provocou grande afluxo da das multinacionais de bens poeta que migratório do Sul e Sudeste para de consumo duráveis, tendo à aderiu à a região, provocando o inchaço de frente a indústria automobilís- bossa nova cidades como Salvador e João Pessoa. tica. No período, o Brasil viveu grande efervescência cultural, 32. também como reflexo da com o surgimento da bossa industrialização, pôde-se observar nova – representada por um grande crescimento na população João Gilberto, Tom rural brasileira. Jobim e Vinicius de Moraes, entre 64. no plano cultural, o período do outros – e grande governo JK presenciou a difusão do atividade no cinema, cinema brasileiro e da bossa nova, no teatro, na AGÊNCIA O GLOBO na qual Vinicius de Moraes teve literatura e na presença marcante. arquitetura. GABARITO 4 (67=1+2+64) 11 de junho de 2007 I r e v i s ta é p o c a I 7
  • 8. Guia ÉPOCA Como aproveitar este guia O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 – Atualidades circulará encartado em sua revista em dez fascículos. Além dos temas abordados (veja o calendário abaixo), haverá outro assunto a ser escolhido pelos leitores e que será tratado num 11o fascículo disponível apenas no site da Antes de revista. Para votar num dos assuntos propostos, basta acessar www.epoca.com.br começar e clicar na seção “especiais”. a responder às perguntas, leia E fique O guia ajudará o candidato a melhorar seu desempenho na prova de todas as questões atento: atualidades. O tema de cada fascículo será exposto num texto didático. Para para sentir a é comum dimensão da aparecer algum avaliar o grau de conhecimento dos estudantes, os professores vão propor prova e o grau dado que pode de dificuldade ser utilizado em uma questão inédita e comentarão outras quatro formuladas para exames em dos enunciados. outras questões. universidades espalhadas pelo Brasil. O comentário será dividido em duas partes. Na primeira, foca-se o enun- ciado, com destaque para as diversas maneiras de formular uma questão. Na Ilustração: AKE ASTBURY segunda, analisa-se o conteúdo. O ideal é o candidato responder à questão antes de ler o comentário. O gabarito encontra-se no pé da página em que está a questão. As quatro questões são transcritas sem modificações, para que você possa treinar em casa a partir de uma situação real. Calendário DIRETOR EXECUTIVO Juan Ocerin DIRETOR EDITORIAL Paulo Nogueira DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto Corazza DIRETOR DE FINANÇAS Frederic Zoghaib Kachar DIRETOR DE ASSINATURAS Stavros Frangoulidis Neto FASCÍCULO TEMA 1 Infra-Estrutura no Brasil DIRETOR DE REDAÇÃO Helio Gurovitz epocadir@edglobo.com.br REDATOR-CHEFE David Cohen 2 Democracia Brasileira DIRETOR DE CRIAÇÃO Saulo Ribas EDITORES-EXECUTIVOS André Fontenelle, David Friedlander DIRETOR DE ARTE Marcos Marques 3 A Explosão Urbana no Mundo 4 Os Desafios da Geração de Energia 5 O Meio Ambiente no Século XXI O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 – Atualidades é um projeto 6 A Ameaça do Aquecimento Global editorial de 11 fascículos desenvolvido pelo UNO Sistema de Ensino da Editora Moderna para a Editora Globo. © 2007 Editora Moderna e Editora Globo. Todos os direitos reservados. 7 O Terrorismo e o Ataque aos Direitos do Cidadão Nenhuma parte desta coleção pode ser reproduzida sem autorização prévia da Editora Moderna e da Editora Globo. COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO Ana Luisa Astiz 8 China – Crescimento e Repressão COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Carlos Piatto (UNO) COORDENAÇÃO DE TEXTOS Antonio Carlos da Silva e Venerando Santiago de Oliveira COMENTÁRIOS AOS ENUNCIADOS Jô Fortarel 9 Conflitos no Oriente Médio EDIÇÃO DE TEXTO Oscar Pilagallo EDIÇÃO DE ARTE Leonardo Nery Protti ILUSTRAÇÕES AKE Astbury 10 América do Sul – Geopolítica e Energia REVISÃO Bel Ribeiro SUPERVISORA DE INTERNET Adriana Isidio (UNO) > E NÃO SE ESQUEÇA: vote no site o tema do 11o fascículo 8 I r e v i s ta é p o c a I 11 de junho de 2007