Catador de pensamentos

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Catador de pensamentos

  1. 1. Monika Feth – Antoni Boratynski
  2. 2. Sr. Rabuja passa todos os dias,logo cedo, na mesma rua. Eleinicia a sua tarefa às 6h damanhã.Sr Rabuja é um catador depensamentos. Todos os dias elesegue, com seu velho boné suamochila amarrotada.“Movimenta-se como alguém quenão sabe o que é pressa”.
  3. 3. Quando ele passa debaixo da minhajanela levanta a cabeça, e me diz comvoz suave: bom dia.Bom dia sr. Rabuja! – responde em vozbaixa.Em seguida ele se despede inclinandoa cabeça, sorridente e vai embora comseu passo arrastado.
  4. 4. “Sr Rabuja consegue ouvirpensamentos. Mesmo atravésdas paredes grossas das casas...Assim que ouve algum, ele abrea mochila, assobia suavemente,e aquele pensamento logo chegavoando, entra na mochila e sejunta aos outros que já seencontram lá dentro.Alguns vêm voando suavemente,outros se aproximam tãodepressa que quase derrubam oSr. Rabuja...”
  5. 5. “Sr. Rabuja, que nesses longos anosjá viu muita coisa, às vezes para, ficapensativo, admirado, pela centésimavez, como os pensamentos podemser tão diferentes uns dos outros.Depois de recolher todos ospensamentos que encontrou pelacidade, ele amarra cuidadosamentea mochila e volta para casa, com ocorpo ainda mais curvado, por causado peso dos pensamentos.”
  6. 6. “O Sr. Rabuja mora na saída dacidade, numa casinha rodeada dehortas e jardins. A casinha tem doiscômodos e um banheiro no quintal...Como as caminhadas o deixam comfome e cansado, primeiro ele comealguma coisa, depois descansa umpouco. Mais tarde pega a mochila evai para o seu quarto de trabalho. Lá,estende um pano grande e macio,abre a mochila e despeja ospensamentos.”
  7. 7. “...Ele se agacha,desembaraça e separa ospensamentosemaranhados e os guarda,em ordem alfabética...Na prateleira da letra A,por exemplo, encontramosos pensamentosacanhados, aflitivos,amalucados...Na prateleira da Bencontramos opensamentos belos,blasfemos...”
  8. 8. Separar os pensamentos não é umatarefa simples, alguns pensamentossão difíceis de perceber e outrosgostam de se esconder no canto doquarto.“Depois de terminar a classificação,ele deixa os pensamentosdescansando um pouco nasprateleiras, para ficarem bemsuculentos, como frutas maduras...Aí ele começa a retirá-los, um a um,e a depositá-los com muito cuidadonum grande cesto de vime...”
  9. 9. “Em volta da casa há muitoscanteiros, grandes, limpos eprontos para serem utilizados.Sr. Rabuja vai tirando ospensamentos do cesto, um aum, e os planta noscanteiros...Depois disso, entra em suacasa, se ajeita em suapoltrona... toma uma ou duasxícaras de chá lendo o jornale em seguida se deita paradormir...”
  10. 10. Ao amanhecer, nos canteiros úmidosde orvalho, brilham flores de infinitostipos e cores.“Sr. Rabuja não perde tempo: tomabanho, se veste e toma seu café damanhã. Sabe que tem pouco tempopara contemplar as flores dospensamentos...Sem que ele se dê conta, a aurora setransforma na claridade do dia.É então que a coisa acontece.”
  11. 11. Pouco a pouco as flores sedissolvem. São inúmeraspartículas que parecem“floquinhos de poeiradançando ao sol”.“ Nesse momento surge umamelodia de tal suavidade queo Sr. Rabuja mal consegueouvi-la...Em seguida, tudo chega aofim. Ele tira a mesa do café ese prepara para mais um diade trabalho.
  12. 12. “O vento leva consigo as minúsculaspartículas dos pensamentos. Elasvoam cada vez mais alto e pairamsobre os telhados da cidade aindaimersa no sono. Depois descem,enfiam-se em todas as janelas, emtodas as frestas...Pousam cuidadosamente na testadas pessoas que estão sonhando eali se transformam em novospensamentos. Se não existissemcatadores de pensamentos, ospensamentos ficariam o tempo todose repetindo e provavelmente um diadeixariam de existir.”
  13. 13. “...Todas as cidades têm catadoresde pensamentos como eu, afirma oSr. Rabuja. Nas cidades grandes háaté dois ou três. Só que quaseninguém sabe, porque eles trabalhamo mais discretamente possível.A maioria tem nomes esquisitos. Purodisfarce. Quem iria imaginar, porexemplo, que um homem que sechama Sr. Rabuja pudesse sercatador de pensamentos?”

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