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2                                                            SUMÁRIO1 APRESENTAÇÃO DA EQUIPE ................................
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14outros enfrentamentos que deixaram para trás um rastro de refugiados ao redor do planeta.Descolonização da África, Revol...
15região. Num relatório publicado por Clapp em setembro de 1949, que tinha por base suasexperiências vivenciadas na região...
16da ampliação dos níveis de pobreza em alguns campos, o que na grande maioria dos casosvem acompanhado de índices alarman...
17         O Líbano não fornece aos refugiados palestinos acesso aos direitos civis e sociais.53% dos refugiados no Líbano...
18ANURP se deslocaram para a Jordânia, vindo da Cisjordânia. E há que se contabilizar os 240mil ―deslocados‖, moradores da...
194.5 UNESCO   A Organização das Nações unidas par a Educação, a Ciência e a Cultura tem uma atuaçãonotável nos campos de ...
20capacidade da ANURP no que diz respeito à inclusão e fomentação do desenvolvimento dosadolescentes, bem como sua partici...
21   Existe a possibilidade de um povo ser soberano se ele não tem território para exercer sua    soberania?   Instrumen...
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24ANEXO B – Mapa sobre a evolução das fronteiras ao longo do conflitoFonte: Revista Espaço Acadêmico.Disponível em: http:/...
25ANEXO C – Indicações de websites úteis para pesquisaANURP-< http://www.unrwa.org/>ACNUR- <http://www.unhcr.org/cgi-bin/t...
26Lágrimas do Sol (EUA, 2003)Amor sem fronteiras (EUA, 2003)O Anjo da guarda (EUA, 1994)Vidas deslocadas (Brasil, 2009)Hot...
27              TABELA DE DEMANDA DAS REPRESENTAÇÕES       Na tabela a seguir cada representação do comitê é classificada ...
28        REPRESENTAÇÃO        DEMANDA7. Bélgica8. Canadá9. Catar10. Cisjordânia11. Dinamarca12. Egito13. Emirados Árabes ...
29        REPRESENTAÇÃO   DEMANDA23. Israel24. Japão25. Jordânia26. Kuwait27. Líbano28. Líbia29. Luxemburgo30. Marrocos31....
30       REPRESENTAÇÃO             DEMANDA39. Sudão40. Suécia41. Suíça42. Tunísia43. Turquia44. UNICEF45. ECHO46. UNESCO47...
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Este guia de estudo é do ANURP extraído do 12º MINIONU da PUC Minas.

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Agência das Nações UnIdas para refugiados palestinos

  1. 1. 1 Agência das Nações Unidas para Refugiados PalestinosReunião emergencial da ANURP de 2007 Camila Viana Ciancalio Diretora Felipe Barbosa Santos Diretor Assistente Giovani Medeiros Diretor Assistente Renata Cardoso Pinto Braga Diretor Assistente
  2. 2. 1 LISTA DE SIGLASACNUR – Alto Comissariado das Nações Unidas para RefugiadosAGNU – Assembléia Geral das Nações UnidasANURP – Agência das Nações Unidas para Refugiados PalestinosCEP – Comitê de Acompanhamento para o Emprego dos Refugiados palestinos no LíbanoCICV – Comitê Internacional da Cruz VermelhaCVP – Crescente Vermelho PalestinoECHO – Departamento de Ajuda Humanitária da EuropaNCDs – non–communicable diseases (Doenças não–transmissíveis)TVA – Tennessee Valley AuthorityUNESCO – Organização das Nações unidas par a Educação, a Ciência e a CulturaUNICEF – Fundo das Nações Unidas para a InfânciaUNSCOP – Comitê Especial das Nações Unidas para a Palestina
  3. 3. 2 SUMÁRIO1 APRESENTAÇÃO DA EQUIPE ..................................................................................... 32 APRESENTAÇÃO DO TEMA ........................................................................................ 52.1 Processo histórico ........................................................................................................... 52.2 A ONU e os refugiados ................................................................................................... 72.3 A situação dos refugiados hoje .................................................................................... 103 APRESENTAÇÃO DO COMITÊ .................................................................................. 123.1 O ACNUR..................................................................................................................... 133.2 A ANURP ..................................................................................................................... 143.2.1 Da atuação da ANURP.............................................................................................. 154 POSIÇÃO DOS PRINCIPAIS ATORES ....................................................................... 164.1 Líbano........................................................................................................................... 164.2 Autoridade Palestina .................................................................................................... 174.3 Jordânia........................................................................................................................ 174.4 Síria .............................................................................................................................. 184.5 UNESCO ...................................................................................................................... 194.6 Comitê Internacional da Cruz Vermelha .................................................................... 194.7 UNICEF ........................................................................................................................ 195 QUESTÕES RELEVANTES.......................................................................................... 20REFERÊNCIAS................................................................................................................. 21ANEXOS ............................................................................................................................ 23TABELA DE DEMANDA DAS REPRESENTAÇÕES ................................................... 27
  4. 4. 31 APRESENTAÇÃO DA EQUIPE Bem-vindos senhores delegados! Nessa sessão nós, os diretores que iremosacompanhá-los durante os trabalhos da ANURP, faremos uma breve apresentação para quepossamos nos conhecer melhor. ―É com muito entusiasmo que venho me apresentar aos senhores delegados! Sou adiretora da ANURP, meu nome é Camila Viana Ciancalio e estou cursando o 6° período deRelações Internacionais. A temática dos refugiados é sempre uma questão estimulante para sedebater, mas, devido ao caráter delicado da situação, demanda compromisso e empenho paraque possa ser entendida. É com esse alerta e com a expectativa de que os senhores também seapaixonem pela história dos refugiados palestinos que finalizo esta breve apresentação, comos votos de que realizemos debates memoráveis!‖ ―Meu nome é Felipe Barbosa Santos, estou cursando o 3º período de RelaçõesInternacionais na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Minha expectativa é deque vocês senhores delegados, por meio de estudo aprofundado dos assuntos propostos e dointeresse próprio, façam valer a pena a simulação com negociações e debates proveitosos e degrande valia a todos. Boa leitura e uma excelente simulação!‖ ―Estimados delegados, meu nome é Giovani Medeiros e sou aluno do terceiro períodode Relações Internacionais. Deixo aqui registrado meu desejo de que este guia seja um grandealiado dos senhores para introduzi-los ao tema. Mas também faço votos de que não seja aúnica ferramenta de estudo. Nos colocamos à disposição para que vocês possam sanar suasdúvidas antes mesmo do início dos debates e para tanto não deixem de acompanhar asatualizações da ANURP pelo nosso endereço eletrônico.‖ ―É com enorme prazer que, como integrante da ANURP, tenho este primeiro contatocom os senhores. Meu nome é Renata Cardoso Pinto Braga e estou cursando o 4º período docurso de Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.Espero que o Guia de Estudos lhes seja muito útil em seus estudos de preparação para o 12ºMINIONU e conto com o empenho de todos para que possamos fazer com que as discussõesque irão se estabelecer nos dias da realização do modelo sejam bastante profícuas e quepossamos ter um ótimo rendimento.‖ Bom, esperamos que os senhores delegados partilhem de nosso entusiasmo,engajamento e interesse pelo tema para que façamos dos nossos esforços as melhoresferramentas para a construção de um futuro diferente, infinitamente mais justo e digno. A
  5. 5. 4partir de agora, suas decisões políticas recairão sobre a vida de pessoas. E como a célebrefrase da antropóloga Margaret Mead já diz: ―Nunca duvide que um pequeno grupo decidadãos pensantes e empenhados possa mudar o mundo. Na verdade, essa é a única coisa queo pode fazer.‖ Convidamos os senhores a mudar o mundo dessas pessoas, garantindo ummínimo de segurança à suas vidas. Nos despedimos dos senhores aqui, com votos de bons estudos e na expectativa donosso encontro em outubro! Abraços e boas-vindas calorosas de seus diretores Camila Viana Ciancalio, Felipe Barbosa Santos, Giovani Medeiros e Renata Cardoso Pinto Braga
  6. 6. 52 APRESENTAÇÃO DO TEMA2.1 Processo histórico A história dos refugiados palestinos remonta a 1947, data da separação do territóriopalestino em dois Estados. Fugindo de suas terras em quatro levas sucessivas, entre 1947 e1949, numerosos palestinos partiram para o Líbano e outros países vizinhos. Desde então, ospalestinos estão dispersos ao redor do mundo, se concentrando em maior medida em camposde refugiados localizados principalmente nos Estados do Líbano, Síria, Jordânia, Cisjordâniae Faixa de Gaza. Com uma população de mais de quatro milhões (500 mil só no Líbano), elesrepresentam hoje o maior grupo de refugiados do mundo. Para facilitar o entendimento de todo o processo que desencadeou a atual situação detensão entre Israel e Palestina faremos um breve histórico. Em 1897, durante o primeiroencontro sionista1, ficou decidido que os judeus retornariam à Terra Santa, em Jerusalém, deonde foram expulsos pelos romanos no século III d.C. (PORTAL G1, 2008). O projeto dosionismo era dar aos judeus de todo o mundo um centro espiritual e estatal. Em 1881 ocorre aprimeira migração moderna, alya, a ―subida‖ para a Palestina (GRESH, p.22, 2002). Assim,teve início a imigração para a Palestina, que era o nome da região no final do século XIX.Nessa época, a área pertencia ao Império Otomano, onde viviam cerca de 500 mil árabes. Em1903, 25 mil imigrantes judeus já estavam vivendo entre eles e em 1914, quando começou a IGuerra Mundial (1914-1918), já eram mais de 60 mil (PORTAL G1, 2008). Em 1917, OReino Unido divulga a Declaração de Balfour, que concede aos judeus direitos políticos comonação, o que foi visto por eles como uma promessa para a formação de um Estado judeu nosterritórios palestinos (FOLHA ONLINE, 2007c). Em 1948, pouco antes da criação do Estadode Israel, os judeus somavam 600 mil (PORTAL G1, 2008). Durante a II Guerra Mundial (1939-1945), o fluxo de imigrantes aumentouintensamente porque milhões de judeus se dirigiram à Palestina fugindo das perseguições dosnazistas na Europa (PORTAL G1, 2008). Diante desta situação, a récem-criada Organização das Nações Unidas se viu obrigadaa buscar uma solução para promover a convivência pacífica entre os cada vez mais numerososcolonos judeus e a população palestina, fundando o Comitê Especial das Nações Unidas para1 A designação de sionista vem de Sião, colina de Jerusalém que é o símbolo do regresso à terra prometida.
  7. 7. 6a Palestina (UNSCOP, na sigla em inglês). É encomendado ao novo órgão um estudo acercada questão para sugerir medidas que pudessem ser tomadas nesse sentido. O UNSCOP ficou,entretanto, dividido quanto às recomendações: a maioria dos membros do comitê preconizavaa partilha da Palestina em dois Estados, um judeu, outro árabe, com uma união econômicaentre ambos, ficando a região de Jerusalém e os lugares santos sob tutela internacional. Umaminoria defendia um Estado federal independente constituído por duas entidades, uma árabe,outra judaica. As negociações prosseguiam para definir os contornos dos dois Estados e,finalmente, em 29 de Novembro de 1947, o plano é submetido à votação da Assembleia Geraldas Nações Unidas. O plano consistia basicamente na criação de um Estado judaico quedeveria ocupar 55% da Palestina, com quinhentos mil judeus e quatrocentos mil árabes; oEstado árabe, com setecentos mil árabes e alguns milhares de judeus compreenderia o restantedo território; a zona de Jerusalém contaria com cerca de duzentas mil pessoas, metade judeus,metade árabes (GRESH, 2002, p.30). Para poder entrar em vigor, a votação deveria ter dois terços dos votos da AssembléiaGeral das Nações Unidas. A incerteza sobre o resultado manteve-se até ao último minuto. AAssembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) então aprova — por 33 votoscontra 13 e 10 abstenções – o plano para partilha da Palestina, ou seja, a criação de Israel ede um Estado palestino que, até então, era uma colônia britânica. Esse plano é rejeitado porárabes e palestinos, que prometem lutar contra a formação do Estado judaico (GRESH, 2002,p.30). No dia 14 de maio de 1948, Israel declara independência. Os exércitos do Egito,Jordânia, Síria e Líbano atacaram, mas foram derrotados. Em 1949 Israel vence guerra árabe-israelense e expande fronteiras. Cisjordânia e Jerusalém Oriental ficam com a Jordânia; Gaza,com o Egito. Em 1967 aconteceram os confrontos que mudariam o mapa da região, achamada ―Guerra dos Seis Dias‖. Israel derrotou o Egito, Síria e Jordânia e conquistou deuma só vez toda a Cisjordânia, as colinas do Golã e Jerusalém leste. Em 1973, Egito e Sírialançaram uma ofensiva contra Israel no feriado de Yom Kippur, o Dia do Perdão, mas foramnovamente derrotados (PORTAL G1, 2008). Em 1987 ocorre a primeira Intifada, palavra árabe que significa ―sacudida‖ ou―levante‖, em que milhares de jovens palestinos saíram às ruas para protestar contra aocupação israelense, considerada ilegal pela ONU. Os israelenses atiraram e mataramcrianças que jogavam pedras nos tanques, provocando indignação na comunidadeinternacional. A segunda Intifada teve início em setembro de 2000, após o então primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, ter caminhado nas cercanias da mesquita de Al-Aqsa,
  8. 8. 7considerada sagrada pelos muçulmanos e parte do Monte do Templo, área sagrada tambémpara os judeus. Israel permanece nos territórios ocupados e se nega a obedecer a resolução242 da ONU, que obriga o país a se retirar de todas as regiões conquistadas durante a Guerrados Seis Dias. Apesar das negociações, uma campanha de atentados e boicotes de palestinos,que se negam a reconhecer o estado de Israel, por um lado, e, israelenses, que não queremdevolver os territórios conquistados, por outro lado, não permite que a paz se concretize naregião (CONFRONTO, 2008).2.2 A ONU e os refugiados Pensando nas situações a que são submetidos os refugiados e levando em consideraçãoque a Organização das Nações Unidas tem por missão promover a paz, justiça, odesenvolvimento e a democracia em nome dos povos do mundo, em articulação com todos osseus 192 Estados-Membros, ―foi convocada em Genebra, em 1951, uma Conferência dePlenipotenciários das Nações Unidas para redigir uma Convenção regulatória do status legaldos refugiados‖ (ACNUR, 2011). A partir de então foram estabelecidos mecanismos formais e legais para tratar aquestão dos refugiados no âmbito internacional, permitindo que fossem formulados ―padrõesbásicos para o tratamento de refugiados — sem, no entanto, impor limites para que os Estadospossam desenvolver esse tratamento‖ (ACNUR, 2011). Partindo do pressuposto de que nem todos os Estados são capazes de prover direitosbásicos a seus cidadãos, e tendo como princípio a garantia do direito básico de todo serhumano — o direito à vida digna, à segurança — foram criados, no âmbito da ONU, comitêsresponsáveis pelos refugiados ao redor do mundo, como o Alto Comissariado das NaçõesUnidas para os Refugiados, ACNUR, e, mais especificamente sobre refugiados palestinos, aAgência das Nações Unidas para Refugiados Palestinos 2, ANURP, cuja missão principal éproteger e assegurar os direitos e o bem-estar dos refugiados bem como se empenhar paraobter soluções eficientes e duradouras para seus problemas.2 A sigla em inglês do comitê é UNRWA- The United Nations Relief and Works Agency for Palestine Refugeesin the Near East.
  9. 9. 8 Dentre os direitos assegurados aos refugiados elaborados através da Convenção de1951, estão: o direito de receber um asilo seguro, ter assistência básica como qualquer outroestrangeiro residindo legalmente em um país, ter liberdade de expressão e de pensamento,liberdade de deslocamento e a não sujeição à tortura e a tratamentos humilhantes. De igualmodo, todos os refugiados têm direitos econômicos e sociais, como assistência médica, acessoà educação e direito a trabalho remunerado. Entretanto, cada refugiado tem, para com o paísem que se encontra, deveres que incluem, em especial, a obrigação de acatar as leis eregulamentos, bem como as medidas para a manutenção da ordem pública, ou seja, devemrespeitar as leis locais sem nenhuma objeção. A Convenção de 1951 estabelece ainda cláusulas essenciais e que, portanto, nãoadmitem objeções, como o chamado ―princípio da não-devolução‖, em que nenhum país podeexpulsar ou devolver um refugiado para um território contra a sua vontade. Estabelece aindamecanismos para a disponibilização de documentos, incluindo documentos de viagensespecíficos para refugiados semelhantes a um passaporte. Com o passar do tempo e a emergência de novas situações geradoras de conflitos eperseguições, tornou-se crescente a necessidade de providências que colocassem os novosfluxos de refugiados sob a proteção das provisões da Convenção. As guerras ocorridas noséculo XX, nas quais novas fronteiras foram estabelecidas, acarretaram no agravamento dasituação dos refugiados, ao passo que novas regulamentações foram criadas para atender aessas demandas tão específicas. Entretanto, esse problema é muito mais antigo do que se imagina. No caso dosrefugiados palestinos a situação mais grave começou com a criação do Estado de Israel em1948, como já mencionado anteriormente no guia, quando houve conflitos armados e a guerrana Palestina, que geraram ataques e massacres indiscriminados a civis, destruição daspropriedades e expulsões forçadas. Nessa época também, as forças militares israelenses foraminstruídas a impedir o regresso dos refugiados para Israel, e estavam autorizadas a matar, casofosse necessário. Desse modo, a maioria dos palestinos que viviam nas áreas que foramincorporadas ao Estado de Israel se tornaram refugiados dentro de sua própria terra epassaram a residir em países da redondeza na esperança do conflito acabar e eles retornaremao seu lar de origem. Outro grande êxodo de palestinos aconteceu em 1967 durante a Guerra dos Seis Dias.Nesse conflito, Israel conquistou a Faixa de Gaza e a Cisjordânia. Essas conquistasisraelenses levaram a uma fuga de quase 400 mil palestinos, principalmente da Cisjordâniapara a Jordânia. O conflito acabou gerando quase 60 campos de refugiados palestinos
  10. 10. 9espalhados pela Cisjordânia, Líbano, Jordânia, Síria e Faixa de Gaza, onde vivemaproximadamente 40% da população palestina no Oriente Médio. Estima-se que existamcerca de 3,8 milhões de refugiados palestinos vivendo em países árabes próximos. A maioriafoi expulsa ou teve que fugir de suas casas por causa de conflitos em 1948 e 1967. Dessa forma, o fluxo de refugiados palestinos por todo o mundo pode ser separado emalguns momentos históricos: palestinos expulsos de Israel com a criação deste Estado em1948; palestinos deslocados da Cisjordânia, Jerusalém oriental e da Faixa de Gaza devido àGuerra dos Seis Dias; os que fugiram, em outras datas, do território palestino por medo,insegurança ou instabilidade do local e que agora estão proibidos de retornar. Diversos países árabes tiveram que acolher os refugiados palestinos devido a essesconflitos. É possível destacar dois diferentes grupos: os que estão mais próximos de ondeocorreram esses conflitos, como Jordânia, Egito, Síria e Líbano, e os países que estão umpouco mais distantes da Palestina, como o Iêmen, Sudão, Argélia, Tunísia, Líbia e Iraque,além de países europeus e americanos que fornecem abrigos para os refugiados. Mesmo comtantas mudanças no padrão de distribuição dos refugiados palestinos nos últimos 60 anos, amaioria dos refugiados continua vivendo nas proximidades fronteiriças com Israel, onde seuslares de origem se localizam. O grande número de países que recebem os refugiadosdemonstra como a situação afeta várias nações e, devido à sua amplitude, merece atenção dasorganizações internacionais. Os números estimados de refugiados palestinos liberados pela Agência das NaçõesUnidas de Socorro e Trabalho, ANURP, assustam ainda mais. Até 2003 havia mais de 7milhões de deslocados, incluindo os 3,97 milhões de palestinos expulsos em 1948, os 1,54milhão não registrados para a assistência, os 753 mil deslocados pela primeira vez em 1967,os 274 mil que se deslocaram internamente em 1948 e os 150 mil deslocados internos de1967. A Jordânia foi um dos primeiros países e um dos que mais receberam os refugiados,quando Israel expulsou os palestinos na década de 40. O governo jordaniano considerou essegrupo como ―estrangeiros passíveis de assimilação‖, e muitos conseguiram se naturalizarnessa nação. Entretanto, no final dos anos 1960, organizações palestinas se fortaleceram ecompetiram com o governo do país, fato que acabou resultando em um sangrento confrontoem 1970, conhecido na história como Setembro Negro. Por causa desse episódio, milhares depalestinos tiveram que se deslocar e buscar refúgio em países vizinhos, especialmente noLíbano.
  11. 11. 10 O Líbano nunca considerou os refugiados palestinos como moradores permanentes.Por isso, apesar do grande número de palestinos que residem no país, esses refugiados vivemem asilos apertados e em condições precárias para sua sobrevivência, faltando muitas vezeságua e comida — fornecida em forma de ração de 300 calorias por dia a cada refugiado - porexemplo. Tendo em vista a resolução 194 da Assembléia Geral da ONU adotada em 1948, aqual estipulava que ―aos refugiados deve ser permitido retornar aos seus lares o mais rápidopossível e viver em paz com os seus vizinhos‖ e reconhecendo todos os desafios impostos porIsrael, a questão do retorno dos refugiados foi debatida com seriedade pela primeira vez porEhrud Barak, quando ainda era primeiro-ministro de Israel, que se mostrou interessado emreceber um número muito reduzido de refugiados e dar a eles uma pequena indenização. ParaIsrael, porém, aceitar a volta de uma parcela significativa de palestinos envolve algunsproblemas: um de ordem econômica, ao ter de pagar as indenizações a todos os refugiados e ooutro de caráter demográfico. Todos esses movimentos dos palestinos e possíveis negociações sustentam a esperançadesse povo de um dia retornar às suas origens e viver em paz, sem ter de mudar várias vezes eter que se adaptar a diferentes culturas. A resposta internacional à situação dos refugiados —culminando em um consenso quase universal que as pessoas forçadas por violência ouperseguição a fugir de seus países de origem deveriam receber proteção internacional — éuma das conquistas humanitárias mais notáveis das últimas décadas. Em virtude da atuaçãoem benefício dos refugiados, a ANURP promove igualmente os propósitos e princípios daCarta das Nações Unidas, como ―manutenção da paz e segurança internacionais;desenvolvimento de relações amistosas entre as nações; e encorajamento do respeito pelosdireitos humanos e pelas liberdades fundamentais‖, e propõe soluções viáveis aos refugiadospara que eles possam se fixar em local próprio e ter sua nacionalidade enfim consolidada.2.3 A situação dos refugiados hoje O confronto começou quando o Exército libanês perseguia integrantes da milícia FatahAl Islam (grupo do presidente da Autoridade Nacional Palestina). O confronto entre forçaslibanesas e militantes do grupo extremista palestino é motivado pelas acusações de ligação dogrupo extremista com a rede terrorista Al-Qaeda. O grupo radical nega manter relações com arede terrorista, mas o objetivo pretendido pelos militares libaneses é a destruição do Fatah,alegando aos noticiários ser esta uma batalha de vida ou morte.
  12. 12. 11 A violência entre tropas libanesas e membros do Fatah al Islam não tem precedentesno campo de refugiados, onde vivem cerca de 40 mil palestinos, e onde o Exército não podeentrar. Um porta-voz do Fatah al Islam, Abu Salim, alertou que caso o Exército não cesse osataques, membros do grupo poderão lançar foguetes e realizar ataques com artilharia, levandoos confrontos para "outras regiões fora de Trípoli" 3. Tanques do exército libanês cercaram Nahr al Bared, enquanto membros do Fatahlançavam granadas e disparavam com armas automáticas, segundo testemunhas. A situaçãoainda piora quando a comunidade internacional e local descobrem que o Fatah tentouconvencer os moradores de Nahr el-Bared que continuam no campo a se unirem na luta aolado dos milicianos. Mesmo assim milhares de refugiados palestinos aproveitaram a frágil trégua nasbatalhas entre ambos os exércitos para fugirem do campo de Nahr al-Bared, no Norte doLíbano, onde um primeiro comboio de ajuda da ONU foi alvejado. Milhares de homens,mulheres e crianças começaram a fugir a pé ou de carro do campo de Nahr al-Bared para ocampo próximo de Beddawi, o qual ficará rapidamente ―sobrelotado‖ caso o fluxo derefugiados siga aumentando em um ritmo acelerado. Várias centenas de refugiados tambémdirigiram-se para Trípoli, a grande cidade das proximidades. Segundo a porta-voz do CICV, Virginia La Guardia, a violência incessante dificulta oatendimento. Em comunicado à imprensa a partir de Beirute, La Guardia afirmou que: ―O Crescente Vermelho palestino (organização humanitária não governamental, federada com a Cruz Vermelha Internacional, utilizada nos países muçulmanos) conseguiu entrar duas vezes no campo de refugiados e resgatar seis feridos, mas teve de parar por causa dos confrontos. O CICV não possui uma estimativa sobre o número exato de mortos nos confrontos. Além dos feridos, queremos remover os corpos, mas ainda não conseguimos. Eles estão sendo deixados no local mas ninguém os retira.‖ (MURTA, 2007). O Comitê Internacional da Cruz Vermelha no Líbano coordena a ação com oCrescente Vermelho palestino do lado de fora do campo de refugiados. O grupo ajuda atransportar os feridos até o hospital depois que o CV palestino busca as pessoas dentro deNahr al Bared.3 A cidade de Tripoli aqui mencionada é a maior cidade do norte do Líbano e a segunda maior do país. Não deveser confundida com a capital da Líbia, que possui o mesmo nome.
  13. 13. 12 Depois de uma trégua noturna, a violência no campo de refugiados do norte do Líbanofoi retomada, com intensas trocas de tiros e explosões esporádicas ocorridas no interior docampo. Os militares bombardearam supostos esconderijos rebeldes. Mais de cem pessoas morreram desde 20 de maio de 2007, quando começaram osconfrontos entre soldados libaneses e militantes islâmicos. Nunca havia sido vista uma guerratão sangrenta na região desde a Guerra Civil do Líbano entre 1975 e 1990. A violência apontaa fragilidade da segurança no Líbano.3 APRESENTAÇÃO DO COMITÊ Nossa reunião tem o caráter emergencial devido à situação à qual os refugiadospalestinos foram submetidos em um dos campos localizados no norte do Líbano. Segundo a Convenção de Genebra são refugiados todas as pessoas que: ―[...] em razão de fundados temores de perseguição devido à sua raça, religião, nacionalidade, associação a determinado grupo social ou opinião política, encontra- se fora de seu pais de origem e que, por causa dos ditos temores, não pode ou não quer fazer uso da proteção desse país ou, não tendo uma nacionalidade e estando fora do país em que residia como resultado daqueles eventos, não pode ou, em razão daqueles temores, não quer regressar ao mesmo.‖ (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 1951.) De acordo com definição operacional da ANURP, os refugiados palestinos sãopessoas cujo local normal de residência era a Palestina entre junho de 1946 e maio de 1948e que perderam os seus lares e meios de subsistência, como resultado do conflito árabe-israelense de 1948. Os serviços da ANURP estão disponíveis para todos aqueles que atendamos seguintes pré-requisitos: a) vivam na sua área de atuação, b) correspondam à definiçãosupracitada, d) sejam registrados na Agência e d) necessitem de assistência. O campo de refugiados Palestinos denominado Nahr el-Bared, localizado no norte doLíbano, sofreu uma destruição total de suas estruturas, devido a um conflito entre as ForçasArmadas libanesas e o grupo militante radical Fatah Al-Islam. Vale ressaltar aos senhores quea maior preocupação é com a segurança desses refugiados, que tiveram que se deslocar paraoutros campos nas imediações. Como já temos noticiado em nosso endereço eletrônico, até mesmo as cercanias doacampamento — que abrigavam escolas, clínicas e escritórios de assistência — acabou em
  14. 14. 13ruínas, bem como lojas, mesquistas e centros comunitários. Todo o aparato de infra-estrutura(redes de água e esgoto, estradas) sofreu danos irreparáveis. Segundo a Agência ―pelo menos27 mil refugiados foram forçados a fugir e abandonar suas casas‖ (ANURP, 2007). Estamosfalando de refugiados, e portanto uma massa que já se encontrava deslocada do seu local deorigem, que tiveram que buscar novos abrigos em acampamentos vizinhos. Tendo por base a contextualização até então feita, gostaríamos de estabelecer duasvertentes principais sobre as quais esperamos que os senhores desenvolvam os trabalhos: aprimeira diz respeito a políticas de prevenção a novos atentados dessa magnitude, visandopreservar a sobrevivência da população que habita os campos; a segunda se relaciona com asituação de superlotação enfrentada no campo de Bedawi, o campo que recebeu o maior fluxode refugiados após os atentados de maio de 2007. Desde o início do conflito, serviços foram desenvolvidos para atender as necessidadesdas famílias que enfrentam um longo período de deslocamento. Ao longo do tempo, aresposta inicial da ANURP para atender as demandas urgentes dos refugiados se transformouem um programa de alívio sustentado e coerente. A agência continua a assistir a maioria dosdeslocados e refugiados em suas mais fundamentais necessidades diárias: abrigo, comida,água e saneamento. Tendo em vista as questões já propostas, bem como o caráter emergencial da situação,faz-se imperativo a realização de uma reunião extraordinária da Agência das Nações Unidaspara Refugiados Palestinos. Nessa reunião,o objetivo é buscar caminhos que inviabilizem queuma nova situação dessa proporção se desenvolva, estabelecendo como princípio básico asegurança das populações que se localizam nesses campos.3.1 O ACNUR A preocupação com a questão dos refugiados remonta ao fim da Segunda GuerraMundial. No cenário pós-guerra, havia grande preocupação com os europeus deslocadosdentro do continente que fora tão devastado pelo conflito. Inicialmente planejado parasolucionar em três anos a situação dos deslocados, em 14 de dezembro de 1950 é criado oescritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados. Contrariando as projeções otimistas da Assembleia Geral que previam um mandato tãodiminuto para o ACNUR, foram surgindo conflitos, revoluções, disputas e uma série de
  15. 15. 14outros enfrentamentos que deixaram para trás um rastro de refugiados ao redor do planeta.Descolonização da África, Revolução Húngara, Guerra nos Balcãs, crises na América Latinae Ásia e tantos outros episódios acabaram sendo determinantes para a extensão do mandatodo ACNUR. Apesar da conjuntura desfavorável que resultou na estabelecimento econtinuidade do ACNUR, vale ressaltar que milhões de refugiados dependem dessaassistência em diversos locais do planeta (ACNUR, 2011).3.2 A ANURP Na sequência de 1948, com o alastramento das hostilidades no conflito árabe-israelense, a Organização das Unidas (ONU) cria a Agência das Nações Unidas paraRefugiados Palestinos no Oriente Próximo (ANURP) instituída pela Resolução daAssembléia Geral 302 (IV) de 8 de dezembro de 1949, com o objetivo de atuar diretamente naquestão palestina, promovendo assistência através da criação de programas de ajuda direta —com o desenvolvimento de infra-estrutura, por exemplo — para os refugiados palestinos. Quando a Assembléia Geral da ONU se reuniu em dezembro de 1949 para consideraro estabelecimento de um sucessor para a Agência de Assistência para Refugiados Palestinosdas Nações Unidas, foi apresentado um projeto de resolução patrocinado por França, Turquiae os Estados Unidos, os três países que compõem a Comissão de Conciliação da Organizaçãodas Nações Unidas para a Palestina (UNCCP), juntamente com o Reino Unido. Tal projetodespontou enquanto uma resposta à constatação de que cabia a agências não-governamentaisa prestação de socorro aos mais de 700.000 palestinos, e que essas agências não seriamcapazes de continuar a operação de ajuda além do outono de 1949. Um momento marcante da fundação da ANURP se dá com a visita de Gordon Clapp,então presidente da Tennessee Valley Authority (TVA) 4, que esteve em visita ao OrienteMédio, atendendo um convite dos Estados Unidos que então presidiam a Comissão deConciliação da Organização das Nações Unidas para a Palestina (UNCCP). O objetivo dessavisita era avaliar a capacidade da região para atingir um maior índice de desenvolvimentoeconômico. Ao cabo de sua Missão de Estudo Econômico (como ficou conhecida essaempreitada), o parecer de Clapp foi altamente favorável quanto ao potencial econômico da4 Empresa estadounidense prestadora de serviços relacionados ao provimento de eletricidade, desenvolvimentoagrícola, gestão de rios e inovação tecnológica.
  16. 16. 15região. Num relatório publicado por Clapp em setembro de 1949, que tinha por base suasexperiências vivenciadas na região, ele recomendava que fosse criada uma agência que seriasubmetida à Organização das Nações Unidas, auxiliando o desenvolvimento da região, comoimaginado por Clapp. Os países que já recebiam fluxos de refugiados receberam com certadesconfiança e muito ceticismo as recomendações. Com base nos estudos produzidos por Gordon Clapp na sua Missão de EstudosEconômicos, desencadearam-se uma série de resoluções que culminaram no estabelecimentoda ANURP, que inicia seus trabalhos em 1º de maio de 1950, e mesmo tendo sido projetadaenquanto uma agência de caráter temporário, teve seus mandatos extendidos ao longo dotempo através de Resoluções da Assembléia Geral da ONU, sendo que a mais recente extendeo mandato até 30 de junho de 2011. Atualmente, cabe à Agência a função de ―principalprovedora de serviços básicos para mais de 4,6 milhões de refugiados palestinos registradosna Jordânia, Líbano, Síria, Cisjordânia e Faixa de Gaza‖ (ANURP, 2011).3.2.1 Da atuação da ANURP A Agência busca desenvolver projetos em diferentes áreas, numa tentativa de integrare melhorar a qualidade de vida dos refugiados. Desse modo são, basicamente, cinco as frentesde atuação da ANURP:  Educação;  Saúde;  Socorro e assistência social;  Microfinanças e Microempresas;  Infra-estrutura e melhorias nos campos. Os programas educacionais da Agência representam mais de 50% de seu orçamentode trabalho. Com a ajuda dos governos parceiros, a ANURP foi responsável pela formação detrês gerações de refugiados, proporcionando-lhes educação de alta qualidade. No que diz respeito à saúde, o principal desafio da Agência consiste na incidência dedoenças não transmissíveis (NCDs) como hipertensão, diabetes e câncer. Há ainda a questão
  17. 17. 16da ampliação dos níveis de pobreza em alguns campos, o que na grande maioria dos casosvem acompanhado de índices alarmantes de anemia. A vertente de socorro e assistência social tem o objetivo de prover o abastecimentoalimentício e de subsídios, bem como doações emergenciais em dinheiro e moradia adequadaaos refugiados mais necessitados. O principal desafio, entretanto, tem sido o aumento dapopulação juntamente ao crescimento dos índices de pobreza. Ao Departamento de Microfinanças e Microempresas cabe a função de auxiliar nasquestões econômicas. Criado em 1991, visa aliviar a pobreza que assola os campos, e atuacomo concessor de créditos para a habitação através de projetos de financiamento. Por fim, o Departamento de Melhoria e Infra-estrutura nos campos foi criado emresposta à Conferência de Genebra sobre a ANURP (2004), na qual foram abordadas questõesque diziam respeito à deterioração da condição de vida nos campos que a Agência opera.Desse modo, o Departamento em questão visa desenvolver projetos de planejamentourbanístico relativos à infra-estrutura ambiental. Tendo em vista as discussões já levantadas, bem como o caráter emergencial dasituação, faz-se imperativo a convocação da reunião emergencial da Agência das NaçõesUnidas para Refugiados Palestinos. Nessa reunião,o objetivo é buscar caminhos queinviabilizem que uma nova situação, como essa sofrida no campo de Nahr el-Bared sedesenvolva, estabelecendo como princípio básico a segurança das populações que selocalizam nesses campos. O comitê será constituído por 49 delegações, sendo 44 países, a UNESCO, o UNICEF,o Comitê Internacional da Cruz Vermelha e o Departamento de Ajuda Humanitária da Europa(ECHO), que desde 1992, ano da sua criação estabelecida pelo Regulamento CE n° 1257/96,é responsável por prover ajuda às vítimas de catástrofes naturais ou conflitos armados queocorram fora da União Européia. Opera sob a política de indistinção de raça, credo ouconvicções políticas, de modo a ajudar diretamente aqueles que necessitam de apoio. Suatarefa é garantir que bens e serviços cheguem aos locais de crise de maneira eficiente.4 POSIÇÃO DOS PRINCIPAIS ATORES4.1 Líbano
  18. 18. 17 O Líbano não fornece aos refugiados palestinos acesso aos direitos civis e sociais.53% dos refugiados no Líbano vivem nos 12 campos oficiais estabelecidos pela Agência.Estes campos testemunham a não integração e a precariedade da condição dos refugiados:ausência de infra-estrutura apropriada, superpovoamento, pobreza, desemprego. O sistema político libanês constitui um problema fundamental na gestão dosrefugiados. A integração dos palestinos sempre representou uma ameaça ao frágil equilíbrioconfessional do país. A legislação libanesa, regendo os direitos dos refugiados palestinos,limita seu acesso ao mundo do trabalho, à educação, aos serviços sociais, à propriedade e àmobilidade internacional. A criação do Comitê de Acompanhamento para o Emprego dosRefugiados palestinos no Líbano (CEP), em 2006, tem tentado integrar esses refugiados àsociedade (CEP, 2010). Os campos concentrados no Líbano são: Beddawi, Burj Barajneh, Burj Shemali,Dbayeh, Ein El Hillweh, El Buss, Mar Elias, Mieh Mieh, Nahr el-Bared, Rashidieh, Shatila,Wavel.4.2 Autoridade Palestina A Autoridade Palestina segue reivindicando seu direito de constituir um Estadoindependente. Sua condição de ―nação sem Estado‖ se perpetua na região e é fonte constantede conflitos e discursos acalorados. Entretanto, a posição quanto à situação de seu povoremete ao direito de autodeterminação dos povos, de modo que cada campo de refugiadosconstituiria um pequeno espaço no qual as tradições palestinas devem ser respeitadas enenhum governo tem direito de exercer autoridade em tais espaços.4.3 Jordânia Estima-se que 100 mil refugiados se abrigaram na Jordânia quando da guerra de 1948entre árabes e israelenses. Já em 1967, com a guerra dos seis dias, tem-se uma segunda ondade deslocamento de palestinos. Aproximadamente 140 mil refugiados já registrados na
  19. 19. 18ANURP se deslocaram para a Jordânia, vindo da Cisjordânia. E há que se contabilizar os 240mil ―deslocados‖, moradores da Cisjordânia que também se deslocaram em virtude doconflito. Apesar de não possuírem o status de refugiados, de fato, cabe à ANURP provercondições adequadas a toda essa população. Muitos desses refugiados sofrem de doenças crônicas, que se agravam devido aoestado de extrema pobreza em que vivem. A falta de emprego dificulta ainda mais o quadro, amedida que refugiados não têm acesso aos direitos sociais e civis e acesso muito limitado aoserviço de saúde pública. Os campos localizados na Jordânia são: Amman New Camp, Baqaa, Husn, Irbid,Jabal el-Hussein, Jerash, Marka, Souf, Talbieh, Zarqa.4.4 Síria Há nove campos oficiais na Síria e três não oficiais. São eles: Deraa, Ein el tal,Hama, Homs, Jaramana, Khan Dunoun, Khan Eshieh, Latakia, Neirab, Qabr Essit, Sbeineh,Yarmouk. Apenas 27% dos refugiados vivem nos campos oficiais. O número de refugiadospalestinos registrado pela ANURP na Síria é atualmente 467.417, dos quais 126.453 (ou 27%)vivem em campos oficiais. Na Síria, os refugiados palestinos têm acesso a serviços dogoverno, como à escolas, universidades e hospitais. A ANURP coopera com a AdministraçãoGeral dos Refugiados da Palestina (GAPAR), um departamento do Ministério do Trabalho eAssuntos Sociais, que foi criado em 1950, no intuito de auxiliar a Agência na administração emanutenção dos campos na Síria (ANURP, 2011). A ANURP também opera um centro de formação profissional em Damasco,que prepara jovens refugiados para o emprego. Desde a sua criação, na Síria, em 2003, oprograma de microcrédito também favoreceu micro-empresários, com cerca de 23.000empréstimos no valor total de 16 milhões de dólares. Recentemente, com o generoso apoio deárabes e doadores ocidentais e com o pleno apoio do governo da Síria, a UNRWA embarcouem um grande melhoria do campo de Neirab, através do desenvolvimento de projetos(ANURP, 2011).
  20. 20. 194.5 UNESCO A Organização das Nações unidas par a Educação, a Ciência e a Cultura tem uma atuaçãonotável nos campos de refugiados palestinos. Tem parceria com a ANURP desde 1964 e atuaincentivando a qualificação de professores, muitas vezes das próprias comunidades nas quaisestão inseridos. Essa prática acaba surtindo efeitos positivos que são muito mais abrangentesdo que possa pensar: para os alunos funciona como um estímulo e uma mensagem deesperança num futuro melhor, ao passo que garante ao professor a oportunidade de ajudarmais pessoas a obterem uma qualificação. Atualmente, a maior dificuldade da UNESCO reside no recrutamento de professores noLíbano, devido a dificuldade de se encontrar profissionais qualificados. Numa tentativa desanar o problema, a Organização tem tentando desenvolver programas de graduação maisbreves.4.6 Comitê Internacional da Cruz Vermelha A atuação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha na crise de 2007 tem sido vital.Para além da presença do CICV no Líbano desde 1967, auxiliando a população libanesa, opapel do CICV em relação aos palestinos tem garantido maior qualidade de vida ehumanidade no tratamento dos refugiados. Com bases no interior dos campos, acabaauxiliando não só na área de saúde mas também em questões humanitárias, como provimentode comida.4.7 UNICEF O Fundo das Nações Unidas para a Infância atua nos campos de refugiados através dofinanciamento de diversos projetos em praticamente todas as grandes áreas de atuação daANURP. Com o Projeto de Socorro e Serviço Social, o Fundo possibilitou o aumento da
  21. 21. 20capacidade da ANURP no que diz respeito à inclusão e fomentação do desenvolvimento dosadolescentes, bem como sua participação em programas do acampamento (ACNUR, 2001).5 QUESTÕES RELEVANTES O debate que sustentará as discussões diz respeito ao imperativo da segurança dosrefugiados nos campos. Mas para além desse eixo, essa Conferência tem como propósitodiscutir medidas que sejam capazes de evitar que os Estados que abrigam os campos derefugiados sejam arbitrários quanto a condição daqueles que habitam tais espaços. Para alémdo imperativo da segurança, as discussões deverão se concentrar na melhoria das condiçõesde vida nos campos. No intuito de pautar as discussões que se desenvolverão em nossoencontro, propomos as seguintes questões: A criação de um Estado Palestino seria suficiente para acabar com os conflitos Israel- Palestina? Os Estados que abrigam campos de refugiados têm o direito de intervir nesses campos? E como fica o imperativo da soberania nessa situação? Sendo os refugiados palestinos o maior grupo de refugiados, quais são as razões pelas quais um Estado específico não é criado? Os países são obrigados a dar assistência aos refugiados? Quais são os interesses em recebê-los? A questão dos refugiados é um problema coletivo (âmbito internacional) ou individual? Por que é tão difícil garantir os direitos básicos dos refugiados em países que os recebem? Qual o papel da comunidade internacional na garantia dos direitos dos refugiados?
  22. 22. 21 Existe a possibilidade de um povo ser soberano se ele não tem território para exercer sua soberania? Instrumentalmente falando, o que falta nos campos de refugiados palestinos? Quais incentivos seriam capazes de estimular que mais Estados recebam refugiados e proporcionem condições de vida digna para eles? De que maneira a ANURP pode auxiliar diretamente num avanço do diálogo entre Israel e Palestina? REFERÊNCIASACNUR. Manual de Procedimentos e Critérios para determinar a condição de refugiadode acordo com a Convenção de 1951 e o Protocolo de 1967 relativos ao Estatuto dos Re-fugiados. S.l.: S.n., 2004. Disponível em: <http://www.acnur.org/biblioteca/pdf/3391.pdf>.Acesso em 30 de maio 2009.ACNUR. O que é a Convenção de Genebra de 1951?. Portal online do ACNUR, 2011.BALDAN, Adonias. Refugiados. S.l.: Scortecci Editora, 2006.COMISSÃO DE JUSTIÇA E PAZ. A PALESTINA. CNIR/FNIRF, Portugal, 2002.Disponível em: < http://www.alfredo-braga.pro.br/discussoes/palestina.html>. Acesso em 20de maio de 2011.COMMITTEE FOR EMPLOYMENT OF PALESTINIAN REFUGEES IN LEBANON.Welcome to the CEP. CEP Website, 2010. Disponível em: <http://www.cep-lb.org/>.Acesso em 24 de maio de 2011.Disponível em: <http://www.acnur.org/t3/portugues/informacao-geral/o-que-e-a-convencao-de-1951/> Acesso em 03 de abril de 2011.ESTADO DE SÃO PAULO. Líbano volta a bombardear campo de refugiados palestinos.Disponível em:<http://www.estadao.com.br/ultimas/mundo/noticias/2007/jun/05/122.htm?RSS>. Acesso em23 de abril de 2011.FOLHA ONLINE. Líbano avança contra campo de refugiados palestinos; 2 soldadosmorrem. São Paulo, 02 jun. 2007a. Disponível em:<http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u301603.shtml>. Acesso em 11 de maio de2011.
  23. 23. 22FOLHA ONLINE. Líbano bombardeia campo de refugiados palestinos. São Paulo, 12 jul.2007b. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u311286.shtml>.Acesso em 20 de maio de 2011.FOLHA ONLINE. Veja cronologia do conflito entre israelenses e palestinos. São Paulo,15 mar. 2007c. Disponível em:<http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u105498.shtml>. Acesso em 31 maio 2011.GRESH, Alain. Israel, Palestina: Verdades sobre um Conflito. S.l: Editora Campo dasLetras, 2002. Disponível em:<http://intranet.uds.edu.py:81/biblioteca/Teolog%C3%ADa/ALAIN%20GRESH%20-%20ISRAEL,%20PALESTINA%20-%20VERDADES%20SOBRE%20UM%20CONFLITO.pdf> . Acesso em 31 de maio 2011.JUBILUT, Liliana. O direito internacional dos refugiados. S.l.: Editora Métodos, 2007.MIRHAN, Lejeune. Conflitos no Norte do Líbano. Vermelho, 24 mai 2007. Disponível em:<http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=808&id_coluna=25>. Acesso em21 de maio de 2011.MURTA, Andrea. Líbano ataca campo de refugiados; violência atrasa ajuda a vítimas.São Paulo: Folha Online, 21 mai. 2007. Disponível em:<http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u107548.shtml>. Acesso em 21 de maio de2011.PORTAL G1. Entenda o confronto entre Israel e palestinos na Faixa de Gaza. 27 dez.2008. Disponível em: <http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL936933-5602,00-ENTENDA+O+CONFRONTO+ENTRE+ISRAEL+E+PALESTINOS+NA+FAIXA+DE+GAZA.html>. Acesso em 01 junho 2011.TENNESSEE VALLEY AUTHORITY. TVA’s Mission and Vision. Disponível em:<http://www.tva.com/abouttva/vision.htm>. Acesso em 20 de abril de 2011.UOL. Exército libanês entra em campo de refugiados palestinos. Beirute: 22 mai. 2007.Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2007/05/22/ult1808u92725.jhtm>Acesso em 12 de abril de 2011.
  24. 24. 23 ANEXOSANEXO A – Mapa da PalestinaFonte: Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
  25. 25. 24ANEXO B – Mapa sobre a evolução das fronteiras ao longo do conflitoFonte: Revista Espaço Acadêmico.Disponível em: http://www.espacoacademico.com.br/012/12col_rattner.htm
  26. 26. 25ANEXO C – Indicações de websites úteis para pesquisaANURP-< http://www.unrwa.org/>ACNUR- <http://www.unhcr.org/cgi-bin/texis/vtx/home>CICV- <http://www.icrc.org>ECHO- <http://ec.europa.eu/echo/index_en.htm>ONU- <http://www.un.org>ONU BRASIL: <http://www.onu-brasil.org.br/>UNESCO- <http://www.unesco.org>UNICEF- <http://www.unicef.org>DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS:< http://www.onu-brasil.org.br/documentos_direitoshumanos.php>ANEXO D – Indicações de filmes a respeito do temaSob o céu do Líbano (Líbano/França, 2003)Osama (Afeganistão, 2003)Promessas de um novo mundo (Israel/ EUA/ Palestina, 2001)Valsa com Bashir (Israel/ Alemanha/ França/ EUA/ Holanda/ Finlândia/ Suíça/ Bélgica/Austrália, 2008)Nunca sem minha filha (EUA, 1991)O Senhor das Armas (EUA, 2005)Occupation 101: Vozes da Maioria Silenciada (EUA, 2007)Biutiful (México/ Espanha, 2010)A chave da casa (Brasil, 2009)Tartarugas podem voar (Irã/ Iraque, 2004)Neste mundo (2002)
  27. 27. 26Lágrimas do Sol (EUA, 2003)Amor sem fronteiras (EUA, 2003)O Anjo da guarda (EUA, 1994)Vidas deslocadas (Brasil, 2009)Hotel Ruanda (Itália/ África do Sul/ EUA, 2004)Um herói do nosso tempo (Bélgica/ França/ Israel/ Itália, 2005)
  28. 28. 27 TABELA DE DEMANDA DAS REPRESENTAÇÕES Na tabela a seguir cada representação do comitê é classificada quanto ao nívelde demanda que será exigido do delegado, numa escala de 1 a 3. Notem que não setrata de uma classificação de importância ou nível de dificuldade, mas do quantocada representação será demandada a participar dos debates neste comitê.Esperamos que essa relação sirva para auxiliar as delegações na alocação de seusmembros, priorizando a participação de delegados mais experientes nos comitês emque a representação do colégio for mais demandada. Legenda Representações frequentemente demandadas a tomar parte nas discussões Representações medianamente demandadas a tomar parte nas discussões Representações pontualmente demandadas a tomar parte nas discussões REPRESENTAÇÃO DEMANDA 1. Alemanha 2. Arábia Saudita 3. Argélia 4. Austrália 5. Áustria 6. Bahrein
  29. 29. 28 REPRESENTAÇÃO DEMANDA7. Bélgica8. Canadá9. Catar10. Cisjordânia11. Dinamarca12. Egito13. Emirados Árabes Unidos14. Espanha15. EUA16. Finlândia17. França18. Gaza19. Iêmen20. Iraque21. Irlanda22. Itália
  30. 30. 29 REPRESENTAÇÃO DEMANDA23. Israel24. Japão25. Jordânia26. Kuwait27. Líbano28. Líbia29. Luxemburgo30. Marrocos31. Mauritânia32. Noruega33. Nova Zelândia34. Omã35. Países Baixos36. Palestina37. Reino Unido38. Síria
  31. 31. 30 REPRESENTAÇÃO DEMANDA39. Sudão40. Suécia41. Suíça42. Tunísia43. Turquia44. UNICEF45. ECHO46. UNESCO47. CICV48. Central Emergency ResponseFund49. Imprensa

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