Soli10 de março

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Poemas sobre uma identidade avessa, escritos entre 10 de janeiro e 17 de novembro de 2009.

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Soli10 de março

  1. 1. DE DIEGO PEREIRA DA SILVA DE DIEGO PEREIRA DA DE DIEGO PEREIRA DE DIEGO DE .
  2. 2. concreto adj.s.m. (1692) 1 que ou o que é real, existente, verdadeiro um perigo c. sua tese oscila entre o c. e o abstrato 2 FIL diz-se de ou natureza apresen- tada por qualquer objeto de conhecimento singular, individual, passível de ser captado pelos sentidos 3 FIL no pensamento hegeliano, que ou aquilo que é efetivamente real em decorrência de sua universalidade, em oposição ao que é parcial, singular ou individual 4 LIT MÚS PINT m.q. concretista adj. 5 ligado à realidade, ao que é palpável, ao que pode ser captado pelos sentidos 6 sólido, maciço, não fluido 7 GRAM LING diz-se de substantivo que nomeia tudo que é perceptível aos sentidos, os seres e objetos do mundo físico s.m. 8 CONSTR B mistura de cimento, água e matérias granulosas inertes (ger. areia e brita), em determinadas dosagens, formando uma massa plástica que se verte em fôrmas para que endureça e adquira resistência 9 PRFM pomada impregnada de essên- cia c. aparente ARQ CONSTR concreto sem qualquer revestimento ou pintura c. armado ARQ CONSTR ENG concreto que contém em seu interior armaduras de ferro ou aço, o que lhe dá mais resistência; cimento armado, ferroconcreto de c. resolvido, decidido, firme não há nada de c. sobre esse assunto não c. GRAM LING diz-se do substantivo que nomeia tudo o que não é perceptível aos senti- dos; abstrato ETIM lat. concr tus,a,um, part.pas. de concresc re 'formar-se por agregação' SIN/VAR material, objetivo, palpável, real, sólido, verdadeiro ANT abstrato, hipotético, imaginário HOM concreto(fl.concretar) FRANCO, Francisco Manoel de Mello; HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles (Dir.). Concreto. In: ______. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. p. 514.
  3. 3. Cimento Cimento Cimento Cimento Cimento Cimento Cimento Cimento Cimento Cimento Cimento Cimento
  4. 4. Meio - termo Entenda que gosto do “mas”, do “e”, dos lábios de Ana, dos meus; desta proximidade, ora distante! Sou de “encontros”... 9
  5. 5. 11
  6. 6. (contra) classe no princípio era a ação, o fenômeno da natureza, o estado. depois, Impuseram-lhe o “verbo”. hoje, outros: (os) tempos, (os) modos, (as) vozes 13
  7. 7. ... [saudade do mundo mais-que-perfeito]
  8. 8. Intempérie Os olhos do homem sentem a tristeza do canário, daquela ave de voos “frios”. O coração do canário enxerga a amargura do homem, daquele ser de passos “vazios”. 15
  9. 9. Avesso À Lispector, quando “viva”. A tristeza me (en) canta. (Quase) nunca o oposto. 17
  10. 10. 19
  11. 11. Saudades de Amor “Minha prezada queridinha”, . . . “me responda urgente". 21
  12. 12. Batalha perdida Tomou como natural os arranhões provocados em seu relógio pela cal da sala. Era típico este seu com- portamento de passar não muito distante das pare- des de qualquer construção. Embora dissesse aos outros não entender o porquê do referido hábito, sabia que o concreto lhe dava a consistência necessá- ria para suportar o mundo. Antes amparado, que caí- do. Logo, dirigiu-se ao seu quarto, dedicando-se à leitura do “somos todos culpados”. Pra quê tentar vencer a mãe? 23
  13. 13. Cântico primaveril Domingo pra mim tem que ser do Espírito Santo e “de Jesus”, tem que ser Dominga ou Domingas (com a sua graça religiosa). 25
  14. 14. 27
  15. 15. Estância Depois de capinar o possível no terreno que recebera do pai, pedregoso; João da Roça (tirando o chapéu com vistas à sombra, às vacas, aos bois e às novilhas ainda não comprados) para - sente suas linhas completas. 29
  16. 16. Inspiração Tenho no céu a chave incapaz de abrir portas. Tenho-me no céu. 31
  17. 17. força do Hábito acordo / o Aquele levanto-me / o Árido ando / o Não insisto / o Mas entrego-me / o Que morro / o É (eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee) 33
  18. 18. Irmandade Sob a sina daqueles muitos, despejados num nordes- te com sol, uniram-se para que o leite – mesmo em potes a deslizarem léguas de chão árido – chegasse às bocas dos seus (naquela década, sete); para que a chita, importada da grande cidade pequena, colorisse as veredas de sua família esperançosa quanto ao bro- to da caatinga. Um tinha doze, bem verdade. O outro, treze. Mas, nas mãos de ambos, via-se algo oposto à denúncia de uma infância perdida: os calos que lhes amaciavam a alma. 35
  19. 19. Do preceito (poético) À irmã, dolce. O homem de palavra (s), contrário à “concordância”, destoa do padrão. Logo, a alcateia o esquece. Se chutasse a pedra, se virasse as costas pro José, talvez a história fosse outra. Mas, e a graça de ser lobo bobo? 37
  20. 20. Marcha Sigo e persigo o Pombo (selvagem) - pra me perder, pra me encontrar. Quão próximas, de mim, suas asas... Quão distantes! 39
  21. 21. Tromba d’água “Pai, me ensina a nadar no rio?” O Herói não escuta. “Pai, me ensina a nadar no rio?!” O Senhor se esquiva. “Pai, me ensina a nadar no rio!” O Genitor vai embora. (...) Afogaram-se desde o verão passado, os personagens. 41
  22. 22. 43
  23. 23. Família João-Pai dirigia Teresa-Mãe que dirigia Raimundo-Filho que dirigia Maria-Irmã que não dirigia ninguém (a casa era pequena). João-Pai foi para o boteco, Teresa-Mãe, para a máquina “de costura”, Raimundo-Filho perdeu o que procurava, e Maria-Irmã afastou-se por causa do | pós-doutorado (a tradição, às vezes, peca). 45
  24. 24. 49
  25. 25. 51
  26. 26. Cinzas, ao inimigo-protetor Se tem me fumado por vinte e dois anos numa busca que (declarada terapêutica) vira gozo, autoafirmação; vá colher matéria-prima noutros corpos, naqueles brancos e ingênuos corpos. Sou filtro de coisa qualquer, filtro de coisa acabada. Venci. 53
  27. 27. 55
  28. 28. Vulgaridades “Querido” é a distância esperada entre suas mãos e as do outro, no final da manhã em que a pessoa de outrora – inominável – lhe avista na rua e o chama, aos gritos. De igual modo: “amado”, “meu filho”, “amado”, “meu filho”, “amado”, “meu filho” 57
  29. 29. - a repetição idiota dos (re) encontros. Ah! Que não me ponham a qualidade de frente, esta puta!
  30. 30. Dias fúnebres As lágrimas, que não choram minhas dores, germinam o árido cá dentro. É tempo seco. Pó. 59
  31. 31. 61
  32. 32. 63
  33. 33. Gosto apurado Minhas expectativas batem à janela, na esperança de que a pule. Paciente, no quarto, tomo mais um café e saboreio a amargura de quem (sobre) vive. Falta açúcar. 65
  34. 34. Nosso infinito particular Chovendo, o teu choro me é indiferente - porque trajo uma capa azul que repele o índigo da tua. Enxugue estas lágrimas. 67
  35. 35. 04 de novembro de 2009 É solta a casca da caatinga que fere, que marca; que saúda mais Um e mais Outro, perfazendo-os galho. 69
  36. 36. 71
  37. 37. Pequena lição de arbitrariedade Oecumenìcus, (se aberto para o mundo inteiro, se do mundo inteiro) existe independentemente (do mundo). Agora, repitam comigo: In nominu Pátris, et Fílli et Spíritus Sancti. Amen. 73
  38. 38. 10k Embrulhei-me com o ouro do anel que carrego, pra amanhecer hoje e depois; pra não prosseguir nu. 75
  39. 39. Ponteiro Desponta às doze (do dia) a temperatura abafada das quatro estações: uma mãe que é pai, um pai que é irmão, 77
  40. 40. um irmão que é mãe e uma irmã que é irmã no momento subsequente, pro equilíbrio das coisas.
  41. 41. Aprendizado Ivo viu a uva – sf. fruto da videira; e, todas as possibilidades guardadas na respectiva rama – sf. trepadeira cujos frutos, as uvas, dão, fermentados, o vinho. Jamais se embriagou. 79
  42. 42. 15 de outubro Era pra ser uma composição rubra se eu tivesse ganhado a rosa e sentido a sua essência: aperto de mão, abraço, “feliz dia do”. Virou só plano. 81
  43. 43. Pratos da casa Não sei se de olho no hábito, se de olho nele próprio; o domingo grita - enquanto o relógio marca doze, a mesa (posta) espera o que desconheço (o que desconhecemos), e as mãos se fecham em punhos (os nossos punhos). A Tarde exige pouco, o pouco de cada dia: “desprezo ao arroz, ao feijão, ao frango, desprezo e desprezo”. 83
  44. 44. O Horóscopo sussurra delongas: “Vênus e seu regente, Júpiter, (em contato forte) sinalizam um domingo bom, bom pra observar até onde se pode conviver |com pessoas que querem coisas diferentes da vida. Além disso, a Lua encontra Marte na hora do | almoço, botando sua capacidade de amor à prova. Grande desafio!” Sabiamente, calo.
  45. 45. 85
  46. 46. Correspondência Amei uma moça que há muito me escreveu “gosto de você e nunca o trocarei por outro”. Final da carta: “abraço bem forte”. 87
  47. 47. ÁGUA ÁGUA ÁGUA ÁGUA ÁGUA
  48. 48. O menino que (não) tinha razão Disseram-lhe que uma escolha se fazia necessária, para aquele instante. O futebol ou o dever de casa, por exemplo. Mas, quando optou pelo primeiro, viu- se soterrado pelas expressões “o segundo é mais ga- rantido”, “o segundo é mais garantido”. Foi quando quis perguntar de que garantia tratavam. Desistiu. Eles, de fato, não entenderiam uma alma dada a isto e aquilo, ao “enloucrescimento” e à felicidade. Ou será que?... Bem, deixe para lá! 91
  49. 49. As vísceras do mundo O amor desce às ruas de cimento de areia de pedra - infinitamente; porque tem corpo e cansa, porque é preciso questionar a imensidão. Por isto, a carne, a volúpia; por isto, a poesia. 93
  50. 50. 95
  51. 51. 97
  52. 52. 99
  53. 53. Minutos precoces Penetro, surdamente, no íntimo da palavra, nos seus lubrificados termos e expressões - excitando a nervosidade dos meus movimentos, dos meus sentidos, o rubor da alma (quase desprendida, de mim) a combustão da ardência que, neste escrever, me traduz... Mas, gozo logo! 101
  54. 54. 103
  55. 55. Abscesso reincidente Os médicos examinam a perspectiva da criança (maculada). Mais um terçol. 105
  56. 56. 107
  57. 57. Compasso Gravem estas notas que produzo na complexidade de tantas outras composições, e não se agravem... ...Às vezes, desafino, desatino, desafio (a Harmonia). 109
  58. 58. 111
  59. 59. Versos improvisados De repente, os sulcos são sulcos na madeira e cortam - à espera do vermelho que os entranhe, neste escrever infértil (arenoso). De repente, chove. 113
  60. 60. 115
  61. 61. Descoberta da poesia Fragilizado, vejo o sono diante do papel e me nego as palavras de efeito; ainda que a Morte continue a perceber este escritor de Nadas. Dormir é a chave. 117
  62. 62. E agora pisa na areia. Sabe que está brilhando de água, e sal e sol. Mesmo que o esqueça daqui a uns minutos, nunca poderá perder tudo isso. E sabe de algum modo obscuro que seus cabelos escorridos são de um náufrago. Porque sabe - sabe que fez um perigo. Um perigo tão antigo quanto o ser humano. LISPECTOR, Clarice. As águas do mundo. In: ______. Felicidade clandestina: contos. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. p. 146.
  63. 63. SUMÁRIO do CIMENTO Meio-termo 9 QUESTÃO I - ponto (s) de vista 11 (contra) classe 13 Intempérie 15 Avesso 17 homem diante do espelho 19 Saudades de Amor 21 Batalha perdida 23 Cântico primaveril 25 Pré-escolar 27 Estância 29 Inspiração 31 força do Hábito 33 Irmandade 35 Do preceito (poético) 37
  64. 64. Marcha 39 Tromba d’água 41 Voos 43 Família 45 das MATÉRIAS GRANULOSAS INERTES Abaixo! 49 Cinzas, ao inimigo protetor 53 Santíssima Trindade 55 Vulgaridades 57 Dias fúnebres 59 (i)nonsense 61 veja 63 Gosto apurado 65 Nosso infinito particular 67 04 de novembro de 2009 69 krisis 71 Pequena lição de arbitrariedade 75
  65. 65. 10 k 75 Ponteiro 77 Aprendizado 79 15 de outubro 81 Pratos da casa 83 Hora da aula 85 Correspondência 87 da ÁGUA O menino que (não) tinha razão 91 As vísceras do mundo 93 Ih! Congruências... 95 Minutos precoces 101 poeta nas entrelinhas 103 Abscesso reincidente 105 Isto é literatura 107 Compasso 109 ecologicamente correto 111
  66. 66. Versos improvisados 113 de todas as cores... 115 Descoberta da poesia 117
  67. 67. Es- cre- ver pa (r) êntese.

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