Caderno do professor geografia vol 02 2as séries 2014

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Caderno do professor geografia vol 02 2as séries 2014

  1. 1. 2a SÉRIE ENSINO MÉDIO Volume2 GEOGRAFIA Ciências Humanas CADERNO DO PROFESSOR
  2. 2. MATERIAL DE APOIO AO CURRÍCULO DO ESTADO DE SÃO PAULO CADERNO DO PROFESSOR GEOGRAFIA ENSINO MÉDIO 2a SÉRIE VOLUME 2 Nova edição 2014-2017 GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO SECRETARIA DA EDUCAÇÃO São Paulo
  3. 3. Governo do Estado de São Paulo Governador Geraldo Alckmin Vice-Governador Guilherme Afif Domingos Secretário da Educação Herman Voorwald Secretária-Adjunta Cleide Bauab Eid Bochixio Chefe de Gabinete Fernando Padula Novaes Subsecretária de Articulação Regional Rosania Morales Morroni Coordenadora da Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Professores – EFAP Silvia Andrade da Cunha Galletta Coordenadora de Gestão da Educação Básica Maria Elizabete da Costa Coordenadora de Gestão de Recursos Humanos Cleide Bauab Eid Bochixio Coordenadora de Informação, Monitoramento e Avaliação Educacional Ione Cristina Ribeiro de Assunção Coordenadora de Infraestrutura e Serviços Escolares Dione Whitehurst Di Pietro Coordenadora de Orçamento e Finanças Claudia Chiaroni Afuso Presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação – FDE Barjas Negri
  4. 4. Senhoras e senhores docentes, A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo sente-se honrada em tê-los como colabo- radores nesta nova edição do Caderno do Professor, realizada a partir dos estudos e análises que permitiram consolidar a articulação do currículo proposto com aquele em ação nas salas de aula de todo o Estado de São Paulo. Para isso, o trabalho realizado em parceria com os PCNP e com os professores da rede de ensino tem sido basal para o aprofundamento analítico e crítico da abor- dagem dos materiais de apoio ao currículo. Essa ação, efetivada por meio do programa Educação — Compromisso de São Paulo, é de fundamental importância para a Pasta, que despende, neste programa, seus maiores esforços ao intensificar ações de avaliação e monitoramento da utilização dos diferentes materiais de apoio à implementação do currículo e ao empregar o Caderno nas ações de formação de professores e gestores da rede de ensino. Além disso, firma seu dever com a busca por uma educação paulista de qualidade ao promover estudos sobre os impactos gerados pelo uso do material do São Paulo Faz Escola nos resultados da rede, por meio do Saresp e do Ideb. Enfim, o Caderno do Professor, criado pelo programa São Paulo Faz Escola, apresenta orien- tações didático-pedagógicas e traz como base o conteúdo do Currículo Oficial do Estado de São Paulo, que pode ser utilizado como complemento à Matriz Curricular. Observem que as atividades ora propostas podem ser complementadas por outras que julgarem pertinentes ou necessárias, dependendo do seu planejamento e da adequação da proposta de ensino deste material à realidade da sua escola e de seus alunos. O Caderno tem a proposição de apoiá-los no planejamento de suas aulas para que explorem em seus alunos as competências e habilidades necessárias que comportam a construção do saber e a apropriação dos conteúdos das disciplinas, além de permitir uma avalia- ção constante, por parte dos docentes, das práticas metodológicas em sala de aula, objetivando a diversificação do ensino e a melhoria da qualidade do fazer pedagógico. Revigoram-se assim os esforços desta Secretaria no sentido de apoiá-los e mobilizá-los em seu trabalho e esperamos que o Caderno, ora apresentado, contribua para valorizar o ofício de ensinar e elevar nossos discentes à categoria de protagonistas de sua história. Contamos com nosso Magistério para a efetiva, contínua e renovada implementação do currículo. Bom trabalho! Herman Voorwald Secretário da Educação do Estado de São Paulo
  5. 5. Os materiais de apoio à implementação do Currículo do Estado de São Paulo são oferecidos a gestores, professores e alunos da rede estadual de ensino desde 2008, quando foram originalmente editados os Cadernos do Professor. Desde então, novos materiais foram publicados, entre os quais os Cadernos do Aluno, elaborados pela primeira vez em 2009. Na nova edição 2014-2017, os Cadernos do Professor e do Aluno foram reestruturados para atender às sugestões e demandas dos professo- res da rede estadual de ensino paulista, de modo a ampliar as conexões entre as orientações ofe- recidas aos docentes e o conjunto de atividades propostas aos estudantes. Agora organizados em dois volumes semestrais para cada série/ ano do Ensino Fundamental – Anos Finais e série do Ensino Médio, esses materiais foram re- vistos de modo a ampliar a autonomia docente no planejamento do trabalho com os conteúdos e habilidades propostos no Currículo Oficial de São Paulo e contribuir ainda mais com as ações em sala de aula, oferecendo novas orien- tações para o desenvolvimento das Situações de Aprendizagem. Para tanto, as diversas equipes curricula- res da Coordenadoria de Gestão da Educação Básica (CGEB) da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo reorganizaram os Cader- nos do Professor, tendo em vista as seguintes finalidades: incorporar todas as atividades presentes nos Cadernos do Aluno, considerando também os textos e imagens, sempre que possível na mesma ordem; orientar possibilidades de extrapolação dos conteúdos oferecidos nos Cadernos do Aluno, inclusive com sugestão de novas ati- vidades; apresentar as respostas ou expectativas de aprendizagem para cada atividade pre- sente nos Cadernos do Aluno – gabarito que, nas demais edições, esteve disponível somente na internet. Esse processo de compatibilização buscou respeitar as características e especificidades de cada disciplina, a fim de preservar a identidade de cada área do saber e o movimento metodo- lógico proposto. Assim, além de reproduzir as atividades conforme aparecem nos Cadernos do Aluno, algumas disciplinas optaram por des- crever a atividade e apresentar orientações mais detalhadas para sua aplicação, como também in- cluir o ícone ou o nome da seção no Caderno do Professor (uma estratégia editorial para facilitar a identificação da orientação de cada atividade). A incorporação das respostas também res- peitou a natureza de cada disciplina. Por isso, elas podem tanto ser apresentadas diretamente após as atividades reproduzidas nos Cadernos do Professor quanto ao final dos Cadernos, no Gabarito. Quando incluídas junto das ativida- des, elas aparecem destacadas. ANOVA EDIÇÃO
  6. 6. Leitura e análise Lição de casa Pesquisa em grupo Pesquisa de campo Aprendendo a aprender Roteiro de experimentação Pesquisa individual Apreciação Você aprendeu? O que penso sobre arte? Ação expressiva ! ? Situated learning Homework Learn to learn Além dessas alterações, os Cadernos do Professor e do Aluno também foram anali- sados pelas equipes curriculares da CGEB com o objetivo de atualizar dados, exemplos, situações e imagens em todas as disciplinas, possibilitando que os conteúdos do Currículo continuem a ser abordados de maneira próxi- ma ao cotidiano dos alunos e às necessidades de aprendizagem colocadas pelo mundo con- temporâneo. Para saber mais Para começo de conversa Seções e ícones
  7. 7. SUMÁRIO Orientação sobre os conteúdos do volume 7 Situações de Aprendizagem 13 Situação de Aprendizagem 1 – Matrizes culturais do Brasil 13 Situação de Aprendizagem 2 – A dinâmica demográfica 28 Situação de Aprendizagem 3 – O trabalho e o mercado de trabalho 45 Situação de Aprendizagem 4 – A segregação socioespacial e a exclusão social 56 Situação de Aprendizagem 5 – A tectônica de placas e o relevo brasileiro 64 Situação de Aprendizagem 6 – As formas de relevo brasileiro e as funções das classificações 83 Situação de Aprendizagem 7 – Águas no Brasil: gestão e intervenções 92 Situação de Aprendizagem 8 – Gestão dos recursos naturais: o “estado da arte” no Brasil 106 Propostas de Situações de Recuperação 113 Recursos para ampliar a perspectiva do professor e do aluno para a compreensão do tema 116 Considerações finais 121 Quadro de conteúdos do Ensino Médio 122
  8. 8. 7 Geografia – 2a série – Volume 2 ORIENTAÇÃO SOBRE OS CONTEÚDOS DO VOLUME Em outras palavras, de nossa parte a expectati- va é a de que possamos realizar um trabalho a “quatro mãos”, contando com sua colaboração. Dito isso, de qualquer modo vale chamar a atenção para o fato de que, ao se trabalhar os temas pertencentes ao conteúdo (população brasileira), julgamos fundamental oportuni- zar um contato mais estreito dos estudantes com a leitura e a interpretação de dados es- tatísticos, o que poderá ser feito (sem excluir outros recursos e materiais) por intermédio de uma atenção especial ao exercício de leitura e interpretação de gráficos e tabelas. Como é de seu conhecimento, o conjunto de temas abor- dados favorece esse encaminhamento, quando não o exigem. Nas atividades das Situações de Aprendi- zagem 1, 2, 3 e 4 procuramos articular o tra- tamento dos temas básicos relacionados à população brasileira com três aspectos: o con- ceitual, o temporal e o comparativo com ou- tros países, pois acreditamos que isso poderá contribuir para uma compreensão enriquecida acerca do conteúdo central trabalhado. A nos- so ver, tal orientação ajuda a evitar que as aulas de Geografia sejam desprovidas da abordagem processual, levando-nos a zelar para que não sejam apenas perfiladas atualidades que, isola- das de abordagem conceitual e histórica, nada ou pouco contribuem para a perspectiva geo- gráfica de análise. Ademais, é necessário ter Prezado(a) professor(a), Alguns conteúdos da Geografia do Brasil presentesnovolume2docurrículoda6a série/ 7o ano do Ensino Fundamental são retoma- dos neste volume da 2a série do Ensino Mé- dio. Em particular, são resgatados aspectos essenciais acerca da população brasileira, articulando-se uma visão de síntese sobre suas bases formativas, suas dinâmicas de- mográfica e social. Além disso, e como não poderia deixar de ser, sugerimos estratégias didáticas para o desenvolvimento do tema segregação socioespacial, uma das expres- sões mais visíveis da pobreza e da exclusão social principalmente nas cidades brasilei- ras médias e grandes. Tendo em vista que a população brasileira é um dos eixos condutores deste Caderno, cabe reconhecer que a gama de conteúdos e temas relacionados é abrangente, o que nos exigiu fazer recortes ou selecioná-los para o trabalho em sala de aula. Isso, contudo, não exclui sua participação ativa em rever o que foi sugerido, ampliando ou remanejando conteúdos de acor- do com o que julgar ser essencial ou interessan- te, levando em conta a especificidade de seus alunos. Portanto, as abordagens e os recortes aqui propostos merecem ser acompanhados e diversificados com as estratégias didáticas que você utiliza para disseminar entendimento aos seus alunos sobre a população brasileira.
  9. 9. 8 em mente que muitos temas trabalhados são oportunos para sensibilizar e atrair a atenção e o interesse dos alunos, partindo de sua pró- pria realidade existencial ou condição de vida como, por exemplo, as discussões sobre o mer- cado de trabalho no Brasil (que poderão ser conduzidas priorizando-se as desigualdades de cor e gênero) ou a abordagem sobre as condi- ções de moradia e diferenças de rendimentos. Já nas Situações de Aprendizagem 5, 6, 7 e 8, trataremos de temas relacionados às gran- des estruturas da superfície terrestre. A abor- dagem não se encerra nos fenômenos naturais, mas evolui para discussões fundamentais so- bre as relações do ser humano com a nature- za. Essas relações são trabalhadas com foco na questão dos recursos naturais e sua gestão na realidade brasileira. Éimportanteressaltarqueosconteúdosespe- cíficos trabalhados nas Situações de Aprendiza- gem procuram marcar uma distinção em relação a algumas das velhas práticas da Geografia esco- lar. O tema do relevo terrestre, especificamente do relevo brasileiro, prestava-se com frequência ao exercício da memorização da nomenclatura dos compartimentos e das formas de relevo. As atividades propostas no Caderno contribuirão para a construção do conhecimento mais ana- lítico, voltado à explicação das lógicas dos pro- cessos naturais e à compreensão do papel das grandes extensões do tempo na construção do cenário natural do mundo em que vivemos. Diante do exposto, um dos objetivos deste Caderno é estimular o diálogo entre profes- sor e alunos para que esses últimos possam compreender as transformações em curso na sociedade brasileira, inserindo-se como parte desse processo; e também estimular o engaja- mento dos estudantes nas grandes questões do nosso tempo, como a abertura para a discus- são das novas posturas éticas que começam a permear as relações do ser humano com a na- tureza. Assim, os percursos de aprendizagem aqui propostos são antes de tudo sugestões de trabalho com conteúdos programáticos, com práticas de ensino, recursos e materiais didáticos de modo a oferecer orientações, al- ternativas de trabalho docente, tão somente adicionais ao seu saber-fazer, que jamais deve ser substituído. Conhecimentos priorizados As Situações de Aprendizagem 1, 2, 3 e 4 foram concebidas com o propósito de ampliar a visão de conjunto sobre as origens e trans- formações da população brasileira ao longo do tempo, o que poderá conscientizar os alu- nos acerca de seus principais problemas eco- nômicos e sociais. Na Situação de Aprendizagem 1 – Matri- zes culturais do Brasil, são sugeridas estraté- gias didáticas para oportunizar aos alunos uma visão de síntese sobre a constituição étnica da população brasileira, priorizando a diversidade imbuída nos principais grupos formadores (indígena, branco e negro africa- no). Nesse percurso, são sugeridas estratégias didáticas cujo objetivo é elucidar conceitos fundamentais relacionados ao conteúdo,
  10. 10. 9 Geografia – 2a série – Volume 2 como miscigenação, raça e etnia, preconceito e discriminação. Propõe-se também priorizar os principais grupos de imigrantes e áreas de fixação no território brasileiro, além de discus- sões acerca do mito da “democracia racial” e levantamentos segundo a cor realizados pelos censos do IBGE. De certa forma, esta Situa- ção de Aprendizagem constrói requisitos bási- cos que serão aprofundados nas demais. Na Situação de Aprendizagem 2 – A dinâ- mica demográfica, priorizam-se a evolução e a situação atual da população brasileira. Previa- mente, são abordados conceitos fundamentais, como taxa de natalidade, taxa de mortalidade e crescimento natural ou vegetativo. Em seguida, articula-se uma visão de síntese sobre a evolu- ção demográfica do Brasil, dividindo-a em dois grandes períodos para os quais são comenta- dos os principais fatores responsáveis por suas respectivas dinâmicas demográficas. Nesse per- curso, avaliamos essencial tratar da noção de transição demográfica para estabelecer compa- rações entre a realidade brasileira e a de outros países. Com o intuito de ajudá-lo a interagir me- lhor com seus alunos, propomos um trabalho a ser realizado com grupos de alunos, no qual se espera que reflitam sobre o teor de opiniões e notícias veiculadas pela mídia que, muitas vezes, tratam questões relacionadas ao processo demo- gráfico brasileiro de modo equivocado. Na Situação de Aprendizagem 3 – O tra- balho e o mercado de trabalho, por sua vez, dirigimos a atenção para a distribuição da População Economicamente Ativa (PEA) do Brasil segundo os setores de produção, ressal- tando suas transformações ao longo do pro- cesso de urbanização do país. No essencial, depois de trabalhar com gráficos relacionados ao conteúdo, propõe-se o estudo sobre as de- sigualdades de gênero e raça no mercado de trabalho brasileiro via grupos de investigação e pesquisa na internet. No que tange à Situação de Aprendizagem 4 – A segregação socioespacial e a exclusão so- cial, sugerimos associação entre trabalho con- ceitual e de campo (ensaio fotográfico) para que os alunos se engajem no exercício de lei- tura do espaço urbano, quer de sua cidade ou, para o caso das escolas situadas em áreas não urbanas, o mais próximo. No trâmite da rea- lização dessa dinâmica de aprendizagem, pro- pomos que na sala de aula sejam abordadas e diferenciadas as noções de pobreza e de exclu- são social, além dos indicadores sociais bra- sileiros e das condições precárias de moradia (favelas, cortiços e loteamentos irregulares), ao lado das transformações expressivas na or- ganização do espaço urbano ocasionadas pela proliferação dos condomínios fechados. Já as Situações de Aprendizagem 5, 6, 7 e 8 apresentam uma Geografia Física que se afasta das posturas mnemônicas que caracte- rizavam a Geografia escolar e que incorpora uma discussão atualizada sobre as novas reali- dades que se constroem em torno das relações ser humano natureza. Na Situação de Aprendizagem 5 – A tectônica de placas e o relevo brasileiro, co- meçamos investindo na compreensão da
  11. 11. 10 dinâmica do funcionamento da litosfera, lógica essa que é alvo de novas formulações teóricas bastante produtivas, com destaque para a teoria das placas tectônicas. Trata- -se de tema trabalhado anteriormente, mas agora o objetivo é verificar essa dinâmica na escala do território brasileiro. A abordagem será focada na placa tectônica Sul-america- na, que é responsável, no seu movimento, pela formação da América do Sul e de parte importante de seu relevo atual. Na Situação de Aprendizagem 6 – As for- mas de relevo brasileiro e as funções das clas- sificações, focaliza-se um viés metodológico, pois são discutidas as formas de olhar o relevo e os elementos que devem ser considerados até se chegar às classificações existentes e às suas representações cartográficas. Na Situação de Aprendizagem 7 – Águas no Brasil: gestão e intervenções, trabalhamos as relações do ser humano com a natureza, tratamos das bacias hidrográficas brasileiras e introduzimos a discussão dos recursos hí- dricos e de sua gestão. Na Situação de Aprendizagem 8 – Gestão dos recursos naturais: o “estado da arte” no Brasil, apresentamos de forma mais abrangente e conceitual a gestão dos recursos naturais em nosso meio, com destaque para dois elemen- tos: as mudanças de postura ética que envol- vem a própria construção da ideia de recursos naturais e a questão da sustentabilidade, aliás, derivada dessas mudanças de postura cuja in- fluência vem crescendo no Brasil e no mundo. Competências e habilidades Na 2a série do Ensino Médio, espera-se que os alunos consolidem as inúmeras habi- lidades construídas e exercitadas no decorrer da educação básica e que também aprimorem a forma como tais procedimentos comporão articuladamente o quadro de autonomia in- telectual de cada um deles. Devemos conside- rar a importância desse aprimoramento, no sentido de consolidar o desempenho cogniti- vo para o pleno exercício das competências, não apenas em função das possibilidades de continuidade dos estudos, mas também no tocante à autonomia e ao preparo para o mundo do trabalho. Desse modo, propomos neste Caderno diversas formas de articula- ção que levam em consideração as seguin- tes habilidades relacionadas às Situações de Aprendizagem 1, 2, 3 e 4: identificar uma descrição que correspon- da a um conceito ou às características típicas de objetos, da oralidade, de dife- rentes tipos de texto etc; articular a relação entre conceitos para apli- cá-los na interpretação de gráficos e tabelas; ler, interpretar e produzir mapas e gráfi- cos, utilizando-os como elementos quanti- tativos para a compreensão de fenômenos sociais; discriminar e estabelecer diferenciações entre objetos, situações e fenômenos com diferentes níveis de semelhança; interpretar o significado histórico-geográ- fico apresentado em diferentes linguagens, como fatos, experiências, dados, gráficos e
  12. 12. 11 Geografia – 2a série – Volume 2 tabelas, fotografias, mapas, textos, descri- ções, filmes etc. e apreender os seus signifi- cados e intencionalidades para utilizá-los na solução de problemas; analisar, explicar e estabelecer relações de situações de causa e efeito resultantes de uma determinada sequência de acon- tecimentos para proceder à sua análise e posterior compreensão diante de novas ocorrências histórico-geográficas. Espera-se que as atividades propostas nas Situações de Aprendizagem 5, 6, 7 e 8 contri- buam para o desenvolvimento das seguintes competências e habilidades: construir e aplicar habilidades relativas ao domínio da linguagem cartográfica (leitu- ra e confecção) como meio de visualização sintética das relações presentes nas realida- des geográficas naturais e humanas; selecionar, organizar, relacionar e interpre- tar dados e informações, representados de diferentes formas (em mapas, fotos, quadros analíticos, tabelas e textos), para identificar, analisar e construir visões de mundo; agrupar diferentes processos de constitui- ção dinâmica das realidades naturais na superfície terrestre segundo sua gênese e os modelos teóricos que procuram descrevê-la; identificar e distinguir realidades nas dife- rentes escalas geográficas e saber empregar essa distinção na apreensão dos fenômenos estudados; construir e aplicar conceitos da Geografia Física, mais especificamente os associados à Geomorfologia, como meio de constru- ção de uma visão analítica e dinâmica so- bre as formas de relevo do Brasil; relacionar os novos conhecimentos cons- truídos sobre a dinâmica natural com as transformações que vêm ocorrendo nas re- lações ser humano natureza; analisar e compreender a realidade nacio- nal no que diz respeito ao modo como os recursos naturais são geridos. Metodologias e estratégias Apresentamos inúmeras estratégias didáti- cas, como aulas expositivas com a participa- ção dos alunos, propostas de sensibilização para captar pré-requisitos com mediação do professor e procedimentos para organização de seminários e trabalhos escritos em grupo, estudos dirigidos, grupos de investigação, ela- boração e exposição de trabalhos de pesquisa no mural da sala de aula. Além disso, propomos também uma va- riedade de recursos com o intuito de trazer amplas possibilidades de desenvolvimento de competências por meio de inúmeras linguagens, como: leitura de mapas; utilização de vídeos; leitura, interpretação e comparação de textos; leitura e estabelecimento de relações entre grá- ficos e mapas, e destes com conceitos; análise de imagens; pesquisa na internet; pesquisa em materiais didáticos; elaboração de dissertações e quadros conceituais que funcionem como instrumentos de análise para que, nos traba- lhos propostos, os alunos encontrem oportu- nidade de aplicação do que eles construíram em conjunto e para que sintam a importância
  13. 13. 12 de refletir com método e de interferir na organi- zação e na interpretação das realidades repre- sentadas de diversas formas. Enfim, para que eles sintam o conhecimento sendo incorporado e componham suas análises. Avaliação Para avaliar o resultado das Situações de Aprendizagem deste Caderno, foram propos- tas duas estratégias. A primeira delas se refere à participação individual dos alunos nas aulas e discussões. Nas aulas, o que deve ser observado é a participação na construção dos quadros con- ceituais; nas atividades, os resultados das aplica- ções, o que passa pela consistência das pesquisas solicitadas e pelas problematizações sugeridas. A segunda se refere às formas de avaliação conside- rando os conteúdos atitudinais e procedimentais de pesquisa, possibilitando avaliar o envolvimen- to do aluno em diferentes habilidades. Nesse sentido, sugerimos que a atribuição de conceitos leve em consideração os seguin- tes parâmetros. Avaliação das Situações de Aprendizagem Objetivos atingidos 1. Muito bom Atingiu plenamente os objetivos propostos. 2. Bom Atingiu grande parte dos objetivos propostos. 3. Regular Atingiu os objetivos mínimos essenciais. 4. Insuficiente Não atingiu os objetivos mínimos essenciais. Para a atribuição de conceitos nas ativida- des em grupo, de produção de textos e pesqui- sa, sugerimos dois critérios complementares. 1. Conteúdo atitudinal Valorizar a pontualida- de na entrega, organi- zação e envolvimento dos alunos e grupos na elaboração dos mate- riais solicitados. 2. Conteúdos procedimentais de pesquisa Considerar a presença de elementos meto- dológicos próprios de trabalhos de pesquisa, como capa, sumário, introdução, desenvol- vimento do texto, con- clusão e bibliografia. Nessa faixa etária e nesse estágio escolar, nenhuma atividade pode dispensar o exercício da competência analítica do estudante, sem a qual ele não poderá, autonomamente, cons- truir sentidos para o que enxerga nas diferen- tes realidades geográficas. Além da avaliação possível das atividades sugeridas nas Situações de Aprendizagem, existem algumas questões objetivas propostas como referências possíveis para a organização de avaliações formais. Porém, e é muito importante ressaltar, as avaliações propostas não dispensam a criação de novas possibilidades de avaliação. A ava- liação não é o objetivo final, mas um meio de aferição de uma dinâmica que não pode ser prevista integralmente.
  14. 14. 13 Geografia – 2a série – Volume 2 SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM etnia, preconceito e discriminação. Discute-se ainda o mito da “democracia racial” e os le- vantamentos segundo a cor realizados pelos censos do IBGE. Vista em conjunto com as demais Situações de Aprendizagem deste Caderno, esta apresenta requisitos básicos que serão aprofundados nas demais. SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 1 MATRIZES CULTURAIS DO BRASIL Enfatiza-se a constituição étnica da popula- ção brasileira oferecendo uma síntese dos prin- cipais grupos que a formaram: o indígena, o branco e o negro africano. Nesse percurso são sugeridas estratégias didáticas cujo objetivo é elucidar conceitos fundamentais relacionados ao conteúdo, como miscigenação, raça e Conteúdos: constituição étnica da população brasileira e principais grupos que a formaram; miscige- nação, raça e etnia; preconceito e discriminação; mito da “democracia racial”; pesquisas do IBGE. Competências e habilidades: desenvolver, de forma associada, a leitura e a interpretação de textos des- contínuos (no caso, escultura, pintura e letra de música) sobre os principais grupos étnicos formado- res da população brasileira; selecionar, organizar e sintetizar informações por escrito, com o objetivo de elaborar um quadro sinótico sobre os principais grupos e áreas de concentração de imigrantes no Brasil; pesquisa individual sobre a miscigenação e o mito da “democracia racial” no Brasil; identificar e compreender a linguagem conceitual sobre “etnia” e “raça”; ler e interpretar organograma sobre os grupos originais e os miscigenados que contribuíram para a formação e a diversidade étnicas da população brasileira atual; ler e analisar gráficos sobre os recenseamentos segundo a cor realizados pelo IBGE, conceituando e problematizando as categorias empregadas; analisar mapas sobre a atual distribuição regional por cor ou raça (IBGE), associada ao estabelecimento de relações de causa e efeito resultantes do processo de povoamento do território brasileiro por diferentes grupos étnicos. Sugestão de estratégias: interpretação de imagens e letra de música; aulas expositivas; consultas e leitura do material didático adotado; pesquisa e leitura de sites na internet; pesquisa individual acom- panhada de debate, análise de texto e mapas. Sugestão de recursos: imagens; aparelho de som; material didático adotado; internet; tabelas; gráficos; mapas. Sugestão de avaliação: participação individual nas discussões e nos exercícios propostos; participação nos grupos; fichamento de textos.
  15. 15. 14 Etapa prévia – Sondagem inicial e sensibilização Para esta etapa, propomos levar para a sala de aula registros culturais que possam despertar o interesse dos alunos para o tema A diversidade étnica da população brasileira. Tendo em vista esta estratégia, inicialmente, apresente e discuta as duas obras artísticas sugeridas (Figuras 1 e 2), presentes no Cader- no do Aluno, e, usando um aparelho de som, escute a canção Afro-brasileiro. Ao longo da apresentação e do diálogo com os alunos, pro- pomos o roteiro de questões a seguir. Leitura e análise de imagem e texto 1. Observe a imagem Monumento às nações indígenas, do artista Siron Franco. a) Em sua opinião, qual foi a intenção do artista ao destacar o contorno territo- rial do Brasil em um monumento dedi- cado às nações indígenas? O Monumento às nações indígenas é uma das mais expres- sivas obras do artista plástico Siron Franco. Criado em 1992 e construído em Aparecida de Goiânia (GO), quando visto do alto mostra a silhueta do mapa do Brasil. Espera-se que os alunos observem que o artista faz referência ao fato de que os indígenas ocupavam o território do atual Brasil antes da chegada dos portugueses. Portanto, a posse da terra era dos indígenas antes que os colonizadores tomassem essas terras, praticamente dizimando os nativos. b) Esse monumento é composto por 500 totens quadrangulares ou triangulares, com imagens da iconografia indígena em baixo-relevo em suas faces laterais, além de esculturas de objetos, utensílios ou rituais sagrados de diferentes povos indígenas, todos reproduzidos minu- ciosamente em concreto pelo artista, a partir de peças datadas da época pré- -cabralina. Em que essas informações complementam a opinião que você ti- nha a respeito da intenção do artista ao produzir esse monumento? Espera-se que os alunos percebam que a reprodução minu- ciosa de elementos da vida dos povos indígenas comprova o quanto eram ricas as culturas desses povos antes da chegada dos colonizadores. Professor, é importante que você incentive os alunos a buscar informações que contex- tualizem a obra de arte estudada e que inda- gue sobre o que eles conhecem a respeito da contribuição dos povos indígenas para a for- mação da cultura brasileira (como culinária, instrumentos musicais, nomes de lugares ou a presença de palavras indígenas no português falado no Brasil). 2. Agora, observe a imagem Navio de emi- grantes. Em sua opinião, quais sensações o artista Lasar Segall tentou representar em relação aos emigrantes? No quadro, observa-se que o olhar do pintor está situado na ponte de comando do navio, projetando-o sobre a proa, conferindo destaque para as famílias de emigrantes. Embora, ao que tudo indica, o instante escolhido pelo artista é o da tristeza do desterro, o navio parece erguer-se, maior e mais forte que os obstáculos naturais (o mar) em direção a seu porto de destino. Além desses aspectos, nota-se o valor atri- buído pelo artista aos seres anônimos que, egressos de dife- rentes países, contribuíram para a formação e a diversidade étnica do Brasil contemporâneo.
  16. 16. 15 Geografia – 2a série – Volume 2 ©DiomícioGomes/OPopular/AE Figura 1 – Foto panorâmica do Monumento às nações indígenas, do artista plástico Siron Franco. Aparecida de Goiânia (GO), 2002. ©AcervodoMuseuLasarSegall-IBRAM/MinC Figura 2 – Navio de emigrantes (1939-1941), de Lasar Segall. Óleo com areia sobre tela, 230 x 275 cm.
  17. 17. 16 Afro-brasileiro Thaíde e DJ Hum [...] Vamos sentar aqui no chão, colocar o boxe do lado e ouvir o som do GOG Mano bem pesado, Câmbio Negro e Racionais, meu irmão Afinal, o que é bom tem que ser provado Tanta coisa boa e você aí parado, acuado, é por isso que insisto Sou preto atrevido e gosto quando me chamam de macumbeiro Toco atabaque em rodas de capoeira, e toco direito Minha cultura primeiro, o meu orgulho é ser um negro verdadeiro afro-brasileiro Sabe quem eu sou? Afro-brasileiro me diga quem é (4 vezes) Somos descendentes de Zumbi Grande guerreiro. © Editora Brava Gente (Dueto Edições Musicais). A letra da canção pretende chamar a atenção para a presença dos afrodescendentes na população brasileira. Mais que isso, busca reafirmar a valorização do movi- mento negro em nosso país, a partir das décadas de 1980 e 1990, não somente por intermédio de sua organiza- ção e mobilização político-social como também de sua expressão pela dança, música e poesia. É o caso, entre outros, do RAP (Rhythm and Poetry; Ritmo e Poesia) e do Movimento Hip-Hop. Essas expressões artísticas con- tribuem para o processo de reconstrução de identida- des nas sociedades em que elas estão presentes, dando origem à constituição de um novo patamar urbano de organização social que leva em consideração as plura- lidades, as diferenças e as dicotomias que caracterizam os processos de construção de uma verdadeira socieda- de democrática e igualitária. No Brasil, especificamente, A partir da pintura do artista modernis- ta Lasar Segall (1891-1957), é interessante discutir com os alunos o fato de que somos multiculturais por formação. Ressalte a contribuição dos imigrantes na formação da população brasileira ao lado de outros grupos e culturas (além dos portugueses, indígenas e africanos), destacando o fato de que inúmeras levas de estrangeiros che- garam ao país principalmente ao longo do século XIX e nas primeiras décadas do século XX. Posteriormente, questione os alunos sobre o que conhecem a respeito dos imigrantes que chegaram ao Brasil (países de procedência, períodos, principais áreas para as quais se dirigiram no território brasileiro). 3. Leia o trecho da letra da canção Afro- -brasileiro, de Thaíde e DJ Hum, e em se- guida responda: Qual é a mensagem ex- plicitada nesse trecho?
  18. 18. 17 Geografia – 2a série – Volume 2 Instituto Socioambiental (ISA). Disponível em: <http://www.socioambiental.org>. Acesso em: 26 nov. 2013. Neste site, os alunos poderão entrar em contato com a riqueza e a diversida- de dos povos indígenas brasileiros, principalmente acessando o canal temático Povos indígenas no Brasil no link <http://pib. socioambiental.org/pt>, acesso em: 25 mar. 2014. Fundado em 1994, desde 2001 o ISA é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), cuja atuação é reconhecida nas questões dos direitos indígenas no Brasil, desempenhando, além disso, intensa colaboração na discussão dos problemas sociais e ambientais no país. Afro-Ásia. Disponível em: <http://www.afroasia.ufba.br/index.php>. Acesso em: 26 nov. 2013. Mantido pelo Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Bahia (Salvador), este site disponibiliza textos da revista semestral dedicada à divulgação de estudos relativos às populações africanas, asiáticas e seus descendentes no Brasil e ou- tros países. Excelente fonte de consulta para os estudantes. Memorial do Imigrante. Disponível em: <http://www.memorialdoimigrante.sp.gov.br>. Acesso em: 25 mar. 2014. Vinculado ao Departamento de Museus e Arquivos, o Memorial do Imigrante é um órgão da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, uma instituição essas expressões artísticas se tornaram gradativamente as mais recentes etapas de um processo de resistência que há mais de séculos vem sendo desenvolvida por sua po- pulação afrodescendente, em um processo contínuo de constituição de uma identidade negra. Fornecidas essas informações, pergun- te aos alunos o que eles conhecem sobre esse universo cultural, pedindo exemplos de canções e compositores que porventu- ra conheçam. O objetivo é problematizar como a incorporação de questões como a de gênero e raça nas músicas contribui ou não para o processo de constituição de um novo modelo de sociedade, mais pluralista, democrática, participativa e cidadã, criando novas formas e práticas de exercício político reivindicatório. Etapa 1 – Aula expositiva Transposta a fase prévia de contato com os registros culturais, pode-se discorrer em aula ex- positiva dialogada sobre os grupos étnicos que formaram a população brasileira: o indígena, o branco e o negro africano. Ao discorrer sobre o assunto, enfatize a ancestralidade da ocupação pelos diferentes povos indígenas do atual terri- tório brasileiro, o aviltamento do uso de mão de obra escrava no Brasil durante os períodos colonial e imperial, entre os elementos brancos, a predominância dos portugueses na formação étnica do Brasil. Aproveite a ocasião para forne- cer a indicação de quatro sites (veja boxe), a par- tir dos quais os alunos poderão, posteriormente, enriquecer e aprofundar uma visão de conjunto sobre a diversidade étnica brasileira.
  19. 19. 18 museológica criada em 1998 que objetiva reunir, preservar, pesquisar, documentar e divul- gar a história da imigração e a memória dos imigrantes que chegaram ao Estado de São Paulo a partir da década de 1820. Desenvolve atividades nas áreas de museologia, arquivo e pesquisa e possui o Núcleo Histórico dos Transportes. O site apresenta várias seções in- teressantes, como acervo histórico-cultural, associação de amigos, programação e serviços. Museu Afro Brasil. Disponível em: <http://www.museuafrobrasil.org.br/home>. Aces- so em: 25 mar. 2014. O Museu Afro Brasil é uma instituição pública, subordinada à Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e administrada pela Associação Museu Afro Brasil – Organização Social de Cultura. O Museu conserva um acervo com mais de 5 mil obras, entre pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, documentos e peças etno- lógicas, de autores brasileiros e estrangeiros, produzidos entre o século XV e os dias de hoje. O acervo abarca diversas facetas dos universos culturais africanos e afro-brasileiros, abordando temas como a religião, o trabalho, a arte, a diáspora africana e a escravidão, e registrando a trajetória histórica e as influências africanas na construção da sociedade brasileira. O Museu Afro Brasil é um museu histórico, artístico e etnológico, voltado à pesquisa, conservação e exposição de objetos relacionados ao universo cultural do negro no Brasil. O site apresenta seções interessantes, como programação e informações sobre as exposições temporárias e de longa duração, consulta ao catálogo on line da biblioteca da instituição e publicações. Após ter desenvolvido a leitura e a dis- cussão dos registros culturais selecionados na etapa prévia e os conteúdos sugeridos, dirija perguntas para uma discussão em classe que permita aos alunos considerar os aspectos abordados como mais próximos de sua realidade de vida. Como exemplo, suge- rimos indagar: Quais são suas origens? Identifique como e em qual momento histórico seus antepas- sados chegaram ao Brasil. Você já percebeu que convivemos diaria- mente com pessoas dos mais variados tipos e jeitos de ser? Quantas nacionalidades, costumes, religiões, línguas e histórias contribuíram para a for- mação do povo brasileiro? Você acredita ser importante valorizar e res- peitar as diferenças culturais? Justifique sua resposta. Discorra sobre o povoamento europeu, destacando o conjunto dos imigrantes vindos daquele continente e suas principais áreas de fixação no território brasileiro. É importante mencionar também que, os asiáticos, representa- dos pelos japoneses, chineses e coreanos, vieram para o Brasil no século XX e também contribuí- ram para a formação da população brasileira.
  20. 20. 19 Geografia – 2a série – Volume 2 Etapa 2 – Pesquisa e debate Com base nas questões dirigi- das anteriormente aos alunos e nas informações fornecidas em sala de aula, sugerimos no Caderno do Alu- no uma pesquisa individual, que aborde a miscigenação e o mito da democracia racial na sociedade brasileira. A ideia é fazer que eles se preparem para posterior debate em sala de aula, reunindo, a partir dos textos es- tudados, argumentos sobre o tema. Sugestão de textos e materiais para a Pesquisa individual Oriente-os quanto à utilização do material didático adotado, selecionando, previamen- te, capítulos ou trechos a ser lidos sobre a composição étnica da população brasileira e o mito da democracia racial. Remeta-os para sites interessantes que tra- tem desses temas. Sugerimos a consulta ao site AfroPress, disponível em: <www.afro press.com.br>, acesso em 25 mar. 2014, que oferece rico e extenso material. Depois de fornecidas as informações bá- sicas sobre o tema que os alunos estudarão, organize um debate para a socialização das pesquisas. No início do debate é importante esclare- cer que etnia corresponde a um agrupamento humano cuja unidade repousa na comunhão de língua, cultura e de consciência grupal. Explique que podem existir, em uma etnia, traços físicos comuns, entretanto não são eles que a definem, e sim o sentimento de perten- cer ao agrupamento ou à comunidade. O ter- mo raça, por sua vez, largamente utilizado no passado, é hoje considerado impróprio, pois a ciência já constatou que, no sentido biológico, não existe raça humana. Durante muito tempo utilizou-se a misci- genação da nossa população, isto é, o cruza- mento entre grupos étnicos, para se afirmar que no Brasil sempre existiu uma “democra- cia racial”. No entanto, essa visão é hoje con- siderada um mito, pois obscurece a realidade do preconceito e da discriminação ainda pre- sentes na sociedade brasileira. No passado, tal mito disfarçava o preconceito de cor em relação ao indígena, ao negro e aos mestiços e, também, o preconceito social determinado pela renda e pelo status social. Serviu de for- ma admirável à classe dominante para mas- carar as opressivas relações étnicas e sociais no Brasil. Leitura e análise de texto Para melhor compreensão, proponha aos alunos a leitura de um trecho do texto Uma abordagem conceitual das noções de raça, racismo, identidade e etnia, de auto- ria de Kabengele Munanga, professor ti- tular de Antropologia da Universidade de São Paulo.
  21. 21. 20 Uma abordagem conceitual das noções de raça, racismo, identidade e etnia [...] No século XVIII, a cor da pele foi considerada como um critério fundamental e divisor d’água entre as chamadas raças. [...] No século XIX, acrescentou-se ao critério da cor outros critérios morfológicos como a for- ma do nariz, dos lábios, do queixo, do formato do crânio, o ângulo facial etc. para aperfeiçoar a classificação. [...] No século XX, descobriu-se, graças aos progressos da Genética Humana, que havia no sangue critérios químicos mais determinantes para consagrar definitivamente a divisão da humanidade em raças estanques. Grupos de sangue, certas doenças hereditárias e outros fatores na hemoglobina eram encontrados com mais frequência e incidência em algumas raças do que em outras, podendo configurar o que os próprios geneticistas chamaram de marcadores genéticos. O cruzamento de todos os critérios possíveis (o critério da cor da pele, os critérios morfológicos e químicos) deu origem a dezenas de raças, sub-raças e sub- sub-raças. As pesquisas comparativas levaram também à conclusão de que os patrimônios genéticos de dois indivíduos pertencentes a uma mesma raça podem ser mais distantes que os pertencentes a raças diferentes; um marcador genético característico de uma raça pode, embora com menos incidência, ser encontrado em outra raça. Assim, um senegalês pode, geneticamente, ser mais próximo de um norueguês e mais distante de um congolês, da mesma maneira que raros casos de anemia falciforme podem ser encontrados na Europa etc. Combinando todos esses desencontros com os progressos realizados na própria ciência biológica (genética humana, biologia molecular, bioquímica), os estudiosos desse campo de conhecimento chegaram à conclusão de que a raça não é uma realidade biológica, mas sim apenas um conceito, aliás cientificamente inoperante, para explicar a diversidade humana e para dividi-la em raças estanques. Ou seja, biológica e cientificamente, as raças não existem. A invalidação científica do conceito de raça não significa que todos os indivíduos ou todas as populações sejam geneticamente semelhantes. Os patrimônios genéticos são diferentes, mas essas diferenças não são suficientes para classificá-las em raças. O maior problema não está nem na classificação como tal, nem na inoperacionalidade científica do conceito de raça. Se os naturalistas dos séculos XVIII-XIX tivessem limitado seus trabalhos somente à classificação dos grupos humanos em função das características físicas, eles não teriam certamente causado nenhum problema à humanidade. Suas classificações teriam sido mantidas ou rejeitadas como sempre aconteceu na história do conhecimento científico. Infelizmente, desde o início, eles se deram o direito de hierarquizar, isto é, de estabelecer uma escala de valores entre as chamadas raças. O fizeram erigindo uma relação intrínseca entre o biológico (cor da pele, traços morfo- lógicos) e as qualidades psicológicas, morais, intelectuais e culturais. Assim, os indivíduos da raça “branca” foram decretados coletivamente superiores aos das raças “negra” e “amarela”,
  22. 22. 21 Geografia – 2a série – Volume 2 Em seguida, apresente aos alunos as ques- tões a seguir referentes ao texto, presentes no Caderno do Aluno. 1. Quais foram os critérios utilizados pelos naturalistas europeus no século XIX para estabelecer o conceito de raça? Espera-se que os alunos apresentem como critérios os se- guintes elementos: cor da pele e critérios morfológicos como formato do nariz, dos lábios, do queixo, do crânio, o ângulo facial etc. 2. Considerando-se a genética, é possível di- vidir a humanidade em raças? Explique sua resposta. Não é possível, pois a complexidade da diferenciação genética não permite que a humanidade seja cientificamente dividida em raças. Assim, o conceito de raça não tem validade biológica. 3. Por que o autor afirma que o conceito de raça é carregado de ideologia? De acordo com o texto, ao se considerar elementos culturais, psicológicos e intelectuais para classificar raças, cria-se uma hierarquia valorativa por meio da qual é possível estabelecer quem é “melhor” ou “pior”, “superior” ou “inferior” que outros. Se geneticistas consideram raça um conceito biologicamente ultrapassado, a sociedade deve romper com classificações cria- dascomointuitodegerarhierarquias,responsáveisporjustificar formas de dominação de um povo sobre outros. As sociedades devem, portanto, respeitar-se, compreendendo que as dife- renças entre os povos manifestam-se pela diversidade cultural e que cada indivíduo é único e como tal deve ser compreen- dido como mais um membro da espécie humana, dentro do contexto socioeconômico e cultural em que vive. Você pode aproveitar essa reflexão para discutir com os alunos a ideia de “diferença” em contraposição à ideia de “desigualdade”. Etapa 3 – Análise de gráficos Nesta etapa, sugerimos que você aborde a dimensão e a importância dos Censos Demo- gráficos realizados pelo IBGE. Os censos são a principal atividade empreendida por um ins- tituto oficial de estatística e fornece um retrato sociodemográfico do país, além de ser a mais importante fonte de informações demográfi- cas que são utilizadas para o planejamento de políticas públicas. em função de suas características físicas hereditárias, tais como a cor clara da pele, o formato do crânio (dolicocefalia), a forma dos lábios, do nariz, do queixo etc. que, segundo pensavam, os tornam mais bonitos, mais inteligentes, mais honestos, mais inventivos etc. e consequente- mente mais aptos para dirigir e dominar as outras raças, principalmente a negra, mais escura de todas, e consequentemente considerada como a mais estúpida, mais emocional, menos honesta, menos inteligente e, portanto, a mais sujeita à escravidão e a todas as formas de dominação. [...] Podemos observar que o conceito de raça, tal como o empregamos hoje, nada tem de biológico. É um conceito carregado de ideologia, pois como todas as ideologias, ele es- conde uma coisa não proclamada: a relação de poder e de dominação. [...] MUNANGA, Kabengele. Uma abordagem conceitual das noções de raça, racismo, identidade e etnia. Palestra proferida no 3o Seminário Nacional Relações Raciais e Educação – PENESB – RJ, 5/11/03. Disponível em: <https://www.ufmg.br/inclusaosocial/?p=59>. Acesso em: 26 nov. 2013.
  23. 23. 22 Historicamente, o censo demográfico agru- pa a população em categorias étnico-raciais, que se alteram de acordo com o contexto so- cioeconômico e cultural de cada época. Por exemplo, em 1872 havia a categoria cabocla e a população escrava (preta e parda), e em 1940, essas categorias já não existiam, confor- me pode ser verificado no quadro a seguir. A partir do Censo 1940, as categorias utili- zadas para a classificação se pautaram somente na “cor” da população, sem fazer referência às raças. Nos Censos de 1950 e 1960, os questioná- rios apresentaram instruções de preenchimento para respeitar a resposta da pessoa recenseada de acordo com o princípio de autodeclaração. Em 1991, o IBGE lançou mão da classi- ficação por raça, incluindo agora a catego- ria indígena. Além disso, os questionários do recenseamento se pautaram na definição de “raça ou cor”. Em 2000, a definição ficou em “cor ou raça” compondo, portanto, cinco ca- tegorias para as pesquisas de recenseamento: branca, preta, amarela, parda e indígena (pela ordem em que figuram na tabela), as quais também constam no Censo Demográfico 2010. A investigação de cor ou raça também passou a integrar outras pesquisas domiciliares, como a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD, em 1987, a Pesquisa de Orçamentos Familiares – POF, em 2002-2003, e a Pesquisa Mensal de Emprego – PME, em 2003a . Categorias Étnico-raciais nos Censos Demográficos – Brasil – 1872/2010 Fonte: IBGE. Nota técnica – Histórico da investigação sobre cor ou raça nas pesquisas domiciliares do IBGE – 2008. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/caracteristicas _raciais/notas_tecnicas.pdf>. Acesso em: 23 abr. 2014. a Fonte de dados: IBGE. Nota técnica – Histórico da investigação sobre cor ou raça nas pesquisas domiciliares do IBGE – 2008. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/caracteristicas_raciais/ notas_tecnicas.pdf>. Acesso em: 23 abr. 2014.
  24. 24. 23 Geografia – 2a série – Volume 2 Leitura e análise de gráfico Observe o gráfico com seu professor e seus colegas para responder à questão a seguir. Figura 3 – Distribuição percentual da população, por cor ou raça Brasil – 1999/2009. Fonte: IBGE. Síntese de indica- dores sociais – Uma análise das condições de vida da população brasileira 2010. Disponível em: <http://www.ibge.gov. br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/indicadoresminimos/sinteseindicsociais2010/SIS_2010.pdf>. Acesso em: 23 abr. 2014. Comparando os dados de 1999 com os de 2009, qual é a grande mudança na distribui- ção étnico-racial da população brasileira? Em sua opinião, por que isso acontece? Na comparação, observa-se que há diminuição no número de brancos e aumento significativo do número de pardos. Espera- -se que os alunos percebam que os dados de 2009 demons- tram que mais pessoas em nosso país estão assumindo sua cor de pele, abrindo mão, assim, de uma ideologia de cunho racis- ta que as fazia desvalorizar a própria cor. Em parte, isso ocorre na nossa sociedade em um contexto histórico de fortaleci- mento do movimento negro e de uma transformação positiva da imagem pública das pessoas desse grupo, que sofrem pre- conceito ainda hoje. Podem surgir respostas que justifiquem essa mudança na distribuição étnico-racial pelo aumento da miscigenação entre negros e brancos.
  25. 25. 24 Figura 4 – Distribuição dos estudantes de 18 a 24 anos de idade, por nível de ensino frequentado, segundo a cor ou raça - Brasil - 2001/2011. Fonte: IBGE Síntese de indicadores sociais - Uma análise das condições de vida da população brasileira 2012. Disponível em: <ftp://ftp.ibge.gov.br/Indicadores_Sociais/Sintese_de_Indicadores_Sociais_2012/SIS_2012.pdf>. Acesso em: 12 dez. 2013. O que estes dados revelam a respeito do acesso dos brasileiros à educação? O gráfico da Figura 4 apresenta os efeitos da expansão educacional no Brasil, mas importantes disparidades po- dem ainda ser observadas. A proporção de jovens estu- dantes brancos de 18 a 24 anos de idade que frequen- tavam o Ensino Médio diminuiu; em contrapartida, os jovens estudantes pretos ou pardos na mesma faixa etária mantêm a frequência nesse nível. Também pode se ob- servar o aumento da frequência no ensino superior dos jovens pretos ou pardos. Porém, espera-se que os alunos relacionem a discriminação racial e a desigualdade social como fatores que influenciam o acesso dos brasileiros à educação. 2. Leia a reportagem a seguir e analise critica- mente essa situação. Proponha aos alunos as atividades da seção Lição de casa a seguir. 1. Analise o gráfico a seguir e responda:
  26. 26. 25 Geografia – 2a série – Volume 2 Os alunos deverão levantar várias hipóteses, e entre elas po- dem surgir questões como a dificuldade de acesso ao mer- cado de trabalho formal, que, embora se negue, baseia-se no preconceito relativo ao gênero e à cor da pele. 3. Com base em seus conhecimentos, respon- da: Por que apenas a miscigenação das etnias não permite afirmar a existência de uma “democracia racial” no Brasil? Justifi- que sua resposta. O enunciado exige reflexão e associação entre aspectos estudados e dados estatísticos divulgados pelo IBGE e por outros institutos de pesquisa. Espera-se que os alunos pon- derem que o fato de haver uma forte miscigenação entre brancos e não brancos no Brasil não garante que exista uma verdadeira democracia. Os alunos poderão estruturar a ar- gumentação a esse respeito com base na análise do gráfi- co (acesso a educação) e também da reportagem (questão do desemprego). O contraste entre brancos e não brancos estende-se para outras informações – relativas às etnias e sua condição social (por exemplo, homens brancos são os que ganham salários mais elevados em todas as faixas etárias, homens negros são as maiores vítimas da violência urbana e homens pardos de 30 a 59 anos representam maior núme- ro de analfabetos) –, nota-se que a democracia, no que diz respeito à cor da pele, somente poderá ser construída por meio de mudanças socioeconômicas e culturais profundas. Em outras palavras, para deixar de ser um mito e passar a ser realidade, a democracia exige que os não brancos adquiram igualdade de condições no mercado de trabalho, nível de No Brasil, negros e mulheres ficam mais tempo desempregados, diz estudo Negros e mulheres são os grupos que ficam mais tempo desempregados no Brasil, segundo pes- quisa feita pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). [...] O desemprego subiu para 6% em junho, maior nível desde abril de 2012, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). De acordo com o Dieese, 53,9% dos trabalhadores que procuram emprego há menos de um ano são mulheres e 53,3%, negros. A taxa aumenta entre os desempregados há mais de um ano: nesta situação, 63,2% são mulheres e 60,6%, negros. Ainda conforme a pesquisa, trabalhadores com ensino médio completo ou superior in- completo são a maior parcela dos que estão desempregados há muito tempo, representando 46,2% do total. Nota: O segmento de negros é composto por pretos e pardos e o de não negros engloba brancos e amarelos. Fonte: Portal de notícias Uol. Disponível em: <http://economia.uol.com.br/empregos-e-carreiras/noticias/redacao/ 2013/08/19/no-brasil-negros-e-mulheres-ficam-mais-tempo-desempregados-diz-estudo.htm>. Acesso em: 13 dez. 2013.
  27. 27. 26 escolaridade, acesso à renda, entre outros, compatíveis com aqueles observados para os brancos. Há, ainda, a necessidade de deixarem de ser vistos socialmente por meio de estereó- tipos e preconceitos. A atividade da seção Você aprendeu?, no Caderno do Aluno, propõe a análise dos gráficos e mapas das Figuras 5 e 6. Figura 5 – População por cor ou raça – preta e indígena. IBGE. Atlas do censo demográfico 2010. Rio de Janeiro: IBGE, 2013, p. 197. Disponível em: <http://censo2010.ibge.gov.br/apps/atlas/>. Acesso em: 23 maio 2014. Mapa original (supressão de escala numérica; mantida a grafia). População por cor ou raça – preta e indígena
  28. 28. 27 Geografia – 2a série – Volume 2 Figura 6 – População por cor ou raça – branca e parda. IBGE. Atlas do censo demográfico 2010. Rio de Janeiro: IBGE, 2013, p. 196. Disponível em: <http://censo2010.ibge.gov.br/apps/atlas/>. Acesso em: 23 maio 2014. Mapa original (supressão de escala numérica; mantida a grafia). Segundo o critério da cor da pele adota- do pelo IBGE, a distribuição da população brasileira pode ser compreendida se forem considerados também os processos de povo- amento e ocupação do território nacional. Assinale a alternativa que expressa essa rela- ção corretamente. a) A maior concentração de população preta está no Nordeste e a de pardos, População por cor ou raça – branca e parda
  29. 29. 28 no Norte e no Nordeste, legado de uma intensa concentração escravagista afri- cana que, desde meados do século XVI, predominou nas duas regiões devido à antiga cultura canavieira. b) No Centro-Oeste há certo equilíbrio entre as populações branca e parda por causa dos descendentes de povos europeus e orientais que se dirigiram à região ao longo do século XX, para se dedicar à colonização de novas terras. c) A porcentagem de população preta no Sul do país é expressiva perante as demais regiões e reflete um processo de coloniza- ção e povoamento similar ao de outras regiões brasileiras, principalmente com a presença de negros. d) Os brancos são maioria nas regiões Sul e Sudeste, devido à grande concentração de descendentes de europeus (principalmente italianos e alemães) ou de outros povos de cor branca (por exemplo, árabes). e) A maior parcela das populações indígena e parda está no Norte, o que se deve à inten- sa mestiçagem ocorrida a partir da cons- trução da Rodovia Transamazônica. O enunciado da questão busca promover a associação entre os conteúdos estudados na Situação de Aprendizagem 1 com aqueles tratados no semestre passado. A alternativa “a“ apre- senta pertinência quanto aos dados no mapa, mas associa er- roneamente a antiga cultura canavieira à região Norte para ex- plicar o predomínio da população parda; na alternativa “b”, os descendentes de povos orientais não explicam o contingente da população parda encontrada na região Centro-Oeste; a al- ternativa “c” apresenta distorção quanto aos dados do mapa; e a alternativa “e”, além de desconsiderar a porcentagem da po- pulação indígena no Centro-Oeste, restringe a mestiçagem a partir da construção da Rodovia Transamazônica, desconside- rando seus antecedentes. Desse modo, a única alternativa cor- reta é a “d”, na qual se verifica tanto a apresentação de dados corretos a partir do mapa e gráfico apresentado para leitura e interpretação como também causas explicativas que os justifi- cam com base nos conhecimentos prévios dos alunos sobre o processo de povoamento e ocupação do território brasileiro. Comente com os alunos que, segundo o Censo 2010, 43,1% da população brasileira se declararam pardos e o maior percentual desse contingente estava na Região Norte (66,9%), sendo que todas as regiões revelaram percen- tuais acima dos 35%, exceto o Sul, com 16,5%. Ainda segundo o censo, 7,6% dos entrevistados se declararam pretos, e seu maior percentual es- tava no Nordeste (9,5%), com o Sudeste (7,9%) a seguir, enquanto a Região Sul mostrou o me- nor percentual (4,1%). SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 2 A DINÂMICA DEMOGRÁFICA São enfatizados, nesta Situação de Aprendi- zagem, os conceitos de natalidade, mortalidade e crescimento natural ou vegetativo, buscando discutir a dinâmica demográfica brasileira se- gundo sua evolução no tempo e sua situação atual. A partir de mapas, tabela e gráficos são
  30. 30. 29 Geografia – 2a série – Volume 2 Etapa prévia – Sondagem inicial e sensibilização Para começo de conversa, com o propósi- to de atrair a atenção dos alunos para o tema que será estudado, sugerimos que a sondagem inicial ocorra por meio de um aquecimento específico acerca do que os alunos pensam em relação ao futuro familiar que os aguarda, dando destaque para que se posicionem sobre o tipo de família que pretendem ter e quais os métodos contraceptivos por eles conhecidos. Conteúdos: natalidade, mortalidade e crescimento natural ou vegetativo; dinâmica demográfica brasi- leira; transição demográfica. Competências e habilidades: articular a relação entre conceitos (crescimento natural ou vegetativo, ta- xas de mortalidade e natalidade), aplicando-os na interpretação de gráficos e tabela sobre o cresci- mento populacional brasileiro; por meio de gráficos, interpretar os períodos da dinâmica demográfica do Brasil, estabelecendo relações de causa e efeito entre sequências de acontecimentos de significado histórico-geográfico; articular os conceitos taxa de fecundidade e mortalidade infantil com a leitura e interpretação de gráficos; discriminar e estabelecer diferenciações entre as variações das taxas de fecundidade e mortalidade infantil e os graus de instrução das mulheres; ler e interpretar gráficos para caracterizar regionalmente a queda da taxa de fecundidade no Brasil; construir o conceito de tran- sição demográfica utilizando a interpretação de gráficos como recurso; apreender o significado e as intencionalidades de ideias equivocadas divulgadas na mídia sobre o processo demográfico brasileiro, com o objetivo de desenvolver argumentação oral e escrita com base no conteúdo estudado; identificar conceitos e pontos relevantes para a elaboração de sínteses dissertativas. Sugestão de estratégias: aula expositiva sobre conceitos fundamentais; leitura e interpretação de mapa, gráficos e tabela; grupos de pesquisa e discussão; comparação de resultados de pesquisa dos grupos. Sugestão de recursos: campanhas publicitárias; mapa, gráficos e tabela; artigos de jornais; internet. Sugestão de avaliação: entrega dos textos solicitados; participação nas dinâmicas de aprendizagem em sala de aula e nos grupos de discussão. destacados os principais fatores que interferem na variação desses índices. De modo a conferir um encaminhamento didático para a aborda- gem do conteúdo indicado, a evolução demo- gráfica do Brasil é subdividida em dois grandes períodos e, a partir da noção de transição de- mográfica, comparada com a verificada em ou- tros países. Nesse percurso, também é analisada a variação das taxas de natalidade no Brasil, comentando-se os principais fatores responsáveis, além da queda acentuada nas taxas de mortalida- de e de fecundidade a partir da acelerada urba- nização. De maneira implícita, busca-se também refletir com os alunos sobre o teor de opiniões e notícias veiculadas pela mídia que, muitas vezes, tratam questões relacionadas ao processo demo- gráfico brasileiro de modo equivocado, difundin- do preconceitos e desinformação.
  31. 31. 30 Para dar encaminhamento a esta atividade, sugerimos as questões a seguir, presentes no Caderno do Aluno. CARTOGRAFIA PESSOAL Eu nasci na cidade de ______________________________________________, Estado (ou país)_____________________________________________. Meu pai nasceu na cidade de _______________________________________, Estado (ou país) ______________________________________. Minha mãe nasceu na cidade de ____________________________________, Estado (ou país) ____________________________________. Meu avô paterno nasceu na cidade de _______________________________, Estado (ou país) _______________________________. Meu avô materno nasceu na cidade de _______________________________, Estado (ou país) ______________________________. Minha avó paterna nasceu na cidade de _______________________________, Estado (ou país) ____________________________. Minha avó materna nasceu na cidade de ______________________________, Estado (ou país) ____________________________. Meu avô materno tem (ou teve) ________________ irmãos. Meu avô paterno tem (ou teve) ________________ irmãos. Minha avó materna tem (ou teve) ________________ irmãos. Minha avó paterna tem (ou teve) ________________ irmãos. Minha mãe tem (ou teve) ________________ irmãos. Meu pai tem (ou teve) ________________ irmãos. Eu tenho (ou tive) ________________ irmãos. Pretendo ter ________________ Espera-se que os dados coletados por intermédio da ficha reproduzam em escala local os resultados coerentes com o encolhimento da taxa de fecundidade e a intensa migração observados no conjunto da população brasileira. Tomando por base esses resultados, analise com os alunos a importância de coletar e estudar dados populacionais, não apenas para que os governos planejem as políticas públicas adequadas às reais necessidades da população, mas também como forma de planejar o próprio futuro. 2. Converse com seus colegas e seu profes- sor a respeito da “cartografia” das fa- mílias dos alunos da sua turma. Depois, responda: a) Houve movimentos migratórios de uma geração para outra? Comente as principais tendências encontradas na turma. 1. Considerando as características de sua fa- mília, preencha os dados do formulário a seguir.
  32. 32. 31 Geografia – 2a série – Volume 2 Espera-se que os alunos destaquem que houve movimento migratório, se for o caso – o mais provável. Com os alunos, identifique se o movimento migratório foi intraestadual ou de âmbito nacional e determine os vetores desse movimento. b) O número de filhos aumentou ou dimi- nuiu de uma geração para outra? Co- mente as principais tendências encon- tradas na turma. Provavelmente, a média do número de filhos por família terá diminuído, confirmando a tendência observada nas taxas de fecundidade nas últimas décadas. Com os alunos, procure traçar a média de filhos nas diferentes gerações. Etapa 1 – Aula expositiva dialogada Uma vez transposta a etapa prévia, suge- rimos iniciar o trabalho com alguns concei- tos básicos que permitem desenvolver temas essenciais sobre a dinâmica demográfica no Brasil. Para tanto, defina e explique: que o crescimento populacional decorre de duas variáveis: o saldo entre o número de imigrantes (pessoas que entram no país) e o número de emigrantes (pessoas que deixam o país) e o saldo entre o número de nasci- mentos e o número de óbitos. Essa última variável constitui o crescimento natural ou vegetativo. No caso do Brasil, não deixe de informar que apenas esse último processo é de grande importância, pois a imigração só teve influência significativa no crescimento populacional no final do século XIX até 1934, quando foi promulgada a Lei de Co- tas, que restringiu drasticamente a entrada de imigrantes no país; que a taxa de mortalidade expressa a propor- ção entre o número de óbitos e a população absoluta de um lugar, em determinado inter- valo de tempo; que a taxa de natalidade expressa a pro- porção entre o número de nascimentos e a população absoluta de um lugar, em deter- minado intervalo de tempo. Leitura e análise de gráfico e tabela Definidos esses conceitos básicos, apresen- te aos alunos o gráfico e a tabela (Figura 7 e Quadro 1), indagando-os sobre o que é pos- sível observar em relação à evolução da di- nâmica demográfica brasileira. Conceda-lhes um tempo para observarem e analisarem os dados fornecidos e estimule-os a interpretá- -los, sempre acompanhando esse processo de interpretação e eventuais dúvidas dos alunos, de acordo com as questões a seguir, presentes no Caderno do Aluno. 1. Observe o gráfico da Figura 7 e responda às questões.
  33. 33. 32 a) Com base em seus conhecimentos e nos dados do gráfico, é possível afirmar que a população brasileira está passando por uma explosão demográfica? Justifi- que sua resposta. Como esse tema já foi estudado em anos anteriores, espe- ra-se que os alunos não considerem verdadeira a afirma- ção. O gráfico mostra que o elevado crescimento ocor- reu na década de 1890. E entre as décadas de 1940 e 1960 houve um período de aumento da taxa de crescimento populacional em decorrência da queda da mortalidade resultante dos avanços da medicina, como o surgimento dos antibióticos e a popularização de formas de preven- ção com as vacinações em massa. A partir da década de 1960, com a redução da natalidade, iniciou-se um de- clínio do crescimento populacional brasileiro mostrado pelas quedas percentuais de 27,7%, em 1980, para 12,3%, em 2010. De acordo com projeções do IBGE entre 2010 e 2020 o crescimento populacional brasileiro deverá atingir 13,6%; somente em 2043 a população voltará a diminuir. b) Na “cartografia” da turma, a variação do número de filhos de uma geração para outra reflete, de certa forma, a situação do crescimento populacio- nal brasileiro representada no gráfico? Explique. O que foi apurado na classe deve confirmar a tendência de diminuição no crescimento populacional brasileiro repre- sentado no gráfico. Caso essa tendência não se confirme, é importante discutir fatores sociais e econômicos locais que possam ter influenciado o resultado. 2. Converse com seus colegas e seu professor para responder às questões referentes à tabela a seguir (Quadro 1). Figura 7 – Crescimento populacional brasileiro entre 1890 e 2010 e projeção para 2020. Fontes: IBGE. Anuário estatístico do Brasil, 1995, 2001; Censo Demográfico – 2010; Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de População e Indicadores Sociais, Projeção da População por Sexo e Idade para o Brasil, Grandes Regiões e Unidades da Federação 2013. Crescimento populacional brasileiro entre 1890 e 2010 e projeção para 2020 1890 1900 1910 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010 2020 50 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 44,3 37,8 21,6 37,8 17,3 17,3 25,9 35,1 32,7 27,7 23,3 15,6 12,3 13,6 Crescimento populacional brasileiro entre 1890 e 2010 e projeção para 2020 %
  34. 34. 33 Geografia – 2a série – Volume 2 tivo? Exemplifique com dados da tabela. O crescimento vegetativo é o resultado da diferença entre as taxas de natalidade e de mortalidade a cada mil habi- tantes. Por exemplo, no período 1872-1890, o crescimento vegetativo era de 16,3 (46,5 de natalidade por mil e 30,2 de mortalidade por mil). a) Quais variáveis são utilizadas para de- terminar o crescimento natural ou vege- tativo da população de um país. Taxas de natalidade e de mortalidade. b) Como é calculado o crescimento vegeta- Períodos Natalidade (por mil) Mortalidade (por mil) Crescimento vegetativo (por mil) 1872-1890 46,5 30,2 16,3 1891-1900 46,0 27,8 18,2 1901-1920 45,0 26,4 18,6 1921-1940 44,0 25,3 18,7 1941-1950 43,5 19,7 23,8 1951-1960 41,5 15,0 26,5 1961-1970 37,7 9,4 28,3 1971-1980 34,0 8,0 26,0 1981-1990 27,4 7,8 19,6 1991-2000 22,1 6,8 15,3 2001-2005 20,0 6,8 13,2 2006-2010 16,4 6,3 10,2 2011-2013 14,2 6,3 7,9 Quadro 1 – Brasil: taxas de natalidade, de mortalidade e de crescimento vegetativo da população. Fontes: CARVALHO, Alceu Vicente W. de. A população brasileira: estudo e interpretação. Rio de Janeiro: IBGE, 1960; HUGON, Paul. Demogra- fia brasileira: ensaio de demoeconomia brasileira. São Paulo: Atlas/Edusp, 1973; IBGE. Anuário estatístico do Brasil, 1993, 1995, 2000; Síntese de indicadores sociais, 2002; IBGE. Brasil em síntese. Disponível em: <http://brasilemsintese.ibge.gov.br/>. Acesso em: 10 mar. 2014. Brasil: taxas de natalidade, de mortalidade e de crescimento vegetativo da população
  35. 35. 34 c) Como são definidas as taxas de mortali- dade e de natalidade de um país? A taxa de mortalidade expressa a proporção entre o nú- mero de óbitos e a população absoluta de um lugar, em determinado intervalo de tempo. A taxa de natalidade expressa a proporção entre o número de nascimentos e a população absoluta de um lugar, em determinado intervalo de tempo. 3. De acordo com os dados apresentados no gráfico Crescimento populacional brasi- leiro entre 1890 e 2010 e projeção para 2020 (Figura 7), quais motivos explicam as taxas de crescimento da população brasileira entre 1890 e 1930? Espera-se que os alunos considerem que o crescimento da população brasileira no final do século XIX (1890) e início do século XX foi impactado pelo ingresso de imi- grantes. No início dos anos 1930, poucos meses depois de assumir o poder, o presidente Getúlio Vargas baixou um decreto limitando a entrada de estrangeiros no Brasil e, a partir de 1934, a chegada de imigrantes ao Brasil diminuiu significativamente, em consequência de diversos fatores. Em primeiro lugar, a crise cafeeira provocou sérios danos à economia brasileira no final dos anos 1920, gerando de- semprego e tensão social, ampliados pelas instabilidades causadas pelas revoluções de 1930 e 1932. Em 1934, duran- te o primeiro governo de Getúlio Vargas, foi assinada a Lei de Cotas de Imigração, que permitia o ingresso de apenas 2% do total de imigrantes que haviam entrado no Brasil nos últimos 50 anos (exceção feita aos portugueses). Tais fatores explicam a redução do incremento populacional ocorrida entre as décadas de 1920 e 1930. 4. Qual dos períodos apresentados no gráfi- co a seguir (Figura 8) corresponde ao de grande crescimento vegetativo? Justifique sua resposta. Figura 8 – Brasil: taxas de natalidade, de mortalidade e de crescimento vegetativo da população (por mil habitantes). Fontes: CARVALHO, Alceu Vicente W. de. A população brasileira: estudo e interpretação. Rio de Janeiro: IBGE, 1960; HUGON, Paul. Demografia brasileira: ensaio de demoeconomia brasileira. São Paulo: Atlas/Edusp, 1973; IBGE. Anuário estatístico do Brasil, 1993, 1995, 2000; Síntese de indicadores sociais, 2002; Brasil em Síntese. Disponível em: <http://brasilemsintese.ibge.gov.br/>. Acesso em: 25 mar. 2014. % Brasil: taxas de natalidade, mortalidade e de crescimento vegetativo da população (por mil habitantes) Taxa de Natalidade Taxa de Mortalidade 14,2 6,3 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 Brasil: taxas de natalidade, mortalidade e de crescimento vegetativo da população (por mil habitantes) %o 1872-1890 1891-1900 1901-1920 1921-1940 1941-1950 1951-1960 1961-1970 1971-1980 1981-1990 1991-2000 2001-2005 2006-2010 2011-2013
  36. 36. 35 Geografia – 2a série – Volume 2 O período de grande crescimento vegetativo ocorreu en- tre as décadas de 1940 e 1960, quando as taxas de natalida- de aumentaram e houve redução acentuada nas taxas de mortalidade, gerando, em consequência, grande cresci- mento vegetativo ou natural da população brasileira. Tais fatores resultaram da revolução da tecnologia bioquímica, do aumento do número de pessoas com acesso à rede médico-hospitalar, às vacinações em massa e à melhoria das condições sanitárias que contribuíram de forma signi- ficativa para a queda acentuada das taxas de mortalidade. Essa queda e a permanência de elevadas taxas de natali- dade, entre 1940 e 1960, explicam o elevado crescimento vegetativo verificado no período. Para finalizar esta atividade, comente com os alunos a seguinte observação: a desaceleração demográfica marcada pela queda das taxas de natalidade e algumas transformações ocorridas no Brasil estão relacionadas à crescente urbanização, ao aumento da taxa de escolarização, à entra- da da mulher no mercado de trabalho e à popularização da pílula anticoncepcional e de outros métodos contraceptivos. O con- junto desses fatores favoreceu a redução do número de filhos, muitas vezes traduzida pelo planejamento familiar. Uma vez trabalhados os principais con- ceitos demográficos, introduza o de taxa de fecundidade. Desse modo, inicialmente, ex- plique que a taxa de fecundidade consiste no número médio de filhos que as mulheres têm no decorrer de suas vidas, em determina- da população. Informe que para obter essa taxa, divide-se o total dos nascimentos pelo número de mulheres em idade reprodutiva (de 15 a 49 anos) da população considera- da. Segundo o IBGE, a taxa de fecundidade total expressa o número de filhos que, em média, teria uma mulher que durante sua vida fértil teve seus filhos de acordo com as taxas de fecundidade por idade do período em estudo e não esteve exposta aos riscos de mortalidade desde o nascimento até o tér- mino do período fértil. Leitura e análise de gráfico Em seguida, sugerimos avançar suas ex- plicações a respeito da fecundidade com base nos gráficos das Figuras 9 e 10, pre- sentes no roteiro de questões do Caderno do Aluno. 1. Quais relações podem ser estabelecidas entre os dados do gráfico da Figura 9 e a situação do crescimento populacional brasileiro representada no gráfico Cresci- mento populacional brasileiro entre 1890 e 2010 e projeção para 2020 (Figura 7)?
  37. 37. 36 O número de filhos por mulher diminuiu de 6,2, em 1940, para 1,8 filho por mulher em 2013. No geral, o gráfico Cres- cimento populacional brasileiro entre 1890 e 2010 e proje- ção para 2020 mostra uma diminuição contínua no cresci- mento populacional, a partir da década de 1960. Ressaltan- do que em 1960 houve um pequeno aumento na taxa de fecundidade e um aumento no crescimento populacional Figura 10 – Taxas de fecundidade total, por nível de instrução das mulheres, segundo as Grandes Regiões – 2010. Fonte: Censo Demográfico 2010. Nupcialidade, Fecundidade e Migração. Resultados da Amostra. Disponível em: <ftp://ftp.ibge. gov.br/Censos/Censo_Demografico_2010/Nupcialidade_Fecundidade_Migracao/censo_nup_fec_mig.pdf>. Acesso em: 25 mar. 2014. em comparação à década anterior. Segundo o IBGE, uma taxa de fecundidade inferior a 2,0 filhos por mulher não ga- rante a reposição da população atual, demonstrando uma tendência de que o número de habitantes poderá diminuir em números absolutos. 2. Observe o gráfico a seguir. Brasil Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Sem instrução e Fundamental incompleto Fundamental completo e Médio incompleto Médio completo e Superior incompleto Superior completo 0,50 1,00 0,00 4,00 3,50 3,00 2,50 2,00 1,50 Taxas de fecundidade total, por nível de instrução das mulheres, segundo as Grandes Regiões - 2010Taxas de fecundidade total, por nível de instrução das mulheres, segundo as Grandes Regiões – 2010 Figura 9 – Brasil: redução da taxa de fecundidade, 1940-2010 e projeções para 2013 e 2020. Fontes: IBGE. Censo demográfico, 1940-2010; IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de População e Indicadores Sociais, Projeção da População por Sexo e Idade para o Brasil, Grandes Regiões e Unidades da Federação 2013. 5 6 7 Média de filhos por mulher Brasil: redução da taxa de fecundidade, 1940 a 2010 e projeções para 2013 e 2020 1940 1950 1960 1970 1980 1991 2000 2010 2013 2020 0 2 3 4 1 6,2 6,2 6,3 5,8 4,4 2,9 2,4 1,9 1,8 1,6 Brasil: redução da taxa de fecundidade, 1940 a 2010 e projeções para 2013 e 2020
  38. 38. 37 Geografia – 2a série – Volume 2 Quais informações apresentadas neste grá- fico contribuem para explicar a redução da taxa de fecundidade das mulheres brasileiras? O gráfico demonstra como as taxas de fecundidade di- minuem sensivelmente conforme aumentam os anos de estudo das mulheres. Percebe-se que as regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste apresentam as maiores taxas de fecundidade nas mulheres sem instrução e Fundamental incompleto, ou seja, as mulheres de menor escolaridade apresentam as maiores taxas de fecundidade. O mesmo pode ser verificado nas taxas de fecundidade em outras re- giões do Brasil. Uma variável socioeconômica relacionada à fecundidade refere-se à escolaridade da mulher. De modo geral, as diferentes taxas de fecundidade entre as regiões brasileiras são explicadas pelas diferenças regionais de de- senvolvimento econômico, o que implica maior nível edu- cacional da população. 3. Quais outros motivos podem ser conside- rados para explicar a redução na taxa de fecundidade brasileira, principalmente a partir da década de 1980? Espera-se que os alunos, de modo geral, percebam que a redução nas taxas de fecundidade é explicada pelo aumen- to da urbanização e, portanto, pelo maior acesso aos meios contraceptivos, pela melhoria no nível educacional da popu- lação, pela significativa presença da mulher no mercado de trabalho, entre outros fatores. Para finalizar esta atividade, apresente aos alunos as seguintes observações: que a redu- ção do número médio de filhos por mulher vem ocorrendo em todo o mundo. Particular- mente no Brasil, iniciou-se com as mulheres das classes média e alta dos centros urba- nos do Sul e do Sudeste – que apresentavam maior taxa de escolarização e tinham mais acesso às informações – e, pouco a pouco, atingiu as demais classes sociais e regiões (es- tendendo-se, atualmente, pelas áreas rurais). Segundo o IBGE, a idade média em que as mulheres têm filhos é de 26,9 anos em 2013 e as projeções indicam que deve chegar a 28 anos em 2020. Finalmente, não deixe de chamar a atenção para o fato de que, como existe uma estreita relação entre desenvolvimento econômico e taxa de fecundidade, pelas razões apontadas anteriormente, nos países “desenvolvidos” ou industrializados, de modo geral, as taxas de fecundidade são baixas quando compa- radas às dos países em desenvolvimento e países pobres. Etapa 2 – Trabalho conceitual e interpretação associada de mapa e gráficos Contando com o apoio do que foi abordado nas etapas anteriores, é interessante e elucidati- vo abordar com mais vagar o tema da transição demográfica brasileira, para logo em seguida comparar o caso brasileiro com o de outros países. Para tanto, propomos a apresentação e a discussão do mapa Mundo: estágios de tran- sição demográfica, 2000 (Figura 11) e as ques- tões a seguir, presentes no Caderno do Aluno. Leitura e análise de gráfico e mapa 1. Observe a Figura 11, que apresenta os gráficos de representação das fases da transição demográfica, assim como um mapa-múndi com a fase em que se encon- travam os países em 2000.
  39. 39. 38 Figura11–Mundo:estágiosdetransiçãodemográfica,2000.L’Atlasdumondediplomatique.Paris:ArmandColin,2006.p.38.Mapaoriginal. Mundo:estágiosdetransiçãodemográfica,2000 ©PhilippeRekacewicz,LeMondeDiplomatique,Paris
  40. 40. 39 Geografia – 2a série – Volume 2 a) Procure explicar o significado da ex- pressão “transição demográfica”. A expressão pode ser definida como a transição entre um mo- delo demográfico marcado pela alta natalidade e mortalidade para outro, caracterizado pela baixa natalidade e mortalidade. b) Analise os gráficos da transição demo- gráfica e explique o que ocorre em cada uma das três fases apresentadas. Espera-sequeosalunosacentuemqueaprimeirafasecaracteriza o regime demográfico tradicional e apresenta uma alta taxa de mortalidade e de natalidade. Na Fase I da Transição Demográfi- ca, ocorre a redução das taxas de mortalidade e registra-se um elevado crescimento vegetativo da população. Na Fase II, ocorre uma redução das taxas de natalidade, e, consequentemente, do crescimento vegetativo. Por último, na Fase III, período pós-tran- sicional, característico de um regime demográfico moderno, as taxas de mortalidade e de natalidade apresentam-se reduzidas. c) Com base na observação do mapa-mún- di, dê exemplos de países representati- vos de cada uma das fases da transição demográfica e, após conversar com seus colegas e seu professor, procure levantar hipóteses que justifiquem a classificação desses países nessas fases. Paísesquejáconcluíramsuatransiçãodemográfica,queseencon- tramnaFaseIII:Japão,paíseseuropeus,EstadosUnidosdaAmérica, Canadá etc. Fase II, caracterizada por crescimento populacional lento: os países latino-americanos, com exceção de Bolívia, Beli- ze, Guatemala, Honduras, Nicarágua (todos na Fase I), e Uruguai e Cuba que estão na Fase III. Na Fase I encontram-se grande parte dos países africanos e do Oriente Médio. Também na Ásia temos Iêmen,Afeganistão,Nepal,Butão,Bangladesh,CambojaeLaos. Em geral a Fase III ocorre em países onde há desenvolvimento econômico ou em nações antigas e também os atuais e ex- -países socialistas, que priorizaram ações voltadas para a edu- cação, saúde e mesmo planejamento familiar. Os países que se encontramnaFaseIsãopobres,emsuamaioriacompopulação predominantemente rural, com pouca infraestrutura e ações concretas em termos educacionais e de assistência à saúde. d) Em sua opinião, quais fatores são res- ponsáveis pela manutenção de vários países africanos na Fase I? Quais ações poderiam ser realizadas para a mudança dessa situação? Espera-se que o aluno identifique a situação de pobreza como um dos fatores das altas taxas de natalidade e de mor- talidade, além da falta de infraestrutura e os conflitos arma- dos, comuns nessa região. Os alunos podem sugerir várias ações, como investimentos em saneamento básico, saúde, educação etc. Alguns deles podem citar o papel da ajuda in- ternacional. Se isso acontecer, proponha a discussão sobre a eficácia desse tipo de ajuda e que interesses estão por trás desse auxílio patrocinado pelos países ricos. e) Explique por que o Brasil encontra-se na fase de transição demográfica em curso (Fase II). O Brasil está caminhando para a última fase, que se caracte- riza pela diminuição acentuada das taxas de natalidade e de fecundidade e, consequentemente, pelo crescimento popu- lacional moderado. Segundo estimativas, nos próximos anos a taxa de natalidade deverá ser inferior a 20%, e a de fecundi- dade deverá declinar ainda mais. Etapa 3 – Análise comparativa da pirâmide etária brasileira com os países conhecidos como BRICS Nesta etapa, apresente aos alunos as pirâ- mides etárias (Figura 12) do conjunto de países emergentes, conhecidos pela sigla BRICS: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Esses países, considerados economias emergentes, apresentam
  41. 41. 40 estruturas etárias bem diferenciadas, tornando- -se, portanto, um excelente material de análise acerca de como devem ser lidos e interpretados os gráficos correspondentes às pirâmides etárias. A análise da pirâmide etária oferece diversas in- formações sobre a população de um país, como a quantidade de habitantes por faixa etária, a pro- porção por sexo e a porcentagem de pessoas em idade produtiva (ou seja, as que se encontram en- tre 10 e 65 anos) no total da população. Informe aos alunos que, para interpretar uma pirâmide etária, devemos observar os seguintes critérios: no eixo das abscissas, registra-se a proporção de habitantes em cada faixa etária; no eixo das orde- nadas, as faixas de idade. Peça aos alunos que analisem as pirâmides etárias considerando os seguintes aspectos: comportamento dos dados da base ao topo corresponde à quantidade de população em cada faixa etária de acordo com o gê- nero (à esquerda, população do sexo mas- culino; à direita, do sexo feminino); diferenças entre a quantidade de população masculina e de população feminina em cada faixa etária correspondente; quanto à parcela intermediária – entre 15 e 60 anos –, estabelecer relações entre este segmen- to, correspondente à idade produtiva, e a base da pirâmide. Se a diferença for acentuada, o país terá um descompasso entre a população em idade produtiva e crianças e idosos; vértice – quantidade de população de idosos em relação ao resto da pirâmide. Leitura e análise de gráfico Agora, professor, proponha as questões a se- guir, presentes no Caderno do Aluno. 1. Com base nas semelhanças visuais das es- truturas etárias das pirâmides do Brasil, da Rússia, da Índia, da China e da África do Sul, apresentadas na Figura 12, distribua os cinco países em dois grupos. Depois, procure caracterizar a estrutura etária desses grupos. Grupo 1 - Brasil, Índia e África do Sul – Características da es- trutura etária = Base larga, corpo médio e topo estreito. No Brasil verifica-se o aumento de adultos e uma leve diminui- ção no número de jovens. Grupo 2 - Rússia e China - Características da estrutura etá- ria = China e Rússia apresentam base menor que o corpo da pirâmide, resultado de baixas taxas de natalidade, e com número significativo de idosos. As pirâmides da Rússia e da China mostram uma estrutura etária mais envelhecida, contrastando com a estrutura jovem da Índia. Vale comple- mentar que a pirâmide russa apresenta maior quantidade de mulheres do que de homens, principalmente nas faixas acima dos 65 anos, em virtude dos vários conflitos internos e das guerras pelos quais o país passou em sua história, o que afetou diretamente o contingente masculino. 2. Considerando o que você estudou até agora e a análise comparativa da questão anterior, explique por que a pirâmide etária brasileira sinaliza um estágio de transição demográfica. A análise do comportamento da pirâmide brasileira evidencia uma diminuição da base e um maior alargamento do contin- gente de população em idade adulta, o que sinaliza a passa- gem da Fase II para a Fase III da transição demográfica. Deve-se também considerar que as quedas dos níveis de fecundidade e mortalidade nos últimos 40 anos evidenciam essa fase de transição, fazendo que o desenho de sua pirâmide etária apre- sente mudanças ao longo do tempo, passando de uma estru- tura jovem nas décadas de 1960, 1970 e 1980, para uma menos jovem apresentada em 2010. Ressalta-se que a dinâmica de- mográfica brasileira influi diretamente nas políticas públicas de planejamento e de atendimento social.
  42. 42. 41 Geografia – 2a série – Volume 2 Figura 12 – Pirâmides etárias – Brasil, Rússia, Índia, Chi- na e África do Sul – 2010. Fonte: Nações Unidas. Perspectivas da População Mundial Revisão de 2010. Disponível em: <http://www.un.org/en/development/desa/ population/publications/pdf/trends/WPP2010/WPP2010_ Volume-II_Demographic-Profiles.pdf>. Acesso em: 10 mar. 2014. Pirâmides etárias – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – 2010 Brasil Índia África do Sul China Rússia
  43. 43. 42 3. Quais informações podem ser obtidas a par- tir da leitura da pirâmide etária de um país? A análise da pirâmide etária oferece diversas informações sobre a população de um país, como a quantidade e a dis- tribuição de habitantes por faixa etária, a proporção por sexo e a porcentagem de pessoas em idade produtiva (ou seja, as que se encontram entre 10 e 65 anos) no total da população. Para finalizar esta Situação de Apren- dizagem, sugerimos que discuta um pouco mais com seus alunos sobre a questão do envelhecimento no Brasil. Segundo estimativas do IBGE, a popula- ção acima de 65 anos de idade deve passar de 14,9 milhões (7,4% do total), em 2013, para 58,4 milhões (26,7% do total), em 2060. A evolução das componentes demo- gráficas no período 2000/2030 resulta em um significativo envelhecimento da popu- lação em todas as Unidades da Federação. O envelhecimento da população acima dos 65 anos de idade está relacionado à diminuição da fecundidade e ao aumento da expectativa de vida. A projeção indica que a esperança de vida ao nascer, que em 2013 chegou a 71,3 anos para homens e 78,5 anos para mulheres, em 2060, deve atingir 78,0 e 84,4 anos, respectivamente, o que representa um ga- nho de 6,7 anos médios de vida para os homens e 5,9 anos para as mulheres. Para ambos os sexos, a esperança de vida ao nascer do brasileiro chegará aos 80,0 anos de idade em 2041. Essas estimativas apontam para um au- mento da demanda por políticas voltadas para a saúde, assistência social e previ- dência social. Sugerimos a atividade a seguir, na seção Lição de casa, presente no Caderno do Aluno, que con- tribuirá para aprofundar a discussão sobre a questão do envelhecimento no Brasil. Observe o mapa Índice de Envelhecimento, 2010 (Figura 13) e responda: Com base nas informações do mapa, co- mente a questão do envelhecimento popula- cional no Brasil e a distribuição espacial do Índice de Envelhecimento no Brasil. O processo de transição demográfica, que ocorre acelerada- mente no Brasil, além de ser determinante no tamanho popu- lacional, também altera a estrutura por idade da população. Esse processo se dá de forma generalizada em cada uma das regiões brasileiras, mas ainda se mantêm diferenciais regionais, que refletem suas desigualdades socioeconômicas. As regiões Sudeste e Sul, que se encontram mais adiantadas no processo de transição demográfica, apresentam os maiores índices. Os valores mais baixos nas regiões Norte e Centro-Oeste refletem a influência das migrações, atraindo pessoas em idades jovens, muitas vezes acompanhadas de seus filhos. Assim as transfor- mações nos movimentos migratórios também têm grande in- fluência nas mudanças demográficas, com impacto tanto nas populações de origem quanto nas de destino. Além disso, a Região Norte apresenta taxa de fecundidade superior à média nacional, o que ajuda a explicar o índice. Quanto ao Índice de Envelhecimento, ele contribui para entender as tendências da dinâmica demográfica e acompanhar a evolução do ritmo de envelhecimento da população, comparativamente entre re- giões geográficas, e subsidiar a formulação, gestão e avaliação de políticas públicas nas áreas de saúde e previdência social.
  44. 44. 43 Geografia – 2a série – Volume 2 Figura 13 – Índice de Envelhecimento, 2010. IBGE. Atlas do censo demográfico 2010. Rio de Janeiro: IBGE, 2013, p. 45. Disponível em: <http://censo2010.ibge.gov.br/apps/atlas/>. Acesso em: 23 maio 2014. Mapa original (supressão de escala numérica; mantida a grafia). Índice de Envelhecimento, 2010
  45. 45. 44 Proponha a atividade a seguir da seção Você aprendeu?, do Caderno do Aluno. A dinâmica demográfica brasileira modifi- cou-se ao longo do tempo. Interprete o gráfico da Figura 14, relativo ao período de 1872 a 2010. Figura 14 – Brasil: crescimento vegetativo – 1872-2010. Fontes: CARVALHO, Alceu Vicente W. de. A população brasileira: estudo e interpretação. Rio de Janeiro: IBGE, 1960; HUGON, Paul. Demografia brasileira: ensaio de demoeconomia brasileira. São Paulo: Atlas/ Edusp, 1973; IBGE. Anuário estatístico do Brasil, 1993, 1995, 2000; Síntese de indicadores sociais, 2002; Brasil em Síntese. Disponível em: <http://brasilemsintese.ibge.gov.br/>. Acesso em: 25 mar. 2014. Avalie as afirmativas em relação às mudan- ças representadas no gráfico. I. Considerando-se o período de 1970 a 2010, pode-se afirmar que houve uma redução no crescimento vegetativo do país, proces- so em grande parte relacionado ao acesso da população aos métodos contraceptivos, à urbanização e à maior participação da mulher no mercado de trabalho. II. A partir da crise da década de 1980, amplas políticas governamentais de con- trole da natalidade resultaram na queda do crescimento vegetativo e no ingresso do país na fase mais avançada da transição demográfica. III. Considerando o período de 1970 a 2010, veri- fica-se que ocorreu um desequilíbrio entre as taxas de natalidade e de mortalidade, provo- cando um elevado aumento populacional, em virtude dos avanços da medicina, do aumento da taxa de fecundidade e da maior participa- ção da mulher no mercado de trabalho. IV.Em meados do século XX, a redistribui- ção espacial da população, pelo cresci- mento da migração campo-cidade, e a aceleração do processo de urbanização foram fatores que contribuíram de manei- ra expressiva para a redução das taxas de natalidade. Além disso, sobretudo a partir de 1970, as maiores taxas de escolariza- ção e a inserção da mulher no mercado de Brasil: crescimento vegetativo – 1872-2010 ‰ 1872-1890 1891-1900 1901-1920 1921-1940 1941-1950 1951-1960 1961-1970 1971-1980 1981-1990 1991-2000 2001-2005 2006-2010 Taxa de Mortalidade Crescimento vegetativo Taxa de Natalidade 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 Brasil: crescimento vegetativo – 1872-2010
  46. 46. 45 Geografia – 2a série – Volume 2 trabalho contribuíram para maior redu- ção das taxas de fecundidade. As afirmativas corretas são indicadas pela opção: a) I e II. b) III e IV. c) I e IV. d) II, III e IV. e) I, II, III e IV. As afirmações I e IV interpretam corretamente os dados apre- sentados no gráfico da questão e resgatam as principais causas para os fenômenos demográficos citados e que foram co- mentados durante a Situação de Aprendizagem 2, na análise do gráfico Brasil: crescimento vegetativo – 1872-2010. Já as afirmações II e III estão incorretas. SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 3 O TRABALHO E O MERCADO DE TRABALHO Em um primeiro momento, propõe-se o estudo de conceitos fundamentais para o en- tendimento da População Economicamente Ativa (PEA) do Brasil segundo os setores de produção (primário, secundário e ter- ciário), ressaltando suas transformações ao longo do processo de urbanização do país. Posteriormente, sugere-se a organiza- ção de grupos de investigação para que os estudantes adquiram uma visão de síntese sobre a integração da mulher no mercado de trabalho segundo os setores de produção, problematizando as desigualdades de gêne- ro. Desse modo, vista em conjunto com as Situações de Aprendizagem antecessoras, esta contribui para abordagem em detalhes sobre conteúdos essenciais sobre a popula- ção brasileira, estabelecendo conexões prin- cipalmente com o que foi desenvolvido na Situação de Aprendizagem 1. Conteúdos: População Economicamente Ativa (PEA) do Brasil segundo os setores de produção; integração da mulher no mercado de trabalho pelos setores de produção; desigualdades de gê- nero. Competências e habilidades: relacionar a leitura e a interpretação de dados estatísticos apresen- tados em gráficos sobre a situação das mulheres na chefia dos domicílios brasileiros; articular conceitos (PEA e setores econômicos) com leitura de gráficos; leitura e fichamento de textos para exercitar a síntese de conceitos e acontecimentos relativos ao mercado de trabalho no Brasil;

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