História da Igreja II: Aula 12: Protestantismo na AL e Brasil (parte 2)

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Aula do curso de História Eclesiástica II, ministrada no Seminário Teológico Shalom em 2013. A presenta aula visa apresentar dois casos do avanço do protestantismo na AL, a partir das histórias do Brasil e do Peru. Será apresentado, no Brasil, o trabalho dos primeiros missionários congregacionais, presbiterianos e batistas.

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História da Igreja II: Aula 12: Protestantismo na AL e Brasil (parte 2)

  1. 1. Protestantismo na América Latina O avanço História Eclesiástica II Pr. André dos Santos Falcão Nascimento Blog: http://prfalcao.blogspot.com Email: goldhawk@globo.com Seminário Teológico Shalom
  2. 2. Dois casos da propagação do evangelho na AL  Brasil  Iniciativa Metodista (Kidder e Spaulding): Décadas de 1830 e 40.  Iniciativa Congregacional (Kalley)  Iniciativa Presbiteriana (Simonton)  Iniciativa Batista (Bagby)  Peru  Penzotti e Ritchie
  3. 3. Dois casos da propagação do evangelho na AL  Iniciativa Congregacional  Robert Reid Kelly (1809-1888), médico escocês, com sua esposa Sarah, já tinham experiência em Madeira e nas Índias Ocidentais britânicas, antes de chegarem no RJ em 10/05/1855.  Inicia seu ministério com os estrangeiros residentes em Petrópolis.  Em 1859, atua na conversão de duas nobres, o que gera uma proibição de atrair prosélitos e atuar na medicina.  Influente na alta sociedade e no meio secular, pregando a separação Igreja- Estado, funda a primeira igreja brasileira, de cunho congregacional (Igreja Evangélica Brasileira), em 1858, batizando o primeiro brasileiro em 11/07. São 14 membros que, em dez anos, se transformam em 360.  Uma segunda igreja é fundada em 1873, em Recife.  Desde o início a música é importante na igreja, editando Salmos e Hinos em 1861. Este livro, com 50 hinos serviu às igrejas que se implementavam no Brasil.
  4. 4. Dois casos da propagação do evangelho na AL  Iniciativa Presbiteriana  Maio de 1859: Assembleia Geral da IP nos EUA nomeia Ashbel Green Simonton, de 26 anos, para explorar o território brasileiro.  Chega no RJ em 12/08, sendo seguido pelo cunhado, Alexander Blackford, quase um ano depois, e de Francis Schneider em 1861.  Após não conseguir contatar a colônia americana no Rio e ter dificuldade em se aproximar do portugueses, Simonton inicia estudos bíblicos em português em maio de 1861. Um mês depois, inicia cultos noturnos de adoração com sete participantes.  Em 12/01/1862, os dois primeiros convertidos são aceitos pra comunhão. A primeira igreja presbiteriana brasileira também é fundada neste ano.  Schneider pregou em Rio Claro sem muito sucesso, mas é em viagem de Blackford à cidade que encontra José Manuel da Conceição, sacerdote católico que se converte e é ordenado ao ministério em 1865, sendo o primeiro brasileiro a receber tal ofício.
  5. 5. Dois casos da propagação do evangelho na AL  Iniciativa Presbiteriana  Em 1865, enquanto Blackford batiza os seis primeiros que haviam se convertido em São Paulo, na cidade de Brotas, o presbiterianismo avançou e gerou uma comunidade com 60 membros em comunhão plena e 38 crianças. No Rio, a igreja também possuía 60 congregantes, e em São Paulo, após 3 anos de trabalho, 22 congregantes.  José Manuel acabou sendo o grande expoente da evangelização brasileira nos seus primeiros anos. Viajante incansável a cavalo, pregava com frequência a grandes plateias. Em suas viagens, seguidamente ia de casa de casa, ler a Bíblia, orar e conversar noite adentro.  Seu interesse original era a evangelização, e não a plantação de igrejas, mas foi responsável pela formação de pequenos grupos de brasileiros evangelizados através das regiões oeste e norte de São Paulo.  Posteriormente, em 1880, o rev. John Boyle inicia o trabalho no interior de São Paulo , distribuindo bíblias até Uberaba, MG, descobrindo cinquenta cidades e vilas em seu trabalho, gerando as bases para a futura igreja presbiteriana brasileira.
  6. 6. Dois casos da propagação do evangelho na AL  Iniciativa Batista  Após a Guerra Civil americana, em 1865, um grupo de imigrantes sulistas aporta no interior de São Paulo para plantar e aproveitar o trabalho escravo ainda permitido no Brasil. Este grupo atrai interesse das três principais denominações americanas.  Após missões metodistas (1867) e presbiterianas (1869), uma igreja batista se instala em Santa Bárbara do Oeste em 1871 para atender especificamente ao grupo americano.  Dez anos após esta iniciativa, William Buck Bagby e sua esposa Anne aportam no Brasil, passando por Santa Bárbara antes de ir para Salvador. Ali fundam a primeira igreja batista “brasileira” em 1882 com Zachary Taylor e Antônio Teixeira de Albuquerque.  Teixeira era produto de Santa Bárbara. Conheceu o evangelho com uma Bíblia italiana que encontrou na livraria do seminário de Olinda, onde estudou. Comparando a tradução de Almeida e a católica com o original grego, concluiu que a Bíblia protestante tinha a melhor tradução e se converteu. Após rápida passagem entre os metodistas, é ordenado entre os batistas de Santa Bárbara.
  7. 7. Dois casos da propagação do evangelho na AL  Iniciativa Batista  Ao longo da década de 1880, os batistas rapidamente se espalharam pelo Brasil. Bagby fundou a PIB do Rio de Janeiro em 1884, enquanto Teixeira inicia uma igreja em 1885 em sua terra natal, Maceió, com dez membros.  Graças às vitórias legais e ao entusiasmo evangelístico dos missionários batistas, a denominação chega a oito igrejas em seis estados em 1888, com 212 membros. Na proclamação da república, a PIB do RJ tinha 89 membros. Na virada do século, os batistas fundam uma igreja em SP e chegam a 2000 membros no país inteiro.  Parte do crescimento batista se deve a uma nova onda de imigrantes, desta vez letos, que fogem da perseguição religiosa e chegam em 25 famílias em 1890. A PIB letã em Rio Novo (SC) é formada em 1892 com 75 membros. Conseguindo uma grande gleba de terra em Nova Odessa, quinze colônias letãs formam-se no Brasil entre 1890 e 1922, principalmente de batistas. Treze igrejas, com 500 membros, são formadas entre eles. Após a 1ª Guerra Mundial, mais de 2000 letos imigram, aumentando o número de batistas no Brasil.
  8. 8. Dois casos da propagação do evangelho na AL  Peru  No Peru, a atividade de qualquer religião que não a católica foi proibida até 1920.  Francisco Penzotti, convertido em cruzada no Uruguai, trabalhou como pastor valdense até que os metodistas absorveram os valdenses naquele país.  Agente metodista da Sociedade Bíblica Americana, viajou com Andrew Milne, e trabalhou em Callao, no Peru, após o fracasso de Thomson em tentar implementar escolas Lancaster em Lima.  Em três meses de trabalho, Penzotti consegue reunir 50 pessoas em reuniões nas tardes de domingo. Para tal, ia de casa em casa distribuindo e vendendo Bíblias, enviando membros de casa em casa, de dois em dois, na tentativa de evangelizar Callao.  Preso em 25/07/1889 acusado de transgredir a lei, consegue, após oito meses encarcerado, que o Estado reconheça a legalidade dos cultos particulares de adoração no Peru.
  9. 9. Dois casos da propagação do evangelho na AL  Peru  Com a saúde prejudicada, é substituído por Thomas Wood em 1891.  A obra metodista no Peru se desenvolve, com a distribuição de 18.000 bíblias e parte delas. Uma igreja forte é estabelecida em Lima e missões são fundadas em outras cidades chave.  Posteriormente, vários missionários de diversas denominações chegam ao país, iniciando vários trabalhos. Inicialmente, Charles Bright, dos Irmãos de Plymouth da Inglaterra, chega a Callao em 1893, recebendo dois batistas no ano seguinte em Lima. Os batistas alugaram um salão e Bright, que sabia espanhol, foi o pregador. Um ano depois, o grupo se dividiu e Bright alugou um local anteriormente usado por anglicanos na Rua Negreiros. Ali, começou a realizar cultos em 1896, chegando a 30 membros 4 anos depois.
  10. 10. Dois casos da propagação do evangelho na AL  Peru  Em 1907, John Ritchie, batista escocês enviado sob o patrocínio da Evangelical Union of South America, se une a Bright como líder da igreja da Rua Negreiros, onde começa a formar novos ministros em um Instituto Bíblico no local, em 1910.  Em 1919, as diversas igrejas ligadas a da Rua Negreiros começam a debater uma união, e em 1922 fundam a Igreja Evangélica Peruana, conseguindo chegar a 44 comunidades em 1924, mas enfrentando estagnação a partir da década de 30, muito em função da falta de treinamento sistemático e abrangente.
  11. 11. Protestantismo do final do séc. XIX (até 1930)  Surgimento do Pentecostalismo no Brasil (1910-11), México (1914), Chile (década de 1910).  Divisão dos presbiterianos brasileiros em 1903 sobre a questão da maçonaria e da cooperação com as juntas americanas de missões.  IPB: Manteve a cooperação com as juntas e aceitou que seus membros fossem maçons até 2011. Cresceu após a implementação do Plano Brasil em 1917, onde recursos das agências missionárias foram usados para implantar igrejas no interior do país.  IPI: Grupo dissidente.  Congresso Pan-Americano (Panamá), 1916: Busca por colaboração entre juntas e denominações, além de necessidade de intercomunicação e coordenação da obra educacional. O relacionamento e cooperação fraternais encontra expressão nesse Congresso. O sentimento anticatólico gera uma negativa de colaboração com a Igreja Católica no campo da assistência social.
  12. 12. Características do protestantismo latinoamericano  Formato dogmático, puritano e legalista.  Exige uma decisão transformadora de estilo de vida, envolvendo inúmeras implicações éticas e sociais.  Interiorização da fé.  Comunidade de fé com múltiplos relacionamentos interpessoais.  Escrituras como norma de fé (teologia conservadora) – 10 milhões de Bíblias distribuídas até 1935.  Liberdade de culto fora do ambiente do templo (residências, restaurantes, ao ar livre, etc).  Palavra como centro do culto e da vida, a razão de ser da Igreja.  Simplicidade e espontaneidade, com multiplicidade de hinos e cânticos.  Represálias sociais e econômicas por parte dos católicos, gerando mentalidade de gueto nas comunidades, alienando-se da sociedade em geral.  Ênfase em educação e medicina, com construção de escolas, orfanatos e clínicas.
  13. 13. Fontes  Texto base: CAIRNS, Earle E. O Cristianismo através dos séculos: uma história da igreja cristã. 3 ed. Trad. Israel Belo de Azevedo e Valdemar Kroker. São Paulo: Vida Nova, 2008.  Textos auxiliares:  DREHER, Martin N. Coleção História da Igreja, 4 vols. 4 ed. São Leopoldo: Sinodal, 1996.  GONZALEZ, Justo L. História ilustrada do cristianismo. 10 vols. São Paulo: Vida Nova, 1983

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