UM ESTUDO LEXICAL DO PRIMEIRO MANUSCRITO    DA CULINÁRIA PORTUGUESA MEDIEVAL     O livro de Cozinha da Infanta D. Maria   ...
SUMÁRIOPrefácio1. O livro de cozinha e a alimentação medieval1.1. Um pouco sobre a história da alimentação medieval portug...
O LIVRO DE COZINHA DA INFANTA             D. MARIA• Também conhecido como Tratado de cozinha  portuguesa.• Pertenceu à inf...
EDIÇÕES CONHECIDAS• 1956 – Edição crítica feita por Maria José da  Gama lobo Salema, publicada em Lisboa;• 1963 – Edição d...
CARACTERÍSTICAS DO LIVRO• Códice cartáceo, de origem farnesiana;• Escrito em uma só coluna;• Manuscrito com letra gótica c...
CARACTERÍSTICAS DO LIVRO• 73 fólios numerados (16 – 29 linhas);• 61 receitas;• 4 cadernos:  Caderno dos magares de carne ...
CADERNODOS MANJARES DE CARNE•   Pasteis de carne;•   Tigellada de perdiz;•   Galynha mouysqua;                  •   Reçeit...
CADERNO    DOS MANJARES DE OVOS•Rreceyta da tijellada de perdiz;•Pera ffazer ovos mexidos;•Canudos;•Oovos de llaços;•Paste...
CADERNO     DOS MANJARES DE LEITE•Mamjar branquo;•Pasteis de leite;•Leite cozido;•Tigelada de leite;•Beilhos darroz;•Tigel...
CADERNO DAS COUSASDE CONSERVA•   Pera fazer diacidrao;•   Casquynhas;•   Rta pera fazer pesegos;•   Pera fazer limões;•   ...
UM POUCO SOBRE A HISTÓRIA DA       ALIMENTAÇÃO MEDIEVAL• Culinária portuguesa farta.• Diversidade de tipos de alimentos.• ...
UM POUCO SOBRE A HISTÓRIA DA      ALIMENTAÇÃO MEDIEVAL• Alimentação voltada para sobrevivência.• O consumo dos tipos de ca...
“[...] A importância do livro emquestão é justamente saber que no     século XVI aquelas receitas existiam, ainda que não ...
CAMPOS LEXICAIS E O ESTRUTURALISMOTrier pensou o repertório léxico da língua, deacordo com os fundamentos estruturalistasd...
ESTRUTURAÇÃO DOS CAMPOS LEXICAIS:   O ESTUDO FUNCIONAL DO LÉXICO“A teoria do campo linguístico estudas as palavras visando...
CAMPOS LEXICAIS“Já o campo léxico representa uma estrutura, umtodo articulado, onde há uma relação decoordenação e hierarq...
TEORIA DOS CAMPOS LEXICAIS• As palavras só tem sentido como parte de um  todo.• As palavras tem seu sentido inseridas em u...
CONTEÚDO     LINGUÍSTICO• Significação:      Conteúdo linguístico de determinada língua.• Designação:     A relação com ...
TIPOS DE SIGNIFICAÇÃO1. Lexical: diz respeito ao sentido da palavra;2. Categorial: refere-se a categoria das palavras;3. I...
TEORIA DOS CAMPOS LEXICAIS DE         EUGENIO COSERIU• Estudo diacrônico e estrutural do léxico;• Investigação funcional d...
SETE DISTINÇÕES OBSERVADAS POR COSERIUPARA IDENTIFICAÇÃO DOS CAMPOS LEXICAIS   Realidade extralinguística X Linguagem    L...
HIERARQUIA DOS CAMPOS LEXICAIS• MACROCAMPOS   Campo superior com totalidade maior de     lexias, que farão parte de campo...
MODELO DE HIERARQUIA DOS    CAMPOS LEXICAIS          CAMPO LEXICAL          MACROCAMPO          MICROCAMPO           SUBCA...
OS CAMPOS LEXICAIS DOVOCABULÁRIO DE COZINHA
CAMPO LEXICAL    MACROCAMPOS                                     MICROCAMPOS          SUBCAMPOS                           ...
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Um estudo lexical do primeiro manuscrito da culinária

  1. 1. UM ESTUDO LEXICAL DO PRIMEIRO MANUSCRITO DA CULINÁRIA PORTUGUESA MEDIEVAL O livro de Cozinha da Infanta D. Maria Celina Maria de Souza Abbade
  2. 2. SUMÁRIOPrefácio1. O livro de cozinha e a alimentação medieval1.1. Um pouco sobre a história da alimentação medieval portuguesa2. Estruturação dos campos lexicais: o estudo funcional do léxico3. Os campos lexicais do vocabulário de cozinha3.1. Macrocampo dos manjares3.2. Macrocampo dos processos e métodos3.3. Macrocampo dos utensílios3.4. Macrocampo dos ingredientes3.5. Macrocampo das unidades de peso e medida3.6. Macrocampo dos qualificadores4. Relações de sentido nos campos lexicais do livro de cozinha da infanta D. MariaConsiderações finais
  3. 3. O LIVRO DE COZINHA DA INFANTA D. MARIA• Também conhecido como Tratado de cozinha portuguesa.• Pertenceu à infanta D. Maria de Portugal, filha de D. Duarte, neta do rei Manoel, sobrinha de D. João III e esposa de Alexandre Farnésio.• Códice I-E-33 da Biblioteca Nacional de Nápoles.• Escrito por várias mãos.
  4. 4. EDIÇÕES CONHECIDAS• 1956 – Edição crítica feita por Maria José da Gama lobo Salema, publicada em Lisboa;• 1963 – Edição diplomática feita por Antonio Gomes Filho, publicada no Rio de Janeiro;• 1964 – Edição crítica feita por Elizabeth Thompson Newman, em sua tese de doutorado não publicada.• 1967 – Edição crítica feita por Giacinto Manupella e Salvador Arnaut.
  5. 5. CARACTERÍSTICAS DO LIVRO• Códice cartáceo, de origem farnesiana;• Escrito em uma só coluna;• Manuscrito com letra gótica cursiva;• Escrito a sete mãos (6 gótica cursiva e 1 cursiva);• Datado do século XV, XVI e XVII. Fonte: http://tipografos.net/tipos/civilite.html
  6. 6. CARACTERÍSTICAS DO LIVRO• 73 fólios numerados (16 – 29 linhas);• 61 receitas;• 4 cadernos: Caderno dos magares de carne (26), Caderno dos mamgares de ovoos (4), Caderno dos mamgares de leyte (7), Caderno das cousas de comseruas (24).• 6 receitas avulsas (3 antes e 3 depois);
  7. 7. CADERNODOS MANJARES DE CARNE• Pasteis de carne;• Tigellada de perdiz;• Galynha mouysqua; • Reçeita de lamprea;• Galynha albardada; • Receita da uaqua picada ẽ sequo;• Pasteais de tutano; • Receita do desfeito da galinha;• Alfatete; • Rreceita dos pastês dos pombinhos;• Rta das morcelas; • Reçeyta dos pastes lepardados;• Receita de morcela; • Receyta de galinha alardada;• Como se fazẽ os framgaos pera os • Esta eh a rreceyta da galynha cozida etjguos; e ẽsopada;• Reçeita dos tutanos; • Reçeyta do coelho;• Reçeita da tortura; • Reçeyta da galynha mourisqua;• Reçeita de pastell de fígado de • Esta eh a rreceyta dos laparos; cabrito; • Esta he a rrecejta das boldroegas• Receyta dos canudos dos ovos • Receyta do coelho ẽ tygela. meixidos;
  8. 8. CADERNO DOS MANJARES DE OVOS•Rreceyta da tijellada de perdiz;•Pera ffazer ovos mexidos;•Canudos;•Oovos de llaços;•Pasteis de marmellos.
  9. 9. CADERNO DOS MANJARES DE LEITE•Mamjar branquo;•Pasteis de leite;•Leite cozido;•Tigelada de leite;•Beilhos darroz;•Tigelladas de leyte de dona ysabell de vilhana;•Almogauanas de dona ysabell de vilhana.
  10. 10. CADERNO DAS COUSASDE CONSERVA• Pera fazer diacidrao;• Casquynhas;• Rta pera fazer pesegos;• Pera fazer limões;• Peras e codornos; • Perada;• Perynhas dormydeiras; • Marmelada de dona Joana;• Rta dabobora; • Pera fazer alfeloas;• Talos dalfaçe; • Pera cõfeitos;• Pera cobrjr diacidrão; • Farteẽs;• Flol de laramja; • Biscoutos;• Marmelada de Cria. Ximenes; • Pera fazer macapaaees;• Pera bocados; • Paães de llo;• Pera clerefiquar acuquar; • Pesegada;• Pera quoartos de marmelo; • Pera fazer alminuar de marmelos.
  11. 11. UM POUCO SOBRE A HISTÓRIA DA ALIMENTAÇÃO MEDIEVAL• Culinária portuguesa farta.• Diversidade de tipos de alimentos.• Presença marcante da caça na mesa portuguesa medieval.• Comiam-se basicamente cereais, carne, peixe e vinho.• A caça, a pesca e a criação selvagem eram grandes fontes de alimentação.• Os vegetais desempenhavam papel secundário da alimentação medieval.• Ressaltava-se a quantidade e não a qualidade.
  12. 12. UM POUCO SOBRE A HISTÓRIA DA ALIMENTAÇÃO MEDIEVAL• Alimentação voltada para sobrevivência.• O consumo dos tipos de carne estava relacionado com as classes sociais (carne boas para classes elevadas e carnes ruins para classes desfavorecidas).• A carne era a base da alimentação da nobreza, o que se reflete na quantidade de receitas de manjares de carne do livro.• O peixe era a base da alimentação das classe inferiores.• As especiarias e condimentos utilizados na era medieval continuam sendo utilizados atualmente. Eram muito utilizados pela nobreza, em virtude do alto preço.
  13. 13. “[...] A importância do livro emquestão é justamente saber que no século XVI aquelas receitas existiam, ainda que não se saibadesde quando.” (ABBADE, 2009, p. 21)
  14. 14. CAMPOS LEXICAIS E O ESTRUTURALISMOTrier pensou o repertório léxico da língua, deacordo com os fundamentos estruturalistasde Saussure. A língua é um todoarticulado, organizado como um sistema queestabelece relaçõessintagmática, compartilhando a mesmarealidade linguística, ou seja, o mesmocampo.
  15. 15. ESTRUTURAÇÃO DOS CAMPOS LEXICAIS: O ESTUDO FUNCIONAL DO LÉXICO“A teoria do campo linguístico estudas as palavras visandoao setor conceitual do entendimento, mostrando que elasconstituem um conjunto estruturado onde uma está sob adependência das outras. Assim, as palavras se unem comonuma cadeia, onde a mudança em um conceito acarretamodificação nos conceitos vizinhos e, assim, por diante.Nesse sentido, as palavras formam um campo linguísticoatravés de um campo conceitual e exprimem uma visão domundo de acordo com a reconstituição que elaspossibilitam.” (GECKELER, 1976 apud ABBADE, 2009, p.38)
  16. 16. CAMPOS LEXICAIS“Já o campo léxico representa uma estrutura, umtodo articulado, onde há uma relação decoordenação e hierarquia articuladas entre aspalavras que são organizadas à maneira de ummosaico: o campo léxico.” (ABBADE, 2009, p. 38)
  17. 17. TEORIA DOS CAMPOS LEXICAIS• As palavras só tem sentido como parte de um todo.• As palavras tem seu sentido inseridas em uma realidade linguística.• A palavra não tem sentido se lhe faltam outras semelhantes ou opostas, pois necessitam sempre de um campo conceitual.
  18. 18. CONTEÚDO LINGUÍSTICO• Significação:  Conteúdo linguístico de determinada língua.• Designação:  A relação com a realidade extralinguística.• Sentido:  É o conteúdo especial de um texto ou de uma unidade de texto
  19. 19. TIPOS DE SIGNIFICAÇÃO1. Lexical: diz respeito ao sentido da palavra;2. Categorial: refere-se a categoria das palavras;3. Instrumental: refere-se ao sentidos dos instrumentos gramaticais;4. Sintática ou estrutural: ligado ao sentido das construções gramaticais.5. Ôntica: ocorre no plano das orações, pois é o valor existencial na intuição significativa ao ‘estado de coisas’ apresentado em uma oração.
  20. 20. TEORIA DOS CAMPOS LEXICAIS DE EUGENIO COSERIU• Estudo diacrônico e estrutural do léxico;• Investigação funcional da língua;• Parte da significa estrutural para a designação, ou seja, a língua é descrita como uma estruturação de conteúdo;• Relaciona o estudo funcional do vocabulário à Lexicografia e à Semântica tradicional, frente à Gramática Gerativa, o que garante a autonomia do plano das línguas.
  21. 21. SETE DISTINÇÕES OBSERVADAS POR COSERIUPARA IDENTIFICAÇÃO DOS CAMPOS LEXICAIS Realidade extralinguística X Linguagem Linguagem primária X Matelinguagem Sincronia X Diacrônia Técnica do discurso X Discurso repetido Língua histórica X Língua funcinal Tipo X Sistema X Norma X Fala Significação X Designação
  22. 22. HIERARQUIA DOS CAMPOS LEXICAIS• MACROCAMPOS Campo superior com totalidade maior de lexias, que farão parte de campos inferiores.• MICROCAMPOS Agrupamento menores de lexias que podem ser inseridos em um macrocampo.
  23. 23. MODELO DE HIERARQUIA DOS CAMPOS LEXICAIS CAMPO LEXICAL MACROCAMPO MICROCAMPO SUBCAMPO SUB-SUBCAMPOS
  24. 24. OS CAMPOS LEXICAIS DOVOCABULÁRIO DE COZINHA
  25. 25. CAMPO LEXICAL MACROCAMPOS MICROCAMPOS SUBCAMPOS Genéricos: manjar, cousa, comer, fatia. Carnes: tigelada de perdiz, galinha esbarada. MANJARES Pastas: bolo, Pão de llo. Conservas: cemrada, diacidrão. Generalidades: comer, por, andar. PROCESSOS E Método: Cozer, frito MÉTODOS Movimento: Mexer, bater Mudança de estado: ferver, esfriar Instrumento de trabalho: fogo, mesa Para colocar alimentos: vasilha, escumadeiraLÉXICO DA UTENSÍLIOS Que vão ao fogo: panela, tachoCOZINHA Para cortar: machadinha, rrapadoura Aves : Perdiz, galinha INGREDIENTES Carnes: coelho, carneiro Frutas: abobora, pera Sólido: Dúzia Grandezas de valor absoluto UNIDADES DE PESO Líquido: tacho E MEDIDA Sólido: peça Grandezas de valor relativo Líquido: gotas Sabor: Doce, rançoso QUALIFICADORES Temperatura: quente, morno, frio
  26. 26. OBRIGADA

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