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Marisa Ferreira Aderaldo
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Retomando a citação de Snyder (2008), é certamente inquestionável que os DVs
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Dado que se trata de uma pesquisa de cunho descritivo e quantitativo, fize-
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OS NOVOS RUMOS DA PESQUISA EM AUDIODESCRIÇAO NO BRASIL 81
A tabela mostra que os audiodescritores que escreveram os seis s...
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1.2 Segunda pergunta
Na segunda pergunta, levantamos a questão de se os scripts das ADs são ca-
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Considerações finais
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OS NOVOS RUMOS DA PESQUISA EM AUDIODESCRIÇAO NO BRASIL 85
Quando tivennos os resultados completos do estudo cuja primeira ...
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REFERÊNCIAS
HALLIDAY, M.; MATTHIESSEN, C. An introduction to functional grammar. 3.
ed. London: Arnold, 2004.
HOLLAND, ...
OS NOVOS RUMOS DA PESQUISA EM AUDIODESCRIÇÃO NO BRASIL 87
VIAN JR., O.; SOUZA, A. A. de; ALMEIDA, F. S. D. P. (orgs.). A l...
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L2 a neutralidade em audiodescrições de pinturas

  1. 1. Vera Lúcia Santiago Araújo Marisa Ferreira Aderaldo Organizadoras OS NOVOS RUMOS DA PESQUISA EM AUDIODESCRIÇÃO NO BRASIL EDITORACRV Curitiba - BrasiI 2013
  2. 2. A NEUTRALIDADE EM AUDIODESCRIÇÕES DE PINTURAS: resultados preliminares de uma descrição via teoria da avaliatividade2l 1. Introdução Pedro Henrique Lima Praxedes Filho Célia Maria Magalhães É ainda preconizado, na literatura sobre AD, que O texto descritivo de um pro- duto (audio)visual ou, em outras palavras, o script de uma AD tem que ser isento de qualquer interpretação/avaliação. Isso significa dizer que o audiodescritor precisa ter o cuidado de não permitir que suas opiniões pessoais sobre o produto entrem no texto. Há de ser, portanto, um texto neutro, isto é, sem qualquer marca de autoria. A justificativa para essas prescrições tem a ver com O argumento de que não se pode retirar dos deficientes visuais (DVs) o direito de eles mesmos, a semelhança do que acontece com os videntes, construírem os julgamentos de valor e as emoções susci- tados pelo objeto da AD. Vejamos o que diz o documento Standardsfor Audio Description and Code ofPro- fessional Conductfor Describers da organização americana Audio Description Coalition: Esta é a primeira regra de descrição [descreva o que você vê]: o que você vê é o que você descreve. Você vê aparências e açàes tisicas; você não vê motiva- ções ou intenções. Nunca descreva o que você acha que vê. [...] Permita que os ouvintes fennem suas próprias opiniões e cheguem às suas pró- prias conclusões. Não edite, interprete, explique, analise ou os "ajude" seja de que modo for. [...] Os humores, as razões ou o raciocínio de um personagem não são visíveis e, portanto, não devem ser descritos.... Use somente aqueles adjetivos e advérbios que não oferecem julgamentos de valor e que não são [...] sujeitos à interpretação. Émais interessante listar os itens que estão em um amontoado de coisas, se o tempo pennitir, do que dizer: "O sótão está amontoado'"'- (ênfases no documento) (p. 1-3). 21 Este artigo é produto de pesquisa financiada pelo PROCAD CAPES UECE/UFMG 00812007. 22 Nossa tradução para: Ihis is lhe firsl rule of descnption: what)'Ou see;s what yoo descnbe. One sees physical appear- ances and actions; one does not see motivations or intentions. Never desenbe whal you Ihink you see.. Allow lisleners lo form Iheir own opinions and draw Iheir own conclusions. Don'! edilonalize, inlerpret, explain, analyze or 'help' lisleners in any olher way... Character's moods, motives or reasoning are no! visible, Ihus, nol subjecllo descnplion.. Use only those adjectives and adverbs Ihal do nol offer value judgmenls and thal are nol ... subjecl lo inlerprelation..
  3. 3. 74 Vejamos, ainda, como se posiciona Snyder (2008) sobre o mesmo assunto: [...] os descritores têm que resumi-Ia [a linguagem usada em uma audiodes- crição] com asigla 'WYSIWYS', isto é, 'What YOIl See Is What YOIl Say' [o que você vê é o que você diz]. O melhor audiodescritor é chamado, às vezes, de 'lente de câmera verbal', capaz de, objetivamente, recontar aspectos visuais de uma exposição ou de um programa audiovisual. Julgamentos qualitativos atrapalham uma boa AD dado que eles constituem uma interpretação subjeti- va da parte do descritor e são, portanto, desnecessários e indesejáveis. Deve ser dada aos ouvintes a oportunidade de formular suas próprias interpretações com base em um comentário que seja o mais objetivo possível. Expressões como 'he is furiolls' ['ele está furioso'] ou 'she is upset' ['ela está chate- ada'] devem ser evitadas a todo custo e substituídas por descrições como 'he's c1enching hisfist' ['ele está fechando o punho'] ou 'she is cf)'ing' ['ela está chorando']. A ideia é deixar os deficientes visuais fazerem seus próprios julgamentos - talvez seus olhos não funcionem tão bem, mas seus cérebros e suas habilidades interpretativas são intactos1J . (p. 195-196) Essa prescrição de 'neutralidade total' tem causado dificuldade tanto junto aos pesquisadores quanto aos audiodescritores envolvidos no PROCAD/CAPES 00812007, cujo projeto intirula-se 'Elaboração de um modelo [brasileiro] de au- diodescrição para cegos a partir dos esrudos de multimodalidade, semiótica social e esrudos da tradução' (parceria: Laboratório Experimental de Tradução-LETRN PosLin-FALE-UFMG24 e Laboratório de Tradução Audiovisual-LATAV + Grupo Legendagem e Audiodescrição-LEADlPosLA-CH-UECE"). Quanto aos pesquisa- dores, com base em declarações tais como ''[...] asserções categóricas ... são tão carregadas intersubjetivamente e, portanto, tào 'posicionadas' quanto os enuncia- dos que incluem marcadores mais explícitos de opinião ou atirude"16 (MARTIN; WHITE, 2005, p. 94), o grupo tem resistido a incluir a neutralidade como um dos elementos do modelo em construção. Quanto aos audiodescritores, a eles é deman- dado muito tempo até que expurguem seus textos de rudo quanto pareça ser inter- pretativo/avaliativo. A partir dessas dificuldades, o grupo de pesquisadores passou a se questionar sobre se as ADs feitas por profissionais que defendem a 'prescrição de neutralidade II is more inleresting lo name the ilems in the clutter if time permits than lo say: 'The attie is cluttered.'". Doravante, Iodas as traduções de citações em inglêssão igualmente de nossa autoria. 23 •...describers must sum iI up wilh lhe aeronym 'WYSIWYS', i.e. 'Whal Vou See IsWhat Vou Say'. The best audio descciber is somelimes referre<.! lo as a'verbalcamera lens'. able lo objectively recount visual aspects of an exhibition or audiovisual programme. Qualitative judgments get in the way of a good AD, since they constilule a subjective interpretation on lhe parlof lhe describer and are therefore unnecessary and unwanted. Listeners must be given lhe opportunity of conjuring their own interpretations based on aoommentary lhat isas objective as possible. Expressioos like 'he isfurious' or 'she is upsel' ought to be avoided at ali costs and replaced by descciptions such as 'he's clenching his fis!' or 'she is crying'. The idea is lo leI lhe blind audience make their own judgments - perhaps their eyes do no! work 50 wel1, but lheir brains and Iheir interpretative skills are intacto. 24 PosUn-FALE-UFMG = Porgrama de Pôs-Graduação em Estudos linguísticos da Faculdade de Letras da UFMG. 25 PostA-CH-UECE =Programa de Pôs-Graduação em linguistica Aplicada do Centro de Humanidades da UECE. 26 "{...} calegorical ... assertions ... are just as intersubjectively loaded and hence 'stanced' as unerances including more overt markers of point of view or attitude".
  4. 4. OS NOVOS RUMOS DA PESQUISA EM AUDIODESCRIÇAO NO BRASIL 75 total' são, de fato, desprovidas de quaisquer observações avaliativas/interpretativas. Portanto, pelo fato de a Linguística Sistêmico-Funcional-LSF e, dentro dela, a Teo- ria da Avaliatividade-TA vincularem-se epistemologicamente à área maior da semi- ótica social e pelo fato de serem os enquadres teóricos com os quais trabalhamos, fomos convidados pelo grupo para conduzinnos a investigação cujos resultados parciais ora apresentamos, tendo em vista fornecer uma resposta para a dificuldade posta acima. Portanto, de um modo geral, a parte da investigação ora relatada pretendeu descrever, do ponto de vista da prescrição de neutralidade total, ADs de pinturas cujos_scripls foram escritos por audiodescritores americanos. Mais pontualmente, os objetivos que estabelecemos foram descrever os scripts das ADs do ponto de vista da presença ou ausência de avaliações/interpretações: quanto aos sentimentos elicitados pelas pinturas; quanto aos posicionamentos dos audiodescritores relativos ao que eles dizem sobre as pinturas e ao que outros dizem no amplo uni- verso da intertextualidade; quanto à amplificação ou redução do grau dos sentimentos elicita- dos (se presentes) e dos posicionamentos assumidos (se presentes). A fim de viabilizar a consecução desses objetivos, fonnulamos as seguintes perguntas: os scripts das ADs são caracterizados pela presença ou ausência de ava- liações/interpretações: quanto aos sentimentos elicitados pelas pinturas? quanto aos posicionamentos dos audiodescritores relativos ao que eles dizem sobre as pinturas e ao que outros dizem no amplo uni- verso da intertextualidade? quanto à amplificação ou redução do grau dos sentimentos elicita- dos (se presentes) e dos posicionamentos assumidos (se presentes)? Uma vez que a prescrição de neutralidade é consensual na maioria dos cen- tros onde ADs para DVs são produzidas e/ou estudadas, poucos trabalhos foram publicados, até o momento, sobre o assunto. Temos conhecimento de apenas dois: Holland (2009) é um ensaio sobre a impossibilidade da neutralidade em ADs para o teatro e as artes visuais com base apenas em sua experiência como audiodescritor e Jiménez Rurtado (2007) é o relato de uma pesquisa que intencionou descrever o novo gênero'AD filmica' do ponto de vista, dentre outros, interpretativo-avaliativo, mas tão somente sob a ótica dos sentimentos de emoção, usando taxonomia própria (p. 72-73). O presente estudo se justifica, pois, por ser o primeiro que investiga a neutralidade em ADs de pinturas, sob uma perspectiva teórica abrangente, a da TA, assunto da seção subsequente.
  5. 5. 76 2. TA Retomando a citação de Snyder (2008), é certamente inquestionável que os DVs têm capacidades cognitiva e emotiva plenas, mas é questionável se os audiodescrito- res conseguem escrever textos plenamente neutros. Para questionarmos a existência empirica dessa neutralidade idealizada, um recurso analítico certamente eficiente, per- tencente à semiótica social, são as categorias disponibilizadas pela TA". A TA - tal como proposta por James Martin, Peter White e David Rose (MAR- TIN, 1995,2000,2002,2004; WHITE, 2002, 2003, 2004; MARTIN; ROSE, 2007, MARTIN; WHITE, 2005), dentre outros -, fundamenta-se na LSF (HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2004) e a expande. Contudo, a proposta foi feita tendo em vista a análise de corpora somente em língua inglesa. Quanto à descrição da Ungua portu- guesa brasileira da mesma perspectiva teórica, há as contribuições de Vian Jr. (2009, 2012) e Vian Jr., Souza e Almeida (20 IO). Dentro do quadro geral da LSF, o sistema de AVALIATIVIDADE da TA encontra-se no estrato da semântica, inserido, mais especificamente, na metafun- ção interpessoal. Trata-se, na verdade, de urna rede de sistemas que comporta até seis niveis de delicadeza. Qnanto aos resultados preliminares ora apresentados, consideramos a rede de sistemas de AVALIATIVIDADE apenas até o segundo nível de delicadeza (para os demais níveis, sugerimos que os leitores leiam Martin e White (2005). Uma rede de sistemas é composta por wn conjunto de sistemas inter-relacio- nados. Um sistema, por sua vez, é um conjunto de termos mutuamente exc1udentes ou simultâneos dentre os quais o falante/escritor faz escolhas. Cada rede de sistemas tem uma condição de entrada inicial que estabelece seu ambiente/escopo, a qual, para a rede de sistemas de AVALlATIVIDADE, é ' avaliatividade'''. Essa condição possibilita a entrada no sistema de primeiro nivel de delicadeza, chamado TIPO DE AVALlATIVIDADE, cujos termos são 'atitude' e/ou 'engajamento' e/ou 'grada- ção'. Os termos 'atitude', 'engajamento' e 'gradação', quando escolhidos, passam a ser novas condições de entrada a sistemas mais refinados à direita ou sistemas de segundo nível de delicadeza: TIPO DE ATITUDE, TIPO DE ENGAJAMENTO e TIPO DE GRADAÇÃO, respectivamente. Os termos do sistema TIPO DE ATI- TUDE são 'afeto' e/ou 'julgamento' e/ou 'apreciação'. Quanto ao sistema TIPO DE ENGAJAMENTO, seus termos são 'monoglossia' ou 'heteroglossia'. Para o sistema GRADAÇÃO, seus termos são 'força ' e/ou ' foco'. A Figura I (baseada em Martin e Rose (2007, p. 59) traduz essa descrição: 27 No que tange aos fundamentos teóricos relativosà TAV em geral e à AD em especifico, convidamos os leitores a se reportarem aos demais capítulos deste volume. 28 Foi convencionado que, enquanto os nomes de sistemas devem ser grafados em letras maiúsculas, os nomes de termos de um sistema devem ser grafados em letras minúsculas. Foi também convencionado que termos ou sistemas que podem ser escolhidos simuHaneamente devem ser envolvidos por chaves, enquanto termos ou sistemas que são necessariamente mutuamente excludentes devem ser envolvidos por colchetes.
  6. 6. OS NOVOS RUMOS DA PESQUISA EM AUDIODESCRIÇAo NO BRASIL 77 avaliatividade { afeto ... atitude ____T"Ic:.I''''O"S-''D"E'---_-'»). julga~e~to ... ATITUDE aprecJaçao ... TIPOS DE engajamento AVALlATlVIDADE) Tl.POS DE ) [ monoglossia ENGAJAMENTO heteroglossia .. gradação ___.cTcol,-PO" S"-,,D-:;E-::-_-3» { fmça ... I GRADAÇÃO foco ... PRIMEIRO NíVEL SEG~ONÍVEL DE DELICADEZA DE DELICADEZA Figura 1 - Rede de sistemas de AVALlATIVIDADE até o segundo nível de delicadeza No primeiro nível de delicadeza, os termos/escolhas do sistema TIPOS DE AVALIATIVIDADE cobrem os seguintes significados intetpessoais: 'atitude' - área de significados através dos quais o falante/escritor avalia positiva ou negativamente seus sentimentos e os dos outros. 'engajamento' - área de significados através dos quais o falante/es- critor avalia seus próprios posicionamentos assumidos no texto e os posicionamentos de outros no amplo w1iverso da intertextualidade, construindo-se identitanamente, projetando uma dada identidade para seu interlocutor e estabelecendo, ou não, um elo de solidarie- dade com ele. 'gradação' - área de significados através dos quais o falante/escritor avalia por meio da amplificação ou redução do grau das avaliações atitudinais e das avaliações sobre os posicionamentos intra e inter- subjetivos de engajamento. No segundo nível de delicadeza, os sistemas TIPOS DE ATITUDE, TIPOS DE ENGAJAMENTO e TIPOS DE GRADAÇÃO contam com os termos/escolhas: Tipos de atitude: 'afeto' - área emotiva dos sentimentos; diz respeito a avaliações sobre as emoções das pessoas (happy/sad manjo 'julgamento' - área ética dos sentimentos; tem a ver com avaliações sobre o comportamento das pessoas (honesl/corrupl manjo 'apreciação' - área estética dos sentimentos; contempla avaliações sobre o aspecto estético das coisas e dos fenômenos. tanto os semi- óticos quanto os naturais (harmonious/confusing paiting).
  7. 7. 78 Tipos de engajamento: 'monoglossia' - tem a ver com asserções categóricas que não pennitem o questionamento ou que não dão margem à dialogia (He's honest). 'heteroglossia' - tem a ver com o reconhecimento, por parte do fa- lante/escritor, de que existem outras vozes ou pontos de vista acerca do assunto que está tratando (He might be honest.). Tipos de gradação: 'força' - o falante/escritor ajusta as avaliações quanto à sua quanti- dade (a feIO books) ou intensidade (s/ightly beautifuf). 'foco' - o falante/escritor ajusta as avaliações quanto à sua prototi- picalidade (a true friend) ou a precisão "pela qual as fronteiras de uma categoria são definidas" (MARTIN; WHITE, 2005, p. 137) (01 five o-clock-ish). Tanto o modo como a TA tem viabilizado as respostas às nossas perguntas de pesquisa quanto as características do corpus são descritos na seção seguinte, que trata, portanto, da metodologia. 3. Metodologia 3.1 Corpus o corpus é formado por seis scripts de ADs de pinturas, escritos em inglés e dis- ponibilizados no site americano ONLlNE ACESSIBILlTY TRAINING (http://www. artbeyondsight.orglbandbook!acs-audiodescribed.shtml). Para além da necessidade de usarmos uma fonte americana de scripts de ADs de pinturas, a fonte ainda teria que ex- plicitar que seu modusfaciendi se alinha com os padrões estabelecidos pela Audio Des- cription Coalilion, especialmente quanto à prescrição de neutralidade total, o que é feito nos seguintes excertos presentes na página AEB(Art Educalion for the Blind) s GUI- DELlNES FOR VERBAL DESCRlPTION do site ONLlNEACESSIBJLITYTRAINING: Uma linguagem clara e precisa é crucial para qualquer boa descrição. Ao des- crever arte visual para deficientes visuais, você precisa ter o cuidado de evitar linguagem ambígua e figurada. [...] Tente usar referências objetivas ao invés daquelas que possam influenciar a opinião dos deficientes visuais. Forneça informação suficiente para que ele(a)s possam formar uma imagem em suas mentes e chegar às suas próprias opiniões e conclusões sobre um trabalho de arte29 • (http://www.artbeyondsight.orgfhan- dbook!acs-guidelines.shtml) 29 ·Clear and precise language is crucial to any 900d description. ln describing visual arl to a blind audience, you musI be careful to avoid ambiguous and figuralive language... Try to use objective references ralher than ooes lha! mighl sway ablind person's poinl af view. Give enough information 50 lha! tisleners can form an image in Iheir minds, and come to their own opinions and conclusions about awork af art.
  8. 8. OS NOVOS RUMOS DA PESQUISA EM AUDIODESCRIÇÃO NO BRASIL 79 Quanto às pinturas cujos scripts de AD foram escolhidos, são elas: 1) The Bather de Paul Cézanne (disponível em http://www.artbeyondsight.orglhandbookl text-v-bather.shtml, com 307 palavras), 2) Convergence de Jackson Pollock (dispo- nível em http://www.artbeyondsight.orglhandbookltext-v-convergence.shtml.com 432 palavras), 3) Gir/ with a Mando/in de Pablo Picasso (disponível em http://www. artbeyondsight.org/handbookltext-v-mandolin.shtml, com 456 palavras), 4) fliew ofCadaques with Shadow of Mount Pani de Salvador Dali (disponível em http:// www.artbeyondsight.orglhandbookltext-v-cadaques.shtml. com 287 palavras), 5) The Adoration of lhe Magi de Andrea Mantegna (disponível em http://www.art- beyondsight.orglhandbookltext-v-adoration-of-the-magi.shtml, com 444 palavras) e 6) Woman 1de Willem de Kooning (disponível em http://www.artbeyondsight.org/ handbookltext-v-womanl.sbtml, com 260 palavras). Todos os scripts acessados em 16/10/2011 e totalizam 2.186 palavras. 3.2 Procedimentos de etiquetagem e critérios de análise Cada scripl foi etiquetado isoladamente. No âmbito de um script, a etiqueta- gem se deu nas ordens da palavra (há léxico avaliativo?), dos grupos e das orações (há estruturas avaliativas?) e se deu também entre orações (há trechos de texto ava- liativos? Há avaliações atitudinais evocadas ou implícitaslO ?). Tendo em vista as respostas às três perguntas consideradas em conjunto, os scripts foram etiquetados segundo as categorias que são os termos/escolhas do sis- tema de primeira ordem de delicadeza TIPOS DE AVALIATIVIDADE: 'atitude', 'engajamento', 'gradação' . No que tange à resposta a cada pergunta de per si, as categorias foram os termos/escolhas dos sistemas de segunda ordem de delicade- za: a fim de que a primeira pergunta pudesse ser respondida (presença/ausência de avaliações/interpretações quanto aos sentimentos elicitados), as categorias de análise foram os termos/escolhas disponibilizados pelo sistema TIPOS DE ATI- TUDE -> 'afeto', 'julgamento', 'apreciação'; as categorias usadas com o propó- sito de que a segunda pergunta fosse respondida (presença/ausência de avaliaçõesl interpretações quanto aos posicionamentos dos audiodescritores relativos ao que eles dizem sobre as pinturas e ao que outros dizem) foram os termos/escolhas disponibilizados pelo sistema TIPOS DE ENGAJAMENTO -> 'monoglossia', 'heteroglossia'; quanto à terceira pergunta (presença/ausência de avaliações/in- terpretações quanto à amplificação ou redução do grau dos sentimentos elicitados e dos posicionamentos assumidos), sua resposta foi viabilizada através da utili- zação das categorias relativas aos termos/escolbas disponibilizados pelo sistema TIPOS DE GRADAÇÃO -> 'força' , 'foco'. 30 Além de avaliações atiludinais inscritas, aquelas que são explicjtamente realizadas via léxico avaliativo, há também avaliações aliludinais implícitas, aquelas que são evocadas via metáforas lexicais ou via gradação de significados não aUtudinais ouviasignificados ideacionais com implicações culturais específicas.
  9. 9. 80 Dado que se trata de uma pesquisa de cunho descritivo e quantitativo, fize- mos um levantamento do número absoluto das ocorrências das categorias presentes por sistema e por script. Os números absolutos foram transformados em Índices de Frequência Simples (IFS)31 - um recurso estatístico usado para se compensar os nú- meros de palavras diferentes em cada script -, e, posterionnente, em percentuais32. 4. Resultados e discussão A Tabela I mostra os resultados quantitativos da ocorrência das categorias avaliativas até o segundo nível de delicadeza. I Script1 Script2 Script3 Scipt4 Script5 I Scriplô I Script1 Script2 Script3 Script4 Script5 Script6 Tabela 1 - IFS e percentuais de ocorrência das categorias avaliativas até o segundo nível de delicadeza por script ATITUDE ENGAJAMENTO GRADAÇÃO, IFS I percentual I IFS Ipercentual I IFS Ipercentual 52,1 27,1% 29,3 15,3% 110,7 57,6% 32,4 24,2% I 30,1 22,4% I 71,7 I 53,4% 35,1 32,0% 17,5 16,0% 57,0 52,0% I :13,9 19,0% I 13,9 I 19,0% I 45,3 62,0% 85,6 I 50,0% 11,3 6,6% 74,3 43,4% I I 42,3 I 19,0% I 30,8 13,8% 150,0 I 67,2% AFETO IJULGAMENTO iAPRECIAÇÃO I MONO HETERO FORÇA 1 FOCO GLOSSIA GLOSSIA I lFS ! perco IFS perco ! IFS perco I IFS perco IFS I perco !IFS perco IFS j perco 6,5 3,4% 3,3 1,7% !42,3 I 0,0% 29,3 15,3% 71,7 37,3% 39,0 20.3%22,0% 0,0 2.3 1,7% j 6,9 5,2% 23.2 1 17,3% j 0,0 0,0% 1 30,1 1 22,4%1 69,4 51,7% 2.311,7% 2,2 2,0% 11,0 10,0% 21,9 20,0% 0,0 0,0% 17,5 16,0% 46,0 42,0% 11,0 I 10,0% 7,0 9,6% I 0,0 0,0% 7,0 I 9,6% 0,0 0,0% 13,9 1'9,0% I 41.8 57,2% , 3,4 I 4.6% 18,0 10,5% ! 4,5 2,7% 63.1 36,9% I 0,0 0,0% 11,3 : 6,6% I 65.3 36,1%I 9,0 5,2% 3,8 1,7%1 3,8 1.7% 34,6 ! 15,5% , 0,0 0,0% J30,8J13,8~J 130,8 58,6% 19,3 j 8,7% 31 Numeros de ocorrências de um dado traço por cada 1.000 palavras de texto =número deocorrêndasdotraço dividido pelo total de palavras de cada script,com o resultadomultiplicado por 1.000. 32 Para as categorias relativas aossistemas de segunda ordemde delicadeza, os percentuais foram calculados com base no IFS total de cada scripf.
  10. 10. OS NOVOS RUMOS DA PESQUISA EM AUDIODESCRIÇAO NO BRASIL 81 A tabela mostra que os audiodescritores que escreveram os seis scripts das ADs das pinturas listadas na Subseção 3.1 foram avaliativos/interpretativos. E o fo- ram do ponto de vista de cada uma das três grandes áreas de significados avaliativos: nos seis scripls, há ocorrências de avaliações de 'atitude', com o menor percentual sendo 19.0% para os Scripts 4 e 6; há ocorrências de avaliações de 'engajamento', com o menor percentual sendo 6,6% para o Script 5; há ocorrências de avaliações de 'gradação', com O menor percentual sendo 43,4% para o Script 5. Portanto,já nos é possível dizer que, no que diz respeito ao corpus da pesquisa ora relatada, as ADs de pinturas em inglês americano não são caracterizadas pela ausência, mas pela presença de avaliações/interpretações. A seguir, passamos a de- talhar os resultados por pergunta de pesquisa. 1.1 Primeira pergunta Na primeira pergunta, levantamos a questão de se os scripls das ADs são ca- racterizados pela presença ou ausência de avaliações/interpretações quanto aos sen- timentos elicitados pelas pinturas. Como vimos, os sentimentos são tratados na TA no âmbito do sistema TIPOS DE ATITUDE. Quanto a esse sistema, a Tabela 1 mostra que há ausência somen- te, mas apenas no Script 4, do tipo de avaliação atitudinal 'julgamento'. Contudo, se considerarmos que o referido script apresenta 9,6% de avaliações atitudinais de 'afeto' e 9,6% de avaliações atitudinais de 'apreciação', podemos dizer que os scripts das ADs do corpus se caracterizam pela presença de avaliações/interpreta- ções relativas aos sentimentos incitados pelas pinturas. Exemplos são apresentados no Quadro I: Quadro 1 - Exemplos de avaliações de 'atitude' SCRIPT EXCERTO CATEGORIA He [lhe black Moor] is open-mouthed, I 5) The Adoration of the Magi with his upper teeth and tangue atitude-afeto showing, as if astonished.. ...aman of abaut 40 with a50ft brown 5) The Adoration of the Magi beard, contemplative features, and atitude-julgamento eyes staring serenely forward. 1) The Bather I But helthe bather]'s caught in a moment of atitude-apreciação stillness in the hazy, dreaming landscape. Os trechos em negrilO dos excertos dos Scripts I e 5 foram etiquetados como avaliações de 'ati!llde', dos tipos 'afeto', 'julgamento' e 'apreciação', respectivamente.
  11. 11. 82 1.2 Segunda pergunta Na segunda pergunta, levantamos a questão de se os scripts das ADs são ca- racterizados pela presença ou ausência de avaliações/interpretações quanto aos po- sicionamentos dos audiodescritores relativos ao que eles dizem sobre as pinturas e ao que outros dizem no amplo universo da intertexrualidade. Igualmente, já vimos que a dialogia é abordada na TA no âmbito do sistema TIPOS DE ENGAJAMENTO. Para esse sistema, a Tabela 1 mostra que há ausên- cia do tipo de avaliação de engajamento 'monoglossia' nos seis scripts. Por outro lado, todos os scripts contêm o tipo de avaliação de engajamento 'heteroglossia', com ocorrências variando entre 6,6% e 22,4%. Considerando que é através da be- teroglossia qu, o falante/escritor traz não só os seus próprios juízos de valor - mas também os de outros, alinhando-os ou desalinhando-os com os deles e negociando com o ouvinte/leitor uma relação de solidariedade ou não -, e considerando que a monoglossia é Udialogisticamente inerte"3] por conter não mais que os juizos de va- Iar do falante/escritor - construindo-os como não problematizáveis ou naruralizados (MARTIN; WHITE, 2005, p. 99/216) - , pensamos que podemos defender a posição de que os scripts das ADs do corpus se caracterizam, sim, pela presença de avalia- çõeslinterpretações concementes aos posicionamentos dos audiodescritores sobre o que eles e outros dizem a respeito das pinturas e sobre as relações entre essas vozes. Exemplos podem ser encontrados no Quadro 2. Quadro 2 - Exemplos de avaliações de 'engajamento' SCRIPT EXCERTO CATEGORIA ...they Iblue highlights] adhere to the same engajamento- 2) Convergence trail as lhe red painl, bul clouds of Ihem venlure inlo lhe cenler Df lhe painling.. heleroglossia 4) View Df Cadaques wilhJ .. lhe coaslal fishing lown Df Cadaques ... is I engajamento- Shadow Df Mounl Pani seen ... from a hill oulside of lown, perhaps. heleroglossia Os trechos em negrito dos excertos dos Scripts 2 e 4 foram etiquetados como avaliações de 'engajamento', do tipo 'heteroglossia'. 1.3 Terceira pergunta Na terceira pergunta, levantamos a questão de se os scripts das ADs são caracterizados pela presença ou ausência de avaliaçõeslinterpretações quanto à amplificação ou redução do grau dos sentimentos elicitados (se presentes) e dos posicionamentos assumidos (se presentes). Já constatamos que tanto os sentimen- 33 "[...]dialogistically inert [...1"
  12. 12. OS NOVOS RUMOS DA PESQUISA EM AUDIODESCRIÇAO NO BRASIL 83 tos quanto os posicionamentos dialógicos estão presentes nos scripls das ADs do corpus, O que nos habilita a demonstrar se esses sentimentos e posicionamentos são amplificados-reduzidos. Como a amplificação-redução dos sentimentos e posicionamentos dialógicos é coberta na TA dentro do escopo do sistema TIPOS DE GRADAÇÃO, podemos ver, na Tabela I, que ambos os tipos de avaliação de 'gradação', 'força' e 'foco', estão presentes, com percentuais variando de 37,3% a 58,6% e de 1,7% a 20,3%, respectivamente. Exemplos são mostrados no Quadro 3. Quadro 3 - Exemplos de avaliações de 'gradação' SCRIPT EXCERTO I CATEGORIA 3) Girl with a ...she[girl with amandolin]'s loo~ng slightly downward... gradação-força Mandolin , 6)Woman I Salmon pink ankles emerge, with a gradação-foco suggestion of blueish ... strappy shoes. Os trechos em negrito dos excertos dos Scripls 3 e 6 foram etiquetados como avaliações de 'gradação', dos tipos 'força' e 'foco', respectivamente. Dado que a caractenstica dos scripls das ADs em inglês americano do corpus é marcada pela presença de avaliações/interpretações pertencentes às três grandes áreas de significados avaliativos, resta evidenciado que os audiodescritores não con- seguiram ser neutros a despeito de terem produzido seus scripls sob a prescrição de neutralidade total. Esse resultado corrobora empiricamente, de modo mais amplo, a pista fornecida por Martin e White (2005, p. 94) de que não há neutralidade na lingua em decorrência do fato de que até "as asserções categóricas ... são ... carre- gadas intersubjetivamente e o •• 'posicionadas'" e, de modo mais restrito, a intuição de Holland (2009) de que não existe a possibilidade de neutralidade em ADs para o teatro e as artes visuais. Cabe, agora, perguntarmos se é possível falar-se sobre a existência de um pro- vável estilo avaliativo de ADs de pinturas em inglês americano. Um exame dos resultados apresentados na Tabela I mostra que, para o corpus objeto deste estudo, parece haver um padrão avaliativo pelo qual emerge uma tendência de predominân- cia de avaliações/interpretações atitudinais de apreciação estética e gradacionais de força dessas apreciações. Esse provável estilo não nos surpreendeu pelo fato de que se trata, aqui, deADs de obras de arte e obras de arte, via de regra, são apreciadas.e as apreciações podem ser graduadas.
  13. 13. 84 Considerações finais É importante relembrar que o tamanho do nosso corpus, composto de seis scripts de ADs de pinturas em inglês americano e totalizando 2.186 palavras, é res- trito. Contudo, pensamos não ser leviano afirmarmos, mesmo ainda precariamente, que é plausível a conclusão de que não existe neutralidade quanto a somente os scripts que o compõem. A plausibilidade da afirmação decorre do fato de que nos foi possível tanto atingirmos os objetivos estabelecidos quanto respondermos as perguntas levantadas na Seção I. Por sua vez, acreditamos que a consecução dos objetivos e as respostas às perguntas foram viabilizadas através da escolba metodológica pela TA, que, en- tão, se mostrou adequada para o fim de demonstrar que scripts de ADs produzidos sob a prescrição de neutralidade total parecem ser tão avaliativos e interpretativos como qualquer outro tipo de texto. Quanto à precariedade da conclusão, ela será superada em parte quando, em outro artigo, estendermos a abrangência da análise para todos os niveis de delicade- za da rede de sistemas de avaliatividade e trouxermos, para efeito de comparação, os resultados, também já mais abrangentes quanto aos níveis de delicadeza, a ver com o corpus constituído pelos scripls de ADs de pinturas em português brasileiro. A superação ainda será parcial tendo em vista que o tamanho desse outro corpus é igualmente restrito. Depreende-se, portanto, que um outro estudo a surgir deste deve ser sua replica- ção com corpora em ambas as línguas e em outras línguas, os quais sejam estatistica- mente significantes em tamanho e, de preferência, eletrônicos, a fim de que, metodo- logicamente, possamos aliar a TA às ferramentas disponibilizadas pela Linguística de Corpus. Para além da verificação da (não) neutralidade em scripls de ADs de pinturas produzidas sob a prescrição de neutralidade total, carece que verifiquemos também a mesma questão em scripts de ADs de outros tipos de produtos (audio)visuais, como esculturas, filmes, peças de teatro etc. produzidos sob a mesma condição. Quanto aos filmes, já há dois estudos em andamento: um deles usa como corpus filmes de curta-metragem brasileiros sobre a temática LGBT e audiodescritos em portu- guês brasileiro e o outro tem como corpus filmes franceses do gênero comédia e audio- descritos em francês". Ambos os projetos se justificam, pois não são meras replicações de Jiménez Hurtado (2007) porque, nesse trabalbo, a autora relatou os resultados relati- vos a apenas filmes audiodescritos em espanhol e, como observamos na Seção I, ela se limitou, quanto à questão da (não) neutralidade, aos sentimentos de emoção, os quais, na TA, têm a ver apenas com as avaliações de atitude-afeto, o que significa dizer que ela não contemplou as avaliações de atitude-julgamento, atitude-apreciação, engajamento- -monoglossia, engajamento-heteroglossia, gradação-força e gradação-foco. 34 Os dois projetes estão inseridos no âmbito do LATAV-LEAD/PosLA-CH-UECE e do PROCAD/CAPES 008/2007, com o primeiro sendo desenvolvido pelo doutorando Juarez Nunes de Oliveira Júnior e osegundo pela meslranda Cristiene Ferreira da Silva. Ambos são orienlandos de Praxedes filho.
  14. 14. OS NOVOS RUMOS DA PESQUISA EM AUDIODESCRIÇAO NO BRASIL 85 Quando tivennos os resultados completos do estudo cuja primeira parte está sendo aqui relatado, quando tivennos os resultados dos estudos já em andamento e quando tivennos os resultados de pelo menos alguns dos estudos sugeridos acima, esperamos que esses resultados todos se constituam em infonnação consistente cujo impacto seja dar sustentação de base empírica sólida à tomada de decisão, por parte do grupo envolvido no projeto PROCAD/CAPES 008/2007, quanto a (não) integrar a prescrição de neutralidade total ao modelo brasileiro de AD em construção.
  15. 15. 86 REFERÊNCIAS HALLIDAY, M.; MATTHIESSEN, C. An introduction to functional grammar. 3. ed. London: Arnold, 2004. HOLLAND, A. Audio descrption in the theatre and the visual arts: images into words. ln: CINTAS, 1. D.; ANDERMAN, G. (orgs.). Audiovisual translation: language tran- fer on screen. Hampshire e Nova York: Pelgrave Macmillan, 2009. p. 170-185. flMÉNEZ HURTADO, C. Una gramática local dei guión audiodescrito: desde la semántica a la pragmática de un nuevo tipo de traducción. ln: __o (org.). Traduc- ción y accesibilidad - subtitulación para sordos y audiodescripción para ciegos: nue- vas modalidades de TraducciónAudiovisual. Frankfurt: Peter Lang, 2007. p. 55-80. MARTIN, J. R. Reading positiollS/positioning readers: judgement in English. Pros- pect: A Journal ofAustralian TESOL, v. lO, n. 2, p. 27-37,1995. _ _ o Beyond exchange: appraisal systems in English. ln: HUNSTON, S.; THOMPSON, G. (orgs.). Evalua/ion in /ext: authorial stance and the construction of discourse. Oxford: Oxford University Press, 2000. p. 142-75. . Blessed are tbe peacemakers: reconclllation and evaluatlon. ln: CANDLIN, C. (org.). Research and pme/ice in professional discourse. Hong Kong: City Uni- versity ofHong Kong Press, 2002. p. 187- 227. . Sense and sensibility: texturing evaluation. ln: FOLEY, J. (org.). Language, education and discourse. London: Continuum, 2004. p. 270-304. MARTIN, J. R.; ROSE, D. Working wi/h discourse: meaning beyond the clause. 2. ed. New York: Continuum, 2007. MARTIN, J. R.; WHITE, P. R. R. The language ofevalua/ion: appraisal in English. Hampshire: Palgravre Macmillan, 2005. ONLINE ACESSlBILITY TRAINING - General Acessibility Tool: Audio De- scribed Media - Definition: Audio described media. Disponível em: <http://www. artbeyondsighl.org/handbooklacs-audiodescribed.shtml>. Acesso em: 16 oul. 2011. AEB's GUIDELINES FOR VERBAL DESCRlPTION. Disponível em: <http://www. artbeyondsighl.org/handbooklacs-guidelines.shtml>. Acesso em: 16 oul. 2011. SNYDER, J. Audio description: the visual made verbal. ln: CINTAS, J. D. (arg.). The didactics of audiovisual transla/ion. Amsterdam e Philadelphia: John Benja- mins, 2008. p. 191-198. STANDARDS FOR AUDIO DESCRlPTION AND CODE OF PROFESSIONAL CONDUCT FOR DESCRlBERS. Disponível em: <http://www.audiodescriptionco- alition.orgladc_standards_090615.pdf>. Acesso em: 16 oul. 2011. VIAN JR., O. O sistema de avaliatividade e os recursos para gradação em língua portuguesa: questões terminológicas·e de instanciação. D.E.L.TA., v. 25, n. I, p. 99-129,2009. _ _ o Avaliatividade, engajamento e valoração. D.E.L.TA., v. 28, n. I, p. 105-128,2012.
  16. 16. OS NOVOS RUMOS DA PESQUISA EM AUDIODESCRIÇÃO NO BRASIL 87 VIAN JR., O.; SOUZA, A. A. de; ALMEIDA, F. S. D. P. (orgs.). A linguagem da avaliação em lingua portuguesa: estudos sistêmico-funcionais com base no sistema de avaliatividade. São Carlos,SP: Pedro e João, 20 IO. WHITE, P. R. R. Appraisal - the language of evaluation and stance. ln: VER- SCHUEREN, J.; ÓSTMAN, J.; BLOMMAERT, J.; BULCAEN, C. (orgs.). The handbook ofPragmatics. Amsterdam: John Benjamins, 2002. p. 1-27. _ _ o Beyond modality and hedging: a dialogic view ofthe language of intersub- jective stance. Text - Special Edition on Appraisal, p. 259-84, 2003. _ _ o Subjectivity, evaluation and point ofview in media discourse. ln: COFFIN, C.; HEWINGS, A.; O'HALLORAN, K. (orgs.). Applying English grammar. Lon- don: Hodder Arnold, 2004.

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