1                UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ             INSTITUTO DE LETRAS E COMUNICAÇÃO        PROGRAMA DE MESTRADO EM...
2           ELIAS MAURÍCIO DA SILVA RODRIGUESGLOSSÁRIO SOCIOTERMINOLÓGICO DA CULTURA DA FARINHA                     Disser...
3                     ELIAS MAURÍCIO DA SILVA RODRIGUESGLOSSÁRIO SOCIOTERMINOLÓGICO DA CULTURA DA FARINHA                 ...
4Para Raimundo Elias (in memória)      e Iracema Rodrigues               Meus alicerces.
5                                 AGRADECIMENTOSA Deus,Ser supremo que sustenta e mantém o equilíbrio dos seres do univers...
6A todos os meus colegas do Mestrado,Janderson, Ary, Marly, Bené, Luciana, Rita, Bruno, Marisa, Eunice, Karina, Jairo, Nel...
7As línguas humanas são, em verdade, mas do queexcelentes instrumentos de comunicação. São,também, reflexo da cultura de u...
8                                      RESUMOCom o estudo realizado elaborou-se um glossário socioterminológico da cultura...
9                                      RESUMENCon este estúdio elaboramos un glosario socioterminológico de la cultura del...
10                                LISTA DE ESQUEMASEsquema 1.   Fórmula que resulta na Socioterminologia ....................
11                                       LISTA DE QUADROSQuadro 1.   Variantes terminológicas................................
12                                        LISTA DE TABELASTabela 1.   Países maiores produtores de mandioca .................
13                                       LISTA DE GRÁFICOSGráfico 1.   Percentual da produção de mandioca por região no Br...
14                                        LISTA DE FOTOGRAFIASFotografia 1.    Queimada realizada no terreno para o prepar...
15                 LISTA DE FLUXOGRAMA, MAPA E ORGANOGRAMAFluxograma. 1    Representação das etapas de produção da farinha...
16                                            LISTA DE FIGURASFigura 1.    Tela frontal do software Transana ................
17                                                           SUMÁRIOINTRODUÇÃO ..............................................
183. METODOLOGIA ............................................................................................... 773.1 PLA...
19ANEXO A – Produção de mandioca no Brasil ......................................................            181ANEXO B – ...
20INTRODUÇÃO           O presente trabalho é fruto de um instigante estudo sobre o discursoespecializado, em torno da prod...
21           Por oportuno, ressaltamos ainda as considerações de pesquisadores comoBarros (2004), Cabré (2003), Krieger & ...
22Terminologia – TGT.       Passamos, então, a tratar da perspectiva dos estudosterminológicos tradicionais focalizando, c...
23tratamos dos procedimentos utilizados para a organização da macroestrutura emicroestrutura do glossário.           O qua...
241. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA           Neste capítulo inicial, esperamos trazer, ainda que de forma resumida,algumas informa...
25marcam muito do cotidiano da administração, da economia e da política social daquelaépoca.             O diálogo Crátilo...
26na terceira edição do dicionário Webster é registrado como campo de estudo. Valeressaltar que, apesar de o vocábulo term...
27Normalização Soviética do Conselho de Ministros da União Soviética. Destaca-setambém Drezem, que juntamente com Lotte de...
28sustentariam a sua proposta metodológica na TGT, momento em que a disciplinaganha contornos científicos na Europa Ociden...
29           b) Os termos científicos e técnicos, sendo objeto de estudo, devem ser               entendidos como unidades...
30                     favorecer uma comunicação especializada internacional sem                     ambigüidades.        ...
31metodológico da área, exigindo do terminólogo uma posição diferente do modeloadotado na visão tradicional de até então. ...
321.2 A PERSPECTIVA DOS ESTUDOS TERMINOLÓGICOS CONTEMPORÂNEOS1.2.1. A Socioterminologia               O termo Sociotermino...
33variação e, portanto, da sinonímia e da polissemia como constitutivos dos discursosespecializados.             Gaudin (1...
34             Para Gaudin (1993, p. 216), o laço entre trabalho e linguagem refletediretamente no âmbito das práticas lin...
35observação do funcionamento da linguagem e no estudo das condições de produção ecirculação dos termos. Nesse sentido diz...
36                  signos    que    encontram    funcionalidade   nas    linguagens   de                  especialidade; ...
37           Por sua vez, Krieger e Finatto (2004, p. 75) defendem que o termo, afraseologia e a definição constituem-se c...
381.2.1.2 A variação nos estudos socioterminológicos               Um dos princípios básicos da linguagem humana, postulad...
39       Nessa nova empreitada, a Socioterminologia, considerando os princípios daSociolingüística, vai de encontro aos mo...
40                                            VARIANTES       CONCORRENTES                    CO-OCORRENTES               ...
41             Lexicais: se constituem quando a forma do item lexical sofre comutação          sem que isso implique em mu...
42               Sinonímia: Conforme Faulstich (1999, p.16) ocorre na relação de dois oumais termos num mesmo contexto e c...
43           Ainda afirma Almeida (2006, p. 95) ser “imperativo explicitar essasdiferenças a ponto de todos os sujeitos en...
441.2.2 A Terminologia Cultural             A Terminologia Cultural – TC proposta por Diki-Kidiri (2007, p. 14) é umaabord...
45  Pontos de comparação              Terminologia Clássica                 Terminologia CulturalObjetivo principal       ...
46                Sendo assim, o conceito remeteria à idéia essencial das coisas,representaria o arquétipo na representaçã...
47simbólicas (esquemas, planos) que particularizam as percepções do real pelacomunidade. Em nosso estudo, por exemplo, ter...
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  1. 1. 1 UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ INSTITUTO DE LETRAS E COMUNICAÇÃO PROGRAMA DE MESTRADO EM LETRAS (LINGÜÍSTICA) ELIAS MAURÍCIO DA SILVA RODRIGUESGLOSSÁRIO SOCIOTERMINOLÓGICO DA CULTURA DA FARINHA BELÉM – PARÁ 2010
  2. 2. 2 ELIAS MAURÍCIO DA SILVA RODRIGUESGLOSSÁRIO SOCIOTERMINOLÓGICO DA CULTURA DA FARINHA Dissertação de Mestrado apresentada ao Instituto de Letras e Comunicação da Universidade Federal do Pará, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Lingüística. Área de concentração: Descrição e análise do português da Amazônia Orientador: Prof. Dr. Abdelhak Razky BELÉM – PARÁ 2010
  3. 3. 3 ELIAS MAURÍCIO DA SILVA RODRIGUESGLOSSÁRIO SOCIOTERMINOLÓGICO DA CULTURA DA FARINHA Dissertação de Mestrado apresentada ao Instituto de Letras e Comunicação da Universidade Federal do Pará, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Lingüística. Área de concentração: Descrição e análise do português da AmazôniaData da aprovação:Banca Exminadora:Prof. Dr. Abdelhak Razky (Orientador)Universidade Federal do Pará – UFPAProf. Dra. Carmen Lúcia Reis Rodrigues (Examinadora)Universidade Federal do Pará – UFPAProf. Dr. Antônio Luciano Pontes (Examinador)Universidade Estadual do Ceará – UECProfa. Dra. Marilúcia Barros de Oliveira (Examinadora)Universidade Estadual do Ceará – UFPA
  4. 4. 4Para Raimundo Elias (in memória) e Iracema Rodrigues Meus alicerces.
  5. 5. 5 AGRADECIMENTOSA Deus,Ser supremo que sustenta e mantém o equilíbrio dos seres do universo, inclusive omais sábio: o homem. Obrigado Senhor por permitir que eu superasse todos osmomentos difíceis dessa caminhada.Ao Prof. Dr. Abdelhak Razky,Orientador e incentivador dos meus trabalhos de pós-graduação na Faculdade deLetras e Comunicação da Universidade Federal do Pará, pelo apoio, atenção e amizade.À Professora Dra. Gladis Maria de Barcellos Almeida,Docente da Universidade Federal de São Carlos, por se disponibilizar em responder osmeus e-mails, mantendo um feedback na discussão sobre Terminologia e também peloincentivo, envio de livro e importantes sugestões.A Professora M.Sc. Celiane Costa,Com quem sempre mantive contato e trocas de idéias sobre os estudosterminológicos. Pelo incentivo e disponibilidade em me ajudar em muitos momentosda minha caminhada acadêmica.À Professora Dra. Myrian Cunha,Pelo compromisso e seriedade durante a sua gestão na Coordenação do Curso deMestrado em Letras.Ao Professor Dr. Silvio Augusto de Oliveira HolandaAtual Coordenador do Curso de Mestrado em Letras, pelo trabalho que vemdesenvolvendo em sua gestão.Aos professores,Dra. Fátima Pessoa, Dra. Regina Cruz, Dra. Eulália Toscano, Dra. Gessiane Picanço, Dr.Abdelhak Razky pelas disciplinas ministradas.Às Professoras Dra. Carmén Rodrigues e Marilúcia Rodrigues,Por terem aceitado em participar da Banca de Qualificação deste trabalho e pelasvaliosas contribuições e sugestões.Ao Professor M.Sc. Álvaro Araújo,Pelas contribuições, incentivo e empéstimo de material bibliográfico.
  6. 6. 6A todos os meus colegas do Mestrado,Janderson, Ary, Marly, Bené, Luciana, Rita, Bruno, Marisa, Eunice, Karina, Jairo, Nelma,Rodney e especialmente a Ceiça e Ednardo pela troca de idéias e reflexões no âmbitoacadêmico e pelos laços de amizade construídos ao longo desses anos.Ao Prof. M.Sc. Waldemar Júnior,Pelo apoio e incentivo durante a minha vida acadêmica no Mestrado.À Érika Michely,Pela amizade, hospedagem e acolhida em seu apartamento durante essa fase daminha vida acadêmica.Ao Dr. Mauro Mendes de Almeida,Pelo incentivo e contribuição para que eu pudesse realizar esse sonho.Ao socioprofissionais do município de Acará,Que muito contribuíram para o desenvolvimento desse trabalho.Aos professores Dra. Iracilda Sampaio e Dr. Horácio Schneider,Pela seriedade e compromisso com essa Instituição de Ensino Superior e pela grandecontribuição nos passos finais de minha jornada no curso de Mestrado... Sou muitograto!A minha família,Mãe, pai (in memória), irmãos e sobrinhos que me apoiaram nessa empreitada,principalmente pela assistência sentimental nos momentos bons e ruins durante essesdois anos no curso de Mestrado.
  7. 7. 7As línguas humanas são, em verdade, mas do queexcelentes instrumentos de comunicação. São,também, reflexo da cultura de um povo. São, alémdisso, parte da cultura de um povo. São ainda maisdo que isto: são mecanismos de identidade. Umpovo se individualiza, se afirma e é identificado emfunção de sua língua. Scherre (2005, p. 10)
  8. 8. 8 RESUMOCom o estudo realizado elaborou-se um glossário socioterminológico da cultura dafarinha a partir da comunicação especializada proveniente do saber dos trabalhadoresrurais, técnicos e atravessadores do município de Acará, no Estado do Pará. A nossapesquisa está ancorada nos procedimentos teórico-metodológicos advindos daSocioterminologia (GAUDIN, 1993, 2003; FAULSTICH, 1995, 1996, 1999, 2006),perspectiva que possibilitou considerar o aspecto social em que os termos seencontram no discurso dos socioprofissionais e da Terminologia Cultural (DIKI-KIDIRI,2000, 2002, 2007), por entendermos que o universo lingüístico oriundo da atividadeespecializada estudada demarca as percepções culturais e históricas das comunidadesrurais. Considerando a dinâmica da atividade especializada em questão, organizamosos termos em três campos semânticos, a saber: plantação, beneficiamento ecomercialização. O glossário possui 266 termos selecionados a partir da freqüência, dapertinência temática e pragmática em seus contextos de uso. Para a extração dessestermos, utilizamos as ferramentas computacionais do software WordSmith Tools, oque nos possibilitou um resultado mais preciso e confiável a esta descriçãosocioterminológica.Palavras-chave: Socioterminologia, Terminologia Cultural, Farinha, Saber popular.
  9. 9. 9 RESUMENCon este estúdio elaboramos un glosario socioterminológico de la cultura del harinadesde la comunicación especializada procedente de lo saber de informantestrabajadores rurales, técnico y vendedores de lo municipio de Acará, en el Estado delPará – Brasil. Nuestra investigación se basa en los procedimientos teóricos ymetodológicos derivados de Socioterminología (Gaudin, 1993, 2003; Faulstich, 1995,1996, 1999, 2006), una posibilidad que ha permitido considerar el aspecto social enque los términos están en el discurso de los profesionales y de la TerminologíaCulturales (Diki-Kidiri, 2000, 2002, 2007), porque creemos que el universo lingüísticovenido de la actividad especializada estudiada demarca las percepciones culturales yhistóricas de las comunidades rurales. Teniendo en cuenta la dinámica de la actividadespecializada de que se trate, las palabras están organizadas en tres campossemánticos, a saber: la plantación, procesamiento y comercialización. El glosario tiene266 términos seleccionados desde la frecuencia, de la pertinencia temática ypragmática en sus contextos de uso. Para extraer estos términos, usamos lasherramientas informáticas del programa WordSmith Tools, lo que permitió unresultado más exacto y confiable para esta descrición socioterminológica.Palavras-chave: Socioterminología, Terminología Culturale, Harina, Saber popular.
  10. 10. 10 LISTA DE ESQUEMASEsquema 1. Fórmula que resulta na Socioterminologia ................................. 38Esquema 2. Representação dos termos culturais .......................................... 46Esquema 3. Percepção cultural entre três línguas africanas .......................... 48Esquema 4. Produtos fabricados com a fécula da mandioca ......................... 57
  11. 11. 11 LISTA DE QUADROSQuadro 1. Variantes terminológicas.................................................................. 40Quadro 2. Pontos de comparação entre a TGT e a TC ..................................... 45Quadro 3. Comparação de perceptos culturais entre três línguas africanas .... 47Quadro 4. Fases do ciclo produtivo da farinha ................................................. 105
  12. 12. 12 LISTA DE TABELASTabela 1. Países maiores produtores de mandioca ........................................ 56Tabela 2. Produção de mandioca por região do Brasil .................................... 59Tabela 3. Produção de mandioca no Brasil, por Estado .................................. 60Tabela 4. População geral do município ......................................................... 80Tabela 5. População por sexo ......................................................................... 80Tabela 6. Perfil dos informantes ..................................................................... 86
  13. 13. 13 LISTA DE GRÁFICOSGráfico 1. Percentual da produção de mandioca por região no Brasil ............ 59Gráfico 2. Percentual de produção de mandioca no Brasil, por Estado .......... 60Gráfico 3. Produção de culturas agrícolas temporárias em Acará – Pará ........ 61Gráfico 4. Informantes da pesquisa ................................................................. 87Gráfico 5. Distribuição dos termos por campo semântico ............................... 109Gráfico 6. Distribuição dos termos por categoria gramatical .......................... 109Gráfico 7. Quadro de variantes do glosssário................................................... 110
  14. 14. 14 LISTA DE FOTOGRAFIASFotografia 1. Queimada realizada no terreno para o preparo da área de plantação ..................................................................................... 62Fotografia 2. Trabalhadora rural realizando o plantio de manivas ................... 63Fotografia 3. Poço construído no igarapé ......................................................... 65Fotografia 4. Transporte da mandioca em carroça ............................................ 66Fotografia 5. Aturá ............................................................................................ 66Fotografia 6. Retiro (casa de farinha) ............................................................... 68Fotografia 7. Trabalhadora rural descascando mandiocas ............................... 69Fotografia 8. Trabalhador rural utilizando o ralador ......................................... 70Fotografia 9. Trabalhador rural utilizando o caititu .......................................... 70Fotografia 10. Prensa artesanal com tipiti .......................................................... 71Fotografia 11. Prensa com macaco hidráulico .................................................... 71Fotografia 12. Peneira ......................................................................................... 71Fotografia 13. Crueira ......................................................................................... 72Fotografia 14. Trabalhador rural torrando farinha ............................................. 73Fotografia 15. Farinha na esfriadeira .................................................................. 74Fotografia 16. Feira do Pequeno Agricultor ........................................................ 75Fotografia 17. Lotes de farinha comercializadas ................................................. 76Fotografia 18. Pesagem da farinha ..................................................................... 76
  15. 15. 15 LISTA DE FLUXOGRAMA, MAPA E ORGANOGRAMAFluxograma. 1 Representação das etapas de produção da farinha ................. 69Mapa 1. Localização do município de Acará .......................................... 79Organograna 1. Árvore de domínio reduzida .................................................... 85
  16. 16. 16 LISTA DE FIGURASFigura 1. Tela frontal do software Transana ................................................... 93Figura 2. Janela da base de dados ................................................................... 94Figura 3. Corpus transcrito no software ......................................................... 95Figura 4. Janela com a lista de termos em ordem alfabética .......................... 97Figura 5. Janela com a lista de termos em ordem de freqüência.................... 97Figura 6. Janela com estatística simples ......................................................... 98Figura 7. Janela com listas de termos em contexto ........................................ 99Figura 8. WordList ........................................................................................... 100Figura 9 Concord ............................................................................................ 101Figura 10. Collocates ......................................................................................... 101
  17. 17. 17 SUMÁRIOINTRODUÇÃO ...................................................................................................... 201. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .......................................................................... 241.1 A PERSPECTIVA DOS ESTUDOS TERMINOLÓGICOS TRADICIONAIS ............... 241.1.1 Origens e desenvolvimento ........................................................................ 241.1.2 A Teoria Geral da Terminologia .................................................................. 271.2 A PERSPECTIVA DOS ESTUDOS TERMINOLÓGICOS CONTEMPORÂNEOS ...... 321.2.1 A Socioterminologia ................................................................................... 321.2.1.1 Objeto de estudo: o termo e a definição ................................................ 351.2.1.2 A variação nos estudos socioterminológicos ......................................... 381.2.2 A Terminologia Cultural ............................................................................. 441.3 A PERSPECTIVA DOS ESTUDOS TERMINOLÓGICOS NO BRASIL ..................... 501.3.1 Os estudos terminológicos na Amazônia paraense ................................... 522. MANDIOCA E FARINHA: TRADIÇÃO CULTURAL ............................................. 552.1 PANORAMA GERAL DA PRODUÇÃO E IMPORTÂNCIA DA MANDIOCA NOMUNDO ............................................................................................................... 552.2 PANORAMA GERAL DA PRODUÇÃO E IMPORTÂNCIA DA MANDIOCA NOBRASIL ................................................................................................................. 582.3 A PRODUÇÃO, O BENEFICIAMENTO E A IMPORTÂNCIA CULTURAL DAMANDIOCA NO MUNICÍPIO DE ACARÁ – PARÁ ................................................... 612.3.1 Preparo da área .......................................................................................... 622.3.2 Plantio das manivas-semente .................................................................... 632.3.3 Tratos culturais ........................................................................................... 642.3.4 Colheita ...................................................................................................... 642.3.5 Beneficiamento .......................................................................................... 662.3.6 Comercialização ......................................................................................... 75
  18. 18. 183. METODOLOGIA ............................................................................................... 773.1 PLANEJAMENTO DA PESQUISA DE CAMPO ................................................... 773.1.1 Área geográfica da pesquisa: aspectos históricos, geográficos edemográficos ...................................................................................................... 783.1.2 Objetivo geral ............................................................................................. 813.1.3 Objetivos específicos .................................................................................. 823.1.4 Público-alvo ................................................................................................ 823.1.5 Conhecimento de área e a árvore de domínio ........................................... 833.1.6 Perfil dos informantes e constituição do corpus da pesquisa .................... 853.1.7 Instrumentos de recolha de dados ............................................................ 883.2 PROCEDIMENTOS UTILIZADOS PARA O TRATAMENTO DOS DADOS ........... 923.2.1 Ferramentas utilizadas para a transcrição dos dados: Transana ............... 923.2.2 Ferramentas utilizadas para a extração e seleção semi-automática dostermos: WordSmith Tools ................................................................................... 963.2.3 Registros dos termos em fichas terminológicas ......................................... 1023.3 PROCEDIMENTOS UTILIZADOS PARA A ORGANIZAÇÃOMACROESTRUTURAL DO GLOSSÁRIO ................................................................. 1033.3.1 Delimitação e composição da nomenclatura ............................................. 1033.3.2 Critérios para o termo-entrada .................................................................. 1053.4 PROCEDIMENTOS UTILIZADOS PARA A ORGANIZAÇÃO MICROESTRUTURALDO GLOSSÁRIO .................................................................................................... 1063.5 DISTRIBUIÇÃO DOS TERMOS NA ORGANIZAÇÃO DO GLOSSÁRIO ................. 1083.5.1 Representação esquemática dos termos no glossário ............................... 1143.5.4 Abreviaturas e sinais gráficos utilizados no glossário ................................ 1154. GLOSSÁRIO SOCIOTERMINOLÓGICO DA CULTURA DA FARINHA .................. 1165. CONSIDERAÇÕES REFLEXIVAS ....................................................................... 172REFERÊNCIAS ...................................................................................................... 175ANEXOS ............................................................................................................... 180
  19. 19. 19ANEXO A – Produção de mandioca no Brasil ...................................................... 181ANEXO B – Árvore de domínio ............................................................................ 182ANEXO C – Questionário semi-estruturado ........................................................ 183ANEXO D – Normas de transcrição ..................................................................... 188ANEXO E – Modelo Ficha Terminológica ............................................................. 189
  20. 20. 20INTRODUÇÃO O presente trabalho é fruto de um instigante estudo sobre o discursoespecializado, em torno da produção de farinha, realizado no município de Acará,nordeste paraense. Esse município, em nível nacional, configura-se como maiorprodutor em toneladas da raiz de mandioca (IBGE, 2008). A farinha, produto derivadodessa raiz, destaca-se na região, tanto pela sua importância econômica quanto culturalpara as populações que dela subsistem. O léxico especializado tem sido propostas de vários trabalhos no âmbitodos estudos terminológicos atuais. Esses trabalhos, por sua vez, são desenvolvidos emvárias perspectivas teórico-metodológicas, tendo em comum o fato de privilegiarem ocontexto social de circulação dos termos. Nessa perspectiva é que destacamos, dentreoutras, a Socioterminologia proposta por François Gaudin (1993, 2003) e defendidapor Enilde Faulstich (1995, 1996, 1999, 2006), que privilegiam a variação como pontofundamental do trabalho terminológico e a Terminologia Cultural, postulada por Diki-Kidiri (2000, 2002, 2007), que concebe o termo a partir da percepção social, cultural ehistórica elucidados no contexto de produção do discurso. A nossa pesquisa, portanto, situa-se no campo teórico e aplicado daSocioterminologia e da Terminologia Cultural, uma vez que consideramos o aspectosocial e cultural em que a terminologia em estudo circula, ou seja, no contexto deinteração entre os socioprofissionais envolvidos (trabalhadores rurais, técnicosagrícolas e atravessadores). Ainda, encontra-se inserida no âmbito do Projeto AtlasGeo-Sociolingüístico do Pará (ALIPA), com o objetivo de descrever e analisar o léxicoespecializado nos domínios da atividade de produção da farinha. As pesquisas realizadas em torno dessa atividade tradicional têm se fixado,quase que exclusivamente, no campo da Agronomia, da Administração, da Economia,da Antropologia, da Química e da Biologia. Dessa forma, justifica-se a nossa propostaem descrever e analisar, através do léxico, o conhecimento advindo dessa atividadeespecializada, considerando-se que esse conhecimento é de suma importância para acaracterização lingüística do português falado na Amazônia paraense.
  21. 21. 21 Por oportuno, ressaltamos ainda as considerações de pesquisadores comoBarros (2004), Cabré (2003), Krieger & Finatto (2004) e Faulstich (1995, 2006) aoquestionarem a ambigüidade do termo “terminologia” ainda nos dias atuais, problemaesse não resolvido no âmbito da disciplina. Para os autores, o termo “terminologia”pode gerar, no mínimo, uma dupla significação relacionada ao seu objeto formal deestudo e a disciplina na qualidade de ciência. Como disciplina, pode designar o “estudocientífico dos conceitos e dos termos em uso nas línguas de especialidade” (ISO 1087,1990, p.12 apud BARROS, 2004, p. 34). Enquanto objeto de estudo, significa o“conjunto de termos próprios de um domínio, de um grupo de pessoas ou de umindivíduo” (BOUTIN-QUESNEL, 1985, p.1 apud BARROS, 2004, p.34). Considerando a polissemia em que o termo “terminologia” se encontra,grafa-se, comumente em trabalhos de natureza terminológica, com ( T ) maiúsculoquando se quer referir ao estudo científico da área e com ( t ) minúsculo paradesignar o conjunto de termos de uma linguagem de especialidade. Acreditamos que,embora o contexto possa recuperar o sentido em que tais termos se encontram notexto, seja necessário fazer essa distinção para que um leitor menos atento ou leigo noassunto possa se familiarizar e reconhecer o uso que fazemos de tais termos no nossotrabalho. Sendo assim, adotaremos tais diretrizes no intuito de deixar claro quandonos referirmos a uma ou à outra acepção. O trabalho escrito, em forma de Dissertação, além da introdução econsiderações reflexivas, divide-se em quatro capítulos, a saber: Fundamentação Teórica; Mandioca e farinha: tradição cultural; Metodologia; Glossário socioterminológico. O primeiro capítulo, Fundamentação Teórica, trata das questões quefocalizam o desenvolvimento da Terminologia como disciplina preocupada com oestudo do léxico especializado. Buscamos, através de uma abordagem histórico-crítica,realizar um panorama de como os estudos em Terminologia se desenvolveram epuderam contribuir para uma prática terminográfica que levasse em consideração umaabordagem para além da monossemia wüsteriana, representada pela Teoria Geral da
  22. 22. 22Terminologia – TGT. Passamos, então, a tratar da perspectiva dos estudosterminológicos tradicionais focalizando, com um breve percurso, as origens edesenvolvimento da área e o ponto de vista da escola clássica representada pela TGT.Em seguida, trouxemos para o âmbito da discussão a perspectiva dos estudosterminológicos na contemporaneidade, sobretudo a Socioterminologia e aTerminologia Cultural enfatizadas em nosso trabalho. Fechamos esse capítulo com aperspectiva dos estudos terminológicos no Brasil, realizando um breve percurso dodesenvolvimento dessa disciplina no âmbito da pesquisa em várias universidadesbrasileiras e também no contexto amazônico por meio do Projeto ALIPA e do Programade Mestrado da Universidade Federal do Pará – UFPA. No segundo capítulo, intitulado “Mandioca e farinha: tradição cultural”,dedicamo-nos em realizar uma breve apresentação da atividade especializadaestudada, trazendo informações sobre a produção e importância da mandioca nomundo e no Brasil. Em seguida, descrevemos como a atividade especializada em foco éorganizada pelos socioprofissionais no município pesquisado. Com isso, objetivamosconsiderar o aspecto social e cultural em que os termos se encontram, pois naatividade de plantação e cultivo da mandioca, do beneficiamento à comercialização dafarinha muitas são as práticas culturais em que os socioprofissionais encontram-seengajados. Essas práticas são evidenciadas na linguagem desses sujeitos inseridas numuniverso onde a história de cada um e da coletividade é construída. Assim, surgem, porexemplo, termos que representam o uso regional, a presença indígena, a presença decrendices que constroem ou ratificam a identidade cultural dos indivíduos envolvidosno processo de produção da farinha. O terceiro capítulo apresenta a base metodológica do trabalho começandopelo planejamento e execução da pesquisa de campo. Dessa forma, deixamos expostosos objetivos do trabalho, o público-alvo, os critérios usados para a seleção dos sujeitosda pesquisa (nossos informantes), bem como os instrumentos usados na recolha dosdados terminológicos. Ainda, nesse mesmo capítulo, demonstramos os procedimentosutilizados para o tratamento, seleção e extração semi-automática dos termos com oauxílio dos programas computacionais Transada e WordSmith Tools. Em seguida,
  23. 23. 23tratamos dos procedimentos utilizados para a organização da macroestrutura emicroestrutura do glossário. O quarto e último capítulo é o glossário socioterminológico da cultura dafarinha propriamente dito composto por 266 termos arrolados no verbete,estruturados em ordem alfabética contínua e relacionados aos seguintes campossemânticos: plantação, beneficiamento e comercialização. Compusemos, portanto, umglossário com os termos que estão na fala dos socioprofissionais, na atividadeespecializada de produção da farinha e que se configuram como termos culturais, umavez que todas as etapas dessa atividade refletem o saber oriundo do conhecimentopopular. Esperamos, assim, além de descrever e analisar uma parte do léxico deespecialidade falado na Amazônia paraense, valorizar e divulgar uma atividade tãoimportante na economia e na construção da identidade cultural das populações rurais.
  24. 24. 241. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Neste capítulo inicial, esperamos trazer, ainda que de forma resumida,algumas informações acerca do desenvolvimento e estabelecimento dos estudos emTerminologia. Assim, faremos um percurso histórico objetivando mostrar a perspectivados estudos terminológicos tradicionais na visão da Teoria Geral da Terminologia epropostas de estudos na contemporaneidade como a Socioterminologia e aTerminologia Cultural, estas defendidas como aporte teórico-metodológico em nossotrabalho. Apresentaremos, ainda, um breve panorama da perspectiva dos estudosterminológicos no Brasil e na Amazônia paraense, onde se localiza o foco de nossotrabalho, desenvolvido em nível de pós-graduação e na perspectiva do Projeto AtlasLingüístico do Pará – ALIPA.1.1. A PERSPECTIVA DOS ESTUDOS TERMINOLÓGICOS TRADICIONAIS1.1.1 Origens e desenvolvimento Antes mesmo que a Terminologia se firmasse enquanto disciplina científicano século XX, muitos foram os trabalhos que contribuíram para o estabelecimento daárea. Conforme Krieger e Finatto (2004, p. 24) “a terminologia, compreendida comoléxico dos saberes técnicos e científicos, é inegavelmente uma prática antiga, postoque o conhecimento especializado não é fenômeno dos tempos atuais”. ConfirmaPontes (1996, p. 8) ao dizer que “a terminologia não é um fenômeno recente. Desdeque o homem se manifesta através da linguagem, encontra-se diante de uma língua deespecialidade”. Na antiguidade, por volta de 2.600 a 2.200 a.C., os sumériosdesenvolveram a escrita cuneiforme. Usavam placas de barro, onde registravamvariados termos produzindo, assim, dicionários temáticos monolíngües. (VAN HOOF,1998, p. 241 apud BARROS, 2004, p. 29). Muito do que se sabe hoje sobre esse períododa história, deve-se aos registros do léxico grafados nesses tijolos de argila, que
  25. 25. 25marcam muito do cotidiano da administração, da economia e da política social daquelaépoca. O diálogo Crátilo, de Platão, escrito por volta de 427 a.C. comprova ointeresse pelo estudo do léxico na antiguidade ao apresentar pontos de reflexõessobre o processo de denominação e a origem dos nomes. (REY, 1979, p. 4). Mas é noséculo XVII, conforme Barros (2004, p. 29), que se começa delinear “os elementosbásicos de compreensão da terminologia como conjunto de termos de uma áreatécnica ou científica e como disciplina de natureza lingüística que estuda esseconjunto”. Podemos também afirmar baseados em Barros (2004, p. 31) e Rey (1979, p.5) que os naturalistas, principalmente botânicos e zoólogos, no século XVIIIcontribuíram para o reconhecimento do léxico especializado ao se dedicarem naelaboração de nomenclaturas de determinadas áreas do conhecimento. Karl VonLineau, por exemplo, propôs um sistema universal de nomenclaturas através de regrasprecisas de criação de nomes científicos para designar as espécies pertencentes àfauna e a flora do mundo inteiro. Guyton de Morveau, magistrado francês, aeronáutico e químico, tornou-secrítico da nomenclatura química da época e contribuiu para o desenvolvimento doprimeiro sistema de nomenclatura dessa área. Em 1787, apresentou seu trabalho àAcadémie des Sciences utilizando o termo hidrogênio pela primeira vez, ano em quetambém concluiu o seu Méthode de nomenclature chimique. Buscava-se, com isso, apossibilidade de uma comunicação que garantisse a precisão terminológica. Nessaépoca, terminologia ainda não era um termo usual, sendo reservado o termo“nomenclatura”, definido como “sistema de termos empregados na descrição deobjetos da história natural” (WILLIAM WHEWELL, 1837 apud BARROS, 2004, p. 31). A distinção entre nomenclatura e terminologia toma contornos mais clarosa partir da fixação da Terminologia como disciplina científica e com o seu objeto deestudo delineado. Conforme Barros (2004, p. 32) o termo terminologia começa agarantir espaço nos dicionários europeus. Na sétima edição do Dictionnaire dessciences, des lettres et des arts de 1864, terminologia é designada como “conjunto determos técnicos de uma ciência ou de uma arte e das idéias que elas representam” e
  26. 26. 26na terceira edição do dicionário Webster é registrado como campo de estudo. Valeressaltar que, apesar de o vocábulo terminologia substituir paulatinamente o vocábulonomenclatura, os dicionários franceses do século XVIII acabam criando resistência aessa mudança cunhando a seguinte acepção: “conjunto de termos difíceis, sendoreferido como terminologia inútil e argot científico” (ANJOS, 2003, p. 30). É consenso afirmar que a terminologia tenha ganhado contornos científicosno século XX, momento em que se apresenta com uma fundamentação metodológicaprecisa, a fim de resolver problemas da comunicação técnica e científica entreprofissionais. Para isso era necessário garantir a desambigüidade do termo técnico-científico, fato que dava aos estudos terminológicos, naquele momento, um contornoprescritivo e idealizador (GAUDIN, 1993, p. 25). Nessa conjuntura de desenvolvimentoda área três importantes núcleos surgem com perspectivas de formação do campo deestudo (BARROS, 2004, p. 32; KRIEGER E FINATTO, 2004, p. 30): a) A Escola de Viena; b) A Escola Russa; c) A Escola de Praga. A Escola de Viena se destacou com os trabalhos desenvolvidos peloaustríaco Eugen Wüster, considerado o pai da terminologia moderna (GAUDIN, 1993,p. 24). Foi com a publicação de um livro baseado em sua tese de doutoramento,intitulado “Die Internationale Sprachnormung in der Technich, besonders inderElektrotechnik”1 que a Terminologia se firmou como disciplina e propiciou a criação deorganizações como a Associação Internacional de Padronização – ISA (GAUDIN, 1993,p. 25; BARROS: 2004, p. 53). Nesse momento, um dos principais objetivos daTerminologia era a eliminação da ambigüidade na linguagem técnico-científica, porisso tentava-se garantir uma comunicação especializada padronizadainternacionalmente, o que implicava na valorização da monossemia do termo. A Escola Russa teve como principal fundador o russo D.S. Lotte (1898-1950), responsável pelo Comitê de Normalização Terminológica do Instituto de1 “Normalização Internacional Técnica, com ênfase na eletrotécnica” (nossa tradução)
  27. 27. 27Normalização Soviética do Conselho de Ministros da União Soviética. Destaca-setambém Drezem, que juntamente com Lotte desenvolveu reflexões e propôs diretrizespara o estudo das terminologias (PONTES, 1996, p. 12; KRIEGER & FINATTO, 2004, p.31). As reflexões realizadas nessa escola terminológica divergem em alguns pontos daspropostas da Escola Terminológica de Viena. Um ponto de conflito entre essas duasabordagens diz respeito à metodologia empregada para a construção do sistemanocional. Enquanto Wüster propõe um sistema de definição que parte do conceitopara o termo (onomasiológico), D. S. Lotte propõe que a base definicional, aocontrário, deve partir do termo para o conceito (PONTES, 1996, p. 13). A escola de Praga ficou conhecida através dos trabalhos lingüísticosdesenvolvidos na antiga Checoslováquia. Conforme Pontes (1996, p. 13) Drozd foi umeminente representante dessa escola, organizando inúmeros congressos sobretemáticas da Terminologia. Os fundamentos teóricos dessa escola tiveram como basea lingüística funcional e as teorias saussurianas. Conforme Anjos (2003, p. 31), tambémrepresentaram essa escola o grupo formado Horecky, Benes, Mathesius, Vachek eTrubetskoy, os quais consideravam que “a língua das ciências é uma linguagemfuncional e estruturada para fins específicos”. Os estudos realizados por essas trêsescolas terminológicas foram cruciais para o desenvolvimento e consolidação da área,uma vez que os seus pressupostos teórico-metodológicos foram revisitados, debatidose refutados pelos que fazem Terminologia e contribuem para o desenvolvimento dosestudos científicos da área.1.1.2 A Teoria Geral da Terminologia A Teoria Geral da Terminologia – TGT teve como expoente o engenheiroaustríaco Eugen Wüster na década de 1930. Com a sua tese de doutoramentointitulada “Internationale Sprachnormung in der Technich”2, defendida naUniversidade de Stuttgart em 1931, já se percebe a preocupação do autor com apadronização do léxico especializado. Mais tarde, com a publicação de um livrobaseado em sua tese, Wüster reafirma sua preocupação inaugurando as bases que2 Normalização Internacional Técnica.
  28. 28. 28sustentariam a sua proposta metodológica na TGT, momento em que a disciplinaganha contornos científicos na Europa Ocidental. Ainda publicou, em 1968, odicionário especializado na área de engenharia, o The Machine Tool. (GAUDIN, 1993, p.24-27; KRIEGER & FINATTO, 2004, p. 31; BARROS, 2004, p. 53). A TGT surgiu com um caráter normativo, tendo como objetivo apadronização da comunicação profissional entre especialistas. As proposições deordem metodológica apresentadas na teoria wüsteriana forneceram as primeirasdisposições sobre o trabalho terminológico enquanto campo aplicado. Pretendia-se,com isso, favorecer a eficácia da comunicação técnico-científica no planointernacional, na tentativa de desfazer a ambigüidade do léxico especializado. Dessaforma, a TGT acaba priorizando o registro escrito de termos considerados aprovadospara determinada área de domínio do conhecimento e, portanto, recomendados paraserem usados nos vários setores técnico e científicos. Isso demonstra uma visãobastante redutora da terminologia, pois apresenta uma linha de descrição bastantepositivista3 da linguagem, desconsiderando outras bases que poderiam trazer à tonauma melhor compreensão do fenômeno. Com um enfoque bastante prescritivo a TGT de Wüster apresenta certascaracterísticas que tentam favorecer uma linguagem técnica ideal. Isso o leva aconsiderar os processos que envolvem as línguas de especialidade diferentes dosprocessos que constituem a linguagem geral. As propostas de sua teoria, para otratamento da terminologia, estabelecem alguns princípios que apresentamosresumidamente abaixo: a) A metodologia do trabalho terminológico deve seguir o padrão onomasiológico. Isso significa dizer que, no processo de denominação, deve-se partir do conceito para o termo;3 O Positivismo se inspirou no método de investigação das ciências da natureza, e a biologia foiconsiderada como referência. O funcionamento do corpo humano levou os positivistas a pensarem asociedade como um grande organismo social, constituídos de partes integradas e coesas que deveriamfuncionar harmonicamente (SILVA, s/d, p. 13).
  29. 29. 29 b) Os termos científicos e técnicos, sendo objeto de estudo, devem ser entendidos como unidades específicas de uma determinada área; c) O valor de um termo depende do lugar que ocupa na estrutura conceitual de uma determinada matéria; d) A finalidade básica da Terminologia é garantir a precisão e a univocidade da comunicação profissional no plano internacional. Por sua vez Cabré et al (1998, p. 36) enfatizam que as mudanças operadasna sociedade, em face aos novos paradigmas tecnológicos e sociais, têm suscitadocríticas a respeito das insuficiências do modelo de análise tradicional apresentado pelaTGT. Essas críticas podem ser resumidas nos seguintes pontos: 1) Logicismo: diz respeito ao método de análise lógica de descrição da realidade sem levar em consideração os aspectos sociais em que a terminologia se insere; 2) Universalidade: diz respeito ao método de análise que parte de uma realidade particular para generalizá-la. Na terminologia tradicional, esse método tem sido bastante recorrente, o que se reflete em normas estabelecidas pela ISO; 3) Estatismo: diz respeito à visão monorreferencial das terminologias. Neste caso, se o objetivo é a desambigüidade da comunicação técnico-científica fatores como a variação são deixados de lado. A perspectiva sincrônica também tem prioridade sobre a perspectiva diacrônica; 4) Reducionismo: o modelo aplica-se à domínios especializados reconhecidos deixando de fora outros âmbitos especializados por critérios pragmáticos, o que demonstra uma característica bastante restritiva da terminologia tradicional em detrimento de outras realidades lingüísticas; 5) Idealismo: em conseqüência aos pontos anteriores, a terminologia deixa prevalecer uma perspectiva idealizadora, pois o alvo é
  30. 30. 30 favorecer uma comunicação especializada internacional sem ambigüidades. Embora seja inegável o pioneirismo e a contribuição dos trabalhosdesenvolvidos com base na TGT, os seus princípios acabam estabelecendo parâmetrospara uma abordagem alijada dos processos que evidenciam a complexidadelingüístico-comunicativa. Como afirma De La Torre (2004, p. 20) a TGT “se centraba emla idea de establecer un consenso de los términos científico-técnicos con el fin de lograrla transferencia de conocimientos entre los especialistas a nivel internacional”4. Para aautora, a concepção adotada por essa teoria deixa entrever que os sujeitos envolvidosno processo comunicativo adquirem primeiramente as estruturas e classificações domundo para somente depois chegar à denominação, o que resulta em dizer que todasas línguas classificam a realidade da mesma maneira, o que não é verdade. A difusão dos trabalhos de Eugen Wüster suscitou um maior interesse pelaárea de estudos terminológicos e, ainda, influenciou a criação de diversas organizaçõese comissões de normalização como das quais destacamos as seguintes: InternationalStandardization Association – ISA; a International Eletrotechnical Comission – IEC, aInternational Organization Standardization – ISO e a International Information Centerfor Terminoly – INFOTERM. Para Wüster a Terminologia deve ser concebida como disciplina autônoma,porém situada numa relação multidisciplinar com outras matérias como a Lingüística, alógica, a ontologia e a informática (Krieger & Finatto, 2004, p. 20). Esse carátermultidisciplinar e comum entre essas disciplinas está no fato de que todas elas sedeteriam da relação entre conceitos e termos. Cabré (apud BARROS, 2004, p. 35) propõe três períodos5 comofundamentais na evolução histórica da terminologia dos quais Barros (2004, p. 35)acrescenta mais um período6, tendo em vista que as reflexões realizadas sobre osestudos terminológicos propiciaram uma mudança prototípica no aspecto teórico-4 “se centrava na idéia de estabelecer um consenso dos termos técnico-científicos com o objetivo depossibilitar a transferência dos conhecimentos entre os especialistas em nível internacional” (DE LATORRE, 2004:20).5 Esses períodos correspondem às origens (1930-1960), à estruturação (1960-1975) e à eclosão (1975-1985).6 Reflexão e mudança de paradigma (1990 em diante).
  31. 31. 31metodológico da área, exigindo do terminólogo uma posição diferente do modeloadotado na visão tradicional de até então. Nesse momento de reflexão e mudança de paradigma, em que surge anecessidade de um olhar mais social e comunicativo de tratamento das terminologias,destacam-se vários trabalhos de natureza terminológica dentre os quais os seguintes: Teoria Comunicativa da Terminologia – desenvolvida pela professora Maria Teresa Cabré e seu grupo no Instituto de Lingüística Aplicada – IULA, em Barcelona; Os trabalhos de François Gaudin, na França, expoente da Socioterminologia na contemporaneidade, que enfatiza o aspecto social da comunicação especializada e privilegia a variação como parte constitutiva do discurso em que as terminologias estão inseridas; A Terminologia Cultural defendida por Diki-Kidiri. Em seus estudos desenvolvidos com base em línguas africanas demonstra que a percepção cultural dos termos pelos membros de uma comunidade está ligada a fatores de ordem histórica e social. Gaudin (1993, p. 24) afirma que a TGT é marcada largamente pela aversãoàs condições sociolingüísticas da comunicação científica e técnica. É consenso que aTGT por privilegiar a univocidade do termo acabou desconsiderando as condiçõessociais em que as terminologias se inscrevem. No entanto ela deu margem para novasproposições e indagações que favoreceram um novo olhar nos estudos terminológicos.Outras bases teórico-metodológicas surgiram, a partir de então, em oposição aomodelo prescritivista de análise terminológica. Isso impulsionou o crescimento da áreaque hoje tão debatida tem trazido resultados promissores para o reconhecimento doléxico de especialidade nos mais diferentes domínios do conhecimento humano.
  32. 32. 321.2 A PERSPECTIVA DOS ESTUDOS TERMINOLÓGICOS CONTEMPORÂNEOS1.2.1. A Socioterminologia O termo Socioterminologia foi introduzido pela primeira vez no colóquiointernacional “Problèmes de la definitión et de la synonymie em terminologie” em 1982por Jean Jaques-Boulanger (DE LA TORRE, 2004, p. 46). Conforme Auger (1993 apudFaulstich 2006, p. 29) nesse momento observa-se o surgimento de uma nova correntede estudos em oposição às “escolas hipernormalizadoras desconectadas de situaçõeslingüísticas próprias a cada país...”. A Socioterminologia como campo teórico e aplicado começa tomar fôlegoa partir de trabalhos desenvolvidos na França na década de 1990. Afirma Faulstich(2006, p. 29) que Gaudin “ao publicar sua tese de doutorado – ‘Pour unesocioterminologie – des problèmes semantiques aux pratiques institutionnelles’ discutecom mais pertinência a propriedade da terminologia voltada para o social [...]”reconhecendo que os termos são suscetíveis à variação. Nessa obra, Gaudin apresentaos caminhos teóricos da evolução histórica da terminologia moderna fazendo umarevisão crítica dos postulados da terminologia tradicional. Gaudin (1993, p. 17) aindadedica uma grande parte da sua obra para tratar do que ele mesmo chama de “Pistespour une socioterminologie”7 edificando as bases do planejamento terminológico pormeio de noções advindas de várias outras áreas do conhecimento como aSociolingüística, a Sociologia, a Glotopolítica dentre outras. Fenômenos desprezadospela TGT como a banalização, popularização ou vulgarização do discurso técnico-científico é amplamente estudado pela Socioterminologia, tendo em vista que adimensão social da comunicação especializada não pode ser desvencilhada do discursoem que os termos emergem. O grande mérito de Gaudin foi ter considerado os princípiossociolingüísticos e, dessa forma, trazer para o tratamento dos dados terminológicos apossibilidade de descrever e analisar o léxico especializado no seu contexto real deuso. Essa atitude rompe com a tradição terminológica de não considerar a presença da7 “Pistas para uma socioterminologia” (GAUDIN, 1993:17).
  33. 33. 33variação e, portanto, da sinonímia e da polissemia como constitutivos dos discursosespecializados. Gaudin (1993, p. 16) defende uma terminologia fundamentada naobservação do funcionamento da linguagem e no estudo das condições sociais decirculação dos termos. Através de sua teoria, critica as posições das escolas clássicas aoesquecerem que a variação é um fator universal da linguagem humana e estãotambém presentes nas linguagens de especialidade. [...] Gaudin critica a inoperância dos instrumentos de referência, glossários e dicionários técnicos que não expressam a realidade dos usos terminológicos, propondo que o artificialismo do ideal normalizador seja suplantado pelo exame do contexto de produção dos léxicos especializados. A primeira conseqüência é o reconhecimento da variação terminológica nas comunicações especializadas (Krieger & Finatto, 2004, p. 35). Os defensores dessa nova abordagem terminológica vão de encontro aotratamento dado à comunicação especializada pela TGT. Para os socioterminólogos, acomunicação deve ser observada in vivo em função do contexto social, pragmático ediscursivo em que os termos circulam. Opõem-se, portanto, veementemente aocondicionamento in vitro imposto pela teoria wusteriana. Conforme Gaudin (1993apud DE LA TORRE, 2004, p. 46) “el refinamiento de las especializaciones, elincremento de la interdisciplinariedad y la rapidez de la vulgarización provocan que loslimites entre el vocabulário general y el especializado se torne más dudoso”.8 É nessesentido que, para o autor, a Socioterminologia problematiza a metodologia usada naprática terminográfica. Para Boulanger (2001, p. 13), a terminologia é uma prática cognitiva,lingüística e social especializada. É uma prática cognitiva à medida que repousa sobreo conhecimento; uma prática lingüística à medida que repousa sobre uma noção ouum termo e uma prática social especializada à medida que o saber circula em todas associedades humanas. Afirma o autor que a Socioterminologia surge justamente paraidentificar a relação entre língua de especialidade e sociedade.8 “o refinamento das especializações, o conhecimento da interdisciplinaridade e a rapidez davulgarização provam que os limites entre o vocabulário geral e o especializado se tornou mais duvidoso”(GAUDIN, 1993 apud DE LA TORRE, 2004:46)
  34. 34. 34 Para Gaudin (1993, p. 216), o laço entre trabalho e linguagem refletediretamente no âmbito das práticas lingüísticas e sociais em que os termos se inserem.Por isso, afirma o autor que [...] la socioterminologie, pour peu qu’elle veuille dépasser les limites d’une terminologie ‘grafière’, doit replacer la gênese des termes, leur réception, leur acceptation mais aussi les causes de leur échec et les raisons de leur succès, au sein des pratiques langagières et sociales concretes des hommes qui les emploient. Ces pratiques sont essentiellement celles qui s’exercent dans dessphères d’activité. C’est pourquoi la socioterminologie devait rencontrer les reflexions sur les liens qui se nouent entre travail et langage (GAUDIN, 1993,p. 216).9 O ponto de vista de François Gaudin repercute nos trabalhos desenvolvidospela professora Dra. Enilde Faultich da Universidade de Brasília, que se interessa pelotema defendendo que o conceito de variação lingüística desenvolvido naSociolingüística serve de suporte para a nova interpretação da variação terminológica. Faulstich (2006, p. 29) apresenta a Socioterminologia como um ramo daTerminologia que “se propõe a refinar o conhecimento dos discursos especializados,científicos e técnicos, a auxiliar na planificação lingüística e a oferecer recursos sobreas circunstâncias da elaboração desses discursos ao explorar as ligações entre aterminologia e a sociedade”. A autora se refere aos especialistas em Socioterminologiadizendo que estes tem se voltado para os estudos terminológicos em seus contextosorais considerando que os termos variam e que as variantes devem estar naelaboração de produtos terminográficos. O enfoque, nessa perspectiva, passa a ser descritivo em oposição à visãoprescritiva encontrada na tradição lingüística terminológica. Acentua-se, dessa forma,a necessidade de valorização dos termos no ambiente discursivo, pragmático e social,o que resulta em uma ruptura ao modelo tradicional e uma abertura ao diálogo comoutras áreas do saber, como a Sociolingüística. A Socioterminologia se fundamenta na9 “*…+ a socioterminologia, pressupondo ultrapassar os limites de uma terminologia "de escrivão", develocalizar a gênese dos termos, sua recepção, sua aceitação, mais também as causas do insucesso e as dosucesso, no âmbito das práticas lingüísticas e sociais concretas dos homens que empregam tais termos.Estas práticas são essencialmente aquelas que se exercem nas esferas de atividade. Eis porque asocioterminologia devia reencontrar as reflexões nos laços que se criam entre trabalho e linguagem”(GAUDIN, 1993:216, tradução nossa).
  35. 35. 35observação do funcionamento da linguagem e no estudo das condições de produção ecirculação dos termos. Nesse sentido diz Gaudin (1993, p. 6) que, [...] dans le même mouvement qui a conduit de la linguistique structurale à la sociolinguistique, une socioterminologie peut prendre en compte le réel du fonctionnement du langage et restituer toute leur dimension sociale aux 10 pratiques langagières concernées. Com críticas à política normalizadora conferida aos estudos daterminologia tradicional, uma das primeiras implicações foi o reconhecimento davariação terminológica e a conseqüente valorização do enfoque social esquecido pelateoria clássica da terminologia. Gaudin (Ibidem, 1993), nesse caminho, lembra que ainoperância e o artificialismo do ideal normalizador para a produção terminográficadevam ser suplantados pelo contexto de produção discursiva em que os léxicosespecializados se encontram.1.2.1.1 Objeto de estudo: o termo e a definição O termo é por excelência o objeto de estudo das ciências terminológicas,dentre as quais a Socioterminologia. Para essa teoria os termos devem serinvestigados numa dimensão pragmática, discursiva e sociolingüística. Nesse ponto jápodemos perceber a grande barreira que há entre o enfoque prescritivo, normativo daTGT e um enfoque descritivo que observa as linguagens de especialidade numcontexto de uso. Faulstich (2006, p. 28) considerando os postulados metodológicos quesustentam a teoria da variação terminológica propõe uma releitura da definição doobjeto de estudo da Socioterminologia: o termo. Para a autora (Ibidem, p. 28) “umaunidade terminológica pode ter ou assumir diferentes valores, de acordo com a funçãoque uma dada variável desempenha nos contextos de ocorrência”. Nos domínios dadisciplina socioterminológica os termos podem ser entendidos como:10 “*...+ no mesmo movimento que conduziu a lingüística estrutural à sociolingüística, umasocioterminologia pode levar em conta o real do funcionamento da linguagem e restituir toda suadimensão social às práticas linguageiras concernentes” (GAUDIN; 1993, p. 16).
  36. 36. 36 signos que encontram funcionalidade nas linguagens de especialidade; entidades variantes, pois se apóiam em situações sócio- comunicativas; itens do léxico especializado que passam por processos de evolução, devendo ser analisados no plano sincrônico e diacrônico. O termo encarado dessa maneira perde a característica unívoca postuladapela TGT, passando a ser visto como fenômeno lingüístico variável. Sendo assim, asvariantes encontradas nas terminologias são resultantes dos diferentes usos que acomunidade de falantes em sua diversidade social, lingüística e geográfica faz dalinguagem de especialidade. Aplicando o princípio da variação em toda a suadimensionalidade, o termo passa a ser visto como a unidade lexical que sofre todas asimplicações sistêmicas e contextuais próprias a qualquer palavra no eventocomunicativo da língua. Para Barros (2004, p. 40), o termo, que pode ser também denominado deunidade terminológica, é uma unidade do léxico com conteúdo específico dentro deum domínio também específico. Ainda afirma a autora que como signo lingüístico daslínguas de especialidade, o termo pode ser descrito e analisado em diferentes aspectosdando sustentação teórica ao trabalho de diversas ciências aplicadas: do ponto de vista do significante e significado; das relações que mantém com outros termos (sinônimo, homônimo, polissemia, etc.); do ponto de vista sociolingüístico (usos, preferências, processo de vulgarização, etc.)
  37. 37. 37 Por sua vez, Krieger e Finatto (2004, p. 75) defendem que o termo, afraseologia e a definição constituem-se como objetos de estudo no quadro teórico-metodológico das ciências terminológicas. Dizem as autoras, que esses três objetosprojetam de diferentes maneiras os fundamentos do conhecimento especializado. Embora saibamos que o avanço dos estudos terminológicos demonstrauma nova feição ao seu objeto, propomo-nos enfocar apenas o termo e a definiçãouma vez que a fraseologia exigiria um recorte teórico-metodológico que fugiria aospropósitos da nossa pesquisa. No entanto, o termo e a definição como afirma Rey(1979, p. 40 apud KRIEGER E FINATTO, 2004, p. 75), devem ser considerados à medidaque são duas faces da mesma moeda. As palavras definição e termo são ligadas por um traço comum: elas designam na origem o estabelecimento de um limite, de um fim (definir) e seu resultado (termo). No plano nocional, para que um nome tenha direito ao título de termo, é necessário que ele possa, enquanto elemento de um conjunto (uma terminologia), ser distinguido de outro. O único caminho para exprimir esse sistema de distinções recíprocas é a operação dita definição. (REY apud KRIEGER & FINATTO, 2004, p.75) Gaudin (1993, p. 180) reportando-se ao objeto de estudo daSocioterminologia defende uma aproximação discursiva dos termos. Para ele, asunidades terminológicas devem ser observadas em sua condição de produçãodiscursiva, pois é na interação que se podem observar os sentidos reais que lhes sãoconferidos. Nesse sentido, os limites da frase devem ser ultrapassados para secompreender os parâmetros e padrões de funcionamento dos termos. A noção de termo e definição como objeto de estudo que defendemosescapa daquela privilegiada pela escola wusteriana. Nos moldes tradicionais termo edefinição possuem um valor conferido na univocidade que se orienta para umprocesso estático da linguagem e, conseqüentemente, do léxico especializado.Consideramos muito mais a condição de produção do discurso especializado, pois énesse contexto social de produção discursiva que o termo e a definição ganhamcontornos de especialidade fazendo sentido para quem os usa. Além do mais, o termoe a definição, como duas faces da mesma moeda, devem integrar o quadro queconstitui o objeto de investigação terminológica.
  38. 38. 381.2.1.2 A variação nos estudos socioterminológicos Um dos princípios básicos da linguagem humana, postulado pelaSociolingüística, é o fato de que a variação é inerente em toda manifestaçãolingüística. Conforme Mollica (1998, p. 13) “as línguas naturais humanas acham-se empermanente dinamismo, razão porque estão sujeitas a processos de variação emudança...”. Em Socioterminologia não é diferente, os termos são passíveis devariação e mudança, pois são constitutivos da linguagem humana. O falante aointeragir no meio social acaba gerando “conceitos interacionais para um mesmo termoou de gerar termos diferentes para um mesmo conceito” (FAULSTICH, 2006, p. 30). Conforme Gaudin (1993, p. 212), os termos não podem ser separados docontexto social em que circulam. É no uso da linguagem que o falante expõeimpressões, pontos de vistas e representa a realidade que o cerca. Portanto, o léxicode especialidade é passível de variação assim como o léxico geral de um determinadosistema lingüístico. O autor (ibdem, p. 293) sustenta que, mesmo sendo duas abordagensdistintas, a Socioterminologia comunga dos princípios da Sociolingüística. Aquela seria,então, o resultado matemático entre princípios da Sociolingüística, que somados aosprincípios da terminologia resultaria numa nova maneira de se olhar o termo comoobjeto de estudo, conforme o seguinte esquema: Sociolingüística Terminologia Socioterminologia Esquema 1: Fórmula que resulta na socioterminologia. Fonte: Adaptado de Gaudin (1993, p. 293)
  39. 39. 39 Nessa nova empreitada, a Socioterminologia, considerando os princípios daSociolingüística, vai de encontro aos moldes tradicionais impostos pelos estudosclássicos da Terminologia. Essa nova feição de conceber o termo leva em conta avariação e a condição de produção das terminologias no contexto sociocultural. Para Faulstich (1996, p. 15), as variantes terminológicas devem sersistematizadas nos planos vertical, horizontal e temporal da língua pelaSocioterminologia. Para isso é necessário reconhecer nos domínios da disciplinaaplicada uma metodologia que afaste os padrões prescritivistas valorizados pelatradição. Aponta a autora (Ibidem, p. 15) que o modelo mais apropriado “é ofuncionalismo lingüístico cuja abordagem é orientada para os fenômenos lingüísticosem si. Essa perspectiva tem como objeto científico descrever e explicar os própriosfenômenos lingüísticos, trabalho a ser feito pelo pesquisador variacionista.” Faulstich (1995, p. 288; 2006, p. 30) ainda caracteriza as variantesterminológicas em concorrentes, co-ocorrentes e competitivas. Essa classificação,porém, não pode ser observada de forma estanque, uma vez que na ordem dodiscurso especializado elas podem se sobrepor. Como diz Faulstich (2006, p. 30), “essaclassificação de ordem sistêmica não impossibilita que os tipos apareçam combinadosentre si”. É o que acontece com algumas ocorrências da terminologia que estamosdescrevendo e analisando. Assim, por exemplo, o termo “bico de gaita” representauma variação de nível lexical com repercussão socioprofissional uma vez que seencontra em uso na fala dos trabalhadores rurais, enquanto o outro termoconcorrente “bisel” é usado preferencialmente na fala dos profissionais técnicos eatuantes em órgãos que estabelecem diretrizes e metas para o incentivo à agriculturafamiliar na região pesquisada. Os tipos de variantes terminológicas previstas por Faulstich (1996, p. 16-17,2006, p.30) são de ordem lingüística e de registro (concorrentes), decorrentes dasinonímia terminológica (co-ocorrentes) e decorrente também de empréstimoslingüísticos (competitivas). Tomando por base a orientação de Faulstich (1996, p. 16-17), apresentamos o seguinte quadro de classificação das variantes nos domínioslingüísticos e extralingüísticos:
  40. 40. 40 VARIANTES CONCORRENTES CO-OCORRENTES COMPETITIVAS Lingüísticas: Sinônimos Empréstimos lingüísticos e - fonéticas estrangeirismos. - morfossintáticas - gráficas - lexicais Registros: - geográficas - socioprofissionais - discursivas - temporaisQuadro 1 – Variantes Terminológicas. Essas variantes, por sua vez, são definidas da seguinte forma: Variantes concorrentes: São as que se encontram em constanteconcorrência entre si ou para a mudança. Quando concorrem entre si não ocupam omesmo espaço, pois se uma estiver presente a outra estará ausente. Essas variantessubdividem-se em lingüísticas e de registros: Lingüísticas: Fonéticas11: dizem respeito às alternâncias de ordem dos fonemas sem que isso implique numa mudança de significado (crueira ~ curera). Morfossintáticas: apresentam alternância de elementos na estrutura morfológica e sintática na constituição do termo, sem que o conceito se altere. Em nosso trabalho constatamos essa variante em termos como cuí ~ cuizinho. Em formações sintagmáticas, conforme Faulstich (1996, p. 16) “a variação se apresenta em um dos formantes do termo, normalmente no sufixo” como em lombo-d’acém ~ lombinho-do-acém. Para Vasconcelos (2000, p. 149) ainda pode ocorrer “quando há apagamento de um dos elementos do sintagma” como em andada do caranguejo ~ andada”.11 Considerando que o nosso trabalho prioriza o nível lexical, optamos pela transcrição grafemática.Portanto as variações que dizem respeito ao nível fonético representam uma aproximação da fala dosentrevistados.
  41. 41. 41 Lexicais: se constituem quando a forma do item lexical sofre comutação sem que isso implique em mudança conceitual. É o que ocorre em (retiro ~ casa de farinha ~ casa de forno) na terminologia da farinha. Ocorre a substituição de uma parte do item terminológico entre os termos complexos (casa de farinha ~ casa de forno) e a comutação total desses termos complexos com o termo simples (retiro ~ casa de farinha ~ casa de forno). Gráficas: decorrem da forma de registro do termo na língua escrita ou do registro de formas decalcadas da fala. De Registro: Geográficas: decorre de polarização de comunidades lingüísticas geograficamente limitadas por fatores políticos, econômicos, culturais ou de influências que cada região sofreu no processo de formação. Socioprofissional: ocorre quando o conceito não se altera em decorrência da mudança dos registros (cova ~ suco). Discursiva: conforme Fausltich (1996, p.16), decorre da sintonia estabelecida entre elaborador e usuário de textos mais ou menos formais. Esse tipo de variante ocorre no plano vertical do discurso de especialidade, indicando termos específicos do discurso científico, técnico e de vulgarização. Temporais: decorrem do plano diacrônico da língua, quando no processo de variação e mudança duas formas se acham em concorrência durante um tempo até que uma se fixe como forma preferida. Variantes coocorrentes: Quando um único referente possui duas ou maisdenominações. Essas variantes são semanticamente compatíveis e pode ocorrer nomesmo contexto:
  42. 42. 42 Sinonímia: Conforme Faulstich (1999, p.16) ocorre na relação de dois oumais termos num mesmo contexto e com significado idênticos, sem que isso impliqueem alteração no plano do conteúdo. Freixa (2002, p. 362 apud FAULSTICH, 2006, p.31) “interpreta a sinonímia como variação denominativa e aponta causas para essavariação, a saber, causas estilísticas, dialetais, funcionais, sociolingüísticas e causascognitivas. Entende a autora que os termos variam por estarem ligados a diferentesparâmetros sociais em que se desenvolvem os discursos especializados”. Variantes competitivas: São as que fazem relação de significados entreitens lexicais de línguas diferentes: Empréstimos lingüísticos e estrangeirismos: realizam-se por meio depares formados por empréstimos lingüísticos e formas vernaculares. O processo de variação não pode ser desvencilhado da práticaterminológica e essa deve ser a posição do terminólogo. Diferentemente daspostulações tradicionais da TGT, que possui uma visão basicamente cognitiva,favorecendo os aspectos conceituais das terminologias, a Socioterminologia se embasaem estudos teóricos do texto e do discurso considerando que não se pode maisconceber a linguagem fora do seu contexto de interação social. Sendo assim, somenteno texto e no discurso onde as terminologias circulam se poderá melhor compreendero sentido que lhes são empregados. Como orienta Almeida (2006, p.95) uma prática terminológica deve sercoerente com os pressupostos teóricos elegidos e com o alcance que o projetopretende ter. Tendo o nosso estudo uma base socioterminológica e cultural nãopoderíamos deixar de lado a variação e, portanto, os aspectos socioculturais em que ostermos se inscrevem, pois eles refletem o uso que o falante faz, nas diversascircunstâncias de produção, do discurso especializado. Assim, no trabalhosocioterminológico, não se podem homogeneizar as diferenças, uma vez que issoimplica na anulação das formas que se encontram em uso pelo falante.
  43. 43. 43 Ainda afirma Almeida (2006, p. 95) ser “imperativo explicitar essasdiferenças a ponto de todos os sujeitos envolvidos em determinada situação decomunicação especializada conhecerem as formas possíveis para que a comunicaçãose efetue com eficácia”. Variações de ordem lingüística, de registros sinônimos,polissemia, homonímia e conceito conexos estão presentes no discurso especializado,sendo necessário que se dê realce a eles. Como afirma Finatto (1996, p. 67 apudALMEIDA, 2006, p. 96): As melhores perspectivas para uma comunicação especializada de melhor qualidade, em qualquer área do conhecimento, constroem-se também a partir do reconhecimento da naturalidade e inerência da variação terminológica como um tipo de variação lingüística. Para Faulstich (2006, p. 27) “os discursos de diversas naturezas, como ocientífico, o técnico e o de vulgarização, são a fonte natural de onde emergem ostermos usados nas comunicações entre profissionais”. Muitos dos termos que circulamnesses diversos ambientes entram no léxico comum por meio de diversos recursos dalíngua sem mesmo perderem os seus sentidos de base. Apresenta, então, a autora, atítulo de exemplificação, o termo “embrióide andrognético” haplóide, que oriundo dodiscurso científico equivale ao termo “cultura in vitro” no discurso técnico e “planta deproveta” do discurso de vulgarização. A variação, no conjunto das reflexões mais atuais em Terminologia, passa aganhar importância ímpar, uma vez que os termos começam a ser concebidos numaperspectiva mais globalizante onde o contexto de uso passa a validar as novas formasde denominação. Dessa forma, não se pode relegar um termo em detrimento deoutro, como se um uso lingüístico fosse melhor que outro. Na realidade o que ocorre éum continuum onde todas as formas podem coexistir e situar as escolhasterminológicas do falante em seus diversos contextos de uso. Nesse sentido, o trabalho de levantamento e registro dos termos deve serfeito a partir de situações autênticas de interação comunicativa. Atentar para quemfala, o que fala, de onde fala, para que fala, torna-se importante para a percepção dasreais condições de produção do discurso especializado.
  44. 44. 441.2.2 A Terminologia Cultural A Terminologia Cultural – TC proposta por Diki-Kidiri (2007, p. 14) é umaabordagem que postula como ponto principal a descrição e análise dos termos nocontexto cultural de produção em que eles circulam. A cultura passa a ser o elementocentral dessa proposta e ao fazer isso, a TC, também difere, consideravelmente, daTerminologia clássica da Escola de Viena, desenvolvida por Eugen Wüster. Se a Socioterminologia surge em oposição à visão restrita da escolaclássica, por não considerar o aspecto social e a variação terminológica em seuinterior; a Terminologia Cultural surge comungando com essa nova perspectiva emolhar os fatos lingüísticos no seio social, defendendo que a cultura não pode serencarada como um obstáculo à comunicação clara dos conceitos científicos e técnicoscomo previa a visão normalizadora da terminologia. Nessa nova corrente de estudos culturais em Terminologia, a dimensãosocial é invocada e encarada como ponto de compreensão do discurso em que ostermos circulam na comunidade de falantes. A Terminologia Cultural, como jáexpomos, coloca a cultura no centro da sua abordagem focalizando o termo cultural ecompreendendo-o em várias dimensões que envolvem a pessoa humana, tantoindividualmente quanto coletivamente. É uma abordagem que converge com outrasperspectivas descritivas dos estudos terminológicos. Por isso, afirma Diki-Kidiri (2000,não paginado) que a Terminologia Cultural, [...] se recoupe aussi bien avec la «socioterminologie» décrite par François Gaudin (1993, 1993a) de l’Université de Rouen, qu’avec la «terminologie sociocognitive » élaborée par Rita Temmermann, et bien d’autres approches convergentes. 12 Diki-Kidiri (2007, p. 15) apresenta um quadro onde compara os pontosdivergentes entre a terminologia clássica wusteriana e a terminologia cultural,identificando como cada uma aborda o trabalho terminológico:12 “*...+ se sobrepõe tanto com a ‘socioterminologia’ descrita por François Gaudin (1993, 1993a) daUniversidade de Rouen, quanto com a ‘terminologia sociocognitiva’ elaborada por Rita Temmermann, eoutras aproximações convergentes” (DIKI-KIDIRI, 2000, não paginado)
  45. 45. 45 Pontos de comparação Terminologia Clássica Terminologia CulturalObjetivo principal A normalização internacional do Apropriação do saber e das termo tecnologias.Lugar da cultura Excluída do campo da Faz parte da abordagem terminologia terminológica.Concepção do termo Bifacial: conceito/significante Trifacial: conceito/percepto/significanteRelações semânticas Bi-univocidade estrita entre Integração da sinonímia, da significante e conceito. Não há polissemia e da homonímia. sinonímia absoluta.Quadro 2 – Pontos de comparação entre a TGT e a TC.Fonte: Diki-Kidiri (2007, 15) Como se pode observar, enquanto a TGT busca a normalizaçãointernacional do termo concebendo o seu objeto de estudo de forma estanque, aTerminologia Cultural tem como principal objetivo a apropriação do saber e dastecnológicas, pois o ser humano ao se apropriar do novo cria representaçõessimbólicas que fazem parte da sua história enquanto sujeito sócio-culturalmenteconstituído. Desta forma o lugar da cultura é garantido nessa abordagem, enquanto aTGT exclui do seu campo de estudo. A concepção do termo para a TGT é bifacial, há apenas um conceito paraum significante, o que a leva a descartar a variação em sua abordagem. Para aTerminologia Cultural a concepção de termo é trifacial, pois entre o conceito e osignificante há uma percepção do real simbolizado pelo falante ou pela comunidade defalante. Na argumentação de defesa desse caráter trifacial do termo Diki-Kidiri (2002,não paginado) estabelece uma distinção entre conceito e significado. Para o autor,embora “conceito” e “significado” possam aludir “los mismos productos culturales del espíritu humano, el concepto parece remitir a más objetividad y en consecuencia a más universalidad en la representación de las cosas, mientras que el significado parece depender más 13 estrechamente de las percepciones particulares a cada cultura.”13 “os mesmos produtos do espírito humano, o conceito parece remeter mais à objetividade e emconseqüência mais à universalidade na representação das coisas, enquanto o significado parecedepender mais das percepções particulares de cada cultura”.
  46. 46. 46 Sendo assim, o conceito remeteria à idéia essencial das coisas,representaria o arquétipo na representação do real, enquanto o significado seria umapercepção mais particular, um ponto de vista que representa simbolicamente umreferente. Nesse sentido diz Lara (1999, p. 47) que “La percepción no se da nunca enpureza, en una espécie de tabla rasa sensorial, sino mediada y orientada por laactividad humana en sociedad” 14. Sendo assim, podemos dizer que o termo não podeser desvencilhado de seu contexto de uso pelo falante em sociedade, pois é nainteração que ele ganha contornos de sentidos em que perpassam a história, aideologia e a construção da identidade de um povo. Tomando por base as definições de “conceito” e “significado”, Diki-Kidiri(2002, não paginado) cunha o termo percepto, por analogia, para designar asrepresentações simbólicas (esquemas, planos, imagens) que são peculiares a cadacomunidade de falantes como traços específicos de um saber. Ainda apresenta umesquema com o intuito de deixar mais esclarecido o seu ponto de vista sobre aconcepção de termos culturais. Esse esquema é representado da seguinte maneira: Conceito (arquétipo) Representações Simbólicas (esquemas, planos, imagens) Classes de objetos Esquema 2 – Representação dos termos culturais. Fonte: Diki-Kidiri (2002, não paginado). O conceito de arquétipo, portanto, corresponde às característicasdistintivas que estruturam as classes de objetos traduzíveis em imagens mentais14 “A percepção nunca se dá puramente, em uma espécie de tabula rasa sensorial, mas mediada eorientada pala atividade humana em sociedade”. (LARA, 199, p. 47)
  47. 47. 47simbólicas (esquemas, planos) que particularizam as percepções do real pelacomunidade. Em nosso estudo, por exemplo, termos como “bico de gaita” utilizadopelo trabalhador rural para se referir a um tipo de corte feito maniva, particulariza arealidade de como o trabalhador constrói a sua percepção cultural de mundo. Sabe-seque gaita é o nome dado a vários instrumentos musicais de palheta, sendo que essadenominação nos leva a pensar, por analogia, que o corte feito nas manivas se parecebastante com o bico (boquilha) de um instrumento de palheta. Termos como “aturá”também estão inscritos numa memória coletiva que remonta a história indígena do 15termo tupi “atu’ra” (espécie de cesto usado para transportar mandiocas), sendo oétimo uma forma que possibilita o resgate da história em que os termos tipicamenteculturais se encontram no discurso do homem na Amazônia paraense. Diki-Kidiri (2002, não paginado) afirma que “El estabelecimiento de larealidad se efectua a menudo de manera diferente de una cultura a outra dandoconceptos especificos para cada cultura”16. O autor esclarece a noção de conceito epercepto comparando exemplos do termo “bicicleta” em três línguas africanas (sängo,bambara e lilikó). Para ele, cada língua faz um recorte cultural da realidade. Destaforma, o termo bicicleta encontra os seguintes perceptos (percepções da realidade): Tradução Língua gbâzângâ rodas de borracha Sängö (África Central) nàgàsó cavalo de ferro Bambara (Mali) magu-mákwanganya quatro pés Lilikó (Rep. Dom. Congo)Quadro 3 – Comparação de perceptos culturais entre três línguas africanas.Fonte: Adaptado de Diki-Kidiri (2002, não paginado) Esses termos distintos demonstram a diversidade da percepção do objeto“bicicleta” pelas diferentes comunidades lingüísticas estudadas pelo autor. Na ÁfricaCentral, o povo conhecia a roda e eram submetidos a trabalhos forçados derecolocação de borrachas de vegetais nos primeiros anos de colonização do país. Destaforma, as rodas da bicicleta atraíram a atenção do falante da língua sängo motivando a15 Conforme Cunha (1982, p.83), o termo aturá, proveniente do tupi “atur’a”, registra-se de 1833possuindo o significado de ‘cesto’.16 “o estabelecimento da realidade se efetua de forma diferente de uma cultura à outra, dandoconceitos específicos para cada cultura” (DIKI-KIDIRI, 2002, tradução nossa).
  48. 48. 48eleição da denominação de “rodas de borracha” para esse veículo. Em Mali, os falantesda língua bambara conheciam o cavalo e, desta forma, perceberam a semelhançafuncional entre o animal e a bicicleta, o que contribuiu para a denominação de “cavalode ferro”. Já na República Dominicana do Congo, a denominação “quatro pés” podeser entendida como “o veículo que duplica os pés” permitindo ao condutor semovimentar duas vezes mais rápido. Todas as ocorrências verificadas, nesses exemplos, pretendem dar conta daestrutura esquemática (conceito arquetípico) de bicicleta. As diferentes percepções oudenominações: “rodas de borracha”, “cavalo de ferro” e “quatro pés” são os perceptosque se vinculam a diferentes significantes. Para Diki-Kidiri (2002, não paginado) osperceptos são “[...] opiniones diferentes sobre el objeto, opiniones motivadas por ydependientes del pasado cultural próprio de cada comunidad”17. Portanto, o“percepto” não equivale à “conceito”, mas é somente um indicador até o conceito, é“*...+ un punto de referencia que permite entender globalmente el concepto, sin tenerque reconstituir todos los elementos estructurales”18. O esquema abaixo é utilizado por Diki-Kidiri (2002, não paginado) parademonstrar esse movimento entre conceitos e perceptos na terminologia cultural: RODAS DE BORRACHA SÄNGÖ CAVALO DE FERRO BAMBARA c QUATRO PÉS LILIKÓ CONCEITO PERCEPTOS SIGNIFICANTES Esquema 3 - Percepção cultural entre três línguas africanas. Fonte: Diki-Kidiri (2002, não paginado)17 “opiniões diferentes sobre o objeto, motivadas e dependentes do passado cultural de cadacomunidade” (DIKI-KIDIRI, 2002, não paginado).18 “*...+ um ponto de referencia que permite entender globalmente o conceito, sem ter que reconstituirtodos os elementos estruturais” (DIKI-KIDIRI, 2002, não paginado).
  49. 49. 49 O conceito de cultura depreendido na Terminologia Cultural compreende,portanto, a pessoa humana enquanto ser culturalmente construído tanto individualquanto coletivamente. Nesse sentido, o contexto histórico passa a ser à base dosconhecimentos adquiridos e acumulados pelo falante ou pela comunidade de falante.Afirma Diki-Kidiri (2002, não paginado) que, las personas, como individuos, nacen, crecen, adquieren conocimientos, habilidades, generan uma cultura individual por seus hábitos propios y desarollan una identidad. Una comunidad se comporta exactamente de la misma manera, de modo que hay un paralelismo entre estas dos entidades, el individuo y la comunidad19. Consideramos cultura conforme o autor depreende em suas análises: como“el conjunto de las experiencias vividas, producciones realizadas, y conocimientosgenerados por una comunidad humana que vive en un mismo espacio, a un mismotiempo”20. Na nossa pesquisa sobre a terminologia da cultura da farinhadepreendemos que o léxico especializado ocorre num contexto sociocultural em que aatividade de fazer farinha remonta a uma tradição cultural repassada de geração emgeração por membros da comunidade. Os termos são assim considerados “termosculturais”, pois estão inscritos numa história e, portanto, numa memória21 coletiva quefaz parte do conhecimento de mundo acumulado pela comunidade. Dessa forma, os termos ou unidades terminológicas considerados emnosso trabalho são concebidos como representações simbólicas do universo culturaldo falante na atividade especializada de produção da farinha. Esses termos culturais,por sua vez, são elucidados no discurso oral dos socioprofissionais (trabalhador rural,atravessador e técnico) como elemento constitutivo da produção do saber e dapercepção do real por meio da linguagem.19 “as pessoas, como indivíduos, nascem, crescem, adquirem conhecimentos, habilidades, geram umacultura individual por seus hábitos próprios e desenvolvem uma identidade. Uma comunidade secomporta exatamente da mesma forma, de modo que há um paralelismo entre estas duas entidades, oindivíduo e a comunidade” (DIKI-KIDIRI, 2002, não paginado, tradução nossa).20 “o conjunto das experiências vividas, produções realizadas, e conhecimentos gerados por umacomunidade humana que vive em um mesmo espaço, a um mesmo tempo” (DIKI-KIDIRI, 2002, nãopaginado).21 “Conforme Diki-Kidiri (2002, não paginado) “De todas las facultades superiores del espíritu, lamemória es la que permite al hombre progresar en la adquisición del conocimiento. La memoriapermite explotar la base de experiencias y conocimientos acumulados con el fin de encender el juicio ypor consiguiente el comportamiento”.
  50. 50. 501.3 A PERSPECTIVA DOS ESTUDOS TERMINOLÓGICOS NO BRASIL O crescimento exponencial dos estudos terminológicos nas últimasdécadas propiciou o interesse de grupos de pesquisas de universidades brasileiras emse lançarem nas investigações sobre o léxico especializado. Barros (2004, p. 36) afirmaque somente em meados dos anos de 1980 a Terminologia ganhou espaço comodisciplina se implantando efetivamente no Brasil. Destaca-se a importantecontribuição de pesquisadores e professores que ministravam cursos de Lexicologia eLexicografia na Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de Brasília(UnB) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) de onde se originou aformação de diversos pólos de pesquisa que contribuíram para a expansão do campodo estudo terminológico. A criação em 1986 do Grupo de Trabalho Lexicologia e Lexicografia, porexemplo, no âmbito da Associação Nacional de Pós-Graduação em Letras e Lingüística(ANPOLL), favoreceu mais tarde, no III Encontro da ANPOLL, a inserção daTerminologia, que já se delineava como campo de estudo teórico e aplicado. Nopercurso de desenvolvimento da disciplina, no território brasileiro, podemos destacaralguns momentos importantes para a expansão da área (ALVES, 1998, p. 8; ANJOS,2003, p. 35; BARROS, 2004, p. 37): 1990 – Publicação do Cadastro de Fontes Bibliográficas pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia – IBICT; 1992 – Criação da Comissão de Estudo Especial Temporária de Terminologia (CEET) em parceria com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT); 1994 – Criação de um banco de dados terminológico brasileiro (BrasilTerm) com o objetivo de registrar o maior número possível de termos técnico-científicos da língua portuguesa falada no Brasil. Anjos (2003, p. 36) destaca que o Brasil mantém um intercâmbio comoutros centros universitários de pesquisa sobre terminologias como o Institut

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