RoteiRo da exposição
17 de Novembro de 2007 a 17 de Fevereiro 2008Viseu / 2007
exposição
Monumentos de Escrita.
400 Anos de História da Sé e da Cidade de Viseu
(1230-1639)
CooRdenação CientífiCa
Anísio...
agradeCimeNtos
Alberto Correia
(Historiador)
Carlos Garcia
(Fotoletras)
Carlota Maria Lopes de Miranda Urbano
(Instituto d...
abReviatuRas
ADVIS – Arquivo Distrital de Viseu
AMGV – Arquivo do Museu de Grão Vasco
BNP – Biblioteca Nacional de Portuga...
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apResentação
Mas porque nada escrevendo, ou escrevendo sem arte,
não deixa (alguém) de si memória aos pósteros, extingu...
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teve em conta o corredor temporal em que se movimentavam a investigação e o projecto
da exposição, e ixou as balizas...
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Aceite o desaio, deinido o objecto e a cronologia de trabalho, desenvolvemos dois
programas narrativos, distribuídos po...
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“Note-se que para escrever são
necessárias, pelo menos, três coisas:
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são as mãos...
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prensada, banhada em cola e estendida a
secar, conforme ilustram as gravuras da
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Entre os séculos XIII e XVII, múltiplas
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Escritas documentais e librárias, traç...
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NUNES, Eduardo Borges – Álbum de Paleograia...,
p. 14.
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da prática, muito e...
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As Cartas dos Bispos formam um outro
tipo documental de grande importância,
que inclui documentos de cariz variado
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pergaminho aproveitado para outros ins,
como a encadernação de novos livros.
Por esta via, muitos vestígios dessas
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1.4. os pRoCessos de validação
Os meios utilizados para validar os do-
cumentos e garantir, desse modo, a sua
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a familiaridade com a escrita, e até a
cultura literária de quem sabe assinar o
seu nome.
Com a breve apresentação d...
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COELHO, Maria Helena da Cruz – Os tabeliães em
Portugal, peril proissional e sócio-económico. In
COELHO, Maria Helen...
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o goverNo da dioCese
Nos inícios da centúria de Duzentos, a diocese de Viseu contava com meio
século de autonomia ...
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O bispo D. Mateus delimita e deine os direitos
eclesiásticos das nove paróquias de Pinhel,
estabelecendo que as dí...
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Cruz Processional
Portugal
Século XV
Cobre e latão gravado
52 x 41,5 cm.
Viseu, Museu de Grão Vasco (inv. 806)
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a HieRaRquia e a oRganiZação do Cabido
Nos inais do século XII, o bispo D. Nicolau (1192-1213†) efectuou a divi...
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Selo do Cabido da Sé de Viseu
[Século XV]
Selo de dupla ogiva, em cera castanha, 350 x 520
mm., assente sobre um c...
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os protagonistas
Entre as centúrias de Duzentos e Quatrocentos foram várias as personalidades
que se destacaram...
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Parte inal do processo de oposição à eleição para
bispo de Viseu de D. Mateus Martins, capelão
do rei D. Afonso I...
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  1. 1. RoteiRo da exposição 17 de Novembro de 2007 a 17 de Fevereiro 2008Viseu / 2007
  2. 2. exposição Monumentos de Escrita. 400 Anos de História da Sé e da Cidade de Viseu (1230-1639) CooRdenação CientífiCa Anísio Miguel de Sousa Saraiva ConCepção e CooRdenação exeCutiva Ana Paula Abrantes Anísio Miguel de Sousa Saraiva textos e Conteúdos MultiMédia Anísio Miguel de Sousa Saraiva Maria do Rosário Barbosa Morujão ConCepção MultiMédia LUSOLABS / MIPE - Tecnologias de Informação pRojeCto de aRquiteCtuRa F.Costa - Oicina de Museus, Lda.: João Camacho design gRáfiCo F.Costa - Oicina de Museus, Lda.: Rita Cruz Neves ConseRvação e RestauRo SalvArte doCuMentação fotogRáfiCa Microil DDF-IMC: José Pessoa MGV: Carlos Filipe Alves, Anísio Miguel de Sousa Saraiva Fotoletras: Carlos Garcia moNtagem F.Costa - Oicina de Museus, Lda. apoio À pRodução Graça Marcelino Paula Cardoso Carlos Filipe Alves Maria do Carmo Amaral apoio téCniCo Pedro Novíssimo Manuel Ferreira seRviço eduCativo Aldina Loureiro Elisa Sampaio Luísa Teixeira Paula Cardoso seguRos Companhia de Seguros Lusitânia, S.A. roteiro Monumentos de Escrita. 400 Anos de História da Sé e da Cidade de Viseu (1230-1639) CooRdenação CientífiCa Anísio Miguel de Sousa Saraiva CooRdenação de edição Ana Paula Abrantes Anísio Miguel de Sousa Saraiva textos Anísio Miguel de Sousa Saraiva Maria do Rosário Barbosa Morujão Ana Paula Abrantes Eduardo Carrero Santamaría apoio téCniCo Graça Marcelino Paula Cardoso Carlos Filipe Alves Maria do Carmo Amaral doCuMentação fotogRáfiCa Microil DDF-IMC: Carlos Monteiro, Delim Ferreira, José Pessoa MGV: Carlos Filipe Alves, Anísio Miguel de Sousa Saraiva Fotoletras: Carlos Garcia design gRáfiCo F.Costa - Oicina de Museus, Lda.: Rita Cruz Neves fotoCoMposição e iMpRessão Inova – Artes Gráicas / Porto edição Instituto dos Museus e da Conservação / Museu de Grão Vasco © Instituto dos Museus e da Conservação tiragem: 500 exemplares isbN: 978-972-776-353-5 depósito legal: -------------------- oRganiZação: paRCeiRos instituCionais: meCeNas: patRoCínadoRes: seguRos: aPoios:
  3. 3. agradeCimeNtos Alberto Correia (Historiador) Carlos Garcia (Fotoletras) Carlota Maria Lopes de Miranda Urbano (Instituto de Estudos Clássicos / Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra) Catarina Mané (Forum Viseu) Domingos Araújo (Fnac Coimbra) Francisco Peixoto (Presidente do Conselho de Administração da Fundação Mariana Seixas) João Inês Vaz (Professor da Universidade Católica Portuguesa) João Pocinho (Técnico do Museu Nacional Machado de Castro) José Fernandes Vieira, Mons. (Director do Museu - Tesouro de Arte Sacra da Sé de Viseu) Liliana Cascais (Conservadora/Restauradora da Santa Casa da Misericórdia de Aveiro) Maria Antónia Lopes (Presidente do Departamento de Cultura da Santa Casa da Misericórdia de Coimbra) Maria de Fátima Eusébio (Coordenadora do Departamento dos Bens Culturais da Diocese de Viseu) Maria José Azevedo Santos (Directora do Arquivo da Universidade de Coimbra) Orlando da Costa Lourenço (Administrador da Murganheira) Paulo Machado (Director da Fnac Coimbra) Paulo Nabais (Professor da Escola Proissional Mariana Seixas) Pedro Redol (Director do Museu Nacional Machado de Castro) Rui Pinto dos Santos (Presidente do Conselho de Administração da Escola Proissional Mariana Seixas) Sandra Raposo (Kores, Lda. / Montblanc) Teresa Almeida (Câmara Municipal de Viseu, Biblioteca Municipal D. Miguel da Silva) Teresa Gama (Museu - Tesouro de Arte Sacra da Sé de Viseu) autoRes dos textos a. m. s. s. Anísio Miguel de Sousa Saraiva / Investigador, Mestre em História da Idade Média m. r. b. m. Maria do Rosário Barbosa Morujão / Professora de Paleograia e Diplomática da Universidade de Coimbra a. P. a. Ana Paula Abrantes / Directora do Museu de Grão Vasco, Mestre em História da Arte e. C. s. Eduardo Carrero Santamaría / Professor de História da Arte da Universidade das Ilhas Baleares (Espanha)
  4. 4. abReviatuRas ADVIS – Arquivo Distrital de Viseu AMGV – Arquivo do Museu de Grão Vasco BNP – Biblioteca Nacional de Portugal BPMP – Biblioteca Pública Municipal do Porto c. – concelho ca. – circa cf. – confrontar cm. – centímetros coord. – coordenação COR – Correspondência D. – Dom DA – Documentos Avulsos DDF/IMC – Divisão de Documentação Fotográica/Instituto dos Museus e da Conservação dir. – direcção Doc(s). – documento ed. – edição Ed. – Editora, Editorial Eng. – Engenheiro Fig(s). – igura(s) l(s). – fólio(s) fr. – freguesia FRAG – Fragmentos gr. – gramas inv. – inventário LIV – Livro m. – maço MGV – Museu de Grão Vasco mm. – milímetros n. – número O. F. M. – Ordo Fratrum Minorum org. – organização p. – página(s) PERG – Pergaminhos publ. – publicação s. d. – sem data s. l. – sem lugar s. n. – sem número s. v. – sub verbum SA – Selos Avulsos séc. – século T. – Tomo vid. – vide vol(s). – volume(s) Ø – Diâmetro índiCe apResentação intRodução 1. a MeMóRia da esCRita 1.1. os materiais da esCrita Pergaminho Papel Instrumentos Tintas de Cor Tintas Negras 1.2. as foRMas gRáfiCas Escritas Góticas: Librária e Cursiva Escritas Humanísticas: Redonda e Itálica Escrita Cortesã Escrita Processada Escrita Encadeada Escritas Modernas: Caligráica e Cursiva 1.3. os doCuMentos e os livRos Documentos Bulas Cartas Régias Cartas dos Bispos Documentos do Cabido Documentos do Concelho Documentos Particulares Correspondência Livros Livros Litúrgicos Livros de Registo Livros de Natureza Económica Fragmentos 1.4. os pRoCessos de validação Cartas Partidas Selos Pendentes Selos de Chapa Sinais de Tabeliães Sinais de Notários Apostólicos Assinaturas bibliogRafia 2. a esCRita da MeMóRia 2.1. uMa identidade eM ConstRução (1230 a 1500) a sé O Governo da Diocese Um Templo em Transformação A Hierarquia e a Organização do Cabido AAliança com o Trono Os Protagonistas a Cidade O Concelho. AAirmação de um Poder As Elites e o Espaço Urbano O Renascer das Cinzas. A Dinastia de Avis 2.2. o iMpéRio e a ContRa-RefoRMa (1500 a 1639) a sé Os Bispos da Coroa D. Miguel da Silva (1526-1547) O Cabido e a Roma do Renascimento A Igreja de Trento a Cidade A Memória do Infante D. Henrique A Gestão de um Espaço em Expansão bibliogRafia episCopológio de viseu (1147-1639)
  5. 5. 11 apResentação Mas porque nada escrevendo, ou escrevendo sem arte, não deixa (alguém) de si memória aos pósteros, extinguir-se-á ao mesmo tempo que o corpo. Será como árvore estéril, capaz de dar alguma sombra a quem passeia, mas não frutos. Cataldo Parísio Sículo, Carta ao 2.º Marquês de Vila Real (Fernando de Meneses), inais de 1499 ou Janeiro/Fevereiro de 1500. Santo Agostinho, nas suas Conissões (XI, 17, 22), percepciona como as fases do tempo não passam de um artifício, como o agora inito não se identiica com o agora eterno e profundo, mas com um agora distendido, temporal, pelo que passado e futuro são momentos de um presente, contínuos, associados e comprometidos. Com lucidez e pragmatismo, Joaquim Cerqueira Gonçalves (Educar e Filosofar, Discursos Cruzados, 2004) reconhece a acção do passado sobre o futuro, mas igualmente que «não é menos importante acrescentar que essa determinação, a partir do passado, se manifesta com a leitura do presente, a qual, por sua vez, desvenda e reestrutura constantemente o passado e abre possibilidades de futuro». A escrita e a imagem foram erigidas como apeadeiros do registo da passada humana, como caminhos do seu valor frutiicador, do seu sentido. Por isso, a guarda dos seus testemunhos constitui um acto de sobrevivência da vida, e a sua conservação um contributo para a construção da sua espessura ôntica, onde se consubstancia simultaneamente a sua temporalidade e a sua valia atemporal. Os suportes da escrita e da imagem, sejam eles pétreos, animais ou vegetais, ofereceram- -se generosamente ao homem, para que neles descarregasse as suas vivências, as suas relexões e emoções, as suas pequenas ou maiores expressões artísticas, constituindo-se, por isso, a heurística e estudos subsequentes como tarefas fundamentais. Nos museus, a valência arquivística não é, de todo, a predominante. Todavia, porque o valor de um museu se encontra em todas as peças que possui, as colecções dos objectos gráicos não podem mais icar na adjacência da museologia. Para além das colecções que integram o acervo do Museu de Grão Vasco e que têm sido divulgadas ao longo da sua existência, uma outra mereceu, pela nossa parte, uma particular atenção, pela importância da sua valia como testemunho, pela urgência da sua inventariação deinitiva e conservação: o núcleo documental, que alguém, com critérios bem deinidos, entendeu dever guardar neste museu, contribui genericamente para a ixação da identidade colectiva da comunidade eclesiástica e civil de Viseu, da nacional, da ibérica e mesmo da europeia de Quinhentos. O investigador Anísio Miguel de Sousa Saraiva, autor de um reconhecido trabalho no domínio da história das elites eclesiásticas e da edição de fontes medievais, conirmou o contexto em que se robusteceu o projecto de uma exposição sobre o conteúdo do Arquivo do Museu de Grão Vasco. Garantiu-se o rigor da investigação e o mais completo enquadramento histórico, aos quais se agregou o substantivo conhecimento de Maria do Rosário Barbosa Morujão, especialista em Paleograia e Diplomática. O trajecto da investigação pelo arquivo deste museu, constituído por um acervo documental que vai de 1230 aos inícios do século XX, revelou valores cuja importância não devia permanecer mais na sombra das suas estantes. No entanto, o espírito realista Inicial L decorada com o brasão de armas e as iniciais do bispo D. Miguel de Castro I. Antifonário do século XVI (AMGV / LIV / 14, l. 16)
  6. 6. 12 13 teve em conta o corredor temporal em que se movimentavam a investigação e o projecto da exposição, e ixou as balizas entre aquele ano (data do documento mais antigo) e 1639, momento que antecede o restabelecimento da monarquia nacional e que marca o início de um longo período de trinta e um anos de sede vacante, evidentemente entrosado na turbulência e transição políticas. O arquivo em apreço incorpora essencialmente documentos e livros (em pergaminho e papel), onde se sublinha a crescente importância da sociedade de Viseu na transição da Idade Média para a Época Moderna e se inscrevem nomes de grada importância no contexto nacional, ibérico e europeu. No total, contabilizam-se 90 pergaminhos, cerca de 1200 documentos avulsos, 17 livros manuscritos, 2 fragmentos e 4 selos em cera. Entre os pergaminhos pontuam os documentos apostólicos e, nestes, a bula Hodie venerabile fratrem de Júlio II, inicialmente validada com o seu selo de chumbo, na qual se conirma ao cabido da Sé de Viseu D. Diogo Ortiz de Vilhegas como bispo da diocese, após a morte de D. Fernando Gonçalves de Miranda, prelado a que icou ligada a encomenda do retábulo-mor da Sé (1501-1506), pintado por Vasco Fernandes, em parceria com o neerlandês Francisco Henriques. A documentação régia enquadra-se nos reinados de D. Dinis, D. João I, D. Afonso V, D. Manuel, D. João III, D. Filipe I e D. Filipe II. O excerto do processo de oposição à eleição de D. Mateus para bispo de Viseu, de 1256-1258; a carta de apoio do concelho de Viseu a D. Dinis (1320), no contexto da guerra civil com o infante D. Afonso; a doação feita pelos avós de Pedro Álvares Cabral, vizinhos da cidade, de umas casas ao cabido da Sé; o legado das rendas da feira à Catedral pelo infante D. Henrique, em 1460; o primeiro livro de visitações da Sé (1571-1620); dois dos três primeiros livros conhecidos das actas capitulares (1571-1623) são outros tantos entre os documentos cuja importância é inquestionável. Vasto é o conjunto epistolar de D. Miguel da Silva, constituído por 30 cartas-missivas circunscritas ao período que medeia entre 1526 e 1541. Poderemos ainda referir uma carta do beato D. Frei Bartolomeu dos Mártires (1573), arcebispo de Braga e um dos insignes participantes no Concílio de Trento. Consistente é igualmente a colecção dos livros manuscritos, a qual abrange diferentes tipologias, desde o Livro Litúrgico, onde pontuam dois interessantes antifonários encomendados por D. Miguel de Castro a João de Escalante (1583-1585), ao Livro de Registo (Visitações, Acórdãos) ou ainda ao Livro de Natureza Económica (Férias e Resíduos, Recebimento dos Prazos, Livro da Tulha). Como testemunhos de outros manuscritos, entretanto destruídos, restaram dois fragmentos, um deles pertencente a uma cópia ducentista do prólogo do Livro 1 das Historiae Adversus Paganos de Paulo Orósio, conhecido discípulo de Santo Agostinho. Como memória dos sistemas de validação, conservam-se quatro selos, em cera, e a matriz sigilar de D. Diogo Ortiz de Vilhegas. É peça única, dado o carácter de efemeridade que lhe era inerente, vigorando apenas em vida do prelado, cuja documentação validava. Tendo a documentação como mote, explorou-se igualmente, na exposição Monumentos de Escrita: 400 Anos da História da Sé e da Cidade de Viseu, 1230-1639, o processo riquíssimo que pressupõe um acto de escrita, desde os instrumentos aos materiais, desde as formas gráicas aos meios incorporados no documento para garantir a sua iabilidade, a sua validação. intRodução Se queres ler historia antiga e pura, Ou se à moderna, ou prosa hes inclinado, Se a verso heroico grave, delicado, Aqui tudo acharás n’esta escriptura. (…) Leis, reformações, foros, costumes, Altas sentenças, delicados ditos, De perolas e de ouro mil bocados, Aquí acharás, com rusticos perfumes. Semelhando-se nisto meus escriptos Com a terra, e lavrador, que os desejados Doces fructos sazonados. Lavra com arado vil, minha penna Viseu, este bom fructo darte ordena. Manuel Ribeiro Botelho, Diálogos moraes e politicos: fundação da cidade de Viseu (1630) O Arquivo do Museu de Grão Vasco (AMGV) tem à sua guarda um extenso acervo documental, composto por 90 pergaminhos, cerca de 1200 documentos avulsos, 17 livros manuscritos, dois fragmentos e quatro selos avulsos, que abrangem um período cronológico de 700 anos, entre os inícios dos séculos XIII e XX. São na sua maioria provenientes do antigo cartório do cabido da Sé de Viseu, à excepção da documentação posterior à República, que procede do período de instituição do museu e de criação das suas colecções. Este espólio arquivístico foi alvo, recentemente, de um criterioso processo por nós encetado de inventariação, acomodação e catalogação de todos os seus documentos e livros (à excepção dos documentos avulsos, ainda só parcialmente tratados), de que resultou a edição de um catálogo digital, pensado de modo a adequar a informação às exigências do nosso tempo e em satisfazer as necessidades dos investigadores, permitindo-lhes o acesso imediato ao documento, preservando ao mesmo tempo o acervo do inevitável desgaste causado pela consulta1 . Cientes do inestimável valor histórico, cultural e cientíico deste património escrito para a história de Viseu e da região beirã, considerámos imperioso dá-lo a conhecer ao público, através da apresentação à direcção do Museu que o alberga de um projecto expositivo que denominámos de Monumentos de Escrita, alicerçado em soluções museográicas diferentes e inovadoras, e circunscrito à história da Sé e da cidade de Viseu, entre os séculos XIII e XVII, mais concretamente entre 1230 (data do documento mais antigo do arquivo) e 1639, ano que correspondeu ao início do primeiro grande período de Sé Vacante que a cidade e a diocese de Viseu conheceram (1639-1670), e que constituiu um importante momento de viragem na história eclesiástica e política viseense ditado pelo inal do domínio ilipino e pela restauração da independência de Portugal. 1 Catálogo do Arquivo do Museu de Grão Vasco: I. Coord. cientíica e técnica Anísio Miguel de Sousa Saraiva, consultora cientíica Maria do Rosário Barbosa Morujão. Viseu: IMC/Museu de Grão Vasco, 2007 (DVD). ana paula abRantes diReCtoRa do Museu de gRão vasCo
  7. 7. 15 Aceite o desaio, deinido o objecto e a cronologia de trabalho, desenvolvemos dois programas narrativos, distribuídos por dois núcleos distintos, mas complementares. No primeiro, dedicado ao tema A Memória da Escrita, procurámos explicar, de forma abreviada mas rigorosa, como a escrita e os escritos evoluíram ao longo deste período cronológico, recorrendo à exibição de objectos de um scriptorium e a tecnologia multimédia, convidando o público a interagir com os conteúdos apresentados em quatro unidades temáticas, a saber: os materiais de escrita (o pergaminho, o papel, os instrumentos e as tintas); as formas gráicas (desde as escritas góticas às humanísticas e modernas); os documentos e os livros (abordando diferentes tipologias documentais e ainda os fragmentos que testemunham livros desaparecidos); inalizando com os processos de validação (onde se incluem as cartas partidas, os selos pendentes e de chapa, os sinais de tabeliães e de notários apostólicos e as assinaturas). No segundo núcleo expositivo, intitulado A Escrita da Memória, pretendemos ilustrar, através de uma cuidada selecção de documentos, livros e selos do AMGV, a história da Sé e da cidade de Viseu, desde a Idade Média até à Época Moderna, repartindo-a em dois momentos, denominados “Uma Identidade em Construção (1230-1500)” e “O Império e a Contra-Reforma (1500-1639)”. Aqui promovendo-se uma outra experiência, a da leitura das peças gráicas em conjunto com algumas peças seleccionadas nas colecções do Museu de Grão Vasco ou do Museu de Arte Sacra da Sé, neste caso com o famoso Evangeliário medieval, cujo conteúdo se apresenta pela primeira vez ao público, em forma virtual. A narrativa proposta neste núcleo procurou explorar diversos aspectos, como o governo e a deinição do território diocesano, a evolução do espaço arquitectónico da catedral, a hierarquia e a organização funcional do cabido. Demos também especial relevo à ligação dos monarcas à Sé e ao papel preponderante que alguns dos prelados tiveram durante o período medieval, que foi igualmente de airmação para o concelho de Viseu e de renovação para a cidade, tendo para isso sido determinante o apoio da dinastia de Avis, materializado, por exemplo, na presença da corte na cidade, na autorização para a construção da muralha e na dinamização da feira pelo infante D. Henrique, primeiro duque de Viseu. O período áureo de Quinhentos e dos inícios de Seiscentos recebeu igual atenção, mostrando-se a forte inluência da Coroa no governo da diocese, marcado por nomes como os dos bispos D. Diogo Ortiz de Vilhegas e D. Miguel da Silva ou D. Jorge de Ataíde e D. João Manuel, que deixaram de forma ímpar o rasto do Renascimento e da Reforma Católica, não só na diocese e no cabido, mas também na cidade, que neste período atingiu o seu auge. 1. a memória da escrita Todos vós que tendes sede, vinde à nascente das águas. (Isaías, 55, 1) Aceitemos o convite do profeta Isaías para nos aproximarmos, não da nascente da Fé (como seria a intenção do apelo bíblico), mas das fontes que constituem os documentos e os livros do Arquivo do Museu de Grão Vasco, e nelas bebermos a água que nos permitirá chegar à memória do passado de que são guardiãs. É esta, antes de mais, a memória da própria escrita.Amemória de como se escrevia entre os séculos XIII e XVII; das formas que as letras latinas assumiram ao longo desses quatro séculos; dos documentos e livros feitos nesses tempos; dos modos como a sua autenticidade foi garantida. 14 anísio Miguel de sousa saRaiva coordenador CientífiCo
  8. 8. 17 “Note-se que para escrever são necessárias, pelo menos, três coisas: pergaminho, pena e tinta. O pergaminho são as mãos de Cristo, a pena o cravo, a tinta o sangue”1 . Nesta passagem de um dos seus sermões, Santo António refere três elementos essenciais do acto de escrever: os materiais-suporte, de que indica o pergaminho, o mais usado no século XIII em que viveu; os instrumentos, destacando o que era então o principal, a pena; e a tinta, o luido que dá vida à escrita. Esta é a trindade indispensável para, em qualquer tempo e lugar, se poder concretizar o acto de escrever. O Pergaminho constituiu o suporte por excelência de livros e documentos durante toda a Idade Média. Resistente e com uma impressionante capacidade de subsistir, inalterado, ao longo dos séculos, é feito da pele de animais (na sua maioria ovinos e caprinos) tratada de forma especial, de modo a dar origem a um material extraordinariamente adaptado à escrita. “Sabeis como procede o copista. Primeiro, começa por limpar a gordura do pergaminho com um raspador para retirar as maiores impurezas; depois, 1.1. 1 Santo António, Sermões, II, 932; citado in Santo António em Santa Cruz. Códices do mosteiro de Santa Cruz de Coimbra no tempo de Santo António. Roteiro da exposição. Porto: BPMP, 1995, p. 21. De forma a não sobrecarregar a leitura, optámos por introduzir apenas as notas necessárias para abonar as citações referidas no texto. Na bibliograia inal, apresentamos o elenco exaustivo das obras utilizadas no desenvolvimento de cada assunto. 2 Hildeberto de Lavardin, início do século XII, citado por PERNOUD, Régine - La plume et le parchemin. Paris: Denöel, 1983, p. 76. 3 Encyclopédie, s.v. “Papier”. Fig. 1 Xilogravura do verso do frontispício da obra de D. Diogo Ortiz de Vilhegas, Cathecismo pequeno… (1504) Viseu, Biblioteca Municipal D. Miguel da Silva. Fig. 2 Pergaminheiro entregando pergaminhos a um monge (século XIII) Copenhagen, Royal Library. Ms. 4, 2o l. 183v; in DE HAMEL, Christopher – Medieval Craftsmen…, p. 13. Disponível em WWW: www.ceu.hu/medstud/manual/MMMit/ os materiais da escrita com a pedra-pomes, faz desaparecer completamente os pêlos e os ligamentos”2 . Desta forma se descreviam, no início do século XII, os procedimentos necessários para o fabrico deste material. Completando essas indicações, diga-se que a pele, depois de lavada, era depilada através de vários processos, um dos mais comuns consistindo num banho de cal. Voltava então a ser molhada, limpavam-se muito bem, com um raspador, todos os pêlos e impurezas que subsistissem, e esticava- -se a pele em bastidores, onde secava sob tensão. Finalmente, podia ser polvilhada com cal para a tinta aderir melhor e polida com pedra-pomes, de modo a que a sua superfície icasse macia. Apartir do século XV, o pergaminho perde a primazia face à crescente utilização do Papel, “maravilhosa invenção, que é de um tão grande uso na vida, que ixa a memória dos feitos, & imortaliza os homens”3 , criado na China há cerca de 2000 anos e introduzido no Ocidente pelos árabes. O mais antigo testemunho europeu da utilização deste suporte de escrita data do século XI, da Península Ibérica, e daí em diante as notícias sobre o seu uso e fabrico vão sendo cada vez mais frequentes. Mais barato e fácil de produzir do que o pergaminho, foi eleito pela imprensa como suporte preferencial, estatuto que conservou desde os inais de Quatrocentos aos nossos dias. Até ao século XIX, produzia-se papel a partir de trapos lavados, deixados a apodrecer durante semanas e depois desfeitos, com a ajuda de maços. A polpa obtida era então mergulhada em
  9. 9. 18 19 água e moldada em formas próprias, prensada, banhada em cola e estendida a secar, conforme ilustram as gravuras da Encyclopédie de Diderot e D’Alembert4 . Conhecemos os diversos Instrumentos usados pelos escribas graças, essencialmente, à sua representação em imagens mostrando copistas a trabalhar ou em composições estilizadas que serviam de frontispício a manuais de caligraia. Esquadro, régua, compasso e estilete tinham como função marcar as margens e as linhas das folhas. O canivete ou a faca eram essenciais para aparar as penas e raspar a pele quando se cometia um erro, assim como para ajudar a manter imóvel o pergaminho, já que por norma o escriba trabalhava num plano inclinado, sem apoiar o braço. Deentreosoutrosutensíliosrepresentados, expliquemos ainda a presença do io, que servia para coser os cadernos dos livros ou para remendar pequenos rasgões das peles, Fig. 3 Parte do processo de fabrico do papel Encyclopédie, ou Dictionnaire Raisonné des Sciences…, s. v. «Papeterie», Planche X. Fig. 4 Os utensílios do copista (1530) Giovannantonio Tagliente, La vera arte delo excellente scrivere...,1530; in GUMBERT, J. P., 1998. Disponível em WWW: www.palaeographia.org/outils/outils.htm a. Esquadro b. Régua c. Frasco com tinta d. Ampulheta e. Frasco de vernice f. Tesoura g. Pena h. Canivete i. Lamparina j. Vela l. Compasso m. Fio n. Tinteiro com pena Fig. 5 Preparação de tintas de cor London, British Library. Royal 6 E. VI, l. 329; in ALEXANDER, Jonathan – Medieval Illuminators…, 1992, p. 40. Disponível em WWW: www.ceu.hu/medstud/manual/MMMit/ e do frasco de vernice, que não era verniz, como a palavra pode levar a crer, mas sim, segundo parece, um pó feito com cascas de ovos esmagadas e incenso, cujo efeito era semelhante ao da pedra-pomes sobre a superfície do pergaminho, preparando-o para receber a tinta. Os instrumentos fundamentais eram, naturalmente, aqueles que serviam para desenhar os caracteres. Durante a Antiguidade e os tempos mais recuados da Idade Média, utilizou-se sobretudo o cálamo, caneta feita de cana ina e oca, talhada na extremidade para com ela se poder escrever. A partir do século IV d.C., porém, começou a preferir-se a pena de ave, que rapidamente se transformou no principal instrumento gráico, usado em todo o mundo ocidental até à invenção, já na Época Contemporânea, dos aparos de metal. Podiam ser usadas as penas de diversas aves, mas as melhores eram as de ganso, e em especial as das asas. A parte mais importante da sua preparação consistia no talhe do bico, pois a largura da ponta, o biselado do corte e a sua inclinação determinavam a grossura dos traços. Existiam diversos tipos de tintas, usados para ins diferenciados. De uma maneira geral, distinguem-se as Tintas de Cor e as Tintas Negras. As primeiras destinavam- -se à decoração dos manuscritos e às letras iniciais e eram obtidas através da adição de corantes, de origem mineral ou orgânica. Nas iluminuras usava-se também a folha de ouro, aplicada sobre o pergaminho segundo técnicas que exigiam um minucioso trabalho especializado da parte dos iluminadores. Com as tintas negras, cujo tom, na verdade, variava entre o castanho amarelado e o preto, escreviam-se os textos, tanto dos livros como dos documentos. Eram, na maioria dos casos, tintas metalo-gálicas, denominação que desde logo nos indica os dois principais elementos que as compunham: um sal metálico e o ácido gálico, obtido a partir das nozes de galha. Para conhecermos a forma como estas tintas eram feitas, atentemos nas instruções da mais antiga receita portuguesa que chegou até nós, datada do século XV: “Toma de galhas I onça e quebranta as meudas e lança as a ferver em hũua libra d’auga terçada de vinagre branco e fervam tamto que mingue as II partes e lança lhe meia onça de goma e toma de azeche IIIIº onças muudo e peneirado e lança lho dentro e mexe com huum paao e folge assy huua noite e huum dia e sera muito booa”5 . Os procedimentos básicos aqui indicados são válidos para a generalidade das receitas conhecidas, apesar de se poderem registar variantes, tanto na forma de elaboração como no tempo que a tinta demorava a icar pronta. As galhas ou bugalhos são excrescências formadas nas folhas ou ramos de certas espécies de carvalhos, como reacção à picada de um insecto que assim aí deposita os seus ovos. São muito ricas em taninos (sobretudo quando apanhadas antes da saída dos insectos entretanto nascidos), e é delas que se extrai o ácido gálico. As mais conhecidas provinham de Alepo, na Síria, e da Turquia, e davam origem a tintas de óptima qualidade. Uma vez moídos, os bugalhos eram fervidos ou deixados a macerar imersos num líquido. A receita apresentada refere a água terçada de vinagre, mas era também muito frequente o uso de vinho branco ou de vinagre. A sua acidez ajudava às reacções químicas necessárias para a feitura da tinta. Ao líquido obtido era adicionado um sal metálico, em geral sulfato de cobre ou de ferro, conhecidos como vitríolo azul e verde, respectivamente, e denominados azeche ou caparrosa na linguagem das receitas portuguesas antigas. O sal metálico, reagindo com os taninos, dava lugar a um complexo negro, ao qual se acrescentava ainda goma-arábica, designação dada à seiva de certas acácias originárias do Sudão, exportada através dos portos árabes. Esta goma, utilizada ainda hoje para fazer cola, servia como ligante da tinta, mantendo-a homogénea. 5 SANTOS, Maria José Azevedo - Da visigótica à carolina. A escrita em Portugal de 882 a 1172. Lisboa: FCT/JNICT, 1994, p. 303. 4 Gravuras disponíveis na edição electrónica (portail. atilf.fr/encyclopedie) da Encyclopédie, ou Diction- naire Raisonné des Sciences, des Arts et des Métiers. Fig. 6 Nozes de galha. Fig. 7 Sulfato de cobre. Fig. 8 Sulfato de ferro. Fig. 9 Goma-arábica. a c d e b f g i h j m l n
  10. 10. 20 21 Entre os séculos XIII e XVII, múltiplas formasgráicascoexistiramesesucederam. Escritas documentais e librárias, traçadas com esmero ou ao correr da pena, para ins estéticos e religiosos ou por simples razões administrativas, que testemunham gostos e tendências próprios de cada época e os perpetuam em signos gráicos, mostrando uma evolução que passa pelas chamadas Escritas Góticas e Humanísticas, pelas Escritas Cortesã, Processada e Encadeada dos séculos XVI e XVII e pelas Escritas Modernas. O termo Góticas designa as escritas usadas desde o século XII ao XVI. Muitas foram as variantes existentes, consoante as regiões, cronologias e inalidades a que se destinavam. Todas elas, porém, apresentavam uma série de aspectos comuns que permitem englobá-las sob a mesma designação genérica, e dos quais o mais conhecido é a alternância dos traços inos e grossos no desenho das letras, que 1.2. se encostam umas às outras e se ligam entre si através de pequenos traços. As palavras, pelo contrário, costumam estar bem separadas, e utiliza-se com regularidade um vasto código de abreviaturas. Uma distinção essencial no domínio das escritas diz respeito à inalidade a que se destinam e que condiciona as suas próprias características, devendo-se diferenciar as graias utilizadas na elaboração dos livros e as usadas nos documentos avulsos. Esta dicotomia é muito clara no caso das góticas. As Góticas Librárias eram caligraias traçadas com esmero, desenhando-se cada letra pausadamente e recorrendo-se com frequência à cor e à ornamentação das letras,sobretudo das iniciais.O seu aspecto variava, de acordo com a importância, a solenidade e as características dos livros em que eram aplicadas. Quanto às Góticas Cursivas, que constituem as graias documentais por excelência dos séculos XIII a XV, o próprio nome indica serem escritas rápidas, feitas ao correr da pena. Fruto da velocidade com que se escrevia, as letras ligavam-se umas às outras, as hastes e caudas ganhavam laços, e os sinais gerais de abreviatura podiam transformar-se em traços largos que envolviam os grafemas sobre os quais eram aplicados. Daqui resultava uma mancha escrita bastante cerrada e de aspecto nem sempre harmonioso. Contra as escritas góticas, difíceis de ler, reagiram os humanistas italianos do início do século XV. Conceberam, para as substituir, uma graia inspirada na que fora usada pelos monges copistas durante os séculos IX e X, muito legível, com letras claramente desenhadas e separadas umas das outras, recuperando para as maiúsculas as formas elegantes das inscrições clássicas romanas. Deste modo nasceu a Escrita Humanís- tica Redonda, utilizada apenas por uma elite culta em documentos e livros de grande luxo ou solenidade. Pouco depois, surgiu a Humanística Cursiva ou Itálica, facilmente reconhecível pela sua inclinação à direita; mais difundida do que a redonda, e frequente, por exemplo, na correspondência entre letrados, esteve na origem da escrita moderna usada entre os séculos XVII e XIX e da letra itálica que ainda hoje subsiste. Assim se chega ao século XVI, que representa um momento de especial importância no campo da escrita, registando uma intensa difusão do seu uso na sociedade europeia. O panorama gráico do Portugal de Quinhentos foi já descrito como “uma loresta, de pujança, variedade e complexidade ímpares”1 , descrição que é igualmente válida para as primeiras décadas da centúria seguinte. De facto, as escritas destes séculos são as foRMas gRáfiCas muito diversiicadas, coexistindo graias cuidadas e letras traçadas a grande velocidade, que demonstram quer a continuidade gótica, quer a inluência humanística, assim como a maior ou menor familiaridade de quem escreve com este labor. A chamada Escrita Cortesã deve a sua designação às cortes régia e senhoriais onde se desenvolveu, entre meados do século XV e o século XVI. Resulta da evolução da Gótica Cursiva, notando- -se por vezes alguma inluência da Humanística, em especial no tocante às maiúsculas. As letras, arredondadas, possuem caudas e hastes de pequenas dimensões, e numerosos laços e traços de ligação estabelecem a união entre diferentes grafemas. As características que acabámos de enunciar são partilhadas pela Escrita Processada, que existiu numa cronologia um pouco mais tardia, do inal do século XV ao século XVII. Esta graia, contudo, é muito mais cursiva e irregular, apresentando letras de formas quase irreconhecíveis, ora como que estendidas, ora praticamente reduzidas a pequenos traços separados. As ligações entre os grafemas ou os vários elementos que os constituem, por seu turno, não obedecem obrigatoriamente à habitual sucessão dos traços. Não admira, pois, que Cervantes tenha dito a respeito da processada, pela boca de D. Quixote, “que não a entenderá Satanás”2 . 1 NUNES, Eduardo Borges – Álbum de Paleograia Portuguesa. Lisboa: Faculdade de Letras, 1969, p. 12. 2 CERVANTES, Miguel – Dom Quixote de La Mancha, parte III, cap. 25, vol. 3, Lisboa: Ed. Expresso, 2005, p. 49. Fig. 10 Escrita Gótica Librária (Século XII) Viseu, AMGV / FRAG / 01. Fig. 11 Escrita Gótica Cursiva (1287) Viseu, AMGV / PERG / 12. Fig.12 Escrita Humanística Cursiva (1523) Viseu, AMGV / DA / COR / 009. Fig. 13 Escrita Cortesã (1527) Viseu, AMGV / DA / COR / 34. Fig. 14 Escrita Processada (1535) Viseu, AMGV / DA / 008.
  11. 11. 22 23 3 NUNES, Eduardo Borges – Álbum de Paleograia..., p. 14. A Escrita Encadeada, inalmente, resulta da prática, muito em voga nas últimas décadas do século XVI e nas primeiras do XVII, de escrever todas as letras de seguida, sem levantar a pena. Assim se obtinha um encadeado muito difícil de decifrar, formado por letras e palavras unidas por caprichosos nexos, ditados pela sucessão contínua dos traços. Nos inais do século XVI, porém, já outras tendências gráicas começavam a airmar-se, dando origem a novas escritas que podemos designar, genericamente, como Escritas Modernas. Estas graias, mais fáceis de ler do que as anteriores, revelam a inluência uniformizadora dos manuais de caligraia, então muito difundidos através da imprensa. A escrita que ensinavam era inluenciada pela Humanística Cursiva na sua inclinação para a direita e na depuração das letras, “uniformizadas, alinhadas, monótonas e más de distinguir. Como soldados em formatura” 3 . Podemos estabelecer uma distinção entre escritas modernas Caligráicas e Cursivas. As primeiras, claramente inclinadas à direita e com letras de desenho uniforme, tornaram-se as graias típicas das chancelarias régias seiscentistas. As segundas apresentam as mesmas características formais, distinguindo-se daquelas pela rapidez com que são traçadas e pelo menor esmero de execução. Fig. 15 Escrita Encadeada (1613) Viseu, AMGV / DA / 030. Fig. 16 Escrita Caligráica Moderna [1620] Viseu, AMGV / DA / 033. Fig. 17 Escrita Cursiva Moderna (1632) Viseu, AMGV / DA / 048. 1.3. os documentos e os livros O acervo do Arquivo do Museu de Grão Vasco é essencialmente composto por documentos e livros (em pergaminho e papel) que abarcam uma ampla cronologia e revelam uma assinalável multiplicidade tipológica. No seu valioso espólio documental, encontramosactosdemuitasproveniências e conteúdos diversiicados, testemunho da sua crescente importância numa sociedade que, na passagem da Idade Média para a Época Moderna, burocratiza os seus sistemas de organização e, em consequência, concede um valor cada vez maior à palavra escrita. De entre estes Documentos, e circuns- crevendo-nos à cronologia que aqui nos convoca (dos séculos XIII a XVII), merece desde logo destaque a documentação papal, representada por uma Bula do início do século XVI. Esta é a designação atribuída aos actos pontifícios selados com um selo de chumbo que, em latim, se chama bulla. Escritas em pergaminho, as bulasiniciam-sesemprepelaintitulaçãodo papa (neste caso, Julius servus servorum Dei), seguida pelo nome do destinatário (o cabido da Sé de Viseu) e por uma sauda- ção ou fórmula de perpetuidade. Inicia-se depois o texto, cujas primeiras palavras passam a constituir o nome do próprio documento, pelo que a bula apresentada se denomina Hodie venerabilem fratrem. No inal surge a data, expressa por vários elementos cronológicos sem indicar a Era cristã, mas apenas o ano do pontiicado do papa outorgante. Uma outra categoria é constituída pelas Cartas Régias, documentos emanados pelos reis escritos sobre pergaminho, que começam com a intitulação completa do monarca, a qual variou ao longo do tempo, de acordo com as circunstâncias da geograia política portuguesa. Fig. 18 Bula do papa Júlio II (1505) Viseu, AMGV / PERG / 57. Fig. 19 Carta do rei D. João I (1386) Viseu, AMGV / PERG / 35.
  12. 12. 24 25 As Cartas dos Bispos formam um outro tipo documental de grande importância, que inclui documentos de cariz variado emanados dos prelados de Viseu. Tratam de assuntos diversos relacionados com o governo da diocese, como a composição do cabido da catedral, a conirmação de clérigos nomeados para determinados cargos ou sentenças e acordos do foro eclesiástico, mas também podiam dizer respeito à administração do património da mitra. Normalmente eram escritas por clérigos ao serviço da chancelaria episcopal e autenticadas com o selo dos bispos, as quais, a partir do século XV, quase sempre as assinavam também. No desempenho da sua missão, os prelados contavam com o auxílio do cabido (do latim capitulum), formado por um conjunto de cónegos que, enquanto entidade colectiva detentora de personalidade jurídica, podia outorgar os seus próprios diplomas. Boa parte dos Documentos do Cabido é constituída por prazos, ou seja, contratos de arrendamento através dos quais os cónegos entregavam os bens capitulares em exploração, sendo também frequentes as apresentações de clérigos para cargos dependentes da escolha do cabido e as procurações que nomeavam os representantes deste em assuntos de natureza variada. Eram, em geral, autenticados com o selo da instituição capitular e, a partir da Época Moderna,passaramareceberasassinaturas dos cónegos presentes aquando da sua elaboração. Além dos actos pontifícios, régios, episcopais e capitulares, destacamos ainda os Documentos do Concelho. Por seu intermédio, o município de Viseu consignava por escrito decisões concelhias, sentenças proferidas pelos seus juízes ou assuntos ligados à administração da urbe e do seu termo. Para os elaborar, os oiciais da cidade recorriam por via de regra aos tabeliães, proissionais da escrita encarregados da elaboração de diplomas de valor publicamente reconhecido. Devemos inalmente assinalar um vasto número de Documentos Particulares, dado que todas as pessoas, fossem elas de estatuto social elevado ou humilde, necessitavam de recorrer à escrita, sobretudo à medida que, com o correr dos séculos, se impunha cada vez mais a obrigatoriedade de comprovar negócios e actosatravésdedocumentos.Nãosabendo, na sua larga maioria, dominar a técnica da escrita, os particulares viam-se obrigados a contratar o serviço dos tabeliães públicos para obter textos do mais variado teor, nomeadamente testamentos, doações e contratos de compra e venda. Um lugar à parte é devido à Correspon- dência, por se tratar de uma categoria documental que conheceu, por toda a Europa, um extraordinário incremento ao longo do século XVI. A sua importância em Portugal durante essa centúria é bem ilustrada pela riquíssima série de 90 cartas-missivas, tendo como principal destinatário o cabido da Sé de Viseu. De entre todas, merecem especial menção, tanto pelo seu número como pela qualidade das informações que contêm, as missivas remetidas aos cónegos pelos seus procuradores em Roma e pelo bispo Depois da conquista deinitiva doAlgarve, D. Afonso III começou a intitular-se rei de Portugal e do Algarve, designação à qual D. João I acrescentou senhor de Ceuta, após a tomada desta cidade. D.Afonso V associou à nova formulação o nome das novas praças do Norte de África que colocou sob o seu domínio. Com a deinição das máximas fronteiras do Impé- rio português, no tempo de D. Manuel I, a intitulação régia passou a ser: rei de Portugal e do Algarve, daquém e dalém mar em África, senhor da Guiné e da conquista, comércio e navegação da Etiópia, Arábia, Pérsia e da Índia. Estas cartas eram seladas com o selo pendente dos monarcas e podiam também receber a sua assinatura, ou a de oiciais da sua chancelaria. Fig. 20 Carta do bispo D. João Vicente (1454) Viseu, AMGV / PERG / 49. Fig. 21 Documento do cabido da Sé de Viseu (1544) Viseu, AMGV / PERG / 62. Fig. 23 Documento particular (1308) Viseu, AMGV / PERG / 18. Fig. 22 Documento do concelho de Viseu (1320) Viseu, AMGV / PERG / 22.
  13. 13. 26 27 pergaminho aproveitado para outros ins, como a encadernação de novos livros. Por esta via, muitos vestígios dessas obras lograram sobreviver, sob a forma de fragmentos, a partir dos quais é possível, num trabalho longo e paciente, identiicar códices perdidos. 1 AMGV / LIV / 09, l. 7v. D.MigueldaSilva,entre1526e1541.Estas cartas eram escritas em papel e dobradas de modo a esconder o seu conteúdo, sendo o endereço aposto no verso e a sua inviolabilidade garantida através de selos, que as mantinham fechadas até serem abertas pelos destinatários. No que diz respeito aos Livros, distinguimos neste Arquivo três espécies de manuscritos: os Livros Litúrgicos, os Livros de Registo e os Livros de Natureza Económica. Sendo o cristianismo uma religião do Livro, ou seja, assentando a sua fé na Palavra de Deus passada a escrito, os Livros Litúrgicos desempenharam desde sempre um papel fundamental, devendo os templos – e entre eles, em especial, as catedrais – possuir todos aqueles considerados necessários para os ofícios divinos.Aesta categoria pertencem os dois belos Antifonários encomendados pelo bispo D. Miguel de Castro (1578-1586) e executados,entre 1583 e 1585, pelo Mestre João de Escalante, que marcou o seu labor em diversas letras ornamentadas. Estes livros de canto contêm o intróito e demais antífonas cantadas nas missas, sendo geralmente de grandes dimensões, de modo a permitir que os clérigos seguissem o seu conteúdo a partir dos lugares que ocupavam no coro da igreja. OsLivrosdeRegistosósetornaramusuais a partir dos inais da Idade Média, devido à necessidade crescente de conservar por escrito informações úteis para o bom governo da Sé Catedral. De entre este tipo de manuscritos, merecem especial menção o mais antigo Livro das Visitações da Sé de Viseu que chegou ao presente e dois Livros dos Acórdãos do Cabido que são também os primeiros conhecidos. Naquele icaram guardadas as anotações e determinações resultantes das visitas que os prelados efectuaram à catedral entre 1487 e 1620, inteirando-se do estado das suas capelas e altares, das suas necessidades a nível material e espiritual, dos problemas veriicados na organização do espaço litúrgico que, não raro, resultaram na realização de obras no templo. Igualmente importantes são os Livros dos Acórdãos, onde se conservam as actas das reuniões do cabido dos anos de 1571-1607 e 1608-1623,passadasaescritonasequência das determinações do Concílio de Trento e das directrizes do bispo D. Jorge de Ataíde que, em Fevereiro de 1571, ordenou a elaboração de um livro numerado onde o escrivão do cabido registasse as decisões tomadas nessas assembleias (AMGV / LIV / 09, l. 7v.). Os Livros de Natureza Económica são todos da Época Moderna e contêm informações sobre receitas, despesas e pagamentos referentes à Sé e aos seus cónegos. Escritos, por via de regra, sem esmero, com letras cursivas nem sempre fáceis de decifrar, constituem, contudo, fontes de grande importância no domínio da história económica. Assim é o caso de dois Livros das Férias e Resíduos, onde foram inscritos os pagamentos feitos às dignidades, cónegos e restantes beneiciados do cabido de Viseu; de três Livros do Recebimento dos Prazos, que registam a receita conseguida por este através desses contratos; ou de um Livro da Tulha, com a indicação da receita do centeio, milho e trigo da tulha capitular. Para além destes manuscritos, restam-nos Fragmentos de outros. Na verdade, os livros que chegaram até nós constituem somente uma pequena parte dos que terão existido: foram inúmeros os que desapareceram, por razões que se prendem não apenas com as circunstâncias próprias do passar dos tempos, mas também com a acção voluntária dos homens. Uma vez tornados inúteis, numerosos manuscritos foram desmembrados e o seu Fig. 24 Carta do bispo D. Miguel da Silva (1531) Viseu, AMGV / DA / COR / 051. Fig. 25 Antifonário [1583-1585] Viseu, AMGV / LIV / 14, l. 121v. Fig. 26 Livro das Visitações da Sé de Viseu [1571-1620] Viseu, AMGV / LIV / 09, ls. 7v-8. Fig. 27 Livro das Férias e Resíduos do Cabido da Sé de Viseu [1523-1524] Viseu, AMGV / LIV / 06. Fig. 28 Fragmento das Historiae Adversus Paganos / Paulo Orósio [Século XIII] Viseu, AMGV / FRAG / 01 (frente).
  14. 14. 28 29 1.4. os pRoCessos de validação Os meios utilizados para validar os do- cumentos e garantir, desse modo, a sua autenticidade variaram ao longo dos séculos, de acordo com as exigências que cada época colocou a esse respeito. Contam-se entre os principais processos usados do século XIII ao XVII as Cartas Partidas, os Selos Pendentes e de Chapa, os Sinais de Tabeliães e Notários Apostólicos e as Assinaturas. A designação de Cartas Partidas, ou Cartas Partidas por ABC, aplica-se a documentos de que eram lavrados dois ou mais originais num mesmo pergaminho, separados depois por um corte que dividia ao meio uma legenda, vulgarmente composta pelas letras do alfabeto; quando as várias partes se uniam, os cortes encaixavam e podia-se ler a legenda na íntegra. Este processo de validação, designado por quirograia, foi usado em especial durante os séculos XII e XIII, para lavrar actos escritos de que as várias partes envolvidas tinham interesse em possuir um original. As cartas partidas podiam receber outros meios de autenticação, nomeadamente Selos Pendentes, que constituíram o modo de validação por excelência da Idade Média. Os formatos dos selos podiam variar, sendo os mais comuns os redondos e em forma de dupla ogiva. Eram geralmente feitos de cera; apenas os soberanos e os papas utilizaram o metal, em especial o chumbo. Suspendiam-se dos pergaminhos por liames de materiais variados (tiras de couro ou pergaminho, itas e cordões de cânhamo ou seda), passados por incisões abertas na margem inferior dos documentos, esta quase sempre dobrada para se tornar mais resistente. A importância dos selos pendentes começou a diminuir no século XIV, devido, por um lado, a uma demasiada vulgarização que lhes retirava valor probatório e, por outro, à difusão das assinaturas como forma de validação. A utilização crescente do papel apressou essa decadência, visto que o novo suporte não aguentava o peso destes selos. No entanto, o seu uso não foi completamente posto de lado, antes se manteve até ao presente para garantir a autenticidade de certos diplomas e actos solenes. Em lugar dos selos pendentes, passaram a ser utilizados, preferencialmente a partir do século XV e sobremaneira nos documentos em papel, os chamados Selos de Chapa. Antepassados directos dos actuais selos brancos, estes selos eram impressos sobre um pedaço de papel, por vezes artisticamente recortado, que se colocava em cima de um pouco de cera, lacre ou massa de farinha aposto directamente no documento. Devido à sua fragilidade, um grande número de selos de chapa desapareceu, o que torna ainda mais valiosos os espécimes que chegaram aos nossos dias. Muito comuns, como formas de validação, foram também, tanto na Idade Média como na Época Moderna, os Sinais de Tabeliães. Estes oiciais, antecessores dos actuais notários, eram, como já atrás referimos, proissionais da escrita com capacidade de conferir fé pública aos actos escritos que elaboravam. Instituídos deinitivamente em Portugal durante o reinado de D. Afonso III, no século XIII, os tabeliães tinham de prestar provas da sua capacidade para o exercício do cargo na chancelaria régia e aí registavam um sinal próprio, cuja aposição, por si só, garantia a autenticidade dos documentos. O signum tabellionis, pessoal e intrans- missível, tinha geralmente como base elementos cruciformes e não podia ser modiicado sem autorização prévia. Também os Notários Apostólicos, responsáveis pela elaboração de vários documentos da segunda metade do século XVI e do século XVII, usavam sinais de validação próprios. Neles, além de elementos cruciformes, é comum a representação de chaves, atributo de autoridade e poder dos sucessores de S. Pedro, o que constituía um símbolo não só da jurisdição papal da qual estes notários dependiam, mas também uma forma de se distinguirem dos tabeliães públicos laicos. Fig. 29 Carta partida por ABC (1230) Viseu, AMGV / PERG / 01. Fig. 30 Selo pendente da cúria da Sé de Viseu (1386) Viseu, AMGV / PERG / 36. Fig. 31 Selo de chapa do bispo D. Jorge de Ataíde (1571) Viseu, AMGV / DA / COR / 087. Fig. 32 Sinal do tabelião de Viseu Gonçalo Miguéis (1255) Viseu, AMGV / PERG / 02. Fig. 33 Sinal do notário apostólico Pedro Fernandes (1613) Viseu, AMGV / DA / 030.
  15. 15. 30 31 a familiaridade com a escrita, e até a cultura literária de quem sabe assinar o seu nome. Com a breve apresentação dos processos de validação presentes no acervo do Arquivo do Museu de Grão Vasco, concluímos a última etapa do percurso pela memória da escrita nele guardada. Uma memória que de modo algum aqui se esgota; pelo contrário, apenas se começa a desvendar, convidando a novas incursões pelo passado gráico que estes pergaminhos, papéis e livros nos dão a conhecer. 1 SANTOS, Maria José Azevedo – Assina quem sabe e lê quem pode. Coimbra: Imprensa da Universidade, 2004, p. 26. m. r. b. m. a. m. s. s. A partir do século XVI, no entanto, a principal garantia de autenticidade dos actos escritos passou a ser, sem dúvida, a Assinatura. Existente desde a Antiguida- de Clássica, mas preterido relativamente a outros durante o período medieval, este processo validatório conhece, durante a centúria de Quinhentos, uma extraordiná- ria difusão, comprovando a crescente difusão social da escrita que, como vimos, esse século conheceu. “Manifestação pessoal e criação do espírito”, mas também “resultado de condições económicas, sociais, culturais e técnicas”1 , podemos acrescentar que a assinatura constitui uma espécie de “retrato” de quem a traça, demonstrando a perícia caligráica, Fig. 34 Assinatura do bispo D. Miguel da Silva (1527) Viseu, AMGV / DA / COR / 034. Fig. 35 Assinatura do cónego Gaspar Barreiros (1573) Viseu, AMGV / LIV / 10, l. 25. bibliogRafia ALEXANDER, Jonathan – Medieval Illuminators and Their Methods of Work. New Haven and London: Yale University Press, 1992. BANDEIRA, Ana Maria Leitão – Pergaminho e papel em Portugal – tradição e conservação. Lisboa: Celpa, 1995. 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  17. 17. 35 a sé o goverNo da dioCese Nos inícios da centúria de Duzentos, a diocese de Viseu contava com meio século de autonomia eclesiástica e administrativa, após a restauração da cátedra episcopal, em 1147, que pôs im ao período de governação protagonizado por priores mandatados pela Sé de Coimbra, entre os quais se destacou S. Teotónio, padroeiro da Sé e da Cidade de Viseu. Osnossosprimeirosmonarcassancio-naramarenovadaautoridadecomdoações, liberdades e privilégios, ao mesmo tempo que os bispos e o cabido viseenses reconirmaram ou estabeleceram os seus direitos e jurisdições sobre as igrejas da diocese, mostrando um forte empenho na deinição e gestão da respectiva rede paroquial. Nesse sentido recorreram ao reordenamento escrito das competências jurisdicionais com os diferentes poderes instalados no território, como demonstra o documento mais antigo do AMGV, datado de 1230, em que o bispo D. Gil (1223-1248?) deine com a Ordem do Templo os direitos eclesiásticos sobre a igreja de Santiago de Trancoso (Doc. 1). D. Gil foi um prelado do seu tempo, atento à consolidação da autoridade episcopal e interessado no domínio efectivo do território diocesano, em especial da região a nascente – política herdada do seu antecessor D. Bartolomeu (1214-1222†), que iniciou um longo e aceso conlito com o bispado de Idanha pela soberania das igrejas da Guarda, Jarmelo e Castelo Mendo, concluído somente no tempo de D. Pedro Gonçalves (1249-1253†), que em 1258 aceitou, em vez da Guarda, a jurisdição da área fronteiriça de Castelo Mendo (Doc. 2). Dois anos mais tarde, em 1260, foi a vez do bispo D. Mateus Martins (1254-1268) regulamentar os limites e os direitos eclesiásticos das nove paróquias de uma vila estrategicamente tão importante como Pinhel (Doc. 3). A partir de então, deinidas com rigor as fronteiras do território e constituída a rede jurisdicional da Sé de Viseu, bispos e cabido concentram-se no governo da diocese: na apresentação e conirmação de abades e reitores, na autorização da permuta dos respectivos benefícios paroquiais (Doc. 4) e na gestão dos seus direitos eclesiásticos (Doc. 5). a. m. s. s. 2.1. uMa identidade eM ConstRução (1230-1500) Contra-selo do bispo D. Egas [1289-1313] (AMGV / SA / 01)
  18. 18. 36 37 3 O bispo D. Mateus delimita e deine os direitos eclesiásticos das nove paróquias de Pinhel, estabelecendo que as dízimas e os testamentos pertencerão às igrejas, enquanto a terça pontiical icará afecta à mesa do prelado de Viseu. 1260, Junho, 2, Pinhel Pergaminho, 224 x 671 mm., latim, escrita gótica, inicial ornada, regragem com ponta seca. Sinal de João Martins, tabelião de Pinhel. Viseu, AMGV / PERG / 08 Fotograia: Microil A. M. S. S. 5 Álvaro Peres, vigário-geral da Sé de Viseu, julga a reclamação do cabido ao direito de lutuosa da igreja de S. Martinho de Pindo (c. Penalva do Castelo). 1386, Dezembro, 28, Viseu Pergaminho, 214 x 491 mm., português, escrita gótica cursiva. Assinatura do escrivão GilAfonso. Furos e suspensão, em ios castanhos amarelados, do selo da cúria da Sé de Viseu. Selo circular, 28 mm. Ø, em cera castanha assente sobre cocho de cera natural, 37 x 49 mm. O campo apresenta o busto de um bispo mitrado, representado a três quartos, dentro de uma estrutura de arquitectura gótica. Legenda: + S(igillum) : CURIE : ECCLESIE : VISENSIS. Viseu, AMGV / PERG / 36 Fotograia: MGV, Anísio Miguel de Sousa Saraiva Bibliograia Especíica JOAQUIM, Manuel – Notícia de vários documentos dos séculos XIII, XIV, XV e XVI, existentes no Museu de Grão Vasco. Beira Alta. 14-4 (1955) 266-267, doc. 24. VALE, A. de Lucena e – A catedral de Viseu. [Viseu]: Tip. da Beira Alta, 1945, p. 32-33 (reprodução do selo). Bibliograia Complementar MORUJÃO, Maria do Rosário Barbosa – A Sé de Coimbra: a instituição e a chancelaria (1080-1318). Coimbra: FLUC, 2005, p. 773-776. O selo que autentica esta sentença da audiência episcopal é o mais bem conservado de seis exemplares que ainda hoje se preservam da primeira matriz sigilar utilizada pela cúria da Sé de Viseu, cujo uso se regista pela primeira vez em 1331 (ADVIS, Pergaminhos, m. 28, n. 89). Esta matriz foi entretanto substituída por outras duas, a segunda delas amplamente usada pela cúria entre 1360 e 1372, ou seja, entre os últimos cinco anos do governo de D. João Martins (1349-1365†) e o episcopado do seu sucessor D. Gonçalo de Figueiredo (1365-1373†). A audiência viseense recuperou esta primeira matriz sigilográica a partir de 1376 (ADVIS, Pergaminhos, m. 50, n. 30), mantendo a sua utilização na centúria seguinte, pelo menos até 1456 (ADVIS, Pergaminhos, m. 19, n. 28). A. M. S. S. 4 Os fregueses da igreja de S. Vicente de Moreira pedem ao bispo D. Gonçalo a conirmação da permuta dos respectivos benefícios paroquiais entre os abades de S. Vicente de Moreira de Rei e de Santa Comba de Torre de Terrenho (fr., c. Trancoso). 1326, Maio, 25, Moreira (no adro da igreja de Santa Marinha) Pergaminho, 196 x 230 mm., português, escrita gótica cursiva. Sinal de Lourenço Eanes, tabelião de Moreira. Viseu, AMGV / PERG / 23 Bibliograia Especíica JOAqUIM, Manuel – Notícia de vários documentos dos séculos XIII, XIV, XV e XVI, existentes no Museu de Grão Vasco. Beira Alta. 14-3 (1955) 242, doc. 11. A. M. S. S. 1 O bispo D. Gil e o cabido de Viseu fazem acordo com a Ordem do Templo sobre os direitos eclesiásticos da igreja de Santiago de Trancoso. 1230, Julho, 29 Pergaminho, 230 x 175 mm., latim, escrita gótica cursiva inicial. Partido na margem superior por A B C…, com dobra e furos de suspensão de dois selos, o primeiro de D. Gil, bispo de Viseu, que já não existe, e o segundo do Mestre da Ordem do Templo, de que resta um fragmento. Viseu, AMGV / PERG / 01 Fotograia: Microil Bibliograia Especíica ARAGÃO, Maximiano de – Vizeu: apontamentos históricos. T. II. Vizeu: Typographia Popular de Henrique Francisco de Lemos, 1895, p. 52. A. M. S. S. 2 Lourenço Eanes, arcediago de Viseu, julga um litígio entre os reitores das igrejas de S. Pedro de Castelo Mendo (fr., c. Almeida) e de Santo André de Telões (c. Almeida), sobre a distribuição das dízimas das igrejas do território de Castelo Mendo. 1258, Agosto, 14-15 (na vigília da Assunção de Santa Maria), Pinhel Pergaminho, 150 x 86 mm., latim, escrita gótica cursiva. Suspensão, em pergaminho, do selo do arcediago Lourenço Eanes, em cera castanha, de que resta um pequeno fragmento. Viseu, AMGV / PERG / 05 Fotograia: Microil Bibliograia Complementar ARAGÃO, Maximiano de – Vizeu: apontamentos históricos. T. II. Vizeu: Typographia Popular de Henrique Francisco de Lemos, 1895, p. 52-54. A. M. S. S. 1 2 3 5
  19. 19. 38 39 A Cruz Processional Portugal Século XV Cobre e latão gravado 52 x 41,5 cm. Viseu, Museu de Grão Vasco (inv. 806) Fotograia: DDF/IMC, Carlos Monteiro Exposição Permanente Viseu, Museu de Grão Vasco, sala da Liturgia e Devoção, 2004-2007. Bibliograia Complementar ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de; BARROCA, Mário – Estilo Gótico. Ourivesaria: cruzes. In História da Arte em Portugal. O Gótico. Lisboa: Presença, 2002, p. 251-257. BARROCA, Mário – Arqueta-Relicário [26 e 27]. In Nos conins da Idade Média: arte portuguesa, séculos XII-XV. Lisboa: IPM, 1992, p. 115-116. COSTA, Avelino de Jesus da – A biblioteca e o tesouro da Sé de Braga nos séculos XV a XVIII. Theologica. 18/1-4 (1983) 1-364. COSTA, Avelino de Jesus da – A biblioteca e o tesouro da Sé de Coimbra nos séculos XI a XVI. Boletim da Biblioteca da Universidade de Coimbra. 38 (1983) 1-220. ESPAÑOL, Francesca – Los esmaltes de Limoges en España. In De Limoges a Silos. 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Os dois elementos – a cruz e a igura de Cristo – foram realizados pela mesma oicina, como demonstra a técnica do raiado utilizada para destacar as suas formas, empregue sobre as duas superfícies. Do ponto de vista formal, a imagem do Salvador está claramente ligada aos modelos de ourivesaria esmaltada em produção seriada, procedentes das oicinas de Limoges e exportados para toda a Europa desde o século XII. Neste caso, trata-se de uma cópia tardia, que carece de alguns dos seus elementos mais característicos, como os esmaltes no perizonium, no suppedaneum ou na coroa, assim como de outros cabochões ou pérolas de esmalte champlevé, repetidos nos Cristos limusinos das épocas românica e gótica. Apenas as órbitas dos olhos, hoje vazias, estiveram preparadas para receber esmalte opaco, embora não saibamos se este chegou a ser aplicado. A inluência das oicinas limusinas foi especialmente importante na Península Ibérica, como testemunham os inventários de tesouros das catedrais e mosteiros ibéricos, onde se referem muitas alfaias litúrgicas procedentes de França. Isso mesmo se demonstra pela importante colecção de ornamenta sacra limu- sinas que ainda hoje se conserva, de que as duas arquetas-relicário do Tesouro da Sé de Viseu são um excelente exemplo. Importa ainda sublinhar que – do mesmo modo que ocorreu com outras peças seriadas, como os alabastros de Nottingham ou as Virgens de Trapani –, os esmaltes de Limoges tiveram uma notável inluência sobre artistas locais, que imitavam as obras importadas em manufacturas de produção local. Neste sentido, esta cruz processional de Viseu deve relacionar-se com a cruz processional da Sé de Coimbra, datada dos séculos XIII-XIV (Coimbra, Museu Nacional Machado de Castro, n. 6032) que, realizada por uma oicina conimbricense, também procurouinspiraçãonaspeçasfrancesas,reproduzindo os esquemas dos Cristos de Limoges, ainda que esteja igualmente desprovida de esmaltes. Esta peça apresenta-nos questões ainda mais inte- ressantes. A lâmina da cruz está decorada em toda a sua superfície, anverso e reverso, recorrendo a uma técnica de raiado descontínuo em ziguezague com motivos vegetalistas e alguns rebites sobre a orla externa. Só apresenta iguração no anverso dos braços da cruz e na zona central do reverso. Na haste dos primeiros representa-se a igura de uma águia e, nos braços laterais, um grifo e um touro, enquanto no reverso, no cruzamento dos braços, se igurou o habitual Agnus Dei. Por conseguinte, esta cruz processional inscreve-se na tradição das peças de ourivesaria esmaltada habituais desde o século XII, tratando-se de um modelo intermédio, situado entre os exemplares mais modestos – decorados com os símbolos do Tetramorfo e o Agnus Dei – e os mais complexos, com maior potencial iconográico, onde podem aparecer a Virgem e S. João sobre os braços laterais e, inclusive, cenas mais elaboradas com passos da Via Sacra, a morte da Virgem ou a imagem de Deus Pai ocupando a zona posterior. Por exemplo, podemos observar algumas destas soluções iconográicas nas cruzes processionais da paróquia de S. Sebastião (Vila Nova de Paiva), de D. Sancho I (Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga, 849 Our), de Frei Afonso Mendes (Igreja de Poiares da Régua), do mosteiro da Vera Cruz de Marmelar (Portel) e em sete exemplares da colecção de metais do Museu Nacional de Arte Antiga (Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga, 415, 333, 397, 396, 412, 181, 769 Met). Regressando à cruz de Viseu, o primeiro aspecto a considerar prende-se com a representação de apenas parte do Tetramorfo e com alguns outros desacertos: a Águia de S. João ocupa a haste da cruz, o Touro de S. Lucas está no braço direito e, no esquerdo, em vez do Leão de S. Marcos, foi igurado um estranho grifo, tendo icado por gravar o Anjo de S. Mateus, que se deveria situar abaixo do suppedaneum. Os problemas aumentam quando analisamos a epigraia que ocupa a haste e os braços. O habitual neste tipo de cruzes seria inscrever sobre a haste o título Ihesus nazarenus Rex Iudeorum, dado por Pilatos a Cristo antes da sua cruciicação, segundo o Evangelho de S. João (Jo. 19, 19). Pelo contrário, o artíice que realizou esta cruz distribuiu a epígrafe entre os braços da cruz, colocando na haste as palavras IESU DEU, no braço direito e na vertical as letras AZA(?) e no esquerdo RE REY, lidas agora da esquerda para a direita. O que leva a crer tratar-se de fragmentos da inscrição tradicional dispostos sem ordem nem concerto. Todas estas questões levam-nos a apresentar uma hipótese clara: esta cruz processional foi realizada por um modesto artesão local imitando um modelo de Limoges, possivelmente conservado no tesouro medieval da Sé de Viseu. Esse artesão não entendia o que estava a copiar, como demonstra o facto de ter trocado o Leão de S. Marcos por um grifo e de nem sequer representar o Anjo de S. Mateus. Além disso, dá provas de não saber ler ou escrever, limitando-se a gravar algumas letras desordenadas da mensagem real, letras que tipologicamente nos servem para datar a sua obra do século XV. Talvez estejamos, como aconteceu em muitas outras ocasiões, perante um ensaio de oicina, a obra de um aprendiz que, guardada entre os ornamentos da Sé de Viseu, terminou convertendo-se numa das cruzes utilizadas pelo cabido durante os ofícios. E. C. S. a sé uM teMplo eM tRansfoRMação Remonta a 1296 (Doc. 6) a primeira prova documental da existência de um claustro do bispo, “claustro domni episcopi”, incorporado na residência episcopal, no lado norte da Sé (Doc. 6).Aí se situou também o panteão funerário dos prelados de Viseu, onde, pelo menos, sabemos terem recebido sepultu- ra D. João Peres (1179-1192†), D. Mateus Martins (1254-1287†) e D. Egas (1288-1313†), transferidos deste espaço para o interior do templo, para o chão da capela-mor e da capela de S. Pedro, por D. Jorge deAtaíde, entre 1571 e 1574. A este espaço claustral opunha-se, no lado do sul do templo, o claustro dos cónegos, “claustrum canonicorum”, cujas primeiras referências escritas datam de 1275. Com efeito, desde os inais do episcopado de D. Mateus Martins e em particular durante o governo de D. Egas, a catedral românica conheceu um amplo processo reconstrutivo, que parece ter contemplado, ainda antes do claustro episcopal, a reformulação do claustro dos cónegos, já concluída na década de 70 de Duzentos. Daí em diante são várias as referências ao seu uso para a reunião do cabido e as sessões judiciais da cúria, mas também à sua outra funcionalidade, a de espaço funerário, neste caso destinado à inumação dos clérigos da Sé e da oligarquia urbana da cidade e da região. A mais reveladora e singular destas alusões chega-nos através do testamento do cónego Paio Fernandes, ao manifestar o desejo de ser inumado «no moimento que tenho feyto so os degraoos da porta da See per u saem aa porta da crasta dos coonigos» (SARAIVA, A. – The Viseu and Lamego clergy, p. 143, nota 7), ou seja, junto ao actual portal gótico já então erigido e destinado a fazer a ligação lateral do interior da igreja com o claustro da canónica e deste às dependências adjacentes que constituíam o paço real. O estaleiro da Sé de Viseu manter-se-á activo durante toda a primeira metade da centúria seguinte, ganhando um novo fôlego em Maio de 1341, com o início da reconstrução do claustro dos cónegos, patrocinada pelo bispo D. João Homem I e sob a direcção do mestre João de Lamego. Os trabalhos prolongaram-se por uma década, e uma vez concluída a nova obra da Sé, o claustro românico dos bispos, ainda funcional, passou a ser denominado de “claustro velho” (Doc. 7), em oposição à “crasta nova” gótica que marcará a gramática arquitectónica da catedral até à construção do inovador claustro renascentista, nos inícios do segundo quartel do século XVI. a. m. s. s.
  20. 20. 40 41 a sé a HieRaRquia e a oRganiZação do Cabido Nos inais do século XII, o bispo D. Nicolau (1192-1213†) efectuou a divisão da base patrimonial da Sé de Viseu, até aí partilhada em comum pelos prelados e cónegos, dando início à constituição de dois corpos funcionais distintos, a mitra e o cabido, sustentados por um conjunto próprio de direitos e rendimentos. Esta autonomia económica levou à criação de um sistema de 30 prebendas, de forma a permitir a repartição dos rendimentos do colégio canonical pelos seus membros, garantindo assim o sustento de toda uma organização capitular composta por 24 cónegos e três dignidades (deão, chantre e tesoureiro). A primeira alteração a esta estrutura ocorreu no inal do século XIII, com a criação pelo bispo D. Egas (1288-1313†) de um elenco de dez clérigos menores, chamados porcionários ou raçoeiros, destinados a coadjuvarem ou a substituírem os cónegos nos diversos serviços quotidianos da Sé. Para esse efeito, dividiu cinco prebendas em dez porções,reduzindoacanónicaa19cónegosprebendados.Estenovoesquemaorganizativo regeu a orgânica da catedral durante toda a centúria de Trezentos (Doc. 8) e até meados do século XV (Doc. 9). Em 1423, o bispo D. João Homem II (1391-1425†) requereu uma nova redução do cabido para 17 elementos e solicitou ao papa a criação do estatuto de mestre de Gramática na Sé. Esta última pretensão, com evidentes consequências no alargamento da hierarquia do cabido viseense e destinada a dar resposta às exigências de uma estrutura de ensino competente na catedral, apenas teve efeitos práticos a partir de 1458, ano em que o bispo D. João Vicente (1444-1463†), com o acordo dos cónegos, instituiu a dignidade de mestre-escola na Sé de Viseu, de modo a prover a falta de ensino de Cânones e Gramática e a corrigir “o grande deffeyto que em ella ha de letrados” (Doc. 10). a. m. s. s. 7 Reunido no “claustro velho” da Sé de Viseu, o cabido recebe do sacador do rei a conirmação do pagamento da portaria relativa aos anos de 1353 a 1356. 1360, Agosto, 17, Viseu, na Sé (no claustro velho, em cabido) Pergaminho, 311 x 183 mm., português, escrita gótica cursiva. Sinal de Gonçalo Domingues, tabelião de Viseu. Viseu, AMGV / PERG / 30 Bibliograia Especíica JOAQUIM, Manuel – Notícia de vários documentos dos séculos XIII, XIV, XVe XVI, existentes no Museu de Grão Vasco. Beira Alta. 14-3 (1955) 247-248, doc. 17. Bibliograia Complementar ARAGÃO, Maximiano de – Viseu: subsídios para a sua história desde ins do século X. Instituições religiosas. Porto: Tipograia Sequeira, 1928, p. 493-495. CARRERO SANTAMARÍA, Eduardo – El claustro funerario en el medievo o los requisitos de una arquitectura de uso cementerial. Liño. Revista Anual de Historia del Arte. 12 (2006) 31-43. CARRERO SANTAMARÍA, Eduardo – La aparición del claustro catedralicio en Galicia. In Las catedrales de Galicia durante la Edad Media. Claustros y entorno urbano. [A Coruña]: Fundación Pedro Barrié de la Maza, 2005, p. 40-53. GIRÃO, A. de Amorim – Viseu: estudos de uma aglomeração urbana. [Coimbra]: Coimbra Editora, Lda., 1925, p. 40 e 43. LEAL, Augusto Soares de Pinho – Portugal antigo e moderno. diccionário geográphico…, vol. 12. Lisboa: Liv. Editora Tavares Cardoso & Irmão, 1890, p. 1573-1575. MOREIRA, Francisco de Almeida – Imagens de Viseu. Porto: Tip. Porto Médico, 1937, p. 75-79. RUÃO, Carlos – A arquitectura da Sé Catedral de Viseu. Monumentos. 13 (2000) 13-19. VALE,A. de Lucena e – A Catedral de Viseu. [Viseu]: Tip. da Beira Alta, 1945, p. 7 -9. A. M. S. S. 6 Reunido no “claustro do bispo” de Viseu, o cabido recebe de particulares a doação de metade de uma casa. 1296, Maio, Viseu (no claustro do bispo) Pergaminho, 118 x 198 mm., português, escrita gótica cursiva. Sinal de João Tomé, tabelião de Viseu. Viseu, AMGV / PERG / 13 Fotograia: Microil Bibliograia Especíica RUÃO, Carlos – A arquitectura da Sé Catedral de Viseu. Monumentos. 13 (2000) 13, nota 4. JOAQUIM, Manuel – Notícia de vários documentos dos séculos XIII, XIV, XV e XVI, existentes no Museu de Grão Vasco. Beira Alta. 14-3 (1955) 240, doc. 5. Bibliograia Complementar GIRÃO, A. de Amorim – Viseu: estudos de uma aglo- meração urbana. [Coimbra]: Coimbra Editora, Lda., 1925, p. 40 e 43. LEAL, Augusto Soares de Pinho – Portugal antigo e moderno. diccionário geográphico… Vol. 12. Lisboa: Liv. Editora Tavares Cardoso & Irmão, 1890, p. 1573-1575. CARRERO SANTAMARÍA, Eduardo – El claustro funerario en el medievo o los requisitos de una arquitectura de uso cementerial. Liño. Revista Anual de Historia del Arte. 12 (2006) 31-43. CARRERO SANTAMARÍA, Eduardo – La aparición del claustro catedralicio en Galicia. In Las catedrales de Galicia durante la Edad Media. Claustros y entorno urbano. [A Coruña]: Fundación Pedro Barrié de la Maza, 2005, p. 40-53. SARAIVA, Anísio Miguel de Sousa – The Viseu and Lamego clergy: clerical wills and social ties. In Carrei- ras Eclesiásticas no Ocidente Cristão (Séc. XII - XIV): Ecclesiastical Careers in Western Christianity (12th-14th C.). Lisboa : CEHR/UCP, 2007, p. 141-149 VALE,A. de Lucena e – A Catedral de Viseu. [Viseu]: Tip. da Beira Alta, 1945, p. 7 -9. A. M. S. S. 6
  21. 21. 42 43 9 Selo do Cabido da Sé de Viseu [Século XV] Selo de dupla ogiva, em cera castanha, 350 x 520 mm., assente sobre um cocho de cera de cor natural, 452 x 600 mm., fragmentado na secção esquerda e na inferior. O campo apresenta a Virgem entronizada com o Menino no colo, dentro de um baldaquino gótico. Legenda: + AVE : MARIA : GRA[TIA : PLENA] : D(omi)N(u)S : TECU(m). Viseu, AMGV / SA / 04 Fotograia: MGV, Carlos Alves Bibliograia Complementar MORUJÃO, Maria do Rosário Barbosa – A Sé de Coimbra: a instituição e a chancelaria (1080-1318). Coimbra: FLUC, 2005, p. 761-773. MORUJÃO, Maria do Rosário Barbosa; SARAIVA, Anísio Miguel de Sousa – Frontières documentaires. Les chartes des chancelleries épiscopales portugaises avant et après le XIIIe siècle (Coimbra et Lamego). In FROnTIERS in the Middle Ages. Louvain-la Neuve: Brepols, 2006, pp. 441-466. Este raro exemplar sigilográico quatrocentista é o mais completo e bem conservado de um conjunto de sete impressões resultantes desta matriz sigilar do cabido da Sé de Viseu que chegaram aos nossos dias, na sua maioria fragmentadas. Por não se encontrar suspenso ao documento que validou, a identiicação e a datação crítica deste selo foram possíveis através do texto e do escatocolo dos pergaminhos que ainda conservam outros exemplares (por exemplo: ADVIS, Pergaminhos, m. 23, n. 23; m. 18, n. 20 e 28; m. 21, n. 42 e m. 35, n. 27). Tudo leva a crer que este espécime do AMGV corresponda à terceira matriz sigilar utilizada pela canónica viseense durante o período medieval. Da primeira, em forma circular, conhece-se um exemplar de 1226 (TT, Sé de Viseu, D. P., m. 6, n. 36); e da segunda, em dupla ogiva, restam apenas o fragmento de um selo de 1285 (ADVIS, Pergaminhos, m. 25, n. 14) e duas descrições, em públicas-formas, de 1350 e 1352 (ADVIS, Pergaminhos, m. 31, n. 1 e m. 28, n. 7). Estas duas primeiras matrizes também apresentavam no campo a Virgem entronizada com o Menino no colo, mas com a curiosa diferença do seu trono ter a forma de um pano de muralha, numa clara alusão à fortiicação militar dentro da qual foi erigida a Sé de Viseu. A. M. S. S. 10 O bispo D. João Vicente, reunido com os cónegos, cria a dignidade de mestre-escola no cabido de Viseu e conirma nela o seu vigário e cónego Bartolomeu Fernandes. 1458, Maio, 15, Viseu (na sacristia da Sé, em cabido) Pergaminho, 231 x 294 mm., português, escrita gótica cursiva. Assinatura do bispo D. João Vicente. Suspensões, em ita castanha clara, do selo do bispo (que já não existe) e do selo do cabido da Sé de Viseu, em cera vermelha, assente sobre cocho de cera castanha, de que só existe um pequeno fragmento, 30x35 mm. Viseu, AMGV / PERG / 50 Fotograia: Microil Exposições Temporárias Pergaminhos Henriquinos. Viseu, Câmara Municipal, 1960, s. n. Bibliograia Complementar ALVES, Alexandre – Notícias do tempo de D. João Vicente: os inventários dos bens das igrejas do bispado; o regimento dos tesoureiros da Sé; bens e apréstamos do cabido. Beira Alta. 19-2 (1960) 257-300. ARAGÃO, Maximiano de – Vizeu: apontamentos históricos. T. II. Vizeu: Typographia Popular de Henrique Francisco de Lemos, 1895, p. 199-207. COSTA, António Domingues de Sousa – Bispos de Lamego e de Viseu: revisão crítica dos autores (1394-1463). Braga: Ed. Franciscana, 1986, p. 331-448. NERY, António de Seixas – O cabido de Viseu nos inícios da Idade Moderna: senhorio e rendas (1400-1500). Porto: FLUP, 1996, p. 36-46. PEREIRA, Manuel Botelho Ribeiro – Diálogos moraes e politicos. Ed. original de 1630. Viseu: Junta Distrital, [1955], p. 449-452. VALE,A. de Lucena e – A Catedral de Viseu. [Viseu]: Tip. da Beira Alta, 1945, p. 15, 35-53. Conservação e Restauro SALVARTE (2007) A. M. S. S. a sé a aliança CoM o tRono No início de cada reinado, os monarcas dirigiam cartas solenes de conirmação dos privilégios, jurisdições, foros e costumes concedidos pelos seus antecessores aos diferentes poderes e instituições do reino, entre os quais os bispos e os cabidos das catedrais. Destas cartas régias, o AMGV conserva duas particularmente importantes, em especial pelo contexto histórico que as envolve. A primeira é a conirmação dada por D. João I ao bispo D. João Peres e à Sé de Viseu em Março de 1386, um ano após a sua aclamação nas Cortes de Coimbra e no preciso momento em que o rei, acompanhado do condestável D. Nuno Álvares Pereira, montava arraial sobre Chaves, ainda partidária de Castela, que ao im de quatro meses de cerco acabou por ceder às investidas do novo soberano (Doc. 11).Asegunda carta, de D.Afonso V, dirigida ao bispo e ao cabido de Viseu emAgosto de 1449, é outorgada três meses após a Batalha deAlfarrobeira, que pôs im à vida do infante D. Pedro, o das Sete Partidas, e marcou a assunção plena do ainda jovem D. Afonso V ao trono português (Doc. 12). a. m. s. s. 8 Afonso Gonçalves, vigário-geral do bispo D. João Eanes, reunido com o cabido, no Fontelo, institui e conirma Afonso Martins, abade de S. Pedro de Aguiar, como cónego prebendado da Sé de Viseu. 1378, Outubro, 24, Fontelo (sob o carvalho a par da fonte) Pergaminho, 504 x 236 mm., português, escrita gótica bastarda, regragem com ponta seca. Assinatura do vigário-geral Afonso Gonçalves. Furos de suspensão do selo da cúria da Sé de Viseu, que já não existe. Viseu, AMGV / PERG / 34 Bibliograia Especíica JOAQUIM, Manuel – Notícia de vários documentos dos séculos XIII, XIV, XV e XVI, existentes no Mu- seu de Grão Vasco. Beira Alta. 14-4 (1955) 264-265, doc. 22. A. M. S. S. 9 10
  22. 22. 44 45 a sé os protagonistas Entre as centúrias de Duzentos e Quatrocentos foram várias as personalidades que se destacaram no episcopado e no cabido da Sé de Viseu. O acervo do AMGV dá-nos notícia de algumas delas. D. Mateus Martins (1254-1268), capelão do rei D. Afonso III, viu a sua eleição contestada pelo chantre Pedro Peres, num complexo processo jurídico que se prolongou durante cinco anos (Doc. 13). Tendo sido próximo do rei veio a incompatibilizar-se com o monarca, ao ponto de este não aceitar a sua transferência para Coimbra, considerando as duas sés vagas. D. Mateus retira-se para a corte papal, onde, um mês antes da morte de D. Afonso III, recebe de novo do pontíice a cátedra de Viseu (1279-1287†); porém, não mais regressou à diocese, governando-a a partir da cúria romana (Doc. 14). D. Egas (1288-1313†) foi um prelado presente e actuante na diocese. Interveio fortemente na organização do cabido, instituiu o corpo de raçoeiros da Sé, patrocinou a redacção de um conjunto de normas estatutárias para o cabido, convocou sínodo diocesano e promoveu a reconstrução gótica da catedral. Ausente do círculo de inluência da corte de D. Dinis, não deixou, porém de ser interveniente, quer através da sua participação na negociação de algumas das concordatas que marcaram as relações entre o rei e a Igreja, quer através da redacção, em 1311, da obra Summa de Libertate Ecclesiastica, onde relectiu as relações entre o poder régio e o episcopado no seu tempo. Instituiu a capela de S. Brás na Sé, para a qual adquiriu numerosos bens, através de uma rede de intermediários em que pontuaram os mercadores de Viseu (Docs. 15 e 16). D. Lourenço Esteves (1288-1313†), arcediago, chantre de Viseu e cónego de Coimbra, foi igura inluente nos cabidos destas duas catedrais e construiu um avultado património que afectou a capelas que instituiu nas duas igrejas (doc. 17). D. João Homem II (1391-1425†), natural de Viseu e oriundo de uma linhagem com fortes ligações ao clero da cidade, fez a sua carreira no cabido de Viseu, de onde ascendeu à cátedra da Sé. Foi padrinho do infante D. Henrique e embaixador de D. João I em Roma, tendo estado presente nos Concílios de Pisa e de Constança. Assistiu à reconstrução da cidade de Viseu, saqueada e incendiada pelo condestável castelhano, em 1396, a partir das suas casas de Vila Nova (Cava de Viseu), onde fez residência (Doc. 18) e redigiu o seu testamento (Doc. 19). Foi fundador do mosteiro de S. Francisco de Orgens, no termo de Viseu. D. João Vicente (1444-1463†), um dos mais notáveis prelados viseenses de Quatrocentos, fundou a Ordem dos Lóios e mandou ediicar a capela do Santo Espírito na Sé para sua capela funerária, que passou a constituir o local por excelência de reunião do cabido até ao terceiro quartel do século XVI. Criou a dignidade de mestre-escola na Sé, em 1458, e mandou pôr em prática, três anos depois, o primeiro processo de inventário sistemático dos bens móveis e imóveis dos estabelecimentos religiosos da diocese de Viseu (Doc. 19). D. Fernando Gonçalves de Miranda (1487-1505†), capelão-mor do rei D. João II, foi um prelado de corte e um benfeitor da catedral, à qual legou um conjunto de jóias, alfaias e paramentos litúrgicos. Igualmente atento às obras da Sé, interessou-se pela encomenda de um novo retábulo para a capela-mor, obra que destinou ao pintor Vasco Fernandes (Doc. 20). a. m. s. s. 11 O rei D. João I conirma ao bispo D. João Peres e à Sé de Viseu todos os seus privilégios, jurisdições, foros e costumes. 1386, Março, 30, Chaves (no arraial) Pergaminho, 232 x 124 mm., português, escrita gótica bastarda. Assinaturas de João Afonso, prior de Santa Maria da Alcáçova de Santarém, e de João Afonso, escolar em Leis, do desembargo régio. Suspensão, em ita vermelha, do selo do rei D. João I, de que restam uns fragmentos, 33 x 40 mm. Viseu, AMGV / PERG / 35 Fotograia: MGV, Anísio Miguel de Sousa Saraiva Bibliograia Especíica JOAQUIM, Manuel – Notícia de vários documentos dos séculos XIII, XIV, XV e XVI, existentes no Museu de Grão Vasco. Beira Alta. 14-4 (1955) 265-266, doc. 23. ARAGÃO, Maximiano de – Vizeu: apontamentos históricos. T. II. Vizeu: Typographia Popular de Henrique Francisco de Lemos, 1895, p. 186. Bibliograia Complementar COELHO, Maria Helena da Cruz – D. João I: o que re-colheu «Boa Memória». Lisboa: Círculo de Leitores, 2005, p. 91-94. Conservação e Restauro SALVARTE (2007) A. M. S. S. 12 O rei D. Afonso V conirma ao bispo e ao cabido da Sé de Viseu todos os privilégios, foros, graças, mercês e liberdades outorgadas pelos seus ante- cessores até à morte do seu pai, o rei D. Duarte. 1449, Agosto, 11, Lisboa Pergaminho, 276 x 177 mm., português, escrita gótica cursiva. Assinaturas dos doutores Pedro Lobato e João Beleágua, desembargadores do rei. Suspensão, em ita tecida a io azul e cru, do selo do rei D. Afonso V. Selo bifacial em forma de amêndoa, em cera castanha, 70 x 82 mm., coberto por uma protecção de pergaminho. Viseu, AMGV / PERG / 48 Fotograia: Microil Exposições Temporárias Pergaminhos Henriquinos. Viseu, Câmara Municipal, 1960, n. 32. Bibliograia Especíica JOAQUIM, Manuel – Notícia de vários documentos dos séculos XIII, XIV, XV e XVI, existentes no Museu de Grão Vasco. Beira Alta. 14-4 (1955) 275, doc. 32. Bibliograia Complementar ALVES, Alexandre – Notícias do tempo de D. João Vicente: os inventários dos bens das igrejas do bis- pado; o regimento dos tesoureiros da Sé; bens e aprés- tamos do cabido. Beira Alta. 19-2 (1960) 257-300. GOMES, Saul António – D. Afonso V: o Africano. Lisboa: Círculo de Leitores, 2006, p. 64-79. A. M. S. S. 12
  23. 23. 46 47 13 Parte inal do processo de oposição à eleição para bispo de Viseu de D. Mateus Martins, capelão do rei D. Afonso III, movido pelo chantre Pedro Peres. [1258] Caderno em pergaminho com 9 fólios não numerados, regrados com ponta seca e com piques em todos os fólios, 166 x 251 mm., latim, escrita gótica cursiva. Nas margens, registo de anotações coevas e posteriores. Rascunho de notação musical posterior no verso do último fólio. O oitavo fólio foi cortado, restando apenas um pouco do que seria a sua margem esquerda. Viseu, AMGV / PERG / 06 Fotograia: Microil Bibliograia Complementar MARQUES, Maria Alegria Fernandes – O Papado e Portugal no tempo de D. Afonso III (1245-1279). Coimbra: FLUC, 1990, p. 239-240, 258-259. MORUJÃO, Maria do Rosário Barbosa – A Sé de Coimbra: a instituição e a chancelaria (1080-1318). Coimbra: FLUC, 2005, p. 127-128. VENTURA, Leontina – A nobreza de corte de Afonso III. Vol. II. Coimbra: FLUC, 1992, p. 1046. A. M. S. S. 14 O bispo D. Mateus Martins expede, da Cúria Romana, a carta de instituição de Martim Martins no cargo de reitor de S. Pedro de Castelo Mendo (c. Almeida). 1285, Maio, 18, Roma Pergaminho, 180 x 179 mm., latim, escrita gótica cursiva, regragem com ponta seca. Suspensão, em pergaminho, do selo pendente do bispo D. Mateus, que já não existe. Viseu, AMGV / PERG / 11 Bibliograia Complementar ARAGÃO, Maximiano de – Vizeu: apontamentos históricos. T. II. Vizeu: Typographia Popular de Henrique Francisco de Lemos, 1895, p. 60-63. MARQUES, Maria Alegria Fernandes – O Papado e Portugal no tempo de D. Afonso III (1245-1279). Coimbra: FLUC, 1990, p. 162-171, 258-259. A. M. S. S. 15 O bispo D. Egas compra, através de um mercador de Viseu, uma herdade em Cavernães (c. Viseu). 1296, Julho, 30, Viseu Pergaminho, 144 x 74 mm., português, escrita gótica cursiva. Sinal de Estêvão Moniz, tabelião de Viseu. Viseu, AMGV / PERG / 14 Bibliograia Especíica JOAQUIM, Manuel – Notícia de vários documentos dos séculos XIII, XIV, XV e XVI, existentes no Museu de Grão Vasco. Beira Alta. 14-3 (1955) 239, doc. 3. Bibliograia Complementar ARAGÃO, Maximiano de – Vizeu: apontamentos históricos. T. II. Vizeu: Typographia Popular de Henrique Francisco de Lemos, 1895, p. 75-87. VILAR, Hermínia – In defence of episcopal power: the case of bishop Egas of Viseu. In CARREIRAS Eclesiásticas no Ocidente Cristão (Séc. XII-XIV): Ecclesiastical Careers in Western Christianity (12th-14th C.). Lisboa: CEHR/UCP, 2007, p. 232-234. A. M. S. S. 16 Contra-selo do bispo D. Egas. [ca. 1289-1313] Selo de dupla ogiva, gravado em cera de cor natural, 500 x 700 mm., com o campo e a legenda completa- mente apagados. No reverso, contra-selo circular, 300 mm. Ø. O campo apresenta um busto de bispo mitrado, representado a três quartos e ladeado por dois ceptros. Legenda: + SECRETU : EG(eas) : VISEN(sis) : EP(iscopi). Viseu, AMGV / SA / 01 Fotograia: MGV, Carlos Alves; Fotoletras, Carlos Garcia Bibliograia Complementar MORUJÃO, Maria do Rosário Barbosa – A Sé de Coimbra: a instituição e a chancelaria (1080-1318). Coimbra: FLUC, 2005, p. 753-755, 759. MORUJÃO, Maria do Rosário Barbosa – Imagens de selos.Anotações de sigilograia pontifícia e episcopal. In Colecção Esfragística da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Catálogo da Exposição. Coimbra: Reitoria da Universidade, 2003, p. 67-68. SARAIVA,AnísioMigueldeSousa –Traditionalisme, régionalisme et innovation dans les chancelleries épiscopales portugaises au Moyen Âge: les cas de Lamego et Viseu. In Actes du XV Colloque du Comité International de Paléographie Latine «Régionalisme etInternationalisme:ProblèmesdePaléographieetde Codicologie du Moyen Âge». Wien: Oesterreichische Akademie der Wissenschaften, 2008, p. 302-307. VILAR, Hermínia – In defence of episcopal power: the case of bishop Egas of Viseu. In CARREIRAS Eclesiásticas no Ocidente Cristão (Séc. XII-XIV): Ecclesiastical Careers in Western Christianity (12th-14th C.). Lisboa: CEHR/UCP, 2007, p. 221-241. Difundido pela Europa a partir de meados do século XII, o uso do contra-selo parece só ter sido introduzido em Portugal no último quartel da centúria seguinte, por inluência francesa e através da chancelaria episcopal de Coimbra. Por regra, como é o caso deste exemplar do bispo D. Egas de Viseu, correspondia ao selo secreto do prelado impresso no verso do selo episcopal, com a função de reforçar a autenticidade dos actos com ele validados. Este notável contra-selo do acervo do AMGV, cuja iguração do campo apresenta um dos motivos mais comuns a esta tipologia sigilográica (o busto de um bispo mitrado representado a três quartos), é o mais completo e bem conservado das quatro impressões que se conhecem referentes a este prelado (ADVIS, Pergaminhos, m. 50, n. 4; m. 28, n. 30; m. 23, n. 99). Para além de D. Egas, só voltamos a registar o uso do contra-selo pelo seu sucessor, o bispo D. Martinho (1313-1322) (ADVIS, Pergaminhos, m. 28, n. 33). A. M. S. S. 17 Lourenço Esteves, arcediago de Viseu, cumpre a obrigação de um pagamento anual ao cabido da Sé de Coimbra, referente aos bens de Formoselha (fr. Santo Varão, c. Montemor-o-Velho) e aos herdamentos de Santarém que herdara do seu tio. 1304, Março, 29, Coimbra Pergaminho, 188 x 92 mm., português, escrita gótica cursiva, regragem com ponta seca. Suspensão, em cordão de io vermelho, do selo do cabido da Sé de Coimbra. Selo de dupla ogiva, em cera verde, 33 x 51 mm., assente sobre cocho castanho. O campo apresenta a Virgem entronizada com o Menino no colo. Legenda: + SIGILLU(m) : C[A]PITULI : C[O]LIMBRI[EN(sis)]. Viseu, AMGV / PERG / 17 Fotograias: Microil; AMGV, Anísio Miguel de Sousa Saraiva Bibliograia Especíica JOAQUIM, Manuel – Notícia de vários documentos dos séculos XIII, XIV, XV e XVI, existentes no Museu de Grão Vasco. Beira Alta. 14-3 (1955) 241, doc. 7. MORUJÃO, Maria do Rosário Barbosa – A Sé de Coimbra: a instituição e a chancelaria (1080-1318). Coimbra: FLUC, 2005, p. 768 e 849. MORUJÃO, Maria do Rosário Barbosa; SARAIVA, Anísio Miguel de Sousa – O chantre de Viseu e cónego de Coimbra Lourenço Esteves de Formoselha (…1279-1318): uma abordagem prosopográica. Lusitania Sacra. 13-14 (2001-2002) 106, notas 137 e 187. A. M. S. S. 13 16 17 17

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