Capítulo 1 - Língua, linguagem e comunicação

56.359 visualizações

Publicada em

Capítulo 1 - Língua, linguagem e comunicação

  1. 1. Capítulo 1 – Língua, linguagem ecomunicaçãoÀ capacidade de comunicar-se por meio de signos damos o nome delinguagem. Assim, linguagem é a capacidade de o homem comunicar-se, sejapor meio de ícones, índices ou símbolos. A língua é um conjunto de sinais(palavras) e de leis combinatórias por meio do qual as pessoas de umacomunidade se comunicam e interagem. Ela pertence a todos os membros deuma comunidade; por isso faz parte do patrimônio social e cultural de cadacoletividade. Como ela é resultado histórico de uma convenção, um único indivíduo, isoladamente, não é capaz de criá-la ou modificá-la. Nem a língua nem a fala são imutáveis. A língua evolui transformando-a historicamente, algumas palavras ganham ou perdem certos fonemas, a exemplo da palavra “oxente”, o termo é formado pela aglutinação da expressão “ó gente”. Ó gente Ô gente Oxente OxePara comunicar-se, cada indivíduo utiliza o código linguístico do modo quejulga mais apropriado. No entanto, para que a comunicação se dê de maneirabem-sucedida, faz-se necessário que a língua – que constitui o códigolinguístico – seja respeitada em suas regras internas. Assim podemos dizer quea língua é comum a todos os indivíduos de uma determinada comunidadelinguística e que a fala é um ato individual, efetuado por um membro dacomunidade Variedades LinguísticasA língua possui uma unidade que se garante por uma série de elementosparticulares (como os fonemas, os vocábulos) e regras específicas para suacombinação, ela também possui variedades condicionadas por fatores sociais, 1 “Quem quer passar além do Bojador, tem que passar além da dor.” Fernando Pessoa.
  2. 2. Capítulo 1 – Língua, linguagem ecomunicaçãoregionais e das diversas situações em que se atualiza. As variedadeslinguísticas podem ser divididas a dois campos de estudo, segundo Dino Preti: Variedades Linguísticas Variedades Variedade geográficas socioculturais Falares Linguagem Variedade Variedades regionais ou urbana x devidas ao devidas à dialetos linguagem rural falante situação Variedades linguísticas são as 1) Variedades geográficas variações que uma língua apresenta, de acordo com as condições sociais, As variedades geográficas ocorrem em culturais, regionais e históricas em função do espaço geográfico em que a que é utilizada. linguagem é analisada, pois um mesmo objeto de estudo pode possuir inúmeras nomeações, apesar de designarem um mesmo ser, dependendo da área estuda. 2) Variedades Socioculturais2.1) Variedades determinadas pelo falantea) Grupos Culturais: Uma pessoa que conhece a língua que emprega apenas“de ouvido”, que não teve oportunidade de tomar conhecimento das regrasinternas que a compõe, domina essa língua de forma diversa de uma pessoaque tem contato com esse código linguístico por meio de livros, dicionários ouainda por intermédio da convivência com pessoas de boa formação intelectual.No entanto, não se quer dizer que um grupo fale melhor ou pior que outro. 2 “Quem quer passar além do Bojador, tem que passar além da dor.” Fernando Pessoa.
  3. 3. Capítulo 1 – Língua, linguagem ecomunicaçãoDeseja-se apenas registrar o fato de que a formação escolar de um indivíduo,por exemplo, suas atividades profissionais, seu nível cultural podemdeterminar um domínio diferente dá língua.b) O jargão (uma variação social): Observe os diversos grupos profissionais,cada um deles faz uso de um vocabulário e expressão que são típicos de seutrabalho.As análises feitas até aqui apontam para o fato de que há na língua inúmerasvariedades que representam os usos incontáveis que podem ser feitos dela.Essas variedades são infinitas porque são infinitas as maneiras como ovocabulário, a pronuncia e a sintaxe de uma língua pode se manifestar. Definirquantas são ou contá-las seria pressupor uma artificialidade inexistente, poisnão se trata de uma realidade palpável, que se posso tocar ou distinguir comclareza. Além disso, as variedades se modificam, permeiam-se, de modo que éimpossível determinar onde cada uma começa ou termina, e sua separação sópode ser feita didaticamente. Geralmente, cada usuário emprega mais de umavariedade, condicionando-a à situação em que se encontra, ao gênerodiscursivo, às finalidade que determinam sua ação. Desse modo, em ummesmo ato de fala é possível encontrar características de uma variedademisturada às de outra. Outra questão fundamental a observar é que umavariedade não é única e exclusivamente linguística: cada uma dela é também,e ao mesmo tempo, uma manifestação social e cultural, porque a língua e osseus usos são determinados e condicionados social e culturalmente. Damesma forma que a cultura e a maneira de se expressar de algumas classessociais possuem maior prestígio (são mais valorizadas) do que as de outras,podemos dizer que algumas variedades linguísticas também recebem maiorprestigio enquanto outras são menos valorizadas.  Variedade padrão, língua padrão ou norma culta: é a variedade linguística de maior prestigio social.  Variedade não padrão ou língua não padrão: são todas as linguísticas diferentes da não padrão. 3 “Quem quer passar além do Bojador, tem que passar além da dor.” Fernando Pessoa.
  4. 4. Capítulo 1 – Língua, linguagem ecomunicaçãoObs.: 1) Marca de oralidade: Algumas construções como “deixei ele” , sãotípicas da linguagem oral, até mesmo de pessoas que evitariam expressar-seassim em textos escritos formaisObs.: 2) Liberdade de uso Mesmo que em aulas de língua um professordetenha-se mais nas características da norma padrão, não se espera que umfalante – seja ele quem for – abandone a variedade linguística que domina epasse a empregar a norma-padrão em todos os momentos de sua vida (lembreque a norma-padrão é um modelo teórico). É preciso saber utilizar mais de umavariedade linguística, adequando nosso discurso ao contexto, aosinterlocutores, à finalidade pretendida.  Linguagem verbal: envolvimento direto com a palavra  Linguagem não verbal: sem envolvimento direto com a palavra Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar! Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador Tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu. Fernando Pessoa 4 “Quem quer passar além do Bojador, tem que passar além da dor.” Fernando Pessoa.

×