SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 27
Baixar para ler offline
portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br
ATENÇÃO AO
RECÉM-NASCIDO
MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE
portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br
MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE
O manejo clínico adequado do
paciente com gastrosquise impacta
na morbimortalidade e no
prognóstico.
portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br
MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE
Objetivos dessa apresentação:
• Apresentar um referencial teórico sobre a gastrosquise
• Apresentar o manejo clínico adequado da gastrosquise
MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE
portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br
Definição de Gastrosquise
• Defeito da parede abdominal anterior do feto, que
resulta na saída das vísceras abdominais
(geralmente intestinos) para a cavidade amniótica,
sem a cobertura de uma membrana amniótica.
• O defeito acontece na região paraumbilical,
tipicamente à direita do cordão umbilical.
MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE
portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br
Definição de Gastrosquise
• Pode ser classificada em simples (83% dos casos) ou complexa (17%), dependendo da
presença de alterações intestinais associadas ao nascimento (atresia, necrose ou
perfuração).
• As gastrosquises complexas tem pior prognóstico, especialmente as que evoluem com
intestino curto.
MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE
portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br
Etiologia
• O defeito da parede abdominal acontece entre a 4ª e a 10ª semana de gestação e sua
causa é desconhecida, apesar de existirem diversas teorias.
• As alças intestinais expostas ao líquido amniótico e a isquemia das mesmas à nível do
defeito da parede abdominal levam à lesão intestinal com diversos graus de
comprometimento.
MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE
portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br
Epidemiologia
• Incidência variável, entre 4 a 5 para 10.000 nascidos vivos
• Tem se observado um aumento de sua frequência em todo o mundo, sendo mais
incidente em mulheres jovens, principalmente adolescentes
• Parece haver maior risco de ocorrência associada ao uso de tabaco, maconha e cocaína
na gestação
• Somente 1 a 2 % dos pacientes tem anomalias cromossômicas associadas e por isso,
geralmente não há indicação de se realizar cariótipo fetal
• Existe maior risco de parto prematuro
MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE
portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br
• A ultrassonografia obstétrica a partir do 2° trimestre de gestação
detecta mais de 90% dos casos nos países desenvolvidos
• É importante a diferenciação entre gastrosquise e onfalocele.
Esta possui uma membrana amniótica cobrindo as vísceras
expostas e geralmente está associada a outras malformações. A
onfalocele, ao contrário da gastrosquise, não necessita de correção
cirúrgica imediata após o nascimento
Gastrosquise
Onfalocele
Manejo Pré-natal
MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE
portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br
• Ultrassonografia semanal, a partir de 34 semanas: avaliar
crescimento e vitalidade fetal (maior risco de crescimento
intrauterino restrito – CIUR) e avaliar a presença de
dilatação das alças intestinais intra-abdominais, um sinal
indireto de atresia intestinal associada
• É fundamental planejar o nascimento desse paciente em
uma maternidade com UTI Neonatal e com cirurgião
pediátrico disponível
Manejo Pré-natal
Gastrosquise
MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE
portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br
• Apesar dos diversos estudos realizados, a via e o momento do parto continuam incertos. A
maioria dos serviços recomenda o parto por via vaginal, se não houver complicação materna ou
fetal que indiquem a interrupção da gestação
• Se não houver equipe cirúrgica e anestésica disponível 24 horas por dia, 7 dias na semana, é
preferível a realização da cesariana eletiva a partir de 39 semanas, exceto se complicações
maternas ou fetais indicarem a interrupção antes desta idade gestacional
• No caso de parto cesariana, a incisão da aponeurose deve ser ampla, para permitir a extração do
RN com menor risco de trauma para as vísceras abdominais
Manejo Perinatal
MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE
portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br
Proteção das alças intestinais
Descompressão do estômago e das alças intestinais
Manutenção da temperatura corporal
Manutenção da hidratação
Oferecer suporte respiratório, se necessário, mas evitando o uso de CPAP nasal
Manejo Pós-natal Os objetivos da terapêutica inicial, logo após o nascimento são:
MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE
portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br
Proteção das alças intestinais
• Utilizar saco plástico estéril cobrindo membros inferiores
até a altura das clavículas.
• Se não houver saco estéril disponível, secar o recém-
nascido e envolvê-lo com campo cirúrgico estéril,
aquecido e seco.
• Manter o bebe em decúbito lateral direito até a correção
cirúrgica para diminuir o risco de lesão vascular
Manejo Pós-natal na Sala de Parto
MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE
portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br
Descompressão do estômago e das alças intestinais
• Inserir sonda gástrica calibrosa número 10 para
pacientes a termo e número 8 para prematuros
• Monitorar com rigor a quantidade de resíduo gástrico
drenado e a necessidade de reposição volumétrica
Manejo Pós-natal na Sala de Parto
MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE
portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br
Manutenção da temperatura corporal
• Evitar hipotermia. Manter a sala de cirurgia na temperatura adequada, reanimar o bebe
em berço de calor aquecido e transportar imediatamente para UTI neonatal em
incubadora aquecida
Manutenção da hidratação
• Iniciar hidratação venosa o mais rápido possível, pelo maior risco de desidratação desses
pacientes, com taxa hídrica total 50% maior do que o habitual para a idade gestacional e
contendo sódio no 1° dia de vida
Manejo Pós-natal na UTI Neonatal
MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE
portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br
• Iniciar nutrição parenteral total (NPT), se possível, no 1° dia de vida
• O início precoce de nutrição enteral e a prevenção de sepse são práticas que apresentam
as melhores evidências para proteção hepática
• Manter o bebe sob cuidados adequados, incluindo precaução de barreira máxima no
manuseio e na troca de curativos. Tratam-se de crianças graves e que poderão ser
submetidas a inúmeros procedimentos invasivos e, assim, o uso de antibiótico deve ser
rigoroso para evitar colonização microbiana inadequada e indução de resistência
Manejo Pós-natal na UTI Neonatal
MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE
portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br
• Iniciar antibioticoterapia somente quando houver risco perinatal, reavaliando em 48h, ou
quando houver evidências clínicas de infecção
• Administrar antibiótico profilático (cefazolina) até 60 minutos antes da cirurgia em todos
os pacientes
Manejo Pós-natal na UTI Neonatal
MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE
portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br
• A cirurgia é mandatória, idealmente realizada nas
primeiras 6h de vida
• A correção do defeito pode ser:
• Primária, com a colocação de todo o conteúdo
eviscerado para dentro do abdome ou
• Estagiada, com a colocação/confecção de um silo de
silicone e redução do conteúdo eviscerado a cada
48h até a sua retirada
Manejo Pós-natal no Centro Cirúrgico
MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE
portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br
• A síntese da parede abdominal pode ser feita com ou sem sutura (“sutureless”/
fechamento por segunda intenção)
• A cirurgia geralmente é realizada no centro cirúrgico, mas em alguns locais, é feita na
beira do leito, na UTI Neonatal
• A anestesia usualmente é geral, com associação de bloqueio do neuroeixo (peridural
sacral)
Manejo Pós-natal no Centro Cirúrgico
MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE
portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br
Gastrosquise
Simples
Redutível
Síntese Primária
Com ou sem sutura
(“sutureless”)
Irredutível
Redução Estadiada
Silo e posterior síntese com ou sem
sutura (“sutureless”)
Complexa
Atresia, Necrose, Perfuração, Volvo
Plano de fechamento
individualizado
Petrosyan M e Sandler AD, 2018.
Manejo Pós-natal no Centro Cirúrgico
Algoritmo para correção da
Gastrosquise
MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE
portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br
• Iniciar analgesia com opioide e manter até a ausência de dor. Utilizar escala de dor para
essa avaliação
• Se estiver em ventilação mecânica, extubar o mais rápido possível, evitando o uso de
CPAP nasal
• Inserção de cateter venoso central epicutâneo para oferta de Nutrição Parenteral Total
(NPT)
Manejo Pós-natal na UTI Neonatal Após a correção cirúrgica
MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE
portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br
• É comum um período de íleo adinâmico após a correção cirúrgica e é importante estar
atento à quantidade de resíduo gástrico drenado versus risco de desidratação versus
necessidade de reposição hídrica
• Retirar sonda gástrica quando resíduo gástrico for <20 ml/Kg/dia e de aspecto salivar por
mais de 24 horas
• Iniciar dieta com leite materno ou humano de banco
• Estimular o aleitamento materno, com o objetivo de dar alta para o paciente em seio
materno exclusivo
Manejo Pós-natal na UTI Neonatal Após a correção cirúrgica
MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE
portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br
Síndrome compartimental abdominal, por aumento da pressão intra-abdominal, a ponto de
prejudicar a perfusão dos órgãos e causar disfunção ou falência dos mesmos
Infecção relacionada ao cateter venoso central
Colestase associada à Nutrição Parenteral Total (NPT) prolongada
Dismotilidade Intestinal
Enterocolite Necrosante (NEC)
Síndrome do Intestino Curto
Complicações na UTI Neonatal Após a correção cirúrgica
MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE
portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br
• Acompanhamento com pediatra e cirurgião pediátrico
• A complicação mais comum no 1° ano de vida é a obstrução intestinal por brida
• Hérnia incisional é frequente entre os pacientes, especialmente naqueles em que foi feita
a síntese da parede abdominal sem sutura
• Criptorquidia associada é comum nos meninos, mas pode haver correção espontânea
Manejo Pós-natal Após a alta hospitalar
portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br
MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE
• A gastrosquise é uma malformação da parede abdominal anterior, de
causa ainda desconhecida, que apresentou aumento da incidência no
mundo todo nos últimos anos
• O ultrassom obstétrico detecta facilmente o defeito e também deve ser
utilizado para avaliação da vitalidade fetal e tamanho das alças
intestinais
portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br
MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE
• A proteção das alças intestinais com saco plástico estéril logo após o
nascimento e a manutenção do paciente hidratado, oferecendo taxa
hídrica maior do que o habitual, são primordiais no manejo inicial dos
pacientes
• O leite materno é essencial para a alimentação dos pacientes com
gastrosquise, diminuindo o risco de enterocolite necrosante
• A mortalidade na gastrosquise é baixa quando bem assistida mas a
morbidade é alta, especialmente nos casos complexos e que evoluem
para intestino curto
portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br
MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE
Referências
• Holland AJ, Walker K, Badawi N. Gastroschisis: an update. Pediatr Surg Int. 2010 Sep;26(9):871-8. doi: 10.1007/s00383-010-2679-1. Epub 2010 Aug 5.
Review. PubMed PMID: 20686898.
• Gamba P, Midrio P. Abdominal wall defects: prenatal diagnosis, newborn management, and long-term outcomes. Semin Pediatr Surg. 2014
Oct;23(5):283-90. doi: 10.1053/j.sempedsurg.2014.09.009. Epub 2014 Sep 4. Review. PubMed PMID: 25459013.
• Stanger J, Mohajerani N, Skarsgard ED; Canadian Pediatric Surgery Network (CAPSNet). Practice variation in gastroschisis: factors influencing closure
technique. J Pediatr Surg. 2014 May;49(5):720-3. doi: 10.1016/j.jpedsurg.2014.02.066. Epub 2014 Feb 22. PubMed PMID: 24851755.
• Bergholz R, Boettcher M, Reinshagen K, Wenke K. Complex gastroschisis is a different entity to simple gastroschisis affecting morbidity and mortality-
a systematic review and meta-analysis. J Pediatr Surg. 2014 Oct;49(10):1527-32. doi: 10.1016/j.jpedsurg.2014.08.001. Epub 2014 Sep 4. Review.
PubMed PMID: 25280661.
• Skarsgard ED. Management of gastroschisis. Curr Opin Pediatr. 2016 Jun;28(3):363-9. doi: 10.1097/MOP.0000000000000336. Review. PubMed PMID:
26974976.
• Petrosyan M, Sandler AD. Closure methods in gastroschisis. Semin Pediatr Surg. 2018 Oct;27(5):304-308. doi: 10.1053/j.sempedsurg.2018.08.009.
Epub 2018 Aug 28. Review. PubMed PMID: 30413261.
• Miyake H, Seo S, O’Connell JS, Janssen Lok M, Pierro A. Safety and usefulness of plastic closure in infants with gastroschisis: a systematic review and
meta-analysis. Pediatr Surg Int. 2019 Jan;35(1):107-116. doi: 10.1007/s00383-018-4381-7. Epub 2018 Nov 3. PubMed PMID: 30392129.
ATENÇÃO AO
RECÉM-NASCIDO
portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br
Material de 23 de setembro de 2019
Disponível em: portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br
Eixo: Atenção ao Recém-nascido
Aprofunde seus conhecimentos acessando artigos disponíveis na biblioteca do Portal.
MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Gastrosquise - Mariana Nunes Pinheiro Rialto
Gastrosquise - Mariana Nunes Pinheiro RialtoGastrosquise - Mariana Nunes Pinheiro Rialto
Gastrosquise - Mariana Nunes Pinheiro Rialtofetalufpr
 
Drogas vasoativas
Drogas vasoativasDrogas vasoativas
Drogas vasoativasresenfe2013
 
Anomalias anorretais
Anomalias anorretaisAnomalias anorretais
Anomalias anorretaisVanessa Paiva
 
SAE Cirúrgica - Gastrotomia, Gastrostomia e Gastrectomia
SAE Cirúrgica - Gastrotomia, Gastrostomia e GastrectomiaSAE Cirúrgica - Gastrotomia, Gastrostomia e Gastrectomia
SAE Cirúrgica - Gastrotomia, Gastrostomia e GastrectomiaAndressa Carmo
 
Puericultura - Roteiro de Consulta
Puericultura - Roteiro de ConsultaPuericultura - Roteiro de Consulta
Puericultura - Roteiro de Consultablogped1
 
Distocias e partograma
Distocias e partograma Distocias e partograma
Distocias e partograma Deuza Maquiné
 
Obstrucao intestinal aula
Obstrucao intestinal aulaObstrucao intestinal aula
Obstrucao intestinal aulaMarkley Pereira
 
CUIDADOS DE ENFERMAGEM COM SONDA NASOENTERAL ( SNE, SNG, GTT).pptx
CUIDADOS DE ENFERMAGEM COM SONDA NASOENTERAL ( SNE, SNG, GTT).pptxCUIDADOS DE ENFERMAGEM COM SONDA NASOENTERAL ( SNE, SNG, GTT).pptx
CUIDADOS DE ENFERMAGEM COM SONDA NASOENTERAL ( SNE, SNG, GTT).pptxRafaela Amanso
 
Aleitamento Materno
Aleitamento Materno Aleitamento Materno
Aleitamento Materno blogped1
 

Mais procurados (20)

Infecção do Trato Urinário durante a Gestação
Infecção do Trato Urinário durante a GestaçãoInfecção do Trato Urinário durante a Gestação
Infecção do Trato Urinário durante a Gestação
 
Gastrosquise - Mariana Nunes Pinheiro Rialto
Gastrosquise - Mariana Nunes Pinheiro RialtoGastrosquise - Mariana Nunes Pinheiro Rialto
Gastrosquise - Mariana Nunes Pinheiro Rialto
 
Laparotomia e fechamento
Laparotomia e fechamentoLaparotomia e fechamento
Laparotomia e fechamento
 
Drogas vasoativas
Drogas vasoativasDrogas vasoativas
Drogas vasoativas
 
Doenças comuns em crianças.
Doenças comuns em crianças.Doenças comuns em crianças.
Doenças comuns em crianças.
 
Reanimação Neonatal em Sala de Parto
Reanimação Neonatal em Sala de PartoReanimação Neonatal em Sala de Parto
Reanimação Neonatal em Sala de Parto
 
Reanimacao Neonatal
Reanimacao NeonatalReanimacao Neonatal
Reanimacao Neonatal
 
Anomalias anorretais
Anomalias anorretaisAnomalias anorretais
Anomalias anorretais
 
SAE Cirúrgica - Gastrotomia, Gastrostomia e Gastrectomia
SAE Cirúrgica - Gastrotomia, Gastrostomia e GastrectomiaSAE Cirúrgica - Gastrotomia, Gastrostomia e Gastrectomia
SAE Cirúrgica - Gastrotomia, Gastrostomia e Gastrectomia
 
Puericultura - Roteiro de Consulta
Puericultura - Roteiro de ConsultaPuericultura - Roteiro de Consulta
Puericultura - Roteiro de Consulta
 
Distocias e partograma
Distocias e partograma Distocias e partograma
Distocias e partograma
 
CIRROSE HEPÁTICA
CIRROSE HEPÁTICACIRROSE HEPÁTICA
CIRROSE HEPÁTICA
 
A Consulta Puerperal na Atenção Primária à Saúde
A Consulta Puerperal na Atenção Primária à SaúdeA Consulta Puerperal na Atenção Primária à Saúde
A Consulta Puerperal na Atenção Primária à Saúde
 
Reanimação Neonatal
Reanimação NeonatalReanimação Neonatal
Reanimação Neonatal
 
Uti Neonatal Parte 1
Uti Neonatal Parte 1Uti Neonatal Parte 1
Uti Neonatal Parte 1
 
Evolução pós parto
Evolução pós partoEvolução pós parto
Evolução pós parto
 
Obstrucao intestinal aula
Obstrucao intestinal aulaObstrucao intestinal aula
Obstrucao intestinal aula
 
CUIDADOS DE ENFERMAGEM COM SONDA NASOENTERAL ( SNE, SNG, GTT).pptx
CUIDADOS DE ENFERMAGEM COM SONDA NASOENTERAL ( SNE, SNG, GTT).pptxCUIDADOS DE ENFERMAGEM COM SONDA NASOENTERAL ( SNE, SNG, GTT).pptx
CUIDADOS DE ENFERMAGEM COM SONDA NASOENTERAL ( SNE, SNG, GTT).pptx
 
Sangramento no Primeiro Trimestre
Sangramento no Primeiro TrimestreSangramento no Primeiro Trimestre
Sangramento no Primeiro Trimestre
 
Aleitamento Materno
Aleitamento Materno Aleitamento Materno
Aleitamento Materno
 

Semelhante a Manejo Clínico da Gastrosquise

ADMINISTRAÇÃO DE DIETA PO.pptx
ADMINISTRAÇÃO DE DIETA PO.pptxADMINISTRAÇÃO DE DIETA PO.pptx
ADMINISTRAÇÃO DE DIETA PO.pptxssuser80ae40
 
ADMINISTRAÇÃO DE DIETA PDF.pdf
ADMINISTRAÇÃO DE DIETA PDF.pdfADMINISTRAÇÃO DE DIETA PDF.pdf
ADMINISTRAÇÃO DE DIETA PDF.pdfssuser80ae40
 
5° AULA - Assistência de Enfermagem no PARTO-PUÉRPERIO.pptx
5° AULA - Assistência de Enfermagem no PARTO-PUÉRPERIO.pptx5° AULA - Assistência de Enfermagem no PARTO-PUÉRPERIO.pptx
5° AULA - Assistência de Enfermagem no PARTO-PUÉRPERIO.pptxNatasha Louise
 
Assistência de Enfermagem em Cirurgias via Biliares e Pâncreas
Assistência de Enfermagem em Cirurgias via Biliares e PâncreasAssistência de Enfermagem em Cirurgias via Biliares e Pâncreas
Assistência de Enfermagem em Cirurgias via Biliares e PâncreasBruno Cavalcante Costa
 
Assistência de enfermagem durante o parto cesáreo !
Assistência de enfermagem durante o parto cesáreo !Assistência de enfermagem durante o parto cesáreo !
Assistência de enfermagem durante o parto cesáreo !Raquel Constantino
 
Nutricao enteral e parenteral.pdf
Nutricao enteral e parenteral.pdfNutricao enteral e parenteral.pdf
Nutricao enteral e parenteral.pdfLaendersonOliveira1
 
AULA ENFERMAGEM PERIOP 03-03-23.pdf
AULA ENFERMAGEM PERIOP 03-03-23.pdfAULA ENFERMAGEM PERIOP 03-03-23.pdf
AULA ENFERMAGEM PERIOP 03-03-23.pdfEnfermagemUniavan
 
AULA 01 - Assistência de enfermagem.pptx
AULA 01 - Assistência de enfermagem.pptxAULA 01 - Assistência de enfermagem.pptx
AULA 01 - Assistência de enfermagem.pptxenfelenicemelgueiro
 
trabalho de parto .pdf
trabalho de parto .pdftrabalho de parto .pdf
trabalho de parto .pdfANA FONSECA
 
sondas_cateteres_drenos_AULA_5_pptx;filename=_UTF_8''sondas,_cateteres.pdf
sondas_cateteres_drenos_AULA_5_pptx;filename=_UTF_8''sondas,_cateteres.pdfsondas_cateteres_drenos_AULA_5_pptx;filename=_UTF_8''sondas,_cateteres.pdf
sondas_cateteres_drenos_AULA_5_pptx;filename=_UTF_8''sondas,_cateteres.pdfAnthonySantos74
 

Semelhante a Manejo Clínico da Gastrosquise (20)

Gastrosquise: seguimento pós-cirúrgico
Gastrosquise: seguimento pós-cirúrgicoGastrosquise: seguimento pós-cirúrgico
Gastrosquise: seguimento pós-cirúrgico
 
Atenção às Mulheres com HIV no Parto e Puerpério
Atenção às Mulheres com HIV no Parto e PuerpérioAtenção às Mulheres com HIV no Parto e Puerpério
Atenção às Mulheres com HIV no Parto e Puerpério
 
ADMINISTRAÇÃO DE DIETA PO.pptx
ADMINISTRAÇÃO DE DIETA PO.pptxADMINISTRAÇÃO DE DIETA PO.pptx
ADMINISTRAÇÃO DE DIETA PO.pptx
 
ADMINISTRAÇÃO DE DIETA PDF.pdf
ADMINISTRAÇÃO DE DIETA PDF.pdfADMINISTRAÇÃO DE DIETA PDF.pdf
ADMINISTRAÇÃO DE DIETA PDF.pdf
 
5° AULA - Assistência de Enfermagem no PARTO-PUÉRPERIO.pptx
5° AULA - Assistência de Enfermagem no PARTO-PUÉRPERIO.pptx5° AULA - Assistência de Enfermagem no PARTO-PUÉRPERIO.pptx
5° AULA - Assistência de Enfermagem no PARTO-PUÉRPERIO.pptx
 
Folder gastrosquise
Folder gastrosquiseFolder gastrosquise
Folder gastrosquise
 
Assistência de Enfermagem em Cirurgias via Biliares e Pâncreas
Assistência de Enfermagem em Cirurgias via Biliares e PâncreasAssistência de Enfermagem em Cirurgias via Biliares e Pâncreas
Assistência de Enfermagem em Cirurgias via Biliares e Pâncreas
 
Cuidado ao Parto e Nascimento de Risco Habitual
Cuidado ao Parto e Nascimento de Risco HabitualCuidado ao Parto e Nascimento de Risco Habitual
Cuidado ao Parto e Nascimento de Risco Habitual
 
Manejo Conservador do Prolapso Genital
Manejo Conservador do Prolapso GenitalManejo Conservador do Prolapso Genital
Manejo Conservador do Prolapso Genital
 
Trauma na gestante
Trauma na gestanteTrauma na gestante
Trauma na gestante
 
Assistência de enfermagem durante o parto cesáreo !
Assistência de enfermagem durante o parto cesáreo !Assistência de enfermagem durante o parto cesáreo !
Assistência de enfermagem durante o parto cesáreo !
 
Nutricao enteral e parenteral.pdf
Nutricao enteral e parenteral.pdfNutricao enteral e parenteral.pdf
Nutricao enteral e parenteral.pdf
 
AULA ENFERMAGEM PERIOP 03-03-23.pdf
AULA ENFERMAGEM PERIOP 03-03-23.pdfAULA ENFERMAGEM PERIOP 03-03-23.pdf
AULA ENFERMAGEM PERIOP 03-03-23.pdf
 
Inserção do DIU de cobre: quando e como fazer?
Inserção do DIU de cobre: quando e como fazer?Inserção do DIU de cobre: quando e como fazer?
Inserção do DIU de cobre: quando e como fazer?
 
Pré e Pós Operatório em Cirurgia
Pré e Pós Operatório em CirurgiaPré e Pós Operatório em Cirurgia
Pré e Pós Operatório em Cirurgia
 
AULA 01 - Assistência de enfermagem.pptx
AULA 01 - Assistência de enfermagem.pptxAULA 01 - Assistência de enfermagem.pptx
AULA 01 - Assistência de enfermagem.pptx
 
Intervenções Oportunas em Hemorragias Puerperais: Uso de Balões de Tamponamen...
Intervenções Oportunas em Hemorragias Puerperais: Uso de Balões de Tamponamen...Intervenções Oportunas em Hemorragias Puerperais: Uso de Balões de Tamponamen...
Intervenções Oportunas em Hemorragias Puerperais: Uso de Balões de Tamponamen...
 
trabalho de parto .pdf
trabalho de parto .pdftrabalho de parto .pdf
trabalho de parto .pdf
 
Estratégias Farmacológicas para Controle da Dor e do Estresse na Intubação Tr...
Estratégias Farmacológicas para Controle da Dor e do Estresse na Intubação Tr...Estratégias Farmacológicas para Controle da Dor e do Estresse na Intubação Tr...
Estratégias Farmacológicas para Controle da Dor e do Estresse na Intubação Tr...
 
sondas_cateteres_drenos_AULA_5_pptx;filename=_UTF_8''sondas,_cateteres.pdf
sondas_cateteres_drenos_AULA_5_pptx;filename=_UTF_8''sondas,_cateteres.pdfsondas_cateteres_drenos_AULA_5_pptx;filename=_UTF_8''sondas,_cateteres.pdf
sondas_cateteres_drenos_AULA_5_pptx;filename=_UTF_8''sondas,_cateteres.pdf
 

Mais de Portal de Boas Práticas em Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente (IFF/Fiocruz)

Mais de Portal de Boas Práticas em Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente (IFF/Fiocruz) (20)

Disbioses, Infecções Genitais e Infertilidade
Disbioses, Infecções Genitais e InfertilidadeDisbioses, Infecções Genitais e Infertilidade
Disbioses, Infecções Genitais e Infertilidade
 
Prevenção de Infecção de Sítio Cirúrgico em Pediatria
Prevenção de Infecção de Sítio Cirúrgico em PediatriaPrevenção de Infecção de Sítio Cirúrgico em Pediatria
Prevenção de Infecção de Sítio Cirúrgico em Pediatria
 
Ansiedade e Depressão no Climatério
Ansiedade e Depressão no ClimatérioAnsiedade e Depressão no Climatério
Ansiedade e Depressão no Climatério
 
Diabetes Mellitus na Gestação: estratégias de organização e hierarquização da...
Diabetes Mellitus na Gestação: estratégias de organização e hierarquização da...Diabetes Mellitus na Gestação: estratégias de organização e hierarquização da...
Diabetes Mellitus na Gestação: estratégias de organização e hierarquização da...
 
Prevenção do Câncer de Colo: quando a colposcopia é indicada?
Prevenção do Câncer de Colo: quando a colposcopia é indicada?Prevenção do Câncer de Colo: quando a colposcopia é indicada?
Prevenção do Câncer de Colo: quando a colposcopia é indicada?
 
Desospitalização de Crianças com CCC: panorama da atenção domiciliar no Brasil
Desospitalização de Crianças com CCC: panorama da atenção domiciliar no BrasilDesospitalização de Crianças com CCC: panorama da atenção domiciliar no Brasil
Desospitalização de Crianças com CCC: panorama da atenção domiciliar no Brasil
 
O Pré-natal e a Promoção do Parto Normal
O Pré-natal e a Promoção do Parto NormalO Pré-natal e a Promoção do Parto Normal
O Pré-natal e a Promoção do Parto Normal
 
Diretriz Clínica Brasileira de Linha de Cuidado para Malformações Cirúrgicas:...
Diretriz Clínica Brasileira de Linha de Cuidado para Malformações Cirúrgicas:...Diretriz Clínica Brasileira de Linha de Cuidado para Malformações Cirúrgicas:...
Diretriz Clínica Brasileira de Linha de Cuidado para Malformações Cirúrgicas:...
 
Diretriz Clínica Brasileira de Linha de Cuidado para Malformações Cirúrgicas:...
Diretriz Clínica Brasileira de Linha de Cuidado para Malformações Cirúrgicas:...Diretriz Clínica Brasileira de Linha de Cuidado para Malformações Cirúrgicas:...
Diretriz Clínica Brasileira de Linha de Cuidado para Malformações Cirúrgicas:...
 
Diabetes Mellitus na Gestação: alterações metabólicas associadas
Diabetes Mellitus na Gestação: alterações metabólicas associadasDiabetes Mellitus na Gestação: alterações metabólicas associadas
Diabetes Mellitus na Gestação: alterações metabólicas associadas
 
Luto Perinatal
Luto PerinatalLuto Perinatal
Luto Perinatal
 
Anafilaxia na Infância: Apresentação Clínica e Manejo
Anafilaxia na Infância: Apresentação Clínica e ManejoAnafilaxia na Infância: Apresentação Clínica e Manejo
Anafilaxia na Infância: Apresentação Clínica e Manejo
 
Diabetes Mellitus na Gestação: Cuidados no Parto e Puerpério
Diabetes Mellitus na Gestação: Cuidados no Parto e PuerpérioDiabetes Mellitus na Gestação: Cuidados no Parto e Puerpério
Diabetes Mellitus na Gestação: Cuidados no Parto e Puerpério
 
Retomada da Cobertura Vacinal: Desafios e Perspectivas no Brasil
Retomada da Cobertura Vacinal: Desafios e Perspectivas no BrasilRetomada da Cobertura Vacinal: Desafios e Perspectivas no Brasil
Retomada da Cobertura Vacinal: Desafios e Perspectivas no Brasil
 
Cuidados com a Saúde Bucal na Gestação
Cuidados com a Saúde Bucal na GestaçãoCuidados com a Saúde Bucal na Gestação
Cuidados com a Saúde Bucal na Gestação
 
Hábitos Saudáveis e a Prevenção do Câncer de Mama: é possível?
Hábitos Saudáveis e a Prevenção do Câncer de Mama: é possível?Hábitos Saudáveis e a Prevenção do Câncer de Mama: é possível?
Hábitos Saudáveis e a Prevenção do Câncer de Mama: é possível?
 
Fibrose Cística: como diagnosticar?
Fibrose Cística: como diagnosticar?Fibrose Cística: como diagnosticar?
Fibrose Cística: como diagnosticar?
 
Osteogênese Imperfeita
Osteogênese ImperfeitaOsteogênese Imperfeita
Osteogênese Imperfeita
 
Diabetes Mellitus na Gestação: Tratamento e Cuidados no Pré-natal
Diabetes Mellitus na Gestação: Tratamento e Cuidados no Pré-natalDiabetes Mellitus na Gestação: Tratamento e Cuidados no Pré-natal
Diabetes Mellitus na Gestação: Tratamento e Cuidados no Pré-natal
 
Desafios na Introdução Alimentar
Desafios na Introdução AlimentarDesafios na Introdução Alimentar
Desafios na Introdução Alimentar
 

Manejo Clínico da Gastrosquise

  • 2. portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE O manejo clínico adequado do paciente com gastrosquise impacta na morbimortalidade e no prognóstico.
  • 3. portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE Objetivos dessa apresentação: • Apresentar um referencial teórico sobre a gastrosquise • Apresentar o manejo clínico adequado da gastrosquise
  • 4. MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br Definição de Gastrosquise • Defeito da parede abdominal anterior do feto, que resulta na saída das vísceras abdominais (geralmente intestinos) para a cavidade amniótica, sem a cobertura de uma membrana amniótica. • O defeito acontece na região paraumbilical, tipicamente à direita do cordão umbilical.
  • 5. MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br Definição de Gastrosquise • Pode ser classificada em simples (83% dos casos) ou complexa (17%), dependendo da presença de alterações intestinais associadas ao nascimento (atresia, necrose ou perfuração). • As gastrosquises complexas tem pior prognóstico, especialmente as que evoluem com intestino curto.
  • 6. MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br Etiologia • O defeito da parede abdominal acontece entre a 4ª e a 10ª semana de gestação e sua causa é desconhecida, apesar de existirem diversas teorias. • As alças intestinais expostas ao líquido amniótico e a isquemia das mesmas à nível do defeito da parede abdominal levam à lesão intestinal com diversos graus de comprometimento.
  • 7. MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br Epidemiologia • Incidência variável, entre 4 a 5 para 10.000 nascidos vivos • Tem se observado um aumento de sua frequência em todo o mundo, sendo mais incidente em mulheres jovens, principalmente adolescentes • Parece haver maior risco de ocorrência associada ao uso de tabaco, maconha e cocaína na gestação • Somente 1 a 2 % dos pacientes tem anomalias cromossômicas associadas e por isso, geralmente não há indicação de se realizar cariótipo fetal • Existe maior risco de parto prematuro
  • 8. MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br • A ultrassonografia obstétrica a partir do 2° trimestre de gestação detecta mais de 90% dos casos nos países desenvolvidos • É importante a diferenciação entre gastrosquise e onfalocele. Esta possui uma membrana amniótica cobrindo as vísceras expostas e geralmente está associada a outras malformações. A onfalocele, ao contrário da gastrosquise, não necessita de correção cirúrgica imediata após o nascimento Gastrosquise Onfalocele Manejo Pré-natal
  • 9. MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br • Ultrassonografia semanal, a partir de 34 semanas: avaliar crescimento e vitalidade fetal (maior risco de crescimento intrauterino restrito – CIUR) e avaliar a presença de dilatação das alças intestinais intra-abdominais, um sinal indireto de atresia intestinal associada • É fundamental planejar o nascimento desse paciente em uma maternidade com UTI Neonatal e com cirurgião pediátrico disponível Manejo Pré-natal Gastrosquise
  • 10. MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br • Apesar dos diversos estudos realizados, a via e o momento do parto continuam incertos. A maioria dos serviços recomenda o parto por via vaginal, se não houver complicação materna ou fetal que indiquem a interrupção da gestação • Se não houver equipe cirúrgica e anestésica disponível 24 horas por dia, 7 dias na semana, é preferível a realização da cesariana eletiva a partir de 39 semanas, exceto se complicações maternas ou fetais indicarem a interrupção antes desta idade gestacional • No caso de parto cesariana, a incisão da aponeurose deve ser ampla, para permitir a extração do RN com menor risco de trauma para as vísceras abdominais Manejo Perinatal
  • 11. MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br Proteção das alças intestinais Descompressão do estômago e das alças intestinais Manutenção da temperatura corporal Manutenção da hidratação Oferecer suporte respiratório, se necessário, mas evitando o uso de CPAP nasal Manejo Pós-natal Os objetivos da terapêutica inicial, logo após o nascimento são:
  • 12. MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br Proteção das alças intestinais • Utilizar saco plástico estéril cobrindo membros inferiores até a altura das clavículas. • Se não houver saco estéril disponível, secar o recém- nascido e envolvê-lo com campo cirúrgico estéril, aquecido e seco. • Manter o bebe em decúbito lateral direito até a correção cirúrgica para diminuir o risco de lesão vascular Manejo Pós-natal na Sala de Parto
  • 13. MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br Descompressão do estômago e das alças intestinais • Inserir sonda gástrica calibrosa número 10 para pacientes a termo e número 8 para prematuros • Monitorar com rigor a quantidade de resíduo gástrico drenado e a necessidade de reposição volumétrica Manejo Pós-natal na Sala de Parto
  • 14. MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br Manutenção da temperatura corporal • Evitar hipotermia. Manter a sala de cirurgia na temperatura adequada, reanimar o bebe em berço de calor aquecido e transportar imediatamente para UTI neonatal em incubadora aquecida Manutenção da hidratação • Iniciar hidratação venosa o mais rápido possível, pelo maior risco de desidratação desses pacientes, com taxa hídrica total 50% maior do que o habitual para a idade gestacional e contendo sódio no 1° dia de vida Manejo Pós-natal na UTI Neonatal
  • 15. MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br • Iniciar nutrição parenteral total (NPT), se possível, no 1° dia de vida • O início precoce de nutrição enteral e a prevenção de sepse são práticas que apresentam as melhores evidências para proteção hepática • Manter o bebe sob cuidados adequados, incluindo precaução de barreira máxima no manuseio e na troca de curativos. Tratam-se de crianças graves e que poderão ser submetidas a inúmeros procedimentos invasivos e, assim, o uso de antibiótico deve ser rigoroso para evitar colonização microbiana inadequada e indução de resistência Manejo Pós-natal na UTI Neonatal
  • 16. MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br • Iniciar antibioticoterapia somente quando houver risco perinatal, reavaliando em 48h, ou quando houver evidências clínicas de infecção • Administrar antibiótico profilático (cefazolina) até 60 minutos antes da cirurgia em todos os pacientes Manejo Pós-natal na UTI Neonatal
  • 17. MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br • A cirurgia é mandatória, idealmente realizada nas primeiras 6h de vida • A correção do defeito pode ser: • Primária, com a colocação de todo o conteúdo eviscerado para dentro do abdome ou • Estagiada, com a colocação/confecção de um silo de silicone e redução do conteúdo eviscerado a cada 48h até a sua retirada Manejo Pós-natal no Centro Cirúrgico
  • 18. MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br • A síntese da parede abdominal pode ser feita com ou sem sutura (“sutureless”/ fechamento por segunda intenção) • A cirurgia geralmente é realizada no centro cirúrgico, mas em alguns locais, é feita na beira do leito, na UTI Neonatal • A anestesia usualmente é geral, com associação de bloqueio do neuroeixo (peridural sacral) Manejo Pós-natal no Centro Cirúrgico
  • 19. MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br Gastrosquise Simples Redutível Síntese Primária Com ou sem sutura (“sutureless”) Irredutível Redução Estadiada Silo e posterior síntese com ou sem sutura (“sutureless”) Complexa Atresia, Necrose, Perfuração, Volvo Plano de fechamento individualizado Petrosyan M e Sandler AD, 2018. Manejo Pós-natal no Centro Cirúrgico Algoritmo para correção da Gastrosquise
  • 20. MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br • Iniciar analgesia com opioide e manter até a ausência de dor. Utilizar escala de dor para essa avaliação • Se estiver em ventilação mecânica, extubar o mais rápido possível, evitando o uso de CPAP nasal • Inserção de cateter venoso central epicutâneo para oferta de Nutrição Parenteral Total (NPT) Manejo Pós-natal na UTI Neonatal Após a correção cirúrgica
  • 21. MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br • É comum um período de íleo adinâmico após a correção cirúrgica e é importante estar atento à quantidade de resíduo gástrico drenado versus risco de desidratação versus necessidade de reposição hídrica • Retirar sonda gástrica quando resíduo gástrico for <20 ml/Kg/dia e de aspecto salivar por mais de 24 horas • Iniciar dieta com leite materno ou humano de banco • Estimular o aleitamento materno, com o objetivo de dar alta para o paciente em seio materno exclusivo Manejo Pós-natal na UTI Neonatal Após a correção cirúrgica
  • 22. MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br Síndrome compartimental abdominal, por aumento da pressão intra-abdominal, a ponto de prejudicar a perfusão dos órgãos e causar disfunção ou falência dos mesmos Infecção relacionada ao cateter venoso central Colestase associada à Nutrição Parenteral Total (NPT) prolongada Dismotilidade Intestinal Enterocolite Necrosante (NEC) Síndrome do Intestino Curto Complicações na UTI Neonatal Após a correção cirúrgica
  • 23. MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br • Acompanhamento com pediatra e cirurgião pediátrico • A complicação mais comum no 1° ano de vida é a obstrução intestinal por brida • Hérnia incisional é frequente entre os pacientes, especialmente naqueles em que foi feita a síntese da parede abdominal sem sutura • Criptorquidia associada é comum nos meninos, mas pode haver correção espontânea Manejo Pós-natal Após a alta hospitalar
  • 24. portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE • A gastrosquise é uma malformação da parede abdominal anterior, de causa ainda desconhecida, que apresentou aumento da incidência no mundo todo nos últimos anos • O ultrassom obstétrico detecta facilmente o defeito e também deve ser utilizado para avaliação da vitalidade fetal e tamanho das alças intestinais
  • 25. portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE • A proteção das alças intestinais com saco plástico estéril logo após o nascimento e a manutenção do paciente hidratado, oferecendo taxa hídrica maior do que o habitual, são primordiais no manejo inicial dos pacientes • O leite materno é essencial para a alimentação dos pacientes com gastrosquise, diminuindo o risco de enterocolite necrosante • A mortalidade na gastrosquise é baixa quando bem assistida mas a morbidade é alta, especialmente nos casos complexos e que evoluem para intestino curto
  • 26. portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE Referências • Holland AJ, Walker K, Badawi N. Gastroschisis: an update. Pediatr Surg Int. 2010 Sep;26(9):871-8. doi: 10.1007/s00383-010-2679-1. Epub 2010 Aug 5. Review. PubMed PMID: 20686898. • Gamba P, Midrio P. Abdominal wall defects: prenatal diagnosis, newborn management, and long-term outcomes. Semin Pediatr Surg. 2014 Oct;23(5):283-90. doi: 10.1053/j.sempedsurg.2014.09.009. Epub 2014 Sep 4. Review. PubMed PMID: 25459013. • Stanger J, Mohajerani N, Skarsgard ED; Canadian Pediatric Surgery Network (CAPSNet). Practice variation in gastroschisis: factors influencing closure technique. J Pediatr Surg. 2014 May;49(5):720-3. doi: 10.1016/j.jpedsurg.2014.02.066. Epub 2014 Feb 22. PubMed PMID: 24851755. • Bergholz R, Boettcher M, Reinshagen K, Wenke K. Complex gastroschisis is a different entity to simple gastroschisis affecting morbidity and mortality- a systematic review and meta-analysis. J Pediatr Surg. 2014 Oct;49(10):1527-32. doi: 10.1016/j.jpedsurg.2014.08.001. Epub 2014 Sep 4. Review. PubMed PMID: 25280661. • Skarsgard ED. Management of gastroschisis. Curr Opin Pediatr. 2016 Jun;28(3):363-9. doi: 10.1097/MOP.0000000000000336. Review. PubMed PMID: 26974976. • Petrosyan M, Sandler AD. Closure methods in gastroschisis. Semin Pediatr Surg. 2018 Oct;27(5):304-308. doi: 10.1053/j.sempedsurg.2018.08.009. Epub 2018 Aug 28. Review. PubMed PMID: 30413261. • Miyake H, Seo S, O’Connell JS, Janssen Lok M, Pierro A. Safety and usefulness of plastic closure in infants with gastroschisis: a systematic review and meta-analysis. Pediatr Surg Int. 2019 Jan;35(1):107-116. doi: 10.1007/s00383-018-4381-7. Epub 2018 Nov 3. PubMed PMID: 30392129.
  • 27. ATENÇÃO AO RECÉM-NASCIDO portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br Material de 23 de setembro de 2019 Disponível em: portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br Eixo: Atenção ao Recém-nascido Aprofunde seus conhecimentos acessando artigos disponíveis na biblioteca do Portal. MANEJO CLÍNICO DA GASTROSQUISE