Hans Staden

15.317 visualizações

Publicada em

Apresentação projeto de trabalho sobre Hans Staden

0 comentários
2 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
15.317
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
5.762
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
137
Comentários
0
Gostaram
2
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Hans Staden

  1. 1. Uma nova leitura de Hans Staden
  2. 2. Hans Staden <ul><li>Em 1547, um alemão resolve sair de seu vilarejo natal e conhecer a Índia. As razões que o levaram a oferecer seus serviços de mercenário em Portugal na época das grandes navegações são até hoje pouco conhecidas. Teriam as guerras entre católicos e protestantes tornado sua situação insustentável, impelindo o jovem Staden para longe de Hessen? </li></ul><ul><li>O que se sabe ao certo é que vai até Lisboa e lá embarca numa frota com destino ao Brasil e para cá faz duas viagens, sendo que na segunda é capturado por uma tribo de tupinambás, e com eles vive como prisioneiro por nove meses, aprendendo sua língua e seus costumes. Por muito pouco não é morto em cerimônia antropofágica. Consegue, depois de inúmeras peripécias, ser resgatado por um navio francês que o leva de volta à Europa. Como forma de agradecimento a deus, a quem era temente, resolve relatar e registrar sua experiência num livro. </li></ul>
  3. 3. Hans Staden
  4. 4. O livro
  5. 5. O título <ul><li>História verdadeira </li></ul><ul><li>e descrição de uma terra </li></ul><ul><li>de selvagens nus e impiedosos comedores de gente, </li></ul><ul><li>situada no Novo Mundo da América </li></ul>
  6. 6. <ul><li>Wie sich die Schiffart anfahrt /auß Portugal nach Rio de Jenero / gelegen in America / ungeferlich in 24. gradus des Tropici Capricorni höhe. Caput i. </li></ul><ul><li>Lissebona / eyn statt in Portugal gelegen / im 39. gradu /auff der wann man von Lissebona wil abfahren nach der Provinz Rio de Jenero gelgen in der Landschafft Prasilien / so man auch Americam nennet / fehret man erstmals auff insulen / heyssen die Cannarix / sein des Königs ausß Hispanien / Der g. hie genant werden. Die ersteVon dannen fehret man off insulen /heyssen Los insules de Cape Verde / Ist so vil gefagt / Die insulen des grünen heupt / welches grün heupt leigt inn schwarz Moxen landt / welchs man auch wol heysset Gene. Die obgemelten insulen leigen unter dem Tropico Cancri / hören dem König von Portugal zü. Von den insulen siegelt man Seud seud West /nach der landschafft Prasilien zü / und ist eyn grosses weites meer / man siegelt off i drei monat ud lenger / eheman in die landschafft kompt. Erstmals siegelt ma uber den Tropicum Caneri / das er zu ruck bleibt Darnach durch die lineam æquinocialem. Wann man die Nor werts zurück siegelt / so sihet man den Nort stern (welchen man auch nennet Polum articum) nicht mehe. Darnach kompt man in die höhe die höhe </li></ul>Fac-símile
  7. 7. Xilografia original e versão
  8. 8. Estrutura <ul><li>A edição original era composta de: </li></ul><ul><li>• Dedicatória ao príncipe Felipe de Hessen </li></ul><ul><li>• Prefácio do Dr. Dryander </li></ul><ul><li>• Livro Primeiro: “As viagens” (53 capítulos) </li></ul><ul><li>• Livro Segundo: “A Terra e seus habitantes” (29 capítulos) </li></ul><ul><li>• Relatório sobre Alguns Animais Daquela Terra </li></ul><ul><li>• Relatório sobre Algumas Árvores Daquela Terra </li></ul><ul><li>• 56 Xilogravuras </li></ul>
  9. 9. Sem-cerimônia editorial <ul><li>A obra de Staden foi devorada ao longo do tempo e servida de várias formas e temperos. </li></ul><ul><li>Edições fac-símiles, traduzidas diretamente do alemão ou da versão francesa. </li></ul><ul><li>Edição recontadas. Monteiro Lobato e outros </li></ul><ul><li>Filme. </li></ul><ul><li>Versões em HQ. </li></ul><ul><li>Edições com as gravuras, sem gravuras, com as duas partes, ou com apenas uma. </li></ul>
  10. 10. Uma tradução específica <ul><li>Este trabalho visa comentar uma das traduções para o português do livro de Hans Staden , especificamente aquela feita a partir da versão em alemão modernizado de Karl Fouquet feita em 1941. </li></ul><ul><li>Enquanto Fouquet transpôs o texto original, (teria ele tido acesso a uma edição princeps ou fac-similar?) escrito no alemão clássico, recém padronizado por Lutero para o alemão moderno, Guiomar Carvalho Franco se utilizou da versão de Fouquet para elaborar sua tradução para o português. </li></ul><ul><li>Essa edição bilíngüe recebe o título neutro de &quot;Duas Viagens ao Brasil&quot;. Esta edição está disponível atualmente pela Edusp, que carece de atualização ortográfica, mas contém todo o texto e todas as gravuras do original. </li></ul>
  11. 11. Uma viagem em tradução <ul><li>Essa edição recebe o título neutro de &quot;Duas Viagens ao Brasil“, disponível atualmente pela Itatiaia / Edusp. </li></ul><ul><li>Carece de atualização ortográfica, mas contém todo o texto e todas as gravuras do original. </li></ul>
  12. 12. Preciosismo I
  13. 13. Preciosismo II
  14. 14. Colocação pronominal <ul><li>Guiomar Carvalho Franco tem obsessão com as ênclises: </li></ul><ul><li>“ Vão atrás da caça e atiram -na .” </li></ul><ul><li>“ Valem-se disso para assim melhor espreitá -los e atirá -los ” </li></ul><ul><li>“ A carne que comem, assam -na em geral.” </li></ul><ul><li>“ Quando indivíduos de tribos estranhas entram em seus domínios, comem -nos .” (Este trecho gera uma perigosa ambigüidade) </li></ul><ul><li>“ Preparam também a farinha de peixe e carne, do seguinte modo: assam a carne, ou o peixe, na fumaça sobre o fogo, deixam -na secar de todo; desfiam -na , torram -na de novo depois, ao fogo, em vasilhas queimadas para tal fim e que chamam inhêpoã; esmagam -na .” </li></ul><ul><li>A ênclise não era hegemônica na modalidade escrita em 1940. </li></ul>
  15. 15. Tupi or not tupi <ul><li>Uma das muitas peculiaridades do texto de Staden é conter inúmeras citações em tupi de lugares, nomes de pessoas, descrições de fauna e flora, objetos e eventos, além de frases e diálogos. </li></ul><ul><li>Exemplos: embira, caiera, tubarão, mandioca, maracá </li></ul><ul><li>Como o livro original de Staden foi publicado ainda nos primórdios da imprensa, não era possível naquela época utilizar recursos gráficos para diferenciar as duas línguas. Fouquet poderia ter usado aspas, negrito, itálico ou travessões para marcar as passagens em tupi na sua modernização, mas preferiu não avançar neste aspecto. </li></ul>
  16. 16. Pesos e medidas <ul><li>Staden procura descrever com maior grau de precisão possível as medidas que observa, usando como unidade côvados, pés, braças e milhas. </li></ul><ul><li>Nem Fouquet nem Carvalho Franco se preocuparam em atualizar estas medidas para o leitor moderno. </li></ul>
  17. 17. Termos inapropriados?
  18. 18. Conclusão <ul><li>a) Excessiva reverência diante da língua de partida , que atua como um complexo de inferioridade, levando o tradutor a privilegiar os vocábulos mais prístinos, pois considera, talvez até inconscientemente, a língua de partida mais elevada que a língua-alvo. </li></ul><ul><li>b) Excessiva reverência diante da idade do texto . Esta hipótese é baseada na falsa pressuposição de que para ser fiel a um texto escrito há quatro séculos e meio seria mais apropriado lançar mão de palavras mais decrépitas. Busca-se uma fidelidade por meios tortuosos. </li></ul>
  19. 20. Hans Staden em filme
  20. 21. Hans Staden na Wikipedia
  21. 22. A Wikipedia em inglês duvida da veracidade de Staden .
  22. 23. As 95 teses de Martinho Lutero
  23. 24. Outros relatos <ul><li>Ulrich Schmidl ca.1530 </li></ul><ul><li>Anthony Knivet 1591 </li></ul><ul><li>André Thevet 1555 </li></ul>
  24. 25. Bibliografia <ul><li>BERMAN , A. L’epreuve de l’etranger: culture et traduction dans l’Allemagne romantique, Paris: Gallimard, 1984. </li></ul><ul><li>MATTOS , D. de (ed.). Cultura e tradutologia, Brasília:Thesaurus, 1983. </li></ul><ul><li>MONTAIGNE , Michel de. Dos Canibais. Capítulo XXXI. Ensaios I. In: Montaigne Volume I (Coleção Os Pensadores). Tradução de Sérgio Milliet. São Paulo: Nova Cultural, 1987, pág 100 - 106. </li></ul><ul><li>NIDA , E.A. Contexts in translanting, Amsterdan: J.Benjamin, 2001. </li></ul><ul><li>PAES , José Paulo. Tradução: a ponte necessária, São Paulo: Ática, 1990. </li></ul><ul><li>ROBINSON , D.. Construindo o tradutor, tradução de J.Simões, Bauru: Edusc, 2002. </li></ul><ul><li>SELESKOVITCH , D. Interpreter pour traduire, Paris:Didier Erudition, 2001. </li></ul><ul><li>STADEN , Hans. Duas Viagens ao Brasil, tradução de Guiomar Carvalho Franco, São Paulo: Itatiaia, 2002. </li></ul><ul><li>STEINER , G. Depois de Babel: aspectos da linguagem e tradução, tradução de M. S. Periera, Lisboa: Relógio d’Água, 2002. </li></ul>

×