Trabalho cenários econ pier ietto

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Trabalho cenários econ pier ietto

  1. 1. Escola Nacional de Seguros MBA Executivo em Seguros e Resseguros CENÁRIOS ECONÔMICOS Professor Gustavo MeloA INFLUÊNCIA DA TAXA DE JUROS NOMERCADO DE SEGUROS E FUNDOS DE PENSÃO Pier Domenico Rodrigues Ietto
  2. 2. ÍNDICE1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 22 TAXA SELIC E A ECONOMIA .................................................................................. 33 IMPACTOS NAS SEGURADORAS E FUNDOS DE PENSÃO................................... 44 CONCLUSÃO ............................................................................................................. 65 FONTES DE PESQUISA............................................................................................ 7 1
  3. 3. 1 INTRODUÇÃO Quando se fala em taxa de juros, podemos recorrer à definição do dicionárioHouaiss, como "quantia que remunera um credor pelo uso de seu dinheiro por partede um devedor durante um período determinado, ger. uma percentagem sobre o quefoi emprestado; soma cobrada de outrem, pelo seu uso, por quem empresta odinheiro". De uma forma mais simples, é a remuneração que o detentor do dinheirocobra para conceder um empréstimo. No caso da ação do Governo na economia,este determina uma taxa básica de juros que norteia a economia brasileira e anegociação dos títulos públicos registrados no Banco Central. Assim, podemos dizer que a taxa de juros tem um papel estratégico nasdecisões dos mais variados agentes econômicos. Por exemplo, nas empresas astaxas de juros norteiam as decisões quando a compra de equipamentos, insumos,montante de capital de giro, entre outros. Já na vida das pessoas comuns, osconsumidores, essas taxas nortearão seu poder de compra também em função desua volatilidade. Essas decisões se baseiam no patamar da taxa de juros, pois este influenciao volume do consumo de bens pelos consumidores e o nível de financiamento dessesbens. Em se tratando do mercado internacional, que também é afetado pelas taxasde juros determinadas por cada país, a fixação de uma taxa de juros local estárelacionado com a demanda de crédito nos mercados financeiros internacionais.Assim, podemos afirmar que um país detentor de uma taxa de juros local alta,considerando seu risco de crédito dentro dos padrões aceitáveis, atrairá muitosrecursos estrangeiros que visam o retorno financeiro oferecido por essas taxas dejuros, ou seja, o movimento de capitais financeiros internacionais estarácondicionado aos diferentes níveis de taxas de juros locais entre os países. No Brasil essa taxa local é chamada de taxa SELIC (Sistema Especial deLiquidação e Custódia) e a responsabilidade pela sua divulgação periódica é o Comitêde Política Monetária (COPOM). A taxa SELIC é o índice pelo qual as taxas de juroscobradas no mercado são balizadas no Brasil, ou seja, é chamada de taxa básica dereferência, em face de sua utilização pela política monetária do governo, a fim deembasar o cálculo das demais taxas de juros de todo o crédito na economia. Ainda, éutilizada pelo Governo com intuito de controlar a inflação. 2
  4. 4. 2 TAXA SELIC E A ECONOMIA Sendo a taxa Selic o instrumento utilizado pelo Governo para controlar ainflação. A redução dessa taxa implica na redução das aplicações nos títulos da dívidapública e uma busca por investimento que tenham retorno melhor que o pago peloGoverno naqueles títulos. Assim, como há redução desses investimentos em títulospúblicos, há uma maior circulação de dinheiro no mercado, aumentando o crédito.Esse aumento da demanda de produtos e serviços aquece a economia, o que podeocasionar aumento dos preços e, consequentemente, da inflação. Em geral, sepercebe uma migração de recursos que, antes eram investidos nos títulos doGoverno, de Renda Fixa, para a Bolsa de Valores, ou seja, o mercado de ações.Ainda, se percebe também a redução dos recursos externos investidos nos títulospúblicos brasileiros, pois, enquanto a taxa SELIC é alta, os países estrangeirosmantêm seus recursos investidos nesses títulos visando o retorno financeiro, mesmoo Brasil apresentando maior risco de solvência. Entretanto, a redução dessa taxa fazcom que o risco de deixar os recursos investidos nos títulos brasileiros não compenseo baixo retorno financeiro e o Governo fica com menos recursos, pois é por meio daemissão e venda desses títulos que o Governo toma empréstimos para financiar adívida pública no país e outras atividades como educação, saúde e infraestrutura. Por outro lado, havendo o aumento da taxa básica de juros, a SELIC, oGoverno inibe o consumo e os investimentos. Por consequência, há umadesaceleração da economia o que evita o aumento dos preços, ou seja, é ummecanismo de inibição de inflação. O movimento de recursos financeiros é o oposto,já que a remuneração para pelos títulos de Renda Fixa aumenta e, em função domenor risco quando comparados aos investimentos no mercado financeiro, osinvestidores na hora de diversificar seus recursos, optam por alocar uma grandeparte nos títulos do Governo. 3
  5. 5. 3 IMPACTOS NAS SEGURADORAS E FUNDOS DEPENSÃO Desde o ano passado, mais precisamente desde 31/08/2012, o Banco Centraliniciou o atual ciclo de corte básica de juros (a Selic) com uma redução de 0,5 daSelic, e assim, até a última reunião, a qual definiu a taxa de 7,25%a.a., estamosacompanhando um processo de redução gradativa nessa taxa, fato este quesurpreendeu tanto os investidores quanto os analistas do mercado. Entretanto, pelo que já expusemos anteriormente sobre a redução da taxaSELIC, quando analisamos mais especificamente o mercado de seguros e asSeguradoras, observamos que o recuo da taxa básica de juros vai afetar os ganhosfinanceiros em função das aplicações mantidas observados os limites determinadospela SUSEP, podendo fazer com que haja reajuste nos preços dos seguros, poismuitas Seguradoras contavam com os resultados das aplicações para manterprêmios sem realidade tarifária. Entretanto, a redução da Selic pode provocar umaretomada do crescimento, pois mencionamos essa redução implica no aumento dovolume de dinheiro em circulação no mercado, o que aliado à estabilidadeeconômica, aumenta o poder de compra do consumidor, o que pode aumentar oconsumo no mercado segurador, aumentando os resultados operacionais, o queimplicaria na redução da dependência dos ganhos financeiros por parte dasSeguradoras. Assim, percebe-se que as Seguradoras estão fazendo ajustes significativosnas suas estruturas, afim de conviver com esse cenário de taxas de juros baixas semdeixar de trazer o retorno dos acionistas. Uma diferença entre os impactos dessa redução é quando isolamosdiferentes ramos. Ou seja, seguradoras com foco em vida devem ser mais afetas,haja vista que seus ativos devem ser capitalizados por maior tempo afim de cobrirum plano de previdência ou seguro de vida. Ou seja, são contratos longos. Já asseguradoras de ramos elementares devem ser menos afetadas por terem contratoscurtos, de um ano no máximo. Assim, algumas alternativas para compensar os baixos índices de retornoprovocados pela redução das taxas de juros são o aumento do preço dos seguros,aumento do portfólio, aumento da área de abrangência e redução dos custos. Ainda,uma outra solução, embora empenha maior risco às Seguradoras é aplicar osrecursos garantidores em ativos de maior risco, ou seja, no mercado de ações,visando aumentar o retorno dessa carteira de investimentos. Quando falamos dos Fundos de Pensão, ou seja, a Previdência Fechada, nosreferimos aos fundos que garantem um benefício ao seu participante quando da sua 4
  6. 6. aposentadoria, ou a pensão aos seus dependentes. Desta forma, por ser um fundoligado a uma Patrocinadora e não visar lucros (apenas cobra taxa de administraçãopara fazer frente aos compromissos administrativos) toda a rentabilidade auferidapelo fundo se reverte para os participantes e patrocinadora, no sentido de reduzircontribuições normais futuras e/ou aumentar benefícios. Assim, o fundo tem que capitalizar os valores pagos de contribuição, tantode participante quanto de patrocinadoras (em alguns casos os assistidos tambémparticipam do custeio normal do Plano) afim de garantir que os ativos cubram opassivo que garante todos os benefícios que falamos anteriormente. Para avaliar o quando de recursos financeiro o Plano precisará para pagar oscompromissos e calculado e, para comparar com o Ativo do Plano, que é posicionadona data presente, é necessário calcular esses compromissos também na data dehoje. Assim, é utilizada a taxa de desconto atuarial para descapitalizar ocompromisso até a data que o ativo está posicionado. Desta forma, procura-seinvestimentos que capitalizem os ativos do Plano a taxas superiores as utilizadaspara avaliar os compromisso à data presente, fazendo com que o ganho financeirosobre os ativos gerem superávit ao Plano e este permaneça solvente. Entretanto, a redução das taxas de juros fizeram com que os ativos dosPlanos não atingissem mais os níveis superiores às taxas de avaliação doscompromissos, fazendo com que essas taxas fossem reduzidas às taxas de retornodos Ativos. Isso impactou no aumento significativo dos Passivos atuariais, ou seja,das Provisões Matemáticas, pois se o Plano aplica a uma taxa menor, logo, deve termais dinheiro hoje para se chegar ao mesmo patamar do compromisso no futuro.Cabe destacar que a taxa de retorno é a premissa atuarial de maior impacto quandode uma alteração. 5
  7. 7. 4 CONCLUSÃO Por fim, cabe uma discussão sobre a manutenção da taxa SELIC a patamarestão reduzidos, pois acaba por afugentar os investimentos externos, fazendo com queos investidor, mesmo tendo retorno nulo ou até negativo, prefira investir em títulosde seu país de origem a arriscar seu patrimônio investindo em títulos brasileiros quedarão retorno real, desconsiderando a inflação, no máximo 4%a.a. Por curiosidade, fazendo uma conta considerando a taxa de juros real de1991 até 1998 (aproximadamente 22% ao ano), em uma aplicação em um fundo derenda fixa atrelado ao DI, grosso modo, o patrimônio em termos reais dobrava emmenos de 4 anos (3,5 anos para ser mais exatos). Com a taxa de juros real média de 2003 a 2006 (11,3% ao ano), umaaplicação de renda fixa DI dobraria o patrimônio em um prazo de 6,5 anos. Já hoje, com a perspectiva de uma taxa de juros real de no máximo 4%acima da inflação, em investimentos de papéis de longo prazo do Tesouro, o esforçode acumulação tem que ser significativamente maior, pois essas aplicações emtítulos pós-fixados levam 18 anos para dobrar o patrimônio. Assim, as Seguradoras e Fundos de Pensão terão que se desdobrar afim decontinuar a ter o lucro operacional, em se tratando de Seguradora, e para garantir asolvência dos Planos, em face da redução dos juros e manutenção dos níveis debenefício garantido dos participantes. Rio de Janeiro, 16 de novembro de 2012. Pier Domenico Rodrigues Ietto MBA Executivo em Seguros e Resseguros Cenários Econômicos Professor Gustavo Melo Escola Nacional de Seguros 6
  8. 8. 5 FONTES DE PESQUISA Busca do material sobre impacto da redução da Taxa Selic no Mercado deSeguros: Jornal do Comércio Portal de Notícias – CNSeg Portal de Notícias – SEGS Portal de Notícias – Gente & Mercado Portal de Notícias – Blog Favre Portal de Notícias – Monitor Mercantil Portal de Notícias – O Globo Portal de Notícias – Icatu Seguros 7

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