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4.    REFERÊNCIASALCAMO, E.; ELSON, L. M. Microbiologia: um livro para colorir. 1. ed. São Paulo:Roca, 2004.BORGES, Regina...
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  1. 1. INVESTIGANDO A CONTRIBUIÇÃO DE ATIVIDADES EXPERIMENTAIS NASCONCEPÇÕES SOBRE MICROBIOLOGIA DE ALUNOS DO ENSINOFUNDAMENTALKaren Martins Limberger – Karen.limberger@hotmail.comRenata Medina da Silva (orientador) – renata.medina@pucrs.brBerenice Alvares Rosito (orientador) –bbarosito@pucrs.brFaculdade de Biociências - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRSEixo temático e modalidade: Educação não formal em Ciências - Comunicação oralRESUMOA microbiologia é a área da Biologia que estuda os micro-organismos, um dos temas aindapouco abordados de forma adequada no estudo de ciências do ensino fundamental. Por lidarcom organismos visíveis apenas ao microscópio, a microbiologia costuma ser trabalhada nasescolas de forma muito teórica e com pouca experimentação. Assim, o objetivo do trabalhofoi avaliar as contribuições de atividades teórico-práticas de microbiologia sobre asconcepções a respeito deste tema de alunos do ensino fundamental (5ª e 6ª séries), dosColégios Maristas Champagnat e Assunção, que participaram do Clube de Ciências daFaculdade de Biociências/PUCRS no ano de 2009. Através da metodologia adotada pudemosperceber quais as visões dos alunos a respeito da microbiologia, como também a verificaçãodo seu entendimento a respeito de conceitos gerais sobre o tema após a realização deatividades teórico-práticas. O trabalho revelou que atividades práticas desta área das ciênciassão fáceis de serem realizadas, despertam intensa curiosidade e encantamento por parte dosalunos em relação à saúde e meio ambiente, além de terem contribuído de forma substancialpara um aprendizado global a respeito do tema microbiologia. Tal aprendizado mostra-sefundamental para a formação dos estudantes de ensino fundamental como cidadãosconscientes em relação a temas como saúde, ecologia e conservação dos ecossistemas.Palavras-chave – Microbiologia, atividades experimentais, ensino fundamental. 1. INTRODUÇÃO A microbiologia é a área da Biologia que estuda os micro-organismos (vírus, bactérias,archaea, fungos, protistas, e alguns parasitas multicelulares), formas microscópicas de vida.O fato dessas formas não serem vistas a olho nu fez com que o desenvolvimento damicrobiologia fosse sempre dependente do desenvolvimento do microscópio e da ciência damicroscopia (ALCAMO e ELSON, 2004). Assim, por ser relativamente complexo e por lidarcom organismos visíveis apenas ao microscópio, o estudo da microbiologia é ainda um temamuito pouco abordado no ensino fundamental, sendo trabalhado nas escolas de forma muitoteórica e com pouca experimentação. 1
  2. 2. Segundo VILLANI (2007), os conhecimentos trazidos pela educação em ciênciasparecem estar cada vez mais distantes da realidade científica e tecnológica dos estudantes,fazendo menos sentido para eles. Dentro desta perspectiva, observa-se uma dificuldade noaprendizado do ensino de ciências sobre o conteúdo de microbiologia, já que estes não semostram conectados com a vida cotidiana dos alunos, onde muitas vezes são abordadosapenas com conotações negativas e, portanto, de forma inadequada. A microbiologia apresenta uma grande importância no dia-a-dia das pessoas, já quenós vivemos em um universo microbiano. Ao contrário do que comumente se imagina, agrande maioria dos micro-organismos beneficia o homem, seja reciclando os elementos davida, produzindo alimentos, produtos industrializados e servindo de ferramentas parapesquisas. Levando em consideração a sua imensa biodiversidade, apenas uma pequena fraçãodos micro-organismos comportam-se como agentes causadores de doenças. Estes seres vivospodem ser encontrados em abundância em diversos lugares, como em amostras de água, emum punhado de solo e, ainda, nosso próprio organismo (MADIGAN, 2010). Dentro destaidéia, é possível perceber a grande importância, para alunos de ensino básico, doconhecimento mais aprofundado a respeito de seres microscópicos, entendendo o grandepapel ecológico que estes desempenham, bem como da sua importância na vida das pessoas. Segundo GIORDAN e VECCHI (1996) o saber não se adquire de imediato, pelaobservação; elabora-se a partir das concepções vigentes, através de um longo processo deretomada e decantação, que desemboca sobre a construção de outra aproximação da realidade.Dentro deste contexto, neste mundo fantástico de micro-organismos, o professor podeencontrar um imenso interesse educativo para o ensino de ciências, fazendo uma abordagemdas concepções prévias dos alunos, elaborando atividades que estejam associadas ao seuquotidiano, buscando aprender com eles e, assim, construindo um novo saber. Assim, o objetivo deste trabalho foi avaliar as contribuições de atividades teórico-práticas de microbiologia sobre as concepções a respeito deste tema de alunos do ensinofundamental (5ª e 6ª séries) dos Colégios Marista Champagnat e Assunção (Porto Alegre,RS), que participam do Clube de Ciências da Faculdade de Biociências da PUCRS.2. METODOLOGIA A pesquisa foi realizada em um Clube de Ciências na Faculdade de Biociências(FABIO) da PUCRS, um espaço não formal de educação inicial e continuada de professores.Nesse ambiente é desenvolvido o ensino e a pesquisa de forma integrada para a formação dedocentes, como também efetivas ações pedagógicas inovadoras que propiciam ainstitucionalização de espaços de atualização e aperfeiçoamento para professores elicenciandos. De forma também importante, o Clube de Ciências na FABIO/PUCRS promovea divulgação científico-tecnológica para todos/as os/as envolvidos/as no processo de ensinar eaprender. Para a realização da pesquisa, participaram alunos do ensino fundamental (5ª e 6ªséries) dos Colégios Maristas Champagnat e Assunção, ambos em Porto Alegre (RS), no anode 2009. Inicialmente, para conhecer as concepções dos alunos sobre o tema demicrobiologia, participaram 61 alunos. Imediatamente após as atividades, responderam aosegundo questionário apenas 47 alunos deste grupo. Após quatro meses das atividadesaplicamos novamente o segundo questionário e somente os alunos do colégio Champagnatresponderam, contando com 32 alunos. 2
  3. 3. O presente trabalho adotou uma abordagem qualitativa compreensiva e foi abordadaatravés das seguintes estratégias: 1- Coleta de dados através de questionários com questões abertas, bem como através detextos e representações gráficas elaboradas pelos alunos;2- Registro das atividades em diário da licencianda;3- Análise de conteúdo dos dados coletados e dos registros efetuados;4- Reuniões semanais;5- Revisão de literatura. A metodologia de pesquisa utilizada, de acordo com MORAES (1999), foi baseada emanálise de conteúdo, onde os textos produzidos pelos estudantes devem ser lidos diversasvezes, permitindo uma visão do todo, para discriminar as unidades de significado nelescontidas e depois reunidas em categorias. As atividades teórico-práticas propostas que envolviam o tema “microbiologia” foramdivididas em cinco etapas, a partir das quais pudemos analisar e identificar as ideias geraisdos alunos sobre este assunto e produzir um texto descritivo sobre o material analisado. Na primeira etapa das atividades foi feito um levantamento das concepções préviasdos alunos sobre microbiologia, através da aplicação de um questionário (QUESTIONÁRIO1) a respeito de pontos gerais que envolvem este tema. Desta forma, os alunos tiveram espaçopara mostrar suas visões e entendimento sobre microbiologia, assim revelando o que elessabiam a respeito do tema.QUESTIONÁRIO 1:1) O que são micro-organismos, micróbios, germes?2) Qual o papel deles nas nossas vidas?3) Você acha que existem micro-organismos no nosso corpo? Onde?4) Por que precisamos lavar as mãos?5) O que você gostaria de saber sobre micro-organismos?6) Como você imagina um micro-organismo. Desenhe. Também nesta etapa, os alunos realizaram, com o auxílio de hastes flexíveis comalgodão (suabes), coletas de micro-organismos do ambiente e semearam suas amostras emmeio de cultura sólido (ágar + nutrientes), de onde os micro-organismos tiram sua fonte deenergia e nutrientes para sua própria sobrevivência. Para tal, cada aluno recebeu uma placa dePetri contendo o meio de cultura e quatro suabes. Desta forma, cada aluno pode escolher aténo máximo quatro locais do ambiente para coletar os micro-organismos. Após as escolhas,eles passaram os suabes nos locais de coleta e imediatamente depositaram o materialamostrado na parte gelatinosa da placa de petri (meio de cultura), fazendo movimentos emzig-zag. Posteriormente, as placas foram incubadas em estufa microbiológica a umatemperatura de 37°C por dois dias. Na segunda etapa, foi realizada uma análise dos micro-organismos cultivados no meiode cultura. Primeiramente, tal análise se realizou em nível macroscópico, através daobservação das diversas colônias microbianas crescidas no meio de cultura. Nesta atividade,portanto, os alunos tiveram acesso às placas de micro-organismos que ficaram na estufadurante dois dias e fizeram reflexões e discussões a respeito do resultado encontrado. 3
  4. 4. Posteriormente, uma análise em microscopia óptica também foi realizada, através daobservação de lâminas previamente preparadas e coradas pelo método de Gram, a partir domaterial cultivado. O preparo destas lâminas foi feito pela licencianda, no laboratório deImunologia e Microbiologia da Faculdade de Biociências da PUCRS, nos dias entre aprimeira e a segunda atividade. Assim, cada aluno pode visualizar os micro-organismos queeles mesmos cultivaram, além de desenhar e identificar quanto ao seu tipo (fungos oubactérias) e à sua forma (no caso de bactérias, cocos, que são grânulos arredondados, deforma esférica, ou bacilos, que apresentam a forma de bastão/bastonete), durante a suaobservação ao microscópio em aumento de 1000x. Além disso, no caso das bactérias, osalunos puderam perceber também o seu tipo de arranjo (estreptococos, estreptobacilos,estafilococos, tétrade, sarcina, etc.), entendendo o significado de cada um deles, pela maneiracomo encontravam-se agrupadas. Na terceira etapa das atividades, uma discussão a respeito de pequenos fragmentos detextos sobre a influência dos micro-organismos nos cuidados de higiene e na saúde do serhumano foi desenvolvida. Os alunos foram divididos em pequenos grupos onde tiveram umespaço para leitura de um pequeno texto referente a um tipo de doença causada por micro-organismos, contendo o agente causador, modo de transmissão, sintomas, prevenção além dealgumas curiosidades. Botulismo, leptospirose, tétano, tuberculose, pneumonia, cólera ecoqueluche foram as doenças trabalhadas com os alunos. Após a leitura, cada grupo recebeuuma lâmina de retroprojetor, onde puderam colocar neste material um resumo que achassemrelevante apresentar para os demais colegas. Na quarta etapa foi feita uma coleta de amostras de pequenos corpos d´água do ParqueFarroupilha (região central de Porto Alegre-RS), e uma análise de micro-organismos vivosnela presentes ao microscópio óptico (400X). Para tal, os próprios alunos puderam preparar oseu material para observação, apenas colocando uma gota destas amostras de água sobre aslâminas e as cobrindo com lamínulas. Desta forma, cada aluno pode visualizar a diversidadede seres microscópicos vivos e ativos na amostra observada e conhecer alguns dos seusrepresentantes mais conhecidos, como algas, ciliados, flagelados e pequenos animais,desenhando alguns dos organismos observados. Ainda na quarta etapa, foi proposto aos alunos que respondessem a algumas questões,a partir das quais pode ser feita a verificação do seu entendimento a respeito de conceitosgerais sobre microbiologia após as atividades propostas (QUESTIONÁRIO 2).QUESTIONÁRIO 2:1) Como você define um micro-organismo, micróbios, germes?2) Você acha importante os micro-organismos em nossas vidas? Por quê?3) Que locais podemos encontrar os micro-organismos?4) É importante ter cuidados com a higiene e na saúde do ser humano. Dê exemplos deprevenção que devemos ter para evitar contaminação e infeccções.5) Que dúvida tens sobre micro-organismo?6) Desenhe um micro-organismo. Por fim, quatro meses depois que tais atividades foram desenvolvidas, parte dos alunosforam novamente submetidos a este mesmo questionário (QUESTIONÁRIO 2), com o intuitode verificar se as idéias trabalhadas durante as atividades se mantinham após este período detempo. 4
  5. 5. Os desenhos realizados pelos alunos ao final dos questionários foram agrupados emdiferentes categorias. As freqüências relativas das diferentes categorias de desenhos de micro-organismos encontradas nas três aplicações dos questionários foram submetidas ao testeestatístico binomial para duas proporções (p<0,05), com o intuito de se verificar eventuaisdiferenças significativas entre estas três etapas em relação às representações gráficas dosalunos.3. RESULTADOS E DISCUSSÃO A primeira atividade, realizada através do questionário de perguntas referente ao temamicrobiologia, revelou que grande parte dos alunos apresentava uma visão negativa a respeitode micro-organismos. A maioria deles relatou que os micro-organismos são seres“gosmentos”, “nojentos”, sujos, ruins para o nosso corpo, pequenas “criaturas” quetransmitem doenças, sendo elas chamadas de bactérias e fungos, além de serem organismosmuito pequenos, que não podem ser vistos a olho nu. Apenas alguns escreveram que sãoorganismos decompositores, benéficos ao ser humano e ao planeta. Sendo assim, observou-seque a maioria dos alunos apresentava uma visão distorcida a respeito do mundo microbiano,com os micro-organismos sendo considerados apenas seres prejudiciais à nossa saúde, semprerelacionados a doenças. Além disso, foi importante observar como os alunos imaginam oaspecto geral de um microrganismo, pois foram apresentados desenhos com vários tipos derepresentações, que puderam ser categorizados em quatro principais grupos (Figura 1). Asquatro categorias de desenhos apresentados e a freqüência de alunos com desenhosenquadrados em cada um deles foram os seguintes (também na Tabela 1):A - Figuras aleatórias (36%);B – Micro-organismos representados dentro de seres humanos (7%);C – Micro-organismos humanizados (21%);D - Representações próximas do real (36%). Além disso, independente da categoria, parte dos desenhos (61%) foi ilustrada comconotações negativas, demonstrando um aspecto ruim ou tendo uma “cara de mau”, o quereforça a sua ideia de que micro-organismos são seres apenas prejudiciais. Observou-se,também através destas representações, que os alunos não viam uma grande contribuiçãodestes seres ao meio em que vivemos, associando-os, na maioria das vezes, somente àsdoenças que causam. 5
  6. 6. Figura 1: Exemplos de desenhos que representam cada uma das quatro categorias encontradasno Questionário 1. A: Figuras aleatórias. B: Micro-organismos representados dentro de sereshumanos. C: Micro-organismos humanizados. D: Representação próxima do real. A atividade de observação dos micro-organismos coletados do ambiente foi bastanteenriquecedora para os alunos, pois estes puderam observar tanto macroscopicamente (colôniascrescidas no meio de cultura), como microscopicamente (as diversas formas microbianas). Osalunos puderam observar que esses seres invisíveis estão por toda parte e inferir o quanto sãoimportantes aos ecossistemas do nosso planeta. Além disso, o resultado também levou osalunos a perceber que devem ter cuidados com a higiene pessoal, não apenas com intuito deevitar doenças infecciosas, mas principalmente promover o bem estar físico, mental e social,favorecendo uma vida mais saudável. Sempre que conseguirmos integrar ensinamentos teóricos com atividades práticas,observamos uma melhoria no nível de qualidade da aprendizagem por parte dos alunos nasatividades. Tal fenômeno pode ser explicado por funcionar como um elemento facilitador davisualização de imagens (evocação), princípio importante no processo de desenvolvimento daaprendizagem (MONTES, CARDOSO e SOUZA, 2004). A atividade realizada através de fragmentos de textos sobre a influência dos micro-organismos na saúde humana foi de grande relevância para os alunos, pois estes puderamperceber os cuidados que devem ter na prevenção de doenças, bem como o seu modo detransmissão. Ainda, foi observado que os alunos mostravam-se entusiasmados com o assuntodiscutido e com a metodologia adotada, pois, através da leitura em grupos, os alunosinterpretaram e ilustraram tanto através da escrita como em forma de desenho em lâmina deretroprojetor, apresentando aos colegas o que acharam relevante abordar sobre a doençaestudada. Assim, evidenciou-se um ambiente de descontração e de aprendizagem, comotambém se percebeu que os alunos obtinham uma boa autonomia diante do professor, atravésde elaborações próprias e, desta forma, sendo autores da sua própria construção doconhecimento. Professores experientes sabem que as aulas não podem ser as principais responsáveispor transmitir informações ou conferir habilidades. As tarefas de leitura e de resolução deproblemas devem fazer isso (LOWMAN, 2004). Assim, o clube de ciências é um ambienteque tem no aluno um parceiro de trabalho ativo, participativo, produtivo, onde ambos sãoatores. Dentro desta perspectiva, desenvolve competências de elaboração própria eformulação pessoal, essenciais para a formação do sujeito. Segundo FREIRE (2004), aointeragirmos com nossos discentes estimulando-os a utilizar sua aprendizagem fora da sala deaula esperamos conseguir que percebam que quem ensina aprende ao ensinar e quem aprendeensina ao aprender, valorizando, portanto, todo o desenvolvimento deste processo. Assim,acreditamos que a influência do professor como mediador do processo de ensinoaprendizagem é fundamental, pois ajuda o aluno na construção do saber, como também ajudaa preservar seu entusiasmo pelo ensino. Em relação à observação microscópica das amostras de água do Parque Farroupilha,os alunos ficaram encantados com os micro-organismos vivos se movendo, percebendo agrande diversidade de seres microscópios encontrados em amostras d´água tão simples emuitas vezes tão ignoradas. Novamente percebemos que, para ensinar, o professor necessitade conhecimentos e práticas que ultrapassem o campo de sua especialidade. No processoeducativo, teoria e prática se associam e a educação é sempre prática intencionalizada pelateoria, permitindo-nos com isso desenvolver estratégias que contribuam para um melhor 6
  7. 7. aproveitamento por parte de nossos aprendizes (CAMPOS e PIMENTA, 2002). Assim,verifica-se o quanto é enriquecedor trabalhar teoria e prática de forma aliada, pois os alunosconseguem compreender melhor o que se aborda, dando sentido ao que se aprende, e destaforma, conseguindo associar com a sua realidade, vendo a importância no que se ensina. Após esta atividade, pudemos notar, com a aplicação do Questionário 2, que os alunosdemonstraram conotações positivas a respeito de conceitos gerais de microbiologia, relatandoa importância dos micro-organismos em suas vidas. Em relação aos locais em que podemosencontrá-los, muitos apenas relataram os ambientes que foram amostrados em aula, sendo quealguns conseguiram compreender que eles estão em toda a parte. Também relataram que,através de hábitos simples que evitem o contato exagerado com alguns micro-organismos,devem ter cuidados com a higiene pessoal. Para finalizar, os alunos parecem ter despertadoum grande interesse sobre estes seres, elaborando, ao final do Questionário, perguntascuriosas como: “Por que eles são pequenos?”; “Por que eles existem?”; “Por que surgiram?”.O fato de os próprios estudantes apresentarem perguntas influi na sua aprendizagem, mais doque o tipo de pergunta que formulam, pois essa estrutura de participação é que contribui paraaprendizagens significativas (WERTSCH, 1999). Assim, é de grande relevância os alunoselaborarem perguntas de seu interesse e curiosidade, pois através dos questionamentos estãoconstruindo e enriquecendo seu conhecimento. Em relação aos desenhos do Questionário 2, a maioria dos alunos ilustrou os micro-organismos de forma muito próxima do real (92%), alguns humanizados (4%) e outros comofiguras aleatórias (4%), em todos os casos com diferenças significativas em relação àsfrequências dos desenhos do Questionário 1 (Tabela 1). Observou-se, também, que nenhumdesenho se enquadrou na categoria “Micro-organismos representados dentro de sereshumanos”. O desvincular da imagem do ser humano reforça a idéia de que os alunos passarama ter uma percepção mais global a respeito do mundo microbiano. Demonstra que elespassaram a enxergar os micro-organismos como um conjunto de seres que apresentamdiferentes papéis na natureza, não apenas vinculados à saúde humana. Além disso, e de formatambém importante, nenhum desenho mostrou qualquer aspecto ruim ou “cara de mau”, comoanteriormente representados nos desenhos do Questionário 1, o que também corrobora a ideiade uma nova percepção que os alunos passaram a ter do mundo microbiano. A utilização de desenhos constitui uma abordagem que permite descobrir asconcepções dos aprendentes (GIORDAN e VECCHI, 1996). Assim, através dos desenhos dosalunos podemos inferir suas ideias pelas representações elaboradas através dos seus meios deexpressão, de forma explicativa. Ainda, os alunos colocam em evidência suas visões de comocompreendem tal assunto, dando diversas significações, e, deste modo obtendo uma produçãoe formulação pessoal. Portanto, é uma importante ferramenta didática que traduz a ideia dasconcepções dos alunos, permitindo aos docentes analisar as imagens, e obter um grandenúmero de informações. Após quatro meses das atividades terem sido finalizadas, aplicamos o mesmoquestionário (Questionário 2) para observar se os conceitos e as idéias sobre microbiologiaapreendidos permaneciam com os alunos. Nesta situação, os alunos relataram que “Os micro-organismos são organismos muito pequenos, e só podem ser vistos no microscópio”. Tambémcolocaram que estes organismos são “...importantes seres decompositores do nosso planeta,que são fundamentais para manter a saúde do nosso corpo”, e que “estão em todos oslugares”, de forma muito semelhante ao que responderam na primeira aplicação do 7
  8. 8. Questionário 2. Da mesma forma, “Lavar as mãos” foi o que os alunos mais citaram comoforma de evitar infecções. Em relação aos desenhos, observamos que muitos alunos ilustraram os micro-organismos de forma muito próxima do real (66%) e uma freqüência menor como figurasaleatórias (22%) e humanizadas (12%) (Tabela 1). Observou-se, portanto, que a frequênciados “Micro-organismos humanizados” e das “Figuras aleatórias” aumentou em relação àprimeira aplicação do Questionário 2, com esta última categoria mostrando uma diferençasignificativa em relação ao momento imediatamente após às atividades. Entretanto, nota-seque, apesar da frequência de desenhos da categoria “Figuras próximas do real” tenhadiminuído significativamente em relação à primeira aplicação do Questionário 2, ela manteveum aumento significativo em relação às do Questionário 1, o que indica que uma mudança emtermos de imagem a respeito de micro-organismos parece ter ocorrido de forma importantepor uma parcela significativa de alunos. Além disso, novamente aqui nenhum desenho seenquadrou na categoria “Micro-organismos representados dentro de seres humanos”, o quedemonstra que os alunos parecem ter realmente apreendido uma ideia de menor vinculação domundo microbiano apenas à saúde humana. Também nas ilustrações desta última etapa nãoencontramos organismos com aspecto ruim ou “cara de mau”, como no início das atividades,onde a frequência deste tipo de representação foi de 61%. Este dado reforça a ideia de queuma percepção mais positiva a respeito dos micro-organismos, de fato foi absorvida por umaparcela significativa dos alunos. Deste modo, podemos inferir que os estudantes puderamcompreender o papel ecológico que estes organismos desempenham, bem como da suaimportância na vida das pessoas, e não apenas considerando-os como seres prejudiciais ànossa saúde. Assim, pudemos perceber que pelo menos parte dos alunos manteve seus novosconceitos sobre microbiologia ao longo desse período, com uma chance interessante, portanto,de pelo menos algumas destas ideias se perpetuarem consigo ao longo da sua formação. Conteúdos significativos, se abordados numa perspectiva transformadora, propiciamaos alunos a oportunidade de ampliarem a leitura da realidade e, essa conscientização, poderálevar a ações que promovam transformações sociais (NARDI, et al., 2004). Assim, oprofessor deve inovar sua prática pedagógica, buscando sempre criar ambientes motivadorespara os alunos, para que estes venham a ser cidadãos críticos, criativos e capazes de promovertransformações, tendo em si a capacidade de formulação e reformulação pessoal. Na tabela 1 encontra-se a porcentagem de cada categoria de desenhos nos diferentesestágios de aplicação dos questionários, sendo estes: antes das atividades práticas, logo depoisdas atividades, e após um período de quatro meses.Tabela 1. Freqüências relativas das diferentes categorias de desenhos de micro-organismos,nas três etapas da aplicação dos questionários, testadas através do teste binomial para duasproporções (p<0,05). 8
  9. 9. No de Figuras Micro- Micro-organismos Representações alunos aleatórias organismos representados próximas do real humanizados dentro de seres humanosDesenho 61 36% 21% 7% 36%antes dasatividadespráticas(Q1)Desenho 46 4%*1 4%*1 0%*3 91%*1após asatividadespráticas(Q2)Desenho 32 22%*2 12% 0%*3 66%*1*2apósperíodo dequatromeses(Q2)Q1= Questionário 1Q2= Questionário 2*1 diferença significativa (p<0,05) em relação a “desenho antes das atividades práticas”;*2 diferença significativa (p<0,05) em relação a “desenho após as atividades práticas”;*3 impossibilidade de aplicação do teste estatístico (freqüência = 0%)CONCLUSÃO Através da análise das atividades teórico-práticas sobre microbiologia que foramdesenvolvidas, foi possível observar que, mesmo apresentando previamente uma visãonegativa a respeito de micro-organismos, os alunos mostraram uma imensa curiosidade eencantamento ao observá-los em meios de cultura e ao microscópio, bem como nas discussõespropostas. Além disso, pode ser observado que, após as atividades, algumas de suas ideias arespeito de microbiologia mudaram, pois não apenas os alunos relataram a importância dosmicro-organismos em suas vidas, como demonstraram, através de respostas e desenhos, acompreensão da grande contribuição destes seres ao planeta em que vivemos. Esta novapercepção em relação ao mundo microbiano parece ter se mantido, pelo menos em parte, apósum período de quatro meses após o término das atividades. Os resultados deste trabalho também mostraram o quanto pode ser simples trabalharestes temas, que costumam ser negligenciados para o ensino fundamental e, ao mesmo tempo,tão importantes para a formação dos estudantes. Para finalizar, este trabalho revelou, além denossas expectativas, o quanto atividades ligadas à microbiologia, em especial as deobservação de micro-organismos, apresentam o grande potencial de encantar alunos de ensinofundamental em relação à natureza e ao mundo vivo, podendo servir, portanto, como umavaliosa ferramenta para enriquecer a formação dos estudantes como cidadãos conscientes emrelação a assuntos como saúde e meio ambiente. 9
  10. 10. 4. REFERÊNCIASALCAMO, E.; ELSON, L. M. Microbiologia: um livro para colorir. 1. ed. São Paulo:Roca, 2004.BORGES, Regina Maria Rabello; SOUZA, Nara Regina de; ROCHA FILHO, João Bernardesda. Propostas Interativas na Educação Científica e tecnológica. Porto Alegre: EDIPUCRS,2008.CAMPOS, E.N.; PIMENTA, S.G. Saberes pedagógicos e atividade docente. 3. ed., SãoPaulo: Cortez, 2002.FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo:Paz e Terra, 2004.GIORDAN, A.; VECCHI, G. As origens do saber das concepções dos aprendentes aosconceitos científicos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.LOWMAN, J. Dominando as técnicas de ensino. São Paulo: Atlas, 2004.MADIGAN, T. M.; MARTINKO, J. M.; PARKER, J. Microbiologia de Brock. 12.ed. PortoAlegre: Artmed, 2010.MARTINS, Roberto de Andrade. Contágio: história da prevenção das doençastransmissíveis. São Paulo: Moderna, 1997.MONTES, M. A. A.; CARDOSO, V. T. S.; SOUZA, C. T. V. Popularização da ciência e daarte através da Anatomia Humana. In: 9a Reunião da Rede de Popularização daCiência/Congresso Mundial de Museus de Ciências, Rio de Janeiro, Anais p.53, 2005.MORAES, R. Análise de conteúdo. Educação. Porto Alegre, XXII, n.37, p.7-32, mar.1999.NARDI, R.; BASTOS, F.; DINIZ, R. E. S. (Org). Pesquisas em ensino de ciências:contribuições para a formação de professores. 5. ed. São Paulo: Escrituras, 2004.OLIVEIRA, Daisy Lara. Ciências nas salas de aula. 2. ed. Porto Alegre: Mediação, 1997.SANTOS, Luís Henrique S. Biologia dentro e fora da escola: meio ambiente, estudosculturais e outras questões. Porto Alegre: UFRGS, 2000.VILLANI, C. E. P. (2007). O Papel das Atividades Experimentais na Educação em Ciências:Análise da Ontogênese dos Dados Empíricos nas Práticas Discursivas no LaboratórioDidático de Física do Ensino Superior (Tese de Doutorado), Universidade Federal de MinasGerais.ZABALZA, Miguel A. Diários de aula. Porto Alegre: Artmed, 2004.WERTSCH, J. V. La mente em acción. Madrid: Aique, 1999. 10

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