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Objetiva-se a análise de questões contemporâneas presentes no romance
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[...] A tentação mais forte e mais imediata hoje em Moçambique é a de
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Seminário Ancestralidade e Educação- UFBA - FACED
Mesa 03: Filosofia, Literatura e Religiões de Matriz Africana e Afro-brasileira.

O OUTRO PÉ DA SEREIA: MIA COUTO E AS REPRESENTAÇÕES DE ANCESTRALIDADE
Silvania Cápua Carvalho (Mestre/UEFS/GELC)

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  1. 1. 1 Seminário Ancestralidade e Educação 16 e 17 de Maio de 2013 Local: Faculdade de Educação / Ufba Salvador / Bahia Mesa 03: Filosofia, Literatura e Religiões de Matriz Africana e Afro-brasileira
  2. 2. 2 Seminário Ancestralidade e Educação O OUTRO PÉ DA SEREIA: MIA COUTO E AS REPRESENTAÇÕES DE ANCESTRALIDADE Silvania Cápua Carvalho (UEFS/GELC) Edição Brasileira Editora Companhia das Letras (2006)
  3. 3. 3 Seminário Ancestralidade e Educação Resumo: Objetiva-se a análise de questões contemporâneas presentes no romance O outro pé da sereia de Mia Couto (2006). A proposta é buscar por meio da crítica literária a representação do mito feminino das águas relacionando a história da colonização de Moçambique em contraponto com a realidade das populações do país e a perda de sua ligação com sua ancestralidade. A análise literária é feita com base nos recortes teóricos da antropologia e da filosofia ao pontuar os percursos comuns nas considerações tecidas por Oliveira (2001 e 2007). Estudos da teoria da narrativa dão sustentação à análise do romance com vistas a identificar a religiosidade presente e a imaginação, as quais percorrem os espaços que compõem a memória cultural de Moçambique. Busca-se compreender o papel dos personagens na formação da nação moçambicana contextualizados em fatos históricos que teceram as teias da ficção da narrativa de Mia Couto. Evidenciam-se as raízes culturais de matriz africana, o mito Kianda como a ancestral da rainha das águas do mar Iemanjá e suas filhas, que estão presentes na cultura brasileira. Palavras-chave: Mia Couto; Representação Feminina; Mitos;Ancestralidade; Memória Cultural.
  4. 4. 4 Seminário Ancestralidade e Educação [...] A tentação mais forte e mais imediata hoje em Moçambique é a de erguer aquilo que se apresenta como “tradição” para dar credibilidade a certa identidade. Quanto mais perto dessa “tradição” e de certa “oralidade” mais próximos estaríamos dessa tal moçambicanidade. Mas isso é uma ideia simplista contra a qual vou lutando. É preciso fazer um bocadinho o caminho com duas pernas: tem que ter um pé na tradição e outro pé na modernidade. Só assim se chega a um retrato capaz de respeitar as dinâmicas e as relações complexas do corpo moçambicano (COUTO, 2000, p. 208).
  5. 5. 5 Seminário Ancestralidade e Educação Ancestralidade Birago Diop Este é o sopro dos antepassados. Nossos mortos não partiram. Estão na densa sombra. Os mortos não estão sobre a terra. Estão na árvore que se agita, Na madeira que geme, Estão na água que flui, Na água que dorme, Estão na cabana, na multidão; Os mortos não morreram... Nossos mortos não partiram: Estão no ventre da mulher No vagido do bebê E no tronco que queima. Os mortos não estão sobre a terra: Estão no fogo que se apaga, Nas plantas que choram, Na rocha que geme, Estão na casa. Nossos mortos não morreram. Fonte – DIOP, I. B. Poema Ancestralidade. Disponível em: <http://maritaca.blogspot.com/2006/12/ancestralidade-birago- diop.html>. Acesso em: 15 mai. 2013.
  6. 6. 6 Seminário Ancestralidade e Educação Poeta Senegalês Birago Ishmael Diop DIOP, B. Biografia. Disponível em: <http://en.wikipedia.org/wiki/Birago_Diop>. Acesso em: 15 mai. 2013.
  7. 7. 7 Seminário Ancestralidade e Educação […] Mwadia sentia que retornava aos labirintos de sua alma enquanto a canoa a conduzia pelos meandros do Muzenguezi. Na ida, ela se preocupara em sombrear a Virgem. No regresso, ela já ganhara a certeza: ali estava a Santa mulata, dispensando o sombreiro, afeiçoada ao sol de África. Chegada a um largo embondeiro, ela dirigiu o concho para a margem e foi subindo a ravina, carregando, com ela a santa. Junto ao tronco, ela depositou a Virgem, se ajoelhou e disse:- Você já foi Santa. Agora, é sereia. Agora, é nzuzu (COUTO, 2006, p. 379).
  8. 8. 8 Seminário Ancestralidade e Educação [...] Critica-me porque aceitei lavar-me dos meus pecados portugueses chamam isso de batismo. Eu chamo de outra maneira. Eu digo que estou entrando em casa de Kianda. A sereia, deusa das águas. É essa deusa que me escuta quando me ajoelho perante o altar da Virgem (COUTO, 2006, p. 113).
  9. 9. 9 Seminário Ancestralidade e Educação [...] É do encontro entre corpo e ancestralidade que se faz o tecido desse livro. Teço na epiderme dessas folhas o corpo ancestral que, espero, envide outras perspectivas para a educação. É aí que se opera minha terceira conversão que, no fundo, redunda em síntese: de filósofo/antropólogo e educador (Oliveira 2007, p. 5). A sedução dialoga no romance OPS com o leitor na figura mítica da sereia, chamada pelos povos de origem bantu de Kianda, que habita o imaginário dos escravos da nau, os homens do continente da porção mais oriental africana, Moçambique beirada pelo Oceano Índico.
  10. 10. 10 Seminário Ancestralidade e Educação A sedução: “[...] é a peça que se pretende obra-de-arte, mas ao pretender-se criação artística, tem o desejo implícito de comunicar com a fome o que está implícito em seu conteúdo” (Oliveira 2007,p. 11). A escrita deste romance torna o ato de escrever sobre o seu país para Mia Couto uma atitude: “[...] é uma atitude que, em si mesma carrega uma proposta ética e estética” (Oliveira 2007, p. 11).
  11. 11. 11 Seminário Ancestralidade e Educação As linhas do texto literário coutiano revelam um movimento corporal da Santa ao percorrer os mundos dos vivos e dos mortos, renascer do barro do rio, como também a matéria prima que constitui sua essência é a madeira, que brota da terra, que brota das raízes que remete ao tempo primordial da criação: “[...] “tudo se movimenta”. A Terra em movimento de rotação e translação. [...] A vida é movimento e cultura é percepção desse movimento”. Sabendo que “[...] quanto maior nossa condição de percepção desse mundo mais pode interagir com ele” (Oliveira 2007,p. 63).
  12. 12. 12 Seminário Ancestralidade e Educação O poder da palavra nas culturas orais revelando o pensamento articulado com modelos ou arquétipos mnemônicos. A mensagem maior das entrelinhas da textura coutiana: compreender o universo de seus ancestrais, embalado pelo resgate da oralidade este griôt da contemporaneidade nos revela a importância dos provérbios, adágios populares como parte temática da narrativa de OPS. Vejamos alguns exemplos de provérbios e ditos populares presentes na narrativa de OPS: “[...] A tristeza é uma doença, a alegria é um veneno” (p. 89); “[...] A velhice é uma gordura na alma” (idem); “[...] não tenho onde cair torto” (p. 91); “[...] Grandes palavras escondem grandes enganos” (p. 93); “[...] Quem come sozinho, não se distrai com palavra” (p. 70); “[...] a tristeza engorda mais que o caril de mandioca” (COUTO, 2006).
  13. 13. 13 Seminário Ancestralidade e Educação Observa-se uma situação semelhante à Bahia durante a ditadura militar, nas décadas de 1960 e 1970. Evidencia-se na narrativa a proibição de práticas religiosas e proibição dos cultos, bem como a intolerância religiosa como revela o diálogo entre Mwadia e seu esposo Zero Madzero: “[...] – Diga-me marido: você quer mesmo consultar o conselheiro? E a sua igreja não proíbe as cerimônias tradicionais?” (COUTO, 2006, p. 20). Na verdade, o adivinho estava se refugiando de problemas com o governo, conforme as palavras da narrativa, quando Mwadia descreve o motivo da vinda do Lázaro Vivo ir morar por aquelas bandas.
  14. 14. 14 Seminário Ancestralidade e Educação REFERÊNCIAS: CARVALHO, Silvania Capua. Narrativas da ancestralidade moçambicana: o mito feminino das aguas em 'O outro pé da sereia' de Mia Couto. Feira de Santana, BA, 2011. 169f Dissertação (Mestrado em Literatura e Diversidade Cultural) - Universidade Estadual de Feira de Santana, Bahia COUTO, Mia. O outro pé da sereia. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. DIOP, B. Biografia. Disponível em: <http://en.wikipedia.org/wiki/Birago_Diop>. Acesso em: 15 mai. 2013. DIOP, I. B. Poema Ancestralidade. Disponível em: <http://maritaca.blogspot.com/2006/12/ancestralidade-birago-diop.html>. Acesso em: 15 mai. 2013. OLIVEIRA, E. D. de. A Ancestralidade na Encruzilhada: dinâmica de uma tradição inventada. 252 f. 2001. Dissertação (Mestrado em Antropologia Social) - Universidade Federal do Paraná, Curitiba. 2001. OLIVEIRA, E. D. de. Filosofia da ancestralidade: corpo e mito na filosofia da educação brasileira. Curitiba: Editora Gráfica Popular, 2007. ONG, W. J. Oralidade e Cultura Escrita. Tradução Enid Abreu Dobransky. São Paulo: Papirus, 1998.
  15. 15. 15 Seminário Ancestralidade e Educação O OUTRO PÉ DA SEREIA: MIA COUTO E AS REPRESENTAÇÕES DE ANCESTRALIDADE Silvania Cápua Carvalho Professora de Língua e Literatura Inglesa e Inglês Instrumental Departamento de Letras e Artes- UEFS Mestre em Literatura e Diversidade Cultural Membro do Grupo de Estudos Literários Contemporâneos: Literatura de jornal ao sistema literário (GELC) contato: silcapua@uol.com.br

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