17.01 O Animismo 20 jan 2015

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17.01 O Animismo 20 jan 2015

  1. 1. Estudos Dirigidos O Animismo Vamos falar aqui sobre o Animismo.
  2. 2. Observem agora um trecho do livro do Dr. António J. Freire, “da Alma Humana”, a abordagem do tema sobre existências passadas, ou, nossas múltiplas personalidades do passado. E também em outro trecho, abordando o assunto da incorporação! Estudos Dirigidos O Animismo
  3. 3. É talvez pelo desdobramento e dissociação do duplo que se poderá tentar uma explicação satisfatória para os maravilhosos trabalhos do eminente experimentador, o coronel-conde Rochas d’Aiglun, relativos à pluralidade das existências (reencarnacionismo), obtendo, na hipno- se profunda magnética, a regressão da memória, fazendo dissociar os refolhos mais íntimos das camadas do perispírito ou almas secundárias (Lancelin), fazendo reviver aos sentidos astrais o Arquivo do passado, comprimindo nos domínios do subconsciente e subliminal, criando o estado de múltiplas personalidades no passado, correspondendo cada uma delas a uma das nossas existências passadas, através da nossa linha evolutiva na série indefinida das nossas vidas sucessivas (Palin- genesia), arquivadas, talvez, na tríada espiritual (corpo causal), na par- te relativa ao supraconsciente. É ainda pelo desdobramento e bilocação do duplo que se explica, natural e logicamente, o fenômeno vulgaríssimo das incorporações ou encarnações (dissociação de personalidade, prosopopese) nas sessões espiritistas, em que a alma do médium exteriorizada, parcial ou integralmente, é substituída pela alma dum desencarnado ou, mesmo, pelo duplo dum encarnado, como temos registrados algumas vezes. O modus operandi é análogo, tanto para os desencarnados, impropriamente chamados mortos, vivendo no plano astral, como para os encarnados, vivendo no plano físico planetário, quando em plena exteriorização anímica. CONTINUA Capítulo VI Experiências de Hector Durville e de L. Lefranc
  4. 4. Sem o estudo prévio do Animismo, dificilmente se poderá compre- ender o fenômeno banal da incorporação nas sessões experimen- tais do Espiritismo, generalizadas e praticadas em todos os países civilizados, já muito difundidas em Portugal, tendo como instrumen- tos de ação numerosos Centros e Grupos espíritas, disseminados pela metrópole, ilhas e colônias portuguesas, alguns trabalhando com elevação e proficiência, animados duma fé ardente, libertos de preconceitos e de superstições. Nas incorporações, o Espírito agente, encarnado ou desencarnado, apossa-se do corpo físico dum médium (passivo) que fica sendo o instrumento dócil e plástico ao sabor do capricho da alma incorpo- rada. É como um novo maquinista que tomasse conta do volante e direção daquela máquina, representada pelo corpo físico inerente do médium a que imprime gestos e atitudes que podem levar à transfiguração fisionômica, por vezes, completa, de semelhança fulgurante com o corpo físico correspondente ao que foi ou é na Terra o espírito incorporado, com todos os caracteres somáticos, morais e intelectuais, estabelecendo uma identidade incontestada e flagrante de expressão e de realidade. CONTINUA Capítulo VI Experiências de Hector Durville e de L. Lefranc
  5. 5. Este fenômeno comum à grande maioria das sessões espíritas é baseado num fenômeno de animismo, proveniente da exterio- rização do duplo do médium total ou parcial, tendo por comple- mento um fenômeno espírita quando a incorporação é determi- nada pela ação direta dum Espírito desencarnado, ficando na ca- tegoria dos fenômenos anímicos se, porventura, o espírito incor- porado fosse o dum encarnado. Os fenômenos de incorporação são, pois, sempre resultantes da dissociação e exteriorização do duplo do médium, desintegran- do a sua essência anímica do seu corpo físico para que nele se integre uma alma estranha, venha donde vier, que fica animan- do e dirigindo todo o seu invólucro físico. Por este mecanismo se explicam os casos de obsessão, fascinação e subjugação (dis- sociação de personalidade, estado segundo), que constituem grande parte da população dos manicômios, renitentes aos tra- tamentos clássicos da psiquiatria, mas facilmente curáveis pelo Espiritismo, pelo menos, em certos casos, sempre que se obten- ha a iluminação do Espírito obsessor (doutrinação). FIM Capítulo VI Experiências de Hector Durville e de L. Lefranc
  6. 6. Capítulo 11 Estados Conscienciais Relacionados TRANSE ANÍMICO Em certas circunstâncias, alguns indivíduos manifestam transes (nos fenômenos chamados de incorporações ou psicofonia) que, para todos os efeitos e testemunhas, parecem ser um transe parapsíquico, o que, no entanto, para as percepções de um clarividente veterano, revelam não ter a participação de nenhuma consciência extrafísica (de um outro espírito). Nestas circunstâncias, o indivíduo em transe muda de voz, entonação, postura física ou mesmo de idioma, porém vários destes casos são, de fato, um mergulho retroativo na memória integral da própria pessoa, de tal forma que a mesma reassume uma personalidade (sua mesmo) do passado. Mais do que um relembrar, neste caso incorpora-se temporariamente aquele eu do passado. Um exemplo clássico, que foi estudado no século passado, é o do as- trônomo francês Camile Flamarion que supostamente canalizava Gali- leu Galilei, até que se descobriu que Flamarion havia sido o próprio Galilei no passado. CONTINUA
  7. 7. FIM Capítulo 11 Estados Conscienciais Relacionados MÚLTIPLA PERSONALIDADE Dentro das limitações do paradigma materialista, esta forma de psicose tem resistido a todas as tentativas de explicação e dis- secação de seus mecanismos e causas. Porém, considerando-se a multidimensionalidade e serialidade da consciência, entende-se com certa obviedade que, além de uma grande maioria de casos cau- sados por intrusões conscienciais (obsessão, encosto, possessão), muitos podem ser resultado de personalidades ou eus anteriores da mesma consciência, que afloram novamente, sem o elemento organizador da lucidez, como discutido anteriormente no caso mais benigno do transe anímico.
  8. 8. Capítulo 23 Animismo Mediunidade e animismo Alinhando apontamentos sobre a mediunidade, não será licito es- quecer algumas considerações em torno do animismo ou conjunto dos fenômenos psíquicos produzidos com a cooperação consciente ou inconsciente dos médiuns em ação. Temos aqui muitas ocorrências que podem repontar nos fenômenos mediúnicos de efeitos físicos ou de efeitos intelectuais, com a própria Inteligência encarnada comandando manifestações ou delas partici- pando com diligência, numa demonstração de que o corpo espiritual pode efetivamente desdobrar-se e atuar com os seus recursos e im- plementos característicos, como consciência pensante e organizado- ra, fora do carro físico. A verificação de semelhantes acontecimentos criou entre os opositores da Doutrina Espíri- ta as teorias de negação, porquanto, admitida a possibilidade de o próprio Espírito encar- nado poder atuar fora do traje fisiológico, apressaram-se os cépticos inveterados a afirmar que todos os sucessos medianímicos se reduzem à influência de uma força nervosa que efetua, fora do corpo carnal, determinadas ações mecânicas e plásticas, configurando, ainda, alucinações de variada espécie. FIM
  9. 9. Capítulo 23 Animismo Obsessão e animismo Muitas vezes, conforme as circunstâncias, qual ocorre no fenômeno hipnótico isolado, pode cair a mente nos estados anômalos (irregu- lar, anormal) de sentido inferior, dominada por forças retrógradas que a imobilizam, temporariamente, em atitudes estranhas ou inde- sejáveis. Nesse aspecto, surpreendemos multiformes processos de obsessão, nos quais Inteligências desencarnadas de grande poder senhoreiam vítimas inabilitadas à defensiva, detendo-as, por tempo indetermi- nado, em certos tipos de recordação, segundo as dívidas cármicas a que se acham presas. Frequentemente, pessoas encarnadas, nessa modalidade de provação regeneradora, são encontráveis nas reuniões mediúnicas, mergulhadas nos mais complexos estados emoti- vos, quais se personificassem entidades outras, quando, na realidade, exprimem a si mes- mas, a emergirem da subconsciência nos trajes mentais em que se externavam noutras épocas, sob o fascínio constante dos desencarnados que as subjugam. FIM
  10. 10. Animismo e hipnose Capítulo 23 Animismo Imaginemos um sensitivo a quem o magnetizador intencionalmente fizesse recuar até esse ou aquele marco do pretérito, pela deliberada regressão da memória, e o deixasse nessa posição durante semanas, meses ou anos a fio, e teremos exata compreensão dos casos mediú- nicos em que a tese do animismo é chamada para a explicação ne- cessária. O “sujet”, nessa experiência, declarar-se-ia como sendo a personali- dade invocada pelo hipnotizador, entrando em conflito com a reali- dade objetiva, mas não deixaria, por isso, de ser ele mesmo sob con- trole da ideia que o domina. Nas ocorrências várias da alienação mental, encontramos fenômenos assim tipificados, re- clamando larga dose de paciência e carinho, porquanto as vítimas desses processos de fi- xação não podem ser categorizadas à conta de mistificadores inconscientes, pois represen- tam, de fato, os agentes desencarnados a elas jungidos por teias fluídicas de significativa expressão, tal qual acontece ao sensitivo comum, mentalmente modificado, na hipnose de longo curso, em que demonstra a influência do magnetizador. FIM
  11. 11. Capítulo XIX. Item 223. A questão do Animismo no Livro dos Médiuns. CONTINUA 2ª As comunicações escritas ou verbais também podem emanar do próprio Espírito encarnado no médium? “A alma do médium pode comunicar-se, como a de qualquer outro. Se goza de certo grau de liberdade, recobra suas qualidades de Espírito. Tendes a prova disso nas visitas que vos fazem as almas de pessoas vivas, as quais muitas vezes se comunicam convosco pela escrita, sem que as chameis. Porque, ficai sabendo, entre os Espíritos que evocais, alguns há que estão encarnados na Terra. Eles, então, vos falam como Espíritos e não como homens. Por que não se havia de dar o mesmo com o médium?” a) Não parece que esta explicação confirma a opinião dos que entendem que todas as comunicações provêm do Espírito do médium e não de Espírito estranho? “Os que assim pensam só erram em darem caráter absoluto à opinião que sustentam, por- quanto é fora de dúvida que o Espírito do médium pode agir por si mesmo. Isso, porém, não é razão para que outros não atuem igualmente, por seu intermédio.” 3ª Como distinguir se o Espírito que responde é o do médium, ou outro? “Pela natureza das comunicações. Estuda as circunstâncias e a linguagem e distinguirás. No estado de sonambulismo, ou de êxtase, é que, principalmente, o Espírito do médium se manifesta, porque então se encontra mais livre. No estado normal é mais difícil. Aliás, há respostas que se lhe não podem atribuir de modo algum. Por isso é que te digo: estuda e observa.”
  12. 12. Capítulo XIX. Item 223. Nota. Quando uma pessoa nos fala, distinguimos facilmente o que vem dela daquilo de que ela é apenas o eco. O mesmo se verifica com os médiuns. 4ª Desde que o Espírito do médium há podido, em existências anteriores, adquirir conhecimentos que esqueceu debaixo do envoltório corporal, mas de que se lembra como Espírito, não poderá ele haurir nas profun- dezas do seu próprio eu as ideias que parecem fora do alcance da sua instrução? “Isso acontece frequentemente, no estado de crise sonambúlica, ou extática, porém, ainda uma vez repito, há circunstâncias que não permi- tem dúvida. Estuda longamente e medita.” 5ª As comunicações que provêm do Espírito do médium, são sempre inferiores às que possam ser dadas por outros Espíritos? “Sempre, não; pois um Espírito, que não o do médium, pode ser de ordem inferior à deste e, então, falar menos sensatamente. É o que se vê no sonambulismo. Aí, as mais das vezes, quem se manifesta é o Espírito do sonâmbulo, o qual não raro diz coisas muito boas.” 6ª O Espírito, que se comunica por um médium, transmite diretamente seu pensamento, ou este tem por intermediário o Espírito encarnado no médium? CONTINUA
  13. 13. Capítulo XIX. Item 223. FIM “O Espírito do médium é o intérprete, porque está ligado ao corpo que serve para falar e por ser necessária uma cadeia entre vós e os Espíritos que se comunicam, como é preciso um fio elétrico para comunicar à grande distância uma notícia e, na extremidade do fio, uma pessoa inteligente, que a receba e transmita.” 7ª O Espírito encarnado no médium exerce alguma influência sobre as comunicações que deva transmitir, provindas de outros Espíritos? “Exerce, porquanto, se estes não lhe são simpáticos, pode ele alterar-lhes as respostas e assimilá-las às suas próprias ideias e a seus pendores; não influencia, porém, os próprios Espíritos, autores das respostas; constitui- se apenas em mau intérprete.”
  14. 14. PERGUNTA: — Que devemos entender por animismo, no tocante às comunicações mediúnicas da seara espírita? RAMATÍS: — Animismo, conforme explica o dicionário do vosso mundo, é o "sistema fisiológico que considera a alma como a causa primária de todos os fatos intelectivos e vitais". O fenômeno anímico, portanto, na esfera de atividades espíritas, signifi- ca a intervenção da própria personalidade do médium nas comunica- ções dos espíritos desencarnados, quando ele impõe nelas algo de si mesmo à conta de mensagens transmitidas do Além-Túmulo. Assim, quando os aficionados do Espiritismo afirmam que determinada comunicação mediúnica foi "puro-animismo" querem explicar que a alma do médium ali interveio com exclusividade, tendo ele manifestado apenas os seus próprios conhecimentos e conceitos pessoais, embora depois os rotulasse com o nome de algum espírito desencarnado. Essa interferência anímica inconsciente, por vezes, é tão sutil, que o médium é incapaz de perceber quando o seu pensamento intervém ou quando é o espírito comunicante que transmite suas idéias pelo contato perispiritual. Capítulo 19. Página 172. FIM
  15. 15. A bondade e a compaixão devem sempre acompanhar o comportamento do verdadeiro espírita que se disciplina através do conhecimento do espiritismo, a doutrina que se ca- racteriza pelo conhecimento intelecto-moral, tendo, porém, como bandeira a caridade. Como identificar se o médium é anímico? DIVALDO - A mais eficiente maneira de o conseguir é com a utilização do método de análise das comunicações de que o médium se faz por- tador. Encontrando-se-lhe lugares-comuns, repetições viciosas, fixa- ções doentias, lamentações ou exacerbações, identificação de conteú- do igual entre todas, dispõem-se de algumas características dos con- flitos do médium, em catarse que libera os seus arquivos do incons- ciente atual. Escolhos da Mediunidade Apesar disso, o paciente necessita de orientação e não de apodos (zombaria, gracejo) ou acusações indébitas. FIM
  16. 16. Capítulo 16 Considerações Sobre Sessões Mediúnicas É verdade que o animismo medra em larga escala, cabendo, no entanto, ao estudioso da Doutrina, ao invés de coibi-lo, educar o sujet, fazendo-o liberar-se das impressões profundas que lhe afloram do inconsciente, nos momentos de transe, qual oportuna catarse que o auxiliará a recobrar a harmonia íntima. Outrossim, da mesma forma que muitos se afadigam em doutrinar os desencarnados, realizarão trabalho valioso doutrinando os companheiros do plano físico, portadores de mediunidade em fase atormentada. Dr. Bezerra de Menezes FIM
  17. 17. Iremos incluir aqui o conceito dado por Alexandre Aksakof sobre o animismo, em seu livro “Animismo e Espiritismo”. Volume 1 e 2 Estudos Dirigidos O Animismo
  18. 18. Porém, além do conceito sobre animismo, também incluiremos o termo Personismo e Espiritismo. Ou seja, daremos os três conceitos de Alexandre Aksakof que, segundo as suas hipóteses, podem ocorrer em um fenômeno mediúnico: Personismo, Animismo e Espiritismo. Volume 1 e 2 Estudos Dirigidos O Animismo
  19. 19. Volume 1 e 2 (...) temos à nossa disposição não uma, porém três hipóteses, susce- tíveis de fornecer a explicação dos fenômenos mediúnicos, hipóteses cada uma das quais tem a sua razão de ser para a interpretação de uma série de fatos determinados; por conseguinte, podemos classifi- car todos os fenômenos mediúnicos em três grandes categorias que se poderiam designar da maneira seguinte: 1° - Personismo Fenômenos psíquicos inconscientes, produzindo-se nos limites da es- fera corpórea do médium, ou intramediúnicos, cujo caráter distintivo é, principalmente, a personificação, isto é, a apropriação (ou adoção) do nome e muitas vezes do caráter de uma personalidade estranha à do médium. Prefácio da Edição Alemã Tais são os fenômenos elementares do mediunismo: a mesa falante, a escrita e a palavra inconsciente. Temos aqui a primeira e a mais simples manifestação do desdobra- mento da consciência, esse fenômeno fundamental do mediunismo. CONTINUA
  20. 20. Volume 1 e 2 Prefácio da Edição Alemã Os fatos dessa categoria nos revelam o grande fenômeno da duali- dade do ser psíquico, da não identidade do “eu” individual, interior, inconsciente, com o “eu” pessoal, exterior e consciente; eles nos provam que a totalidade do ser psíquico, seu centro de gravidade, não está no “eu” pessoal; que esse último não é mais do que a ma- nifestação fenomenal do “eu” individual (numenal); que, por conse- guinte, os elementos dessa fenomenalidade (necessariamente pes- soais) podem ter um caráter múltiplo — normal, anormal ou fictício —, segundo as condições do organismo (sono natural, sonambulis- mo, mediunismo). (...) Por sua etimologia, a palavra pessoa seria inteiramente apta para justificar o sentido que convém dar à palavra personismo. No latim persona se referia antigamente à máscara que os atores colocavam no rosto para representar a comédia, e mais tarde se designou por esta palavra o próprio ator. CONTINUA
  21. 21. Fenômenos psíquicos inconscientes se produzidos fora dos limites da esfera corpórea do médium ou extramediúnicos (transmissão do pensamento, telepatia, telecinesia, movimentos de objetos sem con- tato, materialização). Volume 1 e 2 Prefácio da Edição Alemã 2° - Animismo Temos aqui a manifestação culminante do desdobramento psíquico; os elementos da personalidade transpõem os limites do corpo e ma- nifestam-se, à distância, por efeitos não somente psíquicos, porém ainda físicos e mesmo plásticos, e indo até à plena exteriorização ou objetivação, provando por esse meio que um elemento psíquico po- de ser, não somente um simples fenômeno de consciência, mas ain- da um centro de força substancial pensante e organizadora, poden- do também, por conseguinte, organizar temporariamente um simu- lacro de órgão, visível ou invisível, e produzindo efeitos físicos. A palavra alma (anima), com o sentido que tem geralmente no Espi- ritismo e no Espiritualismo, justifica plenamente o emprego da pala- vra animismo. Segundo a noção espirítica, a alma não é o “eu” indivi- dual (que pertence ao Espírito), porém o envoltório, o corpo fluídico ou espiritual desse “eu”. CONTINUA
  22. 22. Volume 1 e 2 Prefácio da Edição Alemã Por conseguinte, nós teríamos, nos fenômenos anímicos, manifesta- ções da alma, como entidade substancial, o que explicaria o fato de essas manifestações poderem revestir também um caráter físico ou plástico, segundo o grau de desagregação do corpo fluídico ou do “perispírito”, ou ainda do “metaorganismo”, segundo a expressão de Hellenbach. E, como a personalidade é o resultado direto do nosso organismo terrestre, segue-se dai naturalmente que os elementos anímicos (pertencentes ao organismo espiritual) são também os portadores da personalidade. CONTINUA Volume 1 e 2 Capítulo IV A Hipótese dos Espíritos (...) o estudo do animismo deve preceder o do Espiritismo. Sendo os fenômenos anímicos bem estabelecidos, o exame da hipótese espi- rítica não oferecerá mais dificuldades insuperáveis quando se nos depararem fatos que o animismo já não pode explicar; ele nos per- mite preparar o caminho e afastar todas as objeções que geralmente se opõem ao Espiritismo. É ele que nos conduz passo a passo à con- vicção de que o que é possível a um homem vivo é igualmente a um homem morto.
  23. 23. Volume 1 e 2 Prefácio da Edição Alemã 3° - Espiritismo Fenômenos de personismo e de animismo na aparência, porém que reconhecem uma causa extramediúnica, supraterrestre, isto é, fora da esfera da nossa existência. Temos aqui a manifestação terrestre do “eu” individual por meio da- queles elementos da personalidade que tiveram a força de manter- se em roda do centro individual, depois de sua separação do corpo, e que se podem manifestar pela mediunidade ou pela associação com os elementos psíquicos homogêneos de um ser vivo. Isso faz que os fenômenos do Espiritismo, quanto ao seu modo de manifestação, sejam semelhantes aos do personismo e do animismo, e não se distinga deles a não ser pelo conteúdo intelectual que trai uma personalidade independente. CONTINUA
  24. 24. Uma vez admitidos os fatos dessa última categoria, claro é que a hi- pótese que daí resulta pode igualmente ser aplicada aos fatos das duas primeiras categorias; ela não é mais do que o desenvolvimento ulterior das hipóteses precedentes. A única dificuldade que se apre- senta é que, muitas vezes, as três hipóteses podem servir com o mesmo fundamento para a explicação de um só e mesmo fato. Volume 1 e 2 Prefácio da Edição Alemã Assim, um simples fenômeno de personismo poderia também ser um caso de animismo ou de Espiritismo. O problema é pois decidir a qual dessas hipóteses é preciso atender, pois que se enganaria quem pensasse que uma só é bastante para dominar todos os fatos. A crí- tica proíbe ir além da que basta para a explicação do caso submetido à análise. Assim, pois, o grande erro dos partidários do Espiritismo é ter querido atribuir todos os fenômenos, geralmente conhecidos sob esse nome, aos “espíritos”. Este nome, por si só, basta para nos insinuar em um mau caminho. Ele deve ser substituído por um outro, por um termo genérico, não envolvendo hipótese alguma, doutrina alguma, como por exem- plo à palavra mediunismo, denominação que desde muito tempo introduzimos na Rússia. Toda verdade nova, no domínio das ciências naturais, faz seu caminho lentamente, gradu- almente, porém seguramente. FIM
  25. 25. Volume 1 e 2 Prefácio da Edição Alemã Hoje, graças às experiências hipnóticas, a noção da personalidade sofre uma completa revolução. Não é mais uma unidade consciente, simples e permanente, como o afirmava a antiga escola, porém uma “coordenação psicológica”, um conjunto coerente, um consenso, uma síntese, uma associação dos fenômenos da consciência, enfim, um agregado de elementos psíqui- cos; por conseguinte, uma parte desses elementos pode, em certas condições, se dissociar, se destacar do núcleo central, a tal ponto que esses elementos tomem por temporário o caráter de uma persona- lidade independente. Eis uma explicação provisória das variações e dos desdobramentos da personalidade, observados no sonambulismo e no hipnotismo. Se a Ciência não tivesse desprezado os fatos do magnetismo animal, desde o começo, os seus estudos sobre a personalidade teriam dado um passo imenso e teriam entrado no domínio do saber comum; o vulgo se teria então comportado de modo diferente a respei- to do Espiritismo, e a Ciência não teria tardado em ver, nesses fenômenos superiores, um novo desenvolvimento da desagregação psicológica, e essa hipótese com certos desenvol- vimentos teria podido também se aplicar até a todos os outros gêneros de fenômenos me- diúnicos; assim nos fenômenos superiores de ordem física (movimentos de objetos sem contato, etc.), ela teria visto um fenômeno de desagregação de efeito físico, e, nos fatos de materialização, um fenômeno de desagregação de efeito plástico. CONTINUA
  26. 26. Volume 1 e 2 Prefácio da Edição Alemã Um médium, conforme essa terminologia, seria um indivíduo no qual o estado de desagregação psicológica sobrevém facilmente, no qual, para empregar a expressão do Senhor Janet, “o poder de síntese psí- quica fica enfraquecido e deixa escapar-se, para fora da percepção pessoal, um número mais ou menos considerável de fenômenos psicológicos”. Como o Hipnotismo é em nossos dias um instrumento por meio do qual certos fenômenos de automatismo psicológico (de dissociação dos fenômenos da consciência, ou de desagregação mental) podem ser obtidos à vontade e submetidos à experimentação, com o mesmo fundamento, não hesitamos em afirmar que o Hipnotismo tornar-se-á em breve um instrumento por meio do qual quase todos os fenômenos do Animismo poderão ser submetidos a uma experimentação positiva, obedecendo à vontade do homem; a sugestão será o instrumento por meio do qual a desagregação psíquica transporá os limites do corpo e produzirá efeitos físicos à vontade. Será também o primeiro passo para a produção à vontade de um efeito plástico, e o fenô- meno conhecido em nossos dias sob o nome de “materialização” receberá o seu batismo científico. Tudo isso importa necessariamente na modificação das doutrinas psicológicas e as conduzirá a ponto de vista monístico, segundo o qual cada elemento psíquico é porta- dor não só de uma forma de consciência, como ainda de uma força organizadora. CONTINUA
  27. 27. Volume 1 e 2 Prefácio da Edição Alemã Dissecando a personalidade, a experimentação psicológica chegará a encontrar a individualidade, que é o núcleo transcendente das forças indissociáveis, em roda do qual vêm grupar-se os elementos múlti- plos e dissociáveis que constituem a personalidade. E então que o Espiritismo fará valer os seus direitos. Somente ele pôde provar a existência e a persistência metafísica do indivíduo. E chegará o tempo em que, no ápice da possante pirâmide que a Ciên- cia há de elevar com os inumeráveis materiais reunidos no domínio dos fatos não menos positivos quão transcendentes, ver-se-ão brilhar, ace- sos pelas mãos da própria Ciência, os fogos sagrados da Imortalidade. FIM
  28. 28. Volume 1 e 2 Capítulo IV A Hipótese dos Espíritos (...) no organismo humano há uma consciência interior, que é dota- da de uma vontade e de uma razão individuais, agindo independen- temente da consciência exterior que conhecemos; que a ação dessa consciência interior não é adstrita aos limites de nosso corpo, que ela possui a faculdade de entrar em comunhão intelectual, passiva e ativa, com os seres humanos, quero dizer: que ela pode não somen- te receber (ou arrogar-se) as impressões que emanam da atividade inteligente de uma consciência estranha (quer interior, quer exte- rior), como ainda transmitir a essa última as suas próprias impres- sões, sem o auxílio dos sentidos corpóreos (transmissão de pensa- mentos); ainda mais, somos coagidos a admitir que essa consciência interior é dotada da faculdade de perceber as coisas presentes e passadas, no mundo físico como no mundo intelectual, e que esse dom de percepção não é limitado pelo tempo nem pelo espaço, e não depende de qualquer das fontes conhecidas de informações (clarividência). (...) (...) Em resumo, o estudo dos fenômenos mediúnicos nos força a aceitar as duas verdades seguintes, fazendo abstração de qualquer hipótese espírita: CONTINUA
  29. 29. 1) Existe no homem uma consciência interior, na aparência indepen- dente da consciência exterior, e que é dotada de uma vontade e de uma inteligência que lhe são próprias, assim como de uma faculdade de percepção extraordinária; essa consciência interior não é conheci- da da consciência exterior nem influenciada por ela; não é uma sim- ples manifestação dessa última, pois que essas duas consciências não agem sempre simultaneamente ( (...) segundo a opinião de ou- tras pessoas, é uma individualidade, um ser transcendente. Deixare- mos de lado essas definições; basta-nos dizer que a atividade psíqui- ca do homem apresenta-se como dupla: atividade consciente e ati- vidade inconsciente - exterior e interior - e que as faculdades dessa última excedem muito às da primeira). Volume 1 e 2 Capítulo IV A Hipótese dos Espíritos 2) O organismo humano pode agir à distância, produzindo um efeito não somente inte- lectual ou físico, como ainda plástico, dependente, segundo todas as aparências, de uma função especial da consciência interior. Essa atividade extracorpórea é independente, con- forme parece, da consciência exterior, pois essa última não tem conhecimento de tal ativi- dade, não na dirige. CONTINUA
  30. 30. Volume 1 e 2 Capítulo IV A Hipótese dos Espíritos Para maior brevidade, proponho designar pela palavra animismo to- dos os fenômenos intelectuais e físicos que deixam supor uma ativi- dade extracorpórea ou a distância do organismo humano, e mais es- pecialmente todos os fenômenos mediúnicos que podem ser expli- cados por uma ação que o homem vivo exerce além dos limites do corpo. Quanto ao que diz respeito à palavra Espiritismo, ela será aplicada somente aos fenôme- nos que, após exame, não podem ser explicados por nenhuma das teorias precedentes e oferecem bases sérias para a admissão da hipótese de uma comunicação com os mortos. Nota explicativa do autor: (...) Na verdade, a palavra psiquismo teria podido preencher o mesmo fim que a palavra animismo, mas, uma vez aceita a pa- lavra espiritismo, parece-me que é preferível formar as duas expressões com radicais latinos e adotar estes dois termos para designar essas duas categorias de fenômenos, absolutamente distintos quanto à sua fonte, se bem que te- nham grande afinidade em sua manifestação exterior. Demais, o adjetivo psí- quico serve hoje para traduzir as mais variadas ideias, frequentemente muito vagas.. CONTINUA
  31. 31. Se as asserções contidas nessa hipótese acham sua justificação: en- tão o termo animismo será aplicado a uma categoria especial de fenômenos, produzidos pelo princípio anímico (considerado como ser independente, razoável e organizador) enquanto está ligado ao corpo; e neste caso a palavra Espiritismo compreenderá todos os fenômenos que podem ser considerados como manifestação desse mesmo princípio, porém desprendido do corpo. Por mediunismo entenderemos todos os fenômenos compreendidos no animismo e no Espiritismo, independentemente de uma ou de outra dessas hi- póteses. Volume 1 e 2 Capítulo IV A Hipótese dos Espíritos FIM
  32. 32. Observaram como Aksakof demonstra a possibilidade do surgimento de personalidades vindas da própria individualidade. Ou seja, uma dissociação do próprio médium, podendo vim uma personalidade do passado, ou melhor, de uma vivência do passado. Volume 1 e 2 Estudos Dirigidos O Animismo
  33. 33. Vamos deixar aqui para vocês um relato bastante interessante no livro de Alexandre Aksakof. Depois retornaremos ao nosso assunto sobre o fenômeno da incorporação. Volume 1 e 2 Estudos Dirigidos O Animismo
  34. 34. Volume 1 e 2 Capítulo IV A Hipótese dos Espíritos Antes de passar à rubrica seguinte, é preciso responder a uma ques- tão que se apresenta aqui muito naturalmente: se as manifestações mediúnicas não são em muitos casos mais do que efeitos da ação extracorpórea do homem vivo, porque pois essas manifestações não se anunciam como tais, já que dão testemunho de uma inteligência própria? Esses casos existem, mas creio que foram geralmente des- prezados, como se pode ver pela observação seguinte do Senhor Harrison, antigo editor do “Spiritualist”: “No sábado, 12 de Setembro de 1868, dirigi-me sozinho a uma ses- são privada em casa do Senhor e da Senhora Marshall, para ter uma longa conversação com John King (Espírito). No começo, estávamos em plena luz e disseram-nos por meio de pancadas: “— Sou o vosso bom Espírito familiar. “— Então tenha a bondade de dizer-me quem és. “— Sim, sou tu mesmo. “Voltei-me para a Senhora Marshall e perguntei-lhe o sentido dessa comunicação. Respon- deu-me que nada sabia a tal respeito; dantes, ela nunca tinha ouvido dizer coisa alguma semelhante. Era talvez teu duplo, acrescentou ela, pois que, diz-se, certas pessoas têm seus duplos no mundo dos Espíritos. CONTINUA
  35. 35. Volume 1 e 2 Capítulo IV A Hipótese dos Espíritos “Era a primeira vez que eu ouvia falar da existência de duplos, e era para mim uma hipótese muito ousada para que me submetesse tão depressa a ela. Concluí daí, imediatamente, que a comunicação era uma brincadeira à maneira de John King. Eu perguntei: “— Dir-mo-ás ainda em um aposento escuro? “A resposta foi: — Sim. “Entramos no aposento escuro, e, no fim de pouco tempo, vimos produzirem-se corpos luminosos semelhantes a cometas, do compri- mento de cerca de 30 centímetros, alargados em uma das extremi- dades e afilando-se em delgada ponta na outra; esses corpos lumi- nosos flutuavam no ar, aqui e ali, seguindo uma trajetória curvilínea. Um momento depois, uma voz me disse, muito perto de mim: “— Sou teu próprio “eu” espiritual; falei contigo no aposento vizinho. “Pensei ainda que era uma brincadeira de John King e não continuei a conversação. “Sempre lamentei essa circunstância, agora que sabemos que papel importante represen- tam em grande número de manifestações espiríticas o duplo e outros agentes semelhan- tes.)” FIM
  36. 36. Vamos colocar também aqui agora um episódio do livro “Nos Domínios da Mediunidade”. Incluímos quase o texto completo do capítulo para o nosso estudo. Vamos ver o que ele tem a ver com o nosso assunto sobre o animismo. Estudos Dirigidos O Animismo
  37. 37. Capítulo 22 Emersão do Passado Em uma instituição, no atendimento espiritual a encarnados... (...) eis que uma das senhoras enfermas (aguardando ser atendida) cai em pranto convulsivo, exclamando: — Quem me socorre? Quem me socorre?... E comprimindo o peito com as mãos, acrescentava em tom comovedor: — Covarde! Por que apunhalar, assim, uma indefesa mulher? Serei totalmente culpada? Meu sangue condenará seu nome infeliz... Raul (trabalhador encarnado da instituição), com a serenidade habi- tual, abeirou-se dela e consolou-a, com carinho: — Minha irmã, o perdão é o remédio que nos recompõe a alma doente... Não admita que o desespero lhe subjugue as energias!... Guardar ofensas é conservar a sombra. Esqueça- mos o mal para que a luz do bem nos felicite o caminho... — Olvidar? Nunca!... O senhor sabe o que vem a ser uma lâmina enterrada em sua carne? Sabe o que seja a calamidade de um homem que nos suga a existência para arremessar- nos à miséria, comprazendo-se, depois disso, em derramar-nos o próprio sangue? — Sim, sim, ninguém lhe contraria o direito à justiça, segundo as suas afirmações, entretanto, não será mais aconselhável aguardar o pronunciamento da Bondade Divina? Quem de nós estará sem mácula? CONTINUA
  38. 38. Capítulo 22 Emersão do Passado — Esperar, esperar? Há quanto tempo não faço outra coisa! Em vão procuro reaver a alegria... Por mais me dedique ao trabalho de romper com o pretérito, vivo a carregar a sombra de minhas recordações, como quem traz no próprio peito o sepulcro dos sonhos mortos... Tudo por causa dele... Tudo pelo malvado que me arruinou o destino... E a pobre criatura prorrompeu em soluços, enquanto um homem desen- carnado, não longe, fitava-a com inexprimível desalento Perplexos, Hilário e eu lançamos um olhar indagador ao Assistente, que nos percebeu a estranheza, porquanto a enferma, sem a presença da mulher invisível que parecia personificar, prosseguia em aflitiva posição de sofrimento. — Não vejo a entidade de quem a nossa irmã se faz intérprete — alegou Hilário, curioso. — Sim — disse por minha vez —; observo em nossa vizinhança um triste companheiro desencarnado, mas se ele estivesse telepaticamente ligado à nossa amiga, decerto a mensagem definiria a palavra de um homem, sem as características femininas da lamentação que registramos... Em verdade, não notamos aqui qualquer laço magnético que nos induza a assinalar fluidos teledinâmicos sobre a mente da médium... Áulus afagou a fronte da doente em lágrimas, como se lhe auscultasse o pensamento, e explicou: CONTINUA
  39. 39. Capítulo 22 Emersão do Passado — Estamos diante do passado de nossa companheira. A mágoa e o azedu- me, tanto quanto a personalidade supostamente exótica de que dá teste- munho, tudo procede dela mesma... Ante a aproximação de antigo desa- feto, que ainda a persegue de nosso plano, revive a experiência dolorosa que lhe ocorreu, em cidade do Velho Mundo, no século passado, e entra em seguida a padecer insopitável melancolia. Recomeçou a luta na carne, na presente reencarnação, possuída de novas esperanças, contudo, tão logo experimenta a visitação espiritual do antigo verdugo, que a ela se enleia, através de vigorosos laços de amor e ódio, perturba-se-lhe a vida mental, necessitada de mais ampla reeducação. É um caso no qual se faz possível a colheita de valiosos ensinamentos. — Isso quer dizer, então... A frase de Hilário ficou, porém, no ar, porque o instrutor lhe, definiu o pensamento, acrescentando: — Isso quer dizer que nossa irmã imobilizou grande coeficiente de forças do seu mundo emotivo, em torno da experiência a que nos referimos, a ponto de semelhante crista- lização mental haver superado o choque biológico do renascimento no corpo físico, prosseguindo quase que intacta. Fixando-se nessa lembrança, quando instada de mais perto pelo companheiro que lhe foi irrefletido algoz, passa a comportar-se qual se esti- vesse ainda no passado que teima em ressuscitar. É então que se dá a conhecer como personalidade diferente, a referir-se à vida anterior. CONTINUA
  40. 40. Capítulo 22 Emersão do Passado Sorrindo, paternal, considerou: — Sem dúvida, em tais momentos, é alguém que volta do pretérito a co- municar-se com o presente, porque ao influxo das recordações penosas de que se vê assaltada, centraliza todos os seus recursos mnemônicos tão-somente no ponto nevrálgico em que viciou o pensamento. Para o psiquiatra comum é apenas uma candidata à insulinoterapia ou ao ele- trochoque, entretanto, para nós, é uma enferma espiritual, uma cons- ciência torturada, exigindo amparo moral e cultural para a renovação Intima, única base sólida que lhe assegurará o reajustamento definitivo. Analisei-a, com atenção, e concluí: — Mediunicamente falando, vemos aqui um processo de autêntico animismo. Nossa amiga supõe encarnar uma personalidade diferente, quando apenas exterioriza o mundo de si mesma... — Poderíamos, então, classificar o fato no quadro da mistificação inconsciente? — interferiu Hilário, indagador. Áulus meditou um minuto e ponderou: CONTINUA
  41. 41. Capítulo 22 Emersão do Passado — Muitos companheiros matriculados no serviço de implantação da Nova Era, sob a égide do Espiritismo, vêm convertendo a teoria animista num travão injustificável a lhes congelarem preciosas oportunidades de reali- zação do bem; portanto, não nos cabe adotar como justas as palavras mistificação inconsciente ou subconsciente, para batizar o fenômeno. Na realidade, a manifestação decorre dos próprios sentimentos de nossa amiga, arrojados ao pretérito, de onde recolhe as impressões depri- mentes de que se vê possuída, externando-as no meio em que se encon- tra. E a pobrezinha efetua isso quase na posição de perfeita sonâmbula, porquanto se concentra totalmente nas recordações que já assinalamos, como se reunisse todas as energias da memória numa simples ferida, com inteira despreocupação das responsabilidades que a reencarnação atual lhe confere. “Achamo-nos, por esse motivo, perante uma doente mental, requisitando-nos o maior carinho para que se recupere. Para sanar-lhe a inquietação, todavia, não nos bastam diagnósticos complicados ou meras definições técnicas no campo verbalista, se não houver o calor da assistência amiga.” Nosso orientador fez ligeira pausa, acariciando a enferma, e, enquanto Raul Silva conti- nuava a doutriná-la e a consolá-la, notificou-nos, bondoso: CONTINUA
  42. 42. Capítulo 22 Emersão do Passado — Deve ser tratada com a mesma atenção que ministramos aos sofredo- res que se comunicam. É também um Espírito imortal, solicitando-nos concurso e entendimento para que se lhe restabeleça a harmonia. A ideia de mistificação talvez nos impelisse a desrespeitosa atitude, diante do seu padecimento moral. Por isso, nessas circunstâncias, é preciso armar o coração de amor, a fim de que possamos auxiliar e compreender. Um doutrinador sem tato fraterno apenas lhe agravaria o problema, porque, a pretexto de servir à verdade, talvez lhe impusesse corretivo inoportuno ao invés de socorro providencial. Primeiro, é preciso remover o mal, para depois fortificar a vítima na sua própria defesa. Felizmente, o nosso Raul assimila as correntes espirituais que prevalecem aqui, tornando- se o enfermeiro ideal para as situações dessa ordem. Hilário, tanto quanto eu, edificado com os ensinamentos ouvidos, perguntou respeitoso: — E podemos considerá-la médium, mesmo assim? — Como não? Um vaso defeituoso pode ser consertado e restituído ao serviço. Naturalmente, agora a paciência e a caridade necessitam agir para salvá-la. Nossa irmã deve ser ouvida na posição em que se revela, como sendo em tudo a desventurada mulher de outro tempo, e recebida por nós nessa base, para que use o remédio moral que lhe estendemos, desligando-se enfim do passado... O assunto não comporta desmentido, porque indiscutivelmente essa mulher existe ainda nela mesma. A personalidade antiga não foi tão eclipsada pela matéria densa como seria de desejar. Ela renasceu pela carne, sem renovar-se em espírito... CONTINUA
  43. 43. Capítulo 22 Emersão do Passado O Assistente fixou o gesto de quem mergulhava na própria consciência a sonda de suas reflexões e falou, qual se o fizesse de si para consigo: — Ela representa milhares de criaturas aos nossos olhos... Quantos mendigos arrastam na Terra o esburacado manto da fidalguia efêmera que envergaram outrora! Quantos escravos da necessidade e da dor trazem consigo a vaidade e o orgulho dos poderosos senhores que já foram em outras épocas!... Quantas almas conduzidas à ligação consan- guínea caminham do berço ao túmulo, transportando quistos invisíveis de aversão e ódio aos próprios parentes, que lhes foram duros adversários em existências pregressas!... Todos podemos cair em semelhantes esta- dos se não aprendemos a cultivar o esquecimento do mal, em marcha incessante com o bem... Nessa altura, Raul Silva, na condição de hábil psicólogo, convidou a doente ao benefício da prece. Competia-lhe a ela suplicar ao Céu a graça do olvido. Cabia-lhe expungir o passado da imaginação, de maneira a pacificar-se. E, singularmente comovido, recomendou-lhe repetir em companhia dele as frases sublimes da oração dominical. A pobre senhora acompanhou-o docilmente. Ao término da súplica, mostrava-se mais tranquila. O prestimoso amigo, traduzindo a colaboração do mentor que o acompanhava, solícito, rogou-lhe considerar, acima de tudo, o impositivo do perdão aos inimigos para a reconquista da paz e, em lágrimas, a enferma desligou-se das impressões que a imobilizavam no pretérito, tornando à posição normal. CONTINUA
  44. 44. Capítulo 22 Emersão do Passado Enquanto Silva lhe aplicava passes de reconforto, o Assistente comentou: — Outra não pode ser, por enquanto, a intervenção assistencial em seu benefício. Pela enfermagem espiritual bem conduzida, reajustar-se-á pouco a pouco, retomando o império sobre si mesma e capacitando-se para o desempenho de valiosas tarefas mediúnicas mais tarde. FIM
  45. 45. Estudos Dirigidos Vamos dar uma pausa por aqui. http://vivenciasespiritualismo.net/index.htm Luiz Antonio Brasil Périclis Roberto pericliscb@outlook.com

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