16.02 A Psicofonia - A Incorporação II 20 jan 2015

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16.02 A Psicofonia - A Incorporação II 20 jan 2015

  1. 1. Estudos Dirigidos Voltamos com o nosso assunto... A Psicofonia– A Incorpora
  2. 2. Médiuns Existe mediunidade inconsciente? Divaldo - Sem dúvida. Kardec classificava os médiuns, genericamente, em dois tipos: seguros e inseguros. Dentro dessa classificação, os seguros são aqueles que filtram com fidelidade a mensagem, aqueles que são automáticos, sonambúlicos, inconscientes portanto, por meio dos quais o fenômeno ocorre dentro de um clima de profundidade, sem que a consciência atual tome conhecimento. Podem ser os médiuns conscientes, semiconscientes e inconscientes. Quanto às suas aptidões e qualidades morais, eles têm vasta classificação. FIM
  3. 3. Tem o médium inconsciente responsabilidade pelo que ocorra durante as comunicações? Médiuns Divaldo - O fenômeno é sonambúlico, mas a comunicação está relacio- nada com a conduta moral do médium. Este é sempre responsável pelas ocorrências, assim como em muitas obsessões, quando o indiví- duo entra numa faixa de subjugação e perde a consciência, ele parece não ser responsável pelo que se passa; no entanto, o é por haver sinto- nizado com aquele espírito que o dominou temporariamente. Está no Evangelho de Jesus o assunto colocado de uma maneira bri- lhante pelo Mestre quando diz aos recém liberados: “Vai e não tornes a pecar, para que te não aconteça algo pior” (joão 5:14). Porque o indivíduo que não se modifica permanece numa faixa vibratória negativa e sinto- niza com as entidades mais inditosas, portanto, semelhantes. Colocando-nos no plano da mediunidade, a nossa vivência moral digna interdita o inter- câmbio com as entidades frívolas. As entidades malévolas dificilmente se adentram na Casa Espírita que tem um padrão vi- bratório nobre, porque as defesas impedem que tais espíritos rompam as barreiras mag- néticas. Mas, a pessoa que se adentra sem o perseguidor deverá reformar-se enquanto está no ambiente espiritual. O que ocorre então? CONTINUA
  4. 4. Médiuns Tal indivíduo, ao invés de acompanhar o doutrinador, de observar e meditar a respeito das lições que lhe são ministradas, por uma viciação mental continua com os mesmos clichês que trouxe lá de fora, ficando dentro do Centro, porém ligado aos espíritos com os quais se afina, mantendo vinculação hipnótica, telepática. Há pessoas que não conseguem orar, e, quando vão orar, ocorrem-lhes pensamentos de teor vibratório muito baixo. Na hora da prece são assistidas essas pessoas por lembranças de coisas desagradáveis vulga- res, sensuais, e não sabem compreender como isso lhes sucede. É re- sultado de hábito mental. Se nós, a vida inteira, jogamos para o inconsciente ideias depressivas, vulgaridades, cria- mos ideoplastias perniciosas. A nossa memória anterior ou subconsciente fica encharcada daquelas fixações. Na hora em que vamos exercitar um pensamento ao qual não estamos habituados, é lógico que, primeiro, aflorem os que são freqüentes. Ilustraremos melhor: Imaginemos aqui um vaso comunicante em forma de letra “U”. De repente vamos orar ou sintonizar com os espíritos nobres. Pelo superconsciente vem a ideia passa pelo consciente e desce ao inconsciente. CONTINUA
  5. 5. Médiuns Ao passar por ali recebe o enxerto das ideias arquivadas e chega novamente à razão, influenciada pela mescla do que está em depósito. Se pegamos um vaso que está com fuligem, com poeira e colocamos água limpa, ela entra cristalina, porém sai suja, até que, se perseverarmos e continuarmos colocando água limpa, ela irá assear aquele depósito e sairá, por fim, como entrou. É necessário, então, porfiar na ideia, insistir nos planos positivos, perma- necer nos pensamentos superiores. Somos sempre responsáveis por quaisquer comunicações, desde que somos o fator que atrai a entidade que se vai apresentar, graças às nossas vibrações e conduta intelecto- moral. FIM
  6. 6. Médiuns Há médium inconsciente que, após a manifestação do espírito, não se recorda do que o comunicante disse ou fez por seu intermédio? Divaldo - Sim. Há e ocorre com uma boa parcela dos sensitivos. À medida que a faculdade se torna maleável, que os filtros se fazem mais fiéis, o médium não se recorda através da consciência plena, mas ele sabe algo, porque todo fenômeno mediúnico dá mediante uma co-participação do espírito encarnado. Essa co-participação seria um controle remoto do subconsciente? Divaldo - Exatamente. O espírito encarnado é quem côa a mensagem da entidade desen- carnada. Então, ao mesmo tempo, exerce a fiscalização, o controle, e coíbe, quando devi- damente educado, quaisquer abusos, preservando o instrumento de sua reencarnação, que é o corpo. FIM Quer dizer que, no fundo, é sempre o médium o responsável, mesmo que tenha faculdade inconsciente, por aquilo que vem através dele? Divaldo - Daí dizer-se que em todo fenômeno mediúnico há um efeito anímico, assim co- mo em todo fenômeno anímico há uma expressão mediúnica. Por melhor que seja o pia- nista, o som é sempre do piano.
  7. 7. Médiuns De que dispõe o médium psicofônico consciente para distinguir seu pensamento do pensamento da entidade comunicante? Divaldo - O médium consciente dispõe do bom senso. Eis porque, antes de exercitar a mediunidade deve estudá-la; antes de entregar-se ao mi- nistério da vivência mediúnica é-lhe lícito entender o próprio mecanis- mo do fenômeno mediúnico. Allan Kardec, aliás, sábio por excelência, teve a inspiração ditosa de primeiro oferecer à Humanidade O Livro dos Espíritos, que é um tratado de filosofia moral. Logo depois, O Livro dos Médiuns, que é um com- pêndio de metodologia do exercício da faculdade mediúnica. Há de ver-se, no capítulo 3º, que é dedicado ao método, sobre a necessidade de o indi- víduo conhecer a função que vai disciplinar. Então o médium tem conhecimento de suas próprias aptidões e de sua capacidade de exercitá-las. Na mediunidade consciente ou lú- cida o fenômeno é, a princípio, “inspirativo”. Naturalmente os espíritos se utilizam do nível cultural do médium, o mesmo ocorrendo nas demais expressões mediúnicas: na semiconsciente e na inconsciente ou sonambúlica. O médium, no começo, terá que vencer o constrangimento da dúvida, em cujo período ele não tem maior certeza se a ocorrência parte do seu inconsciente, dos arquivos da memória anterior, ou se provém da indução de natureza extrínseca. CONTINUA
  8. 8. Médiuns Através do exercício, ele adquirirá um conhecimento de tal maneira equilibrado que poderá identificar quando se trata de si próprio - animismo ou de interferência espiritual - mediunismo. Através da lei dos fluidos, pelas sensações que o médium registra, du- rante a influência que o envolve, passa a identificar qual a entidade que dele se acerca. A partir daí, se oferece numa entrega tranquila, e o espírito que o con- duz inspira-o além da sua própria capacidade dando leveza às suas ideias habituais, oferecendo-lhe a possibilidade de síntese que não lhe é comum, canalizando ideias às quais não está acostumado e que ocor- rem somente naquele instante da concentração mediúnica. Só o tempo, porém, pelo exercício continuado, oferecerá a lucidez, a segurança para dis- cernir quando se trata de informação dos seus próprios arquivos ou da interferência dos Bons Espíritos. FIM
  9. 9. Médiuns Pode o médium, em algumas comunicações, não conseguir evitar, totalmente, as atitudes desequilibradas dos espíritos comunicantes? Divaldo - À medida que o médium educa a força nervosa, logra dimi- nuir o impacto do desequilíbrio do comunicante. É compreensível que, em se comunicando um suicida, não venhamos a esperar harmonia por parte da entidade em sofrimento; alguém que foi vítima de uma tra- gédia sendo arrebatado do corpo sem o preparo para a vida espiritual apresentará no médium o estertor do momento final, na própria comu- nicação, algumas convulsões em virtude do quadro emocional em que o espírito se encontra. Há, porém, certos cacoetes e viciações que nos cumpre disciplinar. Há médiuns que só in- corporam (termo incorreto), isto é, somente dão comunicação psicofônica, se bocejarem bastante. Para dar um toque de humor: quando eu comecei a frequentar a Casa Espírita, na minha terra natal, a primeira parte era um Deus-nos-acuda! Porque as pessoas boce- javam e choravam, demasiadamente. Eu, como era médium principiante, cria que também deveria bocejar de quebrar o queixo. A “médium principal”, que era uma senhora muito católica, iniciava as comunicações sempre depois de intermináveis bocejos e tosses que a levavam às lágrimas. Hoje não bocejo, nem no meu estado normal. Quando eles vêm eu cerro os dentes e os evito. CONTINUA
  10. 10. Médiuns É lógico que uma entidade sofredora nos impregna de energia perni- ciosa, advindo o desejo de exteriorizar pelo bocejo. É uma forma de eliminar toxinas. Mas nós podemos eliminá-las pela sudorese, por ou- tros processos orgânicos, não necessariamente o bocejo. Há outros mé- diuns que têm a dependência, de todas as vezes em que vão comunicar- se os espíritos, bater na mesa ou bater os pés, porque se não baterem não se comunicam. Lembro de uma vez em que tivemos uma mesa re- donda. O presidente da mesa era um homem muito bom, muito evan- gelizado, mas não havia entendido bem a Doutrina, tendo ideias doutri- nárias muito pessoais. Ele me perguntou quando é que o espírito incor- pora no médium. Mas logo respondeu: “A gente chupa... chupa... até engolir! Não é verdade ?“. São cacoetes, destituídos de sentido e lógica. Os médiuns têm o dever de coibir o excesso de distúrbios da entidade comunicante. Na minha terra, vi senhoras que se jogavam no chão, e vinham os cavalheiros prestimosos ajudá-las... Graças a Deus eram todas magrinhas... O médium deve controlar o espírito que se comunica, para que este lhe respeite a instru- mentalidade, mesmo porque o espírito não entra no médium. A comunicação é sempre através do perispírito, que vai oferecer campo ao desencarnado. Todavia, a diretriz é do encarnado. FIM
  11. 11. Médiuns O médium é responsável por toda e qualquer comunicação mediúnica? Divaldo - Deve sê-lo, porque não é um autômato. Quaisquer comunica- ções que lhe ocorram são através do seu psicossoma ou perispírito. A conduta do médium é de sua responsabilidade e, graças a essa conduta, ele responde pela aplicação de suas forças mediúnicas. É muito comum a pessoa assumir comportamentos contrários ao bom- tom e depois dizer que foram as entidades perniciosas que agiram dessa forma. Isso é uma evasão da responsabilidade, porque os espíritos somente atuam pelo médium, nele encontrando receptividade para as suas induções. É importante saber que o médium é responsável pela manifestação que ocorra através dele. Para que se torne um médium seguro, um instrumento confiável, é necessário que evolua moral e intelectualmente, na razão em que exercita a faculdade. (...) FIM
  12. 12. Capítulo 13. Página 136 e 137. PERGUNTA: — A mediunidade mecânica é a própria mediunidade de incorporação? RAMATÍS: — Há que distinguir o seguinte: o médium mecânico e o semi- -mecânico não abandonam o seu corpo físico no momento em que es- crevem as mensagens dos espíritos desencarnados, enquanto que, no caso da incorporação completa, o espírito e o Perispírito do médium po- dem afastar-se até longa distância, deixando o corpo físico sob o coman- do dos desencarnados comunicantes. Conforme já expusemos anteriormente, o médium de incorporação com pleta quando abandona o seu corpo físico fica ligado a ele só pelo cordão fluídico e, enquanto permanece ausente, outro espírito se manifesta, assim como na ausência do dono da casa algum amigo ou estranho pas- sasse a habitá-la. Embora ele continue preso ao corpo carnal, pelo cordão fluídico, em vir- tude do seu desligamento dos centros energéticos do duplo-etérico, cai- -lhe a temperatura e o transe mediúnico aprofunda-se para o estado de catalepsia. CONTINUA
  13. 13. Capítulo 13. Página 136 e 137. Assim, o êxito da comunicação mediúnica de incorporação, em transe completo, depende muito do conhecimento e da possibilidade de o próprio espírito desencarnado comandar o organismo físico do médium, que é o seu verdadeiro dono, mas ausente. A mediunidade de incorporação tal como a mecânica, também se presta melhor para as identificações corretas dos desencarnados que, podendo atuar sem interferência do médium, podem revelar com êxito as suas ca- racterísticas psicológicas, e outras particularidades íntimas de sua vida na Terra. “(...) Em virtude de o espírito do médium afastar-se completamente do seu organismo físico, juntamente com o seu Perispírito, a comunicação mediúnica flui-lhe de modo inconsciente e ele desperta do transe mediúnico sem nada recordar-se daquilo que foi transmitido pelo seu cérebro físico durante a sua ausência espiritual. Mais tarde, surpreende-se quando alguém descreve-lhe certos assuntos, conceitos filosófi- cos ou argumentação científica, que ele proferiu mas de que não teve conhecimento pessoal. FIM
  14. 14. A diferença é que o médium intuitivo lembra-se de todos os pensamentos que lhe foram comunicados pelos desencarnados, enquanto o de incorporação é inconsciente, pois o seu Perispírito afasta-se durante a manifestação mediúnica. No entanto, o próprio médium de incorporação — que durante as comunicações dos espíritos desencarnados é inconsciente daquilo que se torna intermediário — mais tarde recorda-se de algo das idéias que transitaram por si. Capítulo 13. Página 139. Diferença entre Médium Intuitivo e Médium de Incorporação FIM
  15. 15. Capítulo 13. Página 139 e 140. PERGUNTA: — Por que o médium incorporativo não se recorda, de imediato, daquilo que os espíritos desencarnados transmitem por seu intermédio para o mundo físico? RAMATÍS: — Conforme já vos temos considerado anteriormente, só em caso de morte corporal é que o espírito e o Perispírito abandonam defi- nitivamente o corpo físico da criatura. Assim, o médium inconsciente, ou de incorporação completa, alguns dias após o seu trabalho mediúnico verifica a emersão de certas frases, vocá- bulos ou idéias, que os desencarnados verteram-lhe pelo seu cérebro fí- sico enquanto se encontrava distante do seu próprio organismo. Embora o cérebro perispiritual do médium fique distanciado durante a incorporação do espí- rito desencarnado, nem por isso desliga-se completamente; por isso as ideias comunicadas retratam-se, embora sem a nitidez com que as recebe o intuitivo. Então o médium, mais tarde, surpreende-se ao reconhecer contornos, vestimentas ou fisio- nomias que ele já identificou alhures, mas ainda ignora que se trata de espíritos que se utili- zaram do seu corpo físico em transe. Esse reconhecimento posterior e mental, juntamente com alguns trechos, fragmentos ou idéias que os desencarnados fluíram-lhe pelo cérebro físico, deixa-o quase crente de que o fato acontece realmente naquele momento, e não apenas "recorda" acontecimentos já vivi- dos anteriormente. FIM
  16. 16. Capítulo 17. A um sinal especial, o médium abnegado (já desdobrado e no plano espiritual) concentrou-se no adversário desencarnado, que foi atraí- do como uma limalha de ferro na direção de poderoso ímã. Vimo-lo envolver o perispírito do intermediário em desdobramento, pratica- mente fundindo-se nos campos vibratórios sutis, transfigurando-o, plasmando uma fácies de ferocidade, quase animalesca. Baba peço- nhenta começou a escorrer-lhe dos cantos da boca retorcidos, esga- res nervosos sacudiram-no e num movimento brusco abandonou a postura convencional em que estava na cadeira, afastando-se grotes- camente. Dr. Arquimedes manteve-se em grande serenidade, demonstrando saber o que iria acontecer, enquanto todos orávamos com surpresa e piedade, constatando a infinita variedade de ocorrências e fenôme- nos que permanecem ocultos no ser imortal. Ainda não tivera oportunidade de participar de um evento mediúnico daquela natureza com as características estranhas em que se apresentava. O comunicante tentou expressar-se verbalmente, mas não foi além de gemidos e sons des- conexos que mais o afligiam e revoltavam. CONTINUA
  17. 17. Capítulo 17. O amigo Germano foi convidado a aplicar-lhe bioenergia, retirando as espessas camadas vibratórias em que se debatia prisioneiro, para logo concentrar o esforço no plexo solar e na área cardíaca, que ex- peliam densas vibrações, que logo eram diluídas no ambiente. Em descontrole quase total, o Espírito, incorporado nas delicadas engrenagens perispirituais de Silvério, tentando desembaraçar-se das forças asfixiantes, terminou por atirar-se ao solo, estorcegando dolorosamente. Tratava-se de um espetáculo constrangedor. Era triste a constatação de como o ser prefere progredir à força de graves aflições, quando poderia eleger a suavidade do amor com felizes rendimentos emo- cionais. A realidade, porém, ali estava em toda a sua patética. Tomado de grande espanto, o sofredor (e obsessor) percebeu encontrar-se utilizando-se da mediunidade daquele a quem detestava (e obsidiava). Ficou aturdido e sem palavras... E mais adiante... Antes mesmo de entender tudo quanto se passava, o Mentor aplicou-lhe passes, desvincu- lando-o do médium em desdobramento parcial pelo sono fisiológico e transferiu-o para um dos leitos, no qual foi colocado carinhosamente (...) FIM
  18. 18. Capítulo 1 (...) a jovem Ester sentou-se (ao piano) e, tomada pela tranquilidade da segurança pessoal, começou a dedilhar suave melodia... Em uma plena festa de 15 anos. De repente, tudo mudou. Foi um impacto, qual um golpe inusitado, aplicado à face de todos. Ester (a vítima) se perturbou momentaneamente, o corpo delicado pareceu vergar (curvar) sob inesperado choque elétrico. Ela se voltou, de inopino (de repente), e fixou os olhos muito abertos, quase além das órbitas, no genitor. Estava desfigurada: palidez marmórea cobria-lhe o semblante. Na testa maquilada e por todo o rosto, o suor começou a porejar abundante. Ergueu-se algo cambaleante, fez-se rígida. O fácies (aparência) era de tresloucada. As pessoas, tomadas pela surpresa, ficaram sufocadas, inermes. A adolescente avançou na direção do pai aparvalhado, sem ânimo de a acudir, e, sem maior preâmbulo, acercou-se dele, estrugindo-lhe na face ruidosa bofetada. Este se ergueu, congestionado, ao tempo em que a filha novamente o agrediu por segunda vez. Armou-se tremendo escândalo. Algumas damas mais sensíveis puseram-se a gritar, e o senhor Coronel, atoleimado, revidou o golpe automaticamente, surpreendendo-se a si mesmo, ante gesto tão infeliz. A menina, alucinada, pôs-se a gritar, sendo, à força, conduzida à alcova (quarto de dormir). CONTINUA
  19. 19. Um médico presente prontificou-se atendê-la. Foram tomadas as pri- meiras providências e se lhe aplicou um sedativo injetável de quase nenhum efeito imediato. Nova dose de calmante foi providenciada e, enquanto a festa (de 15 anos) se desmanchava de forma dolorosa, sur- preendente, a família mergulhou em abissal mundo de aflições sem nome. Capítulo 1 O desequilíbrio de pronto assumira proporções alarmantes. Agitada, Ester blasfemava, esbordoando moralmente o genitor, mediante expressões lamentáveis. Os verbetes infamantes escorriam-lhe dos lábios, insultuosos, ferintes, desconexos. Somente pela madrugada, em estado de cansaço extenuante, caiu em torpor agitado, sacudida de quando em quando por convulsões muito dolorosas. A estranha agressão sombreou de pesados crepes a família surpreendida, transformando em quase tragédia os festivos júbilos da noite requintada. São as surpresas que convocam a acuradas meditações e inevitáveis buscas espirituais. A presença do pai mais a exaltava, como se fora acometida de loucura total, na qual se evi- denciava rancor acentuado, de longo curso, retido a custo por muito tempo e que espo- cava voluptuoso, assustador. Os últimos convidados desde logo se afastaram discretos uns, tumultuados outros. Acom- panhados apenas pelo médico da família, os anfitriões se recolheram ao leito, profun- damente macerados no moral e físicamente abatidos, em desfalecimento, sem compreenderem o ocorrido. CONTINUA
  20. 20. Capítulo 2 O dia imediato surgiu penumbroso, apesar da pujança do Sol e do calor que assolava a cidade. No apartamento do Coronel Santa-maria, a dor se dobrava em sucessivos esgares, destroçando os que lhe caíram nas ma- lhas. Ester não recobrou a lucidez. Embora a prostração que a dominara, após os sedativos, as crises voltaram terrificantes, enquanto a débil mocinha, transfigurada, tornou-se o espécime legítimo da desequilibrada. Palavras obscenas e gestos vis repetiam-se ininterruptamente; gritos e gargalhadas constantes terminaram por enrouquecê-la. Muito pálida, com olheiras ar- roxeadas e manchas nas faces, tinha os lábios escuros e a expressão de olhar dura, sem luminosidade. Sacudida a cada momento por convulsões torturantes, traduzia no rosto conturbado as dores inextricáveis que expe- rimentava. Saindo desse estado, por instantes, parecia recobrar a claridade da razão, desvairando de imediato, a elucidar que alguém a lapidava com longo relho de que não se conseguia evadir. Nesse comenos tornava-se rubra e, se fosse observada mais detidamente, poder- se-ia verificar que alguns vergalhões lhe intumesciam a pele delicada e marcavam a face em congestão. Logo retornava ao desequilíbrio, ao sarcasmo, e as ofensas se sucediam mordazes como se as Fúrias a estivessem cavalgando. CONTINUA
  21. 21. Capítulo 2 O clínico, facultativo de larga experiência, durante a primeira crise ocorrida à noite, elucidara que, se houvesse recidiva, seria de todo conveniente convidar um especialista em doenças nervosas, pois tudo indicava tratar- se de uma crise histeropata, com agravantes para um longo curso. (...) Os pais, alarmados, não sabiam exatamente como proceder. Convidado, porém, o médico da família, este confirmou literalmente a diagnose do colega: tratava-se de um problema histérico com alarmantes sinais tendentes a complicações mais graves, O psiquiatra se fazia necessário. Indicada eminente autoridade em Psiquiatria, o tratamento teve início no próprio lar, sem que diminuíssem os sintomas do desequilíbrio ou se mo- dificasse o quadro patológico como de desejar. O estado da enferma se tornava cada vez pior, enquanto se lhe minavam as resistências físicas, pois que recusava qualquer alimentação, sistematicamente, sendo necessário aplicar-lhe indispensáveis medicações tônicas, de sustentação orgânica, à força. Transcorridos três dias sob carinhosa assistência especializada e familial, sem que qualquer resultado fosse lobrigado, o psiquiatra aconselhou internamento em Casa de Saúde relevante, onde poderia aplicar técnicas próprias, a par de isolamento do grupo doméstico, em que, certamente, estavam as causas inconscientes dos traumas e distonias que a impediam retornar ao campo da lucidez. CONTINUA
  22. 22. Capítulo 2 Inconsoláveis, os pais, aflitos, aquiesceram. Sob forte sedativo, Ester deu entrada no Sanatório... Dos cuidados iniciais, insistentes e imediatos, a uma tácita compreensão de que tudo se estava a fazer, veio o diagnóstico alarmante, irreversível: Esquizofrenia! Mais adiante... Capítulo 3 A realidade é que o problema psíquico de Ester se enqua- drava noutra diagnose, dificilmente constatada pelos métodos tradicionais do agrado puro e simples do acade- micismo dos que se permitem a fatuidade, evitando o aprofundamento nas questões que dizem respeito à vida espiritual, à sobrevivência ao túmulo, à obsessão! CONTINUA
  23. 23. Capítulo 4 Ela própria não se dera conta do sucesso que a acometera. Experi- mentara superlativa angústia, seguida de álgido suor e a sensação de que fora arrojada num abismo sem fundo, caindo sem cessar... O coração deslocara-se do lugar, pulsando em descompasso; todas as fibras do corpo, adormentadas, produziam dores lancinantes, e a cabeça, em redemoinho, impedia que o cérebro raciocinasse com a lucidez capaz de coordenar ideias. Gritou por socorro e surpreendeu- se com as cordas vocais em turgimento, espocando palavras chocantes que não podia controlar. Ouvia-se a distância, confusa, no som de sua voz alterada e era uma emoção odienta que não a sua. Chorava em contorções, mas as lágrimas queimavam-se nas pupilas dilatadas e, sentindo febre, tremia em arrebatamentos de louca. Durante este período... as sensações da jovem... Via-se fora do corpo e, ao mesmo tempo, via-o agitado, num estado dúplice, sem anotar os circunstantes, chocados, na sua festa de apresentação social.. Após esse período, foi a luta em que se empenhou e continuava sem termo contra o gigante que a submetia. Estava expulsa do organismo físico sem dele estar liberta. CONTINUA
  24. 24. Capítulo 4 A princípio sofria impressões confusas que a perturbavam. Vezes outras deparava-se com o estranho possessor, furibundo, em esgares (trejeito) de demente... Agredida por ele, procurava tornar à realidade anterior, como se perseguida em pesadelo soez desejasse acordar para dele livrar- se. Todavia, não atingia o ponto ideal, porquanto era impedida no intento, lo- go se renovando os paroxismos. À mente alcançavam as ideias vertidas pelo cérebro e ali aninhadas, mortificando-a por não serem esses os seus pensamentos; quando se esforçava por emitir os desejos, estavam os centros de registro bloqueados tenazmente... Os sentimentos da afetividade estraçalharam-se no pélago (abismo) do abandono e da solidão, na batalha impossível que travava, enquanto o pavor hórrido, crescente, não tinha lenitivo, em considerando auxílio algum. Durante o tratamento face à convulsão produzida pelo uso do eletrochoque, impossível seria avaliar o insuportável que a estertorava em mil contorções até o desfalecimento. Ao despertar, fruindo o calor orgânico, defrontava-o, asqueroso, senhorial, e fugia, aparva- lhada, cedendo-lhe o lugar... Minado o corpo pelo desgaste de largo porte, sucessivos desmaios expulsavam o usurpador que se deleitava, então, ameaçando-a, grosseiro, arrebatando-a para lugares povoados por espectros impossíveis de descritos. Nesses sítios, onde nenhuma claridade lucila, a asfixia pastosa domina; impossibilitada de qualquer ação, tornava-se mais fácil presa, arrastada aos trambolhões. CONTINUA
  25. 25. Capítulo 4 Supunha-se, nessas situações, encontrava-se em cemitério infinito, de se- pulturas abertas e cadáveres exumados ante a contemplação dos furiosos mortos-vivos, desejosos uns de os reconduzirem aos movimentos, deles reapossando-se; lamentosos, outros, por havê-los perdido irremissivel- mente; lutadores diversos, a defenderem as vestes apodrecidas de animais que nelas se locupletavam; e o sem-número dos tristes, chorosos, em pro- cissão intérmina... Sempre noite, lamentos, exacerbações, gritos ensur- decedores — o inferno! Não suportando o vexame que se repetia com frequência, perdia os senti- dos ou desvairava, para depois despertar sem forças no corpo mortificado. A pausa cedia lugar a nova e intensa disputa em que pelejava com axe (dor ou doença) na alma lúrida, exausta. Com as reservas de forças físicas e as resistências psíquicas esgotadas, o tumulto que sofria em espírito dementava-a a pouco e pouco, produzindo-lhe não menor martírio, uma vez que lutava menos e atoleimava-se mais. CONTINUA
  26. 26. Capítulo 5 Na sua festa de aniversário, Ester fora surpreendida pela agressão de re- voltado Espírito que, acoimado por violenta crise de ódio, encontrou na sua sensibilidade mediúnica o campo propício para a incorporação intempestiva quão infeliz. Os esclarecimentos... Assenhoreando-se das forças medianímicas da jovem, o obsessor, na su- cessão dos dias, imantou-se-lhe quanto pôde ao campo psíquico, culmi- nando no lamentável e longo processo de subjugação. Compreensivelmente, Espírito em débito ante os Códigos da Divina Justiça, possuía os requisitos para uma sintonia perfeita, propícia ao agravamento do problema. (...) Na obsessão, a loucura surge na qualidade de ulceração posterior, irreversível, em consequência das cargas fluídicas de que padece o paciente, vitimado pela perseguição implacável. Face à insidiosa presença de tal energia deletéria, desarticulam-se o equilíbrio emocional, a estabilidade nervosa, o metabolismo orgânico e, pela intoxicação de que se vêem objeto, vários departamentos celulares se desorganizam, envenenando-se, ulcerando-se. Através de tal esquema em muitos processos obsessivos, a terapêutica salutar há de ser múltipla: acadêmica e espírita, imprescindíveis para colimar os resultados eficazes. FIM
  27. 27. Capítulo 19 A narração feita pelo obsessor... — Num momento de ódio vigoroso, senti-me desvairar... Aos gritos e imprecações, desejando encontrá-lo, senti como (...) ímã desconhecido arrastar-me e encontrei-me na sala rica onde ele, mais velho, forte, feliz, sorridente, exibia a filha (aniversário de 15 anos). “Agredi-o diversas vezes, sem que ele o percebesse... Havia, ali, ou- tros mortos como eu e piores do que eu, misturados aos convida- dos... “Quando a filha começou a tocar... Da idade de Josefa (sua irmã ainda encarnada) e tão diferente!... Aproximei-me e senti que ela me sentiu... Segurei-a e ela tremeu... Agarrei-lhe os braços e percebi que os seus ficaram nos meus braços... Entonteci-me e ela camba- leou... Pensei e ela atendeu... Levantei-a e caminhamos... Esbofeteei- o e enlouqueci de ódio, de vingança, de alegria, descobrindo-a louca comigo, misturados... “Assim estamos, e assim seguiremos.” FIM
  28. 28. Capítulo 10 Visitando a jovem no sanatório... A jovem subjugada em espírito jazia ao lado do corpo, em quase total inconsciência, sob os efeitos de sedativo pernicioso e forte. Junto a ela, em processo de imantação perispiritual, vigiava o algoz desencarnado. Nos três outros catres (leitos) infectos que infestavam o exíguo (diminuto) apartamento, a tresandar odores insuportáveis, se encontravam duas jovens e uma senhora de meia-idade, estigmatizadas por diversas alienações que as diferenciavam entre si. Quase todas se encontravam parcialmente fora do corpo, inconscientes, exceção feita à dama perturbada, que altercava com um perseguidor imaginário, fruto de longo processo ideoplástico. Outras Entidades desequilibradas se imiscuíam nas sombras e na imundície do quarto abafado, algumas das quais, entorpecidas, pareciam hibernadas em longo processo sonoterápico, mantendo-se alimentadas pelas emanações mefíticas abundantes dos pacientes, suas presas inermes. FIM
  29. 29. Capítulo 16 (...) o médium Joel, servidor de vida ilibada, pela psicofonia incons- ciente incorporou indigitada Entidade, que o convulsionava, espumejante. Tratava-se do obsessor de Ester (estava começando um tratamento desobsessivo) que fora trazido por abnegados Auxiliares do Diretor Espiritual. Justo esclarecer que a Entidade fora removida desde a véspera, sem que se desarticulassem os liames que a atavam à vítima... Simulta- neamente, procedeu-se a imantação psíquica do desencarnado em sofrimento com o sensitivo programado para a terapêutica do esclarecimento. Pela concentração profunda realizada pelo médium cônscio do seu ministério, e conduzido por Bezerra, o agressor tomou de assalto os recursos psicofônicos de Joel, que, de imediato se transfigurou, congestionando a face, modificando a postura... Dava a impressão de ser outra pessoa, como em verdade ocorria, tal a brusca dominação do hóspede incorporado. Disciplinado, porém, quanto evangelizado, seu espírito lúcido conti- nuava semidesdobrado, ao lado, entre os operosos Instrutores Desencarnados, presto para qualquer interferência premente ou necessária. CONTINUA
  30. 30. Capítulo 17 Mas observe que para isso houve uma preparação com o médium... Como fôra providenciado da vez anterior, o enfermo desencarnado foi trazido adredemente (planejado) e, desde a véspera, quando o médium Joel, em desdobramento pelo sono, foi conduzido àquele recinto, cuidou-se da sua pré-imantação fluídica para o ministério em pauta. Com esse recurso valioso, procedia-se a um cuidado propiciatório a mais amplos e frutíferos resultados. CONTINUA
  31. 31. Capítulo 17 O médium Joel, profundamente concentrado afastou-se do corpo somático. Todo ele estava transformado numa usina de forças magnéticas de variado teor. Da região onde se situava a pineal ou epífise na sua forma física, vibrava um poderoso dínamo luminoso que irrigava todas as glândulas do sistema endócrino, ativando as supra-renais com energia fosforescente, que assumia fulgurações inimaginadas. FIM Nesta incorporação há mais detalhes... O cérebro transformara-se num fulcro iridescente de fortes tona- lidades, enquanto o coração estimulado vitalizava todo o sistema circulatório, invadido por fluídos luminosos que eram ativados pelo centro cardíaco, em formosa coloração ouro-alaranjada. O calei- doscópio singular oferecia insuspeitada beleza aos nossos olhos fascinados. E este trabalho, da incorporação, do médium, foi necessário que acontecesse, ainda mais outras vezes, para ajudar e esclarecer a Entidade...
  32. 32. Estudos Dirigidos Vamos dar uma pausa por aqui. http://vivenciasespiritualismo.net/index.htm Luiz Antonio Brasil Périclis Roberto pericliscb@outlook.com

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