Pedro Pereira Neto - Analise Fotografica

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Pedro Pereira Neto - Analise Fotografica

  1. 1. Análise Fotográfica
  2. 2. A imagem, parente “pobre” da investigaçãoAs tradições dominantes da Mass Communication Research tenderam:  a problematizar os efeitos dos media a partir de experiências laboratoriais (Behaviorismo)  a equacionar a mudança de opinião a partir de séries estatísticas extensivas (Positivismo)  a questionar a acção das formas de mercado, designadamente a estrutura de propriedade dos media (Economia Política)  a privilegiar um realismo visual ingénuo: a imagem “espelha” o seu objecto, logo, merece apenas uma leitura superficialImpactos:  prevalência da abordagem racionalista, em detrimento da simbólica e emocional (a palavra objectiva vs a imagem subjectiva)  pesquisa em media tradicionalmente centrada em linguagem oral e linguagem escrita  lateralização da natureza específica da imagem (apenas o Estruturalismo saussureano e os Estudos Culturais halleanos reconheceram e abordaram)  limitação da diversidade de métodos de análise disponíveis: a análise de conteúdo enquanto factor de desagregação do todo que a imagem constitui em unidades quantificáveisResultado: estudo da linguagem visual refém de desinvestimento analítico
  3. 3. Fotografia como mediumÉ uma síntese de dois processos de ordem química (reacção à luz) e de ordem física (óptica) (Barthes, 1984)Mas é também, e sobretudo:  um documento que regista informação num suporte, com um enquadramento simbólico, passível de transmitir conhecimento  uma extensão da nossa capacidade de olhar, uma técnica de representação da realidade através de uma linguagem própria (Guran, 1992)Foto (luz) e Grafia (escrita), enquanto texto visual, possuem:  um enunciado e uma narrativa, ou seja, pretende transmitir um determinado conteúdo informacional, passível de análise  um código, beneficiando da arbitrariedade atribuída aos signos e à relação entre o seu significante e o seu significado (Saussure, 2003)
  4. 4. Quatro tipos de análise da imagem (Cottle, 1998) (1)imagem como distorção  analisa o modo como a imagem se presta à falsificação da realidade em linha com pré-conceitos, agendas ou valores  pressupõe trabalho de campo de acompanhamento das rotinas de produção  pressupõe fontes comparativasimagem como simbolismo  analisa o modo como a imagem condensa, combina e (re)transmite significado social, mobilizando a dimensão emocional e afirmacional (e já não tanto de autenticidade ou referencial)  pressupõe aplicação da terminologia de Peirce (ícone, símbolo, índice)  pressupõe conhecimento do património simbólico (cultural) ao qual a imagem se reporta  distingue-se na análise semiótica pura ao concentrar-se essencialmente no simbolismo central de uma imagem (e não em todas as suas múltiplas leituras): de acordo com Firth (1973: 15), simbolização é o processo de atribuição/reconhecimento das características de um objecto concreto a outro, mais abstracto
  5. 5. Quatro tipos de análise da imagem (Cottle, 1998) (2)imagem como sistema semiótico  analisa o modo como a imagem condensa, combina e (re)transmite significado social, mobilizando a dimensão emocional e afirmacional (e já não tanto de autenticidade ou referencial)  pressupõe aplicação da taxonomia saussureana (linguagem relacionai, e não apenas referencial, que atribui significado à experiência humana pré- existindo a esta, e arbitrária)  pressupõe aplicação da distinção entre significante (suporte e técnica) e significado (conceito), os dois elementos constitutivos do signo  pressupõe aplicação da distinção entre paradigma (escolha de signos) e sintagma (ordenação dos signos)imagem como garantia epistemológica  analisa o modo como a imagem reproduz/reforça o estatuto do seu autor/transmissor enquanto veículo de conhecimento fiável (no sentido epistemológico do termo)  pressupõe conhecimento das características e fronteiras de convenções e géneros (e da utilização tipificada de signos)  (no âmbito da utilização da fotografia pelos media,) pressupõe aplicação da taxonomia relacional texto-imagem de Meinhof (1994): sobreposição (ambos se referem ao mesmo); deslocação (referem-se a componentes diferentes do mesmo); dicotomização (ambos se referem a componentes de objectos diferentes)
  6. 6. Níveis de análise semiótica da fotografiaDubois (1986), partindo do contributo de Peirce ao nível dos signos (), propõe uma análise semiótica da fotografia em três níveis:  como ícone, ou espelho do real/referente, com o qual estabelece uma relação de semelhança (já visto em Barthes, 1984)  como indício, ou prova do real/referente, com o qual estabelece uma relação de conexão física, de vestígio ontológico  como signo, ou transformação do real/referente, uma representação reconstruída por convenções (ideológicas ou técnicas), mediante processos de (des)codificação/recodificação e interpretaçãoPara este autor, não é possível pensar a imagem fora do acto que a torna possível, o que significa considerar em conjunto conteúdo, contexto, e técnica
  7. 7. Níveis de análise fotográfica (1)Panofsky (1979):  descritivo:  pré-iconográfico, de descrição genérica dos objectos e acções representadas na imagem;  iconográfico, de descrição e classificação das imagens, estabelecendo o assunto representado na imagem  interpretativo:  iconológico, de interpretação do significado do conteúdo da imagem, o qual requer uma contextualização social, política e económicaBarthes (1990):  denotativo, de descrição dos objectos representados na imagem (objectiva)  conotativo, de interpretação da imagem, que actua sobre esta, modificando o real nela contida
  8. 8. Níveis de análise fotográfica (2)Arillo (2000):  conotação  objectiva, interpretação partilhada colectivamente a partir de um conjunto de referenciais comuns (Cultura, Classe social)  subjectiva, interpretação individual a partir do habitus do sujeito, da sua biografia, ideologia, ou estado emocionalSerrano, Moral (2004):  conotação universal ou denotação subjectiva, interpretação partilhada colectivamente a partir de um conjunto de referenciais comuns (Cultura, Classe social)A natureza necessariamente contingente da análise: cada analista estará sempre refém da acção da dimensão conotativa (uma fotografia pode sugerir significados diferentes para um mesmo intérprete em momentos distintos), pelo que «a descrição de uma imagem nunca é completa» (Smit, 1989: 102).
  9. 9. Análise Documental Fotográfica
  10. 10. A análise documental fotográficaA análise documental, (Cunha, 1989: 40), representação do conteúdo de um texto para recuperação informativa:  «conjunto de procedimentos [de análise, classificação, síntese, e indexação] com o fim de expressar o conteúdo de documentos, sob formas destinadas a facilitar a recuperação da informação».São representações documentais típicas:  o resumo, que cumpre uma função de condensação da informação;  a indexação, que cumpre uma função de inventariação organizada e localizável:  análise conceptual do documento, ou identificação do seu assunto  tradução do documento, ou representação do seu assunto em termos ou signos codificados (do imagético para o verbal)
  11. 11. Resumo, Indexação e o impacto do digitalResumo: redução do texto imagético a uma unidade de conteúdo  o problema da polissemia (do grego poli ("muitos") e sema ("significados")): que possibilidades de leitura cristalizar?Indexação: levantamento de termos para expressão do conteúdo imagético  o problema da adequação e da eficaz sedução do usuário: que termos melhor representam a dimensão expressiva da imagem?A digitalização e os bancos de imagem, vector de ultrapassagem destes procedimentos  é toda a imagem a estar disponível (e não estes indicadores), acompanhada de uma legenda (diferente de resumo)  a mutação da utilidade do resumo: contextualização
  12. 12. ‘Analysing an Image’ Writing Frame FORM This is the ‘Mise en Scene (Setting in Scene)’ :- describe what PROCESS What has the artist used to make the art work? Consider is going on in the art work/photograph? Explain objectively the materials and media. If a photograph, what are the and honestly. Imagine you are trying to explain the art work to lighting considerations? Has it been presented in a someone over the telephone and transcribe that message. special way I.e. as an installation? Insert PictureTITLE:DATE: CONTENT Having researched further and understood the wider context,ARTIST: discuss the ideas behind the art work and the intentions of the photographer to your best ability. Consider the mood of the work and how this has been achieved?KEYWORDSWrite down any key words you associate with this artwork.
  13. 13. ‘Analysing an Image’ Writing Frame FORM This is the ‘Mise en Scene (Setting in Scene)’ :- describe what PROCESS What has the artist used to make the art work? Consider is going on in the art work/photograph? Explain objectively the materials and media. If a photograph, what are the and honestly. Imagine you are trying to explain the art work to lighting considerations? Has it been presented in a someone over the telephone and transcribe that message. special way I.e. as an installation?TITLE: Le Couple damoureux au bal des quatresaisons, rue de Lappe CONTENT Having researched further and understood the wider context, discuss the ideas behind the art work and the intentions of theDATE: 1932 photographer to your best ability. Consider the mood of the work and how this has been achieved?ARTIST: Gyula Halasz aka Brassai (1899-1984)KEYWORDSWrite down any key words you associate with this artwork.
  14. 14. ‘Analysing an Image’ Writing Frame FORM This is the ‘Mise en Scene (Setting in Scene)’ :- describe what PROCESS What has the artist used to make the art work? Consider is going on in the art work/photograph? Explain objectively the materials and media. If a photograph, what are the and honestly. Imagine you are trying to explain the art work to lighting considerations? Has it been presented in a BASIC EXAMPLE someone over the telephone and transcribe that message. special way I.e. as an installation? This is a photograph of a The photographer has used man and woman sitting in a black and white film and café drinking wine. You can printed it in the darkroom. see their reflection in the There is lots of light on their mirror. facesTITLE: Le Couple damoureux au bal des quatresaisons, rue de Lappe CONTENT Having researched further and understood the wider context, discuss the ideas behind the art work and the intentions of theDATE: 1932 photographer to your best ability. Consider the mood of the work and how this has been achieved?ARTIST: Gyula Halasz aka Brassai (1899-1984) I think the work is about a French man and woman who love each other. I find it an really interestingKEYWORDS picture and like the composition. They appear to be drinking wine and he is clutching her elbow, whilstWrite down any key words you associate with this artwork. she touches his chest. This shows that they really like each other. I would like to be able to take photos that are also of people - I could photograph my friends in a local café drinking tea. Man Woman Wine Mirror Hat
  15. 15. ‘Analysing an Image’ Writing Frame FORM This is the ‘Mise en Scene (Setting in Scene)’ :- describe what PROCESS What has the artist used to make the art work? Consider is going on in the art work/photograph? Explain objectively the materials and media. If a photograph, what are the and honestly. Imagine you are trying to explain the art work to lighting considerations? Has it been presented in a FLUENT EXAMPLE someone over the telephone and transcribe that message. special way I.e. as an installation? This is a black & white The picture is taken from photograph by Brassai, the head height looking down at French photographer (1899- the couple. This allows us to 1984), of a lady and her see their reflection in the lover/partner socialising in a mirror and have an overview café and chatting over a of the scene. The scene may drink of wine. She is have involved the use of flash animated and holding his as their skin, white clothes chest, whilst he looks into and glasses are highly her eyes and embraces her. reflected. The existing light is The picture was taken most probably artificial and indoors and there is a mirror low in strength with some behind them. natural light from nearby windows. There is little distortion on the face, so he has probably used a standard 50-100 mm lensTITLE: Le Couple damoureux au bal des quatresaisons, rue de Lappe CONTENT Having researched further and understood the wider context, discuss the ideas behind the art work and the intentions of theDATE: 1932 photographer to your best ability. Consider the mood of the work and how this has been achieved?ARTIST: Gyula Halasz aka Brassai (1899-1984) Brassai was someone considered to have “mythologised Paris as a romantic capital, capturing couples,KEYWORDS bar fights, music halls and brothels.” Looking at his work it is clear that he was interested in the livesWrite down any key words you associate with this artwork. and behaviour of people in a large metropolitan city, choosing to document it as an intimate city, although not afraid to show its rough edges. This particular image cleverly manages to convey two points of view, where the lady is smiling contently and lovingly in front of the camera as she hugs her Reflection lover, but the mirror shows another, more sinister side, where she appears to be grimacing and Intimacy ‘keeping up appearances’. It raises questions about how our public and private emotions are constantly Social challenged by the expectations of society. In this case, the glamour and fashion of the 1930s implied a Illusion culture of sophistication that influenced many women of the day. Deception
  16. 16. LeituraA análise documental de fotografia recupera algumas categorias da análise documental textual, usadas para descrever genericamente o conteúdo da imagem:  Quem, identificando o objecto fotografado  Onde, localizando a imagem no espaço  Quando, localizando a imagem no tempo  O Quê e Como, descrevendo a acção representada.No entanto, na construção de significados realizada durante a leitura de uma imagem fotográfica ocorrem dois processos adicionais (Shatford, 1986, inspirado em Panofsky), com implicações na representação da imagem:  análise (leitura de superfície), que identifica os elementos constitutivos da imagem, designados por DE genérico, ou significado objectivo  síntese (leitura em profundidade, ou de segundo nível), que nomeia os elementos constitutivos abstractos que podem ser deduzidos a partir da imagem, designados por DE específico e SOBRE, ou significados míticos e simbólicosEm Shatford, DE Genérico e DE Específico incorporam elementos panofskianos pré-iconográficos e iconográficos, descoincidindo destes (o nível iconográfico panofskiano, por ex:, é analítico e o DE Específico não)
  17. 17. Grelha de análise, segundo Shatford (1986) De Sobre Genérico Especifico Quem Onde Quando O Quê Como
  18. 18. Imagem e TécnicaSmit (1996) e a necessária distinção entre análise documental escrita e fotográfica: a imagem fotográfica possui uma dimensão expressiva, a aparência física dada pela técnica que lhe subjaz.Smit (1997) parametriza três dimensões da imagem fotográfica:  objecto físico fotografia (a imagem-suporte, a forma)  conteúdo informacional (o que a imagem mostra, o objecto fotografado)  dimensão expressiva (como a imagem mostra, a linguagem – enquadramento, luz, exposição)“Estas três dimensões do registo fotográfico – forma, conteúdo, expressão – é que constroem, em última instância, a mensagem que informa” (Lacerda, 1993: 47).Ou seja, e segundo Smit: Imagem = Informação + Expressão
  19. 19. Indicadores da dimensão expressiva (Smit, 1997)Recursos Efeitos Óptica Exposição Luz Enquadraº Ângulo Composº Profund. Câmara alta Do objecto Câmara Foto- fotografado baixa montagem Com (todos Diurna (parcial, Retrato os objectos Instantâneo geral) Vista aérea Estroboscopia Objectivas nítidos) Pose NocturnaVariáveis Paisagem De seres vivos Vista Alto-contraste Sem Longa Contraluz (plano geral, submarina Filtros Natureza (campo de exposição médio, Truncagens morta fundo sem Artificial americano, Vista nitidez) close, subterrânea Esfumação detalhe) Micro- fotografia
  20. 20. Grelha de análise, segundo Manini (2002) Dimensão Informacional De Dimensão Expressiva Sobre Genérico EspecificoQuemOndeQuandoO QuêComo

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