Kamen Rider Zs 01

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Kamen Rider Zs 01

  1. 1. 1 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ KAMEN RIDER ZS / Kamen Rider ZeeS Autora: Ana Carolina Medeiros Esta história pertence à autora Carol Medeiros. Todos os direitos reservados. Vedada a reprodução total ou parcial sem a autorização da autora. ::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: Contatos: carolmedeiros_peace@hotmail.com peacemakergirl@gmail.com ::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: KAMEN RIDER ZS / Kamen Rider ZeeS © 2009~2010, Carol Medeiros (Peace_Maker_Girl® / Peace)
  2. 2. 2 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ ÍNDICE: PRIMEIRA RAPSÓDIA: A CANÇÃO DA DEUSA ................................................... 2 Akatsuki Kohaku é apenas um ilustrador que tenta sobreviver como pode nem mundo onde a concorrência e desleal. Sua vida pacata irá mudar no dia em que é atacado por uma criatura que vem assolando as noites de Tokyo: um proto-inseto. Sobreviverá Akatsuki a uma luta que determinará sua vida... Ou morte? SEGUNDA RAPSÓDIA: SONHOS FALSOS ........................................................... 8 Após uma noite totalmente surreal, Akatsuki acorda num hospital. Mas as aparências enganam. Será que Akatsuki está engano, inclusive, sobre o que pensa conhecer sobre si mesmo? TERCEIRA RAPSÓDIA: DESTINO ........................................................................ 17 Submetido a vários testes, descobre-se que Akatsuki é o ser mais indicado para utilizar o Rider System em posse da Parthenon, o Kamen Rider ZS. Em uma batalha voraz, Akatsuki começa a entender mais coisas sobre ZeeS e sobre si mesmo. QUARTA RAPSÓDIA: RANCOR ........................................................................... 28 Os treinamentos de Akatsuki têm inicio e seu rápido desenvolvimento desperta a fúria de alguns componentes da Parthenon, especialmente a de um certo Rider. QUINTA RAPSÓDIA: ABORRECIMENTOS ......................................................... 37 Uruwa vence uma grande batalha sozinho. Mas será o suficiente para restaurar sua abalada reputação?
  3. 3. 3 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ PRIMEIRA RAPSÓDIA: A CANÇÃO DA DEUSA Canta, ó deusa, a cólera de Aquiles, o Pelida (mortífera!, que tantas dores trouxe aos Aqueus E tantas almas valentes de heróis lançou no Hades, ficando seus corpos como presa para cães e aves de rapina, enquanto se cumpria a vontade de Zeus), desde o momento em que primeiro se desentenderam O Atrida, soberano dos homens, e o divino Aquiles Ilíada - Homero Akatsuki Kohaku não esperava grandes coisas para sua vida. Esperava conseguir ser um bom pai-mãe para seus dois irmãos mais novos. Esperava conseguir uma boa aposentadoria. Se conseguisse as duas coisas, estaria feliz. Mas, o destino do Akatsuki mais velho não era tão simples e fácil de ser lido. Akatsuki parou de misturar o preparado de arroz e olhou o relógio. Ainda eram seis horas da manhã, contudo, os atrasos eram intoleráveis para ele. Ouviu um barulho atrás dele. Tratava-se de um rapaz quase da altura dele, com cabelos pretos desalinhados e um pouco mais longos que os cabelos do Akatsuki mais velho. Parecia ainda sonolento e bocejou sonoramente. -Bom dia, Aniki. – O rapaz falou. -Bom dia, Minato-kun. Shiki já acordou? -Já. Ele está apenas arrumando o uniforme de futebol dele. -Certo. – O Akatsuki mais velho colocou a panela na mesa. Ao fazer isso, entrou na sala um garoto que aparentava pouco mais de doze anos, com as mesmas características dos irmãos: os cabelos extremamente negros, os olhos levemente amendoados igualmente negros e as maçãs do rosto estruturadas e salientes. A única diferença era que ele era bem mais baixo que os outros dois, o que se justificava por sua tenra idade. -Shiki, não se esqueça de pedir ao seu professor de futebol para liberar você do treino no sábado. – Kohaku proferiu solenemente.
  4. 4. 4 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ -Certo, Aniki! – Shiki pegou um dos potes e encheu com o preparado de arroz, soprando vigorosamente a comida quente. Minato comeu rapidamente, correndo até o quarto logo após. Kohaku limitou- se a comer e encaminhar-se até o banheiro para terminar de se arrumar para ir trabalhar. -Minato e Shiki. Não se esqueçam de escovar os dentes. E não se esqueçam de levar o almoço de vocês. Está na bancada da cozinha. – O Akatsuki mais velho falou e encaminhou-se para sair de casa. -Hai! – Os dois irmãos mais novos gritaram em uníssono. *** Akatsuki espremeu-se no metrô. Olhando de canto, viu um assento vazio. Sentou-se e arrumou a pasta. Um homem de chapéu panamá estava dormindo ao lado dele. Ele começou a murmurar ao lado de Akatsuki. Provavelmente ele está até sonhando. Que cara mais estranho. Akatsuki ponderou. O estranho virou pra o lado e continuou a dormir sonoramente. -Estação de Shibuya. Em cinco minutos. Estação de Shibuya. -Estação de Shibuya! - O estranho pulou assustando todos ao seu redor. O chapéu Panamá resvalou e caiu em cima de Akatsuki. - Desculpem. - Ele fez uma reverência. - E obrigado por ter segurado meu chapéu. - Ele sorriu. O estranho tinha cabelos castanho-claros, um rosto aristocrático e anguloso. Usava um sobretudo preto de couro e tinha um sorriso persistente nos lábios. Akatsuki entregou o chapéu e deu de ombros. O estranho sorriu-se de maneira ainda mais larga. Com isso acenou como se todos o conhecessem e saiu do trem. Akatsuki ponderou que em breve chegaria à Shinjuku. Aguardando alguns minutos, olhou para o sinal em cima da porta e se levantou em seu tom solene de sempre, chegando ao seu destino. Caminhando a passos longos chegou até o escritório KAMINAMI-E, local em que trabalhava como ilustrador. Os vários empregados que passavam o
  5. 5. 5 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ cumprimentavam. Alguns de maneira assustada, outros um tanto animados e outros o faziam pelo que parecia ser por obrigação. Akatsuki entrou no elevador. Sexto andar. Caminhou até uma porta dupla e abriu. Havia um grande alvoroço na sala, o que não era muito normal dentro da KAMINAMI-E. A confusão era generalizada: vários papéis espalhados, pessoas correndo de um lado para o outro e o ilustrador chefe, Senhor Mokuboshi, estava vociferando que não havia nenhum ilustrador talentoso na sala. Akatsuki dirigiu-se até seu cubículo ignorando a movimentação atordoante. Ligou o Computador em cima de sua mesa e esperou que carregasse para verificar quais eram os trabalhos pendentes. Um pequeno link piscou em vermelho, o que significava que era um trabalho pendente urgente. Clicando no ícone, Kohaku colocou-se a ler as especificações para fazer o que era solicitado. Em pouco mais de seis minutos escaneou um rascunho e colocou na pasta digital. Fez um silêncio grave no mesmo instante. Em segundos Mokuboshi e seu pequeno tamanho estavam na frente da porta do cubículo de Akatsuki. -Akatsuki. O que significa isso? – Mokuboshi balançou uma folha de papel. -Trabalho solicitado. Procedimento padrão: mandar o rascunho, esperar aprovação. Aprovado, proceder com a versão final. – Akatsuki respondeu sem tirar os olhos da tela do computador. -Akatsuki... – Mokuboshi ficou extremamente vermelho e amassou o papel. Akatsuki continuou o olhando sem responder nada. Mokuboshi parou de apertar o papel e o esticou rapidamente, aparentemente arrependido. -Esses idiotas deixaram esse trabalho pendente durante uma semana, você volta das suas férias e faz o que eles não fizeram em menos de dez minutos. O que seria da Kami-e sem você? Teríamos perdido milhões! – E com isso o quase anão virou- se para o corredor. – Akatsuki vai receber um aumento e vocês vão ter que comer menos na cafeteria. Tenho dito. – O baixinho saiu bufando pelo corredor. Kohaku meio que sorriu para si mesmo. Um aumento seria bom para as finanças pouco estruturadas de sua família. Ele continuou trabalhando as imagens que iria entregar com rapidez natural. Logo viu que o rascunho havia sido aprovado e começou a vetorizá-lo para garantir o aumento que já considerava seu por direito.
  6. 6. 6 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ *** Uruwa Tatsuma não gostava muito da idéia de trabalho duro. Ele sempre achou que pessoas bonitas como ele devem ter o mundo ao seu dispor. Devem ser tratadas como os imperadores eram tratados, o que significava ter um punhado de serviçais aos seus pés. Arrumou o chapéu panamá na cabeça e continuou andando pelas ruas de Shibuya, fazendo as garotas suspirarem. Era bom ser bonito. Chegou ao Center Gai. Mais moças passavam ao seu redor rindo-se ou algumas chegando a tirar fotos, como se Uruwa fosse uma atração turística. O rapaz acenou para um grupo de Sweet Lolitas que suspiraram em uníssono. Arrumou o sobretudo e entrou em uma loja de esquina. Tratava-se de uma joalheria extremamente requintada, cheia de jóias de aparência cara e pessoas de aparência rica andando por todos os lados. Ele tirou o chapéu revelando os cabelos castanho- claros. Entregou o chapéu a uma das atendentes que pareceu ficar com as pernas bambas ao pegar o item. Ele sorriu-se mais ainda como se fosse um pop-star. -Tatsuma! – Uma mulher de cabelos pretos ondulados chamou. Tatsuma virou-se e fez uma pequena reverência. -Desculpe o atraso, mãe. -Ora, você sumiu! O motorista chegou aqui desesperado, disse que não sabia onde você tinha ido... -Ah, mãe. Eu quis ver o mundo! – Tatsuma segurou a mulher pelo ombro e virou-se para as pessoas do local, como se estivesse atuando em um teatro. – O metrô é muito divertido, devo dizer. -Metrô? Ah! Assim você me mata de preocupação, Tatsuma! -Não, não, não! – Tatsuma agitou as mãos de maneira teatral. – Não há com o que se preocupar! – Ele continuou andando e acenando como sempre fazia, deixando várias garotas encantadas pelos seus trejeitos. -Tatsuma, um dia desses você pode se colocar em grande perigo... – A mulher pareceu chorosa. Tatsuma parou no meio da loja e virou-se para sua mãe. Caminhou passos aristocráticos e segurou uma das mãos dela.
  7. 7. 7 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ -Mãe, o mundo se move por minha causa. Nada vai me acontecer. – E com isso beijou a mão da mulher. *** Akatsuki olhou o relógio. Pouco mais de sete horas da noite. Começou a arrumar dentro de sua pasta a papelada que levava para todos os lugares. Tomou quinze minutos na arrumação de seu cubículo. Ao sair da saleta, olhou ao redor. KAMINAMI-E já estava praticamente vazia. Ele sempre era um dos últimos a sair, tinha que mudar esse hábito. Foi até o elevador e apertou o botão para o térreo. Aquela parte do distrito de Shinjuku tendia a ficar tão vazia naquele horário que seria uma visão assustadora para um desavisado. Kohaku, contudo, já estava muito acostumado com isso e sabia que em menos de três minutos de caminhada estaria num lugar bem mais movimentado, pegaria o metrô e em mais quinze minutos estaria em casa. Akatsuki olhou o marcador digital de seu relógio. Sete e cinquenta. Quando tornou a olhar para frente viu somente o que parecia um inseto humanóide preto. A criatura aproximou-se em uma rapidez assustadora e derrubou Akatsuki de costas. O homem se debateu. Tentou chutar a criatura para longe de seu corpo, contudo foi em vão. Sentiu um ardor em seu braço direito. Era como se uma lâmina estivesse o cortando em brasa viva. Tentou mais uma vez afastar o ser, mas foi impedido com um golpe na cabeça. Sentiu uma dor terrível. Não queria desmaiar. Lutava contra a dor intensa. Chutou mais uma vez e conseguiu se desvencilhar do ataque, caindo um pouco mais adiante. Com isso pôde ver finalmente o tamanho da criatura. Era bem mais alta que ele. A desvantagem era palpável. Akatsuki não era mais praticante de boxe há anos. Contudo, sabia que qualquer lembrança era válida para se salvar do perigo.
  8. 8. 8 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ A criatura tornou a arrastar-se até ele, tomando grande velocidade num piscar de olhos. Akatsuki levantou-se e flexionou as pernas como um boxeador. Esperava sair vivo dessa. -Kami-sama... – Akatsuki falou lentamente. Uma luz muito forte iluminou o local, fazendo Akatsuki fechar os olhos em reflexo. Colocando os braços sobre o rosto tentou focar alguma coisa. Viu somente algo que parecia uma pessoa. Andava lentamente. Usava o que parecia uma armadura prateada com marcas nas pernas como escamas, pintadas num azul ultra- mar metálico. A cabeça... Não, ponderou Akatsuki... O capacete lembrava muito um inseto, com olhos grandes e azuis. Parecia ter presas. Kohaku piscou como se quisesse provar que aquela imagem era de fato real. O estranho de armadura passou por Akatsuki e atacou a criatura rapidamente. Menos de dois golpes, Akatsuki contou. A criatura caiu no chão se retorcendo. Ele virou-se para Kohaku. Parecia uma visão saída de um filme de ficção. O herói mascarado que surge nos piores momentos. Akatsuki quis andar, mas suas pernas bambearam. A dor voltou ainda mais intensa. Olhou o braço direito, a camisa destruída, o braço ensanguentado, pingando. A última coisa que ouviu foi uma voz doce que parecia cantar lentamente numa língua que ele não conhecia. Kohaku sentiu a visão turvar, mas não se sentiu caindo. Foi para o leito também Zeus potente que os raios dispara onde soía deitar-se ao lhe vir agradável o sono. Para ali sobe; ao seu lado a de trono dourado Hera estava. Ilíada – Homero PRIMEIRA RAPSÓDIA: A CANÇÃO DA DEUSA - FIM -
  9. 9. 9 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ SEGUNDA RAPSÓDIA: SONHOS FALSOS Somente Zeus pai não gozava do sono a revolver no imo peito a maneira de honrar o Pelida e de morrerem à volta das naves Acaios inúmeros. Dos vários planos pensados alfim o melhor pareceu-lhe ao poderoso Agamémnon um Sonho mandar mentiroso. Vira-se então para o Sonho e lhe diz as palavras aladas: “Vai Sonho falso até às naves velozes dos homens acaios e quando a tenda alcançares do filho de Atreu Agamémnon exactamente o recado lhe dá que ora passo a dizer-te: Manda que apreste os guerreiros aquivos de soltos cabelos sem perder tempo; é o momento talvez de expugnar a cidade ampla dos homens troianos que os deuses do Olimpo cindidos não mais se encontram pois Hera afinal conseguiu convencê-los com suas súplicas. Sobre os Troianos as dores impendem.” Ilíada - Homero Akatsuki piscou várias vezes. Abriu os olhos para tornar a fechá-los por conta da luz forte. Tentou levantar a mão direita, mas seu braço não o respondeu. Sentiu uma pontada muito forte de dor na cabeça e abriu os olhos por conta da sensação repentina. O que aconteceu comigo? A pergunta dissipou-se como névoa tão rápido quanto surgiu. Havia sido atacado. Uma criatura grotesca tinha ferido seu braço e sua cabeça. E depois... Aquela pessoa mascarada. E aquela luz muito forte... E... A voz. A voz melodiosa que não saía de sua cabeça. E a dor de cabeça. Kohaku levou a mão esquerda até a testa sentindo as bandagens que cobriam sua cabeça. Não estava em casa. Estava em algum hospital. Não se recordava de muita coisa depois da luz forte. Teria desmaiado? Bem provável, visto que se lembrava claramente da dor forte que sentiu no braço e na cabeça. Mexeu-se na cama a fim de tentar sair dali. Antes que conseguisse efetivamente encostar o pé no chão, sentiu uma mão o guiar de volta ao leito. -Você tem que descansar mais! – A voz feminina muito bonita insistiu. – Você foi atacado por um proto-inseto. Muito me surpreende ainda estar vivo, que dirá se mexendo!
  10. 10. 10 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ Kohaku focou na pessoa. Tratava-se de uma moça que deveria ter algo em torno de vinte anos. Tinha cabelos até o meio das costas, castanhos claros, levemente anelados, com algumas mechas de um loiro claro, que a deixavam com a mesma aparência de uma modelo de revista. Ela não sorriu, pareceu bufar. Kohaku encarou-a por mais alguns estantes até ela parecer se aborrecer ainda mais com tudo aquilo. Ela virou o rosto para o outro lado e cruzou os braços como se estivesse extremamente chateada com Akatsuki. Nesse momento, Akatsuki sentiu-se péssimo por tê-la irritado. Não tinha o costume de irritar as pessoas, muito pelo contrário. As pessoas tendiam a ficar muito contentes ao seu redor, visto que se esforçava tanto para deixar todos felizes. E também porque raramente se fazia perceber. Não era bom ser o centro das atenções, ao menos era nisso que Akatsuki acreditava. Ele baixou os olhos e sentiu-se inquieto. Deveria estar grato por ter sido salvo daquela criatura – proto-inseto, o que quer que fosse. -Ah, você é do tipo que fica quieto. – Ela falou num tom que beirava o sarcasmo. -Eu não sou o tipo que fica quieto. – Akatsuki falou baixo, tossindo logo após. A moça arqueou uma sobrancelha em surpresa. Como se tomada por culpa fez uma reverência e juntou as duas mãos. -Me desculpe! Eu não deveria ter falado isso! Olhe só, você está muito ferido, mal consegue falar e eu ainda consigo ser impertinente. -Não foi nada de mais. – Kohaku falou baixo. – Onde eu estou? -Isso eu não posso responder... Mas em breve isso não vai importar mesmo. – Ela falou sisuda. -Não vai...? Antes que Akatsuki conseguisse entender o significado daquelas palavras, uma mulher de jaleco branco entrou no quarto. Ela tinha cabelos cortados tipo Chanel, muito pretos. Usava óculos de aros finos e rosados. Aparentava ter quase trinta anos, mas não parecia estar usando maquiagem. Tinha feições muito bonitas com maças do rosto bem estruturadas. Estava sorriso bondosamente e chegou-se até Akatsuki examinando um dos sacos de soro que estava pendurado perto do leito. -A dose do sedativo acabou. Está sentindo dor?
  11. 11. 11 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ -Não. – A voz saiu mais baixa do que o esperado. -Então, como está seu braço? – Ela tocou de leve o braço direito, como se tivesse medo de provocar qualquer desconforto. -Não sei dizer. -Hum... Bem, isso é normal. Faz menos de um dia que você passou por uma situação bem traumática. – Ela sorriu. – Sente algo na cabeça? -Sinto dor. – Ele respondeu sinceramente. -Ao menos você sabe que tem dor de cabeça. – Ela deu um risinho. Ele quis dar de ombros, mas seu braço direito ainda estava muito ferido. Olhou a médica e notou que ela havia parado de sorrir. -Você se lembra de alguma coisa? Akatsuki levou a mão esquerda à cabeça. A médica parecia tão preocupada e bondosa. Contudo... Ele mesmo não entendia bem o que tinha visto. Poderia ter sido o trauma ou o sedativo. Ou ambos. Tudo parecia surreal demais. Algo saído de cena de cinema. Quis balbuciar algumas palavras, porém conteve-se. Olhou a outra garota que estava no quarto e depois tornou a olhar a médica. -Eu... Eu me lembro de uma criatura estranha. Depois ela me atacou. Eu me defendi como pude. E... E tinha uma pessoa que apareceu em meio a uma luz. Isso parece tão estranho. – Akatsuki levou a mão esquerda novamente à testa e balançou a cabeça. -Meu Deus! Você foi mesmo atacado por um proto-inseto. – A médica pareceu surpresa. -Já falaram isso para a senhora, Tsukishiro-san. Ele foi atacado. Surpreendentemente sobreviveu. Ainda por cima parece não ter sido muito afetado por tudo isso. -E me lembro de uma mulher cantando. – Ele falou interrompendo a falação da garota. – A voz era muito bonita... Mas a música era muito triste... Quer dizer, eu não entendi o que ela falava, mas... -Você ouviu alguém cantando? – A garota ficou vermelha. – O que isso tem haver com tudo o que aconteceu?
  12. 12. 12 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ Akatsuki olhou para o chão. Não estava acostumado a falar tanto e muito menos a ser tão bravamente repreendido. Talvez por conta disso, tenha ficado silente. -Hikabara-chan, não precisa ser tão impolida com o pobre rapaz. – Tsukishiro, a médica, retorquiu. A garota bateu o pé e revirou os olhos. Bufando alto, ela saiu do quarto, deixando Tsukishiro e Akatsuki sozinhos. -Não se preocupe. Ela anda muito temperamental. – Tsukishiro sorriu de leve. – Deixe-me examinar o seu braço. A médica parou do lado direito do leito e pegou o braço enfaixado. Delicadamente tirou as bandagens. Akatsuki olhou tudo atentamente. A primeira camada estava limpa, mas as seguintes já estavam sujas pelo sangue espesso. Kohaku sentiu-se marear. Ela tirou a última camada de gaze e puxou uma mesa com rodinhas cheia de tubos e garrafas. Pegando alguns produtos, começou a limpar a área que estava muito escura. Akatsuki fechou os olhos em reflexo, esperando sentir um bocado de dor. Presumiu que seria semelhante à dor que sentira quando havia se cortado em arame farpado quando era mais jovem. Contudo, não sentiu sequer uma ponta. Reabrindo os olhos em surpresa olhou Tsukishiro que parecia preocupada. -Está sentindo dor? O jovem balançou a cabeça negativamente, deixando a médica continuar a limpar o braço ferido. Ela parou depois de alguns minutos e mirou Akatsuki com uma expressão impossível de ser lida. Depois de um longo silêncio ela tateou o braço, aparentemente esperando uma resposta. -É a primeira vez que vejo algo assim. – Falou por fim. – Não parece que você veio em estado grave. Como pode? Akatsuki piscou algumas vezes com uma expressão muito surpresa. Levantou o braço direito e olhou. Não restava nada daquela massiva quantidade de sangue que vira. Havia sim uma cicatriz grande, porém estava esbranquiçada e parecia ser uma cicatriz velha, já plenamente recuperada. Olhou a médica num misto de surpresa e alívio.
  13. 13. 13 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ -Pelo visto nós dois estamos no mesmo barco. – Ela falou num tom austero. – Terei que proceder a uma série de exames. Acredito que haverá pessoas interessadas nesse incidente. – A última parte saiu num tom estranho, o qual fez Akatsuki ponderar se tal interesse seria bom ou ruim. *** Tsukishiro-san havia recomendado que ele andasse um pouco, afinal, tudo mais estava bem. Ele quis recusar e dizer que iria para casa, mas a médica insistiu que ele deveria ficar. No fim, ele tinha uma grave queda por pessoas bondosas e, sobretudo, por pessoas encantadoras. Andou a passos pesados, ainda sentia-se muito dolorido e cansado. Bem, ele havia passado por um grave estresse, só o fato de estar andando já era, em muito, surpreendente. Até agora só tinham lhe dito que ele não deveria estar tão bem após um ataque desses. Ele mesmo não acreditava muito nisso tudo, não precisava de pessoas reafirmando isso a cada dois minutos. Um homem veio andando apressadamente ao seu encontro. Tinha cabelos muito curtos e levemente espetados. Era alto. E Akatsuki não estava acostumando a ver pessoas tão altas assim. Ele ia passar pelo corredor como um furacão, mas parou para olhar Akatsuki dos pés á cabeça. -Você é o cara que foi atacado. E já está de pé. – Ele tinha uma expressão séria no rosto que fez Kohaku engolir seco. Mas logo o homem sorriu. - Você por acaso é feito de aço? – Ele falou num tom brincalhão. -Não que eu saiba. -Boa resposta. – O homem deu-lhe dois tapas nas costas. – Sou Momo. Pode chamar qualquer coisa. – Ele deu um largo sorriso. Akatsuki acenou sem graça. Momo continuou em disparada pelos corredores sem olhar para trás.
  14. 14. 14 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ Antes que conseguisse virar para trás, sentiu alguém praticamente topar nele. Caindo para frente, Akatsuki segurou-se no batente da janela. Olhou para cima e viu um homem de chapéu panamá. Ele rinha cabelos castanho-claros e feições leves, embora masculinas. Era o mesmo homem do trem, Kohaku pensou enquanto tentava se levantar. -Você está bem? – O homem ofereceu a mão em ajuda. -Estou. – Kohaku levantou-se sem usar-se da mão do outro. -Era você o cara que estava sendo atacado ontem. Incrível já estar de pé. – o estranho falou num tom incógnito. -Ah. – Kohaku fez uma expressão surpresa. -Eu sou Uruwa Tatsuma. Sou o Kamen Rider. – O estranho falou num tom pomposo. Kohaku olhou para ele com a sobrancelha arqueada. Kamen Rider? E o que diabos era um Kamen Rider? Achou melhor guardar a pergunta para si. O rapaz parecia muito contente em ser o Kamen Rider. -Akatsuki Kohaku. Letrista e ilustrador. Akatsuki proferiu a sentença num tom monofônico. Uruwa pareceu inicialmente impressionado com a resposta para depois fazer uma expressão cômica e começar a rir. Kohaku achou estranho homem estar rindo, afinal, ele havia falado sério quanto ao seu nome e quanto a sua profissão, já que supunha que Kamen Rider soava como uma profissão. -Você sempre é engraçado assim? -Só quando as pessoas me acham engraçado. – Kohaku respondeu num tom sem humor. -Ah, certo. – Uruwa coçou a cabeça, como um tique. -Uruwa-kun! Finalizei os testes com o ON, mas preciso que você realize alguns exames, vá falar com a Sakura, por favor. – Um homem que aparentava estar beirando os quarenta anos de idade, acenou enquanto se aproximava. Tinha alguns fios brancos dos lados da cabeça, mas era dono de um sorriso muito austero. Os olhos eram pequenos e aparentavam sempre estar fechados.
  15. 15. 15 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ -Certo, Watanabe-san. Procurarei a Tsukishiro-san para realizar o que foi pedido. – Uruwa pegou a folha de papel da mão de Watanabe e foi andando lentamente pelo corredor. -Hum... Você é o rapaz que foi atacado ontem. – Watanabe coçou o queixo. – Como se sente? -Com um pouco de dor de cabeça. -É o mínimo, não é mesmo? – Watanabe sorriu de novo. – Venha, vamos tomar uma xícara de chá na minha sala. *** Watanabe seguiu mais a frente e Akatsuki, ainda um tanto admirado, foi atrás. Akatsuki percebeu que não estava num hospital. Era um grande complexo, cheio de corredores, escadas e elevadores. Aparentava mais ser um enorme laboratório. Provavelmente havia conhecido apenas a área ambulatorial, todavia, agora conheceria outra parte do que julgava ser um imenso prédio. Depois de alguns minutos de caminhada, Watanabe parou e passou um cartão numa trava eletrônica, abrindo uma porta. Dava para uma saleta branca, limpa, com apenas um sofá, uma poltrona e uma mesa de tampo de vidro. Muito simples e nem nada pendurado nas paredes ou tapetes no chão. -Sente-se. – Watanabe apontou o sofá. Puxou a poltrona e sentou-se nela, em frente a Kohaku. – Sou Watanabe Kosuke. Sou o cientista chefe. Esse é o complexo Parthenon. Ele pausou e olhou Kohaku como se estivesse o estudando. Pegou uma prancheta em cima da mesa de tampo de vidro e tirou uma caneta do bolso do jaleco e fez algumas anotações. -Tudo que lhe disseram até agora provavelmente está parcialmente correto ou errado. Se lhe mencionaram que provavelmente iríamos apagar sua memória, seria uma boa opção, mas não é conveniente ao caso. Se mencionaram que é incrível
  16. 16. 16 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ você estar vivo, que dirá andando, estão corretos. Se lhe disseram que você despertou interesse, igualmente corretos estavam. Ele parou de falar e procedeu mais algumas anotações. -Por favor, fale seu nome, estado civil e profissão. Kohaku piscou algumas vezes, surpreendido pela pergunta repentina. -Sou Akatsuki Kohaku. Solteiro. Letrista e ilustrador. -Certo. Senhor Akatsuki, sou obrigado a lhe informar que a razão para você estar vivo a gora está no seu sangue e estrutura óssea. Você é um caso raro, menos de um indivíduo em um milhão sobreviveria ao que você passou. Akatsuki engoliu seco. Olhou o cientista como se estivesse passando por uma situação totalmente insólita. De repente, o chão pareceu o ponto mais interessante da sala e Kohaku não conseguia tirar os olhos dele. -Não se assuste, Akatsuki-kun. Você tem opções. Você pode fazer parte da Parthenon ou voltar à sua vida comum. Mas lhe aviso que a partir de agora você vai ser um alvo para os proto-insetos. -Isso não ajuda muito. – Akatsuki murmurou. -É, eu sei que não ajuda muito. – Watanabe falou num tom baixo. – Por isso queremos ajudar você a entender o que aconteceu, assim como queremos entender porque aconteceu. -Esse era o interesse que Tsukishiro-san falou. – Akatsuki levantou o semblante. -Ela é uma mulher inteligente e perspicaz. -E se a minha resposta for que eu vou pensar sobre tudo isso? -Uma resposta diplomática. Você tem tempo para pensar nisso tudo. Mas quero que fique claro que nada será a mesma coisa depois desses dois dias. – Watanabe falou num tom difícil de ser lido. – Irá constar que você foi envolvido em um acidente trânsito e que está se recuperando em uma unidade de tratamento intensivo. Não se preocupe, todos serão avisados. Família, colegas e empresa em que você trabalha. Com isso dito, Watanabe levantou-se e Akatsuki o acompanhou até a porta. Abrindo a porta, Watanabe entregou um cartão para Akatsuki.
  17. 17. 17 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ -Procure a área D. Mostre esse cartão. Você vai encontrar um dormitório para você. Poderá me procurar. Para sair daqui, contudo, é mais complexo. Tudo depende de uma carta verde da direção. Pense o quanto for necessário. Akatsuki observou Watanabe fechando a porta e olhou o cartão. Por certo nada mais seria o mesmo. Mas, não seria esse apenas um sonho falso? “Máximo Zeus poderoso que no éter as nuvens cumulas dá que não desça o Sol fúlgido nem sobre nós venha a Noite sem que eu atire por terra a cumeeira de Príamo escura pela fuligem e às chamas ardentes as portas entregue; sem que do peito de Héctor rasgue a túnica brônzea com minha lança e em redor dele os sócios também veja todos de bruços uns sobre os outros na areia amontoados mordendo o chão duro.” Ilíada – Homero SEGUNDA RAPSÓDIA: SONHOS FALSOS - FIM -
  18. 18. 18 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ TERCEIRA RAPSÓDIA: DESTINO Tal como névoa que Noto nos cumes dos montes ajunta pouco ao pastor agradável sim grata ao ladrão mais que a noite por não poder nada ver-se à distância dum tiro de pedra: sob as passadas desta arte a poeira do solo se erguia quando os heróis avançavam cortando ligeiros o campo. Ilíada – Homero Akatsuki olhou para o relógio. Eram pouco mais de cinco da tarde. Sentiu-se mal por não conseguir dar uma resposta rapidamente. Porém... Tudo era tão estranho. Era difícil pesar todas as possibilidades quando você só sabe da metade das coisas. Será que escolher juntar-se à Parthenon significaria o fim de uma vida e o começo de outra? Será que rejeitar tudo isso colocaria ele próprio e sua família em risco? Kohaku sentiu uma forte dor de cabeça e baixou o semblante entre as mãos. Como gostaria de ter uma resposta rápida. O telefone que estava no criado mudo começou a tocar. O som estridente encheu o quarto e Akatsuki tirou-o do gancho. -Akatsuki-kun. – Veio a voz preocupada de Watanabe do outro lado da linha. – Desculpe por importuná-lo. Você poderia vir até a área A? Irão guiá-lo. -Sim, senhor Watanabe. – Akatsuki ouviu o outro desligar o telefone. Por algum motivo aquilo não pareceu muito bom aos ouvidos de Akatsuki. Sentiu-se extremamente preocupado. Levantou-se da pequena poltrona e foi até a porta. De fato, havia dois homens, com óculos escuros, o esperando. O circuito até a sala de Watanabe foi silencioso e rápido, grande parcela por culpa da grave preocupação de Kohaku. Deixaram o jovem na frente de uma imensa porta de metal. Antes que Kohaku tivesse a possibilidade de perguntar qualquer coisa, a porta se abriu e Tsukishiro- san surgiu do outro lado. Ela estava com uma prancheta em mãos e com um gesto simples chamou Akatsuki para dentro.
  19. 19. 19 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ -Akatsuki-kun, infelizmente não ouviram meus apelos. – Ela usava um tom grave e não olhava o outro. – Irei postergar ao máximo qualquer decisão da Cúpula, mas... Não seis e será o suficiente. Watanabe-san também não gostou muito da decisão. -Decisão...? – Akatsuki estava confuso. -Sim. – Watanabe falou alto e os dois o olharam. – A decisão de que ou você aceita fazer parte da Parthenon ou iremos entregar você sem qualquer lembrança disso. Akatsuki engoliu seco e olhou a preocupação escrita nos rostos dos outros dois. Tsukishiro parecia não muito satisfeita e Watanabe parecia extremamente temeroso. -Eu... – Kohaku travou e respirou fundo. – Eu ainda não tenho uma resposta definida. -Nós sabemos disso. – Watanabe falou. – e isso é ruim para ambos os lados. Eu e Sakura fazemos o que nos mandam. Tentamos fazer algumas coisas da nossa maneira e ás vezes conseguimos. Hoje não é um bom dia para burlar tudo isso. -Eu entendo. – Agora era a vez de Akatsuki ficar muito preocupado. Ainda não tinha entendido sequer metade dessa história toda e estava sendo posto à prova. – O que eu teria que fazer afinal? -Você se refere aqui na Parthenon? – Watanabe perguntou e pigarreou. – Bem... Os testes nos levam a crer que você tem compatibilidade para utilizar o ZeeS. Isso é o que os chefes decidiram. -ZeeS? – Akatsuki arqueou uma sobrancelha. -ZeeS. É um dos Rider Systems que foram desenvolvidos aqui. Zero System, vulgo ZeeS, ou ainda ZS. Você viu um dos nossos Rider Systems em ação, o ONe, ou ON. -Você quer dizer aquela armadura prata e azul? -Exatamente. -Cujo o Rider, eu acho que esse é o termo, é aquele cara esquisito de chapéu? -Você conhece o Uruwa? – Tsukishiro pareceu surpresa. -Como você sabe que o Uruwa é um Kamen Rider? – Watanabe estava boquiaberto.
  20. 20. 20 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ Ele disse que era o Kamen Rider. Akatsuki pensou. Como ele iria calcular que poderiam haver outros Riders, que dirá ele ser um Rider? Akatsuki calculou bem qual seria sua resposta antes de continuar. -Digamos que eu aceite... O que acontece comigo? -Você vira o Rider do ZeeS. Mas você não respondeu como sabe do Uruwa. – Watanabe não deixou escapatória. -Eu estava andando. Encontrei com ele no corredor. Ele praticamente me derrubou. Se apresentou e disse que era o Kamen Rider. Eu somei tudo e entendi que ele é esse outro Rider que você mencionou. – Akatsuki pausou e respirou fundo após ter falado tanto. -O que você tem de calado tem de observador. – Tsukishiro sorriu de leve. – Você, com certeza, vai ser menos trabalhoso que Uruwa. Isto é... Se aceitar. Akatsuki notou que a médica parecia contente com a possibilidade dele se tornar o Rider desse tal de ZS System. Ele mesmo começou a sentir um misto de animação e nervosismo quanto a tudo isso. Ele, Akatsuki Kohaku, órfão, chefe de uma família e sem muitas esperanças na vida, agora estava sendo o centro das atenções. Uma espécie de salvador. E agora... Ser o Kamen Rider. Parecia muita coisa para um simples transeunte da vida, raramente percebido por quem quer que fosse. -Eu gostaria de entender tudo antes de aceitar. Depois da reposta final não terá mais volta. -Você é muito sábio. – Tsukishiro tocou o ombro do rapaz. – Nós vamos mostrar e contar tudo o que podemos. Espero que isso ajude você a decidir. *** Kohaku poderia confessar que não esperava ver muito. Poderia falar que achava que tudo aquilo era um devaneio e que provavelmente se tratava de montanhas de papelão e plástico. Mas ao ver a quantidade de tubos de ensaio e de
  21. 21. 21 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ pedaços de... Coisas... Que nem sabia ao certo o que eram, teve certeza que tudo ali era muito real. -E bem... Os proto-insetos são essas criaturas que não sabemos bem ao certo de onde surgiram. Foi como se um dia... Aparecessem. – Watanabe pareceu inquieto. – Contudo, nós tínhamos essa carta na manga. O Zero System, ou ZeeS como apelidamos. Durante algum tempo foi o suficiente para manter tudo em segurança. -Mas, o que houve com o ZeeS afinal? – Kohaku passou a mão sobre uma haste que lembrava a forma de um sabre. -Com o Zees? Não houve nada. Houve com o usuário do sistema. – Watanabe pausou e olhou para Kohaku. Akatsuki engoliu seco. Com o usuário, é? Poderia ter se ferido... Ou.... Algo bem pior? -Veja bem, o ZeeS é bem impulsivo... O que quero dizer é que ele e o usuário não eram compatíveis e depois de algumas tentativas de uso... O ZeeS ficou no que chamamos de “Ponto Morto”. Não sei se o ZeeS voltaria a funcionar com você, mas vejo possibilidade de haver compatibilidade. -Ah. – Kohaku soltou a expressão de alívio. -Tanaka Kyon-san era o usuário até ZeeS parar de funcionar sem nenhuma razão. Agora ele trabalha comigo aqui no laboratório... -Tudo para desenvolver sistemas menos temperamentais. – Veio um homem alto. Kohaku o mediu com os olhos, parecia ter mais de um metro e oitenta. Usava óculos de proteção e tinha cabelos muito curtos e levemente espetados de um preto azulado. – Sou Tanaka Kyon, pode me chamar só de Kyon. – Ele estendeu a mão para Kohaku que a apertou. -Kyon-kun! Que bom que apareceu. – Tsukishiro sorriu afetuosamente e Kyon retribuiu com um sorriso igualmente caloroso. -Ótimo vê-la também, Sakura-san. – Kyon chegou perto de Tsukishiro e ofereceu-lhe o braço. – Acho que agora é uma boa hora para o novato conhecer ZeeS. Tenho certeza que irão se dar muito bem. – Ele sorriu para Akatsuki. Foram andando mais adiante, passando por diversos postos com pessoas trabalhando aqui e ali. Akatsuki percebeu que Tanaka, ou melhor, Kyon-san, era
  22. 22. 22 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ muito afável com todos do local e parecia ser muito querido por todos. Olhou Tsukishiro que conversava com Kyon de uma maneira muito alegre. O nome dela era Sakura. Kohaku deu um meio sorriso. Gostava desse nome. Sempre se lembrava de sua mãe quando ouvia o nome Sakura. -Bem, aqui está. ZeeS. – Kyon cuidadosamente pegou uma maleta de metal. Abriu os dois lacres e levou a caixa até Akatsuki. A maleta tinha um forro verde escuro e dentro dela estava o que parecia um cinto. Com um estranho equipamento acoplado a ele. Era metálico por fora com um núcleo que aparentava ser feito de vidro no meio. Vidro verde escuro. Akatsuki sentiu uma vontade incontrolável de pegar o item, mas conteve-se e olhou Watanabe nos olhos. -Vamos, pegue o ZeeS. Temos que saber se ele vai voltar a funcionar com você. – Kyon colocou a caixa numa das mesas de metal do local e tirou o cinto de dentro dela, colocando nas mãos de Akatsuki. O vidro que antes era verde escuro e fosco ficou mais claro e brilhante. Kohaku olhou aquilo com estranheza. Ele quis tocar o vidro, mas Kyon segurou a sua mão. -Antes que pense em tocar a Alma de ZeeS, deve saber que se ele escolher você, não terá mais volta. – Kyon falou num tom sombrio. -Alma? – Akatsuki perguntou olhando para o outro. -Chamamos de Alma essa peça verde no meio do Rider Belt. – Watanabe falou rapidamente. – Como o ZeeS apareceu para nós sem muitas explicações, demos alguns nomes às peças dele. A Alma, aparentemente lê o DNA. Por isso ele é tão tempestuoso e temperamental. E temperamental é um ótimo termo para descrever ZeeS, já que... -Ele parece ter vontade própria. – Kyon completou e todos olharam para ele. – Bem, eu já usei o ZeeS e sei melhor do que ninguém que ele tende a ser rebelde a maior parte do tempo. Akatsuki quase riu do que ouviu. Era um pedaço de metal, como poderia ser rebelde? Conteve-se para não tocar na Alma de ZeeS e o recolocou na caixa.
  23. 23. 23 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ Sentiu-se estranho ao colocar o aparato na caixa, como se uma parte de si mesmo já não estivesse ali. -E então? Aceita o emprego ou não? – Kyon falou num tom bem humorado. -Eu não sei se é bem um emprego... – Akatsuki retorquiu. -Bem, tem salário, é emprego. – Kyon falou e começou a rir. Aparentemente sempre fazia piada com as coisas. -Eu nem sei se ZeeS vai realmente me aceitar como usuário... -De fato, ele aparentemente já aceitou. – Watanabe pigarreou e olhou Kohaku. - Fazia tempos que ele não voltava à sua cor original. -Você quer dizer... Verde e brilhante? – Akatsuki pendeu a cabeça para o lado como fazia, involuntariamente, toda vez que ficava confuso. -Exatamente. – Watanabe coçou o queixo. Akatsuki pensou para si mesmo que Watanabe-san parecia surpreso com tudo aquilo. Kyon-san, por outro lado, parecia achar a situação perfeitamente normal. -Você é quem decide, Akatsuki-kun – Tshukishiro sorriu de leve. Kohaku olhou para mulher, porém não conseguiu sorrir. O chão, de repente, pareceu o ponto mais convidativo para se olhar. Tudo era repentino demais para uma vida que sempre caminhou lentamente para os pontos pré-determinados. Sem seus pais, ele era o provedor da família. Todas as respostas sempre eram pesadas assim: será que Minato e Shiki ficarão bem? Akatsuki olhou os três e abriu a boca sem conseguir emitir som, ficando encabulo por suas dúvidas. Um som longo e estridente encheu o lugar. O barulho era um sirene muito alta e todos começaram a correr para um único ponto de saída. Akatsuki olhou os três que se mantinham parados. -Verei do que se trata. – Kyon falou e pegou um celular. – Alô. O que aconteceu? Ele falou alguns ‘sim’ e ‘não’ e depois desligou. Olhou para Watanabe com uma expressão chateada. -Uruwa, como sempre, desapareceu. E temos um número indeterminado de proto- insetos na frente da Parthenon. Eles não parecem muito cordiais e já feriram dez
  24. 24. 24 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ guardas. Mandaram a equipe de elite para tentar detê-lo, mas sem o ON aqui... Não temos muita esperança. -Já tentaram ligar para o Uruwa-kun? – Tsukishiro soou preocupada. -Celular fora de área. Da casa ninguém atende. Da loja, não sabem do paradeiro dele. – Kyon respondeu seco. -Típico. – Watanabe deu de ombros. Kyon olhou para Akatsuki e pareceu entender o questionamento do outro antes que o mesmo fosse proferido. -Uruwa continua porque ele é o único compatível com o ON System até agora. O Azulão é tão emotivo quanto ZeeS, mas gosta do Uruwa como a mãe gosta de um filho. – Kyon falou com uma expressão nebulosa. -Vocês precisam de mim. – Akatsuki falou e pegou a maleta prateada. -Akatsuki-kun! Não decida tão repentinamente! – Tsukishiro foi até ele e segurou-o pelo braço. Akatsuki a olhou com estranheza. Ela parecia tanto com sua mãe. Akatsuki balançou a cabeça e afastou esse pensamento da cabeça. -Pelo visto, ZeeS já se decidiu e eu só vou atender o desejo dele. Foi o que disseram, ele tem vontade própria, certo? – Akatsuki notou que seu tom tinha sido mais duro que o normal. Até mesmo ele sentiu-se assustado por sua voz. Tsukishiro soltou seu braço e Kohaku correu até a porta. Akatsuki sentiu um misto de medo e de animação. Seu coração estava em disparada, como se estivesse prestes a morrer. Chegou à frente do elevador e apertou o botão algumas vezes – sinal de que estava nervoso, visto sempre ser tão paciente. O elevador mal abriu a porta e Kohaku esgueirou-se nele. Em menos de dois minutos estava no saguão. Olhou ao redor e o silêncio mortal o envolveu. Engoliu seco. Era como se milhares de olhos estivessem o observando atentamente. Abriu a maleta novamente. Notou que havia um adesivo com coisas escritas na parte de cima.
  25. 25. 25 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ Para ligar, coloque um dos dedos sobre a leitora (Alma). Primeira leitura pode demorar alguns minutos. Quando a leitura estiver concluída, ouvirá o som característico. Coloque o Belt. Ative o funcionamento por voz. Palavra chave ‘Henshin’. Akatsuki leu a inscrição e arqueou uma sobrancelha. Que maneira estranha de descrever o funcionamento da coisa... Quer dizer, ZeeS. Kohaku sentiu-se tremer ao colocar o dedo pouco ante da leitora. Kyon havia dito que depois disso não haveria mais volta. Mas... Uma parte de Akatsuki acreditava que não tinha mais volta desde o momento que havia sido atacado. Era isso. Agora ou nunca. Akatsuki pressionou o dedo no vidro esverdeado e sentiu novamente a dor de cabeça lacerante que sentira no dia anterior. Era como se toda a sua vida estivesse se esvaindo entre seus dedos. Ele quis gritar, todavia não emitiu som algum. Um ruído que parecia um tilintar de moedas encheu o lugar. Akatsuki sentiu os braços praticamente num transe, como se estivesse fazendo tudo automaticamente. Colocou o Belt, olhou para frente e passou o dedo novamente na frente da Alma de ZeeS. Respirou fundo e parou. A palavra brotou. -Henshin! Dita a palavra, sentiu o corpo inteiro formigar. Era uma sensação tão estranha quanto ter sido ferido pelo proto-inseto. E a luz. A mesma luz que vira antes. Arregalou os olhos e focou na figura iluminada à sua frente. Parecia um inseto. Um inseto de carapaça prateada e imensos olhos verdes brilhantes. A armadura era extremamente reluzente, de uma cor prata vítrea, com uma pele negra que aparecia nos pontos em que não havia qualquer sinal de armadura. A cabeça... E novamente sua consciência disse o sonoro “não”... O capacete, lembrava a cabeça de um gafanhoto, com ângulos arredondados. Totalmente prateado, excetuando-se os olhos vívidos de um verde indescritível. A criatura ergueu as mãos e depois estendeu uma delas para Kohaku. -Akatsuki Kohaku. – A voz era forte e totalmente inexplicável. – Sou ZS. Venha. E pela primeira vez em tempos, Kohaku não pensou duas vezes e segurou a mão de ZeeS.
  26. 26. 26 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ *** Os proto-insetos apareceram por todos os lados. ZeeS estava parado no meio do saguão sem olhar para qualquer das criaturas. Elas se espalhavam por todos os cantos, emitindo sons estridentes. Kohaku finalmente abriu os olhos e viu a situação ao seu redor. Ergueu uma das mãos, sentindo a nova força que corria em seu corpo. A primeira criatura atirou-se contra ele e Akatsuki acertou-a com um soco, fazendo a cair, desajeitadamente, contra uma das paredes. As outras começaram a saltar sobre ele e o Rider permaneceu com os mesmos ganchos de esquerda e alguns diretos. Era como lutar boxe, mas ao invés de luvas, tinha uma armadura extremamente poderosa. Akatsuki manteve o ritmo derrubando todas as criaturas que apareciam. Depois de alguns minutos derrubando a massa de seres, que agora estavam estendidos no chão, fez um grave silêncio. As criaturas começaram a se levantar lentamente. -Mas... Como? – Akatsuki falou em voz alta. -Você tem que acionar os golpes do ZeeS! – Veio a resposta numa voz familiar. Kyon estava em um dos cantos do saguão, com uma arma em punho. -Ah. Certo. – Akatsuki olhou para o Belt esperando que a resposta derradeira brotasse. Olhou a sequência de pequenos botões ao longo de ZeeS e apertou logo o primeiro à vista. -Charge. – Uma voz metálica proferiu. -Não sei o que, raios, é isso. Espero que funcione. – Akatsuki bufou. A horda de criaturas saltou em cima dele e ele mirou um upper em uma delas. O resultado foi quase instantâneo. Uma luz muito forte e as criaturas que haviam pulado em cima dele estavam reduzidas a restos de carcaça e entranhas espalhadas. Em seu íntimo, Akatsuki tinha gostado do resultado. Sentiu como se soubesse que esse era seu destino desde o começo: Empunhar ZeeS e lutar. Talvez por isso ainda recordasse tão bem dos anos que treinara boxe.
  27. 27. 27 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ As criaturas restantes começaram a correr em direção à saída. Akatsuki deixou que fossem. Não era uma boa hora para testar toda a capacidade de ZeeS antes de entender do que realmente ele era capaz. Entortou a cabeça, involuntariamente, para o lado. Estava começando a tratar ZeeS como um ser pensante. Até pelo nome já estava chamando. Sentiu-se esquisito ao pensar que, aparentemente, tudo o que diziam sobre ZeeS era verdade. Temperamental. Rebelde. E... Era como se tivesse outra consciência puxando sua orelha por sequer ter pensado que ZeeS era só uma bugiganga, um equipamento qualquer. -Desculpe por qualquer coisa, amigão. – Falou baixo, na esperança de ninguém ouvi-lo. -Assim é bem melhor. – Veio a resposta, na voz forte de antes, o que fez Kohaku estremecer. -Acho que você já começou a se entender com ZeeS. – Kyon parou em frente a Kohaku, que quase pulou para trás, visto estar já bem assustado. -Não apareça assim na minha frente. – Akatsuki falou, esbaforido. -Não se preocupe, só eu e ZeeS ouvimos o pedido de desculpas. – Kyon sorriu. – Aperte o botão vermelho do lado esquerdo. Assim você volta ao normal. Kohaku fez o que Kyon disse e novamente o formigamento. E depois... Mais nada. Olhou Kyon que continuava sorrindo. -Pelo visto ZeeS foi bem falante com você. -Falante...? -É. Como disse, ele é impulsivo. Nunca falou muito comigo, só o estritamente necessário, acho que ele nunca foi muito com a minha cara. – Kyon riu sem graça e coçou a cabeça. -Então... Eu não estou ficando doido. Ele realmente fala. – Akatsuki felicitou-se. Era menos um fardo nas costas ver que não estava ficando louco. -Mas não pense em sair contado por aí que ZeeS tem uma personalidade própria. Isso é um segredinho entre users. – Kyon deu uma piscadela. -Certo. – Akatsuki sorriu o que fez Kyon se surpreender.
  28. 28. 28 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ -Olha só, o senhor ‘poucos amigos’ também sorri. – Kyon deu alguns tapinhas nas costas de Akatsuki. -Prefiro que me chame de Akatsuki-sama. Tenho nome, sabia? – Akatsuki falou num tom sério. – Estou brincando. – E com isso os dois riram. “Teucros Dardânios e aliados agora atenção concedei-me! É incontestável que coube ao herói Menelau a vitória. (...) que a memória do feito entre as gentes vindouras se estenda.” Isso disse ele; os guerreiros acaios em peso o aplaudiram. Ilíada – Homero TERCEIRA RAPSÓDIA: DESTINO - FIM -
  29. 29. 29 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ QUARTA RAPSÓDIA: RANCOR Hera porém explodiu sem conter o rancor no imo peito: “Zeus prepotente nascido de Cronos que coisa disseste? Vãs por acaso desejas que fiquem sem fruto de todo minhas fadigas e o suor derramado? Estafei meus cavalos para reunir muitos povos que a Príamo e os filhos punissem. Seja se o queres; conquanto nós outras jamais te aprovemos.” Ilíada – Homero Akatsuki arqueou uma sobrancelha. Kyon parecia muito animado com tudo aquilo. Respirou fundo e olhou fixamente para a maleta que carregava ZeeS. Kyon começou a escrever em um caderno rapidamente. Por vezes perguntava detalhes da luta e do que Kohaku havia sentido durante o uso de ZeeS. Terminou de anotar tudo, tirou os óculos e colocou-os de lado. Olhou Akatsuki fixamente. -Pegue ZeeS. Temos que fazer alguns testes. -Certo. Kohaku arrumou o Belt e olhando fixamente para ele. A unidade vítrea pareceu brilhar em seu característico verde-esmeralda. O Rider quase sorriu, mas limitou-se a pegar o Belt. Colocou-o em posição e pressionou o dedo contra ele, ouvindo o som estridente de sempre. -Henshin! Dessa vez, em nada se assemelhou com a primeira tentativa de transformação. Não houve aparição do que era, supostamente, ZS. Não houve formigamento. Não houve a fatídica e recorrente dor de cabeça. Somente uma sensação quente, semelhante à de se sentir bem vindo em casa. Agitou a mão direita em reflexo e depois parou. -Certo, agora vamos testar os comandos do Belt. – Kyon levantou-se e se aproximou de Kohaku. – Aqui estão os quatro botões e a Alma. – Ele apontou e voltou a olhar para onde estavam os olhos de Akatsuki. – Esse do lado esquerdo, vermelho, é basicamente a única forma de parar o System. Só use depois de ter terminado o que
  30. 30. 30 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ quer que esteja fazendo. – Ele apontou para o lado direito do Belt. – Os outros três são para fornecer mais energia para certos pontos. O primeiro é para os braços, que você já testou. O segundo é para as pernas. O terceiro é para o uso de extensores, ou melhor, armas. Simples, de fato. -É, aparentemente sim. – Akatsuki estranhou a própria voz que parecia um pouco mais grossa aos seus ouvidos. -Vamos testar então. – Kyon bateu as mãos juntas e apontou para uma porta de metal. Akatsuki seguiu Kyon e viu-se numa imensa sala vazia, toda iluminada e branca. Parecia um treino. Akatsuki seguiu rigorosamente as instruções de Kyon, chutando para testar a força do impacto e treinando os jabs e uppers de costume para ver a velocidade. Kyon fez um gesto de tempo e Akatsuki pausou os golpes contra as placas de metal, agora, já quase destruídas. -Vou pegar um item que você vai gostar. Espere aí. Depois de alguns minutos, Kyon apareceu novamente com o que parecia um sabre, com uma lâmina verde-esmeralda. Era o mesmo sabre que havia visto no dia anterior sobre a mesa do laboratório. -Não tive chance de testá-lo enquanto era User do ZeeS, mas acho que agora é a sua vez de usá-lo. – Kyon entregou o sabre á Akatsuki que o empunhou. – É basicamente movido à energia. Como diriam os fãs de anime, um heat-saber. – E com isso ele deu uma risada. – Sempre quis usar esse termo. Parece ficção científica! -Parece mesmo. – Kohaku sorriu, mas lembrou-se que Kyon não poderia ver que havia sorrido. -Bem, vejamos. Empunhe-o, aperte o terceiro botão. Vamos ver se realmente funciona. Akatsuki seguiu a instrução e cortou uma das placas de metal como se fosse uma mera folha de papel. Kyon praticamente gritou de alegria. -Funciona. Valeram as noites sem dormir! – Kyon socou o ar em comemoração.
  31. 31. 31 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ Com isso, limitou-se a apontar rapidamente os pormenores da armadura, bem como os pequenos pontos-fracos que já havia analisado e como defendê-los. Instruiu Akatsuki sobre a mobilidade e pausou por um momento. -Lembrei de um detalhe importante. A visão é auto-ajustável. Só não fique entrando e saindo de um lugar escuro para outro muito claro, isso me rendeu algumas dores de cabeça. – Kyon riu sonoramente. – Como disse, é simples. -Acredito que sim. -Pode se desligar agora, então. Kohaku balançou a cabeça afirmativamente. Fez que iria clicar no botão, contudo, parou. Kyon ergueu uma sobrancelha esperando a ação do outro. Akatsuki, contudo, não percebeu. Estava absorvido pela dor de cabeça que voltara repentinamente. A dor estava forte e ele sentiu o formigamento do braço direito ainda mais doloroso. Era como estivesse sendo atacado mais uma vez. Deu dois passos para trás e se apoiou numa das placas de metal retorcido. -Akatsuki-san? – A voz de Kyon parecia distante até desaparecer. O Rider se viu numa imensidão branca. Olhou para todos os lados e depois olhou para as suas mãos. As suas mãos verdadeiras e não o suit. Olhou para frente e viu ZS parado. Ele parecia muito imponente naquela imensidão branca. Era como um Deus, Akatsuki ponderou para si mesmo. ZS virou-se lentamente, os olhos esmeralda brilhavam cintilantes. -Não é como se não o suportasse... Não era o destino. – A voz forte e penetrante encheu o local. -Você... Você está falando de Kyon? – Akatsuki sentiu-se gaguejar. -Sim. Fale o que preferir. – A voz sumiu e com ela a sensação estranha e a visão tão branca de ZS. Akatsuki respirou fundo – quando tinha prendido a respiração? – e apertou o botão. Kyon o olhou como se quisesse respostas. Kohaku pendeu a cabeça para o lado e coçou o pescoço. Começou a estalar os dedos e se esticar, como se tivesse acordado de um longo sono. -Ele disse que não odeia você. – Akatsuki proferiu lentamente.
  32. 32. 32 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ Kyon olhou o outro em silêncio. Abriu a boca, mas nada disse. Passou a andar em silêncio pelo que pareceram horas. Parou e virou-se para Akatsuki. Com dois passos pousou uma das mãos sobre um dos ombros do outro. -É bom saber disso. Não sabe o quanto é bom. – Ele respirou e fechou os olhos. – Mas eu acho que você já é melhor Rider do que eu jamais fui. Por isso... Obrigado ZeeS. – Ele olhou para o Belt que estava na bancada. – E obrigado, Kohaku. – Kyon sorriu para o outro. -Disponha. – Kohaku respondeu, oferecendo um meio sorriso. *** -Notei que seus movimentos são os de um pugilista. – Kyon falou após alguns momentos degustando uma xícara de chá. Akatsuki terminou de beber seu chá gelado e olhou o outro. Colocando a latinha de lado, deu de ombros. -Eu lutava boxe. -Notei. -Provavelmente tenho muitos vícios de postura. -Ao menos sabe lutar. Uruwa, por exemplo, age por instinto. Sugiro que volte à treinar para manter-se em forma. -É uma boa sugestão. Fez-se um longo silêncio entre os dois. Kyon entendia que o silêncio provavelmente era devido à preocupação de Kohaku com seus irmãos e sobre quando poderia voltar para casa. Coçou a cabeça e levantou-se. -Quer saber, você deveria voltar para casa. Agora que já aceitou o encargo acredito que está livre para fazer o que bem entender. Só peço que, ao contrário de Uruwa, mantenha o celular sempre disponível e apareça aqui ao menos uma vez por semana. – Kyon falou rapidamente e sorriu. Akatsuki arregalou os olhos, surpreso. Depois sorriu. Com isso levantou-se e estendeu a mão para o outro.
  33. 33. 33 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ -Bem, mas acho que vou precisar de ajuda para isso. Não faço idéia de onde estamos e como chegar a minha casa. -Ah. Falarei com a Hikabara. Ela poderá levar você até sua casa. – Kyon sorriu. -Hikabara...? – Kohaku proferiu as sílabas lentamente. Estranhamente parecia se lembrar desse nome. -Por que você falou meu nome, Tanaka? – A moça de cabelos castanhos claros anelados que vira antes veio andando. Fazia um som grave a cada passo com seu salto. Ela parecia estar com raiva de Kyon. -Pronto, falando no demônio, ele aparece. – Kyon continuou sorrindo. – Hikabara Megumi, este é Akatsuki Kohaku. Novo Rider do ZeeS. Ela arregalou os olhos, depois fez uma expressão engraçada de surpresa. Ela ergue uma das mãos e apontou para Akatsuki, como se estivesse aterrorizada. -Como assim ele é um Kamen Rider agora? – O tom era claramente indignado. -ZeeS simpatizou-se dele. Então, ele é o Kamen Rider ZeeS. Simples. -Simples? Ele nem era da Parthenon até dois dias atrás! Ele é só um cara qualquer! Um traste! – Ela vociferou. Akatsuki quase riu da reação da garota. Ela era engraçada assim, com tanta raiva. Kyon levou uma das mãos até a testa. Ele parecia ficar desconfortável falando com ela. -Só quero que o leve até a casa dele. E depois explique como ele pode chegar até aqui. Arrume uma moto da Parthenon para ele. Só isso que estou pedindo. – ele falou num tom pouco afável. -Certo. Ordens, ordens, ordens! Faço isso que você mandou. Sinto que vão se arrepender de usar esse traste como Rider. Onde já se viu! Ela saiu bufando e Akatsuki olhou para Kyon. -Ela é sempre assim. Deixe estar, ela fará o que mandei. Só espero que ela não tente matar você. – Dito isso Kyon riu alto. ***
  34. 34. 34 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ Akatsuki sentou-se no banco do passageiro em silêncio. Hikabara continuava bufando. Ela ligou o carro e colocou ambas as mãos no volante.Bateu os dedos contra o volante e depois olhou para Kohaku. -O ZeeS deveria estar nas mãos do meu irmão! Ele batalhou tanto para ser um Kamen Rider e aparece você, um João ninguém e rouba o ZeeS dele! – Ela bateu as duas mãos no volante. – Isso é tão injusto! -Eu... – Akatsuki começou, mas resolveu medir as palavras que usaria. – Eu não sei como e porque isso tudo aconteceu comigo. De qualquer forma, sinto muito se causei qualquer infortúnio. A moça o olhou estarrecida. Balançou a cabeça e acelerou o carro, como se estivesse ignorando as palavras de Kohaku. Ela saiu do estacionamento e Akatsuki se virou olhando o tamanho do lugar. A Parthenon era enorme. Um enorme complexo de prédios. Ele teria ficado ainda mais impressionado se não tivesse tido noção da imensidão do local. Ela parou o carro e saiu. Bateu duas vezes na janela do lado de Akatsuki e fez um gesto para que ele saísse. Kohaku saiu e seguiu a moça de cabelos cacheados. Ela passou um cartão em uma das trancas eletrônicas e a porta se abriu. -Aqui estão as motos disponíveis. Escolha a que cair mais nos eu gosto. Particularmente, eu pegaria a prata e verde, já que combina com o ZeeS. O rapaz olhou as motos disponíveis. A maior parte delas tinha cores simples, pretas, brancas e vermelhas. As que se destacavam eram as duas pratas, uma com detalhes em azul e a outra com detalhes em verde e uma totalmente preta, com detalhes cromados e com desenhos tribais vermelhos. Akatsuki realmente achou a prata e verde algo mais apropriado. Provavelmente ZeeS iria gostar – e lá estava ele medindo os gostos de ZeeS. Pegou a chave pendurada no guidão e girou na ignição. A motocicleta tinha um som forte que denotava ser tratar de um item bem potente. Hikabara se aproximou com a maleta prateada que portava ZeeS e prendeu-a na parte de trás da moto. O som de um clique segurou a maleta.
  35. 35. 35 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ -Ela tem uma pequena trava eletrônica. Como é bem moderna, você vai precisar usar o seu cartão e depois tocar nela. Ela vai reconhecer a sua digital e vai abrir. E não se preocupe, para tirar a maleta de posição só com o seu toque ou arrebentando a moto. – Ela falou rispidamente. -Certo. – Akatsuki tentou falar o mais calmo possível para não irritar a moça. -O ZeeS Sable fica perto da corrente, é só puxar quando for usar. Fora isso, acho que tudo está à mão. – Ela soou entediada. Akatsuki balançou a cabeça afirmativamente e ela andou até o portão, apertando um botão para abri-lo. – Você me segue, grave o caminho, você terá que voltar sozinho. Ela está com muita raiva mesmo, Akatsuki ponderou. O ideal era fazer o que ela estava mandando a fim de evitar discussões desnecessárias. *** Ao contrário do que Akatsuki esperava, a viagem foi tranquila e, até certo ponto, muito rápida. O que o surpreendia era o fato de Hikabara saber exatamente onde era a residência dos Akatsuki. Kohaku decidiu-se por guardar a surpresa para si mesmo, evitando qualquer conflito com a moça aloirada. Ela saiu do carro e ele se limitou a uma pequena reverência. -Não precisa ficar todo calado com medo de mim. – Ela falou cheia de sarcasmo na voz. – Eu vou me acostumar com o fato de um perdedor ser o Rider do ZeeS. Me acostumei com o idiota do Uruwa, você deve ser mais fácil de se acostumar. Akatsuki arqueou uma sobrancelha e a mulher não deu bola. Ela ligou o carro e saiu. Eram quase seis da tarde. Depois de quase quatro dias inteiros estava retornando a sua casa. Suspirou fundo e abriu a porta. O silêncio era grande e muito assustador. Quis chamar Shiki e Minato, mas conteve-se. A luz da sala foi acesa e Kohaku olhou para o lado. Minato estava parado perto do interruptor. -Minato-kun. – Kohaku falou lentamente.
  36. 36. 36 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ -Que bom que você está bem, Aniki! – Minato foi até o irmão, estava com lágrimas nos olhos. – Ligaram do hospital, mas não explicaram o que tinha acontecido... Ficamos muito preocupados! -Desculpe, não pude falar com vocês antes. – Kohaku abraçou o irmão mais novo. – Otouto, desculpe mesmo. -Não precisa pedir desculpas. Você se acidentou. – Minato falou baixo, com um tom de voz muito triste. -Mas já estou bem. Algumas cicatrizes, nada de ruim. – O akatsuki mais velho sorriu afetuosamente. – E Shiki, como está? -Ele já vai chegar, está na casa de um amigo fazendo um trabalho. – Minato respondeu. -Ótimo. – Kohaku seguiu até a cozinha e dobrou as mangas da camisa. Ainda estava usando algumas faixas no braço direito. – Vou preparar o jantar. Minato logo estava ao lado dele cortando alguns vegetais. Estava muito feliz em ver o irmão mais velho bem e preocupado com o braço que ainda estava enfaixado. Por sorte o irmão era canhoto. Se fosse destro, um ferimento grave no braço direito poderia significar o fim da carreira de desenhista dele. Porém o sorriso de Kohaku resumia que tudo estava bem agora. Minato gostava dessa sensação de se sentir em casa, quase como se nada de ruim tivesse acontecido. Nesse momento sentiu falta de seus pais. Se sua mãe estivesse aqui... O que ela diria? Minato entristeceu-se por um momento. -Onii-san, não precisa mais ficar triste, não vou mais sumir assim, prometo. – Kohaku sorriu e levantou o dedo mindinho. -Promessa? – Minato levantou o dedo mindinho e o cruzou com o de seu irmão. -Promessa! – Kohaku sorriu. ***
  37. 37. 37 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ Uruwa olhou para Watanabe, sisudo. Andou de um lado para o outro até para na frente da mesa do cientista e bater contra o tampo de granito. -Eu sou o Kamen Rider. Eu que deveria ter expulsado esses monstrinhos daqui da Parthenon! Eu que sou o Kamen Rider! – Ele vociferou. -Ora, você tinha sumido. E agora você não é mais o Kamen Rider, é um Kamen Rider. – Watanabe falou quase sorrindo. – O Rider do ZeeS é muito eficiente, devo dizer. Ele é pugilista, é mais calmo e mais centrado que você, Tatsuma-kun. -E daí? Eu sou o Kamen Rider principal da Parthenon! -Você era o único. -É disso que eu estou falando! – Uruwa virou-se de maneira teatral. – Eu ainda sou o principal! -O Zero System tem mais poder de fogo que System One. O que ON tem de velocidade, ZS tem de força. É assim que funciona. -Não me importo com essas coisas científicas. – Uruwa cruzou os braços e fez beicinho. – Vou provar por A mais B que sou o melhor Rider. Espere para ver! E com isso ele acenou de maneira exagerada e saiu da sala ruidosamente. Watanabe suspirou e olhou os relatórios. Agora tinha um problema grave em mãos. Uruwa Tatsuma enfurecido nunca era um bom sinal. “Ânimo Teucros valentes; deveis enfrentar os Aquivos pois nenhum deles tem corpo de ferro ou de pedra que nada possa ceder ao tocar-lhes a fúria do bronze cortante. Não mais o filho de Tétis Aquileu com eles se encontra sim ruminando nas tendas a bílis que o peito lhe amarga.” Do alto dos muros Apolo terrível procura inflamá-los Ilíada – Homero QUARTA RAPSÓDIA: RANCOR - FIM -
  38. 38. 38 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ QUINTA RAPSÓDIA: ABORRECIMENTOS “Ares guerreiro dos homens flagelo eversor de cidades não nos seria possível deixar que os Troianos e Aquivos digladiassem até vermos a quem Zeus concede a vitória? Nós a departe fiquemos; a Zeus não façamos ofensa.” Ilíada – Homero O dia iniciou normalmente para Kohaku. Ele quase acreditou que nada de estranho havia acontecido nos últimos dias. E o ‘quase’ foi resultado de um olhar mais atento para sua estante para ver a caixa em que ZeeS estava guardado. Além de seu novo celular, com a logomarca da Parthenon marcada em letras garrafais. Akatsuki pendeu a cabeça para o lado e coçou o queixo. Bem, ao menos ainda não haviam ligado se queixando de qualquer coisa mais estranha. Arrumou-se e pegou sua pasta antiga. Lembrou-se que a pasta nova havia sido destruída pelo proto-inseto. Junto com uma parte dos trabalhos que deveriam ter sido entregues na semana passada. E junto com sua agenda nova. Kohaku soltou um longo suspiro e deu de ombros, aborrecido. Saiu do quarto e notou ruídos vindos da cozinha. Shiki estava preparando o chá. Minato já estava comendo na mesa. -Bom dia, Aniki! – Shiki exclamou contente. -Bom dia, Otouto. – Kohaku respondeu, sentando-se à mesa. -Nii-san, hoje eu irei fazer uma pesquisa na casa da Midori-chan. Tem problema? – Minato perguntou olhando o irmão mais velho. -Sem problemas. Ligue para mim quando chegar lá. -Para o seu trabalho? -Para o meu celular. – Kohaku tirou o aparelho do bolso. Buscou na agenda para ver qual era o número do telefone. Anotou num pequeno papel e repassou para o irmão. – Percebi que era uma boa idéia comprar um depois do acidente. – Justificou-se. -Uma ótima idéia, eu diria. – Minato olhou o número. – Também gostaria de ter um. -Eu também! – Shiki exclamou.
  39. 39. 39 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ -Calma, irmãos. – Kohaku riu o que fez os dois se olharem e rirem depois. – Verei as finanças, por hora apenas um celular nessa casa, certo? -Certo. – Minato e Shiki falaram juntos. -E se continuarem fazendo tudo corretamente e sendo obedientes, pode ser que tenham uma surpresa no final do mês. – Kohaku deu uma piscadela e os outros dois felicitaram-se entre si. Agora que, aparentemente, receberia dobrado, tanto pelo seu trabalho na KAMINAMI-E quanto na Parthenon, não faria mal extrapolar um pouco as apertadas finanças, certo? Sua mãe ficaria feliz ao ver que ele estaria atendendo o desejo de seus irmãos na medida do possível. Kohaku sorriu-se e levantou-se. Tudo parecia estar rumando para uma boa solução. Shiki saiu gritando um sonoro “Jaa!”, com seu uniforme de futebol pendurado sobre os ombros. Minato, contudo, permaneceu sentado. Parecia preocupado e Kohaku sentou-se ao lado dele. -O que aconteceu, Minato-kun? -Aniki,se eu falar uma coisa... Você promete não ficar chateado? -Difícil prometer sem saber o que é. -Err... Você está diferente, Aniki. – Minato falou isso e baixou a cabeça, como se tomado pela vergonha. -Diferente é ruim? – Kohaku falou pausadamente, tentando não transparecer nada. -Não, não é ruim. – Minato levantou a cabeça e olhou o irmão mais velho. – é só que... Vi que você voltou com uma moto. E agora o celular! Você é sempre comedido, até entendo que depois do que quer que tenha acontecido você tenha deixado de ser comedido, mas não sei... E... Eu não sei! Ah. Faz sentido. Kohaku pensou para si mesmo e fechou o semblante. De fato era muito fora de seu normal. Como explicar tudo o que acontecera? Não era nenhum um pouco simples. -Desculpe. – Minato baixou a cabeça de novo. -Não há razão para pedir desculpas. – Kohaku fez um cafuné na cabeça do irmão mais novo. – Olhe só, agora não posso lhe explicar isso. Mas, assim que eu puder explicar, falarei tudo. Confie em mim, é só o que peço.
  40. 40. 40 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ Minato olhou o irmão mais velho em silêncio. Kohaku engoliu seco. Reconhecia aquele olhar inquisitivo de Minato, era o mesmo olhar que sempre tinha quando era mais novo. Minato era, basicamente, uma versão mais nova dele mesmo, e como Kohaku se conhecia bem o suficiente para saber que essa resposta que dera não o calaria, mediu que Minato deveria estar pensando milhares de coisas. -Eu aceito essa resposta por hora, Aniki. Mas acho que você pode me responder melhor do que isso um dia desses. – Minato falou num tom baixo e obscuro. -Certo. Novamente, prometo explicar tudo quando eu puder. – Kohaku estendeu o dedinho e Minato fez o mesmo. -Duas promessas. Não as quebre, Aniki. – Minato sorriu. -Não as quebrarei, Otouto. – Kohaku sorriu. *** Uruwa andou pelas ruas de Shibuya bufando em chateação. Não notou as ganguros que se amontoavam a sua volta, ignorou as outras tantas mulheres que passavam ao seu lado e davam acenos discretos. Estava de mal humor. Não era bom estar de mal humor. O mundo tinha que mantê-lo entretido e contente. Era isso para que servia o mundo... Não era? Uruwa Tatsuma deveria estar feliz. Uruwa Tatsuma era o Kamen Rider, a esperança do mundo. Então deveria estar contente e confortável, como o próximo imperador do mundo. Simples, não é? Tatsuma afastou os pensamentos complexos de sua mente e continuou bufando silenciosamente pelas ruas. Esperava que seu celular tocasse logo, que fosse chamado para fazer algo incrível. Qualquer coisa. Parou e arrumou o cachecol de tons amarelo-mostarda e bordô. Olhou-se no espelho e arrumou a boina militar preta e seu cabelo castanho claro apareceu mais um pouco. Teria sorrido por se achar a criatura mais bonita do Japão, mas estava muito chateado para sorrir. Muito chateado mesmo.
  41. 41. 41 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ Quem aquele idiota pensava que era? Vindo de sabe-se lá onde. Foi atacado por um proto-inseto, aquele perdedor. E depois... Vira um Kamen Rider. Tatsuma deu um soco no ar pela frustração. Aquele idiota era um Zé-ninguém. Ele não deveria ter aparecido do nada e acabado com a vida de Tatsuma em menos de cinco minutos. Aquele grande perdedor! Esperava, sinceramente, que tudo isso fosse uma fase. Em breve voltaria a ser o único Kamen Rider. O Kamen Rider. O melhor de todos. Com isso foi até sua motocicleta, prata e azul Royal. A caixa com a inscrição Parthenon continua lacrada, não que houvesse alguma pessoa que conseguiria abrir a trava eletrônica. Somente ele, Uruwa Tatsuma, poderia abrir a maleta. Porque ele era Uruwa Tatsuma, o primeiro e único. *** Akatsuki surpreendeu-se com a quantidade de boas vindas e pessoas que ele achava que nem conhecia que estavam lhe fazendo cumprimentos ou lhe dando pequenos presentes de melhoras. Estava seguindo á risca as recomendações da doutora Tsukishiro e tomando os remédios prescritos, bem como deixando seu braço em uma tipóia. Mokuboshi parecia ser o mais preocupado. Quando viu a tipóia entrou em pânico, falou sobre um mês de férias e quase desmaiou. Mas Kohaku assegurou que era canhoto e que o braço direito não interferia em nada no andamento normal das coisas. -Mas foi um acidente, Akatsuki-kun! Você deveria estar em observação! – O homem parecia uma beterraba de tão vermelho. -Está tudo bem, Mokuboshi-dono. Eu estou bem. – Kohaku gesticulou com a mão esquerda tentando demonstrar que tudo estava bem. Com isso, Akatsuki voltou ao trabalho. Refez os trabalhos que foram destruídos e pegou mais alguns novos, finalizando tudo o que podia. Sentia-se na
  42. 42. 42 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ obrigação, depois de quase cinco dias sem trabalhar. Ainda mais com a preocupação de todos. Ele não merecia esse tipo de preocupação. -Akatsuki Kohaku-san. - Veio a voz feminina. Kohaku virou-se e viu uma moça de cabelos longos e pretos. Ela usava óculos de grau de armação fina e rosa. A franja escondia sua testa e dava-lhe uma aparência ainda mais jovem. Usava um terno cinza com riscas finas e rosas, que lhe dava uma aparência muito adulta, apesar de seu rosto pueril. -Como a polícia e o hospital em que você ficou já entregaram os documentos referentes ao acidente, você terá apenas que assinar um ou dois protocolos. Não tomarei muito do seu tempo. Akatsuki arqueou uma sobrancelha. Os agentes da Parthenon não mentiam. De fato havia resolvido tudo. Ele olhou os documentos e viu a descrição dos fatos. Havia sido abordado por criminosos, tentou evadir-se e foi atropelado. Que descrição estranha, ele nunca teria feito isso. Se era o que tinha encontrado como justificativa, tudo bem. Ao menos não era algo tão idiota como atravessar a rua com o sinal aberto para os veículos. Ele assinou e olhou a jovem mulher. -Pronto, Shimizu-san. – Akatsuki sorriu. -Certo. – Ela olhou os papéis. – E quando você vai começar a me chamar de “Saki”, Kohaku? -Desculpe. Saki. – Ele fez uma pequena reverência. -Ah. – Ela suspirou. – Isso nunca vai mudar mesmo. Podemos nos conhecer há vinte anos, mas você sempre vai ser muito polido. Como está o braço? -Bem melhor, Saki. Não dói tanto como antes, mas vou ficar com uma cicatriz. -Existem mulheres que gosta de cicatrizes. Assim você vai arrumar uma para casar em minutos. – Ela deu uma piscadela. – Minato-kun e Shiki-chan me ligaram desesperados no dia em que você se acidentou. Por sorte eu estava por perto e fiquei com eles naquele dia. -Minato não me falou isso. -Provavelmente ele acha que você brigaria com ele por ele ter me perturbado. – Saki falou de uma maneira séria e depois sorriu. – Você é tão polido que seus irmãos ficam com medo de depender dos outros. E eu cuidei deles nesses quatro dias da
  43. 43. 43 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ maneira que eu pude. Levei comida, fui vê-los quando saia aqui da KAMINAMI-E... Coisas assim. É sempre um prazer, vocês são da família. -Obrigado, Saki. – Kohaku fez uma reverência. – E desculpe qualquer incômodo. -Incômodo. É a isso que me refiro. – Saki bufou. – Nunca é incômodo. Gosto muito de vocês três. É um prazer, nunca um incômodo. -Muito obrigado. – Kohaku sorriu de leve. -Hoje saio mais cedo. – Saki olhou o relógio. – Farei um pequeno jantar para vocês, comemoração de boas vindas. -Não é necessário. – O rapaz agitou a mão esquerda. -Eu quero fazer. Eu quero te dar uma carona também. E eu faço o que eu quero, estamos entendidos? – Ela falou rispidamente. Akatsuki forçou um sorriso amarelo. Saki sempre era assim, totalmente cheia de certezas. Por isso ela combinava com o cago de advogada. Se ela falava uma coisa, não era de se surpreender que ninguém falasse o contrário. Mesmo sendo uma moça baixa, ela tinha uma opinião muito forte. -Seis da tarde eu vou tirar você desse cubículo e não quero ouvir reclamações, entendido? -Sim, Saki. – Kohaku balançou a cabeça afirmativamente. *** Uruwa ouviu o celular tocar. Finalmente alguma ação. Atendeu o celular com seu jeito espalhafatoso de costume. -Uruwa falando. -Uruwa-kun temos uma horda de proto-insetos perto de Tomigaya. – Era Watanabe falando do outro lado da linha. – Coordenadas enviadas. -Eu estou a caminho. – Uruwa desligou o celular e ligou a moto. – It’s show time! Dito isso acelerou a moto até o ponto das coordenadas. Passou alguns sinais vermelhos, nada que a Parthenon não arrumasse depois. Tudo o que importava era destruir os proto-insetos e voltar aos tempos de glória. Parou a moto e olhou o
  44. 44. 44 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ enorme letreiro do Bunkamura. Saiu de cima da motocicleta e viu o que pareciam ser mais de dez proto-insetos atacando os transeuntes que estavam correndo em pânico. A polícia não era de grande valia, também estava claramente em pânico. Uruwa colocou o dedo na trava e abriu a maleta. Estava a certa distância de toda a confusão, o suficiente para ninguém vê-lo e possibilitar que fizesse uma entrada espetacular. Colocou o Belt e passou o dedo sobre a pedra vítrea de um azul ultramar rico. A pedra cintilou. -Henshin! Uma luz branca tomou Uruwa. Ele abriu os olhos e viu a figura toda em prata e azul. Os olhos azuis pareciam faiscar. Tinham pontas longas que faziam o capacete da figura lembrar a cabeça de um dragão. A armadura prateada estava por cima do que pareciam escamas azuis escuras com um brilho furta-cor que davam á criatura uma aparência não-humana, quase como a de um Deus. -Ande, ande, ON. Temos dez buchas de canhão prontos para apanhar. A criatura virou-se lentamente para Tatsuma. Deu dois passos para frente. E parou em frente ao jovem de cabelos claros. -Uruwa... – A voz retumbante ecoou no espaço branco. – Tatsu-chan, você poderia aprender boas maneiras! – E com isso a criatura soou como se estivesse fazendo beicinho. -Sem tempo para boas maneiras. Temos que chutar uns proto-insetos! Com isso Uruwa já se via no meio da praça em frente ao Bunkamura. Começou a dar socos nos proto-insetos, fazendo-os cair um a um. Apertou o segundo botão e saltou usando um dos bancos da praça. Acertou um proto-inseto em cheio e conseguiu derrubar mais dois juntos. Os três se dissolveram em uma grande quantidade de massa esverdeada. O Rider agitou as mãos, jogando a matéria gelatinosa que tinha ficado entre seus dedos no chão. Andou lentamente até as outras criaturas. Elas começaram a se alvoroçar, como se estivessem assustadas. Tatsuma não ligou para as criaturas. Olhou para o lado e viu as pessoas que estavam escondidas atrás de árvores e outras que estavam no chão, tomadas pelo pânico. Apertou o primeiro botão do Belt e correu até as criaturas, pegando duas
  45. 45. 45 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ delas pelo pescoço e chocando a cabeça das duas, formando uma explosão de massa especa, somada a uma quantidade de partes que pareciam entranhas. Uma pessoa que estava mais perto deles gritou em horror pelo que vira. O Rider virou-se lentamente e olhou para pessoa. A moça que deveria ter pouco mais de dezesseis anos começou a se debater em terror e gritar a palavra “monstro”. Uruwa ignorou-a e com o que tinha de energia guardada num dos braços acertou um soco na cabeça de outra criatura que também se desmantelou. -Nojento. – Ele proferiu e agitou novamente a mão, jogando um tanto de massa no chão. As poucas criaturas que restaram começaram a correr em direções opostas. Tatsuma resmungou em voz alta e puxou uma espécie de pistola que estava presa ao cinto. Apontou para uma das criaturas e atirou, fazendo-a cair. Apontou para a segunda e acertou-a na cabeça. E acertou depois a terceira na perna. -Feito. – Uruwa proferiu e saiu andando até onde estava sua motocicleta. Chegando ao local, desligou ON e pegou o celular. Clicou os números e esperou que alguém atendesse. -Feito. Agora vocês limpam. – Uruwa falou. -Bom trabalho, Uruwa. – Veio a voz grave do outro lado da linha. -É o trabalho de um bom Rider, Yamada. Espero que respeite isso. -E respeito. – O homem riu. – Depois discutiremos isso, Tatsuma. -Não use meu primeiro nome tão levianamente, Kaname. -Eu riria, mas você falaria algo bem pior. Cuide-se, Uruwa. O telefone foi desligado primeiro por Uruwa. Ele deu um meio sorriso incógnito e fechou a maleta prateada. -Vamos ver quem tem o melhor Ride, Kamen Rider novato. *** Kohaku espirrou e os outros três o olharam. Ele baixou a cabeça como sinal de pedido de desculpas e Saki revirou os olhos.
  46. 46. 46 KAMEN RIDER ZS _________________________________________________________ -Você precisa tomar vitaminas. Assim vai ficar doente. – Saki proferiu. -Vou fazer isso. – Kohaku proferiu em voz baixa. -Bem, o tofu está pronto. E o peixe assado está pronto também. – Saki sorriu-se. – Vamos comer antes que esfrie! Minato e Shiki atacaram logo o assado de peixe. O Akatsuki mais velho pegou um bocado do tofu e sorriu para a amiga. -Itadaikimasu! – Shiki e Minato falaram juntos e começaram a comer. Saki limitou-se a rir e Kohaku a acompanhou. Era bom sentir-se em casa, como uma família normal. Era quase como se nunca nada de ruim tivesse acontecido aos Akatsuki. Claro que volta e meia as lembranças viessem os perturbar. Kohaku parou de comer por um momento e olhou o vazio. De fato, sentia- se muito mal por ter que estar mentindo a respeito dos últimos acontecimentos. Todos estavam tão preocupados com ele... Era como se estivesse traindo todos de quem gosta tanto. Saki tocou de leve seu braço direito e olhou o outro, claramente preocupada. -O que houve? – Ela falou delicadamente. -Só estava pensando. – Kohaku deu um meio sorriso e colocou um pouco do assado na boca. A moça suspirou e olhou para o teto. -Akatsuki Kohaku, tanto para dizer, mas nunca com vontade suficiente para falar. – Ela proferiu e olhou o outro. Ele quis falar alguma coisa, contudo conteve-se. Saki estava certa. Mas era melhor não arruinar aquela noite. “Ouve-me Atena donzela indomável de Zeus poderoso! Se hás em verdade ajudado a meu pai nas batalhas cruentas mostra-te –ó deusa– também generosa no transe em que me acho. Faz que com minha lança consiga atingir o indivíduo que me asseteou em primeiro lugar e ora ufano assevera que a luz fulgente do sol não hei-de gozar muito tempo.” Ilíada – Homero QUINTA RAPSÓDIA: ABORRECIMENTOS - FIM -

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