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ARTE LITERÁRIA
       ●       Arte (Latim Ars, significa técnica e/ou habilidade) geralmente é entendida
como a atividade humana ligada a manifestações de ordem estética, feita por artistas a partir
de percepção, emoções e ideias, com o objetivo de estimular essas instâncias de consciência
em um ou mais espectadores, dando um significado único e diferente para cada obra de arte.
Toda arte é uma representação/ imitação da realidade (Mimese da realidade).1 Arte é um
fenômeno cultural. Regras absolutas sobre arte não sobrevivem ao tempo, mas em cada
época, diferentes grupos (ou cada indivíduo) escolhem como devem compreender esse
fenômeno.
●      REALIDADE X FICÇÃO (construção de uma realidade/ p. 04).

●      DEFINIÇÕES DE ARTE (P. 05).

●      A definição de arte varia de acordo com a época e a cultura. Pode ser separada ou não
       em arte rupestre, como é entendida hoje na civilização ocidental, do artesanato, da
       ciência, da religião e da técnica no sentido tecnológico.
●       Assim, entre os povos ditos primitivos, a arte, a religião e a ciência estavam juntas na
        figura do xamã, que era artista (músico, ator, poeta, etc.), sacerdote e médico.
        Originalmente, a arte poderia ser entendida como o produto ou processo em que o
        conhecimento é usado para realizar determinadas habilidades, em determinada
        cultura. A produção literária de um povo, seja em uma ou em várias de suas
        manifestações como a dança, a pintura, a escultura, a música, o desenho, a
        arquitetura, a fotografia, o cinema, a literatura oral e escrita, faz parte do conjunto de
        atividades a que damos o nome de cultura. (p. 05)
●      Os gregos, na época clássica (século V a.C.) , entendiam que não existia a palavra arte
       no sentido que empregamos hoje, e sim "tekné", da qual originou-se a palavra "técnica"
       nas línguas neolatinas. Para eles, havia a arte, ou técnica, de se fazer esculturas,
       pinturas, sapatos ou navios. Neste sentido, é a acepção ainda hoje usada no termo
       artes marciais.




    1 Mimesis ou mimese, simplificando, significa imitação ou representação em grego. Tanto Platão quanto
Aristóteles viam, na mimesis, a representação da natureza. Contudo, para Platão toda a criação era uma imitação,
até mesmo a criação do mundo era uma imitação da natureza verdadeira (o mundo das ideias). Sendo assim, a
representação artística do mundo físico seria uma imitação de segunda mão. Já Aristóteles via o drama como sendo a
“imitação de uma ação”, que na tragédia teria o efeito catártico. Como rejeita o mundo das ideias, ele valoriza a arte
como representação do mundo. Esses conceitos estão no seu mais conhecido trabalho, a Poética. Catarse significa
"purificação", "evacuação" ou "purgação". Segundo Aristóteles, a catarse refere-se à purificação das almas por meio
de uma descarga emocional provocada por um drama.
●      No sentido moderno, também podemos incluir o termo arte como a atividade
artística ou o produto da atividade artística. Tradicionalmente, o termo arte foi utilizado para se
referir a qualquer perícia ou maestria, um conceito que terminou durante o período romântico,
quando arte passou a ser visto como "uma faculdade especial da mente humana para ser
classificada no meio da religião e da ciência".
      ●      A arte existe desde que há indícios do ser humano na Terra. Ao longo do tempo, a
função da arte tem sido vista como um meio de espelhar nosso mundo (naturalismo), para
decorar o dia a dia e para explicar e descrever a história e os diversos eus que existem dentro
de um só ser (como pode ser visto na literatura) e para ajudar a explorar o mundo e o próprio
homem. Estilo é a forma como a obra artística se mostra, enquanto que Estética é o ramo da
Filosofia que explora a arte como fundamento.
      ●      Uma obra artística só se torna conhecida quando algo a faz ficar diante de um dos
sentidos do ser humano. Os avanços tecnológicos contribuem de uma forma colossal para criar
acessibilidade entre a pessoa que deseja desfrutar da arte e a própria arte. A pessoa e a obra
se unem então, por diversos meios, como os rádios (para a música), os museus (para pinturas,
esculturas e manuscritos), e a televisão, que talvez seja, entre esses itens citados, o que mais
capacidade tem para levar a obra artística a um número grande de interessados, por utilizar
diversos sentidos (visão, audição) e por utilizar também satélite. A própria Internet é fonte de
transmissão entre a obra e o interessado, com sites que distribuem E-books e por softwares
especializados em conectar o computador do usuário a uma rede com diversos outros
computadores.
      ●      Entretanto,   exploradores,    comerciantes,   vendedores e     artistas   de público
(palhaços, malabaristas, ator, etc.) também costumam apresentar ao público as obras, nos
mais diversos lugares, de acordo com suas funções. A arqueologia transmite ideias de outras
culturas; a fotografia é uma forma de arte e está acessível por todos os cantos do mundo; e
também por almanaques, enciclopédias e volumes em geral é possível conhecer a arte e sua
história. A arte não se restringe apenas a uma escultura ou pintura, mas também à música, ao
cinema, à dança, etc.
      ●      O ser que faz arte é definido como o artista. O artista faz arte segundo seus
sentimentos, suas vontades, seu conhecimento, suas ideias, sua criatividade e sua
imaginação, o que deixa claro que cada obra de arte é uma forma de interpretação da vida,
um conhecimento de mundo.
      ●      A inspiração seria o estado de consciência que o artista atinge. A percepção, a
razão e a emoção encontram-se combinados de forma a realizar as melhores obras. Seria o
insight de algumas teorias da psicologia.
          Alguns sentidos da Arte.
             ●     Arte: representação do Belo (p. 05)
●     Na Antiguidade: harmonia e proporção entre as formas (modelo de
      perfeição);
      ●       No século XIX: O Romantismo adota o sentimento, a imaginação e a emoção
como fórmula da criação artística;
      ●       No século XX em diante: deixa de ser apenas representação do Belo e passa a
expressar também o movimento, a luz, o cromatismo ou a interpretação geométrica das
formas existentes. Na Psicologia, pôde até representar o inconsciente humano. Assim, a arte
pode ser entendida como permanente recriação de uma linguagem. Pode ser uma
provocação, espaço de reflexão e de interrogação (relação entre o observador e o objeto
observado).
      ●       Arte: reflexo do artista (ideologia/ idiossincrasia – ideais, modo de ver e
compreender o mundo); (p. 06)
      ●       Obra: expressão da época, da cultura (processo histórico/diacrônico)


      OS AGENTES DA PRODUÇÃO ARTÍSTICA (P. 07)
      ●       Contexto de produção (Condições de Produção)– pistas sobre seu significado e
intenções de seu produtor/enunciador, intencionalidade literária/artística/discursiva;
      ●       Escolhas que realiza: indícios reveladores do contexto de uma dada “realidade”;
      ●       O artista promove um diálogo com seus contemporâneos e lhes propõe uma
reflexão sobre o contexto em que estão inseridos;
      ●       Toda obra de arte interage com um público, o interlocutor. Este “participa” da
construção dos sentidos expressos na obra.
      ●       Toda obra se manifesta em determinada linguagem com estrutura própria.
      ●       Agentes de criação: o artista (tem função social/representa o social), o contexto
social, o público-alvo, a linguagem, a estrutura e o contexto de circulação revelam muito de
uma obra de arte.


                                       O QUE É LITERATURA?

      ●       A palavra Literatura vem do latim "litteris" que significa "Letras", e
possivelmente uma tradução do grego "grammatikee". Em latim, literatura significa uma
instrução ou um conjunto de saberes ou habilidades de escrever e ler bem, e se
relaciona com as artes da gramática, da retórica e da poética. Por extensão, se refere
especificamente à arte ou ofício de escrever de forma artística. O termo Literatura também é
usado como referência a um corpo ou um conjunto escolhido de textos como, por exemplo, a
literatura médica, a literatura inglesa, literatura portuguesa, literatura japonesa etc.
●      A arte que utiliza a palavra como matéria-prima de suas criações é
chamada de literatura. Ela existe há milênios. Entretanto, sua natureza e suas funções (papel
que a literatura desempenha nas sociedades) continuam objeto de discussão principalmente
para os artistas, seus criadores. (p. 09)
      ●      O homem, como ser histórico, tem anseios, necessidades e valores que se
modificam constantemente. Suas criações ‒ entre elas a literatura ‒ refletem seu modo de ver
e de estar no mundo. Assim, ao longo da história, a literatura foi concebida de
diferentes maneiras. Mesmo os limites entre o que é e o que não é literatura variaram com
o tempo. Vejamos algumas funções do texto literário: (p. 9-10)


      ●      A literatura nos faz sonhar (descanso para os problemas cotidianos, espaço de
sonho e fantasia);
      ●      A literatura provoca reflexões (responde a perguntas que inquietam o Homem);
      ●      A literatura diverte (crônicas, por exemplo);
      ●      A literatura e a construção de nossa identidade (história coletiva/social/nacional);
      ●      A literatura nos “ensina a viver” (humanização do homem);
      ●      A literatura denuncia a realidade (valorização dos direitos humanos).
      ●      Literatura e engajamento político (consciência política).




                                    LITERATURA E REALIDADE


      As obras literárias ao utilizar a palavra, recria a realidade, a vida. Essa definição focaliza
dois aspectos opostos, mas complementares, da arte literária: criação e representação.
      Por um lado ela é invenção. O autor/artista/enunciador cria uma realidade imaginária,
fictícia, verossímil2. Mas o universo da ficção mantém relações vivas com o mundo real. Nesse
sentido, a literatura é imitação da realidade. (p. 11)
      Frequentemente os autores utilizam fatos de suas vidas como matéria de literatura. São
as chamadas confessionais. Mesmo nesses casos, não devemos entender os texto como
simples biografias. Os fatos pessoais são apenas parte da matéria literária, o ponto de partida.
Entre o que o autor viveu ou sentiu e a obra existem todas as mediações da invenção, da




   2 Atributo daquilo que parece intuitivamente verdadeiro, isto é, o que é atribuído a uma realidade
portadora de uma aparência ou de uma probabilidade de verdade, na relação ambígua que se estabelece
entre imagem e ideia.
imaginação. Há, sobretudo, o trabalho criativo com a palavra, que pode ser em versos ou em
prosa3.




      PARA QUE SERVE A ARTE? PARA QUE SERVE A LITERATURA?

      Variam com o tempo e com as pessoas para se responder a essas perguntas.
Evidentemente, a função de uma obra literária depende dos objetivos e das intenções do
autor. Mas os leitores também têm maneiras diferentes de ler e são levados a abrir um livro
por motivos diferentes. Alguns buscam na literatura apenas um divertimento sem grandes
consequências para a vida; outros, um instrumento de transformação e de aperfeiçoamento. Já
outros esperam que seja um veículo de análise e de crítica em relação à sociedade e à vida.
      A literatura é uma arte verbal, isto é, seu meio de expressão é a palavra, mas esta
não é privilégio do escritor, pois ela serve como forma de expressão para todas as
pessoas. No entanto, há uma diferença entre a linguagem literária e a linguagem usada na
comunicação diária. Essa diferença reside no trabalho criativo do escritor durante a
elaboração de seus textos, na sua capacidade de criar mensagens que podem ser lidas ou
interpretadas de diferentes modos, conforme o nível de leitura do leitor, não podendo
esquecer que a leitura é um processo ativo de atribuição de sentido a um texto.
      Conotação (sentido conotativo ou figurado): É quando as palavras não são empregadas
no sentido costumeiro, mas, ao contrário, fazem o leitor parar e refletir, despertando nele
outras ideias. O uso literário das palavras promove a multiplicação dos sentidos e, assim,
permite que o texto sofra diferentes leituras e interpretações. O uso conotativo da linguagem
faz com que as palavras ganhem novos/diferentes significados (Plurissignificação) e
produzam interessantes efeitos de sentido.
      Denotação (sentido denotativo ou literal): É quando queremos deixar bem claro a
mensagem, tal como vem registrado nos dicionários.
      ●      Texto literário: predomina a função poética, pois apresenta a linguagem
centrada nas emoções do observador e a preocupação intencional com o modo de expressá-

   3 As características mais evidentes de um texto escrito em prosa são a organização linear e
a sua divisão em parágrafos ‒ enunciados de sentido completo ‒ compostos de frases, orações e
períodos. Já o poema é a forma de linguagem organizada em versos ‒ cada uma das linhas do poema ‒ e
em estrofes ‒ um conjunto de versos. Poesia, além de se referir à arte poética, é o nome que se dá ao
conjunto da produção em versos de um poeta. Mais do que forma, poesia significa um contexto rico de
encanto, de emotividade.
las. A esse tipo de linguagem chamamos de literária. O enunciador retrata a realidade de
forma subjetiva, o que importa é o modo como o autor explora a sonoridade e a
expressividade das palavras. Não há preocupação de caracterizar cientificamente, nem de
oferecer dados objetivos sobre a realidade.
       ●       Texto não literário: Há o predomínio da função informativa e/ou científica e,
como tal, pretende apenas informar, explicar, documentar. A linguagem empregada é
predominantemente objetiva, o mais importante é a transmissão precisa de informações;
fundamenta-se em fatos históricos, concretos, dados estatísticos, científico. Trata-se de uma
linguagem não literária.


       O TEXTO LITERÁRIO APRESENTA:


       -Ficcionalidade: os textos não fazem, necessariamente, parte da realidade.
       - Função estética: o artista procura representar a realidade a partir da sua visão
(subjetiva).
       - Plurissignificação: nos textos literários as palavras assumem diferentes significados.
       - Intertextualidade: um autor faz referência a outro (a outros) texto (s), com o
objetivo de apoiar o que já foi dito ou de dizer algo totalmente diferente, de criticar um ponto
de vista, uma visão de mundo. Inclui os textos verbais e não verbais e pode ser explícita ou
implícita.
       - Polifonia: os textos são essencialmente polifônicos, isto é, são atravessados por uma
multiplicidade de vozes: uma voz privilegiada, a do locutor principal, que vai incorporando
outras, quando temos citações diretas e indiretas, individuais e coletivas.
       - Subjetividade: expressão pessoal de experiências, emoções e sentimentos.


       As obras literárias são divididas em escolas literárias, pois cada obra apresenta um
estilo de época (p.60), ou seja, um conjunto de características formais e de seleção de
conteúdo evidente na obra de escritores e poetas que viveram em um mesmo momento. Já o
uso particular que um escritor ou poeta faz dos elementos que distinguem uma estética define
o estilo individual de um autor, sempre marcado pelo olhar específico que dirige aos temas
característicos de um período e pelo uso singular que faz dos recursos de linguagem
associados a uma determinada estética literária. As escolas literárias são: Trovadorismo;
Classicismo;     Barroco;   Arcadismo;    Romantismo;     Realismo/Naturalismo;    Simbolismo;
Modernismo.
       Há um momento de transição entre o Trovadorismo e o Classicismo conhecido como
Humanismo, e muitos críticos literários afirmam que ainda exista um estilo de época
denominado Pós-Modernismo.
FUNÇÕES DA LINGUAGEM


      Toda linguagem tem um objetivo. A linguagem verbal, por sua vez, tem alguns objetivos
muito claros e por isso devem ser estudados para que possamos melhor entendê-la e utilizá-la.
      Vejamos primeiramente como funciona o sistema de comunicação, utilizando a
linguagem verbal.
      - Aquele que emite a mensagem, codificando-a em palavras chama-se
EMISSOR.
      - Quem recebe a mensagem e a decodifica, ou seja, apreende a ideia, é chamado
de RECEPTOR.
      - Aquilo que é comunicado, o conteúdo da comunicação é chamado de
MENSAGEM.
      - CÓDIGO é o sistema linguístico escolhido para a transmissão e recepção da
mensagem.
      - REFERENTE, por sua vez, é o contexto em que se encontram o emissor e o
receptor.
      - O meio pelo qual esta mensagem é transmitida é nomeado CANAL.

      SÃO SEIS AS FUNÇÕES BÁSICAS DA LINGUAGEM VERBAL:



          •   Referencial = (ênfase no referente / contexto)


          •   Emotiva ou expressiva (ênfase no emissor)


          •   Apelativa ou Conativa = (ênfase no receptor)


          •   Fática = (ênfase no canal)


          •   Metalinguística = (ênfase no código)

          •   Poética = (ênfase na mensagem)
      •

      1)      Função Emotiva/Expressiva
      •       É centralizada no emissor. Como o próprio nome já diz, tem o papel de exprimir
emoções, impressões pessoais a respeito de determinado assunto . Por esse motivo ela
normalmente vem escrita em primeira pessoa e de forma bem subjetiva/ pessoal. Em textos
que utilizam a função emotiva há uma presença marcante de figuras de linguagem,
mensagens subentendidas, elementos nas entrelinhas, etc.
•      Os textos que mais comumente se utilizam desse tipo de linguagem são as
cartas, as poesias líricas, as memórias, as biografias, entre outros.
      •

      2)     Função Referencial/Denotativa
      •      Contrariamente à emotiva, esse tipo de linguagem é centralizado no receptor.
Como seu foco seja transmitir a mensagem da melhor maneira possível, a linguagem utilizada
é objetiva, recorrendo a conceitos gerais, vocabulário simples e claro, ou, dependendo do
público alvo, vocabulário que melhor se ajuste a ele. É chamada de denotativa devido à
objetividade das informações, à clareza das ideias. Há uma prevalência do uso da terceira
pessoa, o que torna o texto ainda mais impessoal. Centra-se na informação e transmite dados
da realidade ao interlocutor de forma direta, objetiva, sem ambiguidade.
      •      Os textos que normalmente fazem uso dessa função são os textos jornalísticos,
dissertativos, técnicos, instrucionais e os científicos.
      •
      3)     Função Apelativa/Conativa
      •
      •      Como sugere a nomenclatura, essa função serve para fazer apelos, pedidos,
súplicas para comover, persuadir ou convencer alguém a respeito do que se diz .
Centralizada no receptor, procura influenciá-lo em seus pensamentos ou ações. É bastante
frequente o uso da segunda pessoa, dos vocativos e dos imperativos.
      •      Para tentar persuadir o destinatário, é preciso, antes de mais nada, falar a língua
dele, apelar para exemplos e argumentos significativos em relação a sua classe social, a sua
formação cultural, a seus sonhos e desejos.
      •      Essa função é aplicada particularmente nas propagandas ou outros textos
publicitários, e também em campanhas sociais, com o objetivo de comover o leitor.
      •
      4)     Função fática
              •
      •      Centraliza-se no canal. Tem o objetivo de            estabelecer um contato ou
comunicação com o destinatário, prolongando uma comunicação ou então testando o canal
com frases do tipo “Veja bem”ou “Olha...” ou “Compreende?”, não necessariamente com uma
carga semântica aparente. O mesmo acontece com o famoso “Plim! Plim!” da Rede Globo. Na
verdade, o “Plim! Plim!” tem a função específica de chamar a atenção do telespectador (que
se distraiu durante o intervalo comercial) para o canal, no caso, a televisão.
      •      É utilizada em saudações, cumprimentos do dia a dia, expressões idiomáticas,
marcas orais, etc.
      •
      5)     Função poética
              •
•      Caracteriza-se basicamente pelo uso de linguagem figurada, metáforas e demais
figuras de linguagem, rima, métrica, etc. É semelhante à linguagem emotiva, sendo que não
necessariamente revela sentimentos ou impressões a respeito do mundo.
      •      A intenção do produtor do texto está voltada para a própria mensagem, para uma
especial arrumação das palavras, quer na escolha, quer na combinação delas, quer na
organização sintática da frase. Num texto poético, você pode encontrar também as demais
funções da linguagem, mas o valor da poesia reside exatamente no trabalho realizado com a
própria mensagem.
      •      Importante é perceber que a função poética não é exclusiva da poesia: você
poderá encontrá-la em textos escritos e em prosa, em anúncios publicitários e mesmo na
linguagem cotidiana. Nesses casos, ela não será a função dominante.
      •      Como se pode constatar, essa função é aplicada em poesias, músicas e algumas
obras literárias.
      6)     Função metalinguística
      •

      •      Esta última função está presente principalmente em dicionários. Caracteriza-se
por trazer consigo uma explicação da própria língua. Nos textos verbais, o código é a língua.
Quando usamos a língua para explicar a própria língua, ocorre metalinguagem. Pode ocorrer
esta função da linguagem também em poesias, obras literárias, etc.

      •      A preocupação do emissor está voltada para o próprio código utilizado, ou seja, o
código é o tema da mensagem ou é utilizado para explicar o próprio código. Ocorre quando o
código é posto em destaque, ou seja, usa-se o código linguístico para transmitir aos receptores
reflexões sobre o próprio código linguístico. Bons exemplos da função metalinguística são as
aulas de línguas, gramáticas, o dicionário, um livro convertido em filme, uma pintura que
mostra o próprio artista executando a tela, um poema que fala do ato de escrever, ao longo de
um texto, expressões como «isto é», «ou seja», «quer dizer» são exemplos desta função.
      •

      o      Qual objetivo do seu texto?

      •      Por meio da linguagem, também realizamos diferentes ações: transmitimos
informações, tentamos convencer o outro a fazer (ou dizer) algo, assumimos compromissos,
ordenamos, pedimos, demonstramos sentimentos, construímos representações mentais sobre
nosso mundo, enfim, pela linguagem organizamos nossa vida do dia a dia, em diferentes
aspectos.
      •      Diferenciar que objetivo predomina em cada situação de comunicação auxilia a
compreender melhor o que foi dito.
•        As    funções       da     linguagem         estão      centradas        nos   elementos   da
comunicação. Toda comunicação apresenta uma variedade de funções, mas elas se
apresentam hierarquizadas, sendo uma dominante, de acordo com o enfoque que o
destinador/emissor quer dar ou do efeito que quer causar no recebedor/receptor.
       •        Exemplos/Explicações:
       •
       •        Compare os dois textos a seguir:


       •        “Não só baseado na avaliação do Guia da Folha, mas também por
iniciativa própria, assisti cinco vezes a “Um filme falado”. Temia que a crítica brasileira
condenasse o filme por não se convencional, mas tive uma satisfação imensa quando li
críticas unânimes na imprensa. Isso mostra que, apesar de tantos enlatados, a nossa
crítica é antenada com o passado e o presente da humanidade e com as coisas que
acontecem no mundo. Fantástico! Parabéns, Sérgio Rizzo, seus textos nunca me
decepcionam.”

       •        Luciano Duarte. Guia da Folha, 10 a 16 de junho 2005.
       •

       •        ****UM FILME FALADO - Idem. França/Itália/Portugal, 2003. Direção:
Manoel de Oliveira. Com: Leonor Silveira, John Malkovich, Catherine Deneuve, Stefania
Sandrelli e Irene Papas. Jovem professora de história embarca com a filha em um cruzeiro
que vai de Lisboa a Bombaim. 96 min. 12 anos. Cinearte 1, desde 14. Frei Caneca
Unibanco Arteplex7, 13h, 15h10, 17h20, 19h30 e 21h50.
       •

               Função emotiva
       
       •        No primeiro texto, o destinador usa alguns procedimentos que não aparecem no
texto B, tais como, emprego de 1ª pessoa: assisti, temia, tive, li (eu), destaque para
qualidades subjetivas por meio de adjetivos (satisfação imensa, críticas unânimes, fantástico),
advérbios (nunca me decepcionam), uso de recursos gráficos que indicam ênfase, como o
ponto de exclamação (fantástico!).
       •        O efeito que resulta é o destaque para a subjetividade do emissor, sua adesão
ao conteúdo que informa. Não é o fato, mas o ponto de vista do emissor que está em
destaque, sua percepção dos acontecimentos. Nesse exemplo, temos o enfoque no emissor e
a função predominante nesse texto é a função emotiva ou expressiva.
       •

               Função referencial
       
•       No segundo texto, outros procedimentos são colocados em destaque: uso da 3ª
pessoa, explicitado no trecho: jovem professora de história (ela), ausência de adjetivos (a
indicação de que o filme é bom aparece na quantidade de estrelinhas, quatro indica muito
bom), ausência de expressões que indicam a opinião do emissor, como eu acho, eu desejo,
emprego de um conjunto de informações que diz respeito a coisas do mundo real, tais como a
exatidão dos horários, o endereço, os nomes próprios.
        •       Esse     conjunto       de   informações     dá    ao    destinador   a   impressão   de
objetividade, como se a informação traduzisse verdadeiramente o que acontece no mundo
real. Nesse caso, a função predominante é a função referencial ou informativa.
        

               Função conativa
        



        •       RESERVA CULTURAL

        •       ocê nunca viu cinema assim. Não perca a retrospectiva especial de
inauguração, com 50% de desconto, apresentando cinco filmes que foram sucesso de
público. E, claro, de crítica também.
        •

        •       Nesse texto, o destaque está no destinatário. Para isso o emissor se valeu de
procedimentos como o uso da 2ª pessoa (tu, ou, no caso do português brasileiro, você), o uso
do imperativo (Não perca). O resultado é a interação com o destinatário procurando convencê-
lo a realizar uma ação: ir ao espaço cultural. Espera-se como resposta que o destinatário
realiza a ação.
        •       Os textos publicitários em geral procuram convencer ou persuadir o destinatário a
dar uma resposta, que pode ser a mudança de comportamento, de hábitos, como abrir conta
em banco, frequentar determinados tipos de lugares ou consumir determinado produto. Nesse
tipo de texto, o foco está no destinatário e o predomínio é da função conativa ou apelativa.

               Função fática
        •
        •       Em um outro tipo de situação muito comum na conversação cotidiana, o
emissor usa procedimentos para manter o contato físico ou psicológico com o interlocutor,
como em alô!, ao iniciar uma conversa telefônica, ou fórmulas prontas para dar continuidade à
conversa como em ahan, uh, bem, como?, pois é ou em está me ouvindo?, para retomar o
contato telefônico. Esse tipo de mensagem que serve para manter o contato, para sustentar
ou "encompridar" ou interromper a conversa põe em destaque o canal de comunicação tem
como função predominante a função fática.
        •

               Função metalinguística
•
      •      Já outros textos que têm como objetivo falar da própria linguagem, como em o
que você está querendo dizer?... ou em que o emissor quer precisar, esclarecer, o que está
dizendo, como em eu quis dizer... bem... quero dizer que essa palavra poderia ser substituída
por outra mais precisa, que desse a entender que...".
      •      Nesse exemplo, o predomínio da mensagem é da função metalinguística. Fazemos
uso de metalinguagem, ao preencher um exercício de palavras cruzadas ou consultar um
dicionário. Nessas situações, estamos nos atendo ao próprio código, isto é, estamos usando a
linguagem (o código) para falar, explicar, descrever o próprio código linguístico.
      •

            Função poética


                                          •        Tecendo a manhã
                                      João Cabral de Melo Neto

                             •         Um galo sozinho não tece uma manhã:
                              ele precisará sempre se outros galos.
                              De um que apanhe esse grito que ele
                                 e o lance a outro; de um outro galo
                              que apanhe o grito que um galo antes
                                 e o lance a outro; e de outros galos
                             que com muitos outros galos se cruzem
                                 os fios de sol de seus gritos de galo,
                            para que a manhã, desde uma tela tênue,
                                 se vá tecendo, entre todos os galos.
      •
      •

      •      Aqui, temos um texto em que a função se centra na própria mensagem, como
se o conteúdo fosse transparente, a mensagem chama a atenção para o lado material do
signo, como a sonoridade (veja a repetição da vogal a e dos sons nasais), a estrutura, o
ritmo. Observe que há rupturas no modo como a frase normal se organizaria (3º verso: esse
grito que ele/ 4º verso: e o lance a outro). Experimente fazer a seguinte leitura: 2º verso
termina com galos, 4º verso começa com e o lance a outro, 4º verso termina com galo, 6º
verso começa com e o lance a outro, 7º verso termina com cruzem, 9º verso começa com para
que a manhã. É possível perceber a teia se tecendo, nas próprias palavras?
      •      O efeito é de estranhamento, de novidade, pela exploração dos vários elementos
do signo. É importante lembrar que, embora a função poética esteja mais presente na poesia,
não é exclusividade da literatura. A linguagem da publicidade explora os recursos dos signos,
construindo novos sentidos ao romper com o modo tradicional como vemos as palavras.

                                                        •
•      FIGURAS DE LINGUAGEM
       •

       •    As figuras de linguagem ou de estilo são empregadas para valorizar o texto,
tornando a linguagem mais expressiva. São um recurso linguístico para expressar de formas
diferentes experiências comuns, conferindo originalidade, emotividade ao discurso, ou
tornando-o poético.

       •    As figuras revelam muito da sensibilidade de quem as produz, traduzindo
particularidades estilísticas do autor. A palavra empregada em sentido figurado passa a
pertencer a outro campo de significação, mais amplo e criativo.

       •    As figuras de linguagem classificam-se em: figuras de palavra; figuras de
pensamento; figuras de harmonia ou sonoras e figuras de construção ou sintaxe.

       •

                             •        FIGURAS DE PALAVRAS OU TROPOS

                                                  •

       •    Consistem    no      emprego   de   um     termo   com   sentido   diferente   daquele
convencionalmente empregado, a fim de se conseguir um efeito mais expressivo na
comunicação.

       •

   •   Metáfora – É uma comparação abreviada, que dispensa o uso dos conectivos (=
conjunções) comparativos. É uma comparação mental/subjetiva. Normalmente vem com o
verbo de ligação claro ou subentendido na frase.

                         •        Exemplos:

                         •        ...a vida é cigana

                         •        É caravana

                         •        É pedra de gelo ao sol (Geraldo Azevedo e Alceu Valença)

                         •

   •   Comparação/Símile – Consiste em aproximar dois elementos que se identificam,
ligados por conectivos comparativos explícitos: como, tal qual, tal como, que, que nem.
Também alguns verbos estabelecem a comparação: parecer, assemelhar-se e outros.

           •   Exemplos:

           •   Estava mais angustiado que um goleiro na hora do gol, quando você entrou em
   mim como um sol no quintal (Belchior)

           •

   •   Catacrese – É o emprego de um termo em lugar de outro para o qual não existe uma
designação apropriada.

           •   Exemplos:

           •   Folha de papel

           •   Braço de poltrona

           •   Céu da boca

           •   Pé da montanha

       •       Boca da noite

       •       O barco descia tranquilamente o leito do rio ao pé da montanha.

           •

   •   Sinestesia – Consiste na fusão harmônica de, no mínimo, dois dos cinco sentidos
físicos.

       •       Exemplo: Vem da sala de linotipos a doce (paladar) música (audição) mecânica.
(Carlos Drummond de Andrade)

       •       A fusão de sensações físicas e psicológicas também é sinestesia: “ódio amargo”, “
alegria ruidosa”, “paixão luminosa”, “indiferença gelada”.

       •

       •       Exemplo: Tocava uma valsa que era boa, deixando aquele gosto de tristeza no
ar. (Mário de Andrade).
•    Antonomásia – Consiste em substituir um nome próprio por uma qualidade, atributo ou
circunstância que individualiza o ser e notabiliza-o.

        •       Exemplos: O herói manchego (= Dom Quixote de La Mancha, da Espanha); O
filósofo de Genebra (= Calvino); O águia de Haia (= Rui Barbosa)

            •   Em pedra-sabão, o Aleijadinho esculpiu a história de uma época. (Aleijadinho=
  Antônio Francisco Lisboa)

            •


   •    Metonímia – Consiste na troca de uma palavra por outra, de tal forma que a palavra
empregada lembra, sugere e retoma a que foi omitida.

        •       Exemplos: O fazendeiro se esquece dos suores (fadigas, cansaços) quando vê as
tulhas a transbordar e a fazenda prosperar.

        •       Leio Graciliano Ramos (livros, obras).               Bebi um Martini
  (vermute)

        •       Comprei um panamá (chapéu do Panamá)

            •


       • Alguns autores, em vez de metonímia, classificam como sinédoque quando se têm a
parte pelo todo e o singular pelo plural.

            •   Exemplos:

            •   A cidade inteira viu assombrada, de queixo caído, o pistoleiro sumir de
  ladrão, fugindo nos cascos de seu cavalo. (singular pelo plural). (José Cândido de
  Oliveira).

            •   Corra, não pare, não pense demais, repare essas velas no cais. (a parte
  pelo todo). (Geraldo Azevedo/ Alceu Valença).

            •

                               •      FIGURAS DE HARMONIA/SONORAS

                                                   •

        •       Chama-se figuras de som ou de harmonia os efeitos produzidos na linguagem
quando há repetição de sons ou, ainda, quando se procura imitar sons produzidos por coisas
ou seres. As figuras de harmonia ou de som são: aliteração, assonância, paranomásia,
onomatopeia.

        •

    •   Aliteração - Consiste na repetição do mesmo fonema consonantal, geralmente em
posição inicial da palavra. Exemplo: Vozes veladas veludosas vozes volúpias dos violões, vozes
veladas. (Cruz e Sousa)

        •

    •   Assonância – Consiste na repetição do mesmo fonema vocálico ao longo de um verso
ou poesia.

            •   Exemplo:

                •    Sou Ana, da cama,

    •   Da cana, fulana, bacana

    •   Sou Ana de Amsterdam (Chico Buarque)

            •
•       Paronomásia – o emprego de palavras parônimas (sons parecidos).
        •       Ex: "Com tais premissas ele sem dúvida leva-nos às primícias" (Padre Antônio
Vieira)

        •

•       Onomatopeia – Consiste na imitação aproximada de um ruído ou som produzido por
seres animados e inanimados. Os verbos que exprimem os sons são considerados
onomatopaicos, como cacarejar, tiquetaquear, miar, etc.
        •

                                    •    FIGURAS DE PENSAMENTO

                                                  •

        •       As figuras de pensamento são recursos de linguagem que se referem ao
significado das palavras, ao seu aspecto semântico.

        •       Antítese – Consiste na aproximação de palavras de sentido oposto, isto é, no
emprego de termos com significados antagônicos.

         •   Exemplo:

     •       Quando um muro separa

     •       Uma ponte une

     •       Se a vingança encana

     •       O remorso pune

     •       Você vem me agarra, alguém

     •       Vem me solta

     •       Você vai na marra, ela

     •                                    Um dia volta. (Paulo César Pinheiro)
•

   •   Paradoxo - Consiste na aproximação não apenas de palavras de sentido
oposto, mas de ideias que se contradizem. É o dizer e o desdizer. O paradoxo leva-nos
a enunciar uma verdade com aparência de mentira. Exemplos

       •


           •   Amor é fogo que arde sem se ver             É um contentamento
  descontente

           •   É ferida que dói e não se sente       É dor que desatina sem doer.
       (Camões)

       •


   •   Eufemismo – Consiste em um recurso de expressão pelo qual se atenua, suaviza
uma verdade tida como penosa ou desagradável.

           •   Exemplo:

           •   Ele enriqueceu por meios ilícitos. (roubou), Você não foi feliz nos exames.
  (foi reprovado)

           •


   •   Gradação – Consiste na enumeração de ideias em ordem gradativa, visando a
um efeito de intensificação. Exemplo:

              ”Dissecou-a, a tal arte, que ela, rota, baça, nojenta, vil sucumbi...”
(Raimundo Correia)
              A sequência "rota, baça, nojenta, vil" é que vai expressar o nível de
degradação a que " ela" chegou. Não se trata simplesmente de qualificar o processo.
              "O trigo... nasceu, cresceu, espinhou, amadureceu, colheu-se, mediu-se."
(Vieira)
       •       A expressão desdobra-se em vários termos, procurando intensificar a ideia
de processo e criar uma sensação/emoção especial no leitor. O discurso dos políticos,
tentando atingir (convencer) a totalidade dos ouvintes, frequentemente lança mão do
recurso da gradação.

       •
•   Hipérbole – Consiste no exagero de uma ideia, a fim de proporcionar uma
imagem emocionante ou chocante. Quando dizemos:
        • Fazia quase um século que a gente não se encontrava.


        •       →"um século" não pode ser compreendido como "período de cem anos".
Queremos, de fato, dizer que fazia muito tempo que não nos encontrávamos.

        •       Se e pudesse contar as lágrimas que chorei na véspera e na manhã
somaria mais que todas as verdades desde Adão e Eva. (Machado de Assis)

            •

•       Ironia – Ironia é a figura de pensamento que consiste em sugerir, pelo contexto,
pela entonação, pela contradição de termos, o contrário do que as palavras ou orações
parecem exprimir, com intenção depreciativa e sarcástica. Exemplo:

        •
                •       Você foi sutil como a um elefante.
                                  •
        •       Embora esta expressão contenha a ideia de que o sujeito foi sutil, a ideia de
sutileza é desmentida pela comparação que se estabelece entre a sutileza do sujeito e a
do elefante: a intenção do falante é oposta àquilo que está expresso na frase.
        •       Observe
        •
        •       Ouça as buzinas, os xingos, os palavrões! Não é encantador o trânsito de
        São Paulo?
                    •
        •       Veja, agora, este caso
        •
        •       Você realmente é muito esperto.
                                  •
        •       Esta frase, aparentemente, não contém nenhuma ironia. Mas, dependendo
da situação em que ela é utilizada, da entonação que se der às palavras, ela pode ser.

        •

                •       Moça linda, bem tratada, três séculos de família, burra como uma
        porta: um amor (Mário de Andrade).

        •
•
•       Prosopopeia/Personificação/Animismo – Prosopopeia é a figura que consiste
em pensar seres inanimados ou irracionais como se eles fossem humanos, atribuindo-
lhes linguagem, senti mentos e ações típicos dos seres humanos.
        •

            •   Exemplo

            •   O vento beija meus cabelos

            •   As ondas lambem minhas pernas

            •   O sol abraça o meu corpo (Lulu Santos- Nélson Mota)

            •

    •   Apóstrofe – É uma interpelação, um chamado direto a pessoas (presentes ou
ausentes, vivas ou mortas) e até mesmo a seres inanimados ou imaginários.

        •

            •   Exemplos

            •

    •   Ó mar, porque não apagas

    •   Côa espuma de tuas vagas

    •   De teu manto este borrão? (Castro Alves)

    • Tu não verás, Marília, cem cativos. ( Tomás Antônio Gonzaga)
    •   "O mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal." (Fernando Pessoa)
        •

        •       Nesse exemplo, o eu lírico, para dar mais emotividade à sua fala, dirige-se
ao mar que, obviamente, não vai compreender as palavras que lhe são dirigidas.

            •


        •       Perífrase – Também chamada circunlóquio, a perífrase consiste na
substituição de uma palavra por uma série de outras, de modo que estas se refiram
àquela indiferentemente.
•


       •       Ex.: Última flor do Lácio, inculta e bela, és a um tempo esplendor e
sepultura. (Olavo Bilac)
       •       Em lugar de nos referirmos diretamente a Deus, criamos a perífrase
"aquele que tudo pode". Em vez de aludirmos diretamente à morte, criamos a
perífrase "a sombra negra que a todos envolve."

       •       Outros exemplos:

           •   flor do Lácio= Língua Portuguesa             rei da selva= leão

           •   astro-rei= Sol                               abóbada celeste= céu

           •   Cidade luz= Paris                      Livro Sagrado= Bíblia

                                                  •

                            •      FIGURAS DE SINTAXE/CONSTRUÇÃO

       •       As figuras de sintaxe ou de construção dizem respeito a desvios em
relação à concordância entre os termos da oração, sua ordem, possíveis repetições ou
omissões. Elas podem ser construídas por :

   •   • omissão : assíndeto , elipse e zeugma;

   •   • repetição: anáfora, pleonasmo e polissíndeto ;

   •   • inversão : anástrofe, hipérbato, sínquise e hipálage;

   •   • ruptura: anacoluto;

   •   • concordância ideológica: silepse. (gênero, número e pessoa)

       •       Portanto, são figuras de construção ou sintaxe: assíndeto,elipse, zeugma,
anáfora, pleonasmo, polissíndeto, anástrofe, hipérbato, sínquise, hipálage, anacoluto,
silepse.

       •

       •       Anáfora – Consiste na repetição da mesma palavra no início de um
período, frase ou verso.
•   Exemplo

           •   Dentro do tempo o universo na imensidão.

           •   Dentro do sol o calor peculiar do verão .

           •   Dentro da vida uma vida me conta uma estória que fala de mim

           •   Dentro de nós os mistérios do espaço sem fim! (Toquinho- Mutinho)

           •

       •       Assíndeto – Ocorre quando as orações ou palavras que deveriam ser
ligadas por conjunções coordenativas aparecem separadas por vírgulas.

           •   Exemplo: Não nos movemos, as mãos é que se estenderam pouco a
  pouco, pegando-se, apertando-se, fundindo-se. (Machado de Assis)

           •

       •       Polissíndeto – Consiste na repetição intencional de uma conjunção
coordenativa mais vezes do que exige a norma gramatical.

       •

   •   Ex.: Há dois dias meu telefone não fala, nem ouve, nem toca, nem tuge, nem
muge. (Rubem Braga)

       •       Pleonasmo – Consiste na repetição de uma ideia já sugerida ou de um
termo já expresso.

       •


       •       Pleonasmo Literário – É um recurso estilístico que enriquece a
expressão, dando ênfase à mensagem. Exemplo:

           •   Não os venci. Venceram-me eles a mim. (Rui Barbosa)

           •   Morrerás morte vil na mão de um forte (Gonçalves Dias)

           •

       •       Pleonasmo vicioso – Frequente na linguagem informal, cotidiana.
Considerado vício de linguagem, deve ser evitado.
•


          •   Exemplo:

          •   Ouvir com os ouvidos                          Rolar escadas abaixo

          •   Colaborar juntos                       Hemorragia de sangue

          •   Repetir de novo

          •

      •       Elipse - Consiste na supressão de uma ou mais palavras facilmente
subentendidas nas frases. Geralmente essas palavras são pronomes, conjunções,
preposições e verbos.

          •   Exemplos:

          •

          •   Compareci ao Congresso. (eu)

          •   Espero venhas logo. (eu, que, tu)

          •   Ele dormiu duas horas. (durante)

          •   No mar, tanta tormenta e tanto dano... (verbo Haver) (Camões)

          •
      •       Zeugma – Consiste na omissão de um termo que já apareceu antes.
      •       Ex.: Ele prefere cinema; eu, teatro. (omissão de prefiro)

          •   Exemplos: Foi saqueada a vila, e assassinados os partidários dos Filipes.
  (Camilo Castelo Branco)

          •   Rubião fez um gesto, Palha outro: mas quão diferentes. (Machado de Assis)

          •
      •       Hipérbato ou Inversão – Consiste na mudança da ordem natural dos
termos na frase.
      •       Ex.: “De tudo ficou um pouco. Do meu medo. Do teu asco.”
             Morreu o presidente, por: O presidente morreu.
•   Exemplos: Passeiam, à tarde, as belas na avenida. (Carlos Drummond de
  Andrade)

             •   Paciência tenho eu tido... ( Antônio Nobre)

             •
         •       Anacoluto – termo solto na frase, quebrando a estruturação lógica.
Normalmente, inicia-se uma determinada construção sintática e depois se opta por
outra.
                Eu, parece-me que vou desmaiar. / Minha vida, tudo não passa de alguns
anos sem importância (sujeito sem predicado)
                Quem ama o feio, bonito lhe parece (alteraram-se as relações entre termos
  da oração). Exemplos:

                E o desgraçado, tremiam-lhe as pernas. (Manuel Bandeira)

                Aquela mina de ouro, ela não ia deixar que outras espertas botassem as
mãos (José Lins Do Rego)

             •

         •       Hipálage – Ocorre Hipálage quando há inversão da posição do adjetivo
(uma qualidade que pertence a um objeto é atribuída a outro, na mesma frase).

             •

             •   Exemplos

             •   ... em cada olho um grito castanho de ódio. (Dalton Trevisan)

             •   (.....em cada olho castanho um grito de ódio)

             •   .......As lojas loquazes dos barbeiros ( Eça de Queirós)

             •   (...... as lojas dos barbeiros loquazes)

             •

         •       Silepse

         •

         •       Silepse de Gênero – Não há concordância de gênero do adjetivo ou
pronome com a pessoa a que se refere

          •   Exemplos: Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho... (Rachel de
  Queiroz)

          •   V.Exa parece magoado... (Carlos Drummond de Andrade)

          •

      •       Silepse de Pessoa - Não há concordância da pessoa verbal com o sujeito
da oração.

          •   Exemplos Os dois ora estais reunidos... (Carlos Drummond de Andrade).

          •   Na noite do dia seguinte, estávamos reunidos algumas pessoas. (Machado
  de Assis)

          •

      •       Silepse de número – Não há concordância do número verbal com o
sujeito da oração.

          •   Exemplo Corria gente de todos os lados, e gritavam. (Mário Barreto).

          •

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          •

          •
•

                •        QUADRO COMPARATIVO DOS GÊNEROS LITERÁRIOS
                                                        •

        •           Narrativo/                     •     Dramático                         •     Lírico
Épico
        •       Tem narrador e                 •       O emissor (ator)                •        Há um sujeito
     em geral refere-se à 3ª                      apresenta a                          poético, na 1ª
            •       pessoa.                    •       ação ao receptor                 •       pessoa; com
           •       ELE(A)                        (espectador).                            relevo do.
                                                   •      EU - TU                             •      EU
                                              •                                    •
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linguagem denotativa.                  linguagem denotativa.                 da linguagem conotativa.
        •     Prevalece         a              •      Prevalecem        as           •     Prevalecem   as
função informativa mas pode            funções        apelativas         e   funções poética e emotiva.
aparecer a emotiva e a poética.        informativa, pode aparecer a
                                       emotiva (tragédia, drama).
       •     Há uma história                   •      A     história     é           •      O mundo é o do
que é narrada e refere-se em           representada e                        Eu – interior - com os
especial ao mundo exterior, do                 •      refere-se        em    sentimentos, pensamentos do
não-eu.                                especial ao mundo                     sujeito poético.
                                               •      exterior, do não-
                                       eu.
       •      A descrição          é           •      As marcações do             •      Muito          breves
frequente e minuciosa.                 cenário e os adereços têm valor       momentos descritivos.
                                       descritivo.
         •      Situa-se   numa                •      Situa-se      numa             •     Em geral sem
época histórica, o tempo não é         época histórica, o tempo é o da       ligação com uma época (anti-
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         •      Destina-se    à                •      Destina-se         à           •     Destina-se   à
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                                                                                   •
        •           Predomínio    da         •     Predomínio     do    •     Em geral anti-
narração.                            diálogo, com momentos de narrativa.
                                     apartes e monólogo.                •
        •           Conto,   novela,         •     Tragédia,               • Ode,   elegia,
romance.                             comédia, drama, farsa, auto…    soneto canção.
                                                                                   •
        •
        •

                   Gêneros literários
        •

        •           Em linhas gerais, os gêneros literários são o gênero lírico, épico e dramático.
•   O gênero lírico é formado por poemas de pouca extensão em que uma voz
central (um Eu lírico ou Eu poético) se exprime (na lírica não há personagens nítidas).
Nesse gênero, o autor cria um Eu lírico e escreve em versos. Verso é aquela coisa que
muda linha antes que a página tenha terminado, segundo o escritor Umberto Eco.
            •   O poema "Autopsicografia", de Fernando Pessoa, pertence ao gênero lírico:
            •

            •   O poeta é um
fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente. (...)
            •

            •   O gênero épico é formado por obras (em verso ou em prosa) de extensão
maior, em que um narrador apresenta personagens envolvidas em situações e eventos.
            •   As obras que pertencem ao gênero épico são as narrativas. Nos textos
narrativos o narrador apresenta ao leitor um universo ficcional. Entre os textos ficcionais,
os mais conhecidos são o conto, a novela e o romance. O conto seria o mais curto dos
três, o romance o mais longo e a novela teria uma extensão intermediária.
            •   O conto "Um apólogo", de Machado de Assis, pertence ao gênero épico. Veja
um trecho:
            •

            •


            •   Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo
de linha:
- Por que você está com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada,
para fingir que vale alguma cousa neste mundo?
- Deixe-me senhora.
- Que a deixe? Que a deixe por quê? Por que lhe digo que está
com um ar insuportável? Repito que sim, e o falarei sempre que
me der na cabeça.
- Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha.
Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? (...)
            •

            •   O gênero dramático é formado por obras dialogadas em que as próprias
personagens atuam, sem serem, em geral, apresentadas por um narrador. No teatro, o
autor desaparece de cena, deixando as personagens viverem a ação e se comunicarem
através do diálogo. Observe este diálogo entre Custódio e Ernesto, personagens da peça
"Verso e Reverso", de José de Alencar:
•


                  • CUSTÓDIO :(Cumprimentando.) – Como
          tem passado? Que há de novo?
                  • ERNESTO :(Ao ouvido.) – Que não estou
          disposto a aturá-lo. (Sai.)

                  • ( Custódio fica pasmo no meio da cena;
          cai o pano.)
                  •
      •

      •      As falas que estão entre parênteses e entre colchetes pertencem ao autor
do texto. Chamam-se rubricas. Rubricas são anotações que indicam como se desenvolve
a cena, para o diretor e os atores saberem como representá-la.
      •      Se deixarmos apenas as falas de Custódio e Ernesto, o diálogo ficaria assim:
      •             CUSTÓDIO            : Como tem passado? Que há de novo?
      •             ERNESTO             : Que não estou disposto a aturá-lo.
      •
      •      O gênero dramático pertence à literatura e também ao teatro.

      •
•     XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
XXX

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Arte literária 2012 nota de aula 1 mast

  • 1. ARTE LITERÁRIA ● Arte (Latim Ars, significa técnica e/ou habilidade) geralmente é entendida como a atividade humana ligada a manifestações de ordem estética, feita por artistas a partir de percepção, emoções e ideias, com o objetivo de estimular essas instâncias de consciência em um ou mais espectadores, dando um significado único e diferente para cada obra de arte. Toda arte é uma representação/ imitação da realidade (Mimese da realidade).1 Arte é um fenômeno cultural. Regras absolutas sobre arte não sobrevivem ao tempo, mas em cada época, diferentes grupos (ou cada indivíduo) escolhem como devem compreender esse fenômeno. ● REALIDADE X FICÇÃO (construção de uma realidade/ p. 04). ● DEFINIÇÕES DE ARTE (P. 05). ● A definição de arte varia de acordo com a época e a cultura. Pode ser separada ou não em arte rupestre, como é entendida hoje na civilização ocidental, do artesanato, da ciência, da religião e da técnica no sentido tecnológico. ● Assim, entre os povos ditos primitivos, a arte, a religião e a ciência estavam juntas na figura do xamã, que era artista (músico, ator, poeta, etc.), sacerdote e médico. Originalmente, a arte poderia ser entendida como o produto ou processo em que o conhecimento é usado para realizar determinadas habilidades, em determinada cultura. A produção literária de um povo, seja em uma ou em várias de suas manifestações como a dança, a pintura, a escultura, a música, o desenho, a arquitetura, a fotografia, o cinema, a literatura oral e escrita, faz parte do conjunto de atividades a que damos o nome de cultura. (p. 05) ● Os gregos, na época clássica (século V a.C.) , entendiam que não existia a palavra arte no sentido que empregamos hoje, e sim "tekné", da qual originou-se a palavra "técnica" nas línguas neolatinas. Para eles, havia a arte, ou técnica, de se fazer esculturas, pinturas, sapatos ou navios. Neste sentido, é a acepção ainda hoje usada no termo artes marciais. 1 Mimesis ou mimese, simplificando, significa imitação ou representação em grego. Tanto Platão quanto Aristóteles viam, na mimesis, a representação da natureza. Contudo, para Platão toda a criação era uma imitação, até mesmo a criação do mundo era uma imitação da natureza verdadeira (o mundo das ideias). Sendo assim, a representação artística do mundo físico seria uma imitação de segunda mão. Já Aristóteles via o drama como sendo a “imitação de uma ação”, que na tragédia teria o efeito catártico. Como rejeita o mundo das ideias, ele valoriza a arte como representação do mundo. Esses conceitos estão no seu mais conhecido trabalho, a Poética. Catarse significa "purificação", "evacuação" ou "purgação". Segundo Aristóteles, a catarse refere-se à purificação das almas por meio de uma descarga emocional provocada por um drama.
  • 2. No sentido moderno, também podemos incluir o termo arte como a atividade artística ou o produto da atividade artística. Tradicionalmente, o termo arte foi utilizado para se referir a qualquer perícia ou maestria, um conceito que terminou durante o período romântico, quando arte passou a ser visto como "uma faculdade especial da mente humana para ser classificada no meio da religião e da ciência". ● A arte existe desde que há indícios do ser humano na Terra. Ao longo do tempo, a função da arte tem sido vista como um meio de espelhar nosso mundo (naturalismo), para decorar o dia a dia e para explicar e descrever a história e os diversos eus que existem dentro de um só ser (como pode ser visto na literatura) e para ajudar a explorar o mundo e o próprio homem. Estilo é a forma como a obra artística se mostra, enquanto que Estética é o ramo da Filosofia que explora a arte como fundamento. ● Uma obra artística só se torna conhecida quando algo a faz ficar diante de um dos sentidos do ser humano. Os avanços tecnológicos contribuem de uma forma colossal para criar acessibilidade entre a pessoa que deseja desfrutar da arte e a própria arte. A pessoa e a obra se unem então, por diversos meios, como os rádios (para a música), os museus (para pinturas, esculturas e manuscritos), e a televisão, que talvez seja, entre esses itens citados, o que mais capacidade tem para levar a obra artística a um número grande de interessados, por utilizar diversos sentidos (visão, audição) e por utilizar também satélite. A própria Internet é fonte de transmissão entre a obra e o interessado, com sites que distribuem E-books e por softwares especializados em conectar o computador do usuário a uma rede com diversos outros computadores. ● Entretanto, exploradores, comerciantes, vendedores e artistas de público (palhaços, malabaristas, ator, etc.) também costumam apresentar ao público as obras, nos mais diversos lugares, de acordo com suas funções. A arqueologia transmite ideias de outras culturas; a fotografia é uma forma de arte e está acessível por todos os cantos do mundo; e também por almanaques, enciclopédias e volumes em geral é possível conhecer a arte e sua história. A arte não se restringe apenas a uma escultura ou pintura, mas também à música, ao cinema, à dança, etc. ● O ser que faz arte é definido como o artista. O artista faz arte segundo seus sentimentos, suas vontades, seu conhecimento, suas ideias, sua criatividade e sua imaginação, o que deixa claro que cada obra de arte é uma forma de interpretação da vida, um conhecimento de mundo. ● A inspiração seria o estado de consciência que o artista atinge. A percepção, a razão e a emoção encontram-se combinados de forma a realizar as melhores obras. Seria o insight de algumas teorias da psicologia. Alguns sentidos da Arte. ● Arte: representação do Belo (p. 05)
  • 3. Na Antiguidade: harmonia e proporção entre as formas (modelo de perfeição); ● No século XIX: O Romantismo adota o sentimento, a imaginação e a emoção como fórmula da criação artística; ● No século XX em diante: deixa de ser apenas representação do Belo e passa a expressar também o movimento, a luz, o cromatismo ou a interpretação geométrica das formas existentes. Na Psicologia, pôde até representar o inconsciente humano. Assim, a arte pode ser entendida como permanente recriação de uma linguagem. Pode ser uma provocação, espaço de reflexão e de interrogação (relação entre o observador e o objeto observado). ● Arte: reflexo do artista (ideologia/ idiossincrasia – ideais, modo de ver e compreender o mundo); (p. 06) ● Obra: expressão da época, da cultura (processo histórico/diacrônico) OS AGENTES DA PRODUÇÃO ARTÍSTICA (P. 07) ● Contexto de produção (Condições de Produção)– pistas sobre seu significado e intenções de seu produtor/enunciador, intencionalidade literária/artística/discursiva; ● Escolhas que realiza: indícios reveladores do contexto de uma dada “realidade”; ● O artista promove um diálogo com seus contemporâneos e lhes propõe uma reflexão sobre o contexto em que estão inseridos; ● Toda obra de arte interage com um público, o interlocutor. Este “participa” da construção dos sentidos expressos na obra. ● Toda obra se manifesta em determinada linguagem com estrutura própria. ● Agentes de criação: o artista (tem função social/representa o social), o contexto social, o público-alvo, a linguagem, a estrutura e o contexto de circulação revelam muito de uma obra de arte. O QUE É LITERATURA? ● A palavra Literatura vem do latim "litteris" que significa "Letras", e possivelmente uma tradução do grego "grammatikee". Em latim, literatura significa uma instrução ou um conjunto de saberes ou habilidades de escrever e ler bem, e se relaciona com as artes da gramática, da retórica e da poética. Por extensão, se refere especificamente à arte ou ofício de escrever de forma artística. O termo Literatura também é usado como referência a um corpo ou um conjunto escolhido de textos como, por exemplo, a literatura médica, a literatura inglesa, literatura portuguesa, literatura japonesa etc.
  • 4. A arte que utiliza a palavra como matéria-prima de suas criações é chamada de literatura. Ela existe há milênios. Entretanto, sua natureza e suas funções (papel que a literatura desempenha nas sociedades) continuam objeto de discussão principalmente para os artistas, seus criadores. (p. 09) ● O homem, como ser histórico, tem anseios, necessidades e valores que se modificam constantemente. Suas criações ‒ entre elas a literatura ‒ refletem seu modo de ver e de estar no mundo. Assim, ao longo da história, a literatura foi concebida de diferentes maneiras. Mesmo os limites entre o que é e o que não é literatura variaram com o tempo. Vejamos algumas funções do texto literário: (p. 9-10) ● A literatura nos faz sonhar (descanso para os problemas cotidianos, espaço de sonho e fantasia); ● A literatura provoca reflexões (responde a perguntas que inquietam o Homem); ● A literatura diverte (crônicas, por exemplo); ● A literatura e a construção de nossa identidade (história coletiva/social/nacional); ● A literatura nos “ensina a viver” (humanização do homem); ● A literatura denuncia a realidade (valorização dos direitos humanos). ● Literatura e engajamento político (consciência política). LITERATURA E REALIDADE As obras literárias ao utilizar a palavra, recria a realidade, a vida. Essa definição focaliza dois aspectos opostos, mas complementares, da arte literária: criação e representação. Por um lado ela é invenção. O autor/artista/enunciador cria uma realidade imaginária, fictícia, verossímil2. Mas o universo da ficção mantém relações vivas com o mundo real. Nesse sentido, a literatura é imitação da realidade. (p. 11) Frequentemente os autores utilizam fatos de suas vidas como matéria de literatura. São as chamadas confessionais. Mesmo nesses casos, não devemos entender os texto como simples biografias. Os fatos pessoais são apenas parte da matéria literária, o ponto de partida. Entre o que o autor viveu ou sentiu e a obra existem todas as mediações da invenção, da 2 Atributo daquilo que parece intuitivamente verdadeiro, isto é, o que é atribuído a uma realidade portadora de uma aparência ou de uma probabilidade de verdade, na relação ambígua que se estabelece entre imagem e ideia.
  • 5. imaginação. Há, sobretudo, o trabalho criativo com a palavra, que pode ser em versos ou em prosa3. PARA QUE SERVE A ARTE? PARA QUE SERVE A LITERATURA? Variam com o tempo e com as pessoas para se responder a essas perguntas. Evidentemente, a função de uma obra literária depende dos objetivos e das intenções do autor. Mas os leitores também têm maneiras diferentes de ler e são levados a abrir um livro por motivos diferentes. Alguns buscam na literatura apenas um divertimento sem grandes consequências para a vida; outros, um instrumento de transformação e de aperfeiçoamento. Já outros esperam que seja um veículo de análise e de crítica em relação à sociedade e à vida. A literatura é uma arte verbal, isto é, seu meio de expressão é a palavra, mas esta não é privilégio do escritor, pois ela serve como forma de expressão para todas as pessoas. No entanto, há uma diferença entre a linguagem literária e a linguagem usada na comunicação diária. Essa diferença reside no trabalho criativo do escritor durante a elaboração de seus textos, na sua capacidade de criar mensagens que podem ser lidas ou interpretadas de diferentes modos, conforme o nível de leitura do leitor, não podendo esquecer que a leitura é um processo ativo de atribuição de sentido a um texto. Conotação (sentido conotativo ou figurado): É quando as palavras não são empregadas no sentido costumeiro, mas, ao contrário, fazem o leitor parar e refletir, despertando nele outras ideias. O uso literário das palavras promove a multiplicação dos sentidos e, assim, permite que o texto sofra diferentes leituras e interpretações. O uso conotativo da linguagem faz com que as palavras ganhem novos/diferentes significados (Plurissignificação) e produzam interessantes efeitos de sentido. Denotação (sentido denotativo ou literal): É quando queremos deixar bem claro a mensagem, tal como vem registrado nos dicionários. ● Texto literário: predomina a função poética, pois apresenta a linguagem centrada nas emoções do observador e a preocupação intencional com o modo de expressá- 3 As características mais evidentes de um texto escrito em prosa são a organização linear e a sua divisão em parágrafos ‒ enunciados de sentido completo ‒ compostos de frases, orações e períodos. Já o poema é a forma de linguagem organizada em versos ‒ cada uma das linhas do poema ‒ e em estrofes ‒ um conjunto de versos. Poesia, além de se referir à arte poética, é o nome que se dá ao conjunto da produção em versos de um poeta. Mais do que forma, poesia significa um contexto rico de encanto, de emotividade.
  • 6. las. A esse tipo de linguagem chamamos de literária. O enunciador retrata a realidade de forma subjetiva, o que importa é o modo como o autor explora a sonoridade e a expressividade das palavras. Não há preocupação de caracterizar cientificamente, nem de oferecer dados objetivos sobre a realidade. ● Texto não literário: Há o predomínio da função informativa e/ou científica e, como tal, pretende apenas informar, explicar, documentar. A linguagem empregada é predominantemente objetiva, o mais importante é a transmissão precisa de informações; fundamenta-se em fatos históricos, concretos, dados estatísticos, científico. Trata-se de uma linguagem não literária. O TEXTO LITERÁRIO APRESENTA: -Ficcionalidade: os textos não fazem, necessariamente, parte da realidade. - Função estética: o artista procura representar a realidade a partir da sua visão (subjetiva). - Plurissignificação: nos textos literários as palavras assumem diferentes significados. - Intertextualidade: um autor faz referência a outro (a outros) texto (s), com o objetivo de apoiar o que já foi dito ou de dizer algo totalmente diferente, de criticar um ponto de vista, uma visão de mundo. Inclui os textos verbais e não verbais e pode ser explícita ou implícita. - Polifonia: os textos são essencialmente polifônicos, isto é, são atravessados por uma multiplicidade de vozes: uma voz privilegiada, a do locutor principal, que vai incorporando outras, quando temos citações diretas e indiretas, individuais e coletivas. - Subjetividade: expressão pessoal de experiências, emoções e sentimentos. As obras literárias são divididas em escolas literárias, pois cada obra apresenta um estilo de época (p.60), ou seja, um conjunto de características formais e de seleção de conteúdo evidente na obra de escritores e poetas que viveram em um mesmo momento. Já o uso particular que um escritor ou poeta faz dos elementos que distinguem uma estética define o estilo individual de um autor, sempre marcado pelo olhar específico que dirige aos temas característicos de um período e pelo uso singular que faz dos recursos de linguagem associados a uma determinada estética literária. As escolas literárias são: Trovadorismo; Classicismo; Barroco; Arcadismo; Romantismo; Realismo/Naturalismo; Simbolismo; Modernismo. Há um momento de transição entre o Trovadorismo e o Classicismo conhecido como Humanismo, e muitos críticos literários afirmam que ainda exista um estilo de época denominado Pós-Modernismo.
  • 7. FUNÇÕES DA LINGUAGEM Toda linguagem tem um objetivo. A linguagem verbal, por sua vez, tem alguns objetivos muito claros e por isso devem ser estudados para que possamos melhor entendê-la e utilizá-la. Vejamos primeiramente como funciona o sistema de comunicação, utilizando a linguagem verbal. - Aquele que emite a mensagem, codificando-a em palavras chama-se EMISSOR. - Quem recebe a mensagem e a decodifica, ou seja, apreende a ideia, é chamado de RECEPTOR. - Aquilo que é comunicado, o conteúdo da comunicação é chamado de MENSAGEM. - CÓDIGO é o sistema linguístico escolhido para a transmissão e recepção da mensagem. - REFERENTE, por sua vez, é o contexto em que se encontram o emissor e o receptor. - O meio pelo qual esta mensagem é transmitida é nomeado CANAL. SÃO SEIS AS FUNÇÕES BÁSICAS DA LINGUAGEM VERBAL: • Referencial = (ênfase no referente / contexto) • Emotiva ou expressiva (ênfase no emissor) • Apelativa ou Conativa = (ênfase no receptor) • Fática = (ênfase no canal) • Metalinguística = (ênfase no código) • Poética = (ênfase na mensagem) • 1) Função Emotiva/Expressiva • É centralizada no emissor. Como o próprio nome já diz, tem o papel de exprimir emoções, impressões pessoais a respeito de determinado assunto . Por esse motivo ela normalmente vem escrita em primeira pessoa e de forma bem subjetiva/ pessoal. Em textos que utilizam a função emotiva há uma presença marcante de figuras de linguagem, mensagens subentendidas, elementos nas entrelinhas, etc.
  • 8. Os textos que mais comumente se utilizam desse tipo de linguagem são as cartas, as poesias líricas, as memórias, as biografias, entre outros. • 2) Função Referencial/Denotativa • Contrariamente à emotiva, esse tipo de linguagem é centralizado no receptor. Como seu foco seja transmitir a mensagem da melhor maneira possível, a linguagem utilizada é objetiva, recorrendo a conceitos gerais, vocabulário simples e claro, ou, dependendo do público alvo, vocabulário que melhor se ajuste a ele. É chamada de denotativa devido à objetividade das informações, à clareza das ideias. Há uma prevalência do uso da terceira pessoa, o que torna o texto ainda mais impessoal. Centra-se na informação e transmite dados da realidade ao interlocutor de forma direta, objetiva, sem ambiguidade. • Os textos que normalmente fazem uso dessa função são os textos jornalísticos, dissertativos, técnicos, instrucionais e os científicos. • 3) Função Apelativa/Conativa • • Como sugere a nomenclatura, essa função serve para fazer apelos, pedidos, súplicas para comover, persuadir ou convencer alguém a respeito do que se diz . Centralizada no receptor, procura influenciá-lo em seus pensamentos ou ações. É bastante frequente o uso da segunda pessoa, dos vocativos e dos imperativos. • Para tentar persuadir o destinatário, é preciso, antes de mais nada, falar a língua dele, apelar para exemplos e argumentos significativos em relação a sua classe social, a sua formação cultural, a seus sonhos e desejos. • Essa função é aplicada particularmente nas propagandas ou outros textos publicitários, e também em campanhas sociais, com o objetivo de comover o leitor. • 4) Função fática • • Centraliza-se no canal. Tem o objetivo de estabelecer um contato ou comunicação com o destinatário, prolongando uma comunicação ou então testando o canal com frases do tipo “Veja bem”ou “Olha...” ou “Compreende?”, não necessariamente com uma carga semântica aparente. O mesmo acontece com o famoso “Plim! Plim!” da Rede Globo. Na verdade, o “Plim! Plim!” tem a função específica de chamar a atenção do telespectador (que se distraiu durante o intervalo comercial) para o canal, no caso, a televisão. • É utilizada em saudações, cumprimentos do dia a dia, expressões idiomáticas, marcas orais, etc. • 5) Função poética •
  • 9. Caracteriza-se basicamente pelo uso de linguagem figurada, metáforas e demais figuras de linguagem, rima, métrica, etc. É semelhante à linguagem emotiva, sendo que não necessariamente revela sentimentos ou impressões a respeito do mundo. • A intenção do produtor do texto está voltada para a própria mensagem, para uma especial arrumação das palavras, quer na escolha, quer na combinação delas, quer na organização sintática da frase. Num texto poético, você pode encontrar também as demais funções da linguagem, mas o valor da poesia reside exatamente no trabalho realizado com a própria mensagem. • Importante é perceber que a função poética não é exclusiva da poesia: você poderá encontrá-la em textos escritos e em prosa, em anúncios publicitários e mesmo na linguagem cotidiana. Nesses casos, ela não será a função dominante. • Como se pode constatar, essa função é aplicada em poesias, músicas e algumas obras literárias. 6) Função metalinguística • • Esta última função está presente principalmente em dicionários. Caracteriza-se por trazer consigo uma explicação da própria língua. Nos textos verbais, o código é a língua. Quando usamos a língua para explicar a própria língua, ocorre metalinguagem. Pode ocorrer esta função da linguagem também em poesias, obras literárias, etc. • A preocupação do emissor está voltada para o próprio código utilizado, ou seja, o código é o tema da mensagem ou é utilizado para explicar o próprio código. Ocorre quando o código é posto em destaque, ou seja, usa-se o código linguístico para transmitir aos receptores reflexões sobre o próprio código linguístico. Bons exemplos da função metalinguística são as aulas de línguas, gramáticas, o dicionário, um livro convertido em filme, uma pintura que mostra o próprio artista executando a tela, um poema que fala do ato de escrever, ao longo de um texto, expressões como «isto é», «ou seja», «quer dizer» são exemplos desta função. • o Qual objetivo do seu texto? • Por meio da linguagem, também realizamos diferentes ações: transmitimos informações, tentamos convencer o outro a fazer (ou dizer) algo, assumimos compromissos, ordenamos, pedimos, demonstramos sentimentos, construímos representações mentais sobre nosso mundo, enfim, pela linguagem organizamos nossa vida do dia a dia, em diferentes aspectos. • Diferenciar que objetivo predomina em cada situação de comunicação auxilia a compreender melhor o que foi dito.
  • 10. As funções da linguagem estão centradas nos elementos da comunicação. Toda comunicação apresenta uma variedade de funções, mas elas se apresentam hierarquizadas, sendo uma dominante, de acordo com o enfoque que o destinador/emissor quer dar ou do efeito que quer causar no recebedor/receptor. • Exemplos/Explicações: • • Compare os dois textos a seguir: • “Não só baseado na avaliação do Guia da Folha, mas também por iniciativa própria, assisti cinco vezes a “Um filme falado”. Temia que a crítica brasileira condenasse o filme por não se convencional, mas tive uma satisfação imensa quando li críticas unânimes na imprensa. Isso mostra que, apesar de tantos enlatados, a nossa crítica é antenada com o passado e o presente da humanidade e com as coisas que acontecem no mundo. Fantástico! Parabéns, Sérgio Rizzo, seus textos nunca me decepcionam.” • Luciano Duarte. Guia da Folha, 10 a 16 de junho 2005. • • ****UM FILME FALADO - Idem. França/Itália/Portugal, 2003. Direção: Manoel de Oliveira. Com: Leonor Silveira, John Malkovich, Catherine Deneuve, Stefania Sandrelli e Irene Papas. Jovem professora de história embarca com a filha em um cruzeiro que vai de Lisboa a Bombaim. 96 min. 12 anos. Cinearte 1, desde 14. Frei Caneca Unibanco Arteplex7, 13h, 15h10, 17h20, 19h30 e 21h50. •  Função emotiva  • No primeiro texto, o destinador usa alguns procedimentos que não aparecem no texto B, tais como, emprego de 1ª pessoa: assisti, temia, tive, li (eu), destaque para qualidades subjetivas por meio de adjetivos (satisfação imensa, críticas unânimes, fantástico), advérbios (nunca me decepcionam), uso de recursos gráficos que indicam ênfase, como o ponto de exclamação (fantástico!). • O efeito que resulta é o destaque para a subjetividade do emissor, sua adesão ao conteúdo que informa. Não é o fato, mas o ponto de vista do emissor que está em destaque, sua percepção dos acontecimentos. Nesse exemplo, temos o enfoque no emissor e a função predominante nesse texto é a função emotiva ou expressiva. •  Função referencial 
  • 11. No segundo texto, outros procedimentos são colocados em destaque: uso da 3ª pessoa, explicitado no trecho: jovem professora de história (ela), ausência de adjetivos (a indicação de que o filme é bom aparece na quantidade de estrelinhas, quatro indica muito bom), ausência de expressões que indicam a opinião do emissor, como eu acho, eu desejo, emprego de um conjunto de informações que diz respeito a coisas do mundo real, tais como a exatidão dos horários, o endereço, os nomes próprios. • Esse conjunto de informações dá ao destinador a impressão de objetividade, como se a informação traduzisse verdadeiramente o que acontece no mundo real. Nesse caso, a função predominante é a função referencial ou informativa.   Função conativa  • RESERVA CULTURAL • ocê nunca viu cinema assim. Não perca a retrospectiva especial de inauguração, com 50% de desconto, apresentando cinco filmes que foram sucesso de público. E, claro, de crítica também. • • Nesse texto, o destaque está no destinatário. Para isso o emissor se valeu de procedimentos como o uso da 2ª pessoa (tu, ou, no caso do português brasileiro, você), o uso do imperativo (Não perca). O resultado é a interação com o destinatário procurando convencê- lo a realizar uma ação: ir ao espaço cultural. Espera-se como resposta que o destinatário realiza a ação. • Os textos publicitários em geral procuram convencer ou persuadir o destinatário a dar uma resposta, que pode ser a mudança de comportamento, de hábitos, como abrir conta em banco, frequentar determinados tipos de lugares ou consumir determinado produto. Nesse tipo de texto, o foco está no destinatário e o predomínio é da função conativa ou apelativa.  Função fática • • Em um outro tipo de situação muito comum na conversação cotidiana, o emissor usa procedimentos para manter o contato físico ou psicológico com o interlocutor, como em alô!, ao iniciar uma conversa telefônica, ou fórmulas prontas para dar continuidade à conversa como em ahan, uh, bem, como?, pois é ou em está me ouvindo?, para retomar o contato telefônico. Esse tipo de mensagem que serve para manter o contato, para sustentar ou "encompridar" ou interromper a conversa põe em destaque o canal de comunicação tem como função predominante a função fática. •  Função metalinguística
  • 12. • Já outros textos que têm como objetivo falar da própria linguagem, como em o que você está querendo dizer?... ou em que o emissor quer precisar, esclarecer, o que está dizendo, como em eu quis dizer... bem... quero dizer que essa palavra poderia ser substituída por outra mais precisa, que desse a entender que...". • Nesse exemplo, o predomínio da mensagem é da função metalinguística. Fazemos uso de metalinguagem, ao preencher um exercício de palavras cruzadas ou consultar um dicionário. Nessas situações, estamos nos atendo ao próprio código, isto é, estamos usando a linguagem (o código) para falar, explicar, descrever o próprio código linguístico. •  Função poética • Tecendo a manhã João Cabral de Melo Neto • Um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre se outros galos. De um que apanhe esse grito que ele e o lance a outro; de um outro galo que apanhe o grito que um galo antes e o lance a outro; e de outros galos que com muitos outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo, para que a manhã, desde uma tela tênue, se vá tecendo, entre todos os galos. • • • Aqui, temos um texto em que a função se centra na própria mensagem, como se o conteúdo fosse transparente, a mensagem chama a atenção para o lado material do signo, como a sonoridade (veja a repetição da vogal a e dos sons nasais), a estrutura, o ritmo. Observe que há rupturas no modo como a frase normal se organizaria (3º verso: esse grito que ele/ 4º verso: e o lance a outro). Experimente fazer a seguinte leitura: 2º verso termina com galos, 4º verso começa com e o lance a outro, 4º verso termina com galo, 6º verso começa com e o lance a outro, 7º verso termina com cruzem, 9º verso começa com para que a manhã. É possível perceber a teia se tecendo, nas próprias palavras? • O efeito é de estranhamento, de novidade, pela exploração dos vários elementos do signo. É importante lembrar que, embora a função poética esteja mais presente na poesia, não é exclusividade da literatura. A linguagem da publicidade explora os recursos dos signos, construindo novos sentidos ao romper com o modo tradicional como vemos as palavras. •
  • 13. FIGURAS DE LINGUAGEM • • As figuras de linguagem ou de estilo são empregadas para valorizar o texto, tornando a linguagem mais expressiva. São um recurso linguístico para expressar de formas diferentes experiências comuns, conferindo originalidade, emotividade ao discurso, ou tornando-o poético. • As figuras revelam muito da sensibilidade de quem as produz, traduzindo particularidades estilísticas do autor. A palavra empregada em sentido figurado passa a pertencer a outro campo de significação, mais amplo e criativo. • As figuras de linguagem classificam-se em: figuras de palavra; figuras de pensamento; figuras de harmonia ou sonoras e figuras de construção ou sintaxe. • • FIGURAS DE PALAVRAS OU TROPOS • • Consistem no emprego de um termo com sentido diferente daquele convencionalmente empregado, a fim de se conseguir um efeito mais expressivo na comunicação. • • Metáfora – É uma comparação abreviada, que dispensa o uso dos conectivos (= conjunções) comparativos. É uma comparação mental/subjetiva. Normalmente vem com o verbo de ligação claro ou subentendido na frase. • Exemplos: • ...a vida é cigana • É caravana • É pedra de gelo ao sol (Geraldo Azevedo e Alceu Valença) • • Comparação/Símile – Consiste em aproximar dois elementos que se identificam,
  • 14. ligados por conectivos comparativos explícitos: como, tal qual, tal como, que, que nem. Também alguns verbos estabelecem a comparação: parecer, assemelhar-se e outros. • Exemplos: • Estava mais angustiado que um goleiro na hora do gol, quando você entrou em mim como um sol no quintal (Belchior) • • Catacrese – É o emprego de um termo em lugar de outro para o qual não existe uma designação apropriada. • Exemplos: • Folha de papel • Braço de poltrona • Céu da boca • Pé da montanha • Boca da noite • O barco descia tranquilamente o leito do rio ao pé da montanha. • • Sinestesia – Consiste na fusão harmônica de, no mínimo, dois dos cinco sentidos físicos. • Exemplo: Vem da sala de linotipos a doce (paladar) música (audição) mecânica. (Carlos Drummond de Andrade) • A fusão de sensações físicas e psicológicas também é sinestesia: “ódio amargo”, “ alegria ruidosa”, “paixão luminosa”, “indiferença gelada”. • • Exemplo: Tocava uma valsa que era boa, deixando aquele gosto de tristeza no ar. (Mário de Andrade).
  • 15. Antonomásia – Consiste em substituir um nome próprio por uma qualidade, atributo ou circunstância que individualiza o ser e notabiliza-o. • Exemplos: O herói manchego (= Dom Quixote de La Mancha, da Espanha); O filósofo de Genebra (= Calvino); O águia de Haia (= Rui Barbosa) • Em pedra-sabão, o Aleijadinho esculpiu a história de uma época. (Aleijadinho= Antônio Francisco Lisboa) • • Metonímia – Consiste na troca de uma palavra por outra, de tal forma que a palavra empregada lembra, sugere e retoma a que foi omitida. • Exemplos: O fazendeiro se esquece dos suores (fadigas, cansaços) quando vê as tulhas a transbordar e a fazenda prosperar. • Leio Graciliano Ramos (livros, obras). Bebi um Martini (vermute) • Comprei um panamá (chapéu do Panamá) • • Alguns autores, em vez de metonímia, classificam como sinédoque quando se têm a parte pelo todo e o singular pelo plural. • Exemplos: • A cidade inteira viu assombrada, de queixo caído, o pistoleiro sumir de ladrão, fugindo nos cascos de seu cavalo. (singular pelo plural). (José Cândido de Oliveira). • Corra, não pare, não pense demais, repare essas velas no cais. (a parte pelo todo). (Geraldo Azevedo/ Alceu Valença). • • FIGURAS DE HARMONIA/SONORAS • • Chama-se figuras de som ou de harmonia os efeitos produzidos na linguagem
  • 16. quando há repetição de sons ou, ainda, quando se procura imitar sons produzidos por coisas ou seres. As figuras de harmonia ou de som são: aliteração, assonância, paranomásia, onomatopeia. • • Aliteração - Consiste na repetição do mesmo fonema consonantal, geralmente em posição inicial da palavra. Exemplo: Vozes veladas veludosas vozes volúpias dos violões, vozes veladas. (Cruz e Sousa) • • Assonância – Consiste na repetição do mesmo fonema vocálico ao longo de um verso ou poesia. • Exemplo: • Sou Ana, da cama, • Da cana, fulana, bacana • Sou Ana de Amsterdam (Chico Buarque) • • Paronomásia – o emprego de palavras parônimas (sons parecidos). • Ex: "Com tais premissas ele sem dúvida leva-nos às primícias" (Padre Antônio Vieira) • • Onomatopeia – Consiste na imitação aproximada de um ruído ou som produzido por seres animados e inanimados. Os verbos que exprimem os sons são considerados onomatopaicos, como cacarejar, tiquetaquear, miar, etc. • • FIGURAS DE PENSAMENTO • • As figuras de pensamento são recursos de linguagem que se referem ao significado das palavras, ao seu aspecto semântico. • Antítese – Consiste na aproximação de palavras de sentido oposto, isto é, no
  • 17. emprego de termos com significados antagônicos. • Exemplo: • Quando um muro separa • Uma ponte une • Se a vingança encana • O remorso pune • Você vem me agarra, alguém • Vem me solta • Você vai na marra, ela • Um dia volta. (Paulo César Pinheiro)
  • 18. • Paradoxo - Consiste na aproximação não apenas de palavras de sentido oposto, mas de ideias que se contradizem. É o dizer e o desdizer. O paradoxo leva-nos a enunciar uma verdade com aparência de mentira. Exemplos • • Amor é fogo que arde sem se ver É um contentamento descontente • É ferida que dói e não se sente É dor que desatina sem doer. (Camões) • • Eufemismo – Consiste em um recurso de expressão pelo qual se atenua, suaviza uma verdade tida como penosa ou desagradável. • Exemplo: • Ele enriqueceu por meios ilícitos. (roubou), Você não foi feliz nos exames. (foi reprovado) • • Gradação – Consiste na enumeração de ideias em ordem gradativa, visando a um efeito de intensificação. Exemplo:  ”Dissecou-a, a tal arte, que ela, rota, baça, nojenta, vil sucumbi...” (Raimundo Correia)  A sequência "rota, baça, nojenta, vil" é que vai expressar o nível de degradação a que " ela" chegou. Não se trata simplesmente de qualificar o processo.  "O trigo... nasceu, cresceu, espinhou, amadureceu, colheu-se, mediu-se." (Vieira) • A expressão desdobra-se em vários termos, procurando intensificar a ideia de processo e criar uma sensação/emoção especial no leitor. O discurso dos políticos, tentando atingir (convencer) a totalidade dos ouvintes, frequentemente lança mão do recurso da gradação. •
  • 19. Hipérbole – Consiste no exagero de uma ideia, a fim de proporcionar uma imagem emocionante ou chocante. Quando dizemos: • Fazia quase um século que a gente não se encontrava. • →"um século" não pode ser compreendido como "período de cem anos". Queremos, de fato, dizer que fazia muito tempo que não nos encontrávamos. • Se e pudesse contar as lágrimas que chorei na véspera e na manhã somaria mais que todas as verdades desde Adão e Eva. (Machado de Assis) • • Ironia – Ironia é a figura de pensamento que consiste em sugerir, pelo contexto, pela entonação, pela contradição de termos, o contrário do que as palavras ou orações parecem exprimir, com intenção depreciativa e sarcástica. Exemplo: • • Você foi sutil como a um elefante. • • Embora esta expressão contenha a ideia de que o sujeito foi sutil, a ideia de sutileza é desmentida pela comparação que se estabelece entre a sutileza do sujeito e a do elefante: a intenção do falante é oposta àquilo que está expresso na frase. • Observe • • Ouça as buzinas, os xingos, os palavrões! Não é encantador o trânsito de São Paulo? • • Veja, agora, este caso • • Você realmente é muito esperto. • • Esta frase, aparentemente, não contém nenhuma ironia. Mas, dependendo da situação em que ela é utilizada, da entonação que se der às palavras, ela pode ser. • • Moça linda, bem tratada, três séculos de família, burra como uma porta: um amor (Mário de Andrade). •
  • 20. • • Prosopopeia/Personificação/Animismo – Prosopopeia é a figura que consiste em pensar seres inanimados ou irracionais como se eles fossem humanos, atribuindo- lhes linguagem, senti mentos e ações típicos dos seres humanos. • • Exemplo • O vento beija meus cabelos • As ondas lambem minhas pernas • O sol abraça o meu corpo (Lulu Santos- Nélson Mota) • • Apóstrofe – É uma interpelação, um chamado direto a pessoas (presentes ou ausentes, vivas ou mortas) e até mesmo a seres inanimados ou imaginários. • • Exemplos • • Ó mar, porque não apagas • Côa espuma de tuas vagas • De teu manto este borrão? (Castro Alves) • Tu não verás, Marília, cem cativos. ( Tomás Antônio Gonzaga) • "O mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal." (Fernando Pessoa) • • Nesse exemplo, o eu lírico, para dar mais emotividade à sua fala, dirige-se ao mar que, obviamente, não vai compreender as palavras que lhe são dirigidas. • • Perífrase – Também chamada circunlóquio, a perífrase consiste na substituição de uma palavra por uma série de outras, de modo que estas se refiram àquela indiferentemente.
  • 21. • Ex.: Última flor do Lácio, inculta e bela, és a um tempo esplendor e sepultura. (Olavo Bilac) • Em lugar de nos referirmos diretamente a Deus, criamos a perífrase "aquele que tudo pode". Em vez de aludirmos diretamente à morte, criamos a perífrase "a sombra negra que a todos envolve." • Outros exemplos: • flor do Lácio= Língua Portuguesa rei da selva= leão • astro-rei= Sol abóbada celeste= céu • Cidade luz= Paris Livro Sagrado= Bíblia • • FIGURAS DE SINTAXE/CONSTRUÇÃO • As figuras de sintaxe ou de construção dizem respeito a desvios em relação à concordância entre os termos da oração, sua ordem, possíveis repetições ou omissões. Elas podem ser construídas por : • • omissão : assíndeto , elipse e zeugma; • • repetição: anáfora, pleonasmo e polissíndeto ; • • inversão : anástrofe, hipérbato, sínquise e hipálage; • • ruptura: anacoluto; • • concordância ideológica: silepse. (gênero, número e pessoa) • Portanto, são figuras de construção ou sintaxe: assíndeto,elipse, zeugma, anáfora, pleonasmo, polissíndeto, anástrofe, hipérbato, sínquise, hipálage, anacoluto, silepse. • • Anáfora – Consiste na repetição da mesma palavra no início de um período, frase ou verso.
  • 22. Exemplo • Dentro do tempo o universo na imensidão. • Dentro do sol o calor peculiar do verão . • Dentro da vida uma vida me conta uma estória que fala de mim • Dentro de nós os mistérios do espaço sem fim! (Toquinho- Mutinho) • • Assíndeto – Ocorre quando as orações ou palavras que deveriam ser ligadas por conjunções coordenativas aparecem separadas por vírgulas. • Exemplo: Não nos movemos, as mãos é que se estenderam pouco a pouco, pegando-se, apertando-se, fundindo-se. (Machado de Assis) • • Polissíndeto – Consiste na repetição intencional de uma conjunção coordenativa mais vezes do que exige a norma gramatical. • • Ex.: Há dois dias meu telefone não fala, nem ouve, nem toca, nem tuge, nem muge. (Rubem Braga) • Pleonasmo – Consiste na repetição de uma ideia já sugerida ou de um termo já expresso. • • Pleonasmo Literário – É um recurso estilístico que enriquece a expressão, dando ênfase à mensagem. Exemplo: • Não os venci. Venceram-me eles a mim. (Rui Barbosa) • Morrerás morte vil na mão de um forte (Gonçalves Dias) • • Pleonasmo vicioso – Frequente na linguagem informal, cotidiana. Considerado vício de linguagem, deve ser evitado.
  • 23. • Exemplo: • Ouvir com os ouvidos Rolar escadas abaixo • Colaborar juntos Hemorragia de sangue • Repetir de novo • • Elipse - Consiste na supressão de uma ou mais palavras facilmente subentendidas nas frases. Geralmente essas palavras são pronomes, conjunções, preposições e verbos. • Exemplos: • • Compareci ao Congresso. (eu) • Espero venhas logo. (eu, que, tu) • Ele dormiu duas horas. (durante) • No mar, tanta tormenta e tanto dano... (verbo Haver) (Camões) • • Zeugma – Consiste na omissão de um termo que já apareceu antes. • Ex.: Ele prefere cinema; eu, teatro. (omissão de prefiro) • Exemplos: Foi saqueada a vila, e assassinados os partidários dos Filipes. (Camilo Castelo Branco) • Rubião fez um gesto, Palha outro: mas quão diferentes. (Machado de Assis) • • Hipérbato ou Inversão – Consiste na mudança da ordem natural dos termos na frase. • Ex.: “De tudo ficou um pouco. Do meu medo. Do teu asco.”  Morreu o presidente, por: O presidente morreu.
  • 24. Exemplos: Passeiam, à tarde, as belas na avenida. (Carlos Drummond de Andrade) • Paciência tenho eu tido... ( Antônio Nobre) • • Anacoluto – termo solto na frase, quebrando a estruturação lógica. Normalmente, inicia-se uma determinada construção sintática e depois se opta por outra.  Eu, parece-me que vou desmaiar. / Minha vida, tudo não passa de alguns anos sem importância (sujeito sem predicado)  Quem ama o feio, bonito lhe parece (alteraram-se as relações entre termos da oração). Exemplos:  E o desgraçado, tremiam-lhe as pernas. (Manuel Bandeira)  Aquela mina de ouro, ela não ia deixar que outras espertas botassem as mãos (José Lins Do Rego) • • Hipálage – Ocorre Hipálage quando há inversão da posição do adjetivo (uma qualidade que pertence a um objeto é atribuída a outro, na mesma frase). • • Exemplos • ... em cada olho um grito castanho de ódio. (Dalton Trevisan) • (.....em cada olho castanho um grito de ódio) • .......As lojas loquazes dos barbeiros ( Eça de Queirós) • (...... as lojas dos barbeiros loquazes) • • Silepse • • Silepse de Gênero – Não há concordância de gênero do adjetivo ou
  • 25. pronome com a pessoa a que se refere • Exemplos: Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho... (Rachel de Queiroz) • V.Exa parece magoado... (Carlos Drummond de Andrade) • • Silepse de Pessoa - Não há concordância da pessoa verbal com o sujeito da oração. • Exemplos Os dois ora estais reunidos... (Carlos Drummond de Andrade). • Na noite do dia seguinte, estávamos reunidos algumas pessoas. (Machado de Assis) • • Silepse de número – Não há concordância do número verbal com o sujeito da oração. • Exemplo Corria gente de todos os lados, e gritavam. (Mário Barreto). • • • • • • • • • •
  • 26. • QUADRO COMPARATIVO DOS GÊNEROS LITERÁRIOS • • Narrativo/ • Dramático • Lírico Épico • Tem narrador e • O emissor (ator) • Há um sujeito em geral refere-se à 3ª apresenta a poético, na 1ª • pessoa. • ação ao receptor • pessoa; com • ELE(A) (espectador). relevo do. • EU - TU • EU • • • Acentuada • Acentuada • Acentuada objetividade com predomínio da objetividade com predomínio da subjetividade com predomínio linguagem denotativa. linguagem denotativa. da linguagem conotativa. • Prevalece a • Prevalecem as • Prevalecem as função informativa mas pode funções apelativas e funções poética e emotiva. aparecer a emotiva e a poética. informativa, pode aparecer a emotiva (tragédia, drama). • Há uma história • A história é • O mundo é o do que é narrada e refere-se em representada e Eu – interior - com os especial ao mundo exterior, do • refere-se em sentimentos, pensamentos do não-eu. especial ao mundo sujeito poético. • exterior, do não- eu. • A descrição é • As marcações do • Muito breves frequente e minuciosa. cenário e os adereços têm valor momentos descritivos. descritivo. • Situa-se numa • Situa-se numa • Em geral sem época histórica, o tempo não é época histórica, o tempo é o da ligação com uma época (anti- linear e é extenso. representação - breve e linear. histórico) • Destina-se à • Destina-se à • Destina-se à leitura. representação declamação e leitura. • Quase só com • Recurso ao som, • Só recorre à recursos de língua. à luz… e não apenas à língua. língua. • • Predomínio da • Predomínio do • Em geral anti- narração. diálogo, com momentos de narrativa. apartes e monólogo. • • Conto, novela, • Tragédia, • Ode, elegia, romance. comédia, drama, farsa, auto… soneto canção. • • •  Gêneros literários • • Em linhas gerais, os gêneros literários são o gênero lírico, épico e dramático.
  • 27. O gênero lírico é formado por poemas de pouca extensão em que uma voz central (um Eu lírico ou Eu poético) se exprime (na lírica não há personagens nítidas). Nesse gênero, o autor cria um Eu lírico e escreve em versos. Verso é aquela coisa que muda linha antes que a página tenha terminado, segundo o escritor Umberto Eco. • O poema "Autopsicografia", de Fernando Pessoa, pertence ao gênero lírico: • • O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. (...) • • O gênero épico é formado por obras (em verso ou em prosa) de extensão maior, em que um narrador apresenta personagens envolvidas em situações e eventos. • As obras que pertencem ao gênero épico são as narrativas. Nos textos narrativos o narrador apresenta ao leitor um universo ficcional. Entre os textos ficcionais, os mais conhecidos são o conto, a novela e o romance. O conto seria o mais curto dos três, o romance o mais longo e a novela teria uma extensão intermediária. • O conto "Um apólogo", de Machado de Assis, pertence ao gênero épico. Veja um trecho: • • • Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha: - Por que você está com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo? - Deixe-me senhora. - Que a deixe? Que a deixe por quê? Por que lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e o falarei sempre que me der na cabeça. - Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? (...) • • O gênero dramático é formado por obras dialogadas em que as próprias personagens atuam, sem serem, em geral, apresentadas por um narrador. No teatro, o autor desaparece de cena, deixando as personagens viverem a ação e se comunicarem através do diálogo. Observe este diálogo entre Custódio e Ernesto, personagens da peça "Verso e Reverso", de José de Alencar:
  • 28. • CUSTÓDIO :(Cumprimentando.) – Como tem passado? Que há de novo? • ERNESTO :(Ao ouvido.) – Que não estou disposto a aturá-lo. (Sai.) • ( Custódio fica pasmo no meio da cena; cai o pano.) • • • As falas que estão entre parênteses e entre colchetes pertencem ao autor do texto. Chamam-se rubricas. Rubricas são anotações que indicam como se desenvolve a cena, para o diretor e os atores saberem como representá-la. • Se deixarmos apenas as falas de Custódio e Ernesto, o diálogo ficaria assim: • CUSTÓDIO : Como tem passado? Que há de novo? • ERNESTO : Que não estou disposto a aturá-lo. • • O gênero dramático pertence à literatura e também ao teatro. • • XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX XXX