Os espíritas diante da morte

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Qual deverá ser a posição de um espírita diante do inevitável fenômeno da morte?
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Os espíritas diante da morte

  1. 1. Os espíritasOs espíritas diante dadiante da mortemorte
  2. 2. ““Dobram sinos a finadosDobram sinos a finados Com mágoa e desolação...Com mágoa e desolação... Porque não sabem que a mortePorque não sabem que a morte É a nossa libertação.”É a nossa libertação.” Casimiro Cunha Casimiro Cunha (1880-1914) foi um poeta vassourense (RJ). Este estro-fe faz parte do poema Pensamentos Espíritas, que consta em Parnaso de Além-Túmulo, psicografada por Chico Xavier. (site O Consolador, link www.oconsolador.com.br)
  3. 3. Na “Introdução” de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec apresenta alguns pontos da doutrina filosófica de Sócrates, entre os quais se encontram princípios fundamentais do Espiritismo; dentre eles destacamos: Sócrates (470-399 a.C.) Foi um filósofo ateniense, um dos mais importantes ícones da tradição filosófica ocidental, e um dos fundadores da atual Filosofia Ocidental. (WIKIPÉDIA)
  4. 4. - “Enquanto tivermos o nosso corpo e a nos- sa alma se encontrar mergulhada nessa cor- rupção, jamais possuiremos o objeto de nos- sos desejos: a verdade.” - “Se a alma é imortal, não é sábio viver com vistas à eternidade?” - “Se a alma é imaterial, ela deve passar, após esta vida, para um mundo igualmente invisível e imaterial, da mesma maneira que o corpo, ao se decompor, retorna à matéria.” (O Evangelho Segundo o Espiritismo – Tradução Herculano Pires, Editora EME)
  5. 5. Autor: Jacques-Louis David, 1787
  6. 6. “E, quanto ao fato de que os mortos vão ressuscitar, vocês não leram, no livro de Moisés, a passagem da sarça ardente? Deus falou a Moisés: 'Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó'. Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos! Vocês estão muito enganados." (Jesus, em Marcos 12,26-27)
  7. 7. Tópicos: • medo da morte • perturbação espiritual • morte natural • morte após longo período de doença x morte rápida • morte por acidentes • morte de parentes próximos • morte de crianças e jovens • morte por suicídio • aborto • eutanásia • cremação • colocar a sua vida em risco • velório • pena de morte • doação de órgãos
  8. 8. Medo da Morte
  9. 9. Quando, por alguns minutos, quase que de lampejo, porque recusamos a dedicar muito tempo ao assunto, paramos para pensar na morte, percebemos que, geralmente, ela é um tormento para a grande maioria de nós, Espíritos ainda “aprisionados” à Terra.
  10. 10. Nós espíritas, via de regra, não colocamos em prática o que aprendemos, pois, embora acreditarmos que, após a morte, a vida continua, não queremos largar mão dessa vida, mesmo quando estamos com a saúde debilitada.
  11. 11. Não há nenhuma outra doutrina filosófica que deixa tão claro quanto o Espiritismo que a vida não se acaba no túmulo, mas mesmo assim, “trememos” ante a sua aproximação.
  12. 12. 941. Para muitas pessoas, o temor da morte é uma causa de perplexidade, donde lhes vêm esse temor, tendo elas diante de si o futuro?
  13. 13. 941. Para muitas pessoas, o temor da morte é uma causa de perplexidade, donde lhes vêm esse temor, tendo elas diante de si o futuro? “Falece-lhes fundamento para semelhante temor. Mas, que queres! Se procuram persua- di-las, quando crianças, de que há um inferno e um paraíso e que mais certo é irem para o inferno, visto que também lhes disseram que o que está na Natureza constitui pecado mortal para a alma! Sucede então que, tornadas adul- tas, essas pessoas, se algum juízo têm, não podem admitir tal coisa e se fazem ateias, ou materialistas. São assim levadas a crer que, além da vida presente, nada mais há. Quanto aos que persistiram nas suas crenças da infân- cia, esses temem aquele fogo eterno que os queimará sem os consumir. […].”
  14. 14. “A vida Além do Túmulo não se cifra num Inferno candente, num Purgatório de labaredas, num Céu de beatífica e nula contem- plação.” (Cairbar Schutel)
  15. 15. Explica Kardec: “O homem carnal, mais preso à vida corpórea do que à vida espiritual tem, na Terra, penas e gozos materiais. Sua felicidade consiste na satisfação fugaz de todos os seus desejos. Sua alma, constantemente preocupada e angustia- da pelas vicissitudes da vida, se conserva numa ansiedade e numa tortura perpétuas. A morte o assusta, porque ele duvida do futuro e porque tem de deixar no mundo todas as suas afeições e esperanças. ==> Fugaz: 1. que tem rapidez; rápido, ligeiro, veloz; 2. fig. que desapa- rece rapidamente, que dura muito pouco; efêmero, passageiro. (Houaiss). Vicissitude: 1. sucessão de mudanças ou de alternâncias; 2. sequên- cia de coisas que se sucedem; 3. instabilidade que conduz à imprevisi- bilidade; eventualidade, acaso; 4. condição que contraria ou é desfa- vorável a algo ou alguém; insucesso, revés. (Hoauiss).
  16. 16. O homem moral, que se colocou acima das necessidades factícias criadas pelas paixões, já neste mundo experimenta gozos que o homem material desconhece. A moderação de seus desejos lhe dá ao Espírito calma e serenidade. Ditoso pelo bem que faz, não há para ele de- cepções e as contrariedades lhe deslizam por sobre a alma, sem nenhuma impressão doloro- sa deixarem.” Factícia: 1 produzido artificialmente; 2 fig. que não revela naturalida- de; artificial, convencional; 3 fil no cartesianismo, que é feito ou inventado pela imaginação; que é produzido pela mente a partir de uma fantasia (diz-se de ideia). (Houaiss).
  17. 17. Mas, enfim, o que é a morte?
  18. 18. Mas, enfim, o que é a morte? Seria, talvez, o fim de tudo?
  19. 19. Mas, enfim, o que é a morte? Seria, talvez, o fim de tudo? Ou o início de uma nova etapa?
  20. 20. “[Morrer] É parte integrante da vida, tão natural e previsível quanto nascer. Mas ao passo que o nascimento é motivo de come- moração, a morte se tornou um temido e inexprimível assunto, evitado de todas as maneiras na sociedade moderna. […] Pode- mos retardá-la, mas não podemos escapar a ela. […] E a morte ataca indiscriminadamen- te... Até as boas ações não livram da morte seu praticante; os bons morrem tão frequen- temente quanto os maus. […] Em especial, os que dão grande valor ao fato de controlar sua própria existência são os que mais se abalam com a ideia de que também estão sujeitos às forças da morte.” (ELISABETH KÜBLER- ROSS, Morte: estágio final da evolução)
  21. 21. Elisabeth Kübler-Ross, M.D. (8 de julho de 1926 – 24 de agosto de 2004) foi uma psiquiatra que nasceu na Suíça. […] . A publicação de seu livro mais famoso em 1969 On Death and Dying (Sobre a morte e o processo de morrer) marcou o rumo de seu trabalho, enriquecido posteriormente com contribuições de especialistas de uma área específica da profissão médica, a tanatologia. [Parte da medicina legal que se ocupa da morte e dos problemas médico-legais com ela relacionados.] […] (WIKIPÉDIA)
  22. 22. “Morrer é... ”
  23. 23. 158. O exemplo da lagarta que, primeiro, anda de rastos pela terra, depois se encerra na sua crisálida em estado de morte apa- rente, para enfim renascer com uma exis- tência brilhante, pode dar-nos ideia da vida terrestre, do túmulo e, finalmente, da nossa nova existência? “Uma ideia acanhada. A imagem é boa; todavia, cumpre não seja tomada ao pé da letra, como frequentemente vos sucede.”
  24. 24. Perturbação espiritual
  25. 25. 163. A alma tem consciência de si mesma imediatamente depois de deixar o corpo? “Imediatamente não é bem o termo. A alma passa algum tempo em estado de perturba- ção.” 164. A perturbação que se segue à separação da alma e do corpo é do mesmo grau e da mesma duração para todos os Espíritos? “Não; depende da elevação de cada um. Aquele que já está purificado, se reconhece quase imediatamente, pois que se libertou da matéria antes que cessasse a vida do corpo, enquanto que o homem carnal, aquele cuja consciência ainda não está pura, guarda por muito mais tempo a impressão da matéria.”
  26. 26. 165. O conhecimento do Espiritismo exerce alguma influência sobre a duração, mais ou menos longa, da perturbação? “Influência muito grande, uma vez que o Espírito já antecipadamente compreendia a sua situação. Mas, a prática do bem e a consciência pura são o que maior influência exercem.”
  27. 27. Comenta Kardec: “Por ocasião da morte, tudo, a princípio, é confuso. De algum tempo precisa a alma para entrar no conhecimento de si mesma. Ela se acha como que aturdida, no estado de uma pessoa que despertou de profundo sono e procura orientar-se sobre a sua situação. A lucidez das ideias e a memória do passado lhe voltam, à medida que se apaga a influ-ência da matéria que ela acaba de abando-nar, e à medida que se dissipa a espécie de névoa que lhe obscurece os pensamentos. Muito variável é o tempo que dura a pertur- bação que se segue à morte. Pode ser de
  28. 28. algumas horas, como também de muitos meses e até de muitos anos. Aqueles que, desde quando ainda viviam na Terra, se identificaram com o estado futuro que os aguardava, são os em quem menos longa ela é, porque esses compreendem imedia- tamente a posição em que se encontram. Aquela perturbação apresenta circunstân- cias especiais, de acordo com os caracteres dos indivíduos e, principalmente, com o gê- nero de morte. Nos casos de morte violenta, por suicídio, suplício, acidente, apoplexia, ferimentos, etc., o Espírito fica surpreen- dido, espantado e não acredita estar morto. Obstinadamente sustenta que não o está. ==>
  29. 29. No entanto, vê o seu próprio corpo, reco- nhece que esse corpo é seu, mas não com- preende que se ache separado dele. Acerca- se das pessoas a quem estima, fala-lhes e não percebe por que elas não o ouvem. Se- melhante ilusão se prolonga até ao comple- to desprendimento do perispírito. Só então o Espírito se reconhece como tal e compre- ende que não pertence mais ao número dos vivos. Este fenômeno se explica facilmente. Surpreendido de improviso pela morte, o Espírito fica atordoado com a brusca mu- dança que nele se operou; considera ainda a morte como sinônimo de destruição, de aniquilamento. ==>
  30. 30. Ora, porque pensa, vê, ouve, tem a sensa- ção de não estar morto. Mais lhe aumenta a ilusão o fato de se ver com um corpo seme- lhante, na forma, ao precedente, mas cuja natureza etérea ainda não teve tempo de estudar. Julga-o sólido e compacto como o primeiro e, quando se lhe chama a atenção para esse ponto, admira-se de não poder palpá-lo. […] Observa-se então o singular espetáculo de um Espírito assistir ao seu próprio enterramento como se fora o de um estranho, falando desse ato como de coisa que lhe não diz respeito, até ao momento em que compreende a verdade. ==>
  31. 31. A perturbação que se segue à morte nada tem de penosa para o homem de bem, que se conserva calmo, semelhante em tudo a quem acompanha as fases de um tranquilo despertar. Para aquele cuja consciência ainda não está pura, a perturbação é cheia de ansiedade e de angústias, que aumen- tam à proporção que ele da sua situação se compenetra. […].”
  32. 32. “[…] Concito, pois, os vivos que percam alguns de seus parentes – qualquer que possa ser a impor- tância da perda e da dor correspondente – a que, a todo custo, se mostrem fortes, abafando toda manifestação de mágoa e apresentando-se de as- pecto calmo nos funerais. Comportando-se assim, determinarão considerável melhoria na atmosfera que os cerca, porquanto a aparência de serenida- de nos corações e nos semblantes das pessoas que nos são caras emite vibrações luminosas que nos atraem, como, à noite, a luz atrai a borbole- ta. Por outro lado, a mágoa dá lugar a vibrações sombrias e prejudiciais a nós outros, vibrações que tomam o aspecto de tenebrosa nuvem a en- volver aqueles a quem amamos. Não duvideis de que somos muito sensíveis às impressões vibra- tórias que nos chegam, por efeito da dor dos que nos são caros. […].” (E. BOZZANO, A crise da morte)
  33. 33. Morte Natural
  34. 34. Mesmo que, geralmente, não se aceite muito a morte, quando essa ocorre na velhice e por motivos naturais, todos nós a aceitamos com uma certa tranquilidade (desde que o morto não seja um parente nosso, é claro!). Quer queiramos ou não, tudo quanto tem vida na Terra passa, obrigatoriamente, pelo ciclo: “nascer, crescer e morrer”, o que nos leva a concluir que a morte é um aconteci- mento absolutamente natural, fato esse que deveria nos levar a ter um comportamento bem diferente diante dela. Inclusive, diga-se de passagem, que a morte é a coisa mais certa da vida; pela qual todos, sem nenhuma exceção, um dia passaremos.
  35. 35. Morte por doença prolongada x morte rápida
  36. 36. Muitas pessoas acham que quem morre de forma rápida não sente nada, por isso tem “uma morte feliz”. Analisando do ponto de vista terreno, pode até ser; entretanto do ponto de vista espiritual, não é bem assim, pois a maioria dos Espíritos, que desencarna dessa maneira acaba tendo dificuldade de adaptação ao mundo espiritual. Não são poucos os que continuam agindo como se estivessem encarnados, pois pelo fato de se verem num corpo, não atinam que não é mais um corpo físico, pensam que ainda es- tão vivos. E, muitas vezes, até mesmo se negam a aceitar que estão mortos, confor- me vimos.
  37. 37. No caso de uma pessoa ficar doente, por longo período, e ao final desencarna, ela, de uma certa forma, foi se preparando para esse fato, daí ser mais fácil sua adaptação no plano espiritual. Obviamente que esta- mos falando daquelas resignadas com o que lhes ocorre.
  38. 38. Morte por acidentes ou flagelos destruidores
  39. 39. Podemos dividi-la em duas espécies: 1ª) cuja causa não houve a participação do desencarnado; e 2ª) a que houve sua participação, como por exemplo: por negligência, por imprudência, etc.
  40. 40. No caso de não haver participação do desen- carnado, acreditamos que já constava da programação cármica do indivíduo, em fun- ção de seus débitos perante as Leis Divinas. Julgamos que aqui se pode muito bem colo- car as mortes coletivas, que tanta comoção causam à sociedade. Havendo participação, àquele que morrer dessa forma, lhe será imputada a culpa pelo ato, que, por certo, será considerado um de- lito, pois, de uma certa maneira, é um suicí- dio indireto.
  41. 41. 737. Com que fim fere Deus a Humanidade por meio de flagelos destruidores? “Para fazê-la progredir mais depressa. Já não dissemos ser a destruição uma necessidade pa- ra a regeneração moral dos Espíritos, que, em cada nova existência, sobem um degrau na es- cala do aperfeiçoamento? Preciso é que se veja o objetivo, para que os resultados possam ser apreciados. Somente do vosso ponto de vista pessoal os apreciais; daí vem que os qualificais de flagelos, por efeito do prejuízo que vos cau- sam. Essas subversões, porém, são frequente- mente necessárias para que mais pronto se dê o advento de uma melhor ordem de coisas e para que se realize em alguns anos o que teria exigido muitos séculos.”
  42. 42. 738. Para conseguir a melhora da Humani- dade, não podia Deus empregar outros meios que não os flagelos destruidores? “Pode e os emprega todos os dias, pois que deu a cada um os meios de progredir pelo conhecimento do bem e do mal. O homem, porém, não se aproveita desses meios. Ne- cessário, portanto, se torna que seja casti- gado no seu orgulho e que se lhe faça sentir a sua fraqueza.”
  43. 43. 738, a) - Mas, nesses flagelos, tanto sucumbe o homem de bem como o perverso. Será justo isso? “Durante a vida, o homem tudo refere ao seu corpo; entretanto, de maneira diversa pensa depois da morte. Ora, conforme temos dito, a vida do corpo bem pouca coisa é. Um século no vosso mundo não passa de um relâmpago na eternidade. Logo, nada são os sofrimentos de alguns dias ou de alguns meses, de que tanto vos queixais. Representam um ensino que se vos dá e que vos servirá no futuro. Os Espíritos, que preexistem e sobrevivem a tudo, formam o mundo real. Esses os filhos de Deus e o objeto de toda a Sua solicitude. ==>
  44. 44. Os corpos são meros disfarces com que eles aparecem no mundo. Por ocasião das grandes calamidades que dizimam os homens, o espe- táculo é semelhante ao de um exército cujos soldados, durante a guerra, ficassem com seus uniformes estragados, rotos, ou perdi- dos. O general se preocupa mais com seus soldados do que com os uniformes deles.”
  45. 45. 738, b) - Mas, nem por isso as vítimas des- ses flagelos deixam de o ser. “Se considerásseis a vida qual ela é e quão pouca coisa representa com relação ao infi- nito, menos importância lhe daríeis. Em ou- tra vida, essas vítimas acharão ampla com- pensação aos seus sofrimentos, se soube- rem suportá-los sem murmurar.”
  46. 46. Comenta Kardec: “Venha por um flagelo a morte, ou por uma causa comum, ninguém deixa por isso de morrer, desde que haja soado a hora da partida. A única diferença, em caso de fla- gelo, é que maior número parte ao mesmo tempo. Se, pelo pensamento, pudéssemos elevar- nos de maneira a dominar a Humanidade e abrangê-la em seu conjunto, esses tão terríveis flagelos não nos pareceriam mais do que passageiras tempestades no destino do mundo.”
  47. 47. Morte de parentes próximos
  48. 48. “Por que meu Deus?”
  49. 49. “Por que meu Deus?” É a frase dita, por muitos de nós, diante da morte de um parente que nos é caro.
  50. 50. Aceitamos tudo, menos que “algum dos nossos” retorne à pátria espiritual; quando isso ocorre, Deus, para nós, torna-se injus- to. Atitude altamente egoísta, reconheça- mos, pois estamos esquecendo de que as outras pessoas que morrem também pos- suem parentes, só que nesse caso achamos tudo muito justo.
  51. 51. Morte de crianças e jovens
  52. 52. A morte de crianças e jovens são as que mais nos tocam, além disso, são também as que mais inconformismo causam, pelo fato delas partirem tão precocemente. Sempre achamos que a interrupção da vida, em qualquer uma dessas duas fases, é uma coisa ruim; mas não se pode afirmar isso, pois não se sabe o que fariam ou tornariam elas se continuassem a viver entre nós. Se tivermos mesmo confiança em Deus, de- vemos aceitar que, sob o ponto de vista es- piritual, isso foi o melhor para elas.
  53. 53. 199. Por que tão frequentemente a vida se interrompe na infância? “A curta duração da vida da criança pode representar, para o Espírito que a animava, o complemento de existência precedente- mente interrompida antes do momento em que devera terminar, e sua morte, também não raro, constitui provação ou expiação para os pais.”
  54. 54. Suicídio
  55. 55. Em relação aos vários tipos de morte, pode- mos ter certeza de que o suicídio é o pior deles. Não temos o direito de dar fim à nossa vida, pois ela é uma dádiva de Deus. Se aqui estamos reencarnados é porque ainda temos sérios compromissos perante as leis divinas e, obviamente, em razão disso, não ter atingido a meta evolutiva. Por maiores que sejam os problemas, as do- res e os sofrimentos atuais, nada se compa- ra aos que um suicida poderá passar após a morte.
  56. 56. Não há situação alguma prevista em nosso planejamento reencarnatório que não tere- mos condições de suportar, pois, tudo quan- to foi programado está na medida exata de nossa capacidade de realizarmos. Deus, que é nosso Pai, jamais colocaria em nossos ombros um peso que não fôssemos capazes de carregá-lo, por essa razão não devemos nos desanimar diante das dificul- dades do dia a dia. Aliás, também devemos nos conscientizar que não temos nenhum privilégio nisso, já que a dor e o sofrimento atinge a todos indistintamente.
  57. 57. Pelo que se vê na literatura espírita, é tam- bém considerado suicídio o fato de descui- darmos de corpo físico, especialmente se o maltratarmos com vícios ou excessos de toda ordem além do que pode suportar, não lhe combatendo as doenças, etc. Embora, nesses casos, não se tenha inten- ção de cometer o suicídio, o faz de forma indireta, já que devemos nos esforçar, ao máximo, para manter nosso corpo em per- feito funcionamento, evitando tudo aquilo que possa prejudicá-lo sob qualquer aspec- to.
  58. 58. 957. Quais, em geral, com relação ao esta- do do Espírito, as consequências do suicí- dio? “Muito diversas são as consequências do suicídio. Não há penas determinadas e, em todos os casos, correspondem sempre às causas que o produziram. Há, porém, uma consequência a que o suicida não pode es- capar; é o desapontamento. Mas, a sorte não é a mesma para todos; depende das circunstâncias. Alguns expiam a falta ime- diatamente, outros em nova existência, que será pior do que aquela cujo curso inter- romperam.”
  59. 59. Comenta Kardec: “A observação, realmente, mostra que os efeitos do suicídio não são idênticos. Alguns há, porém, comuns a todos os casos de morte violenta e que são a consequência da interrupção brusca da vida. Há, primeiro, a persistência mais prolongada e tenaz do laço que une o Espírito ao corpo, por estar quase sempre esse laço na plenitude da sua força no momento em que é partido, ao passo que, no caso de morte natural, ele se enfraquece gradualmente e muitas vezes se desfaz antes que a vida se haja extinguido completamente. As consequências deste estado de coisas são o prolongamento da ==>
  60. 60. perturbação espiritual, seguindo-se à ilusão em que, durante mais ou menos tempo, o Espírito se conserva de que ainda pertence ao número dos vivos. A afinidade que permanece entre o Espírito e o corpo produz nalguns suicidas, uma es- pécie de repercussão do estado do corpo no Espírito, que, assim, a seu mau grado, sente os efeitos da decomposição, donde lhe resul ta uma sensação cheia de angústias e de horror, estado esse que também pode durar pelo tempo que devia durar a vida que so-freu interrupção. Não é geral este efeito; mas, em caso algum, o suicida fica isento das consequências da sua falta de coragem
  61. 61. e, cedo ou tarde, expia, de um modo ou de outro, a culpa em que incorreu. […] A maior parte deles sofre o pesar de haver feito uma coisa inútil, pois que só decepções encon-tram. A religião, a moral, todas as filosofias com- denam o suicídio como contrário às leis da Natureza. Todas nos dizem, em princípio, que ninguém tem o direito de abreviar voluntariamente a vida. Entretanto, por que não se tem esse direito? Por que não é livre o homem de por termo aos seus sofrimen- tos? Ao Espiritismo estava reservado de- monstrar, pelo exemplo dos que sucum- biram, que o suicídio não é uma falta, ==>
  62. 62. somente por constituir infração de uma lei moral, consideração de pouco peso para cer tos indivíduos, mas também um ato estúpi- do, pois que nada ganha quem o pratica, an tes o contrário é o que se dá, como no-lo ensinam, não a teoria, porém os fatos que ele nos põe sob as vistas.”
  63. 63. AbortoAborto
  64. 64. O aborto é um crime hediondo, já que à vítima sequer é dado o direito de defesa. Praticando o aborto, estamos, a bem da verdade, retirando do Espírito reencarnante, que estava ligado àquele feto, a chance de viver, impedindo-o de evoluir e de se har- monizar com as leis divinas. Não raro os Espíritos “de abortados”, por questões de extremado ódio, passam a per- seguir os que lhes tiraram o direito à vida, causando sérios transtornos aos que não lhes deram a oportunidade de viver uma nova encarnação.
  65. 65. 358. Constitui crime a provocação do abor- to, em qualquer período da gestação? “Há crime sempre que transgredis a lei de Deus. Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, por isso que impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando.”
  66. 66. 359. No caso em que o nascimento da criança pusesse em perigo a vida da mãe dela, haverá crime em sacrificar a criança e salvar a mãe? “É preferível sacrificar o ser que ainda não existe a sacrificar o que já existe.”
  67. 67. Eutanásia
  68. 68. Consultado o Dicionário Aurélio, temos: Eutanásia Substantivo feminino. 1. Morte serena, sem sofrimento. 2. Prática, sem amparo legal, pela qual se busca abreviar, sem dor ou sofrimento, a vida de um doente reconhecidamente incu- rável.
  69. 69. Perante as leis humanas, a ninguém é dado o direito de tirar a vida de uma pessoa a não ser em legítima defesa; porém, perante as Leis Divinas, mesmo nesse caso, ou seja, o de defender-se, maior mérito terá quem não tirar a vida do outro. Ademais, uma doença incurável de hoje, po- derá ser curável no dia imediatamente se- guinte; fora os casos em que “essa doença não é para morte”, conforme Jesus afirmou de Lázaro. É certo que Deus permite que se restabeleça a saúde de acordo com os méri- tos do doente.
  70. 70. Cremação
  71. 71. Fora o risco de algum Espírito “acordar”, no exato momento, em que seu corpo estiver sendo queimado e achar que já está “ardendo” no fo- go do inferno, não há problema algum.
  72. 72. Fora o risco de algum Espírito “acordar”, no exato momento, em que seu corpo estiver sendo queimado e achar que já está “ardendo” no fo- go do inferno, não há problema algum.
  73. 73. Segundo Emmanuel, deve-se esperar que se transcorra um período de 72 horas. (Pinga- fogo com Chico Xavier, de Saulo Gomes [org]) Provavelmente, com o avanço e o progresso da humanidade, isso haverá de ser algo natural num futuro não muito distante, e se olharmos pelo aspecto de saúde pública, talvez seja mesmo o melhor a
  74. 74. Colocar a sua vida em risco
  75. 75. Algumas mortes acontecem porque certos indivíduos, em busca de muita “adrenalina”, colocam a sua própria vida em risco. Normalmente pessoas que assim agem, pensam que são como que “imunes” a um acidente grave, iludidas de que nada de mau lhes acontecerá. Uma morte dessa forma pode ser algo bem traumático ao Espírito, que decepcionado perceberá que passou para “o outro lado da vida”, coisa que nem sonhava lhe fosse acontecer tão cedo.
  76. 76. Não resta dúvida de que os que assim agem estão se comprometendo perante a justiça divina, já que tal atitude pode ser compara- da a um verdadeiro suicídio, embora a par- tida para o além não tenha sido intencional, porém sabiam dos riscos que corriam.
  77. 77. Velório
  78. 78. Levando-se em conta que muitos Espíritos recém-desencarnados, ainda confusos no plano espiritual, acompanham o seu próprio velório, podemos imaginar o que sentirá um deles diante de tanta algazarra que se faz no local onde velam o seu corpo. Poucos dos que se encontram no velório, de fato, se importam com a situação do morto (inclui-se até parentes), mantendo conver- sas fúteis, desde aquelas sobre o cotidiano, indo para o futebol, negócios, mulheres (ou homens), etc. E não faltará os que mesmo sem terem afinidades com o morto, ficam elogiando as suas qualidades, praxe infantil de se considerar “bonzinho” os que morrem.
  79. 79. Pena de morte
  80. 80. Diante do elevado índice de criminalidade, que ocorre em nossa sociedade, é comum encontrarmos pessoas que, vigorosamente, defendem a pena de morte para todos os criminosos. É puro engano pensar que isso resolverá a questão, já que o Espírito, que ainda não atingiu um certo grau de moralidade, de- sencarnando dessa forma irá, porventura, adquiri-la. Certamente que não, uma vez que seremos no mundo espiritual o que éramos aqui, quando vivos. É bem certo que a morte não dá “asas de anjo” a ninguém.
  81. 81. A pena de morte é um crime perante as Leis de Deus, mesmo que a sociedade a permita em suas leis penais. Na verdade, comete-se um crime justifican- do-o como sendo uma boa medida para se combater a criminalidade. Se pudéssemos fazer algo para moralizar um criminoso, deveríamos, isso sim, dar-lhe “pena de vida”, para que, vivendo mais que as outras pessoas, tenha maior tempo para reavaliar a sua maneira de agir e viver.
  82. 82. Não raro um indivíduo, que transpôs para o lado de lá, via pena de morte, passe a per- seguir àqueles que ele julga responsáveis pela sua morte. Obsessões graves podem nascer de causa como essa. Um outro ponto desfavorável à pena de morte é que ela pode ser aplicada a uma pessoa inocente, já que a justiça humana, como sabemos, não é infalível.
  83. 83. 760. Desaparecerá algum dia, da legislação humana, a pena de morte? “Incontestavelmente desaparecerá e a sua supressão assinalará um progresso da Hu- manidade. Quando os homens estiverem mais esclarecidos, a pena de morte será completamente abolida na Terra. Não mais precisarão os homens de ser julgados pelos homens. Refiro-me a uma época ainda mui- to distante de vós.”
  84. 84. 763. Será um indício de progresso da civilização a restrição dos casos em que se aplica a pena de morte? “Podes duvidar disso? Não se revolta o teu Espírito, quando lês a narrativa das carnifi- cinas humanas que outrora se faziam em nome da justiça e, não raro, em honra da Divindade; das torturas que se infligiam ao condenado e até ao simples acusado, para lhe arrancar, pela agudeza do sofrimento, a confissão de um crime que muitas vezes não cometera? Pois bem! Se houvesses vivido nessas épocas, terias achado tudo isso natural e talvez mesmo, se fora juiz, ==>
  85. 85. fizesses outro tanto. Assim é que o que pa- receu justo, numa época, parece bárbaro em outra. Só as leis divinas são eternas; as humanas mudam com o progresso e conti- nuarão a mudar, até que tenham sido pos- tas de acordo com aquelas.”
  86. 86. 764. Disse Jesus: Quem matou com a espa- da, pela espada perecerá. Estas palavras não consagram a pena de talião e, assim a morte dada ao assassino não constitui uma aplicação dessa pena? “Tomai cuidado! Muito vos tendes enganado a respeito dessas palavras, como acerca de outras. A pena de talião é a justiça de Deus. É Deus quem a aplica. Todos vós sofreis essa pena a cada instante, pois que sois punidos naquilo em que haveis pecado, nesta existência ou em outra. Aquele que foi causa do sofrimento para seus semelhantes virá a achar-se numa condição em que sofrerá o que tenha feito sofrer. ==>
  87. 87. Este o sentido das palavras de Jesus. Mas, não vos disse ele também: Perdoai aos vossos inimigos? E não vos ensinou a pedir a Deus que vos perdoe as ofensas como houverdes vós mesmos perdoado, isto é, na mesma proporção em que houverdes perdoado, compreendei-o bem?”
  88. 88. 765. Que se deve pensar da pena de morte imposta em nome de Deus? “É tomar o homem o lugar de Deus na dis- tribuição da justiça. Os que assim procedem mostram quão longe estão de compreender Deus e que muito ainda têm que expiar. A pena de morte é um crime, quando aplicada em nome de Deus; e os que a impõem se sobrecarregam de outros tantos assassí- nios.”
  89. 89. Doação de órgãos
  90. 90. Muitas pessoas deixam de doar os seus órgãos com medo de que, na outra dimen- são da vida, eles possam fazer falta a seu corpo espiritual. Devemos ter consciência de que, no plano espiritual, o nosso corpo é totalmente dife- rente deste que ora estamos “vestindo”, que só sofre algum prejuízo pelas más ações. As ações no bem, ao contrário, podem ajudar na recuperação de deformidades, que pos- samos ter no corpo perispiritual. Não há sentido algum deixar um órgão humano que aliviará o sofrimento ou, quem sabe, salvar mesmo a vida de uma pessoa, servir de repasto aos vermes.
  91. 91. O sentimento de gratidão do receptor pode “conquistar” benefícios aos doadores, embo- ra não deva ser esse o motivo para doarmos os nossos órgãos; mas devemos fazê-lo por amor ao próximo, e, pensar na hipótese de que quem poderia precisar de algum órgão fosse nós mesmos, para percebermos o outro lado da moeda, situação que jamais deveríamos deixar de avaliar.
  92. 92. ““Se a vida e a alma existem depoisSe a vida e a alma existem depois da morte, a morte é um bem parada morte, a morte é um bem para a alma porque esta exerce melhora alma porque esta exerce melhor sua atividade sem o corpo.”sua atividade sem o corpo.” (Plotino) Plotino (205-270 d.C.), filósofo neoplatônico, autor de Enéadas. (WIKIPÉDIA).
  93. 93. Referências bibliográficas: BOZZANO, E. A crise da morte. Rio de Janeiro: FEB, 1990. GOMES, S. (org.) Pinga-fogo com Chico Xavier. Catanduva, SP: Intervidas, 2010. XAVIER, F.C. Voltei, Rio de Janeiro: FEB,1986. KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: FEB, 1995. KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capivari, SP: EME, 1996. KUBLER-ROSS, E. Morte: estágio final da evolução. Rio de Janeiro: Record, 1996. SCHUTEL, C. A vida no outro mundo. Matão, SP: O Clarim, 2011. http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%B3crates http://pensador.uol.com.br/frase/Nzk5MDg5/ http://pt.wikipedia.org/wiki/Plotino http://www.oconsolador.com.br/ano3/131/joias_da_poesia_comtemporan ea.html http://www.mensagemespirita.com.br/autor/casimiro-cunha/biografia http://pt.wikipedia.org/wiki/Elisabeth_K%C3%Bcbler-Ross
  94. 94. Imagens Capa: http://kalden.home.xs4all.nl/dart/images/SteenwijckHvVanitNGLon.jpg Sócrates rosto e cicuta: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8c/David_- _The_Death_of_Socrates.jpg Plotino: http://www.mundodafilosofia.com.br/images/plotino.jpg Jesus: Foto de quadro do acervo da instituição GDECAL - Grupo de Divulgação e Estudos da Doutrina Espírita Caminho da Luz, em Belo Horizonte, MG. Ilustrações diversas: Celso da Silva in. SIMONETTI, R. Quem tem medo da morte?, Bauru, SP: Gráfica S. João, 1988. Elisabethe Kuebler-Ross: http://www.silberschnur.de/tl_files/autorengfx/kuebler-ross_elisabeth.jpg e http://skoob.s3.amazonaws.com/livros/122984/MORTE_1282492796P.jpg Borboleta Monarca: http://media.escola.britannica.com.br/eb-media/94/94694-050-4EED5113.jpg; http://3.bp.blogspot.com/- NoSRBx0MdY8/Twj1a2nRfnI/AAAAAAAAC0c/W_5dnaUP1CE/s1600/DSC_0822- 2.jpg e http://www.pepite-sc.com/wp- content/uploads/2012/07/shutterstock_25819462.jpg
  95. 95. Pertubação espiritual: http://mfcmamonas.no.comunidades.net/imagens/cemiterio.jpg Morte natural: http://www.uppercanadahistory.ca/finna/que3p15.jpg Morte lenta x rápida: http://ci.i.uol.com.br/mostra/2008/filmes/e-se-a-morte-nos-separar.jpg Morte de parentes: http://marcelocoelho.folha.blog.uol.com.br/images/bovary.jpg Suicídio, aborto e eutanásia, pela ordem: http://3.bp.blogspot.com/_agytvgvLOrA/S9OwekXj5eI/AAAAAAAAAKA/bOHpug7L MEA/s320/rtyuio.jpg, http://www.oconsolador.com.br/20/respeitemos_a_vida.jpg e http://www.useregionaljau.com.br/usejau/phocadownload/EM_DEFESA_DA_VIDA /eutanasia.jpg Inferno: http://pibgoiania.org.br/wp-content/uploads/2013/06/inferno-ed-570x240.jpg Pena de morte: http://www.spiritismo.de/pag-nr1-p-Dateien/image008.jpg Doe órgão, doe vida: http://1.bp.blogspot.com/-DoALgG2CAhY/Td6- cuZYzVI/AAAAAAAAAw8/atIYeavx8eg/s1600/cartaz_doacao2008.jpg.
  96. 96. Site: www.paulosnetos.net Email: paulosnetos@gmail.com Versão 17

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