A Imobilização GessadaConvencional/Clássica          em   Ortotraumatologia
Paulo HomemA Imobilização GessadaConvencional/Clássica          em   Ortotraumatologia           2013
FICHA TÉCNICA                                          TÍTULO       A Imobilização Gessada Convencional/Clássica em Ortotr...
INDÍCEPREFÁCIO...............................................................................................................
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Índice 	                                                                                                                  ...
Capítulo 4CUIDADOS EM FASE AGUDA DE TRAUMATISMOCOM IMOBILIZAÇÃO GESSADA......................................................
PREFÁCIO   O Paulo Homem disse-me que o livro estava pronto e que eu tinha defazer o prefácio. Seja, para mim é uma honra....
Conheci o Enfermeiro Paulo Homem em 1984, era eu aluno de enferma­gem do 2º ano.   O Paulo Homem apresentou-nos os gessos ...
Evolução histórica   Desde os primórdios do homem na terra que ele pratica a imobilizaçãocomo forma de tratar algumas lesõ...
INTRODUÇÃO   Imobilização em ortotraumatologia é um actotécnico executado de forma a controlar ou abolir osmovimentos de u...
14	                                                            Introdução   Uma das principais preocupações a ter na execu...
Introdução 	                                                        15Hospital de LA FÉ – Valência – Espanha, para aumenta...
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Introdução 	                                                         17flexível e regulável, que, previamente ajustado á d...
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Capítulo 1                        generalidades  Materiais mais utilizados na execução da imobili­  zação gessada   Para a...
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Generalidades	                                                         21causados pela imobilização. Este material poderá ...
22	                                                             Capítulo 1   Ligadura gessada   A ligadura gessada tal com...
Generalidades	                                                              23   Embora todas de grande importância, é, no...
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Generalidades	                                                         25                                 As ligaduras ges...
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Generalidades	                                                          27   •	 Em água a cerca de 85º;   •	 A 90º quando ...
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Generalidades	                                                          29                             (no mínimo, que a l...
30	                                                              Capítulo 1                 É importante que o material   ...
Generalidades	                                                            31de lhe retirar o excesso de água e restituir-l...
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Generalidades	                                                    33   Um gessado:   •	 CONFORMADO segundo as regras estab...
Capítulo 2                IMOBILIZAÇÕES GESSADAS                  DO MEMBRO SUPERIOR  Algumas particularidades   Quando o ...
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Imobilizações Gessadas do Membro Superior	                             37   Também a porção metacarpiana deverá, durante a...
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Imobilizações Gessadas do Membro Superior	                              39   Braqui-antebraquial (por fractura do terço mé...
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Capítulo 3                 IMOBILIZAÇÕES GESSADAS                   DO MEMBRO INFERIOR   Algumas particularidades         ...
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Imobilizações Gessadas do Membro Inferior 	                          49   Manobra também importante para a reabilitação da...
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Imobilizações Gessadas do Membro Inferior 	                            51mente calculada e considerada suficiente para neu...
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Imobilizações Gessadas do Membro Inferior 	                              53                    Esta imobilização, por crit...
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Imobilizações Gessadas do Membro Inferior 	           55   Bota Gessada – Tipo Sarmiento   Esta imobilização é frequenteme...
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Capítulo 4                 Imobilizações gessadas                   da Coluna Vertebral   A coluna vertebral constitui uma...
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Imobilizações Gessadas da Coluna Vertebral	                                  59   Após execução, o paciente enfrenta algum...
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Imobilizações Gessadas da Coluna Vertebral	                                 61   Observação importante      Não deixar o m...
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Capítulo 5     CUIDADOS EM FASE AGUDA DE TRAUMATISMO          COM IMOBILIZAÇÃO GESSADA                                  Sã...
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  • Bom dia,
    gostaria de saber se nos poderá disponibilizar este documento, pois somos alunos de mestrado em reabilitação...e estamos a fazer um trabalho nesta area.
    obrigado
    com os melhores cumprimentos
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  • Caro Paulo Homem:
    gostei de ver o trabalho.
    Gostaria de falar consigo pois este trabalho deve ser também matéria de formação dos internos
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A Imobilização Gessada Convencional/Clássica em Ortotraumatologia (2013)

  1. 1. A Imobilização GessadaConvencional/Clássica em Ortotraumatologia
  2. 2. Paulo HomemA Imobilização GessadaConvencional/Clássica em Ortotraumatologia 2013
  3. 3. FICHA TÉCNICA TÍTULO A Imobilização Gessada Convencional/Clássica em Ortotraumatologia AUTOR Paulo Homem pauloduartehomem@gmail.com O autor agradece todos os contributos tendentes a melhorar este modesto trabalho,assim como se propõe a responder, dentro da sua capacidade técnica, a qualquer esclarecimento 1ª EDIÇÃO (2009) FORMASAU - Formação e Saúde, Lda 2ª EDIÇÃO (2013) Paulo Homem pauloduartehomem@gmail.com Fotografias Imagens da própria prática clínica do autor ISBN 978-989-8269-05-8
  4. 4. INDÍCEPREFÁCIO.................................................................................................................................................................................................. 9Evolução histórica............................................................................................................................................ 11INTRODUÇÃO.............................................................................................................................................................................. 13 Alguns Exemplos e Efeitos de Conformação................................................................................ 17 No Membro Superior.................................................................................................................................................. 17 No Membro Inferior..................................................................................................................................................... 17 Na Zona Ilíaca..................................................................................................................................................................... 18Capítulo 1Generalidades.................................................................................................................................................................. 19 Materiais mais utilizados na execução da imobili­ ação gessada................... 19 z Cremes de protecção/hidratação dérmicos......................................................................................... 20 Manga de malha tipo Jersei................................................................................................................................. 20 Algodão natural prensado..................................................................................................................................... 20 Algodão sintético prensado.................................................................................................................................. 21 Feltros auto aderentes................................................................................................................................................. 21 Material Gessado...................................................................................................................................................................... 21 Ligadura gessada.............................................................................................................................................................. 22 Material sintético na imobilização................................................................................................................. 22 Ligadura Gessada – sua hidratação. ......................................................................................................... 23 Ligadura Gessada – sua aplicação. ............................................................................................................. 24 Presa no Material Gessado................................................................................................................................... 25 Imobilização Gessada – Secagem.................................................................................................................. 25 Materiais termo-moldáveis....................................................................................................................................... 26 ....................................................................................................... 27 Regularização das extremidades. .................................................................................................................. 27
  5. 5. 6 Índice Remoção da Imobilização. ...................................................................................................................................... 28 Tala Gessada na Imobilização........................................................................................................................... 30 a) Tala Gessada como reforço de uma imobilização...................................................... 31 b) Tala Gessada como imobilização provisória................................................................... 31 c) Tala Gessada como imobilização definitiva..................................................................... 31 O Paciente............................................................................................................................................................................................ 32Capítulo 2IMOBILIZAÇÕES GESSADAS DO MEMBRO SUPERIOR............................... 35 Algumas particularidades.......................................................................................................................................... 35 Articulação do Cotovelo e/ou do Punho.............................................................................................. 35 Flexura do Cotovelo...................................................................................................................................................... 35 Eventual medida profilática................................................................................................................................ 36 Mão.................................................................................................................................................................................................... 36 Três pontos de apoio estabilizadores......................................................................................................... 37 Imobilização Gessada do Úmero..................................................................................................................... 37 Tala Gessada em U (por fractura estável do terço médio do úmero)........ 37 Braqui-antebraquial (por fractura do terço médio inferior do úmero).... 39 Imobilização Gessada Braqui-palmar (por fractura dos ossos do antebraço)...................................................................................................... 40 Principais imagens da realização da imobilização do antebraço.................... 41 Imobilização Gessada Braqui-palmar (por fractura de Colles)......................... 41 Imobilização Gessada Braqui-palmar, englobando a 1ª falange do 1º dedo da mão (por fractura do escafóide cárpico) 2ª fase ........................ 42 Imobilização Gessada Toro-Braqui-palmar...................................................................................... 43 Imobilização com cruzado posterior das espáduas (por fractura da clavícula).......................................................................................................................................... 44 Cuidados especiais................................................................................................................................................................ 45
  6. 6. Índice 7Capítulo 3IMOBILIZAÇÕES GESSADAS DO MEMBRO INFERIOR................................ 47 Algumas particularidades.......................................................................................................................................... 47 Três pontos de apoio estabilizadores......................................................................................................... 47 Realização de apoio isquiático na imobilização ísquio-podálica.................... 48 Protecção ao tendão de Aquiles......................................................................................................................... 48 Carga simulada do pé....................................................................................................................................................... 48 “Janela” na imobilização. ............................................................................................................................................. 49 Gipsotomia em imobilização gessada...................................................................................................... 50 Gipsotomia de adição................................................................................................................................................... 50 Gipsotomia de subtracção...................................................................................................................................... 51 Cuidados pós Gipsotomia...................................................................................................................................... 51 Imobilização gessada pelvi-cruro-podálica..................................................................................... 52 Imobilização gessada isquio-podálica (por fractura distal do fémur ou proximal da tíbia). .......................................................... 53 Conjunto de Imagens elementares para execução de imobilização do membro inferior.......................................................................................................... 54 Bota Gessada – Tipo Sarmiento.......................................................................................................................... 55 Bota gessada clássica.......................................................................................................................................................... 56 “Cilindro” gessado”............................................................................................................................................................. 56Capítulo 4Imobilização da Coluna Vertebral.......................................................................... 57 Imobilizações segmentares da coluna vertebral....................................................................... 61 Imobilização gessada da coluna lombar em “colete” gessado........................... 62
  7. 7. Capítulo 4CUIDADOS EM FASE AGUDA DE TRAUMATISMOCOM IMOBILIZAÇÃO GESSADA.............................................................................................................. 63 Cuidados ao Traumatizado (das partes livres e disponíveis).............................. 64 A pele............................................................................................................................................................................................... 65 1. Aparelho respiratório........................................................................................................................................... 65 2. Aparelho génito-urinário................................................................................................................................ 66 3. Aparelho digestivo................................................................................................................................................... 66 4. Sistema cardiovascular...................................................................................................................................... 66 5. Sistema articular....................................................................................................................................................... 67 6. Sistema muscular..................................................................................................................................................... 67 Alimentação............................................................................................................................................................................ 68 Cuidados de ordem Psico-emocional e Sócio-económica.......................................... 69Bibliografia............................................................................................................................................................................................. 70
  8. 8. PREFÁCIO O Paulo Homem disse-me que o livro estava pronto e que eu tinha defazer o prefácio. Seja, para mim é uma honra. Lendo e seguindo o que julgo de mais avançado se vai escrevendo eproduzindo sobre a enfermagem, o seu conhecimento, os padrões do seuconhecimento, costumo ensinar aos meus alunos que nesta ciência emer­gente, o padrão de conhecimento estético – a arte de enfermagem –, assumeimportância de igual grandeza a qualquer outra forma de conhecimentodisciplinar especifico da enfermagem, como seja o empírico, o ético,o tácito, o relacional, o pessoal, o cultural e o processual. A presente obra “A Imobilização Gessada Convencional/Clássicaem Ortotraumatologia” é algo de muito interessante neste contexto.O seu conteúdo essencialmente técnico, prático diriam uns, revela bemcomo existe um conhecimento do saber-fazer, e bem-fazer, transmitidoe aperfeiçoado em contextos de execução real, sem deixar de se basearem evidências científicas que a investigação das ciências da saúde vaiproduzindo, comprovando e dando consistência. Com o Paulo Homem é isto, pega-se numa ligadura gessada, humidifica-se, prepara-se, aplica-se, molda-se, ajusta-se em função de princípiose da individualidade, aplicando saberes aprendidos e ditados pelaexperiência de quem se dedicou a esta forma de intervenção, de cuidado,de assistência, de ajuda em anos seguidos de relacionamento interpessoalproporcionando e facilitando processos (de transição diríamos agora),ajudando a que o que a natureza tenderia a corrigir, o fizesse de formamais atempada e mais acertada.
  9. 9. Conheci o Enfermeiro Paulo Homem em 1984, era eu aluno de enferma­gem do 2º ano. O Paulo Homem apresentou-nos os gessos funcionais, grande inovaçãopara a época, o que com o seu entusiasmo nos cativou. Durante anostrabalhamos no mesmo grande Hospital, fui sabendo que estava nos“gessos”, depois soube que se tinha reformado. Em Maio passado (2009)procurou-nos, tinha um livro e quis saber se estávamos interessados emedita-lo. Aqui está, obra feita de valor didáctico inquestionável, manual facil­mente consultável, profundamente ilustrado com fotos da própria práticaclínica do Paulo Homem, que nos ensina os pequenos grandes “truques”da arte de imobilizar com gesso. Com estes homens se fez a enfermagem, com este conhecimento se faza enfermagem. Obrigado Paulo Homem. Paulo Joaquim Pina Queirós
  10. 10. Evolução histórica Desde os primórdios do homem na terra que ele pratica a imobilizaçãocomo forma de tratar algumas lesões, nomeadamente traumáticas. Para oefeito, começou por recorrer à utilização de certo tipo de ervas, cascas eramos de árvores. Os egípcios, 2500 anos antes de Cristo, utilizaram materiais lenhososem forma de talas. Os Árabes, no século IX, ter-se-ão servido de umamistura pastosa de gesso e clara de ovo, terra argilosa e algumas resinasnaturais. Mathijsen, na guerra da Crimeia (1854/55), utilizou, julga-se,pela primeira vez a ligadura gessada (ligadura de pano impregnada deuma mistura gessada pastosa), para exercer imobilização. O homem de hoje continua a recorrer àimobilização e, para dar satisfação às exigênciastécnicas actuais, investigou, desenvolveu e temao seu dispor não só ligaduras gessadas de altaqualidade, com características bem diferen­ciadas, como ligaduras de resinas sintéticas emateriais termomoldáveis.
  11. 11. INTRODUÇÃO Imobilização em ortotraumatologia é um actotécnico executado de forma a controlar ou abolir osmovimentos de um membro ou de outra qualquerregião, com o propósito de tratar ou contribuir paraa cura de certas fracturas, luxações e entorses, nãodeixando de ter em conta que também o poderá serpor outros motivos, nomeadamente para: • Prevenir o agravamento das lesões traumá­ ticas em fase aguda; • Facilitar os procedimentos pré-hospitalares, essencialmente os de levantamento trans­ orte p da vítima; • Facilitar a hemostase; • Diminuir ou controlar a dor; • Favorecer o processo de cura de certas zonas feridas ou doentes; • Evitar os efeitos das contracturas musculares; • Prevenir ou corrigir as posições viciosas. Imobilizar é, portanto, um acto de grande importânciapara o alívio e consequente tratamento das lesões queapoquentam o paciente, cujo grau de eficácia sempre foi eserá de grande preocupação técnica. Todavia, não poderá deixar de ser regida pelos princípios éticos que à semelhança são observados em qualquer outro tratamento.
  12. 12. 14 Introdução Uma das principais preocupações a ter na execuçãoda Imobilização Gessada é a sua eficácia, e para a suacontribuição foram tomados dois procedimentos funda­mentais: um, o da utilização de materiais de baixovolume, destinados à protecção/almofadamento daregião a submeter à imobilização, diminuindo assim oespaço entre a zona e o material gessado, sem, contudo,deixar de cumprir o seu objectivo. O outro, de carácter técnico. Enquanto nos preocupámos na maneira como contornar as formas anatómicas com o material gessado, dito “Moldagem” ou “Modelagem” por uns e “Manipulação” por outros, verificávamos que, especial­ ente nos membros m pela sua configuração longa,arredondada, com maior ou menor grau de conicidade, e debase maior proximal, certas imobilizações gessadas nãocontrolavam alguns movimentos de rotação dentro dosparâmetros de que uma fractura necessita para a suaestabilização e consequente tratamento. Não obstante, Moldagem, Modelagem e Manipulação contribuírempara obtenção de resultados relevantes, torna-se indispensável pôr emprática outras manobras, gessadas, que possam resultar em melhoramentosubstancial do grau de eficácia da IMOBILIZAÇÃO GESSADACONVENCIONAL/CLÁSSICA. Abrimos aqui um parêntese, porque convém, primeiro, dispor de alguns dados, para que melhor se entenda o que iremos expor mais adiante. Em 1980, por iniciativa do Director do Serviço de Ortopedia dosHospitais da Universidade de Coimbra, três médicos especialistas e umenfermeiro de “gessos”, na circunstância eu próprio, deslocaram-se ao
  13. 13. Introdução 15Hospital de LA FÉ – Valência – Espanha, para aumentar os conhecimentostécnico-científicos específicos sobre o tratamento ”BIOLÓGICO DASFRACTURAS com GESSOS FUNCIONAIS CONFORMADOS”, propor­cionados pelo Dr. F. FERNÁNDEZ-ESTEVE, um dos principais mentoresmundiais do método. Este método tem especial indicação nalguns casos de fracturas dosossos longos, essencialmente das diáfises da tíbia e do úmero, após umperíodo de Imobilização Gessada Convencional/clássica. O tutor gessado poderá ser executado restritamente no respectivo segmento traumatizado ou com prolongamento às zonas sãs proximais e/ou distais, ligados entre si por articulações mecânicas de eixo policêntrico, cujo objectivo principal é o de proporcionar mobilidade articular precoce,com elevados níveis de estabilidade dos segmentos lesados e grandesvantagens, especialmente para o paciente. Esta técnica tem por especial particularidade de execução a “CONFORMAÇÃO” – manobra técnica levada a efeito sobre o gessado durante a sua tomada de presa, submetendo os tecidos moles a uma forma e tensão controladas, em áreas pré-definidas, com a finalidade de obter compacidade uniforme na zona, respeitando a sua integridade. “CONFORMAÇÃO” não poderá ser confundida por aperto dostecidos, pois a área do gessado não diminuirá significativamente. Nemtão-pouco por simples manobra de estética; mas sim uma forma de otornar solidário com a região, obtendo-se a limitaçãoou mesmo neutralização dos movimentos em causa(rotação do membro e a deslocação do gessado) porregra, no sentido distal.
  14. 14. 16 Introdução Ao fim do primeiro ano, o método “ORTOPÉDICO-FUNCIONAL”no tratamento de fracturas já era praticado no Serviço de forma sistemá­tica. Tempo, e experiência adquirida que nos deram oportunidade paraavaliar das virtualidades da manobra de “CONFORMAÇÃO” na eficáciada técnica. MOLDAR, MODELAR, etc. como observámos, não são procedimentosque, por si só, satisfaçam o grau de exigência de que uma imobilizaçãogessada necessita para garantir os seus objectivos, embora prestemum valioso contributo, mas é a “CONFORMAÇÃO” a manobra quemelhor satisfaz os requisitos de eficiência/conforto na IMOBILIZAÇÃOGESSADA CONVENCIONAL/CLÁSSICA, mesmo em fase aguda detraumatismo. Realizar “CONFORMAÇÃO” neste período,todavia, há que ter em conta o estado edematosoem que o membro se apresenta. Quando de graumoderado, ela será levada a efeito em toda a suaplenitude. Quando de grau elevado, será realizadaapenas de forma insinuada. A conformação, realizada desde logo, contri­buirá para aumentar o grau de eficiência e, simul­taneamente, a preparação da zona para que esta imobilização sejasubstituída por outra definitiva assim que estejam reunidas as essenciaiscondições, isto é, quando verificada acentuada regressão do estadoedematoso e ausência de risco de desmontagem da redução óssea. Se na maioria das zonas eleitas à conformação, ela é executada manual­ mente, porém, na raiz da coxa, devido ao forte desenvolvimento muscular e a sua dimensão circular, a mesma terá de ser realizada com o auxílio de um conformador de forma quadrangular,
  15. 15. Introdução 17flexível e regulável, que, previamente ajustado á dimensão circular dazona, quando aplicado e accionado, transmitirá a sua forma quadrangular,e só será retirado quando excluído o risco de deformação do gessado. O conformador quadrangular da coxa, assim tecni­ca­ ente chamado, permite ainda, ao mesmo nível me simultaneamente, realizar na parte posterior dogessado apoio isquiático, tornando-se manobra degrande importância para o efeito de descarga domembro quando em regime de carga progressivaassistida. Alguns Exemplos e Efeitos de Conformação No Membro Superior Conformação sobre a membrana inter-óssea rádio- cubital, observando-se o seu efeito pelo achatamento do segmento antebraçal. No Membro Inferior Conformação do terço proximal da perna, especial­ mente sobre a raiz dos gémeos, observando-se a sua forma triangular.
  16. 16. 18 Introdução Conformação sobre o terço proximal da coxa, com o auxílio do respectivo con­ formador, verificando-se o seu efeito quadrangular. Na Zona Ilíaca Não podemos deixar de referir a zona ilíaca como de grande importância para a realização desta manobra técnica nos gessados que a partir dali se desenvolvem: por lesões do 1/3 proximal do fémur (pelvi-podálico); para a maioria das imobilizações da coluna vertebral; ou mesmo por lesões proximais do úmero (toraco- -braquial). Encerramos aqui o parêntese, onde ficou resumida a funda­ mentação da nossa orientação técnica futura.
  17. 17. Capítulo 1 generalidades Materiais mais utilizados na execução da imobili­ zação gessada Para a execução da imobilizaçãoem orto-traumatologia, para alémdo material gessado propriamentedito, outros existem de desempenhosemelhante, nomeadamente acrílicosAinda outros de características essen­cialmente protectoras/almofa­ a­ en­ d mto, que fazendo parte integrante damesma, contribuem tanto para a pre­ser­ ação da integridade dos tecidos subjacentes, como para a sua comodi­ vdade. Materiais de Protecção/Almofadamento São materiais destinados a proteger a integridade da zona a submeter àIMOBILIZAÇÃO sem, contudo, retirar a eficácia que da mesma se espera.Vão longe os tempos em que, para o efeito, eram utilizadas espessas pastasde algodão. Mas sabe-se que quanto maior for o espaço, entre as paredesda imobilização e a região, ocupado por estes materiais, maiores serãoas dificuldades encontradas em controlar os já referidos e inquietantesmovimentos. Nesta conformidade, teremos de utilizar materiais prensadosa baixo volume e que não se decomponham ou se desloquem facilmente.
  18. 18. 20 Capítulo 1 Deverão ser de estrutura compacta, mas com alguma elasticidade emtodos os sentidos, permitindo boa adaptação às zonas menos regulares.Deverão ser de características analérgicas para uma boa tolerância;hidrófugos, sempre que possível, e preferencialmente de origem vegetal;sendo a manga de algodão em malha de jérsei um dos que melhor satisfazos requisitos. Cremes de protecção/hidratação dérmicos Não sendo, propriamente, produtos de protecçãoestrutural, não deixa de ser importante a sua apli­ ação. c São, na generalidade, compostos oleosos emul­sionados em água, de pH neutro e de fácil aplicação. Sãoprotectores e, essencialmente hidratantes, contri­ uindo bpara minimizar o des­ onforto de uma zona impedida de ccuidados higiénicos. Manga de malha tipo Jersei Material, normalmente, proveniente doalgo­ ão, de trama compacta mas extensível em dtodos os sentidos, adaptando-se bem mesmo emzonas irregulares. Forma uma superfície fina euniforme, por regra bem tolerada, tornando-seno elemento mais utilizado para o efeito. Este material poderá ser aplicadoantes dos procedimentos de redução pelo método incruento de certasfracturas (este procedimento tem muitos adeptos). Para melhoramentoda sua condição de tolerância e de comodidade apareceram algumasvariantes com percentagens de viscose e impregnadas de parafina. Algodão natural prensado Apresenta-se em forma de ligadura e é,normalmente, utilizado em situações que exijamuma generosa protecção – saliências óssease zonas menos protegidas de tecido celularsubcutâneo – susceptíveis de sofrerem danos
  19. 19. Generalidades 21causados pela imobilização. Este material poderá apresentar-se, também,em forma de placas, e impregnado de viscose, proporcionando protecçãoestável e de acção prolongada. Algodão sintético prensado Apresenta-se em forma de ligadura que, nãosendo hidrófugo, liberta facilmente água. A suaaplicação é fácil devido á sua extensibilidade,proporcionando uma camada de protecção finae uniforme. Não se decompõe, mesmo quando sujeito a pressões ou amovimentações, apresentando, por isso, algumas vantagens em relaçãocom outros de origem vegetal, habitualmente aplicados. Feltros auto aderentes Também conhecidos por adesivados, apresentam--se em forma de rolos, com espessuras variáveis entre2 e 5 mm. São de aplicação pontual, mas propor­cionando uma protecção adicional em áreas sujeitasa fortes pressões. São hipo-alérgicos, mantêm­‑se permeáveis ao vapor de água e ao ar, devido á sua composição depoliéster, fibra de polipropileno e certa percentagem de viscose. Material Gessado O material gessado destinado à imobilização em orto-traumatologiapoderá apresentar-se em forma de placas, talas, e ligaduras, sendo esta aforma usual da sua aplicação. Apesar do aparecimento de resinas sintéticas, também em forma deligaduras, e de materiais termo-moldáveis, é ainda a ligadura gessada que,não só pelo seu preço, mas também pelo tipo de manobras que permiteexecutar, mais se utiliza, tornando-a imprescindível na imobilização decertas fracturas em fase aguda de traumatismo. É com ela que fazemos asnossas dissertações.
  20. 20. 22 Capítulo 1 Ligadura gessada A ligadura gessada tal como a conhecemos hoje é, normalmente,constituída pelos seguintes elementos: Pasta Gessada: composta por gesso propriamente dito (sulfato de cálcio semi-hidratado …). Gaze: como material de suporte da pasta gessada, tendo no seu fabrico, preferencialmente, a fibra de linho, em trama larga. Tutor: elemento situado no interior da ligadura destinado a manter a sua forma, a facilitar a hidratação e a sua aplicação. Invólucro: protecção externa de forma hermética, destinada a manter as características originais da ligadura gessada. Hoje, com processos de fabrico altamente criteriosos, podemosencontrar no mercado ligaduras gessadas que satisfazem várias exigênciastécnicas, sendo muito relevante o tempo de chegada da tomada de presa*– estado que poderá levar desde alguns segundos a minutos, permitindorealizar tranquilamente algumas das manobras durante a execução daimobilização. Material sintético na imobilização Como já observado, dada a sua importância,não podíamos deixar de dar algumas referên­cias deste tipo de material, também ele, nor­malmente apresentado na forma de ligaduras,cujas características inovadoras passamos arefe­ enciar: r • Boa resistência física e química; • Baixo peso; • Grau de opacidade aos RX consoante a sua composição.
  21. 21. Generalidades 23 Embora todas de grande importância, é, no entanto, a sua transparênciaaos RX de notável valor no visionamento de certas fracturas que, porisso, não será necessário retirar imobilização para observar, ao por­menor, a evolução das mesmas. Como nem todo o material, devido á suacomposição, apresenta o mesmo grau de transparência é este agrupadode forma a satisfazer o objectivo. • Poliuretano tendo suporte a malha de fibra de vidro: resultando em materiais mais ou menos trespassáveis pelos RX; • Poliéster em suporte de malha de fibra de algodão: resultando em material total­ ente trespassável pelos RX; m • Poliuretano em suporte de malha de prolipropileno: resultando em mate­ rial de comportamento semelhante ao anterior. Observemos dois exemplos: Ligadura Gessada – sua hidratação Para que uma ligadura gessada possa ser devi­ damente aplicada, é indispensável que seja sujeita a uma adequada hidratação e, para isso, por via de regra, proceder-se-á da seguinte forma: Primeiramente desenrolam-se cerca de 10 cm da sua extremidade inicial, que será agarrada pela mão esquerda (nos destros), enquanto o rolo é seguro pela mão contrária. A ligadura é mergulhada em água à temperaturarecomendada pelo fabricante, de preferência obliqua­mente, até deixar de borbulhar, a fim de facilitar asaída do ar existente no seu interior. Retirada da água,e sem perder de vista a extremidade inicial, proceder­‑se-á à sua espressão, retirando-lhe o excesso de
  22. 22. 24 Capítulo 1água, das extremidades para o centro, para que não seja expelida grandequantidade de massa gessada. A temperatura da água poderá influenciar ocomportamento da massa gessada, verificando-se quequando acima da recomendada acelerará a tomadade presa, enquanto o inverso a mesma será retardada. Também o grau de hidratação poderá intervirno tempo e na forma de tomada de presa, sabendo-se que quando excessivamente molhada o seuendurecimento retardará, enquanto o inverso, porescassez de água, poderá pôr em causa a indispensávelcristalização uniforme e completa da massa gessada. Na realidade, a ligadura gessada deve ser submetida a um grau dehidratação tal que só a experiência costuma dar. Boa hidratação, boa qualidade dos materiais e uma escrupulosaaplicação, respeitando a técnica, e estarão reunidas condições pararesultar numa imobilização gessada forte, leve, eficiente, de paredes finase regulares. A fim de preservar as características originais do material gessado não sedeve retirar o seu invólucro com demasiada antecedência de utilização. Ligadura Gessada – sua aplicação A ligadura gessada é, de forma sistemática, aplicada circularmente, da extremidade para o centro (nos segmentos longos), de forma suave, mas ajustadamente, cobrindo cada volta cerca de 2/3 da anterior. Quando aplicadas em zonas acentuadamente cóni­ cas, as mesmas ten­ em d a afastarem-se obliqua­ mente, tornan­ o-se neces­­ d sá­ io corri­ ir esse desvio r gcom a forma­ ão de uma inversão sem, çcontudo, fazer cordão.
  23. 23. Generalidades 25 As ligaduras gessadas devem ser aplicadas em número considerado suficiente, e de forma uniforme, em toda a região a imobilizar, exceptuando zonas de maior esforço, em que o número poderá ser aumentado, ou mesmo reforçada com talasgessadas (zonas articulares, de carga, abertura de “janela” e noutras ondese justifique. Aplicado todo o material gessado, sem perda detempo, proceder-se-á à sua perfeita moldagem às formasanatómicas da região, e durante a fase de tomada de presarealizar-se-ão as manobras de Conformação preconizadase outras inerentes à técnica. Presa no Material Gessado O material gessado quando devidamente hidra­ tado desenvolve um processo reactivo caracte­ izado r pelo aumento da sua temperatura durante o qual consome parte da água, sendo outra evaporada, dando lugar ao aumento progressivo do grau de empastamento do material até chegada a tomada de presa; altura para realizar as manobras preconizadas (conformação, os três pontos estabi­ izadores e outras l achadas por convenientes e contempladas na técnica. Imobilização Gessada – Secagem Após a execução de uma imobilização será neces­sá­ io um período de tempo, variável entre as 24 e r48 horas, para que a sua secagem, normalmente,se verifique. São vários os factores que poderão intervir nopro­ esso, tornando-o mais ou menos longo, nomea­ cda­ ente: m
  24. 24. 26 Capítulo 1 • Qualidade e características do material gessado; • Grau de hidratação e a temperatura da água; • Ambiente. Sabendo-se que uma ligadura gessada excessivamente molhada, nomínimo, retardará a sua secagem, assim como hidratar em água abaixoda temperatura recomendada pelo fabricante. Também são os materiais de protecção muito responsáveis pelocomportamento do estado de secagem de uma imobilização gessada,havendo os de características hidrófugas; os que libertam mais ou menosquantidade de água contida; outros, ainda, que a retêm, prejudicando anormal secagem. No ambiente que deverá rodear uma imobilização em fase de secagem,não terá a temperatura grande influência, embora deva ser agradável aopaciente e a quantos o rodeiam. Mas é o arejamento, e controlando o graude humidade, que influenciará favoravelmente o processo. É, ainda, durante o período de secagem, especialmente nas grandesimobilizações, que estas ficam sujeitas a pontos de pressão, eventualmentetransformados em outros tantos locais de compressão/sofrimento, peloque deverão, imobilizado e imobilização, ser, no seu conjunto, apoiadosde forma equilibrada e uniforme pelos meios mais adequados: sacos deareia, almofadas, etc. Materiais termo-moldáveis São materiais que têm por base um poliéster, de superfícies antiaderentes durante a sua manipulação, de elevada memória plástica, permitindo os recortes e a moldagem. Apresenta-se, normalmente, na forma de placas, perfuradas ou não.Não é material utilizado na imobilização propriamente dita, mas um tutorcapaz de assegurar a estabilidade de certas fracturas em estado de atrasode consolidação ou em certas lesões dos tecidos moles. Proporciona um suporte amovível, leve, confortável, normalmentetrespassável pelo RX. Torna-se aplicável quando aquecido, cujas tempera­turas serão diferentes consoante o meio:
  25. 25. Generalidades 27 • Em água a cerca de 85º; • A 90º quando em vapor de água; • Em placa radiante ou em ar aquecido até adquirir a maleabilidade ideal. Quando submetido a aquecimento de forma liquida, quando retiradodo meio, o material é colocado sobre uma superfície absorvente a fim de lheretirar a água, sendo aplicado e moldado sobre a região, que endureceráem alguns minutos. Após os ajustes e regularização das extremidades,é fixado com fitas de velcro. A consulta das instruções do fabricanteé indispensável. Limites da Imobilização Gessada Segundo a lesão e a técnica em presença (conven­ ional/clássica conformada, ou funcional), c assim serão definidos os seus limites, estando esta­ belecido que para o tratamento convencional/ /clássico, por via de regra, a imobilização dos ossos longos ocupará as articulações adjacentes. Quando os limites exigidos não são respeitados; por excesso será incómodo cortar os excedentes; pelo contrário, quando não são atingidos, será necessário proceder ao seu prolongamento, sendo esta “emenda” um mau recurso, sabendo-se quenão irá produzir a mesma eficácia e como­ idade como se correctamente dse tivesse executado inicialmente. Regularização das extremidades A regularização das extremidades éuma acção de grande importância naimobilização gessada, sendo do conheci­
  26. 26. 28 Capítulo 1mento as lesões provocadas nos tecidos moles por extremidadesirregulares e, assim, agressivas, tornando a imobilização incómoda,e quantas vezes insuportável. A fim de conseguir extremidades com bordos confortáveis são os mate­riais de protecção/almofadamento (manga de jérsei, algodão prensado,etc.) voltados sobre as extremidades gessadas e fixados, em forma deDebrum – Bainha, com ligadura gessada. Extremidades mal regularizadas ou falta disso, essencialmente, pela a agressividade que provocam, levam o paciente, na tentativa de aliviar o incómodo/sofrimento, a iniciar por ali a destruição da imobilização. Remoção da Imobilização Executar bem uma imobilização é muitoimportante. Porém, para retirá-la também nãodeixa de ser necessário obedecer a princípiose a recomendações que não poderão ser,de forma alguma, menosprezados. Primeiro, porque não deixou, ainda, de ser frequente o aparecimentodas, sempre desagradáveis, lesões produ­ idas pelos mecanismos de corte. zUmas vezes por deficiente protecção da zona, outras, ainda, pela poucaexperiência dos executantes. A improvisação de materiais de corte ainda é um facto observadoem centros menos experientes e equipados, felizmente com tendência adesaparecerem. Muitos pacientes retêm na memória a agonia de lhe ter sido retiradauma imobilização. A dor da fractura fora esquecida, mas permanece osentimento de sofrimento do cortar um “gesso”. Mesmo alguns profissionais dos mais experientes, mas menos atentos,descoram algumas vezes os receios do paciente e, sem qualquer explicação
  27. 27. Generalidades 29 (no mínimo, que a lâmina é apenas vibratória), apressam-se a realizar o acto, aumentando, assim, o nível de ansiedade. A máquina (serra de gessos) será posta em movimento antes de entrar em contacto com a imobilização. A sua lâmina será dirigidaao gessado na posição perpendicular. O corte será executado por golpessucessivos, em toda a profundidade e extensão, sendo de evitar o contactocom os tecidos moles, exercendo, para isso, apenas a pressão necessáriapara atravessar a parede gessada. Para os experientes é bem perceptívelquando a lâmina corta toda a parede gessada e fica sobre os materiais deprotecção. A imobilização deve ser cortada em formade bivalve, evitando as saliências ósseas,sempre que possível. Esta conduta permitirámanter a estabilidade da zona até final doacto, permitindo que uma das valvas, normalmente a posterior, sejautilizada durante a realização de exames ou em períodos de reabilitação.A componente económica também não deixa de estar presente. Ainda como material de corte deverá ser utilizada a tesoura, cuja lâmina inferior possua na sua extremidade uma protecção (bico de pato), própria da tesoura de LISTER, impeditiva de causar lesões nos tecidos moles. Como auxiliar no afastamento das ditas valvas éutilizado um afastador apropriado (de extremidadesalargadas) dando, assim, acesso fácil ao materialde protecção, que será então cortado com a ditatesoura. Só assim as valvas se separarão sem esforço e sem risco de destabilizar uma fractura recente.
  28. 28. 30 Capítulo 1 É importante que o material para retirar uma imobilização seja adequado e esteja em boas condições de funcionamento. A máquina de gessos, como é sabido, apenas faz movimentos osci­ a­ órios, devendo estar l t equipa­ a com lâmina de diâmetro entre os 0,50 mm e os 70 dmm. Seria impor­ ante que este aparelho fosse silencioso e equipado com tsistema de aspiração de poeiras. Tala Gessada na Imobilização É o elemento mais simples no seio da imobilização, no entanto, eficaz quando organizada e aplicada segundo os critérios técnicos estabelecidos e segundo os seus objectivos. Normalmente organizada por camadas sobrepostas de materialgessado, retirado das próprias ligaduras. A sua espessura é constituída pelo númerode lâminas julga­ as convenientes, sendo o com­ d pri­­ mento e a largura de acordo com as dimen­ ões da s região. É conveniente proceder, antecipadamente, à medição da região. Depois de, assim, organizada, é agarrada pelas extremidades, tornando-a em forma de har­ ó­­ m nio (assim será mais fácilmanipulá-la), submetendo-se à hidratação. Retirada da água, é colocada sobre umasuperfície lisa e antiaderente, com a finalidade
  29. 29. Generalidades 31de lhe retirar o excesso de água e restituir-lhe as suas dimensões originais,passando sobre ela as faces palmares. Sem perda de tempo, e antes da chegada de tomada de presa, proceder--se-á à sua aplicação, segundo o objectivo: a) como reforço numa imobilização; b) como imobilização provisória; c) como imobilização definitiva. a) Tala Gessada como reforço de uma imobilização É a nível articular, na face plantar(quando para colocação de rasto demarcha) e noutras zonas de maior esforçoque a imobilização gessada necessita de ser reforçada. A tala é aplicada, fazendo-a aderir perfeitamente à zona com algumasvoltas de ligadura gessada para melhor fixação e eficácia. b) Tala Gessada como imobilização provisória É, normalmente, aplicada em fase aguda de traumatismo, em situações de pós cirurgias, noutras em que a região necessita de repouso, ou mesmo como processo de alternância à reabilitação. A sua fixação à região é feita, por norma,  com ligadura de gaze, permitindo, senecessário, reajustamentos periódicos. c) Tala Gessada como imobilização definitiva Ver em: Capítulo 2 – Imobilizações.
  30. 30. 32 Capítulo 1 O Paciente Após noção de Imobilização em Ortotraumatologia; determinar os seusprincipais objectivos; tomar conhecimento dos materiais mais utilizáveise respectivos comportamentos; observadas algumas manobras realizáveisdurante ou após a sua execução, falta-nos conhecer o estado do paciente. Paciente que, normalmente, nos aparece perturbado física epsicologica­ ente; desconhecedor do meio que o passa a rodear; duvidoso mdo grau e por quanto tempo a suaincapacidade (cremos que apenasse verifique tempo­ ariamente). r São, por vezes, as responsa­bilidades para com a família e/oupara com aqueles que mantémcompromissos mais o preocupam efazem relegar para segundo planoo seu sofrimento físico. A intervenção da Segurança Social tem aqui lugar. Um paciente tranquilo entende melhor e colaborará no seu trata­mento. A informação será a forma que mais e melhor o poderá tranquilizar. A comunicação terá de ser praticada de forma prudente, mas continuada,procurando receber informação das suas preocupações. O paciente poderá apresentar-se de cor pálida, com suores frios; razõespara se proceder à avaliação das suas tensões arteriais. A dor deverá sercontrolada ou mesmo suprimida. Também, regionalmente, devemos averiguarda existência de lesões dérmicas, referenciando--as e protegendo-as. A zona será lavada, desin­fectada, assim prevenindo o agravamento dasexistentes e o aparecimento de outras.
  31. 31. Generalidades 33 Um gessado: • CONFORMADO segundo as regras estabele­ cidas; • LIMITES convencionados segundo a técnica; • EXTREMIDADES regularizadas segundo as normas; • LEVEZA sem colocar em causa a sua eficácia; • EXECUTADO por critério clínico; • E com uma boa “porção” de arte será IMOBI­ LIZAÇÃO EM ORTO-TRAU­ ATOLOGIA, M proporcionando EFICÁCIA e COMODIDADE, transmi­ indo tranquilidade e confiança ao t pacien­ e e a quantos o rodeiam. t Desta maneira, não. Assim…! é mais um artefacto que tantas vezes se torna irritante e traumatizante, podendo tornar-se fundamental para o insucesso do processo de tratamento
  32. 32. Capítulo 2 IMOBILIZAÇÕES GESSADAS DO MEMBRO SUPERIOR Algumas particularidades Quando o membro fica submetido àimobi­ ização, por princípio, é colocado lem repouso ao peito. O ombro, muitasvezes injustificadamente, também sofre asconsequências dela, podendo levar à rigidezarticular, etc. Como conduta preventivaserão realizados, em alternância aorepouso, todos os movimentos permitidos, preferencialmente pendulares,aumentando-os, progressivamente, no tempo e na amplitude. Articulação do Cotovelo e/ou do Punho Na maioria das imobilizações do membrosuperior são as suas articulações quase sempresujeitas à imobilização. Mais não se poderáfazer mais do que libertá-las precocemente,recorrendo á técnica “ORTOPÉDICA/FUN­CIONAL” no tratamento de fracturas, se foresta a opção clínica. Flexura do Cotovelo Não é desconhecido que, por emba­ raço vascular de retorno, eventual­ mente, por aplicação menos cuidada do material gessado sobre a flexura do cotovelo, um membro traumatizado
  33. 33. 36 Capítulo 2em fase aguda submetido a imobili­ ação fechada apresente extremidades zfortemente tumefactas, com grandes tensões intramusculares, podendolevar a desagradáveis consequências neurológicas locais. Eventual medida profilática Quando a aplicação das ligaduras gessadas atingem ¼ proximal do antebraço, encontrando-se o cotovelo flectido a 90º, é interrompida a aplicação circular, para levar a passar a ligadura por uma das faces laterais do cotovelo à porção distal do braço, dando aí uma circular, para voltar pelo lado contrário ao antebraço, onde se fixa, também com uma circular. Este procedimento deve ser repetido por duas vezes, construindo o que se poderá chamar os “pilares” de uma ponte.Agora é dar continuação à aplicação do materialgessado a partir de onde tinha sido interrompido,cobrindo a flexura sobre os ditos “pilares”, paraterminar onde estava estabelecido. Esta manobra servirá de exemplo para todas asimobilizações que ocupem esta zona. Mão Todas as suas capacidades, desde a preensão ao tacto, fazem da mão um órgão dos mais complexos e importante para o Homem. Mas é a alteração da sua funcionalidade que também muito nos preocupa. Um componente gessado que inclua a mãoilesa, não deverá ultrapassar a linha inter-metacarpo-falângica, deixandotambém o polegar livre de forma a facilitar a prática da oponibilidade,essencial á continuidade da preensão.
  34. 34. Imobilizações Gessadas do Membro Superior 37 Também a porção metacarpiana deverá, durante aexecução do gessado, manter-se fisiologicamente espal­mada. Facilitando os movimentos normais de todosos dedos. Três pontos de apoio estabilizadores No membro superior, é nas fracturas da diáfise do úmero que, porsistema, esta manobra se realiza. Consiste em exercer sobre ogessado, manualmente, três níveisde forças. Uma sobre a zona epifisária distalinterna; outra, em sentido oposto, naporção diafisária mediana externa;a terceira no sentido da primeira,exercida pela oposição da parteproximal do segmento lesado. Procedimento levado a efeito com o objectivo de contrariar a tendênciaao varo. Imobilização Gessada do Úmero Tala Gessada em U (por fractura estável do terço médio do úmero) É de considerar a aplicação de uma talagessada a título definitivo quando os seusefeitos são leva­ os até alcançar o fim em dvista – a cura. Esta imobilização poderá ser executadapor várias razões, mas neste caso, emparticular, como bom exemplo. O paciente é colocado na posição de sentado, sempre que possível.
  35. 35. 38 Capítulo 2 O membro, com flexão do cotovelo a 90º, é, preferencialmente, amparadopelo próprio paciente, mão no punho, com o antebraço em pronação, parafacilitar a neutralização da tendência ao varo. O tronco é inclinado para o lado da lesão, posicionando-se o membroem condição pendular. Estes procedimentos muito contribuirão para umelevado grau de relaxamento, facilitando as respectivas manobras deredução e de imobilização. A tala será aplicada a partir do grande troquíter, descendo a faceexterna do braço, roda inferiormente o cotovelo e sobe pela face internaaté ao cavado axilar. Pelas faces antero-posterior deverão ficar faixas longitudinais, comcerca de dois centímetros de largura, isentas de material gessado, que irãopermitir reajustamentos periódicos, consoante a regressão do edema. A tala fixa-se rápida e ajusta­damente ao braço com ligadurade gaze, conformando bem as zonassupra-condilianas. Espalmam-se asfaces, interna e externa. Realiza-se amanobra dos três pontos estabi­ iza­ ldores, prevenindo, assim, a tendên­cia ao varo. Liberta-se a flexura de modo a permitir mobi­ idade entre os 90º e 110º. l A extremidade proximal da imobilização é fixada sobre a zona daespádua respectiva com ligadura elástica auto-adesiva, de caracte­ ísticas r analérgicas. Ensaiam-se os movimentos de flexão e de extensão do cotovelo, assim como pendulares do membro. O membro é suspenso ao pescoço, com material adequado, por períodos de alternância ao programa de exercí­ cios.
  36. 36. Imobilizações Gessadas do Membro Superior 39 Braqui-antebraquial (por fractura do terço médio inferior do úmero) É a posição de sentado, sempre que possível, a que melhor proporciona boas condições de redu­ ção. Membro, com cotovelo a 90,º seguro, prefe­ en­ r cialmente, mão no punho, pelo próprio paciente, com antebraço em pronação e tronco inclinado para o lado da lesão, encontrando-se assim omembro suspenso pelo ombro. Esta postura contribui, decisivamente,para um elevado grau de relaxamento que muito facilitará a redução. Após colocação do material de protecção/almofadamento e processadoa redução, é imperioso que de imediato se estabilize a fractura, aplicandoligaduras gessadas a partir do quinto proximal do antebraço até ao grandetroquíter, respeitando o cavado axilar. Durante a fase de presa do material gessado,proceder-se-á à neutralização da tendência aovaro, com a realização da manobra dos trêspontos estabilizadores. (como atrás) Seguidamenteprocede-se à conformação sobre das zonas supra-condilianas do úmero assim como o restante componente, de maneira aobter faces achatadas. De seguida é engessado o resto do antebraço até ao punho, que ficará livre, conformando-se: pela face posterior, sobre a membrana inter-óssea rádio-cubital; sendo anteriormente, apenas, de forma insinuada. A conformação sobre este segmento tem o propósito de impedir ou limitar a amplitude dos movimentos de prono-supinação. Na extremidade proximal éa imobilização estabilizada, ligando-se ao ombrocom material adesivado. Ensaiam-se os movimentos pendulares domembro com alternância para os exercícios.
  37. 37. 40 Capítulo 2 Imobilização Gessada Braqui-palmar (por fractura dos ossos do antebraço) Posição: Para tentar reduzir as fracturas dos ossosdo antebraço, deve o traumatizado ser colocado,prefe­ encialmente, sentado, podendo, no entanto, restar deitado em decúbito dorsal. O membro é suspenso pelos 1o e 2os dedos, comauxílio do “chinese ‘finger traps’” na posição desupinação, e com o cotovelo flectido a 90º. A contra-tracção, de 3 a 5 quilos, é realizada a nível distal dobraço. Estas acções facilitam um suave e progressivo relaxa­ ento muscular, mpermitindo, após cerca de 5 minutos, com manipulações suaves, umaredução fácil e menos traumatizante. A posição em supinação é importante para que se corrija o afastamentointerósseo e o paralelismo rádio-cubital. Após a redução, o membro é submetido à imobilização braqui-palmar, tendo em atenção que o seu limite distal se situará a nível da linha interóssea metacarpo-falângica, terminando no terço médio do braço. Exercer conformação sobre a membrana rádio- -cubital, especialmente na sua face posterior; já que pela face anterior será apenas sujeito a uma discreta pressão, formando apenas o achatamento do gessado; forma de colocar e manter os respectivos ossosparalelamente afastados. As zonas supra-condilianasdo braço serão, igualmente, conformadas. É o antebraço o segmento do membro supe­ ior que por rmotivos de traumatismo ou por manobras de reduçãomais ou menos vigorosas, frequentemente sofre deelevadas tensões intramusculares, podendo instalar-se
  38. 38. Imobilizações Gessadas do Membro Superior 41 um quadro de sofrimento, muitas vezes, de consequências irreversíveis. A forma profilática aos eventuais cons­ tran­ imentos já foi descrita em algumas g particularidades (p. 37). Principais imagens da realização da imobilização do antebraço Imobilização Gessada Braqui-palmar (por fractura de Colles) Para a execução desta imobilização o traumatizadoé colocado, preferencialmente, sentado. O membro emsupinação, cotovelo a 90º, fixado pelo polegar através do“finger traps”.
  39. 39. 42 Capítulo 2 A tracção é de cerca de 4 quilos, durante 10 minutos, ao fim dos quais serão iniciadas as manobras de desencravamento do respectivo fragmento. Verificado, digitalmente, o desencravamento, é o gessado executado, tendo como limites: região interóssea metacarpo-falângica, e o terço médio do braço. Durante a fase de presa é o punho colocado em flexão e desvio cubital de cerca de 40º, manobra, esta, quecompletará a redução e estabilizará o respectivo fragmentoao nível original da superfície articular. A conformação do gessado incidirá: pela face posterior,sobre a linha interóssea rádio-cubital; pela face anterior,apenas de forma insinuada; a nível do braço, sobre oscôndilos umerais. Imobilização Gessada Braqui-palmar, englobando a 1ª falange do 1º dedo da mão (por fractura do escafóide cárpico) Durante a fase aguda, a imobilização é executadadesde a inter-linha metacarpo-falângica, de forma apermitir oponibilidade dos dedos, e antebraço emprono-supinação neutra, terminando no terço inferiordo braço, exercendo conformação sobre as zonas supra-
  40. 40. Imobilizações Gessadas do Membro Superior 43-condilianas do úmero. Insinuadamente as faces, anterior e posterior,do antebraço. 2ª fase Após cerca de três semanas, comexame imagiológico, e critério clínico,será libertado o cotovelo até à cura. Imobilização Gessada Toro-Braqui-palmar O paciente é, preferencialmente, colocado na posição de sentado em banco redondo e regulável em altura, com o tronco erecto, e com o membro, salve-se outra indicação, colocado a 45º de abdução. Cotovelo flectido a 90º, sendo a antepulsão de 30º. A imobilização é iniciada sobre a zona sacro-ilíaca, progredindo o envolvimento do tronco. Sobre os bordos superiores dos ilíacos érealizada conformação, fazendo passar uma ligadura de pano, com cerca demetro e meio de comprimento, de trás para a frente, cujas extremidades secruzam sobre a região púbica. Está assim assegurado o necessário apoio desta grande imobilização e,para que os componentes toro-braqui-palmar tenham uma sólida uniãoentre si, é necessário reforçar a zona escápulo-umeral com algumas talasgessadas de reforço, estrategicamente colocadas. Já com o membro colocado em posição pré--definida, a primeira tala parte da zona ilíacaanterior do lado lesado, que subirá ao cavadoaxilar, seguindo pelas faces internas do braço edo antebraço até terminar na linha interósseametacarpo falângica, criando na mão apenasum apoio.
  41. 41. 44 Capítulo 2 Outra, partindo da zona ilíaca posterior do lado são, subirá, obliqua­mente, à zona escápula-umeral lesada, seguindo pela face externa dobraço, passando no antebraço pela face posterior até ao punho, deixando-olivre. Uma terceira, partindo da base da zona do hemitórax do lado são, subirápela parte antero-superior do gessado, passando pela zona escápulo--umeral, prolonga-se pela face posterior do braço, terminando no terçoproximal do antebraço. Com o propósito de bem impregnar as talas no gessado serão passadasalgumas ligaduras de acabamento. Marcar e retirar, depois da secagem, o retalho sobre a zona gástrica. Imobilização com cruzado posterior das espáduas (por fractura da clavícula) Tratando-se de uma imobilização executada com material de suportebaseado em ligadura de pano, é, contudo, eficaz para o tratamento damaioria das fracturas do terço médio da clavícula. A sua eficácia fundamenta-se na forma técnica de execução, cujaacção primordial consiste em fazer aumentar a distância entre ombros,neutralizando as contracturas muscula­­res, “obrigando” os fragmen­ os tósseos a recolocarem-se com a forma e compri­ ento originais. m Para a execução desta imobilização a posição do paciente será a desentado, tronco erecto e membros superiores colocados (apoiados) a cercade 45º de abdução e com a retropulsão possível dos ombros. O executante colocar-se-á de frente para a parte posterior do tronco, iniciando a imobilização com duas voltas de fixação no ombro contrário, de trás para a frente e de baixo para cima, cruzando de seguida a face posterior do tronco até à axila do lado lesado, rodando o ombro de trás
  42. 42. Imobilizações Gessadas do Membro Superior 45para a frente e de cima para baixo. A ligadura circula alternadamente osombros, sempre em tensão, cruzando, sucessivamente, entre as espáduas,até se verificar que os ombros se afastaram e se fixam em retropulsãoforçada. Cuidados especiais Esta imobilização requer um almofadamento generoso a fim de evitarhiper-pressão do plexo braquial. Os membros, com tendência a dimi­nuírem o grau de abdução, aumentam a pressão axilar, podendo levar aoaparecimento de transtornos neuro-vasculares periféricos na sua porçãodistal. As instruções tendentes à profilaxia das eventuais alterações consistem,essencialmente, no alívio da respectiva pressão axilar, aconselhando opaciente a colocar as suas mãos sobre os ilíacos, proporcionando algumaabdução dos braços e, por isso, descompressão.
  43. 43. Capítulo 3 IMOBILIZAÇÕES GESSADAS DO MEMBRO INFERIOR Algumas particularidades Os membros inferiores, de características robustas de harmonia com as suas funções, quando submetidos à Imobilização clássica prolongada também eles sofrem de consideráveis perdas de massas musculares e da, não menos arreliadora, rigidez articular. Com o fim de prevenir parte destas complicações será nosso dever ensinar e motivar o paciente à realização decontracções isométricas muscula­ es, mas seria ra opção, sempre que indicada clinicamente, aaplicação da técnica de tratamento pelo métodoortopédico/funcional, que minimizaria partedessas contrariedades. Três pontos de apoio estabilizadores Tal como no membro superior, também nomembro inferior esta manobra técnica é praticada,com a diferença de aqui se tratar de contrariar atendência ao valgo. Uma das forças é exercida sobre a zona epifisáriadistal externa; outra, em sentido oposto, na porçãodiafisária mediana interna; a terceira, no sentido daprimeira, exercida pela oposição da parte proximal
  44. 44. 48 Capítulo 3externa do segmento lesado, podendo ter ajuda de uma terceira pessoa,tal como na imagem. Realização de apoio isquiático na imobilização ísquio-podálica Manobra levada a efeito aquando da confor­ mação quadrangular da raiz da coxa, submetendo o bordo proximal e posterior do gessado ao contacto com a tuberosidade isquiática, com afinalidade de ali criar um apoio de descarga do membroquando em regime de carga progressiva assistida. O bordo gessado, na zona, deverá ser excepcionalmenteconfortável, almofadando generosamente a zona. Protecção ao tendão de Aquiles É a forma de aplicação das ligaduras gessadas sobre a zona, mais que ajustada­ mente, que o tendão poderá sofrer de certo constrangimento. Para proteger a sua normal forma anatómica será necessário modelá-lo digitalmente em toda a sua extensão. Carga simulada do pé Também o gessado a nível da zona mediana dosossos do metatarso deve ser pressionado digitalmente,de forma controlada; essencialmente sobre o 2º, 3ºe 4º meta, a fim de, assim, fazer espalmar a zona,simulando carga fisiológica.
  45. 45. Imobilizações Gessadas do Membro Inferior 49 Manobra também importante para a reabilitação da marcha quandoretirada a imobilização, especialmente para o equilíbrio. E assim que se apresenta a região quando em carga fisiológica(espalmada). “Janela” na imobilização Sempre que na zona a submeter a imobilização exista numa situação que exija vigilância e/ou tratamento, é necessário criar condições de acesso. A zona ferida ou doente deverá ser referenciada antecipadamente com a pre­ isão possível e transferida para local csimetricamente oposto. Caso não se verifique condições desimetria serão retiradas medidas e outras referências quevenham a facilitar a sua exacta localização, após executadaa imobilização. Após execução da imobilização, será a referência transferida do local são para o gessado, utilizando a mesma preocupação de exactidão. Só após a secagem será recortado o retalho, em toda a sua extensão e profundidade, utilizando com os devidos cuidados a serra de gessos. Retirado o retalho gessado, será também recortado o material de protec­ ão, preferencial­ ente, em forma ç mde X, e o mesmo voltado sobre os bordos da abertura,fixando-o com tiras gessadas generosamente hidratadas.Quando nos tratamentos são utilizadas substânciaslíquidas, devem os mesmos bordos ser protegidos, deforma que os líquidos não escorram para o interior ouexterior das paredes gessadas, tornando-as humedecidase frágeis, surgindo com alguma frequência, nos tecidosmoles subjacentes, dermatoses ou dermatites.
  46. 46. 50 Capítulo 3 Recolocar o retalho requer a condição de submeter o local à pressãoaproximada da exercida pela imobilização, para isso deve ser fixado circularmente. Não o recolocar nas condições acima referidas ou simplesmente desprezá-lo, é permitir a exuberância dos tecidos moles, contribuindo para o atraso da cicatrização das feridas por deficiente irrigaçãosanguínea ao local. Não sendo procedimento exclusivo da perna, é nela que frequentementese verifica. Gipsotomia em imobilização gessada Acto técnico, consistindo em dar um corteparcialmente transversal num gessado quecontenha uma fractura diafisária com algumdesvio de alinhamento e/ou pequenas dife­renças do seu comprimento original. Segundo as alterações a corrigir assim será denominado o acto, sendo somente executado após secagem do gessado. Gipsotomia de adição Acto de tentar corrigir fracturas com angulação inaceitável e discreto encurtamento por encravamento. O corte, no gessa­ do, é de incidência ao vértice do menorângu­ o, seguindo-se o afastamento dos bordos, lpor pressão manual exercida nas extremidadesda imo­ i­ ização, até atingir a amplitude previa­ bl
  47. 47. Imobilizações Gessadas do Membro Inferior 51mente calculada e considerada suficiente para neutralizar os respectivosdesvios. A posição é mantida pela colocação de uma cunha em forma de ponte,de maneira a não pressionar os tecidos moles. A posição é fixada com ligadura gessada aplicada circularmente. Os desvios, assim como os resultados dos actos,são avaliados por exames imagiológicos em doisplanos perpendiculares, e do comprimento total dosegmento ósseo em causa. Gipsotomia de subtracção Assim designada por ser retirada ao gessado uma porção gessada emforma de um gomo de laranja – apenas a “casca” –, na tentativa de corrigirsignificativa angulação e/ou com ligeira diastáse dos topos ósseos. Os cortes são executados com incidência ao vértice do maior ângulo,cujo retalho é calculado de acordo com o grau dos desvios verifi­ ados. c A acção desta gipsoctomia é opostaà da anterior, e, por isso, os bordos sãoaproximados e fixados, igualmente, comligadura gessada. Sendo previsível o desenvolvimentode grande pressão sobre a zona, é estamanobra, por si e pelos eventuais trans­tornos dermo-neuro-vasculares, de realização muito pontual, cujoscuidados, em relação à anterior, têm de ser redobrados. O controlo imagiológico é também realizado à semelhança da anterior. Cuidados pós Gipsotomia O traumatizado ficará em vigilância durante as primeiras horas paradetecção e avaliação de eventuais transtornos, sabendo-se que a deficienteprotecção/almofadamento da zona e/ou o exagero da manobra poderãocontribuir para o seu agravamento. Por regra, este acto não hiper-corrige.
  48. 48. 52 Capítulo 3 Imobilização gessada pelvi-cruro-podálica Como o seu nome indica, a acção desta imobilização far-se-á sentir portodo o membro até a nível da 3ª costela asternal. A conformação ilíaca é a manobra mais eficaz para tornar a regiãosolidária com o membro. A sua execução é em mesaortopédica, contemplando osapoios das regiões: cefálica edas espáduas, dos ramos isquiá­ticos, e dos pés, com apoio paraos calcâneos. Aplicado o material gessado,de forma convencional, (dasextre­ idades para o centro), salvo raras excepções; sabendo-se dos mexcepcionais esforços exercidos a nível da articulação coxo-femural, énecessário que se proceda ao reforço da zona com talas gessadas: • Pela face anterior, desde 1/3 proximal da coxa ao ilíaco contrário, curvando sobre o triângulo de Scarpa, seguindo sobre a sínfise púbica; • Pela face lateral, do mesmo nível, parte uma outra que sobe ao ilíaco do mesmo lado, seguindo para trás, passando sobre a região sagrada, terminando de forma a encontrar-se com a extremidade inicial da anterior; • Ainda uma terceira, mas posteriormente, que sobe até à região supra- -ilíaca respectiva. Para que a articulação contrária possa exercer flexão de, pelo menos,90º, o componente gessado pélvico terá de abordar a parte superior daespinha ilíaca antero-inferior, do respectivo lado. A fim de facilitar a dilatação gástrica e a respiraçãoinfra-diafragmática serão colocadas duas ligaduras dealgodão de baixo volume, no sentido longitudinal, criandoum espaço de dilatação na região.
  49. 49. Imobilizações Gessadas do Membro Inferior 53 Esta imobilização, por critérios clínicos, também poderá ser executada a partir das zonas supra-condi­ lianas do fémur respectivo (calção), onde será conven­ cionalmente conformado. Ainda pelos mesmos motivos, ela poderá ser executa­ da a partir da zona supra-maleolar (deixando o pé livre). Caso se opte pela forma inicial, o pé só será incluído na imobilização (pelvi-cruro-podálica) quando libertodo apoio podálico da mesa ortopédica. Imobilização gessada isquio-podálica (por fractura distal do fémur ou proximal da tíbia) Esta imobilização, tanto por fractura do 1/3distal do fémur, como por dos ossos da perna, éconhecida por cruro-pediosa ou cruro-podálica.Mas na verdade ela será denominada de isquio--podálica, essencialmente, pelo facto do bordoposterior proximal da imobilização ser, pela influên­cia da manobra de conformação quadrangular daraiz da coxa, colocado sob a zona da tuberosidadedo ísquion. Quando por fractura da tíbia o paciente écolocado na posição de decúbito dorsal, com a perna pendente, sendo ado executante sentado em banco baixo de forma a ficar de frente para osegmento em causa. Esta é a posição que melhor relaxamento muscular proporciona, facilitando as manobras de redução e de imobilização. Atendendo ao nível da fractura, será prioritário que se estabilize o foco, para depois completar a imobilização. No pé, pela face plantar, desde as extremidades dos dedos. Pela face dorsal deixando-os livres. Molda- se bem o cavado plantar, pressiona-se, digitalmente,
  50. 50. 54 Capítulo 3sobre o 1/3 médio dos metatarsos com a finalidade de bem espalmar azona, criando, assim, carga simulada. A região maleolar bem modelada;no tendão de Aquiles protegendo-o da sua proeminência, como jáindicado, dando continuidade à aplicação do material gessado até aonível da grande tuberosidade da tíbia. Conformar sobre a membrana interóssea tíbio-peronial, para logocolocar o membro em plena extensão, aplicando material até á raizda coxa. Realizar conformação sobre a raiz dos gémeos, em simultâneo com ado tendão rotuliano. Esta apenas de forma insinuada. Continuar com asmanobras de conformação sobre as zonas supra-condilianas, e procederao achatamento das paredes laterais do gessado até à raiz da coxa, ondese procederá à aplicação do conformador mecânico, exercendo conforma­ção quadrangular da raiz da coxa, em simultâneo com a realização doapoio isquiático.Conjunto de Imagens elementares para execução de imobilização domembro inferior
  51. 51. Imobilizações Gessadas do Membro Inferior 55 Bota Gessada – Tipo Sarmiento Esta imobilização é frequentemente executadapelo facto de proporcionar maior estabilidade aosegmento da perna. Todos os procedimentos técnicos de execução são,de todo, semelhantes aos praticados na imobilizaçãoanterior até ao nível do pólo superior da rótula.
  52. 52. 56 Capítulo 3 Para que o gessado permita que o joelho exerça 90º de flexão, dele éretirado um retalho desde a extremidade proximal posterior até à inter--linha do cavado poplíteo. Bota gessada clássica Como da imobilização anterior, também esta estásujeita aos mesmos preceitos técnicos, linha interósseatíbio-peronial, cujo limite se situa sobre a grandetuberosidade da tíbia. “Cilindro” gessado” Algumas lesões a nível do joelho, essencialmente de ordem ligamentar, não necessitando do componente podálico nem de descarga isquiática, é o membro submetido ao chamado (incorrectamente) de “cilindro” gessado, cujas extremidades se situam sobre a zona supra-maleolar e o 1/3 proximal da coxa. Também esta imobilização, para que não se deslo­ que, necessita de eficaz conformação das zonas supra- -condilianas do fémur, e sobre a raiz dos gémeos, não esquecendo que o achatamento das faces late­ rais e posterior do gessado docomponente femoral também dão uma boa ajuda áestabilidade. Cilindro é aquela imobilização que se desloca,essencial­ ente, no sentido distal, provocando sobre mos maléolos grande pressão, causando desconforto epor vezes feridas.
  53. 53. Capítulo 4 Imobilizações gessadas da Coluna Vertebral A coluna vertebral constitui uma partemuito importante do esqueleto, actuandocomo um “pilar” que suporta a partesuperior do corpo humano, resguardandoo prolongamento do sistema nervosocentral. Também ela não “fugirá”, por lesõestraumá­ icas ou patológicas, à acção da timobilização. Devido à sua constituição, não será fácilcontrolar os seus movimentos sem tornarsoli­ árias a cabeça e a cintura pélvica, dpassando pelo segmento do tronco. Hoje, tanto pelas avançadas técnicascirúr­ icas, como pelos implantes metálicos e, ainda, pela aplicação de gortóteses acrílicas, leves e resistentes, executadas por medida ou pré-cons­truídas, são estas grandes imobilizações menos frequentes, contudo, elascontinuarão a ser executadas. Estas imobilizações são demoradas e complexas de executar, e porqueo paciente se encontra psíquica e fisicamente fragilizado, terá de previa­mente ser observado e preparado de forma a proporcionar um actotranquilo e seguro. Durante a execução a atenção será permanente, especialmente de forma comunicativa.
  54. 54. 58 Capítulo 4 A posição do paciente dependerá muito do seu estado e da indicaçãoclínica, podendo a imobilização ser executada: a) De pé, auxiliado por barras horizontais e/ou verti­ cais, com ou sem sustentação da cabeça. b) Sentado (em boa verdade semi-sentado) caso presente, em banco giratório regulável em altura, com auxílio de barras, com ou sem sustentação da cabeça. c) Deitado, em mesa própria (ortopé­ dica) normalmente ventral (aqui, dar forma a leito gessado). O material de protecção/almofadamento deverá ser o adequado, tanto na espessura como na qualidade: que não se desloque, nem se decomponha pela pressão, nem pelos suores ou outras humidades.
  55. 55. Imobilizações Gessadas da Coluna Vertebral 59 Após execução, o paciente enfrenta algumas dificuldades para realizaressenciais rituais higiénicos da sua vida privada e social. O acompanhamento por pessoa íntima ou familiar terá de ser profi­ciente. A imobilização da coluna vertebral tem porprincípio a envolvência da cintura pélvica, tendo comolimites inferiores a inclusão da região sagrada, assimcomo anteriormente, sobrepondo a sínfise púbica,deixando as articulações coxo-femorais livres, deforma a permi­ ir, pelo menos, 90º de flexão. Progrida- tse, com a aplicação do material gessado, envolvendoo tronco: pela face posterior até à zona cervical;anteriormente, sem limitar os movimentos dos membros superiores, até àporção mediana do manúbrio. Encontrando-se o material em fase de presa, proceder-se-á à conformação sobre os ilíacos, sobre os seus bordos superiores, com o auxílio de uma ligadura de pano, de cerca de um metro e meio de comprimento, colocada de trás para a frente, a partir da sua parte média, cujas extremidades se cruzam sobre a região púbica. Agora que realizámos um apoio forte eeficiente, é a cabeça colocada em posição quepermita olhar o horizonte, fixada por uma talagessada, desde a região lombar até acima dalinha superior do occipital, envolvendo tambéma porção mediana e posterior do pescoço. Segue--se a colocação de uma outra tala, de cerca deseis centímetros de largura, em que a sua porção
  56. 56. 60 Capítulo 4média é colocada sobre o frontal, seguindo as suas extremidades sobre aszonas temporo-parie­ ais que, cruzando sobre a nuca, se vão sobrepor nas tzonas das espáduas. São as irregularidades do occipital, em especial a sua protuberânciaexterna e os tubérculos do frontal que, quando exemplarmente confor­mados/cingidos pelo material gessado, asseguram a imobilidade dacoluna cervical. No occipital os movimentos de extensão. No frontal os deflexão, que do seu conjunto resulta imobilização. Também o material de protecção/almofadamento deverá ser aplicado de forma a não “apagar” as ditas irregularidades, mas sem deixar de cumprir a sua função – protecção. Posto isto, procederemos ao reforço dos locaismais vulneráveis ao esforço – colocando duastalas: uma de cada lado, sobre as zonas espáduo//claviculares, que descem, antero-posteriormente,até aos ilíacos. Junto ao pescoço é colocada emforma de gola. Para reforçar a parte anteriordo gessado é colocada uma tala sobre a zonasuperior do externo, em forma de ogiva, cujasextremidades descem, formando os “pilares”, atéaos bordos ilíacos anteriores, garantindo, assim, aintegridade da imobilização quando retirado o retalho gástrico, sendo demaior dimensão nas mulheres, pelos motivos óbvios. Claro que para conseguir eficácia e comodidade, obrigará a umarigorosa técnica de execução, especialmente sobre a zonas do frontal e dooccipital.
  57. 57. Imobilizações Gessadas da Coluna Vertebral 61 Observação importante Não deixar o maxilar inferior liberto, como normalmente se observa, é soli­ itar c as primeiras vértebras cervicais sempre que o paciente pretende realizar acções de sobrevivência – falar, comer/mastigar, beber, etc.; provocando a maior das angústias que já observámos nos pacientes portadores deste tipo de imobilização. Quando pretendemos que uma imobilização seja executada como objectivo de aliviar a dor e contribuir para a cura da lesão em causa,e não mais um artefacto capaz de aumentar o sofrimento, também estaparticularidade foi ponderada. Imobilizações segmentares da coluna vertebral Descrita a imobilização gessada de toda a coluna vertebral, será agora mais fácil traçar as linhas para imobilizar os seus principais segmentos: cervical, dorsal e lombar. Utilizando o critério de imobilização, nem a coluna cervical será imobilizada sem incluir a cabeça e o segmento dorsal; nem a coluna lombar o é sem submeter os componentes dorsal e sacro-ilíaco.
  58. 58. 62 Capítulo 4 Então o segmento dorsal? Será suficiente incluirna imobilização as porções cervical e lombar? Não.A inclusão dos ilíacos é imprescindível, essencialmentecomo apoio. Quando devidamente conformados, aliserão controlados os movimentos de rotação e dedeslocação distal. Imobilização gessada da coluna lombar em “colete” gessado Já sabemos que a imobilização da região sacro-ilíaca é parte importante para controlar os movimentos de rotação, sendo na parte superior do tronco onde se completará o objectivo. Mais eficazmente quando com a aplicação de alças gessadas. Os requisitos de eficácia e segurança garantem-se com os três pontos de apoio destinados a controlar os movimentos,essencialmente, de flexão do tronco. Anteriormente,sobre o manúbrio e a sínfise púbica. Pela parteposterior, sobre a região dorso-lombar. A abertura anterior é executada à semelhança daimobilização de toda a coluna vertebral. Quando necessário estabilizar a zona lombo- -sagrada será a imobilização prolongada a uma das coxas, reforçando a zona articular coxo-femoral respectiva com três talas gessadas. Uma colocada na face anterior, outra lateral externa, e a terceira na face posterior. Todas partem do 1/3 médio da coxa, prolongando-se até a zona supra-ilíaca. Como normalmente, fixadas com ligadura gessada.
  59. 59. Capítulo 5 CUIDADOS EM FASE AGUDA DE TRAUMATISMO COM IMOBILIZAÇÃO GESSADA São os membros quando submetidos a imobilização gessada fechada em fase aguda de traumatismo sujeitos a eventuais embaraços de ordem neuro-vascular, de menor ou maior importância. Por isso, é prioritária a organização de um plano de cuidados especiais durante asprimeiras 24h/48h, tendentes a prevenir, estabilizar ou fazer regredir esseseventuais distúrbios, não “permitindo”que eles permaneçam ou se agravem ese tornem noutras tantas complicações,algumas vezes de consequências irrever­síveis. Quando numa situação julgada de menor importância, poderá opaciente, decorridas algumas horas, passar ao regime domiciliário, sendoalertado e instruído, assim como familiares próximos, de preferênciapor escrito, de eventuais alterações e quecondutas a seguir. Os pequenos edemas de estase nãosão por regra preocupantes nem de difícilresolução: • membro elevado; • contracções musculares isométricas; • aplicações frias (gelo), são atitudes, normal­ ente, suficientes para a m sua regressão.
  60. 60. 64 Capítulo 5 Mas quando um membro apresenta extremidades fortemente edema­ciadas; cor acentuadamente cianótica; diminuição notável da sensibilidadee da motricidade; pulso pouco perceptível; alterações sensíveis da tempe­ratura comparada (da região oposta), são constrangimentos de tal ordem evidentes que há com a maior urgência utilizar meios clínicos e mecânicos que promovam a regressão da complicação. Tratando-se de complicações de causa compressiva, um quadrodesta complexidade, e depois de terem sido levadas a efeito as acções járeferidas e não se observarem sinais evidentes de regressão da situação,proceder-se-á à descompressão da zona, pela execução de um corte longi­tu­ inal anterior, em toda a profundidade da parede gessada. Os bordos dsão afastados com material adequado, dando acesso ao material deprotecção/almofadamento que, por vezes, é o suficiente para impedir aacção de expansão e, por isso, há que cortá-lo também. Em casos mais difíceis poderá o gessado ser igualmente cortado, mas em bivalve, pelas suas linhas media­ nas laterais sem, contudo, se per­ er d significativa estabilidade. Cuidados ao Traumatizado (das partes livres e disponíveis) Quando um traumatizado fica preso aoleito por razões da sua lesão, a dinâmica dosseus órgãos, aparelhos e sistemas, emboranão comprometidos directamente pelaslesões traumáticas, ficam consideravelmentediminuídos, e por esse facto poderão surgir

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