História oral para crianças: desafios possíveis

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Este primeiro Guia foi elaborado a partir do curso: “Memória, História Oral e Educação Infantil: no movimento escola-família e comunidade a criança como protagonista” promovido pela Coordenadoria Setorial de Formação da Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura Municipal de Campinas e realizado no período de agosto a dezembro de 2012.

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História oral para crianças: desafios possíveis

  1. 1. Lilian de Cássia Alvisi OrganizaçãoPaulo Cesar de Campos Arte
  2. 2. De bats;
  3. 3. O vinho do ‘’nonno’’ Silvana Micaroni
  4. 4. Eunice a VoVó Arteira e Companheira Melissa Lavoura Ramos Bryar
  5. 5. Obrigado Sr. Gilberto!1 Guia Histórias da Nossa Terra. Disponível em: http://www.museudapessoa.net/oquee/biblioteca/Guiamemorialocal.pdf
  6. 6. A Entrevista No dia da entrevista a ansiedade tomou conta de todas, apesar das tarefas terem sidodistribuídas, assim que chegamos para arrumar a sala tivemos uma surpresa, a mesma jáestava organizada para receber o nosso convidado Senhor Gilberto. O entrevistado e muito extrovertido e chegou brincando com todas nós, o que fez comque ficássemos tímidas. Primeiramente a entrevistadora explicou como seria a entrevista, perguntou segostaria de tomar um café, para se sentir mais à vontade, mas o Senhor Gilberto preferiudeixar para mais tarde. A entrevistadora iniciou perguntando sobre como foi sua infância, e, quais eram asbrincadeiras naquela época. Ele relatou que brincava de bolinha de gude, carrinho de rolemã e,em meio a tantas lembranças contava muitos fatos que se recordava e o faziam rir. Exibimos no telão as fotos que foram tiradas por sua filha e foi neste momento que oSenhor Gilberto contou-nos sobre a história da Vila Industrial e do Beco Manoel Freire. Contou-nos que seu tio é o herdeiro de algumas casas que lhe foram deixadas comoherança pelo senhor que construiu as primeiras casas, como não tinha filhos se apegou a estetio do senhor Gilberto e deixou esta herança que ainda não pode ser herdada por problemasburocráticos. Enquanto isso a responsável pela filmagem tentava registrar todos os ângulos paraeditar posteriormente. Quando a entrevistadora percebeu que estava armando um tempo de chuva, resolveuencerrar a entrevista para que o café pudesse ser servido e o Sr Gilberto pudesse ir emboraantes de cair o temporal. Como lesionou uma das pernas estava de cadeira de roda. Para encerrarmos foi entregue um vaso de flor e uma pintura da frente da casa onderesidiu no Beco quando criança, pintada a nanquim pelo sogro da responsável. Nosso convidadoficou muito emocionado. Pedimos também para deixar uma mensagem para as crianças. O Senhor Gilberto e sua filha não se preocuparam com o tempo, o entrevistado é umexcelente cozinheiro e por isso resolveu fazer, e trazer um curau de fubá, que por sinalestava uma delicia, receita esta que aprendeu com sua mãe. Após o café nos despedimos e tivemos que sair correndo para escaparmos da chuva, Na semana seguinte recebemos a triste noticia de que houve um problema com afilmagem e por isso não teremos como edita-la. Mas, não ficamos desesperadas, pois outracolega havia filmado este momento.
  7. 7. Entrevista com o Senhor Adelino Sêco Ao longo do curso, por meio do estudo e discussão dos vários conceitos que envolvem otrabalho com a memória, a professora Lilian deixou um espaço para que os alunos se sentissemà vontade em trazer objetos, fotos (detonadoras de memória) que contassem suas históriasde vida. Tal proposta surgiu pela discussão em sala sobre como despertar o interesse dos alunospara se trabalhar com as memórias da escola, do bairro, da comunidade e da família. Foi então que a aluna Roberta Sêco Gonçalves teve a iniciativa em trazer um álbum defotos, o qual foi mostrado juntamente com seus familiares, em comemoração aos setenta anosde seu pai, o Senhor Adelino Sêco. Todos os alunos tomaram contato com o álbum e Roberta, por meio das fotos, foicontando ao grupo algumas passagens da vida do Senhor Adelino. A partir da sua história de vida, tivemos a ideia de entrevistá-lo a fim de quepudéssemos vivenciar todas as etapas que envolvem a coleta de depoimentos orais discutidasdurante as aulas. Vale salientar que conhecemos vários produções como vídeos, textos e exemplos deprojetos com história oral em diferentes Unidades Educacionais de Campinas, entre outros. Em um segundo momento, reunimos o grupo para pontuar passagens da vida do SenhorAdelino que seriam contempladas no momento da entrevista, Assim coletivamenteconstruímos o roteiro em forma de perguntas para a entrevista. Nesse mesmo dia organizamos quais seriam os materiais de registro da entrevista eoptamos pela fotografia, desenhos e gravação em vídeo. Também escolhemos o local para afilmagem da entrevista e elegemos um jardim, pois consideramos um lugar apropriado para avisita de pássaros, uma vez que o Senhor Adelino foi criador de passarinhos durante muitotempo da sua vida, Posteriormente, realizamos a divisão das tarefas em que cada integrante ficouresponsável por uma tarefa: recepção do entrevistado, quem iria fotografar o evento, filmar edesenhar, quem faria as perguntas, organização do café coletivo e entrega de uma carta decessão (documento fundamental para a permissão do uso da entrevista e da imagem parapesquisa), compra e entrega de um presente para agradecimento e explicação prévia de comoaconteceria a entrevista. No dia da entrevista, todos chegaram com antecedência para o preparo do café, queseria um momento que conversaríamos com o Senhor Adelino para que ele ficasse mais àvontade com relação aos participantes. O Senhor Adelino foi recepcionado e todos realizaram uma breve apresentação. Explicamos ao Senhor Adelino o que ocorreria naquele dia, tal tarefa deve serexecutada para que o entrevistado tenha clareza de todo o processo da coleta de depoimentosorais. Ao montarmos a câmera para filmagem percebemos que havia muito sol no localescolhido, assim vários remanejamentos foram necessários para alcançarmos uma melhorimagem e som para o momento da entrevista. Todos se esforçaram para que tal escolha fosse a mais adequada. No início da entrevista percebemos que Senhor Adelino estava um pouco tímido, mas nodecorrer das conversas foi se tranquilizando, divertindo-se com os acontecimentos relatadose contando os fatos de sua vida por meio de fotos, demonstrando satisfação e alegria. Ao final entregamos o presente que havíamos comprado e o Senhor Adelino agradeceu-nos bastante. Retornamos novamente para o café em que o entrevistado relatou mais aspectos da suahistória de vida que não havia contemplado no momento da entrevista.
  8. 8. Com ajuda da sua filha, integrante do curso,preenchemos a carta de cessão. Todos agradecerama sua presença. Após o término da entrevista o grupo se reuniua fim de realizar uma breve avaliação deste encontro. Os recursos utilizados: desenhos e fotos serãomateriais de apoio para a edição de vídeo sobre ahistória de vida do Senhor Adelino, recursos muitoricos para se trabalhar com memórias com ascrianças.Obrigado Sr. Adelino!
  9. 9. IV.Apresentando nossos entrevistados. Agora vocês vão conhecer nossos entrevistados que estiveram com nossa turma para acoleta de depoimentos orais. A partir de suas histórias vocês poderão revisitar Campinas detempos atrás. Vejam que coincidência: Senhor Gilberto passou sua infância em um bairro de Campinaschamado Vila Industrial e o Senhor Adelino, entretanto, tem suas lembranças deste bairrocomo um local de trabalho, pois muitos operários dedicaram anos de suas vidas em fábricastêxteis, ele foi um deles. Que tal conhecermos, primeiramente, um pouco da história deste bairro operário edepois partirmos para a trajetória de vida de nossos queridos entrevistados? Vamos lá. A Vila Industrial A cidade de Campinas começou com muitas plantações de café. Os trabalhadores das plantações vieram de muitos lugares do Brasil e do Mundo! Alguns plantavam outros colhiam... E nas indústrias os grãos de café eram ensacadospelos chamados operários. Os sacos cheinhos de café precisavam ser levados para serem vendidos em outroslugares do país. Por isso, estradas de ferro e estações de trem foram construídas. Próximas às estações de trem surgiram as primeiras vilas e bairros, onde moravam ostrabalhadores e suas famílias. Uma dessas Vilas em Campinas se chamava Vila Industrial e dentro dela existiam váriascasas e pequenas vilas, chefiadas por proprietários ricos e muito bravos! As casas eram geminadas, isto é, como se fossem irmãs gêmeas! Uma vila muito conhecida tem o nome do imigrante português que era seu proprietário:Manoel Freire. Contam que Manoel Freire era muito bravo, obrigava os moradores afrequentar diariamente a missa da capelinha que hoje já foi destruída. Também, que em suacasa no telhado havia um buraco de onde vigiava todos os moradores da Vila. Muita gente não gosta de se lembrar destas histórias e preferem contar que a Vila eraum lugar muito gostoso de morar, com Carnaval nas ruas, muito jogo de futebol, brincadeirasna rua, cinema, matadouro, fábricas de tecidos e escolas importantes. Hoje alguns de seus becos, como por exemplo o “ Manoel Freire” está abandonado. Ascasas quebradas, as ruas sujas e despedaçadas. Os moradores que ainda ficaram em suascasas desejam muito que aconteça uma verdadeira revitalização, sabe uma mudança paramelhor e para isto, todos nós que moramos em Campinas podemos ajudar. Você tem alguma ideia em como podemos melhorar a Vila Industrial? E na sua cidade,existe algum lugar muito querido que precise de ajuda?Bibliografiahttp://www.labjor.unicamp.br/patrimônio
  10. 10. Fotos da Vila Industrial
  11. 11. Histórias de Adelino - o menino criador de passarinhos. Entre cipós, bolas, pássaros, tecidos, artes e brincadeiras encontramos uma pessoaamiga que gosta de se divertir e de alegrar quem está por perto. Sabem por quê? Sua fala émansa e ele tem um jeitinho calmo de se lembrar de histórias do passado. Sempre olha-nos comoum menino a procura de travessuras doces e engraçadas. Trata-se de Adelino. Sabe aquelas pessoas que gostamos de ouvir e passar horas e horasconversando? Pois é, você vai conhecer um homem ainda menino que é assim. Sua história tem este começo: Era uma vez um alegre menino que sempre inventava novidades para seus amigos. -Que tal brincarmos de bolinhas de gude? Vamos subir em árvores? Ou quem sabe corrernos carrinhos de rolemã? Ah, mas somente nas ruas de terra, hein? Este pequeno menino arteiro sempre dizia aos seus amiguinhos: -Nossas mãos devem estar sempre prontas para segurar os brinquedos contra a terra,até nossas unhas ficarem feridas. Assim eram suas brincadeiras dos tempos de meninice. Meninice beira à molecagem. E tombos aconteceram quando Adelino foi balançar em árvores altas que mais pareciamaviões que os levava a terras distantes. Sim, o menino Adelino era verdadeiramente um molequinho que gostava de brincadeiras ede travessuras durante o dia todo. Era assim a infância de Adelino: um menino que se sentiafeliz por ter amigos. Brincava a valer. Parecia não se cansar nunca. O tempo passou e Adelino transformou-se em um jovem trabalhador. Máquinas paratecelagem eram seus instrumentos. Durante muitos anos trabalhou na cidade de Campinas, nobairro Guanabara e depois de alguns anos na Vila Industrial. Dia após dia, estava lá pronto paraoperar as máquinas, para tecer peças coloridas e para ajudar a quem fosse preciso. Ele nos contou algo muito importante sobre sua vida: sempre quis ter filhas meninas. Com o passar dos anos encontrou-se com a bela Maria - uma mocinha muito bacana ecarinhosa e casou-se com ela. E logo nasceram suas filhinhas: Soninha, Cris e a caçula, Roberta.Estas três meninas cresceram sempre pertinho de sua avó- uma pessoa muito generosa. Ela
  12. 12. cuidava da casa de maneira tão delicada, que mais parecia uma casinha de bonecas. E lá estava Adelino cumprindo sempre com seus deveres e amores de filho e de pai: olhavapara suas meninas e sentia orgulho do seu trabalho. Sendo um pai lutador, acordava bemcedinho já determinado a trabalhar nas máquinas mágicas que fabricavam pedaços de pano, unsmais lindos que os outros. Famílias inteiras se beneficiavam com metros e metros de tecidos que as protegiam dofrio, da chuva e do vento. Quem não gosta de usar uma roupa bem quentinha no frio, ou quem sabeuma blusa ou um vestido bem fresquinho nos dias de calor intenso? Pois bem, Adelino ajudou afabricar muitos tecidos para a confecção de belas vestimentas. Mas quem fabricou tecidos tão lindos tinha de ser especial em suas manias de criança.Adelino observava os passarinhos ao seu redor e quando caminhava horas e horas sozinho ficavacompletamente distante preso em sua imaginação, pois era embalado pelo canto das aves daregião em que morava. Quando pequenininho ainda sem entender muita coisa, às vezes, pegava seu estilingue etentava acertar algum pássaro distraído. Mas o tempo foi passando, deixou de usar calças curtase quando já se tornou um mocinho passou a ser criador de passarinhos. E hoje sempre alerta a meninada: - Os pássaros foram feitos para admirá-los e não para machucá-los. Você já parou paraouvir o canto dos pássaros? Tenha certeza de uma coisa: na nossa cidade- Campinas-encontramos muitos deles, apenas precisamos prestar mais atenção e olhá-los com carinho. -E se algum de vocês pensar em machucá-los, pare logo com isso. Cuidar deles com carinho émuito melhor, pois se formos atenciosos com os animais eles acabam se tornando nossos amigos. E assim é Adelino, um amigo que sempre nos conta algo que não conhecíamos sobre temposatrás. Por exemplo, ele nos disse também que antigamente na nossa cidade existiam salas decinema espalhadas pelos bairros e era um divertimento para todos assistirem aos filmes bonitose diferentes. Para as crianças existiam as sessões chamadas de “Gazetinha”. Agora o que ele gostava mesmo quando era rapazinho era se divertir nas quermesses e nasfestas. Gostava de oferecer músicas para as meninas do seu bairro. Ih...mas se quisesse agradarum mocinha que morasse em outro bairro que não fosse o seu, poderia enfrentar problemas comoutros meninos que ficavam bravos e muitas vezes até brigavam entre si. Hoje ele fala assim para a meninada: -Brigar não está com nada. Antigamente os garotos sentiam ciúmes e não gostavam quemeninos diferentes caminhassem pelas ruas do seu bairro. Era somente uma mania tola dosmeninos. É muito divertido conhecermos pessoas de outros lugares. Adelino também colecionava bolas de meia e nos campinhos de terra chutava e driblavacomo ninguém. Chegou a participar de um time de futebol e recebia o apelido de “Quarentinha” -um jogador famoso do Botafogo. Quando estava na escola, tinha de seguir regras severas e apesar de brincadeiras na horado recreio, todos estudavam seriamente. Os professores brincavam pouco com as crianças e às vezes com um olhar certeiro osmeninos sabiam se os pais ou os professores estavam bravos ou não. Os tempos eram diferentes.O menino Adelino gostava de ouvir e de respeitar seus professores. Agora engraçado mesmo é ouvir suas histórias sobre medo e terror. Ficamos arrepiadosem ouvi-lo falar sobre criaturas assustadoras. Querem conhecer suas histórias? Então assistam ao filme e conheçam nosso amigo queamava os pássaros, tecia panos coloridos, jogava futebol, passeava bastante com meninos emeninas, e principalmente Adelino é daqueles amigos que podemos contar para qualquer situação,ele está sempre junto das pessoas queridas. Bom filme. O menino Adelino gostava muito de ir ao cinema e você?
  13. 13. História do Senhor GilbertoO menino das eternas brincadeiras felizes Era uma vez uma família muito grande, que morava na vila Industrial na cidade deCampinas. Senhor Paulo era o pai dessa família- ele veio da França, um país muito distante. Elechegou ao Brasil ainda muito moço. Conheceu Lucia que era italiana. Casou-se com ela e tiveramtrês filhos: Leonor, Zenaide e René. Infelizmente, Lucia veio a falecer e seus filhos sedespediram dela com pesar e com muito carinho. Como suas crianças ainda eram pequeninas e precisavam de uma mamãe carinhosa, Paulocasou-se com a irmã mais nova de Lucia, que se chamava Angelina. E desta união nasceram maisseis crianças muito lindas e brincalhonas. A família ficou ainda mais bonita: João, Armando,Carlos, Arnaldo, Gilberto e Manoel, todos viviam em uma casa muito simples na Vila Industrial. Esta é o inicio da minha história, pois eu sou o Gilberto. Agora vou contar a vocês sobre a minha infância. Nos meus tempos de meninice a vida era muito simples. Morávamos em uma rua pequenina chamada “Rua Manoel Freire” – nome de um portuguêsque veio morar no Brasil. A vida era um pouco diferente dos dias de hoje. Muitas vezes passamos por dificuldades, mas isso fazia que ficássemos semprejuntinhos. Brincando, cantando, ouvindo histórias, passeando pelo bairro, assim era minha vida decriança. Posso assim dizer que éramos muito felizes. Eu adorava jogar bola feita com meia, a meninada ria a valer. Você precisa jogar bolinhas de gude – bolinhas mágicas e coloridas de vidro. Basta fazerum buraco na terra e tentar com os dedos fazer com que as bolinhas cheguem até ele. O barulhodas bolinhas dentro dos saquinhos que as abriga é muito curioso. Sinto até um friozinho nabarriga de vontade de jogar. Brincava de esconde- esconde pelas ruas da Vila Industrial. Era uma festa, pois podíamosnos esconder no matadouro - lugar em que os bois morriam para que pudéssemos nos alimentarcom sua saborosa carne. As ruas eram cobertas de pedras e de azulejos. Aproveitávamos para deslizar sobre elascom nossos poderosos carrinhos de sebo- estes eram feitos com dois cabos de vassoura e umatabua por cima, onde nós andávamos pelas ruas escorregadias. Também tinha o carrinho derolimã. Como me divertia com estas brincadeiras deliciosas! Você já passou pelas ruas da Vila Industrial? Antigamente, o carnaval acontecia nas ruase os desfiles de blocos eram lindos e divertidos. Eu me lembro das procissões religiosas que sempre enchiam a rua de pessoas quegostavam de cantar e de rezar também. Havia salas de cinema na Vila e eu e meus irmãos adorávamos participar dos filmesencantados. Hoje os cinemas estão localizados no Shopping Center, mas antigamente o “CineRex” e o “Cine Casablanca”, ficavam pertinho da minha casa. Morávamos perto da Igreja São José – uma igreja imponente e linda. Na casa do padretinha muitas arvores de frutas coloridas e saborosas. Eu e meu irmão adorávamos ir até lá parapegar frutas. Pulávamos o muro e com muito silêncio enchíamos nossas blusas com diferentes frutas.Mas se o padre nos pegasse nesta façanha, ficava muito bravo. Nem queiram saber. Saíamoscorrendo muito até ficarmos sem fôlego. Eu e meu pai, nos finais de semana, íamos ao brejo caçar rãs. Era muito divertido. Você conhece este animalzinho? Naquele tempo caçávamos rãs para comê-las. Sempreme lembro do meu pai como companheiro de caçadas intermináveis. Meu pai era um homem forte e muito trabalhador. Passava seus dias nas oficinas dacaldeiraria. Antigamente havia muita estrada de ferro, pois os trens eram um transporte muitoutilizado.
  14. 14. Havia uma estrada muito conhecida, chamada “Mogiana”. O lugar onde meu pai trabalhava eraimportante para alimentar o trem, ou seja, gerava energia para que ele se movimentasse. Você conhece sobre o funcionamento dos trens? Procure saber mais sobre isso. Pesquise aaprenda bastante sobre este transporte sobre trilhos. Meu pai era carinhoso com seus filhos. Mas em muitos momentos mostrava-se também severo.Afinal tinha muitos filhos e todos precisam estar felizes. Então ele era muito atento e cuidadoso coma vida das suas crianças pequenas. Minha mãe ficava em casa cuidando da gente, sempre fazia umas comidas muito gostosas. Ela sempre cuidava carinhosamente dos nossos machucados com vinagre e sal. Eu lembro-me que era o netinho preferido da vovó Lúcia, pois sempre dormia com ela. Na escola sempre prestava atenção nas tarefas diárias, pois sabia que em casa não terianinguém para me ajudar. Minhas professoras eram sempre rígidas. Na sala de aula – nada de brincadeiras. Em casa, adorava ler os gibis da época, pois lia livros da Edição Maravilhosa, que traziamhistórias condensadas como: “Mobby Dick, “Os Três Mosqueteiros”, “O Conde de Monte Cristo” emuitas outras histórias. Passava horas e horas me divertindo muito e viajando pelos lugaresrelatados nos livros. Peça para alguém contar a vocês estas histórias. Estas histórias despertavam interesse e eu adorava ir à Biblioteca Municipal para retirar oslivros para conhecer a história completa. Gostava muito de ler durante a noite. Comecei a trabalhar muito cedo, ainda menino. Lembro-me de um mercadinho que realizeimuitas atividades, mas adorava comer leite condensado. Apesar da vida difícil, não ganhávamos presentes de aniversário ou mesmo de Natal. Ospresentes eram substituídos por beijos e abraços de minha mãe. Posso garantir que seus carinhoscompensavam a falta de brinquedos. Outros tempos difíceis vieram. Na época da guerra passamos dificuldades para encontraralguns alimentos como: óleo, farinha e sal, pois eram encaminhados aos soldados. Eu, algumas vezes, tinha de dividir a pouca comida com meus irmãos. Às vezes andava debonde para levar os pães para minha casa. E nem todas as famílias conseguiam comprar pães. Ficavamsomente sentindo o cheirinho deles. Como é triste uma guerra. Lutem sempre pela paz. Agora faço um convite a vocês. Assistam a minha historinha que se passará na Vila Industrial.Será necessário ficarem bem quietinhos e atentos. Digo algo a vocês: aprendam brincadeiras que façam vocês se sentirem felizes.
  15. 15. V. Histórias orais: o que fazer com elas.SUGESTÕES PARA O TRABALHO PEDAGÓGICO APÓS A ENTREVISTAA proposta pedagógica das instituições de Educação Infantil deve ter como objetivo garantir àcriança acesso a processos de apropriação, renovação e articulação de conhecimentos eaprendizagens de diferentes linguagens, assim como o direito à proteção, à saúde, à liberdade, àconfiança, ao respeito, à dignidade, à brincadeira, à convivência e à interação com outrascrianças.Diretrizes Curriculares Nacionais. Resolução nº 5, de 17 de dezembro de 2009. Confeccção de livro a partir das “leituras” que as crianças fizeram sobre a entrevista: Pode ser livro sobre as histórias da sua própria família: fazendo entrevistas planejadas em sala a partir das curiosidades das crianças. Pode ser livro de poemas sobre a cidade, sobre o bairro, sobre a escola, sobre a vida compostos individual ou coletivamente. Estes saberes serão compilados em um livro com cópias para cada criança, com direito a tarde de autógrafos. Composição de músicas pelas crianças sobre algum fato marcante, sobre algum lugar, sobre alguma fala do entrevistado. É importante gravar todos os momentos de composição da música para serem retomados durante a composição. Livro Ilustrado com a sua própria história: após perguntar à sua família como foi sua chegada, seus primeiros momentos até sua idade atual, confecionar um livro ilustrado da sua história. A própria criança é autora de todos os elementos do livro. A história da escola pode também ser evidenciada. Exposições dos livros e músicas abertas à comunidade com a presença do entrevistado: após as produções, expor e chamar o entrevistado como convidado especial para o evento. Visita à galeria de arte Thomaz Perina que contém telas sobre a Vila Industrial e um livro de memórias: programar uma visita monitorada ao Instituto Thomaz Perina para conhecer o “olhar” do autor sobre o bairro. Neste insituto há a possibilidade de oficinas para as crianças. Expor as fotos, as falas e as produções das crianças sobre esta visita. Fotos que fazem a “releitura” do lugar das infâncias do entrevistado e da criança: planejar a ida aos lugares citados pelos entrevistados e propor fotos nestes lugares. Convidar o entrevistado para a apresentação das fotos. Apresentação de saraus com poemas e músicas elaboradas a partir das entrevistas tanto para a escola, como para a comunidade e o entrevistado. Dia das brincadeiras de rua: promover um dia em que as famílias façam oficinas de brincadeiras de rua de sua infância, ensinando ou relembrando com as crianças. Que estas brincadeiras se tornem parte da rotina da escola.
  16. 16. Confecção de brinquedos da época dos entrevistados, citados por eles ou não, pesquisando com as famílias e compartilhando com as outras crianças da escola e da comunidade. Produções em telas sobre suas impressões, sobre as falas dos entrevistados, ou após um passeio pelo bairro, ou apreciação de outras obras. Quebra-cabeças de imagens do bairro e da escola: fazer fotos coloridas em A4 do bairro e da escola para que façam os quebra-cabeças e brinquem com eles, identificando o lugar. Pesquisa com as famílias sobre su época: quais as brincadeiras, como eram os costumes, vestimenta, comportamento das crianças, como eram tratadas. Socializar os frutos destas pesquisas. Elaboração de um jogo da memória - fotos antigas e fotos atuais para fazer o contraponto. Produção de um vídeo documentário a partir dos relatos orais com a edição de documentos e de fotos significativas. Exposições temáticas: fotos, desenhos, objetos, materais didáticos, roupas e documentos que registrem a história da cidade, do bairro, da escola e da família.VI. Sugestões de leitura: Para crianças e jovens: BOSI, Ecléa. Velhos amigos. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2002. BRENTANI, Gerda. Eu me lembro. São Paulo: Editora Companhia das Letrinhas, 1996. CORALINA, Cora. O prato azul-pombinho. São Paulo: Global Editora, 2002. FOX, Mem. Guilherme Augusto Araújo Fernandes. São Paulo: Editora Brinque-Book, 1996. LAURITO, Ilka. A menina que descobriu o Brasil. São Paulo: Editora FTD, 2001. LODY, Raul e VERGER, Pierre. Crianças – Olhar a África e ver o Brasil. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2005. LIMA, Heloísa Pires. Histórias da preta. São Paulo: Editora Companhia das Letrinhas, 1998. MORLEY, Helena. Minha vida de menina. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 1942. MUNDURUKU, Daniel. Histórias de indio. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 1996. SCHWARCZ, Luiz. Minha vida de goleiro. São Paulo: Editora Companhia das Letrinhas ,1999. VARELA, Dráuzio. Nas ruas do Brás. Editora Companhia das Letrinhas, 2002.
  17. 17. Para professores:ALBERTI, Verena. História Oral: A Experiência do CPDOC. Rio de Janeiro: FGC/CPDOC, 1990.ALVISI, Lilian de Cássia. Memória e resistência: O Memorial Padre Carlos na cidade de Poços deCaldas, (Tese de Doutorado). Faculdade de Educação, UNICAMP, 2008.-------AMADO, Janaína, FERREIRA, Marieta de Moraes (org.). Usos & Abusos da História Oral. Riode Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1996.BOSI, Ecléa. Memória e sociedade: lembranças de velhos. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.DONATELLI, Dante Donato Filho. O Sentido da Memória. Cidade, São Paulo, v.3, n.4, pp. 104-108,1996.DEMARTINI, Zeila de Brito Fabri. Trabalhando com Relatos Orais: Reflexões a partir de umaTrajetória de Pesquisa. In: SILVA, Alice Beatriz (org.). Reflexões sobre pesquisa sociológica. SãoPaulo: CERU. (Coleção Textos; série 2; n. 3), 1992.G u i a H i s t ó r i a s d a N o s s a T e r r a . D i s p o n í v e l e m :http://www.museudapessoa.net/oquee/biblioteca/Guiamemorialocal.pdfHALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Vértice, 1990.LE GOFF, Jacques. História e memória. Campinas: Editora da Unicamp, 1996.MAUAD, Ana Maria. História, Iconografia e Memória. In: SIMSON, Olga R. Moraes Von (Org.). Osdesafios contemporâneos da História Oral. Campinas: Área de Publicações CMU /Unicamp, 1997.MONTENEGRO, Antonio Torres. História oral e memória: a cultura popular revisitada. São Paulo:Contexto, 1992.NORA, Pierre. Entre memória e história – A problemática dos lugares. Projeto História. São Paulo,n. 10. pp. 7-28, dezembro, 1993.POLLAK, Michel. Memória, esquecimento e silêncio. Estudos históricos, Rio de Janeiro,CPDOC/Vértice, n.3, v.2, pp. 3-15, 1989._____ Memória e identidade social. Estudos históricos, Rio de Janeiro, n.10, v.5, pp. 200-215,1992.PORTELLI, A. Oral History in Italy. In: DUNAWAY, D.K. e BAUM, W. Oral History. An interdisciplinaryanthology. Walnut Creek: Altamira Press, 1996.______, Alessandro. O que faz a história oral ser diferente. Projeto História, São Paulo, n. 14.fev., 1997.--_____, Alessandro. Forma e significado na História Oral. A pesquisa como um experimento emigualdade. Projeto História, São Paulo, n. 15, abr, 1997a.THOMPSON, Paul. A voz do passado: história oral. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.VIDIGAL, L. Os testemunhos orais na escola – história oral e projectos pedagógicos. Lisboa:Edições Asa, 1996.
  18. 18. Anexos 1Ficha de cadastro: registro dos dados básicos do entrevistado Dados Pessoais Nome: Sexo: Endereço: Bairro: CEP: Cidade: Estado : País: Telefones: E-mail: Data de Nascimento: Cidade: Estado: País: Escolaridade: Curso: Profissão: Atividade Atual: Relação com o projeto:
  19. 19. Anexos 2Ficha de Cessão de direitos: permite divulgar depoimentos e fotos do entrevistado em sites,livros, exposições, documentários, filmes, vídeos e pesquisas. AUTORIZAÇÃO DE USO DE IMAGENS, SOM DE VOZ, NOME E DADOS BIOGRÁFICOS EM OBRAS DE PRESERVAÇÃO HISTÓRICA. Eu, abaixo assinado identificado, autorizo o uso de minha imagem, som da minha voz, nomes e dados biográficos por mim revelados em depoimento pessoal concedido e. além de todo e qualquer material entre objetos, fotos e documentos por mim apresentados para compor obras diversas de preservação histórica que venham a ser planejados, criadas e/ou produzidas pela (nome da Instituição) com sede (endereço completo), sejam elas destinadas à divulgação ao público em geral e/ou para divulgação de acervo histórico. A presente autorização abrange os usos acima indicados tanto em mídia impressa, livros, catálogos, revista, jornal, outdoor, entre outros, como também em mídia eletrônica (vídeos, filmes para Tv aberta ou fechada, cinema, documentários para cinema ou televisão, programas para rádio entre outros), internet, banco de dados informatizado, os multimídia:CD, CD Room, DVD, suporte de computação gráfica em geral e/ou divulgação científica de pesquisas em relatórios para arquivamento e formação de acervo histórico. Por esta ser a expressão de minha vontade, declaro que autorizo o uso acima descrito em que nada haja a ser reclamado a título de direitos concedidos à minha imagem ou ao som da minha voz, ou a qualquer outro, e assino a presente autorização. ________________________, de ______________ de ___________ _______________________________________________ Assinatura Nome: Endereço: Cidade: Rg: Telefone para contato: Nome do representante legal (menor)
  20. 20. Referências BibliográficasALVISI, Lilian de Cássia. “Memórias de vivências infantis. A Escola Profissional Dom Bosco dePoços de Caldas/MG (1940-1960)”. Dissertação (Mestrado em Educação) - Faculdade deEducação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2006._____ Lilian de Cássia. “Memórias, resistência e empoderamento: a constituição do MemorialPadre Carlos. Escola Profissional Dom Bosco de Poços de Caldas”. Tese (Doutorado emEducação) - Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2008.BARÃO, Cristina de Carvalho. Entre brumas e concretudes, o Museu Dinâmico de Ciências deCampinas como imaginante espaço de educação. Mestrado, Unicamp, 2007.BRIOSCHI, Lucila (1987). Relatos de Vida em Ciências Sociais: Considerações Metodológicas.SBPC Ciência e Cultura, jun.CERTEAU, Michel de. A Invenção do Cotidiano. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1994.DEMARTINI, Zeila de Brito Fabri. Trabalhando com Relatos Orais: Reflexões a partir de umaTrajetória de Pesquisa. In: SILVA, Alice Beatriz (org.). Reflexões sobre pesquisa sociológica.São Paulo: CERU. (Coleção Textos; série 2; n. 3), 1992.DONATELLI, Dante Donato Filho. “O Sentido da Memória”. In: Cidade, São Paulo, v.3, n.4, pp.104-108, 1996.FELGUEIRES, Margarida Louro; SARES, Maria Leonor Barbosa. “O projeto para um museuvivo da escola primária – Concepção e Inventário”. In: MENEZES, Maria Cristina (org.).Educação, Memória, História – Possibilidades e Leituras. Campinas: Mercado de Letras, 2004.FERNANDES, Rogério. “A história e os seus registros: o que fazer com este museu?” In:MENEZES, Maria Cristina (org). Educação, Memória, História – Possibilidades e Leituras.Campinas: Mercado de Letras, 2004.FERREIRA, Jerusa Pires. Armadilhas da Memória e outros Ensaios. Cotia, SP: Ateliê Editorial,2003.G u i a H i s t ó r i a s d a N o s s a T e r r a . D i s p o n í v e l e m :http://www.museudapessoa.net/oquee/biblioteca/Guiamemorialocal.pdfKERR, Daniel. “We Know What The Problem is: Using Video And Radio Oral History To DevelopCollaborative Analysis Of Homelessness”. In: PERKS, Robert and THOMSON, Alistair (org.).The Oral History Reader. New York: Routledge, 2006.
  21. 21. KESSEL, Zilda. A construção da memória na escola: um estudo sobre as relações entrememória, história e informação na contemporaneidade. Dissertação – ECA/USP, 2003.MAUAD, Ana Maria. História, Iconografia e Memória. In: SIMSON, Olga R. Moraes Von(Org.). Os desafios contemporâneos da História Oral. Campinas: Área de Publicações CMU/Unicamp, 1997.LANG, Alice Beatriz S. G. Documentos e Depoimentos na Pesquisa Histórico-Sociológica. In:LANG, A B da S G (Org.). Reflexões sobre a Pesquisa USP, 1998.Sociológica. São Paulo: CERU,(Coleção textos; Série 2, n. 3), 1992.________ . História Oral e Pesquisa Sociológica. A Experiência do CERU. São Paulo : Humanitas.FFLCH/NEVES, Lucília de Almeida. Memória, história e sujeito: substratos da identidade. HistóriaOral, n.3, 2000.POLLAK, Michel. Memória e identidade social. Estudos históricos, Rio de Janeiro, n.10, v.5, pp.200-215, 1992.PORTELLI, A. “O que faz a história oral ser diferente”. In: Projeto História, São Paulo: n. 14.fev., 1997.-______. “Forma e significado na História Oral. A pesquisa como um experimento emigualdade”. In: Projeto História, São Paulo: n. 15, abr., 1997 a.QUEIROZ, Maria Isaura Pereira. O Pesquisador, o Problema da Pesquisa, a Escolha deTécnicas: Algumas Reflexões. In: LANG, A B da S G (org.). Reflexões sobre a pesquisasociológica. São Paulo: CERU. (Coleção Textos; Série 2, n.3, 1992.SILVEIRA, Rosa M. H. “ A entrevista na pesquisa em educação- uma arena de Significados” In:COSTA, M.V (Org). Caminhos Investigativos II – outros modos de pensar e fazer pesquisa emeducação. Rio de Janeiro, DP&A Editora, 2002.SIMÃO, Lívia Mathias. Interação Pesquisador-Sujeito: A Perspectiva de Ação Social naConstrução do Conhecimento. In: Ciência e Cultura, v. 41, n. 12, dez. 1989.SIMSON, Olga R. Moraes Von. “Memória e identidade sociocultural – Reflexões sobrepesquisa, ética e compromisso”. In: PARK, Margareth Brandini (org.). Formação de Educadores:Memórias, Patrimônio e Meio-ambiente. Campinas: Mercado de Letras, 2003.______. “História oral, memórias compartilhadas e empoderamento: um balanço deexperiências de pesquisa”. XIV Congresso Internacional de Sidnei na Austrália, 2006.
  22. 22. GUIAHistória Oral para crianças:desafios possíveis

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