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Imprensa o mistério giacometti - associação gaita de foles

  1. 1. Associação Gaita-de-Foles A.P.E.D.G.F. APEDGF Associação Portuguesa para o Estudo e Divulgação da Gaita-de-foles - Portuguese Bagpipe Society .. gaita - bagpipe - cornemuse - zampogna - dudelsack - bock - gaida - phìob - biniou - mezoued -zucra - duda - pipe - sackpipa Início | Gaita-de-fole | Sócios | Actividades | Notícias | Escola | Comprar | Documentos | Links | Contactos« Principal « Arquivos « Imprensa « Giacometti: Dossier Expresso. Dossier Expresso Artigos relacionados: O Mistério Giacometti Por José Alberto Sardinha O mistério Giacometti Jornal Expresso, 6 de Março de 1999 Reencontro com a memória Som: José Mário Branco fala sobre os Arquivos Sonoros de Michel Giacometti e Fernando Lopes Graça (excerto sonoro do documentário "Polifonias - Paci è Saluta, Michel Giacometti", RTP 1997). A herança desconhecida Mais de 30 anos depois da data original de publicação, foram finalmente reeditados em CD os célebres cinco volumes dos «Arquivos Tesouros recentes Sonoros» (os míticos cinco LP de capa de serapilheira), onde Michel Giacometti e Fernando Lopes Graça reuniram o resultado das suas recolhas de música popular tradicional portuguesa. (...) TALVEZ por as edições de recolhas musicais terem sido sempre de tiragens reduzidas e, por isso, se terem esgotado rapidamente, tem havido na etnomusicologia portuguesa a tendência para deixar cair no esquecimento as investigações que foram sendo feitas no passado. Daí a importância da actual reedição de discos da Antologia da Música Regional Portuguesa, da autoria de Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graça, publicados na década de 60 e princípio da de 70 - já lá vão 30 anos! -, a qual irá permitir o acesso a gravações de grande valor há muito esgotadas, facilitando simultaneamente uma reavaliação histórica e etnomusical da obra Retrato do etnomusicólogo corso destes investigadores. Salientamos desde logo que a asserção inicial é válida também para Giacometti, ou seja, é essencial não deixarmos cair no olvido a obra de Michel Giacometti, mas é igualmente fundamental não esquecermos as pesquisas e as obras de todos os investigadores que o antecederam. Isto porque não podemos apreciar e analisar a sua investigação sem sopesarmos devidamente as pesquisas efectuadas pelos investigadores antecedentes, alguns dos quais são sistematicamente preteridos quando se fala de recolhas etnomusicais no nosso país. É evidente que o estudo comparativo dessas pesquisas pretéritas, os seus méritos e descobertas, só será possível em sede de uma história da investigação etnomusicológica em Portugal, que não é, obviamente, o objecto deste artigo. É, mesmo assim, oportuno referir, ainda que resumidamente, os trabalhos que antecederam Michel Giacometti, já porque, pelo seu pioneirismo e importância, são merecedores de destaque, já porque nos ajudam a situar historicamente a obra do Uma imagem trabalhada, em próprio Giacometti. alto contraste, de Michel Giacometti em pleno trabalho Sem falar nas gravações de Kurt Schindler, de recolha, algures no interior aliás de diminuta expressão quantitativa e do país geográfica (limitaram-se a Miranda do Douro, Vinhais, com alguns exemplares também de Montalegre e Boticas), haveremos de lembrar, de entre os pesquisadores que antecederam Giacometti, Armando Leça, autor do primeiro levantamento nacional de música tradicional, Virgílio Pereira (Cancioneiros de Arouca, Cinfães e Resende, contribuições importantes para o cancioneiro raiano, recolhas musicais na região da Covilhã e outras a cargo da Fundação Calouste Gulbenkian), Fernando Lopes-Graça (Beira Baixa e Alentejo), Artur Santos (Beira Baixa, Beira Alta e Açores) e Ernesto
  2. 2. Veiga de Oliveira, autor do mais importante estudo organológico do nossopaís, com gravações resultantes da pesquisa de campo. De entre todosimporta destacar, por nunca ter conhecido publicação e, talvez por issomesmo, ser o mais esquecido, o trabalho de Armando Leça. Foi estemusicólogo encarregado em 1939, pela Comissão dos Centenários, deefectuar gravações da música que o povo português tocava e cantava naaltura, gravações que se destinavam a publicação posterior.Armando Leça veio a realizar registossonoros em todas as províncias do territóriocontinental, os quais porém nunca foramconhecidos do grande público até 1983,altura em que, após buscas na antigaEmissora Nacional meritoriamenteefectuadas por Bernardino Pontes a nossasinsistências, foi possível encontrá-los,transmiti-los e comentá-los através doprograma «Cancioneiro Popular», de queéramos autor. Temos tentado, ao longo detodos estes anos, obter condições parauma edição pública desses registos, massó agora, passado tanto tempo e esforço,parece estarmos finalmente em vias de veresse objectivo concretizado.A importância das recolhas de A. Leça écrucial, já por abrangerem todo o território(de Portugal continental, repita-se), já porterem sido realizadas há 60 anos, já porconstituírem o primeiro levantamento «Lato» (Paradela/Mirandela domúsico-popular no nosso país. São, pois, Douro)referência obrigatória para avaliação dasinvestigações ulteriores, visto que é umdado adquirido que, embora não publicadas em som, elas eram doconhecimento dos pesquisadores que lhe sucederam.Só conhecendo minimamente as obras dos investigadores pretéritos enomeadamente os registos fonográficos que efectuam nos respectivostrabalhos de campo será possível avaliar as contribuições dospesquisadores subsequentes e os avanços e desenvolvimentos dainvestigação etnomusicológica em Portugal.Por essas razões, as recolhas de A. Leçasão, por assim dizer, uma base de estudoessencial para quem se dedique àinvestigação no terreno e bem assim paraquem queira analisar criticamente as obrasdos investigadores que lhe sucederam notempo. A análise destas obras, pois, exigesempre uma perspectivação histórica ecomparativa em relação às investigaçõesantecedentes. Assim enquadrado o problema, será fácil reconhecer se agravação de um determinado investigador em certa aldeia ou região é umaverdadeira descoberta da sua investigação, ou se é apenas a repetição deoutras que outros investigadores fizeram em épocas transactas, caso emque o seu interesse se limitará a permitir-nos compará-las e assimavaliarmos a evolução da tradição musical durante aquele período detempo.Posto isto, passemos à obra de Giacometti agora reeditada, a qualconheceu a 1ª edição - recordemo-lo - na década de 60 e princípios de 70,em 5 discos vinil de longa duração, pela seguinte ordem: 1º Trás-os-Montes; 2º Algarve; 3º Minho; 4º Alentejo; 5º Beiras. A reedição de agora,em 5 CD, não se apresenta por esta ordem e não nos fornece as datas dasprimeiras edições, o que é pena.Foi esta antologia o fruto das primeiras pesquisas que Giacometti realizouem Portugal. Pôde contar com a preciosa colaboração de Fernando LopesGraça, patente na selecção dos trechos musicais e na análise musical dosmesmos. A reedição conservou as palavras explicativas de Giacometti e osimportantes textos de Graça. Embora não comporte as fotografias dapesquisa, que muito a enriqueceriam, incluiu as letras dos cantos, sempreimportantes para uma melhor compreensão e acompanhamento.É muito de louvar esta reedição doscélebres «discos de serapilheira», que na
  3. 3. altura alcandoraram Michel Giacometti a umlugar destacado na etnomusicologiaportuguesa Foi desde logo o impactofortíssimo do primeiro disco da série,dedicado a Trás-os-Montes, que trouxe aosintelectuais citadinos tradições e sonslongínquos de um campo que inteiramente desconheciam. Para além dasressonâncias arcaicas da gaita-de-foles, o que mais impressão parece tercausado foram os romances colhidos nas regiões de Bragança e Miranda,cuja ancestralidade remonta a uma sempre mítica idade medieval.Seguiu-se-lhe o disco do Algarve, onde o romanceiro ocupa também lugarde relevo, com destaque especial para três belíssimos exemplaresregistados em Aljezur. O disco abre com um espantoso canto de alar asredes, gravado dos pescadores de Portimão, a quem Giacometti dedica aprópria edição.A província do Minho foi a terceira contemplada pela Antologia da MúsicaRegional Portuguesa, mostrando-nos exemplares polifónicos de granderiqueza, provenientes sobretudo da zona setentrional e das serras do Gerêse do Soajo. O disco do Alentejo, o quarto, revelou, a par dos cantos corais -já nessa altura bastante conhecidos, como reconhece Lopes-Graça -, umextraordinário aboio (canto de incitamento ao gado), alguns valiosíssimoscantos religiosos e fragmentos do Auto da Criação do Mundo, dosBonecreiros de Santo Aleixo, de grande interesse e maravilha.O último disco, publicado já na década de70, foi dedicado às Beiras e constituiu novarevelação, sobretudo por virtude dariquíssima polifonia da Cova da Beira etambém da polifonia de Lafões, semesquecer os cantos ao adufe, de sabor tãoarcaico e as impressionantes cantiga daceifa e da roda, esta característica dasmargens do Zêzere.Com os distanciamento de 30 anos sobreas primeiras edições de Giacometti e com oconhecimento das pesquisas anteriores,nomeadamente de A. Leça, que, à época, anossa geração (e mesmo as mais velhas,com algumas excepções meramenteindividuais) inteiramente desconhecia, háagora condições de fazer uma breveapreciação histórica às recolhas musicaisque a Portugalsom em boa hora devolve apúblico.Temos vindo a referir com insistência onome de Armando Leça por duas ordens derazões: em primeiro lugar porque o seulevantamento pioneiro, por ser o único deâmbito nacional é também o único quepoder servir de termo comparativo com o Sarroncas (Campolevantamento de Michel Giacometti; e em Maior/Elvas)segundo lugar, porque o cotejo dos doistrabalhos revela pontos comunsabsolutamente surpreendentes, que conduzem a considerar que foi Leça oinvestigador que primeiro captou algumas das preciosidades musicais quetrinta anos depois Giacometti também registou, frequentemente coincidindoos próprios locais de colheita.Citemos o caso das recolhastransmontanas, tanto da região de Miranda,como de Vinhais; algumas coincidênciasmenos persistentes no disco do Alentejo; ocaso da polifonia da Cova da Beira e dapolifonia de Lafões, por vezes com recolhasnas mesmas aldeias, como Roças doVouga ou Manhouce; e, por fim, o exemplobem localizado de leva-leva, gravado aospescadores de Portimão, com trinta anos dedistância.É curioso notar que Giacometti nunca cita onome ou o trabalho pioneiro de A. Leça,
  4. 4. nem sequer como base da sua pesquisa (oque faz, por exemplo, em relação a VirgílioPereira e Gonçalo Sampaio no disco doMinho). E, no entanto, é um dado adquiridoque ele possuía uma cópia das gravações Banjolim (Lisboa)de Leça e sempre teria delas conhecimentoatravés do livro Da Música Portuguesacujo apêndice, denominado Discoteca da Música Popular Portuguesa, éprecisamente a discriminação, espécie por espécime, aldeia por aldeia,dessas gravações. Doutra forma não se explicam as citadas coincidências,reveladoras do conhecimento prévio dos caminhos palmilhados por Leça.E se este aspecto, sobretudo a omissão de qualquer referência à pessoa eao trabalho de Armando Leça, ensombra e relativiza a obra de Giacometti,não lhe retira o valor das pesquisas inéditas que ressaltam nos discos doAlgarve, parte do Alentejo e sobretudo do Minho, embora aqui se tenhabaseado em Virgílio Pereira, como ele próprio assinala, atribuindo-lhemesmo o mérito de primeiro descobridor de algumas das «puras jóias» quepublicou.Além deste aspecto, que é, digamos, deordem ética, importa fazer uma abordagemcrítica geral da temática seleccionada nosdiscos de Michel Giacometti. Aoverificarmos que quase exclusivamentecontêm cantos de trabalho e cânticosreligiosos tradicionais, é inevitável apergunta: onde está a música bailada, ondeestão as modas coreográficas com que opovo bailava, onde estão os viras, aschulas, o malhão, o fandango, a xotiça, amoda de dois passos, as danças de roda, ofado batido, o verde-gaio, etc., etc., etc.?Concomitantemente, constata-se aausência dos principais instrumentostradicionais portugueses. Tirante o adufe,não se ouve a guitarra e a violaportuguesas, o cavaquinho, o acordeão Guitarra-lira (Lisboa)diatónico (seja a «concertina» seja o«harmónio», este aparecendo representado,mas apenas num pequeno trecho musical), o que naturalmente empobrecea obra em análise no que respeita à sua representatividade. Quem é ominhoto que se reconhece numa mórbida melopeia de carpideira, ou numconjunto de cantos donde está ausente um vira, um malhão ou uma cana-verde, ou numa selecção musical sem violas, cavaquinhos ou concertinas?O ludismo, o amor e o divertimento sãouma componente essencial da via do povoque, obviamente se reflecte na sua música,aspecto que não está inexplicavelmenteespelhado nesta amostragem da músicaregional portuguesa.Estamos hoje sem saber se isto correspondeu a uma opção do próprioGiacometti no terreno, se resultou da selecção de Fernando Lopes-Graça.O que podemos adiantar é que Lopes-Graça quando, nos últimos anos dasua vida, contactou com as nossas recolhas da Estremadura para prefaciaro livro que se espera saia em breve, ficou encantado com a quantidade demodas bailadas em registo e com a variedade dos instrumentos que assuportavam. Em qualquer caso, é inegável que se tratou de um critério depreferência por aquilo a que poderemos chamar de exotismo musical, quecorrespondeu a uma orientação deliberada de uma determinada época eque, como tal, deve ser estudada e respeitada.É nesta perspectiva fundamental que se torna da maior importância areedição da Portugalsom, a qual irá finalmente tornar acessível a muitosportugueses as míticas gravações de Giacometti (as tiragens da 1ª edição,aliás variáveis, não ultrapassaram as escassas centenas). Mas é tambémcom a visão crítica que muito perfunctoriamente abordámos que as recolhasdestes discos devem ser apreciadas e historicamente situadas, para quesaibamos enquadrar a obra de Michel Giacometti em toda a história dainvestigação etnomusicológica em Portugal, a qual teve os seus primórdiosno princípio do século.
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