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SISTEMA PERMANENTE DE ESTATÍSTICAS AGRÍCOLAS DE CABO VERDE



      TÉCNICAS E MÉTODOS APLICADOS AOS
            INQUÉRITOS AGRÍCOLAS



                      Manual de uso
Praia, Setembro 2008

Ministério do Ambiente, Desenvolvimento Rural e Recursos Marinhos
Direcção-Geral de Planeamento, Orçamento e Gestão
Direcção de Serviço de Estatística e Gestão da Informação

CP 115 Praia – Cabo Verde

www.maap.cv
PREFÁCIO

Desde 2004, com a realização do Recenseamento Geral da Agricultura, o serviço de
estatísticas agrícolas vem trabalhando na concepção e implementação de um novo
sistema permanente de estatísticas agrícolas, com o apoio financeiro do Governo
Italiano através da cooperação italiana e suporte técnico e metodológico do Instituto de
Estatística da Itália (Istat), visando cobrir todas as lacunas em termos de oferta de
produtos estatísticos de qualidade que vão ao encontro dos utilizadores.

O ano de 2006, foi o ano de início de transição do antigo sistema de estatísticas
agrícolas para o novo sistema. Este processo, que poderá levar algum tempo, exige
mobilização de vontades, criatividade e inovação da parte de todos os actores envolvidos
mas particularmente coragem para enfrentar os novos desafios.

A implementação do novo sistema permanente de estatísticas agrícolas requer a
participação de todos os agentes envolvidos no processo de produção de estatísticas
agrícolas, desde a concepção passando pela recolha no terreno até ao tratamento,
análise e publicação, com vista à interiorização e apropriação de todos os seus
elementos.

Nesta perspectiva, este manual pretende ser um instrumento útil de informação e
formação a todo e qualquer utilizador das informações estatísticas derivadas do sistema,
sobre as premissas técnicas e metodológicas básicas, que alicerçam as estatísticas
produzidas e difundidas.

Esperemos que este manual sirva de elemento de transparência e visibilidade do
percurso feito, até o presente, na implementação técnica do sistema e, que sirva,
igualmente, de memória do passado, espelho do presente e referência para os trabalhos
futuros.

Na sua preparação e elaboração estiveram envolvidos profissionais experientes e
dedicados afectos ás várias áreas que se relacionam com a ciência de inferência
estatística aplicada à agricultura, nomeadamente experts em sondagens, tecnólogos,
informáticos, etc.

Sem pretender citar nomes, porque são muitos, aproveitamos para endereçar a todos
eles os nossos agradecimentos pelo frutuoso trabalho realizado.

Os nossos agradecimentos são extensíveis, também, ao Governo Italiano/Cooperação
italiana e ao Istat, sem os quais não seria possível a materialização desta obra valiosa.



                                                                            Inussa BARI

                               Director de Serviço de Estatística e Gestão da Informação
                    Ministério do Ambiente, Desenvolvimento Rural e Recursos Marinhos
Sumário


INTRODUÇÃO........................................................................................................... 7
1. UM NOVO SISTEMA DE ESTATÍSTICAS AGRÍCOLAS .................................................. 8
   1.1 Estrutura organizativa do sistema ...................................................................... 8
   1.2 Inquéritos previstos no sistema ......................................................................... 9
2. CONCEPÇÃO E PROGRAMAÇÃO DOS INQUÉRITOS.................................................. 11
   2.1 Questionário.................................................................................................. 11
   2.2 Manual de instruções...................................................................................... 12
   2.3 Campo de observação .................................................................................... 14
   2.4 Preparação da lista......................................................................................... 14
   2.5 Estratégia de amostragem .............................................................................. 15
      2.5.1 Definição dos estratos .............................................................................. 16
      2.5.2 Dimensão óptima da amostra e sua repartição pelos estratos ........................ 16
      2.5.3 Identificação das explorações autorepresentativas ....................................... 19
      2.5.4 Superamostragem para compensar a redução de unidades de amostragem ... 19
   2.6 Outras actividades prévias a recolha de dados no terreno ................................... 19
   2.7 Formação dos entrevistadores ......................................................................... 20
3. RECOLHA DE DADOS ........................................................................................... 20
4. TRATAMENTO E DIFUSÃO DOS RESULTADOS ......................................................... 22
   4.1 Verificação e registo dos questionários ............................................................. 23
   4.2 Controlo e correcção de dados......................................................................... 24
      4.2.1 Identificação dos erros ............................................................................ 25
      4.2.2 Correcção dos erros ................................................................................ 26
   4.3 Produção das estimativas de interesse.............................................................. 28
      4.3.1 Determinação dos pesos finais das unidades entrevistadas ........................... 30
      4.3.2 Cálculo das estimativas de valores totais ou valores médios .......................... 31
   4.4 Validação de dados ........................................................................................ 31
   4.5 Difusão dos resultados ................................................................................... 32
ANEXOS ................................................................................................................ 43
Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas




INTRODUÇÃO
A presente publicação representa um dos resultados finais do projecto para o reforço do Serviço
Estatístico da Agricultura do Ministério do Ambiente, Desenvolvimento Rural e Recursos Marinhos
(MADRRM), financiado pelo Ministério dos Negócios no Exterior italiano e realizado com a
assistência técnica do Instituto Nacional de Estatística italiano (Istat), visando a “Criação de um
sistema permanente de estatísticas agrícolas em Cabo Verde”.
O projecto tinha como finalidade a constituição progressiva no país de uma base informativa
necessária para apoiar a gestão dos processos de desenvolvimento sócio-económico, através de
um sistema de inquéritos no sector agrícola, capaz de produzir informações periódicas, fiáveis,
coerentes e integradas entre si.
O ponto de partida do projecto baseia-se, assim, na necessidade do MADRRM de se dotar de um
sistema de estatísticas agricolas flexivel e capaz de se adaptar às exigências dos utilizadores,
sobretudo na ausência de informações actualizadas provenientes de um recenseamento agrícola
recente. Com efeito, as informações provenientes do recenseamento agrícola conduzido em
1988 eram consideradas desactualizadas.
A situação exigia igualmente do MADRRM, enquanto orgão com competências para a produção
de estatísticas sectoriais, o melhoramento de relações com outros elementos do sistema
estatístico nacional, particularmente com o Instituto Nacional de Estatística (INE).
No início do projecto, em 2003, o Ministério do Ambiente, Desenvolvimento Rural e Recursos
Marinhos, então denominado Ministério do Ambiente, da Agricultura e Pescas (MAAP), tinha há
muito tempo concluído, com a ajuda da FAO, todos os trabalhos de preparação para a realização
de um Recenseamento agrícola, inicialmente previsto para 2001 (listas das explorações
agrícolas, questionários e manuais, formação em informática e inquérito piloto em 1.000
explorações). Porém, o mesmo não foi realizado por falta de financiamentos, e só viria a ser
executado em 2004.
A mobilização inesperada de fundos para a realização do Censo da Agricultura em Maio 2004,
bem como a retomada das actividades preparatórias tiveram um impacto notável nas primeiras
fases do projecto e nas actividades técnicas que tinham acabado de começar.
Com a plena retomada do projecto, depois de uma desaceleração inicial devido ao emprego de
recursos técnicos escassos disponíveis nas operações de censo e pós-censo, a atenção foi
focalizada na programação e realização de um certo número de inquéritos novos, além da
revisão metodológica de alguns inquéritos já existentes.
Em paralelo, foram realizadas intervenções estruturantes de suporte ao próprio sistema, como a
formação de pessoal técnico nacional em aspectos estatístico-metodológicos, o fornecimento de
instrumentos para a gestão do sistema informativo, o acesso a Internet, a concepção de um
“website”, a aquisição de hardware e de outros bens materiais e equipamentos.
Esta publicação pretende ser um guia sintético teórico-prático para a realização dos inquéritos
agrícolas constantes do sistema permanente de estatísticas agrícolas de Cabo Verde.
O presente manual, ao percorrer todas as fases metodológicas de relevo na programação e
realização de inquéritos agrícolas, toma, às vezes, um dos inquéritos realizados no quadro do
sistema como exemplo prático.
Para além desta introdução, os capítulos seguintes dão uma descrição do sistema bem como
noções metodológicas de base e normas a seguir para a programação e realização dos
inquéritos com aprofundamentos específicos, baseados, a título de exemplo, nos inquéritos já
realizados.




                                                                                                       7
Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas



1. UM NOVO SISTEMA DE ESTATÍSTICAS AGRÍCOLAS
Depois das fases iniciais do projecto, concluiu-se que o desenho do sistema de
estatísticas agrícolas originalmente concebido ficou muito complexo, em relação à
persistente escassez de recursos - humanos, materiais e financeiros - disponíveis
sobretudo a nivel das estruturas desconcentradas do Ministèrio, que deviam criar
as condições necessárias para a sustentabilidade do sistema nas fases de recolha e
tratamento prévio de dados nas ilhas/Concelhos.
Também, algumas considerações técnicas sobre as informações obtidas do censo
agrícola 2004, bem como um melhor conhecimento das exigências de Cabo Verde
no sector, por um lado, e sobre a viabilidade das intervenções por outro,
induziram:
    •   a um reajustamento do sistema;
    •   a renúncia da actividade ligada com a cartografia;
    •   a outros ajustes sucessivos, sobretudo determinados pela carência de
        recursos financeiros adequados para a organização de recolha frequente de
        dados no terreno.

1.1 Estrutura organizativa do sistema
O novo sistema de estatísticas agrícolas é gerido pelo Ministério do Ambiente,
Desenvolvimento Rural e Recursos Marinhos – Direcção-Geral de Planeamento,
Orçamento e Gestão (DGPOG). No interior desta Direcção-Geral, a realização de
todos os inquéritos são da atribuições da Direcção de Estatística e Gestão da
Informação (DEGI), criada em 2006, excepto os inquéritos sobre segurança
alimentar que são confiados à Direcção de Serviços da Segurança Alimentar
(DSSA).
Sob o ponto de vista administrativo, Cabo Verde é estruturada da maneira
seguinte:
    1. Ilha
    2. Concelho
    3. Freguesia
    4. Zona
    5. Lugar
A estrutura organizativa do novo sistema de estatísticas agrícolas, ainda em fase
de implementação, prevê dois níveis:
    1. nível central, representado pela Direcção de Estatística e Gestão da
       informação;

    2. nível local, representado pelos 11 Delegações do Ministério do Ambiente,
       Desenvolvimento Rural e Recursos Marinhos presentes nas ilhas. Em cada
       Delegação pretende-se criar uma célula responsável pela actividade
       estatística da agricultura, formada por supervisores, coordenadores (se
       necessário) e entrevistadores, com contratos por tempo determinado ou
       indeterminado.




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Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas



                        Tab. 1 – Estrutura organizativa do Sistema
                                Ilhas                      Concelho             Delegação
                         Santo Antão                           3                    1
                         São Vicente                           1                    1
                         São Nicolau                           2                    1
                         Sal                                   1
                         Boa Vista                             1                      1
                         Maio                                  1                      1
                         Santiago                              9                      4
                         Fogo                                  3                      1
                         Brava                                 1                      1
                                             Total            22                     11

    Depois de estar em pleno funcionamento, as responsabilidades e actividades a
    realizar serão distribuídas entre o nível central e local, segundo as seguintes
    atribuições:

    Nível   central
       •    programação dos inquéritos;
       •    concepção metodológica;
       •    formação dos agentes;
       •    tratamento e análise de dados;
       •    publicação dos resultados.

    Nível   local
       •    recolha de dados;
       •    controlo de dados recolhidos no terreno;
       •    registo informático de dados;
       •    controlo e correcção de dados;
       •    publicações específicas de dados.

1.2 Inquéritos previstos no sistema
Os inquéritos previstos no novo sistema – como mostra o Esquema 1 – são frutos
da análise conduzida em conjunto pelo Ministério do Ambiente, Desenvolvimento
Rural e Recursos Marinhos e pelo Instituto Nacional de Estatística Italiano dirigida
para a recolha da informação estatística agrícola considerada mais relevante para
Cabo Verde.
Trata-se de um sistema articulado, composto por inquéritos de periodicidade anual
e não anual, com vista a recolha de dados agrícolas de base pertinentes para a
elaboração de estatísticas de síntese e derivadas (conta económica da agricultura,
balanço alimentar, índices de preços agrícolas) e, sobretudo, para a actualização
de dados de Censo da agricultura 2004.




                                                                                                       9
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                                                ESQUEMA 1




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Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas




2. CONCEPÇÃO E PROGRAMAÇÃO DOS INQUÉRITOS
Nesta primeira macro fase, estão incluídas todas as operações preparatórias e
propedêuticas que antecedem a actividade de recolha de dados no terreno, a
saber:
        •    o desenho do questionário incluíndo a elaboração do manual de intruções
             para o entrevistador;
        •    a selecção da amostra de explorações agrícolas a entrevistar.

2.1 Questionário
Na fase relativa ao desenho do questionário ou no caso de se tornar indispensável
proceder a um novo projecto de questionário, é útil seguir as normas abaixo
indicadas.
O questionário deve ser visto como um instrumento de comunicação com a
finalidade de facilitar a interacção entre o pesquisador, o entrevistador e o
entrevistado.
Algumas sugestões/recomendações                        úteis     para    melhor       desenvolver      esta
interacção são, por exemplo:
    •   a previsão de sinalizações e instruções para o entrevistador (como a
        explicação de algumas classificações);
    •   a formulação de perguntas de forma directa e não impessoal;
    •   uma forma gráfica adequada.
De modo mais detalhado, no desenho do questionário é útil ainda:
-   estabelecer a sucessão lógica dos temas tratados (as secções do questionário),
    ao fazer com que a sequência dos assuntos tratados seja o mais coerente
    possível, evitando que se verifiquem saltos radicais (por exemplo, os itens que
    implicam um esforço de memória devem ser colocados a cerca da metade do
    questionário, para evitar que no início o entrevistado não fique sujeito a este
    esforço e no final encontre-se muito cansado, etc.)
-   colocar perguntas filtro que permitam saltar um ou mais itens sucessivos, se
    ocorreram algumas condições de modo a acelerar a entrevista;
-   definir a sequência de perguntas sobre um mesmo tema;
-   decidir a organização das respostas (perguntas estruturadas, a resposta
    múltipla, ordens priorizadas, etc.).
Observa-se que todos os questionários referentes aos inquéritos previstos no
sistema já foram elaborados. Todavia, a cada ano pode-se tornar necessária uma
modificação dos mesmos para resolver problemáticas/questões que tenham sido
evidenciadas pela experiência de inquéritos passados ou simplesmente pela
definição de objectivos novos ou diferentes do passado que sugiram modificações
de conteúdo.
É claro que uma mudança no desenho do questionário comporta também
modificações nos programas de tratamento de dados relacionados (registo,
controlo e correcção, tratamento, análise e difusão).




                                                                                                        11
Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas



Assim, seria desejável manter inalterado o questionário por um certo número de
anos e, eventualmente, proceder a modificações, somente quando se revelarem
estritamente necessárias.
No Anexo 1, encontra-se o exemplo de questionário utilizado no inquérito
“Sequeiro e pecuária".

2.2 Manual de instruções
Nas entrevistas junto às explorações agrícolas, o papel do entrevistador é
fundamental. Assim, uma atenção especial deverá ser dada a sua formação.
Além de prever as reuniões de formação ad hoc, é útil fornecer ao entrevistador
um manual de instruções sobre o preenchimento do questionário que possa ser
estudado por ele, antes da fase de recolha de dados e consultado durante a
mesma.
No manual deverão ser indicados:
-    as finalidades da pesquisa e eventuais referências normativas.
-    o calendário das operações e os deveres dos vários agentes envolvidos no
     inquérito.
-    as definições a utilizar.
-    as normas para o preenchimento do questionário com as definições de todas as
     variáveis.
No caso de Cabo Verde, foi distribuído um manual de instruções detalhado aos
entrevistadores que participaram na formação organizado na Praia, no mês de
fevereiro de 2007. O manual, além de oferecer uma visão geral do sistema de
inquéritos, indica as regras de comportamento e as formas de condução da
entrevista e de preenchimento do questionário.
Neste caso particular, é oportuno aprofundar os aspectos ligados às definições
específicas adoptadas nos inquéritos ás explorações agrícolas.
A maioria dos inquéritos previstos no quadro         do sistema permanente de
estatísticas agrícolas de Cabo Verde tem como população alvo as explorações
agrícolas. Estas últimas são, assim, o conjunto de unidades estatísticas para as
quais se pretende extrapolar os resultados da pesquisa.
A exploração agrícola é, então, a unidade estatística de recolha, isto é, o
elemento instrumental junto ao qual são assumidos – e, consequentemente,
indicadas no questionário - as informações elementares relativas à unidade de
análise.
É importante especificar exactamente no manual, também por meio de exemplos,
as condições de elegibilidade ou as características que determinam a inclusão (ou
exclusão) das unidades estatísticas da população.
Uma definição de exploração                    agrícola      amplamente         compartilhada          a   nível
internacional é aquela da FAO:
“Agricultural holding or holding is an economic unit of agricultural production under single
management comprising all livestock kept and all land used wholly or partly for agricultural
production purposes, without regard to title, legal form, or size. Single management may
be exercised by an individual or household, jointly by two or more individuals or
households, by a clan or tribe, or by a juridical person such as a corporation, cooperative or
government agency. The holding's land may consist of one or more parcels, located in one


12
Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas



or more separate areas or in one or more territorial or administrative divisions, providing
the parcels share the same production means utilized by the holding, such as labour, farm
buildings, machinery or draught animals. The requirement of sharing the same production
means utilized by the holding, such as labour, farm buildings, machinery or draught
animals should be fulfilled to a degree to justify the consideration of various parcels as
                                  1
components of one economic unit.”
Para localizar a exploração agrícola, podem ser usados vários critérios. A
localização é útil para identificar o lugar onde conduzir a entrevista, mas sobretudo
para a referenciação geográfica de dados.
De facto, no caso em que uma exploração agrícola tenha terrenos distribuídos em
locais diversos ou, sobretudo, se for difícil ou muito complicado geo-referenciar
todos os terrenos, eles poderão ser referidos ao local geográfico onde é localizada
a exploração.
Não há uma definição (critério) internacional para localizar uma exploração agrícola
válida para todos os países. Em muitos casos, faz-se referência ao centro da
exploração que é o conjunto dos prédios situados na exploração agrícola e ligados
com a actividade da própria exploração. Os prédios, por norma, compreendem as
habitações do gerente ou do chefe da exploração e de outra mão-de-obra
empregada na exploração, os abrigos para os animais, etc.
No caso de não poderem ser identificados prédios rurais, a exploração poderá ser
localizada onde se encontra a maior parte ou a mais importante do ponto de vista
económico.
No manual de instruções, é bom prever os exemplos que esclareçam casos
duvidosos sobre a definição de exploração agrícola. Por exemplo, unidades agrárias
sem terreno (exclusivamente zootécnicas) são consideradas explorações agrícolas.
Nos inquéritos do sector agrícola, é importante identificar também a figura do
entrevistado, isto é a pessoa que é oportuno entrevistar para obter as
informações.
Na gestão de uma exploração agrícola podem existir, de facto, três (3) figuras:
    1) o proprietário dos terrenos e/ou de animais,
    2) o gerente;
    3) o chefe da exploração.
Para a maioria das explorações agrícolas, estas três figuras coincidem. Mas no
caso de uma sociedade ou de explorações que representam instituições públicas,
as três figuras podem ser distintas.
O proprietário é, como diz a própria palavra, o sujeito que tem em propriedade
os terrenos e/ou os animais da exploração.
O gerente é, por sua vez, o responsável jurídico-económico, isto é, aquele que
assume as decisões e os riscos da actividade agrícola e pode ser tanto uma pessoa
física como jurídica;
O chefe da exploração é a pessoa que, de facto, administra a exploração e
garante a gestão corrente e quotidiana da mesma. Portanto, o chefe da exploração
só pode ser uma pessoa física.

1
  FAO. 1996. Conducting agricultural censuses and surveys. FAO Statistical Development Series, No.
6. Rome.


                                                                                                       13
Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas



Em muitas explorações de tipo familiar, o proprietário, o gerente e o chefe da
exploração é a mesma figura. Em casos de explorações de tipo cooperativas ou
sociedades poderá ocorrer, em vez disso, por exemplo, que uma exploração seja
proprietária de terrenos e confie a uma outra exploração a ela afiliada a
administração dos mesmos e esta última encarregue um chefe da exploração para
seguir no local os trabalhos da exploração.
Porém, para explorações individuais, um caso muito comum de não coincidência
das três figuras refere-se a sujeitos (gerentes) que vivem num centro urbano mas
gerem a distância os próprios terrenos ao confiar os cuidados a uma pessoa de
confiança (chefe da exploração).
A diferenciação entre estas três figuras é relevante quer para determinar a que
sujeito deve ser atribuída a posse da exploração agrícola quer também para fins
práticos da entrevista. Geralmente, assume-se que a exploração agrícola deve
sempre ser referida ao gerente; a entrevista deverá ser efectuada ao gerente ou,
em alternativa, ao chefe da exploração por meio do centro da exploração.
A lista a ser fornecida ao entrevistador deverá ter presente os dados pessoais, o
endereço e o número de telefone do gerente, assim como também o endereço do
centro da exploração.

2.3 Campo de observação
Depois de definida a população alvo, é preciso definir o campo de observação do
inquérito, isto é, o conjunto no interior do qual o fenómeno do estudo se
manifesta.
Para inquéritos sectoriais – por exemplo “Café” ou “Vinha” -          o campo de
observação será formado por todas aquelas explorações agrícolas que possuem
superfícies plantadas com estas culturas. Para outros inquéritos não específicos, se
necessário, podem ser introduzidos também outros critérios, geralmente físicos ou
económicos (superfície mínima ou presença de produção comercializada, etc.) para
delimitar o campo de observação das explorações agrícolas. Também neste caso é
muito útil inserir no manual de instruções exemplos específicos de casos que
podem ocorrer na realidade.
No caso do inquérito sobre o café, por exemplo, deve-se esclarecer que as
explorações presentes na lista mas que no acto da entrevista não cultivam café,
devem ser excluídas do campo de observação.
É bom, também, esclarecer o que se considera, ao menos, por actividade
agrícola. Neste âmbito, o guia deverá ser a NACE, classificação internacional das
actividades económicas, que no sector A trata de agricultura, silvicultura e pesca
(por exemplo, o adestramento de cães não entra no sector agrícola e deste modo
as explorações que praticam somente esta actividade são excluídas do campo de
observação dos inquéritos; assim, como as explorações que só transformam o leite
ou somente abatem os animais, a menos que estas instalações estejam inseridas
no interior de uma exploração agrícola).

2.4 Preparação da lista
Para que uma amostra seja representativa da população de origem, é preciso que
os ficheiros de base, usados para a extracção da amostra estejam em bom estado
de actualização, que a dimensão da amostra seja suficientemente grande e que os
procedimentos de selecção para uma amostragem específica sejam apropriados.



14
Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas



Para que se possa extrair uma amostra, é preciso avaliar atentamente as
características dos ficheiros de base disponíveis.
Os ficheiros de base são as listas, os mapas ou outras especificações que
constituem a informação disponível sobre as unidades que formam a população
alvo referente a um certo inquérito (exaustivo ou por amostragem).
Os ficheiros de base podem conter ou não informações suplementares referentes
às unidades, como a sua dimensão ou outras características, mas devem indicar
detalhes suficientes tais que as unidades possam ser localizadas e eventualmente
detectadas.
Para identificar univocamente as explorações agrícolas, é preciso que para cada
uma das explorações presentes no ficheiro seja designado um código de
identificação único (numérico ou alfanumérico). Este código deverá ser utilizado
para todas as operações de tratamento e elaboração da lista.
Geralmente, os códigos de identificação são criados ao ligarem-se códigos
territoriais relativos à localização da exploração com um número de ordem que
varia no interior das zonas identificadas pelos códigos iniciais.
Não se deve confundir o conceito de ficheiros de base com o ficheiro de dados
administrativos, mesmo que por meio deste último se possa recolher informações
úteis para a constituição dos primeiros.
Geralmente, os ficheiros apresentam problemas de falta de exaustividade,
precisão, adequação, obsolescência ou podem ser sujeitos a duplicações das
unidades neles contidos. Deve-se tomar todas as medidas possíveis para actualizar
o ficheiro de base e calcular os pesos finais em relação ao universo de dados.
É importante introduzir no questionário perguntas úteis para contar o número de
unidades não encontradas ou que deixaram de existir ou para testar a
confiabilidade das informações contidas no ficheiro ou para registar as
transformações sofridas por elas no tempo (fusões, cisões, mudanças de
titularidade ou de actividade económica, etc.). Em particular, para os inquéritos às
explorações agrícolas é necessário conhecer o motivo do eventual cessação de
existência da exploração e saber se os terrenos foram cedidos as explorações
novas ou pré-existentes.
Para todas as verificações, cujo êxito depende do pessoal de terreno
(entrevistadores, supervisores), é importante inserir sempre um assunto e
exercícios práticos no programa de formação do pessoal sobre este aspecto.
Concretamente, no caso dos inquéritos anuais de Cabo Verde, é importante, antes
de iniciar uma nova ronda de inquéritos, prever uma actualização dos ficheiros de
base das explorações agrícolas por meio dos êxitos dos inquéritos das edições
anteriores. Esta limpeza da lista permite, por exemplo, não re-contactar eventuais
explorações que tenham saído do campo de observação da pesquisa ou não ir a
endereços incorrectos.

2.5 Estratégia de amostragem
Depois de actualizada a lista, será possível proceder com a selecção das unidades
aplicando a estratégia de amostragem escolhida.
Nos inquéritos agrícolas definidos no sistema, geralmente procede-se a uma
amostragem aleatória estratificada das explorações agrícolas. Na prática,
subdividem-se as explorações em subconjuntos, chamados estratos, (o mais


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homogéneo possível) e depois em cada estrato selecciona-se, por meio de
amostragem aleatória simples sem reposição, uma amostra de explorações.
2.5.1 Definição dos estratos
Geralmente, os estratos são determinados com base em critérios geográficos e/ou
características das explorações. Nos casos mais simples, o procedimento de
estratificação prevê o reagrupamento das explorações baseado em critérios
geográficos (ex. explorações agrupadas com base em área geográfica onde se
encontra localizada a própria exploração).
Na situação de Cabo Verde, a estratificação pode ser conduzida a nível de Ilha na
qual a exploração está localizada ou considerar a Ilha e o Concelho. Parece difícil,
a adopção de uma estratificação com maior detalhe geográfico, aliás, em alguns
casos, como critério geográfico de estratificação deve se limitar só a Ilha.
A possibilidade de utilizar outros critérios de estratificação está ligada aos
objectivos do inquérito e às características das explorações. Por exemplo, pode-se
dividir as explorações com base em critérios dimensionais, da actividade
dominante, etc.
Geralmente, o “tamanho” das explorações pode ser medido em termos de
superfícies agrícolas utilizadas, número de animais, número de plantas, variáveis
económicas, etc.
No caso de existência de poucas explorações agrícolas de grandes dimensões, no
final da amostragem pode resultar muito conveniente as reagrupar num estrato ad
hoc. Estas explorações, quando consideradas importantes para fins de estimação,
serão incluídas com certeza (estrato take all) na amostra (explorações
autorepresentativas) e as explorações restantes formam um estrato (take some)
da qual serão seleccionadas somente algumas.
Para identificar as explorações consideradas de grandes dimensões, pode-se
conduzir análises nas variáveis tamanho/económicas presentes no ficheiro que se
pretende utilizar como lista de amostragem. O nível de análise depende dos
objectivos pré-fixados. Geralmente, pode-se recorrer a análises de exploração
simples, de tipo gráfico. Análises mais complexas podem necessitar da aplicação de
algoritmos ad hoc como o proposto por Hidiroglou (1986), que será ilustrado a
seguir.
2.5.2 Dimensão óptima da amostra e sua repartição pelos estratos
A dimensão total da amostra pode ser determinada com base em:
        •    critérios económicos ou;
        •    critérios de precisão desejada das estimativas ou;
        •    ambos os critérios.
No caso a dimensão total da amostra, n, for fixada a priori com base em critérios
de restrição do orçamento, então é preciso subdividir (“repartir”) esta amostra nos
estratos segundo um critério. Os critérios mais utilizados são:
1) repartição proporcional: consiste na amostragem da mesma fracção de
   unidades f = n N em qualquer estrato (N é o número de explorações na
     população). A repartição proporcional garante às explorações na lista
     probabilidades iguais de entrar e fazer parte da amostra, e prescindir do
     estrato a qual pertence.


16
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2) Repartição óptima de Neyman: consiste na amostragem em grande parte
    nos estratos que apresentam uma variabilidade maior do fenómeno objecto de
    pesquisa. A expressão algébrica é descrita no Anexo 2. Obviamente, este
    critério de repartição requer o conhecimento do desvio padrão das variáveis de
    interesse Y de cada um dos estratos. Se esta informação não estiver disponível,
    pode-se utilizar uma variável auxiliar X, correlacionada com Y, com os valores
    conhecidos (ex. superfície cultivada; número de animais, etc.). Este tipo de
    repartição coloca problemas em presença de mais variáveis de interesse. Em
    tais casos, pode-se efectuar uma repartição para cada uma das variáveis e
    então, no caso em que os resultados sejam parecidos, optar-se por uma
    solução de compromisso (média das repartições; máximo das repartições,
    etc.). Em alternativa, pode-se optar por uma repartição óptima relacionada
    com uma variabilidade média no estrato (recorre-se então a uma média
    ponderada da variância da uma única variável de interesse).
3) repartição proporcional ao total da variável de interesse: se faz
    amostragem a mais nos estratos que contribuem mais no total da variável de
    interesse. Este critério necessita do conhecimento prévio do valor total de Y
    estrato por estrato. Se tal informação não estiver disponível, pode-se utilizar
    uma variável auxiliar X, correlacionada com Y (ex. superfície cultivada; número
    de animais, etc.). Nos inquéritos agrícolas, é prática comum repartir a amostra
    com base no total da superfície cultivada em cada estrato.
O critério de repartição deve ser escolhido antecipadamente, mesmo quando a
dimensão total da amostra não for fixada à priori. Porém, o mesmo deve ser
determinado com base no erro desejado para o cálculo das estimativas dos valores
de interesse relacionados com toda a população. Neste caso, o procedimento a
seguir é o seguinte:
    a) estabelecer o erro relativo desejado. Trata-se do erro relativo c
        desejado para a estimação do total relativo à população. São considerados
        valores de 2%, 3% ou 5% ou, no caso limite, de 10%. Uma vez fixado o c
        procede-se ao cálculo da variância da amostra desejada V* = c2t2. Nesta
        expressão t é o total da variável na população (lista). Este último pode ser
        obtido dos inquéritos anteriores ou no caso a informação não seja
        disponível, pode-se utilizar o total de uma variável auxiliar X, fortemente
        correlacionada com Y (ex. superfície cultivada; número de animais; etc.)
    b) estabelecer o critério de repartição da amostra (proporcional, óptima,
       proporcional ao total, etc.).
    c) determinar a dimensão total óptima da amostra. A fórmula a utilizar é
        descrita no Anexo 2.
A seguir, é apresentado uma síntese dos resultados de um procedimento referente
ao inquérito às culturas irrigadas (“Regadio”). Neste caso, a variável auxiliar
utilizada para determinar a dimensão óptima da amostra e a sua repartição, é a
superfície cultivada, dado que é lícito esperar que as diferentes produções objecto
de pesquisas estejam directamente ligadas a ela. Tal variável foi obtida do censo
agrícola 2004 e é observada para todas as explorações que aparecem na lista de
amostragem. Com a finalidade da selecção da amostra, foi decidido estratificar as
N = 7592 explorações da lista, com base em critério geográfico “Ilha” e
“Concelho”.
O quadro que se segue compara as fracções de amostragem nos estratos, obtidas



                                                                                                       17
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    segundo os vários critérios de repartição.
Tab. 2 – Fracções de amostragem na Ilha e Concelho segundo vários critérios de repartição
H        Ilha        Concelho       Número de explorações          Repartição       Repartição óptima    Repartição
                                    na lista                       Proporcional                          Proporcional à
                                                                                                         superfície total
                                                                                                         cultivada
    1            1              1                       1.457              0,1919                 0,2429             0,2115
    2            1              2                           471            0,0620                 0,0986             0,0709
    3            1              3                           694            0,0914                 0,1802             0,1271
    4            2              1                           171            0,0225                 0,0450             0,0224
    5            3              1                           349            0,0460                 0,0606             0,0417
    6            4              1                            6             0,0008                 0,0003             0,0003
    7            5              1                           39             0,0051                 0,0032             0,0065
    8            6              1                           124            0,0163                 0,0200             0,0246
    9            7              1                           92             0,0121                 0,0069             0,0099
10               7              2                       1.007              0,1326                 0,0701             0,1091
11               7              3                       1.450              0,1910                 0,1158             0,1841
12               7              4                           525            0,0692                 0,0595             0,0647
13               7              5                           331            0,0436                 0,0223             0,0314
14               7              6                           664            0,0875                 0,0423             0,0677
15               8              1                           17             0,0022                 0,0027             0,0016
16               8              2                           70             0,0092                 0,0173             0,0131
17               9              1                           125            0,0165                 0,0124             0,0135

                            Tot.                        7.592             1,0000                  1,0000             1,0000



    Enfim, este segundo quadro ilustra os vários valores obtidos para a dimensão
    óptima da amostra de acordo com os diversos critérios de repartição das unidades
    anteriormente consideradas.
            Tab. 3 – Dimensão óptima da amostra em função do erro relativo e os vários
            critérios de repartição
                Erro        Variação              Repartição              Repartição            Repartição
                relativo    desejada              proporcional            óptima                proporcional à
                                                                                                superfície total
                c           V * = c 2t x
                                       2          n*                                            cultivada
                                                                          n*                    n*
                     0,01             1627971,6              5086,8                    4053,9              4567,0
                     0,02             6511886,4              2556,3                    2037,2              2295,1
                     0,03            14651744,3              1397,6                    1113,8              1254,7
                     0,04            26047545,5                   855,0                 681,4                767,6
                     0,05            40699289,8                   570,3                 454,5                512,0
                     0,10           162797159,1                   151,1                 120,4                135,7



    Como se pode notar, considerando o erro relativo para as estimações, a repartição
    óptima conduz a amostras menores comparativamente aos outros critérios de
    repartição. A repartição proporcional comporta por sua vez amostras maiores.




    18
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2.5.3 Identificação das explorações autorepresentativas
O número de explorações a incluir com certeza na amostra, N cen (chamadas
explorações autorepresentativas) chamada também de estrato take all, pode ser
determinado recorrendo ao algoritmo proposto por Hidiroglou (1986) relativamente
à amostragem aleatórial simples sem reposição. Trata-se de um algoritmo
interactivo em que o ponto de partida é representado pelo valor limite:
                                                                   2
                                                   ty         2
                                                                  ty      2
                                            y* =        + c            + Sy
                                                   N              N
Nesta fórmula, N é o número da unidade na lista; t y é o total de Y para a unidade
            2
na lista, S y é a variação de Y e, enfim, c é o erro relativo desejado para as
estimativas (valores frequentemente utilizados são 2% ou 5%).
Na prática, todas as unidades da lista com valor superior a y * devem ser incluídas
na amostra com certeza. Na realidade, na proposta de Hidiroglou, y * é o limite
superior do valor do melhor limite, cuja determinação requer a utilização de um
procedimento de avaliação interactiva que parte de y * . Neste caso, limita-se a
considerar só o valor limite aproximado y * .
                               2
Quando não se conhecem t y e S y , pode-se trabalhar com variáveis auxiliares,
presentes na lista, fortemente correlacionadas com Y. Por exemplo, nas
estimativas da produção de culturas pode ser útil utilizar a superfície cultivada.
No caso da amostragem estratificada, o procedimento de Hidiroglou pode ser
utilizado antes ou depois da subdivisão da unidade em estratos. Quando utilizado
depois, o procedimento aplica-se estrato por estrato. Neste caso, deve-se esperar
um aumento considerável das unidades a amostrar com certeza (take all)
considerando o caso em que se trabalha a nível de lista de amostragem.
No Anexo 2, é ilustrado um exemplo de aplicação da proposta de Hidiroglou a nível
da população total.
2.5.4 Superamostragem para compensar a redução de unidades de amostragem
No caso de se esperar uma redução do número de unidades na amostra, por
causa da presença na lista de unidades não elegíveis para fins de amostragem,
uma possível solução pode consistir no aumento da dimensão da amostra em
função da fracção esperada de unidades não elegíveis (que devem ser excluídas na
amostra).
Assim, por exemplo, se se espera que a lista possa conter uma fracção de
unidades não elegíveis igual a 10% e foi obtido uma amostra n* = 1500 , para fins
práticos convém seleccionar uma amostra de explorações com taxa de
amostragem igual a n = 1500 (1 − 0,1) ≅ 1667 unidades.

2.6 Outras actividades prévias a recolha de dados no terreno
Outras actividades, indispensáveis, preliminares a fase de recolha de dados no
terreno são:
-   a preparação de um calendário de actividades com horizontes temporais e
    indicação dos agentes e/ou instituições responsáveis das mesmas;



                                                                                                       19
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-    a impressão e expedição dos questionários e manuais de instrução aos órgãos
     responsáveis pela recolha no terreno;
-    o envio de uma eventual carta informativa para as explorações à entrevistar
     (amostradas), permitindo, assim, obter uma boa participação na pesquisa,
     instaurando um clima favorável e de confiança entre o entrevistador e o
     entrevistado;
-    a formação dos entrevistadores e dos supervisores.

2.7 Formação dos entrevistadores
Numa pesquisa que utilize a entrevista directa como técnica de recolha de dados, o
papel do entrevistador é fundamental.
Assim, torna-se necessário programar e realizar uma formação adequada quer em
termos de conteúdos quer de organização. Neste sentido, o responsável da
pesquisa deverá programar dias de formação nas quais pode reunir todos os
entrevistadores e supervisores. É oportuno organizar tais encontros poucos dias
antes do início das entrevistas, de modo que os entrevistadores tenham ainda uma
lembrança viva das noções aprendidas.
A formação pode ser desenvolvida em três partes:
        •    uma introdução geral sobre as finalidades e organização da pesquisa, que
             compreendem também algumas indicações de comportamento para
             desenvolver as entrevistas;
        •    uma segunda, puramente técnica, no qual ilustra o questionário e as
             definições dos conceitos relativos às variáveis a serem recolhidas;
        •    uma terceira de exercícios práticos no curso dos quais deve-se fazer
             perguntas concretas aos entrevistadores e verificar o seu nível de
             aprendizagem.
É bom que o pessoal envolvido nas operações seja informado adequadamente
sobre as modalidades do processo inteiro e não só nas áreas de responsabilidade
própria.
Em particular, os entrevistadores deverão ser informados sobre a gravidade da
falta de respostas e deve ser enfatizado para eles a importância de obtenção de
questionários completos. Atenção apropriada deve também ser dedicada na
postura correcta a ter para ajudar os entrevistados a responder durante a
entrevista sem, no meio termo, influenciar as respostas. É importante que o
entrevistado não sinta a entrevista como um interrogatório.
No decorrer da formação deverão, também, ser definidos ao detalhe os controlos a
serem efectuados para julgar o grau de exaustividade do questionário e identificar
algumas eventuais incoerências contidas no mesmo, conjuntamente com
instruções claras evitando correcções de dados recolhidos na ausência dos
entrevistados.

3. RECOLHA DE DADOS
A recolha de dados de todos os inquéritos do sistema permanente de estatísticas
agrícolas de Cabo Verde acontece através de entrevista directa ao gerente da
exploração pela parte de um entrevistador.
A seguir são enumeradas algumas linhas orientadoras que o entrevistador deverá
seguir para o bom êxito das entrevistas.


20
Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas



Acima de tudo o entrevistador deve previamente verificar de forma cuidadosa a
exaustividade do material e estudar em profundidade cada um dos quesitos do
questionário.
Antes da realização da entrevista, o entrevistador deve ter claro o local onde fazer
a entrevista, em que hora e como responder algumas perguntas em particular. A
entrevista pode, também, ser subdividida pelo entrevistador em três fases ideais
distintas:
    •   a apresentação;
    •   a condução;
    •   a conclusão.
No caso das entrevistas às explorações agrícolas, é boa norma conduzir a
entrevista no local onde se realiza a produção agrícola, isto é, através da
exploração ou do centro da exploração, mesmo que essa não coincida com a
habitação do gerente. Esta modalidade pode permitir ao entrevistador apurar,
eventualmente, no ato da entrevista a veracidade de algumas respostas.
Na ocasião deste primeiro contacto é possível verificar se a exploração é existente
e o chefe é aquele resultante da lista. A qualquer momento, se o gerente se
ausentar temporariamente e se das informações que foram possíveis de obter no
posto mostrarem que ele retornará em tempo útil previsto para a recolha de
dados, o entrevistador voltará a ele para concluir a entrevista.
Caso contrário, o entrevistador poderá assumir as informações a respeito da
exploração através de um familiar do entrevistado, ou uma pessoa da confiança
dele, ou ainda, uma outra pessoa em condições de fornecer os dados.




                                                                                                       21
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Tabela. 4 - Situação da exploração agrícola, entrevistas e estimação dos pesos finais
           Situação da exploração agrícola                       Entrevista                     Estimação dos pesos
           Exploração agrícola A foi entrevistada com
           sucesso
    1      Activa                                                Sim                            Nenhuma mudança de
                                                                                                peso (não reponderação
                                                                                                dos pesos)
           Exploração agrícola A não foi entrevistada
    2      Chefe ausente                                         Não resposta total             Reponderação dos pesos
                                                                 (exploração existente)
    3      Recusa                                                Não resposta total             Reponderação dos pesos
                                                                 (exploração existente)
    4      Endereço incorrecto                                   Não resposta total             Reponderação dos pesos
                                                                 (exploração existente)
    5      Temporariamente não activa                            NÃO
           Exploração agrícola A não existente
    6      Terrenos não utilizados mais para fins agrícolas ou   NÃO
           animais todos vendidos definitivamente
    7      Exploração agrícola fora da amostra                   NÃO
    8      Exploração agrícola absorvida completamente por       SIM só a exploração agrícola   Se a exploração agrícola
           uma outra exploração B já existente                   B está na amostra              B está na amostra, então
                                                                                                nenhuma mudança de
                                                                                                peso
    9      Exploração agrícola completamente absorvida por       SIM(Mudança de chefe)          Nenhuma mudança de
           um novo chefe                                                                        peso
    10     Exploração agrícola fusionou com outras               SIM                            Nenhuma mudança de
           explorações agrícolas criando uma nova                                               peso
           exploração C
    11     Exploração agrícola cindiu em duas ou mais            SIM                            Para cada nova
           explorações agrícolas (D, E, F, etc.).)                                              exploração atribui-se o
                                                                                                mesmo peso que a
                                                                                                exploração « mãe”
           RENDA
    12     Todos os terrenos ou todos os animais foram           SIM(Mudança de chefe)          Nenhuma mudança de
           dados em renda a um novo chefe                                                       peso
    13     Todos os terrenos ou todos os animais foram           SIM, só se a exploração        Se a exploração agrícola
           dados em renda a um chefe já existente G              agrícola G está na amostra     G está na amostra,
                                                                                                então nenhuma
                                                                                                mudança de peso
Terminada a entrevista, o entrevistador deve fazer o controlo de cada questionário,
verificando a exaustividade e coerência das informações recolhidas.
Durante a fase de recolha de dados, é importante garantir e assegurar também um
sistema de acompanhamento periódico que consiste em detectar eventuais
anomalias e, consequentemente, intervir tempestivamente para removê-las.
Para sustentar o acompanhamento, o entrevistador deverá comunicar ao seu
coordenador periodicamente algumas indicações como o número das explorações
visitadas, as entrevistas completadas, as recusas, as explorações fora do campo de
observação e aquelas não mais existentes.

4. TRATAMENTO E DIFUSÃO DOS RESULTADOS
As actividades a serem realizadas no final da recolha de dados são, sinteticamente,
as seguintes:
-        verificação e registo dos questionários;
-        controlo e correcção de dados;
-        produção das estimativas de interesse e avaliação dos erros;
-        validação e difusão dos resultados.




22
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4.1 Verificação e registo dos questionários
A verificação dos questionários é do tipo quantitativo e qualitativo. Esta
operação é muito delicada e é feita com a finalidade de evitar incertezas e
ambiguidades na fase de registo. Quanto maior for a precisão da verificação mais
rápido e simples resultará a fase de registo.
A verificação dos questionários deverá ser efectuada, em primeiro lugar, pelo
próprio entrevistador e, sucessivamente, pelo seu controlador e/ou supervisor, a
nível local. A resolução de casos de dúvidas pode acontecer através de um
eventual novo contacto com a exploração ou, nos casos mais simples, por meio de
uma correcção directa dos erros no questionário pela parte do entrevistador.
Inicialmente, deverá ser verificada a coerência entre o número de questionários
recolhidos e o número das explorações seleccionadas na amostra (revisão
quantitativa). Isto serve para verificar se todas as explorações foram contactadas
e se, eventualmente, não foram perdidos eventuais questionários já preenchidos.
Sucessivamente, dever-se-á verificar o conteúdo dos questionários (revisão
qualitativa) para identificar e eliminar possíveis erros e incoerências presentes.
Para tal, o responsável da pesquisa deverá indicar as regras principais de coerência
que o entrevistador deverá verificar (por exemplo, coincidências dos totais com a
soma dos parciais, resposta a todos os quesitos obrigatórios, etc.).
A fase de registo no suporte informático consiste em converter as informações
recolhidas junto aos entrevistados e disponíveis no questionário, em suporte de
formato reconhecível pelos procedimentos de informática previamente definidos
pela pesquisa.
A fase de registro deve, como as outras, ser concebida cuidadosamente levando
em conta que, ao menos em parte, os erros introduzidos em uma determinada
operação dependem do modo em que foram projectadas e executadas as fases
anteriores.
O registo consiste apenas na introdução de dados no computador por parte de um
operador que digita num teclado exactamente aquilo que lê no questionário. A
operação, que não necessita de um conhecimento elevado do inquérito e das suas
características, é normalmente desenvolvida por pessoal não especializado. Por
este motivo, a fase de registo de dados deve ser considerada como uma grande
fonte potencial de erro.
A operação pode ser conduzida segundo diferentes modalidades organizadoras:
i) o registo pode ser efectuado pelo próprio organismo gestor da pesquisa;
ii) feita por uma entidade externa ou
iii) distribuída no território e confiada às entidades que cuidam da pesquisa no
terreno.
No estado actual no sistema de Cabo Verde é adoptado o primeiro tipo de registo.
Também a modalidade técnica pode variar do caso mais simples em que o
operador digita os dados numa aplicação de registo que não fornece nenhum aviso
de erro, até a uma situação de registo controlada, no qual o operador é avisado no
caso serem cometidos erros de registo.
É evidente que, no caso serem previstas verificações cuidadosas, qualquer erro
poderá não ser aceite em fase de registo para não bloquear o procedimento e
pesar muito na fase.


                                                                                                       23
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Outros aspectos devem ser levados em consideração para reduzir ao mínimo as
possibilidades de erro, como a gráfica do questionário para simplificar a leitura, a
pré-codificação das respostas, a cuidadosa definição da dimensão dos campos
relacionados com as diversas variáveis, a distinção entre códigos, zeros e espaços
em branco, etc.
Os Serviços de Estatística do MADRRM de Cabo Verde utiliza CSPro2
exclusivamente para o desenho do questionário electrónico finalizado pelo Data
Entry, apesar do pacote permitir também outras aplicações.
Mas é no desenho do questionário electrónico e nos controlos do registo de dados
que o pessoal técnico/informático desenvolveu uma competência suficiente para
poder administrar em completa autonomia este tipo de actividade.
A título de exemplo, a Fig. 1, a seguir mostra um esquema do programa de “data
entry” realizado para registo de dados do inquérito "Sequeiro e Pecuária".
Fig. 1




4.2 Controlo e correcção de dados
A fase de controlo de dados de um inquérito estatístico consiste na identificação e
eliminação dos erros não derivados da amostragem. Esta operação é efectuada




2
  CSPro, é a abreviação de Census and Survey Processing System e é um software estatístico de
domínio público que consente o registro de dados, a sua elaboração e tabulação além da realização
de mapas de dados censurados e de pesquisa única. É desenvolvido por: U.S. Bureau of the
Census, Macro International e SerPro S.A. com fundos do Center for Population, Health &
Nutrition da United States Agency for International Development. O software é enviado sob
forma de arquivo executável, então não é um software Open Source. Está disponível exclusivamente
para a plataforma Windows, é completamente grátis mas é necessário registar-se no endereço
http://www.cspro.org/cspro/register/reg.cfm antes de o descarregar.




24
Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas



mediante o, assim chamado, procedimento de controlo e correcção. Estes
procedimentos consistem em duas fases principais:
        •    a de identificação;
        •    a de correcção dos erros.
Na realidade, considerados os diversos tipos de erros que podem simultaneamente
contaminar um conjunto de dados, diversas são as metodologias e as técnicas que
podem ser utilizadas de forma integrada no interior do procedimento complexo de
verificação e correcção.
4.2.1 Identificação dos erros
As metodologias para a identificação dos erros se distinguem em três classes
principais:
        •    Técnicas de identificação de erros sistemáticos;
        •    Técnicas de identificação de valores anormais (outliers) ou das unidades
             influentes;
        •    Técnicas de identificação de erros casuais.
Erros sistemáticos
Não há métodos gerais para a identificação dos erros sistemáticos. Muitas vezes a
abordagem ao problema é baseada na utilização de técnicas de análise gráfica
direccionadas para a identificação dos grupos de observação com “características
parecidas” que manifestam desvios dos (supostos) valores verdadeiros,
redireccionados a uma causa de erro comum.
Valores anormais (outliers) ou das unidades influentes
As técnicas de identificação dos valores anormais (outliers) ou das unidades
influentes são baseadas na utilização de controlos (os assim chamados controlos
estáticos) direccionados para a localização daquelas observações na qual o
comportamento anómalo, a respeito do resto das unidades observadas, ou é
originado de informações erradas ou ainda pode ser derivado das variações
naturais do fenómeno em estudo.
Tipicamente, a localização dos outliers acontece mediante determinação de regiões
de aceitação nas distribuições de uma ou mais variáveis de interesse (ou de suas
oportunas transformações), fora das quais uma unidade estática é considerada
anómala e assim a submeter ao controlo e, eventualmente, a correcção.
Erros casuais
As técnicas de identificação dos erros casuais são baseadas na utilização dos
assim chamados controlos de consistência. Estes controlos (também chamados
regras de incompatibilidade ou edição) consistem em verificar que as combinações
de valores pré-fixadas retiradas das variáveis de uma mesma unidade satisfaçam
alguns vínculos de coerência, que possam ser de tipo estático, matemático ou
lógico.
Os edit são frequentemente utilizados para a construção dos assim chamados
planos de compatibilidade. Se define como plano de compatibilidade um conjunto
de vínculos não redundantes e não contraditórios que devem ser satisfeitos por
cada unidade estatística, até que a informação correspondente possa ser
considerada correcta.



                                                                                                       25
Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas



A aplicação dos controlos de consistência pode ser efectuada segundo diversas
abordagens e com a utilização de diversas metodologias. As distinções
classicamente adoptadas pelos métodos de identificação (ou localização) dos erros
casuais separa as técnicas do tipo determinante daquelas de tipo probabilístico.
Nas abordagens determinantes, para cada gravação ou por grupo de gravação, a
identificação dos erros acontece mediante aplicação de regras do tipo “SE
condições de erro ENTÃO acção de correcção”. Neste tipo de abordagem, a cada
situação de incompatibilidade/incoerência, segue-se contextualmente a indicação
da/s variável/eis que deve/em ser considerada/as errada/as e, enquanto tal,
deve/em ser/em modificada/as.
Ao contrário, na abordagem probabilística não é necessário definir a priori, para
cada situação de erro, a lista das acções a serem feitas para identificar/eliminar os
erros. O perito em estatística deve limitar-se a definir as situações de erro,
deixando a um algoritmo pré-definido o trabalho de reportar a gravação a uma
situação de correcção.
Neste contexto, as técnicas mais observadas e aplicadas possuem o seu ponto de
referência na assim chamada metodologia Fellegi-Holt, um algoritmo que existe
para determinar, para cada unidade estatística e para cada situação de erro, o
número mínimo de variáveis a ser modificado de forma a eliminar os erros
individualizados e, acima de tudo, para não introduzir outros na mesma unidade.
Uma outra abordagem probabilística, de maior utilização, é a metodologia de
identificação dos erros de tipo data-driven, na qual a correcção das situações
erradas é completamente "guiada" pelos dados disponíveis.
Em última instância, para um certo registo errado, a identificação do subconjunto
de variáveis a serem corrigidas é ligado à identificação dos novos valores a serem
afectados na base da “semelhança” entre o registo errado e um dos registos
exactos (isto é, que não violam nenhuma regra de coerência).
4.2.2 Correcção dos erros
Qualquer que seja a técnica utilizada, no término da fase de identificação dos
erros se coloca a necessidade de substituir os valores classificados como
inaceitáveis por valores próximos àqueles verdadeiros integrando as eventuais
informações que faltam.
Por simplicidade, os valores errados podem ser assimilados à informação
parcialmente em falta, por forma a poder assumir em conjunto com as técnicas de
correcção e àquelas de imputação.
A imputação representa o procedimento geralmente usado para as respostas
parciais que faltam. O uso da imputação é justificada por uma série de motivos
quer operativos como teóricos.
Em primeiro lugar, normalmente os dados que faltam necessitam ser completados
(e coerentes) a nível elementar e é evidente que a garantia da coerência dos
resultados finais só ocorre se os métodos de imputação tomarem em consideração
os próprios vínculos de coerência. Do mesmo modo, as relações entre as variáveis
são preservadas se os modelos de imputação as usam para predizer os valores
inseridos. Além disto, a imputação consente aplicar o total final de micro dados
técnicos de análises estatísticas clássicas ainda não aplicáveis.
Com a imputação, sob certas premissas, se pretende reduzir as distorções que
podem ter origem na presença de dados de valores que faltam. Também, o


26
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recurso à imputação, se não aplicado correctamente, pode apresentar alguns
riscos quando o método não seja apropriado ou não se utilize de forma correcta as
informações disponíveis ou ainda não se esteja apto a eliminar as distorções,
podendo até aumentar os mesmos.
Além disto, é possível que os analistas tratem os dados imputados como se
fossem efectivamente observados, integrando, deste modo, um componente
importante de variabilidade nas estimativas finais (certamente a variância da
imputação) na fase de avaliação da precisão das próprias estimativas.
O uso das técnicas de imputação é baseado, implícita ou explicitamente, na
assumpção que as unidades não respondentes tenham um comportamento
análogo aquelas que responderam e assim os valores que faltam possam ser
assumidos através da única informação observada.
A tabela a seguir mostra, a título de exemplo, o plano de verificação adoptado
para a Secção 1 do inquérito “Sequeiro e Pecuária”. Um plano análogo foi
elaborado para todas as outras secções do inquérito acima referido e para todos
os outros inquéritos do sistema.




                                                                                                       27
Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas



     Tab. 5 – Plano de verificação da Secção 1 – Inquérito ‘Sequiero e Pecuária’
                           SECÇÃO 1 – IDENTIFICAÇÃO DA EXPLORAÇÃO AGRÍCOLA
            PONTO               REGRA                         SE                          ENTÃO
     •   ILHA                Deve ter o   registado                                OK
                             código de
                                          Diferente ou não existente               regista da lista
                             registo de 1
                             a9
     •   CONCELHO            Deve ter o   •    ILHA=1 e CONCHELHO= 1 ou 2 ou 3;    OK
                             código de    •    ILHA=2 or 3 or 4 or 5 or 6 or 9 and
                             registo de 1      CONCHELHO= 1;
                             a6           •    ILHA=2 or 3 or 4 or 5 or 6 or 9 and
                                               CONCHELHO= 1;
                                          •    ILHA=8 and CONCHELHO= 1 or 2;




                                              Diferente ou não existente                   regista da lista
     •   FREGUESIA            Deve ter o      •    ILHA+CONCELHO=11 e                      OK
                              código de            FREGUESIA=1 ou2 ou 3 ou 4;
                              registo de 1    •    ILHA+CONCELHO=12 or 21 or 31 or
                              a4                   41 or 61 or 71 or 76 or 81 and
                                                   FREGUESIA=1;
                                              •    ILHA+CONCELHO=12 or 51 or 31 or
                                                   72 or 73 or 75 or 91 or 2 and
                                                   FREGUESIA=1;
                                              •    ILHA+CONCELHO=74 or 82 and
                                                   FREGUESIA=1 or 2 or 3;




                                              Diferente ou não existente                   regista da lista
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4.3 Produção das estimativas de interesse
Cada método de estimativas é fundado no princípio que o subconjunto das
unidades da população incluídas na amostra deve representar também o
subconjunto complementar constituído das unidades que restaram da própria
população. Tal princípio é geralmente realizado com a atribuição a cada unidade
incluída na amostra um peso que pode ser visto como o número de elementos da
população representados por tal unidade.
Os inquéritos por amostragem conduzidos pelo MADRRM em Cabo Verde possuem
a finalidade de fornecer um número elevado de estimativas de parâmetros da




28
Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas



população que podem ser de natureza diferente, como por exemplo frequências
absolutas, totais, proporção, média, etc.
A estimativa dos parâmetros da população pode ser efectuada recorrendo a dois
métodos de estimativas diferentes:
-    Os métodos directos que usam os valores das variáveis de interesse
     observados nas únicas unidades da amostra pertencentes ao domínio de
     interesse.
-    Os métodos indirectos que utilizam os valores das variáveis de interesse
     observados nas unidades de amostras pertencentes a um domínio mais amplo
     contido no domínio de interesse e/ou a outros inquéritos específicos. São
     utilizadas, geralmente, para estimativas particulares tais como, por exemplo,
     aquelas ligados à áreas ou domínios no qual a dimensão da amostra é muito
     exígua para a produção de estimativas com os métodos directos.
No sistema estatístico permanente do MADRRM de Cabo Verde, é utilizado o
método de estimativa directo.
Em geral, para a estimativa de um total deve-se executar as três seguintes
operações:
        •    Determinar o peso a ser atribuído a cada unidade incluída na amostra
        •    Multiplicar o valor relativo a uma dada variável objecto de pesquisa,
             obtida na unidade genérica incluída na amostra, pelo peso atribuído à
             mesma unidade
        •    Efectuar a soma dos produtos acima
Nas pesquisas reais, geralmente baseadas nos planos de amostragem complexos,
o peso a ser atribuído a cada unidade é obtido com base em um procedimento
articulado em mais fases:
    1) É calculado um peso inicial, definido como peso directo ou peso de base,
       determinado em função do plano de amostragem adoptado, como o inverso
       da probabilidade de inclusão da unidade na amostra;
    2) São calculados os factores de correcção do peso base ao levar em conta a
       não resposta total e os vínculos de igualdade entre alguns parâmetros
       observados da população e as estimativas da amostra correspondente;
    3) É calculado o peso final como produto do peso base pelo factor de correcção.
No que diz respeito ao ponto 2, uma das metodologias base prevê calcular um
factor de correcção estrato por estrato, tal factor de correcção é a taxa de resposta
no mesmo estrato.
Os métodos de estimativa baseados na teoria dos estimadores de ponderação
vinculadas satisfazem os critérios acima enquanto:
-    conduzem, geralmente, às estimativas mais eficientes daquelas obtidas com as
     estimativas directas. A eficiência é tão maior quanto mais alta é a correlação
     entre as variáveis auxiliares e as variáveis objecto da pesquisa;
-    são aproximadamente não distorcidos a respeito do plano de amostragem;
-    levam a estimativa dos totais que coincidem com os valores observados dos
     totais;
-    atenuam o efeito de distorção devido à presença de não respostas totais;


                                                                                                       29
Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas



-    atenuam o efeito de distorção devido à sub cobertura da lista da qual é
     seleccionada a amostra.
Mais em detalhe, nos inquéritos agrícolas de Cabo Verde, as operações foram
articuladas como exposto a seguir.
4.3.1 Determinação dos pesos finais das unidades entrevistadas
Nos inquéritos do sistema, recorreu-se à amostragem aleatória estratificada de
explorações agrícolas. Os estratos, na grande parte dos casos, foram criados com
base em critérios geográficos. Umas vezes são feitas referências à Ilha como sede
da exploração, em outros casos, considera-se também a subdivisão das ilhas em
"Concelho" ou uma subdivisão das explorações com base na sua dimensão.
O peso base (também chamado peso directo) de cada unidade seleccionada na
amostra teórica é igual ao inverso da fracção de amostragem considerada no
estrato do qual a exploração faz parte.
Em geral, para fins de estimativas, não é possível utilizar os pesos base mas torna-
se necessário adoptar os pesos oportunamente corrigidos dos problemas de
inelegibilidade e de não resposta total.
No que diz respeito aos problemas de inelegibilidade, uma primeira operação
consiste em excluir da amostra as explorações que não são mais elegíveis para os
fins da pesquisa:
     •   a exploração não existe mais (situação da exploração=2);
     •   a exploração foi abandonada (situação da exploração=3);
     •   a exploração parou as actividades (situação da exploração=4).
Depois da exclusão da amostra das explorações inelegíveis, deve-se começar a
identificar as explorações elegíveis que configuram-se como não inquiridas:
     •   recusam-se a responder (situação da exploração=6);
     •   não são encontradas por causa de erros no endereço (situação da
         exploração=5);
     •   por outros motivos (situação da exploração=7).
Também os não inquiridos são excluídos da amostra, mas depois desta exclusão é
oportuno corrigir os pesos das explorações efectivamente inquiridas. Uma
correcção simples consiste em dividir o peso base da unidade de amostra de cada
estrato pela taxa de resposta no próprio estrato (para as fórmulas, ver Anexo 3).
Esta forma de proceder assume que a unidade de um estrato possui a mesma
propensão a responder quando seleccionada para fazer parte da amostra. A
correcção por não resposta pode ser feita também através de taxas de resposta
calculadas por outros subgrupos de unidade, no interior dos quais se mantém que
as unidades possuam a mesma propensão a responder.
Por exemplo, quando as explorações são estratificadas por Ilha e Concelho, pode-
se pensar em modificar os pesos base dos inquiridos de uma ilha com a taxa de
resposta na própria ilha.
Muitas vezes, a correcção da não resposta total pode exigir uma posterior
correcção de pesos, de forma tal que a estimativa do número de explorações
elegíveis (soma de pesos finais dos inquiridos da amostra) coincida com a
estimativa das explorações elegíveis que se obtém ao utilizar os pesos base (soma


30
Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas



dos pesos base sobre as unidades elegíveis da amostra) (para mais detalhes, ver
Anexo 3).
4.3.2 Cálculo das estimativas de valores totais ou valores médios
Para fins de cálculo das estimativas, considerando somente o subconjunto das
unidades efectivamente inquiridas. No que diz respeito a estimativa dos valores
totais de uma variável Y, utiliza-se a seguinte fórmula:
                                                 ˆ y = ∑ wk yk
                                                 t      k

onde wk é o peso final da unidade entrevistada, enquanto yk é o valor da variável
de interesse observada na unidade em questão.
Concernente à estimativa da média, é preferível utilizar a fórmula da média
aritmética ponderada

                                                ˆU =
                                                y
                                                       ∑wy
                                                         k       k       k
                                                                             .
                                                       ∑w    k       k


Se os pesos foram determinados de forma correcta, o valor do denominador deve
fornecer uma avaliação do número de explorações elegíveis na população total.
As estimativas de totais ou médias para os domínios da população (subconjunto de
unidades que possuem uma certa característica) são facilmente obtidas com as
fórmulas em questão para as únicas unidades que pertencem ao domínio.

4.4 Validação de dados
Por validação entende-se o processo por meio do qual se avalia se a informação
pode ser considerada em conformidade com as finalidades para as quais foi
produzida.
A actividade de validação pode, portanto, ser definida como o conjunto de
operações por meio do qual julga-se o desvio que há entre os objectivos de
qualidade programados na base de projecto da pesquisa estatística ou
administrativa e os resultados efectivamente obtidos.
Desta definição deriva que os objectivos de qualidade devem ser pré-fixados, em
fase de projecto e devem ser expressos em termos mensuráveis. Além disto,
deverão ser definidos previamente os procedimentos adequados para a medição
dos parâmetros de qualidade sobre os dados efectivamente recolhidos, até que se
possa avaliar a obtenção dos objectivos.
Os objectivos da operação de validação são dirigidos para:
-   avaliar se a quantidade de dados é suficiente para os fins de difusão da
    informação aos utilizadores;
-   identificar as fontes de erro mais relevantes e, eventualmente, definir
    previamente as modificações ao processo de produção de forma a reduzir os
    efeitos dos erros em ocasiões sucessivas de pesquisa.
Estas considerações levam a listar em quatro pontos as principais medidas de
avaliação:
• facilitar as estimativas ao utilizador ao documentar adequadamente os
    objectivos de qualidade, as definições adoptadas e os processos pré-definidos;



                                                                                                       31
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• conduzir estudos de coerência entre os dados produzidos e o sistema de
  informação disponível;
• estimar os principais componentes do perfil do erro através                                    de medidas
     apropriadas de qualidade e de pesquisas de controlo;
• calcular os indicadores de qualidade do processo finalizados pela avaliação
  indirecta da qualidade de dados.

4.5 Difusão dos resultados
A última fase da produção de informação estatística é aquela da sua difusão.
O momento da difusão dos resultados, que a primeira vista pode parecer acessório,
é ao contrário, entre aqueles de importância central e constitui o coroamento de
toda a operação, ao tornar disponível aos utilizadores e aos pesquisadores a
informação recolhida. Além disto, ela incide em dimensões relevantes da
qualidade, como a acessibilidade, a clareza, a comparabilidade e a coerência.
A estratégia de difusão dos resultados deve levar em conta quer os canais
utilizados quer as características dos utilizadores. Pode-se realmente, privilegiar a
modalidade de difusão directa, em que os meios e os modos de transferência das
informações são geridos pelo produtor das estatísticas por meio dos próprios
instrumentos editoriais e/ou modalidades indirectas como a comunicação
electrónica e via web.
A difusão das informações em rede, ao garantir os critérios de confidencialidade,
permite a difusão de dados a nível mais desagregado, o que torna disponíveis
tabelas ou bancos de dados das quais os utilizadores mais experimentados podem
obter aprofundamentos adequados aos seus objectivos específicos.
Para o inquérito “Sequeiro e Pecuária” do Sistema de Cabo Verde, por exemplo, foi
concebido o plano de tabulação que é mostrado a seguir. Deve-se salientar,
entretanto, que cada plano de tabulação, mesmo definido antes do inquérito ou em
fase de recolha de dados, deverá ser revisto uma vez os dados finais estejam
disponíveis. Só uma análise detalhada destes dados permite estabelecer se eles
podem ser difundidos.




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Tab. 5 – Plano de tabulação do inquérito ”Sequeiro e Pecuária”
   Tab. 01       Número de acções de animais e cabeças por espécies e ilha
   Tab. 02       Número de gado por categoria e ilha
   Tab. 03       Número de ovelhas por categoria e ilha
   Tab. 04       Número de bodes por categoria e ilha
   Tab. 05       Número de porcos por categoria e ilha
   Tab. 06       Número de aves por categoria e ilha
   Tab. 07       Número de acções de gado por classe de cabeça e ilha
   Tab. 08       Número de acções de ovelhas por classe de cabeças e ilhas
   Tab. 09       Número de acções de bodes por classe de cabeças e ilhas
   Tab. 10       Número de acções de porcos por classe de cabeças e ilhas
   Tab. 11       Número de acções de aves por classe de cabeças e ilhas
   Tab. 12       Número de acções e área cultivada em “Sequeiro” por classe e ilha
   Tab. 13       Número de acções, área cultivada e produção por cultura e ilha
   Tab. 14       Produção de Sequeiro por destino e ilha


 Além disto, a difusão dos resultados dos inquéritos do Sistema são difundidos
 preferencialmente no site web do Ministério do Ambiente, Desenvolvimento Rural e
 Recursos Marinhos de Cabo Verde (http://www.maap.cv/).
 A publicação de dados directamente no “site” conjuga duas vantagens
 fundamentais, isto é, o anulamento dos custos com a publicação (em papel, mas
 também electrónica nos suportes como CD-ROM ou DVD) e, em consequência,
 daqueles de distribuição, garantindo, simultaneamente, a rapidez na difusão de
 dados a medida que estes estiverem disponíveis.
 No caso de dados relativos ao sistema permanente de inquérios agrícolas em Cabo
 Verde, os dados, em forma de tabela, são publicados no “site” indicado sob forma
 de ficheiros nos formatos XLS e PDF, ou seja, em formato “fechado” (Excel),
 facilmente importável em boa parte das folhas electrónicas disponíveis, e em
 formato “aberto”, o formato PDF, também mantido no standard internacional ISO,
 no mês de dezembro de 2007 (standard ISO 32000). É útil lembrar que um
 formato é “aberto”, se o modo de representação dos seus dados é transparente
 e/ou a sua especificação é de domínio público.
 A escolha de publicar mesas “estatísticas” foi feita para garantir a sustentabilidade
 das fases de difusão electrónica de dados. De facto, um sistema de informação de
 difusão “run-time” de tabelas é oneroso para implementar, gerir e manter; além
 disto, a quantidade de dados disponíveis não justifica este esforço.
 O “site” institucional do MADRRM foi criado pelo NOSI, Núcleo Operacional da
 Sociedade de Informação, no quadro de uma vasta operação de informatização e
 de adesão da filosofia de e-government da Administração Pública de Cabo Verde.
 O “site” é gerido pela Joomla, um sistema conhecido Open Source de Content
 Management e as operações de publicação de tabelas de dados podem ser
 efectuadas fácil, tempestiva e directamente pelo pessoal técnico do Ministério.




                                                                                                        33
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Todo o “site” e não só as secções prontamente dedicadas na difusão de tabelas
estatísticas, são organizadas e actualizadas com este sistema.
Os exemplos que se seguem mostram como são geridas no “site” as páginas que
contêm as tabelas de dados. Observa-se que tudo aquilo que foi descrito pode ser
muito bem extensível às outras secções do “site”, o que permite de facto uma
gestão “em casa” de todos os conteúdos que o Ministério tem intenção de difundir
por meio da web.
Para aceder ao sistema de Back Office de Joomla, deve-se digitar o seguinte
endereço: www.maap.cv/administrator (Fig. 2).
                  Fig. 2




Depois de efectuada a operação de autenticação, encontrar-nos-emos em frente ao
“Control Panel” de Joomla. (Fig. 3)
           Fig. 3




A seguir, são descritos os passos necessários para carregar novas tabelas de
dados, por exemplo, aquelas do inquérito “Sequeiro e Pecuária”.


34
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Os ficheiros pdf e xls podem ser geridos como documentos que podem consentir o
download por parte do utilizador que necessita de dados, ao valer-se da
funcionalidade oferecida pelo CMS Joomla, ao seleccionar com o rato
“Components”, depois “DOCman” e por fim “Categories”, como mostrado na Figura
4.
      Fig. 4




Na secção Categorias do menu principal são listadas todas as categorias as quais
deve-se associar os ficheiros para os tornar disponíveis no “site” para o download,
(Fig. 5):
         Fig. 5




Foi então criada uma categoria de título “Dados Sequeiro”, com o nome de
“estat_inqAgric2006_secPecuária” e as características indicadas na figura. O
objectivo é de reagrupar no interior desta categoria todas as tabelas que contêm
os dados relativos a Sequeiro, da campanha agrícola 2006.


                                                                                                       35
Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas



Para associar um documento a esta categoria, deve-se voltar ao menu principal,
seleccionar com o rato “Componentes”, depois “DOCman” e enfim “Documents”,
como ilustra a Figura 6. (Lembra-se que DOCman é um document management e
um sistema de download para Joomla).
Com este componente, o administrador pode facilmente fazer o upload e gerir o
ficheiro, associá-lo com as categorias e deixá-lo disponível ao utilizador final para o
download.
        Fig. 6




Neste caso, para inserir um novo documento, basta clicar em “Novo” e aparecerá o
ecrã seguinte (Fig. 7):
                   Fig. 7




Além de colocar o documento na categoria apropriada descrita antes, deve-se
também associar um ficheiro ao dirigir-se na parte terminal do ecrã e ao
seleccionar o ficheiro apropriado da lista, como mostrado na Figura 8.


36
Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas



        Fig. 8




É preciso, naturalmente, já ter inserido o ficheiro na lista, operação a ser feita
preventivamente, ao seleccionar com o rato o menu "Componentes", depois
"DOCman" e enfim "Files".
     Fig. 9




Ao fazer isso, abrir-se-á um ecrã por meio do qual será possível gerir o ficheiro
sobre o qual irá autorizar o download por parte do utilizador (Fig. 10).




                                                                                                       37
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     Fig. 10




Para o upload do novo ficheiro, bastará carregar com o rato em "Enviar". Se abrirá
o ecrã seguinte (Fig.11).
     Fig. 11




Ao supor que tem que se fazer o upload de um ficheiro presente no computador
local, ao seleccionar "Carregar um ficheiro do seu computador" e ao clicar em
"Seguinte" chegará no painel por meio do qual seleccionará o ficheiro e enviará ao
servidor web (Fig.12).




38
Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas



   Fig. 12




A figura 13 mostra o resultado desta operação:
        Fig. 13




Esta página constitui o resultado das operações acima descritas e é assim que se
apresenta a página na qual pode-se descarregar os dados Sequeiro.
Para se chegar a esta página, ao partir da Home Page no “site” do Ministério,
deve-se trabalhar com o menu que se encontra na parte esquerda da página. Tal
menu foi construído de forma que, uma vez posicionado o rato sobre uma etiqueta,
por exemplo “Estatísticas”, abre-se um outro menu em cascata que propõe outros
itens onde é possível navegar e seleccionar.
Ao seleccionar, por exemplo, os inquéritos agrícolas do ano 2006/2007, abrir-se-á
um outro menu com a lista dos inquéritos efectuados no período seleccionado. Ao


                                                                                                       39
Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas



seleccionar Sequeiro/Pecuária, terá o acesso a um outro submenu pelo qual
poderá aceder a página para descarregar a documentação, os metadados e o
questionário do inquérito ou na página que contém as tabelas da Pecuária, ou
como no nosso caso, as tabelas sobre sequeiro.
 Fig. 14




Para a gestão deste menu, selecciona-se do back office de Joomla o item “Menus”
e depois “leftmenu”, como indicado na Figura seguinte.
         Fig. 15




Por meio deste ecrã, é possível gerir tudo que aparece no menu a esquerda, ao
definir também o posicionamento no interior do mesmo menu e as várias ordens
de prioridade, como mostrado na figura seguinte.




40
Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas



   Fig. 16




Se tomamos o item “Estatísticas”, terá como "filhos" de primeiro nível os itens
"Inquéritos 2006-2007", "Inquéritos 2005-2006" e "Evoluções". Por sua vez,
“Inquéritos 2006-2007” terá como filhos “Sequeiro/Pecuária" mas também
"Hortícolas", "Vinho", "Cana" e "Café" e assim por diante. Para criar um novo item,
clica-se em "Novo" e especificar o tipo de objecto que deseja-se criar (link-url).
Na figura seguinte, é mostrado o item Sequeiro/Pecuária do menu. Por meio deste
ecrã, é especificado o nome que deverá aparecer no menu, o eventual link
(aponta-se numa página do sítio), a acção a ser efectuada em seguida ao clique. A
ordem de prioridade é simplesmente construída ao indicar o nó gerador.
         Fig. 17




                                                                                                       41
ANEXOS
Anexo 1

Questionário do inquérito “Sequeiro e pecuária"- 2006
Anexo 2

 A dimensão óptima da amostra e sua repartição
pelos estratos – Exemplo do inquérito “Regadio”
                     2008
A dimensão óptima da amostra e sua repartição pelos estratos – Exemplo do inquérito “Regadio” - 2008



A dimensão total da amostra pode ser determinada com base em vínculos económicos ou
vínculos de precisão das estimativas ou ao levar em conta ambos os critérios. Por sua
vez, cada caso, está intimamente ligado à modalidade de repartição da amostra pelos
estratos.

Em geral, o procedimento a seguir é o seguinte:

     a) Estabelecer o erro relativo desejado
        Fixa-se c (2%, 3%, 5% o 10%) e procede-se ao cálculo da variação de amostras
        desejada

                                                     V * = c 2t y
                                                                2




        No qual    t y é o total da variável na população (lista) ou o total de uma variável
        auxiliar X (ex.: superfície cultivada; número de animais, etc.), fortemente
        correlacionada com Y, conhecida por todas as unidades na lista de amostragem.

     b) Estabelecer o critério de repartição da amostra
        Estão disponíveis mais opções.

        b.1) repartição proporcional:
                                                    Nh
                                           nh = n      ,             h = 1,2, K , H .
                                                    N
               N h é o número de unidades no estrato h; enquanto N é o número total de
                                   H
              unidades,    N = ∑h=1 N h .

        b.2) Repartição óptima de Neyman:

                                                                N h Sh
                                                    nh = n       H
                                                             ∑   h =1
                                                                        N h Sh

              No qual    S h é o desvio-padrão de Y no estrato h ou, se esta informação não é
              disponível, o desvio padrão de uma variável auxiliar X (ex. superfície
              cultivada; número de animais, etc.), correlacionada com Y.

        b.3) Repartição proporcional ao total de uma variável, isto é:

                                                                     th
                                                           nh = n
                                                                      t

               t h é o valor total de Y no estrato h. Se esta informação não é disponível,
              pode-se utilizar o total de uma variável auxiliar X, correlacionada com Y
              (ex.: superfície cultivada; número de animais, etc.).

              Nos inquéritos   sobre os cultivos agrícolas, com frequência faz-se a
              repartição da amostra com base no total da superfície cultivada em cada
              estrato.




56
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TÉCNICAS E MÉTODOS APLICADOS AOS INQUÉRITOS AGRÍCOLAS

  • 1. SISTEMA PERMANENTE DE ESTATÍSTICAS AGRÍCOLAS DE CABO VERDE TÉCNICAS E MÉTODOS APLICADOS AOS INQUÉRITOS AGRÍCOLAS Manual de uso
  • 2. Praia, Setembro 2008 Ministério do Ambiente, Desenvolvimento Rural e Recursos Marinhos Direcção-Geral de Planeamento, Orçamento e Gestão Direcção de Serviço de Estatística e Gestão da Informação CP 115 Praia – Cabo Verde www.maap.cv
  • 3. PREFÁCIO Desde 2004, com a realização do Recenseamento Geral da Agricultura, o serviço de estatísticas agrícolas vem trabalhando na concepção e implementação de um novo sistema permanente de estatísticas agrícolas, com o apoio financeiro do Governo Italiano através da cooperação italiana e suporte técnico e metodológico do Instituto de Estatística da Itália (Istat), visando cobrir todas as lacunas em termos de oferta de produtos estatísticos de qualidade que vão ao encontro dos utilizadores. O ano de 2006, foi o ano de início de transição do antigo sistema de estatísticas agrícolas para o novo sistema. Este processo, que poderá levar algum tempo, exige mobilização de vontades, criatividade e inovação da parte de todos os actores envolvidos mas particularmente coragem para enfrentar os novos desafios. A implementação do novo sistema permanente de estatísticas agrícolas requer a participação de todos os agentes envolvidos no processo de produção de estatísticas agrícolas, desde a concepção passando pela recolha no terreno até ao tratamento, análise e publicação, com vista à interiorização e apropriação de todos os seus elementos. Nesta perspectiva, este manual pretende ser um instrumento útil de informação e formação a todo e qualquer utilizador das informações estatísticas derivadas do sistema, sobre as premissas técnicas e metodológicas básicas, que alicerçam as estatísticas produzidas e difundidas. Esperemos que este manual sirva de elemento de transparência e visibilidade do percurso feito, até o presente, na implementação técnica do sistema e, que sirva, igualmente, de memória do passado, espelho do presente e referência para os trabalhos futuros. Na sua preparação e elaboração estiveram envolvidos profissionais experientes e dedicados afectos ás várias áreas que se relacionam com a ciência de inferência estatística aplicada à agricultura, nomeadamente experts em sondagens, tecnólogos, informáticos, etc. Sem pretender citar nomes, porque são muitos, aproveitamos para endereçar a todos eles os nossos agradecimentos pelo frutuoso trabalho realizado. Os nossos agradecimentos são extensíveis, também, ao Governo Italiano/Cooperação italiana e ao Istat, sem os quais não seria possível a materialização desta obra valiosa. Inussa BARI Director de Serviço de Estatística e Gestão da Informação Ministério do Ambiente, Desenvolvimento Rural e Recursos Marinhos
  • 4.
  • 5. Sumário INTRODUÇÃO........................................................................................................... 7 1. UM NOVO SISTEMA DE ESTATÍSTICAS AGRÍCOLAS .................................................. 8 1.1 Estrutura organizativa do sistema ...................................................................... 8 1.2 Inquéritos previstos no sistema ......................................................................... 9 2. CONCEPÇÃO E PROGRAMAÇÃO DOS INQUÉRITOS.................................................. 11 2.1 Questionário.................................................................................................. 11 2.2 Manual de instruções...................................................................................... 12 2.3 Campo de observação .................................................................................... 14 2.4 Preparação da lista......................................................................................... 14 2.5 Estratégia de amostragem .............................................................................. 15 2.5.1 Definição dos estratos .............................................................................. 16 2.5.2 Dimensão óptima da amostra e sua repartição pelos estratos ........................ 16 2.5.3 Identificação das explorações autorepresentativas ....................................... 19 2.5.4 Superamostragem para compensar a redução de unidades de amostragem ... 19 2.6 Outras actividades prévias a recolha de dados no terreno ................................... 19 2.7 Formação dos entrevistadores ......................................................................... 20 3. RECOLHA DE DADOS ........................................................................................... 20 4. TRATAMENTO E DIFUSÃO DOS RESULTADOS ......................................................... 22 4.1 Verificação e registo dos questionários ............................................................. 23 4.2 Controlo e correcção de dados......................................................................... 24 4.2.1 Identificação dos erros ............................................................................ 25 4.2.2 Correcção dos erros ................................................................................ 26 4.3 Produção das estimativas de interesse.............................................................. 28 4.3.1 Determinação dos pesos finais das unidades entrevistadas ........................... 30 4.3.2 Cálculo das estimativas de valores totais ou valores médios .......................... 31 4.4 Validação de dados ........................................................................................ 31 4.5 Difusão dos resultados ................................................................................... 32 ANEXOS ................................................................................................................ 43
  • 6.
  • 7. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas INTRODUÇÃO A presente publicação representa um dos resultados finais do projecto para o reforço do Serviço Estatístico da Agricultura do Ministério do Ambiente, Desenvolvimento Rural e Recursos Marinhos (MADRRM), financiado pelo Ministério dos Negócios no Exterior italiano e realizado com a assistência técnica do Instituto Nacional de Estatística italiano (Istat), visando a “Criação de um sistema permanente de estatísticas agrícolas em Cabo Verde”. O projecto tinha como finalidade a constituição progressiva no país de uma base informativa necessária para apoiar a gestão dos processos de desenvolvimento sócio-económico, através de um sistema de inquéritos no sector agrícola, capaz de produzir informações periódicas, fiáveis, coerentes e integradas entre si. O ponto de partida do projecto baseia-se, assim, na necessidade do MADRRM de se dotar de um sistema de estatísticas agricolas flexivel e capaz de se adaptar às exigências dos utilizadores, sobretudo na ausência de informações actualizadas provenientes de um recenseamento agrícola recente. Com efeito, as informações provenientes do recenseamento agrícola conduzido em 1988 eram consideradas desactualizadas. A situação exigia igualmente do MADRRM, enquanto orgão com competências para a produção de estatísticas sectoriais, o melhoramento de relações com outros elementos do sistema estatístico nacional, particularmente com o Instituto Nacional de Estatística (INE). No início do projecto, em 2003, o Ministério do Ambiente, Desenvolvimento Rural e Recursos Marinhos, então denominado Ministério do Ambiente, da Agricultura e Pescas (MAAP), tinha há muito tempo concluído, com a ajuda da FAO, todos os trabalhos de preparação para a realização de um Recenseamento agrícola, inicialmente previsto para 2001 (listas das explorações agrícolas, questionários e manuais, formação em informática e inquérito piloto em 1.000 explorações). Porém, o mesmo não foi realizado por falta de financiamentos, e só viria a ser executado em 2004. A mobilização inesperada de fundos para a realização do Censo da Agricultura em Maio 2004, bem como a retomada das actividades preparatórias tiveram um impacto notável nas primeiras fases do projecto e nas actividades técnicas que tinham acabado de começar. Com a plena retomada do projecto, depois de uma desaceleração inicial devido ao emprego de recursos técnicos escassos disponíveis nas operações de censo e pós-censo, a atenção foi focalizada na programação e realização de um certo número de inquéritos novos, além da revisão metodológica de alguns inquéritos já existentes. Em paralelo, foram realizadas intervenções estruturantes de suporte ao próprio sistema, como a formação de pessoal técnico nacional em aspectos estatístico-metodológicos, o fornecimento de instrumentos para a gestão do sistema informativo, o acesso a Internet, a concepção de um “website”, a aquisição de hardware e de outros bens materiais e equipamentos. Esta publicação pretende ser um guia sintético teórico-prático para a realização dos inquéritos agrícolas constantes do sistema permanente de estatísticas agrícolas de Cabo Verde. O presente manual, ao percorrer todas as fases metodológicas de relevo na programação e realização de inquéritos agrícolas, toma, às vezes, um dos inquéritos realizados no quadro do sistema como exemplo prático. Para além desta introdução, os capítulos seguintes dão uma descrição do sistema bem como noções metodológicas de base e normas a seguir para a programação e realização dos inquéritos com aprofundamentos específicos, baseados, a título de exemplo, nos inquéritos já realizados. 7
  • 8. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas 1. UM NOVO SISTEMA DE ESTATÍSTICAS AGRÍCOLAS Depois das fases iniciais do projecto, concluiu-se que o desenho do sistema de estatísticas agrícolas originalmente concebido ficou muito complexo, em relação à persistente escassez de recursos - humanos, materiais e financeiros - disponíveis sobretudo a nivel das estruturas desconcentradas do Ministèrio, que deviam criar as condições necessárias para a sustentabilidade do sistema nas fases de recolha e tratamento prévio de dados nas ilhas/Concelhos. Também, algumas considerações técnicas sobre as informações obtidas do censo agrícola 2004, bem como um melhor conhecimento das exigências de Cabo Verde no sector, por um lado, e sobre a viabilidade das intervenções por outro, induziram: • a um reajustamento do sistema; • a renúncia da actividade ligada com a cartografia; • a outros ajustes sucessivos, sobretudo determinados pela carência de recursos financeiros adequados para a organização de recolha frequente de dados no terreno. 1.1 Estrutura organizativa do sistema O novo sistema de estatísticas agrícolas é gerido pelo Ministério do Ambiente, Desenvolvimento Rural e Recursos Marinhos – Direcção-Geral de Planeamento, Orçamento e Gestão (DGPOG). No interior desta Direcção-Geral, a realização de todos os inquéritos são da atribuições da Direcção de Estatística e Gestão da Informação (DEGI), criada em 2006, excepto os inquéritos sobre segurança alimentar que são confiados à Direcção de Serviços da Segurança Alimentar (DSSA). Sob o ponto de vista administrativo, Cabo Verde é estruturada da maneira seguinte: 1. Ilha 2. Concelho 3. Freguesia 4. Zona 5. Lugar A estrutura organizativa do novo sistema de estatísticas agrícolas, ainda em fase de implementação, prevê dois níveis: 1. nível central, representado pela Direcção de Estatística e Gestão da informação; 2. nível local, representado pelos 11 Delegações do Ministério do Ambiente, Desenvolvimento Rural e Recursos Marinhos presentes nas ilhas. Em cada Delegação pretende-se criar uma célula responsável pela actividade estatística da agricultura, formada por supervisores, coordenadores (se necessário) e entrevistadores, com contratos por tempo determinado ou indeterminado. 8
  • 9. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas Tab. 1 – Estrutura organizativa do Sistema Ilhas Concelho Delegação Santo Antão 3 1 São Vicente 1 1 São Nicolau 2 1 Sal 1 Boa Vista 1 1 Maio 1 1 Santiago 9 4 Fogo 3 1 Brava 1 1 Total 22 11 Depois de estar em pleno funcionamento, as responsabilidades e actividades a realizar serão distribuídas entre o nível central e local, segundo as seguintes atribuições: Nível central • programação dos inquéritos; • concepção metodológica; • formação dos agentes; • tratamento e análise de dados; • publicação dos resultados. Nível local • recolha de dados; • controlo de dados recolhidos no terreno; • registo informático de dados; • controlo e correcção de dados; • publicações específicas de dados. 1.2 Inquéritos previstos no sistema Os inquéritos previstos no novo sistema – como mostra o Esquema 1 – são frutos da análise conduzida em conjunto pelo Ministério do Ambiente, Desenvolvimento Rural e Recursos Marinhos e pelo Instituto Nacional de Estatística Italiano dirigida para a recolha da informação estatística agrícola considerada mais relevante para Cabo Verde. Trata-se de um sistema articulado, composto por inquéritos de periodicidade anual e não anual, com vista a recolha de dados agrícolas de base pertinentes para a elaboração de estatísticas de síntese e derivadas (conta económica da agricultura, balanço alimentar, índices de preços agrícolas) e, sobretudo, para a actualização de dados de Censo da agricultura 2004. 9
  • 10. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas ESQUEMA 1 10
  • 11. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas 2. CONCEPÇÃO E PROGRAMAÇÃO DOS INQUÉRITOS Nesta primeira macro fase, estão incluídas todas as operações preparatórias e propedêuticas que antecedem a actividade de recolha de dados no terreno, a saber: • o desenho do questionário incluíndo a elaboração do manual de intruções para o entrevistador; • a selecção da amostra de explorações agrícolas a entrevistar. 2.1 Questionário Na fase relativa ao desenho do questionário ou no caso de se tornar indispensável proceder a um novo projecto de questionário, é útil seguir as normas abaixo indicadas. O questionário deve ser visto como um instrumento de comunicação com a finalidade de facilitar a interacção entre o pesquisador, o entrevistador e o entrevistado. Algumas sugestões/recomendações úteis para melhor desenvolver esta interacção são, por exemplo: • a previsão de sinalizações e instruções para o entrevistador (como a explicação de algumas classificações); • a formulação de perguntas de forma directa e não impessoal; • uma forma gráfica adequada. De modo mais detalhado, no desenho do questionário é útil ainda: - estabelecer a sucessão lógica dos temas tratados (as secções do questionário), ao fazer com que a sequência dos assuntos tratados seja o mais coerente possível, evitando que se verifiquem saltos radicais (por exemplo, os itens que implicam um esforço de memória devem ser colocados a cerca da metade do questionário, para evitar que no início o entrevistado não fique sujeito a este esforço e no final encontre-se muito cansado, etc.) - colocar perguntas filtro que permitam saltar um ou mais itens sucessivos, se ocorreram algumas condições de modo a acelerar a entrevista; - definir a sequência de perguntas sobre um mesmo tema; - decidir a organização das respostas (perguntas estruturadas, a resposta múltipla, ordens priorizadas, etc.). Observa-se que todos os questionários referentes aos inquéritos previstos no sistema já foram elaborados. Todavia, a cada ano pode-se tornar necessária uma modificação dos mesmos para resolver problemáticas/questões que tenham sido evidenciadas pela experiência de inquéritos passados ou simplesmente pela definição de objectivos novos ou diferentes do passado que sugiram modificações de conteúdo. É claro que uma mudança no desenho do questionário comporta também modificações nos programas de tratamento de dados relacionados (registo, controlo e correcção, tratamento, análise e difusão). 11
  • 12. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas Assim, seria desejável manter inalterado o questionário por um certo número de anos e, eventualmente, proceder a modificações, somente quando se revelarem estritamente necessárias. No Anexo 1, encontra-se o exemplo de questionário utilizado no inquérito “Sequeiro e pecuária". 2.2 Manual de instruções Nas entrevistas junto às explorações agrícolas, o papel do entrevistador é fundamental. Assim, uma atenção especial deverá ser dada a sua formação. Além de prever as reuniões de formação ad hoc, é útil fornecer ao entrevistador um manual de instruções sobre o preenchimento do questionário que possa ser estudado por ele, antes da fase de recolha de dados e consultado durante a mesma. No manual deverão ser indicados: - as finalidades da pesquisa e eventuais referências normativas. - o calendário das operações e os deveres dos vários agentes envolvidos no inquérito. - as definições a utilizar. - as normas para o preenchimento do questionário com as definições de todas as variáveis. No caso de Cabo Verde, foi distribuído um manual de instruções detalhado aos entrevistadores que participaram na formação organizado na Praia, no mês de fevereiro de 2007. O manual, além de oferecer uma visão geral do sistema de inquéritos, indica as regras de comportamento e as formas de condução da entrevista e de preenchimento do questionário. Neste caso particular, é oportuno aprofundar os aspectos ligados às definições específicas adoptadas nos inquéritos ás explorações agrícolas. A maioria dos inquéritos previstos no quadro do sistema permanente de estatísticas agrícolas de Cabo Verde tem como população alvo as explorações agrícolas. Estas últimas são, assim, o conjunto de unidades estatísticas para as quais se pretende extrapolar os resultados da pesquisa. A exploração agrícola é, então, a unidade estatística de recolha, isto é, o elemento instrumental junto ao qual são assumidos – e, consequentemente, indicadas no questionário - as informações elementares relativas à unidade de análise. É importante especificar exactamente no manual, também por meio de exemplos, as condições de elegibilidade ou as características que determinam a inclusão (ou exclusão) das unidades estatísticas da população. Uma definição de exploração agrícola amplamente compartilhada a nível internacional é aquela da FAO: “Agricultural holding or holding is an economic unit of agricultural production under single management comprising all livestock kept and all land used wholly or partly for agricultural production purposes, without regard to title, legal form, or size. Single management may be exercised by an individual or household, jointly by two or more individuals or households, by a clan or tribe, or by a juridical person such as a corporation, cooperative or government agency. The holding's land may consist of one or more parcels, located in one 12
  • 13. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas or more separate areas or in one or more territorial or administrative divisions, providing the parcels share the same production means utilized by the holding, such as labour, farm buildings, machinery or draught animals. The requirement of sharing the same production means utilized by the holding, such as labour, farm buildings, machinery or draught animals should be fulfilled to a degree to justify the consideration of various parcels as 1 components of one economic unit.” Para localizar a exploração agrícola, podem ser usados vários critérios. A localização é útil para identificar o lugar onde conduzir a entrevista, mas sobretudo para a referenciação geográfica de dados. De facto, no caso em que uma exploração agrícola tenha terrenos distribuídos em locais diversos ou, sobretudo, se for difícil ou muito complicado geo-referenciar todos os terrenos, eles poderão ser referidos ao local geográfico onde é localizada a exploração. Não há uma definição (critério) internacional para localizar uma exploração agrícola válida para todos os países. Em muitos casos, faz-se referência ao centro da exploração que é o conjunto dos prédios situados na exploração agrícola e ligados com a actividade da própria exploração. Os prédios, por norma, compreendem as habitações do gerente ou do chefe da exploração e de outra mão-de-obra empregada na exploração, os abrigos para os animais, etc. No caso de não poderem ser identificados prédios rurais, a exploração poderá ser localizada onde se encontra a maior parte ou a mais importante do ponto de vista económico. No manual de instruções, é bom prever os exemplos que esclareçam casos duvidosos sobre a definição de exploração agrícola. Por exemplo, unidades agrárias sem terreno (exclusivamente zootécnicas) são consideradas explorações agrícolas. Nos inquéritos do sector agrícola, é importante identificar também a figura do entrevistado, isto é a pessoa que é oportuno entrevistar para obter as informações. Na gestão de uma exploração agrícola podem existir, de facto, três (3) figuras: 1) o proprietário dos terrenos e/ou de animais, 2) o gerente; 3) o chefe da exploração. Para a maioria das explorações agrícolas, estas três figuras coincidem. Mas no caso de uma sociedade ou de explorações que representam instituições públicas, as três figuras podem ser distintas. O proprietário é, como diz a própria palavra, o sujeito que tem em propriedade os terrenos e/ou os animais da exploração. O gerente é, por sua vez, o responsável jurídico-económico, isto é, aquele que assume as decisões e os riscos da actividade agrícola e pode ser tanto uma pessoa física como jurídica; O chefe da exploração é a pessoa que, de facto, administra a exploração e garante a gestão corrente e quotidiana da mesma. Portanto, o chefe da exploração só pode ser uma pessoa física. 1 FAO. 1996. Conducting agricultural censuses and surveys. FAO Statistical Development Series, No. 6. Rome. 13
  • 14. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas Em muitas explorações de tipo familiar, o proprietário, o gerente e o chefe da exploração é a mesma figura. Em casos de explorações de tipo cooperativas ou sociedades poderá ocorrer, em vez disso, por exemplo, que uma exploração seja proprietária de terrenos e confie a uma outra exploração a ela afiliada a administração dos mesmos e esta última encarregue um chefe da exploração para seguir no local os trabalhos da exploração. Porém, para explorações individuais, um caso muito comum de não coincidência das três figuras refere-se a sujeitos (gerentes) que vivem num centro urbano mas gerem a distância os próprios terrenos ao confiar os cuidados a uma pessoa de confiança (chefe da exploração). A diferenciação entre estas três figuras é relevante quer para determinar a que sujeito deve ser atribuída a posse da exploração agrícola quer também para fins práticos da entrevista. Geralmente, assume-se que a exploração agrícola deve sempre ser referida ao gerente; a entrevista deverá ser efectuada ao gerente ou, em alternativa, ao chefe da exploração por meio do centro da exploração. A lista a ser fornecida ao entrevistador deverá ter presente os dados pessoais, o endereço e o número de telefone do gerente, assim como também o endereço do centro da exploração. 2.3 Campo de observação Depois de definida a população alvo, é preciso definir o campo de observação do inquérito, isto é, o conjunto no interior do qual o fenómeno do estudo se manifesta. Para inquéritos sectoriais – por exemplo “Café” ou “Vinha” - o campo de observação será formado por todas aquelas explorações agrícolas que possuem superfícies plantadas com estas culturas. Para outros inquéritos não específicos, se necessário, podem ser introduzidos também outros critérios, geralmente físicos ou económicos (superfície mínima ou presença de produção comercializada, etc.) para delimitar o campo de observação das explorações agrícolas. Também neste caso é muito útil inserir no manual de instruções exemplos específicos de casos que podem ocorrer na realidade. No caso do inquérito sobre o café, por exemplo, deve-se esclarecer que as explorações presentes na lista mas que no acto da entrevista não cultivam café, devem ser excluídas do campo de observação. É bom, também, esclarecer o que se considera, ao menos, por actividade agrícola. Neste âmbito, o guia deverá ser a NACE, classificação internacional das actividades económicas, que no sector A trata de agricultura, silvicultura e pesca (por exemplo, o adestramento de cães não entra no sector agrícola e deste modo as explorações que praticam somente esta actividade são excluídas do campo de observação dos inquéritos; assim, como as explorações que só transformam o leite ou somente abatem os animais, a menos que estas instalações estejam inseridas no interior de uma exploração agrícola). 2.4 Preparação da lista Para que uma amostra seja representativa da população de origem, é preciso que os ficheiros de base, usados para a extracção da amostra estejam em bom estado de actualização, que a dimensão da amostra seja suficientemente grande e que os procedimentos de selecção para uma amostragem específica sejam apropriados. 14
  • 15. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas Para que se possa extrair uma amostra, é preciso avaliar atentamente as características dos ficheiros de base disponíveis. Os ficheiros de base são as listas, os mapas ou outras especificações que constituem a informação disponível sobre as unidades que formam a população alvo referente a um certo inquérito (exaustivo ou por amostragem). Os ficheiros de base podem conter ou não informações suplementares referentes às unidades, como a sua dimensão ou outras características, mas devem indicar detalhes suficientes tais que as unidades possam ser localizadas e eventualmente detectadas. Para identificar univocamente as explorações agrícolas, é preciso que para cada uma das explorações presentes no ficheiro seja designado um código de identificação único (numérico ou alfanumérico). Este código deverá ser utilizado para todas as operações de tratamento e elaboração da lista. Geralmente, os códigos de identificação são criados ao ligarem-se códigos territoriais relativos à localização da exploração com um número de ordem que varia no interior das zonas identificadas pelos códigos iniciais. Não se deve confundir o conceito de ficheiros de base com o ficheiro de dados administrativos, mesmo que por meio deste último se possa recolher informações úteis para a constituição dos primeiros. Geralmente, os ficheiros apresentam problemas de falta de exaustividade, precisão, adequação, obsolescência ou podem ser sujeitos a duplicações das unidades neles contidos. Deve-se tomar todas as medidas possíveis para actualizar o ficheiro de base e calcular os pesos finais em relação ao universo de dados. É importante introduzir no questionário perguntas úteis para contar o número de unidades não encontradas ou que deixaram de existir ou para testar a confiabilidade das informações contidas no ficheiro ou para registar as transformações sofridas por elas no tempo (fusões, cisões, mudanças de titularidade ou de actividade económica, etc.). Em particular, para os inquéritos às explorações agrícolas é necessário conhecer o motivo do eventual cessação de existência da exploração e saber se os terrenos foram cedidos as explorações novas ou pré-existentes. Para todas as verificações, cujo êxito depende do pessoal de terreno (entrevistadores, supervisores), é importante inserir sempre um assunto e exercícios práticos no programa de formação do pessoal sobre este aspecto. Concretamente, no caso dos inquéritos anuais de Cabo Verde, é importante, antes de iniciar uma nova ronda de inquéritos, prever uma actualização dos ficheiros de base das explorações agrícolas por meio dos êxitos dos inquéritos das edições anteriores. Esta limpeza da lista permite, por exemplo, não re-contactar eventuais explorações que tenham saído do campo de observação da pesquisa ou não ir a endereços incorrectos. 2.5 Estratégia de amostragem Depois de actualizada a lista, será possível proceder com a selecção das unidades aplicando a estratégia de amostragem escolhida. Nos inquéritos agrícolas definidos no sistema, geralmente procede-se a uma amostragem aleatória estratificada das explorações agrícolas. Na prática, subdividem-se as explorações em subconjuntos, chamados estratos, (o mais 15
  • 16. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas homogéneo possível) e depois em cada estrato selecciona-se, por meio de amostragem aleatória simples sem reposição, uma amostra de explorações. 2.5.1 Definição dos estratos Geralmente, os estratos são determinados com base em critérios geográficos e/ou características das explorações. Nos casos mais simples, o procedimento de estratificação prevê o reagrupamento das explorações baseado em critérios geográficos (ex. explorações agrupadas com base em área geográfica onde se encontra localizada a própria exploração). Na situação de Cabo Verde, a estratificação pode ser conduzida a nível de Ilha na qual a exploração está localizada ou considerar a Ilha e o Concelho. Parece difícil, a adopção de uma estratificação com maior detalhe geográfico, aliás, em alguns casos, como critério geográfico de estratificação deve se limitar só a Ilha. A possibilidade de utilizar outros critérios de estratificação está ligada aos objectivos do inquérito e às características das explorações. Por exemplo, pode-se dividir as explorações com base em critérios dimensionais, da actividade dominante, etc. Geralmente, o “tamanho” das explorações pode ser medido em termos de superfícies agrícolas utilizadas, número de animais, número de plantas, variáveis económicas, etc. No caso de existência de poucas explorações agrícolas de grandes dimensões, no final da amostragem pode resultar muito conveniente as reagrupar num estrato ad hoc. Estas explorações, quando consideradas importantes para fins de estimação, serão incluídas com certeza (estrato take all) na amostra (explorações autorepresentativas) e as explorações restantes formam um estrato (take some) da qual serão seleccionadas somente algumas. Para identificar as explorações consideradas de grandes dimensões, pode-se conduzir análises nas variáveis tamanho/económicas presentes no ficheiro que se pretende utilizar como lista de amostragem. O nível de análise depende dos objectivos pré-fixados. Geralmente, pode-se recorrer a análises de exploração simples, de tipo gráfico. Análises mais complexas podem necessitar da aplicação de algoritmos ad hoc como o proposto por Hidiroglou (1986), que será ilustrado a seguir. 2.5.2 Dimensão óptima da amostra e sua repartição pelos estratos A dimensão total da amostra pode ser determinada com base em: • critérios económicos ou; • critérios de precisão desejada das estimativas ou; • ambos os critérios. No caso a dimensão total da amostra, n, for fixada a priori com base em critérios de restrição do orçamento, então é preciso subdividir (“repartir”) esta amostra nos estratos segundo um critério. Os critérios mais utilizados são: 1) repartição proporcional: consiste na amostragem da mesma fracção de unidades f = n N em qualquer estrato (N é o número de explorações na população). A repartição proporcional garante às explorações na lista probabilidades iguais de entrar e fazer parte da amostra, e prescindir do estrato a qual pertence. 16
  • 17. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas 2) Repartição óptima de Neyman: consiste na amostragem em grande parte nos estratos que apresentam uma variabilidade maior do fenómeno objecto de pesquisa. A expressão algébrica é descrita no Anexo 2. Obviamente, este critério de repartição requer o conhecimento do desvio padrão das variáveis de interesse Y de cada um dos estratos. Se esta informação não estiver disponível, pode-se utilizar uma variável auxiliar X, correlacionada com Y, com os valores conhecidos (ex. superfície cultivada; número de animais, etc.). Este tipo de repartição coloca problemas em presença de mais variáveis de interesse. Em tais casos, pode-se efectuar uma repartição para cada uma das variáveis e então, no caso em que os resultados sejam parecidos, optar-se por uma solução de compromisso (média das repartições; máximo das repartições, etc.). Em alternativa, pode-se optar por uma repartição óptima relacionada com uma variabilidade média no estrato (recorre-se então a uma média ponderada da variância da uma única variável de interesse). 3) repartição proporcional ao total da variável de interesse: se faz amostragem a mais nos estratos que contribuem mais no total da variável de interesse. Este critério necessita do conhecimento prévio do valor total de Y estrato por estrato. Se tal informação não estiver disponível, pode-se utilizar uma variável auxiliar X, correlacionada com Y (ex. superfície cultivada; número de animais, etc.). Nos inquéritos agrícolas, é prática comum repartir a amostra com base no total da superfície cultivada em cada estrato. O critério de repartição deve ser escolhido antecipadamente, mesmo quando a dimensão total da amostra não for fixada à priori. Porém, o mesmo deve ser determinado com base no erro desejado para o cálculo das estimativas dos valores de interesse relacionados com toda a população. Neste caso, o procedimento a seguir é o seguinte: a) estabelecer o erro relativo desejado. Trata-se do erro relativo c desejado para a estimação do total relativo à população. São considerados valores de 2%, 3% ou 5% ou, no caso limite, de 10%. Uma vez fixado o c procede-se ao cálculo da variância da amostra desejada V* = c2t2. Nesta expressão t é o total da variável na população (lista). Este último pode ser obtido dos inquéritos anteriores ou no caso a informação não seja disponível, pode-se utilizar o total de uma variável auxiliar X, fortemente correlacionada com Y (ex. superfície cultivada; número de animais; etc.) b) estabelecer o critério de repartição da amostra (proporcional, óptima, proporcional ao total, etc.). c) determinar a dimensão total óptima da amostra. A fórmula a utilizar é descrita no Anexo 2. A seguir, é apresentado uma síntese dos resultados de um procedimento referente ao inquérito às culturas irrigadas (“Regadio”). Neste caso, a variável auxiliar utilizada para determinar a dimensão óptima da amostra e a sua repartição, é a superfície cultivada, dado que é lícito esperar que as diferentes produções objecto de pesquisas estejam directamente ligadas a ela. Tal variável foi obtida do censo agrícola 2004 e é observada para todas as explorações que aparecem na lista de amostragem. Com a finalidade da selecção da amostra, foi decidido estratificar as N = 7592 explorações da lista, com base em critério geográfico “Ilha” e “Concelho”. O quadro que se segue compara as fracções de amostragem nos estratos, obtidas 17
  • 18. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas segundo os vários critérios de repartição. Tab. 2 – Fracções de amostragem na Ilha e Concelho segundo vários critérios de repartição H Ilha Concelho Número de explorações Repartição Repartição óptima Repartição na lista Proporcional Proporcional à superfície total cultivada 1 1 1 1.457 0,1919 0,2429 0,2115 2 1 2 471 0,0620 0,0986 0,0709 3 1 3 694 0,0914 0,1802 0,1271 4 2 1 171 0,0225 0,0450 0,0224 5 3 1 349 0,0460 0,0606 0,0417 6 4 1 6 0,0008 0,0003 0,0003 7 5 1 39 0,0051 0,0032 0,0065 8 6 1 124 0,0163 0,0200 0,0246 9 7 1 92 0,0121 0,0069 0,0099 10 7 2 1.007 0,1326 0,0701 0,1091 11 7 3 1.450 0,1910 0,1158 0,1841 12 7 4 525 0,0692 0,0595 0,0647 13 7 5 331 0,0436 0,0223 0,0314 14 7 6 664 0,0875 0,0423 0,0677 15 8 1 17 0,0022 0,0027 0,0016 16 8 2 70 0,0092 0,0173 0,0131 17 9 1 125 0,0165 0,0124 0,0135 Tot. 7.592 1,0000 1,0000 1,0000 Enfim, este segundo quadro ilustra os vários valores obtidos para a dimensão óptima da amostra de acordo com os diversos critérios de repartição das unidades anteriormente consideradas. Tab. 3 – Dimensão óptima da amostra em função do erro relativo e os vários critérios de repartição Erro Variação Repartição Repartição Repartição relativo desejada proporcional óptima proporcional à superfície total c V * = c 2t x 2 n* cultivada n* n* 0,01 1627971,6 5086,8 4053,9 4567,0 0,02 6511886,4 2556,3 2037,2 2295,1 0,03 14651744,3 1397,6 1113,8 1254,7 0,04 26047545,5 855,0 681,4 767,6 0,05 40699289,8 570,3 454,5 512,0 0,10 162797159,1 151,1 120,4 135,7 Como se pode notar, considerando o erro relativo para as estimações, a repartição óptima conduz a amostras menores comparativamente aos outros critérios de repartição. A repartição proporcional comporta por sua vez amostras maiores. 18
  • 19. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas 2.5.3 Identificação das explorações autorepresentativas O número de explorações a incluir com certeza na amostra, N cen (chamadas explorações autorepresentativas) chamada também de estrato take all, pode ser determinado recorrendo ao algoritmo proposto por Hidiroglou (1986) relativamente à amostragem aleatórial simples sem reposição. Trata-se de um algoritmo interactivo em que o ponto de partida é representado pelo valor limite: 2 ty 2 ty 2 y* = + c + Sy N N Nesta fórmula, N é o número da unidade na lista; t y é o total de Y para a unidade 2 na lista, S y é a variação de Y e, enfim, c é o erro relativo desejado para as estimativas (valores frequentemente utilizados são 2% ou 5%). Na prática, todas as unidades da lista com valor superior a y * devem ser incluídas na amostra com certeza. Na realidade, na proposta de Hidiroglou, y * é o limite superior do valor do melhor limite, cuja determinação requer a utilização de um procedimento de avaliação interactiva que parte de y * . Neste caso, limita-se a considerar só o valor limite aproximado y * . 2 Quando não se conhecem t y e S y , pode-se trabalhar com variáveis auxiliares, presentes na lista, fortemente correlacionadas com Y. Por exemplo, nas estimativas da produção de culturas pode ser útil utilizar a superfície cultivada. No caso da amostragem estratificada, o procedimento de Hidiroglou pode ser utilizado antes ou depois da subdivisão da unidade em estratos. Quando utilizado depois, o procedimento aplica-se estrato por estrato. Neste caso, deve-se esperar um aumento considerável das unidades a amostrar com certeza (take all) considerando o caso em que se trabalha a nível de lista de amostragem. No Anexo 2, é ilustrado um exemplo de aplicação da proposta de Hidiroglou a nível da população total. 2.5.4 Superamostragem para compensar a redução de unidades de amostragem No caso de se esperar uma redução do número de unidades na amostra, por causa da presença na lista de unidades não elegíveis para fins de amostragem, uma possível solução pode consistir no aumento da dimensão da amostra em função da fracção esperada de unidades não elegíveis (que devem ser excluídas na amostra). Assim, por exemplo, se se espera que a lista possa conter uma fracção de unidades não elegíveis igual a 10% e foi obtido uma amostra n* = 1500 , para fins práticos convém seleccionar uma amostra de explorações com taxa de amostragem igual a n = 1500 (1 − 0,1) ≅ 1667 unidades. 2.6 Outras actividades prévias a recolha de dados no terreno Outras actividades, indispensáveis, preliminares a fase de recolha de dados no terreno são: - a preparação de um calendário de actividades com horizontes temporais e indicação dos agentes e/ou instituições responsáveis das mesmas; 19
  • 20. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas - a impressão e expedição dos questionários e manuais de instrução aos órgãos responsáveis pela recolha no terreno; - o envio de uma eventual carta informativa para as explorações à entrevistar (amostradas), permitindo, assim, obter uma boa participação na pesquisa, instaurando um clima favorável e de confiança entre o entrevistador e o entrevistado; - a formação dos entrevistadores e dos supervisores. 2.7 Formação dos entrevistadores Numa pesquisa que utilize a entrevista directa como técnica de recolha de dados, o papel do entrevistador é fundamental. Assim, torna-se necessário programar e realizar uma formação adequada quer em termos de conteúdos quer de organização. Neste sentido, o responsável da pesquisa deverá programar dias de formação nas quais pode reunir todos os entrevistadores e supervisores. É oportuno organizar tais encontros poucos dias antes do início das entrevistas, de modo que os entrevistadores tenham ainda uma lembrança viva das noções aprendidas. A formação pode ser desenvolvida em três partes: • uma introdução geral sobre as finalidades e organização da pesquisa, que compreendem também algumas indicações de comportamento para desenvolver as entrevistas; • uma segunda, puramente técnica, no qual ilustra o questionário e as definições dos conceitos relativos às variáveis a serem recolhidas; • uma terceira de exercícios práticos no curso dos quais deve-se fazer perguntas concretas aos entrevistadores e verificar o seu nível de aprendizagem. É bom que o pessoal envolvido nas operações seja informado adequadamente sobre as modalidades do processo inteiro e não só nas áreas de responsabilidade própria. Em particular, os entrevistadores deverão ser informados sobre a gravidade da falta de respostas e deve ser enfatizado para eles a importância de obtenção de questionários completos. Atenção apropriada deve também ser dedicada na postura correcta a ter para ajudar os entrevistados a responder durante a entrevista sem, no meio termo, influenciar as respostas. É importante que o entrevistado não sinta a entrevista como um interrogatório. No decorrer da formação deverão, também, ser definidos ao detalhe os controlos a serem efectuados para julgar o grau de exaustividade do questionário e identificar algumas eventuais incoerências contidas no mesmo, conjuntamente com instruções claras evitando correcções de dados recolhidos na ausência dos entrevistados. 3. RECOLHA DE DADOS A recolha de dados de todos os inquéritos do sistema permanente de estatísticas agrícolas de Cabo Verde acontece através de entrevista directa ao gerente da exploração pela parte de um entrevistador. A seguir são enumeradas algumas linhas orientadoras que o entrevistador deverá seguir para o bom êxito das entrevistas. 20
  • 21. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas Acima de tudo o entrevistador deve previamente verificar de forma cuidadosa a exaustividade do material e estudar em profundidade cada um dos quesitos do questionário. Antes da realização da entrevista, o entrevistador deve ter claro o local onde fazer a entrevista, em que hora e como responder algumas perguntas em particular. A entrevista pode, também, ser subdividida pelo entrevistador em três fases ideais distintas: • a apresentação; • a condução; • a conclusão. No caso das entrevistas às explorações agrícolas, é boa norma conduzir a entrevista no local onde se realiza a produção agrícola, isto é, através da exploração ou do centro da exploração, mesmo que essa não coincida com a habitação do gerente. Esta modalidade pode permitir ao entrevistador apurar, eventualmente, no ato da entrevista a veracidade de algumas respostas. Na ocasião deste primeiro contacto é possível verificar se a exploração é existente e o chefe é aquele resultante da lista. A qualquer momento, se o gerente se ausentar temporariamente e se das informações que foram possíveis de obter no posto mostrarem que ele retornará em tempo útil previsto para a recolha de dados, o entrevistador voltará a ele para concluir a entrevista. Caso contrário, o entrevistador poderá assumir as informações a respeito da exploração através de um familiar do entrevistado, ou uma pessoa da confiança dele, ou ainda, uma outra pessoa em condições de fornecer os dados. 21
  • 22. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas Tabela. 4 - Situação da exploração agrícola, entrevistas e estimação dos pesos finais Situação da exploração agrícola Entrevista Estimação dos pesos Exploração agrícola A foi entrevistada com sucesso 1 Activa Sim Nenhuma mudança de peso (não reponderação dos pesos) Exploração agrícola A não foi entrevistada 2 Chefe ausente Não resposta total Reponderação dos pesos (exploração existente) 3 Recusa Não resposta total Reponderação dos pesos (exploração existente) 4 Endereço incorrecto Não resposta total Reponderação dos pesos (exploração existente) 5 Temporariamente não activa NÃO Exploração agrícola A não existente 6 Terrenos não utilizados mais para fins agrícolas ou NÃO animais todos vendidos definitivamente 7 Exploração agrícola fora da amostra NÃO 8 Exploração agrícola absorvida completamente por SIM só a exploração agrícola Se a exploração agrícola uma outra exploração B já existente B está na amostra B está na amostra, então nenhuma mudança de peso 9 Exploração agrícola completamente absorvida por SIM(Mudança de chefe) Nenhuma mudança de um novo chefe peso 10 Exploração agrícola fusionou com outras SIM Nenhuma mudança de explorações agrícolas criando uma nova peso exploração C 11 Exploração agrícola cindiu em duas ou mais SIM Para cada nova explorações agrícolas (D, E, F, etc.).) exploração atribui-se o mesmo peso que a exploração « mãe” RENDA 12 Todos os terrenos ou todos os animais foram SIM(Mudança de chefe) Nenhuma mudança de dados em renda a um novo chefe peso 13 Todos os terrenos ou todos os animais foram SIM, só se a exploração Se a exploração agrícola dados em renda a um chefe já existente G agrícola G está na amostra G está na amostra, então nenhuma mudança de peso Terminada a entrevista, o entrevistador deve fazer o controlo de cada questionário, verificando a exaustividade e coerência das informações recolhidas. Durante a fase de recolha de dados, é importante garantir e assegurar também um sistema de acompanhamento periódico que consiste em detectar eventuais anomalias e, consequentemente, intervir tempestivamente para removê-las. Para sustentar o acompanhamento, o entrevistador deverá comunicar ao seu coordenador periodicamente algumas indicações como o número das explorações visitadas, as entrevistas completadas, as recusas, as explorações fora do campo de observação e aquelas não mais existentes. 4. TRATAMENTO E DIFUSÃO DOS RESULTADOS As actividades a serem realizadas no final da recolha de dados são, sinteticamente, as seguintes: - verificação e registo dos questionários; - controlo e correcção de dados; - produção das estimativas de interesse e avaliação dos erros; - validação e difusão dos resultados. 22
  • 23. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas 4.1 Verificação e registo dos questionários A verificação dos questionários é do tipo quantitativo e qualitativo. Esta operação é muito delicada e é feita com a finalidade de evitar incertezas e ambiguidades na fase de registo. Quanto maior for a precisão da verificação mais rápido e simples resultará a fase de registo. A verificação dos questionários deverá ser efectuada, em primeiro lugar, pelo próprio entrevistador e, sucessivamente, pelo seu controlador e/ou supervisor, a nível local. A resolução de casos de dúvidas pode acontecer através de um eventual novo contacto com a exploração ou, nos casos mais simples, por meio de uma correcção directa dos erros no questionário pela parte do entrevistador. Inicialmente, deverá ser verificada a coerência entre o número de questionários recolhidos e o número das explorações seleccionadas na amostra (revisão quantitativa). Isto serve para verificar se todas as explorações foram contactadas e se, eventualmente, não foram perdidos eventuais questionários já preenchidos. Sucessivamente, dever-se-á verificar o conteúdo dos questionários (revisão qualitativa) para identificar e eliminar possíveis erros e incoerências presentes. Para tal, o responsável da pesquisa deverá indicar as regras principais de coerência que o entrevistador deverá verificar (por exemplo, coincidências dos totais com a soma dos parciais, resposta a todos os quesitos obrigatórios, etc.). A fase de registo no suporte informático consiste em converter as informações recolhidas junto aos entrevistados e disponíveis no questionário, em suporte de formato reconhecível pelos procedimentos de informática previamente definidos pela pesquisa. A fase de registro deve, como as outras, ser concebida cuidadosamente levando em conta que, ao menos em parte, os erros introduzidos em uma determinada operação dependem do modo em que foram projectadas e executadas as fases anteriores. O registo consiste apenas na introdução de dados no computador por parte de um operador que digita num teclado exactamente aquilo que lê no questionário. A operação, que não necessita de um conhecimento elevado do inquérito e das suas características, é normalmente desenvolvida por pessoal não especializado. Por este motivo, a fase de registo de dados deve ser considerada como uma grande fonte potencial de erro. A operação pode ser conduzida segundo diferentes modalidades organizadoras: i) o registo pode ser efectuado pelo próprio organismo gestor da pesquisa; ii) feita por uma entidade externa ou iii) distribuída no território e confiada às entidades que cuidam da pesquisa no terreno. No estado actual no sistema de Cabo Verde é adoptado o primeiro tipo de registo. Também a modalidade técnica pode variar do caso mais simples em que o operador digita os dados numa aplicação de registo que não fornece nenhum aviso de erro, até a uma situação de registo controlada, no qual o operador é avisado no caso serem cometidos erros de registo. É evidente que, no caso serem previstas verificações cuidadosas, qualquer erro poderá não ser aceite em fase de registo para não bloquear o procedimento e pesar muito na fase. 23
  • 24. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas Outros aspectos devem ser levados em consideração para reduzir ao mínimo as possibilidades de erro, como a gráfica do questionário para simplificar a leitura, a pré-codificação das respostas, a cuidadosa definição da dimensão dos campos relacionados com as diversas variáveis, a distinção entre códigos, zeros e espaços em branco, etc. Os Serviços de Estatística do MADRRM de Cabo Verde utiliza CSPro2 exclusivamente para o desenho do questionário electrónico finalizado pelo Data Entry, apesar do pacote permitir também outras aplicações. Mas é no desenho do questionário electrónico e nos controlos do registo de dados que o pessoal técnico/informático desenvolveu uma competência suficiente para poder administrar em completa autonomia este tipo de actividade. A título de exemplo, a Fig. 1, a seguir mostra um esquema do programa de “data entry” realizado para registo de dados do inquérito "Sequeiro e Pecuária". Fig. 1 4.2 Controlo e correcção de dados A fase de controlo de dados de um inquérito estatístico consiste na identificação e eliminação dos erros não derivados da amostragem. Esta operação é efectuada 2 CSPro, é a abreviação de Census and Survey Processing System e é um software estatístico de domínio público que consente o registro de dados, a sua elaboração e tabulação além da realização de mapas de dados censurados e de pesquisa única. É desenvolvido por: U.S. Bureau of the Census, Macro International e SerPro S.A. com fundos do Center for Population, Health & Nutrition da United States Agency for International Development. O software é enviado sob forma de arquivo executável, então não é um software Open Source. Está disponível exclusivamente para a plataforma Windows, é completamente grátis mas é necessário registar-se no endereço http://www.cspro.org/cspro/register/reg.cfm antes de o descarregar. 24
  • 25. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas mediante o, assim chamado, procedimento de controlo e correcção. Estes procedimentos consistem em duas fases principais: • a de identificação; • a de correcção dos erros. Na realidade, considerados os diversos tipos de erros que podem simultaneamente contaminar um conjunto de dados, diversas são as metodologias e as técnicas que podem ser utilizadas de forma integrada no interior do procedimento complexo de verificação e correcção. 4.2.1 Identificação dos erros As metodologias para a identificação dos erros se distinguem em três classes principais: • Técnicas de identificação de erros sistemáticos; • Técnicas de identificação de valores anormais (outliers) ou das unidades influentes; • Técnicas de identificação de erros casuais. Erros sistemáticos Não há métodos gerais para a identificação dos erros sistemáticos. Muitas vezes a abordagem ao problema é baseada na utilização de técnicas de análise gráfica direccionadas para a identificação dos grupos de observação com “características parecidas” que manifestam desvios dos (supostos) valores verdadeiros, redireccionados a uma causa de erro comum. Valores anormais (outliers) ou das unidades influentes As técnicas de identificação dos valores anormais (outliers) ou das unidades influentes são baseadas na utilização de controlos (os assim chamados controlos estáticos) direccionados para a localização daquelas observações na qual o comportamento anómalo, a respeito do resto das unidades observadas, ou é originado de informações erradas ou ainda pode ser derivado das variações naturais do fenómeno em estudo. Tipicamente, a localização dos outliers acontece mediante determinação de regiões de aceitação nas distribuições de uma ou mais variáveis de interesse (ou de suas oportunas transformações), fora das quais uma unidade estática é considerada anómala e assim a submeter ao controlo e, eventualmente, a correcção. Erros casuais As técnicas de identificação dos erros casuais são baseadas na utilização dos assim chamados controlos de consistência. Estes controlos (também chamados regras de incompatibilidade ou edição) consistem em verificar que as combinações de valores pré-fixadas retiradas das variáveis de uma mesma unidade satisfaçam alguns vínculos de coerência, que possam ser de tipo estático, matemático ou lógico. Os edit são frequentemente utilizados para a construção dos assim chamados planos de compatibilidade. Se define como plano de compatibilidade um conjunto de vínculos não redundantes e não contraditórios que devem ser satisfeitos por cada unidade estatística, até que a informação correspondente possa ser considerada correcta. 25
  • 26. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas A aplicação dos controlos de consistência pode ser efectuada segundo diversas abordagens e com a utilização de diversas metodologias. As distinções classicamente adoptadas pelos métodos de identificação (ou localização) dos erros casuais separa as técnicas do tipo determinante daquelas de tipo probabilístico. Nas abordagens determinantes, para cada gravação ou por grupo de gravação, a identificação dos erros acontece mediante aplicação de regras do tipo “SE condições de erro ENTÃO acção de correcção”. Neste tipo de abordagem, a cada situação de incompatibilidade/incoerência, segue-se contextualmente a indicação da/s variável/eis que deve/em ser considerada/as errada/as e, enquanto tal, deve/em ser/em modificada/as. Ao contrário, na abordagem probabilística não é necessário definir a priori, para cada situação de erro, a lista das acções a serem feitas para identificar/eliminar os erros. O perito em estatística deve limitar-se a definir as situações de erro, deixando a um algoritmo pré-definido o trabalho de reportar a gravação a uma situação de correcção. Neste contexto, as técnicas mais observadas e aplicadas possuem o seu ponto de referência na assim chamada metodologia Fellegi-Holt, um algoritmo que existe para determinar, para cada unidade estatística e para cada situação de erro, o número mínimo de variáveis a ser modificado de forma a eliminar os erros individualizados e, acima de tudo, para não introduzir outros na mesma unidade. Uma outra abordagem probabilística, de maior utilização, é a metodologia de identificação dos erros de tipo data-driven, na qual a correcção das situações erradas é completamente "guiada" pelos dados disponíveis. Em última instância, para um certo registo errado, a identificação do subconjunto de variáveis a serem corrigidas é ligado à identificação dos novos valores a serem afectados na base da “semelhança” entre o registo errado e um dos registos exactos (isto é, que não violam nenhuma regra de coerência). 4.2.2 Correcção dos erros Qualquer que seja a técnica utilizada, no término da fase de identificação dos erros se coloca a necessidade de substituir os valores classificados como inaceitáveis por valores próximos àqueles verdadeiros integrando as eventuais informações que faltam. Por simplicidade, os valores errados podem ser assimilados à informação parcialmente em falta, por forma a poder assumir em conjunto com as técnicas de correcção e àquelas de imputação. A imputação representa o procedimento geralmente usado para as respostas parciais que faltam. O uso da imputação é justificada por uma série de motivos quer operativos como teóricos. Em primeiro lugar, normalmente os dados que faltam necessitam ser completados (e coerentes) a nível elementar e é evidente que a garantia da coerência dos resultados finais só ocorre se os métodos de imputação tomarem em consideração os próprios vínculos de coerência. Do mesmo modo, as relações entre as variáveis são preservadas se os modelos de imputação as usam para predizer os valores inseridos. Além disto, a imputação consente aplicar o total final de micro dados técnicos de análises estatísticas clássicas ainda não aplicáveis. Com a imputação, sob certas premissas, se pretende reduzir as distorções que podem ter origem na presença de dados de valores que faltam. Também, o 26
  • 27. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas recurso à imputação, se não aplicado correctamente, pode apresentar alguns riscos quando o método não seja apropriado ou não se utilize de forma correcta as informações disponíveis ou ainda não se esteja apto a eliminar as distorções, podendo até aumentar os mesmos. Além disto, é possível que os analistas tratem os dados imputados como se fossem efectivamente observados, integrando, deste modo, um componente importante de variabilidade nas estimativas finais (certamente a variância da imputação) na fase de avaliação da precisão das próprias estimativas. O uso das técnicas de imputação é baseado, implícita ou explicitamente, na assumpção que as unidades não respondentes tenham um comportamento análogo aquelas que responderam e assim os valores que faltam possam ser assumidos através da única informação observada. A tabela a seguir mostra, a título de exemplo, o plano de verificação adoptado para a Secção 1 do inquérito “Sequeiro e Pecuária”. Um plano análogo foi elaborado para todas as outras secções do inquérito acima referido e para todos os outros inquéritos do sistema. 27
  • 28. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas Tab. 5 – Plano de verificação da Secção 1 – Inquérito ‘Sequiero e Pecuária’ SECÇÃO 1 – IDENTIFICAÇÃO DA EXPLORAÇÃO AGRÍCOLA PONTO REGRA SE ENTÃO • ILHA Deve ter o registado OK código de Diferente ou não existente regista da lista registo de 1 a9 • CONCELHO Deve ter o • ILHA=1 e CONCHELHO= 1 ou 2 ou 3; OK código de • ILHA=2 or 3 or 4 or 5 or 6 or 9 and registo de 1 CONCHELHO= 1; a6 • ILHA=2 or 3 or 4 or 5 or 6 or 9 and CONCHELHO= 1; • ILHA=8 and CONCHELHO= 1 or 2; Diferente ou não existente regista da lista • FREGUESIA Deve ter o • ILHA+CONCELHO=11 e OK código de FREGUESIA=1 ou2 ou 3 ou 4; registo de 1 • ILHA+CONCELHO=12 or 21 or 31 or a4 41 or 61 or 71 or 76 or 81 and FREGUESIA=1; • ILHA+CONCELHO=12 or 51 or 31 or 72 or 73 or 75 or 91 or 2 and FREGUESIA=1; • ILHA+CONCELHO=74 or 82 and FREGUESIA=1 or 2 or 3; Diferente ou não existente regista da lista • ZONA Deve ter o registado OK código de Diferente ou não existente regista da lista registo de 1 a 99 • LUGAR Deve ter o registado OK código de Diferente ou não existente regista da lista registo de 1 a 99 • N° IDENTIFCACAO Deve ter o registado OK DA EXPLORACAO código de Diferente ou não existente regista da lista registo de 1 a 999 • ESTRATO Deve ter o registado OK código de Diferente ou não existente regista da lista registo de 1 a4 • SEXO Deve ter o registado OK código de registo 1 ou 2 registado Vazio 4.3 Produção das estimativas de interesse Cada método de estimativas é fundado no princípio que o subconjunto das unidades da população incluídas na amostra deve representar também o subconjunto complementar constituído das unidades que restaram da própria população. Tal princípio é geralmente realizado com a atribuição a cada unidade incluída na amostra um peso que pode ser visto como o número de elementos da população representados por tal unidade. Os inquéritos por amostragem conduzidos pelo MADRRM em Cabo Verde possuem a finalidade de fornecer um número elevado de estimativas de parâmetros da 28
  • 29. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas população que podem ser de natureza diferente, como por exemplo frequências absolutas, totais, proporção, média, etc. A estimativa dos parâmetros da população pode ser efectuada recorrendo a dois métodos de estimativas diferentes: - Os métodos directos que usam os valores das variáveis de interesse observados nas únicas unidades da amostra pertencentes ao domínio de interesse. - Os métodos indirectos que utilizam os valores das variáveis de interesse observados nas unidades de amostras pertencentes a um domínio mais amplo contido no domínio de interesse e/ou a outros inquéritos específicos. São utilizadas, geralmente, para estimativas particulares tais como, por exemplo, aquelas ligados à áreas ou domínios no qual a dimensão da amostra é muito exígua para a produção de estimativas com os métodos directos. No sistema estatístico permanente do MADRRM de Cabo Verde, é utilizado o método de estimativa directo. Em geral, para a estimativa de um total deve-se executar as três seguintes operações: • Determinar o peso a ser atribuído a cada unidade incluída na amostra • Multiplicar o valor relativo a uma dada variável objecto de pesquisa, obtida na unidade genérica incluída na amostra, pelo peso atribuído à mesma unidade • Efectuar a soma dos produtos acima Nas pesquisas reais, geralmente baseadas nos planos de amostragem complexos, o peso a ser atribuído a cada unidade é obtido com base em um procedimento articulado em mais fases: 1) É calculado um peso inicial, definido como peso directo ou peso de base, determinado em função do plano de amostragem adoptado, como o inverso da probabilidade de inclusão da unidade na amostra; 2) São calculados os factores de correcção do peso base ao levar em conta a não resposta total e os vínculos de igualdade entre alguns parâmetros observados da população e as estimativas da amostra correspondente; 3) É calculado o peso final como produto do peso base pelo factor de correcção. No que diz respeito ao ponto 2, uma das metodologias base prevê calcular um factor de correcção estrato por estrato, tal factor de correcção é a taxa de resposta no mesmo estrato. Os métodos de estimativa baseados na teoria dos estimadores de ponderação vinculadas satisfazem os critérios acima enquanto: - conduzem, geralmente, às estimativas mais eficientes daquelas obtidas com as estimativas directas. A eficiência é tão maior quanto mais alta é a correlação entre as variáveis auxiliares e as variáveis objecto da pesquisa; - são aproximadamente não distorcidos a respeito do plano de amostragem; - levam a estimativa dos totais que coincidem com os valores observados dos totais; - atenuam o efeito de distorção devido à presença de não respostas totais; 29
  • 30. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas - atenuam o efeito de distorção devido à sub cobertura da lista da qual é seleccionada a amostra. Mais em detalhe, nos inquéritos agrícolas de Cabo Verde, as operações foram articuladas como exposto a seguir. 4.3.1 Determinação dos pesos finais das unidades entrevistadas Nos inquéritos do sistema, recorreu-se à amostragem aleatória estratificada de explorações agrícolas. Os estratos, na grande parte dos casos, foram criados com base em critérios geográficos. Umas vezes são feitas referências à Ilha como sede da exploração, em outros casos, considera-se também a subdivisão das ilhas em "Concelho" ou uma subdivisão das explorações com base na sua dimensão. O peso base (também chamado peso directo) de cada unidade seleccionada na amostra teórica é igual ao inverso da fracção de amostragem considerada no estrato do qual a exploração faz parte. Em geral, para fins de estimativas, não é possível utilizar os pesos base mas torna- se necessário adoptar os pesos oportunamente corrigidos dos problemas de inelegibilidade e de não resposta total. No que diz respeito aos problemas de inelegibilidade, uma primeira operação consiste em excluir da amostra as explorações que não são mais elegíveis para os fins da pesquisa: • a exploração não existe mais (situação da exploração=2); • a exploração foi abandonada (situação da exploração=3); • a exploração parou as actividades (situação da exploração=4). Depois da exclusão da amostra das explorações inelegíveis, deve-se começar a identificar as explorações elegíveis que configuram-se como não inquiridas: • recusam-se a responder (situação da exploração=6); • não são encontradas por causa de erros no endereço (situação da exploração=5); • por outros motivos (situação da exploração=7). Também os não inquiridos são excluídos da amostra, mas depois desta exclusão é oportuno corrigir os pesos das explorações efectivamente inquiridas. Uma correcção simples consiste em dividir o peso base da unidade de amostra de cada estrato pela taxa de resposta no próprio estrato (para as fórmulas, ver Anexo 3). Esta forma de proceder assume que a unidade de um estrato possui a mesma propensão a responder quando seleccionada para fazer parte da amostra. A correcção por não resposta pode ser feita também através de taxas de resposta calculadas por outros subgrupos de unidade, no interior dos quais se mantém que as unidades possuam a mesma propensão a responder. Por exemplo, quando as explorações são estratificadas por Ilha e Concelho, pode- se pensar em modificar os pesos base dos inquiridos de uma ilha com a taxa de resposta na própria ilha. Muitas vezes, a correcção da não resposta total pode exigir uma posterior correcção de pesos, de forma tal que a estimativa do número de explorações elegíveis (soma de pesos finais dos inquiridos da amostra) coincida com a estimativa das explorações elegíveis que se obtém ao utilizar os pesos base (soma 30
  • 31. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas dos pesos base sobre as unidades elegíveis da amostra) (para mais detalhes, ver Anexo 3). 4.3.2 Cálculo das estimativas de valores totais ou valores médios Para fins de cálculo das estimativas, considerando somente o subconjunto das unidades efectivamente inquiridas. No que diz respeito a estimativa dos valores totais de uma variável Y, utiliza-se a seguinte fórmula: ˆ y = ∑ wk yk t k onde wk é o peso final da unidade entrevistada, enquanto yk é o valor da variável de interesse observada na unidade em questão. Concernente à estimativa da média, é preferível utilizar a fórmula da média aritmética ponderada ˆU = y ∑wy k k k . ∑w k k Se os pesos foram determinados de forma correcta, o valor do denominador deve fornecer uma avaliação do número de explorações elegíveis na população total. As estimativas de totais ou médias para os domínios da população (subconjunto de unidades que possuem uma certa característica) são facilmente obtidas com as fórmulas em questão para as únicas unidades que pertencem ao domínio. 4.4 Validação de dados Por validação entende-se o processo por meio do qual se avalia se a informação pode ser considerada em conformidade com as finalidades para as quais foi produzida. A actividade de validação pode, portanto, ser definida como o conjunto de operações por meio do qual julga-se o desvio que há entre os objectivos de qualidade programados na base de projecto da pesquisa estatística ou administrativa e os resultados efectivamente obtidos. Desta definição deriva que os objectivos de qualidade devem ser pré-fixados, em fase de projecto e devem ser expressos em termos mensuráveis. Além disto, deverão ser definidos previamente os procedimentos adequados para a medição dos parâmetros de qualidade sobre os dados efectivamente recolhidos, até que se possa avaliar a obtenção dos objectivos. Os objectivos da operação de validação são dirigidos para: - avaliar se a quantidade de dados é suficiente para os fins de difusão da informação aos utilizadores; - identificar as fontes de erro mais relevantes e, eventualmente, definir previamente as modificações ao processo de produção de forma a reduzir os efeitos dos erros em ocasiões sucessivas de pesquisa. Estas considerações levam a listar em quatro pontos as principais medidas de avaliação: • facilitar as estimativas ao utilizador ao documentar adequadamente os objectivos de qualidade, as definições adoptadas e os processos pré-definidos; 31
  • 32. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas • conduzir estudos de coerência entre os dados produzidos e o sistema de informação disponível; • estimar os principais componentes do perfil do erro através de medidas apropriadas de qualidade e de pesquisas de controlo; • calcular os indicadores de qualidade do processo finalizados pela avaliação indirecta da qualidade de dados. 4.5 Difusão dos resultados A última fase da produção de informação estatística é aquela da sua difusão. O momento da difusão dos resultados, que a primeira vista pode parecer acessório, é ao contrário, entre aqueles de importância central e constitui o coroamento de toda a operação, ao tornar disponível aos utilizadores e aos pesquisadores a informação recolhida. Além disto, ela incide em dimensões relevantes da qualidade, como a acessibilidade, a clareza, a comparabilidade e a coerência. A estratégia de difusão dos resultados deve levar em conta quer os canais utilizados quer as características dos utilizadores. Pode-se realmente, privilegiar a modalidade de difusão directa, em que os meios e os modos de transferência das informações são geridos pelo produtor das estatísticas por meio dos próprios instrumentos editoriais e/ou modalidades indirectas como a comunicação electrónica e via web. A difusão das informações em rede, ao garantir os critérios de confidencialidade, permite a difusão de dados a nível mais desagregado, o que torna disponíveis tabelas ou bancos de dados das quais os utilizadores mais experimentados podem obter aprofundamentos adequados aos seus objectivos específicos. Para o inquérito “Sequeiro e Pecuária” do Sistema de Cabo Verde, por exemplo, foi concebido o plano de tabulação que é mostrado a seguir. Deve-se salientar, entretanto, que cada plano de tabulação, mesmo definido antes do inquérito ou em fase de recolha de dados, deverá ser revisto uma vez os dados finais estejam disponíveis. Só uma análise detalhada destes dados permite estabelecer se eles podem ser difundidos. 32
  • 33. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas Tab. 5 – Plano de tabulação do inquérito ”Sequeiro e Pecuária” Tab. 01 Número de acções de animais e cabeças por espécies e ilha Tab. 02 Número de gado por categoria e ilha Tab. 03 Número de ovelhas por categoria e ilha Tab. 04 Número de bodes por categoria e ilha Tab. 05 Número de porcos por categoria e ilha Tab. 06 Número de aves por categoria e ilha Tab. 07 Número de acções de gado por classe de cabeça e ilha Tab. 08 Número de acções de ovelhas por classe de cabeças e ilhas Tab. 09 Número de acções de bodes por classe de cabeças e ilhas Tab. 10 Número de acções de porcos por classe de cabeças e ilhas Tab. 11 Número de acções de aves por classe de cabeças e ilhas Tab. 12 Número de acções e área cultivada em “Sequeiro” por classe e ilha Tab. 13 Número de acções, área cultivada e produção por cultura e ilha Tab. 14 Produção de Sequeiro por destino e ilha Além disto, a difusão dos resultados dos inquéritos do Sistema são difundidos preferencialmente no site web do Ministério do Ambiente, Desenvolvimento Rural e Recursos Marinhos de Cabo Verde (http://www.maap.cv/). A publicação de dados directamente no “site” conjuga duas vantagens fundamentais, isto é, o anulamento dos custos com a publicação (em papel, mas também electrónica nos suportes como CD-ROM ou DVD) e, em consequência, daqueles de distribuição, garantindo, simultaneamente, a rapidez na difusão de dados a medida que estes estiverem disponíveis. No caso de dados relativos ao sistema permanente de inquérios agrícolas em Cabo Verde, os dados, em forma de tabela, são publicados no “site” indicado sob forma de ficheiros nos formatos XLS e PDF, ou seja, em formato “fechado” (Excel), facilmente importável em boa parte das folhas electrónicas disponíveis, e em formato “aberto”, o formato PDF, também mantido no standard internacional ISO, no mês de dezembro de 2007 (standard ISO 32000). É útil lembrar que um formato é “aberto”, se o modo de representação dos seus dados é transparente e/ou a sua especificação é de domínio público. A escolha de publicar mesas “estatísticas” foi feita para garantir a sustentabilidade das fases de difusão electrónica de dados. De facto, um sistema de informação de difusão “run-time” de tabelas é oneroso para implementar, gerir e manter; além disto, a quantidade de dados disponíveis não justifica este esforço. O “site” institucional do MADRRM foi criado pelo NOSI, Núcleo Operacional da Sociedade de Informação, no quadro de uma vasta operação de informatização e de adesão da filosofia de e-government da Administração Pública de Cabo Verde. O “site” é gerido pela Joomla, um sistema conhecido Open Source de Content Management e as operações de publicação de tabelas de dados podem ser efectuadas fácil, tempestiva e directamente pelo pessoal técnico do Ministério. 33
  • 34. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas Todo o “site” e não só as secções prontamente dedicadas na difusão de tabelas estatísticas, são organizadas e actualizadas com este sistema. Os exemplos que se seguem mostram como são geridas no “site” as páginas que contêm as tabelas de dados. Observa-se que tudo aquilo que foi descrito pode ser muito bem extensível às outras secções do “site”, o que permite de facto uma gestão “em casa” de todos os conteúdos que o Ministério tem intenção de difundir por meio da web. Para aceder ao sistema de Back Office de Joomla, deve-se digitar o seguinte endereço: www.maap.cv/administrator (Fig. 2). Fig. 2 Depois de efectuada a operação de autenticação, encontrar-nos-emos em frente ao “Control Panel” de Joomla. (Fig. 3) Fig. 3 A seguir, são descritos os passos necessários para carregar novas tabelas de dados, por exemplo, aquelas do inquérito “Sequeiro e Pecuária”. 34
  • 35. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas Os ficheiros pdf e xls podem ser geridos como documentos que podem consentir o download por parte do utilizador que necessita de dados, ao valer-se da funcionalidade oferecida pelo CMS Joomla, ao seleccionar com o rato “Components”, depois “DOCman” e por fim “Categories”, como mostrado na Figura 4. Fig. 4 Na secção Categorias do menu principal são listadas todas as categorias as quais deve-se associar os ficheiros para os tornar disponíveis no “site” para o download, (Fig. 5): Fig. 5 Foi então criada uma categoria de título “Dados Sequeiro”, com o nome de “estat_inqAgric2006_secPecuária” e as características indicadas na figura. O objectivo é de reagrupar no interior desta categoria todas as tabelas que contêm os dados relativos a Sequeiro, da campanha agrícola 2006. 35
  • 36. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas Para associar um documento a esta categoria, deve-se voltar ao menu principal, seleccionar com o rato “Componentes”, depois “DOCman” e enfim “Documents”, como ilustra a Figura 6. (Lembra-se que DOCman é um document management e um sistema de download para Joomla). Com este componente, o administrador pode facilmente fazer o upload e gerir o ficheiro, associá-lo com as categorias e deixá-lo disponível ao utilizador final para o download. Fig. 6 Neste caso, para inserir um novo documento, basta clicar em “Novo” e aparecerá o ecrã seguinte (Fig. 7): Fig. 7 Além de colocar o documento na categoria apropriada descrita antes, deve-se também associar um ficheiro ao dirigir-se na parte terminal do ecrã e ao seleccionar o ficheiro apropriado da lista, como mostrado na Figura 8. 36
  • 37. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas Fig. 8 É preciso, naturalmente, já ter inserido o ficheiro na lista, operação a ser feita preventivamente, ao seleccionar com o rato o menu "Componentes", depois "DOCman" e enfim "Files". Fig. 9 Ao fazer isso, abrir-se-á um ecrã por meio do qual será possível gerir o ficheiro sobre o qual irá autorizar o download por parte do utilizador (Fig. 10). 37
  • 38. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas Fig. 10 Para o upload do novo ficheiro, bastará carregar com o rato em "Enviar". Se abrirá o ecrã seguinte (Fig.11). Fig. 11 Ao supor que tem que se fazer o upload de um ficheiro presente no computador local, ao seleccionar "Carregar um ficheiro do seu computador" e ao clicar em "Seguinte" chegará no painel por meio do qual seleccionará o ficheiro e enviará ao servidor web (Fig.12). 38
  • 39. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas Fig. 12 A figura 13 mostra o resultado desta operação: Fig. 13 Esta página constitui o resultado das operações acima descritas e é assim que se apresenta a página na qual pode-se descarregar os dados Sequeiro. Para se chegar a esta página, ao partir da Home Page no “site” do Ministério, deve-se trabalhar com o menu que se encontra na parte esquerda da página. Tal menu foi construído de forma que, uma vez posicionado o rato sobre uma etiqueta, por exemplo “Estatísticas”, abre-se um outro menu em cascata que propõe outros itens onde é possível navegar e seleccionar. Ao seleccionar, por exemplo, os inquéritos agrícolas do ano 2006/2007, abrir-se-á um outro menu com a lista dos inquéritos efectuados no período seleccionado. Ao 39
  • 40. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas seleccionar Sequeiro/Pecuária, terá o acesso a um outro submenu pelo qual poderá aceder a página para descarregar a documentação, os metadados e o questionário do inquérito ou na página que contém as tabelas da Pecuária, ou como no nosso caso, as tabelas sobre sequeiro. Fig. 14 Para a gestão deste menu, selecciona-se do back office de Joomla o item “Menus” e depois “leftmenu”, como indicado na Figura seguinte. Fig. 15 Por meio deste ecrã, é possível gerir tudo que aparece no menu a esquerda, ao definir também o posicionamento no interior do mesmo menu e as várias ordens de prioridade, como mostrado na figura seguinte. 40
  • 41. Sistema permanente de estatìsticas agrìcolas - Tècnicas e mètodos aplicados aos inquéritos agrìcolas Fig. 16 Se tomamos o item “Estatísticas”, terá como "filhos" de primeiro nível os itens "Inquéritos 2006-2007", "Inquéritos 2005-2006" e "Evoluções". Por sua vez, “Inquéritos 2006-2007” terá como filhos “Sequeiro/Pecuária" mas também "Hortícolas", "Vinho", "Cana" e "Café" e assim por diante. Para criar um novo item, clica-se em "Novo" e especificar o tipo de objecto que deseja-se criar (link-url). Na figura seguinte, é mostrado o item Sequeiro/Pecuária do menu. Por meio deste ecrã, é especificado o nome que deverá aparecer no menu, o eventual link (aponta-se numa página do sítio), a acção a ser efectuada em seguida ao clique. A ordem de prioridade é simplesmente construída ao indicar o nó gerador. Fig. 17 41
  • 42.
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  • 45. Anexo 1 Questionário do inquérito “Sequeiro e pecuária"- 2006
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  • 55. Anexo 2 A dimensão óptima da amostra e sua repartição pelos estratos – Exemplo do inquérito “Regadio” 2008
  • 56. A dimensão óptima da amostra e sua repartição pelos estratos – Exemplo do inquérito “Regadio” - 2008 A dimensão total da amostra pode ser determinada com base em vínculos económicos ou vínculos de precisão das estimativas ou ao levar em conta ambos os critérios. Por sua vez, cada caso, está intimamente ligado à modalidade de repartição da amostra pelos estratos. Em geral, o procedimento a seguir é o seguinte: a) Estabelecer o erro relativo desejado Fixa-se c (2%, 3%, 5% o 10%) e procede-se ao cálculo da variação de amostras desejada V * = c 2t y 2 No qual t y é o total da variável na população (lista) ou o total de uma variável auxiliar X (ex.: superfície cultivada; número de animais, etc.), fortemente correlacionada com Y, conhecida por todas as unidades na lista de amostragem. b) Estabelecer o critério de repartição da amostra Estão disponíveis mais opções. b.1) repartição proporcional: Nh nh = n , h = 1,2, K , H . N N h é o número de unidades no estrato h; enquanto N é o número total de H unidades, N = ∑h=1 N h . b.2) Repartição óptima de Neyman: N h Sh nh = n H ∑ h =1 N h Sh No qual S h é o desvio-padrão de Y no estrato h ou, se esta informação não é disponível, o desvio padrão de uma variável auxiliar X (ex. superfície cultivada; número de animais, etc.), correlacionada com Y. b.3) Repartição proporcional ao total de uma variável, isto é: th nh = n t t h é o valor total de Y no estrato h. Se esta informação não é disponível, pode-se utilizar o total de uma variável auxiliar X, correlacionada com Y (ex.: superfície cultivada; número de animais, etc.). Nos inquéritos sobre os cultivos agrícolas, com frequência faz-se a repartição da amostra com base no total da superfície cultivada em cada estrato. 56