Tratado de anatomia veterinária -aves

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Tratado de anatomia veterinária -aves

  1. 1. r CAPÍTULO 39 tnatomía das Aves Este capítulo aborda a estrutura das espécies de aves produtoras de alimentos, além das aves de gaiola mais comuns. O objetivo deste livro é permitir uma abordagem ocasional dos aspectos de maior interesse biológico na anatomia das aves. Grande parte dos assuntos abordados é de uso' prático para os veterinários Â* As medi- das e, com uma única exceção, as figuras referem-se às galinhas. ASPECTOS EXTERNOS E TEGUMENTO O aspecto externo é a característica principal que distingue as aves dos mamíferos' _fgtmauaerodinâmiçê do corpo das _aves é, determinada . pelatrans , orrnação , dos _membros torácicos em asas. AÀQÇBÊLSÃD, entre diversas características (citadas adiante), aquelas que__tornam as aves mais leves em relação ao seu tamanho. aumen- tando sua eficiência no ar. _ A cútis é delgada e solta, rompendo-se facilmente. E pouco suprida de vasos sangüíneos e nervos, determinando pouco sangra- mento ao ser ferida, quando comparada com a cútis dos mamíferos; as aves são ainda extremamente insensíveis à manipulação de sua cútis. A cútis apresenta coloração amarelada por todo o corpo, podendo ser mais pigmentada nas pemas e pés. E mais pálida nas galinhas poedeiras em produção, nas quais o pigmento é recolhido e incorporado à gema. A região dorsal, na junção do pescoço com o tronco, é o local mais indicado para injeções subcutâneas. Durante a incubação, áreas da cútis (manchas do embrião) sob a superfície do corpo tomam-se extremamente vascularizadas e parcialmente descobertas, facilitando a transferência de calor para os ovos. A crista, as barbelas e os lobos das orelhas (e o processo frontal dos perus) são protuberâncias ornamentais macias da cútis em torno da cabeça (Fig. 39.1/A, B). A derme destas estruturas é espessa e vascular, embora a epiderme de cobertura seja delgada. Elas são facilmente feridas, constituindo uma porta de entrada para infec- ções; Em quase todas as criações comerciais de galinhas, apara-se a crista (e o processo frontal), para prevenir seu traumatismo em espaços confinados, nos quais estas aves são criadas. As extremi- dades das barbelas são utilizadas para injeções intradérrhicas. O bico é componente funcional correlacionado com os lábios e dentes dos mamíferos. Deriva da cútis e fornece uma cobertura córnea para as partes rostrais do pré-maxilar e da mandíbula, cres- cendo continuamente para compensar o desgaste natural. E rica- mente inervado, determinando alta sensibilidade. Na maioria das criações comerciais de galinhas e perus. efetua-se a debicagem nos primeiros dias de vida (corte do bico superior até próximo às nari- nas), para prevenção do canibalismo. Em psitacídeos (papagaios) 'Os especialistas em aves ornamentaisserão beneficiados pelos importantes destaques clínicas na anatomia das aves. baseados no papagaio da Amazônia. descritos por McKibben e Harrison (1986). e pombos, a base do bico é coberta por uma grossa membrana (ceroma) que pode envolver as narinas, sendo uma característica marcante em periquitos, podendo ser utilizado como referência para determinação do sexo. O ceroma do macho é azul, enquanto na fêmea apresenta-se marrom-claro. As escamas sobre as pernas e os pés são porções de epitélio cornificado, similares às encontradas nos répteis (Fig. 39.1/C). Nas aves aquáticas, as três unhas mais desenvolvidas são conectadas pela cútis (membrana palmatória), tornando os movimentos mais eficientes. O esporão (/8) desenvolve-se na superfície caudomedial da perna do galo, sendo utilizado como uma arma; ele apresenta um estrato córneo envolvendo um cone ósseo. O comprimento do esporão e o crescimento dos anéis da sua base podem ser utilizados para determinação da idade. Removendo-se a papila do esporão em frangos, inibe-se o seu desenvolvimento. A glândula uropúgeg sebácea (glândula do óleo; Fig. 39.2/1) é a única glàidula presente na cútis, excetuando-se as glândulas da orelha externa e do ânus. Não há glândulas sebáceas e sudorípafas na cútis das aves. A glândula uropígea é bilobada, com cerca de Fig. 39.1 Cabeça de galinha (A) e de peru (B); pé direito de um galo jovem (C). 1, Narina; 2, crista; 3, abertura da orelha; 4, lobo da orelha; 5, processo frontal; 6, barbela; 7, pema (metatarso); 8, esporão; I-IV, unhas.
  2. 2. 538 TRATADO DE ANATOMIA VETERINÁRIA Fig. 39.2 Glândula uropígea in situ; vista dorsal. 1,'Glândula uropígea; 2, papila da glândula uropígea, através da qual a secreção é cxpelida; 3, corte da extremidade da cútis; 4, folículos das penas; 5, vértebras caudais e músculos associados. (De Lucas e Stettenheim, 1972.) 2 cm de diâmetro, localizando-se dorsalmente à vértebra caudal que forma a pequena cauda das aves. Uma secreção gordurosa emerge de duas aberturas sobre uma pequena papila cutânea (/2). A secreção e' carregada para as penas do corpo e das asas durante os movimentos de alisamento das penas que a ave faz com o bico. Em aves aquáticas, a secreção é importante para a impermeabi- lização das penas e o isolamento térmico da parte submersa do corpo. , A glândula uropígea é proeminente em periquitos, podendo estar ausente em algumas espécies. As penas São estruturas epidérmicas altamente especializadas, que evo- luíram a partir das escamas dos répteisJEmbora leves em relação ao seu tamanho, elas são de constituição rígida. São reconhecidos seis tipos, mas somente as penas de contorno e as penugens serão descritas. As de contorno são externamente visíveis, modificam os contornos; -as asas e a cauda das aves. Elas escondem-a penugem, que cria um efetivo espaço morto' aéreo que isola o corpo. As penas estão concentradas em tratos (ptérilos), intercaladas por um espaço sem penas (aptério), que são os locais indicados para cirurgias. Elas também encobrem sinais de emagrecimento. A porção externa de uma típica pena de contorno consiste em um eixo principal preenchido de ambos os lados pelo vexilo (Fig. 39.3/A). O vexilo consiste em numerosas ramificações ordenadas firmemente (barbas; /2), que deixam o eixo em um ângulo de cerca de 45°. As barbas adjacentes estão conectadas por grande número de minúsculas bãrbulas, formando uma superfície no vexilo. Esta conexão é efetuada através de ganchos microscópicos localizados na porção distal das bárbulas, que se prendem levemente à bárbula mais próxima, chegando a atravessá-la (/3'). As barbas próximas são facilmente separadas, reatando-se posteriormente, quando colo- cadas juntas. O eixo principal dentro do folículo da pena apresenta sulcos longitudinais que terminam em uma depressão (umbigo distal; /8), em oposição ao umbigo proximal do eixo principal. Uma pequena pena posterior (/9) pode emergir do umbigo e contribuir para a maciez da pena. A porção embutida (cálamo), que ocupa o folículo da pena, é uma invaginação tubular oblíqua da cútis (/5'). A pequena papila dérmica situada na base do folículo estende-se até a abertura (umbigo proximal) da porção final do cálamo. O cálamo é oco e contém ar e dejetos celulares (polpa) derivados da papila. Os músculos das penas (/7), semelhantes ao músculo eretor do pêlo nos mamí- feros, fixam-se em torno dos folículos, originando, freqüentemente, extensas formações reticulares que elevam ou abaixam todo o grupo de penas. Fig. 39.3 A, Pena de contorno; B, penugem: aumentadas. 1, Haste principal; 2, barba com bãrbulas; 3, bárbula distal com detalhes microscópicos; 3', bárbula proximal; 4, vexilo formado pelas barbas; 5, cálamo; 5', cálamo no folículo da pena; 6, papila dérmica; 7, músculo da pena; 8, umbigo distal: S', umbigo proximal; 9. pena posterior. As barbas de penugens baixas não se unem para formar um vexilo fechado. Há uma organização casual, fornecendo às penas o seu aspecto macio. Algumas vezes, as aves substituem as penas (mudas) para se livrarem das gastas, ou para mudar sua plumagem, a fim de exibição ou para camuflagem. Este fato em geral ocorre uma vez por ano, seguindo a estação de procriação, sendo determinado por alterações hormonais, além de se relacionar principalmente à duração do dia e à temperatura. Durante a muda, que é um processo lento e gradual, ~ as aves não devem ser estressadas; requerem descanso e uma dieta rica em proteínas e minerais para que possam suportar a alta deman- da metabólica imposta pela rápida proliferação da epiderme. Aves em condições precárias freqüentemente produzem penas deforma- das. A substituição das grandes penas de contorno é seqüencial e simétrica, possibilitando que as aves permaneçam voando durante a muda. Patos e gansos perdem estas penas rapidamente e. como conseqüência, voam menos que outras aves. As penas velhas são empurradas para fora pelo crescimento da epiderme na base do folículo, deixando-o vago e proporcionando assim o crescimento
  3. 3. de uma nova pena. Isto também ocorre quando uma pena e' arran- cada. Entretanto, quando as penas são cortadas, devemos lembrar que isto não tira a capacidade das aves de voarem permanentemente. Em muitas espécies, o sexo e' indicado pela forma e pela colora- ção das penas ou grupos de penas. O SISTEMA MUSCULOESQUELÉTICO 0 esqueleto é_1§. V.e, .c. Q.LnpactQ. _e_. rí _doiscâmaumêuquantidade_ de ca cio e fósforo maior _do que no_s_p_ssos, dos mamíferos, A _racte- 'riza-se pelãwfüsão "de. vértebras, pelo esterno proeminente e pela, pelve aberta ventralmente (Fig. 39.4). g k das aves é : Lpneumatização dos osso saco_s__¡a¡_é_r5;os_, _extensões dos pulmões, encontradosupriícvipal "rica cavidade do corpo, oiíõêfê' misturam com as vísceras. Divertículos dos sacos aéreos estendem-se através dos forames pneumáticos dentro das cavidades medulares dos ossos adjacentes, preechendo considerável parte do esqueleto com ar. A pneumatizaçãoé um processo gradual, substi- tuindo a medula ósisêíÚíõêssowéheñreñiãmênteíñífiíifâfííiãs nTeTlíóres' avEsiÍ/ ioadoras, que obtém um esqueleto largo e forte, sem ser correspondentemente pesado. Grande parte do crânio do adulto também é pneumatizado através de espaços que se conectam ANATOMIA DAS AVES 539 com o canal de ventilação na cabeça e não ao sistema de sacos aéreos. Outra peculiaridade é o aspecto da medula óssea (trabecular), antes da idade de postura, apesar de ser um local de armazenamento de cálcio. Este osso extra pode determinar interpretações errôneas de processos patológicos nas radiografias. O crânio As características mais marcantes do Crânio são as grandes órbi- tas localizadas entre o bulbo do crânio e a face piramidal (Fig. 39.5). A mandíbula é plana e aumentada lateralmente na altura da cabeça. Os grandes olhos deslocam os ossos encontrados entre as órbitas nos crânios da maioria dos mamíferos e reduzem outros a uma placa mediana delgada (septo interorbitário; /11). Diversos ossos cranianos possuem duas placas, separadas por osso esponjoso, sendo então mais grossos do que se poderia supor, dando a impressão de que a cavidade do crânio é maior do que realmente é. O osso occipital inclui o forame magno. Um único côndilo occipital, locali- zado ventralmente à articulação com o atlas, forma a articulação que torna as aves capazes de girar a cabeça sobre a coluna vertebral, em uma extensão muito maior do que os mamíferos podem. A depressão semi-esférica na porção inferior da parede lateral do crâ- r Fig. 39.4 Esqueleto de uma galinha; o detalhe mostra os ossos do pé esquerdo em vista dorsal, 1, Porção facial do crânio; 2, mandíbula (o osso hióide é mostrado projetando-se abaixo da mandí- bula); 3, órbita e anel esclerótico do bulbo do olho; 4, crânio; 5, atlas; 6, áxis; 7, vértebras cervi- cais; 8, articulação do ombro; 9, úmero; 10, rádio; 11, ulna 12, mão; 13, notnrium; 14, vértebra torã- cica livre; 15, sinsacro; 16, vértebras caudais; 17, pigóstilo; 18, IllO; 19, ísquio 20, púbis; 21, fêmur; 22, costelas; 23, escápula; 24, coracóide; 25, claví- culas fusionadas; 26, manúbrio do esterno; 27, es- terno; 28., Cr_i_s, ta do_esterno; 29, patela; 30, fíbula; 31, tibiotarso; 32, osso sesamóide (cartilagem tibial ossificada) na articulação do jarrete; 33, tarsome- tatarso; 34, dedos; I, ll, III, IV, dedos. (De Lucas e Stettenheim, 1972.)
  4. 4. i' l »nua-ow _ . ..í-Ee _ uoñl. éfl1úmyvn. _. 540 TRATADO DE ANATOMIA VETERINÁRIA Fig. 39.5 Crânio; o detalhe mostra como o pré-maxilar é levantado pela depressão da mandíbula em aves com a articulação craniofacial. (O sistema hióide e o anel esclerótico do bulbo do olho não são mostrados. ) 1, Pré-maxilar; 2, abertura nasal; 3, maxilar; 4, arco malar; 5, mandíbula; 6, osso palatino; 7, vômer; 8, osso nasal; 9, osso lacrimal; 10, órbita; 11, septo interorbitário; 12, osso frontal; 13, forame óptico; 14, osso pterigóide; 15, osso quadrado; 16, osso temporal; 17, osso parietal; 18, osso occipital; 19, cavidade do tímpano com as aberturas da cóclea e do vestibulo; 20, osso esfenóide; 21, osso articular. nio é a cavidade do tímpano (/19), que se limita com o meato acústico externo, fechado pelas membranas do tímpano em vida. As aberturas coclear e vestibular no interior desta depressão diri- gem-se para o interior da orelha interna. _ A eutanásia (através da injeção dentro do encéfalo) pode ser realizada através do forame magno, flexionando-se a articulação atlantoccipital (Fig. 39.25/seta). A região facial do crânio é formada principalmente pelos ossos nasais pré-maxilares, que envolvem a grande abertura nasal (/2). O osso nasal situa-se dorsalmente, sendo que, em psitacídeos por exemplo; ele faz uma conexão cartilaginosa flexível (articulação cra- niofacial) com o osso frontal, permitindo que o pré-maxilar seja levantado. 0 pequeno maxilar abaixo da abertura nasal é conectado com a articulação mandibular pelo longo e delgado arco malar (/4), cujo homólogo nos mamíferos é o arco zígomático. Os ossos palati- nos (/6) são ligados caudalmente à conexão do pré-maxilar com os ossos pterigóides, ventralmente à cavidade ocular. A separação óssea entre as cavidades do nariz e da boca é realizada pelo processo palatino do osso pré-maxilar. _ A mandíbula (/5) consiste em dois ossos delgados fundidos rostralmente, onde estão cobertos pela porção inferior do bico. Cau- dalmente, a mandíbula é conectada ao crânio, entre a órbita e o meato acústico externo, pelos ossos articulares e quadrado (/21,15), correspondentes ao martelo e à bigorna dos mamíferos. O osso quadrado é conectado ao arco malar e, por interposição do osso pterigóide, ao osso palatino. Em algumas aves, através da articulação craniofacial, a depressão na mandíbula provoca a rotação do osso quadrado, empurrando o arco malar e o osso palatino rostralmente, para então elevar o pré-maxilar. ' O esqueleto axial Incluem-se no esqueleto axial a coluna vertebral, as costelas, o esterno e a pelve, desde que esta esteja finnemente aderida ao sinsacro, formado pela fusão das vértebras lombares, sacrais e cau- dais (Fig. 394/15). A divisão da coluna vertebral em números definitivos de vérte- bras cervicais, torácicas, lombares, sacrais e caudais é extremamente difícil, devido à extensa fusão e â localização incerta da articulação entre as vértebras cervicais e torácicas. O número de vértebras cervicais varia com o comprimento do pescoço. Em aves pequenas, podem-se encontrar apenas oito vérte- bras, enquanto nos cisnes chegam a 25; em galinhas, o número varia de 14 a 17. O atlas (/5) é um pequeno anel que, através de uma depressão em seu arco ventral, articula-se com o côndilo occipital. Caudalmente, o arco ventral do atlas apresenta uma protu- berãncia para o dente do áxis. Exceto pela presença do dente e de um pequeno processo articular cranial, o ãxis difere muito pouco das demais vértebras cervicais, que são uniformemente cilindricas, com processos articulares proeminentes e as costelas rudimentares direcionadas para trás. São cinco a sete vértebras torácicas que apóiam as costelas para conexão com o esterno. Quatro fusões destas vértebras formam um único osso (notarium; /l3), que e' seguido de uma vértebra torá- cica livre, sendo a única vértebra móvel do tronco. Esta vértebra articula-se cranial e caudalmente através de articulações sinovíais, em que o processo articular e o corpo da vértebra participam. Ela é fracamente ligada à coluna, sendo que a porção cranial pode ser deslocada ventralmente, liberando o cordão espinhal (retorcido para trás em frangos). A última ou as duas últimas vértebras torácicas fundem-se com as vértebras lombares caudais e sacrais para formar o sinsacro (/15). O sinsacro e o notarium conferem à porção dorsal do tronco uma rigidez que se estende lateral e caudalmente pelo sinsacro, fundindo-se com os ossos longos do quadril. O sinsacro é seguido por cinco ou seis vértebras caudais livres, que permitem os movimentos da cauda. O segmento mais caudal (pigóstilo; / 17) consiste em várias fusões rudimentares e fornece o suporte para as penas de contorno da cauda. Como nos mamíferos, os ossos da pelve são formados pelos ossos direito e esquerdo do quadril e o (sin)sacro. A pelve e' profun- damente côncava na porção ventral e relativamente longa, supor- tando mais da metade do tronco, uma organização relacionada à postura bípede. As extensas superfícies dorsal e lateral do osso do quadril são formadas pelo ílio e pelo ísquio, respectivamente (/ l8,19). O púbis é uma haste fina ligada à borda ventral do ísquio (l20). A articulação do ílio com o ísquio forma a cavidade do acetá- bulo. Caudodorsalmente ao acetábulo, um processo obtuso (antitro- canter) articula-se com o trocanter do fêmur, limitando a abdução. Os ossos do quadril não apresentam sínfise ventral, deixando amplo espaço livre, o que favorece a passagem dos ovos. Cinco ou seis pares de costelas conectam o grande esterno às vertebras torácicas. Cada costela consiste em porções dorsal e ventral (vértebral e esternal, respectivamente), que se articulam através de um processo cartilagíneo. A costela vertebral corresponde à por- ção óssea, enquanto a. costela estemal corresponde à porção cartila- gínea nos mamíferos. A maioria dascostelas vertebrais apresenta um processo (uncinado) direcionado caudodorsalmente, que se so- brepõe ãs costelas seguintes. Estes processos uncinados dão fixação aos músculos e ligamentos, além de fortalecerem a parede do tórax. As costelas flutuantes (dorsais) das últimas vértebras cervicais prece- dem as costelas completas. ' O esterno é um grande osso não-segmentado que, com seu longo processo, forma uma parte considerável da parede ventral do corpo (Fig. 394/27). O esterno fixa os músculos largos do vôo (assunto a ser abordado). Ele apresenta uma calha (carina) proemi- nente em aves Voadoras, enquanto em outras espécies a calha é reduzida, embora seja compensada pela largura bem maior do ester- no. O esterno da galinha é relativamente longo e estreito e, embora a galinha seja uma péssima voadora, o seu esterno apresenta uma calha profunda (/28). A posição subcutânea da calha é ideal para retirar amostras de medula óssea em aves omamentais de grande porte, embora as exponha a ferimentos quando elas permanecem empoleiradas (torção ou ferimentos das calhas são importantes, visto que estas participam no nivelamento das aves). O manúbrio (/26), um processo sagital da extremidade cranial do esterno, apresenta largas facetas que recebem os volumosos ossos coracóides unidos dorsalmente. Longos processos, cranial e caudal, articulam-se com as costelas esternais, reforçando o suporte fornecido para as paredes lateral e ventral do corpo. Os forames pneumáticos situam-se na superfície dorsal côncava do estemo, conectando-o com o saco aéreo clavicular. A extremidade caudal do esterno é cartilagínea nas aves
  5. 5. .pg, distal, junto à -“ de ser mais longo que o fêmur, is jovens, enquanto -em aves mais velhas ela se ossifica. Sua ibilidade, portanto, serve como indicador da idade. f. squeleto apendicular t O esqueleto apendicular é extremamente modificado, devido nversão dos membros torácicos em asas, além de os membros icos assumirem sozinhos a responsabilidade pela locomoção no , ~, pelo empoleiramento e pela resistência ao estresse na descida do poleiro. Os ossos longos das aves são delgados, frágeis e inade- quados como ossos de blindagem, podendo ser utilizados para repa- rar fraturas em aves grandes de gaiola. Os ossos dos membros torá- cicos são amparados pelo esqueleto axial, especialmente o esterno, porque o ombro é extremamente desenvolvido. Os ossos distais das asas normalmente resistem aos trabalhos de redução. Já o esque- leto dos membros pélvicos é rigido e bastante simplificado pelas fusões que ocorrem. Membro torácico. A escápula (Fig. 39.4/23) é uma haste plana, situando-se lateral e paralela à coluna vertebral, estendendo-se cau- dalmente até a pelve. Articula-se com o esqueleto axial através dos músculos e ligamentos, Na porção cranial, conecta-se com a clavícula e o coracóide, com o qual forma a superfície articular que recebe a cabeça do úmero (articulação do ombro). O coracóide é rígido (/24) e se estende da articulação do ombro até a articulação com a porção cranial do estemo, suportando todo o trabalho de sobe e desce da asa. A união das clavículas direita e esquerda forma a fúrcula (osso do peito; /25), cujas extremidades e processo ventral médio articulam-se com os coracóides e a porção cranial do esterno, respectivamente, através de uma rígida membrana. A fúrcula, conec- tada à articulação do ombro, auxilia na contenção destes ossos contra o esqueleto axial. Um forame (canal triósseo), localizado na junção da escãpula com o coracóide e a clavícula, contém o tendão de alguns músculos do vôo (assunto a ser abordado) O úmero (/9) é um osso rígido e plano em ambas as extremi- dades. Na extremidade proximal, podem ser observados os tubér- culos dorsal e ventral (Fig. 39.6/2,3). Um forame pneumático (/4_) está presente no tubérculo ventral. A ulna é mais espessa e mais longa que o rádio (/ B,C). A seqüência distal dos ossos do carpo funde-se com o metacarpo, Estes e os demais ossos do membro torácico estão ilustrados na Fig. 39.6. Os músculos do peito, responsáveis asas, são extremamente desenvolvidos, representando cerca de 20% do peso corporal, O músculo peitoral (Fig. 39,7/ l), superficial, origi- na-se na crista do esterno e na clavícula, cobrindo todo o tórax da ave até se inserir no tubérculo dorsal do úmero. Sua contração produz a força necessária para o batimento das asas. O m. supraco- racóide (/2), menor, também se origina no esterno e na clavícula. 'Seu tendão está direcionado dorsalmente através do canal triósseo, ultrapassando a cabeça do úmero para terminar junto ao seu antago- nista. Os músculos do peito são rotineiramente palpados, servindo como indicação do estado de saúde geral da ave. Estes mesmos músculos também são utilizados para injeções intramusculares, atra- vés de manobras cuidadosas para não perfurar as cavidades do corpo (Fig. 39.16/2.2'). Devem ser evitadas as porções craniais destes mús- culos, devido à existência nestes locais de grandes veias que, se lesadas, podem ocasionar uma hemorragia fatal. A A secção do tendão do músculo extensor radial do carpo, na altura do carpo, é realizada para que a ave fique impossibilitada de voar. Este proeminente músculo situa-se sobre a extremidade dorsal do rádio e estende-se lateralmente à asa. Seu curto tendão passa subcutaneamente na face craniodorsal da articulação cárpica e termina na extremidade carpometacárpica (Fig. 39.8/5'). Membro pélvico. O fêmur (Fig. 39.4/21) é semelhante ao mesmo osso dos mamíferos, em seu aspecto geral. Na sua extremidade patela, o fémur é palpável, podendo ser utilizado para retirar amostras de medula óssea. A tíbia das aves se funde com elementos do tarso, formando o tibiotarso (/31) que, além apresenta lateralmente uma fíbula pouco desenvolvida. Esta parte do membro pélvico é conhecida , aopularmente como a “coxa da galinha”. Os segmentos distais do i_ arso fundem-se com o osso metatarso (fusão dos II, III e IV metatar- pela movimentação das , .l ANATOMIA DAS AVES 541 Fig. 39.6 Esqueleto da asa esquerda, em parte' estendido lateralmente; su- perfície dorsal. A, Umero; B, ulna; C, rádio. 1, Cabeça; 2, tubérculo dorsal; 3, tubérculo ventral; 4, forame pneumático; 5, articulação do cotovelo; 6, carpo ulnar; 7, carpo radial; S, carpometa- carpos; II, III, IV, dedos. sicos) para formar o tarsometatarso (/33). Sem nenhum osso do tarso livre presente, o jarrete passa a ser uma articulação intertársica unindo o tibiotarso com o tarsometatarso. O último é o responsável pela elevação dos quatro dígitos mostrados na Fig. 39.4. Na superfície caudal da articulação intertársica há uma cartila- gem (tibial), através da qual passam os tendões dos músculos flexores dos, dedos. O tendão do gastrocnêmio é palpável e passa através da face caudal da cartilagem, terminando no processo plantar do tarsometatarso. Nos casos em que a dieta fornecida é insuficiente (perose), chegando a desfigurar a cartilagem, os tendões podem deslizar para fora do jarrete, provocando claudicação acentuada e deformidade grave. Os flexores dos dedos são dispostos de maneira que a ação de subir no poleiro é realizada com um mínimo de energia muscular. A ave flexiona o corpo nas articulações do joelho e do jarrete, determinando uma tensão passiva nos tendões em torno destas articulações e fazendo com que os dedos fixem-se ao redor do poleiro. Entretanto, quando e' necessário retirar uma ave grande do poleiro, é preciso primeiro estender suas pernas, para liberar a tensão sobre os tendões flexores. Os periquitos permanecem no poleiro com os dedos II e III voltados para a frente, enquanto os dedos I e IV permanecem para trás (comparar com a Fig. 39.4). Diversos tendões dos músculos do membro pélvico costumam ossifi- car-se nas aves grandes, constituindo característica marcante em radiografias. Os músculos brancos e vermelhos (carne branca e escura) são distinguidos com muita nitidez em aves. Os músculos vermelhos contém grande quantidade de _mj_ggl@i_na, sendo ricamente vascula- rizados, além de possuírem máior quantidade de mitocôndrias e glóbulos lipídicos em suas fibras. Estes músculos utilizam melhor a gordura do que o glicogênio (carboidratos) como fonte de energia.
  6. 6. 542 TRATADO DE ANATOMIA VETERINÁRIA Como a gordura proporciona uma quantidade maior de energia por unidade de peso que os carboidratos, os músculos com predomi- nância de fibras vermelhas são, portanto, mais apropriados para sustentar as aves durante periodos de esforço. Os músculos brancos são mais fortes, embora tenham menor resistência. Nas aves com boa capacidade para o vôo, os músculos do peito são vermelhos, enquanto em galinhas e perus são brancos. Fig. 39.8 Dissecção superficial da asa esquerda distendida lateralmente; superfície ventral. 1, M. tríceps; 2, m. bíceps; 3, veia braquial; 4. prega cutânea (propatãgio); 5. m. extensor radial do carpo; 5', seu tendão; 6, articulação do carpo; 7. porção subcutânea do rádio; 8, m. flexor ulnar do carpo; 9, veia ulnar cutânea (da asa); 10, cútis rebatida. Fig. 39.7 Músculos t' r quemátíca (A): el: vista ventral (B). 1,. " ~ ; ~ ~trados em l, M. peitoral: 2. cóide; 3, canal triósseo para o . S. úmero: 4, esterno; 5. claxícuê_ O APARELHO DIGESTIVO O aparelho digestivo é composto de parte oral da "' r ge. esôfa- go, estômago, duodeno, jejuno, ñeo, cecos e cólon. a a cloaca, que também serve ao sistema urogenital. Como nos mamíferos, o fígado e o pâncreas lançam suas secreções no interior do intestino, fazendo parte do sistema. Diversas partes do aparelho digestivo, incluindo o bico, são consideravelmente modificadas e adaptadas de acordo com a dieta que as aves recebem. A parte oral da faringe Os pássaros carecem de umpalato mole e de uma constrição óbvia que separa a boca da 'faringeÍ “Parte oral da faringe" significa. portanto, a cavidade combinada que se alonga do bico ao esôfago. O teto dessa cavidade achatada dorsoventralmente e' formado pelo palato e o seu piso pela mandibula, pela língua e pela elevação da laringe (Fig. 39.9). Lábios e dentes estão ausentes e suas funções são realizadas pelas bordas do bico e pelo estômago muscular (ver adiante). O palato apresenta uma longa fenda média (cóana) que está ligada à cavidade do nariz. Uma fenda (/4) mais curta e mais caudal (infundibular) e' a abertura comum das tubas auditivas. A cóana e a fenda infundibular abrem-se juntas nos periquitos. Há um grande número de papilas “mecânicas”, ou espalhadas isolada- mente ou combinadas em linhas transversais; elas estão direcionadas caudalmente e ajudam a mover o bolo alimentar em direção ao esôfago. Grandes quantidades de saliva, liberadas através de aberto ras quase invisíveis (/2) de vários conjuntos de glândulas salivares, umedecem o alimento. A língua triangular (/5,6) é sustentada _t ' um delicado aparelho hióideo e não é protuberante. Ela mc ' bolo alimentar dentro da parte oral da faringe, e, à deglutição. siona-o para dentro do esôfago, enquanto a fenda coanal se Patos e gansos têm a lingua guarnecida com papilas que se . V. frouxamente dentro de fendas nas bordas do bico. proport» ~: .« : ranial es~
  7. 7. “fin”, _í_ : :~_-_. -- -. ... _-_~, =-. _., - _ 3;- - _, -_', __~--, ._, _7.- , ,_, *›__--- ; -_>-"”;7-í; r^¡_ç_. ›-”~^-W' á-ã--u-r-r Fig. 34929 Parte oral da faringe aberta pela reflexão da mandíbula, à direita. l, Arestas palatinas mediana e lateral; 2, aberturas das glândulas salivares; 3,_ cóana; 4, fenda infundibular; 5, corpo da língua; 6, teto da língua; 7. papilas “mecânicas"; 8, elevação laríngea; 9, glote; 10, corno braquial do sistema-hióide; ll, esôfago; i2, posição da traquéia. um meio de separar as partículas de alimento da água. A elevação laríngea (/8) ergue-se caudal à base da língua. Ela apresenta uma fenda mediana (glote), que não é guardada por uma epiglote. Uma linha de papilas assinalaio nível da origem ão esôfago. O esôfago O esôfago situa-se, a princípio, entre a traquéia e os músculos cervicais. mas logo se afasta para a direita, uma posição que _se mantém po; todo o resto do pescoço, apesar de tanto o esôfago quanto a traquéia serem bastante móveis (Fig. 39.10). Na entrada do tórax, sua parede ventral é largamente ampliada para formar ospapà 6/8), que aumenta ainda mais para a direita e se coloca contraos músculos do tórax. (Em patos e gansos, como na maioria dos pássaros, o papo é meramente uma expansão fusiforme do esôfa- go. ) Tanto o papo quanto o esôfago cervical são subcutâneos e palpáveis, estando em posições ideais para cirurgia (corpos estra- nhos, impactação), mas são vulneráveis à laceração. O papo arma- zena comida por curtos períodos de tempo, quando o estômago Ínuscular está cheio. Dentro da cavidade do corpo. o esôfago passa sobre a bifurcação da traquéia, abaixo da superfície ventral dos pulmões, e sobre a base do . .coração (Fig. 39.11); ele se funde dentro do estômago glandular diretamente para a esquerda do plano media- no. Há uma grande quantidade do tecido linfóide (tonsila esofágica) no segmento caudal do esôfago do pato. O esôfago tem uma grande capacidade de distensão, contendo glândulas mucosas cuja secreção lubrifica a passagem do bolo alimen- tar, Durante a época da reprodução, o grande papo simétrico dos pombos, tanto do macho quanto da fêmea, elabora malçLial fare- lento (leite de papo) que consiste em células lipídicas descamadas; misturado à comida ingerida, este material é regurgitado e alimenta _osfilhotes_ g - . ANATOMIA DAS AVES 543 Fig. 39,10 Visão ventral do pescoço dissecado. O detalhe mostra uma secção transversal no meio do pescoço. 1, Barbela; 2, laringe; 3, m. esternotireóídeo, cortado; 4, músculos cervi- cais; 4', nervo cervical; 5, traquéia; 6, veia jugular e nervo vago; 6', artérias carótidas intemas; 7, esôfago; 8, p§p0_', _9, timo; 10, m. peitoral; 11, vértebra; 12, medula espinhal. Fig. 39.11 Vísceras após a remoção da parede ventral do corpo; vista ven- tral. 1, Esôfago; 2, traquéia; 3, m. peitoral, cortado; 4, papo; 5, m. esternotra- queal; 6, osso coracóide, cortado; 7, veia cava cranial direita; 8, coração; 8', artéria carótida comum, 8", artéria subclávia; 9, 9', lobos direito e esquer- do do fígado; 10, moela (saco cego caudal); 11, alça duodenal, envolvendo o pâncreas; 12, abertura da cloaca; 13, um dos cecos. O estômago O estômago e' dividido por uma constrição em duas partes: glandular e muscular (proventrículo e moela), situadas uma atrás da outra, perto do plano mediano. O proventrículo está ventralmente ;5 A" ' “' ›
  8. 8. õ-. w TRATADO DE ANATOMIA VETERINÁRIA . em contato com o lobo esquerdo do fígado; a moela mais larga e mais caudal também toca o fígado, mas tem um contato mais extenso com o esterno e a parte mais inferior da parede lateral esquerda do abdome, ficando, portanto, exposta quando o esterno e os músculos abdominais são removidos durante necropsia (Fig. ' 39. 11/10). tendíneos e cintilantes. uma em cada superfície. Dois músculos mais delgados cobrem os sacos cegos. A membrana mucosa e' fina mas _muito resistente. embora consista apenas numa delgada camada 'de glândulas tubulares cobertas com epitélio cubóide. ,A secreção das glândulas se solidifica na superfície e forma uma dura cutícula coilínea, um complexo de carboidrato e proteína. A cutícula, áspera O roventrículo tem o formato' de um fuso de mais ou menos: e pregueada, é reabastecida pelas glândulas abaixo quando gasta 4 cm e comprimento. Sua mucosa esbranquiçada está revestida por um epitélio colunar produtor de muco, que está nitidamente separado do revestimento mais avermelhado do esôfago (Fig. 39.12). Ele apresenta numerosas elevações macroscópicas (papilas) , através «das quais passam os ductos coletores provenientes de uma grossa camada de glândulas. Estas produzem HCl e pepsina, sendo facil- mente vistas ao corte da superfície da parede chegando à profun- didade da delgada túnica muscular (/4). As papilas são tão salientes que podem ser confundidas com lesões s. ' A moela tem o formato de uma lente e está posicionada com as supefícies convexas mais ou menos para a direita e para a esquer- da. Seu interior é alongado e aumentado pelos sacos cegos cranial e caudal, dos quais o primeiro está ligado ao proventrículo (/7,6). O piloro e o início do duodeno estãoTta superficie direita, adjacentes ao saco cego cranial (Fig. 3914/4). A maior parte do órgão consiste em duas grossas massas de músculos que se inserem em centros m Fig. 39.12 Estômago, superfície ventral (A) e aberta ventralmente (B). 1, Esófago; 2, proventrículo; 3, papilas; 4, glândulas proventriculares profundas, visíveis nasuperfície de corte; 5, lúmen da moela; 6, saco cego caudal; 7, saco cego cranial; 8, orifício pilórico; 9, massa muscular cranio- ventral; 10, duodeno. / * › . . . J saco vitelino persiste dentro da cavidade do cc 'gos filhotes por alguns diass) Manchas de nódulos - na superfície. Em pássaros que comem sementes, as fortes contra- ões da moela trituram a comida com a ajuda de grãos ingeridos, atividade que pode ser comparada à função mastigatória dos dentes em mamíferos. Os grãos fornecidos são radiodensos e identificam a moela em radiografias. Os intestinos Os intestinos ocupam a parte caudal da cavidade do corpo. estando em extensoxcontato com a nt- ' e os órgãos da reprodução, Consistem em duodeno, jejuno. ilec - r* cólon curto que se encon- tra ventral ao sinsacro e se abre na . - a, Dois cecos surge ' junção ileocólica e acompanham o íleo e. .. posição retrógrada 39.1319). O duodeno passa caudalmente a da moela, formando uma curva fechad da junção duodenojejunal para a vizinha: parte da curva se encontra no assoalho dc tura caudal da moela (Fig. 39.11/11). O Pc, ambos e se esvazia dentro do final distal i biliares entram perto (Fig. 3913/4). O jejuno forma espirais frouxas ao longo d: ' e suas paredes são tão finas que o seu conteúcl esverdeada (Fig. 39.14/7). Uma pequena ex vitelino; /8) assinala a conexão anterior com c 5' da superfície d": ' ? ma de U, que re: : e', "a estômago. A ÍÍ. ; e e segue a c-, - , s se encontra : rm ; _JCl: '.'l'l0l os d. : estão presentes. Nos patos e gansos, o jejuno ap. - várias curvas em forma de U; nos pombos, elas forr * *r em forma de cone, com voltas externas centrípetas e fugas. _ O íleo continua a partir do jejuno, sem nenhuma : e v, , E varialvelmente descrito como iniciando-se no divertíccí; . . e ou oposto aos ápices dos cecos (Fig. 39.13/7). 12 ; rj 13 Fig. 39.13 Trato intestinal isolado com detalhe da junção ileocólica, 1, Piloro; 2, 2', lobos dorsal e ventral do pâncreas; 3, alça du: . 4, ductos biliar e pancreático que se abrem no duodeno; 5, jejuno: T tículo vitelino; 7, íleo; 7', íleo aberto; 8, prega ileocecal; 9, cecos: 9 abertos; 10, tonsila cecal; ll, cólon; 11', cólon aberto; 12, cloaca: 13. da cloaca.
  9. 9. Os pulrr E ° m - Fig. 39.14 Trato gastrintcstinal após o rebatimento do fígado, do estômago e do intestino delgado craniolateralmente ao lado direito da ave, vista ven- tral. 1. Papo; 2, lobo esquerdo do fígado; 3, proventrículo com o nervo vago na superfície dorsal; 4, saco cego cranial no lado direito da moela rebatida; 5, baço; 6, alça duodenal envolvendo o pâncreas; 7, jejuno; 8, divertículo vitelino; 9, íleo; 10, cecos; 11, cólon; 12, cloaca; 13, abertura da cloaca; 14, vasosçmesentéricos craniais e nervo intestinal do mesentério; 15, nervo e artéria isquiáticos; 16, mm. grácil e adutor. O intestino grosso abrange os cecos e o cólon (/9,11). Os cecos, relativamente longos em galinhas e perus, surgem na junção ileocó- lica e acompanham o íleo, ao qual estão ligados por dobras ileocecais. Eles passam cranialmente a princípio, depois dobram de volta, de modo que seus fundos cegos em geral se encontram perto da cloaca (Fig. 3911/13). O segmento proximal tem uma pesada capa muscular (esfíncter cecal) e contém grande quantidade de tecido linfóide (a chamada tonsila cecal; Fig. 39.123/10). A parte do meio, de paredes çdelgadas, é esverdeada por causa do seu conteúdo. Os fundos cegos têm paredes grossas e bulbosas. A decomposição bacteriana da celu- lose ocorre nos cecos. _Os passeriformes e os pombos têm cecos muito curtos, enquanto os psitacídeos não os têm. O cólon tem cerca de 10 cm de comprimento e termina em um leve alongamento na cloaca. A cloaca A cloaca, comum aos sistemas digestivo e_ urogenital', abre-se para o exterior através da abertura da cloaca (Fig. 39.1575). O cólon, os ureteres e os ductos deferentes (ou o oviduto esquerdo) entram na cloaca em diversos níveis. A cloaca é seqüencialmente dividida em coprodeu, urodeu e proctodeu, por duas pregas anulares mais ou menos completas. O coprodeu é a continuação ampuliforrne do cólonfno qual as fezes são acumuladas (/2). E limitado caudalmente pela prega coprourodeal (/2'), que pode distender-se ante a pressão exercida pelas fezes, de modo que a abertura central seja evertida através do ânus. O urodeu e o proctodeu (/3,4) são descritos com o sistema urogenital (adiante). 0 fígado e o pâncreas O fígado das aves e' marrom-escuro, exceto nas duas primeiras semanas após a incubação, quando adquire uma cor amarelada origi- (m SÍSTEMA RESPIRATÓRIO nária dos pigmentos de gema que continuam a ser absorvidos, no intestino antes que o saco vitelino finalmente regrida. O fígado consiste em lobos direito e esquerdo, ligados cranialmente por um canal dorsal ao coração (Fig. 39.11). O lobo direito é mais largo, ANATOMIA DAS AVES 545 Fig. 39.15 Secção mediana da cloaca; semi-esquemática. 1, Cólon; 2, coprodeu; 2', prega do coprourodeu; 3, urodeu; 3', prega do uroproctodeu; 4, proctodeu; 5, abertura da cloaca; 6, orifício uretéli *o* 7, papila do ducto deferente; 8, posição do orifício do oviduto (apenas do lado esquerdo); 9, bolsa cloacal; 9', glândula dorsal do proctodeu; 10, cútis; 11, pena da cauda; 12, glândula uropígea; 12', papila da glândula uropígea; 13, músculos que circundam as vértebras caudais. apresenta vesícula biliar em sua superfície visceral e é atravessado pela veia cava caudal; o lobo esquerdo é dividido (Fig. 39.16/3'). A superfície parietal é convexa e se estende contra as costelas ester- nais e o estemo, ficando assim exposta quando os músculos peitorais e o esterno são removidos durante necropsia. A superfície visceral é côncava e está em contato com o baço, o proventrículo, a moela, o duodeno, o jejuno e o ovário ou testículo direito. Os dois ductos biliares, partindo um de cada lobo, penetram na porção final do duodeno, juntamente com os'ductos pancreáticos; apenas o ductov r r que parte do lobo direito está ligado à vesícula biliar. Exceto próximo ao hilo, os lobos hepáticas são indistintos, devido à ausência de tecido conjuntivo perilobular. Em pombos e periquitos, observa-se a ausência de vesícula biliar. O pâncreas alongado se encontra entre as partes da curva duode~ nal (Fig. 39.13/2,2'). Ele consiste em lobos dorsal e ventral, que estão ligados distalmente. Dois ou três ductos transportam o suco . pancreático para a extremidade distal do duodeno. O 'baço O baço (Ver também adiante) émencionado aqui devido ao seu relacionamento com o estômago e o fígado. O baço é uma esfera marrom-avermelhada, com mais ou menos 2 cm de diâmetro, e está situado no plano mediano, medial ao proventrículo; está em contato com o fígado cranioventralmente (Fig. 39.16/5). O baço fica mais exposto durante a necropsia quando se rebatem o lobo direito do fígado, a moela, o duodeno e o jejuno craniodestralmente (Fig. 39.14/5). O baço é triangular em patos e gansos, oval em pombos e alongado nos periquitos. O interior dos galpões da modema indústria avícola é particu- larmente propício para infecções respiratórias, que podem trazer , __ _ ' _: :.. ».» , xTv
  10. 10. DE ANATOMIA VETERINÁRIA v l l ts mais VENTRAL O ducto nasolacrimal relativamente amplo desemboca na ca ma: do nariz, ventral à concha medial. A glândula nasal alongado se estende anteriormente da parte dorsal da órbita na parede lateral da cavidade do nariz. Seu ducto desemboca dentro da cavidade, ao nível da concha rostral. A glândula é amplamente conhecida como a glândula de sal; entretanto, ela secreta sódio só em espécies marítimas, com poucas exceções em outras espécies. A laringe, a traquéia e a siringe 'A/ larjnge_ ocupa uma elevação sobre o 'assoalho da parte oral da__far_i_nge (Fig. 39.9/8). E sustentada pela cartilagem cricóide e um par de 'aritenóides que diferem acentuadamente daquelas dos mamíferos, mas ocupam posição similar. As aritenóides articulam-se com a parte rostrodorsal da cricóide anular. A glote; formada pelas aigtjdes, fecha a entrada da laringe por ação reflexa muscular, prevenindo que partículas de alimentos e outros materiais estranhos atinjam as vias aéreas inferiores. Embora a glote seja estreita, é possível intubar a traquéia de aves de cativeiro de maior tamanho. Não há cordas vocais e a produção de sons ocorre na siringe, ,uma formação especial na bifurcação da traquéia. A traquéia, composta de uma grande quantidade de anéis carti- lagíneos completos e compactos, acompanha o esôfago através do pescoço; ela pode ser apalpada do lado direito (Fig. 3910/5). Em espécies de pesçoco longo, por exemplo, o cisne silvestre, e' muito mais longa que o pescoço e, na entrada do tórax, forma uma alça que se acomoda em uma escavação do esterno. A traquéia se bifurca emvdois brônquios primários dorsais à base do coração, os quais entram na superfície ventral dos pulmões após um curto trajeto. A sirínge é formada pela parte terminal da traquéia e pelo início dos brôquios primários (Fig. 39.17). Ascartilagens traqueâis da siringe são rígidas, enquanto as cartilagens_brônquicas são muito flexíveis, embora uma curta barra vertical (pessulog /3) separe a abertura dos brônquios. 'As paredes lateral e medial dos brônquios são membranosas 'e produzem sons quando sujeitas a vibrações (/2,2'). O pato e o cisne silvestres machos têm uma bolha óssea (caixa de ressonância) do lado esquerdo da síringe. Um grupo com- plexo de músculos siríngeos está presente em aves canoras. Fig. 39.16 Secção transversal do tronco na extremidade cranial do ílio. l, Crista do estemo; 2, m. peitoral; 2', m. supracoracóideo; 3, 3', lobos direito e esquerdo do fígado; 4, vesícula biliar; 5, baço; 6, constrição entre o proventrículo e a moela; 7, ovário; 7', folículos ováricos; 8, veia mesentérica cranial no tecido adiposo mesentéríco; 9, intestino delgado. 10, 10', rins direito e esquerdo; 11, ílio; 12, medula espinhal. muitos prejuízos. O aparelho respiratório, que difere considera- velmente do dos mamíferos, tem uma importância considerável para o médico veterinário. A cavidade do nariz As narinas (Fig. 391/1) na base do bico são protegidas por uma membrana córnea (opérculo). O conduto dentro da cavidade nasal, que é dividido, como nos mamíferos, por um septo medial, está em completa comunicação com a parte oral da faringe através da cóana (Fig. 399/3). i As cavidades do nariz estão lateralmente comprimidas e se i estendem para as grandes órbitas. As conchas rostral, média e caudal « surgem da parede lateral e invadem o espaço interno (Fig. 39.250,2', l 2"). As conchas rostral e média envolvem o recesso que se comunica com a cavidade do nariz; a caudal envolve um divertículo do seio infra-arbitrária. O seio fica lateral à cavidade do nariz, dentro da _ qual ele se abre por um ducto estreito colocado de tal forma que _ a drenagem natural éimpedida. A parede do seio e' delgada e direta- mente subcutânea rostral e ventral ao olho, onde pode ser identi- l ñcada por ceder à palpação; ela pode ser aberta e 0 exsudato que 1, Traquéia; 1', tímpano; 2, 2', membranas lateral e medial do tímpano; se acumula dentro dos seios em muitas doenças pode ser eliminado. 3, pessulo; 4, bróriquío primário. Fig. 39.17 Representação semi-esquemática da siringe aberta.
  11. 11. Os pulmões Os pulmões são relativamente pequenos, não-lobados, de colo- ração vermelho-vivaLlisos e macios ao toque. Eles ocupam a parte craniodorsal da cavidade corporal, assentados contra e profunda- mente marcados pelas vértebras torácicas e costelas. Eles não co- brem toda a superfície lateral do coração, tal como fazem nos mamí- feros. A superfície dorsal convexa acompanha a curvatura das coste- las; a superfície côncava ventral (septal) se encosta contra o septo horizontal (ver adiante) e faz contato com o esôfago, o coração. . e_o fígado (Fig. 39.18). Os pulmões estão fragilmente presos à parede ' do corpo e ao septo horizontal que os acompanha desde baixo. Nãohá cavidade pleural correspondente àquela dos mamíferos e a capacidade de expansão é mínima. " O brônquio primária (Fig. 39.19/1) entra na superfície ventral, passa diagonalmente através do pulmão, estreitando-se conforme avanç' , e, na borda caudal, torna-se contínuo com'os sacos aéreos abdominais (/13; ver adiante). Nas galinhas origina 40 a 50 brônquios secundários classificados como médio-ventral, médio-dorsal, látero- ventral , e látero-dorsal, de acordo com as áreas do pulmão a que servem (Fig. 39.l8/a-d). Há comumente quatro brônquios médio-ventrais (Fig. 3919/3). Eles surgem assim que o brônquio primário entra no pulmão. O primeiro envia um ramo para a superfície, para conexão direta com o saco aéreo cervical (/9); o terceiro, de maneira similar, conecta-se com os sacos aéreos torácico cranial e clavicular (/ _10,11). Uns oito VENTRAL Pig. 39.18 Secção transversal do tronco ao nível do coração e dos pulmões. l, M. peitoral; 2, m. supracoracóide; 3. fígado; 4, esterno; 5, ventrículo esquerdo; 6, átrio direito; 7, esôfago; 8, aorta descendente; 9, brônquio primário no pulmão direito; 10, vértebra torácica (notarium). a, b, c, d, Pulmão esquerdo mostrando áreas supridas pelos brônquios secundários médio-ventral, medio-dorsal, lãtero-ventral e lãtero-dorsal. ANATOMIA DAS AVES 547 brônquios médio-dorsais (l4) surgem então da parede dorsal do brônquio primário; eles não têm conexão com sacos aéreos. Cerca de oito brônquios látero-ventraís (i5) surgem em oposição ao grupo precedente. Um, maior do que os outros, envia um ramo à superfície ' para conexão direta com o saco aéreo torácico caudal C12'. Final- mente, cerca de 25 brônquios [útero-dorsais surgem opostos aos grupos médio-dorsal e látero-ventral. Eles são menores do que aque- les dos três grupos precedentes e não têm conexão direta com sacos aéreos. Os brônquios secundários dão origem a 400 a 500 parabrôn- quios, em cujas paredes relativamente delgadas ocorrem trocas gaso- sas. Os parabrônquios que surgem dos brônquios médio-ventrais e médio-dorsais conectam-se entre si na região término-terminal, formando alças de vários comprimentos (/6). Tais alças, que são «paralelas mas intimamente próximas, constituem mais ou menos 75% do tecido pulmonar, formando uma divisão funcional conhecida como paleopulmão. Os parabrônquios dos pequenos brônquios láte- ro-ventrais e látero-dorsais formam uma divisão funcional menos regular e mais caudal, conhecida como neo ulmâo. Os diâmetros intemo e externo dos a arabron uio medem cerca de l e 2 mm, respectivamente. Os parabrônquios faze 'aístóTnrcnse com parabrônquios vizinhos, dos quais estão separados fenestrados (lf). Numerosas extensões (átrios) do lúmen dos para- brônquios dão origem aos _capilares aéreos. Estes formam uma densa cadeia de alças interconectadas (le), que se espalham para dentro dos septos interparabrônquicos. Onde os septos são deficientes, são encontradas anastomoses com capilares aéreos de parabrônquios adjacentes (lg). Os capilares aéreos estão intimamente interligados com capilares sangüíneos, constituindo as duas redes de maior por- ção da parede brônquica. Os capilares aéãeos, com cerca de 5 p. de diâmetro, são revestidos por uma única camada de células epite- liais que repousam sobre uma membrana basal. . O endotélio capilar esta' colocado no outro lado da membrana basal. As trocas de gases têm lugar através dessa barreira. Os capilares aéreos são assim homó- logos aos alvéolos dos mamíferos. Uma diferença essencial é a de. que os capilares aéreos não são terminações da árvore jespiratõria, mas canais contínuos que podem receber ar oxigenado der-qualquer direção. Os sacos aéreos são extensões do fundo cego e parede delgada do sistema brônquico, que se estendem além dos pulmões, em íntimo relacionamento com as vísceras torácicas e abdominais. Divertículos com origem nesses sacos entram em vários ossos e 'ainda se estendem entre os músculos esqueléticos. As galinhas têm oito sacos aéreos: um cervical, um clavicular e pares torácicoscranial, caudal e sacos abdominais. O saco cervical (Fig. 3919/9) consiste em uma pequena câmara central ventral aos pulmões, do qual um longo divertículo se estende para dentro e ao longo das vértebras cervicais e torácicas. O saco clavicular, que é muito maior, se aloja na entrada do tórax. Sua parte torácica (/10') preenche o espaço cranial e ao redor do__coração e se estende para dentro do estemo. Seus divertículos extratorácicos (/10) passam entre os músculos e os ossos do cíngulo do membro torácico para arear o úmero. Fraturas expostas do úmero podem, assim, introduzir infecção nos sacos aéreos e pulmões. O par de sacos aéreos torácicos craniais (lll) localiza-se ventralmente aos pulmões, entre as vérte- bras esternais, o coração e o fígado. O par de sacos aéreos torácicos caudais (l 12) está situado mais caudalmente entre a parede do corpo e os sacos abdominais. O par de sacos abdominais (/13) é o maior. Eles ocupam a parte caudodorsal da cavidade do abdome, onde estão em amplo contato com os intestinos, moela, órgãos genitais e rins. Seus divertículos entram nos recessos do sinsacro e do aceta- bulo. ' Os sacos aéreos funcionam primariamente na respiração, embo- ra suas paredes pobremente vascularizadas impeçam uma partici- pação nas trocas gasosas. Eles também tornam o corpo mais leve e, sendo amplamente dorsais nas suas posições, abaixam o centro de gravidade, possivelmente' para melhorar a estabilidade no vôo. Os que se localizam nas cavidades corpóreas permitem delinear com precisão órgãos em radiografias. V Os sacos cervical, clavicular e torácicos craniais formam um
  12. 12. 546 TRATADO DE ANATOMIA VETERINÁRIA Fig. 39.16 Secção transversal do tronco na extremidade cranial do ílio. 1, Crista do esterno; 2, m. peitoral; 2', m. supracoracóideo; 3, 3', lobos direito e esquerdo do fígado; 4, vesícula biliar; 5, baço; 6, constrição entre o proventrículo e a moela; 7, ovário; 7', folículos ováricos; 8, veia mesentérica cranial no tecido adiposo mesentérico; 9, intestino delgado. 10, 10', rins direito e esquerdo; 11, ílio; 12, medula espinhal. muitos prejuízos. O aparelho respiratório, que difere considera- velmente do dos mamíferos, tem uma importância considerável para o médico veterinário. A cavidade do nariz As narinas (Fig. 39.1/1) na base do bico são protegidas por uma membrana córnea (opérculo). O conduto dentro da cavidade nasal, que é dividido, como nos mamíferos, por um septo medial, está em completa comunicação com a parte oral da faringe através da cóana (Fig. 39.9/3). As cavidades do nariz estão lateralmente comprimidas e se estendem para as grandes órbitas. As conchas rostral, média e caudal surgem da parede lateral e invadem o espaço interno (Fig. 39.25/2,2', 2"). As conchas rostral e média envolvem o recesso que se comunica com a cavidade do nariz; a caudal envolve um divertículo do seio infra-orbitária. O seio fica lateral à cavidade do nariz, dentro da qual ele se abre por um ducto estreito colocado de tal forma que a drenagem natural é impedida. A parede do seio é delgada e direta- mente subcutânea rostral e ventral ao olho, onde pode ser identi- ñcada por ceder à palpação; ela pode ser aberta e o exsudato que se acumula dentro dos seios em muitas doenças pode ser eliminado. s mais O ducto nasolacrimal relativamente amplo desemboca na c. ma: do nariz, ventral ã concha medial. A glândula nasal alongadçr se estende anteriormente da parte dorsal da órbita na parede lateral da cavidade do nariz. Seu ducto desemboca dentro da cavidade, ao nível da concha rostral. A glândula é amplamente conhecida como a glândula de sal; entretanto, ela secreta sódio só em espécies marítimas, com poucas exceções em outras espécies. A laringe, a traquéia e a siringe 'A laringe. ocupa uma elevação sobre o assoalho da parte oral damfaringe (Fig. 39.9/8). E sustentada pela cartilagem cricóide e um par delaritenóides que diferem acentuadamente daquelas dos mamíferos, mas ocupam posição similar. As aritenóides articulam-se com a parte rostrodorsal da cricóide anular. A glom, formada pelas arijrióides, fecha a entrada da laringe por ação reflexa muscular, prevenindo que partículas de alimentos e outros materiais estranhos atinjam as vias aéreas inferiores. Embora a glote seja estreita, é possível intubar a traquéia de aves de cativeiro de maior tamanho. Nao há cordas vocais e a produção de sons ocorre na siringe, .uma formação especial na bifurcação da traquéia. A traquéia, composta de uma grande quantidade de anéis carti- lagíneos completos e compactos, acompanha o esôfago através do pescoço; ela pode ser apalpada do lado direito (Fig. 39.10/5). Em espécies de pesçoco longo, por exemplo, o cisne silvestre, é muito mais longa que o pescoço e, na entrada do tórax, forma uma alça que se acomoda em uma escavação do esterno. A traquéia se bifurca em-dois brônquios primários dorsais à base do coração, os quais entram na superfície ventral dos pulmões após um curto trajeto. A siringe é formada pela parte terminal da traquéia e pelo início dos brôquios primários (Fig. 39.17). As cartilagens traqueais da siringe são rígidas, enquanto as cartilagens brônquicas são muito flexíveis, embora uma curta barra vertical (pessulo; /3) separe a abertura dos brônquios. 'As paredes lateral e medial dos brônquios são membranosas “e produzem sons quando sujeitas a vibrações (/2,2'). O pato e o cisne silvestres machos têm uma bolha óssea (caixa de ressonância) do lado esquerdo da siringe. Um grupo com- plexo de músculos siríngeos está presente em aves canoras. Fig. 39.17 Representação semi-esquemática da siringe aberta. 1, Traquéia; l', tímpano; 2, 2', membranas lateral e medial do tímpano; 3, pessulo; 4, brônquio primário.
  13. 13. i . ..u- w nas. .. 14 Fig. 39.19 Esquema do pulmão direito (vista médio-ventral) e dos sacos aéreos a ele relacionados. As estruturas intrapulmonares estão simplificadas. Em detalhe, aparece uma secção transversal de um parabrônquio. , 1, Brônquio primário; 2, vasos pulmonares no hilo; 3, brônquio médio-ventral; 4, brônquio médio-dorsal; 5, brônquio látero-ventral; 6,. 'alças dos parabrônquios; 7, pulmão; S, impressões causadas pelas costelas; 9, saco aéreo cervical; lO, 10', partes extra e intratorácicas do saco, aéreo clavicular: . ll, saco aéreo torácico cranial; 12, saco aéreo torácico caudal; 13, saco aéreo abdominal; 14, sacos aéreos craniais conhecidos funcionalmente como parabrônquios paleopulmonares; 15, sacos aéreos caudais, conhecidos funcionalmente como parabrônquios neopulmonares; 16, conexão direta (sacobrôn- quica); 17, conexão indireta do saco aéreo com o pulmão (brónquica recorrente). a, Lúmen; b, átrios; c, infundibulos; d, rede de capilares aéreos e sangüíneos; e, átrio firmemente delineado e capilares aéreos esquemãticos para mostrar a sua continuidade; f, septo interparabrônquicog g, tecido para troca gasosa se anastomosando através de uma abertura no septo interparabrônquico; h. vasos sangüíneos. grupo funcional (cranial); os sacos torácicos caudais e os abdominais formam um segundo grupo (caudal). Os sacos aéreos craniais estão relacionados ao paleopulmão e os caudais ao neopulmão, que são divisões funcionais dos pulmões, anteriormente citadas. A respiração nas aves é complexa e os dados oferecidos aqui estão muito simplifi- cados. Os movimentos inspiratórios (nos quais as costelas são dire- cionadas para a frente e o esterno é abaixado) aspiram o ar através dos pulmões para dentro dos sacos aéreos; os sacos caudais (/15) recebem ar relativamente fresco e os sacos craniais (/14) recebem ar que perde anteriormente muito oxigênio por passar através dos parabrônquios paleopulmonares. Durante a expiração, os sacos aé- reos são comprimidos; a maior parte do ar dos sacos caudais passa agora através dos parabrônquios neopulmonares, enquanto a maior parte daquele dos sacos craniais sai através da traquéia. Os sacos aéreos agem, assim, como Ventoinhas, movendo o ar através dos pulmões completamente passivos. *O fluxo de ar neles é ondulado (tal como os pulmões dos mamíferos). O fluxo de ar nos pulmões, entretanto, é circular, isto e', o ar passa através das alças dos para- brônquios paleopulmonares sempre na mesma direção. Como isto acontece ainda não está completamente explicado. t5 O APARELHO UROGENITAL Os rins e ureteres Os rins sãgçaítanhos e , algongad_os, (Fig. 39.20/A-C). Eles preen chem os recessos das superfícies ventrais dos ossos coxais e se local' zam contra o sinsacro, atingindo quase todo o seu limite caudal' cranialmente, estão em contato com oswpulmões. Os sacos aére abdominais que se localizam nas suas superfícies ventrais estende divertículos que atingem as superfícies dorsais. Vários vasos e nerv passam através dos rins, fazendo com que seja impossível removê-l_ sem lesá-los. 7 Cada rim é arbitrariamente dividido em partes cranial, médi e caudal pelas artérias ilíaca externa e isquiática (/12,18), ram da aorta abdominal. Em outras espécies, mas não em galinha as divisões caudais direita e esquerda são fundidas. , O ureter (/20) origina-se na divisão cranial pela confluência vários ramos primários e passa sobre a superfície médio-ventr dos rins, recebendo ramos adicionais das divisões média e caud na sua passagem; não há pelve renal. O ureter continua então caud
  14. 14. O rim e suprido pelas artérias renais cranial, média e caudal f» c, __ " ~. .'. '._êwnp--›y_s, _ançõnnuz . xNÍ-TOHIA DAS AVES caudal. Sobreposto a isto. esta' o sistema ; ana re de veias portas renais cranial e caudal f 6.16 . A: x bem sangue das partes caudais do corpo e : as mesmo leito capilar intralobular querecebe sang rias renais. Assim, o san leito capilar do membro conhecido têm maior valor comercial. A serosa cobre uma delgada túnica albugínea, da qual é deri- vado um estroma pouco desenvolvido. Uma pigmentação escura passam na parede dorso-medial O epidídimo nãoé divididogrrLgabeç , através do qual os espermatozóides atingem um galo novo geralmente não passa de 1 ml. O líquido seminal é/ prodngd l0s, pelas células epiteliais que revestem os acelulares. ” r 2 A cloaca e o falo A divisão mais cranial da cloaca, que já foi descrita anterior- mente, e' o coprgdeu. O arm/ tea (Fig. 3915/3), caudal à prega coprou- rodeal, é pouco diferenciado do proctodeu, a não ser por uma discre- ta prega uroproctodeal ventralmente incompleta (/3'). O orifício uretérico _está na parede dorsolateral, acima da papila do ducto deferente. _Na fêmea, a abertura em forma de fenda do oviduto (/8) ocupa uma posição similar do lado esquerdo (ver mais adiante). Acredita-se que um pequeno conjunto de 'tecido vascular or o vascular paracloacal; Fig. 39.21/15') na parede lateral do urodeu irrigue com linfa a tumescência do falo. 549 composto penas rece- . ¡ pur "w n( " 'F "rw-m nr' V"" ' ' V '
  15. 15. 550 Fig. 39.21 A. Vista ventral dos órgãos genitais masculinos: o assoalho da cloaca foi removido e mostrado em B. C, Vista caudal do falo tumescente. 1, Veia cava caudal: l'. aorta; 2. pulmão: 3. testículos; 3'. glândula adrenal direita; 4, rim. 5, a. isquiática; 6_ cólon; 7. ducto deferente; 8, ureter; 9, cloaca; 10, coprodeu; ll, urodeu; ll', papila do ducto deferente e direito; 12, proctodeu( 13, tubérculo fãlico mediano; 14, corpo fãlico lateral; 15, pregas linfáticas; 15', corpo vasculaTpmñaclõãõal; 15". a. pudenda. (C O proctodeu, o mais curto e mais caudal segmento da cloaca, termina no orifício externo. Uma pequena abertura na sua parede dorsal leva à bolsa cloacal (Fig. 3915/9), um acúmulo do tecido linfática com funtgs imurrtgãgicasjimilares aque a do fimo (Ver Cap. 7). Uma e uena glândula (proctodeal dorsa a-se caudal à bolsa (/9'). _ O orifício externo e' uma fenda _horizontal é de interesse porque suporta o falaíiai-protrusivõjna sua superfície interna. O falo consiste num tubérculo me-çiiãriõpequeno, cercado por um par de corpos fálicos laterais e maiores/ (Fig. 39.21/13,14), que se exteriorizam quando em estado tumescente e, juntos, formam uma goteira que recebe o ejaculado dos ductos deferentes (/ C). Durante a inseminação, há uma exteriorizaçãodo falo. , que é pressio- nado contra a mucosa cloacal da fêmea (“beijo” cloacal). O falo do peru tem um aspecto similar. O ganso e o pato têm um falo protrusível, com vários centímetros de comprimento e com capaci- dade de introdução. Ele tem a forma de um cone delgado e exibe uma goteira emiespiral que conduz o sêmen para a ponta. Pintos de um dia de ambos os sexos apresentam uma pequena protuberância genital no lugar em que futuramente estará o falo. Uma discreta e visível diferença na forma (a qual é arredondada em machos e cônica nas fêmeas) permite que todos os pintos machos sejam descartados ao selecionar poedeiras. ' Os órgãos genitais da fêmea lêstesgconsgtem, em, o., _'_á: i9,e. ovidutosEm aves, geralmente, apenas os órgãos esquerdos são funcionais; o conjunto direito é formado, mas regride mais tarde. O oviduto das aves, em contraste com seu correspondente nos mamíferos (tuba uterina), representa todo o trato genital e estende-se do plano até a_ cloaca. 0 ovário Nos primeiros cinco meses após a eclosão, o ovário se desen- volve gradualmente de uma pequena estrutura irregular com super- de King e McLelland, 1984.) fície granular fina para outra na qual folículos individuais podem ser observados. Estes aumentam rapidamente em número e tama- nho, até que alguns estejam com vários centímetros de diâmetro (Fig. 39.16/7'). O ovário maduro lembra um cacho de uvas e está amplamente ligado à divisão cranial do rim esquerdo. Ele contém muitos milhares de folículos ~ um número muito maior de ovos (cerca de 1.500) do que a galinha mais produtiva poria. Os folículos maiores são pendulosos e fazem contato com o estômago, o baço e os intestinos. Cada um deles consiste em um grande oócito cheio gggoma, envolvido por uma parede folicular altamente vascula- rizada. Pouco antes da ovulaçãogapgrção branca desvascularizada (estigma) aparece_9p_osta_a_o_ponto dísustentação, indicandoñquve ãpãrêdêiompera na ovulaçãotFig. 3912/2). O folículo vaziotcálice) ' regride após a ovulação e desaparece em poucos dias. Colnão há embrião para manter, não há necessidade de corpo lúteo, como í_ __ __ NÀ** , acontece 'nos mamí eros; uma vez que o ovo tenha 'sido expélido, os óããos genitais cumpriram a sua missão. ” ' '“"^"“ '*'“"*”*" 0 oviduto O oviduto é de significado funcional muito maior do que o seu nome indica. Ele não só conduz o ovo fertilizado para a cloaca, :nas também adiciona substancial quantidade de nutrientes e, por. envõlVei o ovo com membranas e uma casca, da' proteção ao em- brião. Ele conduz os espermatozóides até o óvulo para fertilização imediata e armazena-os para uso futuro - uma inseminação é sufi- ciente para fertilizar os óvulos liberados durante os próximos 10 dias ou mais. O oviduto (Fig. 3922/3-7) pode ser dividido em _ÍUÍUBÉMÂQ magno, istmo, útero e vagina, de acordo com a função de suas partes; o útero e a vagina não são logicamente análogos aos órgãos de mesmo nome dos mamíferos. O oviduto ocupait parte dorsal esquerdadacavidadeido corpo, onde está relmznadonao rim, _aos _ intestinos e_à moela. Ele é uma grande espiral de 60 cm de compri-' I mento (ou seja, duas vezes o comprimento do corpo) quando total- '
  16. 16. 10 Fig. 39.22 Vista ventral semi-esquematica dos órgãos genitais de uma gali- nha em fase de postura. l, Ovario; 2, estigma no folículo maduro; 3, infundrlJulo; 3', ligamento do infundíhulo na parede do corpo; 4, magno; 5, istmo; 6, útero contendo ov/ o; 7, vagina; 8, cólon; 9, cloaca; 10, abertura da cloaca; ll, resquício do oviduto direito; l2, borda livre do ligamento ventral do oviduto; 13, contorno do rim direito; 14, ureter direito. mente funcional. Ele se apresenta muito reduzido nas jov_e__rrs__e_du- rante a muda (período em que não há postura). Ele está suspenso “no teto da cavidade do corpo por uma prega peritoneal (mesoviduto) e algumas espirais estão conectadas por uma continuação ventral que forma o proeminente ligamento muscular ventral (/ l2). A paredel do oviduto consiste nas usuais camadas - serosa, túnica musculaNl (consistindo em uma espiral externa e uma camada circular interna), uma delgada submucosa e uma túnica mucosa contendo muitas glân- dulas. Sua extremidade cranial é formada pelo infundíbulo, com 7 cm de comprimento (/3) e que consiste em uma parte acanalada > e uma parte tubular. A parte acanalada é de parede delgada e está esticada para formar uma fenda (óstio infundibular) de vários centímetros de comprimento; sua extremidade lateral está fixada à parede do corpo, junto à última costela. O óstio está posicionado junto ao saco aéreo abdominal esquerdo, de tal forma que ele pode aprisionar o oócito recentemente liberado. O oócito passa através do infundíbulo ao redor de 15 minutos, mas, durante este tempo, glândulas infundibulares fornecem a ele camadas calazíferas, a delga- da cobertura de albúmen denso em volta da gema. A calaza repre- ; senta fitas espirais que sustentam a gema e permitem-lhe girar de tal forma que o disco germinativo permaneça para cima, ainda que parte desta camadãse desenvolva mais adiante ao longo do ducto deferente (Fig. 39.23/3'). O magno, muito espiralado (Fig. 3922/4), mede cerca de 30 cm e e o mais longo segmento do ducto. Suas paredes possuem muitas pregas espessas na mucosa, com glândulas que adicionam cerca da metade do albúmen total do ovo. Em sua extremidade distal, as pregas mucosas são mais baixas e a secreção mais mucosa. Fig. 39.23 Secção semi-esquemática de um ovo fertilizado. V 1, Gema; 1', membrana da gema; 2, látebra; 2', disco germinativo; 3, camada calazífera (calaza); 4, 4', albúmen líquido e denso: 5. membranas interna e externa da casca: 5', câmara de ar; 6, casca; 7, cutícula. O ovo leva cerca de três horas parapassar através desta parte. O istmo (/5), com cerca de 8 cm de comprimento, está demar- cado 'do magno por uma estreita zona aglandular (translúcida). Ele é mais delgado e tem pregas mucosas mais baixas que o magno. 'Suas glândulas secretam mais albúmen e também um material que se gelifica rapidamente para formar as duas membranas homogêneas encontradas entre o albúmen e a casca. O ovo leva mais de uma hora para atravessar o istmo. ' O útero (glândula da casca; /6) é uma câmara ligeiramente dilatada, com cerca de' 8 cm de comprimento e dc parede delgada. Sua mucosa sustenta muitas pregas baixas e cristas que se acharam contra o ovo, o qual permanece ali por cerca de 20 horas. Um pouco de albúmen aquoso é adicionado para dar forma ao ovo através das membranas permeáveis. Isto é seguido da deposição de casca e pigmentos e uma camada externa de aspecto vitríficado (cutícula). Finalmente, a vagina (/7) é um tubo muscular, em forma de S, pelo qual o ovo já completo passa em segundos quando é expelido. Sua junção com o útero e' marcada por um esfíncter. Na região do esfíncter, criptas glandulares têm sido encontradas com a finali- dade de armazenar esperma. A vagina termina com uma abertura em forma-de fenda na parede lateral do urodeu. Quando o ovo e' posto (a porção mais larga primeiro), a região vaginal se protrai através do orifício externo, minimizando o contato com as fezes. Um resquício do oviduto direito se encontra sobre o lado direito da cloaca; ele pode ser cístico e dilatado. « A CAVIDADE DO CORPO Agora que os órgãos e os sacos aéreos estão descritos, uma breve descrição de como a cavidade do corpo está subdividida pode ser útil. Nas aves, não diafragma semanando órgãos _to _ icos dos órgãos abdominais. Entretanto, a cavidade ao corpo é dividida em três partes por septos horizontal e oblíquoma porção cranial da cavidade. Esses septos são delgados e translúcidos, embora conte- nham algum tecido fibroso e, no que diz respeito ao septo horizontal, alguma musculatura em direção à periferia. O septo oblíquo e comu- mente destruído durante a dissecção, quando as vísceras são manipu- ladas. O septo horizontal esta preso lateralmente às costelas e medial- mente 'aos corpos das vértebras torácicas; caudalmente, ele faz con- tato com o septo oblíquo. Ele forma a superficie ventral das cavida- des pares, que estão limitadas lateralmente e dorsalmente pelas costelas e vértebras torácicasxEstes espaços abrigam os pulmões, r UCI rVYImu-pmàanllüu-mmmui a. ,.. -.. n--› me_ ~ ---vür m“"“
  17. 17. :a2 TRATADO DE ANATOMIA VETERINÁRIA O septo oblíquo maior se fixa ventralmente ao esterno, lateral- mente às sexta e sétima costelas e dorsalmente ao septo horizontal e às vértebras torácicas. Ele forma a superfície ventrocaudal das cavidades pares, que são limitadas dorsalmente pelo septo horizontal e lateralmente pela parede do tórax e do abdome. Esta parte contém os sacos aéreos torácicos e as partes' torácicas dos sacos aéreos cervical e clavicular. A maior das três partes é caudal ao septo oblíquo. Ela é limitada dorsalmente pela pelve, dorsocranialníente pelo septo oblíquo e ventralmente pela porção caudal do esterno e dos músculos abdomi- nais. Ela contém o coração, o fígado, o baço, os tratos gastrintestinal e urogenital e os sacos aéreos abdominais. Ela ainda e' dividida pelos mesentéríos e pregas peritoneais, resultando em um conjunto complexo de compartimentos, cuja descrição está além dos objetivos deste livro. AS GLÂNDULAS ENDÓCRINAS ESPECÍFICAS O par de glândulas tireáides (Fig. 39.24/5) da galinha é castanho- avermelhado, oval e cada glândula tem cerca de 10 mm de compri- mento e 5 mm de largura. No periquito australiano, no qual a doença da tireóide é um dos principais problemas, elas são pálidas e têm apenas 2 a 3 mm de comprimento e 1 a 2 mm de largura. As glândulas tireóídes estãoiocalizadas-na-entradado, tó_rax, _c_auda_is ao iñglüviEfÉ intimamente relacionadas à artéria carótida comum: à veia jugular e ao nervo vago (os quais acompanham a veia) - na verdade, se localizam cranialmente ao ponto onde esses vasos se juntam aos vasos subclávios (/16). A sua coloração as distingue dos tecidos adjacentes, certamente similar à coloração bege dos lobos tímicos. As glândulas paratíreóides (l7), duas ou três de cada lado, são estruturas pequenas (1 a 3 mm), castanho-amareladas, imediata- mente caudais às glândulas tireóides; uma pode estar ligada a tal glândula. ' O menor par de glândulas ultimabranquiais rosas (/8) localiza-se em seguida às paratireóides. As glândulas adrenais (Fig. 39.21/3') são castanho-amareladas, _ ovais ou triangulares e tem cerca de 13 m de comprimento e 8 mm de largura. Cada uma se localiza rio pólo cranial do rim correspondente, relacionando-se ventralmente ao ovário (ou epidí- dimo). A hipófise (Fig. 39.25/7) localiza-se abaixo do diencéfalo e ocupa a fossa hipofisária na base do crânio. Ela é semelhante à dos mamí- feros na sua formação e nas suas divisões em adeno e neuro-hipófise. Fig. 39.24 Vista direita da junção do pescoço com o tronco; semi-esque- mãtica. A parte cranial está à esquerda. 1, Traquéia; 2, esôfago; 2', papo; 3, veia jugular direita; 4, timo; 5. glândula tireóide; 6, a. carótida comum direita; 7, glândulas paratireóides; 8, glândula ultimobranquial; 9, a. braquiocefálica direita; 10, clavícula; ll. esterno; 12, posição do coração; 13, costelas esternais; 14, aorta descendente: 15, veia cava cranial direita; 16, a. e v. subclávias; 17, asa: 18. úmero. o SISTEMA CIRCULATÓRIO O coração O coração das aves tem quatro câmaras e é similar ao dos mamíferos, exceto por algumas características menores. Ele é; entre- tanto, relativamente muito maior e a sua freqüência de contração e seu rendimento também são superiores. Sua forma é cônica, com o ápice formado unicamente pelo ventrículo esquerdo. O coração se localiza dentro do tórax e entre os lobos do fígado. (Fig. 3911/8). a Está fixado ao esterno pelo pericárdio fibroso. O átrio direito recebe as veias cavas craniais esquerda e direita e uma única veia cava caudal. A valva atrioventricular direita é formada por uma única prega muscular desprovida de cordas tendí- neas. O ventrículo direito, de parede delgada, localiza-se ao redor Fig. 39.25 Secção mediana da ca- beça, com aumento da hipófise (detalhe). A seta indica a aborda- gem ao forame magno, através do qual a eutanásia pode ser realizada por injeção no encéfalo. 1, Fio na narina; 2,2', _2'Í, ,con- chas nasais rostral, média e caudal; 3, mandíbula; 4, língua; 5, septo interorbitário; 6, quiasma óptico; 7, hipófise (ver também o detalhe); 8, laringe; 9, traquéia; 10, esôfago; ll, medula espinhal; 12, cerebelo; 13, encéfalo; 14, 14', partes tuberal e distal da adeno-hipófise; 15, 15', 15", eníinência mediana, infundí- bulo e lobo neural da neuro-hipó- ñse; 16, terceiro ventrículo. <_-_cm---
  18. 18. do ventrículo esquerdo de tal forma que o seu interior, num corte transversal, fica em forma de lua em quarto crescente. As veias pulmonares se combinam para formar um único tronco, antes de entrarem no átrio esquerdo, numa entrada que contém uma válvula para prevenir o refluxo. A valva atrioventricular esquerda tem três _cúspides fixadas por cordas tendíneas. O ventrículo esquerdo, de paredes espessas (Fig. 3918/5), tem a forma de um cilindro com ponta. Barras musculares no seu interior dão ao corte transversal uma aparência de roseta. A punção cardíaca realizada para coleta de sangue é perigosa em aves pequenas. Artérias Quando observada pelo coração. a aorta dá origem às artérias coronárias direita e esquerda e a um tronco braquiocefálico. O tronco divide-se imediatamente nas artérias braquiocefálicas direita e esquerda, que enviam as artérias carótidas comuns para a frente no pescoço e as artérias subclávias na direção das asas (Fig. 39.11/8', 8"). Na 'entrada do tórax, as aa. carótidas comuns continuam como aa. carótidas internas, localizando-se lado a lado na superfície infe- rior das vértebras cervicais (Fig. 39.10/6'). As artérias subclãvias dão origem a um grande tronco peitoral, para os músculos do peito e do esterno, antes de acompanhar o úmero nas asas. Na sua descida ao longo da coluna vertebral, a aorta dá origem aos seguintes ramos maiores: celíaco (estômago, baço, fígado e intestinos; Fig. 39.20/2), mesentérico cranial (intestinos; /3), renal cranial (rins e gônadas; /5), ilíaco externo (coxal; /12), isquiâtico (rins, oviduto e membros pélvicos; /18) e mesentérico caudal (intestinos e cloaca). Ela termina por suprir o final do oviduto, as estruturas pélvicas e a cauda. Veias j - As duas veias cavas craniais (Fig. 3911/7) correm paralelamente às artérias braquiocefálicas e enviam ramos (veias jugulares e subclá- vias) para o pescoço e a cabeça e para dentro do peito e das asas. A v. jugular direita, sempre maior do que a esquerda, é visível através da cútis e pode ser usada para punção em aves que têm uma área com poucas penas no meio do pescoço (Fig. 3910/6). Muitas aves pequenas de cativeiro não tem a v. jugular esquerda. A veia ulnar cutânea (veia da asa), que se encontra na superfície ventral da asa aberta, também pode ser usada; ela também é facil- mente vista através da cútis (Fig. 39.8/9). Para uma pequena quanti- dade de sangue, uma das unhas pode ser cortada ou se faz uma pequena incisão na crista. A veia cava caudal drena o fígado, os rins, gônadas e oviduto. Ela termina ventral ao rim, dando origem às veias ilíacas comuns, que drenam a pelve e os membros pélvicos (Fig. 3920/13). Como foi descrito antes, algum sangue vindo da pelve e dos membros pélvicos passa através dos rins (sistema porta renal), antes de atingir a veia cava caudal. O sangue do trato gastrintestinal chega ao fígado pelas veias portas hepáticas direita e esquerda, que entram nos res- pectivos lobos. A veia esquerda drena as partes ventral e esquerda do estômago. A veia direita, muito maior, drena as partes dorsal e direita do estômago, o baço e o restante do trato através das veias mesentéricas cranial e caudal. A mesentérica caudal, conectada à porção terminal caudal do sistema porta renal (/22), também leva uma quantidade considerável de sangue para os rins. Assim o sangue do trato gastrintestinal pode retornar ao coração sem passar através do fígado. Estruturas linfátícas Somente o ganso e opato têm linfonodos - um par de linfono- dos cervicotorâcicos na entrada do tórax e um par de linfonodos lombares junto aos rins. Os linfálicos são menos numerosos que nos mamíferos. Eles acompanham os vasos sangüíneos, são Valvulados e contêm nódulos linfãticos microscópicos distribuídos a certos intervalos nas suas pare- des. Eles conduzem a linfa para a entrada do tórax, onde ela e' descarregada nas veias cavas craniais. ANATOMIA DAS AVES 553 Embora linfonodos verdadeiros estejam ausentes, existe muito tecido linfática em vários órgãos (fígado, pâncreas, pulmão e rins, na forma de nódulos linfática: solitários, e na pane oral da faringe e nos intestinos, como placas de nódulos linfátíars agregados. Uma placa cecal (tonsila cecal; Fig. 3913/10) é particularmente proe- minente. O rima se constitui de vários lobos separados que acompanham as veias jugulares (Fig. 3910/9). Os lobos são em lóbulos, cada qual constituído por uma medula pálida e um córtex escuro. O timo, que é mais desenvolvido nos jovens, regride com o início da maturidade sexual. A localização da bolsa cloacal já foi descrita (Fig. 39.15/9). A bolsa constitui-se de uma parede lobulada que circunda um lúmen irregular; 'os lóbulos são similares àqueles do timo. A bolsa também regride gradualmente dos dois aos três meses de idade. Um pequeno nódulo permanece na ave adulta. A localização e a forma do baço já foram descritas (Fig. 39.16/5). Sua estrutura lembra aquela' dos mamíferos, embora a diferença entre a polpa vermelha e a polpa branca seja menos acentuada. O SISTEMA NERVOSO E OS ÓRGÃOS SENSORIAIS 0 encéfalo e a medula espinhal O encéfalo das aves é pequeno, sendo pouco maior do que um dos olhos (Fig. 39.25). Os hemisférios cerebrais têm forma de pêra; suas extremidades rostrais pontiagudas (os bulbos olfatórios) localizam-se entre as grandes órbitas. Quando comparados com seus correspondentes nos mamíferos, os hemisférios são relativamente menores e mais lisos. Os hemisférios direito e esquerdo estão separa- dos por uma fissura mediana e do cerebelo por uma fissura transversa. A extremidade de epífise pode ser vista na interseção dessas fissuras. Os lobos ópticos, homólogos dos colículos rostrais dos mamíferos, encontram-se na região caudoventral aos hemisférios. Eles são gran- des ~ correspondendo ao desenvolvimento dos olhos - e visíveis tanto dorsal como ventralmente. O quiasma óptico (/6) também é correspondentemente grande. (Os pequenos bulbos olfatórios indi- cam um sentido do olfato subdesenvolvido. ) O cerebelo (/12), tam- bém relativamente grande, constitui-se essencialmente de um corpo central (homólogo do verme dos mamíferos), com pequenos apên- dices laterais (flóculos). ' A peculiaridade da medula espinhal é um corpo gelatinoso rico em glicogênio na superfície dorsal da dilatação lombossacra, com 3 a 5 mm de tamanho, não devendo ser interpretado como uma lesão. Alguns nervos periféricos O nervo periférico normal é branco, tem estrias transversais e é de largura uniforme. A doença de Marek (neurolinfomatose) altera o aspecto dos nervos, especialmente aqueles dos membros posteriores. Os seguintes nervos costumam ser examinados pós- morte. Os nervos cervicais emergem dos músculos cervicais e passam para a cútis em ângulos retos com o pescoço (Fig. 39.10/4'). O n. vago (/6) acompanha a veia jugular. (O tronco simpático cervical localiza-se profundamente em relação aos músculos. ) O n. vago é visto novamente sobre a superfície dorsal do proventrículo (Fig. 39.14/3). O plexo braquial está exposto de cada lado dos músculos cervicais, quando o esôfago, a traquéia e os maiores vasos craniais ao coração são rebatidos. Muitos ramos passam nas asas ventrais a escápula e caudais ao úmero. Os nervos intercostais são expostos quando se removem os pulmões. O nervo intestinal (/14) acompanha os vasos mesentéricos craniais no mesentério. Os nervos dos plexos sinsacral e lombar passam pelos rins, os quais devem ser removidos para expô-los (Fig. 39.20/10,17). Finalmente, o nervo cíâtico pode ser examinado na superfície medial da coxa rebatendo-se dois múscu- los delgados (Fig. 3914/15). 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  19. 19. 554 TRATADO DE ANATOMIA VETERINÁRIA 0 olho Embora a forma dos bulbos dos olhos seja ligeiramente dife- rente da dos mamíferos, a estrutura geral é a mesma (Fig. 39.26). Os bulbos dos olhos quase preenchem a órbita e, assim, têm pouco espaço para se movimentarem; o pescoço longo e a mobilidade da articulação atlantoccipital compensam isto. A pálpebra inferior é maior e tem mais mobilidade. A terceira pálpebra tem uma borda enrijecida; sendo translúcida, ela parece não impedir a visão fechada sobre a córnea. As secreções da glândula lacrimal e da glândula profunda da terceira pálpebra deixam o saco conjuntival através de dois orifícios e vão para um espaçoso ducto nasolacrimal. O orifício superior é bem maior. A córnea é delgada e muito curva. Seu pequeno diâmetro con- trasta com um enorme bulbo do olho, ao qual ela pertence. A esclera é reforçada por uma camada de cartilagem transformada em um anel de ossículos junto à cómea (/1'). Não há tapete lúcido. A íris é castanho-amarelada, mas torna-se mais pálida durante o período de postura. Ela circunda uma pupila redonda, que pode rapidamente mudar de tamanho pela ação de músculos estriados constritores e dilatadores. Ainda assim, a íris das aves apresenta pouca resposta à luz. A retina não tem vasos sangüíneos. Ela apre- senta uma elevação proeminente (pécten; /5) no disco óptico. Este crescimento e' negro, de aspecto torcido e se projeta no corpo vítreo; ele é rico em vasos sangüíneos e admite-se que tem participação na nutrição da retina. Os músculos extra-oculares são similares àque- les dos mamíferos, mas se verifica a ausência de um retrator do bulbo. A orelha Não há aurícula. A orelha externa consiste somente no meato acústico externo, o qual se abre do lado da cabeça, sob a proteção de um grupo de pequenas penas. O meato é curto e reto, de tal forma que a membrana do tímpano relativamente larga pode ser Fig. 39.26 Corte esquemático no plano mediano do bulbo do olho. 1, Esclera; 1', anel dos ossículos da esclera; 2, coróide; 3, retina; 4, nervo óptico; 5, pécten; 6, fóvea central; 7, córnea; 8, íris; 9, cristalino (lente). facilmente examinada (e lesada). Um lobo, similar em estrutura à crista e à barbela, está presente ventral à abertura (Fig. 39.1/4). A orelha média lembra aquela dos mamíferos. A membrana do tímpano liga-se pela columela e pelas cartilagens associadas à janela do vestibulo, as quais transmitem as vibrações da membrana para a perilinfa da orelha interna. A columela, que é homóloga ao estribo da orelha média dos mamíferos, é um pequeno bastão ósseo dilatado nas extremidades; a expansão medial (placa do_ pé columelar) oclui a janela do vestibulo. A estrutura e a subdivisão da orelha interna segue o mesmo padrão dos mamíferos, embora a cóclea não forme uma espiral; ela e' apenas ligeiramente curva e significativamente mais curta que sua correspondente nos mamíferos. Uma camada de células senso- riais relativamente espessa parece compensar o pequeno tamanho do ducto Bibliografia selecionada Baumel. J. J. (ed. ): Nomina Analomica Avimn: An An- notated Anatomical Dictionary'. New York. Academic Press. 1979, Canñeld. T. H. : Sex determination of day-old chicks. Poult. Sci. 192235-238. 1940. Fcdde. M. R. : Respiration in birds. In Swcnson. M. J. (cd. ): Duke's Physiology of Domestic Animals, 10th cd. Ithaca. Cornell University Press. 1984. pp. 255-261. I-labcrmehl, K. H. : Altersbestimmung hei Haus- und Labortieren. 2nd ed. Berlin, Paul Parcy, 1975. Harrison. G. J. : Endoscopic examination of flVlilll gonadnl tissues. Vet. Med. [SAC] 73z479-484, 1978. King, A. S. : The urogenital system. In Getty. R. 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