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Teoria geral-do-direito-internacional-publico

direito internacional

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DIREITO	
  INTERNACIONAL	
  –	
  JOÃO	
  PAULO	
  LORDELO	
  
	
  
1	
  
	
  
TEORIA	
  GERAL	
  DO	
  DIREITO	
  INTERNACIONAL	
  PÚBLICO	
  
	
  
Sumário:	
  
1.	
  As	
  relações	
  internacionais	
  observadas	
  sob	
  o	
  prisma	
  jurídico	
  
1.1	
  Sociedade	
  internacional	
  x	
  comunidade	
  internacional	
  
1.2	
  Globalização	
  e	
  sistema	
  normativo	
  internacional	
  
2.	
  Conceito	
  de	
  direito	
  internacional	
  público	
  (DIP)	
  
3.	
  Objeto	
  do	
  DIP	
  
4.	
  Fundamento	
  do	
  DIP	
  
5.	
  Ordenamento	
  jurídico	
  internacional	
  
5.1	
  Características	
  do	
  DIP	
  
5.2	
  A	
  cooperação	
  internacional	
  entre	
  Estados	
  
5.3	
  Jurisdição	
  internacional	
  
5.4	
  A	
  sanção	
  no	
  DIP	
  
6.	
  Direito	
  internacional	
  público	
  e	
  direito	
  internacional	
  privado	
  
7.	
  Direito	
  internacional	
  público	
  e	
  direito	
  interno	
  
7.1	
  Dualismo	
  
7.2	
  Monismo	
  
7.3	
  Outras	
  possibilidades:	
  a	
  primazia	
  da	
  norma	
  mais	
  favorável	
  
	
  
Fonte:	
  Paulo	
  Henrique	
  Portela	
  –	
  Manual	
  de	
  Direito	
  Internacional.	
  Ed.	
  JusPodivm.	
  	
  
	
  
1.	
  As	
  relações	
  internacionais	
  observadas	
  sob	
  o	
  prisma	
  jurídico	
  
	
   As	
   relações	
   internacionais	
   são	
   caracterizadas	
   pela	
   complexidade,	
   abrangendo,	
   hoje	
   em	
  
dia,	
   um	
   rol	
   variado	
   de	
   atores.	
   Na	
   doutrina	
   tradicional,	
   o	
   relacionamento	
   internacional	
   envolvia	
  
apenas	
  os	
  Estados,	
  mas	
  isso	
  ele	
  também	
  envolve	
  as	
  organizações	
  internacionais,	
  organizações	
  não-­‐
governamentais	
  (ONGs),	
  empresas,	
  os	
  indivíduos,	
  dentre	
  outros.	
  
	
   Com	
  efeito,	
  o	
  DIP	
  é	
  o	
  ramo	
  da	
  ciência	
  jurídica	
  que	
  visa	
  justamente	
  a	
  regular	
  as	
  relações	
  
internacionais	
  com	
  vistas	
  a	
  permitir	
  a	
  convivência	
  entre	
  os	
  membros	
  da	
  sociedade	
  internacional	
  e	
  a	
  
realizar	
   certos	
   interesses	
   e	
   valores	
   aos	
   quais	
   se	
   confere	
   importância	
   em	
   determinado	
   momento	
  
histórico.	
  
	
   	
  
1.1	
  Sociedade	
  internacional	
  x	
  comunidade	
  internacional	
  
	
   É	
   comum	
   empregar	
   indiscriminadamente	
   os	
   termos	
   comunidade	
   internacional	
   e	
  
sociedade	
  internacional.	
  Todavia,	
  a	
  doutrina	
  identifica	
  diferenças	
  entre	
  as	
  duas	
  noções.	
  	
  
i. A	
   COMUNIDADE	
   fundamenta-­‐se	
   em	
   vínculos	
   espontâneos,	
   de	
   caráter	
   subjetivo,	
  
envolvendo	
  identidade	
  e	
  lações	
  culturais,	
  emocionais,	
  históricos,	
  sociais,	
  religiosos,	
  
familiares	
   etc.	
   Caracteriza-­‐se	
   também	
   pela	
   ausência	
   de	
   dominação,	
   pela	
  
cumplicidade	
   e	
   pela	
   identificação	
   entre	
   seus	
   membros,	
   cuja	
   convivência	
   é	
  
harmônica.	
  
	
   Segundo	
  entendimento	
  doutrinário	
  que	
  prevalece,	
  ainda	
  não	
  há	
  uma	
  comunidade	
  
internacional,	
   visto	
   que	
   o	
   que	
   une	
   os	
   Estados	
   são	
   os	
   seus	
   interesses,	
   inexistindo	
  
lações	
  espontâneos.	
  Há,	
  contudo,	
  quem	
  defenda	
  a	
  existência	
  de	
  uma	
  comunidade	
  
internacional,	
  à	
  luz	
  de	
  problemas	
  globais,	
  que	
  se	
  referem	
  a	
  todos	
  os	
  seres	
  humanos,	
  
como	
  a	
  segurança	
  alimentar,	
  o	
  meio-­‐ambiente,	
  desastres	
  naturais	
  etc.	
  
DIREITO	
  INTERNACIONAL	
  –	
  JOÃO	
  PAULO	
  LORDELO	
  
	
  
2	
  
ii. A	
   SOCIEDADE,	
   por	
   outro	
   lado,	
   apoia-­‐se	
   na	
   vontade	
   dos	
   seus	
   integrantes,	
   que	
  
decidiram	
  se	
  associar	
  para	
  atingir	
  determinados	
  objetivos.	
  Aqui,	
  a	
  vontade	
  exerce	
  
papel	
  decisivo,	
  promovendo	
  a	
  aproximação.	
  
Eis	
   o	
   seu	
   conceito:	
   é	
   um	
   conjunto	
   de	
   vínculos	
   entre	
   pessoas	
   e	
   entidades	
  
interdependente	
   entre	
   si,	
   que	
   coexistem	
   por	
   diversos	
   motivos	
   e	
   que	
   estabelecem	
  
relações	
  que	
  reclamam	
  a	
  devida	
  disciplina.	
  
São	
  características	
  da	
  sociedade	
  internacional:	
  
a) 	
  UNIVERSALIDADE	
  !	
  A	
  sociedade	
  internacional	
  é	
  universal,	
  pois	
  abrange	
  o	
  
mundo	
   inteiro.	
   Mesmo	
   um	
   Estado	
   isolacionista	
   deve	
   se	
   relacional	
   com	
   o	
  
Estado	
  com	
  o	
  qual	
  tem	
  fronteira.	
  
b) 	
  HETEROGENEIDADE	
  
c) INTERESTATAL	
   (?)	
   !	
   Para	
   parte	
   da	
   doutrina,	
   a	
   sociedade	
   internacional	
   é	
  
composta	
   meramente	
   por	
   Estados.	
   Cuida-­‐se	
   de	
   entendimento	
   clássico,	
  
vinculado	
  à	
  Paz	
  de	
  Vestfália,	
  celebrada	
  no	
  século	
  XVII,	
  quando	
  o	
  ente	
  estatal	
  
se	
  estabeleceu	
  como	
  detentor	
  do	
  monopólio	
  da	
  administração	
  da	
  dinâmica	
  
das	
  relações	
  internacionais	
  da	
  sociedade	
  que	
  governava.	
  PORTELA	
  discorda	
  
desse	
  entendimento,	
  superado	
  desde	
  que	
  as	
  organizações	
  internacionais	
  se	
  
firmaram	
   como	
   sujeitos	
   de	
   direitos	
   (século	
   XX),	
   havendo	
   ainda	
   crescente	
  
participação	
  das	
  empresas,	
  ONGs	
  e	
  indivíduos	
  nas	
  relações	
  internacionais.	
  
d) DESCENTRALIZAÇÃO	
  !	
  Não	
  há	
  um	
  poder	
  central.	
  
e) COORDENAÇÃO	
  
f) CARÁTER	
  PARITÁRIO	
  !	
  Igualdade	
  jurídica	
  entre	
  seus	
  membros.	
  
g) DESIGUALDADE	
  DE	
  FATO.	
  
	
  
Comunidade	
  internacional	
   Sociedade	
  internacional	
  
Aproximação	
  e	
  vínculos	
  espontâneos.	
   Aproximação	
  e	
  vínculos	
  intencionais.	
  
Aproximação	
   por	
   laços	
   culturais,	
   religiosos,	
  
linguísticos	
  etc.	
  
Aproximação	
  pela	
  vontade.	
  
Identidade	
  comum.	
   Objetivos	
  comuns.	
  
Ausência	
  de	
  dominação.	
   Possibilidade	
  de	
  dominação.	
  
Cumplicidade	
  entre	
  os	
  membros.	
   Interesse.	
  
	
  
1.2	
  Globalização	
  e	
  sistema	
  normativo	
  internacional	
  
	
   Cuida-­‐se	
  de	
  expressão	
  cujo	
  conceito	
  é	
  impreciso	
  e	
  indiscriminado.	
  
	
   Para	
  PORTELA,	
  a	
  globalização	
  consiste	
  um	
  processo	
  de	
  progressivo	
  aprofundamento	
  da	
  
integração	
  entre	
  as	
  várias	
  partes	
  do	
  mundo,	
  especialmente	
  nos	
  campos	
  político,	
  econômico,	
  social	
  
e	
  cultural,	
  com	
  vistas	
  a	
  formar	
  um	
  espaço	
  internacional	
  comum,	
  dentro	
  do	
  qual	
  bens,	
  serviços	
  e	
  
pessoas	
  circulem	
  de	
  maneira	
  mais	
  desimpedida	
  possível.	
  
	
   Cuida-­‐se	
  de	
  fenômeno	
  recorrente	
  na	
  histórica	
  da	
  humanidade.	
  Contudo,	
  na	
  acepção	
  mais	
  
comum	
  na	
  contemporaneidade,	
  refere-­‐se	
  ao	
  forte	
  incremento	
  no	
  rito	
  da	
  integração	
  da	
  economia	
  
mundial	
  nos	
  últimos	
  anos.	
  
DIREITO	
  INTERNACIONAL	
  –	
  JOÃO	
  PAULO	
  LORDELO	
  
	
  
3	
  
	
   Confiram-­‐se	
  suas	
  características	
  principais:	
  
a) Aumento	
   nos	
   fluxos	
   do	
   comércio	
   internacional	
   e	
   de	
   investimento	
   estrangeiro	
  
direto;	
  
b) Acirramento	
  da	
  concorrência	
  no	
  mercado	
  internacional;	
  
c) Maior	
  interdependência	
  entre	
  os	
  países;	
  
d) Expansão	
  dos	
  blocos	
  regionais;	
  
e) Redefinição	
  do	
  papel	
  do	
  Estado	
  e	
  de	
  noções	
  como	
  a	
  soberania	
  estatal.	
  
	
   	
  
2.	
  Conceito	
  de	
  direito	
  internacional	
  público	
  (DIP)	
  
	
   Conforme	
   leciona	
   Alberto	
   do	
   Amaral	
   Júnior,	
   o	
   DIP	
   é	
   o	
   ramo	
   do	
   direito	
   que	
   tem	
   sido	
  
tradicionalmente	
   entendido	
   como	
   o	
   conjunto	
   das	
   regras	
   escritas	
   e	
   não-­‐escritas	
   que	
   regula	
   o	
  
comportamento	
  dos	
  Estados.	
  Trata-­‐se	
  de	
  concepção	
  que	
  remonta	
  à	
  Paz	
  de	
  Vestfália,	
  com	
  ênfase	
  nos	
  
estados.	
  
	
   Melhor	
  parece	
  ser	
  o	
  entendimento	
  de	
  Celso	
  de	
  Albuquerque	
  Mello,	
  para	
  quem	
  o	
  DIP	
  é	
  o	
  
conjunto	
  de	
  normas	
  que	
  regula	
  as	
  relações	
  dos	
  atores	
  que	
  compõem	
  a	
  sociedade	
  internacional.	
  
Tais	
   pessoas	
   internacionais	
   são	
   os	
   Estados,	
   organizações	
   internacionais,	
   o	
   indivíduo,	
   empresas,	
  
organizações	
  não-­‐governamentais	
  (ONGs)	
  etc.	
  
	
   O	
  termo	
  “direito	
  internacional”	
  foi	
  empregado	
  pela	
  primeira	
  vez	
  em	
  1780,	
  por	
  Jeremy	
  
Bentham,	
  em	
  sua	
  obra	
  An	
  introduction	
  to	
  the	
  principles	
  of	
  moral	
  and	
  legislation.	
  O	
  DIP	
  é	
  também	
  
chamado	
  de	
  Direito	
  das	
  Gentes,	
  Direito	
  Internacional	
  e	
  jus	
  inter	
  gentes.	
  
	
  
3.	
  Objeto	
  do	
  DIP	
  
	
   Tradicionalmente,	
  o	
  objeto	
  do	
  DIP	
  se	
  restringia	
  a	
  limitar	
  as	
  competências	
  de	
  Estados	
  e	
  
organizações	
  internacionais,	
  conferindo-­‐lhes	
  direitos	
  e	
  impondo-­‐lhes	
  obrigações,	
  com	
  vistas	
  a	
  reduzir	
  
a	
  anarquia	
  na	
  sociedade	
  internacional.	
  
	
   Na	
  atualidade,	
  porém,	
  o	
  objeto	
  do	
  DIP	
  vem-­‐se	
  ampliando,	
  passando	
  a	
  incluir	
  também	
  a	
  
regulação	
  da	
  cooperação	
  internacional,	
  pautando	
  o	
  modo	
  pelo	
  qual	
  os	
  Estados,	
  as	
  organizações	
  
internacionais	
   e	
   outros	
   atores	
   deverão	
   proceder	
   para	
   atingir	
   objetivos	
   comuns,	
   normalmente	
  
ligados	
   a	
   problemas	
   globais,	
   como	
   a	
   proteção	
   do	
   meio	
   ambiente,	
   o	
   a	
   interesses	
   regionais,	
   a	
  
exemplo	
  da	
  integração	
  regional.	
  
	
   Em	
  síntese,	
  eis	
  os	
  objetivos	
  do	
  DIP:	
  
i. Reduzir	
  a	
  anarquia	
  na	
  sociedade	
  internacional	
  e	
  delimitar	
  as	
  competências	
  de	
  seus	
  
membros;	
  
ii. Regular	
  a	
  cooperação	
  internacional;	
  
iii. Conferir	
   tutela	
   adicional	
   a	
   bens	
   jurídicos	
   aos	
   quais	
   a	
   sociedade	
   internacional	
  
decidiu	
  atribuir	
  importância;	
  
iv. Satisfazer	
  interesses	
  comuns	
  dos	
  Estados.	
  
	
  
4.	
  Fundamento	
  do	
  DIP	
  
	
   O	
   estudo	
   do	
   fundamento	
   do	
   DIP	
   visa	
   a	
   determinar	
   o	
   motivo	
   pelo	
   qual	
   as	
   normas	
  
internacionais	
  são	
  obrigatórias.	
  Vejamos	
  as	
  correntes	
  que	
  tratam	
  do	
  assunto.	
  
DIREITO	
  INTERNACIONAL	
  –	
  JOÃO	
  PAULO	
  LORDELO	
  
	
  
4	
  
Voluntarismo	
  (corrente	
  positivista)	
   Objetivismo	
  
Caráter	
  SUBJETIVISTA,	
  cujo	
  elemento	
  central	
  é	
  a	
  
vontade	
   dos	
   sujeitos	
   do	
   DIP.	
   Os	
   Estados	
   e	
   as	
  
organizações	
   internacionais	
   devem	
   observar	
   as	
  
normas	
   do	
   DIP	
   porque	
   expressaram	
   livremente	
  
sua	
  concordância	
  em	
  fazê-­‐lo.	
  
Sustenta	
   que	
   a	
   obrigatoriedade	
   do	
   DIP	
   decorre	
  
da	
   existência	
   de	
   princípios,	
   valores	
   ou	
   regras	
  
mais	
   relevantes.	
   Tais	
   normas	
   surgiriam	
   da	
  
própria	
   dinâmica	
   da	
   sociedade	
   internacional,	
  
independentemente	
   da	
   vontade	
   dos	
   sujeitos,	
  
colocando-­‐se	
  acima	
  da	
  vontade	
  dos	
  Estados.	
  
Vertentes:	
  
i. AUTOLIMITACAO	
   DA	
   VONTADE	
   (GEORG	
  
JELLINEK):	
   o	
   Estado,	
   por	
   sua	
   própria	
  
vontade,	
   submete-­‐se	
   às	
   normas	
   do	
   DIP	
   e	
  
limita	
  sua	
  soberania;	
  
ii. VONTADE	
  COLETIVA	
  (HEINRICH	
  TRIEPEL):	
  o	
  
DIP	
   nasce	
   não	
   da	
   vontade	
   de	
   um	
   ente	
  
estatal,	
   mas	
   da	
   conjugação	
   das	
   vontades	
  
unânimes	
   de	
   vários	
   Estados,	
   formando	
  
uma	
  só	
  vontade	
  coletiva;	
  
iii. CONSENTIMENTO	
   DAS	
   NAÇÕES	
   (HALL	
   E	
  
OPPENHEIM):	
   o	
   fundamento	
   do	
   DIP	
   é	
   a	
  
vontade	
   da	
   maioria	
   dos	
   Estados	
   de	
   um	
  
grupo,	
  exercida	
  de	
  maneira	
  livre,	
  mas	
  sem	
  
exigência	
  da	
  unanimidade;	
  
iv. DELEGAÇÃO	
   DO	
   DIREITO	
   INTERNO	
   (OU	
  
“DIREITO	
   ESTATAL	
   INTERNO”	
   0	
   MAX	
  
WENZEL):	
   o	
   fundamento	
   do	
   DIP	
   é	
  
encontrado	
  no	
  ordenamento	
  nacional.	
  
Vertentes:	
  
i. JUSNATURALISMO:	
   as	
   normas	
  
internacionais	
   impõem-­‐se	
   naturalmente,	
  
por	
   terem	
   fundamento	
   na	
   própria	
  
natureza	
  humana;	
  
ii. TEORIAS	
   SOCIOLÓGICAS:	
   as	
   normas	
  
internacionais	
   têm	
   origem	
   em	
   um	
   fato	
  
social	
  que	
  se	
  impõe	
  aos	
  indivíduos;	
  
iii. TEORIA	
   DA	
   NORMA-­‐BASE	
   DE	
   KELSEN:	
   o	
  
fundamento	
  do	
  DIP	
  é	
  a	
  norma	
  hipotética	
  
fundamental,	
  da	
  qual	
  decorrem	
  todas	
  as	
  
demais,	
  inclusive	
  as	
  de	
  direito	
  interno.	
  
iv. DIREITOS	
   FUNDAMENTAIS:	
   o	
   DIP	
  
fundamenta-­‐se	
   no	
   fato	
   de	
   os	
   Estados	
  
possuírem	
  direitos	
  que	
  lhe	
  são	
  inerentes	
  e	
  
que	
  são	
  oponíveis	
  em	
  relação	
  a	
  terceiros.	
  
Crítica:	
   condiciona	
   toda	
   a	
   regulamentação	
  
internacional	
   à	
   mera	
   vontade	
   dos	
   Estados,	
  
normalmente	
   vinculada	
   a	
   inúmeros	
  
condicionamentos.	
  
Crítica:	
  minimiza	
  o	
  papel	
  da	
  vontade.	
  
	
  
	
   Um	
  posicionamento	
  divergente	
  é	
  o	
  de	
  Dionísio	
  Anzilotti,	
  que	
  fundamenta	
  o	
  DIP	
  na	
  regra	
  
pacta	
   sunt	
   servanda.	
   Para	
   ele,	
   o	
   DIP	
   é	
   obrigatório	
   por	
   conter	
   normas	
   importantes	
   para	
   o	
  
desenvolvimento	
  da	
  sociedade	
  internacional,	
  mas	
  que	
  ainda	
  dependem	
  da	
  vontade	
  do	
  Estado	
  para	
  
existir.	
  
	
   Para	
   PORTELA,	
   o	
   fundamento	
   do	
   DIP	
   efetivamente	
   inclui	
   elementos	
   voluntaristas	
   e	
  
objetivistas.	
  	
  
	
   Se	
   ligue:	
   	
   o	
   exercício	
   da	
   vontade	
   estatal	
   não	
   pode	
   violar	
   o	
   jus	
   cogens,	
   conjunto	
   de	
  
preceitos	
   entendidos	
   como	
   imperativos	
   e	
   que,	
   por	
   sua	
   importância,	
   limitam	
   essa	
   vontade,	
   nos	
  
termos	
  da	
  Convenção	
  de	
  Viena	
  sobre	
  o	
  Direito	
  dos	
  Tratados,	
  de	
  1969	
  (art.	
  53).	
  
	
  
5.	
  Ordenamento	
  jurídico	
  internacional	
  
DIREITO	
  INTERNACIONAL	
  –	
  JOÃO	
  PAULO	
  LORDELO	
  
	
  
5	
  
	
   Há	
   teorias	
   que	
   negam	
   a	
   existência	
   do	
   um	
   Direito	
   Internacional.	
   Para	
   tais	
   autores,	
   as	
  
normas	
  de	
  direito	
  internacional	
  têm	
  natureza	
  meramente	
  moral	
  e	
  de	
  pura	
  cortesia,	
  não	
  se	
  podendo	
  
falar	
  em	
  uma	
  sociedade	
  mundial	
  organizada.	
  Esse	
  entendimento	
  não	
  prevalece.	
  	
  
	
   Com	
  efeito,	
  existe	
  um	
  ordenamento	
  internacional,	
  formado	
  por	
  um	
  conjunto	
  de	
  preceitos	
  
voltados	
  a	
  regular	
  as	
  condutas	
  dos	
  membros	
  da	
  sociedade	
  internacional	
  e	
  o	
  tratamento	
  de	
  temas	
  de	
  
interesse	
  global.	
  
	
  
5.1	
  Características	
  do	
  DIP	
  
	
   O	
  DIP	
  é	
  marcado	
  pela	
  dicotomia	
  entre	
  relativização	
  da	
  soberania	
  e	
  a	
  manutenção	
  da	
  
importância.	
  	
  
	
   Cuida-­‐se	
   de	
   uma	
   nova	
   concepção	
   de	
   poder	
   soberano,	
   não	
   mais	
   entendido	
   como	
  
absoluto,	
  mas	
  sim	
  sujeito	
  a	
  limites	
  jurídicos.	
  O	
  DIP	
  é	
  um	
  direito	
  de	
  coordenação,	
  em	
  oposição	
  ao	
  
direito	
  interno,	
  que	
  é	
  de	
  subordinação.	
  
	
   Como	
   não	
   há	
   um	
   poder	
   central	
   responsável	
   por	
   essa	
   tarefa,	
   a	
   construção	
   do	
  
ordenamento	
   jurídico	
   é	
   fruto	
   de	
   um	
   esforço	
   de	
   articulação	
   entre	
   Estados	
   e	
   organizações	
  
internacionais,	
  que	
  celebram	
  as	
  normas	
  internacionais.	
  
	
   Para	
   parte	
   da	
   doutrina,	
   não	
   existiria	
   hierarquia	
   entre	
   as	
   normas	
   do	
   DIP.	
   Assim,	
   um	
  
tratado	
  entre	
  dois	
  entes	
  não	
  necessariamente	
  teria	
  de	
  se	
  conformar	
  às	
  normas	
  de	
  outros	
  tratados	
  
firmados	
  entre	
  esses	
  mesmos	
  Estados.	
  Todavia,	
  tal	
  característica	
  não	
  cobre	
  todas	
  as	
  situações	
  que	
  
ocorram	
  na	
  sociedade	
  internacional.	
  Com	
  efeito,	
  um	
  tratado	
  não	
  pode	
  estar	
  em	
  conflito	
  com	
  as	
  
normas	
  do	
  jus	
  cogens.	
  As	
  normas	
  de	
  direito	
  internacional	
  global	
  devem	
  ser	
  respeitadas.	
  Além	
  disso,	
  
é	
  importante	
  estar	
  atento	
  aos	
  princípios	
  do	
  ordenamento	
  jurídico	
  internacional.	
  
	
   Outras	
  característica	
  do	
  DIP	
  é	
  a	
  fragmentação	
  e	
  heterogeneidade	
  das	
  normas.	
  Vejamos	
  a	
  
síntese	
  das	
  características	
  do	
  DIP:	
  
i. Dicotomia	
   entre	
   a	
   relativização	
   da	
   soberania	
   nacional	
   e	
   a	
   manutenção	
   da	
   sua	
  
importância;	
  
ii. Direito	
  de	
  coordenação;	
  
iii. Ausência	
  de	
  poder	
  central;	
  
iv. Descentralização	
  normativa;	
  
v. Obrigatoriedade;	
  
vi. Possibilidade	
  de	
  sanções;	
  
vii. Inexistência	
  de	
  hierarquia;	
  
viii. Fragmentação;	
  
ix. Existência	
  de	
  mecanismos	
  de	
  jurisdição.	
  
	
  
5.2	
  A	
  cooperação	
  internacional	
  entre	
  Estados	
  
	
   Uma	
   das	
   mais	
   evidentes	
   vertentes	
   do	
   DIP	
   é	
   a	
   regulamentação	
   da	
   cooperação	
  
internacional.	
   Não	
   se	
   trata	
   de	
   um	
   meio	
   apenas	
   para	
   combater	
   problemas,	
   mas	
   também	
   um	
  
instrumento	
   adicional,	
   pelo	
   qual	
   os	
   Estados	
   podem	
   promover	
   seu	
   desenvolvimento	
   econômico	
   e	
  
social.	
  Ex.:	
  mecanismos	
  de	
  integração	
  regional.	
  
DIREITO	
  INTERNACIONAL	
  –	
  JOÃO	
  PAULO	
  LORDELO	
  
	
  
6	
  
	
   Além	
  disso,	
  a	
  cooperação	
  internacional	
  permite	
  regular	
  a	
  administração	
  de	
  áreas	
  que	
  não	
  
pertencem	
  a	
  nenhum	
  Estado	
  e	
  que	
  são	
  do	
  interesse	
  de	
  toda	
  a	
  humanidade,	
  como	
  o	
  alto	
  mar	
  e	
  o	
  
espaço	
  extra-­‐atmosférico.	
  
	
   O	
  objetivo	
  aqui	
  não	
  é	
  apenas	
  manter	
  a	
  ordem,	
  mas	
  também	
  um	
  meio	
  para	
  que	
  os	
  Estados	
  
alcancem	
  seus	
  objetivos.	
  
	
  
5.3	
  Jurisdição	
  internacional	
  
	
   Os	
  entes	
  que	
  exercem	
  a	
  jurisdição	
  internacional	
  são	
  normalmente	
  criados	
  por	
  tratados,	
  
que	
   definem	
   suas	
   competências	
   e	
   o	
   modo	
   de	
   funcionamento.	
   Podem	
   ser	
   judiciais,	
   arbitrais	
   ou	
  
administrativos,	
  como	
  as	
  comissões	
  encarregadas	
  de	
  monitorar	
  o	
  cumprimento	
  detratados.	
  
	
   Pode	
  haver	
  órgãos	
  com	
  amplo	
  escopo	
  de	
  ação,	
  como	
  a	
  Corte	
  Internacional	
  de	
  Justiça	
  
(CIJ),	
   competente	
   para	
   conhecer	
   de	
   	
   qualquer	
   lide	
   relativa	
   ao	
   Direito	
   Internacional,	
   e	
   entes	
  
especializadas,	
  como	
  as	
  cortes	
  de	
  direitos	
  humanos.	
  Além	
  disso,	
  a	
  jurisdição	
  pode	
  abranger	
  o	
  mundo	
  
inteiro,	
   como	
   o	
   Tribunal	
   Penal	
   Internacional	
   (TPI),	
   ou	
   apenas	
   o	
   âmbito	
   regional,	
   como	
   o	
   Tribunal	
  
Permanente	
  de	
  Revisão	
  do	
  Mercosul.	
  
	
   Em	
  princípio,	
  os	
  mecanismos	
  de	
  jurisdição	
  internacional	
  vinculam	
  apenas	
  os	
  Estados	
  que	
  
celebraram	
  os	
  tratados	
  ou	
  que	
  aceitem	
  se	
  submeter	
  às	
  suas	
  competências.	
  	
  
	
   Além	
  disso,	
  em	
  regra,	
  as	
  cortes	
  internacionais	
  não	
  têm	
  o	
  poder	
  de	
  automaticamente	
  
examinar	
  casos	
  envolvendo	
  um	
  Estado,	
  ainda	
  que	
  este	
  seja	
  parte	
  do	
  tratado.	
  É	
  o	
  caso	
  da	
  CIJ,	
  que	
  só	
  
pode	
  apreciar	
  processo	
  envolvendo	
  um	
  ente	
  estatal	
  se	
  este	
  aceitar	
  os	
  poderes	
  desse	
  órgão	
  para	
  
julgá-­‐lo	
  em	
  um	
  caso	
  específico,	
  ou	
  se	
  o	
  Estado	
  tiver	
  emitido	
  prévia	
  declaração	
  de	
  aceitação.	
  
	
   	
  
	
   Por	
  fim,	
  a	
  maioria	
  dos	
  órgãos	
  internacionais	
  ainda	
  não	
  permite	
  que	
  os	
  sujeitos	
  que	
  não	
  
sejam	
   Estados	
   ou	
   organizações	
   internacionais	
   participem	
   de	
   seus	
   procedimentos.	
   Há	
   exceções,	
  
como	
   a	
   Corte	
   Européia	
   de	
   Direitos	
   Humanos,	
   que	
   permite	
   que	
   um	
   indivíduo	
   processo	
   um	
   Estado	
  
europeu,	
  ou	
  o	
  TPI,	
  que	
  julga	
  pessoas	
  naturais	
  acusadas	
  de	
  crime	
  contra	
  a	
  humanidade.	
  
	
   A	
   Comissão	
   Interamericana	
   de	
   Direitos	
   Humanos	
   também	
   pode	
   receber	
   reclamações	
  
diretas	
  de	
  indivíduos.	
  
	
  
5.4	
  A	
  sanção	
  no	
  DIP	
  
	
   O	
   DIP	
   também	
   inclui	
   a	
   possibilidade	
   de	
   aplicar	
   sanções,	
   embora,	
   na	
   prática,	
   haja	
  
dificuldades.	
  Tais	
  dificuldades	
  derivam	
  da	
  ausência	
  de	
  órgãos	
  centrais	
  encarregados	
  da	
  tarefa.	
  
	
  
6.	
  Direito	
  internacional	
  público	
  e	
  direito	
  internacional	
  privado	
  
Direito	
  internacional	
  público	
   Direito	
  internacional	
  privado	
  
	
   Não	
  é	
  ramo	
  do	
  direito	
  internacional	
  público.	
  
Abrange	
   as	
   relações	
   interestatais	
   e	
   os	
   conflitos	
  
entre	
  soberanias.	
  Em	
  síntese:	
  regula	
  a	
  sociedade	
  
internacional.	
  
Regula	
   conflito	
   de	
   leis	
   no	
   espaço,	
   cuidando	
   de	
  
estabelecer	
   critérios	
   para	
   determinar	
   qual	
   a	
  
norma	
   aplicável	
   a	
   relações	
   privadas	
   com	
  
conexão	
  internacional.	
  
As	
  suas	
  normas	
  são	
  estabelecidas	
  pelos	
  Estados	
  e	
  
organismos	
  internacionais,	
  por	
  meio	
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As	
  suas	
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  • 1. DIREITO  INTERNACIONAL  –  JOÃO  PAULO  LORDELO     1     TEORIA  GERAL  DO  DIREITO  INTERNACIONAL  PÚBLICO     Sumário:   1.  As  relações  internacionais  observadas  sob  o  prisma  jurídico   1.1  Sociedade  internacional  x  comunidade  internacional   1.2  Globalização  e  sistema  normativo  internacional   2.  Conceito  de  direito  internacional  público  (DIP)   3.  Objeto  do  DIP   4.  Fundamento  do  DIP   5.  Ordenamento  jurídico  internacional   5.1  Características  do  DIP   5.2  A  cooperação  internacional  entre  Estados   5.3  Jurisdição  internacional   5.4  A  sanção  no  DIP   6.  Direito  internacional  público  e  direito  internacional  privado   7.  Direito  internacional  público  e  direito  interno   7.1  Dualismo   7.2  Monismo   7.3  Outras  possibilidades:  a  primazia  da  norma  mais  favorável     Fonte:  Paulo  Henrique  Portela  –  Manual  de  Direito  Internacional.  Ed.  JusPodivm.       1.  As  relações  internacionais  observadas  sob  o  prisma  jurídico     As   relações   internacionais   são   caracterizadas   pela   complexidade,   abrangendo,   hoje   em   dia,   um   rol   variado   de   atores.   Na   doutrina   tradicional,   o   relacionamento   internacional   envolvia   apenas  os  Estados,  mas  isso  ele  também  envolve  as  organizações  internacionais,  organizações  não-­‐ governamentais  (ONGs),  empresas,  os  indivíduos,  dentre  outros.     Com  efeito,  o  DIP  é  o  ramo  da  ciência  jurídica  que  visa  justamente  a  regular  as  relações   internacionais  com  vistas  a  permitir  a  convivência  entre  os  membros  da  sociedade  internacional  e  a   realizar   certos   interesses   e   valores   aos   quais   se   confere   importância   em   determinado   momento   histórico.       1.1  Sociedade  internacional  x  comunidade  internacional     É   comum   empregar   indiscriminadamente   os   termos   comunidade   internacional   e   sociedade  internacional.  Todavia,  a  doutrina  identifica  diferenças  entre  as  duas  noções.     i. A   COMUNIDADE   fundamenta-­‐se   em   vínculos   espontâneos,   de   caráter   subjetivo,   envolvendo  identidade  e  lações  culturais,  emocionais,  históricos,  sociais,  religiosos,   familiares   etc.   Caracteriza-­‐se   também   pela   ausência   de   dominação,   pela   cumplicidade   e   pela   identificação   entre   seus   membros,   cuja   convivência   é   harmônica.     Segundo  entendimento  doutrinário  que  prevalece,  ainda  não  há  uma  comunidade   internacional,   visto   que   o   que   une   os   Estados   são   os   seus   interesses,   inexistindo   lações  espontâneos.  Há,  contudo,  quem  defenda  a  existência  de  uma  comunidade   internacional,  à  luz  de  problemas  globais,  que  se  referem  a  todos  os  seres  humanos,   como  a  segurança  alimentar,  o  meio-­‐ambiente,  desastres  naturais  etc.  
  • 2. DIREITO  INTERNACIONAL  –  JOÃO  PAULO  LORDELO     2   ii. A   SOCIEDADE,   por   outro   lado,   apoia-­‐se   na   vontade   dos   seus   integrantes,   que   decidiram  se  associar  para  atingir  determinados  objetivos.  Aqui,  a  vontade  exerce   papel  decisivo,  promovendo  a  aproximação.   Eis   o   seu   conceito:   é   um   conjunto   de   vínculos   entre   pessoas   e   entidades   interdependente   entre   si,   que   coexistem   por   diversos   motivos   e   que   estabelecem   relações  que  reclamam  a  devida  disciplina.   São  características  da  sociedade  internacional:   a)  UNIVERSALIDADE  !  A  sociedade  internacional  é  universal,  pois  abrange  o   mundo   inteiro.   Mesmo   um   Estado   isolacionista   deve   se   relacional   com   o   Estado  com  o  qual  tem  fronteira.   b)  HETEROGENEIDADE   c) INTERESTATAL   (?)   !   Para   parte   da   doutrina,   a   sociedade   internacional   é   composta   meramente   por   Estados.   Cuida-­‐se   de   entendimento   clássico,   vinculado  à  Paz  de  Vestfália,  celebrada  no  século  XVII,  quando  o  ente  estatal   se  estabeleceu  como  detentor  do  monopólio  da  administração  da  dinâmica   das  relações  internacionais  da  sociedade  que  governava.  PORTELA  discorda   desse  entendimento,  superado  desde  que  as  organizações  internacionais  se   firmaram   como   sujeitos   de   direitos   (século   XX),   havendo   ainda   crescente   participação  das  empresas,  ONGs  e  indivíduos  nas  relações  internacionais.   d) DESCENTRALIZAÇÃO  !  Não  há  um  poder  central.   e) COORDENAÇÃO   f) CARÁTER  PARITÁRIO  !  Igualdade  jurídica  entre  seus  membros.   g) DESIGUALDADE  DE  FATO.     Comunidade  internacional   Sociedade  internacional   Aproximação  e  vínculos  espontâneos.   Aproximação  e  vínculos  intencionais.   Aproximação   por   laços   culturais,   religiosos,   linguísticos  etc.   Aproximação  pela  vontade.   Identidade  comum.   Objetivos  comuns.   Ausência  de  dominação.   Possibilidade  de  dominação.   Cumplicidade  entre  os  membros.   Interesse.     1.2  Globalização  e  sistema  normativo  internacional     Cuida-­‐se  de  expressão  cujo  conceito  é  impreciso  e  indiscriminado.     Para  PORTELA,  a  globalização  consiste  um  processo  de  progressivo  aprofundamento  da   integração  entre  as  várias  partes  do  mundo,  especialmente  nos  campos  político,  econômico,  social   e  cultural,  com  vistas  a  formar  um  espaço  internacional  comum,  dentro  do  qual  bens,  serviços  e   pessoas  circulem  de  maneira  mais  desimpedida  possível.     Cuida-­‐se  de  fenômeno  recorrente  na  histórica  da  humanidade.  Contudo,  na  acepção  mais   comum  na  contemporaneidade,  refere-­‐se  ao  forte  incremento  no  rito  da  integração  da  economia   mundial  nos  últimos  anos.  
  • 3. DIREITO  INTERNACIONAL  –  JOÃO  PAULO  LORDELO     3     Confiram-­‐se  suas  características  principais:   a) Aumento   nos   fluxos   do   comércio   internacional   e   de   investimento   estrangeiro   direto;   b) Acirramento  da  concorrência  no  mercado  internacional;   c) Maior  interdependência  entre  os  países;   d) Expansão  dos  blocos  regionais;   e) Redefinição  do  papel  do  Estado  e  de  noções  como  a  soberania  estatal.       2.  Conceito  de  direito  internacional  público  (DIP)     Conforme   leciona   Alberto   do   Amaral   Júnior,   o   DIP   é   o   ramo   do   direito   que   tem   sido   tradicionalmente   entendido   como   o   conjunto   das   regras   escritas   e   não-­‐escritas   que   regula   o   comportamento  dos  Estados.  Trata-­‐se  de  concepção  que  remonta  à  Paz  de  Vestfália,  com  ênfase  nos   estados.     Melhor  parece  ser  o  entendimento  de  Celso  de  Albuquerque  Mello,  para  quem  o  DIP  é  o   conjunto  de  normas  que  regula  as  relações  dos  atores  que  compõem  a  sociedade  internacional.   Tais   pessoas   internacionais   são   os   Estados,   organizações   internacionais,   o   indivíduo,   empresas,   organizações  não-­‐governamentais  (ONGs)  etc.     O  termo  “direito  internacional”  foi  empregado  pela  primeira  vez  em  1780,  por  Jeremy   Bentham,  em  sua  obra  An  introduction  to  the  principles  of  moral  and  legislation.  O  DIP  é  também   chamado  de  Direito  das  Gentes,  Direito  Internacional  e  jus  inter  gentes.     3.  Objeto  do  DIP     Tradicionalmente,  o  objeto  do  DIP  se  restringia  a  limitar  as  competências  de  Estados  e   organizações  internacionais,  conferindo-­‐lhes  direitos  e  impondo-­‐lhes  obrigações,  com  vistas  a  reduzir   a  anarquia  na  sociedade  internacional.     Na  atualidade,  porém,  o  objeto  do  DIP  vem-­‐se  ampliando,  passando  a  incluir  também  a   regulação  da  cooperação  internacional,  pautando  o  modo  pelo  qual  os  Estados,  as  organizações   internacionais   e   outros   atores   deverão   proceder   para   atingir   objetivos   comuns,   normalmente   ligados   a   problemas   globais,   como   a   proteção   do   meio   ambiente,   o   a   interesses   regionais,   a   exemplo  da  integração  regional.     Em  síntese,  eis  os  objetivos  do  DIP:   i. Reduzir  a  anarquia  na  sociedade  internacional  e  delimitar  as  competências  de  seus   membros;   ii. Regular  a  cooperação  internacional;   iii. Conferir   tutela   adicional   a   bens   jurídicos   aos   quais   a   sociedade   internacional   decidiu  atribuir  importância;   iv. Satisfazer  interesses  comuns  dos  Estados.     4.  Fundamento  do  DIP     O   estudo   do   fundamento   do   DIP   visa   a   determinar   o   motivo   pelo   qual   as   normas   internacionais  são  obrigatórias.  Vejamos  as  correntes  que  tratam  do  assunto.  
  • 4. DIREITO  INTERNACIONAL  –  JOÃO  PAULO  LORDELO     4   Voluntarismo  (corrente  positivista)   Objetivismo   Caráter  SUBJETIVISTA,  cujo  elemento  central  é  a   vontade   dos   sujeitos   do   DIP.   Os   Estados   e   as   organizações   internacionais   devem   observar   as   normas   do   DIP   porque   expressaram   livremente   sua  concordância  em  fazê-­‐lo.   Sustenta   que   a   obrigatoriedade   do   DIP   decorre   da   existência   de   princípios,   valores   ou   regras   mais   relevantes.   Tais   normas   surgiriam   da   própria   dinâmica   da   sociedade   internacional,   independentemente   da   vontade   dos   sujeitos,   colocando-­‐se  acima  da  vontade  dos  Estados.   Vertentes:   i. AUTOLIMITACAO   DA   VONTADE   (GEORG   JELLINEK):   o   Estado,   por   sua   própria   vontade,   submete-­‐se   às   normas   do   DIP   e   limita  sua  soberania;   ii. VONTADE  COLETIVA  (HEINRICH  TRIEPEL):  o   DIP   nasce   não   da   vontade   de   um   ente   estatal,   mas   da   conjugação   das   vontades   unânimes   de   vários   Estados,   formando   uma  só  vontade  coletiva;   iii. CONSENTIMENTO   DAS   NAÇÕES   (HALL   E   OPPENHEIM):   o   fundamento   do   DIP   é   a   vontade   da   maioria   dos   Estados   de   um   grupo,  exercida  de  maneira  livre,  mas  sem   exigência  da  unanimidade;   iv. DELEGAÇÃO   DO   DIREITO   INTERNO   (OU   “DIREITO   ESTATAL   INTERNO”   0   MAX   WENZEL):   o   fundamento   do   DIP   é   encontrado  no  ordenamento  nacional.   Vertentes:   i. JUSNATURALISMO:   as   normas   internacionais   impõem-­‐se   naturalmente,   por   terem   fundamento   na   própria   natureza  humana;   ii. TEORIAS   SOCIOLÓGICAS:   as   normas   internacionais   têm   origem   em   um   fato   social  que  se  impõe  aos  indivíduos;   iii. TEORIA   DA   NORMA-­‐BASE   DE   KELSEN:   o   fundamento  do  DIP  é  a  norma  hipotética   fundamental,  da  qual  decorrem  todas  as   demais,  inclusive  as  de  direito  interno.   iv. DIREITOS   FUNDAMENTAIS:   o   DIP   fundamenta-­‐se   no   fato   de   os   Estados   possuírem  direitos  que  lhe  são  inerentes  e   que  são  oponíveis  em  relação  a  terceiros.   Crítica:   condiciona   toda   a   regulamentação   internacional   à   mera   vontade   dos   Estados,   normalmente   vinculada   a   inúmeros   condicionamentos.   Crítica:  minimiza  o  papel  da  vontade.       Um  posicionamento  divergente  é  o  de  Dionísio  Anzilotti,  que  fundamenta  o  DIP  na  regra   pacta   sunt   servanda.   Para   ele,   o   DIP   é   obrigatório   por   conter   normas   importantes   para   o   desenvolvimento  da  sociedade  internacional,  mas  que  ainda  dependem  da  vontade  do  Estado  para   existir.     Para   PORTELA,   o   fundamento   do   DIP   efetivamente   inclui   elementos   voluntaristas   e   objetivistas.       Se   ligue:     o   exercício   da   vontade   estatal   não   pode   violar   o   jus   cogens,   conjunto   de   preceitos   entendidos   como   imperativos   e   que,   por   sua   importância,   limitam   essa   vontade,   nos   termos  da  Convenção  de  Viena  sobre  o  Direito  dos  Tratados,  de  1969  (art.  53).     5.  Ordenamento  jurídico  internacional  
  • 5. DIREITO  INTERNACIONAL  –  JOÃO  PAULO  LORDELO     5     Há   teorias   que   negam   a   existência   do   um   Direito   Internacional.   Para   tais   autores,   as   normas  de  direito  internacional  têm  natureza  meramente  moral  e  de  pura  cortesia,  não  se  podendo   falar  em  uma  sociedade  mundial  organizada.  Esse  entendimento  não  prevalece.       Com  efeito,  existe  um  ordenamento  internacional,  formado  por  um  conjunto  de  preceitos   voltados  a  regular  as  condutas  dos  membros  da  sociedade  internacional  e  o  tratamento  de  temas  de   interesse  global.     5.1  Características  do  DIP     O  DIP  é  marcado  pela  dicotomia  entre  relativização  da  soberania  e  a  manutenção  da   importância.       Cuida-­‐se   de   uma   nova   concepção   de   poder   soberano,   não   mais   entendido   como   absoluto,  mas  sim  sujeito  a  limites  jurídicos.  O  DIP  é  um  direito  de  coordenação,  em  oposição  ao   direito  interno,  que  é  de  subordinação.     Como   não   há   um   poder   central   responsável   por   essa   tarefa,   a   construção   do   ordenamento   jurídico   é   fruto   de   um   esforço   de   articulação   entre   Estados   e   organizações   internacionais,  que  celebram  as  normas  internacionais.     Para   parte   da   doutrina,   não   existiria   hierarquia   entre   as   normas   do   DIP.   Assim,   um   tratado  entre  dois  entes  não  necessariamente  teria  de  se  conformar  às  normas  de  outros  tratados   firmados  entre  esses  mesmos  Estados.  Todavia,  tal  característica  não  cobre  todas  as  situações  que   ocorram  na  sociedade  internacional.  Com  efeito,  um  tratado  não  pode  estar  em  conflito  com  as   normas  do  jus  cogens.  As  normas  de  direito  internacional  global  devem  ser  respeitadas.  Além  disso,   é  importante  estar  atento  aos  princípios  do  ordenamento  jurídico  internacional.     Outras  característica  do  DIP  é  a  fragmentação  e  heterogeneidade  das  normas.  Vejamos  a   síntese  das  características  do  DIP:   i. Dicotomia   entre   a   relativização   da   soberania   nacional   e   a   manutenção   da   sua   importância;   ii. Direito  de  coordenação;   iii. Ausência  de  poder  central;   iv. Descentralização  normativa;   v. Obrigatoriedade;   vi. Possibilidade  de  sanções;   vii. Inexistência  de  hierarquia;   viii. Fragmentação;   ix. Existência  de  mecanismos  de  jurisdição.     5.2  A  cooperação  internacional  entre  Estados     Uma   das   mais   evidentes   vertentes   do   DIP   é   a   regulamentação   da   cooperação   internacional.   Não   se   trata   de   um   meio   apenas   para   combater   problemas,   mas   também   um   instrumento   adicional,   pelo   qual   os   Estados   podem   promover   seu   desenvolvimento   econômico   e   social.  Ex.:  mecanismos  de  integração  regional.  
  • 6. DIREITO  INTERNACIONAL  –  JOÃO  PAULO  LORDELO     6     Além  disso,  a  cooperação  internacional  permite  regular  a  administração  de  áreas  que  não   pertencem  a  nenhum  Estado  e  que  são  do  interesse  de  toda  a  humanidade,  como  o  alto  mar  e  o   espaço  extra-­‐atmosférico.     O  objetivo  aqui  não  é  apenas  manter  a  ordem,  mas  também  um  meio  para  que  os  Estados   alcancem  seus  objetivos.     5.3  Jurisdição  internacional     Os  entes  que  exercem  a  jurisdição  internacional  são  normalmente  criados  por  tratados,   que   definem   suas   competências   e   o   modo   de   funcionamento.   Podem   ser   judiciais,   arbitrais   ou   administrativos,  como  as  comissões  encarregadas  de  monitorar  o  cumprimento  detratados.     Pode  haver  órgãos  com  amplo  escopo  de  ação,  como  a  Corte  Internacional  de  Justiça   (CIJ),   competente   para   conhecer   de     qualquer   lide   relativa   ao   Direito   Internacional,   e   entes   especializadas,  como  as  cortes  de  direitos  humanos.  Além  disso,  a  jurisdição  pode  abranger  o  mundo   inteiro,   como   o   Tribunal   Penal   Internacional   (TPI),   ou   apenas   o   âmbito   regional,   como   o   Tribunal   Permanente  de  Revisão  do  Mercosul.     Em  princípio,  os  mecanismos  de  jurisdição  internacional  vinculam  apenas  os  Estados  que   celebraram  os  tratados  ou  que  aceitem  se  submeter  às  suas  competências.       Além  disso,  em  regra,  as  cortes  internacionais  não  têm  o  poder  de  automaticamente   examinar  casos  envolvendo  um  Estado,  ainda  que  este  seja  parte  do  tratado.  É  o  caso  da  CIJ,  que  só   pode  apreciar  processo  envolvendo  um  ente  estatal  se  este  aceitar  os  poderes  desse  órgão  para   julgá-­‐lo  em  um  caso  específico,  ou  se  o  Estado  tiver  emitido  prévia  declaração  de  aceitação.         Por  fim,  a  maioria  dos  órgãos  internacionais  ainda  não  permite  que  os  sujeitos  que  não   sejam   Estados   ou   organizações   internacionais   participem   de   seus   procedimentos.   Há   exceções,   como   a   Corte   Européia   de   Direitos   Humanos,   que   permite   que   um   indivíduo   processo   um   Estado   europeu,  ou  o  TPI,  que  julga  pessoas  naturais  acusadas  de  crime  contra  a  humanidade.     A   Comissão   Interamericana   de   Direitos   Humanos   também   pode   receber   reclamações   diretas  de  indivíduos.     5.4  A  sanção  no  DIP     O   DIP   também   inclui   a   possibilidade   de   aplicar   sanções,   embora,   na   prática,   haja   dificuldades.  Tais  dificuldades  derivam  da  ausência  de  órgãos  centrais  encarregados  da  tarefa.     6.  Direito  internacional  público  e  direito  internacional  privado   Direito  internacional  público   Direito  internacional  privado     Não  é  ramo  do  direito  internacional  público.   Abrange   as   relações   interestatais   e   os   conflitos   entre  soberanias.  Em  síntese:  regula  a  sociedade   internacional.   Regula   conflito   de   leis   no   espaço,   cuidando   de   estabelecer   critérios   para   determinar   qual   a   norma   aplicável   a   relações   privadas   com   conexão  internacional.   As  suas  normas  são  estabelecidas  pelos  Estados  e   organismos  internacionais,  por  meio  de  fontes  do   As  suas  normas  podem  se  originar  de  fontes  de   direito   internacional   público,   como   os   tratados,  
  • 7. DIREITO  INTERNACIONAL  –  JOÃO  PAULO  LORDELO     7   DIP  (primordialmente  tratados  internacionais)   mas  geralmente  são  preceitos  de  direito  interno.   As   suas   normas   são   aplicáveis   diretamente   às   relações   internacionais   e   internas   cabíveis,   vinculando  condutas.   Suas   normas   são   meramente   indicativas,   apontando   qual   a   norma,   nacional   ou   estrangeira,   que   incide   em   caso   de   conflito   de   leis  no  espaço.     O  controle  de  legalidade  é  atribuído  ao  judiciário   de  cada  país.     Atenção:   determinadas   situações   podem   ser   reguladas   pelas   duas   matérias,   como   as   operações  comerciais.  Ex.:  operação  de  exportação  (podem  incidir  normas  anti-­‐subsídios  do  DIP  e   preceitos  relativos  a  qual  norma  nacional  tutelaria  tais  conflitos).     7.  Direito  internacional  público  e  direito  interno     Em   muitos   casos,   como   no   Brasil,   as   normas   internacionais   são   incorporadas   à   ordem   jurídica  interna,  facilitando  sua  aplicação  nos  territórios  dos  entes  estatais.  Entretanto,  é  possível  que   ocorram   conflitos   entre   os   preceitos   de   Direito   Internacional   e   de   Direito   interno,   suscitando   a   necessidade  de  definir  qual  norma  deveria  prevalecer.  A  questão  é  polêmica  e  passa  pela  análise  de   duas  teorias.     7.1  Dualismo     A   teoria   dualista   parte   da   premissa   de   que   o   DIP   e   o   Direito   interno   são   dois   ordenamentos  jurídicos  distintos  e  totalmente  independentes.    Assim,  suas  normas  não  entram  em   conflito.       Para  o  dualismo,  o  direito  internacional  dirige  a  convivência  entre  os  Estados,  enquanto  o   Direito  interno  disciplina  as  relações  entre  os  indivíduos  e  entre  estes  e  o  ente  estatal.  Com  isso,  os   tratados  seriam  apenas  compromissos  assumidos  na  esfera  externa,  sem  efeitos  no  interior  dos   Estados.     Além  disso,  a  eficácia  das  normas  internacionais  não  depende  da  compatibilidade  com  a   norma  interna.     O  dualismo  vincula-­‐se  também  à  “TEORIA  DA  INCORPORAÇÃO”  ou  da  “transformação  de   mediatização”,  formulada  por  Paul  Laband,  pela  qual  um  tratado  poderá  regular  relações  dentre  do   território   de   um   Estado   apenas   se   for   incorporado   ao   ordenamento   interno,   por   meio   de   um   procedimento   que   o   transforme   em   norma   nacional.   Assim,   não   há   a   aplicação   imediata   do   tratado.     Fala-­‐se,  ainda,  na  chamada  teoria  do  DUALISMO  MODERADO,  pelo  qual  não  é  necessário   que  o  conteúdo  das  normas  internacionais  seja  inserido  em  um  projeto  de  lei  interna,  bastando   apenas   a   incorporação   dos   tratados   ao   ordenamento   por   meio   de   procedimento   específico,   distinto  do  processo  legislativo  comum.     Aparentemente,  o  Brasil  herdou  características  do  dualismo  moderado,  já  que  o  tratado   somente  se  incorpora  ao  ordenamento  interno  mediante  decreto  presidencial  (ratificação).     7.2  Monismo     A   teoria   monista   defende   que   existe   apenas   uma   ordem   jurídica.   Logo,   as   normas   internacionais  podem  ter  eficácia  condicionada  à  harmonia  do  seu  teor  com  o  direito  interno,  e  a  
  • 8. DIREITO  INTERNACIONAL  –  JOÃO  PAULO  LORDELO     8   aplicação  das  normas  nacionais  pode  exigir  que  estas  não  contrariem  os  preceitos  de  Direitos  das   Gentes.     Para  definir  qual  norma  deverá  prevalecer,  em  caso  de  conflito,  há  duas  vertentes:   • Monismo  com  PRIMAZIA  DO  DIREITO  INTERNACIONAL  (Kelsen)  !  Entende  que  o   ordenamento   jurídico   é   uno   e   o   DIP   é   hierarquicamente   superior.   É   também   chamado  de  monismo  radical.  Essa  teoria  é  a  teoria  adotada  pelo  DIP,  conforme   art.   27   da   Convenção   de   Viena   sobre   Direito   dos   Tratados   de   1969,   conforme   entendimento  da  Corte  Internacional  de  Justiça  (CIJ)  que  remota  ao  ano  de  1930:   Artigo  27.º-­‐Direito  interno  e  observância  dos  tratados   Uma   Parte   não   pode   invocar   as   disposições   do   seu   direito   interno   para   justificar   o   incumprimento  de  um  tratado.  Esta  norma  não  prejudica  o  disposto  no  artigo  46.º   • Monismo   com   PRIMAZIA   DO   DIREITO   INTERNO   (OU   NACIONALISTA)   !   Fundamenta-­‐se  no  valor  superior  da  soberania  estatal.     No   Brasil,   vislumbram-­‐se   aspectos   do   dualismo   e   do   monismo,   de   modo   que,   para   PORTELA,   não   é   possível   afirmar   que   o   Brasil   adota   uma   corrente   específica,   recorrendo   a   elementos  de  ambas  as  teorias.     7.3  Outras  possibilidades:  a  primazia  da  norma  mais  favorável     No   âmbito   do   Direito   Internacional   dos   Direitos   Humanos,   prevalece   o   princípio   da   primazia   da   norma   mais   favorável   à   vítima/ao   indivíduo,   pelo   qual,   em   conflito   entre   normas   internacionais  e  internas,  deve  prevalecer  aquela  que  melhor  promova  a  dignidade  humana.   Dualismo   Monismo   Duas  ordens  jurídicas  distintas  e  independentes.   Uma  só  ordem  jurídica.   Impossibilidade  de  conflito.   Possibilidade  de  conflito.   Necessidade  de  incorporação.     i. Dualismo   RADICAL   !   O   conteúdo   dos   tratados   deve   ser   incorporado   ao   ordenamento  interno  por  lei  interna;   ii. Dualismo   MODERADO   !   A   incorporação   exige   mera   ratificação,   com   prévia   aprovação  do  parlamento.   i. Monismo   NACIONALISTA   !   Prevalece   a   norma  interna;   ii. Monismo  INTERNACIONAL  !  Prevalece  a   norma  do  DIP.  É  prevista  na  Convenção  de   Viena  de  1969.   a) MONISMO   INTERNACIONALISTA   RADICAL:  o  tratado  prevalece  inclusive   sobre   a   Constituição.   A   norma   interna   contrária  é  considerada  inválida;   b) MONISTMO   INTERNACIONALISTA   MODERADO:  o  tratado  prevalece,  com   mitigações,   sendo   possível   eventual   aplicação   do   direito   interno,   sem   invalidade.