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JANUÁRIO, Gilberto. Materiais Manipuláveis : Uma experiência com alunos daeducação de jovens e adultos. Disponível em:http...
SANTOS, Leucenir Vieira. GOMES, Sirlei F. de Lima. A dificuldade deaprendizagem na EJA no ensino médio. Disponível em:www....
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Neste trabalho foi levantado um estudo sobre o ensino e a aprendizagem
na EJA e, com a aplicação de questionários e a análise de seus resultados, notou-se
que a dificuldade maior dos alunos estava na aprendizagem das equações do 1º
grau. A pesquisa foi feita com uma abordagem quantitativa, pois o questionário
continha perguntas objetivas e de carácter estatístico. Com base nisto foi
apresentada a tendência de jogos e materiais concretos no ensino da matemática
mostrando a sua importância e eficiência nas práticas pedagógicas, e lançadas duas
propostas de jogos adaptados para este ensino com o objetivo de tornar a
aprendizagem das equações mais acessível aos alunos.

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UMA PROPOSTA DE ENSINO DE EQUAÇÃO DO PRIMEIRO GRAU ATRAVÉS DA LUDICIDADE PARA A EJA

  1. 1. UMA PROPOSTA DE ENSINO DE EQUAÇÃO DO PRIMEIRO GRAU ATRAVÉS DA LUDICIDADE PARA A EJA Caio Conrado da Silva Costa1 caio-conrado@hotmail.com Eduardo Cunha Caldas2 duhcunha@hotmail.com Pallas Athena Miyake Nogueira3 pallasathmn@gmail.com Sammya Sué da Conceição Barata Silva 4 samsue2009@hotmail.comRESUMO:Neste trabalho foi levantado um estudo sobre o ensino e a aprendizagemna EJA e, com a aplicação de questionários e a análise de seus resultados, notou-seque a dificuldade maior dos alunos estava na aprendizagem das equações do 1ºgrau. A pesquisa foi feita com uma abordagem quantitativa, pois o questionáriocontinha perguntas objetivas e de carácter estatístico. Com base nisto foiapresentada a tendência de jogos e materiais concretos no ensino da matemáticamostrando a sua importância e eficiência nas práticas pedagógicas, e lançadas duaspropostas de jogos adaptados para este ensino com o objetivo de tornar aaprendizagem das equações mais acessível aos alunos.Palavras-chave: EJA, Equação do 1º grau, LudicidadeDIFICULDADES DE ENSINO E APRENDIZAGEM NA EJA As dificuldades estão presentes no ambiente escolar. No entanto, o presenteartigo as aborda tanto no ensino quanto na aprendizagem da Educação de Jovens eAdultos (EJA). Desde a constituição de 1988, em que o direito de educação básica foi dadoaos indivíduos que já haviam passado da idade escolar regular (7 a 14 anos) que aEJA começou a dar seus primeiros passos e junto com ela os empecilhos tambéminiciaram. Primeiramente, o obstáculo começou com relação ao ensino, já que oseducadores não possuíam e até mesmo hoje não possuem uma formaçãoacadêmica adequada e tinham que trabalhar com uma turma tão adversa e aomesmo tempo tão específica, e não faziam idéia de como agir pedagogicamente. Segundo Silva (2006, p.1-2), os adultos da EJA eram vistos como crianças,1 Estudante do curso Licenciatura em Matemática da UEPA2 Estudante do curso Licenciatura em Matemática da UEPA3 Estudante do curso Licenciatura em Matemática da UEPA4 Estudante do curso Licenciatura em Matemática da UEPA
  2. 2. porém pesquisadores como: Paulo Freire (1975), Oliveira (1999), Carvalho (1995),Knijnik (1995) entre outros, em seus estudos relacionados à psicologia cognitiva,descobriram que os alunos constituintes da EJA não deveriam ser tratados como tal,pois eles já possuem uma experiência de vida, um conhecimento informal ouintuitivo diferentemente das crianças, além de possuírem um construcionismo deconceitos diferenciados, fazendo com que se desmitificasse a idéia de que criançaspossuem uma capacidade cognitiva maior das de um adulto ou um jovem, e por issoprecisam de um tratamento pedagógico específico, cujo qual condiga com sua idadee práxis. Todos esses mitos ocasionaram uma subestimação de inteligência doeducando da EJA, fazendo com que seu rendimento e segurança baixassem econsequentemente seu rendimento também. Segundo Kessler (2006), um erro cometido pelo educador é a falta decontextualização da Matemática, pois ele se esquece que seu público alvo é umindivíduo que possui sim, um conhecimento matemático, mas sem saber daexistência do mesmo, o que por consequência influencia a aprendizagem do aluno,já que ele não compreende a finalidade matemática quando não está ligada ao seucotidiano, o que é chamado de habitus do professor, ou seja, a “mania” de ensinar amatemática de forma abstrata. Como pode ser visto no trecho a seguir: De acordo com o referido estudo, o habitus do professor de matemática constitui-se privilegiando o racional, o quantificável, o que pode ser verificado e, ao instituir a razão como fundamento, condiciona como caminho de acesso à “verdade”, à abstração do corpo e dos sentidos desvalorizando os elementos da ordem sensível, tais como a emoção, a intuição, a imaginação. Nessa perspectiva a Matemática árida, asséptica, um solo fértil para a instalação da inflexibilidade, da intolerância, da rigidez. (p.4) De acordo também com os estudos de Kessler (2006), outra dificuldadeencontrada pelo educador é a responsabilidade de terminar o conteúdoprogramático em um período bem menor do que o da escola regular, o que dificultaa busca do professor por uma maneira de fazer com que seus alunos obtenham umaaprendizagem “significativa”. Mas isso tudo se deve a pressão sofrida pelosindivíduos nessa cultura neoliberal, onde há a supervalorização de pessoas para omercado de trabalho, porém seu interesse é formar apenas um mero empregado,
  3. 3. não um cidadão crítico. Como mostrado no seguinte trecho: Percebe-se, portanto, que o qualificativo “básico” em educação assume diferentes conotações, muitas vezes contraditórias entre si, valorizando, de acordo com tais conotações, determinadas habilidades. Para a participação social pode ser mais importante o senso crítico, enquanto na estrutura hierárquica do trabalho pode ser mais importante, a atitude obediente, em que as ordens são cumpridas sem questionamentos. Observa-se desse modo que não há uma relação harmônica entre as necessidades da sociedade e as do indivíduo. (INFANTE R apud KESSLER, 2006, p.10) Segundo Migliorini e Salles (2007, p.8) um dos determinantes para o fracassoescolar desses “novos estudantes” é a sobrecarga da vida social, profissional efamiliar, pois um indivíduo pode muito bem chegar com o peso de um dia de trabalhocansativo ou com um problema familiar pairando sobre sua cabeça, o queprejudicará com certeza seu rendimento escolar. E o grande papel do professornesse caso é tentar “chamar” aquele aluno para a sala de aula, fazendo com quenenhum desses fatores seja desmotivador ou distraídor do mesmo. Migliorini e Salles (2007,p.1) também dizem que a EJA não deveria ser vistacom tanto preconceito e com a “taxação de incapacitados”, pois são cidadãos queestão freqüentando a instituição de ensino para obter uma mudança de vida e paraexercer completamente todos os seus direitos, são dotados de muitosconhecimentos, no entanto não possuem a formalidade apresentada na escola, queé quando os empecilhos começam. Contudo, a aprendizagem significativa é um dos tópicos mais importantes aserem alcançados no ensino atual, portanto encontram-se disponíveis váriasestratégias pedagógicas para o alcance desse objetivo, entre elas temos o uso demateriais concretos e jogos, contribuindo significávelmente para um entendimentomaior dos assuntos e construções mais sólidas de conceitos, além de desenvolverum espírito crítico no aluno.DIFERENÇA DE JOGOS E MATERIAIS CONCRETOS NO ENSINO DAMATEMÁTICA NA EJA Segundo Fiorentini e Miorim (2004) a matemática é tida como uma vilã, pois
  4. 4. os alunos da EJA e até mesmo os de outro tipo de ensino têm preconceito peranteessa disciplina e por isso criam um bloqueio para com ela. Segundo Januário (2010) Uma forma de penetrar nesse bloqueio é utilizandoos Materiais Concretos, pois ele fará com que o aluno não seja somente um meroespectador e a partir de agora ele participará da aula. Esse tipo de Material,geralmente são usados em escola de Educação Infantil, podem constituir umexcelente recurso para auxiliar na construção de seus conhecimentos, ser umexcelente catalisador para construir o seu saber matemático, e devem servir comomediadores para facilitar a relação professor/aluno/conhecimento no momento emque um saber está sendo construído, por isso que também são utilizados com aturma que cursa o ensino médio na EJA. Os Materiais Concretos propiciam aos alunos: interação e socialização nasala de aula, autonomia e segurança, criatividade, responsabilidade e motivação.● Interação e Socialização: Tira dúvidas e/ou pede ajuda aos seus colegas.● Autonomia e Segurança: Ao entender o uso do material concreto em umdeterminado assunto começa a criar uma nova situação problema.● Criatividade: Cria suas formas de entender aquele material concreto que foideterminado a algum assunto.● Responsabilidade: Os materiais concretos na maioria das vezes é do professor,os alunos da EJA passam a ter mais cuidado com o que não é seu.● Motivação: Com a utilização dos materiais concretos os alunos passam a querersolucionar o problema, mesmo que erre muitas vezes. Os Materiais Manipuláveis surgem em sala de aula, muitas vezes, como umsalva-vidas da aprendizagem. Nesse sentido, tais recursos não podem ser apenasum experimento, uma tentativa de acerto, mas que sejam ações pensadas,planejadas, estudadas e inseridas com seriedade e com intencionalidade. De acordocom Moreira e David (2007, p. 44): “A identificação que o aluno faz de um conceitoabstrato com sua representação concreta é a expressão de uma fase necessária efundamental do seu aprendizado”, ou seja, o aluno a partir de algum meio concretono qual ele pode tocar, assim poderá colocar em pratica tudo aquilo que estavaapenas na imaginação. De acordo com Fiorentini e Miorim (2004) os jogos são práticas culturais quese inserem no cotidiano das sociedades em diferentes épocas. Existem vários tipos
  5. 5. de jogos com diversas características, no que se refere aos destinados ao públicoinfantil. Eles estão presentes desde os primeiros momentos da vida do bebê, nosexercícios no período sensório-motor e participam da construção das personalidadesinterferindo nos próprios modos de aprendizagem humanas. O jogo educativo aparece com dois sentidos: primeiro o sentido amplo, comomaterial ou situação que permite a livre exploração em recintos organizados peloprofessor, visando ao desenvolvimento geral da criança e o segundo no sentidorestrito, como material ou situação que exige ações orientadas com vistas aaquisição ou treino de conteúdos específicos ou de habilidades intelectuais etambém recebe o nome de jogo didático. Em geral, o elemento que separa um jogo pedagógico de um outro de caráter apenas lúdico é que os jogos ou brinquedos pedagógicos são desenvolvidos com a intenção explícita de provocar uma aprendizagem significativa, estimular a construção de um novo conhecimento e, principalmente, despertar o desenvolvimento de uma habilidade operatória. (ANTUNES 1998, p. 38). Segundo Cruz (2010) nesse contexto de um ensino mais lúdico, temos osjogos matemáticos, que podem ser poderosos aliados para que os alunos possamaprender os conceitos matemáticos. Nesse sentido ele é utilizado como recursodidático facilitador para a aprendizagem ou consolidação da mesma. As dificuldades que os professores encontram no ensino do conceitomatemáticos na EJA são: falta de motivação por parte dos alunos em relação aatividades de matemática, e é nesse sentido que o jogo se torna um aliado naprática docente, e falta de material didático para o trabalho na sala de aula.DESCRIÇÃO METODOLÓGICA: A pesquisa foi feita através dois questionários objetivos em uma escolaestadual de Belém (PA) onde há a EJA, e baseado apenas no nível fundamental,quarta etapa, que corresponde no sistema à sétima e oitava série. O primeiro questionário foi aplicado a 13 alunos com idade variada(18 e 49anos), com a pretensão de avaliar as dificuldades dos alunos. As perguntas
  6. 6. abordavam a dificuldade específica com relação ao conteúdo estudado, metodologiautilizada pelo professor e o uso de jogos em sala de aula. Durante esta aplicação, foipedido ao professor que respondesse perguntas relacionadas a sua utilização dejogos em sala de aula e sua formação acadêmica . O segundo questionário foi aplicado para 10 dos 11 alunos, já que umarecusou-se a responder. O objetivo dessa nova aplicação era auxiliar-nos para aprodução de um jogo baseado na dificuldade específica de acordo com o primeiroquestionário. A aplicação das questões foram feitas em duas etapas: •Apresentação pessoal e motivo da distribuição das perguntas; •Distribuição e recolhimento após alguns minutos, além de auxilio aos alunos assim que pedido.ANÁLISE DOS DADOS DA PESQUISA.  Sobre o primeiro questionário:Gráfico 1: dificuldade dos alunos da EJA Acima temos o resultado de uma das perguntas que mostra o assuntoapontado como o de maior dificuldade na turma, a equação do primeiro grau com22,85%, e como de menor dificuldade Operações Fundamentais com 5,71% (adição,subtração, divisão e multiplicação em separados). Para com Junior e Savioli (2004, p.3) apontam como um dos fatores quecontribuem para esse obstáculo seria a falta de aproximação da matemática narealidade, o que releva como a metodologia tradicional utilizada pelo professor e
  7. 7. mostrada nos livros didáticos não alcança o objetivo de aprendizagem “significativa”. A segunda pergunta foi feita na qual foi descoberta a causa dessa dificuldade,e com 45,45% dois motivos foram apontados: porque possui muitas regras efórmulas, e a falta de contextualização dos assuntos matemáticas ensinada na salade aula. Com relação ao excesso de fórmulas e regras, o aluno decora, pois não háum entendimento do que está sendo passado a ele, porém o objetivo atual não é ter-mos meros reprodutores e sim cidadãos críticos. De acordo com Cardoso: No momento em que o professor exige do aluno, que o mesmo decore uma fórmula, um conceito matemático, ele começa a se sentir obrigado a fazer aquilo e isto, por mais que ele decore não significa que entendeu o significado do que está estudando apenas memorizou para utilizar em uma prova, ou em exercíci- os. É preciso que o aluno seja levado a pensar e a entender os significados matemáticos (2007, p.21) Já relacionado a ausência de contextualização dos assuntos matemáticos,ou seja, a falta de aproximação da matéria com a realidade, temos um tópicoimportante, pois como sua “intimidade” com a matemática formal é praticamentenula, a contextualização é extremamente importante para esse grupo escolar, já queo fará obter um entendimento maior do assunto, pois irá está sendo aplicado no seucotidiano. Segundo Lorenzato (2006): A presença de aplicações da matemática nasaulas é um dos fatores que mais podem auxiliar nossos alunos a se prepararempara viver melhor sua cidadania. Com 100% na pesquisa realizada, os alunos expuseram que o seu professorde matemática não utiliza jogos como auxilio de sua disciplina. O que seria explicadosegundo Infante R(apud KESSLER, 2006, p.10) que devido ao compromisso que doprofessor de terminar o conteúdo programático, acaba não sobrando tempo paraproporcionar aos alunos uma atividade que promova uma aprendizagem. Outra pergunta feita foi sobre se o jogo para o educando seria um bomauxiliador na compreensão da matemática, e com 76,92% a resposta foi “sim”, ouseja, os alunos gostariam de outros métodos de ensino na sala de aula. Como dizSantos: A ludicidade é uma necessidade do ser humano em qualquer idade e não pode ser vista apenas como diversão. O desenvolvimento do aspecto lúdico facilita a aprendizagem, o desenvolvimento pessoal, social e cultural, colabora para uma boa saúde mental, prepara para um estado interior fértil, facilita os processos de socialização, comunicação, expressão e construção do conhecimento (SANTOS,
  8. 8. 1997, p.12)  Segundo questionário Neste foi aprofundado o tema da equação de primeiro grau. Dos alunos queforam entrevistados, todos responderam que possuem problemas nesse assunto.Gráfico 2 : Dificuldades no assunto de Equação de Primeiro Grau Quando questionados sobre sua dificuldade em equação do primeiro grau,60% dos alunos responderam que isso se deve às quatro operações. O queacontece é a falta de dominação dos códigos e símbolos matemáticos, já que elesentendem essa matemática básica usada no dia a dia, pagando as contas,calculando horários, etc. Como é colocado no trecho a seguir: Quando adentra a sala de aula, a turma dos anos iniciais do Ensino Fundamental da Educação de Jovens e Adultos (EJA) geralmente con- segue fazer alguns cálculos e medições, embora ainda não domine os códigos matemáticos. "No dia a dia, eles fazem compras, usam trans- porte público e trabalham na construção civil e em outras áreas nas quais a Matemática está muito presente", explica Maria Amábile Man- sutti, “...” Levar isso em conta antes de planejar as atividades da disci- plina é fundamental para que todos os estudantes aprendam, de ver- dade, a lidar com os conceitos e generalizar os conhecimentos que possuem para empregá-los em outras situações. "É natural que eles encontrem dificuldades para verbalizar como chegaram ao resultado. Por isso mesmo, precisam de ajuda para analisar e sistematizar o que conhecem", diz Maria Amábile. O cálculo mental, que a maioria domi- na bem por usá-lo com frequência, é a estratégia que melhor ilustra essa delicada relação entre o saber formal e o não-formal. (MOÇO, 2009) Baseado na resposta dada pelos alunos com relação a vontade de que seudocente utilizasse jogos como metodologia de ensino fizemos a pergunta abaixo.
  9. 9. Gráfico 3: Tipos de jogos que a EJA gosta O Gráfico acima refere-se somente ao gosto da EJA em jogos que eles temacesso ou que são tradicionais para eles, e o Dominó com 35,71% foi o maisescolhido entre o tabuleiro, bingo e o baralho, que ficou logo atrás na preferência.DIFICULDADES DA EJA EM EQUAÇÃO DO PRIMEIRO GRAU Apesar de os alunos entrevistados todos os dias já trabalharem com amatemática básica, sendo no trabalho ou em casa, na hora de pagar as contas,calcular o tempo certo de cozimento, etc, é visto que ainda é difícil para elasatrelarem essa matemática informal e cultural com a escolar. Ou ainda: como dizBooth (1995), que considera as dificuldades em álgebra – equação – existentesdevido à falta de cuidado no ensino da aritmética – 4 operações básicas: “asdificuldades em álgebra não são tanto de álgebra propriamente dita, mas deproblemas em aritmética que não foram corrigidos". Porém, é importante que haja essa formalização dessa em busca de novosconceitos e aprendizados mais profundos. Além disso, desse jeito que nos é cobradopara a formação escolar plena. Como diz Brasil, sobre a importância de jovens eadultos aprenderem matemática: Aprender matemática é um direito básico de todos e uma necessidade individual e social de homens e mulheres. Saber calcular, medir, raciocinar, argumentar, tratar informações estatisticamente etc. são requisitos necessários para exercer a cidadania. (2002, p. 11) Durante a conciliação da matemática escolar com a cultural na EJA, deve serentendido que o assunto não pode mais ser visto como algo abstrato. Os alunos daEJA não são mais crianças: eles possuem uma carga cultural e intelectual, somentenão formalizada. É pretensioso um especialista (psicólogo, por exemplo) dizer queum pedreiro não sabe matemática básica por não seguir o algoritmo dele para fazercálculos. Na verdade, o pedreiro sabe fazer os cálculos que são necessários em sua
  10. 10. competência. Segundo Ruiz e Bellini à luz da teoria de Piaget (2001) “[...] aprendermatemática é adquirir ferramentas cognitivas para matematizar situaçõespertencentes a um mundo em construção”. O professor da EJA deve, então, criaruma ponte entre essa aritmética informal com a formal.APRESENTAÇÃO DE PROPOSTA: De acordo com os dados recolhidos pelas pesquisas, fizemos uma adaptaçãode dois jogos presentes na realidade dos alunos, afim de amenizar os empecilhosapontados pelos mesmos, mudando a rotina de uma aula tradicional, onde háprincipalmente exposição de assunto e exercícios de fixação, e eles acabam sendomeros espectadores, sem interação, nem com o professor e muito menos com oassunto estudado. Notemos que, para o ensino da Matemática, que se apresenta como uma das áreas mais caóticas em termos da compreensão dos conceitos nela envolvidos, pelos alunos, o elemento jogo se apresenta com formas específicas e características próprias, propícias a dar compreensão para muitas das estruturas matemáticas e de difícil assimilação. (GRANDO apud ALVES, 2007, p.22) O objetivo da ludicidade é promover uma aprendizagem do assunto equaçãode 1º grau, tentando fazer com que os alunos percebam as regras algorítimicas deresolução das mesmas, através de jogos que são comuns para os estudantes daEJA que entrevistamos. Serão utilizados o baralho e o dominó adaptados, comnomes de Equabaralho e Equadominó, respectivamente. Haverá duas aulas: em uma será aplicado o equabaralho, e em outra oequadominó. Antes dos jogos, os professores farão uma introdução no assunto(equação do primeiro grau) e resolverão exercícios de fixação junto com os alunos. O Equabaralho contém 72 cartas, na qual serão divididos em 36 cartas comequações de 1º grau e 36 com as suas respostas. Contará com 4 jogadores e cadaum terá 9 cartas nas mãos. Uma equação será posta na mesa e cada jogador, umpor vez tentará acha resposta. Se tiver a carta-resposta, poderá descartá-la. Casonão a tenha, mesmo assim se souber a resposta, poderá falar e por sua vezdescartar 3 cartas. Ganha quem não tiver mais cartas na mão. O Equaminó contém 28 peças, na qual cada uma conterá uma equação de 1ºgrau qualquer, e uma resposta. Essas pedras serão divididas em duas duplas com 7peças cada um. Começa aquela pessoa que possui o “carrão de 6” (resposta de
  11. 11. número 6 e equação com resposta 6). Após o primeiro jogador, o segundo terá decolocar uma peça que responda a equação ou uma equação para a resposta. Casonão possua nenhuma peça que combine, passa a vez, e ganha aquela dupla queficar sem peça primeiro. A importância do Equaminó ser em dupla é porque, dessa maneira, haveráuma socialização dentro do jogo entre a dupla, já que um jogador terá de pensar nocoletivo e não somente em si. Por Cruz (2010): A importância do uso de jogos está ligada também ao, desenvolvimento de atitudes de convívio social, pois o alunos, ao atuar em equipe, supera, pelos menos em parte, seu egocentrismo natural. Assim sendo o uso de jogos e materiais concretos em sala de aula, em uma dinâmica de grupo, é fundamental para o desenvolvimento cognitivo do alunos. Após a aplicação das propostas, será feita uma avaliação. O objetivo destanão será se os alunos de fato aprenderam o assunto – equação do primeiro grau –até porque eles precisam já ter vindo para a atividade sabendo a matéria. Os jogosforam feitos para reforçarem os procedimentos de conta, assim diminuindo asdificuldades previamente encontradas. Não será feita por meio de provas, mas sim continuamente durante aaplicação da proposta. Cada aluno não receberá uma nota do rendimento, pois omais importante é perceber se esse obteve um aprendizado significativo, como dizHaydt (1997, p.14), “atualmente, a avaliação assume novas funções, pois é um meiode diagnosticar e de verificar em que medida os objetivos propostos para o processoensino-aprendizagem estão sendo atingidos”. Então, caso o aluno não obtenharesultado satisfatório, ele poderá buscar outros caminhos para isso.CONSIDERAÇÕES FINAIS A utilização de jogos matemático no ensino das equações do 1º grau nasturmas da EJA é uma ideia bem aceita pela comunidade estudantil do mesmo, poisos alunos demonstraram interesse em aprender de fato o assunto ao qual têm maisdificuldade de uma forma diferente e dinâmica, já que o método tradicional de ensinocom muitos números e cálculos os desagrada. Trazer aos alunos jogos e materiaismanipulativos para auxiliar no ensino é uma forma de anular a repulsa deles porcertos conteúdos matemáticos e romper com as práticas rotineiras das salas de aula
  12. 12. o que, para os alunos da EJA, é muito importante porque faz com que a matemáticachegue a eles de uma forma agradável e não que seja mais um problema do seudia-a-dia.REFERÊNCIASALVES, Eva Maria Siqueira. A ludicidade e o ensino da Matemática.4. Ed.Campinas-SP, 2007. 111 p.ANTUNES, Celso. Jogos para a estimulação das múltiplas inteligências.Rio de Janeiro: Vozes, 1998.BOOTH, L. R. Dificuldades das crianças que se iniciam em álgebra. In:COXFORD, A. F.; SHULTE, A. P. (Org.). As idéias da Álgebra. Tradução de HyginoH. Domingues. São Paulo: Atual, 1995, p. 23-27BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais :Matemática. Brasília: MEC/SEF, 2002, 11p. (5ª a 8ª series).CARDOSO, Daiane de Souza. Dificuldades enfrentadas pelos professores dematemática da educação de jovens e adultos frente a uma metodologia deensino, 2007. Disponível em:http://www.bib.unesc.net/biblioteca/sumario/00002D/00002D73.pdf Data de acesso:10/12/2010 às 16:45CRUZ, Emerson Leandro da– Jogos no Ensino da Matemática: O uso de jogos noprocesso de ensino aprendizagem da matemática, 2010.http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:JXjL_sV2FmIJ:tead.grupouninter.com.br/ac1/arquivosteste/2a6b3afe73f5e0c17a32f03384bb67f2.ppt+jogos+no+ensino+de+matem%C3%A1tica+na+EJA&cd=3&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br Data de acesso :17/12/2010as 20:05hrsFÁVERO, Osmar. RUMMERT, Sônia Maria. DE VARGAS, Sônia Maria. Formaçãode Profissionais para a Educação de Jovens e Adultos: A proposta da faculdadede Educação da Universidade Federal Fluminense. Disponível em:http://forumeja.org.br/gt18/files/FAVERO.pdf_8.pdf acessado em 28 de Novembro de2010 às 20:10FIORENTINI, Dario e MIORIM, Maria Ângela. Uma reflexão sobre o uso demateriais concretos e jogos no Ensino da Matemática, 2004http://www.matematicahoje.com.br/telas/sala/didaticos/recursos_didaticos.asp?aux=C Data de acesso : 17/12/2010 as 19:35hrs
  13. 13. JANUÁRIO, Gilberto. Materiais Manipuláveis : Uma experiência com alunos daeducação de jovens e adultos. Disponível em:http://www.ccet.ufrn.br/matematica/lemufrn/Artigos/MATERIAIS%20MANIPULAVEIS%20COM%20ALUNOS%20DA%20EJA.pdf Data de acesso: 02/12/2010 às 19:55hrsJUNIOR.Antonio Rafael Pepece. SAVIOLI. Angela Marta Pereira das Dores. Com-preensão de Estudantes da EJA em Atividades Algébricas Por Meio de SuaProdução Escrita. VIII EBRAPEM, Londrina-PR, 2004. Disponível em:http://ebra-pem.mat.br/inscricoes/trabalhos/GT12_JUNIOR_TA.pdf acessado em 19 de de-zembro de 2010 às 20:43HAYDT, Regina Célia C.Curso de didática geral. São Paulo: Ática,1997KESSLER, Maria Cristina. Educação de Jovens e Adultos: (des)construindosaberes nos espaços do aprender e ensinar matemática. P 1- 18,2006.LORENZATO, Sergio. Para aprender matemática. Campinas, SP: AutoresAssociados, 2006.MIGLIORINI, Patrícia Antonieta de Melo Moura. SALLES, Fernando Casadei. OFracasso Escolar na Disciplina de Matemática no curso de Educação deJovens e Adultos – SESI/SOROCABA, 2007. Disponível em:http://www.alb.com.br/anais16/sem01pdf/sm01ss12_09.pdf acessado em 30 deNovembro de 2010 às 18:24MIGUEL, José Carlos. Educação Matemática em processos de EJA: Elementospara sua Fundamentação. Disponível em:http://www.anped.org.br/33encontro/app/webroot/files/file/Trabalhos%20em20PDF/GT18-6176--Int.pdf Data de acesso: 12/12/2010 às 15:30hrsMOÇO, Anderson. Ampliando os horizontes na EJA, Publicado em Nova Escola ,Ed. 228, 2009. Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/matematica/pratica-pedagogica/ampliandohorizontes-eja-matematica-situacoes-didaticas-calculo-mental-conta-armada-518279.shtmlacessado em 12/12/2010 às 11:15MOREIRA, Plínio Cavalcanti; DAVID, Maria Manuela M. S. A formação matemáticado professor: licenciatura e prática docente escola. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.OLIVEIRA, de Eliene. RODRIGUES, Marcia do Socorro. O lúdico na Educação deJovens e Adultos. Disponível em:http://www.alb.com.br/anais16/sem01pdf/sm01ss04_08.pdfacessado em 27 de Novembro de 2010 às 21:32PENTEADO, Heloísa Dupas. Jogo e a Formação de Professores:Videopsicodrama Pedagógico. In KISHIMOTO, Tizuko M. (org.). Jogo, Brinquedo,Brincadeira e a Educação. 4º ed. São Paulo: Cortez, 2000.RUIZ, Adriano R.; BELLINI, Luzia M. Matemática: epistemologia genética e escola.Londrina: Ed. UEL, 2000
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