APONTAMENTOS                         “A GEOPOLÍTICA É NUA E CRUA”                                                         ...
II.     A CONFERÊNCIA   No contexto da temática do evento, a senhora de cabelos alvos que é Becker abordaas duas mais rece...
esse jogo é fundamental, pois no “jogo dialético da territorialidade” pauta-se “asintenções da população e o jogo do poder...
realçando o “avanço extraordinário agora da BR 163”. Aborda também as confluênciasdo PAC, dos projetos da federação empres...
Não é pagar para não mexer. Gerar emprego e renda é colocar o dedo                       na ferida. Temos que organizar as...
colaborativo na representação coletiva, novas redes de fluxos, nexos, de gente emAmazônia!REFERÊNCIA DE APOIOBECKER, Berth...
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Estado do tapajos conferencia senhorinha berta becker

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Estado do tapajos conferencia senhorinha berta becker

  1. 1. APONTAMENTOS “A GEOPOLÍTICA É NUA E CRUA” Thais Helena Medeiros1 I. APRESENTAÇÃO O título desde artigo é uma frase que ouvi da voz entoada de uma senhorinhachamada Berta Becker. Geógrafa e professora na UFRJ é uma das grandes especialistasem Amazônia. De uma platéia basicamente de estudantes da UFOPA e altamenteconhecedora de sua importância foi ovacionada toda vez que os apresentadores aconvocavam ou a saudavam para compor a mesa. Tinha a missão de colocar em pauta areflexão sobre “A Geopolítica e o Desenvolvimento Regional no Oeste do Pará”, naprogramação do Seminário Tapajós, Perspectivas de Emancipação do Estado doTapajós. Este por sua vez, organizado pelo GT-Tapajós da UFOPA, em sua sede emSantarém, com apoio da prefeitura, nos dias 26 e 27 de outubro. O evento faz parte dosdebates em torno do plebiscito agendado para o dia 11 de dezembro de 2011 por forçaspolíticas e empresariais adversas à ampla e inclusiva discussão em torno de um modelode desenvolvimento calcado nas especificidades locais. Imbuída dessa intenção, compartilhou um pouquinho de seu conhecimentoacumulado ao longo de sua trajetória num conjunto de obra tanto individual como emparceria; caso do livro Um futuro para a Amazônia, de 2008, dividindo a autoria comClaudio Stenner. Como trabalho com alternativas de renda de ênfase na produção deobjetos, incluo como referência de seus trabalhos o paper Pequenos EmpreendimentosAlternativos na Amazônia, com Philippe Léna, além dos Geopolítica da Amazônia e oRevisão das políticas de ocupação da Amazônia: é possível identificar modelos paraprojetar cenários?1Mestranda de sociologia na Universidade Federal do Aamazonas (UFAM) e professora de jornalismoespecializado na Faculdades Integradas do Tapajós (FIT).
  2. 2. II. A CONFERÊNCIA No contexto da temática do evento, a senhora de cabelos alvos que é Becker abordaas duas mais recentes lições da geopolítica quanto a malha territorial, que é um dosmecanismos territoriais dos sistemas de poder do estado moderno. Essa tarefa estavacalcada em Michel Foucault e suas considerações sobre o poder, ponderando que osprincípios, a natureza do poder “não é uma coisa que você pode medir”. Para ela, “sópode ser capturado através de seus mecanismos e de suas estratégias”, numamodificação do “rearranjo do pacto federativo”. A primeira lição é o princípio da visibilidade ou do controle, explicando que “vemdo desejo de controlar o espaço inteiro, a população inteira”. Seguindo a noçãofoucaultiana em seu já clássico Vigiar e Punir, reporta sobre a histórica economiapolítica, crescimento demográfico e controle da população pelo olho do poder. O olhoque tudo vê que comparo aqui ao livro 1984, de George Orwell, em Becker é “que opoder esta em toda parte”, é vigilância. E como tal, se ramifica em poderes, que seestende em todas as instâncias. Acentua que “compartimentar o território é fazer umavigilância severa” sobre a massa de população através da disciplina: “é, sobretudo, umaanálise do espaço, de como dispor no espaço para melhor controlar”. E dispara, sereferindo ao Pará, que o poder central não quer dividir a população porque a que aquificará é pouco densamente povoada, persistindo que o mesmo [Pará] “é uma malhatecnopolítica institucional federal e central que controla o território: o olho do poder”.Assim, relaciona o poder do estado moderno em seu fundamento foucaultiano no designda prisão panóptica; forma circular com uma torre no meio onde os detentos eram vistos–ou vigiados- sem discernirem quem os vigiavam. Nesse viés, comenta que o Ministérioda Fazenda se posiciona contra os gastos enquanto que o da Defesa é a favor da divisãopor questões de segurança, alegando este último que nessas áreas “tem pouca gente”. Depois da vigilância, o outro “principio é o da diferenciação da identidade”. Isto é oque “recorta as relações da sociedade em seu território e é o espaço da prática social”.Ele é que “cria, demarca uma porção no espaço, estabelece limites e tem uma porção dopoder”. Dessa forma, insere Berta Becker que este princípio é “a apropriação de umaparte de terra e estabelece o poder”, exaltando que “é isso que gera a territorialidade e éa questão central do que se vive aqui”. Coloca que nessa relação do espaço é que se“tenta afetar, incluir através do controle”. Delimita que “estabelece-se assim o jogodialético do poder: o poder central e a territorialidade do espaço vivido”. Considera que
  3. 3. esse jogo é fundamental, pois no “jogo dialético da territorialidade” pauta-se “asintenções da população e o jogo do poder”. De sua fala mansa e descompromissada com a formalidade aborda a questão destacondição contemporânea de pertencimento que é capaz de gerar a “potencialidade daterritorialidade: quem é e quem a constitui”. Retomando sua noção de redes, enfatizaque existem redes econômicas e políticas entre a hierarquia do poder e os “extratosexteriores; um percurso entre topo e extratos inferiores”. Ressalta que “o estado tempoder ambíguo”. No tocante a questões culturais, aponta que a proposta de divisão do estado do Paránão está levando em conta as ocorrências “entre o sul e o norte de Santarém”. DestacaBerta Becker que numa ponta uma “elite oriunda do Mato Grosso e com seus interessespróprios, na outra, uma demanda histórica de Santarém”, questionando: “como fica essapolaridade?”. Coloca, então, que a “densidade institucional, é crucial para fortalecer aterritotialidade. O capital social nas redes de relações sociais é capaz de formar umarede cívica, envolvendo todos os atores se não tiver a territorialidade total”. Becker, quese perde do microfone deixando-nos a afiar a audição, de posse de seu backgroundteórico e empírico, que tanto enalteceu a platéia, e que foi o motor que me conduziu aeste seminário, ponderou que o poder local é dúbio em sua “realidade própria e poroutro lado a elite política quer esse poder”. Daí, a “ambigüidade do discurso que édissonante da base popular entre o poder vigente”. Parte desses dois contextos para chegar aos particulares políticos geográficos dadivisão do Estado do Pará: “qual o significado que esse espaço tem no nacional,regional, estadual e local”. Insere neste ponto a grande problemática na Amazônia; oforte desmatamento. Entretanto, em sua famosa deixa de floresta urbanizada sustentaque “não é vazio demográfico” da área que se pretende para o Novo Estado do Tapajós,mas que “população é mal distribuída onde a parte sul é muito pobre e com pouca gente;porém localização estratégica no ponto de vista nacional: circulação e excepcionalpotencial mineral; diversidade biológica fantástica; e em posição estratégica entreManaus e Belém”. Retoma que a densidade institucional favoreceu a territorialidade mesmo diante davontade “militar num planejamento urbano na Transamazônica e malha tecnopolítica”,
  4. 4. realçando o “avanço extraordinário agora da BR 163”. Aborda também as confluênciasdo PAC, dos projetos da federação empresarial, hidrovias, eclusas e hidroelétricas. Bemcomo alude o interesse das “elites no sul e no Mato Grosso”. Diz que “Santarém éfundamental mas não esta só e que temos que levar em conta tudo isso”. A palestrante considera também que há uma configuração ”pro-racionalidadeadministrativa: levar o desenvolvimento a áreas isoladas e abandonadas”. A senhorinhaBecker alerta “que desenvolvimento é decorrência de investimentos de infra-estruturaeconômica e social”. E reporta que os dados indicam grande potencial da agropecuária,indústria e serviços; bem como em área será o terceiro maior estado da Amazônia.Interpela a platéia: “como ter recurso para gerar outro estado maior com 58% de área ecom 15% de população?”. De fato, para Berta Becker há “uma importância de Santarém: base cultural edensidade institucional”. Mas, insere que pelos dados do Ipea, na base econômicahaverá perdas para o “estado-mãe: mais para um menos para outro e maior tributaçãonacional”. Por isso, uns são contra e outros a favor. Menciona que em renda per capitahá enormes desigualdade entre estados: “quem nascer em Carajás vai ser duas vezesmais rico do que quem nascer no Tapajós”.Finalizando, faz as últimas considerações geopolíticas quanto ao “sentimento cultural depertencimento e que foi a base do sim de Manuel Dutra” (em sua conferência deabertura na noite anterior):  A preocupação efetiva com o vazio da segurança e o desenvolvimento: militares, populações locais, parlamentares e estudiosos;  a criação de unidades federativas gera fantásticas aglomerações em torno da capital e o resto dos municípios fica abandonado; e  a soberania não depende só de enfrentar pressão externa. A população: se vai mal não apóia e se vai bem apóia. Aumenta a representatividade a nível nacional: quase não tem população e vai ter representaçao igual aos que tem muita população? Interesses políticos que veem a continuidade de seu curral. Qual a representatividade: hegemônicos ou representatividade cívica? É colocar em jogo a floresta, indios e ribeirinhos? Alternativas ou compromissos estratégicos para o desenvolvimento? Para mim a estratégia básica é mudar o modelo atual. Usar os recursos naturais para gerar emprego e renda sem depredação dos mesmos!
  5. 5. Não é pagar para não mexer. Gerar emprego e renda é colocar o dedo na ferida. Temos que organizar as bases econômicas. Nao é só soja e gado, tem que pensar na industrialização. Qual o projeto? O estado tem que ter compromisso com um outro tipo de desenvolvimento. A sociedade cívica é fundamental. Está faltando redes de articulação na construção de uma modelo. (...) Para muitos, em vez de estado, era melhor criar municípios.Mencionou o estudo na BR 163 no qual delimitaram uma grande meso região. E apontaque é fundamental fortalecer as cidades da região. Porque a cidade é o nó logístico, é a base do desenvolvimento. No global, redes políticas e econômicas estão ultrapassando os limites. É mais importante as redes do que uma divisão. Se tiver um projeto (...), as cidades tem que ter serviços fundamentais, centros de serviços para a produção. Articulação das cidades em rede. É isso que esta dinamizando as cidades no Planeta! III. UM PROJETO, UMA UTOPIA? Após sua conferência, a debatedora, professora Raimunda Monteiro, pondera suasidéias em torno das luzes jogadas “para novos direcionamentos de políticas numcontexto mais amplo na discussão, num projeto de desenvolvimento pautado pelasustentabilidade”. Questiona o sentido de pobreza para a área em questão, destacando aspotencialidades como riqueza: mais de 70% de floresta, capital social como os povosKaiapó, Munduruku, Zoé, e uma emergência de autoreferências. E que ter um estadopróximo desses povos é ter bancadas junto com sojeiros. Também ressalta que este éseu estado utópico, como bem defini sua proposta. Entende que aqui, em contradiçãocom a noção concreta de pobreza, existe uma riqueza pontuando também o potencialnatural hídrico, humano, florestal, carbono como mecanismo limpo, político,biodiversidade, localidade privilegiada no centro do continente com uma saída Atlânticae uma Pacífica por terra. “Podemos pensar potência nos processamentos dabiodiversidade: biotecnologia, turismo ecológico-verde, eventos, produção deconhecimentos e ciência da [socio]biodiversidade. Alocar capital; “o capital científicoaqui”. A professora Raimundinha insiste numa ação em busca do utópico para desenvolvera possibilidade de um novo estado calcado em um novo modelo de denvolvimento.Pode-se dizer que colocou clareza de sentimentos, de vontades, de perseguir ideias, decoletivo em autodenominações! Que venha a utopia da comunidade criativa, do
  6. 6. colaborativo na representação coletiva, novas redes de fluxos, nexos, de gente emAmazônia!REFERÊNCIA DE APOIOBECKER, Bertha K. (2005). Geopolítica da Amazônia. São Paulo: Estudos Avançados,vol.19 no.53, Jan./Apr. Disponível emhttp://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142005000100005BECKER, Bertha K. (2001). Modelos e cenários para a Amazônia: o papel da ciência, Revisãodas políticas de ocupação da Amazônia: é possível identificar modelos para projetar cenários?Parcerias Estratégicas, número 12, setembro. Disponível emhttp://www.ufpa.br/epdir/images/docs/paper28.pdfBECKER, Bertha K. & STENNER, Claudio (2008). Um futuro para a Amazônia. São Paulo:Oficina de Textos.BECKER, Berta K. & LÉNA, Philippe. Pequenos empreendimentos alternativos na Amazônia.Rio de Janeiro: UERJ. 2002. Disponível emhttp://www.unifap.br/ppgbio/doc/Bertha%20Becker.pdfFOUCAULT, Michel (1987). Vigiar e punir: nascimento da prisão. Tradução de Lígia M.Pondé Vassallo. Petrópolis: Vozes.MANZINI, Ezio (2008). Design para a inovação social e sustentabilidade, comunidadescriativas, organizações colaborativas e novas redes projetuais. Rio de Janeiro: E-papers.

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