1º ano Expectativas de Aprendizagem

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1º ano Expectativas de Aprendizagem

  1. 1. Expectativas de aprendizagem para o 1º ano do Ensino Fundamental de nove anos A ampliação do Ensino Fundamental de nove anos na rede pública paulista De acordo com a Lei nº 11.274/2006, o Ensino Fundamental passou a ter nove anos,incluindo-se assim as crianças de 6 anos no Ciclo I. Na rede pública de São Paulo, a delibe-ração CEE nº 73/2008 regulamentou a implantação do Ensino Fundamental de nove anos.Em 2009, essa implantação ocorreu em alguns municípios e em 2010 toda a rede receberáalunos no 1º ano do Ensino Fundamental. Este documento, portanto, se organiza em torno de um objetivo central: subsidiar to-dos os envolvidos no processo de incorporar as crianças de 6 anos no Ensino Fundamental.Após um texto preliminar, que permaneceu em discussão na rede durante o ano de 2009para avaliação e sugestões, apresentam-se agora estas diretrizes, conteúdos e expectativasde aprendizagem para orientar o trabalho com as crianças desta faixa etária. Entendemos que todo processo de mudança requer um esforço adicional de toda aequipe escolar na adaptação de tempos e espaços para melhor atender nossas crianças.Isso requer um compromisso da rede pública para oferecer acesso a um número maior decrianças à escolaridade e para a construção de uma educação com qualidade para todos oscidadãos. Ao final do ano faremos uma avaliação da viabilidade das propostas contidas neste do-cumento para possíveis adaptações. Bom trabalho a todos ! 1
  2. 2. Introdução A frequência neste primeiro ano configura-se em uma transição, seja para aquele alunoque entrará na escola pela primeira vez, seja para aquele que vem da Educação Infantil. Emqualquer um dos casos, é necessário assegurar-lhes o direito à infância, pois os alunos nãodeixarão de ser crianças pelo simples fato de estarem regularmente matriculados no EnsinoFundamental. A criança do 1º ano deve ter garantido seu direito à educação em ambientepróprio e com rotinas adequadas que possibilitem a construção de conhecimentos, consi-derando as características de sua faixa etária, integrando o cuidar e o educar. Cuidar e edu-car são princípios básicos da educação nesta faixa etária. Cabe ressaltar que a ampliação do Ensino Fundamental visa dar continuidade ao traba-lho desenvolvido nas escolas de Educação Infantil, ou garantir àqueles que nunca frequen-taram a escola um início de escolaridade tranquilo e promissor. A unidade escolar deverá,então, assegurar um trabalho pedagógico que envolva experiências em diferentes lingua-gens e suas expressões, buscando uma metodologia que favoreça o desenvolvimento so-cial, afetivo e cognitivo dessas crianças. Nesta perspectiva, a ampliação do Ciclo I do Ensino Fundamental de quatro para cincoanos assegura às crianças um período maior para as aprendizagens próprias desta fase, in-clusive da alfabetização, permitindo que elas avancem para os anos seguintes de uma formasegura e confiante em relação aos seus processos de construção de conhecimento. Indicação do CEE 52/2005 – Matrícula / Ingresso Ensino Fundamental Correspondência Ensino Fundamental de nove anos Idade/ano/série de oito séries 1º ano 6 anos 2º ano 7 anos 1ª série 3º ano 8 anos 2ª série 4º ano 9 anos 3ª série 5º ano 10 anos 4ª série De acordo com a tabela acima, o Ensino Fundamental, a partir de 2009, tem a duraçãode nove anos (atendendo as crianças de 6 a 14 anos de idade), ficando a Educação Infantildestinada às crianças de até 5 anos. 2
  3. 3. O trabalho realizado no 1º ano deve adequar-se aos níveis de desenvolvimento dascrianças desta faixa etária, proporcionando as mais diversas experiências nas quais os alunospossam acionar seus saberes. Conforme explicitado pelo Referencial Curricular, elaboradopelo MEC em 19981: É, portanto, função do professor considerar, como ponto de partida para sua ação educativa, os conhecimentos que as crianças possuem, advindos das mais varia- das experiências sociais, afetivas e cognitivas a que estão expostas. Detectar os conhecimentos prévios não é uma tarefa fácil. Implica que o professor estabeleça estratégias didáticas para fazê-lo. A observação acurada das crianças é um ins- trumento essencial neste processo. Os gestos, movimentos corporais, sons produ- zidos, expressões faciais, as brincadeiras, toda forma de expressão, representação e comunicação devem ser consideradas como fonte de conhecimento para o pro- fessor saber o que a criança já sabe. A prática educativa deve buscar situações de aprendizagens que produzam con- textos cotidianos nos quais, por exemplo, escrever, contar, ler, desenhar, procurar uma informação, etc. tenham função real. A entrada no Ensino Fundamental representa um marco significativo, tanto para ascrianças quanto para as famílias. Portanto, a qualidade do trabalho realizado com as crian-ças, doravante matriculadas no 1º ano do Ensino Fundamental do Ciclo I, demandará açõesplanejadas e compartilhadas com toda a equipe escolar comprometida com as práticas edu-cacionais a serem desenvolvidas, capaz de atender positivamente às novas demandas quesurgirão. A passagem entre as várias etapas de escolaridade deve prever sempre eixos de conexãoque favoreçam a integração dos alunos aos novos desafios. Nesse sentido, tanto a entradados alunos no 1º ano, quanto a passagem dos alunos do 5º para o 6º ano devem ser pensa-das, a fim de se evitar a descontinuidade do trabalho pedagógico. Essa integração progressi-va, quando bem planejada, ajuda os alunos a se adaptarem com mais facilidade, contribuin-do para suas aprendizagens, assim como as suas relações interpessoais no universo. Para que essa transição seja feita com propriedade e adequação é necessário desta-car as particularidades da faixa etária e as especificidades do ensino e aprendizagem paraesta idade.1  Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil – RCNEI. MEC/SEF, 1998. 3
  4. 4. A criança e suas especificidades A criança dessa faixa etária possui um grande repertório de conhecimentos construí-dos a partir das experiências cotidianas que vivenciou. Pode estabelecer novos e diferentesvínculos afetivos e se interessa cada vez mais pelas atividades em grupo, o que amplia suashabilidades sociais. A capacidade de simbolização está bem estabelecida nesta fase, e se manifesta pormeio da linguagem, da imaginação, da imitação e da brincadeira em situações diversas. Acriança faz uso de um repertório cada vez mais rico de símbolos, signos, imagens e concei-tos para mediar sua relação com a realidade e o mundo social. Embora seja um processolongo, a capacidade de conceituação já aparece nesta fase, permitindo que a criança esta-beleça relações e generalizações. Há um desenvolvimento acentuado de habilidades, comoa atenção e a memória, que se tornam mais conscientes e intencionais. A curiosidade e anecessidade de saber sobre e compreender o mundo são visíveis ainda que as associações eas relações sejam regidas por critérios subjetivos. Essa forma de pensar, no entanto, confereoriginalidade e poesia ao pensamento infantil como vemos no exemplo abaixo. Uma menina já próxima aos seis anos respondeu, assim, à seguinte pergunta: “Por que a lua não cai em cima da Terra?” – A lua... né... ela já foi impedida várias vezes... é... com o sol. Aí a lua fica mais alta que o sol pra poder os dois não brigar. Porque... é... a lua já tinha nascido antes do sol... aí começou uma briga de quem era mais velho... daí por isso que a lua foi pra cima. – E como é que ela foi impedida? – Impedida por a mãe do sol... falou que ele era mais velho e aí a mãe do sol arras- tou muitas vezes a lua, né... aí a lua se machucou e não pode mais andar... aí ela ficou lá no mesmo lugar.2 A consideração desse modo peculiar de pensar o mundo quando incorporada peloseducadores possibilita conhecer a criança, planejar atividades significativas, propiciar umaprodução infantil rica e original e ampliar seus conhecimentos.2  Fala extraída da fita de vídeo Do Outro Lado da Lua, de Regina Scarpa e Priscila Monteiro. 4
  5. 5. Modelo de ensino e aprendizagem A concepção de aprendizagem que embasa este e os demais documentos orientadoresda rede estadual pressupõe que o conhecimento não é concebido como uma cópia do reale assimilado pela relação direta do sujeito com o objeto de conhecimento, mas, produto deuma atividade mental por parte de quem aprende, que organiza e integra informações enovos conhecimentos aos já existentes, construindo relações entre eles. O modelo de ensino relacionado a essa concepção de aprendizagem é o da resoluçãode problemas, que compreende situações em que o aluno, no esforço de realizar a tarefaproposta, precisa pôr em jogo o que sabe para aprender o que não sabe. Neste modelo, otrabalho pedagógico promove a articulação entre a ação do aprendiz, a especificidade decada conteúdo a ser aprendido e a intervenção didática. O senso comum repete desde sempre que a criança aprende brincando, o que temgerado inúmeras atividades equivocadas, infantilizando conteúdos que se quer ensinar.O brincar é sim atividade importantíssima na infância, na qual as crianças criam por contaprópria enredos e ensaiam papéis sociais, o que certamente envolve muita aprendizagemrelativa à sociedade em que vivem. Ao jogar com regras elas também aprendem a interagir,a raciocinar. Mas, a aprendizagem de conteúdos envolve muito pensamento, trabalho inves-tigativo e esforço, portanto é necessário um trabalho pedagógico intencional e competente. As propostas pedagógicas devem reconhecer as crianças como seres íntegros, queaprendem a ser e conviver consigo próprios, com os demais e com o ambiente de maneiraarticulada e gradual. Devem organizar atividades intencionais que possibilitem a interaçãoentre as diversas áreas de conhecimento e os diferentes aspectos da vida cidadã em mo-mentos de ações, ora estruturadas, ora espontâneas e livres, contribuindo assim com o pro-vimento de conteúdos básicos para constituição de novos conhecimentos e valores. Papel das Diretorias de Ensino O papel primordial das Diretorias de Ensino neste processo de expansão do Ensino Fun-damental de oito para nove anos é o de garantir que suas unidades escolares ofereçam umatendimento educacional adequado aos níveis de desenvolvimento da criança de 1º ano. Noexercício de suas funções, as equipes das Diretorias deverão estar atentas ao trabalho realiza-do nas salas de aula do 1º ano, observando e intervindo diante de quaisquer dificuldades queimpeçam que essas crianças tenham boas situações de aprendizagem no cotidiano escolar. 5
  6. 6. Para tanto, as Diretorias de Ensino deverão acompanhar o trabalho pedagógico realiza-do nas turmas de 1º ano quanto: às atribuições de classes, ao planejamento anual, à organi-zação do tempo, dos espaços e da rotina destinada a esses alunos, observando os princípiosbásicos que deverão embasar o trabalho realizado, expressos neste documento. Tambémdeverão articular seu acompanhamento referenciando-se nas expectativas de aprendiza-gem destinadas para esse ano escolar, avaliando se estão sendo adequadamente atendidas. Caberá, ainda, às Diretorias de Ensino, por meio de suas equipes, contribuir para forma-ção de seus gestores – no tocante às especificidades do atendimento às crianças matricu-ladas no 1º ano – para que subsidiem suas equipes escolares a empreender momentos co-letivos de estudo e discussão sobre a organização do trabalho didático a ser realizado comas crianças desta faixa etária que agora estarão em nossas unidades de ensino, assim comoincentivar a participação das famílias como parceiras neste processo. As Diretorias deverão orientar as escolas para que organizem espaços diferenciados deaprendizagem e de formação coletiva, cumprindo assim sua função com qualidade educativa. Papel do professor, professor coordenador, diretor, secretáriode escola, agentes de organização escolar, merendeiras e demaisprofissionais da escola A entrada das crianças de 6 anos no Ensino Fundamental é uma ótima oportunidade deconstrução coletiva de novas ações pedagógicas e de organização do tempo e do ambienteescolar, que poderá ter consequências benéficas também para os alunos dos outros anos.Dado o caráter integrativo que a ação pedagógica para essas crianças precisa ter, há gran-des possibilidades de estimulo à revisão das práticas mais tradicionais também dos anosseguintes da escolaridade no que diz respeito à divisão didática por áreas de conhecimentoem aulas estanques. Nesse sentido, é de extrema importância, no que tange àqueles que assumirem as salasde aula do 1º ano, assim como também aos professores coordenadores, vice-diretores, dire-tores, supervisores e professores coordenadores das oficinas pedagógicas, planejar e garan-tir a organização dos espaços, da rotina e das atividades que se pretende realizar, refletindo-se antes coletivamente sobre os princípios básicos que devem embasar a ação educativa aser empreendida. O diretor e o professor coordenador da escola, de posse das expectativas de aprendi-zagem explicitadas nesse documento, poderão planejar juntos as modificações necessárias 6
  7. 7. para o acolhimento das crianças desta faixa etária. Como haverá especificamente necessida-de de alteração na rotina e no espaço, todos os profissionais, além dos professores, estarãoenvolvidos na mudança. A ação do professor Considerar as crianças como seres únicos, provenientes de diferentes famílias, com ne-cessidades e jeitos próprios de se desenvolver e aprender, pressupõe um profissional flexí-vel, observador, capaz de ter empatia com os alunos e suas famílias, além dos conhecimen-tos didáticos imprescindíveis a uma boa atuação pedagógica. Conforme Zabalza: “O peso docomponente das relações [pessoais] é muito forte. As relações constituem, provavelmente, orecurso fundamental na hora de trabalhar com crianças pequenas”. (1998, p. 27). Essas crianças, tendo frequentado ou não a Educação Infantil, chegarão ao 1° ano comuma bagagem de conhecimentos sobre a qual o professor terá que se debruçar para, a partirdaí, basear suas ações pedagógicas. Considerar a criança dessa faixa etária competente ecapaz é requisito fundamental para uma ação educativa de qualidade. O papel de mediador das aprendizagens, das interações e dos cuidados de si, do outroe do ambiente poderá exigir do professor novas competências e habilidades. O desafio depossibilitar aprendizagens desafiantes, enquanto a criança desenvolve autoconfiança emsuas capacidades e relações positivas com seus pares e os adultos, implica um professor co-nhecedor do desenvolvimento e das aprendizagens infantis. E, principalmente, de um edu-cador que aposta nas crianças e confia em suas capacidades. Outro aspecto importante dessa atuação profissional é a inclusão das famílias como par-ceiras da ação educativa, o que significa ir além de respeitar a diversidade, pressupõe, acimade tudo, considerá-las competentes e interlocutoras em diferentes situações de aprendiza-gem propostas para as crianças. Segundo o RCNEI, “a valorização e o conhecimento das carac-terísticas étnicas e culturais dos diferentes grupos sociais que compõem a nossa sociedade, e acrítica às relações sociais discriminatórias e excludentes, indicam que novos caminhos devemser trilhados na relação entre as instituições de Educação Infantil e as famílias”. Esses novos desafios ao papel do professor demonstram a importância da reflexão so-bre a prática pedagógica por meio dos instrumentos metodológicos, tais como: a observa-ção atenta, o registro sistemático, o planejamento coletivo e a autoavaliação efetuada portodos da equipe escolar relativa à qualidade educativa oferecida aos alunos. 7
  8. 8. Organização da rotina e as modalidades organizativas dotempo didático Considerando que não é indicado atuar com as crianças desta faixa etária em aulas es-tanques de 50 minutos com alguns poucos minutos de recreio, será necessário organizaruma rotina mais flexível. Incorporando a nomenclatura do RCNEI, sugere-se que o tempo escolar para o 1º anoseja intencionalmente planejado para proporcionar os cuidados de higiene cotidianos, asbrincadeiras e as situações de aprendizagem orientadas. Os eventos da rotina podem seorganizar em: • atividades permanentes (por exemplo: brincadeiras no espaço interno, no exter- no, cantos de atividades diversificadas, ateliês de artes visuais, roda de leitura, etc.); • sequência de atividades “planejadas e orientadas com o objetivo de promover uma aprendizagem específica e definida. São sequenciadas com a intenção de ofe- recer desafios com graus diferentes de complexidade para que as crianças possam ir paulatinamente resolvendo problemas a partir das diferentes proposições”. (RCNEI) Pode-se pensar, por exemplo, sequências de atividades para promover entre as crianças as discussões sobre como se organizam os números e como aparecem no mundo, para buscar informações específicas sobre um fenômeno da natureza noticiado pelos jornais, para conhecer um artista cujas obras serão visitadas no passeio ao museu, etc.”3. Outra modalidade de organização do tempo didático que tem especial interessepara crianças de 6 anos são os projetos didáticos, que se caracterizam por serem conjuntosde atividades envolvendo uma ou mais linguagens e possuem um produto final que serásocializado para um público externo à sala de aula. Em geral possuem duração de váriassemanas. A isto, Delia Lerner acrescenta outra característica: para ela, os projetos, mais do que métodos, são formas de organizar o tempo de modo a articular propósi- tos didáticos e comunicativos, cuja função social torna as situações de aprendiza- gem mais atuais, correspondentes às que são vivenciadas fora da escola. Como exemplo de proposta compartilhada com as crianças (propósito social) produzir e colecionar álbuns de figurinhas, montar coletâneas de contos favoritos, gravar3  Silvia Pereira de Carvalho, Adriana Klisys e Silvana Augusto. Bem-vindo, mundo!: criança, cultura e formaçãode educadores. São Paulo: Peirópolis, 2006. 8
  9. 9. fitas com poesias declamadas pelo grupo etc. Desse modo, os projetos articulam objetivos das crianças com os dos professores, objetivos de realização em conjun- to com objetivos didáticos, comprometidos com propósitos educativos bastante claros. Os projetos também contribuem para aprimorar as relações em grupo e a organização de um trabalho cada vez mais autônomo, livre do controle do pro- fessor. (RCNEI) Os cantos de atividades diversificadas A introdução da proposta de cantos de atividades diversificadas, na qual as crianças emum determinado período do dia podem escolher entre o cantos de livros o de jogo simbó-lico e de artes visuais, por exemplo, pode colaborar para uma rotina mais apropriada à faixaetária atendida. Com essa modalidade de organização as crianças podem vivenciar diferentes situ-ações de aprendizagem, escolhendo, exercitando a autonomia e buscando conhecer aspróprias necessidades, preferências e desejos ligados à construção de conhecimento e re-lacionamento interpessoal. É importante que esse tipo de organização favoreça o acessoaos mais variados bens culturais, como os proporcionados pela produção literária, infor-mativa e comunicativa, pela produção artística e pelo conhecimento acumulado sobre anatureza e sociedade. Essa proposta tem função decisiva na formação pessoal e social e na construção daautonomia da criança, uma vez que prescinde de um controle direto do professor. Por outrolado, permite que ele observe mais atentamente os problemas enfrentados pelas crianças,suas dificuldades, aprendizagens, gostos e interesses, o que muito o auxiliará no replaneja-mento pedagógico. Os cantos devem possibilitar: • participação em situações de brincadeiras e jogos nas quais se pode escolher par- ceiros, materiais, brinquedos, etc.; • participação em situações que envolvam a combinação de algumas regras de convi- vência em grupo e aquelas referentes ao uso dos materiais e do espaço; • valorização do diálogo como forma de lidar com os conflitos; • valorização dos cuidados com os materiais de uso individual e coletivo. 9
  10. 10. Organizando os cantos de atividades diversificadas O professor programa diferentes propostas – jogos de construção, jogos de regras, faz-de-conta, desenho, leitura de livros e gibis, etc. – e organiza a sala em cantos, de forma queas crianças possam percorrer o espaço, tomar conhecimento das ofertas e decidir por umadelas para começar, podendo ainda desenvolver outras propostas, durante o tempo previs-to para a atividade. As crianças podem ajudar o professor a organizar a sala em cantos, masisso não o libera de tomar decisões de caráter didático, tais como: • diversificar propostas a cada dia a fim de que as crianças tenham maiores possibili- dades de escolha; • manter algumas propostas durante um tempo a fim de que as crianças aprofundem conhecimentos e se apropriem dos conteúdos apresentados; • decidir possíveis agrupamentos entre as crianças, em uma ou outra ocasião, quan- do perceber que alguém precisa de ajuda e, por outro lado, reconhecer quem pode ajudar; • organizar o espaço em função do que espera que as crianças desempenhem: um canto mais aconchegante e acolhedor para atividades que exigem maior concentra- ção, um outro mais aberto e livre para atividades que pressupõem maior movimen- tação como alguns jogos; • disponibilizar materiais de apoio e suporte para as atividades das crianças, por exemplo, facilitando o acesso aos materiais para quem está no canto de pintura, à lousa e ao giz para quem vai fazer placares, registros de jogos, etc. ; • fazer intervenções ajustadas às possibilidades e necessidades das crianças. Reorganização do espaço físico O espaço organizado de maneira flexível e desafiante é considerado por estudiososcomo um segundo educador na educação das crianças no início da escolaridade. O que fazer então quando há um prédio escolar pronto que não é adequado ao funcio-namento de uma proposta que amplie as competências infantis e não as limite? Se a equipetem uma proposta que realmente está bem construída em direção à autonomia e expressãoda criança, fazer as adaptações necessárias não é tão difícil. Modificar a organização da salapara incluir, por exemplo, cantos de atividades diversificadas não é tão difícil quando há boavontade de todos os envolvidos. Descobrir outros usos para área externa, para refeitórios,enfim, se há uma proposta educativa coesa, bem fundamentada, é possível, mesmo com osprédios existentes, construir novos ambientes. 10
  11. 11. ... é preciso que o espaço seja versátil e permeável à sua ação, sujeito às modifica- ções propostas pelas crianças e pelos professores em função das ações desenvol- vidas.(RCNEI) Muito importante também, como cita o RCNEI, são: ...os recursos materiais entendidos como mobiliários, espelhos, brinquedos, livros, lápis, tintas, pincéis, tesouras, cola, massa de modelar, argila, jogos os mais diver- sos, blocos para construções, material de sucata, roupas, panos para brincar etc. ... (RCNEI) Acrescenta-se, ainda, a acessibilidade aos materiais, de maneira que as crianças tenhamautonomia no uso, além de cuidados de conservação e substituição regular. Conteúdos e expectativas de aprendizagem Considerando que dos objetivos gerais para essa faixa etária faz parte a necessidadede a criança desenvolver uma imagem positiva de si, que possa descobrir e conhecer pro-gressivamente suas potencialidades físicas, cognitivas e sociais, e tenha a oportunidade debrincar expressando suas emoções, conhecimento e imaginação, incluem-se nas expectati-vas de aprendizagem dois eixos que não figuram com destaque nas séries iniciais do EnsinoFundamental: Movimento, jogar e brincar e Cuidar de si, do outro Entende-se neste documento que os conteúdos são um meio para que a criança sedesenvolva, aprenda, adquira confiança em suas capacidades e se expresse em diferenteslinguagens advindas das seguintes áreas: • Língua Portuguesa • Matemática • Ciências Sociais e Naturais (história, geografia e ciências) • Movimento, jogar, brincar / Cuidar de si e do outro • Artes Os conhecimentos advindos principalmente das ciências, história e geografia serão de-senvolvidos como temas das sequências de atividades e dos projetos didáticos. Partindosempre de uma questão instigante proposta pelo professor ou derivada do interesse dascrianças é que terá sentido a pesquisa. Assim sendo, por exemplo, descobrir que no pátio daescola há tatus-bolinha pode gerar uma ou mais perguntas. Por que eles vivem em lugares 11
  12. 12. escuros? Como saber se o tatu é fêmea ou macho? A partir daí é possível planejar uma sequ-ência de atividades ou mesmo um projeto didático dedicado ao tema. Esta ação permitiráconstruir conhecimentos ligados à leitura, à escrita, à relação deste pequeno crustáceo ter-restre e o ambiente em que vive e àqueles ligados, por exemplo, ao desenho de observação.Essa ação pedagógica integra, portanto, conhecimentos advindos de diferentes áreas doconhecimento. Novembro de 2009 Equipe do Programa Ler e Escrever CENP – FDE 12
  13. 13. Expectativas de aprendizagem
  14. 14. Língua Portuguesa As crianças do 1º ano têm o direito de aprender e desenvolver competências em comu-nicação oral, em ler e escrever de acordo com suas hipóteses. Para isto é necessário que a es-cola de Ensino Fundamental promova oportunidades e experiências variadas para que elasdesenvolvam com confiança cada vez mais crescente todo o seu potencial na área e possamse expressar com propriedade por meio da linguagem oral e da escrita. Fonte: RCNEI – MEC Diretrizes Nacionais para a Educação Infantil Expectativas de aprendizagem Condições didáticas e atividades Observar se o aluno Criar situações em que as crianças Expressa oralmente seus desejos, possam expressar-se oralmente. sentimentos, ideias e pensamentos. Solicitar relatos sobre episódios do Relata fatos que compõem episódios cotidiano, ouvindo com atenção, cotidianos, ainda que com apoio de considerando a criança um recursos e/ou do professor. interlocutor real. Criar situações em que a criança tenha que ouvir os colegas, Escuta atentamente o que os colegas por exemplo; nas rodas de falam em uma roda de conversa, conversa, atentando para os respeitando opiniões, ocupando seu comportamentos necessários à turno de fala adequadamente. Comunicar-se no cotidiano interlocução. Ler para crianças notícias Comenta notícias veiculadas em interessantes e solicitar diferentes mídias: rádio, TV, internet, comentários pessoais. jornais, revistas, etc. Ler e ensinar para os alunos Usa o repertório de textos de tradição parlendas, quadrinhas, adivinhas, oral tais como parlendas, quadrinhas, etc. adivinhas, para brincar e jogar Tornar observável para as crianças, Reconhece e utiliza rimas em suas as rimas e repetições. brincadeiras. Identifica parlendas, quadrinhas, adivinhas e outros textos de tradição oral Oferecer oportunidades frequentes apresentados pelo professor. de contato com diferentes suportes de texto, tornando observáveis Ajusta o falado ao escrito a partir dos as características linguísticas, textos já memorizados, tais como estruturais e função social. parlendas, quadrinhas e outros do Ler ainda que não repertório de tradição oral. convencionalmente Localiza palavras num texto que sabe Propor atividades solicitando que de memória, tais como as brincadeiras a criança diga onde está escrita cantadas, adivinhas, quadrinhas, determinada expressão e/ou parlendas e demais textos do repertório palavra em textos conhecidos. da tradição oral. 14
  15. 15. Efetuar atividades que envolvam a identificação de nomes das Localiza um nome específico numa lista crianças da sala e de nomes em de palavras do mesmo campo semântico diferentes listas, usando práticas (nomes, ingredientes de uma receita, sociais tais como chamadas, peças do jogo, etc.). elaboração de lista de material para festa, etc. Tornar observável a relação entre Diferencia publicações tais como jornais, imagem e texto, chamando a cartazes, folhetos, textos publicitários, atenção para os recursos que o etc. ilustrador usou para transmitir ideias. Distingue algumas características básicas dos textos informativos e jornalísticos Criar situações em que as crianças e conhece os diferentes usos e funções possam antecipar os sentidos do desses portadores. conteúdo dos textos olhando asLer ainda que não imagens. Lê legendas ou partes delas a partir dasconvencionalmente imagens e de outros índices gráficos. Manifestar às crianças suas preferências e escolhas em relação Aprecia a leitura e comenta suas às leituras. preferências. Antecipa significados de um texto escrito a partir das imagens/ilustrações que o acompanham ou marcadores característicos de cada gênero. Ler para as crianças diferentes tipos de livros e textos, tornando Identifica legendas e levanta hipóteses observáveis os procedimentos de sobre seu significado. leitura para cada tipo de suporte de texto. Diferencia tipos de livros, literários, informativos e demais suportes de texto, e sabe nomeá-los, conhecendo seus usos. Ler narrativas e contos para as Escuta atentamente. Faz comentários crianças, tornando observáveis sobre a trama, os personagens e as linguagens próprias a este cenários. Relembra trechos. Consegue tipo de texto explicitando os relacionar as ilustrações com trechos da comportamentos e procedimentos história leitores. Consegue recontar uma história que Ler para crianças com regularidade ouviu mantendo uma sequência,Apreciar textos literários textos narrativos literários. recupera trechos da história usando expressões ou termos do texto escrito Roda de biblioteca. Produção oral Emite comentários pessoais e opinativos com destino escrito. sobre o texto lido. Reconta histórias conhecidas, Solicitar que as crianças recontem recuperando algumas características da após ouvir leituras de contos. linguagem do texto lido pelo professor. Usa conhecimentos sobre as Apresenta diferentes gêneros características estruturais das narrativas por meio da leitura, tornando-os clássicas ao produzir um texto, ditando familiares, apontando diferentes ao professor, respeitando as normas daProduzir textos escritos funções e organizações discursivas linguagem que se escreve.ainda que não saiba escreverconvencionalmente Criar oportunidades de escrita Usa conhecimentos sobre as coletiva de bilhetes, cartas e textos características estruturais dos bilhetes, instrucionais, tornando observáveis das cartas, e-mails ao produzir um texto, suas características gráficas, ditando ao professor. estruturais e função social. 15
  16. 16. Produzir textos escritos Criar oportunidades de escrever Antecipa significados de um texto ainda que não saiba escrever coletivamente contos, tornando escrito. convencionalmente observáveis suas características. Propor jogos nas quais as crianças precisam achar as letras. Recita o nome de todas as letras, apontando-as Apresentar e disponibilizar o alfabeto em letra bastão (sem Associa as letras ao próprio nome e aos enfeites e desenhos), lista de dos colegas. nomes, etc. para apoiar a pesquisa gráfica da criança para escrever de Recorre a alfabeto exposto na sala, próprio punho. quadro de presença, listas diversas, etc. para escrever em situações de prática Criar oportunidades diárias para social. que as crianças escrevam seus Uso de texto fonte para escrever nomes. de próprio punho Escreve o nome próprio e o de seus colegas onde isto se faz necessário. Fazer atividades em que os alunos tenham necessidade de utilizar Produz listas em contextos necessários a ordem alfabética em algumas a uma comunicação social: lista de de suas aplicações sociais, como ingredientes para uma receita, títulos de no uso de agenda telefônica, histórias lidas, brincadeiras preferidas, dicionários, enciclopédias, etc. etc. Criar oportunidades para que os Arrisca-se a escrever segundo suas alunos escrevam listas com função hipóteses. social real, ainda que não o façam convencionalmente. Matemática As crianças do 1º ano têm o direito de usar seus conhecimentos e habilidades para re-solver problemas, raciocinar, calcular, medir, contar, localizar-se, estabelecer relações entreobjetos e formas. Para isto é necessário que a escola de Ensino Fundamental promova opor-tunidades e experiências variadas para que elas desenvolvam com confiança cada vez maiscrescente todo o seu potencial na área. Fontes: PCNs, RCNEI, Matemática é D+ FVC Expectativas de aprendizagem Condições didáticas e atividades Observar se o aluno Propor atividades que envolvam o sistema de numeração e o uso dos Atribui significado, produz e opera números em diferentes situações. números em situações diversas, de acordo com suas hipóteses. Promover sequências didáticas e/ ou projetos didáticos nos quais Reflete acerca das regularidades do as crianças precisem escrever os sistema numérico. Usar números no cotidiano números (por exemplo, idade, e efetuar operações telefone, numeração do calçado, peso, Produz escritas numéricas, ainda que altura, etc.), auxiliando para que se não seja registro convencional. tornem observáveis as regularidades. Sabe ouvir as explicações de seus Garantir que todas as crianças tenham colegas, respeitando as diferentes espaço, em algum momento, para soluções encontradas. expor o que pensam e fazem. 16
  17. 17. Criar situações em que as crianças ouçam as soluções que os colegas acharam para os problemas e Incorpora soluções quando reavaliem suas soluções, caso seja pertinente. apropriado. Realiza contagens orais de objetos Criar oportunidades de contagens em usando a seqüência numérica. situações de práticas sociais reais, por exemplo, usando coleções de objetos Comunica quantidades, utilizando de interesse das crianças. linguagem oral, notação numérica ou registros não convencionais. Verificar como as crianças fazem contagens e que estratégias usam. Constrói procedimentos deUsar números no cotidiano agrupamentos a fim de facilitar ae efetuar operações Possibilitar o uso de jogos de contagem e a comparação entre duas tabuleiro e de regras que necessitem coleções. marcar pontos. Indica o número que será obtido Criar oportunidades nas se forem retirados objetos de uma quais as crianças tenham que coleção dada. comparar quantidades de forma contextualizada Indica o número de objetos que é preciso acrescentar a uma coleção Propor problemas que envolvam para que ela tenha tantos elementos somar e subtrair. quantos os de outra coleção dada. Criar situações-problema envolvendo ações de transformar e acrescentar. Propor situações em que a criança tenha que se situar no espaço, Identifica pontos de referência para deslocar-se nele, dar e receber indicar sua localização na sala de aula. instruções de localização. Indica oralmente a posição onde Propor atividades em que as crianças se encontra no espaço escolar e aEstabelecer relações entre possam representar a posição de um representa por meio de desenhos.espaço, objetos, pessoas e forma objeto e/ou pessoa estática ou em movimento. Indica o caminho para se movimentar no espaço escolar e chegar a um Propor atividades nas quais as determinado local da escola e crianças tenham que construir representa a trajetória, por meio de utilizando desenhos de seu itinerário, desenhos. solicitando pontos de referência. Propor atividades nas quais as Comparar tamanhos, estabelecer crianças tenham que medir e/ou relações. pesar usando instrumentos não convencionais e convencionais, tais Utiliza-se de expressões que denotam como fita métrica, régua, balança, etc. altura, peso, tamanho, etc.Explorar diferentes Oferecer atividades em que asprocedimentos para medir crianças precisem calcular, por Pensa e desenvolve estratégiasobjetos e tempo exemplo, quantos passos é preciso dar para chegar a um determinado próprias e/ou com colegas para medir, local, etc. pesar e produzir representações dos dados encontrados. Trabalhar diariamente com o calendário para identificar o dia do Identifica dias da semana, meses do mês e registrar a data. ano, horas. 17
  18. 18. Ciências Naturais e Sociais (História, Geografia e Ciências Naturais) As crianças do 1º ano do Ensino Fundamental têm o direito de exercer seu pensamento,suas hipóteses, conhecendo a vida dos seres vivos e sua relação com o ambiente, os fenôme-nos naturais e sociais e as transformações que deles decorrem. Para isso a escola de EnsinoFundamental precisa oferecer diferentes oportunidades para que a criança pense, estabe-leça relações entre o ambiente os seres vivos e o fenômenos naturais e sociais, valorize asdiferenças entre os povos, para que pesquise com sentido e significado e desenvolva açõespara garantir seu bem-estar, o bem-estar do outro e os cuidados com o ambiente. Fonte: RCNEI-PCNS Expectativas de aprendizagem Condições didáticas e atividades Observar se o aluno Propor sequências de atividades e/ ou projetos didáticos que envolvam estabelecer relações entre o ambiente e os seres vivos, seus modos de vida Acompanha com interesse, e as transformações pelas quais participando ativamente das etapas passam. do projeto e/ou sequência. Saber elaborar perguntas instigantes Interessar-se e demonstrar Busca responder às perguntas, que despertam a curiosidade dos curiosidade pelo mundo social e pensando, criando hipóteses. alunos. natural Expõe sua ideias e modos de Considerar o conhecimento das resolver problemas. crianças acerca dos assuntos em estudo. Interessa-se pela maneira de viver de diferentes grupos. Fomentar, entre as crianças, curiosidade sobre a diversidade de hábitos, modos de vida e costumes de diferentes épocas, lugares e povos. Utiliza, com ajuda do professor, Apresentar às crianças diferentes diferentes fontes para buscar fontes para buscar informações, como informações. objetos, fotografias, documentários, relatos de pessoas, livros, mapas, etc. Demonstra respeito em relação às diferenças. Estimular o respeito às diferenças Estabelecer relações entre o modo existentes entre os costumes, valores Interage com as diferentes tradições de vida de seu grupo social e de e hábitos das diversas famílias e culturais e as utiliza em suas outros grupos no presente e ou grupos, e o reconhecimento de brincadeiras, jogos e apresentações. passado. semelhanças. Estabelece relações entre os Proporcionar atividades que fenômenos da natureza de envolvam histórias, brincadeiras, diferentes regiões (relevo, rios, jogos e canções que digam respeito chuvas, secas, etc.) e as formas às tradições culturais de sua de vida dos grupos sociais que ali comunidade e de outras. vivem. 18
  19. 19. Criar, a partir de questões instigantes, situações para que as Utiliza, com ajuda dos adultos, de crianças observem a paisagem e fotos, relatos e outros registrosEstabelecer relações entre o modo suas variações, construam novos para a observação de mudançasde vida de seu grupo social e de conhecimentos, e os registrem. ocorridas nas paisagens ao longo dooutros grupos no presente e ou tempo.passado. Utilizar como suporte fotografias, Registra e representa de diferentes cartões postais, documentários, maneiras os conhecimentos filmes, entrevistas, mapas, que construídos. retratem as variações da paisagem. Utiliza a observação direta e Partir do interesse das crianças e/ com uso de instrumentos, como ou instigá-las por meio de questões binóculos, lupas, microscópios, a observar e conhecer formas de etc., para obtenção de dados eIdentificar paisagens e fenômenos vida de animais e pequenos seres informações.da natureza e sua relação com a vivos presentes no cotidiano quevida dos animais e das pessoas despertem a curiosidade dos alunos. Registra informações utilizando diferentes formas: desenhos, Oferecer oportunidades para que as textos orais ditados ao professor, crianças possam expor o que sabem comunicação oral registrada em sobre os seres vivos que conhecem. gravador, etc. Valoriza e desenvolve atitudes de manutenção e preservação Oferecer oportunidades para que dos espaços coletivos e do meio as crianças, a partir de questões ambiente. instigantes sobre a relação entre luz,Estabelecer relações entre os seres nutrientes, água e crescimento de Estabelece algumas relações entrevivos e seu ambiente vegetais, acompanhem e cuidem de algumas espécies vegetais e suas pequenos vasos na sala ou do cultivo necessidades vitais. de hortaliças no espaço externo da instituição. Conhece os cuidados básicos para o crescimento dos vegetais, por meio da sua criação e cultivo. Conhece algumas propriedades dos objetos: refletir, ampliar ou inverter Criar condições para que as crianças as imagens, produzir, transmitir possam atender às necessidades ou ampliar sons, propriedades físicas com independência. ferromagnéticas, etc. Ensinar e oferecer condições para o Identifica necessidades físicas e sabe autoaprendizado dos cuidados de satisfazê-las com independência. saúde. Exemplos: sede, frio, calor, etc.Aprender a cuidar de si no Tornar observável para a criança Aprende cuidados básicos decotidiano, com segurança e possíveis áreas de risco, auxiliá- higiene. Exemplo: lavar as mãosautoconfiança, cuidar do outro e la a identificar com códigos após ida ao banheiro e antes dedo ambiente identificadores de perigo. comer. Estimular as crianças a auxiliarem os Movimenta-se com segurança, colegas em situações cotidianas identificando situações cotidianas de risco contra sua integridade física. Estimular as crianças a economizarem água. Oferece ajuda a um colega quando se faz necessário. Introduzir hábito de separação de lixo nas salas e na escola. Desenvolve hábitos de cuidados com o ambiente, separação de lixo, economia de água, etc. 19
  20. 20. Artes As crianças do 1º ano têm o direito de conhecer a produção artística, expressar suacriatividade compartilhando: pensamentos, ideias e sentimentos também por meio de ati-vidades de exploração envolvendo artes visuais e música, reconhecidas como linguagem econhecimento. Para isto a escola de Ensino Fundamental deverá oferecer diferentes situa-ções de contato com a produção artística, possibilitando o fazer e o apreciar. Expectativas de aprendizagem Condições didáticas e atividades Observar se o aluno Oferecer diversidade de produções artísticas para que a criança aprecie. Instigar, na observação das obras, a Identifica algumas técnicas e descoberta e o interesse das crianças. procedimentos artísticos presentes nas obras visuais. Escolher artistas cujas obras sejam Reconhecer elementos básicos da significativas para as crianças, quer linguagem visual Aprecia, externando opiniões, pelo uso de temas, quer pelas sentimentos, reproduções de técnicas e suportes. obra de arte em livros, internet, documentário, museus, casas de Pesquisar, junto com as crianças, em cultura, ateliês. livros, internet, museus e ao vivo, com artistas locais, informações interessantes sobre o artista e as obras analisadas. Organizar um espaço para dispor os materiais e suportes necessários à Desenha, pinta, esculpe, produz produção e criar sistemática de uso. colagens, etc., transformando, produzindo novas formas, Promover situações em que as pesquisando materiais, pensando crianças possam produzir em argila, sobre o que produz. Utilizar elementos da linguagem massa de modelar e demais recursos visual para expressar-se que permitam a tridimensionalidade. Explora espaços e materiais bidimensionais e tridimensionais em Expor, com estética e cuidado, as suas produções. produções das crianças, socializar em roda de conversa, por exemplo, as Valoriza suas produções e as de seus soluções encontradas para produzir colegas. com singularidade. Oferecer diversidade de produções musicais para que a criança as Conhece um bom repertório Reconhecer elementos básicos da aprecie, por meio de CDs e/ou DVDs de músicas não só infantis, mas linguagem musical de apresentações musicais. Quando populares, clássicas, etc. possível, oferecer música ao vivo. 20
  21. 21. Instigar, na observação das obras, a descoberta e o interesse das crianças por detalhes sonoros, identificação de instrumentos, etc. Escolher artistas cujas obras sejam significativas para as crianças, quer pelo uso de temas, quer pela intencionalidade, diversidade regional. Identifica detalhes sonoros nas composições musicais Pesquisar, junto com as crianças, em livros, internet e com o próprio (em Reconhece diferenças nos ritmos, caso de artistas locais), informações sons, estilos. Utilizar-se dos elementos básicos interessantes sobre o artista e sua produção. Faz arranjos sonoros simples, da linguagem para expressar- se interpreta, utilizando a voz, sons musicalmente Organizar um espaço para dispor feitos com o corpo materiais sonoros os materiais sonoros necessários à convencionais e não convencionais, experimentação e improvisações, etc. instrumentos musicais e tecnologia. Propor a construção de objetos Explora as diferentes propriedades sonoros. do som. Propor atividades que tornem observáveis altura, timbre, intensidade. Promover situações em que as crianças apresentem para públicos diversos as canções que aprenderam e as produções sonoras. Movimento, jogar e brincar As crianças do 1º ano do Ensino Fundamental têm o direito a se movimentar cada vezmais com propriedade e segurança, utilizando o corpo para expressar-se, a brincar criandoenredos e papéis e a jogar cotidianamente na escola. Para isso a escola de Ensino Funda-mental precisa oferecer diferentes oportunidades para que a criança se exercite, valorize aatividade física, adquira autoconfiança, brinque só ou com seus pares e jogue em diferentesmomentos. Fonte RCNEI-PCNS- OCPMSP 21
  22. 22. Expectativas de aprendizagem Condições didáticas e atividades Observar se o aluno Propor atividades físicas que Desenvolve progressivamente envolvam correr, pular e jogar nos a coordenação, o equilíbrio, a espaços externos e internos. força, velocidade, resistência, a flexibilidade. Ensinar a jogar com regras jogosExplorar diferentes qualidades e tradicionais usando bolas, cordas, Percebe e identifica sensações físicas,dinâmicas do movimento tacos, etc. limites e potencialidades de seu corpo. Ajudar os alunos a combinarem e cumprirem as regras, a Cumprem os combinados, cooperam desenvolverem atitudes de respeito e e são respeitosos durante os jogos. cooperação. Oferecer diversidade de mídias, CDs, DVDs, filmes que envolvam a dança para que a criança aprecie. Usa estruturas rítmicas paraAmpliar as possibilidades Oportunizar apresentações ao vivo, expressar-se por meio da dança eexpressivas do próprio movimento quando possível. outros movimentos. Instigar a observação de diferentes tipos de danças, apoiando a descoberta e o interesse das crianças. Tornar observável para a criança modificações corporais após exercícios mais intensos e mais calmos.Apropriar-se progressivamente Percebe e identifica sensações físicas,da imagem global de seu corpo, Propor jogos que envolvam limites e potencialidades de seuconstruindo autoconfiança em interação, imitação e corpo.suas habilidades físicas reconhecimento de partes do corpo. Valorizar as conquistas corporais, incentivar as habilidades motoras. Organizar espaço, materiais e Brinca de faz-de-conta, só ou comBrincar por conta própria e tempo para que a criança brinque seus pares, escolhendo temas,interagir com os colegas diariamente. enredos, papéis. Fornecer materiais que favoreçam jogos de construção, tais como retalhos de madeira, material de sucata, etc. Constrói, só ou com amigos, estruturas de blocos de madeiras,Brincar de jogos de construção Observar as brincadeiras para papelão, pano, etc. para brincar de registrar as capacidades infantis temas variados. ligadas à linguagem oral, às interações e socialização, intervindo apenas quando se fizer necessário. 22
  23. 23. Avaliação das aprendizagens A avaliação deve ser um processo formativo, contínuo, que não necessita de situaçõesdistintas das cotidianas. Portanto, o que aqui se apresentou são alguns critérios para que osprofessores possam melhor analisar e avaliar o que se passa na escola, particularmente oavanço dos alunos em relação às expectativas de aprendizagem. 23

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