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10 anos priorizando
a primeira infância
em Canela
a Semana
do Bebê
Como
realizar
em seu
Município
a Semana
do Bebê
Como
realizar
10 anos priorizando a primeira infância em Canela
em seu
Município
FICHA TÉCNICA
PRODUÇÃO EDITORIAL
Nubia Silveira Editores
nubiasilveira@terra.com.br
COORDENAÇÃO
Elizabeth Motta e Nubia Silveira
EDIÇÃO
Nubia Silveira
REPORTAGEM
Adélia Porto Silva e Cari Rodrigues
FOTOS
Nilton Santolin
Banco de Imagem do Jornal de Canela
Arquivo Pessoal do psiquiatra Odon Cavalcanti
DESIGN GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO
Pubblicato Design Editorial
pubblicato@pubblicato.com.br
PRODUÇÃO E EXECUÇÃO DO CD
Marcelo Lemos
O UNICEF foi criado pela ONU em 1946 como
um fundo emergencial para socorrer as crianças
das nações devastadas pela II Guerra Mundial.
Hoje está presente em 191 países e territórios,
ajudando na sobrevivência e no desenvolvimento
de meninas e meninos. Presente no Brasil desde
1950, o UNICEF atua ao lado dos governos federal,
estaduais e municipais; sociedade civil, setor pri-
vado, mídia e organizações internacionais, tendo
como prioridade a defesa, promoção e proteção
dos direitos de cada criança e adolescente a so-
breviver e se desenvolver; aprender; ser protegido
e se proteger do HIV/aids; crescer sem violência;
e estar em primeiro lugar nas políticas públicas.
PUBLICAÇÃO
Representante do UNICEF no Brasil
Marie-Pierre Poirier
Equipe Técnica do UNICEF
Coordenação
Cristina Albuquerque
Colaboração:
Ana Márcia Diógenes P. Lima, Ana Maria Azevedo,
Arineide Guerra, Danielle Bôto, Estela Caparelli,
Francisca Maria Andrade, Halim Antônio Girade,
Jane Santos, Letícia Sobreira, Maria da Conceição Cardozo.
Fundo das Nações Unidas para a Infância - UNICEF
Escritório da Representante do UNICEF no Brasil
SEPN 510, Bloco A, Ed. Ministério da Saúde –
Unidade II – 2º andar
Brasília, DF – 70750-521
Telefone: (61) 3035 1900
Fax: (61) 3349 0606
E-mail: brasilia@unicef.org
Website: www.unicef.org.br.
© 2010 UNICEF
Todos os direitos reservados
Dados Internacionais de catalogação na fonte - CIP
C221c CANELA. Prefeitura Municipal
Como realizar a semana do bebê em seu município : 10 anos priorizando a primeira
infância em Canela / por Prefeitura Municipal de Canela, Universidade Luterana do Brasil
(ULBRA). – Brasília, DF : UNICEF/Brasil, 2010.
52 p. : il., fotos color.
Inclui referências bibliográ cas.
Apoio: Unicef e RGE. Parceiros: COMDICA, Conselho Tutelar, Câmara de
Vereadores, ACM, Lions Club, Rotary Club, Estado do Rio Grande do Sul.
ISBN
1.Políticas Públicas. 2.Mortalidade Infantil. 3.Primeira Infância Melhor.
4.Organização de Evento. 5.Cuidados com Bebê. 6.Semana do Bebê. 7. Rio Grande do
Sul, Canela. I. Universidade Luterana do Brasil II. Título.
CDU 659.27–053.3(816.5Canela)
Bibliotecária responsável: Débora Dornsbach Soares – CRB-10/1700
Referência: CANELA. Prefeitura Municipal. Como realizar a semana do
bebê em seu município: 10 anos priorizando a primeira infância
em Canela. Brasília, DF: UNICEF/Brasil, 2010. 52 p.; il.
A Salvador Célia
(in memoriam)
Por teres sido um visionário e persistires no teu caminho, apesar das dificuldades, hoje nos olham
diferente, nos dão atenção, aconchego e oportunidade de sermos bebês e crianças saudáveis.
Sem a tua dedicação, capacidade de mobilização e trabalho comunitário, os nossos pais e
cuidadores ainda desconheceriam a importância dos vínculos afetivos e dos estímulos para o nosso
desenvolvimento integral. Obrigado pelo teu amor e pela tua generosidade.
Os Bebês do Brasil
Sumário
Prefácio
Canela, um bom exemplo
Apresentação UNICEF
Capítulo 1
Semana do Bebê: uma experiência bem-sucedida
Por que investir no bebê?
Histórico da Semana do Bebê: o exemplo de Canela
Uma década de mobilização e sensibilização
Herança e resultados
Capítulo 2
Como realizar a Semana do Bebê em seu município
Planejamento
Mobilização
Evento
Avaliação
Glossário
Sugestão de Bibliografia
Agradecimentos
Prefácio
8
10
1
ida
13
14
16
18
2
io
30
36
39
44
46
46
48
Prefácio
Canela,
um bom exemplo
PREFÁCIO
Hoje, graças às recentes descobertas da ci-
ência, é melhor compreendida a importância vital
dos primeiros anos de vida, para todo o desen-
volvimento futuro do ser humano. É no início de
sua existência que todos os sistemas vitais orga-
nizam os alicerces de seu funcionamento poste-
rior. Não é diferente com a nossa espécie.
Esse conhecimento cientí co nos leva à ne-
cessidade de investir cada vez mais em políticas
públicas para o desenvolvimento integral da pri-
meira infância, se quisermos um mundo melhor
para se viver.
No Rio Grande do Sul, executamos a mais
abrangente política de cuidados nessa área,
existente no Brasil. Desde 2003, trabalhamos
com um programa denominado Primeira Infân-
cia Melhor (PIM). Ele tem como foco os cuida-
dos integrais nos primeiros anos de vida, visan-
do, além da sobrevivência, ao desenvolvimento
mais adequado de competências cognitivas e
socioemocionais. Sob a coordenação da Secre-
taria Estadual de Saúde, as áreas de educação,
desenvolvimento social e cultura se articularam
em âmbito estadual e induziram o mesmo tipo
de organização em 250 municípios. Oitenta e
cinco mil crianças pequenas, lhas das famílias
mais pobres, estão sendo acompanhadas se-
manalmente, em casa. A meta é chegar a 150
mil crianças o que atingirá todas as famílias de
baixa renda no Estado. Professores, assistentes
sociais, enfermeiros, médicos e agentes cultu-
rais atuam conjuntamente, num formato inova-
dor de acompanhamento domiciliar.
Mas a nossa fonte inspiradora surgiu numa
cidade do interior gaúcho, onde, vários anos an-
tes de criarmos o PIM, já havia um amplo tra-
balho de mobilização da comunidade para os
cuidados com as crianças pequenas. Essa cida-
de era Canela. O criador dessa mobilização foi
o inesquecível pesquisador, professor, médico
psiquiatra e exemplo de ser humano sensível,
Salvador Célia.
Em Canela, Salvador encontrou o lugar ide-
al para trabalhar de forma coletiva as questões
da Primeira Infância, e, junto com a Administra-
ção Municipal, criou a Semana do Bebê, e o Dia
do Bebê, trazendo milhares de pessoas para va-
lorizar, com muitas ações, o início da vida. Am-
plamente divulgados, esses eventos se transfor-
maram em notícia estadual e nacional e foram
acompanhados de eventos cientí cos que refor-
çaram a crença na importância desse trabalho.
Atualmente o exemplo se espalhou e se trans-
formou no Dia e na Semana Estadual do Bebê, re-
forçando nossas políticas públicas setoriais. Tam-
bém realizamos seis seminários internacionais
para discussão do tema, com os maiores pesqui-
sadores do mundo, seminários esses que sempre
contaram com a participação ativa do mestre Sal-
vador Célia, até o seu falecimento.
Superando o medo recorrente, de que polí-
ticas públicas relevantes sejam extintas a cada
mudança de governo, conseguimos transformar
o PIM em lei estadual. O município de Canela
continua sendo nosso grande estímulo, reali-
zando a cada ano eventos maiores e mais sig-
ni cativos sobre o desenvolvimento dos nossos
bebês. Que vivam cada vez melhor os bebês de
Canela, para nos dar o bom exemplo.
Osmar Terra
Secretário Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul
APRESENTAÇÃO
É com muita alegria que nós do UNICEF
apresentamos esta publicação que tem por ob-
jetivo compartilhar a experiência da Semana do
Bebê, que, temos certeza, poderá contribuir com
a promoção do direito de toda e cada criança a se
desenvolver plenamente.
A Semana do Bebê é realizada anualmen-
te há mais de 10 anos em Canela, município da
Serra Gaúcha, e difundida em 25 municípios do
Rio Grande do Sul, além de cidades em Portugal,
na Argentina e no Uruguai. Idealizada e coorde-
nada pelos professores Salvador Célia e Odon
Frederico Cavalcanti Carneiro Monteiro e pelo
radialista Pedro Dias, ao longo dos anos foi assi-
milada pelo poder público e pela comunidade de
Canela, por colocar a primeira infância no centro
das atenções e das ações do governo municipal
e de toda a sociedade.
O UNICEF acompanhou a experiência em
vários momentos e identi cou seu potencial agre-
gador de políticas para a primeira infância e a ca-
pacidade de contribuir com os demais municípios
brasileiros e outros países na promoção dos di-
reitos. Com o apoio dos parceiros locais e consul-
tas técnicas, foram sistematizados o histórico da
experiência e seus resultados com o objetivo de
disseminar conhecimentos sobre todo o proces-
so mobilizador.
O UNICEF reconhece o grande potencial
dessa iniciativa como estratégia de mobilização
social em prol da primeira infância e lança esta
publicação destinada aos gestores municipais
e à sociedade. Ela foi construída com base em
entrevistas com as famílias, pro ssionais da
saúde, educação e assistência social, além dos
representantes de todos os segmentos sociais
que promovem a Semana do Bebê. Em dois
capítulos, narra a experiência e orienta sobre
como realizar todo o processo de mobilização.
E para disseminar a iniciativa em outros países,
a publicação contém um CD com uma versão na
íntegra em português e espanhol e uma versão
sintética em inglês.
A experiência aqui relatada demonstra
avanços na construção de políticas públicas que
primam pela garantia da sobrevivência e do de-
senvolvimento infantil.
A intenção do UNICEF é motivar os gestores
públicos e a sociedade brasileira a garantir o di-
reito ao pleno desenvolvimento de cada criança.
A Salvador Célia (in memoriam) e seus par-
ceiros, os nossos agradecimentos pela iniciativa
voltada ao pleno desenvolvimento infantil e à
transformação da realidade dos municípios bra-
sileiros.
Marie-Pierre Poirier
Representante do UNICEF no Brasil
Semana do Bebê:
uma experiência
bem-sucedida
CAPÍTULO 1
| 13
Os direitos das crianças à sobrevivência, ao de-
senvolvimento, à proteção integral e à participação
são assegurados por organismos internacionais,
desde o nal da segunda década do século ,
quando a Sociedade das Nações criou, em 1919, o
Comitê de Proteção da Infância. Setenta anos de-
pois, em 20 de novembro de 1989, a Assembleia
Geral das Nações Unidas adotou a Convenção so-
bre os Direitos da Criança, rea rmando a necessi-
dade de proteção total às pessoas de até 18 anos.
A importância crucial da gestação e dos pri-
meiros anos de vida para o desenvolvimento to-
tal do ser humano tornou-se conhecida a partir de
1950, com as pesquisas realizadas pelos psicana-
listas John Bowlby, inglês, e René Spitz, austríaco.
Em 1990, o governo norte-americano sancionou a
lei que instituiu a Década do Cérebro, destinada
a decifrar os 100 bilhões de neurônios do cérebro
humano. Entre as muitas descobertas dos cientis-
tas, está a de que o cérebro muda muito na pri-
meira infância e se reorganiza, dependendo dos
estímulos que recebe.
É na primeira infância que o ser humano
desenvolve suas capacidades cognitivas, mo-
toras, socioafetivas e de linguagem. O investi-
mento nesse período garante à criança, além de
todos os direitos de nidos em lei, o direito de
ser saudável, viver em segurança e no aconche-
go familiar. Esses direitos são assegurados por
meio de políticas públicas.
Por que investir no bebê?
No Brasil, os direitos das crianças estão ga-
rantidos pela Constituição Federal, promulgada
em 1988, e pelo Estatuto da Criança e do Ado-
lescente, um dos documentos mais avançados
de todo o mundo na efetivação da doutrina de
proteção integral às crianças e garantia de di-
reitos, facultando-lhes o desenvolvimento físico,
mental, moral, espiritual e social, em condições
de liberdade e de dignidade. A realidade concre-
ta do País, porém, não re ete ainda essa avan-
çada consciência sobre os direitos das crianças.
O Brasil mantém uma grande parte de suas
crianças vivendo em situação de vulnerabilidade
e exclusão social. Segundo a Pesquisa Nacio-
nal por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada
pelo IBGE em 2008, dos 189.953.000 de bra-
sileiros, 63.924.000 são jovens de até 19 anos
(33,65% da população) e 13.622.000, crianças
A primeira infância é
geralmente de nida como o período
compreendido desde o nascimento até
os 6 anos de idade. Entretanto, o Comitê
dos Direitos da Criança, em seu Comentário
Geral nº 7, recomenda que os países
de nam como a primeira infância o período
compreendido desde o nascimento
até os 8 anos, como forma
de incluir, em nível global, todas
as crianças até a transição
para a escola.
12
de até 4 anos (7,17% da população). A mes-
ma pesquisa revela que, em 2008, 4,5 milhões
dos trabalhadores tinham entre 5 e 17 anos.
São pessoas que perderam o direito de ser
crianças, de brincar, de estudar, de ter uma
vida saudável.
Ao investir na primeira infância e assegu-
rar às crianças o direito à proteção, à saúde e à
educação de qualidade, promove-se a redução
das desigualdades. Esta, porém, não é tarefa
apenas do Estado, mas de toda a sociedade.
E é justamente a união da comunidade em tor-
no da proteção à gestante e à criança, o gran-
de sucesso da Semana do Bebê de Canela.
A Semana do Bebê serve para
se pensar e avaliar as condições
sociais, educacionais e de saúde
que o município oferece aos
bebês que nascem na cidade,
e com essa avaliação
melhorar os serviços.
ODON CAVALCANTI, psiquiatra,
um dos idealizadores da Semana do Bebê de Canela
Canela, terra de turismo
Município de 42 mil habitantes,
Canela situa-se na região serrana do
Rio Grande do Sul e vive basicamente
do turismo, responsável por 62% do seu PIB.
O número de nascimentos na cidade vem
diminuindo desde 2000, quando foram
registrados 791 novos canelenses. Em 2008,
a cidade ganhou 565 bebês. E, em 2009,
480, segundo a Secretaria Municipal
da Saúde. Saiba mais no CD.
Histórico da Semana do Bebê:
o exemplo de Canela
Em janeiro de 2000, no Grande Hotel de
Canela, na Serra Gaúcha, professores da Uni-
versidade Luterana do Brasil (Ulbra), especial-
mente os da disciplina O Ciclo da Vida e Psi-
quiatria, participaram do encerramento do curso
a distância de Psicopatologia do Bebê, coorde-
nado pelos professores Serge Lebovici, fran-
cês, e J. Armando Barriguette, mexicano. Os
participantes concluíram que os conhecimentos
adquiridos deveriam ser logo transmitidos às
comunidades. Surgiu daí a ideia de promover,
em Canela, uma semana dedicada ao bebê.
PORTO ALEGRE
CANELA
| 15
Um inovador
ODON FREDERICO CAVALCAN-
TI CARNEIRO MONTEIRO nasceu
em 1930, na cidade de São Fran-
cisco de Paula, na região serrana
do Rio Grande do Sul. Foi aluno do
curso pioneiro de especialização
em psiquiatria realizado no Brasil,
de 1961 a 1963, na Faculdade de
Medicina da UFRGS, em Porto
Alegre, onde se formou médico,
em 1954, e lecionou psiquiatria
de 1965 a 1995. Na Ulbra, inovou
ao criar as disciplinas O Ciclo da
Vida e Psiquiatria, colocando os
alunos para cuidar, desde o pri-
meiro semestre e por todo o curso,
de uma família em que houvesse
uma grávida ou um bebê de até
1 ano. “Se não fosse o espírito do
doutor Odon e do doutor Salvador,
a Semana do Bebê não teria acon-
tecido”, a rma o secretário muni-
cipal de Saúde Jean Carlo Spall.
Saiba mais no CD.
Liderança mundial
O porto-alegrense SALVADOR AN-
TONIO HACKMAN CÉLIA, nascido
em 1940, recebeu o prêmio Sonia
Bemporad, da World Association
for Infant Mental Health (WAIMH),
em 2002, e foi o único brasileiro a
integrar a Academia Nacional de
Medicina do Uruguai. Até a sua
morte, em 2009, lutou pela aten-
ção à gestante e ao bebê, ban-
deira que levou para o exterior.
Orgulhava-se de ter criado o Vida
Centro Humanístico, em Porto
Alegre, destinado a oferecer opor-
tunidades de saúde, educação,
cultura e lazer a cidadãos de to-
das as idades. A convite de Odon
Cavalcanti, passou a lecionar na
Ulbra. Salvador, a rma o amigo
Odon, foi “a grande estrela das 10
Semanas do Bebê. Ele foi o líder,
o mobilizador, o comunicador”.
Saiba mais no CD.
Um empreendedor
PEDRO RAYMUNDO DIAS, nas-
cido em 17 de dezembro de 1935,
no distrito de Eletra, em São Fran-
cisco de Paula, no Rio Grande do
Sul, é um empresário de sucesso
na área da radiodifusão. Em 1978,
assumiu a Rádio Clube de Canela,
transformando-a em líder de audi-
ência na Região das Hortênsias e
no Vale do Paranhana. Em 1993,
inaugurou a Rádio Clube FM
88,5. Por 16 anos consecutivos,
presidiu a Associação Gaúcha de
Emissoras de Rádio e Televisão
– Agert. Sobre Odon e Salvador,
seus parceiros na promoção da
Semana do Bebê, Pedro a rma:
“Eu era a parte local, de divulga-
ção, convocando as pessoas a
a cargo dos psiquiatras Salva-
dor e Odon, dois entusiastas”.
Saiba mais no CD.
Os professores Odon Cavalcanti e Sal-
vador Célia caram responsáveis por execu-
tar a proposta. O primeiro passo foi procurar o
radialista Pedro Dias e solicitar o seu apoio.
Como três mosqueteiros, eles uniram esforços
para organizar e divulgar a Primeira Semana do
Quando terminava uma
Semana do Bebê, a
gente começava já a
pensar na seguinte.
GORET TOSS HOFFMAN,
primeira coordenadora-geral da Semana
Bebê de Canela, um evento voltado a estimu-
lar a boa relação entre o bebê e seu cuidador.
A Ulbra e Canela abraçaram a ideia. A Uni-
versidade participou com seus professores e alu-
nos. O apoio da cidade veio por meio de suas
autoridades e da sociedade civil organizada.
A Semana do Bebê, que vem sensibilizando
toda a comunidade canelense, recebeu apoio
de três governos municipais de diferentes par-
tidos e passou a integrar o calendário de even-
tos da cidade. Em suas 10 edições, a Semana
consolidou a parceria entre o município, tra-
dicional promotor de eventos culturais, e a
Ulbra, dedicada à formação de médicos com
14
uma visão mais humanizada sobre o relacio-
namento mãe- lho. A Semana tem in uencia-
do na realização de mudanças nas estruturas
municipais de Saúde e Educação e no com-
portamento da comunidade. Presidente do De-
partamento de Saúde Mental da Sociedade Bra-
sileira de Pediatria e professor-adjunto da Ulbra,
Ricardo Halpern diz que “a Semana mudou
o entendimento das famílias a respeito dos cuida-
doscombebês”. Segundoele,“mudouatéoolhar
dos técnicos da saúde em relação ao bebê, o que
é decisivo para o desenvolvimento da criança”.
Uma década de mobilização
e sensibilização
Semprerealizadaemmaio,aSemanadoBebê
é planejada com antecedência mínima de seis me-
ses, pela Comissão Organizadora. Integrante do
Calendário de Eventos de Canela, a Semana foi
legalmente instituída pelo município em 2009, ano
de sua décima edição. A legislação, proposta pelo
Executivo municipal, foi aprovada pelos vereado-
resepromulgadapeloprefeitoConstantinoOrsolin.
A maioria das atividades realizadas du-
rante a Semana se repete desde a primeira
edição. Elas mobilizam a comunidade a parti-
Íntegra da Lei que instituiu a Semana do Bebê
Lei Municipal nº 2.906, de 22 de setembro de 2009
Institui no Município a Semana do Bebê de Canela.
O prefeito Municipal de Canela, Estado do Rio Grande do Sul, faz
saber que a Câmara Municipal de Vereadores aprovou e eu sanciono
e promulgo a seguinte Lei
Art. 1º Fica instituída a Semana do Bebê de Canela na segunda semana
do mês de maio de cada ano, iniciando suas atividades no domingo que
comemora o Dia das Mães.
Art. 2º As atividades alusivas serão regulamentadas com as dotações
orçamentárias especí cas bem como através de doações de terceiros e
repasses advindos do Estado e da União e serão regradas por cronograma
a ser elaborado pelo Executivo Municipal em parceria com as instituições
que zerem parte de sua organização.
Art. 3º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.
Gabinete do Prefeito Municipal de Canela
Constantino Orsolin Roberto Basei
Prefeito Municipal Secretário Municipal da Administração
Registre-se. Publique-se.
| 17
A Semana do Bebê é uma experiência
única. Ela abre espaço para o bebê e
sua família.
A comunidade atua quase como um
organismo pensante, unindo seus
membros ao redor do bebê. Isso
também reforça a autoestima dos pais
e dos técnicos que trabalham com
essa experiência.
Primeira Passeata dos Bebês, em 2000: atividade
reúne as famílias de Canela numa caminhada da
Praça Central à Catedral de Pedra
Foto:Arquivo pessoal do psiquiatra Odon Cavalcanti
VICTOR GUERRA, psicanalista uruguaio
16
cipar da programação e sensibilizam as famí-
lias a dar aconchego às grávidas, estimular
os bebês, e a investir na relação mãe- lho.
À programação original, foram sendo agrega-
das outras atividades, todas elas centradas
Dar segurança afetiva às crianças
é indispensável para que, ao longo
do desenvolvimento e em todas
as idades, elas possam se realizar
na sua vida emocional, afetiva e
de relacionamento, no seu sistema
de interações e de comunicações,
nos seus processos de
socialização e de adaptação, nos
seus processos cognitivos e seus
recursos intelectuais.
HUBERT MONTAGNER, francês, ex-diretor de pesquisa
no Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica
na gestante e no bebê. Em 2005, a Semana
passou a de nir um subtema para ser deba-
tido pelos participantes. A escolha é feita de
acordo com as necessidades encaminhadas
pela população aos agentes comunitários.
Herança e Resultados
Autoridades municipais e estaduais, pro s-
sionais da área da saúde, professores e acadêmi-
cos não têm dúvidas: a Semana do Bebê mudou
o comportamento da comunidade de Canela com
respeito às suas gestantes e crianças e é, hoje,
exemplo de intervenção para brasileiros e es-
trangeiros. Coordenadora da Semana de 2009, a
vice-prefeita e ex-professora Lesli Serres de Oli-
veira diz que já é possível notar nas escolas os
efeitos da relação mãe- lho, pregada pela Sema-
na e adotada como programa de orientação às
mães nas unidades de saúde. Lesli a rma que as
crianças estão mais ativas e participantes: “isso é
notório nas nossas escolas. Antes tínhamos crian-
ças acabrunhadas, quietas ou briguentas. Hoje
elas estão mais participantes. Têm carinho da fa-
mília, que também se aproxima mais da escola”.
A Semana deixa de herança o aprendizado
do trabalho em rede, uma realidade sem possi-
bilidades de retrocesso no município, e um novo
olhar em relação ao bebê. A principal mensagem
da Semana, absorvida pela comunidade, foi a da
importância de cuidar do bebê desde a gestação,
favorecendo uma ligação segura entre mãe e -
lho, indispensável para que a criança desenvolva
todo seu potencial cognitivo, motor e socioafetivo.
| 19
Avanços na Saúde
Canela trabalhou pela redução da mortalidade
infantil, redução da desnutrição infantil, am-
pliação da cobertura do Programa Saúde da
Família (PSF), desenvolvendo ações de am-
pliação do pré-natal, incentivo ao aleitamento
materno, ações de acompanhamento do cres-
cimento e desenvolvimento de menores de 2
anos, incluindo vacinação.
Houve um
aumento na cobertura
do Programa Saúde da
Família. Atualmente, 52% das
áreas mais vulneráveis do
município contam com a
Estratégia do Saúde
da Família.
Garantir o acesso ao
pré-natal é um dos maiores
desa os para a redução da mortalidade
infantil e materna.
O acesso ao pré-natal completo (mais
de seis consultas) duplicou no período
observado, representando um aumento
do percentual de mulheres que realizaram
mais de seis consultas, passando
de 34,9%(1999)
para 72,7% (2008).
O incentivo ao aleitamento
materno é uma prioridade no
município, com acompanhamento das
crianças até o sexto mês. O percentual de
crianças que são alimentadas exclusivamente
com leite materno até 1 mês de vida passou
de 61,8% (2000) para 87,9% (2007). Na faixa
de idade entre 5-6 meses o aleitamento
materno duplicou nesse mesmo período,
passando de 21,3% (2000)
para 44,4% (2007).
O registro de
nascimento é um direito
humano fundamental, segundo
a Convenção sobre os Direitos
da Criança. Em Canela, 98,2%
das crianças que nasceram
em 2008 tiveram esse
direito garantido.
A redução da
gravidez na adolescência
merece destaque com a
redução de 25,1%.
O percentual de adolescentes
que engravidaram passou
de 24,3% (2000) para
18,2% (2008).
18
Clínica do Bebê
Na primeira consulta, o bebê recebe as va-
cinas, se submete ao teste do pezinho e a ou-
tros exames que determinam se ele é de risco.
O bebê considerado de risco permanece em
atendimento no Centro Materno Infantil, onde a
Clínica está instalada. Do contrário, é encami-
nhado à unidade de saúde mais próxima de sua
casa. Apesar de contar com uma equipe multi-
disciplinar, sempre pronta a atender as crianças,
o Centro Materno Infantil pré-agenda apenas as
consultas com pediatra e dentista. Para os be-
bês dos 12 aos 18 meses, são pré-agendadas
consultas somente com o pediatra. Dos 2 aos 5
anos, com pediatra e dentista. O Centro monitora
a frequência e, em caso de não comparecimento,
as enfermeiras visitam a família. Catiana Foss,
coordenadora da Estratégia da Saúde da Família
Em Canela, 100% dos bebês nascidos pelo
SUS têm acompanhamento integral e multidisci-
plinar na Clínica do Bebê, que funciona todas as
quartas-feiras, no Centro Materno Infantil. A cria-
ção da Clínica, em 2004, e o estabelecimento de
parcerias com o Hospital de Caridade e a rede
de saúde tiveram por meta diminuir o número
de óbitos infantis. A primeira consulta de um
recém-nascido é marcada pelo próprio Hospital
de Caridade para uma semana após o parto. Na
Clínica, as crianças são atendidas por enfermei-
ro, pediatra, nutricionista, odontólogo e psicó-
logo. Em 2008 e 2009, o Hospital encaminhou
à Clínica mensalmente, em média, 40 bebês.
O total de atendimentos anuais, segundo dados
da Prefeitura, mais do que duplicou no período
de 2004 a 2008, passando de 180 para 423.
Figura 1 – Mortalidade Infantil (por mil nascidos vivos), 1999-2008.
Figura 2 – Aleitamento Materno Exclusivo, 2000-2007
35,0
30,0
25,0
20,0
15,0
10,0
5,0
0,0
100,0
90,0
80,0
70,0
60,0
50,0
40,0
30,0
20,0
10,0
0,0
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007
Fonte:
SMS de Canela
1 mês
14,0
61,8
8,4
11,2
8,6
18,4
30,4
13,6
16,4
12,6
10,6
39,2
21,3
85,9
48,9
30,9
82,5
58,9
30,3
82,5
47,9
32,9
89,4
55,8
23,8
88,7
66,5
30,5
88,8
59,9
26,7
87,9
63,2
44,4
3-4 meses
5-6 meses
Fonte:
SMS de Canela
| 21
do município, revela a decisão de passar a pré-
agendar, também, consultas com enfermeiros.
Em 2008, foram atendidos 120 bebês de risco e
realizadas 260 visitas domiciliares.
Para melhor orientar as futuras mães, com-
bater a mortalidade infantil e propiciar o nasci-
mento de bebês saudáveis, o Centro Materno
Infantil promove o Curso de Gestantes. O pre-
feito de Canela, Constantino Orsolin, a rma
que o Curso é resultado da Semana do Bebê
de 2009. As atividades da Clínica do Bebê,
segundo o pediatra e ex-secretário municipal
da Saúde José Agnelo, provocaram aumen-
to no índice de aleitamento materno. “Hoje,
em Canela, cerca de 50% das crianças são
amamentadas até o sexto mês”, diz ele.
Esse índice sobe para 84,51% entre as mães
adolescentes, informa a Secretaria Municipal
de Saúde.
Combate à mortalidade infantil
Canela, até a década de 70, registrava um
dos maiores índices de mortalidade infantil do
Rio Grande do Sul. De 1970 a 1977 ocorreram,
em números absolutos, 89 mortes de recém-
nascidos. Em 1970, a taxa de mortalidade por
grupo de mil nascidos vivos foi de 82,66, em
Canela, enquanto a do Estado era de 48,41. A
oferta de mais serviços (nos anos 2000 foram
abertas novas unidades de saúde nos bairros
periféricos), o trabalho em rede e a criação da
Clínica do Bebê levaram à queda da mortalida-
de infantil no município. Para a ex-secretária
municipal de Educação Berenice Maria Lied
Felippetti, o maior avanço obtido pela adminis-
tração pública de Canela foi o de “aprender a
trabalhar em rede, com todos os órgãos mu-
nicipais tendo foco nos programas”.
A taxa de mortalidade por grupo de mil nasci-
dos vivos baixou de 30,35, em 2004, para 10,62,
em 2008, menor do que os 12,75 registrados no
Rio Grande do Sul.
Algo muito positivo na
Semana é justamente
reunir a comunidade em
torno dela.
NOELI STOPASSOLA, vereadora,
presidente da Câmara Municipal de Canela
Com as mães mais
orientadas sobre a
as crianças estão mais
saudáveis e temos
menos casos de doenças
nos postos de saúde e
nos hospitais.
VILMAR SANTOS,
secretário municipal de Assistência Social
20
Gravidez na adolescência
Além da alta taxa de mortalidade infantil, Ca-
nela registrava um índice expressivo de mães
adolescentes, o que levou os organizadores da
Semana do Bebê a promoverem palestras nas
escolas sobre adolescência, sexualidade e gra-
videz. Em 2000, quando foi realizada a Primeira
Semana do Bebê, a proporção de gravidez entre
mulheres com menos de 20 anos era de 26,58%,
em Canela. A cidade contava com 185 adoles-
centes grávidas. Segundo a Secretaria Municipal
de Saúde, o número absoluto de adolescentes
grávidas baixou para 107 em 2008 e a propor-
cionalidade para 24,45%. Neli Maria Vitancourt,
coordenadora das escolas infantis de Canela, as-
socia a redução do número de adolescentes grá-
vidas no município à ação da Semana do Bebê.
Referindo-se aos encontros sobre sexualidade
com os estudantes, ela a rmou que “foi bom para
as meninas e os meninos se conscientizarem
da responsabilidade que é ser pai e mãe”.
Mais vagas em creches e pré-escolas
A Semana do Bebê provocou mudanças es-
truturais na área da educação, aumentando a
oferta de vagas para a primeira infância. O nú-
mero de creches foi multiplicado por mais de três
e o de vagas por aproximadamente quatro, no
período de 1999 a 2009. Foram abertas sete
creches, perfazendo um total de dez, em que
são atendidas crianças de 4 meses a 6 anos,
durante dez horas por dia. As vagas nas cre-
ches aumentaram de 250 para 950. Mas ainda
faltam em torno de 800 vagas para que o mu-
nicípio possa atender todas as crianças. O nú-
mero de pré-escolas também subiu de três para
dez, com aumento de cerca de 75 vagas para
240. Seriam necessárias ainda mais 250 vagas
para atender à toda demanda do município.
Escola com mais afeto
Os ensinamentos da Semana do Bebê pro-
vocaram mudanças também na forma de os pro-
fessores se relacionarem com as crianças e de
os pais valorizarem a escola. “A Semana trouxe
para discussão qual é a função da professora
de educação infantil”, diz Neli Maria Vitancourt,
coordenadora das escolas infantis na secretaria
municipal de Educação. “Não é só trocar, ali-
mentar. Tem que ter uma palavra, o toque, o
abraço, o carinho. Não se trata de mera esti-
mulação. O olhar atento e afetivo e a sensibi-
lidade caminham juntos”.
| 23
A Semana ofereceu às escolas contatos com
professores, acadêmicos e pro ssionais de di-
versas áreas. Hoje, se a criança apresenta uma
di culdade – como sonolência, por exemplo –, a
escola procura a família, tenta investigar o moti-
vo. “Até então”, diz Neli,
quieta no cantinho, ninguém se preocupava.
Hoje, o professor se dá conta de que aquilo
não é normal”.
Música para bebês
NaSemanadoBebêde2009,oDepartamento
de Música do Instituto de Artes da UFRGS realizou
o cinas musicais para os pequenos. A experiência
foi tão positiva que será repetida em 2010 e a Se-
cretaria Municipal de Educação decidiu adotar as
o cinas de música nas creches e escolas infantis,
transformando a experiência em política pública.
Os instrumentos utilizados nas o cinas vão além
dos musicais – pianos, pandeiros, chocalhos, triân-
gulos. Há também bolas, bolinhas de massagem,
balões, bonecos e fantoches. Durante uma hora, o
cuidador canta para o bebê, conta-lhe histórias e
lhe faz massagens. Esses encontros fortalecem o
vínculo com os pais ou com quem exerce a função
de cuidador, contribuindo para o desenvolvimento
integral do bebê, tornando-o mais sociável, pois
ele observa como as demais crianças estão can-
tando para poder entrar no ritmo. A música tam-
bém ajuda a desenvolver a coordenação motora e
ensina a criança a escutar, a ter senso estético, a
ser mais sensível e segura.
A Semana foi o pontapé
inicial, abriu para a
questão da sensibilidade
e do afeto.
NELI MARIA VITANCOURT, pedagoga,
coordenadora das escolas infantis na
Secretaria Municipal de Educação de Canela
22
Um olhar diferente
Acadêmicos da área da saúde e até mes-
mo pro ssionais egressos da Ulbra asseguram
que a participação na Semana do Bebê mudou
o seu modo de ver a relação médico-paciente.
Aprenderam a ver o outro, a colocar-se no lu-
gar do paciente para melhor tratá-lo. Todos se
dizem mais sensibilizados e determinados a
dar continuidade à proposta da Semana de au-
mentar os vínculos entre as mães e os bebês.
O trabalho conjunto nas escolas e nas uni-
dades de saúde leva os alunos a perceberem a
necessidade de atuar em parceria com outras
pro ssões. Eles também passam a valorizar os
recursos da comunidade, bem como o poten-
cial da família e o seu próprio papel como mo-
delo para os pacientes.
Juliana Hartz Trevisan, odontóloga, par-
ticipou de duas Semanas do Bebê e a rma:
“Conheci outras realidades e aprendi que o cuidado
com a saúde bucal do bebê não depende só da Odon-
tologia. Temos que trabalhar em conjunto com ou-
tras profissões”. Juliane Luz de Campos, aluna
de Medicina, diz que o evento mudou sua vida
em vários sentidos. “Na Semana, tu aprendes a te
igualar ao teu paciente, porque tu não estás ali para
ser superior a ele. Estás ali para ajudá-lo, de igual
para igual”.
A Semana na iniciativa privada
Uma ex-aluna da Ulbra aplicou na empresa
da família os conhecimentos adquiridos na Se-
mana do Bebê. Em 2001, ela criou o programa
Kinder Kur, destinado especi camente às mães
que querem voltar à forma física, sem perder o
contato com os bebês. O programa oferece a es-
sas mães acomodações especiais e a possibili-
dade de fazer exercícios na companhia do bebê.
Não tenho dúvidas
de que os alunos
se tornam mais
sensíveis para
o exercício de
medicina.
CARMEN NUDELMANN,
professora de Medicina da Ulbra
Ecos no Congresso
Os participantes do 1º Encontro Social Regio-
nal, Encontro Parlamentar e 2º Fórum Municipal
dos Direitos da Criança e do Adolescente, reali-
zados em 2005, como parte da programação da
Semana do Bebê, assinaram a Carta de Canela.
Nela, comprometem-se, entre outras coisas, a
“buscar atendimento integral à gestante, ao
pai do bebê e à família, com vistas à formação
de uma rede de apoio que possa fortalecer a
”. O documento foi di-
vulgado nacionalmente pela deputada Maria do
Rosário, integrante da Frente Parlamentar Nacio-
nal em Defesa dos Direitos da Criança e do Ado-
lescente no Congresso Nacional. Ela leu a Carta
na tribuna da Câmara Federal.
| 25
O Encontro Parlamentar tornou possível a
parceria entre a Ulbra e a Frente Parlamentar
Nacional em Defesa dos Direitos da Criança e
do Adolescente, na publicação de uma cartilha
sobre os Cuidados com o Bebê, produzida pelos
cursos de graduação de Medicina, Odontologia,
Psicologia, Fisioterapia e Enfermagem, e distri-
buída, desde 2007, aos agentes comunitários de
saúde de Canela e aos pro ssionais presentes
em seminário internacional. Saiba mais no CD.
Participação popular
De 2007 a 2009, o número de participantes
da Semana do Bebê de Canela teve um cresci-
mento médio de 10% ao ano, sendo necessário
oferecer novas o cinas a um público que chegou,
em 2009, a 5 mil pessoas, equivalentes a 12%
da população de Canela. Foram necessárias 25
pessoas para montar a logística do evento: re-
cepção de convidados, assessoria de imprensa,
distribuição de folhetos, operação de equipamen-
tos de som, entre outras atividades. Em relação
à primeira edição, quando não havia equipe de
apoio, o crescimento foi de cerca de 70%. Nos ar-
quivos da Primeira Semana do Bebê, consta que,
em 2000, houve a participação de 2 mil estudan-
tes, nos encontros realizados nas escolas, e de
mil pessoas na Passeata do Bebê, que encerra
a programação da Semana. O cálculo é de que
aproximadamente 22 mil estudantes da 5ª série
do ensino fundamental à 3ª do ensino médio te-
nham sido bene ciados pelos encontros com os
acadêmicos. Nas 10 edições, participaram 264
acadêmicos da área de saúde da Ulbra. A Se-
mana atrai para o município, segundo dados da
prefeitura, entre 300 e 400 pessoas.
Na Semana do Bebê,
aprendi que um dos temas
relevantes de saúde
pública que não são ainda
tratados devidamente no
Brasil é de que cerca de
30% das mulheres no
mundo têm algum traço
de depressão pós-parto.
Apoiar a mãe para superar
a depressão é essencial.
MARIA DO ROSÁRIO,
deputada federal (PT/RS)
24
Primeira Infância Melhor
Em 2003, o governo do Rio Grande do
Sul criou o Programa Primeira Infância Melhor
(PIM), inspirado em várias experiências. A se-
cretária estadual adjunta da Saúde e ex-coor-
denadora do PIM, Arita Bergmann, a rma que
a Semana do Bebê foi um “marco histórico”
para a criação do Programa, cuja metodologia
é uma adaptação da iniciativa cubana Educa a
tu hijo. O propósito do Programa é promover
o desenvolvimento cognitivo, motor, socioafeti-
vo e da linguagem em crianças de até 6 anos.
Para isso, as famílias são acompanhadas por
visitadores. Eles orientam as gestantes e ensi-
nam as técnicas de estímulo para o estabeleci-
mento de vínculos afetivos. Cada visitador tem
A primeira experiência voltada
para o desenvolvimento dos
bebês foi a de Canela. Ela foi
um marco histórico para que
criássemos o Programa Primeira
Infância Melhor, em 2003.
Baseados em Canela, criamos a
Semana Estadual do Bebê.
ARITA BERGMANN, secretária adjunta
da Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul
Programa comunitário: Educa a tu hijo
ChanceladopeloUNICEF,oprogramacubanoEducaatuhijodestina-
se a crianças de até 6 anos, não atendidas pelo ensino formal, visando ao
seu desenvolvimento integral, do nascimento ao ingresso na escola. Segundo
documento da Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a
Ciência e a Cultura, as famílias, consideradas um excelente núcleo de educação, são
capacitadas por pro ssionais, geralmente voluntários, a promover o desenvolvimento
de grávidas e crianças. Pedagogos, psicólogos, pediatras, especialistas em crescimento
e desenvolvimento, desporto, recreação e cultura, entre outros, são responsáveis pela
pedagogia adotada por esse programa comunitário. Famílias com crianças de até 2 anos
recebem orientações em casa, uma ou duas vezes por semana. O/a orientador/a ensina como
estimular o desenvolvimento dos bebês. A atenção às crianças de 2 a 6 anos é coletiva. As
famílias e os bebês se reúnem em um local da comunidade, onde o/a orientador/a estimula
as crianças e orienta as famílias como seguir com as atividades em casa. Crianças de 5
e 6 anos, de zonas rurais ou montanhosas, podem receber atendimento individual ou
coletivo. Estas crianças, duas vezes por semana, são levadas às escolas primárias por
suas famílias. Ali são atendidas por um/a professor/a e pelo/a orientador/a, que
realiza atividades com as crianças e demonstra às famílias como realizar as
atividades em casa. Essencial para o programa de educação não formal é
o sistema de capacitação, atendendo todas pessoas participantes do
programa, apesar de sua diversidade. Saiba mais no CD.
a seu cargo um grupo de 25 famílias e é super-
visionado por um monitor. Em janeiro de 2010,
o Programa contava com 2.174 visitadores que
atendiam, em 233 municípios, 54,3 mil famílias,
com 6.522 gestantes e 81.525 crianças.
| 27
Experiência motiva cidades gaúchas
A primeira cidade a seguir o exemplo de Cane-
la e criar a sua Semana do Bebê foi São Marcos, a
160 quilômetros de Porto Alegre. Um ano depois,
a Secretaria Estadual de Saúde lançou a Semana
Estadual do Bebê. Realizada há sete anos, inspi-
rou-se na pioneira Semana de Canela. Em 2009,
24 outras cidades realizaram suas Semanas, em
parceria com o Programa Primeira Infância Melhor:
Balneário Pinhal, Cambará do Sul, Dois Irmãos,
Ibirapuitã, Imbé, Júlio de Castilhos, Manoel Viana,
Muliterno, Porto Alegre, Quaraí, Redentora, Santa
Cruz do Sul, Santiago, Santo Antônio da Patrulha,
São Francisco de Assis, São Lourenço do Sul, São
Pedro do Sul, Sapiranga, Selbach, Soledade, Ta-
pejara, Teutônia, Três Passos e Vacaria.
Exemplo que se espalha pelo mundo
Médicos estrangeiros convidados a partici-
par da Semana, em Canela, e outros que toma-
ram conhecimento do evento em congressos e
encontros internacionais entusiasmaram-se com
a proposta e lideraram a realização de eventos
semelhantes em seus países. A primeira Sema-
na argentina aconteceu, em 2009, em Brandsen,
na Província de Buenos Aires, com grande acei-
tação. La Semana de la Infância – conta Miguel
O resultado sempre foi um somatório
de pontos positivos: melhora o
conhecimento, a divulgação do
conhecimento, envolvimento da
comunidade, junto com a universidade
e o poder público. A iniciativa de parar
para discutir bebês se reproduziu em
vários lugares e despertou o interesse
do Estado, do País e do Exterior.
RICARDO HALPERN, Pós-doctor fellow em
Desenvolvimento e Comportamento de Crianças e
Adolescentes e professor-adjunto da Ulbra
Hoffmann – teve “uma boa recepção, tanto por
parte das autoridades de saúde pública e de-
senvolvimento humano quanto por parte da
comunidade, organizada em associações, co-
operativas e clubes esportivos”.
Em Portugal, a primeira edição reuniu as cida-
des de Covilhã e Fundão, em 2007. No ano seguin-
te, Belmonte tornou-se a terceira comunidade por-
tuguesa a repetir a Semana, que chegou a Olhão,
no Algarve, em 2009. A cidade do Porto também
pretende organizar a sua Semana. Os resultados
são animadores: a comunidade engaja-se nas ativi-
dades e se descobre responsável pela saúde, pela
proteção e pelo bem-estar dos bebês. Na primeira
Semana de Olhão, por exemplo, participaram cerca
de 3.500 pessoas e 49 instituições comunitárias.
A Prefeitura de Montevidéu também se inspi-
rou na Semana do Bebê para realizar, em setem-
bro de 2009, o evento La Infância es Capital, que
contou com 140 atividades, entre elas, um semi-
nário, apresentações de teatro de rua e espetácu-
los musicais dirigidos às crianças e suas famílias.
A Semana uruguaia, apesar de ter um formato di-
ferente, seguiu o espírito da Semana de Canela,
a rma lvaro Paciello, chefe do Plano de Ação
para Alcançar os Objetivos de Desenvolvimento
do Milênio de Montevidéu.
Passeata do Bebê, realizada no município
gaúcho de São Marcos, em 2002
Foto:Arquivo pessoal do psiquiatra Odon Cavalcanti
26
Como realizar a
Semana do Bebê
em seu município
CAPÍTULO 2
| 29
A organização de um evento para dissemi-
nar atitudes e práticas inovadoras exige mobi-
lização, convocação de vontades das pessoas
que vão planejar todas as ações, disciplina,
perseverança, adesão e envolvimento da co-
letividade.
A exemplo de qualquer outro evento, a re-
alização da Semana do Bebê depende de lide-
rança. E, neste caso, também de paixão pelos
bebês. Depende de voluntários que dediquem
horas e dias à mobilização da comunidade sobre
a importância de investir na gestante e no bebê.
São essas pessoas que levarão a proposta ao
Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do
Adolescente (CMDCA), às autoridades executi-
vas e legislativas do município, aos empresários,
às associações, às ONGs, aos líderes religiosos
e às demais lideranças e entidades, solicitando
que, ao aceitar o convite para se unir na promo-
ção do evento, indiquem o(s)/a(s) integrante/s
da Comissão Organizadora.
Formada a comissão inicial, é hora de arrega-
çar as mangas e começar a trabalhar. A organi-
zação passa, essencialmente, por quatro fases:
Planejamento
Mobilização
Evento
Avaliação
As quatro etapas do evento
28
Planejamento
Entre os membros da comissão inicial, for-
mada por representantes do poder executivo
municipal, das entidades de ensino e das demais
instituições que aderirem à proposta de realizar a
Semana do Bebê, serão escolhidos os integran-
tes da Comissão Executiva, que deverá se reunir
semanalmente para planejar a Semana. Se hou-
ver necessidade, no mês que precede o even-
to, poderão ser feitas duas reuniões semanais.
O calendário de reuniões deve ser montado já na
primeira reunião da comissão, comprometendo
os seus integrantes.
Essa é uma etapa em que há muitos deta-
lhes a acertar. É preciso de nir:
1. Comissão Executiva
Os integrantes dessa comissão serão res-
ponsáveis pelo bom andamento de todas as fa-
ses do evento. Dela devem fazer parte:
a prefeitura, por meio do prefeito ou seu re-
presentante,
secretários municipais de Saúde, Educa-
ção e Assistência Social,
representantes da universidade ou institui-
ção de ensino do município,
professores (o ideal é que sejam dois).
representante do conselho da Criança e do
Adolescente (CMDCA).
É imprescindível garantir a participação
dos conselhos municipais, especialmente o
dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes
(CMDCA).
Comissão
Em Canela, até a terceira edição,
a Prefeitura apoiava o evento, sem
participar da organização. A partir
da quarta, integrou-se totalmente ao
processo, destacando funcionários das
áreas de turismo e comunicação
para trabalhar na preparação
da Semana.
Salvador Célia (D), Odon Cavalcanti (E) e Pedro Dias (terceiro
da E para D) participam de reunião da Comissão Executiva
Foto: Banco de Imagem / Jornal de Canela
| 31
Das reuniões realizadas por essa comissão,
sairão as decisões de como, quando e onde rea-
lizar a Semana do Bebê. A comissão indicará os
nomes dos/das coordenadores/coordenadoras
geral, executivo/a, das atividades paralelas e do
Seminário, seja ele de âmbito local, estadual,
nacional ou internacional, segundo as possibili-
dades nanceiras.
O número de participantes das reuniões
podeaumentargradualmente,dependendodos
convites feitos pela comissão executiva, com
a nalidade de mobilizar pessoas e entidades.
É importante a integração dos agentes comu-
nitários de saúde, que atuarão como mediado-
res entre a organização e a comunidade. Eles
apresentam aos coordenadores do evento as
dúvidas e as preocupações das famílias sobre
a relação com as gestantes e os bebês.
A cada semana um novo grupo pode ser
convidado:
clubes de serviço,
ONGs voltadas para a proteção da crian-
ça e do adolescente,
entidades de classe de trabalhadores e
empresariais,
associações de bairro,
igrejas,
meios de comunicação,
escritores, atores, produtores, cineastas,
todos que trabalhem com cultura,
grupos de jovens,
outros grupos que ajudem a unir a comu-
nidade em torno de um mesmo objetivo.
2. Objetivos a ser alcançados
Além de incentivar um novo comportamen-
to em relação às gestantes e aos bebês, a Se-
mana pode propor o incentivo ao aleitamento
materno exclusivo até os 6 meses e o levan-
tamento dos indicadores sociais do município,
acompanhando a sua evolução nos anos se-
guintes. É importante levantar, principalmente:
taxa de mortalidade infantil, inclusive a
neonatal,
número de partos normais,
número de cesarianas,
proporção de gestantes com seis ou mais
consultas de pré-natal,
proporção de gestantes com menos de
20 anos,
número de leitos hospitalares para partu-
rientes e para bebês,
hospitais de referência em outros muni-
cípios,
percentual de bebês com aleitamento
materno exclusivo até o sexto mês,
número de creches existentes,
número de pré-escolas existentes,
vagas oferecidas pelas creches e pré-
escolas,
se as vagas são su cientes para atender
todas as crianças do município,
taxa de escolaridade das gestantes,
número de unidades de saúde,
população atendida com saneamento
básico (água tratada, esgoto, coleta de
lixo),
sub-registro de nascimento.
Espaços variados
Canela realiza as atividades
da Semana do Bebê em espaços
públicos e privados: Câmara
Municipal, Casa de Pedra, prédio
para eventos culturais, unidades
de saúde, associações de
bairro e hotéis.
30
3 . Amplitude do evento
O seu município pode realizar o evento sozi-
nho ou juntamente com um ou mais municípios
da mesma região. Para isso, o melhor é promo-
ver uma reunião entre as autoridades municipais,
detectando se o investimento na gestante e no
bebê é prioritário em todos e se há interesse na
promoção conjunta da Semana do Bebê.
4. Levantamento e divulgação
de indicadores sociais
Na fase de planejamento, é preciso levantar
os indicadores educacionais, sociais e de saúde
do município, que serão divulgados durante a
Semana do Bebê, com o objetivo de melhorá-
los a cada ano.
5. Públicos que serão atingidos
A programação da Semana do Bebê deve
ser montada de forma a atingir todos os públicos
da comunidade, independente de classe social e
nível cultural.
Subtema:
Sugestões da comunidade
Em 2005, a Semana do Bebê de Canela
passou a ter como título um subtema ligado
à questão do bebê. O assunto é debatido por
todos os participantes. As sugestões de subtemas
são encaminhadas à comissão executiva pelas
unidades de saúde, que as recebem dos agentes
comunitários de saúde, em contato permanente
com os moradores e em condições de
avaliar os assuntos que mais
interessam à população.
Quem participa
A programação da Semana de Canela atinge
toda a comunidade:
os estudantes participam dos encontros sobre adoles-
cência, sexualidade e gravidez,
servidores da saúde e da educação assistem a o cinas
especí cas e ao Seminário Internacional,
famílias em situação de vulnerabilidade social são bene -
ciadas pelas o cinas realizadas nas unidades de saúde e
associações de bairro,
para gestantes e cuidadores, são promovidos encontros
nas salas de espera das unidades de saúde,
acadêmicos, cientistas, médicos, enfermeiros,
agentes comunitários de saúde e professo-
res compõem o público do Semi-
nário Internacional.
6. Escolha de subtema
A Semana tem por tema o bebê e o mundo
que o cerca, podendo debater um subtema, que
deve ser de nido na fase de planejamento.
7. Estabelecimento de parcerias
As parcerias com o setor empresarial
e instituições locais, nacionais e interna-
cionais são importantes para a realização
de um evento de qualidade. É essencial
contar entre os parceiros com uma insti-
tuição de ensino, cujos alunos poderão
colaborar nas atividades dirigidas aos
adolescentes.
| 33
8. Levantamento das possíveis
fontes de recursos financeiros
para execução do evento
O quanto de recurso será necessário para
realizar a Semana dependerá do tamanho do
evento e das parcerias estabelecidas. As verbas
podem ser só públicas ou apenas privadas ou pú-
blicas e privadas.
9. Inscrições
A participação nas atividades da Semana
do Bebê pode ser gratuita ou, eventualmente,
cobrada. Para que toda a comunidade tenha a
oportunidade de participar, o ideal é que as ins-
crições sejam gratuitas. No caso de cobrança
de alguma taxa, é preciso de nir quem se res-
ponsabilizará tanto pelas inscrições quanto pela
administração e aplicação dos recursos rece-
bidos. O montante arrecadado poderá ser utili-
zado a critério do município e do Conselho dos
Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA)
e destinado a projetos voltados para garantir o
direito das crianças.
Alunos de Medicina
Em Canela, os alunos de Medicina da Ulbra
foram os primeiros a participar da Semana do
Bebê. Eles já mantinham uma relação especial com
o município. Durante três anos, no dia de vacinação,
haviam avaliado, na cidade, a interação mãe-bebê.
Gradativamente, começaram a participar da Semana
acadêmicos dos demais cursos da área da saúde –
Odontologia, Serviço Social, Fisioterapia, Enfermagem,
Psicologia, Fonoaudiologia e Pedagogia. A atividade
virou um programa interdisciplinar de extensão da
Universidade. Saiba mais no CD.
Origem da receita
No caso da cidade gaúcha, as
principais fontes são os poderes exe-
cutivo e legislativo municipais. A Semana
do Bebê está incluída nos orçamentos da Pre-
feitura e da Câmara Municipal. Também cola-
boram órgãos estaduais e grupos empresariais.
É missão dos organizadores conseguir patro-
cinadores da iniciativa privada. Nestes casos,
sempre é bom fazer um pequeno projeto, in-
formando os objetivos da Semana, quando
ela acontecerá, a que público se desti-
na e de quanto necessitam.
Inscrições
Em Canela, é cobrada uma
taxa diferenciada para alunos e demais
participantes do Seminário Internacional.
Os funcionários municipais da Saúde e da
Educação estão liberados do pagamento.
Os recursos arrecadados são destinados
a apoiar entidades sem ns lucrativos.
A Ulbra se encarrega de
administrar as inscrições.
10 . Programação pré-evento
A programação de nida para ser reali-
zada antes do evento destina-se a divulgar
a Semana e mobilizar a comunidade (ver no
item Mobilização).
11. Programação do evento
As atividades realizadas durante a Sema-
na do Bebê têm por objetivo informar sobre a
importância de investir na primeira infância, mo-
bilizando toda sociedade a apoiar as gestantes,
promover o vínculo mãe-bebê e estimular o de-
32
senvolvimento das capacidades motora, cogniti-
va e afetiva da criança. Os espaços dedicados
às atividades cientí cas e comunitárias devem
ser proporcionais. Os organizadores podem ofe-
recer espaço na programação para que a co-
munidade expresse suas preocupações e expo-
nha suas propostas.
Exemplos de atividades que podem ser pro-
gramadas:
palestras,
encontros,
simpósios,
seminários,
concursos,
mesas-redondas,
o cinas,
exibição de lmes que tratem das relações
familiares,
apresentações culturais sobre o tema da
Semana,
passeata dos bebês,
bênção comunitária.
12. Horário das atividades
Elas ocorrem nos três turnos do dia. A suges-
tão é dividi-las da seguinte forma:
Manhã
o cinas nas unidades de saúde,
palestras nas escolas,
painéis de eventos paralelos (Encontro
Parlamentar e Fórum Universitário),
simpósios cientí cos.
Tarde
encontros nas escolas,
exibição de um lme e posterior debate,
o cinas para gestantes, mães e servido-
res de Saúde e de Educação,
passeata dos bebês, no último dia da Se-
mana,
bênção ecumênica, no último dia da Se-
mana, ao nal da passeata dos bebês.
Noite
palestras promovidas pelos parceiros,
jantar de confraternização,
solenidade de encerramento da Semana.
13. Encontros com adolescentes
Estudantes de nível médio ou universitá-
rio, preparados por professores, encontram-
Universitários preparados por
professores
Os alunos da Ulbra que vão às escolas são
orientados pelo professor Odon Cavalcanti . “Tenho dois
encontros com os estudantes de Medicina e dou a eles,
para lerem e debaterem, um trabalho sobre adolescência”,
a rma o professor. O índice de aceitação desses encontros
pelos adolescentes ca entre 90% e 95%. Os acadêmicos que
participam da Semana são unânimes em quali car a experiência
como signi cante, grati cante e inesquecível. A rmam que
os adolescentes se sentem mais tranquilos em falar sobre
sexualidade e gravidez com alguém mais próximo deles.
Os acadêmicos a rmam que para responder às questões
precisam superar alguns preconceitos.
A maior curiosidade é sobre métodos
anticoncepcionais, ciclo menstrual e
primeira relação sexual.
Espaço:
Encontro e Fórum
Em Canela, o professor Salvador Célia
convidou parlamentares a realizarem
o Encontro Parlamentar e professores
e universitários a promoverem o Fórum
Universitário. O Encontro e o Fórum, até
2010, se alternavam na programação da
Semana do Bebê.
| 35
se com estudantes do município em escolas
da rede pública e privada. O tema do encontro
– adolescência, sexualidade e gravidez – ajuda
a conscientizar os ouvintes sobre a responsabili-
dade paterna e materna e a diminuir o índice de
adolescentes grávidas. A grade com os locais e
horários dos encontros deve ser montada ainda
na fase de planejamento.
14. Responsáveis pela infraestrutura
A divulgação do evento pode ser feita com
simplicidade, e a realização do evento exige a
de nição de quem se responsabilizará pelas se-
guintes atividades:
confeccionar material de divulgação, como
folhetos com a programação, jornal, convi-
tes, cartazes, faixas e outdoors, se a legis-
lação municipal permitir,
providenciar o transporte para palestrantes
convidados e para famílias em situação de
vulnerabilidade social, que desejem partici-
par das atividades,
providenciar a recepção e hospedagem
dos convidados,
buscar parcerias para a confecção de bo-
nés, camisetas, bandanas, pulseiras e ou-
tros objetos que divulguem o evento,
confeccionar diplomas, que serão entre-
gues aos participantes, e troféus, com os
quais serão homenageadas pessoas que
tiveram desempenho positivo em favor dos
bebês e das gestantes,
enviar convites,
con rmar presenças,
visitar os locais das atividades, con rman-
do as suas boas condições,
encaminhar à coordenação-geral o número
nal de participantes nas atividades,
de nir o padrinho do Bebê Prefeito,
preparar a visita das autoridades ao hospi-
tal para que o/a prefeito/a entregue a chave
da cidade e diploma de Bebê Prefeito à pri-
meira criança nascida na Semana,
receber a imprensa regional e nacional e
mediar os contatos com as fontes.
15. Oficialização da Semana
A elaboração de uma lei que torne a Semana
do Bebê um evento o cial da cidade, integrando
o calendário de eventos, pode ser tratada com
as autoridades municipais, tanto do executivo
quanto do legislativo. (Ver legislação de Canela
no Capítulo I, página 16).
Simplicidade
A Semana do Bebê de
Canela iniciou com folhetos
simples, fotocopiados. Não
é preciso pensar em grandes
produções, mas em algo que
motive a população a estar
presente.
34
Mobilização
A segunda fase é de mobilização. Ela objeti-
va sensibilizar todas as pessoas da cidade a parti-
cipar da Semana do Bebê. O foco são as famílias
com mulheres grávidas e/ou bebês. O importante
é atrair todos/as para atuar no objetivo comum
de estimular a relação mãe-bebê. Cada atividade
precisa ser atrativa e capaz de emocionar a co-
munidade. A seguir sugestões de mobilização:
1.Contato com os meios
de comunicação
Para que o maior número possível de pes-
soas tome conhecimento, ao mesmo tempo, da
importância e da programação do evento é es-
sencial buscar o apoio dos meios de comuni-
cação: jornais, revistas, rádios, estações de TV,
sites. É recomendável o contato direto com os
jornalistas, informando-os do objetivo da Sema-
na do Bebê, sensibilizando-os para que possam
mobilizar a comunidade.
Bebês prefeitos
Kelvin da Silva (acima)
e João Felipe Kasper,
em 2009
Fotos: Nilton Santolin
Meios de comunicação
Em Canela, o chamamento é feito
pelos Jornal de Canela, Jornal Integra-
ção e Rádio Clube. Nas primeiras edi-
ções, a Rádio chegou a promover sorteio
de eletrodomésticos entre as famílias par-
ticipantes e a patrocinar a impressão e
divulgação de fotos de bebês de famílias
em situação de vulnerabilidade social, nas
vitrines do comercio local, como forma de
sensibilizar e mobilizar as pessoas.
Na primeira edição da Semana, o Jornal
de Canela abriu espaço em sua última pá-
gina para que os alunos criassem dese-
nhos sobre o evento, que também foram
exibidos nas lojas. Ao nal, foram expos-
tos 400 fotos e 3.500 desenhos.
Em 2009, a coordenação da Semana do
Bebê de Canela editou um jornal sobre
o evento, que foi distribuído nas unida-
des de saúde e em todas as residências
da cidade, em especial nos seis bairros
de maioria de moradores em situação de
vulnerabilidade social.
| 37
2. Buscar parceiros para
a distribuição de material im-
presso
Agentes comunitários de saúde, servido-
res responsáveis pelo Bolsa Família, comércio,
escolas, clubes, associações, sindicatos, cine-
mas, teatros, clubes esportivos e igrejas podem
ajudar na distribuição dos folhetos com a pro-
gramação da Semana. Os cartazes com infor-
mações simples e direta sobre o evento (data,
local e objetivo) podem ser colocados em lo-
jas, bares, supermercados, farmácias, hospi-
tais, órgãos públicos, associações, sindicatos,
escolas, universidades e clubes esportivos.
A exibição de faixas e outdoors será feita de acor-
do com a legislação municipal.
3. Camisetas, bonés e bandanas
A confecção deste material dá visibilidade ao
evento. Por ser um material mais caro, deve ser
distribuído, prioritariamente, entre os que traba-
lham na organização e execução da Semana.
4. Apoio das Igrejas
Solicitar aos líderes religiosos que, em seus
sermões, cultos e reuniões, falem sobre a Se-
mana do Bebê e incentivem suas comunidades
a participar.
5. Carros de som
Às vésperas da Semana, um carro de som
pode circular pela cidade divulgando a progra-
mação e chamando a população a participar.
6. Visita aos bairros
No m de semana anterior à realização do
evento, é possível montar pequenos grupos de
voluntários para visitar todos os bairros da cida-
de e falar sobre a Semana do Bebê.
7. Promover atividades
que entusiasmem a população
A promoção de atividades voltadas às mães
e aos bebês motivam a comunidade a tomar par-
te, envolvendo-se com a Semana do Bebê, antes
mesmo que ela aconteça. Várias atividades po-
dem ser programadas: concursos de vários tipos
(fotos, redações, música, poemas, desenhos, pin-
turas, esculturas e muitos outros, sempre sobre o
tema da Semana), premiação da primeira criança
a nascer na semana, exibição de fotos de be-
bês nas vitrines do comércio local. Cada um dos
apoiadores da Semana, como os clubes de servi-
ço, pode se responsabilizar por uma atividade.
Atividades programadas
Na cidade gaúcha, antes da Semana,
são promovidas diversas atividades,
movimentando a cidade em torno do evento:
concurso de vitrines – a Associação Co-
mercial e Industrial de Canela (Acic) trabalha
para que seus associados decorem as vitri-
nes com temas alusivos à Semana, partici-
pando do concurso de melhor vitrine, organi-
zado pelo Lions Club de Canela. A comissão
julgadora é composta por 15 pessoas. Elas
visitam todas as casas comerciais, fazendo
a inscrição no concurso. Depois, escolhem a
mais bonita e criativa. Os comerciantes utili-
zam fotos de bebês, oferecidas pelas famí-
lias, e os produtos que vendem para compor
a decoração.
Os agentes comunitários de saúde informam
a Prefeitura sobre as famílias em situação
de vulnerabilidade social que desejam ver
as fotos de seus bebês exibidas em alguma
vitrine. O setor de fotogra a da Prefeitura
se encarrega de fotografar essas crianças e
encaminhar o material para o comércio.
36
Jociane Salles de Oliveira (2000)
Foi a única vez que vi uma
situação em que a comunidade
era o ator principal. Os
organizadores atuam não
como diretores, mas dão apoio
para que a comunidade atue.
A iniciativa do prefeito bebê é
uma experiência única, assim
como o trabalho em rede, que
no Brasil é diferente de todo o
mundo.
RICARDO GORODISH,
psiquiatra e psicanalista argentino
Amanda Rech Livi (2001)
Kelvin Oliveira da Silva (2002) Natiele da Silva (2003) Alexandrina Nunes Cegoni (2004) Bianca Pacheco Fabro (2005)
Gabriel Dias Palhano (2006) João Felipe dos Reis Kasper (2007) Alan da Silva (2008) Maria Eduarda Pimel Velho (2009)
Em 2009, 20 lojas participaram
do concurso. O vencedor decorou
sua vitrine com com fotos que contavam
a história de vida de seus clientes desde
bebês.
concurso de redações – os alunos de
toda a rede pública e particular de ensino preparam
redações sobre o tema da Semana. Os melhores
recebem um certi cado. Em Canela, esta promoção
ca a cargo do Rotary Club.
bebê prefeito* – em Canela já é tradição: a primei-
ra criança a nascer no Hospital de Caridade, du-
rante a Semana do Bebê, recebe o título de Bebê
Prefeito. As autoridades municipais visitam a mãe e
a criança no hospital e entregam ao recém-nascido
as chaves da cidade e um diploma que o declara
Bebê Prefeito. Por uma semana, ele reinará sobre
a cidade. O bebê também ganha um “padrinho da
cidadania”, que tem por missão zelar pelo a lhado,
proporcionando-lhe acesso à saúde e à educação
de qualidade. Atualmente, o padrinho
é escolhido entre os vereadores.
| 39
Evento
Após concluir as fases de planejamento e
mobilização, seu município está apto a realizar a
Semana do Bebê. A seguir, alguns exemplos de
atividades que podem compor a programação
do evento.
1. Encontros com estudantes
Os encontros para discutir adolescência,
sexualidade e gravidez ocorrem nas escolas do
município. Dois acadêmicos ou dois alunos do
ensino médio substituem os professores nas sa-
las de aula, orientando os estudantes e respon-
dendo a perguntas.
2. Oficinas para todos
Acadêmicos e professores da área de saú-
de realizam o cinas nas unidades de saúde diri-
gidas tanto para os funcionários quanto para os
que esperam atendimento. Em suas palestras,
mostram como os cuidadores devem estimular
os bebês, o que é percebido como um momen-
to mágico. Nos centros comunitários, reúnem a
comunidade para participar de uma palestra ou
para ver e debater um lme. Os agentes comu-
nitários de saúde – atores importantes na divul-
gação da Semana e na sua organização – estão
sempre presentes.
Programação do evento
As programaões das dez
edições da Semana do Bebê
em Canela estão discriminadas
no CD. A íntegra revela quais
atividades se mantiveram e as
que foram sendo agregadas
com o passar dos anos. Saiba
mais no CD.
Momento Mágico
Em Canela, nos encontros nas unidades
de saúde, as gestantes e as mães também
aprendem a distinguir o choro do bebê, se é
de fome, dor, raiva ou frustração. E os pais são
encorajados a participar do parto, pegar o bebê no
colo nas suas primeiras horas de vida e olhar em
seus olhos. Este – dizem acadêmicos e pro ssionais
– é um momento mágico. Há trabalhos cientí cos
que provam: pais que abraçam seus lhos
e olham em seus olhos, logo após o
nascimento, são os que menos
abandonam os lhos.
Isabel Fillardis (C) participa da Passeata do Bebê, em 2002
Foto: David Keller / Banco de Imagem / Jornal de Canela
38
3 . Eventos científicos
e comunitários
O município, se tiver parceiros para isso,
pode programar eventos cientí cos e comuni-
tários com a participação de pro ssionais de ou-
tros países. O ideal é rmar parcerias com univer-
sidades e instituições internacionais, que arcam
com os custos de seus representantes, como
passagens, hospedagem e alimentação.
Eventos cientí cos e comunitários
Em Canela, a responsabilidade de
montar uma jornada cientí ca internacional
é dos professores da Ulbra. Psiquiatras,
psicanalistas, professores e cientistas do Brasil
e do exterior são convidados a dar palestras
e participar de painéis. As inscrições para o
Seminário Internacional são, na sua maioria,
feitas por educadores, pro ssionais e estudantes
da área da saúde. Com o passar dos anos,
a Semana tornou-se um grande evento
comunitário e cientí co.
Mesa-redonda
A mesa-redonda, em Canela,
ocorre no final do Seminário
Internacional. Não há uma temática
estabelecida. Os participantes são
orientados a falar sobre o bebê e o
que mais desejarem. Dessa atividade
participam as personalidades
convidadas pela Semana
do Bebê.
Seminário Internacional, 2006: Luciano
Moreira, Helena Caputo, Liliam Palazzo
e Jorge Béria
Foto:Banco de Imagem / Jornal de Canela
5. Eventos com a participação
de personalidades
Canela convida, a cada ano, uma personali-
dade. Alguém popularmente conhecido pode ser
convidado a participar da Semana do Bebê e a
integrar a mesa-redonda. Estas são pessoas que
dão visibilidade ao evento e atraem público.
4. Mesa-redonda
Várias pessoas podem ser convidadas a
participar de um debate aberto sobre assuntos
ligados à gestante, à mãe e ao bebê. Os inte-
grantes da mesa-redonda não precisam ser
pro ssionais da área da saúde, mas pessoas
que saibam se expressar e tenham uma história
familiar para contar.
| 41
6. Exibição de filmes
A temática dos filmes deve estar ligada de
alguma forma ao evento. O debate, ao nal da
exibição, em centros comunitários, reúne espec-
tadores e pro ssionais da área da saúde.
Personalidades convidadas
Canela convida, a cada ano, uma
personalidade para discutir o subtema
da Semana e participar da Passeata
dos Bebês. Em geral, elas estão ligadas
a campanhas como a da amamentação. Já
estiveram na cidade gaúcha as atrizes Regina
Duarte, Gabriela Duarte, Isabel Fillardis
e Marisa Orth e a modelo Luiza Brunet.
Também participaram Francisco e
Helena Camargo, pais dos cantores
sertanejos Zezé di Camargo
e Luciano.
Acho que a Semana do
Bebê é importante, porque
debate vários assuntos,
vários aspectos da criança.
É dessa forma que se
começa a ajudar algumas
pessoas.
ISABEL FILARDIS, atriz
Filmes
Na cidade gaúcha foram
exibidos: ,
de Breno Silveira, sobre a vida
de Zezé di Camargo e Luciano, e
Infância Roubada, do sul-africano
Gavin Hood, Oscar de melhor
lme estrangeiro em 2005.
Gilberto Tegner, Carmen Silva e Isabel Fillardis, em 2002
Foto:Banco de Imagem / Jornal de Canela
Atriz Regina Duarte (D), ao lado da deputada Maria
do Rosário (C), participou da Semana em 2007
Foto: Banco de Imagem / Jornal de Canela
Francisco Camargo (camisa rosa), pai de Zezé di Camargo e Luciano,
participa da mesa-redonda, em 2006
Foto: Banco de Imagem / Jornal de Canela
40
7. Apresentações culturais
As apresentações culturais são produzidas
e apresentadas pelas escolas, por artistas locais
ou convidados.
8. Atividades paralelas
Encontros e Fórum podem ocorrer nos
espaços oferecidos a lideranças comunitárias,
políticas, estudantis ou de classe, para que pro-
movam, na Semana do Bebê, debates sobre a
família e o bebê na sua área de atuação.
9.Palestras promovidas por parceiros
Entidades, associações, órgãos públicos e
clubes de serviços, parceiros na realização da
Semana do Bebê, podem integrar a programa-
ção, promovendo em suas sedes, durante a Se-
mana, palestras sobre gravidez, adolescência,
desenvolvimento dos bebês e outros assuntos
ligados ao evento.
Apresentações culturais:
A psiquiatria sobe ao palco
Salvador Célia, um dos idealizadores da Semana
do Bebê de Canela, convidou a atriz Carmen Silva e o
psiquiatra Celso Gutfreind a produzir uma peça com os
alunos da Ulbra. O texto escolhido foi A Intrusa, um original
de Carmen Silva sobre o que se passa na cabeça de uma
mulher. Por sugestão do psiquiatra, o personagem passou a
ser uma gestante. No palco, com a participação especial
de Isabel Fillardis, os acadêmicos encenaram as
expectativas, dúvidas e inseguranças relacionadas
à chegada de um bebê, vividas pela futura mãe.
Também mostraram que os problemas
acabam com o nascimento
do bebê.
Encontros e Fóruns
Até 2009, Canela alternou a realização do
Encontro Parlamentar e Social em Defesa dos
Direitos da Criança e do Adolescente com o Fórum
Universitário. O primeiro vinha sendo realizado nos anos
ímpares e o segundo, nos pares. O Encontro, que já realizou
sua quarta edição, procura uni car o trabalho realizado
em todas as instâncias – federal, estadual e municipal. Em
2003, Canela reuniu representantes dos municípios para
discutir como disseminar ações de proteção às gestantes
e aos bebês. Os municípios gaúchos propuseram,
entre outras coisas, que nos orçamentos municipais
fossem destinados recursos para implantação e
desenvolvimento de políticas e programas
de atenção aos bebês.
Noite dos clubes
Os clubes de serviço de
Canela, Rotary e Lions, além
dos concursos de redação e de
vitrines, promovem palestras sobre
assuntos ligados à Semana. Em
geral, os palestrantes ressaltam a
responsabilidade das famílias
com os bebês.
10. Apresentação de casos
Os resultados obtidos em projetos desenvol-
vidos pelas áreas de saúde, educação e assis-
tência social podem ser expostos à comunidade,
engajando-a na luta pela melhoria dos índices
sociais do seu município.
| 43
11. Evento de encerramento
Para encerrar as atividades acadêmicas,
cientí cas e culturais da Semana, pode-se pro-
gramar uma solenidade, a ser realizada na noite
do penúltimo ou último dia do evento, com apre-
sentações culturais, homenagens aos palestran-
tes convidados, entrega de troféus aos que se
distinguiram no trabalho pela valorização da fa-
mília e do bebê e de certi cados aos vencedores
dos concursos.
Solenidade: Noite de Ninar
É a noite que encerra a Semana, em
Canela, com a realização de diversas
atividades. A comunidade, com seus bebês,
lota o local em que se realiza a Noite de
Ninar para aplaudir as apresentações culturais
de artistas e crianças e a entrega do Troféu
Vereador, oferecido pela Câmara Municipal, aos
homenageados pela Semana e de certificados aos
vencedores dos concursos de redação e vitrines.
Os bebês prefeitos são presenteados com
um bolo e festejam mais um ano de vida.
Saiba mais no CD.
Passeata dos bebês
Em 1904, em Paris, as mães levaram
seus bebês em uma caminhada, para
estimular o contato dos lhos com a natureza.
Quase 100 anos depois, as mães de Canela
começaram a des lar com seus lhos com a
mensagem de que os bebês precisam de carinho,
aconchego, amor e proteção. O percurso não é
grande, mas é uma festa, animada com banda,
des les, apresentações teatrais. As mães chegam de
todososlados,apé,decarroeemônibuscolocados
à disposição pela prefeitura, para fazer o trajeto
bairros-centro da cidade. A passeata vai da
praça central à Catedral de Pedra, a 400
metros de distância.
É muito emocionante o
envolvimento de toda a cidade
na elaboração das vitrines e na
passeata, quando há um grande
e de suas orgulhosas famílias.
É uma ideia simples de ser
entendida, mas que só entendi
na Semana do Bebê.
MARISA ORTH, atriz
12. Passeata comunitária
Uma boa ideia é reunir a comunidade
em uma passeata pela cidade, com as fa-
mílias levando seus bebês nos carrinhos,
para marcar o m da Semana. A caminha-
da pode ser animada por bandas colegiais,
artistas de rua e malabaristas. Faixas e
cartazes, carregados pelos participantes,
informam sobre o evento concluído e mo-
bilizam para o próximo.
42
13. Bênção Ecumênica
A passeata comunitária pode ter como ápice
uma bênção ecumênica. O número de religiões
representadas pode ser maior ou menor, de acor-
do com a realidade de cada município.
Avaliação
A data da reunião de avaliação deve ser mar-
cada na última reunião que antecede o início da
Semana. O ideal é realizá-la imediatamente após
o m das atividades.
Nesse encontro, os integrantes da comissão
executiva e os coordenadores analisam todas as
etapas anteriores – planejamento, mobilização e
evento – para determinar se houve falhas, onde
elas ocorreram e o que fazer para superá-las.
A análise conscienciosa evita que os erros se re-
pitam na edição seguinte. Devem ser avaliados,
no mínimo, os seguintes tópicos:
1. Avanços obtidos
Duas das perguntas que podem ser feitas
para determinar os avanços são: a programação
privilegiou todas as camadas da sociedade? A dis-
cussão do subtema da Semana foi esgotada?
2. Desafios superados
Em todas as etapas de trabalho, são inúme-
ros os desa os. Entre eles, podem ser avaliados:
conquista de novos parceiros, obtenção de pa-
trocínio, de nição de locais para a realização das
atividades, organização do transporte para pales-
trantes e participantes da Passeata do Bebê.
3. Crescimento do evento
NesSe item vale a estatística. Deve ser ava-
liado se o evento teve maior ou menor partici-
pação comunitária e qual a razão do resultado:
não foi bem divulgado? Faltou transporte para as
famílias que vivem em vulnerabilidade social par-
ticiparem das atividades? Os locais em que se
realizaram as atividades eram de fácil acesso?
4. Visibilidade permanente
Evento independente e suprapartidário, a
Semana do Bebê precisa de, pelo menos, uma
Benção Ecumênica
Em Canela, a bênção
comunitária é dada na Catedral
de Pedra, onde termina a
passeata, por representantes
da Igreja Católica e da Igreja
Evangélica de Con ssão
Luterana no Brasil.
Tudo inédito, uma
proposta inovadora.
Que entusiasmou
muito todos nós.
RICARDO WILLY RIETH,
Pró Reitor de extensão da Ulbra
Bênção ecumênica: pastores Gerhard Grassel (E)
e Erni Krebes (C) e o padre Lúcio Foerster
Foto: Banco de Imagem / Jornal de Canela
| 45
5. Prestação de contas
Veri car se todos os compromissos assumi-
dos foram saldados. Não pagar as contas preju-
dica a imagem do evento e de seus promotores.
6. Indicadores obtidos e meta
para o ano seguinte
Os indicadores sociais do município, divulga-
dos durante a Semana, precisam ser profunda-
mente analisados, de nindo se os números são
ou não positivos e que ações devem ser realiza-
das para que eles melhorem a cada ano. Cabe
às autoridades municipais, juntamente com os
parceiros do evento, determinar as metas para o
ano seguinte.
7. Trabalho conjunto
Se a Semana foi promovida em conjunto por
dois ou mais municípios, a parceria deve ser ava-
liada, levantando-se o que funcionou corretamen-
te e o que falhou, e decidindo-se a continuidade
ou não da associação.
8. Reinício dos trabalhos
A fase de avaliação pode ser concluída com
a de nição de uma data para que os promotores
do evento voltem a se reunir, dando início aos
trabalhos da próxima edição da Semana do Bebê
do seu município.
Peguei uma velha manta de
lã, com a qual aconcheguei
a criança na modelagem.
A manta foi fundida
junto com a escultura.
ARMINDA LOPES,
escultora
ação que lhe proporcione visibilidade contínua e
engajamento da comunidade. Os promotores de-
vem pensar no que o seu município pode fazer
para isso. Entre as sugestões, estão: em parceria
com o jornal local manter uma coluna semanal
sobre as ações e resultados da Semana; manter
na rádio local um programa com a mesma na-
lidade; se a legislação municipal permitir, exibir
um outdoor com informações rápidas sobre os
objetivos do evento; programar palestras men-
sais, trimestrais ou semestrais, abertas à comu-
nidade, sobre temas ligados à Semana; construir
uma estátua com o foco na relação mãe-bebê e
colocá-la em local de grande a uência; preparar,
com artistas da cidade, rápidas apresentações
nos parques ou ruas da cidade, com frequência
variável, sobre a relação mãe-bebê. As ações de-
pendem apenas da criatividade dos responsáveis
pela Semana do Bebê. Podem ser simples e sem
gastos, contando com o apoio da população.
Monumento à vida
A cidade gaúcha decidiu criar um
monumento à mãe e ao bebê, enco-
mendado à artista plástica Arminda Lo-
pes. A escultura de 3,60 metros e quase
uma tonelada de bronze, inaugurada em
2004, em frente à Casa de Pedra, no
Centro de Canela, ressalta a importân-
cia do olhar para o vínculo entre
mãe e lho.
44
GLOSSÁRIO
ACM – Associação Cristã de Moços
Agert – Associação Gaúcha de Emissoras de
Rádio e Televisão
CMDCA – Conselho Municipal dos Direitos da
Criança e do Adolescente
IBGE – Instituto Brasileiro de Geogra a e
Estatística
Pnad – Pesquisa Nacional por Amostragem de
Domicílio
PIM – Programa Primeira Infância Melhor
UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande
do Sul
ULBRA – Universidade Luterana do Brasil
UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a
Infância
WAIMH – World Association for Infant Mental
Health (Associação Internacional pela saúde
mental das crianças)
SUGESTÃO
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Artes Médicas, 1982.
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1997.
| 47
LEBOVICI, S. O bebê, a mãe e o psicanalista.
Porto Alegre: Artes Médicas, 1988.
MARRONE, Mario. La teoria del apego.
Madrid: Psimatica, 2001.
MAZET, Philippe; STOLERU, Serge. Manual
de psicopatologia do recém-nascido. Porto
Alegre: Artes Médicas, 1990.
MONTAGNER, Hubert. A vinculação, a aurora
da ternura. Lisboa: Instituto Piaget, 1993.
MULLER, Lisa; CLÍNICA TAVISTOCK,
Londres. Compreendendo seu bebê. Rio de
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OIE, ORGANIZACIÓN DE ESTADOS
IBEROAMAERICANOS PARA LA
EDUCACIÓN, LA CIENCIA Y LA CULTURA.
Educación Inicial – Modalidades No
Escolarizadas, Cuba – Programa Educa a tu
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PERES-SANCHEZ, Manuel. Observação de
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Guia da família. 2.ed. Porto Alegre, 2007.
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Press, v. 2, p. 313, 1946.
SPITZ, R. A. O primeiro ano de vida. São
Paulo: Martins Fontes, 1996.
STERN, D. A constelação da maternidade.
Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.
STERN, Daniel. Diário de um bebê. Porto
Alegre: Artes Médicas, 1991.
UNESCO. Primeira infância melhor: uma
inovação em política pública. Brasília, 2007.
Cartilha.
UNICEF. Kit Família Brasileira Fortalecida.
Contém cinco álbuns que explicam os cuidados
necessários para as crianças desde a gestação
até os 6 anos de idade.
UNICEF; BRASIL. Ministério da Saúde.
Secretaria de Atenção à Saúde. Promovendo
o aleitamento materno. Brasília, 2007. lbum
seriado.
UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL;
BRASIL. Congresso Nacional. Frente
Parlamentar Nacional em Defesa dos Direitos
da Criança e do Adolescente. Os cuidados
com o bebê. Canela, 2009. Cartilha.
WINNICOTT, Donald Woods. A criança e o
seu mundo. São Paulo: Zahar, 1977.
WINNICOTT, Donald Woods. Os bebês e suas
mães. São Paulo: Martins Fontes, 1988.
WINNICOTT, Donald Woods. Tudo começa
em casa. São Paulo: Martins Fontes, 1989.
SITES
Associação Brasileira de Estudos sobre o Bebê
http://www.abebe.org.br/
Centre of Excellence for Children’s well-being
http://www.excellence-earlychildhood.ca
CGPAN – Coordenação Nacional da Política
de Alimentação e Nutrição
http://www.nutricao.saude.gov.br
Encyclopedia on early childhood development
http://www.child-encyclopedia.com/en-ca/home.html
Fundación Kaleidos
http://www.fundacionkaleidos.org
Fundo do Milênio para a Primeira Infância
http://www.fundodomilenio.org.br/
Fontes para Educação Infantil
http://www.fonteseducacaoinfantil.org.br/
Ministério do Desenvolvimento Social
e Combate à Fome
http://www.mds.gov.br
Ministério da Educação
http://www.mec.gov.br
Ministério da Saúde
http://www.saude.gov.br
Ministério da Saúde – Saúde da Criança
http://portal.saude.gov.br/saude/area.cfm?id_area=1251
Primeira Infância Melhor (PIM)
http://www.pim.saude.rs.gov.br/
Rede Andi Brasil
http://www.redeandibrasil.org.br/
Sociedade Brasileira de Pediatria
http://www.sbp.com.br
UNICEF
http://www.unicef.org
UNICEF no Brasil
http://www.unicef.org.br
World Association for Infant Mental Health
http://www.waimh.org
46
AGRADECIMENTOS
Agradecemos a todos que colaboraram para a realização deste trabalho, com suas entrevistas e
informações: Alexandre Raymundo, presidente da ACIC (Associação Comercial Industrial de Canela);
Andréa Regina de Oliveira, mãe de Kelvin Oliveira da Silva, bebê prefeito de 2002; Arminda Lopes,
artista plástica; Ana Glenda Viezzer, governadora do Rotary Club de Canela, professora aposentada,
ex-diretora de escolas; Arita Bergmann, secretária substituta estadual da Saúde; Berenice Maria Lied
Felippetti, professora de matemática e física, ex-secretária municipal de Educação e de Assistência
Social; Bernard Golse, psiquiatra e professor da Universidade René Descartes, Paris V; Carmem Lúcia
Seibt de Moraes, ex-vice-prefeita e ex-coordenadora da Semana do Bebê; Carmen Regina Martins Nu-
delmann, pediatra, professora da Medicina da ULBRA; Cássio Kadri Monteiro, estudante de Medicina
da Ulbra; Catiana Foss, enfermeira, coordenadora da Saúde da Família; Celso Gutfreind, psicanalista;
Clarice Dapond Boschetti, funcionária da Vigilância Epidemiológica de Canela; Cleomar Eraldo Port,
ex-prefeito de Canela; Constantino Orsolin, prefeito de Canela; Ditmar Bellmann, secretário municipal
de Turismo de Canela; Edmur Camargo Pinto, ex-secretário da Saúde de Canela; Elisangela Castilho
Rech Livi, mãe de Amanda Rech Livi, bebê prefeito de 2001; Elisangela Rodrigues da Silva, funcio-
nária da secretaria municipal de Assistência Social; Esther Beyer, professora do Departamento de
Música do Instituto de Artes da UFRGS; Equipe do Gasmi de Olhão, Portugal (Sônia Coelho, Daniela
Machado, Telma Guerreiro, Filomena Neto, Ana Lam, Paulo Fernandes, Margarida Nicolau, So a Ca-
dete e Augusto Carreira); Francisca Rosa da Silva, mãe de Alan da Silva, bebê prefeito de 2008; Ga-
binete do Senador Pedro Simon (assessor Luís Fonseca); Geraldo Pereira Jotz, otorrinolaringologista
e professor de Medicina da UFRGS e da ULBRA; Goret Toss Hoffman, ex-coordenadora da Semana
do Bebê; Helena Hoffmeister Martins Costa, integrante do Conselho Deliberativo do Lar Voluntária;
Henrique Ruschel, mestre e doutor em Odontopediatria pela FOUSP – Faculdade de Odontologia da
Universidade de São Paulo; Hubert Montagner, ex-diretor de pesquisa no Instituto Nacional de Saúde
e Pesquisa Médica da França; Iole Cunha, pediatra; Isabel Cristina Nunes Cegoni, mãe de Alexandri-
na Nunes Cegoni, bebê prefeito de 2004; Isabel Fillardis, atriz; Isabel Leite Célia, viúva do psiquiatra
Salvador Célia; Isaura Dias Palhano, mãe de Gabriel Dias Palhano, bebê prefeito de 2006; Jean Carlo
Monteiro Spall, secretário municipal da Saúde de Canela; Jornal de Canela; José Agnelo Franzen
Corrêa, pediatra, ex-secretário da Saúde de Canela; José Velhinho Pinto, ex-prefeito de Canela; Ju-
| 49
liana Hartz Trevisan, acadêmica de Odontologia da ULBRA; Juliane Luz de Campos, acadêmica de
Medicina da ULBRA; Leandro César Dias Gomes, responsável do Programa de Extensão do Curso de
Medicina da ULBRA; Leila Almeida, coordenadora geral do PIM; Leoni Arghiropol, do Lyons Clube de
Canela; Lesli Serres de Oliveira, vice-prefeita de Canela; Liana Nonoai, ex-coordenadora do berçário
do Lar de José; Lilian Rodrigues Alves, ex-presidente do Lar de São José; Lucas Matheus de Oliveira
Fabro, pai de Bianca Fabro, bebê prefeito de 2005; Luciano Melo, secretário municipal de Educação
de Canela; Luciano Moreira, ex-professor da ULBRA; Maria do Rosário, deputada federal (PT/RS);
Maria Lucrécia Scherer Zavaschi, psicanalista; Maria Rosa Iorra, aluna de Medicina da ULBRA; Maria-
na Pedrini, psiquiatra, professora das disciplinas O Ciclo da Vida e Neuropsiquiatria I, de Medicina da
Ulbra; Mariela Silveira, médica, ex-aluna da ULBRA; Marliza Terezinha Froner Argenta, coordenadora
de Extensão, da ULBRA; Marisa Orth, atriz; Marta Vaccari Batista, enfermeira, ex-secretária municipal
de Saúde de Canela; Miguel Hoffmann, psiquiatra, promotor da Semana do Bebê na Argentina; Milena
Correia, secretária executiva da Semana do Bebê 2001; Neiva Maria dos Reis da Silva, mãe de Natiele
da Silva, bebê prefeito de 2003; Neli Maria Vitancourt, pedagoga, coordenadora das escolas infantis na
secretaria municipal de Educação de Canela; Noeli Stopassola Soares, presidente da Câmara Municipal
de Canela; Odon Frederico Cavalcanti Carneiro Monteiro, psiquiatra, idealizador da Semana do Bebê;
Osmar Terra, secretário estadual da saúde do Rio Grande do Sul; Pastor Gerhard Grassel, capelão da
ULBRA; Patrícia Reimann, nutricionista do Centro Materno Infantil de Canela; Patrícia Valle, enfermeira
do Centro Materno Infantil de Canela; Paula Cristina Correia, psiquiatra da Infância e Adolescência, Cen-
tro Hospitalar Cova da Beira, Covilhã, Portugal; Paulo Terra, diretor da secretaria municipal de Assistência
Social de Canela; Pedro Dias, radialista, um dos idealizadores da Semana do Bebê; Ricardo Gorodisch,
psiquiatra e psicanalista argentino; Ricardo Halpern, professor-adjunto da Universidade Federal de Ci-
ências da Saúde de Porto Alegre, professor-adjunto da ULBRA; Ricardo Willy Rieth, pró reitor de exten-
são da ULBRA; Ronald Radde, diretor de teatro; Rosane Oliveira, jornalista; Sabrina dos Reis, mãe de
João Felipe dos Reis Kasper, bebê prefeito de 2007; Sérgio Jocimar Lima de Oliveira, pai de Jociane
Salles de Oliveira, bebê prefeito de 2000; Tarciso Rodrigues, jornalista, ex-coordenador da Semana do
Bebê; Tatiele Pimel Velho, mãe de Maria Eduarda Pimel Velho, bebê prefeito de 2009; Vilmar da Sil-
va Santos, secretário municipal de Assistência Social de Canela; Victor Guerra, psiquiatra uruguaio.
48
Sobre a importância do vínculo afetivo
e da interação entre pais e l os
O apego seguro é a base para um desapego saudável.
mais a criança vai internalizar os afetos.
O bebê nasce para se comunicar. Buscar a interação.
A interação saudável gera capacidade de reagir com
inteligência às adversidades, sem violência.
SALVADOR CÉLIA
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Semana do bebê como fazer

  • 1. 10 anos priorizando a primeira infância em Canela a Semana do Bebê Como realizar em seu Município
  • 2.
  • 3. a Semana do Bebê Como realizar 10 anos priorizando a primeira infância em Canela em seu Município
  • 4. FICHA TÉCNICA PRODUÇÃO EDITORIAL Nubia Silveira Editores nubiasilveira@terra.com.br COORDENAÇÃO Elizabeth Motta e Nubia Silveira EDIÇÃO Nubia Silveira REPORTAGEM Adélia Porto Silva e Cari Rodrigues FOTOS Nilton Santolin Banco de Imagem do Jornal de Canela Arquivo Pessoal do psiquiatra Odon Cavalcanti DESIGN GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Pubblicato Design Editorial pubblicato@pubblicato.com.br PRODUÇÃO E EXECUÇÃO DO CD Marcelo Lemos O UNICEF foi criado pela ONU em 1946 como um fundo emergencial para socorrer as crianças das nações devastadas pela II Guerra Mundial. Hoje está presente em 191 países e territórios, ajudando na sobrevivência e no desenvolvimento de meninas e meninos. Presente no Brasil desde 1950, o UNICEF atua ao lado dos governos federal, estaduais e municipais; sociedade civil, setor pri- vado, mídia e organizações internacionais, tendo como prioridade a defesa, promoção e proteção dos direitos de cada criança e adolescente a so- breviver e se desenvolver; aprender; ser protegido e se proteger do HIV/aids; crescer sem violência; e estar em primeiro lugar nas políticas públicas. PUBLICAÇÃO Representante do UNICEF no Brasil Marie-Pierre Poirier Equipe Técnica do UNICEF Coordenação Cristina Albuquerque Colaboração: Ana Márcia Diógenes P. Lima, Ana Maria Azevedo, Arineide Guerra, Danielle Bôto, Estela Caparelli, Francisca Maria Andrade, Halim Antônio Girade, Jane Santos, Letícia Sobreira, Maria da Conceição Cardozo. Fundo das Nações Unidas para a Infância - UNICEF Escritório da Representante do UNICEF no Brasil SEPN 510, Bloco A, Ed. Ministério da Saúde – Unidade II – 2º andar Brasília, DF – 70750-521 Telefone: (61) 3035 1900 Fax: (61) 3349 0606 E-mail: brasilia@unicef.org Website: www.unicef.org.br. © 2010 UNICEF Todos os direitos reservados Dados Internacionais de catalogação na fonte - CIP C221c CANELA. Prefeitura Municipal Como realizar a semana do bebê em seu município : 10 anos priorizando a primeira infância em Canela / por Prefeitura Municipal de Canela, Universidade Luterana do Brasil (ULBRA). – Brasília, DF : UNICEF/Brasil, 2010. 52 p. : il., fotos color. Inclui referências bibliográ cas. Apoio: Unicef e RGE. Parceiros: COMDICA, Conselho Tutelar, Câmara de Vereadores, ACM, Lions Club, Rotary Club, Estado do Rio Grande do Sul. ISBN 1.Políticas Públicas. 2.Mortalidade Infantil. 3.Primeira Infância Melhor. 4.Organização de Evento. 5.Cuidados com Bebê. 6.Semana do Bebê. 7. Rio Grande do Sul, Canela. I. Universidade Luterana do Brasil II. Título. CDU 659.27–053.3(816.5Canela) Bibliotecária responsável: Débora Dornsbach Soares – CRB-10/1700 Referência: CANELA. Prefeitura Municipal. Como realizar a semana do bebê em seu município: 10 anos priorizando a primeira infância em Canela. Brasília, DF: UNICEF/Brasil, 2010. 52 p.; il.
  • 5. A Salvador Célia (in memoriam) Por teres sido um visionário e persistires no teu caminho, apesar das dificuldades, hoje nos olham diferente, nos dão atenção, aconchego e oportunidade de sermos bebês e crianças saudáveis. Sem a tua dedicação, capacidade de mobilização e trabalho comunitário, os nossos pais e cuidadores ainda desconheceriam a importância dos vínculos afetivos e dos estímulos para o nosso desenvolvimento integral. Obrigado pelo teu amor e pela tua generosidade. Os Bebês do Brasil
  • 7. Prefácio Canela, um bom exemplo Apresentação UNICEF Capítulo 1 Semana do Bebê: uma experiência bem-sucedida Por que investir no bebê? Histórico da Semana do Bebê: o exemplo de Canela Uma década de mobilização e sensibilização Herança e resultados Capítulo 2 Como realizar a Semana do Bebê em seu município Planejamento Mobilização Evento Avaliação Glossário Sugestão de Bibliografia Agradecimentos Prefácio 8 10 1 ida 13 14 16 18 2 io 30 36 39 44 46 46 48 Prefácio
  • 9. Hoje, graças às recentes descobertas da ci- ência, é melhor compreendida a importância vital dos primeiros anos de vida, para todo o desen- volvimento futuro do ser humano. É no início de sua existência que todos os sistemas vitais orga- nizam os alicerces de seu funcionamento poste- rior. Não é diferente com a nossa espécie. Esse conhecimento cientí co nos leva à ne- cessidade de investir cada vez mais em políticas públicas para o desenvolvimento integral da pri- meira infância, se quisermos um mundo melhor para se viver. No Rio Grande do Sul, executamos a mais abrangente política de cuidados nessa área, existente no Brasil. Desde 2003, trabalhamos com um programa denominado Primeira Infân- cia Melhor (PIM). Ele tem como foco os cuida- dos integrais nos primeiros anos de vida, visan- do, além da sobrevivência, ao desenvolvimento mais adequado de competências cognitivas e socioemocionais. Sob a coordenação da Secre- taria Estadual de Saúde, as áreas de educação, desenvolvimento social e cultura se articularam em âmbito estadual e induziram o mesmo tipo de organização em 250 municípios. Oitenta e cinco mil crianças pequenas, lhas das famílias mais pobres, estão sendo acompanhadas se- manalmente, em casa. A meta é chegar a 150 mil crianças o que atingirá todas as famílias de baixa renda no Estado. Professores, assistentes sociais, enfermeiros, médicos e agentes cultu- rais atuam conjuntamente, num formato inova- dor de acompanhamento domiciliar. Mas a nossa fonte inspiradora surgiu numa cidade do interior gaúcho, onde, vários anos an- tes de criarmos o PIM, já havia um amplo tra- balho de mobilização da comunidade para os cuidados com as crianças pequenas. Essa cida- de era Canela. O criador dessa mobilização foi o inesquecível pesquisador, professor, médico psiquiatra e exemplo de ser humano sensível, Salvador Célia. Em Canela, Salvador encontrou o lugar ide- al para trabalhar de forma coletiva as questões da Primeira Infância, e, junto com a Administra- ção Municipal, criou a Semana do Bebê, e o Dia do Bebê, trazendo milhares de pessoas para va- lorizar, com muitas ações, o início da vida. Am- plamente divulgados, esses eventos se transfor- maram em notícia estadual e nacional e foram acompanhados de eventos cientí cos que refor- çaram a crença na importância desse trabalho. Atualmente o exemplo se espalhou e se trans- formou no Dia e na Semana Estadual do Bebê, re- forçando nossas políticas públicas setoriais. Tam- bém realizamos seis seminários internacionais para discussão do tema, com os maiores pesqui- sadores do mundo, seminários esses que sempre contaram com a participação ativa do mestre Sal- vador Célia, até o seu falecimento. Superando o medo recorrente, de que polí- ticas públicas relevantes sejam extintas a cada mudança de governo, conseguimos transformar o PIM em lei estadual. O município de Canela continua sendo nosso grande estímulo, reali- zando a cada ano eventos maiores e mais sig- ni cativos sobre o desenvolvimento dos nossos bebês. Que vivam cada vez melhor os bebês de Canela, para nos dar o bom exemplo. Osmar Terra Secretário Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul
  • 11. É com muita alegria que nós do UNICEF apresentamos esta publicação que tem por ob- jetivo compartilhar a experiência da Semana do Bebê, que, temos certeza, poderá contribuir com a promoção do direito de toda e cada criança a se desenvolver plenamente. A Semana do Bebê é realizada anualmen- te há mais de 10 anos em Canela, município da Serra Gaúcha, e difundida em 25 municípios do Rio Grande do Sul, além de cidades em Portugal, na Argentina e no Uruguai. Idealizada e coorde- nada pelos professores Salvador Célia e Odon Frederico Cavalcanti Carneiro Monteiro e pelo radialista Pedro Dias, ao longo dos anos foi assi- milada pelo poder público e pela comunidade de Canela, por colocar a primeira infância no centro das atenções e das ações do governo municipal e de toda a sociedade. O UNICEF acompanhou a experiência em vários momentos e identi cou seu potencial agre- gador de políticas para a primeira infância e a ca- pacidade de contribuir com os demais municípios brasileiros e outros países na promoção dos di- reitos. Com o apoio dos parceiros locais e consul- tas técnicas, foram sistematizados o histórico da experiência e seus resultados com o objetivo de disseminar conhecimentos sobre todo o proces- so mobilizador. O UNICEF reconhece o grande potencial dessa iniciativa como estratégia de mobilização social em prol da primeira infância e lança esta publicação destinada aos gestores municipais e à sociedade. Ela foi construída com base em entrevistas com as famílias, pro ssionais da saúde, educação e assistência social, além dos representantes de todos os segmentos sociais que promovem a Semana do Bebê. Em dois capítulos, narra a experiência e orienta sobre como realizar todo o processo de mobilização. E para disseminar a iniciativa em outros países, a publicação contém um CD com uma versão na íntegra em português e espanhol e uma versão sintética em inglês. A experiência aqui relatada demonstra avanços na construção de políticas públicas que primam pela garantia da sobrevivência e do de- senvolvimento infantil. A intenção do UNICEF é motivar os gestores públicos e a sociedade brasileira a garantir o di- reito ao pleno desenvolvimento de cada criança. A Salvador Célia (in memoriam) e seus par- ceiros, os nossos agradecimentos pela iniciativa voltada ao pleno desenvolvimento infantil e à transformação da realidade dos municípios bra- sileiros. Marie-Pierre Poirier Representante do UNICEF no Brasil
  • 12. Semana do Bebê: uma experiência bem-sucedida CAPÍTULO 1
  • 13. | 13 Os direitos das crianças à sobrevivência, ao de- senvolvimento, à proteção integral e à participação são assegurados por organismos internacionais, desde o nal da segunda década do século , quando a Sociedade das Nações criou, em 1919, o Comitê de Proteção da Infância. Setenta anos de- pois, em 20 de novembro de 1989, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou a Convenção so- bre os Direitos da Criança, rea rmando a necessi- dade de proteção total às pessoas de até 18 anos. A importância crucial da gestação e dos pri- meiros anos de vida para o desenvolvimento to- tal do ser humano tornou-se conhecida a partir de 1950, com as pesquisas realizadas pelos psicana- listas John Bowlby, inglês, e René Spitz, austríaco. Em 1990, o governo norte-americano sancionou a lei que instituiu a Década do Cérebro, destinada a decifrar os 100 bilhões de neurônios do cérebro humano. Entre as muitas descobertas dos cientis- tas, está a de que o cérebro muda muito na pri- meira infância e se reorganiza, dependendo dos estímulos que recebe. É na primeira infância que o ser humano desenvolve suas capacidades cognitivas, mo- toras, socioafetivas e de linguagem. O investi- mento nesse período garante à criança, além de todos os direitos de nidos em lei, o direito de ser saudável, viver em segurança e no aconche- go familiar. Esses direitos são assegurados por meio de políticas públicas. Por que investir no bebê? No Brasil, os direitos das crianças estão ga- rantidos pela Constituição Federal, promulgada em 1988, e pelo Estatuto da Criança e do Ado- lescente, um dos documentos mais avançados de todo o mundo na efetivação da doutrina de proteção integral às crianças e garantia de di- reitos, facultando-lhes o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade. A realidade concre- ta do País, porém, não re ete ainda essa avan- çada consciência sobre os direitos das crianças. O Brasil mantém uma grande parte de suas crianças vivendo em situação de vulnerabilidade e exclusão social. Segundo a Pesquisa Nacio- nal por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo IBGE em 2008, dos 189.953.000 de bra- sileiros, 63.924.000 são jovens de até 19 anos (33,65% da população) e 13.622.000, crianças A primeira infância é geralmente de nida como o período compreendido desde o nascimento até os 6 anos de idade. Entretanto, o Comitê dos Direitos da Criança, em seu Comentário Geral nº 7, recomenda que os países de nam como a primeira infância o período compreendido desde o nascimento até os 8 anos, como forma de incluir, em nível global, todas as crianças até a transição para a escola. 12
  • 14. de até 4 anos (7,17% da população). A mes- ma pesquisa revela que, em 2008, 4,5 milhões dos trabalhadores tinham entre 5 e 17 anos. São pessoas que perderam o direito de ser crianças, de brincar, de estudar, de ter uma vida saudável. Ao investir na primeira infância e assegu- rar às crianças o direito à proteção, à saúde e à educação de qualidade, promove-se a redução das desigualdades. Esta, porém, não é tarefa apenas do Estado, mas de toda a sociedade. E é justamente a união da comunidade em tor- no da proteção à gestante e à criança, o gran- de sucesso da Semana do Bebê de Canela. A Semana do Bebê serve para se pensar e avaliar as condições sociais, educacionais e de saúde que o município oferece aos bebês que nascem na cidade, e com essa avaliação melhorar os serviços. ODON CAVALCANTI, psiquiatra, um dos idealizadores da Semana do Bebê de Canela Canela, terra de turismo Município de 42 mil habitantes, Canela situa-se na região serrana do Rio Grande do Sul e vive basicamente do turismo, responsável por 62% do seu PIB. O número de nascimentos na cidade vem diminuindo desde 2000, quando foram registrados 791 novos canelenses. Em 2008, a cidade ganhou 565 bebês. E, em 2009, 480, segundo a Secretaria Municipal da Saúde. Saiba mais no CD. Histórico da Semana do Bebê: o exemplo de Canela Em janeiro de 2000, no Grande Hotel de Canela, na Serra Gaúcha, professores da Uni- versidade Luterana do Brasil (Ulbra), especial- mente os da disciplina O Ciclo da Vida e Psi- quiatria, participaram do encerramento do curso a distância de Psicopatologia do Bebê, coorde- nado pelos professores Serge Lebovici, fran- cês, e J. Armando Barriguette, mexicano. Os participantes concluíram que os conhecimentos adquiridos deveriam ser logo transmitidos às comunidades. Surgiu daí a ideia de promover, em Canela, uma semana dedicada ao bebê. PORTO ALEGRE CANELA
  • 15. | 15 Um inovador ODON FREDERICO CAVALCAN- TI CARNEIRO MONTEIRO nasceu em 1930, na cidade de São Fran- cisco de Paula, na região serrana do Rio Grande do Sul. Foi aluno do curso pioneiro de especialização em psiquiatria realizado no Brasil, de 1961 a 1963, na Faculdade de Medicina da UFRGS, em Porto Alegre, onde se formou médico, em 1954, e lecionou psiquiatria de 1965 a 1995. Na Ulbra, inovou ao criar as disciplinas O Ciclo da Vida e Psiquiatria, colocando os alunos para cuidar, desde o pri- meiro semestre e por todo o curso, de uma família em que houvesse uma grávida ou um bebê de até 1 ano. “Se não fosse o espírito do doutor Odon e do doutor Salvador, a Semana do Bebê não teria acon- tecido”, a rma o secretário muni- cipal de Saúde Jean Carlo Spall. Saiba mais no CD. Liderança mundial O porto-alegrense SALVADOR AN- TONIO HACKMAN CÉLIA, nascido em 1940, recebeu o prêmio Sonia Bemporad, da World Association for Infant Mental Health (WAIMH), em 2002, e foi o único brasileiro a integrar a Academia Nacional de Medicina do Uruguai. Até a sua morte, em 2009, lutou pela aten- ção à gestante e ao bebê, ban- deira que levou para o exterior. Orgulhava-se de ter criado o Vida Centro Humanístico, em Porto Alegre, destinado a oferecer opor- tunidades de saúde, educação, cultura e lazer a cidadãos de to- das as idades. A convite de Odon Cavalcanti, passou a lecionar na Ulbra. Salvador, a rma o amigo Odon, foi “a grande estrela das 10 Semanas do Bebê. Ele foi o líder, o mobilizador, o comunicador”. Saiba mais no CD. Um empreendedor PEDRO RAYMUNDO DIAS, nas- cido em 17 de dezembro de 1935, no distrito de Eletra, em São Fran- cisco de Paula, no Rio Grande do Sul, é um empresário de sucesso na área da radiodifusão. Em 1978, assumiu a Rádio Clube de Canela, transformando-a em líder de audi- ência na Região das Hortênsias e no Vale do Paranhana. Em 1993, inaugurou a Rádio Clube FM 88,5. Por 16 anos consecutivos, presidiu a Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão – Agert. Sobre Odon e Salvador, seus parceiros na promoção da Semana do Bebê, Pedro a rma: “Eu era a parte local, de divulga- ção, convocando as pessoas a a cargo dos psiquiatras Salva- dor e Odon, dois entusiastas”. Saiba mais no CD. Os professores Odon Cavalcanti e Sal- vador Célia caram responsáveis por execu- tar a proposta. O primeiro passo foi procurar o radialista Pedro Dias e solicitar o seu apoio. Como três mosqueteiros, eles uniram esforços para organizar e divulgar a Primeira Semana do Quando terminava uma Semana do Bebê, a gente começava já a pensar na seguinte. GORET TOSS HOFFMAN, primeira coordenadora-geral da Semana Bebê de Canela, um evento voltado a estimu- lar a boa relação entre o bebê e seu cuidador. A Ulbra e Canela abraçaram a ideia. A Uni- versidade participou com seus professores e alu- nos. O apoio da cidade veio por meio de suas autoridades e da sociedade civil organizada. A Semana do Bebê, que vem sensibilizando toda a comunidade canelense, recebeu apoio de três governos municipais de diferentes par- tidos e passou a integrar o calendário de even- tos da cidade. Em suas 10 edições, a Semana consolidou a parceria entre o município, tra- dicional promotor de eventos culturais, e a Ulbra, dedicada à formação de médicos com 14
  • 16. uma visão mais humanizada sobre o relacio- namento mãe- lho. A Semana tem in uencia- do na realização de mudanças nas estruturas municipais de Saúde e Educação e no com- portamento da comunidade. Presidente do De- partamento de Saúde Mental da Sociedade Bra- sileira de Pediatria e professor-adjunto da Ulbra, Ricardo Halpern diz que “a Semana mudou o entendimento das famílias a respeito dos cuida- doscombebês”. Segundoele,“mudouatéoolhar dos técnicos da saúde em relação ao bebê, o que é decisivo para o desenvolvimento da criança”. Uma década de mobilização e sensibilização Semprerealizadaemmaio,aSemanadoBebê é planejada com antecedência mínima de seis me- ses, pela Comissão Organizadora. Integrante do Calendário de Eventos de Canela, a Semana foi legalmente instituída pelo município em 2009, ano de sua décima edição. A legislação, proposta pelo Executivo municipal, foi aprovada pelos vereado- resepromulgadapeloprefeitoConstantinoOrsolin. A maioria das atividades realizadas du- rante a Semana se repete desde a primeira edição. Elas mobilizam a comunidade a parti- Íntegra da Lei que instituiu a Semana do Bebê Lei Municipal nº 2.906, de 22 de setembro de 2009 Institui no Município a Semana do Bebê de Canela. O prefeito Municipal de Canela, Estado do Rio Grande do Sul, faz saber que a Câmara Municipal de Vereadores aprovou e eu sanciono e promulgo a seguinte Lei Art. 1º Fica instituída a Semana do Bebê de Canela na segunda semana do mês de maio de cada ano, iniciando suas atividades no domingo que comemora o Dia das Mães. Art. 2º As atividades alusivas serão regulamentadas com as dotações orçamentárias especí cas bem como através de doações de terceiros e repasses advindos do Estado e da União e serão regradas por cronograma a ser elaborado pelo Executivo Municipal em parceria com as instituições que zerem parte de sua organização. Art. 3º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação. Gabinete do Prefeito Municipal de Canela Constantino Orsolin Roberto Basei Prefeito Municipal Secretário Municipal da Administração Registre-se. Publique-se.
  • 17. | 17 A Semana do Bebê é uma experiência única. Ela abre espaço para o bebê e sua família. A comunidade atua quase como um organismo pensante, unindo seus membros ao redor do bebê. Isso também reforça a autoestima dos pais e dos técnicos que trabalham com essa experiência. Primeira Passeata dos Bebês, em 2000: atividade reúne as famílias de Canela numa caminhada da Praça Central à Catedral de Pedra Foto:Arquivo pessoal do psiquiatra Odon Cavalcanti VICTOR GUERRA, psicanalista uruguaio 16
  • 18. cipar da programação e sensibilizam as famí- lias a dar aconchego às grávidas, estimular os bebês, e a investir na relação mãe- lho. À programação original, foram sendo agrega- das outras atividades, todas elas centradas Dar segurança afetiva às crianças é indispensável para que, ao longo do desenvolvimento e em todas as idades, elas possam se realizar na sua vida emocional, afetiva e de relacionamento, no seu sistema de interações e de comunicações, nos seus processos de socialização e de adaptação, nos seus processos cognitivos e seus recursos intelectuais. HUBERT MONTAGNER, francês, ex-diretor de pesquisa no Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica na gestante e no bebê. Em 2005, a Semana passou a de nir um subtema para ser deba- tido pelos participantes. A escolha é feita de acordo com as necessidades encaminhadas pela população aos agentes comunitários. Herança e Resultados Autoridades municipais e estaduais, pro s- sionais da área da saúde, professores e acadêmi- cos não têm dúvidas: a Semana do Bebê mudou o comportamento da comunidade de Canela com respeito às suas gestantes e crianças e é, hoje, exemplo de intervenção para brasileiros e es- trangeiros. Coordenadora da Semana de 2009, a vice-prefeita e ex-professora Lesli Serres de Oli- veira diz que já é possível notar nas escolas os efeitos da relação mãe- lho, pregada pela Sema- na e adotada como programa de orientação às mães nas unidades de saúde. Lesli a rma que as crianças estão mais ativas e participantes: “isso é notório nas nossas escolas. Antes tínhamos crian- ças acabrunhadas, quietas ou briguentas. Hoje elas estão mais participantes. Têm carinho da fa- mília, que também se aproxima mais da escola”. A Semana deixa de herança o aprendizado do trabalho em rede, uma realidade sem possi- bilidades de retrocesso no município, e um novo olhar em relação ao bebê. A principal mensagem da Semana, absorvida pela comunidade, foi a da importância de cuidar do bebê desde a gestação, favorecendo uma ligação segura entre mãe e - lho, indispensável para que a criança desenvolva todo seu potencial cognitivo, motor e socioafetivo.
  • 19. | 19 Avanços na Saúde Canela trabalhou pela redução da mortalidade infantil, redução da desnutrição infantil, am- pliação da cobertura do Programa Saúde da Família (PSF), desenvolvendo ações de am- pliação do pré-natal, incentivo ao aleitamento materno, ações de acompanhamento do cres- cimento e desenvolvimento de menores de 2 anos, incluindo vacinação. Houve um aumento na cobertura do Programa Saúde da Família. Atualmente, 52% das áreas mais vulneráveis do município contam com a Estratégia do Saúde da Família. Garantir o acesso ao pré-natal é um dos maiores desa os para a redução da mortalidade infantil e materna. O acesso ao pré-natal completo (mais de seis consultas) duplicou no período observado, representando um aumento do percentual de mulheres que realizaram mais de seis consultas, passando de 34,9%(1999) para 72,7% (2008). O incentivo ao aleitamento materno é uma prioridade no município, com acompanhamento das crianças até o sexto mês. O percentual de crianças que são alimentadas exclusivamente com leite materno até 1 mês de vida passou de 61,8% (2000) para 87,9% (2007). Na faixa de idade entre 5-6 meses o aleitamento materno duplicou nesse mesmo período, passando de 21,3% (2000) para 44,4% (2007). O registro de nascimento é um direito humano fundamental, segundo a Convenção sobre os Direitos da Criança. Em Canela, 98,2% das crianças que nasceram em 2008 tiveram esse direito garantido. A redução da gravidez na adolescência merece destaque com a redução de 25,1%. O percentual de adolescentes que engravidaram passou de 24,3% (2000) para 18,2% (2008). 18
  • 20. Clínica do Bebê Na primeira consulta, o bebê recebe as va- cinas, se submete ao teste do pezinho e a ou- tros exames que determinam se ele é de risco. O bebê considerado de risco permanece em atendimento no Centro Materno Infantil, onde a Clínica está instalada. Do contrário, é encami- nhado à unidade de saúde mais próxima de sua casa. Apesar de contar com uma equipe multi- disciplinar, sempre pronta a atender as crianças, o Centro Materno Infantil pré-agenda apenas as consultas com pediatra e dentista. Para os be- bês dos 12 aos 18 meses, são pré-agendadas consultas somente com o pediatra. Dos 2 aos 5 anos, com pediatra e dentista. O Centro monitora a frequência e, em caso de não comparecimento, as enfermeiras visitam a família. Catiana Foss, coordenadora da Estratégia da Saúde da Família Em Canela, 100% dos bebês nascidos pelo SUS têm acompanhamento integral e multidisci- plinar na Clínica do Bebê, que funciona todas as quartas-feiras, no Centro Materno Infantil. A cria- ção da Clínica, em 2004, e o estabelecimento de parcerias com o Hospital de Caridade e a rede de saúde tiveram por meta diminuir o número de óbitos infantis. A primeira consulta de um recém-nascido é marcada pelo próprio Hospital de Caridade para uma semana após o parto. Na Clínica, as crianças são atendidas por enfermei- ro, pediatra, nutricionista, odontólogo e psicó- logo. Em 2008 e 2009, o Hospital encaminhou à Clínica mensalmente, em média, 40 bebês. O total de atendimentos anuais, segundo dados da Prefeitura, mais do que duplicou no período de 2004 a 2008, passando de 180 para 423. Figura 1 – Mortalidade Infantil (por mil nascidos vivos), 1999-2008. Figura 2 – Aleitamento Materno Exclusivo, 2000-2007 35,0 30,0 25,0 20,0 15,0 10,0 5,0 0,0 100,0 90,0 80,0 70,0 60,0 50,0 40,0 30,0 20,0 10,0 0,0 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Fonte: SMS de Canela 1 mês 14,0 61,8 8,4 11,2 8,6 18,4 30,4 13,6 16,4 12,6 10,6 39,2 21,3 85,9 48,9 30,9 82,5 58,9 30,3 82,5 47,9 32,9 89,4 55,8 23,8 88,7 66,5 30,5 88,8 59,9 26,7 87,9 63,2 44,4 3-4 meses 5-6 meses Fonte: SMS de Canela
  • 21. | 21 do município, revela a decisão de passar a pré- agendar, também, consultas com enfermeiros. Em 2008, foram atendidos 120 bebês de risco e realizadas 260 visitas domiciliares. Para melhor orientar as futuras mães, com- bater a mortalidade infantil e propiciar o nasci- mento de bebês saudáveis, o Centro Materno Infantil promove o Curso de Gestantes. O pre- feito de Canela, Constantino Orsolin, a rma que o Curso é resultado da Semana do Bebê de 2009. As atividades da Clínica do Bebê, segundo o pediatra e ex-secretário municipal da Saúde José Agnelo, provocaram aumen- to no índice de aleitamento materno. “Hoje, em Canela, cerca de 50% das crianças são amamentadas até o sexto mês”, diz ele. Esse índice sobe para 84,51% entre as mães adolescentes, informa a Secretaria Municipal de Saúde. Combate à mortalidade infantil Canela, até a década de 70, registrava um dos maiores índices de mortalidade infantil do Rio Grande do Sul. De 1970 a 1977 ocorreram, em números absolutos, 89 mortes de recém- nascidos. Em 1970, a taxa de mortalidade por grupo de mil nascidos vivos foi de 82,66, em Canela, enquanto a do Estado era de 48,41. A oferta de mais serviços (nos anos 2000 foram abertas novas unidades de saúde nos bairros periféricos), o trabalho em rede e a criação da Clínica do Bebê levaram à queda da mortalida- de infantil no município. Para a ex-secretária municipal de Educação Berenice Maria Lied Felippetti, o maior avanço obtido pela adminis- tração pública de Canela foi o de “aprender a trabalhar em rede, com todos os órgãos mu- nicipais tendo foco nos programas”. A taxa de mortalidade por grupo de mil nasci- dos vivos baixou de 30,35, em 2004, para 10,62, em 2008, menor do que os 12,75 registrados no Rio Grande do Sul. Algo muito positivo na Semana é justamente reunir a comunidade em torno dela. NOELI STOPASSOLA, vereadora, presidente da Câmara Municipal de Canela Com as mães mais orientadas sobre a as crianças estão mais saudáveis e temos menos casos de doenças nos postos de saúde e nos hospitais. VILMAR SANTOS, secretário municipal de Assistência Social 20
  • 22. Gravidez na adolescência Além da alta taxa de mortalidade infantil, Ca- nela registrava um índice expressivo de mães adolescentes, o que levou os organizadores da Semana do Bebê a promoverem palestras nas escolas sobre adolescência, sexualidade e gra- videz. Em 2000, quando foi realizada a Primeira Semana do Bebê, a proporção de gravidez entre mulheres com menos de 20 anos era de 26,58%, em Canela. A cidade contava com 185 adoles- centes grávidas. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o número absoluto de adolescentes grávidas baixou para 107 em 2008 e a propor- cionalidade para 24,45%. Neli Maria Vitancourt, coordenadora das escolas infantis de Canela, as- socia a redução do número de adolescentes grá- vidas no município à ação da Semana do Bebê. Referindo-se aos encontros sobre sexualidade com os estudantes, ela a rmou que “foi bom para as meninas e os meninos se conscientizarem da responsabilidade que é ser pai e mãe”. Mais vagas em creches e pré-escolas A Semana do Bebê provocou mudanças es- truturais na área da educação, aumentando a oferta de vagas para a primeira infância. O nú- mero de creches foi multiplicado por mais de três e o de vagas por aproximadamente quatro, no período de 1999 a 2009. Foram abertas sete creches, perfazendo um total de dez, em que são atendidas crianças de 4 meses a 6 anos, durante dez horas por dia. As vagas nas cre- ches aumentaram de 250 para 950. Mas ainda faltam em torno de 800 vagas para que o mu- nicípio possa atender todas as crianças. O nú- mero de pré-escolas também subiu de três para dez, com aumento de cerca de 75 vagas para 240. Seriam necessárias ainda mais 250 vagas para atender à toda demanda do município. Escola com mais afeto Os ensinamentos da Semana do Bebê pro- vocaram mudanças também na forma de os pro- fessores se relacionarem com as crianças e de os pais valorizarem a escola. “A Semana trouxe para discussão qual é a função da professora de educação infantil”, diz Neli Maria Vitancourt, coordenadora das escolas infantis na secretaria municipal de Educação. “Não é só trocar, ali- mentar. Tem que ter uma palavra, o toque, o abraço, o carinho. Não se trata de mera esti- mulação. O olhar atento e afetivo e a sensibi- lidade caminham juntos”.
  • 23. | 23 A Semana ofereceu às escolas contatos com professores, acadêmicos e pro ssionais de di- versas áreas. Hoje, se a criança apresenta uma di culdade – como sonolência, por exemplo –, a escola procura a família, tenta investigar o moti- vo. “Até então”, diz Neli, quieta no cantinho, ninguém se preocupava. Hoje, o professor se dá conta de que aquilo não é normal”. Música para bebês NaSemanadoBebêde2009,oDepartamento de Música do Instituto de Artes da UFRGS realizou o cinas musicais para os pequenos. A experiência foi tão positiva que será repetida em 2010 e a Se- cretaria Municipal de Educação decidiu adotar as o cinas de música nas creches e escolas infantis, transformando a experiência em política pública. Os instrumentos utilizados nas o cinas vão além dos musicais – pianos, pandeiros, chocalhos, triân- gulos. Há também bolas, bolinhas de massagem, balões, bonecos e fantoches. Durante uma hora, o cuidador canta para o bebê, conta-lhe histórias e lhe faz massagens. Esses encontros fortalecem o vínculo com os pais ou com quem exerce a função de cuidador, contribuindo para o desenvolvimento integral do bebê, tornando-o mais sociável, pois ele observa como as demais crianças estão can- tando para poder entrar no ritmo. A música tam- bém ajuda a desenvolver a coordenação motora e ensina a criança a escutar, a ter senso estético, a ser mais sensível e segura. A Semana foi o pontapé inicial, abriu para a questão da sensibilidade e do afeto. NELI MARIA VITANCOURT, pedagoga, coordenadora das escolas infantis na Secretaria Municipal de Educação de Canela 22
  • 24. Um olhar diferente Acadêmicos da área da saúde e até mes- mo pro ssionais egressos da Ulbra asseguram que a participação na Semana do Bebê mudou o seu modo de ver a relação médico-paciente. Aprenderam a ver o outro, a colocar-se no lu- gar do paciente para melhor tratá-lo. Todos se dizem mais sensibilizados e determinados a dar continuidade à proposta da Semana de au- mentar os vínculos entre as mães e os bebês. O trabalho conjunto nas escolas e nas uni- dades de saúde leva os alunos a perceberem a necessidade de atuar em parceria com outras pro ssões. Eles também passam a valorizar os recursos da comunidade, bem como o poten- cial da família e o seu próprio papel como mo- delo para os pacientes. Juliana Hartz Trevisan, odontóloga, par- ticipou de duas Semanas do Bebê e a rma: “Conheci outras realidades e aprendi que o cuidado com a saúde bucal do bebê não depende só da Odon- tologia. Temos que trabalhar em conjunto com ou- tras profissões”. Juliane Luz de Campos, aluna de Medicina, diz que o evento mudou sua vida em vários sentidos. “Na Semana, tu aprendes a te igualar ao teu paciente, porque tu não estás ali para ser superior a ele. Estás ali para ajudá-lo, de igual para igual”. A Semana na iniciativa privada Uma ex-aluna da Ulbra aplicou na empresa da família os conhecimentos adquiridos na Se- mana do Bebê. Em 2001, ela criou o programa Kinder Kur, destinado especi camente às mães que querem voltar à forma física, sem perder o contato com os bebês. O programa oferece a es- sas mães acomodações especiais e a possibili- dade de fazer exercícios na companhia do bebê. Não tenho dúvidas de que os alunos se tornam mais sensíveis para o exercício de medicina. CARMEN NUDELMANN, professora de Medicina da Ulbra Ecos no Congresso Os participantes do 1º Encontro Social Regio- nal, Encontro Parlamentar e 2º Fórum Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, reali- zados em 2005, como parte da programação da Semana do Bebê, assinaram a Carta de Canela. Nela, comprometem-se, entre outras coisas, a “buscar atendimento integral à gestante, ao pai do bebê e à família, com vistas à formação de uma rede de apoio que possa fortalecer a ”. O documento foi di- vulgado nacionalmente pela deputada Maria do Rosário, integrante da Frente Parlamentar Nacio- nal em Defesa dos Direitos da Criança e do Ado- lescente no Congresso Nacional. Ela leu a Carta na tribuna da Câmara Federal.
  • 25. | 25 O Encontro Parlamentar tornou possível a parceria entre a Ulbra e a Frente Parlamentar Nacional em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, na publicação de uma cartilha sobre os Cuidados com o Bebê, produzida pelos cursos de graduação de Medicina, Odontologia, Psicologia, Fisioterapia e Enfermagem, e distri- buída, desde 2007, aos agentes comunitários de saúde de Canela e aos pro ssionais presentes em seminário internacional. Saiba mais no CD. Participação popular De 2007 a 2009, o número de participantes da Semana do Bebê de Canela teve um cresci- mento médio de 10% ao ano, sendo necessário oferecer novas o cinas a um público que chegou, em 2009, a 5 mil pessoas, equivalentes a 12% da população de Canela. Foram necessárias 25 pessoas para montar a logística do evento: re- cepção de convidados, assessoria de imprensa, distribuição de folhetos, operação de equipamen- tos de som, entre outras atividades. Em relação à primeira edição, quando não havia equipe de apoio, o crescimento foi de cerca de 70%. Nos ar- quivos da Primeira Semana do Bebê, consta que, em 2000, houve a participação de 2 mil estudan- tes, nos encontros realizados nas escolas, e de mil pessoas na Passeata do Bebê, que encerra a programação da Semana. O cálculo é de que aproximadamente 22 mil estudantes da 5ª série do ensino fundamental à 3ª do ensino médio te- nham sido bene ciados pelos encontros com os acadêmicos. Nas 10 edições, participaram 264 acadêmicos da área de saúde da Ulbra. A Se- mana atrai para o município, segundo dados da prefeitura, entre 300 e 400 pessoas. Na Semana do Bebê, aprendi que um dos temas relevantes de saúde pública que não são ainda tratados devidamente no Brasil é de que cerca de 30% das mulheres no mundo têm algum traço de depressão pós-parto. Apoiar a mãe para superar a depressão é essencial. MARIA DO ROSÁRIO, deputada federal (PT/RS) 24
  • 26. Primeira Infância Melhor Em 2003, o governo do Rio Grande do Sul criou o Programa Primeira Infância Melhor (PIM), inspirado em várias experiências. A se- cretária estadual adjunta da Saúde e ex-coor- denadora do PIM, Arita Bergmann, a rma que a Semana do Bebê foi um “marco histórico” para a criação do Programa, cuja metodologia é uma adaptação da iniciativa cubana Educa a tu hijo. O propósito do Programa é promover o desenvolvimento cognitivo, motor, socioafeti- vo e da linguagem em crianças de até 6 anos. Para isso, as famílias são acompanhadas por visitadores. Eles orientam as gestantes e ensi- nam as técnicas de estímulo para o estabeleci- mento de vínculos afetivos. Cada visitador tem A primeira experiência voltada para o desenvolvimento dos bebês foi a de Canela. Ela foi um marco histórico para que criássemos o Programa Primeira Infância Melhor, em 2003. Baseados em Canela, criamos a Semana Estadual do Bebê. ARITA BERGMANN, secretária adjunta da Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul Programa comunitário: Educa a tu hijo ChanceladopeloUNICEF,oprogramacubanoEducaatuhijodestina- se a crianças de até 6 anos, não atendidas pelo ensino formal, visando ao seu desenvolvimento integral, do nascimento ao ingresso na escola. Segundo documento da Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura, as famílias, consideradas um excelente núcleo de educação, são capacitadas por pro ssionais, geralmente voluntários, a promover o desenvolvimento de grávidas e crianças. Pedagogos, psicólogos, pediatras, especialistas em crescimento e desenvolvimento, desporto, recreação e cultura, entre outros, são responsáveis pela pedagogia adotada por esse programa comunitário. Famílias com crianças de até 2 anos recebem orientações em casa, uma ou duas vezes por semana. O/a orientador/a ensina como estimular o desenvolvimento dos bebês. A atenção às crianças de 2 a 6 anos é coletiva. As famílias e os bebês se reúnem em um local da comunidade, onde o/a orientador/a estimula as crianças e orienta as famílias como seguir com as atividades em casa. Crianças de 5 e 6 anos, de zonas rurais ou montanhosas, podem receber atendimento individual ou coletivo. Estas crianças, duas vezes por semana, são levadas às escolas primárias por suas famílias. Ali são atendidas por um/a professor/a e pelo/a orientador/a, que realiza atividades com as crianças e demonstra às famílias como realizar as atividades em casa. Essencial para o programa de educação não formal é o sistema de capacitação, atendendo todas pessoas participantes do programa, apesar de sua diversidade. Saiba mais no CD. a seu cargo um grupo de 25 famílias e é super- visionado por um monitor. Em janeiro de 2010, o Programa contava com 2.174 visitadores que atendiam, em 233 municípios, 54,3 mil famílias, com 6.522 gestantes e 81.525 crianças.
  • 27. | 27 Experiência motiva cidades gaúchas A primeira cidade a seguir o exemplo de Cane- la e criar a sua Semana do Bebê foi São Marcos, a 160 quilômetros de Porto Alegre. Um ano depois, a Secretaria Estadual de Saúde lançou a Semana Estadual do Bebê. Realizada há sete anos, inspi- rou-se na pioneira Semana de Canela. Em 2009, 24 outras cidades realizaram suas Semanas, em parceria com o Programa Primeira Infância Melhor: Balneário Pinhal, Cambará do Sul, Dois Irmãos, Ibirapuitã, Imbé, Júlio de Castilhos, Manoel Viana, Muliterno, Porto Alegre, Quaraí, Redentora, Santa Cruz do Sul, Santiago, Santo Antônio da Patrulha, São Francisco de Assis, São Lourenço do Sul, São Pedro do Sul, Sapiranga, Selbach, Soledade, Ta- pejara, Teutônia, Três Passos e Vacaria. Exemplo que se espalha pelo mundo Médicos estrangeiros convidados a partici- par da Semana, em Canela, e outros que toma- ram conhecimento do evento em congressos e encontros internacionais entusiasmaram-se com a proposta e lideraram a realização de eventos semelhantes em seus países. A primeira Sema- na argentina aconteceu, em 2009, em Brandsen, na Província de Buenos Aires, com grande acei- tação. La Semana de la Infância – conta Miguel O resultado sempre foi um somatório de pontos positivos: melhora o conhecimento, a divulgação do conhecimento, envolvimento da comunidade, junto com a universidade e o poder público. A iniciativa de parar para discutir bebês se reproduziu em vários lugares e despertou o interesse do Estado, do País e do Exterior. RICARDO HALPERN, Pós-doctor fellow em Desenvolvimento e Comportamento de Crianças e Adolescentes e professor-adjunto da Ulbra Hoffmann – teve “uma boa recepção, tanto por parte das autoridades de saúde pública e de- senvolvimento humano quanto por parte da comunidade, organizada em associações, co- operativas e clubes esportivos”. Em Portugal, a primeira edição reuniu as cida- des de Covilhã e Fundão, em 2007. No ano seguin- te, Belmonte tornou-se a terceira comunidade por- tuguesa a repetir a Semana, que chegou a Olhão, no Algarve, em 2009. A cidade do Porto também pretende organizar a sua Semana. Os resultados são animadores: a comunidade engaja-se nas ativi- dades e se descobre responsável pela saúde, pela proteção e pelo bem-estar dos bebês. Na primeira Semana de Olhão, por exemplo, participaram cerca de 3.500 pessoas e 49 instituições comunitárias. A Prefeitura de Montevidéu também se inspi- rou na Semana do Bebê para realizar, em setem- bro de 2009, o evento La Infância es Capital, que contou com 140 atividades, entre elas, um semi- nário, apresentações de teatro de rua e espetácu- los musicais dirigidos às crianças e suas famílias. A Semana uruguaia, apesar de ter um formato di- ferente, seguiu o espírito da Semana de Canela, a rma lvaro Paciello, chefe do Plano de Ação para Alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio de Montevidéu. Passeata do Bebê, realizada no município gaúcho de São Marcos, em 2002 Foto:Arquivo pessoal do psiquiatra Odon Cavalcanti 26
  • 28. Como realizar a Semana do Bebê em seu município CAPÍTULO 2
  • 29. | 29 A organização de um evento para dissemi- nar atitudes e práticas inovadoras exige mobi- lização, convocação de vontades das pessoas que vão planejar todas as ações, disciplina, perseverança, adesão e envolvimento da co- letividade. A exemplo de qualquer outro evento, a re- alização da Semana do Bebê depende de lide- rança. E, neste caso, também de paixão pelos bebês. Depende de voluntários que dediquem horas e dias à mobilização da comunidade sobre a importância de investir na gestante e no bebê. São essas pessoas que levarão a proposta ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), às autoridades executi- vas e legislativas do município, aos empresários, às associações, às ONGs, aos líderes religiosos e às demais lideranças e entidades, solicitando que, ao aceitar o convite para se unir na promo- ção do evento, indiquem o(s)/a(s) integrante/s da Comissão Organizadora. Formada a comissão inicial, é hora de arrega- çar as mangas e começar a trabalhar. A organi- zação passa, essencialmente, por quatro fases: Planejamento Mobilização Evento Avaliação As quatro etapas do evento 28
  • 30. Planejamento Entre os membros da comissão inicial, for- mada por representantes do poder executivo municipal, das entidades de ensino e das demais instituições que aderirem à proposta de realizar a Semana do Bebê, serão escolhidos os integran- tes da Comissão Executiva, que deverá se reunir semanalmente para planejar a Semana. Se hou- ver necessidade, no mês que precede o even- to, poderão ser feitas duas reuniões semanais. O calendário de reuniões deve ser montado já na primeira reunião da comissão, comprometendo os seus integrantes. Essa é uma etapa em que há muitos deta- lhes a acertar. É preciso de nir: 1. Comissão Executiva Os integrantes dessa comissão serão res- ponsáveis pelo bom andamento de todas as fa- ses do evento. Dela devem fazer parte: a prefeitura, por meio do prefeito ou seu re- presentante, secretários municipais de Saúde, Educa- ção e Assistência Social, representantes da universidade ou institui- ção de ensino do município, professores (o ideal é que sejam dois). representante do conselho da Criança e do Adolescente (CMDCA). É imprescindível garantir a participação dos conselhos municipais, especialmente o dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes (CMDCA). Comissão Em Canela, até a terceira edição, a Prefeitura apoiava o evento, sem participar da organização. A partir da quarta, integrou-se totalmente ao processo, destacando funcionários das áreas de turismo e comunicação para trabalhar na preparação da Semana. Salvador Célia (D), Odon Cavalcanti (E) e Pedro Dias (terceiro da E para D) participam de reunião da Comissão Executiva Foto: Banco de Imagem / Jornal de Canela
  • 31. | 31 Das reuniões realizadas por essa comissão, sairão as decisões de como, quando e onde rea- lizar a Semana do Bebê. A comissão indicará os nomes dos/das coordenadores/coordenadoras geral, executivo/a, das atividades paralelas e do Seminário, seja ele de âmbito local, estadual, nacional ou internacional, segundo as possibili- dades nanceiras. O número de participantes das reuniões podeaumentargradualmente,dependendodos convites feitos pela comissão executiva, com a nalidade de mobilizar pessoas e entidades. É importante a integração dos agentes comu- nitários de saúde, que atuarão como mediado- res entre a organização e a comunidade. Eles apresentam aos coordenadores do evento as dúvidas e as preocupações das famílias sobre a relação com as gestantes e os bebês. A cada semana um novo grupo pode ser convidado: clubes de serviço, ONGs voltadas para a proteção da crian- ça e do adolescente, entidades de classe de trabalhadores e empresariais, associações de bairro, igrejas, meios de comunicação, escritores, atores, produtores, cineastas, todos que trabalhem com cultura, grupos de jovens, outros grupos que ajudem a unir a comu- nidade em torno de um mesmo objetivo. 2. Objetivos a ser alcançados Além de incentivar um novo comportamen- to em relação às gestantes e aos bebês, a Se- mana pode propor o incentivo ao aleitamento materno exclusivo até os 6 meses e o levan- tamento dos indicadores sociais do município, acompanhando a sua evolução nos anos se- guintes. É importante levantar, principalmente: taxa de mortalidade infantil, inclusive a neonatal, número de partos normais, número de cesarianas, proporção de gestantes com seis ou mais consultas de pré-natal, proporção de gestantes com menos de 20 anos, número de leitos hospitalares para partu- rientes e para bebês, hospitais de referência em outros muni- cípios, percentual de bebês com aleitamento materno exclusivo até o sexto mês, número de creches existentes, número de pré-escolas existentes, vagas oferecidas pelas creches e pré- escolas, se as vagas são su cientes para atender todas as crianças do município, taxa de escolaridade das gestantes, número de unidades de saúde, população atendida com saneamento básico (água tratada, esgoto, coleta de lixo), sub-registro de nascimento. Espaços variados Canela realiza as atividades da Semana do Bebê em espaços públicos e privados: Câmara Municipal, Casa de Pedra, prédio para eventos culturais, unidades de saúde, associações de bairro e hotéis. 30
  • 32. 3 . Amplitude do evento O seu município pode realizar o evento sozi- nho ou juntamente com um ou mais municípios da mesma região. Para isso, o melhor é promo- ver uma reunião entre as autoridades municipais, detectando se o investimento na gestante e no bebê é prioritário em todos e se há interesse na promoção conjunta da Semana do Bebê. 4. Levantamento e divulgação de indicadores sociais Na fase de planejamento, é preciso levantar os indicadores educacionais, sociais e de saúde do município, que serão divulgados durante a Semana do Bebê, com o objetivo de melhorá- los a cada ano. 5. Públicos que serão atingidos A programação da Semana do Bebê deve ser montada de forma a atingir todos os públicos da comunidade, independente de classe social e nível cultural. Subtema: Sugestões da comunidade Em 2005, a Semana do Bebê de Canela passou a ter como título um subtema ligado à questão do bebê. O assunto é debatido por todos os participantes. As sugestões de subtemas são encaminhadas à comissão executiva pelas unidades de saúde, que as recebem dos agentes comunitários de saúde, em contato permanente com os moradores e em condições de avaliar os assuntos que mais interessam à população. Quem participa A programação da Semana de Canela atinge toda a comunidade: os estudantes participam dos encontros sobre adoles- cência, sexualidade e gravidez, servidores da saúde e da educação assistem a o cinas especí cas e ao Seminário Internacional, famílias em situação de vulnerabilidade social são bene - ciadas pelas o cinas realizadas nas unidades de saúde e associações de bairro, para gestantes e cuidadores, são promovidos encontros nas salas de espera das unidades de saúde, acadêmicos, cientistas, médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde e professo- res compõem o público do Semi- nário Internacional. 6. Escolha de subtema A Semana tem por tema o bebê e o mundo que o cerca, podendo debater um subtema, que deve ser de nido na fase de planejamento. 7. Estabelecimento de parcerias As parcerias com o setor empresarial e instituições locais, nacionais e interna- cionais são importantes para a realização de um evento de qualidade. É essencial contar entre os parceiros com uma insti- tuição de ensino, cujos alunos poderão colaborar nas atividades dirigidas aos adolescentes.
  • 33. | 33 8. Levantamento das possíveis fontes de recursos financeiros para execução do evento O quanto de recurso será necessário para realizar a Semana dependerá do tamanho do evento e das parcerias estabelecidas. As verbas podem ser só públicas ou apenas privadas ou pú- blicas e privadas. 9. Inscrições A participação nas atividades da Semana do Bebê pode ser gratuita ou, eventualmente, cobrada. Para que toda a comunidade tenha a oportunidade de participar, o ideal é que as ins- crições sejam gratuitas. No caso de cobrança de alguma taxa, é preciso de nir quem se res- ponsabilizará tanto pelas inscrições quanto pela administração e aplicação dos recursos rece- bidos. O montante arrecadado poderá ser utili- zado a critério do município e do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) e destinado a projetos voltados para garantir o direito das crianças. Alunos de Medicina Em Canela, os alunos de Medicina da Ulbra foram os primeiros a participar da Semana do Bebê. Eles já mantinham uma relação especial com o município. Durante três anos, no dia de vacinação, haviam avaliado, na cidade, a interação mãe-bebê. Gradativamente, começaram a participar da Semana acadêmicos dos demais cursos da área da saúde – Odontologia, Serviço Social, Fisioterapia, Enfermagem, Psicologia, Fonoaudiologia e Pedagogia. A atividade virou um programa interdisciplinar de extensão da Universidade. Saiba mais no CD. Origem da receita No caso da cidade gaúcha, as principais fontes são os poderes exe- cutivo e legislativo municipais. A Semana do Bebê está incluída nos orçamentos da Pre- feitura e da Câmara Municipal. Também cola- boram órgãos estaduais e grupos empresariais. É missão dos organizadores conseguir patro- cinadores da iniciativa privada. Nestes casos, sempre é bom fazer um pequeno projeto, in- formando os objetivos da Semana, quando ela acontecerá, a que público se desti- na e de quanto necessitam. Inscrições Em Canela, é cobrada uma taxa diferenciada para alunos e demais participantes do Seminário Internacional. Os funcionários municipais da Saúde e da Educação estão liberados do pagamento. Os recursos arrecadados são destinados a apoiar entidades sem ns lucrativos. A Ulbra se encarrega de administrar as inscrições. 10 . Programação pré-evento A programação de nida para ser reali- zada antes do evento destina-se a divulgar a Semana e mobilizar a comunidade (ver no item Mobilização). 11. Programação do evento As atividades realizadas durante a Sema- na do Bebê têm por objetivo informar sobre a importância de investir na primeira infância, mo- bilizando toda sociedade a apoiar as gestantes, promover o vínculo mãe-bebê e estimular o de- 32
  • 34. senvolvimento das capacidades motora, cogniti- va e afetiva da criança. Os espaços dedicados às atividades cientí cas e comunitárias devem ser proporcionais. Os organizadores podem ofe- recer espaço na programação para que a co- munidade expresse suas preocupações e expo- nha suas propostas. Exemplos de atividades que podem ser pro- gramadas: palestras, encontros, simpósios, seminários, concursos, mesas-redondas, o cinas, exibição de lmes que tratem das relações familiares, apresentações culturais sobre o tema da Semana, passeata dos bebês, bênção comunitária. 12. Horário das atividades Elas ocorrem nos três turnos do dia. A suges- tão é dividi-las da seguinte forma: Manhã o cinas nas unidades de saúde, palestras nas escolas, painéis de eventos paralelos (Encontro Parlamentar e Fórum Universitário), simpósios cientí cos. Tarde encontros nas escolas, exibição de um lme e posterior debate, o cinas para gestantes, mães e servido- res de Saúde e de Educação, passeata dos bebês, no último dia da Se- mana, bênção ecumênica, no último dia da Se- mana, ao nal da passeata dos bebês. Noite palestras promovidas pelos parceiros, jantar de confraternização, solenidade de encerramento da Semana. 13. Encontros com adolescentes Estudantes de nível médio ou universitá- rio, preparados por professores, encontram- Universitários preparados por professores Os alunos da Ulbra que vão às escolas são orientados pelo professor Odon Cavalcanti . “Tenho dois encontros com os estudantes de Medicina e dou a eles, para lerem e debaterem, um trabalho sobre adolescência”, a rma o professor. O índice de aceitação desses encontros pelos adolescentes ca entre 90% e 95%. Os acadêmicos que participam da Semana são unânimes em quali car a experiência como signi cante, grati cante e inesquecível. A rmam que os adolescentes se sentem mais tranquilos em falar sobre sexualidade e gravidez com alguém mais próximo deles. Os acadêmicos a rmam que para responder às questões precisam superar alguns preconceitos. A maior curiosidade é sobre métodos anticoncepcionais, ciclo menstrual e primeira relação sexual. Espaço: Encontro e Fórum Em Canela, o professor Salvador Célia convidou parlamentares a realizarem o Encontro Parlamentar e professores e universitários a promoverem o Fórum Universitário. O Encontro e o Fórum, até 2010, se alternavam na programação da Semana do Bebê.
  • 35. | 35 se com estudantes do município em escolas da rede pública e privada. O tema do encontro – adolescência, sexualidade e gravidez – ajuda a conscientizar os ouvintes sobre a responsabili- dade paterna e materna e a diminuir o índice de adolescentes grávidas. A grade com os locais e horários dos encontros deve ser montada ainda na fase de planejamento. 14. Responsáveis pela infraestrutura A divulgação do evento pode ser feita com simplicidade, e a realização do evento exige a de nição de quem se responsabilizará pelas se- guintes atividades: confeccionar material de divulgação, como folhetos com a programação, jornal, convi- tes, cartazes, faixas e outdoors, se a legis- lação municipal permitir, providenciar o transporte para palestrantes convidados e para famílias em situação de vulnerabilidade social, que desejem partici- par das atividades, providenciar a recepção e hospedagem dos convidados, buscar parcerias para a confecção de bo- nés, camisetas, bandanas, pulseiras e ou- tros objetos que divulguem o evento, confeccionar diplomas, que serão entre- gues aos participantes, e troféus, com os quais serão homenageadas pessoas que tiveram desempenho positivo em favor dos bebês e das gestantes, enviar convites, con rmar presenças, visitar os locais das atividades, con rman- do as suas boas condições, encaminhar à coordenação-geral o número nal de participantes nas atividades, de nir o padrinho do Bebê Prefeito, preparar a visita das autoridades ao hospi- tal para que o/a prefeito/a entregue a chave da cidade e diploma de Bebê Prefeito à pri- meira criança nascida na Semana, receber a imprensa regional e nacional e mediar os contatos com as fontes. 15. Oficialização da Semana A elaboração de uma lei que torne a Semana do Bebê um evento o cial da cidade, integrando o calendário de eventos, pode ser tratada com as autoridades municipais, tanto do executivo quanto do legislativo. (Ver legislação de Canela no Capítulo I, página 16). Simplicidade A Semana do Bebê de Canela iniciou com folhetos simples, fotocopiados. Não é preciso pensar em grandes produções, mas em algo que motive a população a estar presente. 34
  • 36. Mobilização A segunda fase é de mobilização. Ela objeti- va sensibilizar todas as pessoas da cidade a parti- cipar da Semana do Bebê. O foco são as famílias com mulheres grávidas e/ou bebês. O importante é atrair todos/as para atuar no objetivo comum de estimular a relação mãe-bebê. Cada atividade precisa ser atrativa e capaz de emocionar a co- munidade. A seguir sugestões de mobilização: 1.Contato com os meios de comunicação Para que o maior número possível de pes- soas tome conhecimento, ao mesmo tempo, da importância e da programação do evento é es- sencial buscar o apoio dos meios de comuni- cação: jornais, revistas, rádios, estações de TV, sites. É recomendável o contato direto com os jornalistas, informando-os do objetivo da Sema- na do Bebê, sensibilizando-os para que possam mobilizar a comunidade. Bebês prefeitos Kelvin da Silva (acima) e João Felipe Kasper, em 2009 Fotos: Nilton Santolin Meios de comunicação Em Canela, o chamamento é feito pelos Jornal de Canela, Jornal Integra- ção e Rádio Clube. Nas primeiras edi- ções, a Rádio chegou a promover sorteio de eletrodomésticos entre as famílias par- ticipantes e a patrocinar a impressão e divulgação de fotos de bebês de famílias em situação de vulnerabilidade social, nas vitrines do comercio local, como forma de sensibilizar e mobilizar as pessoas. Na primeira edição da Semana, o Jornal de Canela abriu espaço em sua última pá- gina para que os alunos criassem dese- nhos sobre o evento, que também foram exibidos nas lojas. Ao nal, foram expos- tos 400 fotos e 3.500 desenhos. Em 2009, a coordenação da Semana do Bebê de Canela editou um jornal sobre o evento, que foi distribuído nas unida- des de saúde e em todas as residências da cidade, em especial nos seis bairros de maioria de moradores em situação de vulnerabilidade social.
  • 37. | 37 2. Buscar parceiros para a distribuição de material im- presso Agentes comunitários de saúde, servido- res responsáveis pelo Bolsa Família, comércio, escolas, clubes, associações, sindicatos, cine- mas, teatros, clubes esportivos e igrejas podem ajudar na distribuição dos folhetos com a pro- gramação da Semana. Os cartazes com infor- mações simples e direta sobre o evento (data, local e objetivo) podem ser colocados em lo- jas, bares, supermercados, farmácias, hospi- tais, órgãos públicos, associações, sindicatos, escolas, universidades e clubes esportivos. A exibição de faixas e outdoors será feita de acor- do com a legislação municipal. 3. Camisetas, bonés e bandanas A confecção deste material dá visibilidade ao evento. Por ser um material mais caro, deve ser distribuído, prioritariamente, entre os que traba- lham na organização e execução da Semana. 4. Apoio das Igrejas Solicitar aos líderes religiosos que, em seus sermões, cultos e reuniões, falem sobre a Se- mana do Bebê e incentivem suas comunidades a participar. 5. Carros de som Às vésperas da Semana, um carro de som pode circular pela cidade divulgando a progra- mação e chamando a população a participar. 6. Visita aos bairros No m de semana anterior à realização do evento, é possível montar pequenos grupos de voluntários para visitar todos os bairros da cida- de e falar sobre a Semana do Bebê. 7. Promover atividades que entusiasmem a população A promoção de atividades voltadas às mães e aos bebês motivam a comunidade a tomar par- te, envolvendo-se com a Semana do Bebê, antes mesmo que ela aconteça. Várias atividades po- dem ser programadas: concursos de vários tipos (fotos, redações, música, poemas, desenhos, pin- turas, esculturas e muitos outros, sempre sobre o tema da Semana), premiação da primeira criança a nascer na semana, exibição de fotos de be- bês nas vitrines do comércio local. Cada um dos apoiadores da Semana, como os clubes de servi- ço, pode se responsabilizar por uma atividade. Atividades programadas Na cidade gaúcha, antes da Semana, são promovidas diversas atividades, movimentando a cidade em torno do evento: concurso de vitrines – a Associação Co- mercial e Industrial de Canela (Acic) trabalha para que seus associados decorem as vitri- nes com temas alusivos à Semana, partici- pando do concurso de melhor vitrine, organi- zado pelo Lions Club de Canela. A comissão julgadora é composta por 15 pessoas. Elas visitam todas as casas comerciais, fazendo a inscrição no concurso. Depois, escolhem a mais bonita e criativa. Os comerciantes utili- zam fotos de bebês, oferecidas pelas famí- lias, e os produtos que vendem para compor a decoração. Os agentes comunitários de saúde informam a Prefeitura sobre as famílias em situação de vulnerabilidade social que desejam ver as fotos de seus bebês exibidas em alguma vitrine. O setor de fotogra a da Prefeitura se encarrega de fotografar essas crianças e encaminhar o material para o comércio. 36
  • 38. Jociane Salles de Oliveira (2000) Foi a única vez que vi uma situação em que a comunidade era o ator principal. Os organizadores atuam não como diretores, mas dão apoio para que a comunidade atue. A iniciativa do prefeito bebê é uma experiência única, assim como o trabalho em rede, que no Brasil é diferente de todo o mundo. RICARDO GORODISH, psiquiatra e psicanalista argentino Amanda Rech Livi (2001) Kelvin Oliveira da Silva (2002) Natiele da Silva (2003) Alexandrina Nunes Cegoni (2004) Bianca Pacheco Fabro (2005) Gabriel Dias Palhano (2006) João Felipe dos Reis Kasper (2007) Alan da Silva (2008) Maria Eduarda Pimel Velho (2009) Em 2009, 20 lojas participaram do concurso. O vencedor decorou sua vitrine com com fotos que contavam a história de vida de seus clientes desde bebês. concurso de redações – os alunos de toda a rede pública e particular de ensino preparam redações sobre o tema da Semana. Os melhores recebem um certi cado. Em Canela, esta promoção ca a cargo do Rotary Club. bebê prefeito* – em Canela já é tradição: a primei- ra criança a nascer no Hospital de Caridade, du- rante a Semana do Bebê, recebe o título de Bebê Prefeito. As autoridades municipais visitam a mãe e a criança no hospital e entregam ao recém-nascido as chaves da cidade e um diploma que o declara Bebê Prefeito. Por uma semana, ele reinará sobre a cidade. O bebê também ganha um “padrinho da cidadania”, que tem por missão zelar pelo a lhado, proporcionando-lhe acesso à saúde e à educação de qualidade. Atualmente, o padrinho é escolhido entre os vereadores.
  • 39. | 39 Evento Após concluir as fases de planejamento e mobilização, seu município está apto a realizar a Semana do Bebê. A seguir, alguns exemplos de atividades que podem compor a programação do evento. 1. Encontros com estudantes Os encontros para discutir adolescência, sexualidade e gravidez ocorrem nas escolas do município. Dois acadêmicos ou dois alunos do ensino médio substituem os professores nas sa- las de aula, orientando os estudantes e respon- dendo a perguntas. 2. Oficinas para todos Acadêmicos e professores da área de saú- de realizam o cinas nas unidades de saúde diri- gidas tanto para os funcionários quanto para os que esperam atendimento. Em suas palestras, mostram como os cuidadores devem estimular os bebês, o que é percebido como um momen- to mágico. Nos centros comunitários, reúnem a comunidade para participar de uma palestra ou para ver e debater um lme. Os agentes comu- nitários de saúde – atores importantes na divul- gação da Semana e na sua organização – estão sempre presentes. Programação do evento As programaões das dez edições da Semana do Bebê em Canela estão discriminadas no CD. A íntegra revela quais atividades se mantiveram e as que foram sendo agregadas com o passar dos anos. Saiba mais no CD. Momento Mágico Em Canela, nos encontros nas unidades de saúde, as gestantes e as mães também aprendem a distinguir o choro do bebê, se é de fome, dor, raiva ou frustração. E os pais são encorajados a participar do parto, pegar o bebê no colo nas suas primeiras horas de vida e olhar em seus olhos. Este – dizem acadêmicos e pro ssionais – é um momento mágico. Há trabalhos cientí cos que provam: pais que abraçam seus lhos e olham em seus olhos, logo após o nascimento, são os que menos abandonam os lhos. Isabel Fillardis (C) participa da Passeata do Bebê, em 2002 Foto: David Keller / Banco de Imagem / Jornal de Canela 38
  • 40. 3 . Eventos científicos e comunitários O município, se tiver parceiros para isso, pode programar eventos cientí cos e comuni- tários com a participação de pro ssionais de ou- tros países. O ideal é rmar parcerias com univer- sidades e instituições internacionais, que arcam com os custos de seus representantes, como passagens, hospedagem e alimentação. Eventos cientí cos e comunitários Em Canela, a responsabilidade de montar uma jornada cientí ca internacional é dos professores da Ulbra. Psiquiatras, psicanalistas, professores e cientistas do Brasil e do exterior são convidados a dar palestras e participar de painéis. As inscrições para o Seminário Internacional são, na sua maioria, feitas por educadores, pro ssionais e estudantes da área da saúde. Com o passar dos anos, a Semana tornou-se um grande evento comunitário e cientí co. Mesa-redonda A mesa-redonda, em Canela, ocorre no final do Seminário Internacional. Não há uma temática estabelecida. Os participantes são orientados a falar sobre o bebê e o que mais desejarem. Dessa atividade participam as personalidades convidadas pela Semana do Bebê. Seminário Internacional, 2006: Luciano Moreira, Helena Caputo, Liliam Palazzo e Jorge Béria Foto:Banco de Imagem / Jornal de Canela 5. Eventos com a participação de personalidades Canela convida, a cada ano, uma personali- dade. Alguém popularmente conhecido pode ser convidado a participar da Semana do Bebê e a integrar a mesa-redonda. Estas são pessoas que dão visibilidade ao evento e atraem público. 4. Mesa-redonda Várias pessoas podem ser convidadas a participar de um debate aberto sobre assuntos ligados à gestante, à mãe e ao bebê. Os inte- grantes da mesa-redonda não precisam ser pro ssionais da área da saúde, mas pessoas que saibam se expressar e tenham uma história familiar para contar.
  • 41. | 41 6. Exibição de filmes A temática dos filmes deve estar ligada de alguma forma ao evento. O debate, ao nal da exibição, em centros comunitários, reúne espec- tadores e pro ssionais da área da saúde. Personalidades convidadas Canela convida, a cada ano, uma personalidade para discutir o subtema da Semana e participar da Passeata dos Bebês. Em geral, elas estão ligadas a campanhas como a da amamentação. Já estiveram na cidade gaúcha as atrizes Regina Duarte, Gabriela Duarte, Isabel Fillardis e Marisa Orth e a modelo Luiza Brunet. Também participaram Francisco e Helena Camargo, pais dos cantores sertanejos Zezé di Camargo e Luciano. Acho que a Semana do Bebê é importante, porque debate vários assuntos, vários aspectos da criança. É dessa forma que se começa a ajudar algumas pessoas. ISABEL FILARDIS, atriz Filmes Na cidade gaúcha foram exibidos: , de Breno Silveira, sobre a vida de Zezé di Camargo e Luciano, e Infância Roubada, do sul-africano Gavin Hood, Oscar de melhor lme estrangeiro em 2005. Gilberto Tegner, Carmen Silva e Isabel Fillardis, em 2002 Foto:Banco de Imagem / Jornal de Canela Atriz Regina Duarte (D), ao lado da deputada Maria do Rosário (C), participou da Semana em 2007 Foto: Banco de Imagem / Jornal de Canela Francisco Camargo (camisa rosa), pai de Zezé di Camargo e Luciano, participa da mesa-redonda, em 2006 Foto: Banco de Imagem / Jornal de Canela 40
  • 42. 7. Apresentações culturais As apresentações culturais são produzidas e apresentadas pelas escolas, por artistas locais ou convidados. 8. Atividades paralelas Encontros e Fórum podem ocorrer nos espaços oferecidos a lideranças comunitárias, políticas, estudantis ou de classe, para que pro- movam, na Semana do Bebê, debates sobre a família e o bebê na sua área de atuação. 9.Palestras promovidas por parceiros Entidades, associações, órgãos públicos e clubes de serviços, parceiros na realização da Semana do Bebê, podem integrar a programa- ção, promovendo em suas sedes, durante a Se- mana, palestras sobre gravidez, adolescência, desenvolvimento dos bebês e outros assuntos ligados ao evento. Apresentações culturais: A psiquiatria sobe ao palco Salvador Célia, um dos idealizadores da Semana do Bebê de Canela, convidou a atriz Carmen Silva e o psiquiatra Celso Gutfreind a produzir uma peça com os alunos da Ulbra. O texto escolhido foi A Intrusa, um original de Carmen Silva sobre o que se passa na cabeça de uma mulher. Por sugestão do psiquiatra, o personagem passou a ser uma gestante. No palco, com a participação especial de Isabel Fillardis, os acadêmicos encenaram as expectativas, dúvidas e inseguranças relacionadas à chegada de um bebê, vividas pela futura mãe. Também mostraram que os problemas acabam com o nascimento do bebê. Encontros e Fóruns Até 2009, Canela alternou a realização do Encontro Parlamentar e Social em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente com o Fórum Universitário. O primeiro vinha sendo realizado nos anos ímpares e o segundo, nos pares. O Encontro, que já realizou sua quarta edição, procura uni car o trabalho realizado em todas as instâncias – federal, estadual e municipal. Em 2003, Canela reuniu representantes dos municípios para discutir como disseminar ações de proteção às gestantes e aos bebês. Os municípios gaúchos propuseram, entre outras coisas, que nos orçamentos municipais fossem destinados recursos para implantação e desenvolvimento de políticas e programas de atenção aos bebês. Noite dos clubes Os clubes de serviço de Canela, Rotary e Lions, além dos concursos de redação e de vitrines, promovem palestras sobre assuntos ligados à Semana. Em geral, os palestrantes ressaltam a responsabilidade das famílias com os bebês. 10. Apresentação de casos Os resultados obtidos em projetos desenvol- vidos pelas áreas de saúde, educação e assis- tência social podem ser expostos à comunidade, engajando-a na luta pela melhoria dos índices sociais do seu município.
  • 43. | 43 11. Evento de encerramento Para encerrar as atividades acadêmicas, cientí cas e culturais da Semana, pode-se pro- gramar uma solenidade, a ser realizada na noite do penúltimo ou último dia do evento, com apre- sentações culturais, homenagens aos palestran- tes convidados, entrega de troféus aos que se distinguiram no trabalho pela valorização da fa- mília e do bebê e de certi cados aos vencedores dos concursos. Solenidade: Noite de Ninar É a noite que encerra a Semana, em Canela, com a realização de diversas atividades. A comunidade, com seus bebês, lota o local em que se realiza a Noite de Ninar para aplaudir as apresentações culturais de artistas e crianças e a entrega do Troféu Vereador, oferecido pela Câmara Municipal, aos homenageados pela Semana e de certificados aos vencedores dos concursos de redação e vitrines. Os bebês prefeitos são presenteados com um bolo e festejam mais um ano de vida. Saiba mais no CD. Passeata dos bebês Em 1904, em Paris, as mães levaram seus bebês em uma caminhada, para estimular o contato dos lhos com a natureza. Quase 100 anos depois, as mães de Canela começaram a des lar com seus lhos com a mensagem de que os bebês precisam de carinho, aconchego, amor e proteção. O percurso não é grande, mas é uma festa, animada com banda, des les, apresentações teatrais. As mães chegam de todososlados,apé,decarroeemônibuscolocados à disposição pela prefeitura, para fazer o trajeto bairros-centro da cidade. A passeata vai da praça central à Catedral de Pedra, a 400 metros de distância. É muito emocionante o envolvimento de toda a cidade na elaboração das vitrines e na passeata, quando há um grande e de suas orgulhosas famílias. É uma ideia simples de ser entendida, mas que só entendi na Semana do Bebê. MARISA ORTH, atriz 12. Passeata comunitária Uma boa ideia é reunir a comunidade em uma passeata pela cidade, com as fa- mílias levando seus bebês nos carrinhos, para marcar o m da Semana. A caminha- da pode ser animada por bandas colegiais, artistas de rua e malabaristas. Faixas e cartazes, carregados pelos participantes, informam sobre o evento concluído e mo- bilizam para o próximo. 42
  • 44. 13. Bênção Ecumênica A passeata comunitária pode ter como ápice uma bênção ecumênica. O número de religiões representadas pode ser maior ou menor, de acor- do com a realidade de cada município. Avaliação A data da reunião de avaliação deve ser mar- cada na última reunião que antecede o início da Semana. O ideal é realizá-la imediatamente após o m das atividades. Nesse encontro, os integrantes da comissão executiva e os coordenadores analisam todas as etapas anteriores – planejamento, mobilização e evento – para determinar se houve falhas, onde elas ocorreram e o que fazer para superá-las. A análise conscienciosa evita que os erros se re- pitam na edição seguinte. Devem ser avaliados, no mínimo, os seguintes tópicos: 1. Avanços obtidos Duas das perguntas que podem ser feitas para determinar os avanços são: a programação privilegiou todas as camadas da sociedade? A dis- cussão do subtema da Semana foi esgotada? 2. Desafios superados Em todas as etapas de trabalho, são inúme- ros os desa os. Entre eles, podem ser avaliados: conquista de novos parceiros, obtenção de pa- trocínio, de nição de locais para a realização das atividades, organização do transporte para pales- trantes e participantes da Passeata do Bebê. 3. Crescimento do evento NesSe item vale a estatística. Deve ser ava- liado se o evento teve maior ou menor partici- pação comunitária e qual a razão do resultado: não foi bem divulgado? Faltou transporte para as famílias que vivem em vulnerabilidade social par- ticiparem das atividades? Os locais em que se realizaram as atividades eram de fácil acesso? 4. Visibilidade permanente Evento independente e suprapartidário, a Semana do Bebê precisa de, pelo menos, uma Benção Ecumênica Em Canela, a bênção comunitária é dada na Catedral de Pedra, onde termina a passeata, por representantes da Igreja Católica e da Igreja Evangélica de Con ssão Luterana no Brasil. Tudo inédito, uma proposta inovadora. Que entusiasmou muito todos nós. RICARDO WILLY RIETH, Pró Reitor de extensão da Ulbra Bênção ecumênica: pastores Gerhard Grassel (E) e Erni Krebes (C) e o padre Lúcio Foerster Foto: Banco de Imagem / Jornal de Canela
  • 45. | 45 5. Prestação de contas Veri car se todos os compromissos assumi- dos foram saldados. Não pagar as contas preju- dica a imagem do evento e de seus promotores. 6. Indicadores obtidos e meta para o ano seguinte Os indicadores sociais do município, divulga- dos durante a Semana, precisam ser profunda- mente analisados, de nindo se os números são ou não positivos e que ações devem ser realiza- das para que eles melhorem a cada ano. Cabe às autoridades municipais, juntamente com os parceiros do evento, determinar as metas para o ano seguinte. 7. Trabalho conjunto Se a Semana foi promovida em conjunto por dois ou mais municípios, a parceria deve ser ava- liada, levantando-se o que funcionou corretamen- te e o que falhou, e decidindo-se a continuidade ou não da associação. 8. Reinício dos trabalhos A fase de avaliação pode ser concluída com a de nição de uma data para que os promotores do evento voltem a se reunir, dando início aos trabalhos da próxima edição da Semana do Bebê do seu município. Peguei uma velha manta de lã, com a qual aconcheguei a criança na modelagem. A manta foi fundida junto com a escultura. ARMINDA LOPES, escultora ação que lhe proporcione visibilidade contínua e engajamento da comunidade. Os promotores de- vem pensar no que o seu município pode fazer para isso. Entre as sugestões, estão: em parceria com o jornal local manter uma coluna semanal sobre as ações e resultados da Semana; manter na rádio local um programa com a mesma na- lidade; se a legislação municipal permitir, exibir um outdoor com informações rápidas sobre os objetivos do evento; programar palestras men- sais, trimestrais ou semestrais, abertas à comu- nidade, sobre temas ligados à Semana; construir uma estátua com o foco na relação mãe-bebê e colocá-la em local de grande a uência; preparar, com artistas da cidade, rápidas apresentações nos parques ou ruas da cidade, com frequência variável, sobre a relação mãe-bebê. As ações de- pendem apenas da criatividade dos responsáveis pela Semana do Bebê. Podem ser simples e sem gastos, contando com o apoio da população. Monumento à vida A cidade gaúcha decidiu criar um monumento à mãe e ao bebê, enco- mendado à artista plástica Arminda Lo- pes. A escultura de 3,60 metros e quase uma tonelada de bronze, inaugurada em 2004, em frente à Casa de Pedra, no Centro de Canela, ressalta a importân- cia do olhar para o vínculo entre mãe e lho. 44
  • 46. GLOSSÁRIO ACM – Associação Cristã de Moços Agert – Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão CMDCA – Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente IBGE – Instituto Brasileiro de Geogra a e Estatística Pnad – Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio PIM – Programa Primeira Infância Melhor UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul ULBRA – Universidade Luterana do Brasil UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância WAIMH – World Association for Infant Mental Health (Associação Internacional pela saúde mental das crianças) SUGESTÃO DE BIBLIOGRAFIA ARAGÃO, Regina Orth (Org.). O Bebê, o corpo e a linguagem. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004. BOWLBY, John. Los cuidados maternos y la salud mental. Washington: Organización Mundial de La Salud, 1954. (Série Monogra as, n. 2). BOWLBY, John. Uma base segura. Porto Alegre: Artes Médicas, 1990. BRAZELTON, Thomas Berry; CRAMER, Bertrand. As primeiras relações. São Paulo: Martins Fontes, 1992. BRAZELTON, Thomas Berry; SPARROW, J. D. Acalmando seu impaciente bebê. Porto Alegre: Artmed, 2005. BREINHOLST, Willy. Oi! Olha eu aqui! São Paulo: Martins Fontes, 1984. CAMPOS JÚNIOR, Deoclécio; ANCONA JÚNIOR, Fábio (Org.). Filhos da gravidez até os 2 anos de idade: dos pediatras da Sociedade Brasileira de Pediatria para os pais. Barueri: Manole, 2009. CORRÊA FILHO, Laurista; GIRADE, Maria Elena; FRANÇA, Paulo Sérgio (Org.). Novos olhares sobre a gestação e a criança até 3 anos. Brasília: LGE, 2002. ENCONTRO NACIONAL SOBRE O BEBÊ, 4., 2002, Brasília. Anais... Brasília: [s.n.], 2002. GABEL, Marceline; DURNING, Paul. Évaluation(s) des maltraitances. Paris: Fleurus, 2000. GIRADE, Halim Antônio; DIDONET, Vital (Coord.). O município e a criança de até 6 anos. Brasília: Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), 2005. GOLSE, Bernard. O desenvolvimento afetivo das crianças. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. GOLSE, Bernard. Sobre a psicoterapia pais- bebê: narratividade, liação e transmissão. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003. (Coleção Primeira Infância). JUNQUEIRA, Antônio Mário. A primeira infância e as raízes da violência. Lisboa: LGE, 2006. KLAUS, M. H.; KENNEL, J. H. Pais/bebês: a formação do apego. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992. KLAUS, Marshall; KLAUS, Phyllis. O surpreendente recém-nascido. Porto Alegre: Artes Médicas, 1982. LACROI , M. B.; MONMAYRANT, M. Observação de bebês – os laços do encantamento. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.
  • 47. | 47 LEBOVICI, S. O bebê, a mãe e o psicanalista. Porto Alegre: Artes Médicas, 1988. MARRONE, Mario. La teoria del apego. Madrid: Psimatica, 2001. MAZET, Philippe; STOLERU, Serge. Manual de psicopatologia do recém-nascido. Porto Alegre: Artes Médicas, 1990. MONTAGNER, Hubert. A vinculação, a aurora da ternura. Lisboa: Instituto Piaget, 1993. MULLER, Lisa; CLÍNICA TAVISTOCK, Londres. Compreendendo seu bebê. Rio de Janeiro: Imago, 1992. OIE, ORGANIZACIÓN DE ESTADOS IBEROAMAERICANOS PARA LA EDUCACIÓN, LA CIENCIA Y LA CULTURA. Educación Inicial – Modalidades No Escolarizadas, Cuba – Programa Educa a tu Hijo. Internet PERES-SANCHEZ, Manuel. Observação de bebês. São Paulo: Paz e Terra, 1983. RIO GRANDE DO SUL. Secretaria da Saúde. Guia da família. 2.ed. Porto Alegre, 2007. SPITZ, R, A.; WOLF, K. M. Anaclitic depression. Psychoanalytic Study of the Child, New York: International Universities Press, v. 2, p. 313, 1946. SPITZ, R. A. O primeiro ano de vida. São Paulo: Martins Fontes, 1996. STERN, D. A constelação da maternidade. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. STERN, Daniel. Diário de um bebê. Porto Alegre: Artes Médicas, 1991. UNESCO. Primeira infância melhor: uma inovação em política pública. Brasília, 2007. Cartilha. UNICEF. Kit Família Brasileira Fortalecida. Contém cinco álbuns que explicam os cuidados necessários para as crianças desde a gestação até os 6 anos de idade. UNICEF; BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Promovendo o aleitamento materno. Brasília, 2007. lbum seriado. UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL; BRASIL. Congresso Nacional. Frente Parlamentar Nacional em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente. Os cuidados com o bebê. Canela, 2009. Cartilha. WINNICOTT, Donald Woods. A criança e o seu mundo. São Paulo: Zahar, 1977. WINNICOTT, Donald Woods. Os bebês e suas mães. São Paulo: Martins Fontes, 1988. WINNICOTT, Donald Woods. Tudo começa em casa. São Paulo: Martins Fontes, 1989. SITES Associação Brasileira de Estudos sobre o Bebê http://www.abebe.org.br/ Centre of Excellence for Children’s well-being http://www.excellence-earlychildhood.ca CGPAN – Coordenação Nacional da Política de Alimentação e Nutrição http://www.nutricao.saude.gov.br Encyclopedia on early childhood development http://www.child-encyclopedia.com/en-ca/home.html Fundación Kaleidos http://www.fundacionkaleidos.org Fundo do Milênio para a Primeira Infância http://www.fundodomilenio.org.br/ Fontes para Educação Infantil http://www.fonteseducacaoinfantil.org.br/ Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome http://www.mds.gov.br Ministério da Educação http://www.mec.gov.br Ministério da Saúde http://www.saude.gov.br Ministério da Saúde – Saúde da Criança http://portal.saude.gov.br/saude/area.cfm?id_area=1251 Primeira Infância Melhor (PIM) http://www.pim.saude.rs.gov.br/ Rede Andi Brasil http://www.redeandibrasil.org.br/ Sociedade Brasileira de Pediatria http://www.sbp.com.br UNICEF http://www.unicef.org UNICEF no Brasil http://www.unicef.org.br World Association for Infant Mental Health http://www.waimh.org 46
  • 48. AGRADECIMENTOS Agradecemos a todos que colaboraram para a realização deste trabalho, com suas entrevistas e informações: Alexandre Raymundo, presidente da ACIC (Associação Comercial Industrial de Canela); Andréa Regina de Oliveira, mãe de Kelvin Oliveira da Silva, bebê prefeito de 2002; Arminda Lopes, artista plástica; Ana Glenda Viezzer, governadora do Rotary Club de Canela, professora aposentada, ex-diretora de escolas; Arita Bergmann, secretária substituta estadual da Saúde; Berenice Maria Lied Felippetti, professora de matemática e física, ex-secretária municipal de Educação e de Assistência Social; Bernard Golse, psiquiatra e professor da Universidade René Descartes, Paris V; Carmem Lúcia Seibt de Moraes, ex-vice-prefeita e ex-coordenadora da Semana do Bebê; Carmen Regina Martins Nu- delmann, pediatra, professora da Medicina da ULBRA; Cássio Kadri Monteiro, estudante de Medicina da Ulbra; Catiana Foss, enfermeira, coordenadora da Saúde da Família; Celso Gutfreind, psicanalista; Clarice Dapond Boschetti, funcionária da Vigilância Epidemiológica de Canela; Cleomar Eraldo Port, ex-prefeito de Canela; Constantino Orsolin, prefeito de Canela; Ditmar Bellmann, secretário municipal de Turismo de Canela; Edmur Camargo Pinto, ex-secretário da Saúde de Canela; Elisangela Castilho Rech Livi, mãe de Amanda Rech Livi, bebê prefeito de 2001; Elisangela Rodrigues da Silva, funcio- nária da secretaria municipal de Assistência Social; Esther Beyer, professora do Departamento de Música do Instituto de Artes da UFRGS; Equipe do Gasmi de Olhão, Portugal (Sônia Coelho, Daniela Machado, Telma Guerreiro, Filomena Neto, Ana Lam, Paulo Fernandes, Margarida Nicolau, So a Ca- dete e Augusto Carreira); Francisca Rosa da Silva, mãe de Alan da Silva, bebê prefeito de 2008; Ga- binete do Senador Pedro Simon (assessor Luís Fonseca); Geraldo Pereira Jotz, otorrinolaringologista e professor de Medicina da UFRGS e da ULBRA; Goret Toss Hoffman, ex-coordenadora da Semana do Bebê; Helena Hoffmeister Martins Costa, integrante do Conselho Deliberativo do Lar Voluntária; Henrique Ruschel, mestre e doutor em Odontopediatria pela FOUSP – Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo; Hubert Montagner, ex-diretor de pesquisa no Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica da França; Iole Cunha, pediatra; Isabel Cristina Nunes Cegoni, mãe de Alexandri- na Nunes Cegoni, bebê prefeito de 2004; Isabel Fillardis, atriz; Isabel Leite Célia, viúva do psiquiatra Salvador Célia; Isaura Dias Palhano, mãe de Gabriel Dias Palhano, bebê prefeito de 2006; Jean Carlo Monteiro Spall, secretário municipal da Saúde de Canela; Jornal de Canela; José Agnelo Franzen Corrêa, pediatra, ex-secretário da Saúde de Canela; José Velhinho Pinto, ex-prefeito de Canela; Ju-
  • 49. | 49 liana Hartz Trevisan, acadêmica de Odontologia da ULBRA; Juliane Luz de Campos, acadêmica de Medicina da ULBRA; Leandro César Dias Gomes, responsável do Programa de Extensão do Curso de Medicina da ULBRA; Leila Almeida, coordenadora geral do PIM; Leoni Arghiropol, do Lyons Clube de Canela; Lesli Serres de Oliveira, vice-prefeita de Canela; Liana Nonoai, ex-coordenadora do berçário do Lar de José; Lilian Rodrigues Alves, ex-presidente do Lar de São José; Lucas Matheus de Oliveira Fabro, pai de Bianca Fabro, bebê prefeito de 2005; Luciano Melo, secretário municipal de Educação de Canela; Luciano Moreira, ex-professor da ULBRA; Maria do Rosário, deputada federal (PT/RS); Maria Lucrécia Scherer Zavaschi, psicanalista; Maria Rosa Iorra, aluna de Medicina da ULBRA; Maria- na Pedrini, psiquiatra, professora das disciplinas O Ciclo da Vida e Neuropsiquiatria I, de Medicina da Ulbra; Mariela Silveira, médica, ex-aluna da ULBRA; Marliza Terezinha Froner Argenta, coordenadora de Extensão, da ULBRA; Marisa Orth, atriz; Marta Vaccari Batista, enfermeira, ex-secretária municipal de Saúde de Canela; Miguel Hoffmann, psiquiatra, promotor da Semana do Bebê na Argentina; Milena Correia, secretária executiva da Semana do Bebê 2001; Neiva Maria dos Reis da Silva, mãe de Natiele da Silva, bebê prefeito de 2003; Neli Maria Vitancourt, pedagoga, coordenadora das escolas infantis na secretaria municipal de Educação de Canela; Noeli Stopassola Soares, presidente da Câmara Municipal de Canela; Odon Frederico Cavalcanti Carneiro Monteiro, psiquiatra, idealizador da Semana do Bebê; Osmar Terra, secretário estadual da saúde do Rio Grande do Sul; Pastor Gerhard Grassel, capelão da ULBRA; Patrícia Reimann, nutricionista do Centro Materno Infantil de Canela; Patrícia Valle, enfermeira do Centro Materno Infantil de Canela; Paula Cristina Correia, psiquiatra da Infância e Adolescência, Cen- tro Hospitalar Cova da Beira, Covilhã, Portugal; Paulo Terra, diretor da secretaria municipal de Assistência Social de Canela; Pedro Dias, radialista, um dos idealizadores da Semana do Bebê; Ricardo Gorodisch, psiquiatra e psicanalista argentino; Ricardo Halpern, professor-adjunto da Universidade Federal de Ci- ências da Saúde de Porto Alegre, professor-adjunto da ULBRA; Ricardo Willy Rieth, pró reitor de exten- são da ULBRA; Ronald Radde, diretor de teatro; Rosane Oliveira, jornalista; Sabrina dos Reis, mãe de João Felipe dos Reis Kasper, bebê prefeito de 2007; Sérgio Jocimar Lima de Oliveira, pai de Jociane Salles de Oliveira, bebê prefeito de 2000; Tarciso Rodrigues, jornalista, ex-coordenador da Semana do Bebê; Tatiele Pimel Velho, mãe de Maria Eduarda Pimel Velho, bebê prefeito de 2009; Vilmar da Sil- va Santos, secretário municipal de Assistência Social de Canela; Victor Guerra, psiquiatra uruguaio. 48
  • 50. Sobre a importância do vínculo afetivo e da interação entre pais e l os O apego seguro é a base para um desapego saudável. mais a criança vai internalizar os afetos. O bebê nasce para se comunicar. Buscar a interação. A interação saudável gera capacidade de reagir com inteligência às adversidades, sem violência. SALVADOR CÉLIA
  • 51.
  • 52. REALIZAÇÃO DA SEMANA DO BEBÊ PARCEIROS DA SEMANA DO BEBÊ REALIZAÇÃO DA PUBLICAÇÃO