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PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:1/71
PSV
PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:2/71
ÍNDICE
INTRODUÇÃO ....................................................................................................................3
PROGRAMA DO CURSO .....................................................................................................5
TEMA 1 - O VALOR DA VIDA - O QUE É O CVV .............................................................6
TEMA 2 - A PESSOA QUE BUSCA AJUDA...................................................................11
TEMA 3 - O AMIGO QUE AJUDA...................................................................................15
TEMA 4 - A RELAÇÃO DE AJUDA ................................................................................20
TEMA 5 - ENTREVISTA DE AJUDA - (1º ESTÁGIO) ........................................................26
TEMA 6 - ABORDAGEM DE SENTIMENTOS PROFUNDOS - (2º ESTÁGIO) .................31
TEMA 7 – O CICLO DA VIDA, VIDA PLENA E SIGILO- (3º ESTÁGIO).............................36
TEMA 8 - PERDAS E ABALOS SITUACIONAIS - (4º ESTÁGIO)......................................42
TEMA 9 - AJUDA EM TEMÁTICA ERÓTICA E SEXUAL - (5º ESTÁGIO).........................45
TEMA 10 - AJUDA NA AGRESSIVIDADE E DROGADEPENDÊNCIA - (6º ESTÁGIO)....50
TEMA 11 - REGRAS E REGIMENTO INTERNO - (7º ESTÁGIO) .....................................56
TEXTOS..........................................................................................................................62
AULA DE REFORÇO.........................................................................................................82
Bibliografia.....................................................................................................83
DEDICATÓRIA
Agradecimentos a Nilo Pajaro que nos ensinou a fazer dinâmicas lúdicas e a construção de um
curso dinâmico, bem como aos voluntários do posto de Araraquara e de Uberaba que nos
ajudaram na seleção dos textos e nos incentivaram a esse trabalho carinhosamente.
Também à Maria Helena de Uberaba que, por 13 anos, desenvolveu o PSV criativamente, e
onde quer que esteja, receba o nosso carinho.
Norberto Scavone Augusto e Sandra Marcia Moscheto.
PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:3/71
INTRODUÇÃO
O curso sendo desenvolvido através de atividades perde o caráter de aula e passa a ter o
caráter de “encontro”.
A partir daí, todos os monitores devem estar aptos a desenvolver quaisquer das atividades
previstas no decorrer do programa. Portanto, devem ter uma visão global dos assuntos e
estarem seguros da filosofia.
O que merece atenção não são as dinâmicas em si, mas sim que todo o processo seja dinâmico,
desde os primeiros contatos até o final
Os monitores devem ter espírito científico, aberto e com honestidade intelectual.
O programa deve ser flexível para permitir explorar os conceitos que emergirem no momento da
vivência, mesmo que não faça parte do programa.
Depende do manejo intelectual do monitor a formação das cadeias de seqüência dos conceitos,
ou seja, a correlação adequada.
A responsabilidade é dividida entre todos os que estão fazendo parte do projeto: quantitativa e
qualitativamente.
Não se deve dispensar a exposição dialogada ou a palestra bem dada.
Pesquisas revelam (empresa 3M) que as pessoas têm memória visual, portanto crie imagens:
nós lembramos:
20 % do que ouvimos
50 % do que vemos + ouvimos ao mesmo tempo
nós aprendemos
11 % ouvindo
83 % vendo
O programa do curso aqui apresentado é semi-dirigido. Situações são criadas para que possam
emergir conceitos a serem explorados. Caso eles não ocorram, perguntas são feitas para buscá-
los.
Um programa é um guia para auxiliar o monitor a atingir os seus objetivos, mas não para limitar
a sua capacidade criativa.
Qualquer coisa diferente que se faça é bom. O mau é ficar repetindo sempre as mesmas coisas
e não mudar nunca.
Não há receitas, ensinar é um trabalho criador. O instrutor deve inspira-se em tudo que vir ou
existir para transmitir suas idéias.
O instrutor deve ter espírito aberto no seu trabalho, fazer de seu grupo um laboratório
experimental, pois o instrutor cresce (desenvolve-se) ao lado dos aprendizes que se enriquecem
com novas experiências.
Em educação não existe EXPERIÊNCIA FEITA que seja digna de fé.
Só a EXPERIÊNCIA PESSOAL vale.
Não há dogmas, não se pode afirmar sobre as possibilidades dos outros sem experimentação
PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:4/71
OBJETIVO
O objetivo deste curso é a educação e não tanto a instrução.
Este Programa foi desenvolvido na década de 80-90 no CVV de Araraquara/SP e depois no CVV
de Uberaba/MG.
Instrução é uma educação literária. Instruir é o ato de transmitir conhecimentos a alguém,
ensinar, adestrar, esclarecer, lecionar, informar.
Educação é a ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações jovens para
adaptá-las à vida social. É um trabalho seletivo e orientador, pelo qual nos
ajustamos à vida de acordo com as necessidades, ideais e propósitos
dominantes. É um aperfeiçoamento integral de todas as faculdades humanas, é
polidez de caráter, é cortesia.
Educar é estimular, desenvolver e orientar as aptidões do indivíduo, de acordo com os ideais de
uma sociedade determinada. É aperfeiçoar e desenvolver as faculdades físicas, intelectuais e
morais de um indivíduo. É cultivar o espírito, instruir, domesticar, adestrar e aclimatar.
A lição
Conta-se que um sábio da Grécia antiga sentia a necessidade de ensinar os seus alunos a
diferença entre a Educação e a Instrução de uma maneira que eles não mais se esquecessem.
Ele já havia explicado que a Instrução refere-se ao Intelecto, à parte mental de cada um, e a
Educação ao sentimento, à parte emocional, sendo que a instrução podia ser transmitida com
maior facilidade por ser mais demonstrativa, enquanto que a educação necessitava ser
vivenciada, consumindo muito mais esforço, dedicação e perseverança, precisando de uma boa
disposição para executar um treinamento e principalmente exigia uma mudança íntima da
postura de cada um.
O sábio então levou os seus alunos à arena onde havia uma demonstração de cães adestrados.
Seus alunos puderam observar, em determinada hora, que fora trazido um grande cão e um
coelhinho.
Foi dada a ordem ao cão para pegar o coelho.
Este saiu correndo, abocanhou e estraçalhou o coelho!
A seguir foi trazido outro cão e outro coelhinho.
Este cão, porém, acostumado a conviver com outros animaizinhos, logo foi correndo em direção
ao coelho, abocanhou-o com carinho, passeou com ele pela arena, brincou e depois entregou-o
ao dono.
O sábio então aproveitou a situação para ensinar aos seus alunos uma enorme lição dizendo:
O primeiro cão foi apenas instruído, o segundo foi educado.
PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:5/71
TEMA 1 - O VALOR DA VIDA - O QUE É O CVV
1. SECRETARIA E GRUPO DE APOIO
É importante que alguns voluntários, devidamente preparados, estejam prontos para recepcionar
os candidatos, fazendo-os preencherem as fichas de inscrição, distribuindo o material didático
(apostila resumida com os tópicos do curso e os textos das dinâmicas), preenchendo e
entregando os crachás, orientando sobre horários, sobre os lugares a serem ocupados,
esclarecendo possíveis dúvidas, bem como propiciando um clima agradável e envolvente, a fim
de que todos possam sentir-se perfeitamente bem, desde o princípio das atividades.
Esse mesmo grupo deve estar preparado para qualquer emergência que possa surgir no
desenrolar das aulas, tais como: dar apoio individual a algum candidato que necessite
desabafar, preparar o café, buscar material faltante, controlando os horários, no sentido de não
permitir que pessoas entrem no meio das dinâmicas etc.
(fazer uma tabela)
2. ABERTURA
Este é um momento importante do Curso, uma vez que “a primeira impressão é a que fica”. O
monitor deverá dar as boas-vindas a todos os participantes, deixando-os o mais à vontade
possível, para isso poderá dizer algumas palavras, tais como:
- Damos as nossas "boas vindas" a todos...
- Muitas emoções irão acontecer nestes dois dias e elas serão vivenciadas por todos nós.
Alguns momentos serão de alegria, outros de contrariedade, mas o importante é que os
vivenciaremos juntos, tendo a oportunidade de nos conhecer melhor. Procuraremos
aprender uns com os outros a lidar com os sentimentos humanos.
- Nosso Curso será composto por quatro temas:
Tema 1 O VALOR DA VIDA - Histórico do CVV
Tema 2 A PESSOA QUE BUSCA AJUDA - A outra pessoa
Tema 3 O AMIGO QUE AJUDA - O voluntário
Tema 4 A RELAÇÃO DE AJUDA - Um com o Outro
- Esses temas serão apresentados por várias pessoas que se prepararam carinhosamente
para passar para todos vocês o que temos de melhor em nosso trabalho.
- Haverá intervalo para o café.
- Não é permitido fumar nas reuniões.
- Enfim, sejam todos bem-vindos!
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3. APRESENTAÇÃO DOS PARTICIPANTES:
O objetivo de uma apresentação é buscar a integração do grupo desde o início, rompendo o
“gelo”, desfazendo tensões. O animador desta apresentação deve explicar que durante o Curso
é importante que todos se sintam bem à vontade e que saibam quem é quem.
Sugestão de dinâmica: BICHO - GENTE
O animador inicia dizendo:
- Nós vamos nos conhecer agora, e para isso eu vou dizer meu nome e o bicho que eu
gostaria de ser se eu não fosse gente, a seguir, o próximo irá dizer o meu nome e o bicho
que eu gostaria de ser , o seu nome e o bicho que gostaria de ser.
- E assim por diante, todos irão falar o nome das três últimas pessoas e os respectivos
bichos que gostariam de ser.
- Meu nome é Maria Helena. Se eu não fosse gente eu gostaria de ser uma andorinha!
Avaliação da dinâmica:
O animador debate alguns minutos (5') os objetivos e vantagens do exercício:
- O que vocês acharam desta nossa apresentação?
- A princípio, tem algo a ver com o nosso trabalho?
- O que o fez buscar este curso? Alguém gostaria de falar?
- O que esperam do Curso?
4. QUEBRA-GELO
Se o monitor do Curso sentir que, mesmo após a apresentação dos participantes, o clima
continua tenso ou que há muitas “panelinhas”, o que poderia vir a atrapalhar o bom andamento
das atividades, ele poderá servir-se desta dinâmica, uma vez que ela movimenta e descontrai os
participantes.
Todos devem ficar sentados, enquanto o animador, de pé, sem que haja nenhuma cadeira vaga
diz:
- Eu vou me dirigir a uma pessoa e dizer:
- Fulano, eu gosto de você porque você usa óculos. Todos os que estiverem de óculos
devem se levantar e trocar de lugar, rapidamente. Somente uma pessoa ficará de pé, sem
lugar para se sentar. Este deverá repetir a brincadeira, escolhendo uma nova
característica.
Assim que o animador perceber que já houve a descontração desejada ou que as “panelinhas”
foram quebradas, é tempo de parar.
O animador avalia a dinâmica perguntando ao grupo:
- Como se sentiram com esta “dinâmica”?
5. CARACTERÍSTICAS DA SOCIEDADE
Este é o primeiro item a ser tratado.
O monitor deve orientar a todos que se dividam em pequenos grupos. Um papel é distribuído a
cada grupo, onde figuram oposições de valores da sociedade, a fim de que discutam sobre o
que predomina na sociedade de hoje. Cada grupo elegerá um representante para expor as
idéias e conclusões.
PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:7/71
É importante lembrar que os voluntários presentes poderão fazer parte dessa discussão, mas
não devem monopolizar o diálogo, pois quem deve se colocar é o candidato.
As características a serem distribuídas aos participantes poderão ser:
Competição x Cooperação
Solidão x Proximidade
Individualismo x Coletivismo
Isolamento x Amizade
Frieza x Calor humano
Números x Pessoas
Posse x Amor
Ter x Ser.
Avaliação
O monitor interrompe a discussão, depois de 10 minutos e analisa com o grupo os resultados:
- Vamos, agora, ouvir os representantes dos grupos, e verificar quais são as características
predominantes na sociedade de hoje. Resumam, por favor, as conclusões a que
chegaram.
Após todos se colocarem:
- Nós vimos quais as características predominantes em nossa sociedade. É importante
saber que nós somos uma amostra dela. Vamos ver agora o que a sociedade tem feito
para suprir suas necessidades.
6. SURGIMENTO DO TRABALHO
Esta parte pode ser expositiva (usar “flip chart”, retroprojetor, powerpoint etc.) ou com
apresentações dramatizadas, contendo os seguintes tópicos:
1. Rápidas transformações sociais. (Antes existiam regras estabelecidas e respeitadas
por todos, atualmente vale tudo.)
2. Características predominantes na sociedade. (Típica fase de transição da
humanidade - valores anteriores foram abandonados e novos valores ainda não
foram constituídos.)
3. Auto e mútua violência. (As pessoas não se sentem à vontade para expressar seu
mundo íntimo e surge a violência.)
4. Reação da sociedade. (A sociedade, como acontece no próprio corpo humano, reage
contra a caótica situação.)
5. Surgem os grupos de auto-ajuda. (Dão segurança às pessoas.)
6. A solidão leva ao suicídio.
7. Prevenção do suicídio - O bom Samaritano.
8. Segunda Guerra Mundial - Chad Varah.
9. Como surge Os Samaritanos - década de 50.
10. Como se desenvolve Os Samaritanos.
11. Assim são os Samaritanos.
12. Conclusões de Chad Varah.
13. Propagação dos Samaritanos.
14. Tipos de entidades.
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14. Chad Varah aposenta-se.
15. Vídeo do CVV - Globo Repórter.
16. CVV - Boa tarde? - (apresentar Vídeo com anúncio da TV.)
17. É mais fácil viver quando se tem um amigo.
18. Como surge o CVV - Fases do trabalho.
19. Estrutura administrativa do CVV e terminologias.
20. Elementos essenciais do trabalho.
21. Programa do Curso de Seleção de Voluntários - estágio.
7. INTERVALO PARA O CAFÉ
Enquanto o café está sendo servido, o monitor deverá preparar a sala para a apresentação dos
“slides” ou vídeo do “O ponto”.
PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:9/71
TEMA 2 - A PESSOA QUE BUSCA AJUDA
- Nós vimos o que é o trabalho voluntário de doação de amizade. Agora vamos ver a pessoa
que procura este trabalho.
8. O PONTO (AUDIOVISUAL)
Apresentação do audiovisual: O PONTO (Centro Gaúcho de Audiovisuais - Salesianos de Dom
Bosco)
Avaliação
- O que mais nos chamou a atenção?
- O que é o ponto?
- O que é mais importante: o ponto em si ou as atitudes em relação a ele?
- Podemos então fazer uma idéia de como está a pessoa que busca o trabalho do
CVV/Samaritanos?
- Não existe problema mais importante e sim maneiras diferentes de encarar.
9. MOTIVAÇÃO PROFUNDA
Esta aula deve ser bem elaborada, pois irá de encontro diretamente ao sentimento de dor e
solidão que podem habitar o ser humano.
- As pessoas que procuram o trabalho estão esgotadas emocionalmente pela falta de
sentimentos, frieza e insensibilidade delas próprias e daqueles com quem convive.
Leitura ou encenação do texto Angústia
Avaliação
- Que sentimentos estavam presentes?
- O que é solidão?
- O que leva uma pessoa a sentir solidão?
- Ao que leva a solidão?
10. SENTIMENTOS PRESENTES (NO SUICIDA)
- O principal problema do homem na atualidade é o vazio interior e a solidão. Surgem daí o
desespero, a angústia e a destruição.
- Vamos estudar melhor a solidão agora, lendo a poesia chamada “Minha vida, meu
aplauso”, de Anderson Herzer.
Após a leitura, contar alguns fatos importantes sobre a vida do autor.
A seguir, entregar uma folha de papel sulfite para cada participante, bem como material de
desenho, pedindo a cada um que expresse por desenho, pintura, poesia etc, como sentiram (ou
sentem) a solidão.
Afixar numa parede ou espalhar, depois, as representações no centro do círculo, para que todos
possam observar como é a solidão de cada um.
Avaliação
- O que sentiram no exercício que acabamos de fazer?
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- A solidão pode nos levar a quê?
(desprazer pela vida, suicídio)
- Como é a pessoa que pensa em suicídio?
(solitária, tentou se comunicar, porém ninguém quis ouvi-la)
- O que é suicídio?
(gesto de comunicação; gesto de desespero violento; agressividade; ódio que
sente contra os outros voltados sobre si mesmo).
- Como surge o gesto suicida?
(após meses, anos de sofrimento, o desejo de morrer supera o impulso de viver
- ambivalência - extrema dor e sofrimento interno por coexistirem valores
opostos dentro da pessoa puxando-a para caminhos bem diferentes - depois,
finalmente, ocorrem fatores desencadeantes que consumam atitudes extremas
- explorar bem esse assunto).
- Que sentimentos estão presentes na pessoa que pensa em suicídio?
(a busca de atenção; desejo de vingança; fuga de situação desagradável;
vontade de ir para lugar melhor; busca de paz; ambivalência; esgotamento
emocional).
- O que pode ser feito para quem pensa em suicídio?
(doar amizade e calor humano).
- Alguém tem algum depoimento a fazer?
Finalizar com a música Via Láctea acompanhada por todos.
11. SUICÍDIO E TENTATIVAS
- Todos nós ouvimos falar muitas coisas sobre o suicídio. Agora iremos analisar algumas
delas:
a) O suicídio ocorre sem avisos?
80% das pessoas avisam (diretamente ou indiretamente).
b) Quem se mata estava decidido a morrer?
Instinto de defesa superado pelo desejo de morrer (ambivalência).
c) Quem fala em suicídio não se mata?
Sim, se não for demovida a causa.
d) Quem já pensou em suicídio será sempre um candidato a ele?
Não, se demovida a causa.
e) O suicídio ocorre mais entre ricos ou entre pobres?
Isso independe. O suicídio é um fator emocional e não físico.
f) O suicídio ocorre mais entre homens ou mulheres?
Mulheres tentam mais, porém os homens concretizam mais.
g) Os candidatos a suicídio são sempre doentes mentais?
Apenas 10%.
h) O suicídio está no sangue?
Isso não tem fundamento.
- Vamos passar alguns dados sobre o suicídio, a fim de mostrar como a nossa sociedade
está afetada:
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1. O Brasil situa-se em 8º lugar no mundo, sendo sua maior incidência entre jovens e
adolescentes (1º Hungria, 2º França, 3º Japão, 4º EUA).
2. A China detém 1/3 dos óbitos suicidas do planeta (300.000 / ano)
3. Perguntas feitas aos que tentaram suicídio (BI - Universidade - Suíça):
3.1 Quem poderia levar-lhe ajuda?
52% responderam: NINGUÉM
10% responderam: O MÉDICO
38% não responderam
3.2 Você aceitaria ajuda?
23% ACEITARIAM
50% NÃO ACEITARIAM
6 % NÃO SABERIAM DIZER
21% NÃO RESPONDERAM
- O fato de não esperarem ajuda de ninguém sugere que seja uma deliberação muito íntima
e isto surge de um sentimento / decisão muito profunda, que realmente não pode ser
dividida com ninguém.
- É fato que os suicidas procuram o médico, mas não falam sobre suas intenções /
sentimentos suicidas.
3. Dados da revista americana "PENHOUSE" (89) nos EUA:
1985 - 3 suicídios por hora
93% - são brancos, bem educados, classe média
É a 7ª maior causa de mortalidade americana (o nº de americanos com menos
de 24 anos que cometeram o suicídio no ano é maior que todos os americanos
que morreram na guerra do Vietnã)
5 entre 6 suicidas foram homens
É dito que quando o Homem atinge o estágio de suicídio ele se encontra sem
esperança e a Mulher sem ajuda.
O Homem é mais propenso a cometer o suicídio e a mulher 3 vezes mais
propensa a tentá-lo.
4. Estatísticas médica Americana:
Todas as pessoas suicidas ou que tentaram, meses antes destes atos,
procuraram médicos, sempre apresentando distúrbios psicossomáticos.
A maioria dos propensos ao suicídio tentam até o último momento fazer alguém
compreender o seu desespero. De uma maneira ou de outra, buscam ajuda
direta ou indireta.
4.1 Como foram as reações dos familiares:
31% não deram qualquer atenção;
21% ficaram nervosos, inquietos, sentiram-se impotentes mas quiseram
ajudar;
10% acreditaram no parente, ficaram atentos e tentaram ajudar;
4% ficaram com raiva e tiveram reação de rejeição;
15 % não manifestaram qualquer reação.
4.2 Como foram as expressões mais usadas pelos suicidas durante certo tempo que
antecedeu ao suicídio, conforme declaração dos seus próprios familiares:
22.5 % Ninguém me compreende ou ninguém se preocupa comigo!
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18 % Sinto-me inútil, indesejada, sem qualquer valor!
16 % Não ficarei por aqui por muito tempo. Não há esperança alguma,
não pode continuar assim, ou muito em breve estarei com a .........(cita o nome
de pessoa já falecida)
16.5 % O melhor é dar um tiro na cabeça. Não quero continuar vivendo.
Um dia desses eu vou certamente me suicidar.
11.5 % Desejo não ter mais que sofrer!
10.5 % Expuseram seus problemas bem como da inutilidade de ter que
lutar por alguma coisa.
5 % Demonstraram atitude favorável ao suicídio.
5. Expor número de suicídios atuais da região.
12. AVISOS FINAIS
Este é um momento importante, principalmente pelo clima de sentimentos criado.
O monitor poderá esclarecer possíveis dúvidas, de maneira bem objetiva, observando o horário,
a fim de que a disciplina seja sempre mantida.
Informar o horário da próxima aula e incentivar a todos que voltem para concluir o curso, mesmo
que não pretendam ser voluntários, mas que aprenderão postura mais adequada para lidar com
os problemas emocionais no meio em que vivem.
- Como foi o encontro de hoje?
- Vamos encerrar cantando uma música em conjunto:
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TEMA 3 - O AMIGO QUE AJUDA
13. SECRETARIA
Receber os candidatos para o reinício do curso (idem anterior).
14. ABERTURA PELO MONITOR:
Como passaram de ontem para hoje?
Todos estão se sentindo bem?
Algum depoimento breve de alguém, com relação às aulas de ontem?
Ontem nós vimos O que é o CVV e como se encontra a pessoa que busca ajuda. Agora
nós vamos entrar no 3º Tema que se refere à pessoa do voluntário, o amigo que ajuda.
Para isso, nós vamos ver algumas características importantes na pessoa do voluntário.
15. A NÃO DIRETIVIDADE
Na vida diária, estamos acostumados a sermos sempre dirigidos ou a dirigirmos as outras
pessoas. Via de regra tomamos sempre atitudes que podemos chamar de diretivas.
Como se sente a pessoa que se vê dirigida?
Vamos fazer um exercício para identificar essa situação
a) O túnel
Pedir aos participantes que formem duas filas, formando um corredor, um túnel, para que todos
possam observar as diferenças na relação de ajuda prestada por alguns voluntários que
procuram ajudar a passagem de alguns candidatos que teme seguir pelo túnel escuro.
Eu tenho que passar para o outro lado do túnel, e tenho medo!
O primeiro voluntário puxa a pessoa com força, querendo se desincumbir logo da tarefa.
O segundo voluntário carrega a pessoa no colo, demonstrando um cuidado exagerado e
paternal.
E assim por diante, pode-se apresentar várias formas de se conduzir um candidato a atravessar
o túnel.
O último voluntário acompanha a pessoa passo a passo, alerta apenas sobre os pequenos
obstáculos do caminho, sobre o declive no relevo etc, até que a própria pessoa se sinta segura
de que pode atravessar sozinha.
b) Guia de Cegos
Semelhante ao exercício anterior, onde todos participam.
Dividir os participantes em duplas, de preferência pessoas que não se conheçam. Um será o
guia e o outro o guiado. De olhos fechados (trazer vendas amarradas para pôr nos olhos), o
guiado terá que explorar o local.
Depois os papéis serão invertidos.
Avaliação
Como foi a experiência que tiveram?
Sentiram-se à vontade ao serem guiados? Como foi isso?
Qual dos voluntários orientou melhor a pessoa perdida (O túnel).
PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:14/71
Deixar que os participantes se coloquem e, se for preciso, o monitor desta aula completará e
mostrará como funciona a não diretividade no trabalho do CVV/Samaritanos.
16. ORIENTAÇÃO NÃO DIRETIVA NO ACONSELHAMENTO
- Existem pessoas que dão a impressão de terem um jeito todo especial para enxergar o
ponto focal da situação, freqüentemente esclarecendo e resolvendo questões complexas
com uma ou duas frases simples.
- Vamos ver o texto "O conselho certo".
Avaliação
- O que pudemos notar nesta situação?
Por estranho que pareça, as melhores respostas para muitas das nossas mais complexas
situações estão muitas vezes escondidas no fundo de nossas cabeças. Em certas ocasiões,
temos dificuldades de descobri-las e saímos pedindo aos outros que nos ajudem. Acontece que,
na maioria das vezes, o que mais queremos não é um conselho e sim um auxílio para nos ajudar
a achar o caminho. O ato de dar um conselho, na verdade, freqüentemente atrapalha o
processo.
Em vez de dar um conselho, é melhor ajudar essa pessoa a desenvolver sua autonomia, sua
capacidade de sentir o que está acontecendo e a pensar sozinha.
Maneiras e colocações adequadas ajudam a pessoa a descobrir o ponto focal de sua situação e
a chegar à melhor solução - para ela. Esta será a solução dela. Acima de tudo será a solução
com a qual ela imaginou e estará disposta a conviver.
17. CONFIANÇA NA TENDÊNCIA CONSTRUTIVA
- Certas características dos seres vivos (e das pessoas humanas) são negativas apenas na
aparência. No fundo, os seres vivos são positivos. É necessário cultivar corretamente
essas características e aproveitar o que elas têm de bom.
Para isso, distribuir o texto “Na cadência do samba” ou “Grama feia bonita”, e pedir para que
alguém leia.
Avaliação
Perguntar aos participantes coisas do tipo:
- O que observamos no texto?
- O ser humano é mau por definição?
- Qual é a tendência natural dos seres humanos?
- Por que a tendência construtiva não se manifesta livremente?
- Como as pessoas geralmente se defendem das situações de crítica, preconceito e
opressão?
- Como deve ser a nossa atitude em relação a acreditar ou não na tendência construtiva do
outro?
18. ATITUDE DE RESPEITO
- Respeitar é não impor ao outro nossa forma de ver, sentir e compreender os fatos da vida
e as possíveis soluções.
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Ler a lenda: “O macaco e o peixe” ou "a borboleta".
Avaliação:
- O que o texto lido tem a ver com o nosso trabalho?
- O que é “não” respeitar o direito do próximo?
Julgar, interferir, aconselhar, dirigir, tomar a frente.
- O que é respeitar?
Reconhecer o direito e as condições que o outro tem de decidir o que mais lhe
convém.
- O macaco foi bom para quem?
19. ATITUDE DE COMPREENSÃO E ACEITAÇÃO
Facilitar a aprendizagem do conceito de “compreensão” que é a atitude de conhecer as causas
do comportamento humano, quer sejam racionais ou afetivas e facilitar a aprendizagem do
conceito de aceitação que é a atitude de admitir para si mesmo a realidade de um fato.
Todos encontram excelentes razões para explicar sua forma de agir, mas quando se trata do
comportamento alheio, acontecem muitas críticas e quase nunca há compreensão.
Compreender: conhecer as causas ou os motivos do comportamento do outro, de acordo com
o ponto de vista e os sentimentos dele.
Julgar: examinar de acordo com os nossos pontos de vista.
A fim de exercitar a compreensão, sugere-se ao monitor desta aula que peça que todos se
dividam em grupos de, no máximo, cinco pessoas. Distribuir a todos os grupos artigos de jornal
que relatem fatos praticados por diversas pessoas. Estes fatos devem ser passíveis de
julgamentos diversos, como por exemplo: assassinato, suicídio, roubo, estupro etc. Cada um dos
participantes deverá se colocar no lugar da pessoa descrita na reportagem e tentar compreendê-
la.
Avaliação
Após todos retornarem aos seus lugares, haverá uma avaliação em conjunto. Um representante
de cada grupo responderá:
- Resuma o texto lido e responda: vocês compreenderam a atitude da pessoa?
- É mais fácil julgar ou compreender as razões do outro?
- O que é preciso para compreender?
- O que é aceitação?
É admitir a existência, sem se preocupar com as seqüências. É abrir nossa
porta. É nos convencermos de que a pessoa “é assim mesmo”.
É olhar a pessoa de frente, com interesse e respeito, sem receios, preconceitos
ou julgamentos.
- Aceitar é o mesmo que concordar?
Ex.: Não concordo com o roubo, mas aceito a pessoa do ladrão.
- Se não aceitarmos a outra pessoa tal qual é, o que acontece?
Ela se fecha mais em si mesma, retrai-se a fim de se defender.
- Se aceitarmos a pessoa tal qual é, o que acontece?
Ela se sente segura, confiante, passa a olhar para si mesma, diminui o
consumo de energia para defender-se, aceita-se melhor, passa a confiar e a
PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:16/71
acreditar em sua capacidade, achando, assim, soluções mais claras para seus
problemas.
20. ATITUDES DE AUTOCONHECIMENTO.
- À medida que o ser humano se conhece melhor, ele estará também conhecendo melhor as
pessoas que o circulam, facilitando o relacionamento.
- Antes de estudar algumas características pessoais, vamos ler o texto: “O coelho e a
raposa” ou algum outro texto (anexo) relacionado a este tema.
Avaliação:
- O que é flexibilidade (X rigidez)?
É a capacidade e a coragem de deixar de lado o nosso ponto de vista e
examinar o do outro.
- O que é nivelamento (em sentimento - superioridade X inferioridade)?
É colocar-se à altura do outro com sinceridade, o que permite acolhê-lo com
simpatia e respeito.
- O que é projeção de valores?
É achar que os outros vêem o mundo do mesmo modo que eu (crenças e
preconceitos).
- O que é humildade?
É reconhecer que não sabemos tudo, que não temos soluções para tudo, que
não temos respostas prontas, que somos falíveis. O outro sente-se melhor
diante de alguém igual a ele e não superior.
- O que é disciplina?
É saber que o objetivo é o outro e não o nosso personalismo.
- O que é moderação?
É manter-se longe dos extremos, não sendo fanático ou extremista.
- O que vem a ser disponibilidade?
Existem vários tipos de disponibilidade. No entanto, o que importa para que o
nosso trabalho flua bem é que haja:
a) disponibilidade de tempo: para dedicar-se ao outro.
b) disponibilidade de calor humano: para doar-se ao próximo.
c) disponibilidade de paciência: para se auto-aprimorar.
d) disponibilidade de boa vontade: para enfrentar e dar continuidade ao próprio
desenvolvimento.
Ler o texto "disponibilidade"
21. INTERVALO
É o momento em que todos se confraternizam, tomando juntos um café e comendo bolos e
bolachas. Momento precioso, porque ali os candidatos podem buscar aproximação com os
voluntários para desabafar ou esclarecer suas próprias dúvidas, referentes ao trabalho.
PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:17/71
TEMA 4 - A RELAÇÃO DE AJUDA
Ao voltar para a sala do encontro, uma música serena e reconfortante será colocada, a fim de
que todos possam se colocar em estado harmonioso - sem excitação.
22. HARMONIZAÇÃO - ENSAIO DE ANSIEDADE
- Nós vamos agora nos sentar confortavelmente e nos preparar para daqui a uns 3 minutos
se levantar e, um de cada vez, dizer a esse grupo de pessoas estranhas um fato muito
íntimo de nossa vida, que nunca foi dito a ninguém.
- Enquanto isso, preparem-se. Vivenciem a situação. Imagine-se de pé no centro deste
círculo, começando a falar. Por onde iniciaria sua narrativa? O que falaria? Como falaria?
Vivencie este momento. Que sentimentos estão lhe envolvendo agora?
- Agora preste atenção: que emoções você sente quanto eu disser que não irei chamar
ninguém para falar de si?
- Abram os olhos e vamos avaliar a situação.
Avaliação
- Que sentiram neste exercício que acabamos de fazer?
- O que isto tem a ver com o nosso trabalho?
Após esta preparação, fazer uma breve avaliação, do que já foi visto neste curso sobre a
valorização dos sentimentos, como está a pessoa que nos procura e como deve ser a postura de
quem quer estar junto do outro em seus momentos de solidão.
A partir de agora, será apresentada a relação de ajuda.
23. RELAÇÃO DE AJUDA
Esta dinâmica deve ser feita com bastante seriedade, a fim de não perder o clima conseguido
através da harmonização. Para isso, o monitor deverá colocar a importância desta experiência,
deixando claro que nada é obrigado. Aqueles que não se sentirem à vontade para participar,
podem ficar observando.
João Bobo
Formar grupos de três pessoas:  e  ficam de frente um para o outro e  fica no meio, de
frente para um deles.  deixa-se cair para frente e para trás, sendo amparado por  e 
As posições devem ser invertidas até que todos tenham ocupado a posição do centro, pelo
menos uma vez.
Avaliação
- O que este exercício tem a ver com o nosso trabalho?
- Houve alguma relação?
- Como se sentiram nesta relação?
- O que é relação?
É uma real ação entre duas ou mais pessoas.
- E o que é uma relação de ajuda?
É a oferta de amizade de um ser humano a outro que está em crise.
PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:18/71
É a convivência.
É o conhecimento recíproco entre duas pessoas.
É o amor que combina quem quer ouvir com quem quer falar.
Tópicos:
- O outro está vulnerável e sensível à rejeição e, por isso, sente-se culpado e só.
- Tudo no amigo deve transmitir (com sinceridade) que você não está só, há alguém que se
importa.
- O ANONIMATO e a CONFIDENCIALIDADE dão segurança. Não podemos nos intrometer
com quem não quer a nossa ajuda - só com quem consente.
- O momento de uma relação de ajuda não é o momento de divulgação religiosa ou outra
qualquer.
24. SABER OUVIR
- Foi dito que, a partir do momento que um ser humano se colocou a disposição para ouvir a
dor do próximo, começou o trabalho de prevenção do suicídio.
Leitura ou encenação do texto “O jornalista”.
Avaliação
- O que aprendemos com a história lida?
- O que é ouvir?
Ouvir é uma atitude ativa e participativa.
É importante saber ouvir atentamente para se aproximar do outro.
- Como estão os pensamentos de uma pessoa que está em crise emocional?
Os pensamentos estão confusos, não sabe como tomar uma decisão, e,
geralmente, esperam e pedem que o façamos por ela.
- Que devemos fazer então?
Ouvir atentamente, a fim de que os pensamentos da outra pessoa fiquem mais
organizados, as idéias fiquem mais claras e as soluções apareçam delas
mesmas.
- O que mais podemos observar além do que é dito por palavras?
O silêncio. O tom de voz. A mímica ou os gestos. A postura.
- O que se quer dizer com o silêncio?
Insegurança para começar a falar. Preparação para entrar em assunto difícil,
pondo em ordem os pensamentos/sentimentos. Tentativa de se acalmar após
um desabafo. Sensação de bloqueio por causa de situação confusa. Tempo
para achar melhor forma de se expressar.
- Se constatarmos incoerências no relato, como devemos agir?
As incoerências revelam dificuldades que estão ocorrendo no íntimo das
pessoas. Devemos ter paciência e incentivá-las a continuar.
- E quando nos sentimos atingidos pelo que foi dito pelo outro?
Devemos estar atentos à essas situações e observar como elas estão sendo
percebidas pelo outro, pois cada coisa repercute em nós de uma maneira
específica e importa-nos descobrir o significado daquilo que ele está nos
comunicando (o significado dele e não o nosso). Para tanto, o programa de
PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:19/71
treinamento do CVV proporciona ferramentas que nos ajudam a nos conhecer
melhor para melhor poder receber a outra pessoa sem nos afetarmos.
- Como nós vamos compreendê-lo?
Todo o procedimento tem sua razão de ser. Existem razões claras e facilmente
compreensíveis e razões obscuras, aparentemente ilógicas, que são de origem
psicológica. A prudência deve ser levada em conta, para ver as causas reais
que estão por trás das aparências, pois via de regra revelam muitas coisas.
- Devemos comunicar o que ouvimos e o que compreendemos?
Sim, e isso se faz logo de imediato na relação de ajuda. Nossos gestos, nossa
atenção, nosso acolhimento, um aperto de mão, um sorriso (quando for o
caso), um olhar atento etc, revelam o nosso interesse pelo outro.
Além disso, utilizando de uma adequada comunicação verbal, as respostas
compreensivas que serão vistas no estágio, demonstrarão a nossa atenção e o
nosso interesse pelo outro.
25. MEDIDAS OBJETIVAS
- Como seria o ambiente adequado ao seu desabafo?
Privativo (um tipo de refúgio discreto, agradável e acolhedor);
Funcional (confortável, porém simples e discreto);
Silencioso (isento de perturbações);
- Qual seria o tempo necessário e útil de uma entrevista de ajuda?
Cerca de 45 min a 1 h, porém, o tempo adequado ao desabafo está
diretamente relacionado com as necessidades da outra pessoa.
- E com respeito ao sigilo, é importante?
Imperdoável é comentar o que nos foi confidencializado em reserva.
No estágio este assunto será amplamente abordado.
26. PESQUISA E ENTROSAMENTO FINAL
- Nós tivemos até agora uma série de informações e várias vivências de situações que nos
demonstraram a existência de outros valores na vida.
- Nós vamos distribuir agora um questionário e pedimos que entrevistem outras pessoas da
sala, inclusive e de preferência os que já são voluntários do trabalho.
- Cada um irá fazer apenas uma pergunta do questionário, conforme a ordenação que irei
dar agora.
- A Sra. ... irá fazer a pergunta nº 1, a vizinha a nº 2 e assim por diante.
- Vamos dedicar 10 min para essa entrevista. Vamos começar. Escolham os entrevistados e
bom serviço.
Questionário
1 A sua maneira de ser é mais importante do que você diz? O que você acha disso no
relacionamento com outra pessoa?
2 Como você pode acolher bem uma outra pessoa?
3 É fácil se relacionar com os problemas da outra pessoa, porém como fazer para se
relacionar com a pessoa (sentimentos) em si?
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4 Nivelar-se é colocar-se no nível da outra pessoa. A outra pessoa está vulnerável,
desconfiada e decepcionada consigo próprio. Como nivelar-se numa relação de ajuda?
5 Como notar as potencialidades e a capacidade da outra pessoa quando ela se apresenta
com muitas fraquezas?
6 Descreva como você nota que uma pessoa prestou atenção total em sua conversa?
7 O que fazer para facilitar o desabafo da outra pessoa?
8 Nós devemos fugir ou ir em direção ao sofrimento da outra pessoa? Como fazer isso?
9 Nós temos nossos pontos de vistas que diferem dos pontos de vista da outra pessoa.
Como devemos fazer para ver do ponto de vista do outro?
10 Como se sente a outra pessoa quando as respostas às suas necessidades partem de nós?
E como ela se sente quando parte dela?
11 Nossas respostas devem ser com honestidade e sensibilidade. Dê um exemplo de como
fazer isso diante de uma pessoa que está a ponto de por um termo à vida.
12 Você tem que ser apenas um amigo provisório. Não tem que resolver a situação da outra
pessoa. Apenas estar junto durante a crise em que passa. Como isso repercute em você?
Avaliação
- Vamos voltar aos nossos lugares. O que obtivemos da pergunta nº 1?
27. AVALIAÇÃO FINAL
- Agora que chegamos ao final desse curso, temos condição de fazer uma auto-avaliação do
que aconteceu conosco.
- Vamos responder na folha que estamos entregando:
O que achou do curso?
O que modificou em você este curso?
O que você pretende fazer?
28. PROGRAMAÇÃO DO ESTÁGIO PROBATÓRIO
- Chegamos ao final da 1ª parte do Programa de Seleção de Voluntários do CVV
Samaritanos e queremos convidar aqueles que se interessaram pela postura do trabalho
para continuarem conosco, participando do estágio probatório.
- O estágio será desenvolvido em 7 semanas, onde serão apresentados os temas abaixo, e
mais 2 semanas de estágio no próprio plantão, juntamente com outro voluntário mais
antigo, antes de assumir o plantão definitivamente.
- Como o curso é de seleção, a primeira delas é a própria seleção natural, as demais serão
feitas por entrevistas e pela observação da maturidade emocional do candidato para se
relacionar com a problemática humana.
- As pessoas que não se sentiram no momento amadurecidas para continuar, mas que
gostaram da postura e se sentiram bem com o trabalho, convidamos a participarem do
nosso Grupo de Encontro que se realiza periodicamente. Liguem para o posto e
informaremos as datas e local.
PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:21/71
Tópicos do estágio.
Tema 5 A ENTREVISTA DE AJUDA
Tema 6 ABORDAGEM DE SENTIMENTOS PROFUNDOS
Tema 7 CICLO DA VIDA E VIDA PLENA 1ª entrevista
Tema 8 PERDAS E ABALOS SITUACIONAIS
Tema 9 AJUDA EM TEMÁTICA ERÓTICA E SEXUAL
Tema 10 AJUDA NA AGRESSIVIDADE E NA DROGADEPENDÊNCIA
Tema 11 REGRAS E REGIMENTO INTERNO 2ª entrevista
Tema 12 PLANTÃO ACOMPANHADO
Tema 13 PLANTÃO ACOMPANHADO
Tema 14 PLANTÃO ACOMPANHADO 3ª entrevista
Programar o estágio
29. ENCERRAMENTO
- Gostaríamos de decidir em conjunto como fazer isso.
- Podemos sugerir que cada um dos participantes faça um breve depoimento de como se
sente agora.
- Podemos nos despedir cantando juntos uma das músicas da apostila.
PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:22/71
TEMA 5 A ENTREVISTA DE AJUDA
30. INTRODUÇÃO
Devemos propiciar um clima de entrosamento entre os candidatos. Para isso, sugerimos ao
monitor que faça uma abertura com uma música suave, previamente escolhida, e que o
elemento água seja utilizado, na forma de palavras calmas, sugestionando uma interiorização, a
qual oferecerá paz e tranqüilidade para o início da aula.
A seguir, é sempre bom possibilitar a todos uns poucos instantes para que possam se colocar,
falando sobre como foi a semana, se ficou alguma dúvida pendente com relação às aulas do
Curso de Valorização da Vida etc.
Sugerimos, também, que o texto "Decálogo para compreender o outro" seja lido e analisado por
todos os participantes, a fim de introduzir o tema.
31. TRIÂNGULO DAS BERMUDAS
- Ler o texto "Triangulo das Bermudas".
- Conta-se que na Ilha das Bermudas, no Oceano Atlântico, a turbulência das águas faz
desaparecer os navios e os aviões. Isto é uma lenda, pois não foram comprovados
cientificamente as histórias contadas sobre isso.
- Supõe-se que os minérios existentes por lá atuam como ímã, fazendo com que haja os
desaparecimentos. Nós, do CVV e dos Samaritanos, nos habituamos a utilizar a figura do
“Triângulo das Bermudas”, uma vez que o desespero, a mágoa, a solidão, a angústia, a
tristeza, o ódio, a ansiedade, a tensão também podem desaparecer no triângulo formado
pelo problema - indivíduo - pessoa, desde que haja condições para que a pessoa que
busca o nosso trabalho possa “navegar” livremente dentro da turbulência de si mesma.
- A pessoa que nos procura geralmente encontra-se tão perdida dentro de suas próprias
desilusões e problemas que sequer conseguem enxergar uma luz que a ampare.
- Ela quer falar, falar e falar. Um bom “facilitador” deve compreender essa necessidade,
permitindo que ela fale sobre o seu problema (divórcio, desemprego, dívida, traição,
perdas em geral) e sobre o indivíduo (nome, idade, RG, endereço, telefone, tipo físico,
condição financeira etc). Porém, o voluntário deverá “navegar” somente na pessoa do
atendido, ou seja: nos seus sentimentos.
- O que importa para nós e, principalmente, para quem ligou é entrar em contato com o
sentimento, seja ele qual for. As pessoas, lá fora, na sociedade, na família, na escola, na
empresa etc, têm medo de “colocar o dedo na ferida” e, por isso, muitas vezes afastam as
pessoas que precisam desabafar. O ser humano se fecha por não ter condições de expor
seus sentimentos assim como eles são e sofrem. Muitas vezes buscam o suicídio como
solução para seus problemas. Nós temos que ser diferentes.
- O voluntário deve ser um facilitador para o desabafo. É necessário que haja coragem para
encarar de frente o que às vezes dói e machuca. A enfermeira quando vai fazer um
curativo não teme arrancar o pus, o sangue, a casca. Ela machuca para medicar e
somente assim haverá condições para que a cura se instale. Lentamente e com muita
paciência e amor acontecerá o milagre da cicatrização. Isso também deverá ocorrer num
processo natural de tomada de consciência da dor. Sejamos, então, como uma
enfermeira... Estamos prontos para começar?
PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:23/71
32. RESPOSTAS COMPREENSIVAS
É importante deixar bem claro para o candidato a diferença entre uma resposta compreensiva e
uma não-compreensiva. Para isso, seria muito importante que se fizesse um pequeno
treinamento, onde alguma situação conflitante é colocada e cada um dos participantes tente
responder compreensivamente, buscando unicamente o sentimento exposto.
Aproveitando-se desse pequeno exercício, pode-se salientar que a criatividade de cada um ao
formular as respostas compreensivas é essencial para um bom atendimento. Não há regras. Se
o voluntário está junto da outra pessoa, permitindo que ele se descubra através de suas próprias
colocações, sem diretividade, sem aconselhamento, sem julgamento todo o resto virá com a
empatia criada na relação de ajuda.
Como é que você está se sentindo?
Eu compreendo você...
Eu o aceito como você é...
Fale mais...
Você me disse que está sofrendo? Gostaria de ouvir mais sobre isso...
Você não está só, eu estou aqui com você...
- Estes são exemplos de colocações que podemos fazer sempre. As respostas virão no
momento certo, na hora certa, sem atropelos.
- Devemos nos colocar à disposição de verdade, por inteiro... o resto virá naturalmente.
Respostas não compreensivas: são aquelas que denotam a não compreensão dos
sentimentos presentes na outra pessoa. São aquelas que fazem sugestões, dão conselhos,
criticam, julgam, acusam, afirmam infantilmente que “isso não é nada”, “logo passa” etc.
33. PERGUNTAS PARA O CANDIDATO
- O que é escutar?
É acima da tudo a busca permanente da verdadeira mensagem que a pessoa
esconde atrás das palavras.
- Como podemos facilitar o ato de escutar?
Permitindo que o espaço maior pertença à outra pessoa. Não se deve interferir
ou julgar.
- Quem comanda o espaço na relação de ajuda?
A outra pessoa. A interrupção da fala pode significar um contato que a outra
pessoa está estabelecendo consigo mesma.
34. FINALMENTE
É importante afirmar que as distrações externas devem ser evitadas, pois qualquer coisa que tire
a atenção do voluntário pode prejudicar o atendimento.
O voluntário deve se cuidar para não se transformar em ajudado, permitindo-se falar mais do
que a pessoa que ligou buscando ajuda.
Por outro lado, não deve sentir-se um semi-deus, pois a única coisa que o diferencia da pessoa
que ligou é a sua disponibilidade naquele momento. Se o voluntário estiver em crise emocional e
tentar ajudar alguém, poderá prejudicar a ambos. Um bom voluntário, no momento do
atendimento deve estar inteiro, maduro e crescido.
PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:24/71
35. ROLE-PLAYING
- Esta palavra inglesa significa “desempenhar um papel” ou “representar”. Este tipo de
treinamento possibilita o exercício da relação de ajuda. É uma vivência de papéis, mas
uma vivência emocional. Graças a esse tipo de exercício, tornou-se possível a expansão
do trabalho de doação de amizade e prevenção do suicídio realizado pelo
CVV/Samaritanos.
- Durante o exercício, todos devem se concentrar, a fim de que as emoções possam ser
colocadas de maneira natural e segura. Aconselha-se que todos abaixem a cabeça,
evitando mirar os olhos da dupla que, ativamente, está fazendo o papel do voluntário e da
pessoa que liga buscando ajuda. A seguir, começamos o treinamento. Os voluntários
presentes colocam os casos e cada um dos estagiários atendem ao menos uma vez por
estágio. Importante se faz salientar que o role-playing deve ser vivido por todos com
bastante seriedade, pois os problemas colocados podem ser realmente o que se passa
com a pessoa que o está apresentando.
- Devemos exercitar o respeito sempre e sempre. Além disso, explicar aos participantes que
após cada treinamento haverá uma avaliação por parte de todos os presentes. Quem faz o
papel de voluntário e de atendido, falam por último, respectivamente.
- Todos devem estar cientes de que a avaliação será feita a fim de buscar sempre a
melhoria na qualidade dos atendimentos. O objetivo não é colocar ninguém na “berlinda”,
por isso não deve haver melindres por parte de quem foi avaliado ou medo de dizer o que
sentiu, por parte dos avaliadores.
- Todos participam. Todos avaliam. Todos aprendem. Todos crescem... juntos. Este é o
objetivo dos treinamentos.
36. INTERVALO
37. AQUECIMENTO PARA O TREINAMENTO
Pode-se iniciar com aquecimento. O monitor coloca um sentimento qualquer e todos devem dar
uma resposta compreensiva, tentando buscar o centro da emoção colocada. Exemplo:
Monitor:- Hoje estou tão triste que gostaria de sumir.
Estagiário 1: Fale mais sobre isso...
Estagiário 2:- Você me disse que está triste?
Estagiário 3: Você me diz que tem vontade de sumir. Como é isso?
O monitor tem condições de saber se um ou mais exercícios de aquecimento são necessários.
38. TREINAMENTO DE ROLE-PLAYING - SUGESTÕES DE CASOS
1. Acabo de chegar do laboratório. Fui fazer exame de gravidez. Sabe, tenho 17 anos. Meu
pai é um homem muito severo. Acho que ele vai me matar...
2. Vendemos tudo o que tínhamos no Mato Grosso e viemos para cá. Compramos uma
chácara aqui. Sabe, a escritura era falsa. Estamos sem terra e sem dinheiro...
3. Eu deveria estar contente, pois meu filho conseguiu realizar o seu maior sonho. Conseguiu
uma bolsa de estudos para a Inglaterra. Ficará por lá dois anos.
4. Estou desempregado. Não tenho coragem de contar para minha mulher. Ela está
esperando nosso primeiro filho...
PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:25/71
5. Meus pais são uns chatos. Veja você que eles querem que eu chegue em casa antes das
dez da noite...
6. Oi. Meu cachorrinho morreu. Sei que parece bobeira, mas ele era meu único
companheiro...
7. Estou completamente desanimado. Não consigo mais viver assim...
8. Não sei o que seria melhor para mim. Fico de lá para cá, pareço uma tola. Não sei viver
sem esse homem.
9. Eu amo o meu marido. Tenho dois filhos lindos, mas ainda assim sou infeliz. Parece que
falta alguma coisa. Há um vazio imenso dentro de mim...
10.Meu marido anda diferente, não me faz mais carinho. Eu acho que ele tem outra...
11.Meu amigo gostaria de abrir uma sociedade comigo numa loja, mas eu tenho medo de
estragar nossa amizade...
39. DESPEDIDAS
O monitor deve perguntar a todos os participantes se está tudo bem, se não há nenhuma dúvida.
Citar o tema da próxima aula, a fim de incentivá-los a voltar. Sugere-se que o encerramento seja
feito com a leitura de um depoimento do livro do CVV ou do texto "Relação de ajuda e orientação
não-diretiva."
PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:26/71
TEMA 6 ABORDAGEM DE SENTIMENTOS PROFUNDOS
40. ABERTURA
Devemos sempre começar um novo estágio sondando cada um dos participantes, a fim de saber
como foi a semana ou se há alguma dúvida pendente sobre o último encontro.
MEDITAÇÃO: Leitura do texto "Arte de Ouvir" e comentários.
41. TIPOS DE ABORDAGENS TELEFÔNICAS
a. Superficiais
- As chamadas superficiais são aquelas desprovidas de conteúdo emocional. O voluntário
deverá, nestes casos, tentar fazer com que a pessoa expresse seus sentimentos. Caso
isso não ocorra, procurar ser breve, pois outra pessoa pode estar tentando se comunicar.
b. Solicitando informações
- A pessoa liga para pedir informações sobre o trabalho, sobre a data do próximo curso etc.
Se o voluntário souber dar as informações solicitadas, não há mal nenhum em fazê-lo,
desde que estas não comprometam o sigilo. Nestes casos, é também importante oferecer
a disponibilidade do trabalho, pois um pedido de informação pode ser transformado em
apoio, se houver necessidade da pessoa que ligou.
c. Apresentando o caso de um amigo
- Muitas vezes as pessoas ligam para o Samaritanos/CVV para apresentar o caso de um
amigo. Elas estão preocupadas com alguma situação difícil que uma pessoa amiga vem
passando e ligam para buscar apoio. Nestes casos, devemos tomar muito cuidado, porque
a pessoa que liga pode ser a própria a estar passando pelo problema descrito, porém por
medo ou vergonha, podem encobrir a verdade, a fim de tomar coragem para tocar no
assunto.
- O que se deve fazer é permitir que a pessoa coloque sua história e tenha condições de
desabafar. Ela pode estar se sentindo desamparada por não estar conseguindo ajudar o
amigo. Pode estar zangada, confusa, ansiosa, culpada, amedrontada e, embora tenha
ligado por causa de outra pessoa, ela própria provavelmente está precisando de apoio.
Assegure-a de que ela está sendo útil ao amigo simplesmente por estar a seu lado. Faça
com que ela se sinta acolhida por ter ligado e facilite o seu desabafo.
Se julgar conveniente, sugira a ela que dê o telefone do Posto ao amigo e encoraje-o a ligar. O
importante é que possamos ser úteis a ambos, de acordo com a necessidade de cada um.
"Devemos saber ouvir além do que a outra pessoa nos diz”.(Maria Helena)
d.Encaminhando alguém
- Pode acontecer de advogados, policiais, psicólogos, psiquiatras etc encaminharem
pessoas para o Posto. Esses chamados são atendidos de modo um pouco diferente. O
intermediário não está necessariamente preocupado com um amigo. Ele está procurando
ajuda para um cliente, conhecido ou atendido. Não se deve descartar o intermediário
informando que os voluntários não se intrometem com pessoas que não procuram sua
ajuda diretamente... isso levaria o intermediário a pensar mal de nossa organização.
PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:27/71
e. Reticenciosas
- Este tipo de ligação exige do voluntário bastante paciência, no sentido de estar realmente
junto da outra pessoa, pois ela vai narrar seus sentimentos de maneira intercalada e sem
pressa. Ocorrerão vários espaços silenciosos, transmitindo provável tensão e dificuldade
de se expor pela qual a pessoa passa naquele momento. Incentivar o desabafo, transmitir
segurança e respeito são as regras.
f. Direto ao assunto
- Ao contrário do caso anterior, este tipo de chamada não tem características silenciosas,
muito pelo contrário. Quando uma pessoa liga e vai direto ao assunto, ela “despeja” seus
sentimentos, dores, raivas, mágoas, vontade de cometer suicídio etc, de maneira, muitas
vezes, agressiva, pois esta é a forma que encontrou de se comunicar e expor seu mundo
íntimo. Quando uma pessoa liga e diz, por exemplo, que vai se matar, não se deve entrar
em pânico. É natural sentir uma certa tensão inicial. No entanto, é importante manter o
controle, falando de maneira calma, porque uma fala agitada levaria a pessoa que ligou a
perder mais ainda o controle.
- Geralmente uma pessoa em crise pensa que alguma ação deve ser executada AGORA. O
papel do facilitador é deixar que as emoções e sentimentos sejam expressados, a fim de
que a própria pessoa possa descobrir suas alternativas de solução.
- A pessoa que liga não está 100% certa de que deveria fazer isso ou aquilo, logo nosso
papel é tentar clarear suas idéias, a fim de que ela possa enxergar por trás do “nevoeiro”
que está encobrindo sua visão. É importante saber que alguém nos leva a sério e escuta o
que temos a dizer, não é?
g. Chamadas mudas
- Quando uma pessoa liga e não diz nada, só fica ouvindo, observando pode indicar:
curiosidade (saber se o trabalho realmente existe) ou estado emocional abalado. O
segundo caso é o que deve nortear o trabalho do facilitador frente a uma ligação muda.
Muitas pessoas ligam para o Samaritanos/CVV e não têm, de imediato, coragem de falar
sobre seus problemas. Às vezes, a tristeza é tão grande que não se encontra coragem
para falar. É como se bastasse saber que há alguém do outro lado da linha apoiando,
compreendendo, respeitando. Uma chamada muda pode vir a ser um apoio ativo, mas
para isso é muito importante o acolhimento do voluntário desde o começo da relação de
ajuda. Nossa responsabilidade é criar condições para criar um clima de segurança para a
pessoa que ligou, transmitindo segurança e amizade através do tom de voz.
- Deve-se considerar a pessoa que ligou como alguém em sério sofrimento.
- É importante, também, observar os ruídos, a respiração, se há ou não música de fundo etc.
Nestes casos, todos os elementos são fundamentais para o acolhimento adequado de
quem ligou para o trabalho. No caso de termos de encerrar a ligação, após algum tempo
de tentativa de comunicação, informar que foi muito importante este contato e convidar a
pessoa a ligar sempre e falar assim que se sentir mais confiante.
h. Trote
- Em princípio para o voluntário do CVV/Samaritanos não existem trotes, porque todas as
chamadas têm valor, no sentido de oportunizar ao outro seu desabafo. Uma pessoa que
liga para “brincar” talvez não conheça o trabalho. Essa é uma ótima oportunidade para
conhecê-lo, afinal um voluntário atento saberá como aproveitar para oferecer a
disponibilidade do nosso trabalho para a pessoa que ligou.
PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:28/71
i. Enganos
- São comuns estes tipos de chamadas. Nestes casos também devemos nos colocar à
disposição para ouvir.
j. Solicitando mensagens e orações
- Uma pessoa triste e amargurada pode ligar para um voluntário solicitando uma oração,
porém este deverá ater-se somente ao sentimento de tristeza e amargura de quem ligou,
atendendo conforme a filosofia do trabalho. Se houver insistência por parte do atendido em
ouvir a mensagem ou oração solicitada, deve-se esclarecer que nosso trabalho não
fornece esse tipo de coisas, mas que poderá juntamente com ele descobrir uma forma de
buscar interiormente uma maneira de oração. Nosso objetivo deve ser estar ao lado da
pessoa. Somente isso. Lembre-se: cada um possui uma crença religiosa. Ela deve ser
respeitada, porém não é objeto do trabalho do CVV/Samaritanos.
l. Como finalizar um atendimento
- A maior parte das pessoas que nos telefonam quer apenas alguém com quem falar, sem
laços ou compromissos. Elas terminam o chamado quando termina o desabafo. O
voluntário pode apenas afirmar que podem ligar sempre que quiserem.
- O voluntário também pode tomar a iniciativa de desligar o telefone.
- Como?
- De uma forma precisa, calma e segura. Avise-o alguns minutos antes: “Eu não quero cortar
seu desabafo, se tiver alguma coisa a dizer...” “Você me contou um bocado e tenho
certeza de que há mais. Vamos interromper por agora? Você pode ligar de novo a
qualquer momento que precisar.” “Tenho que ir agora. Gostei que tivesse ligado.”
- Quando?
a) Quando perceber que a pessoa não para de falar, que desejam “bater papo” mas são
solitárias (não há mal nisso, entretanto, se a conversa ultrapassar mais de 5 minutos com
pessoas que ligam várias vezes por dia, o voluntário deve se questionar “estou
prolongando chamados importantes... será que alguém realmente desesperado não está
tentando ligar para cá?”
b) Quando a pessoa obviamente terminou seu desabafo, não há mais conteúdo emocional e
continua a repetir sua história.
c) Quando vencer o horário de plantão - neste caso, sugere-se perguntar ao atendido se ele
gostaria de continuar conversando com o voluntário que assumirá o próximo plantão ou se
prefere voltar a ligar um outro dia.
Cuidados a serem observados
a) Encorage o outro a chamar novamente, se precisar.
b) Evite adquirir uma “coleção particular”.
c) Não pressione a pessoa e nem as afaste do telefone antes de tê-la ouvido.
d) Se ficar com a sensação de “tarefa inacabada”: lembre-se de que não devemos esperar
que o telefonema termine com os problemas e tudo seja maravilhoso a partir de então. O
importante é dar o melhor de si, estando realmente disponível.
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42. PARTE PRÁTICA
a. Aquecimento para o role-playing
Cada um apresentará um caso para o colega da sua direita e este responderá simplesmente
com uma palavra que expresse o sentimento.
b. Treinamentos
1. Como funciona o trabalho do CVV/Samaritanos?
2. O que se deve fazer para ser um voluntário?
3. Eu tenho um amigo que está com problemas sérios. Está pensando em se matar. Você
poderia mandar alguém para falar com ele? Eu posso te fornecer o endereço.
4. Por favor, você conhece alguém que possa ajudar meu filho? Ele está usando drogas.
5. Acho que vou morrer. Por favor, você poderia rezar por mim...
6. Eu já contei o meu caso três vezes. Agora gostaria de saber o que você acha que eu devo
fazer. Pelo amor de Deus, faço o quê?
7. Estou percebendo que vocês só ficam em cima do muro. Para que vocês servem se não
dão conselhos?
8. Você acha que eu deveria me separar de minha mulher?
9. Estou tão deprimido. Gostaria que você me dissesse alguma coisa que me animasse. Você
conhece alguma mensagem ou poderia me sugerir o título de um livro?
10. Já decidi. Vou me matar. Caso contrário mato aquela desgraçada...
11. Este país não tem jeito mesmo, você não acha?
12. Que marca de shampoo você usa? Meu cabelo está horrível. Seu cabelo é comprido
como o meu?
13. Chamada totalmente muda.
14. Você trabalha com roupa? ... Então você trabalha pelada?
15. Desculpe, foi engano...
16.Você pode me dar uma informação? Quando será o próximo curso?
17.Já conversamos bastante. Acho que mais de 30 minutos. Falei muito das novelas, das
minhas amigas. Não sei se aborreci você. Queria falar mais um pouco sobre minhas
experiências de ontem. Posso?
18. Meu pai está aqui do lado. Já que você trabalha aí, peça a ele que me deixe ir à festa...
19. Ligação muda que com o passar do tempo se transforma num choro convulsivo.
43. DESPEDIDA
Perguntar a todos se há alguma dúvida. Relembrar o dia e o horário do próximo estágio.
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TEMA 7 CICLO DA VIDA, VIDA PLENA
44. ABERTURA
Ler o texto "Cliclo da vida".
O monitor deverá criar um clima agradável de entrosamento entre todos os presentes, colocando
uma música suave, pedindo a todos que fechem os olhos por alguns instantes e ouçam
atentamente as notas musicais como se todos estivessem presentes “dentro” da música. Cada
um escolhe o instrumento que quiser ser e sente-se o próprio.
Após esta dinâmica de relaxamento, permitir que todos, brevemente, fale como passou a última
semana e esclareça quaisquer dúvidas referentes ao encontro anterior.
45. CICLO DA VIDA
Via de regra, o homem nega a experiência do sentimento, classificando-a como sinônimo de
fraqueza e vergonha, rejeitando, assim, a possibilidade do autoconhecimento, e sem se
conhecer torna-se impossível a auto-aceitação.
O refrão popular “homem não chora” exprime bem essa realidade do mundo moderno.
Colocando barreiras diante da experiência do sentimento, reprimindo-o, não se permitindo sentir
o que está sentindo, dificulta o seu caminhar em direção ao autoconhecimento. Por não se
conhecer, não se aceita, e, de forma consciente ou inconsciente, faz uso das máscaras,
dispendendo considerável soma de energia para manter uma aparência.
Uma pessoa que passa por experiência frustrante e se nega a sentir a sua frustração mantendo
a aparência do indivíduo bem-sucedido, desvia energias preciosas de sua vida diária para
sustentar a máscara sobre a face. Num momento em que aceita a sua frustração, permitindo-se
experimentá-la e vivê-la, chega mais perto de si mesmo, caminha para a autenticidade, e, em se
aceitando, remove as máscaras para ser quem realmente ele é. É nesse momento que coloca
toda a energia até então desviada para uma finalidade nobre: a libertação de idéias criativas.
Os ciclos da vida
O monitor deve perguntar aos estagiários quais são os ciclos que eles conhecem e que fazem
parte da natureza. Eles dirão: estações do ano, ciclo menstrual, a gravidez, o ciclo das águas,
nascer - viver - morrer, ciclo da alimentação etc.
A seguir, deve ser feita a seguinte pergunta:
- O ato de viver as nossas experiências obedeceria também a um ciclo natural?
Para a Dra. Esther de Moraes, o ciclo da vida se processa segundo uma seqüência harmônica,
que seria a seguinte:
sentimento  pensamento  ação
Mas, é isso mesmo o que ocorre na prática? Qual é a primeira reação que temos ao nos deparar
com um problema?
Rotineiramente, quando nos defrontamos com um problema, a primeira colocação, quase que
imediata, é partirmos para a ação, a fim de neutralizá-lo. Não raro nos negamos até a pensar
sobre o assunto. Somente após várias tentativas infrutíferas é que nos reservamos o direito de
parar para pensar, e, na maioria das vezes, nem sequer chegamos a viver o sentimento
envolvido. Agindo assim, estaremos percorrendo o ciclo da vida em sentido contrário, ou
estaremos provocando atropelamentos.
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Dentro dessa ótica, qual seria a maneira mais saudável de cada um encarar os próprios
problemas?
Talvez a princípio seria bom parar e perguntar para nós mesmos:
- O que estou sentindo a respeito?
- O que penso a respeito? Por que estou passando por isso?
- O que vou fazer a respeito?
O CVV/Samaritanos e o Ciclo da Vida
Uma das características que estão presentes na maior parte das pessoas em crise que ligam
para o trabalho é o relato confuso de sua própria experiência. A principal causa dessa confusão
geralmente se prende ao fato dessas pessoas não saberem expressar seus sentimentos de
maneira direta. Quase sempre elas recusam a sentir, buscando solução imediata para seus
problemas.
O papel do voluntário é, portanto, reordenar junto com a pessoa o ciclo da vida, buscando para
isso o seu ponto de partida que é o sentimento. Uma vez alcançado o sentimento, a pessoa,
com seus próprios recursos, se encaminhará para o pensamento e em seguida para a ação, de
forma natural.
O monitor poderá retomar rapidamente o exemplo do primeiro estágio: -
o Triângulo das Bermudas - a fim de clarear ainda mais a relação entre a Pessoa (sentimento)
e o Ciclo da Vida mostrado neste terceiro estágio. A sugestão é que isto seja feito na lousa ou
cartaz.
46. VIDA PLENA
Antes de falar sobre o tema, ler o texto ilustrativo: "História do caminho" ou "As pessoas são
dádivas".
Aqui o monitor deverá expor um pouco do que sabe sobre o exercício de Vida Plena que nos
comprometemos a fazer mensalmente em nossas reuniões de grupo. Assim como nos
preparamos e treinamos o role-playing, a fim de aperfeiçoar nosso atendimento para a outra
pessoa, também devemos exercitar a Vida Plena, a fim de nos encontrarmos e buscarmos a
harmonia necessária para ouvir o outro que nos procura.
Viver plenamente é buscar ser aberto às experiências, reconhecendo que os fatos são sempre
amigos, inclusive os “fatos negativos”, pois eles nos ensinam, embora possam parecer
desagradáveis.
O fracasso é mais valioso do que o sucesso, porque nos obriga a revisões e correções.
Ao reconhecer os fatos como amigos e dar valor à experiência, saímos para a rua de “peito
aberto”, prontos para viver.
Começamos, então, a aceitar a vida como ela é, deixando-nos conduzir pelo seu curso natural.
Devemos nos preocupar somente com o que pode ser mudado.
Desarmados de defesas, identificaremos a beleza que existe nas pessoas, as quais passaremos
a olhar livremente, sem rótulos ou máscaras.
A partir de 1984, o CVV/Samaritanos começou a vivenciar este exercício, entitulado “Vida
Plena”. Este exercício não deve ser encarado como uma conversa informal e nem interpretação
de textos. O objetivo deve ser arrancar aos poucos as nossas máscaras e, para isso, devemos
tocar em temas que digam respeito a vícios ou imperfeições: medo, ciúme, raiva, impaciência,
preconceito de todas as ordens, tais como: religioso, sexual, racial, econômico, cultural etc.
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O exercício proporcionará a nossa própria descoberta e, além disso, o que nosso companheiro
disser também despertará em nós um sentimento diferente do nosso, o que poderá nos auxiliar
na descoberta de nosso eu mais profundo.
Para participar do exercício de Vida Plena é necessário:
- Respeito absoluto pelo sentimento do companheiro.
- Nunca filosofar.
- Ouvir atenciosamente.
- Não interromper (salvo os monopolizadores).
- Falar somente de seus sentimentos, nunca o que você acha.
- Não aconselhar o outro que acabou de falar ou citar o que ele disse.
- Nunca se colocar no lugar do outro.
- Não prejulgar.
- Se não entender o que o companheiro quis dizer, calar-se, porque ele sabe o que quis dizer.
- Ser você mesmo, pois o objetivo da reunião é você mesmo.
- De preferência, não olhar para os companheiros a sua volta.
- Procurar voltar-se para dentro de si mesmo.
A descoberta de nossas máscaras até então escondidas é apenas o início de sua extirpação.
Uma luta surgirá dentro de nós, pois elas estão tão arraigadas que tentaremos sempre justificar
nossos comportamentos.
Não devemos desanimar, pois com persistência obteremos a vitória.
Será um trabalho doloroso, mas valerá a pena, pois a dor maior seria a covardia e o medo de
arrancar todas as nossas máscaras e mirar-nos no espelho.
47. EXERCÍCIO - CURTOGRAMA
Para iniciar a abordagem de sentimentos e percepções íntimas, iniciar com o exercício do
"curtograma" onde cada participante, inclusive o monitor, receberá uma página com quatro
quadrantes:
Agora o monitor poderá exercitar a Vida Plena com o grupo presente. Todos já sabem como ele
deve funcionar. O tema escolhido para o exercício poderá ser sugerido pelos próprios
estagiários. Para isso, o melhor seria entregar um pedaço de papel a cada um, a fim de que
escrevam sobre o que gostariam de tratar nesta primeira experiência. Recolher os papéis e
sortear apenas um é uma boa prática. Porém, confia-se no bom senso do monitor, no sentido de
criar seu próprio método de aplicação do exercício.
5. Sigilo
Após o intervalo para o café, a sugestão é que seja lido um texto que fale sobre “sigilo” -
"História das penas". É interessante que todos os estagiários possam falar sobre o que
entenderam do texto ou sobre a importância que atribuem ao sigilo no trabalho do
CVV/Samaritanos.
O fato de uma pessoa ter procurado ajuda é sigiloso dentro da organização. Nenhuma
informação é revelada a qualquer pessoa fora do Posto sem a permissão de quem relatou. As
informações não vão além dos voluntários diretamente envolvidos no trabalho de ajuda. No
entanto, nenhum voluntário tem permissão de aceitar uma confidência se for imposta a condição
de que não poderá comunicá-la nem mesmo ao Coordenador, se necessário.
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Os voluntários do CVV/Samaritanos são conhecidos pelo nome. Sobrenomes, endereços,
números de telefone não poderão ser fornecidos às pessoas de fora em caso algum.
Informações pessoais sobre outros voluntários não podem ser compartilhadas com as pessoas
atendidas.
Antes de começar a trabalhar no Posto, cada voluntário assume compromisso de seguir as
regras de confidencialidade, tanto durante o seu tempo de serviço ativo na organização como
depois.
Nenhuma anotação escrita pode ser levada para fora do Posto. As pessoas que nos procuram
não devem ver ou ouvir outras pessoas ajudadas no Posto. Por isso, somente os voluntários têm
acesso aos aposentos contendo avisos, instruções, arquivos e telefones de emergência.
Todos os assuntos com a imprensa, advogados, policiais e outras agências devem ser
encaminhados ao voluntário responsável.
Não há proteção legal para qualquer voluntário em relação à confidencialidade, porém, até hoje
nenhum voluntário foi contestado em tribunais, muito pelo contrário. Ler o texto "O sigilo no
CVV".
48. TREINAMENTO
1) Você está escrevendo isto tudo que estou dizendo?
2) Eu quero contar uma coisa, mas você deve prometer que não contará nada do que eu
disser a ninguém, nunca. Posso confiar em você?
3) Moço, eu atropelei uma criança e não parei...
4) Por favor, você poderia me informar como está aquele meu paciente que encaminhei para
você ontem?
5) Alô, eu estou internada no hospital e gostaria muito de receber uma visita de alguém dos
Samaritanos para conversar. É possível?
6) Por favor, você poderia me fornecer o telefone do voluntário ..........?
7) Olá, eu sou a Maria. Falo sempre com você. Estou de mudança de cidade e gostaria de
levar seu endereço para continuar me comunicando com você. Pode me dar?
8) Por favor, eu gostaria de falar com um voluntário homossexual. Aí existe algum?
9) Eu sou repórter do Jornal da Manhã e gostaria que você me desse algumas informações
para um artigo que colocarei no jornal de amanhã. Poderia fornecer alguns dados?
10) Minha filha fugiu de casa e antes disso ouvi quando ela ligou aí para o CVV. Por favor,
estou desesperado. Conte-me para onde ela foi.
11) Por acaso um homem chamado Paulo ligou para vocês ontem?
12) Sei o quanto a voluntária.............. foi útil à minha amiga Bete. Ela é enfermeira. Gostaria
muito de falar com ela também. Quando é o seu plantão? Será que ela me ajuda a
escolher um bom remédio para mim?
49. RESUMO - AUTO COMPREENSÃO
O processo de compreensão da pessoa como "um todo" inicia através do triângulo das
bermudas onde já diferenciamos a pessoa dos problemas e de sua vida social, depois partimos
para explorar a pessoa em seus três aspectos:
parte física - responsável pela ação;
parte emocional - responsável pelos sentimentos;
parte mental - responsável pelos pensamentos.
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Pelo fato da pessoa não estar congruente consigo própria, ou seja, não estar sentindo,
pensando e agindo de forma coerente ela está se enganando, formando máscaras para
dissimular sua incoerência íntima.
Ex. A pessoa detesta sua mãe, porém ela aprendeu que a mãe é santa e deve amá-la e
demonstrar que a ama. Imagina o conflito interno quando ela vê as atitudes da mãe que
ela tem que engolir sem poder falar nada!
Quando a pessoa passa a identificar claramente o que ela sente a respeito de tal fato e o que ela
pensa, sua atitude começa a ser mais autêntica e espontânea, não mais forjada e forçada.
A Vida Plena entra nesse processo para ajudar a pessoa a ter contato consigo mesma,
identificando o que sente e pensa a respeito de muitas coisas que estão escondidas em nosso
subconsciente.
Existe uma imagem dos Hindus que retrata bem a pessoa. É simbolizada por uma carruagem
onde o corpo físico é representado pela carroça em si, o emocional pelo cavalo e o mental pelo
cocheiro, sendo o passageiro a alma, o espírito, o ser em si mesmo que independe do veículo de
transporte.
Quando o cocheiro larga as rédeas e o cavalo das emoções segue seus impulsos
desordenadamente, a carruagem vai para o brejo. Quando o cocheiro puxa muito firme e
fortemente as rédeas, as emoções se entravam e o cavalo empaca. Enfim, quando o cocheiro,
seguindo as ordens do passageiro, conduz com precisão, domínio e muita atenção o cavalo, a
carruagem atinge seu destino sem tropeços, em uma viagem harmoniosa e congruente. Os três
estavam querendo ir à mesma direção.
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TEMA 8 PERDAS E ABALOS SITUACIONAIS
50. MEDITAÇÃO
Como sempre, é bom iniciar o estágio lendo um texto que permita encontrar um clima de
harmonia interior. Ler o texto: "Eu sei, mas não devia".
A seguir, permitir a todos que falem como foi a semana e eliminar possíveis dúvidas sobre o
estágio anterior.
51. PREPARAÇÃO
Pedir a cada um dos participantes que respondam às questões abaixo em forma de Vida Plena:
- Você já sofreu alguma perda?
- Como se sentiu diante dela?
Permitir que todos extravasem seus sentimentos através de desabafos íntimos. Observar se
algum participante precisará de apoio após este exercício. Caso haja essa necessidade, solicitar
a um voluntário colaborador que acompanhe o estagiário a um local apropriado para conversar.
52. ABALOS SITUACIONAIS
Todos nós podemos viver a experiência de perder algo ou alguém que nos era caro. Estas
situações são as que mais trazem solidão e desespero. Muitas pessoas ligam para o trabalho do
CVV/Samaritanos por motivos de perda. A princípio, nestas situações, a pessoa encontra-se tão
desorientada que sequer consegue vislumbrar uma pequenina luz para sair do sofrimento. A dor
da perda é muito grande e às vezes pode levar ao suicídio.
Existem vários tipos de perda. No entanto, não podemos determinar qual é maior ou menor. De
acordo com o nosso ponto de vista, uma situação que está causando uma grande dor em
alguém pode nos parecer uma bobagem, porém para a pessoa que a está sentindo a verdade
não é esta. Não há como medir a dor. Não há como compará-la dizendo que uma é maior do
que a outra. Quando lidamos com sentimentos, devemos ter a sensibilidade de nos colocar no
lugar do outro para perceber o que aquela determinada perda pode estar significando.
A dor de uma criança que perde o seu peixinho de estimação pode ser tão profunda quanto a
dor de uma mãe que perdeu o filho. Não há o que contestar. O universo íntimo de cada um pode
se abalar por coisas das mais infinitas. Não cabe a nós, voluntários, julgar se este é ou não um
problema sério. Nosso papel deve ser estar ao lado daquele que nos liga. Ampará-lo em seu
momento de desespero. Ser um amigo provisório.
Tipos de perdas:
- de pessoas (parentes e amigos);
- de animais (estimação);
- de objetos de valor sentimental;
- de recursos de apoio (proventos, saúde etc.);
- de segurança (emprego, rotina estável, status, lazer etc);
- de ilusões (beleza, juventude).
Os motivos das perdas são muitos, dentre eles: morte, suicídio, casamento, separação,
serviço, desemprego, saída da casa dos pais, formatura, perda de colegas no convívio diário,
doença física ou mental, desavenças etc.
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Conseqüências e reações:
As pessoas reagem em conseqüência das perdas de maneiras bem diferentes, próprias de cada
pessoa. Elas poderão ser levadas por sentimentos negativos e hostis, tais como: medo,
desespero, mágoa, culpa, revolta etc. Algumas pessoas tentam se defender contra o sentimento,
controlando-se ao máximo diante da morte do outro, por exemplo. Essas pessoas sofrem muito
mais nos meses que se seguem, pois não puderam exteriorizar toda a dor que envolvia o
momento da perda. Portanto, essa atitude de defesa não parece ser nada satisfatória. Se a
pessoa não sentir apoio, ela poderá sofrer falta de interesse pela vida.
Como poderemos ajudar neste momento de aflição?
A coisa mais importante a fazer é deixar que o indivíduo fale sobre suas memórias em relação
ao ente querido até esgotá-las. Cabe ao voluntário respeitar a vontade do atendido em falar,
falar, falar... O papel do facilitador é permitir ao outro escoar toda a dor, a fim de que ela não
cause um mal maior no futuro.
A idade das pessoas também pode determinar alguns tipos de perdas específicos. Vamos
analisar alguns casos:
a. Crianças
O sofrimento decorrente da perda de animais de estimação é bastante intenso nessa fase. Além
disso, a criança pode também sentir solidão por causa de problemas enfrentados no lar, tais
como: separação dos pais, maus tratos, falta de amor, sentimento de inutilidade, desmotivação
nos estudos, ciúme dos irmãos, falta de diálogo com os pais etc. Para tratar com crianças, o
voluntário deverá ter um pouco mais de tato e carinho, pois todos nós sabemos que esta é uma
fase que exige de nós muita atenção. No entanto, o facilitador deverá seguir as regras do
trabalho de não aconselhar, não alimentar fantasias não iludir. A criança é um ser humano como
outro qualquer e merece ser tratada como tal.
b. Adolescentes
Geralmente os adolescentes relatam seus sofrimentos em meio a risadas e brincadeiras, o que
deve ser tomado como uma maneira de mascarar a timidez, pois para eles é muito difícil
comunicar os sentimentos e as preocupações.
Os problemas mais comuns neste caso são: acharem que não são entendidos pelos pais; medo
de contar aos pais que deixaram de freqüentar a escola para irem a outros lugares ou de
comunicar as notas que conseguiram no final do bimestre; brigas familiares constantes ou
iminente separação dos pais; dúvidas relacionadas ao sexo; envolvimento com drogas ou más
companhias etc.
O voluntário deve observar tudo o que eles falam. Isso é muito importante. O adolescente sente-
se incompreendido por natureza e se o facilitador demonstrar antipatia pelas suas colocações ou
demonstrar por algum motivo não compreender suas atitudes a relação de ajuda será
obviamente encerrada.
c. Pessoas idosas
O índice de suicídios entre pessoas idosas é bastante elevado. Os motivos que podem levar
essas pessoas a procurarem o trabalho dos Samaritanos não são muito diferentes dos já
citados: solidão, perdas de recursos ou de apoio etc. A comunicação, por exemplo, pode ser
prejudicada pela perda total ou parcial da audição, pela vagarosidade da dicção, por confusões
na memória. Os maiores problemas ocorrem com idosos que vivem em entidades para idosos. O
sentimento de rejeição é bastante grande e prejudicial.
53. INTERVALO
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54. TREINAMENTO
1) Eu estava indo atrasado para a escola, quando bati minha moto e perdi minha perna...
2) Eu perdi meu filho de um mês, há duas semanas atrás... ele era tão lindo...
3) Você me acha tola por me deprimir assim com a morte de meu cachorrinho?
4) Cheguei do hospital agora e não há mais dúvidas. Estou com câncer...
5) Eu perdi meu emprego. Quinze anos de minha vida...
6) Hoje fui receber a minha pensão de aposentado e mal deu para eu comprar os remédios
de minha esposa...
7) Estou me arrumando para ir à missa de um mês de falecimento de meu marido...
8) Será que passarinho tem alma, tia? O meu morreu e não queria que papai o enterrasse.
9) Meu namorado me deixou e ontem descobri que foi por causa de minha melhor amiga...
10) Tenho 16 anos. Se eu abortar e meu pai descobrir ele me mata. Mas acho que ele vai me
matar de qualquer jeito...
11) Perdi tudo, minha liberdade, minhas amigas, tudo. Este meu casamento foi o que de pior
eu poderia ter feito...
12) Moro aqui neste asilo... Tenho dois filhos casados...
55. DESPEDIDA
Permitir a todos os participantes que falem sobre a experiência vivida neste estágio, a fim de
encerrar as atividades.
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TEMA 9 AJUDA EM TEMÁTICA ERÓTICA E SEXUAL
56. HARMONIZAÇÃO
O estágio de hoje será um pouco tenso por parte de alguns participantes, pois o tema a ser
discutido geralmente traz um pouco de vergonha ou tabus a serem vencidos. Por este motivo, a
sugestão é que seja colocada uma música suave na abertura do encontro e que o monitor leia o
texto da Marta Suplicy que fale sobre valores.
Logo após, permitir que todos, como é de costume, fale sobre a semana passada e possa
esclarecer possíveis dúvidas sobre o quarto estágio.
57. AJUDA COM TEMÁTICA SEXUAL
O comportamento sexual é sempre algo muito variado quando se trata de indivíduos, sexos e
idades diferentes. Essas variações podem ser mal compreendidas ou não aceitas pelos demais,
provocando sofrimento, culpa, humilhação, fracasso e outros sentimentos negativos. Muitos
casos são complicadíssimos para serem tratados, pois a educação recebida, a orientação
religiosa, a cobrança da sociedade podem influenciar sobremaneira no comportamento das
pessoas.
Veremos muitos casos de homossexualismo, masturbação, sexo, gravidez antes do casamento,
aborto, promiscuidade, sadismo, masoquismo, fetichismo, travestismo, exibicionismo etc.
Perceba que pode ser muito difícil para a outra pessoa falar sobre seus problemas e temores
mais íntimos. Por isso, qualquer atitude de nossa parte de condenação, julgamento ou choque
pode barrar a relação de ajuda, porque a pessoa que ligou pode se sentir novamente sozinha e
incompreendida, como tantas vezes já aconteceu lá fora em sua vida diária. O voluntário deve
estar completamente voltado para o sentimento da pessoa que ligou. Deve ter bem dentro de si
a segurança de estar lidando com uma pessoa que sofre. Para o voluntário, como já vimos em
nosso primeiro estágio, não deve se fixar no problema e sim na pessoa que ligou.
É muito importante lembrar que aqueles que se consideram ou realmente são pessoas com
desvios sexuais são freqüentemente muito solitárias e se sentem monstruosas.
No entanto, algumas chamadas podem trazer mal-estar ao voluntário em razão de suas
características eróticas, obscenas e agressivas. Neste caso, o voluntário deverá verificar dentro
de si se há ou não conteúdo emocional na ligação e, caso a resposta seja negativa, deverá
encerrar o atendimento, porque devemos manter nosso equilíbrio e o objetivo do trabalho que
não é satisfazer sexualmente, de forma nenhuma, em nenhum caso, sob nenhuma hipótese.
Para isso, é importante treinar.
As chamadas com temática sexual podem ser classificadas em:
58. CHAMADAS OBSCENAS OU PORNOGRÁFICAS (HÁBITO):
Nas quais a pessoa se utiliza normalmente dos chamados “palavrões” na sua linguagem diária.
Nestes casos, a pessoa fala o que está sentido, sem intenção de chocar ou agredir o voluntário.
Este é simplesmente o seu jeito natural de ser. A pessoa realmente quer falar sobre os seus
sentimentos, porém o modo como encontra para demonstrá-los nem sempre é o mais adequado,
mas não nos cabe julgar ou condenar. O papel do facilitador é permitir que o fluxo do desabafo
ocorra naturalmente.
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59. CHAMADAS OBSCENAS OU PORNOGRÁFICAS (AGRESSÃO):
Ao contrário do caso anterior, aqui o atendido quer, através de sua linguagem “vulgar” agredir o
voluntário. Nestas situações é necessário muito tato para conduzir a relação de ajuda, pois na
realidade a pessoa não quer ofender ao atendente, mas esta é a maneira como ele consegue
expressar seus sentimentos. O facilitador deve manter uma atitude de aceitação,
compreendendo tratar-se de um desabafo.
60. CHAMADAS ERÓTICAS:
Vamos citar aqui alguns tipos de chamadas eróticas que podem ocorrer:
exibicionismo: consiste na exposição compulsiva dos órgãos sexuais, sob condições inapropriadas. A
pessoatem necessidadedeprovocar excitaçãoegratificaçãosexualemsipróprioaofalar ou
mostrar seu órgão. Alguns estudiosos acreditam que as causas desta expressão sexual
sejam devidas à imaturidade emocional e à insegurança a respeito de sua masculinidade.
Outrosacreditamqueahostilidadeearaivasejamaraizdoproblema.
fetichismo: consiste na obtenção de excitação sexual através de um objeto inanimado. O
objeto de fetiche é comumente usado durante a masturbação, por exemplo:
sapato, calcinha, ligas etc. O fetichista transfere a angústia e os sentimentos de
culpa que associa à atividade sexual, deslocando seu interesse erótico para um
objeto que o simbolize. Alguns estudiosos acreditam que o fetichismo se deva
a experiências na primeira infância, em que objetos foram associados com uma
particular e poderosa forma de excitação por prazer sexual.
travestismo: significa a obtenção do prazer sexual através do uso de roupas de outro sexo.
Quase todos os travestis são homens heterossexuais, que sentem necessidade
de usar roupa de mulher para obter gratificação sexual e não querem mudar de
sexo.
pedofilia: variante sexual em que o indivíduo adulto sente desejo erótico compulsivo, de
natureza homossexual ou heterossexual por crianças ou pré-adolescentes.
Segundo alguns pesquisadores, a maioria dos contatos pedofílicos é realizada
por adultos tímidos que se sentem incapazes de encontrar satisfação sexual
com mulheres (a grande maioria é composta de homens).
transexualismo: o transexual sente um desejo compulsivo de mudar de sexo. Julga-se vítima
de um erro biológico e procura alterar sua aparência para que seu corpo
corresponda à identidade emocional e psicológica que experimenta.
sedutoras: nestes casos o atendido tenta envolver o voluntário em seu desejo e fantasia
sexual, exigindo de forma velada ou declarada a sua participação. Ele deixa
bem claro que precisa do voluntário para conseguir seu intento de masturbar-
se, ouvindo a sua voz, a sua respiração, a sua cumplicidade. Também nestes
casos, o papel do facilitador será tentar descobrir quais são os sentimentos
embutidos por traz das aparências que se encontram rodeando aquele ser. A
pessoa pode estar vivendo um momento de profunda solidão ou sentindo
impotência em conquistar um parceiro para suas relações sexuais. Pode,
ainda, ser uma pessoa tímida demais que sofre com as frustrações
relacionadas ao seu fracasso no desempenho sexual. Sabemos que o
sentimento pode estar ali, por isso é imprescindível tentar descobri-lo.
Muitas vezes, uma chamada erótica pode vir a tornar-se uma relação de ajuda lotada de
sentimentos fortes e sufocados por muito tempo. Isso pode ser gratificante para ambas as
partes. No entanto, se o voluntário tentar tatear algum sentimento importante para continuar com
o diálogo, sem obter resultado satisfatório, tem todo o direito e até dever em encerrar a ligação,
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uma vez que não é nosso papel servir de objeto de prazer e masturbação para quem quer que
seja. O CVV/Samaritanos mantém um trabalho digno de estar ao lado de quem precisa, de quem
sofre e de quem tem vontade de crescer através do desabafo. Por este motivo, respeita e
compreende a dor do outro, mas exige este mesmo respeito por parte de quem procura o
trabalho.
Enfim, sempre que conseguirmos centrar o diálogo na pessoa e não no problema sexual,
desencadeia-se uma conversa de profundo conteúdo emocional, que se distanciará da
agressividade ou da obscenidade. Nunca é demais lembrar que aceitar a obscenidade e a
pessoa obscena não significa concordar com ela. Representa somente a nossa coragem em
admitir a existência do fato, não fugindo ou negando.
61. AJUDA EM SITUAÇÕES DE AGRESSIVIDADE
Para começar a discutir este tema, sugerimos a leitura do texto "Raiva"
Após a leitura, o monitor deverá perguntar aos participantes e pedir que eles respondam
somente SIM ou NÃO.
- Você já foi maltratado alguma vez?
- Isso ainda dói ao ser lembrado?
- Suportaria viver essa situação novamente?
- Você já maltratou alguém?
Agredir significa: ofender, assaltar, atacar.
As chamadas agressivas podem ser classificadas em:
a) ameaças diretas:
Quando a outra pessoa, não vendo satisfeitas as suas vontades ou imposições, agride
verbalmente de diversas formas. Pode, inclusive, ameaçar agredir o voluntário fisicamente.
b) ameaças indiretas:
Ocorrem quando a pessoa que ligou não se sente satisfeita com o atendimento e diz que
pretende se matar ou matar alguém.
Nos dois casos, se o voluntário se concentrar em perceber os sentimentos ali envolvidos,
estando junto da pessoa atendida, trabalhando seu conteúdo emocional, a relação de ajuda será
satisfatória.
Quando estes casos ocorrem em atendimentos pessoais, a nossa experiência comprova que a
grande maioria dos atendidos estão sob efeito de drogas, podendo até quebrar coisas, bater
portas, ou tentar agredir o voluntário. O importante é estar atento, pois se todos os recursos a
fim de conseguir uma entrevista natural forem esgotados, deve-se chamar a polícia, pedindo que
haja discrição e ajuda para o atendido.
A polícia atende prontamente aos chamados de nosso trabalho.
62. AJUDA EM SITUAÇÕES DRÁSTICAS
A palavra drástica significa: enérgica, decisiva.
Estes casos devem ser levados a sério pelo voluntário, pois muitas vezes a outra pessoa pode
ligar para o Posto, dizendo que tomou muitos comprimidos para cometer suicídio e que estão
arrependidas. Pedem nosso socorro. Sendo assim, solicitamos seu endereço e ligamos para a
polícia ou para uma ambulância e explicamos que somos voluntários e que precisamos de
socorro para um atendido. É importante, nestas situações, não ficarmos questionando se é ou
PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:41/71
não verdade, se é ou não um caso de trote. Pelo sim e pelo não, estamos lidando com vidas
humanas e não devemos arriscar perdê-las, afinal, nosso trabalho é de valorização da vida.
Por outro lado, existem chamadas drásticas de pessoas que realmente atentaram contra sua
vida, querem morrer, mas ligam para o Posto, pois querem companhia para seus últimos
instantes de vida. Nestes casos, elas não pedem socorro, só querem companhia. Cabe aqui a
nossa total atenção e carinho para com esta pessoa que sofre demais e precisa de nosso apoio.
A decisão é de quem ligou, mas nós nos propomos a estar ao lado, independentemente da
situação.
63. INTERVALO
64. TREINAMENTOS
1) Oi. Tudo bem? Você é bicha? É? Pensa bem, só porque eu sou "gay" eles pensam que eu
tenho aids.
2) Ah! Que voz macia você tem... Fale comigo, por favor... ai, que delícia de voz... imagino
como você deve ser fisicamente...
3) Sabia que iria acabar te encontrando aí. Não consigo esquecer do seu jeitinho carinhoso e
estou com vontade de passar aí para sair com você. Lembra do Motel que fomos juntos?
4) Olha, eu não estou conseguindo chegar ao orgasmo sozinho... fale comigo...
5) Aí, estou me sentindo tão sozinha hoje. Ainda bem que estou falando com você, pois além
de ser homem, parece que você é muito bonito. Como você é? Sei que você vai me
adorar, porque todos os homens adoram me beijar e sei que você não será diferente.
6) Sabe, moça, eu tenho um pinto grande e todas as mulheres com quem eu saí dizem que
ele é uma delícia de ser chupado. Eu não sei... às vezes me sinto triste, pois parece que
elas só dão importância para ele...
7) Sabe, eu só consigo me masturbar se tiver uma calcinha dela comigo. Isso é normal?
8) Cara, estou desesperado. De uns tempos pra cá só penso no meu chefe, no corpo dele, no
perfume dele. Cara, eu sou casado... e não sinto mais desejo pela minha esposa. O que eu
faço? Tenho vontade de me declarar para o meu chefe... tenho certeza de que ele também
quer...
9) Sabe, eu adoro me imaginar “transando" com uma menina de uns dez anos, no máximo...
será que isso é normal?
10) Acho que você não está me entendendo, porra! Você é uma vaca. Presta atenção. Eu
estou com uma puta raiva do meu marido. Ele é um filho da puta. Entendeu, sua vaca?
Será que agora deu para entender?
11) Oi, o que você está fazendo aí? Não tem nada para fazer em casa não? Eu não entendo
o que vocês ficam fazendo aí. Deve ser uma putaria só, né? Acho que vocês todas vão aí
atrás de macho. Mulher é tudo assim mesmo...
12) Estou cansado de ligar aí, vocês só ficam ouvindo e não falam nada. Por que não fecham
esta porcaria?
13) Moço, estou ligando aí porque tomei vinte comprimidos e estou morrendo. Eu não quero
morrer... meu telefone é... meu endereço é... Venha depressa, por favor...
14) Eu trouxe este amigo aqui porque ele quer se matar. Pelo amor de Deus, fale com ele...
15) Estou ligando para dizer que já decidi, vou morrer esta noite. Já esta tudo preparado.
16) Por favor, fala que me ama... só uma vez... queria tanto ser amado... fala, vai...
PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:42/71
65. DESPEDIDAS
O estágio de hoje tem características fortes e pode deixar o clima meio tenso após o
treinamento, por isso seria bom que o monitor permitisse que, por alguns instantes, os
estagiários se colocassem, no sentido de falar sobre o que acharam da experiência de ter
mexido em todos estes assuntos. É bom sempre esclarecer que a função do voluntário é estar
disponível incondicionalmente e, para tanto, o treinamento prepara o indivíduo para que esteja
preparado para todas as situações que aparecerem.
Assim que todos tenham se colocado, pode-se encerrar a reunião com a leitura do texto "Raiva"
de Robin Casarjian.
PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:43/71
TEMA 10 AJUDA NA AGRESSIVIDADE E NA DROGADEPENDÊNCIA
66. ABERTURA
O monitor poderá colocar uma música calma e fazer um relaxamento juntamente com todos os
participantes, a fim de buscar uma harmonização adequada ao início deste estágio.
A seguir, possibilitar a todos que falem sobre como passaram a última semana e se têm alguma
coisa a dizer ou a perguntar sobre o quinto estágio.
67. DISTÚRBIOS DE PERSONALIDADE
O estudo a seguir é um resumo de textos escritos pelo voluntário Allan - Ribeirão Preto, uma vez
que somos leigos no assunto. Desde já, o monitor deve deixar claro aos estagiários que o
trabalho do voluntário não deve ser tentar “curar” os possíveis distúrbios de personalidade que
possam acontecer em seus atendimentos, pois nosso trabalho é diretamente ligado ao
sentimento e tão somente ao sentimento. Casos graves de sociopatia ou psicopatia não cabem a
nós tentar resolver. Estaremos ao lado da pessoa, porém devemos perceber até onde podemos
ir ou parar.
“Os problemas de comportamento classificados como distúrbios de personalidade são muito
heterogêneos, variando em intensidade desde as esquisitices moderadamente perturbadoras:
timidez, supersensibilidade, retraimento, excentricidade ou bloqueio de relações interpessoais -
até problemas de comportamento que refletem um padrão duradouro de conflito com a
sociedade.
O comportamento decorrente desses distúrbios, embora aparentemente dirigidos contra o
mundo exterior, sempre traz dissabores a eles próprios. Agitadores e perigosos que podem ser
esses indivíduos, são sempre eles mesmos quem mais sofrem.”
68. PERSONALIDADE SOCIOPATA
Insanidade moral, inferioridade psicopática constitucional, personalidade psicopática ou
personalidade perversa, sociopatia, psicopatia, distúrbio sociopático da personalidade com as
sub-classes de reação anti-social, são alguns dos muitos títulos encontrados quando estudamos
a matéria.
Sobre este tipo de personalidade concentramos a nossa atenção neste trabalho pelas
características pessoais que eles apresentam e que dificultam por demais o seu relacionamento
com outras pessoas ou grupos, como o CVV por exemplo.
Dentre as inúmeras definições, encontra-se sempre a idéia fundamental de que a condição se
caracteriza por uma agressividade anormal e/ou conduta seriamente irresponsável.
Duas vezes mais freqüente dentre os homens, assim como ocorre com adelinqüência em geral.
Na mulher assume a forma de uma irresponsabilidade geral, inclusive sexual.
No homem a característica fundamental é a agressividade e a violência.
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  • 1. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:1/71 PSV
  • 2. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:2/71 ÍNDICE INTRODUÇÃO ....................................................................................................................3 PROGRAMA DO CURSO .....................................................................................................5 TEMA 1 - O VALOR DA VIDA - O QUE É O CVV .............................................................6 TEMA 2 - A PESSOA QUE BUSCA AJUDA...................................................................11 TEMA 3 - O AMIGO QUE AJUDA...................................................................................15 TEMA 4 - A RELAÇÃO DE AJUDA ................................................................................20 TEMA 5 - ENTREVISTA DE AJUDA - (1º ESTÁGIO) ........................................................26 TEMA 6 - ABORDAGEM DE SENTIMENTOS PROFUNDOS - (2º ESTÁGIO) .................31 TEMA 7 – O CICLO DA VIDA, VIDA PLENA E SIGILO- (3º ESTÁGIO).............................36 TEMA 8 - PERDAS E ABALOS SITUACIONAIS - (4º ESTÁGIO)......................................42 TEMA 9 - AJUDA EM TEMÁTICA ERÓTICA E SEXUAL - (5º ESTÁGIO).........................45 TEMA 10 - AJUDA NA AGRESSIVIDADE E DROGADEPENDÊNCIA - (6º ESTÁGIO)....50 TEMA 11 - REGRAS E REGIMENTO INTERNO - (7º ESTÁGIO) .....................................56 TEXTOS..........................................................................................................................62 AULA DE REFORÇO.........................................................................................................82 Bibliografia.....................................................................................................83 DEDICATÓRIA Agradecimentos a Nilo Pajaro que nos ensinou a fazer dinâmicas lúdicas e a construção de um curso dinâmico, bem como aos voluntários do posto de Araraquara e de Uberaba que nos ajudaram na seleção dos textos e nos incentivaram a esse trabalho carinhosamente. Também à Maria Helena de Uberaba que, por 13 anos, desenvolveu o PSV criativamente, e onde quer que esteja, receba o nosso carinho. Norberto Scavone Augusto e Sandra Marcia Moscheto.
  • 3. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:3/71 INTRODUÇÃO O curso sendo desenvolvido através de atividades perde o caráter de aula e passa a ter o caráter de “encontro”. A partir daí, todos os monitores devem estar aptos a desenvolver quaisquer das atividades previstas no decorrer do programa. Portanto, devem ter uma visão global dos assuntos e estarem seguros da filosofia. O que merece atenção não são as dinâmicas em si, mas sim que todo o processo seja dinâmico, desde os primeiros contatos até o final Os monitores devem ter espírito científico, aberto e com honestidade intelectual. O programa deve ser flexível para permitir explorar os conceitos que emergirem no momento da vivência, mesmo que não faça parte do programa. Depende do manejo intelectual do monitor a formação das cadeias de seqüência dos conceitos, ou seja, a correlação adequada. A responsabilidade é dividida entre todos os que estão fazendo parte do projeto: quantitativa e qualitativamente. Não se deve dispensar a exposição dialogada ou a palestra bem dada. Pesquisas revelam (empresa 3M) que as pessoas têm memória visual, portanto crie imagens: nós lembramos: 20 % do que ouvimos 50 % do que vemos + ouvimos ao mesmo tempo nós aprendemos 11 % ouvindo 83 % vendo O programa do curso aqui apresentado é semi-dirigido. Situações são criadas para que possam emergir conceitos a serem explorados. Caso eles não ocorram, perguntas são feitas para buscá- los. Um programa é um guia para auxiliar o monitor a atingir os seus objetivos, mas não para limitar a sua capacidade criativa. Qualquer coisa diferente que se faça é bom. O mau é ficar repetindo sempre as mesmas coisas e não mudar nunca. Não há receitas, ensinar é um trabalho criador. O instrutor deve inspira-se em tudo que vir ou existir para transmitir suas idéias. O instrutor deve ter espírito aberto no seu trabalho, fazer de seu grupo um laboratório experimental, pois o instrutor cresce (desenvolve-se) ao lado dos aprendizes que se enriquecem com novas experiências. Em educação não existe EXPERIÊNCIA FEITA que seja digna de fé. Só a EXPERIÊNCIA PESSOAL vale. Não há dogmas, não se pode afirmar sobre as possibilidades dos outros sem experimentação
  • 4. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:4/71 OBJETIVO O objetivo deste curso é a educação e não tanto a instrução. Este Programa foi desenvolvido na década de 80-90 no CVV de Araraquara/SP e depois no CVV de Uberaba/MG. Instrução é uma educação literária. Instruir é o ato de transmitir conhecimentos a alguém, ensinar, adestrar, esclarecer, lecionar, informar. Educação é a ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações jovens para adaptá-las à vida social. É um trabalho seletivo e orientador, pelo qual nos ajustamos à vida de acordo com as necessidades, ideais e propósitos dominantes. É um aperfeiçoamento integral de todas as faculdades humanas, é polidez de caráter, é cortesia. Educar é estimular, desenvolver e orientar as aptidões do indivíduo, de acordo com os ideais de uma sociedade determinada. É aperfeiçoar e desenvolver as faculdades físicas, intelectuais e morais de um indivíduo. É cultivar o espírito, instruir, domesticar, adestrar e aclimatar. A lição Conta-se que um sábio da Grécia antiga sentia a necessidade de ensinar os seus alunos a diferença entre a Educação e a Instrução de uma maneira que eles não mais se esquecessem. Ele já havia explicado que a Instrução refere-se ao Intelecto, à parte mental de cada um, e a Educação ao sentimento, à parte emocional, sendo que a instrução podia ser transmitida com maior facilidade por ser mais demonstrativa, enquanto que a educação necessitava ser vivenciada, consumindo muito mais esforço, dedicação e perseverança, precisando de uma boa disposição para executar um treinamento e principalmente exigia uma mudança íntima da postura de cada um. O sábio então levou os seus alunos à arena onde havia uma demonstração de cães adestrados. Seus alunos puderam observar, em determinada hora, que fora trazido um grande cão e um coelhinho. Foi dada a ordem ao cão para pegar o coelho. Este saiu correndo, abocanhou e estraçalhou o coelho! A seguir foi trazido outro cão e outro coelhinho. Este cão, porém, acostumado a conviver com outros animaizinhos, logo foi correndo em direção ao coelho, abocanhou-o com carinho, passeou com ele pela arena, brincou e depois entregou-o ao dono. O sábio então aproveitou a situação para ensinar aos seus alunos uma enorme lição dizendo: O primeiro cão foi apenas instruído, o segundo foi educado.
  • 5. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:5/71 TEMA 1 - O VALOR DA VIDA - O QUE É O CVV 1. SECRETARIA E GRUPO DE APOIO É importante que alguns voluntários, devidamente preparados, estejam prontos para recepcionar os candidatos, fazendo-os preencherem as fichas de inscrição, distribuindo o material didático (apostila resumida com os tópicos do curso e os textos das dinâmicas), preenchendo e entregando os crachás, orientando sobre horários, sobre os lugares a serem ocupados, esclarecendo possíveis dúvidas, bem como propiciando um clima agradável e envolvente, a fim de que todos possam sentir-se perfeitamente bem, desde o princípio das atividades. Esse mesmo grupo deve estar preparado para qualquer emergência que possa surgir no desenrolar das aulas, tais como: dar apoio individual a algum candidato que necessite desabafar, preparar o café, buscar material faltante, controlando os horários, no sentido de não permitir que pessoas entrem no meio das dinâmicas etc. (fazer uma tabela) 2. ABERTURA Este é um momento importante do Curso, uma vez que “a primeira impressão é a que fica”. O monitor deverá dar as boas-vindas a todos os participantes, deixando-os o mais à vontade possível, para isso poderá dizer algumas palavras, tais como: - Damos as nossas "boas vindas" a todos... - Muitas emoções irão acontecer nestes dois dias e elas serão vivenciadas por todos nós. Alguns momentos serão de alegria, outros de contrariedade, mas o importante é que os vivenciaremos juntos, tendo a oportunidade de nos conhecer melhor. Procuraremos aprender uns com os outros a lidar com os sentimentos humanos. - Nosso Curso será composto por quatro temas: Tema 1 O VALOR DA VIDA - Histórico do CVV Tema 2 A PESSOA QUE BUSCA AJUDA - A outra pessoa Tema 3 O AMIGO QUE AJUDA - O voluntário Tema 4 A RELAÇÃO DE AJUDA - Um com o Outro - Esses temas serão apresentados por várias pessoas que se prepararam carinhosamente para passar para todos vocês o que temos de melhor em nosso trabalho. - Haverá intervalo para o café. - Não é permitido fumar nas reuniões. - Enfim, sejam todos bem-vindos!
  • 6. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:6/71 3. APRESENTAÇÃO DOS PARTICIPANTES: O objetivo de uma apresentação é buscar a integração do grupo desde o início, rompendo o “gelo”, desfazendo tensões. O animador desta apresentação deve explicar que durante o Curso é importante que todos se sintam bem à vontade e que saibam quem é quem. Sugestão de dinâmica: BICHO - GENTE O animador inicia dizendo: - Nós vamos nos conhecer agora, e para isso eu vou dizer meu nome e o bicho que eu gostaria de ser se eu não fosse gente, a seguir, o próximo irá dizer o meu nome e o bicho que eu gostaria de ser , o seu nome e o bicho que gostaria de ser. - E assim por diante, todos irão falar o nome das três últimas pessoas e os respectivos bichos que gostariam de ser. - Meu nome é Maria Helena. Se eu não fosse gente eu gostaria de ser uma andorinha! Avaliação da dinâmica: O animador debate alguns minutos (5') os objetivos e vantagens do exercício: - O que vocês acharam desta nossa apresentação? - A princípio, tem algo a ver com o nosso trabalho? - O que o fez buscar este curso? Alguém gostaria de falar? - O que esperam do Curso? 4. QUEBRA-GELO Se o monitor do Curso sentir que, mesmo após a apresentação dos participantes, o clima continua tenso ou que há muitas “panelinhas”, o que poderia vir a atrapalhar o bom andamento das atividades, ele poderá servir-se desta dinâmica, uma vez que ela movimenta e descontrai os participantes. Todos devem ficar sentados, enquanto o animador, de pé, sem que haja nenhuma cadeira vaga diz: - Eu vou me dirigir a uma pessoa e dizer: - Fulano, eu gosto de você porque você usa óculos. Todos os que estiverem de óculos devem se levantar e trocar de lugar, rapidamente. Somente uma pessoa ficará de pé, sem lugar para se sentar. Este deverá repetir a brincadeira, escolhendo uma nova característica. Assim que o animador perceber que já houve a descontração desejada ou que as “panelinhas” foram quebradas, é tempo de parar. O animador avalia a dinâmica perguntando ao grupo: - Como se sentiram com esta “dinâmica”? 5. CARACTERÍSTICAS DA SOCIEDADE Este é o primeiro item a ser tratado. O monitor deve orientar a todos que se dividam em pequenos grupos. Um papel é distribuído a cada grupo, onde figuram oposições de valores da sociedade, a fim de que discutam sobre o que predomina na sociedade de hoje. Cada grupo elegerá um representante para expor as idéias e conclusões.
  • 7. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:7/71 É importante lembrar que os voluntários presentes poderão fazer parte dessa discussão, mas não devem monopolizar o diálogo, pois quem deve se colocar é o candidato. As características a serem distribuídas aos participantes poderão ser: Competição x Cooperação Solidão x Proximidade Individualismo x Coletivismo Isolamento x Amizade Frieza x Calor humano Números x Pessoas Posse x Amor Ter x Ser. Avaliação O monitor interrompe a discussão, depois de 10 minutos e analisa com o grupo os resultados: - Vamos, agora, ouvir os representantes dos grupos, e verificar quais são as características predominantes na sociedade de hoje. Resumam, por favor, as conclusões a que chegaram. Após todos se colocarem: - Nós vimos quais as características predominantes em nossa sociedade. É importante saber que nós somos uma amostra dela. Vamos ver agora o que a sociedade tem feito para suprir suas necessidades. 6. SURGIMENTO DO TRABALHO Esta parte pode ser expositiva (usar “flip chart”, retroprojetor, powerpoint etc.) ou com apresentações dramatizadas, contendo os seguintes tópicos: 1. Rápidas transformações sociais. (Antes existiam regras estabelecidas e respeitadas por todos, atualmente vale tudo.) 2. Características predominantes na sociedade. (Típica fase de transição da humanidade - valores anteriores foram abandonados e novos valores ainda não foram constituídos.) 3. Auto e mútua violência. (As pessoas não se sentem à vontade para expressar seu mundo íntimo e surge a violência.) 4. Reação da sociedade. (A sociedade, como acontece no próprio corpo humano, reage contra a caótica situação.) 5. Surgem os grupos de auto-ajuda. (Dão segurança às pessoas.) 6. A solidão leva ao suicídio. 7. Prevenção do suicídio - O bom Samaritano. 8. Segunda Guerra Mundial - Chad Varah. 9. Como surge Os Samaritanos - década de 50. 10. Como se desenvolve Os Samaritanos. 11. Assim são os Samaritanos. 12. Conclusões de Chad Varah. 13. Propagação dos Samaritanos. 14. Tipos de entidades.
  • 8. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:8/71 14. Chad Varah aposenta-se. 15. Vídeo do CVV - Globo Repórter. 16. CVV - Boa tarde? - (apresentar Vídeo com anúncio da TV.) 17. É mais fácil viver quando se tem um amigo. 18. Como surge o CVV - Fases do trabalho. 19. Estrutura administrativa do CVV e terminologias. 20. Elementos essenciais do trabalho. 21. Programa do Curso de Seleção de Voluntários - estágio. 7. INTERVALO PARA O CAFÉ Enquanto o café está sendo servido, o monitor deverá preparar a sala para a apresentação dos “slides” ou vídeo do “O ponto”.
  • 9. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:9/71 TEMA 2 - A PESSOA QUE BUSCA AJUDA - Nós vimos o que é o trabalho voluntário de doação de amizade. Agora vamos ver a pessoa que procura este trabalho. 8. O PONTO (AUDIOVISUAL) Apresentação do audiovisual: O PONTO (Centro Gaúcho de Audiovisuais - Salesianos de Dom Bosco) Avaliação - O que mais nos chamou a atenção? - O que é o ponto? - O que é mais importante: o ponto em si ou as atitudes em relação a ele? - Podemos então fazer uma idéia de como está a pessoa que busca o trabalho do CVV/Samaritanos? - Não existe problema mais importante e sim maneiras diferentes de encarar. 9. MOTIVAÇÃO PROFUNDA Esta aula deve ser bem elaborada, pois irá de encontro diretamente ao sentimento de dor e solidão que podem habitar o ser humano. - As pessoas que procuram o trabalho estão esgotadas emocionalmente pela falta de sentimentos, frieza e insensibilidade delas próprias e daqueles com quem convive. Leitura ou encenação do texto Angústia Avaliação - Que sentimentos estavam presentes? - O que é solidão? - O que leva uma pessoa a sentir solidão? - Ao que leva a solidão? 10. SENTIMENTOS PRESENTES (NO SUICIDA) - O principal problema do homem na atualidade é o vazio interior e a solidão. Surgem daí o desespero, a angústia e a destruição. - Vamos estudar melhor a solidão agora, lendo a poesia chamada “Minha vida, meu aplauso”, de Anderson Herzer. Após a leitura, contar alguns fatos importantes sobre a vida do autor. A seguir, entregar uma folha de papel sulfite para cada participante, bem como material de desenho, pedindo a cada um que expresse por desenho, pintura, poesia etc, como sentiram (ou sentem) a solidão. Afixar numa parede ou espalhar, depois, as representações no centro do círculo, para que todos possam observar como é a solidão de cada um. Avaliação - O que sentiram no exercício que acabamos de fazer?
  • 10. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:10/71 - A solidão pode nos levar a quê? (desprazer pela vida, suicídio) - Como é a pessoa que pensa em suicídio? (solitária, tentou se comunicar, porém ninguém quis ouvi-la) - O que é suicídio? (gesto de comunicação; gesto de desespero violento; agressividade; ódio que sente contra os outros voltados sobre si mesmo). - Como surge o gesto suicida? (após meses, anos de sofrimento, o desejo de morrer supera o impulso de viver - ambivalência - extrema dor e sofrimento interno por coexistirem valores opostos dentro da pessoa puxando-a para caminhos bem diferentes - depois, finalmente, ocorrem fatores desencadeantes que consumam atitudes extremas - explorar bem esse assunto). - Que sentimentos estão presentes na pessoa que pensa em suicídio? (a busca de atenção; desejo de vingança; fuga de situação desagradável; vontade de ir para lugar melhor; busca de paz; ambivalência; esgotamento emocional). - O que pode ser feito para quem pensa em suicídio? (doar amizade e calor humano). - Alguém tem algum depoimento a fazer? Finalizar com a música Via Láctea acompanhada por todos. 11. SUICÍDIO E TENTATIVAS - Todos nós ouvimos falar muitas coisas sobre o suicídio. Agora iremos analisar algumas delas: a) O suicídio ocorre sem avisos? 80% das pessoas avisam (diretamente ou indiretamente). b) Quem se mata estava decidido a morrer? Instinto de defesa superado pelo desejo de morrer (ambivalência). c) Quem fala em suicídio não se mata? Sim, se não for demovida a causa. d) Quem já pensou em suicídio será sempre um candidato a ele? Não, se demovida a causa. e) O suicídio ocorre mais entre ricos ou entre pobres? Isso independe. O suicídio é um fator emocional e não físico. f) O suicídio ocorre mais entre homens ou mulheres? Mulheres tentam mais, porém os homens concretizam mais. g) Os candidatos a suicídio são sempre doentes mentais? Apenas 10%. h) O suicídio está no sangue? Isso não tem fundamento. - Vamos passar alguns dados sobre o suicídio, a fim de mostrar como a nossa sociedade está afetada:
  • 11. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:11/71 1. O Brasil situa-se em 8º lugar no mundo, sendo sua maior incidência entre jovens e adolescentes (1º Hungria, 2º França, 3º Japão, 4º EUA). 2. A China detém 1/3 dos óbitos suicidas do planeta (300.000 / ano) 3. Perguntas feitas aos que tentaram suicídio (BI - Universidade - Suíça): 3.1 Quem poderia levar-lhe ajuda? 52% responderam: NINGUÉM 10% responderam: O MÉDICO 38% não responderam 3.2 Você aceitaria ajuda? 23% ACEITARIAM 50% NÃO ACEITARIAM 6 % NÃO SABERIAM DIZER 21% NÃO RESPONDERAM - O fato de não esperarem ajuda de ninguém sugere que seja uma deliberação muito íntima e isto surge de um sentimento / decisão muito profunda, que realmente não pode ser dividida com ninguém. - É fato que os suicidas procuram o médico, mas não falam sobre suas intenções / sentimentos suicidas. 3. Dados da revista americana "PENHOUSE" (89) nos EUA: 1985 - 3 suicídios por hora 93% - são brancos, bem educados, classe média É a 7ª maior causa de mortalidade americana (o nº de americanos com menos de 24 anos que cometeram o suicídio no ano é maior que todos os americanos que morreram na guerra do Vietnã) 5 entre 6 suicidas foram homens É dito que quando o Homem atinge o estágio de suicídio ele se encontra sem esperança e a Mulher sem ajuda. O Homem é mais propenso a cometer o suicídio e a mulher 3 vezes mais propensa a tentá-lo. 4. Estatísticas médica Americana: Todas as pessoas suicidas ou que tentaram, meses antes destes atos, procuraram médicos, sempre apresentando distúrbios psicossomáticos. A maioria dos propensos ao suicídio tentam até o último momento fazer alguém compreender o seu desespero. De uma maneira ou de outra, buscam ajuda direta ou indireta. 4.1 Como foram as reações dos familiares: 31% não deram qualquer atenção; 21% ficaram nervosos, inquietos, sentiram-se impotentes mas quiseram ajudar; 10% acreditaram no parente, ficaram atentos e tentaram ajudar; 4% ficaram com raiva e tiveram reação de rejeição; 15 % não manifestaram qualquer reação. 4.2 Como foram as expressões mais usadas pelos suicidas durante certo tempo que antecedeu ao suicídio, conforme declaração dos seus próprios familiares: 22.5 % Ninguém me compreende ou ninguém se preocupa comigo!
  • 12. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:12/71 18 % Sinto-me inútil, indesejada, sem qualquer valor! 16 % Não ficarei por aqui por muito tempo. Não há esperança alguma, não pode continuar assim, ou muito em breve estarei com a .........(cita o nome de pessoa já falecida) 16.5 % O melhor é dar um tiro na cabeça. Não quero continuar vivendo. Um dia desses eu vou certamente me suicidar. 11.5 % Desejo não ter mais que sofrer! 10.5 % Expuseram seus problemas bem como da inutilidade de ter que lutar por alguma coisa. 5 % Demonstraram atitude favorável ao suicídio. 5. Expor número de suicídios atuais da região. 12. AVISOS FINAIS Este é um momento importante, principalmente pelo clima de sentimentos criado. O monitor poderá esclarecer possíveis dúvidas, de maneira bem objetiva, observando o horário, a fim de que a disciplina seja sempre mantida. Informar o horário da próxima aula e incentivar a todos que voltem para concluir o curso, mesmo que não pretendam ser voluntários, mas que aprenderão postura mais adequada para lidar com os problemas emocionais no meio em que vivem. - Como foi o encontro de hoje? - Vamos encerrar cantando uma música em conjunto:
  • 13. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:13/71 TEMA 3 - O AMIGO QUE AJUDA 13. SECRETARIA Receber os candidatos para o reinício do curso (idem anterior). 14. ABERTURA PELO MONITOR: Como passaram de ontem para hoje? Todos estão se sentindo bem? Algum depoimento breve de alguém, com relação às aulas de ontem? Ontem nós vimos O que é o CVV e como se encontra a pessoa que busca ajuda. Agora nós vamos entrar no 3º Tema que se refere à pessoa do voluntário, o amigo que ajuda. Para isso, nós vamos ver algumas características importantes na pessoa do voluntário. 15. A NÃO DIRETIVIDADE Na vida diária, estamos acostumados a sermos sempre dirigidos ou a dirigirmos as outras pessoas. Via de regra tomamos sempre atitudes que podemos chamar de diretivas. Como se sente a pessoa que se vê dirigida? Vamos fazer um exercício para identificar essa situação a) O túnel Pedir aos participantes que formem duas filas, formando um corredor, um túnel, para que todos possam observar as diferenças na relação de ajuda prestada por alguns voluntários que procuram ajudar a passagem de alguns candidatos que teme seguir pelo túnel escuro. Eu tenho que passar para o outro lado do túnel, e tenho medo! O primeiro voluntário puxa a pessoa com força, querendo se desincumbir logo da tarefa. O segundo voluntário carrega a pessoa no colo, demonstrando um cuidado exagerado e paternal. E assim por diante, pode-se apresentar várias formas de se conduzir um candidato a atravessar o túnel. O último voluntário acompanha a pessoa passo a passo, alerta apenas sobre os pequenos obstáculos do caminho, sobre o declive no relevo etc, até que a própria pessoa se sinta segura de que pode atravessar sozinha. b) Guia de Cegos Semelhante ao exercício anterior, onde todos participam. Dividir os participantes em duplas, de preferência pessoas que não se conheçam. Um será o guia e o outro o guiado. De olhos fechados (trazer vendas amarradas para pôr nos olhos), o guiado terá que explorar o local. Depois os papéis serão invertidos. Avaliação Como foi a experiência que tiveram? Sentiram-se à vontade ao serem guiados? Como foi isso? Qual dos voluntários orientou melhor a pessoa perdida (O túnel).
  • 14. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:14/71 Deixar que os participantes se coloquem e, se for preciso, o monitor desta aula completará e mostrará como funciona a não diretividade no trabalho do CVV/Samaritanos. 16. ORIENTAÇÃO NÃO DIRETIVA NO ACONSELHAMENTO - Existem pessoas que dão a impressão de terem um jeito todo especial para enxergar o ponto focal da situação, freqüentemente esclarecendo e resolvendo questões complexas com uma ou duas frases simples. - Vamos ver o texto "O conselho certo". Avaliação - O que pudemos notar nesta situação? Por estranho que pareça, as melhores respostas para muitas das nossas mais complexas situações estão muitas vezes escondidas no fundo de nossas cabeças. Em certas ocasiões, temos dificuldades de descobri-las e saímos pedindo aos outros que nos ajudem. Acontece que, na maioria das vezes, o que mais queremos não é um conselho e sim um auxílio para nos ajudar a achar o caminho. O ato de dar um conselho, na verdade, freqüentemente atrapalha o processo. Em vez de dar um conselho, é melhor ajudar essa pessoa a desenvolver sua autonomia, sua capacidade de sentir o que está acontecendo e a pensar sozinha. Maneiras e colocações adequadas ajudam a pessoa a descobrir o ponto focal de sua situação e a chegar à melhor solução - para ela. Esta será a solução dela. Acima de tudo será a solução com a qual ela imaginou e estará disposta a conviver. 17. CONFIANÇA NA TENDÊNCIA CONSTRUTIVA - Certas características dos seres vivos (e das pessoas humanas) são negativas apenas na aparência. No fundo, os seres vivos são positivos. É necessário cultivar corretamente essas características e aproveitar o que elas têm de bom. Para isso, distribuir o texto “Na cadência do samba” ou “Grama feia bonita”, e pedir para que alguém leia. Avaliação Perguntar aos participantes coisas do tipo: - O que observamos no texto? - O ser humano é mau por definição? - Qual é a tendência natural dos seres humanos? - Por que a tendência construtiva não se manifesta livremente? - Como as pessoas geralmente se defendem das situações de crítica, preconceito e opressão? - Como deve ser a nossa atitude em relação a acreditar ou não na tendência construtiva do outro? 18. ATITUDE DE RESPEITO - Respeitar é não impor ao outro nossa forma de ver, sentir e compreender os fatos da vida e as possíveis soluções.
  • 15. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:15/71 Ler a lenda: “O macaco e o peixe” ou "a borboleta". Avaliação: - O que o texto lido tem a ver com o nosso trabalho? - O que é “não” respeitar o direito do próximo? Julgar, interferir, aconselhar, dirigir, tomar a frente. - O que é respeitar? Reconhecer o direito e as condições que o outro tem de decidir o que mais lhe convém. - O macaco foi bom para quem? 19. ATITUDE DE COMPREENSÃO E ACEITAÇÃO Facilitar a aprendizagem do conceito de “compreensão” que é a atitude de conhecer as causas do comportamento humano, quer sejam racionais ou afetivas e facilitar a aprendizagem do conceito de aceitação que é a atitude de admitir para si mesmo a realidade de um fato. Todos encontram excelentes razões para explicar sua forma de agir, mas quando se trata do comportamento alheio, acontecem muitas críticas e quase nunca há compreensão. Compreender: conhecer as causas ou os motivos do comportamento do outro, de acordo com o ponto de vista e os sentimentos dele. Julgar: examinar de acordo com os nossos pontos de vista. A fim de exercitar a compreensão, sugere-se ao monitor desta aula que peça que todos se dividam em grupos de, no máximo, cinco pessoas. Distribuir a todos os grupos artigos de jornal que relatem fatos praticados por diversas pessoas. Estes fatos devem ser passíveis de julgamentos diversos, como por exemplo: assassinato, suicídio, roubo, estupro etc. Cada um dos participantes deverá se colocar no lugar da pessoa descrita na reportagem e tentar compreendê- la. Avaliação Após todos retornarem aos seus lugares, haverá uma avaliação em conjunto. Um representante de cada grupo responderá: - Resuma o texto lido e responda: vocês compreenderam a atitude da pessoa? - É mais fácil julgar ou compreender as razões do outro? - O que é preciso para compreender? - O que é aceitação? É admitir a existência, sem se preocupar com as seqüências. É abrir nossa porta. É nos convencermos de que a pessoa “é assim mesmo”. É olhar a pessoa de frente, com interesse e respeito, sem receios, preconceitos ou julgamentos. - Aceitar é o mesmo que concordar? Ex.: Não concordo com o roubo, mas aceito a pessoa do ladrão. - Se não aceitarmos a outra pessoa tal qual é, o que acontece? Ela se fecha mais em si mesma, retrai-se a fim de se defender. - Se aceitarmos a pessoa tal qual é, o que acontece? Ela se sente segura, confiante, passa a olhar para si mesma, diminui o consumo de energia para defender-se, aceita-se melhor, passa a confiar e a
  • 16. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:16/71 acreditar em sua capacidade, achando, assim, soluções mais claras para seus problemas. 20. ATITUDES DE AUTOCONHECIMENTO. - À medida que o ser humano se conhece melhor, ele estará também conhecendo melhor as pessoas que o circulam, facilitando o relacionamento. - Antes de estudar algumas características pessoais, vamos ler o texto: “O coelho e a raposa” ou algum outro texto (anexo) relacionado a este tema. Avaliação: - O que é flexibilidade (X rigidez)? É a capacidade e a coragem de deixar de lado o nosso ponto de vista e examinar o do outro. - O que é nivelamento (em sentimento - superioridade X inferioridade)? É colocar-se à altura do outro com sinceridade, o que permite acolhê-lo com simpatia e respeito. - O que é projeção de valores? É achar que os outros vêem o mundo do mesmo modo que eu (crenças e preconceitos). - O que é humildade? É reconhecer que não sabemos tudo, que não temos soluções para tudo, que não temos respostas prontas, que somos falíveis. O outro sente-se melhor diante de alguém igual a ele e não superior. - O que é disciplina? É saber que o objetivo é o outro e não o nosso personalismo. - O que é moderação? É manter-se longe dos extremos, não sendo fanático ou extremista. - O que vem a ser disponibilidade? Existem vários tipos de disponibilidade. No entanto, o que importa para que o nosso trabalho flua bem é que haja: a) disponibilidade de tempo: para dedicar-se ao outro. b) disponibilidade de calor humano: para doar-se ao próximo. c) disponibilidade de paciência: para se auto-aprimorar. d) disponibilidade de boa vontade: para enfrentar e dar continuidade ao próprio desenvolvimento. Ler o texto "disponibilidade" 21. INTERVALO É o momento em que todos se confraternizam, tomando juntos um café e comendo bolos e bolachas. Momento precioso, porque ali os candidatos podem buscar aproximação com os voluntários para desabafar ou esclarecer suas próprias dúvidas, referentes ao trabalho.
  • 17. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:17/71 TEMA 4 - A RELAÇÃO DE AJUDA Ao voltar para a sala do encontro, uma música serena e reconfortante será colocada, a fim de que todos possam se colocar em estado harmonioso - sem excitação. 22. HARMONIZAÇÃO - ENSAIO DE ANSIEDADE - Nós vamos agora nos sentar confortavelmente e nos preparar para daqui a uns 3 minutos se levantar e, um de cada vez, dizer a esse grupo de pessoas estranhas um fato muito íntimo de nossa vida, que nunca foi dito a ninguém. - Enquanto isso, preparem-se. Vivenciem a situação. Imagine-se de pé no centro deste círculo, começando a falar. Por onde iniciaria sua narrativa? O que falaria? Como falaria? Vivencie este momento. Que sentimentos estão lhe envolvendo agora? - Agora preste atenção: que emoções você sente quanto eu disser que não irei chamar ninguém para falar de si? - Abram os olhos e vamos avaliar a situação. Avaliação - Que sentiram neste exercício que acabamos de fazer? - O que isto tem a ver com o nosso trabalho? Após esta preparação, fazer uma breve avaliação, do que já foi visto neste curso sobre a valorização dos sentimentos, como está a pessoa que nos procura e como deve ser a postura de quem quer estar junto do outro em seus momentos de solidão. A partir de agora, será apresentada a relação de ajuda. 23. RELAÇÃO DE AJUDA Esta dinâmica deve ser feita com bastante seriedade, a fim de não perder o clima conseguido através da harmonização. Para isso, o monitor deverá colocar a importância desta experiência, deixando claro que nada é obrigado. Aqueles que não se sentirem à vontade para participar, podem ficar observando. João Bobo Formar grupos de três pessoas:  e  ficam de frente um para o outro e  fica no meio, de frente para um deles.  deixa-se cair para frente e para trás, sendo amparado por  e  As posições devem ser invertidas até que todos tenham ocupado a posição do centro, pelo menos uma vez. Avaliação - O que este exercício tem a ver com o nosso trabalho? - Houve alguma relação? - Como se sentiram nesta relação? - O que é relação? É uma real ação entre duas ou mais pessoas. - E o que é uma relação de ajuda? É a oferta de amizade de um ser humano a outro que está em crise.
  • 18. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:18/71 É a convivência. É o conhecimento recíproco entre duas pessoas. É o amor que combina quem quer ouvir com quem quer falar. Tópicos: - O outro está vulnerável e sensível à rejeição e, por isso, sente-se culpado e só. - Tudo no amigo deve transmitir (com sinceridade) que você não está só, há alguém que se importa. - O ANONIMATO e a CONFIDENCIALIDADE dão segurança. Não podemos nos intrometer com quem não quer a nossa ajuda - só com quem consente. - O momento de uma relação de ajuda não é o momento de divulgação religiosa ou outra qualquer. 24. SABER OUVIR - Foi dito que, a partir do momento que um ser humano se colocou a disposição para ouvir a dor do próximo, começou o trabalho de prevenção do suicídio. Leitura ou encenação do texto “O jornalista”. Avaliação - O que aprendemos com a história lida? - O que é ouvir? Ouvir é uma atitude ativa e participativa. É importante saber ouvir atentamente para se aproximar do outro. - Como estão os pensamentos de uma pessoa que está em crise emocional? Os pensamentos estão confusos, não sabe como tomar uma decisão, e, geralmente, esperam e pedem que o façamos por ela. - Que devemos fazer então? Ouvir atentamente, a fim de que os pensamentos da outra pessoa fiquem mais organizados, as idéias fiquem mais claras e as soluções apareçam delas mesmas. - O que mais podemos observar além do que é dito por palavras? O silêncio. O tom de voz. A mímica ou os gestos. A postura. - O que se quer dizer com o silêncio? Insegurança para começar a falar. Preparação para entrar em assunto difícil, pondo em ordem os pensamentos/sentimentos. Tentativa de se acalmar após um desabafo. Sensação de bloqueio por causa de situação confusa. Tempo para achar melhor forma de se expressar. - Se constatarmos incoerências no relato, como devemos agir? As incoerências revelam dificuldades que estão ocorrendo no íntimo das pessoas. Devemos ter paciência e incentivá-las a continuar. - E quando nos sentimos atingidos pelo que foi dito pelo outro? Devemos estar atentos à essas situações e observar como elas estão sendo percebidas pelo outro, pois cada coisa repercute em nós de uma maneira específica e importa-nos descobrir o significado daquilo que ele está nos comunicando (o significado dele e não o nosso). Para tanto, o programa de
  • 19. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:19/71 treinamento do CVV proporciona ferramentas que nos ajudam a nos conhecer melhor para melhor poder receber a outra pessoa sem nos afetarmos. - Como nós vamos compreendê-lo? Todo o procedimento tem sua razão de ser. Existem razões claras e facilmente compreensíveis e razões obscuras, aparentemente ilógicas, que são de origem psicológica. A prudência deve ser levada em conta, para ver as causas reais que estão por trás das aparências, pois via de regra revelam muitas coisas. - Devemos comunicar o que ouvimos e o que compreendemos? Sim, e isso se faz logo de imediato na relação de ajuda. Nossos gestos, nossa atenção, nosso acolhimento, um aperto de mão, um sorriso (quando for o caso), um olhar atento etc, revelam o nosso interesse pelo outro. Além disso, utilizando de uma adequada comunicação verbal, as respostas compreensivas que serão vistas no estágio, demonstrarão a nossa atenção e o nosso interesse pelo outro. 25. MEDIDAS OBJETIVAS - Como seria o ambiente adequado ao seu desabafo? Privativo (um tipo de refúgio discreto, agradável e acolhedor); Funcional (confortável, porém simples e discreto); Silencioso (isento de perturbações); - Qual seria o tempo necessário e útil de uma entrevista de ajuda? Cerca de 45 min a 1 h, porém, o tempo adequado ao desabafo está diretamente relacionado com as necessidades da outra pessoa. - E com respeito ao sigilo, é importante? Imperdoável é comentar o que nos foi confidencializado em reserva. No estágio este assunto será amplamente abordado. 26. PESQUISA E ENTROSAMENTO FINAL - Nós tivemos até agora uma série de informações e várias vivências de situações que nos demonstraram a existência de outros valores na vida. - Nós vamos distribuir agora um questionário e pedimos que entrevistem outras pessoas da sala, inclusive e de preferência os que já são voluntários do trabalho. - Cada um irá fazer apenas uma pergunta do questionário, conforme a ordenação que irei dar agora. - A Sra. ... irá fazer a pergunta nº 1, a vizinha a nº 2 e assim por diante. - Vamos dedicar 10 min para essa entrevista. Vamos começar. Escolham os entrevistados e bom serviço. Questionário 1 A sua maneira de ser é mais importante do que você diz? O que você acha disso no relacionamento com outra pessoa? 2 Como você pode acolher bem uma outra pessoa? 3 É fácil se relacionar com os problemas da outra pessoa, porém como fazer para se relacionar com a pessoa (sentimentos) em si?
  • 20. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:20/71 4 Nivelar-se é colocar-se no nível da outra pessoa. A outra pessoa está vulnerável, desconfiada e decepcionada consigo próprio. Como nivelar-se numa relação de ajuda? 5 Como notar as potencialidades e a capacidade da outra pessoa quando ela se apresenta com muitas fraquezas? 6 Descreva como você nota que uma pessoa prestou atenção total em sua conversa? 7 O que fazer para facilitar o desabafo da outra pessoa? 8 Nós devemos fugir ou ir em direção ao sofrimento da outra pessoa? Como fazer isso? 9 Nós temos nossos pontos de vistas que diferem dos pontos de vista da outra pessoa. Como devemos fazer para ver do ponto de vista do outro? 10 Como se sente a outra pessoa quando as respostas às suas necessidades partem de nós? E como ela se sente quando parte dela? 11 Nossas respostas devem ser com honestidade e sensibilidade. Dê um exemplo de como fazer isso diante de uma pessoa que está a ponto de por um termo à vida. 12 Você tem que ser apenas um amigo provisório. Não tem que resolver a situação da outra pessoa. Apenas estar junto durante a crise em que passa. Como isso repercute em você? Avaliação - Vamos voltar aos nossos lugares. O que obtivemos da pergunta nº 1? 27. AVALIAÇÃO FINAL - Agora que chegamos ao final desse curso, temos condição de fazer uma auto-avaliação do que aconteceu conosco. - Vamos responder na folha que estamos entregando: O que achou do curso? O que modificou em você este curso? O que você pretende fazer? 28. PROGRAMAÇÃO DO ESTÁGIO PROBATÓRIO - Chegamos ao final da 1ª parte do Programa de Seleção de Voluntários do CVV Samaritanos e queremos convidar aqueles que se interessaram pela postura do trabalho para continuarem conosco, participando do estágio probatório. - O estágio será desenvolvido em 7 semanas, onde serão apresentados os temas abaixo, e mais 2 semanas de estágio no próprio plantão, juntamente com outro voluntário mais antigo, antes de assumir o plantão definitivamente. - Como o curso é de seleção, a primeira delas é a própria seleção natural, as demais serão feitas por entrevistas e pela observação da maturidade emocional do candidato para se relacionar com a problemática humana. - As pessoas que não se sentiram no momento amadurecidas para continuar, mas que gostaram da postura e se sentiram bem com o trabalho, convidamos a participarem do nosso Grupo de Encontro que se realiza periodicamente. Liguem para o posto e informaremos as datas e local.
  • 21. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:21/71 Tópicos do estágio. Tema 5 A ENTREVISTA DE AJUDA Tema 6 ABORDAGEM DE SENTIMENTOS PROFUNDOS Tema 7 CICLO DA VIDA E VIDA PLENA 1ª entrevista Tema 8 PERDAS E ABALOS SITUACIONAIS Tema 9 AJUDA EM TEMÁTICA ERÓTICA E SEXUAL Tema 10 AJUDA NA AGRESSIVIDADE E NA DROGADEPENDÊNCIA Tema 11 REGRAS E REGIMENTO INTERNO 2ª entrevista Tema 12 PLANTÃO ACOMPANHADO Tema 13 PLANTÃO ACOMPANHADO Tema 14 PLANTÃO ACOMPANHADO 3ª entrevista Programar o estágio 29. ENCERRAMENTO - Gostaríamos de decidir em conjunto como fazer isso. - Podemos sugerir que cada um dos participantes faça um breve depoimento de como se sente agora. - Podemos nos despedir cantando juntos uma das músicas da apostila.
  • 22. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:22/71 TEMA 5 A ENTREVISTA DE AJUDA 30. INTRODUÇÃO Devemos propiciar um clima de entrosamento entre os candidatos. Para isso, sugerimos ao monitor que faça uma abertura com uma música suave, previamente escolhida, e que o elemento água seja utilizado, na forma de palavras calmas, sugestionando uma interiorização, a qual oferecerá paz e tranqüilidade para o início da aula. A seguir, é sempre bom possibilitar a todos uns poucos instantes para que possam se colocar, falando sobre como foi a semana, se ficou alguma dúvida pendente com relação às aulas do Curso de Valorização da Vida etc. Sugerimos, também, que o texto "Decálogo para compreender o outro" seja lido e analisado por todos os participantes, a fim de introduzir o tema. 31. TRIÂNGULO DAS BERMUDAS - Ler o texto "Triangulo das Bermudas". - Conta-se que na Ilha das Bermudas, no Oceano Atlântico, a turbulência das águas faz desaparecer os navios e os aviões. Isto é uma lenda, pois não foram comprovados cientificamente as histórias contadas sobre isso. - Supõe-se que os minérios existentes por lá atuam como ímã, fazendo com que haja os desaparecimentos. Nós, do CVV e dos Samaritanos, nos habituamos a utilizar a figura do “Triângulo das Bermudas”, uma vez que o desespero, a mágoa, a solidão, a angústia, a tristeza, o ódio, a ansiedade, a tensão também podem desaparecer no triângulo formado pelo problema - indivíduo - pessoa, desde que haja condições para que a pessoa que busca o nosso trabalho possa “navegar” livremente dentro da turbulência de si mesma. - A pessoa que nos procura geralmente encontra-se tão perdida dentro de suas próprias desilusões e problemas que sequer conseguem enxergar uma luz que a ampare. - Ela quer falar, falar e falar. Um bom “facilitador” deve compreender essa necessidade, permitindo que ela fale sobre o seu problema (divórcio, desemprego, dívida, traição, perdas em geral) e sobre o indivíduo (nome, idade, RG, endereço, telefone, tipo físico, condição financeira etc). Porém, o voluntário deverá “navegar” somente na pessoa do atendido, ou seja: nos seus sentimentos. - O que importa para nós e, principalmente, para quem ligou é entrar em contato com o sentimento, seja ele qual for. As pessoas, lá fora, na sociedade, na família, na escola, na empresa etc, têm medo de “colocar o dedo na ferida” e, por isso, muitas vezes afastam as pessoas que precisam desabafar. O ser humano se fecha por não ter condições de expor seus sentimentos assim como eles são e sofrem. Muitas vezes buscam o suicídio como solução para seus problemas. Nós temos que ser diferentes. - O voluntário deve ser um facilitador para o desabafo. É necessário que haja coragem para encarar de frente o que às vezes dói e machuca. A enfermeira quando vai fazer um curativo não teme arrancar o pus, o sangue, a casca. Ela machuca para medicar e somente assim haverá condições para que a cura se instale. Lentamente e com muita paciência e amor acontecerá o milagre da cicatrização. Isso também deverá ocorrer num processo natural de tomada de consciência da dor. Sejamos, então, como uma enfermeira... Estamos prontos para começar?
  • 23. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:23/71 32. RESPOSTAS COMPREENSIVAS É importante deixar bem claro para o candidato a diferença entre uma resposta compreensiva e uma não-compreensiva. Para isso, seria muito importante que se fizesse um pequeno treinamento, onde alguma situação conflitante é colocada e cada um dos participantes tente responder compreensivamente, buscando unicamente o sentimento exposto. Aproveitando-se desse pequeno exercício, pode-se salientar que a criatividade de cada um ao formular as respostas compreensivas é essencial para um bom atendimento. Não há regras. Se o voluntário está junto da outra pessoa, permitindo que ele se descubra através de suas próprias colocações, sem diretividade, sem aconselhamento, sem julgamento todo o resto virá com a empatia criada na relação de ajuda. Como é que você está se sentindo? Eu compreendo você... Eu o aceito como você é... Fale mais... Você me disse que está sofrendo? Gostaria de ouvir mais sobre isso... Você não está só, eu estou aqui com você... - Estes são exemplos de colocações que podemos fazer sempre. As respostas virão no momento certo, na hora certa, sem atropelos. - Devemos nos colocar à disposição de verdade, por inteiro... o resto virá naturalmente. Respostas não compreensivas: são aquelas que denotam a não compreensão dos sentimentos presentes na outra pessoa. São aquelas que fazem sugestões, dão conselhos, criticam, julgam, acusam, afirmam infantilmente que “isso não é nada”, “logo passa” etc. 33. PERGUNTAS PARA O CANDIDATO - O que é escutar? É acima da tudo a busca permanente da verdadeira mensagem que a pessoa esconde atrás das palavras. - Como podemos facilitar o ato de escutar? Permitindo que o espaço maior pertença à outra pessoa. Não se deve interferir ou julgar. - Quem comanda o espaço na relação de ajuda? A outra pessoa. A interrupção da fala pode significar um contato que a outra pessoa está estabelecendo consigo mesma. 34. FINALMENTE É importante afirmar que as distrações externas devem ser evitadas, pois qualquer coisa que tire a atenção do voluntário pode prejudicar o atendimento. O voluntário deve se cuidar para não se transformar em ajudado, permitindo-se falar mais do que a pessoa que ligou buscando ajuda. Por outro lado, não deve sentir-se um semi-deus, pois a única coisa que o diferencia da pessoa que ligou é a sua disponibilidade naquele momento. Se o voluntário estiver em crise emocional e tentar ajudar alguém, poderá prejudicar a ambos. Um bom voluntário, no momento do atendimento deve estar inteiro, maduro e crescido.
  • 24. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:24/71 35. ROLE-PLAYING - Esta palavra inglesa significa “desempenhar um papel” ou “representar”. Este tipo de treinamento possibilita o exercício da relação de ajuda. É uma vivência de papéis, mas uma vivência emocional. Graças a esse tipo de exercício, tornou-se possível a expansão do trabalho de doação de amizade e prevenção do suicídio realizado pelo CVV/Samaritanos. - Durante o exercício, todos devem se concentrar, a fim de que as emoções possam ser colocadas de maneira natural e segura. Aconselha-se que todos abaixem a cabeça, evitando mirar os olhos da dupla que, ativamente, está fazendo o papel do voluntário e da pessoa que liga buscando ajuda. A seguir, começamos o treinamento. Os voluntários presentes colocam os casos e cada um dos estagiários atendem ao menos uma vez por estágio. Importante se faz salientar que o role-playing deve ser vivido por todos com bastante seriedade, pois os problemas colocados podem ser realmente o que se passa com a pessoa que o está apresentando. - Devemos exercitar o respeito sempre e sempre. Além disso, explicar aos participantes que após cada treinamento haverá uma avaliação por parte de todos os presentes. Quem faz o papel de voluntário e de atendido, falam por último, respectivamente. - Todos devem estar cientes de que a avaliação será feita a fim de buscar sempre a melhoria na qualidade dos atendimentos. O objetivo não é colocar ninguém na “berlinda”, por isso não deve haver melindres por parte de quem foi avaliado ou medo de dizer o que sentiu, por parte dos avaliadores. - Todos participam. Todos avaliam. Todos aprendem. Todos crescem... juntos. Este é o objetivo dos treinamentos. 36. INTERVALO 37. AQUECIMENTO PARA O TREINAMENTO Pode-se iniciar com aquecimento. O monitor coloca um sentimento qualquer e todos devem dar uma resposta compreensiva, tentando buscar o centro da emoção colocada. Exemplo: Monitor:- Hoje estou tão triste que gostaria de sumir. Estagiário 1: Fale mais sobre isso... Estagiário 2:- Você me disse que está triste? Estagiário 3: Você me diz que tem vontade de sumir. Como é isso? O monitor tem condições de saber se um ou mais exercícios de aquecimento são necessários. 38. TREINAMENTO DE ROLE-PLAYING - SUGESTÕES DE CASOS 1. Acabo de chegar do laboratório. Fui fazer exame de gravidez. Sabe, tenho 17 anos. Meu pai é um homem muito severo. Acho que ele vai me matar... 2. Vendemos tudo o que tínhamos no Mato Grosso e viemos para cá. Compramos uma chácara aqui. Sabe, a escritura era falsa. Estamos sem terra e sem dinheiro... 3. Eu deveria estar contente, pois meu filho conseguiu realizar o seu maior sonho. Conseguiu uma bolsa de estudos para a Inglaterra. Ficará por lá dois anos. 4. Estou desempregado. Não tenho coragem de contar para minha mulher. Ela está esperando nosso primeiro filho...
  • 25. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:25/71 5. Meus pais são uns chatos. Veja você que eles querem que eu chegue em casa antes das dez da noite... 6. Oi. Meu cachorrinho morreu. Sei que parece bobeira, mas ele era meu único companheiro... 7. Estou completamente desanimado. Não consigo mais viver assim... 8. Não sei o que seria melhor para mim. Fico de lá para cá, pareço uma tola. Não sei viver sem esse homem. 9. Eu amo o meu marido. Tenho dois filhos lindos, mas ainda assim sou infeliz. Parece que falta alguma coisa. Há um vazio imenso dentro de mim... 10.Meu marido anda diferente, não me faz mais carinho. Eu acho que ele tem outra... 11.Meu amigo gostaria de abrir uma sociedade comigo numa loja, mas eu tenho medo de estragar nossa amizade... 39. DESPEDIDAS O monitor deve perguntar a todos os participantes se está tudo bem, se não há nenhuma dúvida. Citar o tema da próxima aula, a fim de incentivá-los a voltar. Sugere-se que o encerramento seja feito com a leitura de um depoimento do livro do CVV ou do texto "Relação de ajuda e orientação não-diretiva."
  • 26. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:26/71 TEMA 6 ABORDAGEM DE SENTIMENTOS PROFUNDOS 40. ABERTURA Devemos sempre começar um novo estágio sondando cada um dos participantes, a fim de saber como foi a semana ou se há alguma dúvida pendente sobre o último encontro. MEDITAÇÃO: Leitura do texto "Arte de Ouvir" e comentários. 41. TIPOS DE ABORDAGENS TELEFÔNICAS a. Superficiais - As chamadas superficiais são aquelas desprovidas de conteúdo emocional. O voluntário deverá, nestes casos, tentar fazer com que a pessoa expresse seus sentimentos. Caso isso não ocorra, procurar ser breve, pois outra pessoa pode estar tentando se comunicar. b. Solicitando informações - A pessoa liga para pedir informações sobre o trabalho, sobre a data do próximo curso etc. Se o voluntário souber dar as informações solicitadas, não há mal nenhum em fazê-lo, desde que estas não comprometam o sigilo. Nestes casos, é também importante oferecer a disponibilidade do trabalho, pois um pedido de informação pode ser transformado em apoio, se houver necessidade da pessoa que ligou. c. Apresentando o caso de um amigo - Muitas vezes as pessoas ligam para o Samaritanos/CVV para apresentar o caso de um amigo. Elas estão preocupadas com alguma situação difícil que uma pessoa amiga vem passando e ligam para buscar apoio. Nestes casos, devemos tomar muito cuidado, porque a pessoa que liga pode ser a própria a estar passando pelo problema descrito, porém por medo ou vergonha, podem encobrir a verdade, a fim de tomar coragem para tocar no assunto. - O que se deve fazer é permitir que a pessoa coloque sua história e tenha condições de desabafar. Ela pode estar se sentindo desamparada por não estar conseguindo ajudar o amigo. Pode estar zangada, confusa, ansiosa, culpada, amedrontada e, embora tenha ligado por causa de outra pessoa, ela própria provavelmente está precisando de apoio. Assegure-a de que ela está sendo útil ao amigo simplesmente por estar a seu lado. Faça com que ela se sinta acolhida por ter ligado e facilite o seu desabafo. Se julgar conveniente, sugira a ela que dê o telefone do Posto ao amigo e encoraje-o a ligar. O importante é que possamos ser úteis a ambos, de acordo com a necessidade de cada um. "Devemos saber ouvir além do que a outra pessoa nos diz”.(Maria Helena) d.Encaminhando alguém - Pode acontecer de advogados, policiais, psicólogos, psiquiatras etc encaminharem pessoas para o Posto. Esses chamados são atendidos de modo um pouco diferente. O intermediário não está necessariamente preocupado com um amigo. Ele está procurando ajuda para um cliente, conhecido ou atendido. Não se deve descartar o intermediário informando que os voluntários não se intrometem com pessoas que não procuram sua ajuda diretamente... isso levaria o intermediário a pensar mal de nossa organização.
  • 27. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:27/71 e. Reticenciosas - Este tipo de ligação exige do voluntário bastante paciência, no sentido de estar realmente junto da outra pessoa, pois ela vai narrar seus sentimentos de maneira intercalada e sem pressa. Ocorrerão vários espaços silenciosos, transmitindo provável tensão e dificuldade de se expor pela qual a pessoa passa naquele momento. Incentivar o desabafo, transmitir segurança e respeito são as regras. f. Direto ao assunto - Ao contrário do caso anterior, este tipo de chamada não tem características silenciosas, muito pelo contrário. Quando uma pessoa liga e vai direto ao assunto, ela “despeja” seus sentimentos, dores, raivas, mágoas, vontade de cometer suicídio etc, de maneira, muitas vezes, agressiva, pois esta é a forma que encontrou de se comunicar e expor seu mundo íntimo. Quando uma pessoa liga e diz, por exemplo, que vai se matar, não se deve entrar em pânico. É natural sentir uma certa tensão inicial. No entanto, é importante manter o controle, falando de maneira calma, porque uma fala agitada levaria a pessoa que ligou a perder mais ainda o controle. - Geralmente uma pessoa em crise pensa que alguma ação deve ser executada AGORA. O papel do facilitador é deixar que as emoções e sentimentos sejam expressados, a fim de que a própria pessoa possa descobrir suas alternativas de solução. - A pessoa que liga não está 100% certa de que deveria fazer isso ou aquilo, logo nosso papel é tentar clarear suas idéias, a fim de que ela possa enxergar por trás do “nevoeiro” que está encobrindo sua visão. É importante saber que alguém nos leva a sério e escuta o que temos a dizer, não é? g. Chamadas mudas - Quando uma pessoa liga e não diz nada, só fica ouvindo, observando pode indicar: curiosidade (saber se o trabalho realmente existe) ou estado emocional abalado. O segundo caso é o que deve nortear o trabalho do facilitador frente a uma ligação muda. Muitas pessoas ligam para o Samaritanos/CVV e não têm, de imediato, coragem de falar sobre seus problemas. Às vezes, a tristeza é tão grande que não se encontra coragem para falar. É como se bastasse saber que há alguém do outro lado da linha apoiando, compreendendo, respeitando. Uma chamada muda pode vir a ser um apoio ativo, mas para isso é muito importante o acolhimento do voluntário desde o começo da relação de ajuda. Nossa responsabilidade é criar condições para criar um clima de segurança para a pessoa que ligou, transmitindo segurança e amizade através do tom de voz. - Deve-se considerar a pessoa que ligou como alguém em sério sofrimento. - É importante, também, observar os ruídos, a respiração, se há ou não música de fundo etc. Nestes casos, todos os elementos são fundamentais para o acolhimento adequado de quem ligou para o trabalho. No caso de termos de encerrar a ligação, após algum tempo de tentativa de comunicação, informar que foi muito importante este contato e convidar a pessoa a ligar sempre e falar assim que se sentir mais confiante. h. Trote - Em princípio para o voluntário do CVV/Samaritanos não existem trotes, porque todas as chamadas têm valor, no sentido de oportunizar ao outro seu desabafo. Uma pessoa que liga para “brincar” talvez não conheça o trabalho. Essa é uma ótima oportunidade para conhecê-lo, afinal um voluntário atento saberá como aproveitar para oferecer a disponibilidade do nosso trabalho para a pessoa que ligou.
  • 28. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:28/71 i. Enganos - São comuns estes tipos de chamadas. Nestes casos também devemos nos colocar à disposição para ouvir. j. Solicitando mensagens e orações - Uma pessoa triste e amargurada pode ligar para um voluntário solicitando uma oração, porém este deverá ater-se somente ao sentimento de tristeza e amargura de quem ligou, atendendo conforme a filosofia do trabalho. Se houver insistência por parte do atendido em ouvir a mensagem ou oração solicitada, deve-se esclarecer que nosso trabalho não fornece esse tipo de coisas, mas que poderá juntamente com ele descobrir uma forma de buscar interiormente uma maneira de oração. Nosso objetivo deve ser estar ao lado da pessoa. Somente isso. Lembre-se: cada um possui uma crença religiosa. Ela deve ser respeitada, porém não é objeto do trabalho do CVV/Samaritanos. l. Como finalizar um atendimento - A maior parte das pessoas que nos telefonam quer apenas alguém com quem falar, sem laços ou compromissos. Elas terminam o chamado quando termina o desabafo. O voluntário pode apenas afirmar que podem ligar sempre que quiserem. - O voluntário também pode tomar a iniciativa de desligar o telefone. - Como? - De uma forma precisa, calma e segura. Avise-o alguns minutos antes: “Eu não quero cortar seu desabafo, se tiver alguma coisa a dizer...” “Você me contou um bocado e tenho certeza de que há mais. Vamos interromper por agora? Você pode ligar de novo a qualquer momento que precisar.” “Tenho que ir agora. Gostei que tivesse ligado.” - Quando? a) Quando perceber que a pessoa não para de falar, que desejam “bater papo” mas são solitárias (não há mal nisso, entretanto, se a conversa ultrapassar mais de 5 minutos com pessoas que ligam várias vezes por dia, o voluntário deve se questionar “estou prolongando chamados importantes... será que alguém realmente desesperado não está tentando ligar para cá?” b) Quando a pessoa obviamente terminou seu desabafo, não há mais conteúdo emocional e continua a repetir sua história. c) Quando vencer o horário de plantão - neste caso, sugere-se perguntar ao atendido se ele gostaria de continuar conversando com o voluntário que assumirá o próximo plantão ou se prefere voltar a ligar um outro dia. Cuidados a serem observados a) Encorage o outro a chamar novamente, se precisar. b) Evite adquirir uma “coleção particular”. c) Não pressione a pessoa e nem as afaste do telefone antes de tê-la ouvido. d) Se ficar com a sensação de “tarefa inacabada”: lembre-se de que não devemos esperar que o telefonema termine com os problemas e tudo seja maravilhoso a partir de então. O importante é dar o melhor de si, estando realmente disponível.
  • 29. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:29/71 42. PARTE PRÁTICA a. Aquecimento para o role-playing Cada um apresentará um caso para o colega da sua direita e este responderá simplesmente com uma palavra que expresse o sentimento. b. Treinamentos 1. Como funciona o trabalho do CVV/Samaritanos? 2. O que se deve fazer para ser um voluntário? 3. Eu tenho um amigo que está com problemas sérios. Está pensando em se matar. Você poderia mandar alguém para falar com ele? Eu posso te fornecer o endereço. 4. Por favor, você conhece alguém que possa ajudar meu filho? Ele está usando drogas. 5. Acho que vou morrer. Por favor, você poderia rezar por mim... 6. Eu já contei o meu caso três vezes. Agora gostaria de saber o que você acha que eu devo fazer. Pelo amor de Deus, faço o quê? 7. Estou percebendo que vocês só ficam em cima do muro. Para que vocês servem se não dão conselhos? 8. Você acha que eu deveria me separar de minha mulher? 9. Estou tão deprimido. Gostaria que você me dissesse alguma coisa que me animasse. Você conhece alguma mensagem ou poderia me sugerir o título de um livro? 10. Já decidi. Vou me matar. Caso contrário mato aquela desgraçada... 11. Este país não tem jeito mesmo, você não acha? 12. Que marca de shampoo você usa? Meu cabelo está horrível. Seu cabelo é comprido como o meu? 13. Chamada totalmente muda. 14. Você trabalha com roupa? ... Então você trabalha pelada? 15. Desculpe, foi engano... 16.Você pode me dar uma informação? Quando será o próximo curso? 17.Já conversamos bastante. Acho que mais de 30 minutos. Falei muito das novelas, das minhas amigas. Não sei se aborreci você. Queria falar mais um pouco sobre minhas experiências de ontem. Posso? 18. Meu pai está aqui do lado. Já que você trabalha aí, peça a ele que me deixe ir à festa... 19. Ligação muda que com o passar do tempo se transforma num choro convulsivo. 43. DESPEDIDA Perguntar a todos se há alguma dúvida. Relembrar o dia e o horário do próximo estágio.
  • 30. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:30/71 TEMA 7 CICLO DA VIDA, VIDA PLENA 44. ABERTURA Ler o texto "Cliclo da vida". O monitor deverá criar um clima agradável de entrosamento entre todos os presentes, colocando uma música suave, pedindo a todos que fechem os olhos por alguns instantes e ouçam atentamente as notas musicais como se todos estivessem presentes “dentro” da música. Cada um escolhe o instrumento que quiser ser e sente-se o próprio. Após esta dinâmica de relaxamento, permitir que todos, brevemente, fale como passou a última semana e esclareça quaisquer dúvidas referentes ao encontro anterior. 45. CICLO DA VIDA Via de regra, o homem nega a experiência do sentimento, classificando-a como sinônimo de fraqueza e vergonha, rejeitando, assim, a possibilidade do autoconhecimento, e sem se conhecer torna-se impossível a auto-aceitação. O refrão popular “homem não chora” exprime bem essa realidade do mundo moderno. Colocando barreiras diante da experiência do sentimento, reprimindo-o, não se permitindo sentir o que está sentindo, dificulta o seu caminhar em direção ao autoconhecimento. Por não se conhecer, não se aceita, e, de forma consciente ou inconsciente, faz uso das máscaras, dispendendo considerável soma de energia para manter uma aparência. Uma pessoa que passa por experiência frustrante e se nega a sentir a sua frustração mantendo a aparência do indivíduo bem-sucedido, desvia energias preciosas de sua vida diária para sustentar a máscara sobre a face. Num momento em que aceita a sua frustração, permitindo-se experimentá-la e vivê-la, chega mais perto de si mesmo, caminha para a autenticidade, e, em se aceitando, remove as máscaras para ser quem realmente ele é. É nesse momento que coloca toda a energia até então desviada para uma finalidade nobre: a libertação de idéias criativas. Os ciclos da vida O monitor deve perguntar aos estagiários quais são os ciclos que eles conhecem e que fazem parte da natureza. Eles dirão: estações do ano, ciclo menstrual, a gravidez, o ciclo das águas, nascer - viver - morrer, ciclo da alimentação etc. A seguir, deve ser feita a seguinte pergunta: - O ato de viver as nossas experiências obedeceria também a um ciclo natural? Para a Dra. Esther de Moraes, o ciclo da vida se processa segundo uma seqüência harmônica, que seria a seguinte: sentimento  pensamento  ação Mas, é isso mesmo o que ocorre na prática? Qual é a primeira reação que temos ao nos deparar com um problema? Rotineiramente, quando nos defrontamos com um problema, a primeira colocação, quase que imediata, é partirmos para a ação, a fim de neutralizá-lo. Não raro nos negamos até a pensar sobre o assunto. Somente após várias tentativas infrutíferas é que nos reservamos o direito de parar para pensar, e, na maioria das vezes, nem sequer chegamos a viver o sentimento envolvido. Agindo assim, estaremos percorrendo o ciclo da vida em sentido contrário, ou estaremos provocando atropelamentos.
  • 31. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:31/71 Dentro dessa ótica, qual seria a maneira mais saudável de cada um encarar os próprios problemas? Talvez a princípio seria bom parar e perguntar para nós mesmos: - O que estou sentindo a respeito? - O que penso a respeito? Por que estou passando por isso? - O que vou fazer a respeito? O CVV/Samaritanos e o Ciclo da Vida Uma das características que estão presentes na maior parte das pessoas em crise que ligam para o trabalho é o relato confuso de sua própria experiência. A principal causa dessa confusão geralmente se prende ao fato dessas pessoas não saberem expressar seus sentimentos de maneira direta. Quase sempre elas recusam a sentir, buscando solução imediata para seus problemas. O papel do voluntário é, portanto, reordenar junto com a pessoa o ciclo da vida, buscando para isso o seu ponto de partida que é o sentimento. Uma vez alcançado o sentimento, a pessoa, com seus próprios recursos, se encaminhará para o pensamento e em seguida para a ação, de forma natural. O monitor poderá retomar rapidamente o exemplo do primeiro estágio: - o Triângulo das Bermudas - a fim de clarear ainda mais a relação entre a Pessoa (sentimento) e o Ciclo da Vida mostrado neste terceiro estágio. A sugestão é que isto seja feito na lousa ou cartaz. 46. VIDA PLENA Antes de falar sobre o tema, ler o texto ilustrativo: "História do caminho" ou "As pessoas são dádivas". Aqui o monitor deverá expor um pouco do que sabe sobre o exercício de Vida Plena que nos comprometemos a fazer mensalmente em nossas reuniões de grupo. Assim como nos preparamos e treinamos o role-playing, a fim de aperfeiçoar nosso atendimento para a outra pessoa, também devemos exercitar a Vida Plena, a fim de nos encontrarmos e buscarmos a harmonia necessária para ouvir o outro que nos procura. Viver plenamente é buscar ser aberto às experiências, reconhecendo que os fatos são sempre amigos, inclusive os “fatos negativos”, pois eles nos ensinam, embora possam parecer desagradáveis. O fracasso é mais valioso do que o sucesso, porque nos obriga a revisões e correções. Ao reconhecer os fatos como amigos e dar valor à experiência, saímos para a rua de “peito aberto”, prontos para viver. Começamos, então, a aceitar a vida como ela é, deixando-nos conduzir pelo seu curso natural. Devemos nos preocupar somente com o que pode ser mudado. Desarmados de defesas, identificaremos a beleza que existe nas pessoas, as quais passaremos a olhar livremente, sem rótulos ou máscaras. A partir de 1984, o CVV/Samaritanos começou a vivenciar este exercício, entitulado “Vida Plena”. Este exercício não deve ser encarado como uma conversa informal e nem interpretação de textos. O objetivo deve ser arrancar aos poucos as nossas máscaras e, para isso, devemos tocar em temas que digam respeito a vícios ou imperfeições: medo, ciúme, raiva, impaciência, preconceito de todas as ordens, tais como: religioso, sexual, racial, econômico, cultural etc.
  • 32. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:32/71 O exercício proporcionará a nossa própria descoberta e, além disso, o que nosso companheiro disser também despertará em nós um sentimento diferente do nosso, o que poderá nos auxiliar na descoberta de nosso eu mais profundo. Para participar do exercício de Vida Plena é necessário: - Respeito absoluto pelo sentimento do companheiro. - Nunca filosofar. - Ouvir atenciosamente. - Não interromper (salvo os monopolizadores). - Falar somente de seus sentimentos, nunca o que você acha. - Não aconselhar o outro que acabou de falar ou citar o que ele disse. - Nunca se colocar no lugar do outro. - Não prejulgar. - Se não entender o que o companheiro quis dizer, calar-se, porque ele sabe o que quis dizer. - Ser você mesmo, pois o objetivo da reunião é você mesmo. - De preferência, não olhar para os companheiros a sua volta. - Procurar voltar-se para dentro de si mesmo. A descoberta de nossas máscaras até então escondidas é apenas o início de sua extirpação. Uma luta surgirá dentro de nós, pois elas estão tão arraigadas que tentaremos sempre justificar nossos comportamentos. Não devemos desanimar, pois com persistência obteremos a vitória. Será um trabalho doloroso, mas valerá a pena, pois a dor maior seria a covardia e o medo de arrancar todas as nossas máscaras e mirar-nos no espelho. 47. EXERCÍCIO - CURTOGRAMA Para iniciar a abordagem de sentimentos e percepções íntimas, iniciar com o exercício do "curtograma" onde cada participante, inclusive o monitor, receberá uma página com quatro quadrantes: Agora o monitor poderá exercitar a Vida Plena com o grupo presente. Todos já sabem como ele deve funcionar. O tema escolhido para o exercício poderá ser sugerido pelos próprios estagiários. Para isso, o melhor seria entregar um pedaço de papel a cada um, a fim de que escrevam sobre o que gostariam de tratar nesta primeira experiência. Recolher os papéis e sortear apenas um é uma boa prática. Porém, confia-se no bom senso do monitor, no sentido de criar seu próprio método de aplicação do exercício. 5. Sigilo Após o intervalo para o café, a sugestão é que seja lido um texto que fale sobre “sigilo” - "História das penas". É interessante que todos os estagiários possam falar sobre o que entenderam do texto ou sobre a importância que atribuem ao sigilo no trabalho do CVV/Samaritanos. O fato de uma pessoa ter procurado ajuda é sigiloso dentro da organização. Nenhuma informação é revelada a qualquer pessoa fora do Posto sem a permissão de quem relatou. As informações não vão além dos voluntários diretamente envolvidos no trabalho de ajuda. No entanto, nenhum voluntário tem permissão de aceitar uma confidência se for imposta a condição de que não poderá comunicá-la nem mesmo ao Coordenador, se necessário.
  • 33. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:33/71 Os voluntários do CVV/Samaritanos são conhecidos pelo nome. Sobrenomes, endereços, números de telefone não poderão ser fornecidos às pessoas de fora em caso algum. Informações pessoais sobre outros voluntários não podem ser compartilhadas com as pessoas atendidas. Antes de começar a trabalhar no Posto, cada voluntário assume compromisso de seguir as regras de confidencialidade, tanto durante o seu tempo de serviço ativo na organização como depois. Nenhuma anotação escrita pode ser levada para fora do Posto. As pessoas que nos procuram não devem ver ou ouvir outras pessoas ajudadas no Posto. Por isso, somente os voluntários têm acesso aos aposentos contendo avisos, instruções, arquivos e telefones de emergência. Todos os assuntos com a imprensa, advogados, policiais e outras agências devem ser encaminhados ao voluntário responsável. Não há proteção legal para qualquer voluntário em relação à confidencialidade, porém, até hoje nenhum voluntário foi contestado em tribunais, muito pelo contrário. Ler o texto "O sigilo no CVV". 48. TREINAMENTO 1) Você está escrevendo isto tudo que estou dizendo? 2) Eu quero contar uma coisa, mas você deve prometer que não contará nada do que eu disser a ninguém, nunca. Posso confiar em você? 3) Moço, eu atropelei uma criança e não parei... 4) Por favor, você poderia me informar como está aquele meu paciente que encaminhei para você ontem? 5) Alô, eu estou internada no hospital e gostaria muito de receber uma visita de alguém dos Samaritanos para conversar. É possível? 6) Por favor, você poderia me fornecer o telefone do voluntário ..........? 7) Olá, eu sou a Maria. Falo sempre com você. Estou de mudança de cidade e gostaria de levar seu endereço para continuar me comunicando com você. Pode me dar? 8) Por favor, eu gostaria de falar com um voluntário homossexual. Aí existe algum? 9) Eu sou repórter do Jornal da Manhã e gostaria que você me desse algumas informações para um artigo que colocarei no jornal de amanhã. Poderia fornecer alguns dados? 10) Minha filha fugiu de casa e antes disso ouvi quando ela ligou aí para o CVV. Por favor, estou desesperado. Conte-me para onde ela foi. 11) Por acaso um homem chamado Paulo ligou para vocês ontem? 12) Sei o quanto a voluntária.............. foi útil à minha amiga Bete. Ela é enfermeira. Gostaria muito de falar com ela também. Quando é o seu plantão? Será que ela me ajuda a escolher um bom remédio para mim? 49. RESUMO - AUTO COMPREENSÃO O processo de compreensão da pessoa como "um todo" inicia através do triângulo das bermudas onde já diferenciamos a pessoa dos problemas e de sua vida social, depois partimos para explorar a pessoa em seus três aspectos: parte física - responsável pela ação; parte emocional - responsável pelos sentimentos; parte mental - responsável pelos pensamentos.
  • 34. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:34/71 Pelo fato da pessoa não estar congruente consigo própria, ou seja, não estar sentindo, pensando e agindo de forma coerente ela está se enganando, formando máscaras para dissimular sua incoerência íntima. Ex. A pessoa detesta sua mãe, porém ela aprendeu que a mãe é santa e deve amá-la e demonstrar que a ama. Imagina o conflito interno quando ela vê as atitudes da mãe que ela tem que engolir sem poder falar nada! Quando a pessoa passa a identificar claramente o que ela sente a respeito de tal fato e o que ela pensa, sua atitude começa a ser mais autêntica e espontânea, não mais forjada e forçada. A Vida Plena entra nesse processo para ajudar a pessoa a ter contato consigo mesma, identificando o que sente e pensa a respeito de muitas coisas que estão escondidas em nosso subconsciente. Existe uma imagem dos Hindus que retrata bem a pessoa. É simbolizada por uma carruagem onde o corpo físico é representado pela carroça em si, o emocional pelo cavalo e o mental pelo cocheiro, sendo o passageiro a alma, o espírito, o ser em si mesmo que independe do veículo de transporte. Quando o cocheiro larga as rédeas e o cavalo das emoções segue seus impulsos desordenadamente, a carruagem vai para o brejo. Quando o cocheiro puxa muito firme e fortemente as rédeas, as emoções se entravam e o cavalo empaca. Enfim, quando o cocheiro, seguindo as ordens do passageiro, conduz com precisão, domínio e muita atenção o cavalo, a carruagem atinge seu destino sem tropeços, em uma viagem harmoniosa e congruente. Os três estavam querendo ir à mesma direção.
  • 35. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:35/71 TEMA 8 PERDAS E ABALOS SITUACIONAIS 50. MEDITAÇÃO Como sempre, é bom iniciar o estágio lendo um texto que permita encontrar um clima de harmonia interior. Ler o texto: "Eu sei, mas não devia". A seguir, permitir a todos que falem como foi a semana e eliminar possíveis dúvidas sobre o estágio anterior. 51. PREPARAÇÃO Pedir a cada um dos participantes que respondam às questões abaixo em forma de Vida Plena: - Você já sofreu alguma perda? - Como se sentiu diante dela? Permitir que todos extravasem seus sentimentos através de desabafos íntimos. Observar se algum participante precisará de apoio após este exercício. Caso haja essa necessidade, solicitar a um voluntário colaborador que acompanhe o estagiário a um local apropriado para conversar. 52. ABALOS SITUACIONAIS Todos nós podemos viver a experiência de perder algo ou alguém que nos era caro. Estas situações são as que mais trazem solidão e desespero. Muitas pessoas ligam para o trabalho do CVV/Samaritanos por motivos de perda. A princípio, nestas situações, a pessoa encontra-se tão desorientada que sequer consegue vislumbrar uma pequenina luz para sair do sofrimento. A dor da perda é muito grande e às vezes pode levar ao suicídio. Existem vários tipos de perda. No entanto, não podemos determinar qual é maior ou menor. De acordo com o nosso ponto de vista, uma situação que está causando uma grande dor em alguém pode nos parecer uma bobagem, porém para a pessoa que a está sentindo a verdade não é esta. Não há como medir a dor. Não há como compará-la dizendo que uma é maior do que a outra. Quando lidamos com sentimentos, devemos ter a sensibilidade de nos colocar no lugar do outro para perceber o que aquela determinada perda pode estar significando. A dor de uma criança que perde o seu peixinho de estimação pode ser tão profunda quanto a dor de uma mãe que perdeu o filho. Não há o que contestar. O universo íntimo de cada um pode se abalar por coisas das mais infinitas. Não cabe a nós, voluntários, julgar se este é ou não um problema sério. Nosso papel deve ser estar ao lado daquele que nos liga. Ampará-lo em seu momento de desespero. Ser um amigo provisório. Tipos de perdas: - de pessoas (parentes e amigos); - de animais (estimação); - de objetos de valor sentimental; - de recursos de apoio (proventos, saúde etc.); - de segurança (emprego, rotina estável, status, lazer etc); - de ilusões (beleza, juventude). Os motivos das perdas são muitos, dentre eles: morte, suicídio, casamento, separação, serviço, desemprego, saída da casa dos pais, formatura, perda de colegas no convívio diário, doença física ou mental, desavenças etc.
  • 36. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:36/71 Conseqüências e reações: As pessoas reagem em conseqüência das perdas de maneiras bem diferentes, próprias de cada pessoa. Elas poderão ser levadas por sentimentos negativos e hostis, tais como: medo, desespero, mágoa, culpa, revolta etc. Algumas pessoas tentam se defender contra o sentimento, controlando-se ao máximo diante da morte do outro, por exemplo. Essas pessoas sofrem muito mais nos meses que se seguem, pois não puderam exteriorizar toda a dor que envolvia o momento da perda. Portanto, essa atitude de defesa não parece ser nada satisfatória. Se a pessoa não sentir apoio, ela poderá sofrer falta de interesse pela vida. Como poderemos ajudar neste momento de aflição? A coisa mais importante a fazer é deixar que o indivíduo fale sobre suas memórias em relação ao ente querido até esgotá-las. Cabe ao voluntário respeitar a vontade do atendido em falar, falar, falar... O papel do facilitador é permitir ao outro escoar toda a dor, a fim de que ela não cause um mal maior no futuro. A idade das pessoas também pode determinar alguns tipos de perdas específicos. Vamos analisar alguns casos: a. Crianças O sofrimento decorrente da perda de animais de estimação é bastante intenso nessa fase. Além disso, a criança pode também sentir solidão por causa de problemas enfrentados no lar, tais como: separação dos pais, maus tratos, falta de amor, sentimento de inutilidade, desmotivação nos estudos, ciúme dos irmãos, falta de diálogo com os pais etc. Para tratar com crianças, o voluntário deverá ter um pouco mais de tato e carinho, pois todos nós sabemos que esta é uma fase que exige de nós muita atenção. No entanto, o facilitador deverá seguir as regras do trabalho de não aconselhar, não alimentar fantasias não iludir. A criança é um ser humano como outro qualquer e merece ser tratada como tal. b. Adolescentes Geralmente os adolescentes relatam seus sofrimentos em meio a risadas e brincadeiras, o que deve ser tomado como uma maneira de mascarar a timidez, pois para eles é muito difícil comunicar os sentimentos e as preocupações. Os problemas mais comuns neste caso são: acharem que não são entendidos pelos pais; medo de contar aos pais que deixaram de freqüentar a escola para irem a outros lugares ou de comunicar as notas que conseguiram no final do bimestre; brigas familiares constantes ou iminente separação dos pais; dúvidas relacionadas ao sexo; envolvimento com drogas ou más companhias etc. O voluntário deve observar tudo o que eles falam. Isso é muito importante. O adolescente sente- se incompreendido por natureza e se o facilitador demonstrar antipatia pelas suas colocações ou demonstrar por algum motivo não compreender suas atitudes a relação de ajuda será obviamente encerrada. c. Pessoas idosas O índice de suicídios entre pessoas idosas é bastante elevado. Os motivos que podem levar essas pessoas a procurarem o trabalho dos Samaritanos não são muito diferentes dos já citados: solidão, perdas de recursos ou de apoio etc. A comunicação, por exemplo, pode ser prejudicada pela perda total ou parcial da audição, pela vagarosidade da dicção, por confusões na memória. Os maiores problemas ocorrem com idosos que vivem em entidades para idosos. O sentimento de rejeição é bastante grande e prejudicial. 53. INTERVALO
  • 37. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:37/71 54. TREINAMENTO 1) Eu estava indo atrasado para a escola, quando bati minha moto e perdi minha perna... 2) Eu perdi meu filho de um mês, há duas semanas atrás... ele era tão lindo... 3) Você me acha tola por me deprimir assim com a morte de meu cachorrinho? 4) Cheguei do hospital agora e não há mais dúvidas. Estou com câncer... 5) Eu perdi meu emprego. Quinze anos de minha vida... 6) Hoje fui receber a minha pensão de aposentado e mal deu para eu comprar os remédios de minha esposa... 7) Estou me arrumando para ir à missa de um mês de falecimento de meu marido... 8) Será que passarinho tem alma, tia? O meu morreu e não queria que papai o enterrasse. 9) Meu namorado me deixou e ontem descobri que foi por causa de minha melhor amiga... 10) Tenho 16 anos. Se eu abortar e meu pai descobrir ele me mata. Mas acho que ele vai me matar de qualquer jeito... 11) Perdi tudo, minha liberdade, minhas amigas, tudo. Este meu casamento foi o que de pior eu poderia ter feito... 12) Moro aqui neste asilo... Tenho dois filhos casados... 55. DESPEDIDA Permitir a todos os participantes que falem sobre a experiência vivida neste estágio, a fim de encerrar as atividades.
  • 38. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:38/71 TEMA 9 AJUDA EM TEMÁTICA ERÓTICA E SEXUAL 56. HARMONIZAÇÃO O estágio de hoje será um pouco tenso por parte de alguns participantes, pois o tema a ser discutido geralmente traz um pouco de vergonha ou tabus a serem vencidos. Por este motivo, a sugestão é que seja colocada uma música suave na abertura do encontro e que o monitor leia o texto da Marta Suplicy que fale sobre valores. Logo após, permitir que todos, como é de costume, fale sobre a semana passada e possa esclarecer possíveis dúvidas sobre o quarto estágio. 57. AJUDA COM TEMÁTICA SEXUAL O comportamento sexual é sempre algo muito variado quando se trata de indivíduos, sexos e idades diferentes. Essas variações podem ser mal compreendidas ou não aceitas pelos demais, provocando sofrimento, culpa, humilhação, fracasso e outros sentimentos negativos. Muitos casos são complicadíssimos para serem tratados, pois a educação recebida, a orientação religiosa, a cobrança da sociedade podem influenciar sobremaneira no comportamento das pessoas. Veremos muitos casos de homossexualismo, masturbação, sexo, gravidez antes do casamento, aborto, promiscuidade, sadismo, masoquismo, fetichismo, travestismo, exibicionismo etc. Perceba que pode ser muito difícil para a outra pessoa falar sobre seus problemas e temores mais íntimos. Por isso, qualquer atitude de nossa parte de condenação, julgamento ou choque pode barrar a relação de ajuda, porque a pessoa que ligou pode se sentir novamente sozinha e incompreendida, como tantas vezes já aconteceu lá fora em sua vida diária. O voluntário deve estar completamente voltado para o sentimento da pessoa que ligou. Deve ter bem dentro de si a segurança de estar lidando com uma pessoa que sofre. Para o voluntário, como já vimos em nosso primeiro estágio, não deve se fixar no problema e sim na pessoa que ligou. É muito importante lembrar que aqueles que se consideram ou realmente são pessoas com desvios sexuais são freqüentemente muito solitárias e se sentem monstruosas. No entanto, algumas chamadas podem trazer mal-estar ao voluntário em razão de suas características eróticas, obscenas e agressivas. Neste caso, o voluntário deverá verificar dentro de si se há ou não conteúdo emocional na ligação e, caso a resposta seja negativa, deverá encerrar o atendimento, porque devemos manter nosso equilíbrio e o objetivo do trabalho que não é satisfazer sexualmente, de forma nenhuma, em nenhum caso, sob nenhuma hipótese. Para isso, é importante treinar. As chamadas com temática sexual podem ser classificadas em: 58. CHAMADAS OBSCENAS OU PORNOGRÁFICAS (HÁBITO): Nas quais a pessoa se utiliza normalmente dos chamados “palavrões” na sua linguagem diária. Nestes casos, a pessoa fala o que está sentido, sem intenção de chocar ou agredir o voluntário. Este é simplesmente o seu jeito natural de ser. A pessoa realmente quer falar sobre os seus sentimentos, porém o modo como encontra para demonstrá-los nem sempre é o mais adequado, mas não nos cabe julgar ou condenar. O papel do facilitador é permitir que o fluxo do desabafo ocorra naturalmente.
  • 39. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:39/71 59. CHAMADAS OBSCENAS OU PORNOGRÁFICAS (AGRESSÃO): Ao contrário do caso anterior, aqui o atendido quer, através de sua linguagem “vulgar” agredir o voluntário. Nestas situações é necessário muito tato para conduzir a relação de ajuda, pois na realidade a pessoa não quer ofender ao atendente, mas esta é a maneira como ele consegue expressar seus sentimentos. O facilitador deve manter uma atitude de aceitação, compreendendo tratar-se de um desabafo. 60. CHAMADAS ERÓTICAS: Vamos citar aqui alguns tipos de chamadas eróticas que podem ocorrer: exibicionismo: consiste na exposição compulsiva dos órgãos sexuais, sob condições inapropriadas. A pessoatem necessidadedeprovocar excitaçãoegratificaçãosexualemsipróprioaofalar ou mostrar seu órgão. Alguns estudiosos acreditam que as causas desta expressão sexual sejam devidas à imaturidade emocional e à insegurança a respeito de sua masculinidade. Outrosacreditamqueahostilidadeearaivasejamaraizdoproblema. fetichismo: consiste na obtenção de excitação sexual através de um objeto inanimado. O objeto de fetiche é comumente usado durante a masturbação, por exemplo: sapato, calcinha, ligas etc. O fetichista transfere a angústia e os sentimentos de culpa que associa à atividade sexual, deslocando seu interesse erótico para um objeto que o simbolize. Alguns estudiosos acreditam que o fetichismo se deva a experiências na primeira infância, em que objetos foram associados com uma particular e poderosa forma de excitação por prazer sexual. travestismo: significa a obtenção do prazer sexual através do uso de roupas de outro sexo. Quase todos os travestis são homens heterossexuais, que sentem necessidade de usar roupa de mulher para obter gratificação sexual e não querem mudar de sexo. pedofilia: variante sexual em que o indivíduo adulto sente desejo erótico compulsivo, de natureza homossexual ou heterossexual por crianças ou pré-adolescentes. Segundo alguns pesquisadores, a maioria dos contatos pedofílicos é realizada por adultos tímidos que se sentem incapazes de encontrar satisfação sexual com mulheres (a grande maioria é composta de homens). transexualismo: o transexual sente um desejo compulsivo de mudar de sexo. Julga-se vítima de um erro biológico e procura alterar sua aparência para que seu corpo corresponda à identidade emocional e psicológica que experimenta. sedutoras: nestes casos o atendido tenta envolver o voluntário em seu desejo e fantasia sexual, exigindo de forma velada ou declarada a sua participação. Ele deixa bem claro que precisa do voluntário para conseguir seu intento de masturbar- se, ouvindo a sua voz, a sua respiração, a sua cumplicidade. Também nestes casos, o papel do facilitador será tentar descobrir quais são os sentimentos embutidos por traz das aparências que se encontram rodeando aquele ser. A pessoa pode estar vivendo um momento de profunda solidão ou sentindo impotência em conquistar um parceiro para suas relações sexuais. Pode, ainda, ser uma pessoa tímida demais que sofre com as frustrações relacionadas ao seu fracasso no desempenho sexual. Sabemos que o sentimento pode estar ali, por isso é imprescindível tentar descobri-lo. Muitas vezes, uma chamada erótica pode vir a tornar-se uma relação de ajuda lotada de sentimentos fortes e sufocados por muito tempo. Isso pode ser gratificante para ambas as partes. No entanto, se o voluntário tentar tatear algum sentimento importante para continuar com o diálogo, sem obter resultado satisfatório, tem todo o direito e até dever em encerrar a ligação,
  • 40. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:40/71 uma vez que não é nosso papel servir de objeto de prazer e masturbação para quem quer que seja. O CVV/Samaritanos mantém um trabalho digno de estar ao lado de quem precisa, de quem sofre e de quem tem vontade de crescer através do desabafo. Por este motivo, respeita e compreende a dor do outro, mas exige este mesmo respeito por parte de quem procura o trabalho. Enfim, sempre que conseguirmos centrar o diálogo na pessoa e não no problema sexual, desencadeia-se uma conversa de profundo conteúdo emocional, que se distanciará da agressividade ou da obscenidade. Nunca é demais lembrar que aceitar a obscenidade e a pessoa obscena não significa concordar com ela. Representa somente a nossa coragem em admitir a existência do fato, não fugindo ou negando. 61. AJUDA EM SITUAÇÕES DE AGRESSIVIDADE Para começar a discutir este tema, sugerimos a leitura do texto "Raiva" Após a leitura, o monitor deverá perguntar aos participantes e pedir que eles respondam somente SIM ou NÃO. - Você já foi maltratado alguma vez? - Isso ainda dói ao ser lembrado? - Suportaria viver essa situação novamente? - Você já maltratou alguém? Agredir significa: ofender, assaltar, atacar. As chamadas agressivas podem ser classificadas em: a) ameaças diretas: Quando a outra pessoa, não vendo satisfeitas as suas vontades ou imposições, agride verbalmente de diversas formas. Pode, inclusive, ameaçar agredir o voluntário fisicamente. b) ameaças indiretas: Ocorrem quando a pessoa que ligou não se sente satisfeita com o atendimento e diz que pretende se matar ou matar alguém. Nos dois casos, se o voluntário se concentrar em perceber os sentimentos ali envolvidos, estando junto da pessoa atendida, trabalhando seu conteúdo emocional, a relação de ajuda será satisfatória. Quando estes casos ocorrem em atendimentos pessoais, a nossa experiência comprova que a grande maioria dos atendidos estão sob efeito de drogas, podendo até quebrar coisas, bater portas, ou tentar agredir o voluntário. O importante é estar atento, pois se todos os recursos a fim de conseguir uma entrevista natural forem esgotados, deve-se chamar a polícia, pedindo que haja discrição e ajuda para o atendido. A polícia atende prontamente aos chamados de nosso trabalho. 62. AJUDA EM SITUAÇÕES DRÁSTICAS A palavra drástica significa: enérgica, decisiva. Estes casos devem ser levados a sério pelo voluntário, pois muitas vezes a outra pessoa pode ligar para o Posto, dizendo que tomou muitos comprimidos para cometer suicídio e que estão arrependidas. Pedem nosso socorro. Sendo assim, solicitamos seu endereço e ligamos para a polícia ou para uma ambulância e explicamos que somos voluntários e que precisamos de socorro para um atendido. É importante, nestas situações, não ficarmos questionando se é ou
  • 41. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:41/71 não verdade, se é ou não um caso de trote. Pelo sim e pelo não, estamos lidando com vidas humanas e não devemos arriscar perdê-las, afinal, nosso trabalho é de valorização da vida. Por outro lado, existem chamadas drásticas de pessoas que realmente atentaram contra sua vida, querem morrer, mas ligam para o Posto, pois querem companhia para seus últimos instantes de vida. Nestes casos, elas não pedem socorro, só querem companhia. Cabe aqui a nossa total atenção e carinho para com esta pessoa que sofre demais e precisa de nosso apoio. A decisão é de quem ligou, mas nós nos propomos a estar ao lado, independentemente da situação. 63. INTERVALO 64. TREINAMENTOS 1) Oi. Tudo bem? Você é bicha? É? Pensa bem, só porque eu sou "gay" eles pensam que eu tenho aids. 2) Ah! Que voz macia você tem... Fale comigo, por favor... ai, que delícia de voz... imagino como você deve ser fisicamente... 3) Sabia que iria acabar te encontrando aí. Não consigo esquecer do seu jeitinho carinhoso e estou com vontade de passar aí para sair com você. Lembra do Motel que fomos juntos? 4) Olha, eu não estou conseguindo chegar ao orgasmo sozinho... fale comigo... 5) Aí, estou me sentindo tão sozinha hoje. Ainda bem que estou falando com você, pois além de ser homem, parece que você é muito bonito. Como você é? Sei que você vai me adorar, porque todos os homens adoram me beijar e sei que você não será diferente. 6) Sabe, moça, eu tenho um pinto grande e todas as mulheres com quem eu saí dizem que ele é uma delícia de ser chupado. Eu não sei... às vezes me sinto triste, pois parece que elas só dão importância para ele... 7) Sabe, eu só consigo me masturbar se tiver uma calcinha dela comigo. Isso é normal? 8) Cara, estou desesperado. De uns tempos pra cá só penso no meu chefe, no corpo dele, no perfume dele. Cara, eu sou casado... e não sinto mais desejo pela minha esposa. O que eu faço? Tenho vontade de me declarar para o meu chefe... tenho certeza de que ele também quer... 9) Sabe, eu adoro me imaginar “transando" com uma menina de uns dez anos, no máximo... será que isso é normal? 10) Acho que você não está me entendendo, porra! Você é uma vaca. Presta atenção. Eu estou com uma puta raiva do meu marido. Ele é um filho da puta. Entendeu, sua vaca? Será que agora deu para entender? 11) Oi, o que você está fazendo aí? Não tem nada para fazer em casa não? Eu não entendo o que vocês ficam fazendo aí. Deve ser uma putaria só, né? Acho que vocês todas vão aí atrás de macho. Mulher é tudo assim mesmo... 12) Estou cansado de ligar aí, vocês só ficam ouvindo e não falam nada. Por que não fecham esta porcaria? 13) Moço, estou ligando aí porque tomei vinte comprimidos e estou morrendo. Eu não quero morrer... meu telefone é... meu endereço é... Venha depressa, por favor... 14) Eu trouxe este amigo aqui porque ele quer se matar. Pelo amor de Deus, fale com ele... 15) Estou ligando para dizer que já decidi, vou morrer esta noite. Já esta tudo preparado. 16) Por favor, fala que me ama... só uma vez... queria tanto ser amado... fala, vai...
  • 42. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:42/71 65. DESPEDIDAS O estágio de hoje tem características fortes e pode deixar o clima meio tenso após o treinamento, por isso seria bom que o monitor permitisse que, por alguns instantes, os estagiários se colocassem, no sentido de falar sobre o que acharam da experiência de ter mexido em todos estes assuntos. É bom sempre esclarecer que a função do voluntário é estar disponível incondicionalmente e, para tanto, o treinamento prepara o indivíduo para que esteja preparado para todas as situações que aparecerem. Assim que todos tenham se colocado, pode-se encerrar a reunião com a leitura do texto "Raiva" de Robin Casarjian.
  • 43. PROGRAMA DE SELEÇÃO DE VOLUNTÁRIOS DO CVV - PAG:43/71 TEMA 10 AJUDA NA AGRESSIVIDADE E NA DROGADEPENDÊNCIA 66. ABERTURA O monitor poderá colocar uma música calma e fazer um relaxamento juntamente com todos os participantes, a fim de buscar uma harmonização adequada ao início deste estágio. A seguir, possibilitar a todos que falem sobre como passaram a última semana e se têm alguma coisa a dizer ou a perguntar sobre o quinto estágio. 67. DISTÚRBIOS DE PERSONALIDADE O estudo a seguir é um resumo de textos escritos pelo voluntário Allan - Ribeirão Preto, uma vez que somos leigos no assunto. Desde já, o monitor deve deixar claro aos estagiários que o trabalho do voluntário não deve ser tentar “curar” os possíveis distúrbios de personalidade que possam acontecer em seus atendimentos, pois nosso trabalho é diretamente ligado ao sentimento e tão somente ao sentimento. Casos graves de sociopatia ou psicopatia não cabem a nós tentar resolver. Estaremos ao lado da pessoa, porém devemos perceber até onde podemos ir ou parar. “Os problemas de comportamento classificados como distúrbios de personalidade são muito heterogêneos, variando em intensidade desde as esquisitices moderadamente perturbadoras: timidez, supersensibilidade, retraimento, excentricidade ou bloqueio de relações interpessoais - até problemas de comportamento que refletem um padrão duradouro de conflito com a sociedade. O comportamento decorrente desses distúrbios, embora aparentemente dirigidos contra o mundo exterior, sempre traz dissabores a eles próprios. Agitadores e perigosos que podem ser esses indivíduos, são sempre eles mesmos quem mais sofrem.” 68. PERSONALIDADE SOCIOPATA Insanidade moral, inferioridade psicopática constitucional, personalidade psicopática ou personalidade perversa, sociopatia, psicopatia, distúrbio sociopático da personalidade com as sub-classes de reação anti-social, são alguns dos muitos títulos encontrados quando estudamos a matéria. Sobre este tipo de personalidade concentramos a nossa atenção neste trabalho pelas características pessoais que eles apresentam e que dificultam por demais o seu relacionamento com outras pessoas ou grupos, como o CVV por exemplo. Dentre as inúmeras definições, encontra-se sempre a idéia fundamental de que a condição se caracteriza por uma agressividade anormal e/ou conduta seriamente irresponsável. Duas vezes mais freqüente dentre os homens, assim como ocorre com adelinqüência em geral. Na mulher assume a forma de uma irresponsabilidade geral, inclusive sexual. No homem a característica fundamental é a agressividade e a violência.