VIDAS SECAS 
Graciliano Ramos
Graciliano Ramos 
“Falo somente com o que falo: 
com as mesmas vinte palavras 
girando ao redor do sol 
que as limpa do qu...
Vidas Secas – a narrativa 
• Narrativa em 3ª pessoa – estilo enxuto – 
economia vocabular 
• O retrato social e existencia...
Vidas Secas – a narrativa 
• Os capítulos independentes. 
• A seca como protagonista. 
• A humanidade do autor – mescla na...
"Miudinhos, perdidos no deserto queimado, os 
fugitivos agarraram-se, somaram as suas desgraças e 
os seus pavores. O cora...
A problemática da linguagem 
• A esfera de limitações: física - financeira - social – 
linguística. 
• A palavra transform...
A problemática da linguagem 
Os níveis da linguagem 
• Externo: as palavras soltas - um diálogo 
inacabadas. 
• Interno: c...
O isolamento 
• Solidão e o primitivismo: sociabilidade 
ineficiente. 
• Cada personagem vive seu próprio abandono.
As Personagens 
Fabiano: o enfoque determinista – o polo da 
brutalidade. 
“Fabiano dava-se bem com a ignorância. Tinha o ...
Sinha Vitória: o polo do conhecimento - o desejo de 
mudança. 
“Fora de propósito dissera ao marido umas 
inconveniências ...
Menino mais moço: a busca pela atitude heroica – o 
espelhamento na figura paterna 
“E precisava crescer, ficar tão grande...
Menino mais velho: a paixão pelas palavras 
“A culpada era sinha Terta que na véspera, depois de 
curar com reza a espinha...
O soldado amarelo: o governo 
“Não se inutilizava, não valia a pena inutilizar-se. 
Guardava a sua força. 
Vacilou e coçou...
Baleia: o catalisador emocional da família 
Antropomorfizada – o contraste nome X condição. 
“Baleia, que era como uma pes...
Tinha havido um desastre, mas Baleia não 
atribuía a esse desastre a impotência em que se 
achava nem percebia que estava ...
Baleia encostava a cabecinha fatigada na pedra. A 
pedra estava fria, certamente sinha Vitória tinha 
deixado o fogo apaga...
Vidas Secas – o eterno retorno 
Fuga 
“Os pés calosos, duros como cascos, metidos em 
alpercatas novas, caminhariam meses....
Dentro de pouco tempo estaria magra, de seios 
bambos. Mas recuperaria carnes. E talvez esse lugar 
pra onde iam fosse mel...
E andavam para o sul, metidos naquele sonho. Uma 
cidade grande, cheia de pessoas fortes. Os meninos 
em escolas, aprenden...
“Depois da comida, falaria com Sinha Vitória sobre a 
educação dos meninos.”
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Vidas secas final

  1. 1. VIDAS SECAS Graciliano Ramos
  2. 2. Graciliano Ramos “Falo somente com o que falo: com as mesmas vinte palavras girando ao redor do sol que as limpa do que não é faca” (João Cabral de Melo Neto)
  3. 3. Vidas Secas – a narrativa • Narrativa em 3ª pessoa – estilo enxuto – economia vocabular • O retrato social e existencial dos retirantes nordestinos e o drama da solidão. • O regionalismo universal. • O lirismo advindo da objetividade. • O romance cíclico.
  4. 4. Vidas Secas – a narrativa • Os capítulos independentes. • A seca como protagonista. • A humanidade do autor – mescla na fala das personagens.
  5. 5. "Miudinhos, perdidos no deserto queimado, os fugitivos agarraram-se, somaram as suas desgraças e os seus pavores. O coração de Fabiano bateu junto ao coração de sinha Vitoria, um abraço cansado aproximou os farrapos que os cobriam."
  6. 6. A problemática da linguagem • A esfera de limitações: física - financeira - social – linguística. • A palavra transforma-se em obstáculo. • A linguagem com instrumento de poder (cadeia – contas).
  7. 7. A problemática da linguagem Os níveis da linguagem • Externo: as palavras soltas - um diálogo inacabadas. • Interno: coerência e organização.
  8. 8. O isolamento • Solidão e o primitivismo: sociabilidade ineficiente. • Cada personagem vive seu próprio abandono.
  9. 9. As Personagens Fabiano: o enfoque determinista – o polo da brutalidade. “Fabiano dava-se bem com a ignorância. Tinha o direito de saber? Não tinha. “E ele, Fabiano, era como a bolandeira. Não sabia porquê, mas era.”
  10. 10. Sinha Vitória: o polo do conhecimento - o desejo de mudança. “Fora de propósito dissera ao marido umas inconveniências a respeito da cama de varas. Fabiano que não esperava semelhante desatino, apenas grunhira: - “Hum! hum!” E amunhecada, porque realmente mulher é bicho difícil de entender.
  11. 11. Menino mais moço: a busca pela atitude heroica – o espelhamento na figura paterna “E precisava crescer, ficar tão grande como Fabiano, matar cabras a mão de pilão
  12. 12. Menino mais velho: a paixão pelas palavras “A culpada era sinha Terta que na véspera, depois de curar com reza a espinhal de Fabiano, soltara uma palavra esquisita, chiando, o canudo do cachimbo preso nas genvivas banguelas. ele tinha querido que a palavra virasse coisa e ficara desapontado quando a mãe se referira a um lugar ruim, com espetos e fogueiras."
  13. 13. O soldado amarelo: o governo “Não se inutilizava, não valia a pena inutilizar-se. Guardava a sua força. Vacilou e coçou a testa. Havia muitos bichinhos assim ruins, havia um horror de bichinhos assim fracos e ruins. Afastou-se, inquieto. Vendo-o acanalhado e ordeiro, o soldado ganhou coragem, avançou, pisou firme e perguntou o caminho. E Fabiano tirou o chapéu de couro. - Governo é governo.
  14. 14. Baleia: o catalisador emocional da família Antropomorfizada – o contraste nome X condição. “Baleia, que era como uma pessoa da família, sabida como gente.” “Deu um pontapé na cachorra, que se afastou humilhada e com sentimentos revolucionários."
  15. 15. Tinha havido um desastre, mas Baleia não atribuía a esse desastre a impotência em que se achava nem percebia que estava livre de responsabilidades. Uma angustia apertou-lhe o pequeno coração. Precisava vigiar as cabras: àquela hora cheiros de suçuarana deviam andar pelas ribanceiras, rondar as moitas afastadas. (...) A tremura subia, deixava a barriga e chegava ao peito de Baleia. Do peito para trás era tudo insensibilidade e esquecimento. Mas o resto do corpo se arrepiava, espinhos de mandacaru penetravam na carne meio comida pela doença.
  16. 16. Baleia encostava a cabecinha fatigada na pedra. A pedra estava fria, certamente sinha Vitória tinha deixado o fogo apagar-se muito cedo. Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num mundo cheio de preás. E lamberia as mãos de Fabiano, um Fabiano enorme. As crianças se espojariam com ela, rolariam com ela num pátio enorme, num chiqueiro enorme. O mundo focaria todo cheio de preás, gordos, enormes.”
  17. 17. Vidas Secas – o eterno retorno Fuga “Os pés calosos, duros como cascos, metidos em alpercatas novas, caminhariam meses. Ou não caminhariam? Sinha Vitória achou que sim. Fabiano agradeceu a opinião dela e gabou-lhe as pernas grossas, as nádegas volumosas, os peitos cheios. As bochechas de sinha Vitória avermelharam-se e Fabiano repetiu com entusiasmo o elogio. Era. Estava boa, estava taluda, poderia andar muito. Sinha Vitória riu e baixou os olhos.
  18. 18. Dentro de pouco tempo estaria magra, de seios bambos. Mas recuperaria carnes. E talvez esse lugar pra onde iam fosse melhor que os outros onde tinham estado. (...) As palavras de sinha Vitória encantavam-no iriam para diante, alcançariam uma terra desconhecida. Fabiano estava contente e acreditava nessa terra, porque não sabia como ela era nem onde era. Repetia docilmente as palavras de sinha Vitória, as palavras que sinha Vitória murmurava porque tinha confiança nele.
  19. 19. E andavam para o sul, metidos naquele sonho. Uma cidade grande, cheia de pessoas fortes. Os meninos em escolas, aprendendo coisas difíceis e necessárias. Eles dois velhinhos, acabando-se como uns cachorros, inúteis, acabando-se como Baleia. Que iriam fazer? Retardaram-se temerosos. Chegariam a uma terra desconhecida e civilizada, ficariam presos nela. E o sertão mandaria para a cidade homens fortes, brutos, como Fabiano, Sinha Vitória e os dois meninos.”
  20. 20. “Depois da comida, falaria com Sinha Vitória sobre a educação dos meninos.”

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