SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 7
Baixar para ler offline
DOM JOSÉ LUIZ MAJELLA DELGADO C.S.s.R
ARCEBISPO METROPOLITANO
CARTA PASTORAL À ARQUIDIOCESE DE POUSO ALEGRE
- ANO DA FÉ EM PREPARAÇÃO AOS 120 ANOS DE CRIAÇÃO DA DIOCESE -
Viver o Ano da Fé em preparação aos 120 de criação da diocese de Pouso Alegre: convite para
uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo.
Senhor, aumentai a nossa fé!
Aos membros do clero e seminaristas,
Aos religiosos/as e outros Consagrados/as
A todos os fiéis leigos/as da Arquidiocese de Pouso Alegre
Com a celebração da festa do Batismo do Senhor iniciamos o Ano Pastoral da Fé em nossa
Arquidiocese. Nessa ocasião, é minha alegria saudá-los e abençoá-los, fazendo os melhores votos
para que este ano seja enriquecido por muitos frutos pela virtude da fé em si mesma – a faculdade
de crer – que é uma graça, um dom de Deus. Conforme é propósito expresso em nosso Plano da
Ação Evangelizadora 2017-2020 realizaremos um triênio em preparação ao jubileu dos 120 anos da
criação da Arquidiocese de Pouso Alegre (1900 – 2020), sendo cada ano dedicado a uma virtude
teologal, com o propósito de celebrar a presença de Deus na caminhada do seu povo, renovando o
compromisso da construção do Reino anunciado por Jesus. Queremos ser discípulos missionários
de Jesus Cristo no Sul de Minas, redescobrindo o caminho da fé para fazer brilhar, com evidência
sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo.
Convido, pois, a todo o povo da Arquidiocese a acolher este ano como um dom de Deus e uma tarefa
posta em nossas mãos, para a realização de nossa missão, como membros da Igreja e da
comunidade humana em que vivemos. Podemos sentir de novo a necessidade de, como a
samaritana, ir ao poço, para ouvir Jesus que convida a crer nele e a beber na sua fonte, donde jorra
água viva (cf. Jo 4,14).
A partir das decisões da 9ª Assembleia Arquidiocesana de Pastoral, assumimos levar avante a missão
no dia a dia da vida da nossa Igreja “em saída”, as prioridades pastorais: Comunidade de fé em
estado permanente de missão; Comunidade de Fé a serviço das Famílias; Comunidade de Fé a
serviço da Vida Plena para todos. Nossa tarefa é evangelizar a partir de Jesus Cristo.
Hoje, Quinta-feira Santa, é um dia de particular comunhão com o presbitério. Dia em que
partilhamos juntos a oração, os anseios pastorais, as esperanças, a fim de encorajar o povo de Deus
a viver, testemunhar e transmitir a fé católica, mesmo em meio a tantas dificuldades. Escolhi este
dia para apresentar esta Carta com a intenção de dar grande importância à Pastoral do Batismo, à
Catequese, à Liturgia e a Pastoral da Família em nossa Arquidiocese, que nos inspiram sobretudo
naquela fonte viva, que é o nosso comum amor a Cristo e à sua Igreja. Atento-me, pois, a estas
pastorais conhecidas e desejo, com a presente Carta, tocar somente alguns pontos que me parecem
de importância neste momento da história da nossa Igreja particular.
Percorrer caminho e fazer memória
À luz das prioridades pastorais gostaria que neste “Ano da Fé” percorrêssemos um caminho para
fortalecer ou reencontrar a alegria da fé; incentivar os mais novos para a formação da fé e comunicá-
la de mil maneiras a tantos que dela andam afastados. Educar na fé é ensinar vida. Portanto, o Papa
Emérito Bento XVI nos exorta que a “fé num Deus que é amor e que se fez próximo do homem,
encarnando e doando-se a si mesmo na cruz para nos salvar e reabrir as portas do Céu, indica de
modo luminoso que a plenitude do homem consiste unicamente no amor. Animados pelo amor que
vem de Deus conseguiremos ver a cidade onde habitamos com os olhos da fé e da esperança. A fé
é o acolhimento do amor transformador de Deus na nossa vida. Pela fé muitos cristãos se fizeram
promotores de uma ação em prol da justiça, para tornar palpável a Palavra do Senhor, que veio
anunciar a libertação da opressão e um ano de graça para todos”(cf. Porta Fidei, 13).
A ação mais importante e fecunda dos primeiros cristãos foi, a partir de experiência que nasce do
encontro pessoal com Jesus Cristo, testemunhar com a própria vida que Deus existe. Os pagãos se
sentiam atraídos pela beleza da fé cristã e pela caridade com que viviam os primeiros cristãos, e
chegavam a dizer: “Vede como se amam” (Tertuliano, Apol., 39). Com entusiasmo, criatividade e
paixão, precisamos fazer com que a beleza e a centralidade da fé cheguem até as pessoas que não
conhecem Jesus Cristo.
Ninguém pode entrar no Reino de Deus se não nasce da água e do Espírito (Jo 3,5)
“O batismo, porta da vida e do Reino, é o primeiro sacramento da nova Lei que Cristo instituiu para
que todos possam alcançar a vida eterna, e, em seguida, confiou à sua Igreja juntamente com o
Evangelho, quando ordenou aos apóstolos: “Ide e ensinai a todos os povos; batizai-os em nome do
Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28,19). Assim, o batismo é, antes de tudo, o sinal daquela
fé com a qual os seres humanos respondem ao Evangelho de Cristo, iluminados pela graça do
Espírito Santo “ (Cf. Ritual do Batismo de Crianças, 3).
A Pastoral do Batismo na Arquidiocese precisa abrir nossas mentes e corações para o itinerário da
iniciação cristã. É importante que as comunidades eclesiais assumam o catecumenato como
caminho renovador da evangelização dos fiéis afastados ou distantes da fé e da comunidade. A
comunidade cristã exerce uma função maternal ao acolher os batizados que procuram se integrar a
ela. A ação evangelizadora envolve, portanto, um acompanhamento especial, tanto no anúncio
missionário como nas celebrações litúrgicas e na vida familiar e social dos batizados.
Os nossos agentes da Pastoral do Batismo acompanham as famílias, os padrinhos e responsáveis
pela criança que pedem ou buscam o batismo, indo às casas das famílias para realizar, com uma
catequese batismal, os encontros de preparação. Constitui este momento num ato de acolhida, pois
trata-se de escutar, compreender e dialogar com tato e confiança, para se celebrar uma festa
adequada pelo nascimento ocorrido. O agente da Pastoral do Batismo é uma pessoa adulta na fé
que, devidamente preparada, ajuda as famílias a fazerem um itinerário de comunhão eclesial e a se
sentirem corresponsáveis com a missão de educar na fé o novo cristão. É a etapa evangelizadora e
missionária dessa Pastoral que culmina na apresentação da criança à comunidade cristã com a
celebração do Batismo, no qual se celebra o mistério do amor Trinitário pelos homens. A
comunidade é o lugar onde a fé nascente do batizado cresce e se desenvolve até se tornar adulta.
A Pastoral do Batismo tem em germe o caráter de uma “Igreja em saída”, na expressão do Papa
Francisco. É bem verdade que a estratégia, por si só, não realiza o modelo de Igreja pedido pela
Assembleia Arquidiocesana, se pastores e catequistas não tomarem essa pastoral com “espírito de
corpo” e não renovarem periodicamente um envio formal e fervoroso, para evitar cair numa
burocracia meramente “sacramentalista”.
Com o devido respeito às situações diferentes recomendo orientar os pais, com caridade e firmeza,
a respeito do dia do batismo para que não seja escolhido ao acaso ou ao capricho da família ou até
mesmo a uma organização paroquial; mas sejam escolhidos com cuidado, com base em sua
referência ao evento batismal. Que se trate de dias liturgicamente e teologicamente afins ao
mistério do batismo.
Aos nossos agentes da pastoral do Batismo agradecemos toda a colaboração na educação da fé dos
novos cristãos às nossas comunidades.
A fama da fé que vocês têm se espalhou pelo mundo inteiro (Rm1,8b)
A catequese como seu próprio nome sugere, “faz ecoar” a Palavra de Deus, orienta o
catequizando a fazer sua própria experiência de Deus nos acontecimentos, a viver sua fé em
comunidade, numa contínua conversão, num itinerário de formação que o faça não só conceber
intelectualmente as verdades de fé, mas que o encaminhe para um verdadeiro discipulado,
ajudando-o a viver a vida da graça alimentada pelos sacramentos. Uma catequese que é
permanente, evangelizadora, profética e misericordiosa, que contribui para o desenvolvimento da
pessoa em sua integralidade; que caminha com ela e que a ajude a fazer sua própria experiência de
Deus, numa interação entre fé e vida.
Na nossa Arquidiocese a Comissão Bíblico-catequética busca assumir as prioridades
pastorais com o anúncio da boa nova. Todo processo catequético está voltado para a evangelização,
pois Cristo é o centro da catequese e todo seu ensinamento conduz à conversão, ao seguimento e
à opção por Jesus que nos revela o Pai, no Espírito Santo. Um dos grandes desafios da atualidade é
a crise estrutural e de fé pela qual as famílias estão passando sendo, portanto, importante criar
estratégias de ação pastoral integradas e efetivas para apoia-las, pois, não se pode abrir mão da
importância dessas no processo de educação na fé. Envolvendo as famílias na evangelização de seus
membros, a catequese contribui para que todos sejam transformados e colham os benefícios da
evangelização. A catequese é transformadora e libertadora. Leva o catequizando a ter uma
consciência crítica da realidade, à luz da Palavra de Deus presente em todos os encontros, ajudando-
o a encontrar as causas das injustiças e a transformar essa situação; incentivando a comunhão e a
participação, bem como sensibilidade ao sofrimento dos pobres e excluídos.
Diante de tantos desafios da ação evangelizadora, a catequese abraça com entusiasmo e
coragem a sua “missão evangelizadora”, criando condições para que os adultos possam vivenciar
sua fé, fazendo uma opção mais consciente por Jesus Cristo, atuando como verdadeiros cristãos na
comunidade e na sociedade; para que os jovens, os adolescentes e as crianças, sejam iniciados na
fé cristã, caminhem para a maturidade de sua fé, cresçam como pessoas nas dimensões: afetiva,
sexual, familiar, espiritual e vocacional.
Toda essa intensa atividade catequética requer cuidado especial com a formação do
catequista, propondo-lhe reflexões sobre o ser do catequista, o saber e o saber fazer na catequese,
a fim de torná-lo um verdadeiro mistagogo, ou seja, aquele que conduz para o mistério, que
transforma pela palavra e pelo testemunho.
Para que as comunidades sejam renovadas, devem ser casa de Iniciação à vida cristã, onde
a catequese há de ser uma prioridade. “Um dos grandes desafios da pastoral paroquial é fazer com
que os membros das comunidades cristãs percebam o estreito vínculo que há entre Batismo,
Confirmação e Eucaristia” (CNBB, Doc. 100, Comunidade de comunidades, uma nova Paróquia, 268).
Nessa direção, todos necessitamos de uma renovação cristã. Por isso é que surgem na Arquidiocese
grupos de pessoas que, ao reviver a experiência catecumenal na iniciação à vida cristã, foram
também inspiradas em fazer esse mesmo caminho de fé para os já batizados que necessitam de
recuperar a dimensão de fé de suas vidas.
Aos nossos catequistas agradecemos toda a colaboração na educação da fé das nossas
comunidades.
Eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, no partir do
pão e nas orações. (At 2,42)
Celebramos a fé na liturgia. Entendemos que a Liturgia é a fonte, a depositária e a transmissora da
fé por excelência! Se desde o início a Igreja celebra o que crê e crê o que celebra, cada celebração
litúrgica, especialmente a celebração eucarística, é uma autêntica profissão da fé em Jesus Cristo e
no seu projeto de vida e de amor, já que no seu centro está o mistério pascal. Sendo assim, a liturgia
faz o verdadeiro cristão. Participando da assembleia litúrgica na condição de iniciados, nos
descobrimos como o corpo de Cristo que ora ao Pai na força do Espírito. Partilhando da mesma e
única fé professada pela Igreja, na liturgia amadurecemos nossa adesão a Jesus Cristo, ouvindo a
sua Palavra, participando da comunhão no seu Corpo e no seu Sangue, e sentimo-nos enviados ao
mundo como testemunhas do seu Reino. Por isso, cremos que a liturgia é o ponto mais alto para
onde converge e, ao mesmo tempo, a fonte de onde brota toda a vida cristã (cf. SC 10). Ela dá a
cada cristão a experiência mais radical da fé, que não se limita à teologia ou ao discurso, mas é
sentida, rezada, amadurecida e transmitida ao mundo, quando transformada em vida.
A fé alimenta-se a cada hora, nas várias circunstâncias do dia, da semana e durante todo o ano. As
Horas são expressão da fé. Portanto, a Liturgia das Horas alimenta e fortalece a fé. Podemos dizer
que a oração é o exercício maior da fé, no qual reconhecemos Deus como Criador, Senhor e Pai, e a
nós como criaturas, servos e filhos. Celebremos a Liturgia das Horas se possível comunitariamente
na igreja, ou com os demais grupos de fiéis, pois, por sua natureza é uma celebração da Igreja. É a
celebração da comunidade cristã vivendo o mistério pascal de Cristo Senhor (cf. IGLH, 21-22)
Cuidemos do domingo, da sua santificação e do valor da sua celebração como festa pascal,
acolhendo com alegria festiva todos aqueles que se aproximam da celebração eucarística, dada a
complexidade da fé na situação cultural da nossa região. Nessas celebrações encontramos não só
iniciados e cristãos formados, mas também outras categorias reconhecidas em suas diferenças. Que
saibamos acolher e atender a todos e a cada um de modo especial.
Consideremos com zelo as comunidades que celebram o domingo na ausência do sacerdote,
confiando aos leigos responsáveis o valor positivo dessas celebrações da Palavra.
O domingo é o dia da fé. O santo João Paulo II, no documento sobre a santificação do Domingo,
salienta que a liturgia dominical, como de resto a das solenidades litúrgicas, prevê a profissão de fé.
O “Credo”, recitado ou cantado, põe em relevo o caráter batismal e pascal do domingo, fazendo
deste o dia em que, por título especial, o batizado renova a própria adesão a Cristo e ao seu
Evangelho (cf. Dies Domini, 29). Por isso, é da máxima importância que seja valorizada plenamente,
por todo o povo nas paróquias, a participação na celebração da Eucaristia dominical.
Às nossas equipes de liturgia agradecemos toda a colaboração na educação da fé das nossas
comunidades ao prepararem as celebrações considerando a participação plena consciente e ativa
de todo o povo (cf. SC, 14).
Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e
jantarei com ele e ele comigo (Ap 3,30)
Para bem vivenciar a alegria deste ano jubilar, nossa Igreja particular convida a todos os cristãos e
cristãs católicos a voltarem seu olhar para a família com olhar de misericórdia, fé e cuidado. Nossas
famílias enfrentam desafios muitas vezes superiores às suas forças e capacidades de superação. Por
isso necessitam de luzes e orientação. Então, buscamos na Palavra de Deus e na Tradição da Igreja
elementos para auxiliar as famílias na difícil arte de evangelizar seus membros.
A família é a primeira escola da fé (Cf. DAp, 302). O caminho para reafirmar nosso compromisso de
fé na sacralidade da família é orientar, acolher e cuidar de nossas famílias. Nossa missão é convencer
as famílias a lutarem por manter a união, a fraternidade e o diálogo dentro dos lares. Existem
grandes desafios da fidelidade no amor conjugal, do enfraquecimento da fé e dos valores, do
individualismo, do empobrecimento das relações, do stress que marcam a vida familiar.
O empenho cotidiano na educação à fé e à vida boa e bonita do Evangelho é tarefa da família que
se apresenta como autêntica Igreja doméstica, que se alarga à comunidade eclesial numa
participação ativa e consciente. Participar, sobretudo dos sacramentos, que são sinais de salvação
na vida de nossas famílias. Destacamos a Reconciliação e a Eucaristia como caminhos de unidade e
vivência do amor na família. A Reconciliação que nos mostra o valor do perdão como experiência
profunda de amor, de respeito e diálogo. A Eucaristia dominical quando, com toda a Igreja, a família
se senta à mesa com o Senhor. Nessa escola de partilha, comunhão e doação, a família mantém
viva a chama da fé. Sem esses valores torna-se impossível manter a sacralidade da família.
O testemunho de vida, tão raro em nossos tempos, é preciso não esquecer: “as pessoas escutam
mais as testemunhas que os mestres e, se escutam os mestres, é porque estes antes de tudo são
testemunhas” (Papa Paulo VI). Os Pais devem ser verdadeiras testemunhas para os seus filhos, no
sentido de cultivarem valores como a justiça, a paz e a caridade. Ainda mais ser testemunhas de fé,
ensinando os filhos a amarem a Deus sobre todas as coisas, para que, juntos, possamos todos entrar
no coração do Evangelho e aprender a seguir Jesus na nossa vida.
Recomendamos a oração frequente em família. A “família que reza unida, permanece unida”. A
recitação do Santo Terço é uma forma valiosa de se aproximar de Deus, meditando os mistérios
centrais da vida de Jesus, pela intercessão da Virgem Maria. Outras formas de oração: antes de
dormir, nas refeições, ao se levantar, nos lembram a bondade de Deus que é generoso e nos oferece
tantos dons. Rezar um trecho da Bíblia com a família é uma excelente oportunidade de se conhecer
a vontade de Deus e concretizá-la na vida. Uma experiência gratificante é tomar salmos e identificar
a nossa vida e a vida de nossa família, da comunidade e de toda a humanidade. Nos salmos
encontramos a história da humanidade, a história de cada um de nós. Podemos dizer que os salmos
evocam e expressam o mistério de Cristo. Rezem os salmos em família porque a linguagem dos
salmos traduz uma vida profundamente mergulhada em Deus. Os salmos traduzem santidade.
A família cristã marcada pelo amor, pela fidelidade e pelo casamento indissolúvel deve ser uma
comunicadora de fé e de oração, chamada a ser defensora e promotora da vida, bem inserida na
sociedade e na Igreja, atenta à qualidade dos relacionamentos para além da economia do próprio
núcleo familiar.
É necessário despertar nas famílias, nos movimentos de espiritualidade conjugal e familiar, e nas
diversas pastorais que contemplam a família, um interesse e estudo do capítulo 9 do Documento
de Aparecida que tem um olhar sobre a vida familiar.
Recomendo promover uma reflexão e um compromisso com as famílias em nível paroquial ou
Setorial a partir da Exortação Apostólica Amoris Laetitia do Papa Francisco, para que possa ser
empreendido um itinerário sobre a vida concreta das famílias, com iniciativas no plano paroquial e
arquidiocesano.
Recomendo atenção e acompanhamento a casais que vivem em situação irregular e especialização
de agentes pastorais.
É de fundamental importância em nossa Pastoral Familiar o cuidado em preparar, formar e
evangelizar de modo permanente as nossas famílias, de tal maneira que se convertam em
evangelizadoras (cf. DAp 302; 437), favorecendo um novo ardor missionário, para que muitas
pessoas abracem esta causa com fé, esperança e entusiasmo, “confiados à graça do Senhor”.
À Pastoral Familiar, aos movimentos de espiritualidade conjugal e familiar agradecemos toda a
colaboração na educação da fé das nossas comunidades e por fazerem de nossas famílias espaços
de seguimento de Jesus.
Antes de encerrar esta carta, voltemos nosso olhar para São Sebastião, Padroeiro de nossa
Arquidiocese. Dele temos muito a aprender. A fortaleza para superar os diferentes tipos de
dificuldades e situações foi um traço que marcou a sua vida. E ele nos anima a ter o mesmo espírito
de confiança total em Deus e audácia cristã para fazer da vida uma caminhada segura rumo à
felicidade. São Sebastião é um exemplo de coragem ante os obstáculos da vida e fidelidade mesmo
diante das contrariedades e perseguições. É exemplo de homem que testemunhou a fé católica e
foi anunciador da misericórdia de Deus. Para além da credibilidade conhecemos de seu martírio o
cuidado da senhora cristã, Irene, que o encontrou vivo após as flechadas e levou-o para casa e
cuidou dele. Assim também, como a outra senhora Lucina que, após o flagelo até a morte,
recuperou o corpo de São Sebastião e lhe rendeu as homenagens de uma sepultura cristã. Por esta
narrativa podemos entrever a práxis cristã daquela época. A comunidade colocava à disposição os
seus recursos para sustentar os irmãos perseguidos, visitando-os no cárcere, assistindo-os nos
tribunais, providenciando a sepultura e venerando sua memória. (Cf. Pepe, Enrico. “Mártires e
santos do Calendário Romano”, Ave Maria, São Paulo, 208, p.43-44)
Com entusiasmo, criatividade e paixão precisamos fazer com que a beleza e a centralidade da fé
cheguem até as pessoas que não conhecem Jesus Cristo. Seja a renovação da fé uma prioridade, um
compromisso de toda a Igreja arquidiocesana nos nossos dias. Vamos honrar a herança recebida
daqueles que já nos precederam na fé, atravessaram tantas dificuldades e crises, e continuaram
firmes e perseverantes na fé, “com os olhos fixos em Jesus Cristo”.
Possa o Jubileu dos 120 anos de criação da nossa Arquidiocese ser enriquecido com o testemunho
de tantos discípulos missionários de Jesus Cristo. Que esta missão se torne concreta e dinâmica em
cada paróquia!
Coloquemo-nos nas mãos de Deus com total confiança. Pouco a pouco podemos ir experimentando
como sua Palavra, seu Amor e sua Promessa de salvação se vão realizando em nossas vidas. Que
nos acompanhe a Virgem Maria que acolheu com fé a Palavra de Deus. Com dificuldades (“Como se
fará isso?...”), com perturbação e medo (“Não temas, Maria”), ela consente em cumprir a vontade
de Deus em um primeiro abandono de fé.
Rezem por mim, que lhes escrevo esta Carta Pastoral, a fim de que eu seja forte na fé.
Deus abençoe a todos!
Pouso Alegre, 13 de abril de 2017
Por ocasião da Quinta-Feira Santa
Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R.
Arcebispo Metropolitano de Pouso Alegre

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Boletim 489 - 26/06/16
Boletim 489 - 26/06/16Boletim 489 - 26/06/16
Boletim 489 - 26/06/16stanaami
 
Boletim 483 - 14/05/16
Boletim 483 - 14/05/16Boletim 483 - 14/05/16
Boletim 483 - 14/05/16stanaami
 
Boletim 625 - 21/04/19
Boletim 625 - 21/04/19Boletim 625 - 21/04/19
Boletim 625 - 21/04/19stanaami
 
Convite encontro coord. paroquiais mar.2017
Convite encontro coord. paroquiais   mar.2017Convite encontro coord. paroquiais   mar.2017
Convite encontro coord. paroquiais mar.2017nuvemluminosa
 
Circ mar.2012 (4)
Circ mar.2012 (4)Circ mar.2012 (4)
Circ mar.2012 (4)cnisbrasil
 
Boletim 418 - 15/02/15
Boletim 418 - 15/02/15Boletim 418 - 15/02/15
Boletim 418 - 15/02/15stanaami
 
Boletim 484 - 22/05/16
Boletim 484 - 22/05/16Boletim 484 - 22/05/16
Boletim 484 - 22/05/16stanaami
 
Boletim 432 - 24/05/15
Boletim 432 - 24/05/15Boletim 432 - 24/05/15
Boletim 432 - 24/05/15stanaami
 
Boletim 523 - 19/02/17
Boletim 523 - 19/02/17Boletim 523 - 19/02/17
Boletim 523 - 19/02/17stanaami
 
As cartas de Dom Eduardo aos padres de todo Brasil: MÊS DE OUTUBRO
As cartas de Dom Eduardo aos padres de todo Brasil: MÊS DE OUTUBROAs cartas de Dom Eduardo aos padres de todo Brasil: MÊS DE OUTUBRO
As cartas de Dom Eduardo aos padres de todo Brasil: MÊS DE OUTUBROLay Kamila
 
Boletim 572 - 25/02/18
Boletim 572 - 25/02/18Boletim 572 - 25/02/18
Boletim 572 - 25/02/18stanaami
 
Boletim 419 - 22/02/15
Boletim 419 - 22/02/15Boletim 419 - 22/02/15
Boletim 419 - 22/02/15stanaami
 
ECOVIDA Setembro-outubro
ECOVIDA Setembro-outubroECOVIDA Setembro-outubro
ECOVIDA Setembro-outubroLada vitorino
 
Boletim 445 - 23/08/15
Boletim 445 - 23/08/15Boletim 445 - 23/08/15
Boletim 445 - 23/08/15stanaami
 
Boletim 481 - 01/05/16
Boletim 481 - 01/05/16Boletim 481 - 01/05/16
Boletim 481 - 01/05/16stanaami
 
Boletim 460 - 06/12/15
Boletim 460 - 06/12/15Boletim 460 - 06/12/15
Boletim 460 - 06/12/15stanaami
 
Diocese de ilhéus programação da festa em louvor a são francisco de assis
Diocese de ilhéus  programação da festa em louvor a são francisco de  assisDiocese de ilhéus  programação da festa em louvor a são francisco de  assis
Diocese de ilhéus programação da festa em louvor a são francisco de assisRoberto Rabat Chame
 
Boletim bimba 21-01-2018 - ano da integridade (1)
Boletim bimba    21-01-2018 - ano da integridade (1)Boletim bimba    21-01-2018 - ano da integridade (1)
Boletim bimba 21-01-2018 - ano da integridade (1)Debora Teixeira
 

Mais procurados (20)

Boletim 489 - 26/06/16
Boletim 489 - 26/06/16Boletim 489 - 26/06/16
Boletim 489 - 26/06/16
 
Boletim 483 - 14/05/16
Boletim 483 - 14/05/16Boletim 483 - 14/05/16
Boletim 483 - 14/05/16
 
Boletim 625 - 21/04/19
Boletim 625 - 21/04/19Boletim 625 - 21/04/19
Boletim 625 - 21/04/19
 
Convite encontro coord. paroquiais mar.2017
Convite encontro coord. paroquiais   mar.2017Convite encontro coord. paroquiais   mar.2017
Convite encontro coord. paroquiais mar.2017
 
Circ mar.2012 (4)
Circ mar.2012 (4)Circ mar.2012 (4)
Circ mar.2012 (4)
 
Boletim 418 - 15/02/15
Boletim 418 - 15/02/15Boletim 418 - 15/02/15
Boletim 418 - 15/02/15
 
Boletim 484 - 22/05/16
Boletim 484 - 22/05/16Boletim 484 - 22/05/16
Boletim 484 - 22/05/16
 
Boletim 432 - 24/05/15
Boletim 432 - 24/05/15Boletim 432 - 24/05/15
Boletim 432 - 24/05/15
 
Boletim 523 - 19/02/17
Boletim 523 - 19/02/17Boletim 523 - 19/02/17
Boletim 523 - 19/02/17
 
As cartas de Dom Eduardo aos padres de todo Brasil: MÊS DE OUTUBRO
As cartas de Dom Eduardo aos padres de todo Brasil: MÊS DE OUTUBROAs cartas de Dom Eduardo aos padres de todo Brasil: MÊS DE OUTUBRO
As cartas de Dom Eduardo aos padres de todo Brasil: MÊS DE OUTUBRO
 
Boletim 572 - 25/02/18
Boletim 572 - 25/02/18Boletim 572 - 25/02/18
Boletim 572 - 25/02/18
 
Boletim 419 - 22/02/15
Boletim 419 - 22/02/15Boletim 419 - 22/02/15
Boletim 419 - 22/02/15
 
33
3333
33
 
Edicao 002
Edicao 002   Edicao 002
Edicao 002
 
ECOVIDA Setembro-outubro
ECOVIDA Setembro-outubroECOVIDA Setembro-outubro
ECOVIDA Setembro-outubro
 
Boletim 445 - 23/08/15
Boletim 445 - 23/08/15Boletim 445 - 23/08/15
Boletim 445 - 23/08/15
 
Boletim 481 - 01/05/16
Boletim 481 - 01/05/16Boletim 481 - 01/05/16
Boletim 481 - 01/05/16
 
Boletim 460 - 06/12/15
Boletim 460 - 06/12/15Boletim 460 - 06/12/15
Boletim 460 - 06/12/15
 
Diocese de ilhéus programação da festa em louvor a são francisco de assis
Diocese de ilhéus  programação da festa em louvor a são francisco de  assisDiocese de ilhéus  programação da festa em louvor a são francisco de  assis
Diocese de ilhéus programação da festa em louvor a são francisco de assis
 
Boletim bimba 21-01-2018 - ano da integridade (1)
Boletim bimba    21-01-2018 - ano da integridade (1)Boletim bimba    21-01-2018 - ano da integridade (1)
Boletim bimba 21-01-2018 - ano da integridade (1)
 

Semelhante a Carta pastoral ano da fé

Carta - Ano da Fé - Outubro 2012
Carta - Ano da Fé - Outubro 2012Carta - Ano da Fé - Outubro 2012
Carta - Ano da Fé - Outubro 2012Lay Kamila
 
ECOVIDA-- NOVEMBRO/DEZEMBRO - 2018
ECOVIDA-- NOVEMBRO/DEZEMBRO - 2018ECOVIDA-- NOVEMBRO/DEZEMBRO - 2018
ECOVIDA-- NOVEMBRO/DEZEMBRO - 2018Lada vitorino
 
Informativo paroquial março 2013
Informativo paroquial março 2013Informativo paroquial março 2013
Informativo paroquial março 2013IGREJAMATER
 
Mesagem do Santo Padre para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações
Mesagem do Santo Padre para o Dia Mundial de Oração pelas VocaçõesMesagem do Santo Padre para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações
Mesagem do Santo Padre para o Dia Mundial de Oração pelas Vocaçõesirmaspaulinas
 
Lançai as redes novembro 2013
Lançai as redes novembro 2013Lançai as redes novembro 2013
Lançai as redes novembro 2013Pedro Vargas
 
Mensagem do santo padre português
Mensagem do santo padre  portuguêsMensagem do santo padre  português
Mensagem do santo padre portuguêsDavinia Martínez
 
Pastoral doutrina-espírito-santo
Pastoral doutrina-espírito-santoPastoral doutrina-espírito-santo
Pastoral doutrina-espírito-santoPaulo Dias Nogueira
 
Familia Santo Papa Joao Paulo ll
Familia   Santo Papa Joao Paulo llFamilia   Santo Papa Joao Paulo ll
Familia Santo Papa Joao Paulo llServo33
 
Reunião de pais final
Reunião de pais finalReunião de pais final
Reunião de pais finalPedro Gilberto
 
Conferência de imprensa de apresentação da missão jubilar
Conferência de imprensa de apresentação da missão jubilarConferência de imprensa de apresentação da missão jubilar
Conferência de imprensa de apresentação da missão jubilarDiocese de Aveiro
 

Semelhante a Carta pastoral ano da fé (20)

Carta - Ano da Fé - Outubro 2012
Carta - Ano da Fé - Outubro 2012Carta - Ano da Fé - Outubro 2012
Carta - Ano da Fé - Outubro 2012
 
ECOVIDA-- NOVEMBRO/DEZEMBRO - 2018
ECOVIDA-- NOVEMBRO/DEZEMBRO - 2018ECOVIDA-- NOVEMBRO/DEZEMBRO - 2018
ECOVIDA-- NOVEMBRO/DEZEMBRO - 2018
 
Nosso encontro outubro
Nosso encontro outubroNosso encontro outubro
Nosso encontro outubro
 
393
393393
393
 
Jornal sta. bernadete edição 41
Jornal sta. bernadete   edição 41Jornal sta. bernadete   edição 41
Jornal sta. bernadete edição 41
 
Missão Continental
Missão Continental Missão Continental
Missão Continental
 
Informativo paroquial março 2013
Informativo paroquial março 2013Informativo paroquial março 2013
Informativo paroquial março 2013
 
Mesagem do Santo Padre para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações
Mesagem do Santo Padre para o Dia Mundial de Oração pelas VocaçõesMesagem do Santo Padre para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações
Mesagem do Santo Padre para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações
 
Lançai as redes novembro 2013
Lançai as redes novembro 2013Lançai as redes novembro 2013
Lançai as redes novembro 2013
 
Lançai as Redes novembro 2013
Lançai as Redes novembro 2013Lançai as Redes novembro 2013
Lançai as Redes novembro 2013
 
Familiaris consortio
Familiaris consortioFamiliaris consortio
Familiaris consortio
 
Familiaris consortio
Familiaris consortioFamiliaris consortio
Familiaris consortio
 
Mensagem do santo padre português
Mensagem do santo padre  portuguêsMensagem do santo padre  português
Mensagem do santo padre português
 
Pastoral doutrina-espírito-santo
Pastoral doutrina-espírito-santoPastoral doutrina-espírito-santo
Pastoral doutrina-espírito-santo
 
Familia Santo Papa Joao Paulo ll
Familia   Santo Papa Joao Paulo llFamilia   Santo Papa Joao Paulo ll
Familia Santo Papa Joao Paulo ll
 
Reunião de pais final
Reunião de pais finalReunião de pais final
Reunião de pais final
 
Pastoral doutrina-espírito-santo
Pastoral doutrina-espírito-santoPastoral doutrina-espírito-santo
Pastoral doutrina-espírito-santo
 
Pastoral doutrina-espírito-santo
Pastoral doutrina-espírito-santoPastoral doutrina-espírito-santo
Pastoral doutrina-espírito-santo
 
Paróquia em Ação 07
Paróquia em Ação 07Paróquia em Ação 07
Paróquia em Ação 07
 
Conferência de imprensa de apresentação da missão jubilar
Conferência de imprensa de apresentação da missão jubilarConferência de imprensa de apresentação da missão jubilar
Conferência de imprensa de apresentação da missão jubilar
 

Último

Ciclos de Aprendizados: “Uma Análise da Evolução Espiritual Através das Exis...
Ciclos de Aprendizados:  “Uma Análise da Evolução Espiritual Através das Exis...Ciclos de Aprendizados:  “Uma Análise da Evolução Espiritual Através das Exis...
Ciclos de Aprendizados: “Uma Análise da Evolução Espiritual Através das Exis...M.R.L
 
Oração Para Os Estudos São Tomás De Aquino
Oração Para Os Estudos São Tomás De AquinoOração Para Os Estudos São Tomás De Aquino
Oração Para Os Estudos São Tomás De AquinoNilson Almeida
 
Bíblia Sagrada _ Oséias - slides powerpoint.pptx
Bíblia Sagrada _ Oséias - slides powerpoint.pptxBíblia Sagrada _ Oséias - slides powerpoint.pptx
Bíblia Sagrada _ Oséias - slides powerpoint.pptxIgreja Jesus é o Verbo
 
Orações que abrem as comportas do Céu - Jhon Eckhardt.pdf
Orações que abrem as comportas do Céu - Jhon Eckhardt.pdfOrações que abrem as comportas do Céu - Jhon Eckhardt.pdf
Orações que abrem as comportas do Céu - Jhon Eckhardt.pdfStelaWilbert
 
Hermann Hesse - Sidarta - Livro para Autoconhecimento
Hermann Hesse - Sidarta - Livro para AutoconhecimentoHermann Hesse - Sidarta - Livro para Autoconhecimento
Hermann Hesse - Sidarta - Livro para AutoconhecimentoFabioLofrano
 
Série Evangelho no Lar - Pão Nosso - Cap. 135 - Renovação Necessária
Série Evangelho no Lar - Pão Nosso - Cap. 135 - Renovação NecessáriaSérie Evangelho no Lar - Pão Nosso - Cap. 135 - Renovação Necessária
Série Evangelho no Lar - Pão Nosso - Cap. 135 - Renovação NecessáriaRicardo Azevedo
 
ESQUEMA PARA LECTIO DIVINA PARA LEIGOS 2024
ESQUEMA PARA LECTIO DIVINA PARA LEIGOS 2024ESQUEMA PARA LECTIO DIVINA PARA LEIGOS 2024
ESQUEMA PARA LECTIO DIVINA PARA LEIGOS 2024LeonardoQuintanilha4
 
pdfcoffee.com_ltt-se6sizea4-pdf-free.pdf
pdfcoffee.com_ltt-se6sizea4-pdf-free.pdfpdfcoffee.com_ltt-se6sizea4-pdf-free.pdf
pdfcoffee.com_ltt-se6sizea4-pdf-free.pdfnestorsouza36
 
Bíblia Sagrada - Ezequiel - slides powerpoint.pptx
Bíblia Sagrada - Ezequiel - slides powerpoint.pptxBíblia Sagrada - Ezequiel - slides powerpoint.pptx
Bíblia Sagrada - Ezequiel - slides powerpoint.pptxIgreja Jesus é o Verbo
 
Folder clube de Desbravadores.............
Folder clube de Desbravadores.............Folder clube de Desbravadores.............
Folder clube de Desbravadores.............MilyFonceca
 
Especialidade Pioneiros Adventistas (Desbravadores).pptx
Especialidade Pioneiros Adventistas (Desbravadores).pptxEspecialidade Pioneiros Adventistas (Desbravadores).pptx
Especialidade Pioneiros Adventistas (Desbravadores).pptxViniciusPetersen1
 
Bíblia Sagrada - Daniel - slide powerpoint.pptx
Bíblia Sagrada - Daniel - slide powerpoint.pptxBíblia Sagrada - Daniel - slide powerpoint.pptx
Bíblia Sagrada - Daniel - slide powerpoint.pptxIgreja Jesus é o Verbo
 
Livro Atos dos apóstolos estudo 12- Cap 25 e 26.pptx
Livro Atos dos apóstolos  estudo 12- Cap 25 e 26.pptxLivro Atos dos apóstolos  estudo 12- Cap 25 e 26.pptx
Livro Atos dos apóstolos estudo 12- Cap 25 e 26.pptxPIB Penha
 
Curso Básico de Teologia - Bibliologia - Apresentação
Curso Básico de Teologia - Bibliologia - ApresentaçãoCurso Básico de Teologia - Bibliologia - Apresentação
Curso Básico de Teologia - Bibliologia - Apresentaçãoantonio211075
 

Último (14)

Ciclos de Aprendizados: “Uma Análise da Evolução Espiritual Através das Exis...
Ciclos de Aprendizados:  “Uma Análise da Evolução Espiritual Através das Exis...Ciclos de Aprendizados:  “Uma Análise da Evolução Espiritual Através das Exis...
Ciclos de Aprendizados: “Uma Análise da Evolução Espiritual Através das Exis...
 
Oração Para Os Estudos São Tomás De Aquino
Oração Para Os Estudos São Tomás De AquinoOração Para Os Estudos São Tomás De Aquino
Oração Para Os Estudos São Tomás De Aquino
 
Bíblia Sagrada _ Oséias - slides powerpoint.pptx
Bíblia Sagrada _ Oséias - slides powerpoint.pptxBíblia Sagrada _ Oséias - slides powerpoint.pptx
Bíblia Sagrada _ Oséias - slides powerpoint.pptx
 
Orações que abrem as comportas do Céu - Jhon Eckhardt.pdf
Orações que abrem as comportas do Céu - Jhon Eckhardt.pdfOrações que abrem as comportas do Céu - Jhon Eckhardt.pdf
Orações que abrem as comportas do Céu - Jhon Eckhardt.pdf
 
Hermann Hesse - Sidarta - Livro para Autoconhecimento
Hermann Hesse - Sidarta - Livro para AutoconhecimentoHermann Hesse - Sidarta - Livro para Autoconhecimento
Hermann Hesse - Sidarta - Livro para Autoconhecimento
 
Série Evangelho no Lar - Pão Nosso - Cap. 135 - Renovação Necessária
Série Evangelho no Lar - Pão Nosso - Cap. 135 - Renovação NecessáriaSérie Evangelho no Lar - Pão Nosso - Cap. 135 - Renovação Necessária
Série Evangelho no Lar - Pão Nosso - Cap. 135 - Renovação Necessária
 
ESQUEMA PARA LECTIO DIVINA PARA LEIGOS 2024
ESQUEMA PARA LECTIO DIVINA PARA LEIGOS 2024ESQUEMA PARA LECTIO DIVINA PARA LEIGOS 2024
ESQUEMA PARA LECTIO DIVINA PARA LEIGOS 2024
 
pdfcoffee.com_ltt-se6sizea4-pdf-free.pdf
pdfcoffee.com_ltt-se6sizea4-pdf-free.pdfpdfcoffee.com_ltt-se6sizea4-pdf-free.pdf
pdfcoffee.com_ltt-se6sizea4-pdf-free.pdf
 
Bíblia Sagrada - Ezequiel - slides powerpoint.pptx
Bíblia Sagrada - Ezequiel - slides powerpoint.pptxBíblia Sagrada - Ezequiel - slides powerpoint.pptx
Bíblia Sagrada - Ezequiel - slides powerpoint.pptx
 
Folder clube de Desbravadores.............
Folder clube de Desbravadores.............Folder clube de Desbravadores.............
Folder clube de Desbravadores.............
 
Especialidade Pioneiros Adventistas (Desbravadores).pptx
Especialidade Pioneiros Adventistas (Desbravadores).pptxEspecialidade Pioneiros Adventistas (Desbravadores).pptx
Especialidade Pioneiros Adventistas (Desbravadores).pptx
 
Bíblia Sagrada - Daniel - slide powerpoint.pptx
Bíblia Sagrada - Daniel - slide powerpoint.pptxBíblia Sagrada - Daniel - slide powerpoint.pptx
Bíblia Sagrada - Daniel - slide powerpoint.pptx
 
Livro Atos dos apóstolos estudo 12- Cap 25 e 26.pptx
Livro Atos dos apóstolos  estudo 12- Cap 25 e 26.pptxLivro Atos dos apóstolos  estudo 12- Cap 25 e 26.pptx
Livro Atos dos apóstolos estudo 12- Cap 25 e 26.pptx
 
Curso Básico de Teologia - Bibliologia - Apresentação
Curso Básico de Teologia - Bibliologia - ApresentaçãoCurso Básico de Teologia - Bibliologia - Apresentação
Curso Básico de Teologia - Bibliologia - Apresentação
 

Carta pastoral ano da fé

  • 1. DOM JOSÉ LUIZ MAJELLA DELGADO C.S.s.R ARCEBISPO METROPOLITANO CARTA PASTORAL À ARQUIDIOCESE DE POUSO ALEGRE - ANO DA FÉ EM PREPARAÇÃO AOS 120 ANOS DE CRIAÇÃO DA DIOCESE - Viver o Ano da Fé em preparação aos 120 de criação da diocese de Pouso Alegre: convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo. Senhor, aumentai a nossa fé! Aos membros do clero e seminaristas, Aos religiosos/as e outros Consagrados/as A todos os fiéis leigos/as da Arquidiocese de Pouso Alegre Com a celebração da festa do Batismo do Senhor iniciamos o Ano Pastoral da Fé em nossa Arquidiocese. Nessa ocasião, é minha alegria saudá-los e abençoá-los, fazendo os melhores votos para que este ano seja enriquecido por muitos frutos pela virtude da fé em si mesma – a faculdade de crer – que é uma graça, um dom de Deus. Conforme é propósito expresso em nosso Plano da Ação Evangelizadora 2017-2020 realizaremos um triênio em preparação ao jubileu dos 120 anos da criação da Arquidiocese de Pouso Alegre (1900 – 2020), sendo cada ano dedicado a uma virtude teologal, com o propósito de celebrar a presença de Deus na caminhada do seu povo, renovando o compromisso da construção do Reino anunciado por Jesus. Queremos ser discípulos missionários de Jesus Cristo no Sul de Minas, redescobrindo o caminho da fé para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo. Convido, pois, a todo o povo da Arquidiocese a acolher este ano como um dom de Deus e uma tarefa posta em nossas mãos, para a realização de nossa missão, como membros da Igreja e da comunidade humana em que vivemos. Podemos sentir de novo a necessidade de, como a samaritana, ir ao poço, para ouvir Jesus que convida a crer nele e a beber na sua fonte, donde jorra água viva (cf. Jo 4,14). A partir das decisões da 9ª Assembleia Arquidiocesana de Pastoral, assumimos levar avante a missão no dia a dia da vida da nossa Igreja “em saída”, as prioridades pastorais: Comunidade de fé em estado permanente de missão; Comunidade de Fé a serviço das Famílias; Comunidade de Fé a serviço da Vida Plena para todos. Nossa tarefa é evangelizar a partir de Jesus Cristo.
  • 2. Hoje, Quinta-feira Santa, é um dia de particular comunhão com o presbitério. Dia em que partilhamos juntos a oração, os anseios pastorais, as esperanças, a fim de encorajar o povo de Deus a viver, testemunhar e transmitir a fé católica, mesmo em meio a tantas dificuldades. Escolhi este dia para apresentar esta Carta com a intenção de dar grande importância à Pastoral do Batismo, à Catequese, à Liturgia e a Pastoral da Família em nossa Arquidiocese, que nos inspiram sobretudo naquela fonte viva, que é o nosso comum amor a Cristo e à sua Igreja. Atento-me, pois, a estas pastorais conhecidas e desejo, com a presente Carta, tocar somente alguns pontos que me parecem de importância neste momento da história da nossa Igreja particular. Percorrer caminho e fazer memória À luz das prioridades pastorais gostaria que neste “Ano da Fé” percorrêssemos um caminho para fortalecer ou reencontrar a alegria da fé; incentivar os mais novos para a formação da fé e comunicá- la de mil maneiras a tantos que dela andam afastados. Educar na fé é ensinar vida. Portanto, o Papa Emérito Bento XVI nos exorta que a “fé num Deus que é amor e que se fez próximo do homem, encarnando e doando-se a si mesmo na cruz para nos salvar e reabrir as portas do Céu, indica de modo luminoso que a plenitude do homem consiste unicamente no amor. Animados pelo amor que vem de Deus conseguiremos ver a cidade onde habitamos com os olhos da fé e da esperança. A fé é o acolhimento do amor transformador de Deus na nossa vida. Pela fé muitos cristãos se fizeram promotores de uma ação em prol da justiça, para tornar palpável a Palavra do Senhor, que veio anunciar a libertação da opressão e um ano de graça para todos”(cf. Porta Fidei, 13). A ação mais importante e fecunda dos primeiros cristãos foi, a partir de experiência que nasce do encontro pessoal com Jesus Cristo, testemunhar com a própria vida que Deus existe. Os pagãos se sentiam atraídos pela beleza da fé cristã e pela caridade com que viviam os primeiros cristãos, e chegavam a dizer: “Vede como se amam” (Tertuliano, Apol., 39). Com entusiasmo, criatividade e paixão, precisamos fazer com que a beleza e a centralidade da fé cheguem até as pessoas que não conhecem Jesus Cristo. Ninguém pode entrar no Reino de Deus se não nasce da água e do Espírito (Jo 3,5) “O batismo, porta da vida e do Reino, é o primeiro sacramento da nova Lei que Cristo instituiu para que todos possam alcançar a vida eterna, e, em seguida, confiou à sua Igreja juntamente com o Evangelho, quando ordenou aos apóstolos: “Ide e ensinai a todos os povos; batizai-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28,19). Assim, o batismo é, antes de tudo, o sinal daquela fé com a qual os seres humanos respondem ao Evangelho de Cristo, iluminados pela graça do Espírito Santo “ (Cf. Ritual do Batismo de Crianças, 3). A Pastoral do Batismo na Arquidiocese precisa abrir nossas mentes e corações para o itinerário da iniciação cristã. É importante que as comunidades eclesiais assumam o catecumenato como caminho renovador da evangelização dos fiéis afastados ou distantes da fé e da comunidade. A comunidade cristã exerce uma função maternal ao acolher os batizados que procuram se integrar a ela. A ação evangelizadora envolve, portanto, um acompanhamento especial, tanto no anúncio missionário como nas celebrações litúrgicas e na vida familiar e social dos batizados.
  • 3. Os nossos agentes da Pastoral do Batismo acompanham as famílias, os padrinhos e responsáveis pela criança que pedem ou buscam o batismo, indo às casas das famílias para realizar, com uma catequese batismal, os encontros de preparação. Constitui este momento num ato de acolhida, pois trata-se de escutar, compreender e dialogar com tato e confiança, para se celebrar uma festa adequada pelo nascimento ocorrido. O agente da Pastoral do Batismo é uma pessoa adulta na fé que, devidamente preparada, ajuda as famílias a fazerem um itinerário de comunhão eclesial e a se sentirem corresponsáveis com a missão de educar na fé o novo cristão. É a etapa evangelizadora e missionária dessa Pastoral que culmina na apresentação da criança à comunidade cristã com a celebração do Batismo, no qual se celebra o mistério do amor Trinitário pelos homens. A comunidade é o lugar onde a fé nascente do batizado cresce e se desenvolve até se tornar adulta. A Pastoral do Batismo tem em germe o caráter de uma “Igreja em saída”, na expressão do Papa Francisco. É bem verdade que a estratégia, por si só, não realiza o modelo de Igreja pedido pela Assembleia Arquidiocesana, se pastores e catequistas não tomarem essa pastoral com “espírito de corpo” e não renovarem periodicamente um envio formal e fervoroso, para evitar cair numa burocracia meramente “sacramentalista”. Com o devido respeito às situações diferentes recomendo orientar os pais, com caridade e firmeza, a respeito do dia do batismo para que não seja escolhido ao acaso ou ao capricho da família ou até mesmo a uma organização paroquial; mas sejam escolhidos com cuidado, com base em sua referência ao evento batismal. Que se trate de dias liturgicamente e teologicamente afins ao mistério do batismo. Aos nossos agentes da pastoral do Batismo agradecemos toda a colaboração na educação da fé dos novos cristãos às nossas comunidades. A fama da fé que vocês têm se espalhou pelo mundo inteiro (Rm1,8b) A catequese como seu próprio nome sugere, “faz ecoar” a Palavra de Deus, orienta o catequizando a fazer sua própria experiência de Deus nos acontecimentos, a viver sua fé em comunidade, numa contínua conversão, num itinerário de formação que o faça não só conceber intelectualmente as verdades de fé, mas que o encaminhe para um verdadeiro discipulado, ajudando-o a viver a vida da graça alimentada pelos sacramentos. Uma catequese que é permanente, evangelizadora, profética e misericordiosa, que contribui para o desenvolvimento da pessoa em sua integralidade; que caminha com ela e que a ajude a fazer sua própria experiência de Deus, numa interação entre fé e vida. Na nossa Arquidiocese a Comissão Bíblico-catequética busca assumir as prioridades pastorais com o anúncio da boa nova. Todo processo catequético está voltado para a evangelização, pois Cristo é o centro da catequese e todo seu ensinamento conduz à conversão, ao seguimento e à opção por Jesus que nos revela o Pai, no Espírito Santo. Um dos grandes desafios da atualidade é a crise estrutural e de fé pela qual as famílias estão passando sendo, portanto, importante criar estratégias de ação pastoral integradas e efetivas para apoia-las, pois, não se pode abrir mão da importância dessas no processo de educação na fé. Envolvendo as famílias na evangelização de seus membros, a catequese contribui para que todos sejam transformados e colham os benefícios da evangelização. A catequese é transformadora e libertadora. Leva o catequizando a ter uma
  • 4. consciência crítica da realidade, à luz da Palavra de Deus presente em todos os encontros, ajudando- o a encontrar as causas das injustiças e a transformar essa situação; incentivando a comunhão e a participação, bem como sensibilidade ao sofrimento dos pobres e excluídos. Diante de tantos desafios da ação evangelizadora, a catequese abraça com entusiasmo e coragem a sua “missão evangelizadora”, criando condições para que os adultos possam vivenciar sua fé, fazendo uma opção mais consciente por Jesus Cristo, atuando como verdadeiros cristãos na comunidade e na sociedade; para que os jovens, os adolescentes e as crianças, sejam iniciados na fé cristã, caminhem para a maturidade de sua fé, cresçam como pessoas nas dimensões: afetiva, sexual, familiar, espiritual e vocacional. Toda essa intensa atividade catequética requer cuidado especial com a formação do catequista, propondo-lhe reflexões sobre o ser do catequista, o saber e o saber fazer na catequese, a fim de torná-lo um verdadeiro mistagogo, ou seja, aquele que conduz para o mistério, que transforma pela palavra e pelo testemunho. Para que as comunidades sejam renovadas, devem ser casa de Iniciação à vida cristã, onde a catequese há de ser uma prioridade. “Um dos grandes desafios da pastoral paroquial é fazer com que os membros das comunidades cristãs percebam o estreito vínculo que há entre Batismo, Confirmação e Eucaristia” (CNBB, Doc. 100, Comunidade de comunidades, uma nova Paróquia, 268). Nessa direção, todos necessitamos de uma renovação cristã. Por isso é que surgem na Arquidiocese grupos de pessoas que, ao reviver a experiência catecumenal na iniciação à vida cristã, foram também inspiradas em fazer esse mesmo caminho de fé para os já batizados que necessitam de recuperar a dimensão de fé de suas vidas. Aos nossos catequistas agradecemos toda a colaboração na educação da fé das nossas comunidades. Eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, no partir do pão e nas orações. (At 2,42) Celebramos a fé na liturgia. Entendemos que a Liturgia é a fonte, a depositária e a transmissora da fé por excelência! Se desde o início a Igreja celebra o que crê e crê o que celebra, cada celebração litúrgica, especialmente a celebração eucarística, é uma autêntica profissão da fé em Jesus Cristo e no seu projeto de vida e de amor, já que no seu centro está o mistério pascal. Sendo assim, a liturgia faz o verdadeiro cristão. Participando da assembleia litúrgica na condição de iniciados, nos descobrimos como o corpo de Cristo que ora ao Pai na força do Espírito. Partilhando da mesma e única fé professada pela Igreja, na liturgia amadurecemos nossa adesão a Jesus Cristo, ouvindo a sua Palavra, participando da comunhão no seu Corpo e no seu Sangue, e sentimo-nos enviados ao mundo como testemunhas do seu Reino. Por isso, cremos que a liturgia é o ponto mais alto para onde converge e, ao mesmo tempo, a fonte de onde brota toda a vida cristã (cf. SC 10). Ela dá a cada cristão a experiência mais radical da fé, que não se limita à teologia ou ao discurso, mas é sentida, rezada, amadurecida e transmitida ao mundo, quando transformada em vida.
  • 5. A fé alimenta-se a cada hora, nas várias circunstâncias do dia, da semana e durante todo o ano. As Horas são expressão da fé. Portanto, a Liturgia das Horas alimenta e fortalece a fé. Podemos dizer que a oração é o exercício maior da fé, no qual reconhecemos Deus como Criador, Senhor e Pai, e a nós como criaturas, servos e filhos. Celebremos a Liturgia das Horas se possível comunitariamente na igreja, ou com os demais grupos de fiéis, pois, por sua natureza é uma celebração da Igreja. É a celebração da comunidade cristã vivendo o mistério pascal de Cristo Senhor (cf. IGLH, 21-22) Cuidemos do domingo, da sua santificação e do valor da sua celebração como festa pascal, acolhendo com alegria festiva todos aqueles que se aproximam da celebração eucarística, dada a complexidade da fé na situação cultural da nossa região. Nessas celebrações encontramos não só iniciados e cristãos formados, mas também outras categorias reconhecidas em suas diferenças. Que saibamos acolher e atender a todos e a cada um de modo especial. Consideremos com zelo as comunidades que celebram o domingo na ausência do sacerdote, confiando aos leigos responsáveis o valor positivo dessas celebrações da Palavra. O domingo é o dia da fé. O santo João Paulo II, no documento sobre a santificação do Domingo, salienta que a liturgia dominical, como de resto a das solenidades litúrgicas, prevê a profissão de fé. O “Credo”, recitado ou cantado, põe em relevo o caráter batismal e pascal do domingo, fazendo deste o dia em que, por título especial, o batizado renova a própria adesão a Cristo e ao seu Evangelho (cf. Dies Domini, 29). Por isso, é da máxima importância que seja valorizada plenamente, por todo o povo nas paróquias, a participação na celebração da Eucaristia dominical. Às nossas equipes de liturgia agradecemos toda a colaboração na educação da fé das nossas comunidades ao prepararem as celebrações considerando a participação plena consciente e ativa de todo o povo (cf. SC, 14). Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e jantarei com ele e ele comigo (Ap 3,30) Para bem vivenciar a alegria deste ano jubilar, nossa Igreja particular convida a todos os cristãos e cristãs católicos a voltarem seu olhar para a família com olhar de misericórdia, fé e cuidado. Nossas famílias enfrentam desafios muitas vezes superiores às suas forças e capacidades de superação. Por isso necessitam de luzes e orientação. Então, buscamos na Palavra de Deus e na Tradição da Igreja elementos para auxiliar as famílias na difícil arte de evangelizar seus membros. A família é a primeira escola da fé (Cf. DAp, 302). O caminho para reafirmar nosso compromisso de fé na sacralidade da família é orientar, acolher e cuidar de nossas famílias. Nossa missão é convencer as famílias a lutarem por manter a união, a fraternidade e o diálogo dentro dos lares. Existem grandes desafios da fidelidade no amor conjugal, do enfraquecimento da fé e dos valores, do individualismo, do empobrecimento das relações, do stress que marcam a vida familiar. O empenho cotidiano na educação à fé e à vida boa e bonita do Evangelho é tarefa da família que se apresenta como autêntica Igreja doméstica, que se alarga à comunidade eclesial numa participação ativa e consciente. Participar, sobretudo dos sacramentos, que são sinais de salvação
  • 6. na vida de nossas famílias. Destacamos a Reconciliação e a Eucaristia como caminhos de unidade e vivência do amor na família. A Reconciliação que nos mostra o valor do perdão como experiência profunda de amor, de respeito e diálogo. A Eucaristia dominical quando, com toda a Igreja, a família se senta à mesa com o Senhor. Nessa escola de partilha, comunhão e doação, a família mantém viva a chama da fé. Sem esses valores torna-se impossível manter a sacralidade da família. O testemunho de vida, tão raro em nossos tempos, é preciso não esquecer: “as pessoas escutam mais as testemunhas que os mestres e, se escutam os mestres, é porque estes antes de tudo são testemunhas” (Papa Paulo VI). Os Pais devem ser verdadeiras testemunhas para os seus filhos, no sentido de cultivarem valores como a justiça, a paz e a caridade. Ainda mais ser testemunhas de fé, ensinando os filhos a amarem a Deus sobre todas as coisas, para que, juntos, possamos todos entrar no coração do Evangelho e aprender a seguir Jesus na nossa vida. Recomendamos a oração frequente em família. A “família que reza unida, permanece unida”. A recitação do Santo Terço é uma forma valiosa de se aproximar de Deus, meditando os mistérios centrais da vida de Jesus, pela intercessão da Virgem Maria. Outras formas de oração: antes de dormir, nas refeições, ao se levantar, nos lembram a bondade de Deus que é generoso e nos oferece tantos dons. Rezar um trecho da Bíblia com a família é uma excelente oportunidade de se conhecer a vontade de Deus e concretizá-la na vida. Uma experiência gratificante é tomar salmos e identificar a nossa vida e a vida de nossa família, da comunidade e de toda a humanidade. Nos salmos encontramos a história da humanidade, a história de cada um de nós. Podemos dizer que os salmos evocam e expressam o mistério de Cristo. Rezem os salmos em família porque a linguagem dos salmos traduz uma vida profundamente mergulhada em Deus. Os salmos traduzem santidade. A família cristã marcada pelo amor, pela fidelidade e pelo casamento indissolúvel deve ser uma comunicadora de fé e de oração, chamada a ser defensora e promotora da vida, bem inserida na sociedade e na Igreja, atenta à qualidade dos relacionamentos para além da economia do próprio núcleo familiar. É necessário despertar nas famílias, nos movimentos de espiritualidade conjugal e familiar, e nas diversas pastorais que contemplam a família, um interesse e estudo do capítulo 9 do Documento de Aparecida que tem um olhar sobre a vida familiar. Recomendo promover uma reflexão e um compromisso com as famílias em nível paroquial ou Setorial a partir da Exortação Apostólica Amoris Laetitia do Papa Francisco, para que possa ser empreendido um itinerário sobre a vida concreta das famílias, com iniciativas no plano paroquial e arquidiocesano. Recomendo atenção e acompanhamento a casais que vivem em situação irregular e especialização de agentes pastorais. É de fundamental importância em nossa Pastoral Familiar o cuidado em preparar, formar e evangelizar de modo permanente as nossas famílias, de tal maneira que se convertam em evangelizadoras (cf. DAp 302; 437), favorecendo um novo ardor missionário, para que muitas pessoas abracem esta causa com fé, esperança e entusiasmo, “confiados à graça do Senhor”. À Pastoral Familiar, aos movimentos de espiritualidade conjugal e familiar agradecemos toda a colaboração na educação da fé das nossas comunidades e por fazerem de nossas famílias espaços de seguimento de Jesus.
  • 7. Antes de encerrar esta carta, voltemos nosso olhar para São Sebastião, Padroeiro de nossa Arquidiocese. Dele temos muito a aprender. A fortaleza para superar os diferentes tipos de dificuldades e situações foi um traço que marcou a sua vida. E ele nos anima a ter o mesmo espírito de confiança total em Deus e audácia cristã para fazer da vida uma caminhada segura rumo à felicidade. São Sebastião é um exemplo de coragem ante os obstáculos da vida e fidelidade mesmo diante das contrariedades e perseguições. É exemplo de homem que testemunhou a fé católica e foi anunciador da misericórdia de Deus. Para além da credibilidade conhecemos de seu martírio o cuidado da senhora cristã, Irene, que o encontrou vivo após as flechadas e levou-o para casa e cuidou dele. Assim também, como a outra senhora Lucina que, após o flagelo até a morte, recuperou o corpo de São Sebastião e lhe rendeu as homenagens de uma sepultura cristã. Por esta narrativa podemos entrever a práxis cristã daquela época. A comunidade colocava à disposição os seus recursos para sustentar os irmãos perseguidos, visitando-os no cárcere, assistindo-os nos tribunais, providenciando a sepultura e venerando sua memória. (Cf. Pepe, Enrico. “Mártires e santos do Calendário Romano”, Ave Maria, São Paulo, 208, p.43-44) Com entusiasmo, criatividade e paixão precisamos fazer com que a beleza e a centralidade da fé cheguem até as pessoas que não conhecem Jesus Cristo. Seja a renovação da fé uma prioridade, um compromisso de toda a Igreja arquidiocesana nos nossos dias. Vamos honrar a herança recebida daqueles que já nos precederam na fé, atravessaram tantas dificuldades e crises, e continuaram firmes e perseverantes na fé, “com os olhos fixos em Jesus Cristo”. Possa o Jubileu dos 120 anos de criação da nossa Arquidiocese ser enriquecido com o testemunho de tantos discípulos missionários de Jesus Cristo. Que esta missão se torne concreta e dinâmica em cada paróquia! Coloquemo-nos nas mãos de Deus com total confiança. Pouco a pouco podemos ir experimentando como sua Palavra, seu Amor e sua Promessa de salvação se vão realizando em nossas vidas. Que nos acompanhe a Virgem Maria que acolheu com fé a Palavra de Deus. Com dificuldades (“Como se fará isso?...”), com perturbação e medo (“Não temas, Maria”), ela consente em cumprir a vontade de Deus em um primeiro abandono de fé. Rezem por mim, que lhes escrevo esta Carta Pastoral, a fim de que eu seja forte na fé. Deus abençoe a todos! Pouso Alegre, 13 de abril de 2017 Por ocasião da Quinta-Feira Santa Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R. Arcebispo Metropolitano de Pouso Alegre