UNISINOS – UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS           UNIDADE ACADÊMICA DE GRADUAÇÃO             CURSO DE COMUNICAÇÃO...
Nathalia Schoen MunhozCONSUMO COLABORATIVO EM BAZARES DE TROCAS DO FACEBOOK         Um estudo de caso do Bazar de Trocas d...
AGRADECIMENTOS       Aos meus pais, Edailson e Eliana, que cobraram que eu fosse uma boa aluna desdepequena, que sempre me...
Tudo quanto existe, tudo que representa Espírito para Espírito, é propriamente uma Roupa,     um Traje ou Vestimenta, vest...
RESUMOEsta pesquisa tem por objetivo compreender a lógica do modelo de trocas de roupas em redessociais a partir do estudo...
ABSTRACTThis research aims to understand the logic of the model of clothing exchange in socialnetworks from the case study...
LISTA DE FIGURASFigura 1: Pirâmide da hierarquia das necessidades de Maslow .................................................
SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO .........................................................................................................
5.4.4 Faixa de renda aproximada .............................................................................................
101 INTRODUÇÃO        Na sociedade capitalista, tudo aquilo que os indivíduos precisam para viver tem de sercomercializado...
11não diz respeito apenas à reciclagem de lixo, mas também a dar outro destino a produtos queestejam em condições de uso. ...
12        Na Internet é possível encontrar inúmeros blogs destinados à comercialização informalde peças usadas, em especia...
13         Como é possível relacionar os bazares de trocas com os modelos de consumocolaborativo?          Com base neste...
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162 COMÉRCIO, CONSUMO E CONSUMO COLABORATIVO       Neste capítulo é realizada uma breve síntese da história do comércio, m...
17da moeda foi o que deu origem ao processo de compra e venda como o conhecemosatualmente.       A busca pelo lucro nas tr...
18comunitárias de compra e venda de produtos, como o E-bay11 e o Mercado Livre12, quepermitem que qualquer pessoa venda ou...
19fisicamente, e que ele adquire para si (CANCLINI, 1995). Estudando apenas a fatia doconsumo que está relacionada a bens ...
20sociais, que compreendem o amor, o afeto, a amizade e a pertença a um grupo; No quartodegrau estão as necessidades de es...
212.2.1 As mulheres e o consumo       A maneira feminina de consumir é bem diferente da masculina, principalmente no quedi...
22em conta, desde a opinião de um amigo até a expressão do vendedor são fatores que vãocontribuir para a decisão de compra...
23alternativa prática, econômica e sustentável de suprir os desejos de consumo feminino, alémde uma forma de educar aos po...
24outros exemplos que poderiam ser citados. A colaboração está implícita nas relaçõesinterpessoais.       Além das motivaç...
25       Lisa Gansky (2010) cunhou o termo “Mesh” para definir os negócios baseados emcompartilhamento de informações e re...
26por muitas vezes não depender de uma interação direta entre vendedor e comprador, porfacilitar as buscas de produtos, en...
27        Outro serviço citado por Gansky (2010) é o Roomorama 18, uma plataforma dehospedagem alternativa, que permite qu...
28agregado, ao mostrarem o valor da comunidade e do compartilhamento. Para que seja possívelcompreender o contexto em que ...
293 REDES SOCIAIS       Neste capítulo serão abordados os conceitos de redes sociais, baseados nas ideias dolivro “Redes s...
30mas são representações desses atores, construídos por eles para representar elementos de suaindividualidade.       Este ...
31aquele indivíduo. “São construções plurais de um sujeito, representando múltiplas facetas desua identidade” (RECUERO, 20...
32ciberespaço. Uma conversação pode começar em um comentário no Facebook, evoluir emuma conversa no Messenger, voltar para...
33                        de uma rede social. Laços de associação, por outro lado, independem dessa                       ...
34                          Uma sociedade cuja cultura pratica e valoriza a confiança interpessoal é mais                 ...
35grupo, que em troca proporcionará a todos uma desinteressada receptividade e um confortantesentimento de segurança" (PRI...
36de forma breve o site de rede social Facebook, para contextualizar o ambiente no qual sesituam os bazares de trocas estu...
37carregar um número ilimitado de fotos, compartilhar links e vídeos, e saber mais sobre aspessoas que encontram28”.3.4.2 ...
38                                  Figura 2: Tela inicial do Facebook 32        O usuário também é incentivado a postar f...
39       Mural: O Mural é um espaço presente na página de perfil do usuário que permite queele poste atualizações de statu...
40respondidas e arquivadas como num sistema de e-mail. Também é possível enviar links eanexar fotos e arquivos de maneira ...
Consumo colaborativo em bazares de trocas do Facebook: Um estudo de caso do Bazar de Trocas da ESTILO
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Trabalho de conclusão do curso de Comunicação Digital da aluna Nathalia Schoen Munhoz em 2012/01

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Consumo colaborativo em bazares de trocas do Facebook: Um estudo de caso do Bazar de Trocas da ESTILO

  1. 1. UNISINOS – UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS UNIDADE ACADÊMICA DE GRADUAÇÃO CURSO DE COMUNICAÇÃO DIGITAL NATHALIA SCHOEN MUNHOZCONSUMO COLABORATIVO EM BAZARES DE TROCAS DO FACEBOOK UM ESTUDO DE CASO DO BAZAR DE TROCAS DA ESTILO SÃO LEOPOLDO 2012
  2. 2. Nathalia Schoen MunhozCONSUMO COLABORATIVO EM BAZARES DE TROCAS DO FACEBOOK Um estudo de caso do Bazar de Trocas da ESTILO Monografia apresentada como exigência parcial para obtenção do grau de Bacharel em Comunicação Social – Habilitação em Comunicação Digital, na Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS. Orientadora: Prof. Ms. Rosana Vieira de Souza São Leopoldo 2012
  3. 3. AGRADECIMENTOS Aos meus pais, Edailson e Eliana, que cobraram que eu fosse uma boa aluna desdepequena, que sempre me amaram e confiaram em mim, que relevaram meu eventual mauhumor nesse último semestre e perdoaram todas as louças que não lavei, eu agradeçoinfinitamente. Espero poder deixá-los orgulhosos. Mãe, obrigada por ter me apresentado o mundo maravilhoso dos brechós, por dividirteu guarda-roupa comigo e por nunca ter desistido de tentar me fazer gostar de moda. Tenhacerteza que este trabalho tem um pedacinho seu. Pai, obrigada pelo carinho, por zelar pelo meu conforto, por atender aos meus desejossem que eu pedisse, e por todos os mimos. Tu és um amor! Aos meus avós, por tudo que me ensinaram, por todo o carinho e por sempre mereceberem de braços abertos: muito obrigada. Em especial à minha avó Elma, por ser sempretão chique e elegante, por fazer as melhores comidas do mundo e pela ajudinha mensal prapagar a faculdade. Vó, sem palavras pra agradecer! Ao meu par, Daniel Limas, parceiro de todas as horas, por estar comigo nos tendéis enas rajadas, por me fazer companhia nessas noites e finais de semana de estudo, por estarsempre pronto pra dar uma mão, por aguentar o mimimi e sempre me dizer que ia dar tudocerto, muito obrigada. Babe, te amo! À minha querida orientadora Rosana Souza, pela amizade, pelos cafés, pelas risadas,por dividir comigo o gosto pelo retrô, por conter meu desespero a cada orientação, por sempreme indicar um norte e, principalmente, por acreditar neste trabalho. Valeu, Rô! Ao meu pequeno grande amigo Eric, por ser um querido, por dividir comigo asangústias e as conquistas, e por estar ao meu lado nessa jornada acadêmica, gracias! Ao pessoal da SiriusPrime pelo apoio e compreensão, e por acreditar que juntospodemos transformar o mundo. Vocês todos são muito especiais, obrigada. E, por fim, às meninas dos bazares de trocas, pela amizade, pelas conversas, pelasrisadas, pelas troquinhas maravilhosas, e por colaborarem com a execução desse trabalho.Sem vocês, este trabalho não existiria. Muito obrigada, meninas! Thally
  4. 4. Tudo quanto existe, tudo que representa Espírito para Espírito, é propriamente uma Roupa, um Traje ou Vestimenta, vestida para uma estação, e a ser posta de lado. Assim, nesse importante assunto das ROUPAS, devidamente compreendido, inclui-se tudo que o homem pensou, sonhou, fez e foi: todo o Universo exterior e o que ele contém nada é senão Vestimenta; e a essência de toda ciência reside na FILOSOFIA DAS ROUPAS. Thomas Carlyle (1795 – 1881)
  5. 5. RESUMOEsta pesquisa tem por objetivo compreender a lógica do modelo de trocas de roupas em redessociais a partir do estudo de caso do Bazar de Trocas da Estilo, um grupo de criado noFacebook pela revista Estilo para esta finalidade. Para isto, estudou-se o histórico do comérciodesde o escambo de mercadorias até o modelo atual; a lógica do consumo, com ênfase noconsumo feminino; e o consumo colaborativo. Também foram estudadas as dinâmicas deredes sociais e das ferramentas do Facebook. Foram realizadas pesquisas qualitativas equantitativas baseadas em netnografia. Foi possível, a partir desta pesquisa, compreender estetipo manifestação de consumo colaborativo em redes sociais. Conclui-se então que os meiosdigitais possuem ferramentas que potencializam a colaboração, e que a partir disto é possívela existência de modelos de consumo colaborativo como o de trocas de roupas pela Internet.Palavras-chave: Consumo colaborativo. Bazares. Trocas de roupas. Redes Sociais.Facebook.
  6. 6. ABSTRACTThis research aims to understand the logic of the model of clothing exchange in socialnetworks from the case study of Bazar de Trocas da Estilo, a group created on Facebook bythe magazine Estilo for this purpose. For this, was studied the history of commerce from thebarter of goods to the current model of commerce, the logic of consumption, with emphasison womens consumption, and collaborative consumption. Also been studied the dynamics ofsocial networks and Facebooks tools. Was performed qualitative and quantitative researchbased on netnography. It was possible from this research to understand such demonstration ofcollaborative consumption on social networks. It was concluded that digital media have toolsthat empower collaboration, and from this is possible to have models of collaborativeconsumption as the clothing exchange by the Internet.Keywords: Collaborative consumption. Bazaars. Clothing exchange. Social networks.Facebook.
  7. 7. LISTA DE FIGURASFigura 1: Pirâmide da hierarquia das necessidades de Maslow ............................................... 19Figura 2: Tela inicial do Facebook ........................................................................................... 38Figura 3: Quadro resumo da metodologia ................................................................................ 50Figura 4: Cabeçalho do Bazar de Trocas da Estilo, com o mural ............................................ 54Figura 5: Divulgação de álbum de trocas ................................................................................. 57Figura 6: Divulgação de peça para troca .................................................................................. 57Figura 7: Divulgação de álbuns e peças para troca (apenas link) ............................................. 58Figura 8: Divulgação de álbum de desejos (wishlist) ............................................................... 58Figura 9: Textos de procura por peças de desejo...................................................................... 58Figura 10: Divulgação de peça para venda, e indicação de grupos de venda........................... 59Figura 11: Divulgação de álbum de vendas, e indicação da proibição de vendas .................... 59Figura 12: Publicação de álbum de vendas .............................................................................. 60Figura 13: Mensagem de usuária indo para encontro presencial regional de usuárias............. 60Figura 14: Postagem de foto de encontro presencial, com conversação. ................................. 61Figura 15: Reclamação sobre fraudes ....................................................................................... 61Figura 16: Reclamação sobre o Facebook ................................................................................ 62Figura 17: Reclamação sobre falta de honestidade .................................................................. 62Figura 18: Mensagem de agradecimento de troca recebida ..................................................... 63Figura 19: mensagem de recomendação de usuárias ................................................................ 63Figura 20: Divulgação de código de rastreamento ................................................................... 63Figura 21: Comprovante de envio ............................................................................................ 64Figura 22: Postagem de bom dia .............................................................................................. 64Figura 23: Postagem sobre o grupo .......................................................................................... 65Figura 24: Desabafo sobre troca ............................................................................................... 65Figura 25: Pedido de ajuda para fazer parte do grupo .............................................................. 65Figura 26: Comentários sobre vício de compras (sapatos) ....................................................... 66Figura 27: Postagem sem conteúdo .......................................................................................... 66Figura 28: Postagem com informações sobre problemas de saúde .......................................... 67Figura 29: Postagem com divulgação de link de promoção ..................................................... 67Figura 30: Pedido de ajuda com inglês ..................................................................................... 68Figura 31: Postagem de frase pronta, pensamento ................................................................... 68Figura 32: Gráfico de resultados do questionário no item Gênero........................................... 69Figura 33: Gráfico de resultados do questionário no item Faixa etária ................................... 69Figura 34: Gráfico de resultados do questionário no item Status de Relacionamento ............. 70Figura 35: Gráfico de resultados do questionário no item Faixa de renda aproximada .......... 70Figura 36: Gráfico de resultados do questionário no item Localização ................................... 71Figura 37: Gráfico de resultados do questionário no item........................................................ 72Figura 38: Gráfico de resultados do questionário no item Tipo de itens negociadas ............... 72
  8. 8. SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 101.1 DELIMITAÇÃO DO PROBLEMA ................................................................................... 111.2 OBJETIVOS E ESBOÇO METODOLÓGICO ................................................................. 131.3 JUSTIFICATIVA DO TEMA ............................................................................................ 142 COMÉRCIO, CONSUMO E CONSUMO COLABORATIVO ..................................... 162.1 BREVE HISTÓRICO DO COMÉRCIO ............................................................................ 162.2 NOÇÕES SOBRE A LÓGICA DO CONSUMO .............................................................. 182.2.1 AS MULHERES E O CONSUMO ................................................................................. 212.3 CONSUMO COLABORATIVO........................................................................................ 232.3.1 Motivações para a colaboração .................................................................................... 232.3.2 Negócios baseados em compartilhamento ................................................................... 242.3.3 Práticas de consumo colaborativo na atualidade........................................................ 263 REDES SOCIAIS ................................................................................................................ 293.1 ATORES, NÓS E A CONSTRUÇÃO DO EU VIRTUAL ............................................... 293.2 CONEXÕES, LAÇOS E CAPITAL SOCIAL ................................................................... 313.3 DINÂMICAS DAS REDES SOCIAIS NA INTERNET ................................................... 343.4 O FACEBOOK ................................................................................................................... 353.4.1 Histórico do Facebook ................................................................................................... 363.4.2 Recursos do Facebook ................................................................................................... 374 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS .................................................................... 414.1 ETNOGRAFIA E NETNOGRAFIA .................................................................................. 414.2 SONDAGEM ..................................................................................................................... 444.3 DEFINIÇÃO DA AMOSTRA ........................................................................................... 454.4 ETAPAS DE PESQUISA................................................................................................... 464.4.1 Observação participante ............................................................................................... 464.4.2 Mapeamento de uso da ferramenta Grupos ............................................................... 464.4.3 Identificação de categorias de postagens ..................................................................... 464.4.4 Aplicação de questionário ............................................................................................. 474.4.5 Entrevista em profundidade ......................................................................................... 484.5 QUADRO RESUMO ......................................................................................................... 495 RESULTADOS OBTIDOS ................................................................................................. 515.1 LÓGICA DE FUNCIONAMENTO DO BAZAR ............................................................. 515.2 APROPRIAÇÕES DA FERRAMENTA GRUPOS........................................................... 535.2.1 Mural .............................................................................................................................. 535.2.2 Publicações do mural .................................................................................................... 545.2.3 Membros ......................................................................................................................... 555.2.4 Fotos ................................................................................................................................ 555.2.5 Documentos .................................................................................................................... 555.3 CATEGORIAS DE POSTAGENS .................................................................................... 565.3.1 Divulgação de Trocas .................................................................................................... 575.3.2 Divulgação de Vendas ................................................................................................... 585.3.3 Mensagens pessoais ....................................................................................................... 605.3.4 Outras postagens ........................................................................................................... 665.4 RESULTADOS DO QUESTIONÁRIO ............................................................................. 685.4.1 Gênero ............................................................................................................................ 695.4.2 Faixa etária ..................................................................................................................... 695.4.3 Status de relacionamento .............................................................................................. 70
  9. 9. 5.4.4 Faixa de renda aproximada .......................................................................................... 705.4.5 Localização geográfica .................................................................................................. 715.4.6 Atividades realizadas nos bazares ................................................................................ 725.4.7 Tipo de itens negociados ............................................................................................... 725.4.8 Perguntas abertas .......................................................................................................... 735.5 RESULTADOS DAS ENTREVISTAS ............................................................................. 765.5.1 Motivações de uso dos bazares ..................................................................................... 765.5.2 Impacto na vida e na rotina .......................................................................................... 786 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................ 80REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................... 82Apêndice 1 – Instrumento de coleta do questionário ............................................................... 84Apêndice 2 - Entrevista 01 ....................................................................................................... 88Apêndice 3 - Entrevista 02 ....................................................................................................... 90Apêndice 4 - Entrevista 03 ....................................................................................................... 94Apêndice 5 - Entrevista 04 ....................................................................................................... 96Apêndice 6 - Entrevista 05 ....................................................................................................... 98
  10. 10. 101 INTRODUÇÃO Na sociedade capitalista, tudo aquilo que os indivíduos precisam para viver tem de sercomercializado de alguma forma, de itens de primeira necessidade a supérfluos, o que fazcom que seja quase impossível viver sem consumir. E a cada dia surgem novas formas deconsumo que evoluem e se modificam juntamente com os avanços tecnológicos. Toda novainvenção tecnológica, além de potencial mídia, pode se tornar um canal de vendas. Foi assimcom o rádio, a televisão, e com a Internet não foi diferente. A rede mundial de computadorestrouxe outro modelo de comércio: o comércio eletrônico, ou e-commerce. Para além das lojasvirtuais1, sites de compras coletivas e clubes de compras2, também há o comércio informalpraticado por pessoas comuns a partir das ferramentas que a rede proporciona, como sites deredes sociais, blogs, fóruns, entre outros. Navegando por sites, redes sociais e blogs na Internet, é possível observar que asferramentas disponíveis nestes canais são utilizadas pelos usuários para fins diferentesdaqueles para os quais haviam sido construídas. O comércio informal na Internet é realizado apartir das apropriações destas ferramentas. Blogs viram vitrines, álbuns do Flickr setransformam em catálogos, comunidades do Orkut e grupos do Facebook viram grandes feirase shoppings virtuais. São desde pessoas vendendo seus trabalhos artesanais, até pessoascomercializando produtos usados que não querem mais. Na sociedade onde o modelo capitalista incentiva o consumo, cada vez mais surgemmovimentos que visam consumir conscientemente. A sustentabilidade é um tema que estásendo amplamente abordado hoje, e a consciência do consumidor em relação a esse tema vemaumentando cada vez mais. Pensar mais antes de comprar, ponderar prós e contras e constatarse determinado produto é realmente necessário é uma das formas de consumirconscientemente. Outra forma é reutilizar e reciclar produtos que não utilizamos mais. E isto1 Lojas virtuais são sites inteiramente destinados ao comércio eletrônico, ou e-commerce, onde o compradorpassa por todas as etapas do processo de compra/venda online, sem necessitar do intermédio de um vendedor, eindependente do horário comercial. Fonte: eCommerceOrg. Disponível em: <http://www.e-commerce.org.br/lojas_virtuais.php>. Acesso em: 21 abril 2012.2 Os sites de compras coletivas disponibilizam diariamente ofertas de curta duração de produtos e serviços comgrandes descontos, com o objetivo de fazer com que as pessoas conheçam marcas e estabelecimentos. Para queuma oferta seja válida, é necessário atingir um número mínimo de compradores. Já os clubes de compras sãosites que oferecem diversas campanhas de marcas, disponibilizando por alguns dias uma loja virtual comdiversos produtos, sempre com bons descontos. Os produtos à venda em geral são peças de ponta de estoque, decoleções passadas ou ainda com pequenos defeitos de fabricação. Fonte: Oficina Da Net. Disponível em:<http://www.oficinadanet.com.br/artigo/e-commerce/solucoes_em_e-commerce_entenda_o_que_e_compra_coletiva_e_clube_de_compra>. Acesso em: 21 abril 2012.
  11. 11. 11não diz respeito apenas à reciclagem de lixo, mas também a dar outro destino a produtos queestejam em condições de uso. Há muitos produtos que são comprados por impulso e acabam não sendo utilizados;outros que são utilizados por um tempo, e depois deixam de ser utilizados; outros queagradam na hora da compra, mas deixam de agradar à segunda vista e nunca são utilizados.Isso acontece com frequência dentre o público feminino, que compra itens de vestuárioregularmente, e com frequência adquire estes produtos por impulso, vindo a não utilizar ouutilizar pouco posteriormente. Pensando assim, muitas mulheres doam as roupas que nãousam mais, ou as vendem em brechós. Passar adiante estes produtos é uma forma de consumirconscientemente, afinal, o que para uma pessoa não tem utilidade, pode ser interessante paraoutra pessoa.1.1 DELIMITAÇÃO DO PROBLEMA Os brechós sempre trouxeram implícito o conceito de reutilização de roupas, mas oque outrora era sinônimo de roupas velhas, usadas, baratas e fora de moda, hoje vemganhando outra conotação. Os brechós ganharam visibilidade com os movimentos desustentabilidade, e passaram a ser considerados Cult. Muitos artistas e personalidadesconhecidas também ajudaram a dar visibilidade aos brechós nos últimos tempos, ao declararque gostavam de frequentar lojas do gênero. São lugares onde é possível encontrar oschamados “achados”: peças de boa qualidade, de marcas e modelos diferentes dos quecostuma-se encontrar em lojas tradicionais, e a preços muito mais baixos. As peças antes consideradas velhas e fora de moda, agora são vintage e podem ajudara construir um look atual. E com o ciclo da moda, que vai e volta, peças que saem de modaagora e vão parar num brechó, em pouco tempo podem estar de volta às ruas novamente comopeças da moda. E também está acontecendo uma quebra de paradigma em relação aosbrechós, que passam a ter roupas de marca, de boa qualidade, semi-novas e às vezes atémesmo peças novas, que foram compradas na estação, mas não foram utilizadas. Há vários motivos que fazem com que consumidores procurem os brechós. SegundoSilva e Godinho (2009), as pessoas buscam os brechós por cansarem de acompanhar astendências da moda, por vê-los como uma forma de economizar, por buscar identidadepessoal a partir de peças vintage diferenciadas e exclusivas, ou mesmo para encontrar artigosde boas marcas por preços mais acessíveis. Todos estes motivos também colaboraram paraque este fenômeno chegasse ao meio virtual.
  12. 12. 12 Na Internet é possível encontrar inúmeros blogs destinados à comercialização informalde peças usadas, em especial de vestuário feminino. São pessoas que encontraram na Internetuma forma de passar adiante as peças de roupa que não usam mais, ganhando espaço noarmário, economizando dinheiro e consumindo de maneira sustentável. Este é o caso do blogEnjoei (e to vendendo)3, por exemplo. As donas e visitantes destes blogs acabaram criandouma espécie de rede social informal de brechós, com processos e convenções implícitas queforam sendo construídas pelas próprias usuárias. Aos poucos este movimento foi ganhandomaiores dimensões, e chegou às redes sociais, como o Flickr4, o Orkut5 e o Facebook6. Asusuárias utilizam seus perfis pessoais para divulgar suas peças, ou criam perfis específicospara realizar esta atividade. Ainda nas redes sociais surgiu outro movimento a partir dos brechós: os bazares detrocas. São grupos que funcionam dentro dessas redes, destinados à troca dessas peças deroupas que antes eram vendidas nos brechós. A diferença é que, ao invés de vender o que oucomprar as peças usadas, ambas as partes negociam uma troca de peça por peça. De certaforma, é um retorno ao sistema de escambo, que existia no início da história do comércio.Mas este sistema de escambo virtual não acontece apenas com roupas. Há diversos grupos,comunidades e blogs que são utilizados para outros tipos de troca, como o site TrocaFigurinhas7, que possibilita que os colecionadores troquem suas figurinhas, e também oaplicativo Dois Camelos8 do Facebook e o português Clube de Trocas9, também no Facebook,que possibilitam todo tipo de troca de objetos e até mesmo serviços. A partir deste contexto, observado durante a fase de sondagem do tema a serpesquisado, foi possível elaborar alguns questionamentos que nortearam a pesquisa: Como funciona a lógica do modelo de trocas pela Internet? Como é feita a apropriação das ferramentas disponíveis nas redes sociais para arealização dos bazares de trocas? Como se dão as interações sociais e “comerciais” entre as pessoas que compõe estesbazares? Quais os fatores que motivam o usuário a participar destes grupos?3 Disponível em: <http://www.enjoei.com.br>. Acesso em: 01 maio 2012.4 Disponível em: <http://www.flickr.com>. Acesso em: 01 maio 2012.5 Disponível em: <http://www.orkut.com.br>. Acesso em: 01 maio 2012.6 Disponível em: <http://www.facebook.com>. Acesso em: 01 maio 2012.7 Disponível em: <http://www.trocafigurinhas.com/>. Acesso em: 30 set. 2011.8 Disponível em: <http://apps.facebook.com/doiscamelos/>. Acesso em: 30 set. 2011.9 Disponível em: <http://www.facebook.com/group.php?gid=292470249203>. Acesso em: 30 set. 2011.
  13. 13. 13 Como é possível relacionar os bazares de trocas com os modelos de consumocolaborativo? Com base nestes questionamentos foi possível estabelecer os objetivos a seremalcançados com esta pesquisa.1.2 OBJETIVOS E ESBOÇO METODOLÓGICO O presente trabalho tem por objetivo compreender a lógica do modelo de trocas onlinea partir de uma pesquisa exploratória realizada em grupos existentes para este fim nas redessociais; em especial o Bazar de Trocas da Estilo 10, grupo do Facebook destinado a trocas depeças de vestuário, relacionando este estudo de caso com as práticas de consumocolaborativo. Para tanto se fez necessário investigar quais são os usos e de que maneira se dão asapropriações das ferramentas do Facebook pelos usuários de bazares de trocas, e tambémidentificar as motivações do uso e o impacto na vida dos usuários destes bazares. Foi realizada inicialmente uma sondagem acerca do tema, onde foram observadosbrechós virtuais localizados em blogs, sites e redes sociais, para que fosse possível conhecer ouniverso pesquisado e delimitar o tema de pesquisa. Durante esta sondagem, foramdescobertos os bazares de trocas no Facebook, grupos nos quais foi realizada a observaçãoparticipante. A participação ativa nos bazares – interagindo com as usuárias e realizando trocas – sefez necessária para compreensão do modelo de trocas online, e esta interação com as usuáriasfoi fundamental para entender o como ocorre o processo de negociação e a construção dereputação e confiança em forma de capital social. Também se fez necessária a realização de questionários e entrevistas com osutilizadores dos bazares, para que fosse possível conhecer o perfil destes usuários ecompreender as suas motivações e as mudanças ocasionadas em suas vidas a partir deste uso. Além disso, foi realizada a identificação dos elementos que compõe a ferramentagrupos do Facebook, a identificação das suas apropriações, e a categorização das postagensdurante uma semana de observação diária do grupo, de modo a compreender os bazares detrocas como um todo. Os procedimentos metodológicos serão explicados detalhadamente nocapítulo 4 desta monografia.10 Disponível em <https://www.facebook.com/groups/128866630515607/>. Acesso em: 30 set. 2011
  14. 14. 141.3 JUSTIFICATIVA DO TEMA A sustentabilidade é um tema que está em alta e vem sendo amplamente discutido edesenvolvido. Com o surgimento de novas formas de comercialização e de negócios naInternet a cada dia, como os sites de compras coletivas e os clubes de compras com descontos,que incentivam cada vez mais o consumo, os brechós e bazares de trocas se mostram umaforma interessante de desenvolver um modelo de comércio baseado no consumo consciente ena sustentabilidade. Além disso, é um modelo ecologicamente correto, já que o indivíduo deixa deconsumir recursos naturais novos para reutilizar e reciclar produtos que ainda estão em boascondições de uso. E os benefícios não são apenas para a natureza e para o bem estar doplaneta: O uso de bazares de trocas satisfaz o desejo de consumo, mas de uma maneira muitomais social e consciente, além de representar uma economia muito grande para o bolso dequem utiliza. Para além da crescente importância acadêmica e mercadológica que os bazares detrocas na Internet vêm alcançando, a escolha desta temática parte, também, de uma motivaçãopessoal da autora desta monografia, a qual, desde a infância, fazia uso de peças de segundamão. Tanto roupas e calçados herdados de primos maiores, como também uma variedade deoutros objetos, como livros e até mesmo móveis. Este fato, motivado pela situação financeirafamiliar, ajudou a construir noções do que acerca do que significa era economizar e reutilizar. Dessa forma, a visita a brechós e bazares de caridade e o gosto por coisas objetos tidoscomo “vintage” ou retrô foram frequentes por parte da autora deste trabalho. A Internetpassou, então, mais recentemente, a caracterizar uma nova plataforma onde o hábitoadquirido, anteriormente, pode se manter e se desenvolver, a partir das funcionalidades que oambiente digital pode oferecer. A Internet pode ser um bom meio para procurar objetos dedesejo, os quais podem ser encontrados em clubes de compras coletivas, lojas virtuais, mastambém em blogs e redes sociais, como é o caso dos bazares de trocas. Neste contexto, o grupo de trocas de peças de vestuário dentro da plataformaFacebook, criado pela revista de moda Estilo, constitui um local onde muitas pessoas, emgeral mulheres, trocam suas peças de roupas todos os dias, estabelecendo relações de amizadecom as outras usuárias. Além das trocas há, aparentemente, uma motivação anticonsumista euma preocupação com a sustentabilidade que provém das próprias usuárias.
  15. 15. 15 A relação do tema escolhido com o curso de Comunicação Digital provém do fato deque a Internet tem se mostrado cada vez mais como um agente facilitador para promover osurgimento de novas formas de comunicação e de consumo. As redes sociais na Internetfacilitaram a conexão entre pessoas desconhecidas, porém com interesses em comum, o quefaz com que surjam grupos de interesse como os bazares de trocas. Este tipo de integraçãosocial não seria possível sem a existência da Internet e das ferramentas que ela disponibiliza.Compreender as formas com que as pessoas se apropriam das ferramentas para criar novasmaneiras de interagir e consumir é um dos motivos que torna esta pesquisa relevante para aárea da Comunicação Digital.
  16. 16. 162 COMÉRCIO, CONSUMO E CONSUMO COLABORATIVO Neste capítulo é realizada uma breve síntese da história do comércio, mostrando comoo consumo evoluiu desde o escambo até chegar aos movimentos de consumo colaborativo queemergem na atualidade. Também são explorados os desdobramentos do consumo colaborativona sociedade atual.2.1 BREVE HISTÓRICO DO COMÉRCIO O comércio data do início da história da humanidade, quando o ser humano vivia empequenos grupos, produzia suas próprias ferramentas e utensílios, obtinha por meio de caça ecolheita sua própria comida, e seu vestuário era composto por peles dos animais que elemesmo caçava. Com o tempo, os indivíduos começaram a perceber que outros grupospossuíam objetos, ferramentas, utensílios e até mesmo alimentos diferentes dos seus, esegundo Ratto (2008), perceberam que a forma mais pacífica de obter os itens desejados dosoutros grupos era propor a troca. A origem do comércio foi estimulada, então, pela constatação da existência de mercadorias diferentes produzidas por grupos rivais. A troca foi o meio encontrado para obter de modo pacífico as mercadorias desejadas. Com a troca, o homem passou a atender melhor as suas necessidades e, assim, evoluir em sua condição de sobrevivência. (RATTO, 2008, p. 20.) Assim surgia a primeira forma de comércio, chamado de escambo, ou permuta. Estaprática foi utilizada durante muito tempo, inclusive na troca de mercadorias por trabalho,como ocorria no Brasil colonial, por exemplo, onde os índios ofereciam o seu trabalho aoscolonizadores para receber em troca objetos como escovas de cabelo, espelhos e utensíliosdomésticos. Hoje, o escambo na sua forma original, como principal forma decomercialização, é pouco comum na sociedade, sendo mais frequente em locais menosdesenvolvidos (RATTO, 2008). O escambo não visava o lucro. A troca de produtos ou serviços consistia em satisfazerambas as partes envolvidas, sem lucros ou prejuízos de nenhuma das partes, diferentementedo comércio contemporâneo, que é baseado na moeda (dinheiro), onde quase invariavelmentehá lucro de uma das partes. Nos países mais desenvolvidos, onde o capitalismo já estáarraigado, o uso da moeda (dinheiro) é o mais comum. Ratto (2008) afirma que o surgimento
  17. 17. 17da moeda foi o que deu origem ao processo de compra e venda como o conhecemosatualmente. A busca pelo lucro nas transações comerciais tornou o comércio uma prática socialmuito mais complexa, dando origem à sociedade de consumo da qual participamosatualmente. A partir dessa busca pelo lucro nas transações comerciais, foi criado o marketingcomo forma de divulgação e o design como forma de valoração e diferenciação dos produtos,entre outros elementos que ajudaram a construir o modelo de consumo atual(BAUDRILLARD, 1995). Com a evolução da humanidade, o comércio foi modificando-se, e estendendo-se àsnovas tecnologias que foram surgindo. E a cada dia surgem novas formas de consumo, queevoluem e se modificam juntamente com os avanços tecnológicos. É possível constatar, porexemplo, que o homem inventou a telefonia, e posteriormente inventou o telemarketing e asvendas por telefone. Inventou o correio, e subsequentemente inventou o comércio por maladireta. Inventou a televisão, e também inventou as propagandas comerciais e os canais devendas de produtos, e assim por diante. Toda nova invenção tecnológica pode eprovavelmente deverá se tornar um potencial canal de vendas (RATTO, 2008). Com o advento e a popularização da Internet, surgiu o chamado comércio eletrônico,ou e-commerce. O comércio eletrônico consiste no mesmo processo de compra e venda docomércio tradicional, geralmente baseado em pagamento monetário, porém, com o intermédiode algum equipamento eletrônico como um computador ou um smartphone, conectado àInternet. O comércio eletrônico ganhou espaço aos poucos, e hoje movimenta o comérciomundial paralelamente ao mercado tradicional, estando em constante expansão. Este modelotrouxe um grande diferencial para o mercado, que foi a possibilidade de comercializarprodutos e serviços a qualquer dia ou horário, sem depender necessariamente de um vendedorà postos para atender o cliente e concretizar a compra. O consumidor pode visualizar osprodutos ou serviços desejados quantas vezes ele quiser, à hora que desejar, no conforto desua casa, e em caso de decidir pela compra, passa por todo o processo de compra e pagamentosozinho, sem precisar do intermédio de ninguém, e sem enfrentar filas (ALBERTIN, 2004). Aos poucos o comércio eletrônico começou a ganhar visibilidade e credibilidade comos consumidores, e este modelo de negócio foi se expandindo e ganhando força. Pipocaram osmais variados tipos de loja virtual, desde lojas pequenas, até grandes portais e lojas dedepartamento que vendem os mais variados tipos de produtos. Também surgiram plataformas
  18. 18. 18comunitárias de compra e venda de produtos, como o E-bay11 e o Mercado Livre12, quepermitem que qualquer pessoa venda ou compre o que quiser. Mais recentemente, surgiram ossites de compras coletivas (como o Peixe Urbano13 e o Groupon14) e os clubes de compras(Como Brandsclub15 e Privalia16), que se valem de descontos para atrair consumidores aconhecer novos estabelecimentos e marcas, ou mesmo liquidar produtos de ponta de estoque. A evolução das práticas comerciais influenciou diretamente a maneira como o serhumano consome, e para compreender a lógica do consumo colaborativo, presente nosbazares de trocas, algumas noções sobre a lógica do consumo se fazem necessárias.2.2 NOÇÕES SOBRE A LÓGICA DO CONSUMO O consumo é uma área muito abrangente e complexa de se estudar. Definir o que éconsumo, ou quais são suas motivações, é uma tarefa muito difícil, principalmente para dar aessa definição um caráter multidisciplinar. Slater (2002) diz que o consumo é sempre umprocesso cultural, e que a cultura do consumo define um sistema em que as pessoas utilizamde seu livre-arbítrio para escolher o que querem consumir, enquanto por outro lado utilizamargumentos para persuadir o outro a querer consumir determinado produto. Para Canclini(1995) não há uma teoria sociocultural do consumo, que é muito complexo e permeado denuances de acordo com o ângulo que se observa. Mas ainda assim ele propõe uma definiçãopara nortear o pensamento sobre o consumo: [...] o consumo é o conjunto de processos socioculturais em que se realizam a apropriação e os usos dos produtos. Esta caracterização ajuda a enxergar os atos pelos quais consumimos como algo mais do que simples exercícios de gostos, caprichos e compras irrefletidas, segundo os julgamentos moralistas, ou atitudes individuais, tal como costumam ser explorados pelas pesquisas de mercado. (CANCLINI, 1995, p. 53) É possível viver sem produzir, mas é praticamente impossível viver sem consumir. E oconceito de consumir é muito mais abrangente que o simples ato comercial de comprar ouvender. O homem consome cultura, recursos naturais, e tudo aquilo que lhe é externo11 Disponível em: <http://www.ebay.com/>. Acesso em 12 jun. 2011.12 Disponível em: <http://www.mercadolivre.com.br/>. Acesso em 12 jun. 2011.13 Disponível em: <http://www.peixeurbano.com.br/>. Acesso em 12 jun. 2011.14 Disponível em: <http://www.groupon.com.br/>. Acesso em 12 jun. 2011.15 Disponível em: <http://www.brandsclub.com.br/>. Acesso em 12 jun. 2011.16 Disponível em: <http://br.privalia.com/>. Acesso em 12 jun. 2011.
  19. 19. 19fisicamente, e que ele adquire para si (CANCLINI, 1995). Estudando apenas a fatia doconsumo que está relacionada a bens materiais, ainda é possível subdividir o consumo naquiloque é necessidade básica, e de outro lado o que é supérfluo – e ainda assim, esta divisão seriamuito subjetiva e pessoal. Segundo Barbosa e Campbell (2008), as necessidades básicas sãoas que não suscitam culpa ao indivíduo, e que, portanto, podem ser consideradas legítimas,enquanto as supérfluas estão associadas ao desejo e ao excesso, e requerem justificativas paradiminuir a culpa do indivíduo. Mesmo na sociedade contemporânea, moderna e individualista, na qual as noções de liberdade e de escolha são valores fundamentais, sente-se a necessidade de justificar a compra de alguma forma. E este último aspecto é muito significativo, pois esta necessidade contraria o pressuposto da racionalidade econômica na aquisição de bens. (BARBOSA; CAMPBELL, 2008, p. 20) Segundo Maslow (1962) necessidade é, em resumo, a privação de certas satisfações.Como o indivíduo em geral não pode satisfazer todas as suas necessidades de consumo, se faznecessário que ele estabeleça prioridades. Neste caso, de acordo com a Teoria dasNecessidades de Maslow (1943), as necessidades sempre serão satisfeitas de acordo com umaordem hierárquica, que possui cinco níveis, de acordo com a pirâmide da figura 1:Necessidades fisiológicas, necessidades de segurança, necessidades sociais, necessidades deestima, e por último, necessidades de autorrealização. Figura 1: Pirâmide da hierarquia das necessidades de Maslow Adaptada de: Maslow (1943). De acordo com Maslow (1943), as necessidades de nível mais baixo devem sersatisfeitas primeiro, para que seja possível satisfazer as necessidades de nível mais alto. Oprimeiro degrau compreende as necessidades fisiológicas, como fome, sede e sono; Nosegundo degrau estão as necessidades de segurança, que vão desde sentir-se fisicamenteseguro, até inclusive possuir segurança financeira; No terceiro degrau estão as necessidades
  20. 20. 20sociais, que compreendem o amor, o afeto, a amizade e a pertença a um grupo; No quartodegrau estão as necessidades de estima, que compreendem o sentimento de autoestima,confiança e conquista do respeito dos outros indivíduos; Por fim, o último degrau diz respeitoà realização pessoal, em que o indivíduo busca aquilo que o faz ser quem é essencialmente. Esta hierarquia tende a ser respeitada no contexto do consumo e da aquisição de bens,onde primeiramente o indivíduo deverá consumir itens de alimentação e higiene, porexemplo, e somente deverá consumir supérfluos como acessórios de moda quando tiversatisfeito estas e outras necessidades básicas, estabelecendo-se assim prioridades. Porém,mesmo para satisfazer as necessidades básicas, o indivíduo pode fazer escolhas de consumobaseadas no seu desejo pessoal. Considerando um indivíduo que esteja com fome: a necessidade a ser suprida é aalimentação, mas a escolha de qual item será consumido para satisfazer esta necessidade vaidepender de fatores sociais, econômicos e de escolhas pessoais. O mesmo acontece com oconsumo de moda, cuja necessidade básica é vestir-se, mas outras necessidades associadas,como a autorrealização, autoafirmação e a diferenciação vão influenciar na decisão doproduto que será consumido. Estes fatores secundários são cada vez mais importantes para osconsumidores, e recentemente acabaram ocasionando mudanças no processo de decisão decompra. Consumidores de todos os mercados começaram a adotar um novo modelo de compras: ao mesmo tempo em que preferem lojas com descontos para abastecer a despensa, e procuram economizar, investem significativamente em categorias que oferecem gratificação emocional. (VERA, MASSON e VICÁRIA, 2008, p. 44) Outra característica do indivíduo consumidor é a insaciedade. Segundo Baudrillard(1995) o homem nunca se sente realizado, e está sempre a procura de algo novo que o sacie.O próprio convívio em sociedade o motiva a querer consumir coisas que o façam saciar certasnecessidades e buscar realização, mas estas coisas nunca serão suficientes ou definitivas, poisas necessidades também mudam com o indivíduo. Este sentimento de insaciedade é o motordo consumo. Assim, na sociedade contemporânea, consumo é ao mesmo tempo um processo social que diz respeito a múltiplas formas de provisão de bens e serviços e a diferentes formas de acesso a esses mesmos bens e serviços; um mecanismo social percebido pelas ciências sociais como produtor de sentidos e de identidades, independentemente da aquisição de um bem; (BARBOSA; CAMPBELL, 2006, p. 26)
  21. 21. 212.2.1 As mulheres e o consumo A maneira feminina de consumir é bem diferente da masculina, principalmente no quediz respeito ao consumo de moda. Conhecer estas diferenças se faz necessário para que sejapossível compreender o público utilizador dos bazares de trocas, que é essencialmentefeminino. Para tanto, neste subcapítulo serão exploradas as particularidades da relação entreas mulheres e o consumo, com ênfase no consumo de moda. “A moda afeta a atitude damaioria das pessoas em relação a si mesmas e aos outros. Muitas delas negariam isso, masessa negativa é normalmente desmentida por seus próprios hábitos de consumo”(SVENDSEN, 2010, p. 10). Em nenhum momento da história a mulher ganhou tanto quanto hoje (BARLETTA,2003), e vem aumentando seu poder aquisitivo nos últimos anos, garantindo a suaindependência e aumentando exponencialmente sua participação no mercado. Segundo Bento(2010), apesar da mulher ainda possuir remuneração inferior à masculina, essa realidade estámudando, e elas vêm se tornando cada vez mais financeiramente independentes e,principalmente, adquirindo poder de decisão de compra; Estima-se que cerca de 80% dosgastos familiares estão sob decisão da mulher (BARLETTA, 2003). Isto contribuiu para que opúblico feminino fosse cada vez mais visado no mercado, sendo alvo certo para a publicidadedas marcas. A mulher consumidora é muito ocupada, tem uma lista extensa e complexa de tarefas que são próprias da sua nova condição de trabalhadora, acumulada com a sua antiga e presente posição de mulher, mãe e dona de casa. Por tudo isto, tem menos disponibilidade, não tem tempo a perder, e está sempre a pensar em várias coisas, sendo difícil atrair a sua atenção. (BENTO, 2010, p 15) De acordo com Barletta (2003), o jeito feminino de comprar é muito diferente domasculino. Enquanto homens utilizam muito a racionalidade, analisam os prós e contras eusam o senso prático e de oportunidade, as mulheres utilizam muito mais a percepçãoextrassensorial, valorizam muito a questão emocional e são muito atentas a detalhes. Além deterem seus sentidos afetados com mais facilidade, as mulheres os levam em conta nomomento da compra. Outro fator importante é o pensamento contextual: mulheres associam cada elemento aum “todo” maior e mais amplo, permeado de significações. A questão social também é levada
  22. 22. 22em conta, desde a opinião de um amigo até a expressão do vendedor são fatores que vãocontribuir para a decisão de compra (BARLETTA, 2003). Então, uma peça de roupa deve nãosomente ser bonita aos olhos, mas também deve ser agradável ao tato e ter um cheiroaprazível, além de trazer algum tipo de significação para que conquiste uma consumidora. Segundo Barletta (2003), a maioria do público online é feminino, e os principaiscomponentes da Internet (que de acordo com a autora são: comunicação, conteúdo, comércio,comunidade e conveniência) têm mais apelo entre as mulheres do que entre os homens, o queexplica a grande oferta de produtos para este público na Internet. Acompanhando durantealguns dias as ofertas dos sites de compras coletivas e as campanhas de clubes de compras,por exemplo, é possível observar que uma fatia consideravelmente maior delas consiste emprodutos e serviços voltados para o público feminino. E a grande maioria destas ofertas sãopeças de vestuário ou itens relacionados à beleza, todos eles objetos de desejo feminino. E este fenômeno não é inédito, relembrando as liquidações de lojas de roupas em finalde estação, por exemplo. As lojas ficam lotadas de consumidores que desejam aproveitar asofertas de produtos com descontos. A maior parte do público consumidor da temporada deliquidações são as mulheres, especialmente no que diz respeito a itens de vestuário. De acordocom Miller (2002), é um fato que as mulheres consumem muito mais itens de vestuário doque os homens, e apesar de possuírem os guarda-roupas muito mais cheios que a maioria doshomens, elas nunca estão satisfeitas com seu arsenal. E elas não compram apenas produtospara si, mas lembram de comprar roupas para o cônjuge, para os filhos, para a mãe, e atémesmo para os amigos mais próximos. As mulheres compram na esperança de que aqueles para quem elas compram se tornem os recipientes adequados daquilo que foi comprado e de suas devoções. As mercadorias, de bens alienáveis, passam a ocupar o lugar que seria de bens inalienáveis em outras sociedades ao se transformarem em objetos de devoção. (MILLER, 2002, p. 16) Boa parte dos produtos de moda adquiridos é proveniente de compras por impulso, emuitas vezes nem serão usados. Seja porque na próxima estação a peça não estará mais namoda, ou não nos servirá mais, ou ainda porque a um segundo olhar, o produto não agradouao consumidor da mesma forma que à primeira vista. É assim que muitos produtos acabamesquecidos nos armários, ocupando espaço e gerando cada vez mais desperdício. Apesar deste fato, as mulheres continuam consumindo, querendo adquirir produtosque satisfaçam seus desejos, e assim gastando uma fatia considerável de sua renda todos osmeses em itens de beleza e vestuário. E é por isto que os bazares de trocas podem ser uma
  23. 23. 23alternativa prática, econômica e sustentável de suprir os desejos de consumo feminino, alémde uma forma de educar aos poucos as pessoas para promover o consumo colaborativo(assunto que será abordado a seguir).2.3 CONSUMO COLABORATIVO Neste subcapítulo iremos explorar o conceito de consumo colaborativo, relacionandosua aplicação aos bazares de trocas, a partir das noções estabelecidas sobre escambo,comércio e consumo nos capítulos anteriores, e com base nas ideias dos autores Tapscott eWilliams (2006), Botsman e Rogers (2011) e Gansky (2010), entre outros que abordam aonda do consumo colaborativo e suas possibilidades.2.3.1 Motivações para a colaboração O comércio então pode ser entendido como uma prática cultural baseada na oferta deprodutos e serviços para a satisfação de desejos ou necessidades, visando o lucro de uma daspartes. Porém, nem toda transação comercial precisa ser baseada no lucro e na exploração.Johann Schneider, em entrevista ao autor Elias Fajardo (2010) disse que comércio éessencialmente troca, e que as trocas podem ser boas para ambos os lados, sem que ninguémseja explorado. Comércio nada mais é do que troca. Quem o transforma em algo bom ou ruim, explorador ou não, é o ser humano que o pratica. Infelizmente se criou uma imagem de que o comércio tem necessariamente de ter aspectos de exploração. Isto está mudando, pois pode haver trocas boas, sem exploração, entre alguém que produz algo e alguém que vai consumi-lo. Estamos falando de comércio como parceria. (FAJARDO, 2010, p. 59) É possível oferecer um produto ou serviço sem almejar lucro, tendo em vista quetambém se pode usufruir de outro produto ou serviço quando necessário, como uma troca defavores, uma parceria. Isto é basicamente a essência do consumo colaborativo. Todospossuem algo que pode ser compartilhado, e assim contribuir para a comunidade. De acordocom Botsman e Rogers (2001) as pessoas em geral fazem isto sem perceber, quandoemprestam um livro, quando passam uma receita, quando fornecem informação especializada(no caso de um advogado dar orientação jurídica para um amigo, por exemplo), entre tantos
  24. 24. 24outros exemplos que poderiam ser citados. A colaboração está implícita nas relaçõesinterpessoais. Além das motivações sociais, de colaboração e pertencimento a uma comunidade, anecessidade econômica em períodos de crise financeira também fez com que as pessoasficassem mais abertas a novas formas de acesso ao que elas precisam, e de como consegui-las.O modelo econômico tradicional visava o consumismo, em que as pessoas compravamprodutos, utilizavam, jogavam fora e voltavam a comprar. Embora funcionasseeconomicamente a curto prazo, de acordo com Tapscott e Williams (2006), não era ummodelo saudável nem sustentável. Para estes autores, uma nova democracia econômica estásurgindo, na qual todos são protagonistas. O consumo colaborativo é mais do que apenas boavizinhança e sustentabilidade, mas também é uma forma saudável de manter a economiafazendo as pessoas consumirem mais gastando menos, numa economia do que Botsman eRogers (2011) intitularam de “o que é meu é seu”. Para Botsman e Rogers (2011) os consumidores estão cada vez mais conscientes deque o crescimento indeterminado e o consumo de recursos finitos são inviáveis em termoseconômicos, ambientais e existenciais, exigindo uma postura mais social por parte dasorganizações. Mais que adquirir mercadorias, os consumidores contemporâneos sãoconsumidores de ideias, filosofias e experiências, que uma vez estabelecidos através dasmarcas, despertam nos públicos o desejo de pertencimento a essas "comunidadesideológicas".2.3.2 Negócios baseados em compartilhamento Muitas empresas também já perceberam que a colaboração em alta traz uma vastagama de oportunidades, e estão trabalhando de forma a aproveitar esta onda. Segundo LisaGansky (2010), o modelo de negócios do futuro é baseado no compartilhamento de produtos eserviços e está baseado nas redes de relacionamentos. Para Tapscott e Williams, esta era dacolaboração também traz grandes desafios para as empresas. Os novos modelos de negóciocomeçam a ameaçar os modelos tradicionais. e quem não souber aproveitar este momentoficará para trás. Porém, o compartilhamento não deve substituir o consumismo: de acordocom os autores, ambos os modelos tendem a coexistir em harmonia futuramente. “Em vez dereconhecerem a derrota para a força econômica mais poderosa do nosso tempo, as empresas jáestabelecidas podem utilizar a nova colaboração para obter um sucesso sem precedentes”(TAPSCOTT; WILLIAMS, 2006).
  25. 25. 25 Lisa Gansky (2010) cunhou o termo “Mesh” para definir os negócios baseados emcompartilhamento de informações e recursos. Para ela, pessoas e empresas que iniciamprojetos com esta mesma mentalidade acabam gerando um ecossistema de negócios, em quetodos se ajudam para crescer e prosperar, otimizando processos e minimizando a utilização derecursos com base no compartilhamento. E quando fala de negócios, Gansky se refere aempresas, mas também a projetos, movimentos e até mesmo ONGs que acreditam queestamos na era do compartilhamento e que todos têm a ganhar com o Mesh. Por que chamar de “Mesh” essa nova onda de negócios? Mesh descreve um tipo de rede que permite que qualquer nó se ligue em qualquer direção com quaisquer outros nós no sistema. Cada parte está conectada a cada outra parte e elas se movem em conjunto, uma atrás da outra. Para mim, “Mesh” é uma metáfora apta e rica para descrever uma nova fase completa de serviços baseados em informações. (GANSKY, 2010, p.16) De acordo com a teoria da cauda longa de Anderson (2010), o chamado “mercado dehits”, composto por poucos produtos que são destinados a grandes massas, vem sendosubstituído pelo mercado de nichos, que por sua vez é representado por uma infinidade deprodutos destinados a milhares de pequenos nichos, que em sua totalidade podem competircom o mercado de hits. Para Gansky (2010), os negócios Mesh são capazes de encontrar epreencher nichos facilmente, por sua estrutura estar mais bem capacitada para a identificaçãode desejos e necessidades dos clientes. O computador com acesso à Internet foi o principal fator que colaborou para ofenômeno da cauda longa, por causa de: (1) ter democratizado as ferramentas de produção, (2)ter reduzido os custos de consumo, através da democratização da distribuição e (3) por terproporcionado a ligação entre a oferta e a demanda. Estes fatores representam as três forçasda cauda longa (ANDERSON, 2006, p 50-55) e também explicam como o consumocolaborativo vem ganhando força nos últimos anos a partir da Internet. Gansky (2010)concorda com a importância da Internet neste contexto, e afirma que a Mesh só se tornapossível a partir do momento em que todos estão ligados uns aos outros a partir destaconectividade permanente e relativamente barata, e que ao mesmo tempo abre um leque muitomaior de possibilidades. A Internet oferece muitas vantagens para a comercialização online, de acordo comAnderson (2006) por atingir diretamente o consumidor, com baixo custo de divulgação emanutenção da estrutura comercial tradicional, por não possuir restrição ao horário comercial,
  26. 26. 26por muitas vezes não depender de uma interação direta entre vendedor e comprador, porfacilitar as buscas de produtos, entre outros motivos. Todos podem ser compradores evendedores, e todos podem também ser formadores de opinião. Consumidores que antes não tinham meios eficazes de compartilhar sua opinião sobredeterminados produtos, agora podem localizar e contribuir com conteúdo sobre estesprodutos, a partir das redes sociais e de fóruns de discussão. As ferramentas disponíveis naInternet também possibilitaram outros tipos de comercialização informal, o que potencializouo consumo colaborativo a partir de redes sociais e sites específicos para este fim.2.3.3 Práticas de consumo colaborativo na atualidade Por meio do consumo colaborativo, tem-se acesso a uma maior gama de produtos semque haja necessidade de aumentar a produção dos mesmos; eles são compartilhados,reutilizados, pertencem a uma coletividade e não apenas a um indivíduo. Porém, a era dacolaboração muda os valores sociais. De acordo com Botsman e Rogers (2011), o valor de umindivíduo para a sociedade, que antes era determinado por crédito, propaganda e pelas coisasque consumia, cada vez mais será definido pela reputação, pela comunidade e pelo que édoado e compartilhado. São muitos os casos de consumo colaborativo, e a seguir serão expostos algunsexemplos citados pelos autores referenciados neste capítulo, para exemplificar a manifestaçãodesta cultura na Internet e nas redes sociais. Gansky (2010) cita o exemplo da Zipcar17, um serviço de compartilhamento de carrosque está presente nos Estados Unidos, no Canadá e em alguns países da Europa. O serviço foicriado por duas amigas que souberam identificar uma maneira melhor de suprir umanecessidade. Diferentemente dos serviços tradicionais de aluguel de carros, a Zipcardisponibiliza carros convenientemente localizados por toda a cidade, e que podem ser locadosvia Internet de maneira fácil e rápida. Além de facilitar a vida de seus usuários com oconsumo colaborativo de automóveis, serviços como o da Zipcar também ajudam a reduzir apoluição e o consumo de recursos. “A base do sucesso da Zipcar foi uma fórmula simples:criar uma maneira simples e eficiente para que as pessoas compartilhassem os carros ao invésde comprá-los. O serviço é rápido, útil e acessível” (GANSKY, 2010, p. 11).17 Disponível em: <http://www.zipcar.com/>. Acesso em: 15 maio 2012.
  27. 27. 27 Outro serviço citado por Gansky (2010) é o Roomorama 18, uma plataforma dehospedagem alternativa, que permite que pessoas tornem suas casas em uma estada de curtaduração com tempo compartilhado, beneficiando hóspedes e anfitriões. Para o hóspede, oRoomorama representa um baixo custo de hospedagem; para o anfitrião, uma maneira deganhar um dinheiro extra. “É isso que a Roomorama faz. Ao oferecer um serviço, ela criaoportunidades para todos” (GANSKY, 2010, p. 25). Assim como o Zipcar e o Roomorama,existem vários outros serviços semelhantes para compartilhamento de carros, residências eoutros tipos de produtos e serviços. Entrando na parte de trocas de roupas, Gansky (2010) traz o exemplo do ThredUP19,uma plataforma para trocas de roupas que surgiu da ideia de um homem que queria encontraralguém do seu tamanho para trocar suas camisas. A ideia foi um sucesso, e logo milhares dehomens e mulheres associados estavam trocando suas peças de roupas por outras “novas”. Ossócios listavam as peças que possuíam e os itens que gostariam de receber em troca, depoisenviavam seu pacote para o ThredUP, que se encarregava de enviar pacotes com peças deigual valor. “Os sócios gostam de receber um pacote no correio com roupas “novas”. Elechega, e parece como um presente: você sabe que é pra você, mas não sabe exatamente o queo espera” (GANSKY, 2010). Posteriormente, o foco do ThredUP foi mudado para as roupasinfantis, que em geral são utilizadas por curtos períodos e depois deixam de servir. Amudança de foco foi uma sugestão dos próprios sócios. Dentro do nicho da moda, há diversos outros exemplos além do ThredUP. O siteamericano 99Dresses20 é uma plataforma de compra e venda de roupas de segunda mãoatravés de uma moeda virtual chamada de “botões”. Inicialmente, a ideia era disponibilizaruma plataforma onde as mulheres pudessem trocar vestidos de festa. Hoje o site se apresentacomo “um guarda-roupa infinito de moda gratuita” que permite que você “nunca vista amesma roupa duas vezes”. Nesse estilo, existe também o britânico Big Wardrobe21, cujo siteinforma que hoje está presente em cerca de 140 países, o americano I-Ella22 e o francêsVideDressing23, que recentemente lançou uma versão brasileira. Neste capítulo foi explorado o consumo colaborativo, com base no histórico docomércio e na lógica do consumo. Em geral, além de representarem economia para os bolsosde seus usuários, os sistemas de consumo colaborativo trazem a seus usuários um valor18 Disponível em: <http://www.roomorama.com>. Acesso em: 15 maio 2012.19 Disponível em <http://www.thredup.com>. Acesso em 16 maio 2012.20 Disponível em <http://www.99dresses.com>. Acesso em 16 maio 2012.21 Disponível em <http://www.bigwardrobe.com>. Acesso em 16 maio 2012.22 Disponível em <http://www.i-ella.com>. Acesso em 16 maio 2012.23 Disponível em <http://www.videdressing.com>. Acesso em 16 maio 2012.
  28. 28. 28agregado, ao mostrarem o valor da comunidade e do compartilhamento. Para que seja possívelcompreender o contexto em que os bazares de trocas estão inseridos, bem como os novosvalores sociais trazidos pela era da colaboração, se faz necessário explorar os conceitos deredes sociais, que serão abordados no próximo capítulo.
  29. 29. 293 REDES SOCIAIS Neste capítulo serão abordados os conceitos de redes sociais, baseados nas ideias dolivro “Redes sociais e Internet”, de Raquel Recuero (2009), dentre outros autores que tratamdo tema. Também será abordado o Facebook, site de rede social onde estão situados osbazares de trocas que são objeto de nesta monografia.3.1 ATORES, NÓS E A CONSTRUÇÃO DO EU VIRTUAL A Internet tornou possível que as pessoas se expressassem e sociabilizassem commaior facilidade através das ferramentas de comunicação que surgiram a partir dela. O usodestas ferramentas faz com que os usuários deixem rastros, a partir dos quais é possívelestudar as interações, compreender o seu comportamento e fazer o reconhecimento de padrõesnas redes sociais. Marteleto (2001, p.72) define rede como um "sistema de nodos e elos; uma estruturasem fronteiras; uma comunidade não geográfica; um sistema de apoio ou um sistema físicoque se pareça com uma árvore ou uma rede". Uma rede social, de acordo com Recuero (2009)é composta de atores e conexões, onde atores são os nós da rede (pessoas, grupos,instituições) e as conexões são as interações e laços sociais entre eles. As redes sociais, paraMarteleto (2001, p.72), representam “[...] um conjunto de participantes autônomos, unindoidéias e recursos em torno de valores e interesses compartilhados”. Uma rede, assim, é uma metáfora para observar os padrões de conexão de um grupo social, a partir das conexões estabelecidas entre os diversos atores. A abordagem de rede tem, assim, seu foco na estrutura social, onde não é possível isolar os atores sociais e nem suas conexões. (RECUERO, 2009, p.24) Os atores são representados por nós (ou nodos), e são as pessoas que estão presente narede. Eles são responsáveis por moldar esta rede a partir das interações e da construção delaços sociais. Na Internet, segundo Recuero (2009), os atores da rede não são identificadosimediatamente, e se faz necessário o uso de representações. Um exemplo disso é que umacomunidade do Orkut é um nó, mas ela é formada por diversos membros, e cada qual tambémé um nó na rede. Ambos, a comunidade e os perfis pessoais no Orkut não são atores sociais,
  30. 30. 30mas são representações desses atores, construídos por eles para representar elementos de suaindividualidade. Este tipo de construção identitária é um processo que se mantém em permanenteevolução, e se repete em outros elementos do ciberespaço (RECUERO, 2009). Como porexemplo, os sites pessoais, que não necessariamente são redes sociais. A construção do “eu”está presente nas diversas apropriações que os usuários fazem de espaços virtuais, desde aescolha de nicknames, a migração de um site de rede social para outro, a escolha de um tipode avatar ou a descrição de si mesmo. Um perfil em uma rede social é uma presença do “eu”no ciberespaço, um espaço privado e público ao mesmo tempo, pois é preciso ser visto paraexistir no ciberespaço. E quando as pessoas falam a partir desses espaços estão tornandopossível a expressão das redes sociais na Internet. As pessoas têm uma necessidade premente de pertencimento/reconhecimento em relação à comunidade ou grupo social no qual estão inseridas. Nesse sentido, a sua organização em torno de projetos comuns, sobretudo culturais, onde os indivíduos compartilham não só o mesmo território, mas seus interesses, suas necessidades, enfim desejos comuns é que se constitui neste processo de formação de identidade individual e coletiva. (SILVA, 2005, p.3) De acordo com Silva (2005), a construção da identidade pessoal tem raiz na identidadecoletiva. A percepção do outro é essencial para a interação humana, e no ciberespaço aspessoas são percebidas a partir das suas palavras. Mas é preciso colocar rostos e informaçõesque identifiquem os atores responsáveis por cada informação, geralmente anônima, naInternet. Conforme Recuero (2009), a partir dessa identificação dos atores que se tornapossível a interação social que cria vínculos e conexões na rede. Num perfil do Orkut ou doFacebook, por exemplo, existem informações pessoais como nome, cidade e estado; hátambém uma foto escolhida como avatar; e ainda existem relacionados a estes perfisinformações que identifiquem os gostos pessoais. Todas estas escolhas ajudam a construir o“eu” nesses perfis, de forma que o perfil é percebido pelas outras pessoas como arepresentação do próprio indivíduo dentro daquela rede. Assim, podemos entender que os atores são as pessoas que agem através destasferramentas (blogs, websites, perfis em redes sociais) para se expressar de alguma forma. Noentanto, estas representações apenas são plausíveis a partir da possibilidade de interação comoutros atores e a criação das conexões. A soma das representações de cada indivíduo nasdiferentes plataformas e ferramentas na web dão pistas para que possamos entender quem é
  31. 31. 31aquele indivíduo. “São construções plurais de um sujeito, representando múltiplas facetas desua identidade” (RECUERO, 2009, p. 30).3.2 CONEXÕES, LAÇOS E CAPITAL SOCIAL O outro elemento que compõe as redes sociais são as conexões, as ligações entre osnós. Em geral, a rede é composta pelos laços sociais que são formados a partir da interaçãodos seus atores. Esta interação só pode ser percebida graças aos rastros deixados nas redes.Como por exemplo, uma publicação no mural de um perfil do Facebook fica gravada edisponível até que alguém a delete, ou que o sistema saia do ar. Costuma-se dizer que o que épublicado na web é como se fosse escrito em pedra, porque após publicado, não se tem maiscontrole sobre este conteúdo; Ainda que tenha sido deletado, o conteúdo em questão teve livreacesso por um determinado tempo, e gerou replicações na memória do computador de quemacessou, foi indexado em sistemas de busca, e também pode ter sido copiado e republicadopor outras pessoas que tiveram acesso a ele. A interação depende da atividade do outro, pois toda ação cria a expectativa de umareação, num processo comunicacional de caráter social. E no ciberespaço, as interaçõespossuem algumas peculiaridades. Recuero (2009) diz que na web, geralmente não há pistas dalinguagem não-verbal, mas poderiam ser citadas como exemplo as transmissões em streamingvia Twitcam (http://www.twitcam.com), onde existe a percepção destes sinais gestuais e defala, ainda que numa via de mão única, pois quem é assistido apenas recebe comentáriosescritos em resposta, como forma de interação. A ação de um depende da reação do outro, e há orientação com relação às expectativas. Essas ações podem ser coordenadas através, por exemplo, da conversação, onde a ação de um ator social depende da percepção daquilo que o outro está dizendo. (...) A interação é, portanto, aquela ação que tem um reflexo comunicativo entre o indivíduo e seus pares, como reflexo social. (RECUERO, 2009, p. 30) De acordo com Recuero, a interação entre os atores pode ser síncrona ou assíncrona.Na primeira, os atores estão ambos presentes, interagindo simultaneamente (como nos chats esistemas de mensagens instantâneas), e na segunda os atores dividem um mesmo espaço emantém uma conversação, mas em tempos diferentes (como em fóruns e postagens noFacebook, por exemplo). Mas as conexões nem sempre são fáceis de distinguir no
  32. 32. 32ciberespaço. Uma conversação pode começar em um comentário no Facebook, evoluir emuma conversa no Messenger, voltar para o Facebook, e ainda ter desdobramentos por outrosmeios, como Twitter, e-mail, telefone, ou até mesmo presencialmente. E para quem nãoparticipou ativamente desta interação, pode ser difícil compreender a evolução destasconversações. A interação mediada pelo computador cria e mantém relações complexas que ajudam aconstruir as redes sociais na Internet. As relações geradas nessas redes, por sua vez, vão gerarlaços sociais. Determinadas ações e interações podem vir a criar, fortalecer, enfraquecer, oumesmo extinguir os laços sociais entre os atores, já que nem sempre a interação acontece deforma positiva. O laço social é uma relação de interação estabelecida entre dois ou maisatores, e independe de empatia ou afeto entre as partes, ou do tempo de duração. O laço socialpode variar de intensidade (fortes, fracos) e de duração (curtos, longos), de acordo com ascircunstâncias, e estas duas características em geral estão diretamente relacionadas entre si ecom o grau de intimidade entre o par de atores. As redes sociais na Internet suportam tanto os laços fracos quanto os fortes, emborasejam mais propícias para os laços fracos, já que propiciam a interação esparsa. Quanto maioro número de laços, maior o número de interações, e maior será a complexidade dedeterminada rede social. Os laços sociais podem vir de relações pessoais reais, e podem surgirdentro do ciberespaço. Há até mesmo laços sociais que podem ser estreitados quando trazidospara o ciberespaço, e também relações que só se mantém à distância, utilizando as redessociais na Internet como meio de interação, o que cria uma desterritorialização dos laços. Os laços sociais, de acordo com Recuero (2009), também podem ser divididos emlaços relacionais e laços associativos. Os laços relacionais são aqueles em que há interaçãomútua, que pode ser originada através da comunicação instantânea, onde o fluxo demensagens é mais constante. Os laços relacionais podem se fortalecer mais a cada novainteração. Os laços associativos, por sua vez, se caracterizam pelo sentimento depertencimento, quando alguém quer demonstrar que faz parte de um determinado grupo, quecompartilha gostos em comum com outras pessoas ou mesmo busca identificação com outrosusuários. De acordo com Marteleto (2001) as redes informais são iniciadas a partir domomento em que uma comunidade está consciente sobre interesses e/ou necessidades que sãocomuns entre seus membros, e isso ocorre a partir dos laços relacionais. Laços relacionais, deste modo, são aqueles constituídos através de relações sociais, apenas podem acontecer através da interação entre os vários atores
  33. 33. 33 de uma rede social. Laços de associação, por outro lado, independem dessa ação, sendo necessário, unicamente, um pertencimento a um determinado local, instituição ou grupo. (RECUERO, 2009, p. 39) Outro elemento relativo às conexões de uma rede social na Internet é o capital social.Para Araújo (2010), “Capital Social é a argamassa que mantém as instituições em contatoentre si e as vincula ao cidadão visando a produção de bem comum” (ARAÚJO, 2010, p.10) .Já Recuero (2009) trabalha a construção do conceito de capital social a partir de conceitos dealguns autores, como Putnam, Bourdieu e Coleman. Inicialmente, de acordo com a reflexãoda autora, entendemos que é um indicativo da conexão entre os pares de indivíduos em umarede social. O capital social refere-se a estabelecer confiança e reciprocidade nas relações, apartir de aspectos individuais e coletivos. A confiança, preceito básico do capital social, segundo Putnam (2002), pode derivarde duas fontes que são (1) regras de reciprocidade e (2) sistemas de participação cívica. Asregras de reciprocidade, conforme o autor, estão relacionadas com a retribuição de favores,mas também com a aplicação de regras de constrangimento social, definidas publicamente demaneira clara, para quem não coopera ou transgride as regras estabelecidas. Já os sistemas departicipação cívica remetem a vários tipos de associações, onde o indivíduo tem consciênciade que tem seu papel e que precisa desempenhá-lo para que adquira a sensação depertencimento àquele grupo social (PUTNAM, 2002). O capital social é o agregado dos recursos atuais e potenciais, os quais estão conectados com a posse de uma rede durável, de relações de conhecimento e reconhecimento mais ou menos institucionalizadas, ou em outras palavras, à associação a um grupo – o qual provê cada um dos membros com o suporte do capital coletivo (...) (BOURDIEU, 1983, p.248-249 apud RECUERO, 2009, p. 46) O capital social, de acordo com Araújo (2010) está associado à coletividade; paraRecuero (2009) está relacionado ao pertencimento a grupos, às ações dos atores destes grupos,e ao conhecimento e reconhecimento mútuo dos participantes destes grupos. Dessa forma,também podemos dizer que para compreender o capital social é necessário observar nãoapenas os atores e suas interações, mas o conteúdo das mensagens trocadas entre eles, eprincipalmente o sentido destas mensagens para o coletivo. Ao que diz respeito à Internet, éimportante compreender o conceito de capital social para poder estudar as relaçõesestabelecidas nas redes sociais, que são ainda mais complexas no ciberespaço.
  34. 34. 34 Uma sociedade cuja cultura pratica e valoriza a confiança interpessoal é mais propícia a produzir o bem comum, a prosperar. A cooperação voluntária, assentada na confiança, por sua vez, só é possível em sociedades que convivem com regras de reciprocidade e com sistemas de participação cívica. Em sociedades que tenham capital social, que, a exemplo de outras formas de capital, é produtivo e possibilita a realização de certos objetivos que sem ele seriam inatingíveis (ARAUJO, 2010, p.17). .3.3 DINÂMICAS DAS REDES SOCIAIS NA INTERNET São muitos os elementos que compõe as dinâmicas das redes sociais na Internet. Oprimeiro aspecto a ser levado em conta, de acordo com Watts (2003) citado por Recuero(2009) é que as redes sociais se modificam com o tempo, pois por serem dinâmicas estão emconstante transformação. Estas transformações, em uma rede social, são muito influenciadaspelas interações. “Os processos dinâmicos das redes são consequência direta dos processos deinteração entre os atores. Redes são sistemas dinâmicos e, como tais, sujeitos a processos deordem, caos, agregação, desagregação e ruptura” (NICOLIS; PRIGOGINE, 1989 apudRECUERO, 2009, p. 80). Outro aspecto a ser considerado sobre as redes sociais é seu caráter emergente.Segundo afirma Recuero (2009) esta é uma característica dos sistemas complexos, queenvolve o aparecimento de padrões de comportamento que se repetem em larga escala demodo coletivo e descentralizado. Neste contexto, a partir da interação surgem algunselementos importantes, como a cooperação, a competição e o conflito, como processos sociaisque influenciam a rede. Quando os homens trabalham juntos, tendo em vista um objetivo comum, seu comportamento é chamado cooperação. Quando lutam um contra o outro, a conduta é rotulada oposição. Cooperação e oposição constituem os dois processos básicos da vida em grupo (OGBURN; NIMKOFF, 1975, p.236 apud RECUERO, 2009, p. 81) Conforme afirma Recuero (2009), para que seja possível viver em sociedade, énecessária a cooperação, que é o processo formador das estruturas sociais. A cooperação é oque faz com que pessoas ajam de maneira organizada, de modo que um grupo possa serformado. A cooperação pode ser motivada pelos interesses individuais, pelo capital socialenvolvido e pelas finalidades do grupo. "Sugere-se um ambiente de total cooperação, em quese desenvolve o sentimento de pertença, promovendo a preocupação com o bem-estar do
  35. 35. 35grupo, que em troca proporcionará a todos uma desinteressada receptividade e um confortantesentimento de segurança" (PRIMO, 2005) A competição é uma forma de luta social, que compreende a luta mas não ahostilidade, que por sua vez é característica presente no conflito (RECUERO, 2009).Enquanto a competição pode gerar cooperação entre os membros de um determinado grupoou subgrupo – que se organizam para vencer outro grupo em algum aspecto – a competiçãopode levar a uma ruptura na organização social, podendo inclusive originar novos grupos apartir dessa ruptura. Para Primo (2005), cooperação e conflito não são opostos. “Se umcompetidor livrar-se de seu adversário, ele não poderá mais competir” (PRIMO, 2005). ParaRecuero (2009), estes processos podem estar relacionados de maneira mais complexa: A cooperação, a competição e o conflito não são, necessariamente, processos distintos e não relacionados. São, sim, fenômenos naturais emergentes das redes sociais. O conflito, por exemplo, pode envolver cooperação, pois há a necessidade de reconhecimento dos antagonistas como adversários. Esse reconhecimento implica cooperação. Do mesmo modo, o conflito entre grupos pode gerar cooperação dentro dos mesmos (RECUERO, 2009, p. 82). Outros aspectos importantes a serem considerados sobre a dinâmica das redes sociaissão a ruptura e a agregação. “Uma das dinâmicas esperadas em grupos sociais é suacapacidade de agregar mais pessoas e de que pessoas rompam com o grupo” (Recuero, 2009).Deste modo, é possível compreender que os atores ligados a determinado grupo têm o poderde agregar novos membros relacionados a um determinado tema ou contexto. E quanto maioré a comunidade, maior a chance de ocorrerem competições e conflitos, que podem gerarrupturas. Em geral, as rupturas são causadas por grupos pequenos em relação à comunidade,mas que possuem grande expressão por estar reunidos em torno de clusters, que são atoresque possuem um número de conexões maior do que a média e acumulam um capital socialrico. Deste modo, as opiniões dos clusters costumam ter maior relevância e levam a agregaroutras pessoas mais facilmente, como uma forma de liderança.3.4 O FACEBOOK Nos capítulos 3.1 a 3.3, foram abordados os conceitos presentes nas redes sociaisaplicados à Internet, de acordo com as ideias de Recuero (2009). Neste capítulo será abordado
  36. 36. 36de forma breve o site de rede social Facebook, para contextualizar o ambiente no qual sesituam os bazares de trocas estudados na presente monografia.3.4.1 Histórico do Facebook O Facebook é um site de rede social, ou seja, “um site que foca a publicização na redesocial dos atores” (Recuero, 2009, p. 178). Hoje é um dos sites de rede social mais acessadosno mundo. Chamado originalmente de “thefacebook”, o Facebook foi lançado em 2004, porMark Zuckerberg, em parceria com seus colegas Dustin Moskovitz e Chris Hughes, enquantoeram alunos de Harvard. Inicialmente, o site era focado naqueles alunos que estavam deixando o ensinosecundário e entrando na universidade. O foco inicial era criar uma rede de contatos entre osuniversitários. Foi primeiramente aplicado a alunos de Harvard (em 2004), e depoisexpandido a outras universidades e escolas (em 2005), e neste primeiro momento para entrarno thefacebook era necessário pertencer a alguma das instituições reconhecidas. Em 2005, osite possuía 5 milhões de membros ativos, e foi o ano em que passou a ser conhecido somentecomo “Facebook”24. Posteriormente, o Facebook foi sendo liberado para escolas e empresas, até estardisponível para o mundo inteiro. Em dezembro de 2011, o site ultrapassou o Orkut emnúmero de usuários e acessos, se tornando a maior rede social no Brasil. De acordo com acomScore25, as mulheres passam mais tempo no Facebook do que os homens no Brasil(enquanto eles passam cerca de 4,1 horas no site, elas costumam ficar cerca de 5,3 horas).Além disso, pessoas com idades de 25 a 34 anos representam a maioria dos visitantes do site e30,6% da audiência total26. Hoje, de acordo com a página oficial do Facebook no site homônimo, “a missão doFacebook é dar às pessoas o poder de compartilhar e tornar o mundo mais aberto econectado27”. Nesta página, o site também fornece uma pequena descrição sobre a rede social:“Milhões de pessoas usam o Facebook todos os dias para relacionar-se com os amigos,24 Fonte: <http://www.infoescola.com/Internet/historia-do-facebook/. Acesso em: 16 jun. 2012.25 A comScore é uma das maiores empresas do mundo que se dedicam a pesquisas sobre a Internet e o mundomóvel.26 Fonte: <http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2012/01/facebook-passa-orkut-e-vira-maior-rede-social-do-brasil-diz-pesquisa.html>. Acesso em: 16 jun. 2012.27 Traduzido de “Facebooks mission is to give people the power to share and make the world more open andconnected”. Fonte: <https://www.facebook.com/facebook/info>. Acesso em: 16 jun. 2012.
  37. 37. 37carregar um número ilimitado de fotos, compartilhar links e vídeos, e saber mais sobre aspessoas que encontram28”.3.4.2 Recursos do Facebook Para entrar no Facebook, o usuário deve preencher um cadastro simples (ver figura 2),com poucas informações, como nome, sobrenome, e-mail e senha, gênero e aniversário. O sitepossui uma validação de nome para evitar que sejam feitos cadastros fakes29. O e-mail e asenha são necessários para entrar no site e acessar sua conta posteriormente, e o aniversário érequerido pela limitação de idade do Facebook só para maiores de 13 anos. O perfil30 doFacebook é feito para pessoas físicas. Empresas, instituições, organizações e marcas devemcriar fanpages31. Após o cadastro, é solicitado ao novo usuário fazer uma busca pelos seus amigos econhecidos que já estão presentes na rede social para adiciona-los a sua rede de amigos. Ousuário também é incentivado a complementar as informações do seu perfil, adicionando olocal onde mora, onde nasceu, onde trabalha atualmente e locais onde já trabalhou, ondeestuda atualmente e locais onde já estudou; O usuário também pode relacionar amigos a seuperfil como familiares e informar se está em um relacionamento, entre outras informações.28 Traduzido de “Millions of people use Facebook everyday to keep up with friends, upload an unlimited numberof photos, share links and videos, and learn more about the people they meet.” Fonte:<https://www.facebook.com/facebook/info>. Acesso em: 16 jun. 2012.29 Termo utilizado para representar os perfis falsos.30 Seu perfil (linha do tempo) é uma imagem completa de si mesmo no Facebook. Fonte:<https://www.facebook.com/help/glossary>. Acesso em: 16 jun. 2012.31 Páginas permitem que empresas, marcações e celebridades se conectem com pessoas no Facebook. Osadministradores podem publicar informações e atualizações do Feed de notícias para pessoas que "curtem" suaspáginas. Fonte: <https://www.facebook.com/help/glossary>. Acesso em: 16 jun. 2012.
  38. 38. 38 Figura 2: Tela inicial do Facebook 32 O usuário também é incentivado a postar fotos, vídeos e atualizações em seu mural33,além de interagir com as publicações dos amigos (que aparecem no feed de notícias), atravésdos botões curtir34, compartilhar e fazendo comentários. O usuário também pode curtirfanpages, que ficam relacionadas a seu perfil como interesses, e também pode fazer parte degrupos35. Todas as informações pessoais e de interesse do usuário ficam disponíveis para acessoem seu perfil. Recentemente, o Facebook lançou a timeline36, ou linha do tempo, recurso emque a história do usuário é contada ano a ano desde seu nascimento, de acordo com asinformações pessoais e atualizações diárias no site. São muitas as ferramentas e recursos que compõe o Facebook, mas abaixo é feita umarelação apenas daquelas que são necessárias para compreender os bazares de trocas, tema depesquisa da presente monografia.32 Imagem da tela de login do Facebook (http://www.facebook.com) em 17 de junho de 2012.33 “Seu Mural é o espaço no seu perfil no qual você e seus amigos podem publicar e compartilhar”. Fonte:<https://www.facebook.com/help/glossary>. Acesso em: 16 junho 2012.34 “Clicar em "Curtir" é uma forma de fazer comentários positivos e conectar-se com coisas importantes paravocê”. Fonte: <https://www.facebook.com/help/glossary>. Acesso em: 16 junho 2012.35 “Grupos são círculos fechados de pessoas que compartilham e mantém contato no Facebook”. Fonte:<https://www.facebook.com/help/glossary>. Acesso em: 16 junho 2012.36 “Sua linha do tempo é a sua coleção de fotos, histórias e experiências que contam sua história”. Fonte:<https://www.facebook.com/help/glossary>. Acesso em: 16 junho 2012.
  39. 39. 39 Mural: O Mural é um espaço presente na página de perfil do usuário que permite queele poste atualizações de status, fotos, vídeos e links. Caso o usuário permita, seus amigostambém podem postar conteúdo de texto, links ou fotos no seu mural. Todas as postagens domural estão sujeitas às configurações gerais de privacidade do usuário, em que ele decidequem pode visualizar suas publicações, mas estas configurações padrão podem ser alteradaspara cada postagem individual. Botão Curtir: O botão de curtir (like, na versão original) é um recurso onde osusuários podem manifestar que gostam de determinado conteúdo, sejam atualizações destatus, comentários, fotos, links compartilhados, fanpages, entre outros. Botão Compartilhar: O botão de compartilhar (share, na versão original) é umrecurso onde os usuários podem replicar determinado conteúdo conteúdo para sua rede, sejamatualizações de status, comentários, fotos, links compartilhados, fanpages, entre outros. Emgeral, o botão compartilhar está localizado ao lado do botão curtir. Comentários: Em geral, quase todo tipo de publicação de um usuário no Facebookpermite que outros usuários postem comentários. Estes comentários podem ser isolados eindependentes, mas também podem gerar conversação. Fotos: Todos os usuários possuem em seu perfil uma seção de fotos, onde podempostar fotos divididas em álbuns. Também é possível postar vídeos, mas este é um recursopouco utilizado. Por padrão, o usuário possui um álbum de “Fotos do Mural”, um de “Fotosdo Perfil” e um de “Fotos de Capa”, mas o usuário pode criar outros álbuns. Cada álbum podeconter uma descrição e várias fotos. Em cada foto, o usuário pode colocar uma descrição,informar o local onde foi tirada e com quem estava naquela foto. Também é possível marcaros amigos nas fotos. Abaixo dos álbuns, há uma seção com todas as fotos e vídeos em que ousuário foi marcado. Bate-papo: O Facebook disponibiliza uma ferramenta de bate-papo ou chat, em queos usuários podem enviar mensagens instantâneas para conversar com seus amigos queestiverem online. É possível adicionar amigos à conversa, e também iniciar chamadas devídeo. Quando um usuário tenta falar com outro usuário que esteja offline, o conteúdo éenviado como mensagem para que ele veja quando estiver online. Todas as conversas do bate-papo ficam com histórico disponível em mensagens, agrupadas por usuário ou por usuários. Mensagens: Além de armazenar o histórico das conversas do bate-papo, o recurso demensagens permite aos usuários trocar mensagens privadas com usuários, sejam eles amigosou não, de acordo com as opções de privacidade do usuário. As mensagens podem ser lidas,
  40. 40. 40respondidas e arquivadas como num sistema de e-mail. Também é possível enviar links eanexar fotos e arquivos de maneira privada pelas mensagens. Grupos: Os grupos são um espaço fechado onde grupos de pessoas podem secomunicar sobre interesses em comum. Os grupos podem ser públicos, privados ou secretos.Em grupos secretos ou fechados, as publicações ficam visíveis somente para os membros dosgrupos, e membros dos grupos devem ser aprovados ou adicionados por outros membros.Grupos públicos ficam disponíveis na busca do Facebook, e qualquer um pode passar a fazerparte. Os membros recebem notificações por padrão quando algum membro publica algo nogrupo. Os membros dos grupos podem participar de bate-papos, carregar fotos para álbunscompartilhados, colaborar em documentos dos grupos e convidar os membros que são amigospara eventos dos grupos. A ferramenta grupos e suas apropriações nos bazares de trocas serãoabordadas com mais detalhes no capítulo 5.2 da presente monografia.

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