Obediência milgram

7.855 visualizações

Publicada em

Publicada em: Educação
1 comentário
6 gostaram
Estatísticas
Notas
Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
7.855
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
645
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
0
Comentários
1
Gostaram
6
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Obediência milgram

  1. 1. Relações interpessoais Processos de influência entre indivíduos.
  2. 2. Psicologia social • É “uma tentativa para compreender e explicar como o pensamento, o sentimento e o comportamento dos indivíduos são influenciados pela presença real, imaginada ou implícita de outras pessoas”. Allport, 1954
  3. 3. Existem cinco características que definem as relações interpessoais: • manifestam-se através de interacções (ou seja, de processos que ocorrem no interior das relações); • revelam factores cognitivos (percepção sobre a situação e significado atribuído à relação) e emocionais (sentimentos e afectos implicados na relação); • regem-se por normas sociais de conduta (cada um dos interlocutores assume um papel na relação e desempenha-o em função do que é socialmente desejável); • dependem do contexto social em que ocorrem (marcado por sistemas simbólicos); • organizam-se de acordo com a função psicossocial dos interlocutores (distinguindo-se as relações simétricas — onde os sujeitos assumem posições idênticas — das relações complementares — onde as posições assumidas são distintas).
  4. 4. Influência social • Ocorre – quando “as acções de uma pessoa são condição para as acções de outra” Secord & Backman, 1964 • Pode incluir: – Tentativas óbvias para alguns indivíduos alterarem as atitudes ou comportamentos de outros; – Processos mais subtis que ocorrem no interior dos grupos ou da sociedade.
  5. 5. Processos centrais de influência social • Normalização • Conformismo • Obediência • Inovação
  6. 6. Normalização • Processo de influência recíproca quando nenhuma das partes da interacção dispõe de um juízo ou norma prévia.
  7. 7. “A normalização exprime a pressão que se exerce durante uma interacção em vista da adopção de uma posição aceitável por todos os indivíduos. Num grupo, ela exprime a convergência das opiniões e a adesão a um compromisso aceite por todos os membros desse grupo.
  8. 8. Normalização • O que é a norma? Escala ou referência de avaliação que define uma margem de comportamentos, atitudes e opiniões, permitidas ou condenáveis. (Sherif) São inevitáveis e úteis.
  9. 9. Inevitáveis: Úteis As normas formam-se A ausência de normas é para reduzir a paralisante da vida e incerteza e a confusão interacções sociais. ao nível das opiniões, comportamentos e sentimentos.
  10. 10. Muzafer Sherif: Processo de normalização. • Compreensão da actividade subjectiva na criação de quadros de referência. Experiência: Efeito auto-cinético
  11. 11. Experiência de Sherif. • Sherif pediu aos sujeitos para calcularem a distância percorrida pelo ponto luminosos em vários ensaios: as suas estimativas convergiram num valor idiossincrático (típico de cada sujeito); • Sherif pediu então aos sujeitos para estimarem o movimento da luz em grupos de 2 ou 3: as suas estimativas convergiram num valor normativo (típico do grupo). • Quando os sujeitos eram testados de novo sozinhos as suas estimativas continuam a ser consistentes com a norma grupal.
  12. 12. Experiência de Sherif
  13. 13. Experiência de Sherif • Ambiguidade e incerteza da situação • Definição de um quadro de referência subjectiva que é adoptado pelo sujeito; • Busca de consenso para evitar conflitos através do compromisso; • „Necessidade de certeza e confiança na correcção das suas acções; • „Uma vez desenvolvida, a norma persiste para além da situação imediata.
  14. 14. Experiência de Sherif • Colocados numa situação ambígua e não dispondo de aprendizagem anterior relevante, os sujeitos desenvolvem quadros de referência idiossincráticos, estáveis e padronizados; • Numa situação de grupo os sujeitos utilizaram o comportamento dos outros para a construção dos seus quadros de referência individuais.
  15. 15. “O fundamento psicológico do estabelecimento de normas sociais, tais como os estereótipos, as modas, as convenções, os costumes e os valores, é a formação de quadros de referência comuns enquanto produtos do contacto dos indivíduos entre si” (Sherif, 1947)
  16. 16. Conformismo. O conformismo ou a conformidade, de modo diferente da normalização, ocorre em situações onde existe uma norma maioritária claramente definida. Neste caso, uma minoria “desviante” conforma-se com a maioria “legítima”, reduzindo a tensão criada por duas perspectivas mutuamente exclusivas. A influência da maioria gera a redução do conflito inter-individual e conduz à adesão do grupo minoritário à posição defendida pelo grupo maioritário. Ocorre então um fenómeno de conformidade.
  17. 17. Conformismo. O conformismo ou a conformidade, por sua vez, ocorre em situações onde existe uma norma maioritária claramente definida. Neste caso, uma minoria “desviante” conforma-se com a maioria “legítima”, reduzindo a tensão criada por duas perspectivas mutuamente exclusivas. A influência da maioria gera a redução do conflito inter-individual e conduz à adesão do grupo minoritário à posição defendida pelo grupo maioritário. Ocorre então um fenómeno de conformidade. Conformidade: corresponde a um fenómeno de influência social que se caracteriza pela modificação de crenças ou de comportamentos num indivíduo na sequência da procura de maior ajuste às normas do grupo.
  18. 18. Solomon Asch Tendência para a conformidade. • Experiência de Asch Texto em Inglês de Solomon Asch, 1955 Copia da Scientific American, de 1955, com o texto de Solomon Asch
  19. 19. Experiência de Asch • Estudo das reacções individuais face à influência de um grupo;
  20. 20. Experiência de Asch
  21. 21. Experiência de Asch • Os sujeitos são solicitados a realizar numa “simples tarefa de percepção”. • „São mostrados slides com várias linha verticais, e eles têm que dizer qual das 3 linhas de comparação (A, B, ou C) é similar a uma outra (a linha padrão X). • „ A tarefa é realizada num grupo que (sem o conhecimento do sujeito) é constituído por comparsas do experimentador. A maior parte dos comparsas respondem antes do sujeito. • Em 11 ocasiões diferentes, os comparsas dão unanimemente uma resposta claramente errada, antes de o sujeito ser solicitado a responder.
  22. 22. Experiência de Asch (1951) Resultados: • „O conflito foi resolvido maioritariamente no sentido da independência (68%), no entanto foi nítida a influência da maioria (32%) • 75% dos sujeitos seguem (conformam-se) a opinião do grupo, e dão a resposta errada em uma ou mais ocasiões; • Quanto maior a magnitude do erro cometido pelos comparsas, menor a percentagem de respostas conformistas.
  23. 23. Experiência de Asch Factores do conformismo. • A unanimidade do grupo: - a quebra de unanimidade reduz significativamente o conformismo (basta um elemento); • „Autoconfiança: o conformismo é inversamente proporcional à autoconfiança. • Tamanho do grupo.
  24. 24. Experiência de Asch • Contudo para sabermos quais as condições que permitem a alteração das percepções de um indivíduo minoritário por uma maioria quantitativa é necessário recorrer à experiência efectuada por Deutsch e Gerard (1955), onde estes apontam como condições a dependência informativa e a dependência normativa.
  25. 25. Conformismo • O pensamento grupal • CONFORMISMO acontece quando um • Ceder ao conformismo grupo toma decisões T63 erradas devido a pressões grupais que levam à a deterioração da eficiência mental, observação da realidade e avaliação moral (Irving Janis, 1972, p. 9).
  26. 26. Obediência Modificação do comportamento através da qual um indivíduo responde pela submissão a uma ordem que lhe vem de um poder legítimo. (FISCHER, 2002)
  27. 27. Stanley Milgram Experiência. Clicar na imagem.
  28. 28. • O efeito autocinético de Sherif • Um indivíduo é colocado num quarto escuro e levado a observar um ponto luminoso fixo. Em plena escuridão, as percepções visuais perdem o seu quadro de referência habitual o ponto luminoso parece deslocar-se: é o fenómeno da ilusão autocinética. Pede-se então ao sujeito que faça um estimativa do deslocamento do ponto. Ele formula uma série de estimativas que pouco se estabilizam em torno de uma estimativa que corresponde à sua norma pessoal, norma que ele tenderá a reproduzir noutras tentativas. Essa norma pessoal pode apresentar grandes diferenças das estimativas dos outros sujeitos. Isto porque, numa segunda fase, quando as normas pessoais forem assim fixadas, cada sujeito é colocado diante das estimativas dos outros e todos exprimem as suas estimativas em voz alta. Nessa situação, as interacções dos membros acarretam uma modificação progressiva das estimativas de cada um dos indivíduos, que abandonam as suas próprias normas pessoais para estabelecerem com os outros uma norma de grupo. Durante a experiência, o sujeito toma consciência de um desvio entre as suas próprias estimativas e as dos outros membros do grupo. Sente um mal-estar que o leva pouco a pouco a reduzir o desvio através de um processo de ajustamento recíproco. As diferenças são progressivamente reduzidas e constitui-se uma norma para o conjunto do grupo. Cada indivíduo reduz assim a incerteza e encontra maior segurança num julgamento comum. A norma é a fonte da estabilidade. Se existe no grupo uma pessoa cuja competência ou posição é reconhecida pelos membros do grupo, a norma do mesmo tenderá a fixar-se em torno da avaliação dessa pessoa. Nesse caso, há ajustamento em torno da sua posição. A sua norma individual torna-se um ponto de referência numa situação em que a ausência de indicações cria um mal-estar. A norma é um processo de redução da incerteza. Uma posição comum adoptada a partir de um consenso tem um efeito mais tranquilizador do que a percepção de diferenças de desvios. Uma vez estabelecida a norma do grupo, torna-se difícil desviar-se dela: o indivíduo deve conformar- se.
  29. 29. • SHERIF E O ESTUDO DA NORMA • Sherif (1936) é autor daquela que continua a ser uma das experiências mais reveladoras no que respeita ao fenómeno da produção de normas. A questão era saber o que faria um indivíduo colocado numa situação ambígua a que os modos habituais de comportamento não se adaptam. (…) • A fim de criar essa situação ambígua, Sherif recorreu a uma experiência de ilusão óptica chamada “efeito autocinético”: apresentado na obscuridade, a uma certa distância, um ponto luminoso fixo dá a impressão de se mover, pelo facto de não haver qualquer ponto de referência em relação ao qual possa ser situado. Para Sherif, esta situação ambígua pode revelar-se de maneira particularmente significativa, tendo em conta que o observador não dispõe de nenhum apoio objectivo para apreciar o movimento aparente da luz. • A experiência desenrola-se da seguinte maneira: o sujeito é introduzido num quarto escuro e colocado a cinco metros da fonte luminosa. Sherif pede-lhe que avalie o movimento da luz de forma tão exacta e independente quanto possível. Depois de trabalhar com os sujeitos individualmente, junta-os em pequenos grupos e propõe-lhes a mesma tarefa. • Os resultados indicam que, em situação individual, as respostas começam por ser bastante diferentes umas das outras, mas depois, progressivamente, essa variabilidade diminui: o sujeito tende a situar as suas estimativas no interior de uma «grelha» pessoal. Ou seja, quando o indivíduo percepciona movimentos em nenhuma base de comparação estabelece uma escala de variação e, no interior dessa escala, um ponto de referência que lhe é próprio. Esse ponto e essa escala podem ser diferentes dos que foram de terminados pelos outros indivíduos. Em contrapartida, no caso de um grupo de duas ou três pessoas, constata-se que as estimativas convergem no sentido de uma média das estimativas feitas individualmente; a esse valor médio comum chama Sherif uma norma. FISCHER, G. (2002), Os conceitos fundamentais de psicologia social, págs. 81 e 82, Lisboa: Instituto Piaget.
  30. 30. • ASCH E O ESTUDO DA CONFORMIDADE • Oito estudantes estão em frente a um quadro. O investigador informa-os que vão participar numa experiência destinada a testar a exactidão da sua percepção visual. Põe no quadro, 18 vezes seguidas, dois cartões rectangulares separados por um metro de distância. No cartão da esquerda está desenhada uma só linha preta, enquanto no cartão da direita há três linhas de comprimentos diferentes. Uma dessas linhas tem um comprimento igual à do cartão da esquerda. Em cada tentativa, o investigador pergunta qual das três linhas é equivalente à linha de referência. Os participantes dão a sua avaliação a seguir aos outros, em voz alta, sempre na mesma ordem, começando pela esquerda. A primeira tentativa não apresenta nenhuma dificuldade; todas as pessoas concordam. • Aliás, a tarefa é desprovida de ambiguidade. O mesmo se passa na tentativa dois. Na terceira tentativa, no entanto, acontece um fenómeno estranho, O primeiro participante responde sem qualquer hesitação, bem como os cinco seguintes, que dão a mesma resposta que o primeiro. Entretanto, o participante 7 agita-se cada vez mais, cruza e descruza as pernas, passa a mão pelos cabelos e pela cara. O participante 8 continua impassível. Na tentativa quatro manifesta-se o mesmo contraste de emoções: o participante 7 está muito nervoso e os outros muito calmos. O que se passa na cabeça do participante 7? • Primeira tentativa: “Vejamos, é fácil, a resposta é a linha 2. Aliás todas as pessoas concordam. Realmente, isto é coisa para crianças.”Segunda tentativa: É evidente! É 1... Certo, concordamos todos.”Terceira tentativa: „É 3, desta vez. O quê? Que disse o primeiro? Não foi 1 que ele disse? Bem, é original... O quê? O número 2 também diz 1. Mas o que é que se passa nesta sala? Uma reunião de tolos… ou serei eu? O número 3 também diz 1, e o 4 e o 5 e o 6. Agora é a minha vez. Vou dizer o quê? Parece que estão a olhar para mim. Bom, se dissesse 1 como os outros? Mas não, a resposta certa é 3, ou então tenho de ir ao • oculista. Vamos lá, vejo 3, digo 3. Três! Já está, todos olham para mim, parecem divertidos. E o número 8 diz 1. Não podia dizer 3 como eu? Sentir-me-ia melhor: talvez os outros tivessem imitado o primeiro”.Quarta tentativa: “O que disse ele agora? 2? Mas é 1! E os outros que dizem todos o mesmo outra vez. Realmente, isto está a agravar- se; que hei-de fazer? Se disser 1, pois é 1, sem dúvida, não estou cego, se disser 1 vou fazer cara de quê? Vão desatar a rir, achar que sou parvo. Não podem estar todos enganados. Se pelo menos um deles dissesse 1. Mas, nada a fazer.., é 1. Pronto! Sozinho seria muito mais fácil mas para a próxima vez não me apanham... nunca mais me hão-de apanhar.” • Como já adivinhou, este cenário foi manobrado. O desgraçado do participante 7 está numa cilada astuciosamente montada pelo investigador. O estratagema consiste em fazê-lo acreditar que os outros sujeitos da experiência também são participantes autênticos. Na realidade, eles encenam um plano bem definido que visa abalar a confiança do único verdadeiro participante no estudo. Em 12 das 18 avaliações de linhas, os cúmplices têm por missão dar, em unanimidade, uma resposta errada. • LEYENS, J. e YZERBYT, V. (2002) Psicologia Social, págs. 165- 167- Lisboa: Edições 70Os dois estudos clássicos apresentados demonstram claramente a relevância d

×