Análise transacional aplicada à formação maria antônia santos

601 visualizações

Publicada em

Análise Transacional

Publicada em: Educação
0 comentários
1 gostou
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
601
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
2
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
31
Comentários
0
Gostaram
1
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Análise transacional aplicada à formação maria antônia santos

  1. 1. .. .ouo. uun. .uc'nnaanunonnon'. - . ..ou. .no-. ..onono-o-. u¡ooo-u- : bacia-nono: ouncnuonolntoulllo o 1 n n o o o n . u c . . u c u c c c u c u c u o c c o c a oco-cornoIocacococaco-¡ooooaoc nas¡actuou¡¡ollcoulcnuolloulcl í Â imsrnfúfo Dó EMPREGO; E . TORMAÇÂP ÊRQFÉSWNAL
  2. 2. A ANALISE TRAI_ISACCIONAL APLICADA A FORMAÇAO PROFISSIONAL
  3. 3. !Vi _. . M.. .,. ... W.. ..M. .~. _I. MW. _.. ... ... ..". ... ... .. -, ._. ... L.. ... _- . -.. ... . . ... _.. ... -,. _.. ... ... .L_h. .__. .~. ... _.. ... ... ... .~. _.». _
  4. 4. MARIA ANTÓNIA SANTOS A ANÁLISE TRANSAccIqNAL APLICADA A I= ORIvIAçAO PROFISSIONAL 5°. ( INSTITUTO DO EMPREGO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL
  5. 5. Editor: Instituto do Emprego e Formação Profissional Colecção Aprender Titulo A Análise Transaccional Aplicada à Formação Profissional Autor Maria Antónia Santos Licenciada em Psicologia e Ciências da Educação pela Universidade de Lisboa. Consultora/ Formadora em Comportamento Organizacional. Coordenação Técnica Departamento de Formação Profissional Direcção de Serviços de Recursos Formativos Direcção Editorial Gabinete de Comunicação Núcleo de Informação Cientifica e Técnica Impressão e Acabamento SOARTES - artes gráficas, Ida. tiragem 4000 exemplares Depósito Legal 144450/99 ISBN 972-732-539-4 13 Edição Fevereiro 2000 O IEFP autoriza a reprodução parcial desta publicação para lins não comerciais desde que devidamente citada a tonta.
  6. 6. iNDICE cAPíTuLo 1 - INTRODUÇÃO , . . . . . , . . . . . , . , . . . . , . , . . . . . , . . . , . , , . . , . , , . , , , , . .9 cAPíTuLo 2 - O ouE É A ANÁLISE TRANSAccIONAL . . , . , . . . . , . , . . . , , . , , . . . . t0 2.1. - GANHADORES E PERDEDCRES , . , , , , , , , , , , , , , , , , . . . . . , . , . , , , , , . , , .12 2.2. - OS TRÊS NIVEIS DA PERSONALIDADE . . . . , . , . , , . . . , , . . . . , . . . . . . . . , .14 2.3. - UMA FORMA DE UTILIZAÇÃO DA ENERGIA PSÍQUICA , . . , . , . . , , , , . . . .15 2.4. - UM MÉTODO DE MUDANÇA INDIVIDUAL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ..18 2,5. - UMA PEDAGOGIA DO EFEITO E DAS CONSEQUÊNCIAS . . . . . , . . , , . . . .t9 CAPÍTULO 3 - OS ESTADOS DO EU . . . . . , . . . . . . . . . , , . . , . , , . , . , , , . , . , , . , . . . ,.20 3.1. - A CONSTRUÇÃO DA PERSONALIDADE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .20 3,2. - IDENTIFICAR OS ESTADOS DO EU . . , . . . . , , , . . . . . . , . . . . , . , , . . . , . . ,.21 3.3. - CARACTERÍSTICAS DOS TRÊS ESTADOS DO EU . . . . . . . . . . . . . . , . , . , .22 3.4. - ANÁLISE FUNCIONAL . . , . . . , , , , . . . . . , . . . , . , . . . . . . , . . , . . , . . , , , , , , , , .26 3.5. - OS DISFUNCIONAMENTOS DO SISTEMA PAC . . , . . . , . . , . . , . . . . . . . . . , .32 3.5.1. - As Contaminações , . , , . , . . . . , . , . , , , . , , . , , , , , , , , . , . . , . , . . . . . .32 3.5.2. - As Exclusões . . , , , , , , , . , , , , , . . , , . , . . . . . . . . . . . . . . . , . , . . , , . , _.34 3.5.3. - A Relação Simbiótica , . . . . . , , , , . . , , , , , , . , . . . , , , . . , , . , , . . , . . . , 35 3.5.4, - A Passividade , . . , , , , . , . . . , . . . , , , , , . , , . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .38 3.5.5. - Algumas Sugestões para Lidar com os Disluncionamentos . . . . . ,.40 3.5.6, - A Análise Transaccional e o seu Papel de Enquadramento . . . . . . . 41 CAPITULO 4 - As POSIÇÕES ExISTENCIAIS ou POSIÇÕES DE VIDA . . . . . . . . , . , .44 4.1. - AS QUATRO POSIÇÕES DE VIDA . . , . . . . . , . . . , . . . . . , . . . . . . . . . . . . . . ,.45 4.2. - AS POSIÇÕES DE VIDA NO CONTEXTO PEDAGÓGICO , . , , . , , , , . , . . ,.49 CAPÍTULO 5 - As TRANsAcçõEs . . . . . . . . . . . , , . . , , , , , , . , . . , . . . , . , , . , . . . . . . ..51 5.1. - TRANSACÇÕES PARALELAS , . . . . . . , . . . , , , . , . , . , , . . . . . . . , , . . . . . . . . .51 5.2, - TFIANSACÇÕES CRUZADAS . . . . . , . . . . , . . . . . . . . , . . . . . . , . , . , . . , . , , . , .53 5.3, - TRANSACÇÕES SUBJACENTES, ULTERIORES OU ESCONDIDAS . . . . _.56 5.4. - TRANSACÇÕES TANGENCIAIS OU BLOQUEADAS . , , , . . , , , . . . . . , . , . , .56 CAPÍTULO 6 - AS EMOÇÕES E A PEDAGOGIA , . . . . . , . , , , . . , . , . . , , , , , . . , . . . . . . 60 6.1. ~ A CONGRUÊNCIA VERBAL/ NÃO-VERBAL . . , . . . . . . . . . . . . . , , . , . . , . , . , .61 6.2. - A EXPRESSÃO DOS SENTIMENTOS NO CONTEXTO PEDAGÓGICO . ...62 6,3. - A EXPRESSÃO NEGATIVA DAS EMOÇÕES . . . . , . . . . . . . . . , . . . . . . . . . . ,.63 CAPÍTULO 7 - UMA NECESSIDADE FUNDAMENTAL: SER RECONHECIDO . . . , . ,.66 7,1. ~ DAR, PEDIR, ACEITAR E REJEITAR SINAIS DE RECONHECIMENTO . ...70 7.2. ~ UTILIZAR OS SINAIS DE RECONHECIMENTO PARA MOTIVAR EM SITUAÇOES DE APRENDIZAGEM . . . , . . . . . . , . . . . . , , , , . . . , , . . . . . , .73
  7. 7. CAPITULO 8 - APRENDER A ESTRUTURAR POSITIVAMENTE 0 TEMPO . . . . , . . . .75 8.1. « AS FORMAS POSITIVAS E NEGATIVAS DE ESTRUTURAR O TEMPO . , . . 76 8,2, -UTILIZAR A ENERGIA POSITIVA EM RELAÇÕES AUTÊNTICAS . ... ... .. a0 CAPITULO 9 - JOGOS NÃO PEDAGÓGICOS , , , . . , , . . . , , , . . . . . , , , , . . . . . . , , , , . .. ea 9.1. - O TRIÂNGULO DRAMATICO . ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... . , .83 9.2. -O JOGO PSICOLÓGICO E A RELAÇÃO ESCONDIDA . ... ... ... ... ... ,.85 9.a. -OS PONTOS FRACOS E AS RELAÇÕES ESTERIOTIPADAS . ... ... ... ,.37 9.4. «CATEGORIAS DE JOGOS PSICOLÓGICOS . ... ... ... ... ... ... ... ... ,.92 9.5. -PORQUE “JOGAM" AS PESSOAS . ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... .. . .95 9.a. « COMO EVITAR E SAIR DE JOGOS PSICOLÓGICOS . ... ... ... ... ... . , .93 9.7. -OS JOGOS PSICOLÓGICOS E A FORMAÇÃO , ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,, . ,102 CAPÍTULO 10 - AS MENSAGENS E A CONSTRUÇÃO DE CENÁRIOS . ... ... ... . . 104 10,1. -AS MENSAGENS NEGATIVAS . ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... .,104 10,2, -ESTILOS DE VIDA CORRESPONDENTES ÀS MENSAGENS NEGATIVAS . ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... .. , ,106 10,3. . INTERDIÇÕES E PERMISSÕES , , . , . , , . . , . , , , , , . . , , , , . . , , . . . . , , , ,,109 10,4. -OS PRESCRITORES DE COMPORTAMENTO . ... ... ... ... ... ... .. , . 111 10.5. -O CICLO DO MINICENÁRIO . ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... .. . . 115 10.6. -OS CENÁRIOS E O SEU DESENVOLVIMENTO . ... ... ... ... ... ... ,. 119 10,7. -AUTONOMIA , ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, , , ,122 CAPITULO 11 - A PEDAGOGIA: UMA RELAÇÃO DE AJUDA , ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,, , ,124 11,1, -O CONTRATO PESSOAL DE MUDANÇA , ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, .,125 11,2. -O CONTRATO DE MUDANÇA NA FORMAÇÃO , ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, , . ,126 CAPITULO 12 - CONCLUSÃO . ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... .. , ,127 ANEXOS . ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ..12a n AUTO-DIAGNÓSTICOS E BALANÇOS o EGOGRAMA , ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, .,129 o CORRECÇÃO DO EGOGRAMA . . . . . . . , . . . . . . . , , . . , . , , . . . , . , . . . , . , , , . , .,134 - CONHEÇA os SEUS IMPULSORES . ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... . . ,139 - BALANÇO DOS SINAIS DE RECONHECIMENTO . ... ... ... ... ... ... ... . , ,142 - BALANÇO DA ESTRUTURAÇÃO DO TEMPO EM FORMAÇÃO . ... ... .. . ,145 l ALGUNS CASOS EM FORMAÇÃO . ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... . . ,147 n GLOSSÁRIO . . . , . . . . , . , . , . , . , . , . . . , . . . . , . . . , , . . . , . , . , . . . . . , . . . . . . . , ..155 I SOLUÇÕES DOS EXERCICIOS . ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ,,160 I BIBLIOGRAFIA , ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, ,,, .,165
  8. 8. Tu as du courage. .. Ceux qui gagnent prennent des risques. Comme tout Ie monde, ils craignent de se tromper, mais ils refusent de se Iaisser écraser par cette peur. Ceux qui gagnent nabandonnent pas. Quand Ia vie leur est dure, ils s'accrochent en attendant que Ia roue tourne. Ceux qui gagnent savent que plus d'un chemin leur est ouvert et ils ne redoutent pas de les emprunter. Ceux qui gagnent savent qu'ils ne sont pas ínfaiilíbbles. lIs acceptent Ieurs faiblesses tout en tirant parti de Ieurs forces. Ceux qui gagnent tombent parfois, mais ils se relevant aussitôt. lIs n'acceptent pas qu'une simple chute leur interdise de s'eIever. .. S'iIs échouent partois, ils ninvoquent pas Ie destin, ni Ia chance, dai/ tears, s'ils réussissent. Ceux qui gagnent acceptent de prendre en main leur vie. Ceux qui gagnent ont des pensées positivas et voient du bien en toutes choses. Du banal, ils savent toujours faire que/ que chose dextraordinaire. Ceux qui gagnent croient dans Ie chemin qui/ s se sont choisi même s'iI est ardu,
  9. 9. même si les autres ne discernent pas bien ce chemin. Ceux qui gagnent sont patients. lis savent qu'un travail_ n'a guere que la valeur de Peffort qu'il a coüté. Tu es de cette race-là, de ceux qui, comme toi, font de ce monde un monde meilleur à vivre. Nancye Sims
  10. 10. CAPÍTULO 1 -INTRODUÇÃO A missão daquele que ensina, ou melhor, do que ajuda a aprender, sempre foi percepcionada como complexa, dependendo muito dos resultados a avaliação de bom ou menos bom pedagogo. Mas o que é ser bom pedagogo? Ter profundos conhecimentos? Ter clareza na comunicação? Claro. Afinal, ensinar é comunicar! Mas porquê, então, o fracasso que, em muitos casos, é devido ao insucesso da relação? A Análise Transaccional (A. T.) propõe um conjunto de ferramentas que permite aos formadores ajudar melhor a aprender, através de uma relação mais positiva com Log os formandos. Não se julgue, contudo, que uma boa relação é unicamente o estabelecimento de empatia. Relações Aulênticas são as que, para além da cordialidade, possibilitam o crescimento e desenvolvimento pessoais. Através da A. T. os formadores poderão analisar, compreender e melhor gerir as suas relações com os formandos. constituindo uma excelente grelha de leitura da relação, a Análise Transaccional permite descrever comportamentos e atitudes; compreender os erros involuntários verbais e não-verbais que, muitas vezes, estão na origem de incompreensões e conflitos. Sendo um utensílio de comunicação, a Análise Transaccional pode constituir um valioso auxiliar pedagógico, que possibilite a adopção de estratégias de mudança para fazer face às novas situações e uma abordagem que permita a compreensão do outro e de si próprio.
  11. 11. CAPÍTULO 2 - o QUE E A ANÁLISE TRA NSA CCIONAL A Análise Transaccional é um método rápido e eficaz para compreender as nossas comunicações e, através dos seus diversos utensílios, permitir comunicar com os outros de uma forma mais “saudável". A A. T. (abreviatura por que é conhecida) e', inicialmente, o produto de um médico psiquiatra, ERIC BERNE, nascido em Montreal em 1910, atraído pela Psicologia e, particularmente, pela Psicanálise. Todavia, a linguagem hermética e a não-directividade da Psicanálise, levou- -o a conceber um método de análise inspirado nos conceitos desta, mas dotado de um vocabulário simples, descritivo e recheado de imagens, a tim de o tornar acessivel a um largo público. Eric Berne concebeu a A. T. como uma forma terapêutica para ajudar os seus pacientes a encontrarem o equilíbrio e a capacidade de se reintegrarem no seu meio familiar e profissional. Contudo, o seu método rapidamente evoluiu e, hoje, encontramos a A. T. um pouco por todo o lado, quer o contexto seja a empresa, a família ou a escola. Desde a sua criação a A. T. tem vindo a ser enriquecida com vários contributos, como os de STEINER, KARPMAN, SCHIFF, KAHLER, MAVlS KLElN e outros, recebendo influências tais como a da Gestalt-terapia de FREDERlCK PEFtLS. O objectivo da A. T. consiste em permitir que cada um compreenda os mecanismos inerentes à sua própria personalidade (análise) e perceba como estabelece as suas relações com os outros (transacção). Em síntese, apresentam-se alguns aspectos que permitem melhor identificar o que e e o que se pode esperar da A. T. bem como aquilo com que não deve ser confundida nem esperado.
  12. 12. ANÁLISE TRANSACCIONAL OQUEÉ I Um método de análise das comunicações interpessoais I Um utensílio de evolução das pessoas, dos grupos e das Organizações I Um utensílio de análise e de mudança I Uma linguagem de comunicação simples, clara e eücaz I Uma teoria completa da personalidade, a partir do comportamento observável (actos, palavras, gestos) I Uma proposta de muitas formas de comunicação I Um modelo que permite a auto-análise I Uma forma do próprio se responsabilizar pelo seu comportamento I Um utensílio de resolução dos próprios problemas I Um modo de compreender a pessoa integralmente o QUE NÃO É I Uma leitura do que se passa na mente humana l Uma panaceia que resolve todos os problemas I Um receituário para responder aos problemas I Um modo de manipular os outros I Um modo de “catalogar” as pessoas I Um conjunto de soluções feitas I Uma forma de interpretar o comportamento dos outros I Uma maneira de as pessoas se desculpabilizarem pelo seu comportamento I Uma forma de atribuir aos outros as “culpas” pelas não decisões I Uma forma parcelar de perceber o Ser Humano H
  13. 13. 2.1 - GANHADORES E PERDEDORES Qualquer Ser Humano é unico e diferente de todos os outros. Dentro de condições normais, cada um de nós vem ao mundo com capacidades de ser “ganhador”, no jogo da vida. Com as suas particularidades, capacidades e limitações, cada um tem a sua maneira própria de estar na vida. A forma como cada um percepciona o seu modo de estar no Mundo é fortemente influenciada, não só, por factores genéticos mas, sobretudo, pelas primeiras vivências, pelos primeiros registos do Mundo que foi interiorizando. É assim que alguns serão predominantemente “ganhadores”, enquanto que outros não passarão de “perdedores”. Provavelmente ninguém é 100% ganhador ou 100% perdedor, mas desde que enveredemos por uma forma positiva de estar no Mundo aumentaremos as hipóteses de ser ganhador nas diversas esferas da nossa vida. O objectivo primeiro deste livro é ajudar cada um a fazer essa orientação. Porque as expressões “ganhadod e "perdedor" têm numerosos significados convém, desde já, clarificar o sentido que a A. T. lhes atribui. Globalmente um ganhador é o que reage de modo autêntico; e' digno de confiança; é sensível e verdadeiro enquanto individuo e enquanto membro da sociedade. Ao invés, o Perdedor não exprime a sua personalidade de modo autêntico. Mais em pormenor, vejamos as características de cada um: GANHADORES Privilegiam a autenticidade São sensíveis e dignos de confiança Batem-se por aquilo que são e não por aquilo que deviam ser Não utilizam a sua energia para manter as aparências ou para servir-se dos outros Não necessitam esconder-se atrás de máscaras Flecusam atitudes de superioridade ou de inferioridade A autonomia não os assusta e, mesmo com alguns fracassos, mantêm a confiança em si l Não têm medo de pensar pela sua cabeça e utilizar os conhecimentos, não pretendendo tudo saber
  14. 14. Podem admirar os outros mas não se sentem subjugados por eles Reagem às situações de modo apropriado Vivem no presente "aqui e agora" Não se deixam vencer pelas próprias contradições ou ambivalências Aprendem a conhecer os seus sentimentos e a não os temer Sabem ser espontâneos e flexíveis Gostam da vida, do trabalho, das diversões Não têm vergonha do próprio sucesso, nem inveja do sucesso dos outros Não são indiferentes aos-problemas da Humanidade PERDEDORES A dado momento das suas vidas começam a evitar sentirem-se responsáveis por si próprios Não vivem, geralmente no presente, têm tendência a fixar-se no passado ou no futuro. São tipicas as expressões que, frequentemente, utilizam: I "Se eu soubesse. .." (passado) l “Quando isto acontecer “ (futuro) Vivem, muitas vezes, na angústia eminente de uma catástrofe: I “Se eu perder o meu emprego. ..” l "Se eu perco a cabeça. ..” l "Se eu me enganar. .." Deixam escapar as reais possibilidades do momento, diminuindo a sua eficácia Passam grande parte das suas vidas a jogar, a servir-se dos outros, a eternizar atitudes da infância, a colocar máscaras Reprimem a capacidade de se exprimir espontaneamente Têm dificuldade em se envolver em relações autênticas, íntimas, honestas, directas Não utilizam devidamente a sua inteligência, intelectualizando, abusivamente, acontecimentos e sentimentos próprios e dos outros Dão desculpas para tornar os seus actos plausívels Não deixam emergir grande parte das suas potencialidades A Análise Transaccional, enquanto utensílio de mudança e de evolução, pode ajudar os que têm tendência a manifestar a sua faceta de perdedores: l a aprender a ter confiança em si próprios l a tomar as suas próprias decisões
  15. 15. l a exprimir os seus sentimentos l a ser uma pessoa verdadeira, viva e consciente de si própria I a utilizar as suas capacidades pessoais, de modo consciente e criativo ou seja, ajudar a pessoa a tornar-se UM GANHADOR. 2.2 - os TRÊS NÍVEIS DA PERSONALIDADE A personalidade de um indivíduo está estruturada em três níveis podendo, analogicamente, ser comparada a um iceberg: Nível 1 - parte visivel comportamentos exteriores Nivel 2 - pouco visível @ atitudes (pouco consciente) Nivel 3 - invisível personalidade profunda Q (inconsciente) Nível 1 - a parte visível do iceberg Corresponde ã voz, ao comportamento gestual, as mimicas, aos sorrisos, às palavras que se utilizam. Nível 2 - a parte que está pouco submersa na água Corresponde à atitude subjacente aos comportamentos. Quando o nível 2 está em contradição com o comportamento, a pessoa exprime-se através de um tom de voz forçado, sorriso "amarelo", ou seja, de modo não autêntico. Nível 3 - a massa mais importante do iceberg, totalmente invisível Corresponde ao inconsciente. Está na origem de certos comportamentos indesejáveis, mas que surgem regularmente, como: lapsos e conflitos sempre com as mesmas pessoas.
  16. 16. O que conta essencialmente na relação é o nível 2, a atitude e o estado de espírito. Mesmo que ao nível do comportamento haja insucesso, o importante é que exista uma vontade sincera de estabelecer uma relação positiva, ao nível 2. É mais eficaz na vida avaliar as pessoas ao nível dos seus comportamentos e das suas atitudes do que tirar ilações definitivas e globalizantes sobre elas. Um comportamento é algo que pode ser facilmente mudado e um comportamento negativo não significa, necessariamente, uma pessoa negativa. As relações humanas são trocas entre as pessoas de modo mais ou menos consciente. A Análise Transaccional permite tomar consciência do que se passa, para agir de modo mais adequado. No encontro entre duas pessoas há trocas verbais e não-verbais - palavras, mímica, gestos - que traduzem ideias, sentimentos, informações sobre os factos. Cada um reage as mensagens expressas e não expressas do outro. Cada um dá, em função do que e como recebe. O comportamento de um, influencia o comportamento do outro. 2.3 - UMA FORMA DE UTILIZAÇÃO DA ENERGIA PSÍQUICA A A. T. considera que qualquer indivíduo possui duas naturezas que se revelam no decorrer das transacções: uma natureza positiva e uma natureza negativa, que se traduzem pela impressão de se estar pleno de energia ou com falta dela. l Um indivíduo em energia positiva sente-se num estado físico e psíquico favorável, sente-se bem na sua pele. l Um individuo em energia negativa sente-se num estado físico e psicológico desfavorável, está confuso, rumina ideias negras, e as suas antigas e habituais dores voltam a atormentaílo. Todo o indivíduo possui uma reserva de energia que se mobiliza no decurso de certas transacções, transformando-se quer em energia positiva, quer em energia negativa.
  17. 17. Qualquer transacção é de influência recíproca. A qualidade da relação depende da qualidade de energia de cada interveniente. Um Formador (B) em energia positiva perante um Grupo (C) em energia positiva O formador (B) desenvolve a sua sessão perante um grupo (C) aberto, calmo, atento; sendo que, a maioria dos formandos está em energia positiva. A acção decorre sem problemas e os formandos nem sentem o tempo passar. O formador recebe esse sinal como um reconhecimento da sua competência e sente-se pleno de energia. Mobiliza toda a energia que tem de reserva e sente-se cheio de dinamismo para o resto do dia. Reserva Reserva Um Formador Um Grupo (B) c Numa transacção que põe em comunicação pessoas em energia positiva, o entendimento é bom e a relação gratificante. O Formador (B) em energia negativa perante um Colega (A) em energia negativa O formador (B) encontra um colega (A) igualmente em energia negativa. A troca é tensa, agressiva. Surgem vários mal-entendidos. O choque é inevitável.
  18. 18. Cada um sente-se invadido por um sentimento de impotência e mobiliza a energia que tem em reserva no sentido negativo (-). Reserva Reserva Um colega Um Formador (A) (B) Numa transacção que põe em comunicação pessoas em energia negativa, as trocas são estéreis e o risco de confiito é grande. A corrente passa, mas existe o risco de um curto-circuito. O Formador (B) em energia positiva perante um Grupo (C) em energia negativa O formador (B) começa a sua sessão em energia (+), mas o grupo (C) está agitado, recusa trabalhar, contesta qualquer intervenção. A maior parte dos formandos está em energia (-). Quem vai influenciar a outra parte? Reserva Um Formador y O Grupo (B) C
  19. 19. O resultado e' aleatório e depende do grau de energia (+) ou (-) dos intervenientes. Se o formador está calmo, vigilante e tem capacidades de conduzir o grupo e pô-lo a trabalhar - a energia positiva suplanta a negativa. Mas o inverso é possivel. O poder da energia negativa do grupo pode conduzir a uma situação de conflito. Nas transacções que põem em confronto dois tipos de energia diferentes, o resultado é imprevisível e os riscos de conflito são fortes. Contudo, qualquer pessoa capaz de mobilizar eficazmente a sua energia positiva, corre menos riscos. Essa pessoa está menos vulnerável e em melhores condições para ajudar os outros a abandonar o seu comportamento estéril. Ela encontra em si própria os recursos necessários para utilizar a sua natureza positiva. 2.4 - UM MÉTODO DE MUDANÇA INDIVIDUAL A A. T. é um método egocêntrico que funciona com um efeito "boomerang" sobre o outro: comportamento gera comportamento. Nesta perspectiva, a A. T. é uma abordagem sistêmica. Assim, qualquer mudança de comportamento implica uma adaptação do outro. Quer o formando, quer o formador, conhecem bem a reacção provocada no outro por um gesto ou uma palavra. Se um dos interlocutores introduz uma modificação no sistema de relação, o outro já não pode agir como antes o fazia. ' Um gesto evitado, uma palavra eliminada, uma frase revista e corrigida, são capazes de modificar uma comunicação e melhora-Ia. A A. T. incita-nos a tal. Uma experiência bem sucedida com um formando reforça o desejo de continuar, de tentar noutro grupo, com outro formando e, pouco a pouco, as pequenas mutações do nosso sistema individual provocam um reajustamento das relações no interior do sistema do grupo, graças ao jogo de interacção das transacções positivas. A A. T. constitui, portanto, um método de mudança eficaz para aqueles que aceitam olhar a vida com realismo; não é certamente uma solução mágica para todos os problemas.
  20. 20. 2.5 - UMA PEDAGOGIA DO EFEITO E DAS CONSEQUÊNCIAS Muitas vezes o efeito de uma mensagem é diferente do esperado. Num grupo, em particular, cada um reage em niveis diferentes do seu iceberg o que explica, por vezes, reacções inesperadas e más interpretações. A A. T. ajuda a encontrar opções para que se estabeleça uma comunicação com consequências mais favoráveis. Frequentemente, numa comunicação, as consequências têm mais a ver com a forma do que com o conteúdo da mensagem. É por isso que é particularmente importante: l estar atento às palavras que se dizem; l identificar os comportamentos verbais e não verbais que facilitam ou bloqueiam a comunicação; l consciencializar que a responsabilidade de uma incompreensão mútua ou de um conflito depende sempre das pessoas envolvidas; l assumir que a A. T. envolve um investimento pessoal. 19
  21. 21. CAPÍTULO 3 - os ESTADOS oo EU Os estados do Eu ou do Ego são instrumentos intelectuais práticos para descodificar o que se passa connosco e com os outros. São utensílios de análise e de desenvolvimento. Estes três modos de comunicação são utensílios fáceis e cómodos para analisar as relações entre as pessoas. Têm um significado particular em Análise Transaccional e não devem ser confundidos com o significado habitual que atribuimos a pai, adulto e criança. É um sistema que nos ajuda a atingir os fins desejados. Mas convém não tomar a carta pelo território! 3.1 - A CONSTRUÇÃO DA PERSONALIDADE A Análise Transaccional afirma que utilizamos a nossa energia psíquica de três modos diferentes; três comprimentos de onda para comunicarmos com os outros. E possível classificar o conjunto do que fazemos, dizemos, sentimos . ou pensamos para comunicar connosco próprios ou com os outros, em três tipos de contactos, três formas de estabelecer uma relação ou três modos de exprimir a nossa personalidade. Quando o bebé nasce, reage ao meio externo unicamente com o sistema c, emotivo, não-verbal, que se exprime espontaneamente. Muito rapidamente e, sob a influência do meio, aprende a escolher a resposta comportamental mais adequada àquilo que os outros esperam de si. Integra julgamentos e sistemas de valores. Desenvolve, assim, o seu sistema P que sera' completamente eficaz por volta dos 6 anos. De uma forma mais lenta, a criança vai desenvolvendo o seu raciocínio lógico, que atinge a sua máxima expressão por volta dos 12 anos. E o sistema A. A figura seguinte representa, portanto, a estrutura da nossa personalidade:
  22. 22. Sistema P ou PAI - Valores; construção entre os 3 meses e os 6 anos Sistema A ou ADULTO - Racionalidade; construção entre 1 e 12 anos a Sistema c ou CRIANÇA - Emoções; eficaz desde o nascimento 3.2 - IDENTIFICAR OS ESTADOS DO EU Podemos aperceber-nos do tipo de energia psíquica que estamos a utilizar, isto é, do estado do Eu, através de diversas formas: l da reflexão sobre o nosso próprio comportamento; I pelo efeito que os nossos comportamentos têm sobre os outros. Analisando o comportamento do nosso interlocutor, podemos deduzir qual o nosso comportamento que desencadeou no outro tais atitudes; I da análise dos nossos hábitos: roupa, voz, vocabulário, atitudes, postura, frases tipicas, etc. ; l pelos resultados de auto~diagnósticos sobre as tendências de utilização dos três estados do Eu. Os três estados do Eu estão em diálogo constante. São as “vozes internas" que “ouvimos” quando temos de tomar uma decisão. As recomendações, conselhos e proibições do nosso estado do Ego de Pai; os desejos e o princípio do prazer do nosso estado do Ego de Criança; e a nossa racionalidade e o confronto com os factores da realidade, que são características do nosso estado do Ego de Adulto. De um modo geral, se o nosso sistema PAC estiver a funcionar de forma adequada, o que se passa é o seguinte: O sistema A ausculta os estados P e C e procura adequar as informações recebidas aos factores da realidade tomando, então, uma decisão. O esquema é o seguinte:
  23. 23. 22 DECISÃO 3.3 - CARACTERÍSTICAS pos TRÊS ESTADOS oo EU ESTADO DO EGO PAI Representa o modo apreendido de utilizar a nossa energia psíquica, na sequência das experiências de vida e modelos encontrados: acontecimentos, pessoas, ensinamentos. Compreende os pensamentos, emoções e comportamentos que o individuo apreendeu de figuras de autoridade, principalmente das figuras parentais (pai, mãe, professor, chefe). O estado do Ego de Pai tem a ver, sobretudo, com tradições, valores, normas, juízos; é a nossa memória do passado, o nosso “banco de dados". Compreende, portanto, as atitudes e valores com origem no mundo externo. ESTADO DO EGO ADULTO Representa uma utilização da energia sob a forma de apreensão e tratamento da realidade, das informações vindas do exterior num dado instante: sem preconceito e sem ilusões.
  24. 24. Destacam-se cinco pontos: I apreensão dos factos l experimentação I tratamento (análise, dedução) l realismo I escuta, diálogo, interrogação Apesar de só completado por volta dos 12 anos, o funcionamento do estado de Ego Adulto não tem a ver com a idade de um individuo, mas respeita ao dominio do Pensamento. Está orientado sobre a realidade objectiva: recolhe, regista e utiliza as informações de todas as origens externas (meio) e internas (Pai ou Criança). ESTADO DO EGO CRIANÇA Representa uma utilização da energia sob a forma de alectividade, emoções, intuições. É o universo das paixões, da sensualidade, da sensibilidade, do irracional, dos medos, das angústias, das cóleras, das tristezas, alegrias, amor, imaginação e criatividade. É o lugar dos nossos impulsos, sensações, espontaneidade, relações calorosas, timidez, submissão ou revolta. O estado do Eu ou do Ego Criança contém os registos das experiências vividas pela criança e das suas reacções, face a si própria e face aos outros. Exprime-se através de comportamentos arcaicos vindos da infância. A utilização do sistema C pode ser eficaz ou ineficaz como, aliás, todos os estados do Eu. O desenvolvimento positivo do sistema C é uma grande fonte de energia psíquica. Quando produzimos gestos, pensamentos e sentimentos que apreendemos nos nossos contactos parentais, estamos a utilizar o Estado do Ego Pai. Quando nos confrontamos com uma situação real e analisamos objectivamente os dados, estamos no nosso estado do Ego Adulto.
  25. 25. 24 Quando repetimos comportamentos típicos da infância, estamos sintonizados no nosso estado do Ego Criança. A nossa personalidade global exprime-se através destes três estados do Ego sendo que, cada um deles, enquanto forma de utilização da energia psíquica, pode ser empregue de uma forma positiva ou de uma forma negativa. independentemente da idade (a utilização dos três estados do Ego não têm qualquer relação com a idade da pessoa) cada indivíduo utiliza, na relação consigo próprio e na interacção com os outros, um determinado estado do Ego, de uma forma apropriada à situação e, como tal, positiva ou de uma forma desajustada, logo, negativa. Os estados do Ego coexistem e interagem, mas apenas um toma o comando em cada momento. Algumas indicações que podem ajudar à identificação de cada um dos estados do Ego: Estado do Ego PAI I Ordens, críticas, sugestões l Avaliações, julgamentos l Juizos de valor e normas sociais I Provérbios, preconceitos e frases feitas l Protecção, conselho, orientação Estado do Ego Adulto Tratamento das informações Escuta, interrogação Factos, questões, probabilidades Objectividade Análise Conclusões racionais
  26. 26. Estado do Ego Criança Reflexos condicionados Intuições, ideias mágicas Sensações e emoções Adaptação Rebeldia Submissão Com a finalidade de interiorização das características dos três estados do Ego, sugere-se a realização do seguinte exercicio: EXERCÍCIO N? 1 De acordo com as informações transmitidas assinale, à frente de cada frase, com um círculo à volta de P, A ou C, consoante lhe pareça que a afirmação e' feita utilizando um determinado estado do Eu. 1 - Viva, as férias começam amanhã! 2 - Precisas de fazer um curso de Análise Transaccional. 3 - Coitado! Como esta situação o deve incomodar. 4 - Proponho que combinamos o horário da próxima formação. 5 - Tem toda a razão; vou procurar ap/ ícar-me mais. 6 - Vou voar amanhã e estou cheia de medo! 7 - Quais são as vossas expectativas para este curso? 8 - Não devíamos perder tempo a fazer este tipo de testes. 9 - Os nossos chefes e' que deviam fazer este curso. 10 - Já não se faz nada bem, como antigamente. 11 - Que horas são? 12 - Gostaria de ouvir a vossa opinião sobre este assunto. 13 - Estas perguntas idiotas são uma chatice! 14 - Apoio-te, incondicionalmente. 15 - Podes dar-me uma ajudinha? 16 - Esta acção de formação está dímensionada para três dias. 17 - Não te posso ajudar porque hoje tenho que sair mais cedo. 18 - És um caso perdido, não aprendes nada. 19 - Tem calma ou ainda te prejudicas. 20 - Gostaria que prestasse mais atenção. 'UTTVÚTTTUTTIÚTÚTÚUÚÚÚ »»»»»»»»»» OÓÓOÓÔÔÓOOOÓÓÓÔOÓOOÓ
  27. 27. As questões do exercicio 1 reflectem a utilização de determinado estado do Ego. Contudo, subjacente a cada afirmação, está um tipo de energia psíquica positiva ou negativa. Todos os estados do Ego são importantes, desde que adaptados à situação. Ha, assim, que assinalar a importância da sua utilização, positivamente, e de forma adequada ao contexto. 3.4 - ANÁLISE FUNCIONAL A Analise Funcional consiste em subdividir os Estados do Ego, segundo as funções comportamentais. Cada sub-divisão apresenta aspectos positivos e negativos. Esta distinção será clarificada no capítulo dedicado às posições existenciais de vida. DIAGRAMA DO MODELO FUNCIONAL 1 - PAI CRÍTICO ou DOMINIO DO NORMATIVO APREENDIDÔ 2 -PAI PROTECTOR ou NUTRITIVO DOMINIO DO PENSAMENTO 3'^°”“° 4 - CRIANÇA ADAPTADA REBELDE DOMINIO DO SUBMISSA 5 - CRIANÇA CRIADORA ou SENTIMENTO PEQUENO PROFESSOR 6 - CRIANÇA ESPONTÂNEA ou LIVRE
  28. 28. PAI CRÍTICO OU NORMATIVO - Compreende o conjunto dos valores, dos a prior¡ (positivos e negativos) e das normas de comportamento. Diz à Criança (estado do Ego) o que deve fazer. PAI PROTECTOR OU NUTRITIVO ~ Contém os modos de fazer. Diz à Criança como deve fazer. Encoraja-a, dá-lhe calor e protecção, assim como a permissão para viver e crescer. No aspecto negativo, super-protege. ADULTO - É o dominio do Pensamento. Tem em consideração o momento presente e a realidade exterior, recolhendo a informação necessária, que analisa, extraindo as conclusões necessárias. Apreende a realidade sem afectividade (Criança) e sem julgamentos de valor (Pai). É objectivo e lógico e a sua percepção do mundo é estruturada através da linguagem. CRIANÇA ADAPTADA - Apesar da fórmula ser infantil, pode corresponder a comportamentos que visam uma adaptação e, como tal, ser positivo ou pode assumir contornos negativos, através da submissão e rebeldia: SUBMISSA - Tem como objectivo o viver em harmonia com as figuras que o influenciaram (pais ou outras) para obter a sua aprovação ou para se submeter. REBELDE - Reage impulsivamente, muitas vezes de forma agressiva e desagradável. CRIANÇA CRIATIVA OU PEQUENO PROFESSOR - É a fonte da criatividade e da inovação. Caracteriza-se por comportamentos intuitivos, por vezes, mágicos. As suas respostas são rápidas, quase instantâneas, libertas de qualquer raciocinio lógico. CRIANÇA ESPONTÂNEA OU LIVRE - Diz e faz o que quer e quando quer'. As suas emoções e sentimentos ajudam-na a comunicar com os outros. E directa, simples, espontânea. Para além das necessidades fisiológicas e sensações (prazer e desprazer) o comportamento da Criança Livre é governado por quatro emoções fundamentais: medo, alegria, tristeza e cólera. 27
  29. 29. ASPECTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DOS ESTADOS DO EGO Para além das funções tipicas dos diversos estados do Eu, com as respectivas sub-divisões, existem diferentes manifestações, consoante os aspectos positivos e negativos de cada um. PC ou Normativo + -› Enuncia as regras, os direitos e os deveres, zelando pela sua aplicação. PC ou Normativo - -> Pai Perseguidor. Desvaloriza, limita, esteriliza, propondo regras inaceitáveis, arbitrárias, humilhantes e rígidas. PP ou Nutritivo + -› Propõe ajuda, aconselha, protege, sustenta e dá permissões. PP ou Nutritivo - -› Pai Salvador que se substitui ao outro, superprotegendo, abafando e travando o desenvolvimento. Adulto + -> Resolve problemas, antecipa, racionaliza, recolhe informação, dialoga. Adulto - -› Por vezes afectado por patologias, funciona de forma exclusiva ou contaminada. Pode tomar decisões sem ter informação suficiente ou tentar a racionalidade absoluta. Criança Adaptada+ -› Bem integrada, protege-se, aprende, defende-se, reage. Criança Adaptada - I submissa - -> É destrutiva, falta-lhe confiança, não exprime as suas ideias, influenciável, confusa. I Rebelde - -› Ataca indiscriminadamente, provoca, é agressiva e impulsiva. Gera mau ambiente. CCriatIva ou Pegueno Professor + -› Inventa soluções, encontra recursos, é rica de imaginação e ideias. CCriatIva ou Pequeno Professor- -> Toma os seus desejos por realidades, vive num mundo mágico, por vezes prisioneira dos seus próprios jogos. C Espontânea ou Livre + -› É viva, livre, natural. Utiliza os seus sentimentos para comunicar com os outros. E espontânea, directa e independente. C Espontânea ou Livre - -> Pode utilizar os sentimentos para magoar os outros. Não tem em conta a realidade social. Para ser eficaz, uma pessoa deve manter activos e dialogantes entre si, os seus estados do Eu, permitindo organizar um diálogo interior rico, o que possibilitará a adopção de soluções adequadas para os problemas.
  30. 30. OS ESTADOS DO EU E A RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS PC - As soluções têm que estar de acordo com os seus valores. Podem ser estruturantes e dinamizadoras ou inadaptadas à realidade e impostas com autoritarismo. PP - Valoriza o indivíduo e dá-lhe o direito de errar. Cria condições e clima próprios para o trabalho de grupo, pode, todavia, ser permlssivo, encorajar a mediocridade e perdoar a ineficácia. C Adaptada - Responde aos problemas com modelos pre-estabelecidos. Pode ficar inibida numa situação, bloqueada pelo medo e pela hesitação. CCriatIva - Tem um papel muito importante na fase criativa do processo da tomada de decisão. Precisa da intervenção posterior do Adulto, senão as suas soluções poderão ser geniais, mas, pouco realistas. C Espontânea - ignora, completamente, a existência de problemas. Diz, apenas, aquilo que deseja e o que não quer. Adulto - A resolução de problemas é a tarefa mais significativa e constante do Adulto. Emite hipóteses, avalia soluções (prós e contras), sem avaliações subjectivas ou emoções. O seu bom funcionamento depende da qualidade das informações e das ideias que analisa. SUGESTÕES DE UTILIZAÇÃO nos ESTADOS oo EU NA RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS I› Antes da resolução de problemas, colocar três questões pertinentes: I É de minha responsabilidade a resolução deste problema? (P) l Possuo os meios necessários? (A) l Tenho vontade de o resolver? (C) Iv É importante auscultar e ter em consideração os três estados: I O que me aconselha o meu estado do Ego Pai? l Quais são os desejos da minha Criança? l Como posso conciliar as recomendações internas (P), com os meus desejos ( C) e com os factores da realidade de que disponho (AW
  31. 31. I» Para se ser eficaz é fundamental: l Identificar e aceitar os diferentes estados do Eu; l Utilizar cada estado do Eu de modo adequado e eficaz: actualizando o estado do Eu Pai, educando a Criança e reforçando a competência interna do Adulto; l Fazer a integração dos três sistemas e colocá-los ao serviço da pessoa integral. OS ESTADOS DO EU EM FORMAÇÃO No contexto formativa, tal como em qualquer outro, os intervenientes activam os seus Estados do Eu, quer positivos, quer negativos. Algumas sugestões para o formador lidar com o grupo, de acordo com as circunstâncias: Estado do Eu Pai Crítico ou Normativo nl Respeitar os valores dos formandos ill Fazer respeitar os valores que asseguram o bom funcionamento do grupo n Explicar as regras e transmitir os objectivos, zelando para o seu cumprimento Il Fixar um tempo preciso para a realização dos exercícios Estado do Eu Pai Protector ou Nutritivo ll Aprender a escutar os outros e as suas necessidades II Verificar se as solicitações são apropriadas n Orientar e conduzir, evitando assumir o papel de Salvador quando alguém é posto em cheque I Verificar se as sugestões dadas são adequadas Estado do Eu Adulto l Exprimir ideias, conceitos e teorias l Encontrar soluções para os problemas l Estabelecer um “contrato” com o grupo l Regular um conflito l Esclarecer
  32. 32. Apelar à racionalidade e à objectividade Fazer reformulações Colocar questões Dar informações Apelar ao método experimental Responder a dúvidas e objecções Dar exemplos concretos Criança Adaptada Ousar dizer aquilo que se pensa Dizer “não” sem ter que se justificar AutovaIorizar-se perante êxitos pessoais Aceitar como um erro e não como uma falta as criticas justificadas Não se transformar em “Vitima" se as coisas não correm bem Não deixar acumular a energia sem dizer aquilo que pensa Aprender a pedir desculpa pelos eventuais excessos cometidos Criança Criativa ou Pegueno Professor Solicitar novas ideias Estimular a imaginação Dar permissão aos “fee| ings" Evitar a intervenção precoce da racionalidade quando se está num processo criativo inventar cursos inovadores e motivantes Criança Espontânea ou Livre Ousar ser alegre e possuir sentido de humor Evitar o sentido da hierarquia Utilizar a sua comunicação não-verbal Exprimir espontaneamente o seu dinamismo e as suas ideias Dar sinais de reconhecimento positivos e autênticos Estabelecer empatia com o grupo Desenvolver um clima afectivo, utilizando as pausas informais
  33. 33. 3.5 - OS DISFUNCIONAMENTOS DO SISTEMA PAC Todos os Estados do Eu são igualmente importantes, desde que positivos, ainda que seja o Estado do Ego Adulto a estar no controlo. Se o Estado do Ego Adulto estiver no controlo, o comportamento da pessoa é estável, porque ela sabe reconhecer e integrar as suas emoções (Criança) e os seus juízos de valor (Pai). Contudo, o Adulto pode estar afectado por disfuncionamentos como, por exemplo, as contaminações. 3.5.1 - As Contaminações Sempre que, a partir de figuras parentais, comportamentos introjectados interferem com o comportamento actual da pessoa, ou que um sistema pré-formado de normas, valores e atitudes afecta a resolução de problemas, estamos a falar de uma Patologia dos Estados do Eu chamada Contaminação. Neste caso, contaminação do Estado de Ego Adulto, pelo Estado de Ego Pai. Esta contaminação particular assume o nome de PRECONCEITO Contaminação do Adulto pelo Pai "'”' Exemplo t: "As mulheres não têm competência para dirigir. Aliás, quantas mulheres dirigentes conhece, comparativamente com homens? " A partir de um facto real - existem, realmente, menos mulheres dirigentes que homens -, racionalizou-se, abusivamente, mascarando algo vindo do Estado de Ego Pai. E um preconceito.
  34. 34. Exemplo 2: "Os africanos são menos inteligentes que os ocidentais. Aliás, têm muito mais insucesso escolar. ” Aqui, tratou-se de camuflar elementos de informação importantes, tais como: oportunidades, domínio da lingua, etc. , para justificar um preconceito racial. Outra contaminação é a do Adulto pela Criança e assume o nome de Ilusão, uma vez que os desejos são tomados pela realidade. ILUSÃO Contaminação do Adulto pelo Pai --> Exemplo 1: “No meu serviço sou indispensável; nada se pode fazer sem mim. " Neste caso, é provável que se tenha criado uma situação tal (de dependência, falta de informação ou outra), que torne válida a afirmação, dando assim, ao seu autor, a ilusão de omnipotência e de imprescindibiiidade. Exemplo 2: “Hoje só me têm acontecido coisas boas. Eu sempre disse que o dia 13 era o meu dia de sorte. " Partindo-se de uma situação pontual, procura-se generalizar de modo a dar a ilusão de que, pelo menos, existe um dia mágico onde tudo de bom pode acontecer. As contaminações acontecem quando existe um fraco investimento no Adulto impedindo-o, assim, de fazer as verificações necessárias.
  35. 35. 3.5.2 - As Exclusões Falamos de exclusões de um ou mais estados do Eu, sempre que esse ou esses estados nunca, ou quase nunca, sejam investidos ou utilizados pela pessoa. Exclusão do Pai Exclusão da Criança Exclusão do Adulto Por vezes, dois estados podem estar excluídos e a pessoa passar a funcionar em fu nção: l do seu Pai (Crítico e/ ou Protector), dependente das suas normas e regras não actualizadas e autocraticamente impostas; ' Moralizador . a. Rígido *é
  36. 36. l do seu Adulto, tornando a pessoa, esteriotipadamente, numa máquina de racionalizar; Frio Tecnocrata 0246034 l da sua Criança, imperando o princípio do prazer, ficando a pessoa completamente desligada da realidade. Impuisivo Dependente Para evitar este tipo de Patologia é importante um investimento em todos os Estados do Eu, colocando o Adulto no controlo e utilizando cada Estado do Eu ao serviço da pessoa, saudavelmente integrada por todos os aspectos da sua personalidade. 3.5.3 - A Relação Simbiótica Uma relação entre duas pessoas pode caracterizar-se pela autonomia e independência ou, ao invés, pela dependência e simbiose como se, as duas, fossem, efectivamente, uma só.
  37. 37. A única relação simbiótica saudável é a da criança com a mãe, nos primeiros tempos de vida. Com efeito, até construir a sua autonomia, pouco a pouco, a criança dependerá da mãe que a protege, alimenta e decide por ela. Bébé Mãe Esta situação torna-se patológica se a dependência se for prolongando ou se, não tendo conseguido assumir-se como ser responsável por si próprio, a pessoa for estabelecendo relações simbióticas com as outras pessoas. A relação simbiótica implica que dois individuos desvalorizem partes importantes da sua personalidade (Estados do Ego), dando assim azo a que a equação 1+1=1 faça sentido. Assim, os dois comportam~se como se fossem apenas um, não se tratando de complementaridade, mas sim da exclusão de importantes energias pessoais. Exemplo 1: A B A - "Estou tão preocupado com este assunto" ( C ) B - “Deixa estar que eu vou resolver-te isso” ( P )
  38. 38. Exemplo 2: Mulher Marido Mulher face a problemas - “Não sei; o meu marido é que decide essas coisas" (desvalorização do Adulto); Mulher na relação com os filhos - “Deixa estar que quando o teu pai vier, conto-lhe tudo” (desvalorização do Pai). Assim, quando o marido regressa a casa, vai ter que resolver os problemas (A), castigar ou aconselhar os filhos (P), não havendo condições para a expressão do seu Estado de Ego Criança. CONTRA-SIMBIOSE Mas, porque a relação simbiótica é uma relação desiquilibrada, pode haver a tendência à inversão de papéis, quando surge uma oportunidade. A relação é a do exemplo 2 e a oportunidade surge, por exemplo, numa altura em que o marido adoece. Mulher Marido
  39. 39. Aí a situação inverte-se e, enquanto o marido se queixa dando voz, finalmente, à sua Criança, a mulher toma decisões (chama o médico) e protege, aconselha e critica o marido: “tapa-te lá", "toma lá o caldinho para ficares melhor", etc. , expressando os seus estados do Ego Adulto e Pai. SIMBIOSE EM CADEIA A cadeia simbiótica transmite um desequilíbrio e uma relação de dependência, envolvendo várias pessoas que, em cadeia, se vão desresponsabilizando. Muitas vezes, nas Organizações, transmite-se esta cadeia através da linha hierárquica. Na gíria fala-se em “passar a batata quente" mas, na prática, trata~se de uma não assunção das responsabilidades, com a inerente desvalorização de partes da própria personalidade. Operário Chefe de chefe de Director Equipa Departamento 3.5.4 - Passividade A passividade revela uma relação simbiótica, ou seja, uma relação de dependência. Há quatro formas de comportamentos passivos ligados à resolução de um problema: l Não fazer nada É a forma de passividade mais evidente em que a pessoa não age, esperando que alguém o faça; surja uma melhor ocasião ou que tudo se resolva por si. Assim, o Adtjjtg não é utilizado para tomar decisões ou, então, está fortemente contaminado pela Criança.
  40. 40. Exemplos: l Deixar as coisas para mais tarde. Tudo se há-de compor; l Evitar tomar uma decisão dificil (que não deve ser delegada) e constituir um grupo de trabalho para o fazer; l Estar insatisfeito com a sua vida, esperando que, num futuro, as coisas sejam melhores e não fazendo, contudo, qualquer tentativa para as melhorar. Sobreadaptação A pessoa canaliza toda a sua energia e inteligência para evitar que as contradições, que estão na base do problema, surjam de modo a não ter que decidir. Muitas vezes, empenha-se em atingir os objectivos de outras pessoas, em detrimento dos seus. Exemplo: Uma chefia que “apregoa” que no seu serviço nada se faz sem a sua presença e que está sobrecarregada de trabalho, mas que não faz o mais pequeno esforço para delegar nos seus colaboradores. Agitação A pessoa tem uma actividade parasitária, intensa mas improdutiva consumindo, assim, a sua energia em tarefas repetitivas e sem objectivo. E um activismo sem eficácia. Exemplo: Um profissional que não define previamente o seu objectivo, “atirando-se" às tarefas com determinação para constatar, mais tarde, que parte do trabalho que realizou não terá aproveitamento. Incapacidade ou Violência A pessoa coloca-se numa situação de incapacidade para resolver o problema, evitando assumir directamente a sua responsabilidade, e atribuindo as "culpas" ao azar (incapacidade) ou a outras pessoas (surge a cólera e a violência).
  41. 41. 3.5.5 - Algumas sugestões para lidar com os disfuncionamentos A- contaminações investir fortemente no Adulto que, sendo um Estado de Ego como os outros, deve estar no controlo e poder tomar decisões após “ouvir" o seu diálogo interno (recomendações e desejos). B- Exclusões Procurar viver de uma forma integrada, utilizando todas as suas formas de energia. C- Relações simbióticas Estar atento a eventuais relações e comunicações simbióticas, assumindo as suas responsabilidades e deixando para os outros a resolução dos seus problemas. D- Passividade Procurar: l determinar as suas motivações; I organizar-se e definir prioridades; l estabelecer um plano de acção e começar a agir; l perguntar claramente aos outros o que desejam; I negociar se as expectativas dos outros são diferentes; l encontrar alternativas para ultrapassar os problemas; l dar-se direitos, exprimindo as suas emoções; l estabelecer uma relação autónoma, eficaz e vaiorizante para si próprio e para o outro. Exercício n? 2 Apresentam-se a seguir dez comportamentos passivos. Assinale qual o grau de cada um deles. 19 Grau - Não fazer nada 29 Grau - Sobreadaptação 39 Grau - Agitação 4g Grau - Violência (contra os outros ou contra s¡ próprio)
  42. 42. . Quando um participante começa a falar muito, tenho tendência em bater repetidamente com o pe' no chão. . Sempre que tenho muito que fazer, enfia-me no cabeleireiro! . Quando me propuseram um trabalho de grande responsabilidade, passe¡ a ter dores de estômago. . Estou atenta aos minimos gestos do meu chefe para saber o que ele pretende de mim. . Nesta empresa tenho que ser eu a fazer tudo; sou o primeiro a chegar e o último a sair. . Quando detecta um erro espero que sejam os outros a dar por isso. . Ele irritou-me tanto que eu peguei-lhe nas abas do casaco e ameacei-o. . Antes que me peçam alguma coisa, eu já tenho tudo pronto. Prefiro trabalhar mais mas não ser apanhada em falta. . Às vezes ando num frenesim. Consigo estar a trabalhar e a falar ao telefone ao mesmo tempo. . Alguns problemas ponho-os na gaveta e espero que se resolvam por si. 3.5.6 - A Análise Transaccional e o seu papel de enquadramento A A. T. permite a integração dos três sistemas que constituem a nossa personalidade global, ajudando cada pessoa a compreender-se a s¡ própria (fraquezas e pontos fortes), a corrigir eventuais disfuncionamentos e a aumentar a sua competência interna, o que contribuirá para um melhor relacionamento consigo próprio e com os outros.
  43. 43. A A. T. possibilita, assim: ã 4------> Identificar e aceitar Perceber as Descontaminar os diferentes estados contaminações do Eu Perceber as Funcionar de Exciusões modo integral % Eu O outro Identificar as relações simbióticas Rompe¡ com a ¡ejação (1+1=1) simbiótica -1+1=2 42
  44. 44. Reforçar a competência interna do Adulto C. Adaptada» C. Criativa+ C. Livre+ Utilizar todos os estados positivos do Eu 43
  45. 45. 44 cAPíTuLo 4 - AS POSIÇÕES ExISTENCIAIS ou POSIÇOES DE VIDA As Posições de Vida da Análise Transaccional representam um instrumento prático, que permite a cada um consciencializar os seus estados negativos e passar a assumir uma atitude mais positiva. É, portanto, um instrumento de mudança pessoal. Nos primeiros anos de vida cada ser Humano e confrontado com experiências, sobretudo do meio familiar, que o vão ajudar a construir uma imagem de si próprio. É pois, a partir do reflexo de si, que os outros transmitem, que a criança, entre os 2 e os 7 anos, faz essa construção da auto-imagem. Uma posição existencial reflecte, assim, o modo como cada um se vê, face aos outros. Sendo relativamente estável a posição dominante de vida pode, contudo, vir a ser alterada, fruto de um trabalho pessoal, dos reforços recebidos ou não e de factores contingenciais. independentemente da posição dominante de vida (a mais importante) todos assumimos, em cada momento, uma posição pontual de vida, esta sim mais facilmente modificável e com consequências, de modo geral, menos drásticas para o próprio e para os que o rodeiam. Cada posição de vida influencia o modo como um individuo pensa, age e entra em relação com os outros. Determina, em particular, uma forma de utilização de cada estado do Eu que, como se viu, pode ser activado de forma positiva ou negativa. As posições de vida reportam-se sempre ao modo como cada um se vê: eu estou bem (+) ou eu não estou bem (~); e à forma como se percepciona o outro: o outro está bem (+) ou o outro não está bem (-); e representam quatro tipos diferentes de opiniões, julgamentos e representações: l uma representação positiva, lúcida e realista que determina uma forma de estar saudável e constituída através da constatação que podemos não estar sempre bem mas que, globalmente, gostamos de nós, confiamos nas nossas capacidades e, consideramos o outro (ou os outros) com os mesmos direitos, respeitando-o. É a posição de vida (+/ +) ou euestçg bem' o outro está bem.
  46. 46. l três tipos de representações falsas, irrealistas e negativas que determinam comportamentos ineficazes, quer sejam arrogantes - eu estou bem; o outro não está bem (+/ -), desvalorizantes ~ eu não estou bem; o outro está bem (-/ +), ou destrutivas - eu não estou bem; o outro não está bem (-/ -). 4.1 A. - AS QUATRO POSIÇÕES DE VIDA Eu estou bem; o outro está bem (+/ +) É a única posição de vida saudável e determinada pela satisfação das necessidades básicas do próprio e do outro. Nesta posição de vida, o individuo é capaz de viver sentimentos de unidade, amizade, realismo e estar em harmonia consigo e com a vida. Tende à realização e actualização do seu potencial. A pessoa (+/ +) reconhece os seus próprios defeitos e fraquezas e aceita os dos outros, de uma forma realista e positiva. Exemplo: “Sei que, em conjunto, vamos ser capazes de resolver este assunto". Eu estou bem; o outro não está bem (+/ -) É uma posição de vida projectiva, em virtude da tendência em atribuir ao outro a responsabilidade do que corre mai. A pessoa com esta posição de vida é agressiva e susceptível à critica, não suportando ser apanhada em falso ou sem defesas. É a posição de dominação sobre os outros: desvaloriza-os, culpabiliza- -os, agride-os. Tende a ser Perseguidor ou Salvador. Esta posição de vida surge porque a pessoa foi construindo (através dos estímulos parentais e de outros) uma imagem de superioridade face aos outros ou, então, porque finge essa superioridade e, na verdade, a sua posição é "eu não estou bem; o outro não está bem". Exemplo: “Se não for eu a fazer as coisas fica tudo mai. " Eu não estou bem; o outro está bem (-l+) É uma posição introjectiva em que a pessoa tende a atribuir a causa dos fracassos a s¡ própria. Caracteriza-se por um sentimento de inferioridade 45
  47. 47. 46 e desamor em que a pessoa procura, acima de tudo, agradar aos outros e submeter-selhes para poder ser estimado. Apresenta-se como vítima. Sente-se culpada, desprezível, depressiva, estúpida, rejeitada. Se não gosta de s¡ como podem os outros gostar? Esta posição de vida surge na sequência de estímulos negativos, recebidos durante a infância (“tu não és capaz"; “nunca fazes nada certo") ou de uma superprotecção (“dá ca' que eu faço), em que a pessoa se sente sem poder nem capacidade para resolver os seus problemas, procurando o apoio dos outros. Exemplo: “Não consigo fazer nada certo. Dá-me uma ajuda, porfavor. " Eu não estou bem; o outro não está bem (-l-) É a posição negativista e a mais destrutiva de todas. A pessoa não se estima, não confia nas suas capacidades, desconfia dos outros, não os respeita, nem reconhece. Esta posição existencial é característica das pessoas que sofreram abandono, rejeição, desinteresse e falta de afecto das figuras parentais. A pessoa, nesta posição de vida, coloca-se como um espectador descrente de si próprio e da vida. Frequentemente desinteressada, deixa as suas obrigações para amanhã ou esquece-as. Tem aversão à mudança e é incapaz de ser feliz. Não se implica nunca, é improdutiva, destrutiva e auto-destruidora. Exemplo: “Para quê incomodar-me com isso? A vida é uma selva! " Embora a posição de vida pontual seja negativa (o indivíduo desvaloriza-se, desvaloriza os outros ou é destrutivo), a mais importante é a posição dominante. Se esta for positiva (+/ +), ainda que, momentaneamente, utilizemos outra, a situação assume uma menor gravidade porque, no fundo, respeitamo-nos e respeitamos o outro. Uma pessoa pode assumir diferentes posições de vida pontuais, consoante o contexto (factores externos) e o estado de espirito (factores internos). Exemplos: Uma pessoa pode ter tendência a assumir no trabalho a posição de vida (-/ +), em casa (+/ -), no seu clube (+/ +), num plano de reflexão pessoal (~/ -j.
  48. 48. Ou fruto de um estado de espirito: I (-l+) após o anúncio de um estado de saúde deficitário, ficando a pessoa deprimida; l (+/ -) após a produção de um trabalho que foi muito elogiado, deixando a pessoa eufórica; l (-l-) na sequência do falecimento de uma pessoa querida, em que o individuo se questiona sobre o significado da vida e se confronta com o problema existencial. A mudança de posição de vida (dominante) exige, não apenas a vontade mas um longo trabalho de reestruturação da personalidade, com investimento no estado de Ego Adulto. Para essa tarefa a A. T., enquanto utensílio de comunicação e de relação consigo próprio e com os outros, pode desempenhar um papel preponderante. Outro factor facilitador, sobretudo no jovem, é a qualidade dos reforços que recebe e que, desde que sejam autênticos, muito contribuirão para a re- construção de uma imagem mais positiva e realista de si próprio. As posições existenciais utilizadas determinam grandemente o comportamento e a atitude face aos outros: Eu estou bem (+) COOPERAÇÃO SUPERXORIDADE O outro está O outro não bem está bem (+) t-i EZ] ¡NFERIORIDADE PASSIVXDADE Eu não estou bem H 47
  49. 49. A assunção das diversas posições de vida suscita atitudes diferentes face ao conflito: Eu estou bem (+) NEGOCIAÇÃO ATAQUE o aum, 95g¡ O outro não bem está bem (+) H EZ] SUBMISSÃO FUGA Eu não estou bem H Ainda que, através da identificação das diversas posições existenciais, não seja possivel distinguir, perante uma única afirmação, se a posição de vida utilizada é dominante ou pontual podemos, pelo menos, orientar a maioria das nossas intervenções para a posição existencial (+/ +). Conhecê-las é o primeiro passo. EXERCÍCIO N? 3 Tente caracterizar qual a posição de vida em uso, no momento das afirmações seguintes: 1 - Gostaria que discutlssemos, frontalmente, esse assunto. 2 - Este meu trabalho está uma porcaria, mas os dos outros não estão melhores. - Se não fosse eu o que seria de vocês. - Nunca serei capaz de fazer uma apresentação como a lua. - Qual espr'rito de equipa qual carapuça. Aqui e' o salve-se quem puder. Você está aqui para trabalhar; para pensar estou cá eu! - Um conflito pode ser uma boa oportunidade de progresso. - Estou sempre disponível para os outros mesmo em detrimento da minha vida pessoal. @Nimchh-CD l
  50. 50. 9 - Sou mesmo bom! Olha para esta categoria de trabalho. Sou o maior! i0 - Não estou para me raiar com isso. Afinal ninguém reconhece nada. 4.2 - AS POSIÇÕES DE VIDA NO CONTEXTO PEDAGÓGICO O formador desempenha um papel preponderante, não só na facilitação da Aprendizagem mas, igualmente, no reforço do valor pessoal, com repercussões a nível da auto-estima. Se e' certo que é dificil um adulto mudar a sua posição dominante de vida (de negativa para positiva), também é verdade que tal não constitui tarefa impossivel. Isso exige consciência de si e esforço pessoal, mas uma atitude facilitadora de figuras significativas constitui um contributo valioso. O formador, enquanto pedagogo, deve desempenhar esse papel facilitador. Como lidar com um formando particular, nas diversas posições existenciais? (+ +) Se a pessoa se encontra nesta posição existencial isso significa que se respeita a si própria e aos outros, o que tornara' mais fácil a tarefa do formador. Isso não significa, contudo, que não se lhe deva dar atenção. Bem pelo contrário; se o individuo é positivo, merece ser reforçado e pode vir a ser um aliado espantoso para ajudar o grupo a atingir a progressão desejada, num clima produtivo e caloroso. (+ -) Se a pessoa assume uma atitude arrogante e/ ou agressiva, o formador, para além de permanecer tranquilo, deve procurar: I lidar com a situação sem pôr em cheque o participante; I recorrer ao grupo solicitando outras opiniões, se o participante insistir em contrariar; l procurar extrair o que existe de bom nas suas intervenções e reforça-lo; I fazer apelo ao estado de Ego Adulto, colocando-lhe questões e perguntando-lhe a sua opinião; I se a situação se agravar, falar-lhe em particular procurando perceber as razões da sua atitude.
  51. 51. (- +) Se a pessoa é tímida, apagada ou insegura pode: I ajudar a aumentar a confiança pessoal colocando-lhe questões fáceis; l reforçar sempre as suas boas intervenções, ainda que curtas; despertar o seu interesse, pedindo-lhe opiniões sobre assuntos que domina; l convidá-lc a participar em exercicios de sub-grupos, onde se poderá expressar de modo mais descontraído. (- -) Se o formador tem um participante com esta posição existencial (atenção porque pode ser pontual, tal como as outras) a tarefa é espinhosa, mas não impossivel. Algumas ideias: l tratá-lo com facto evitando desencadear observações negativistas; l não criticá-lo. Pode utilizar a técnica do sim. ..mas; I utilizar os recursos do grupo, destacando as intervenções construtivas; reforçar nas suas intervenções aquilo que é positivo; evitar que a hostilidade do grupo recaia sobre ele.
  52. 52. CAPÍTULO 5 - AS TRANSACÇÕES O relacionamento com o outro implica uma troca social, uma comunicação entre dois estados do Eu. As relações entre as pessoas e os grupos são constituídas por séries de transacções que se sucedem. A Análise Transaccional permite analisar, com precisão, as transacções e o seu encadeamento possibilitando, assim, uma melhor compreensão dos fenómenos da comunicação. 5.1 - TRANSACÇÕES PARALELAS Estamos em presença de uma transacção paralela, sempre que um interlocutor responde ao outro no estado do Ego activado por aquele. São, de modo geral, transacções estáveis porque se reforçam mutuamente, não dando origem a surpresas desagradáveis e, como tal, são facilitadoras de bons climas organizacionais e grupais. Podem ser: l Complementares O Estado do Eu visado é diferente do que é utilizado para estabelecer a relação. Um exemplo é o formador dirigir-se ao grupo utilizando o seu estado de Ego Pai e apelando ao estado de Ego Criança dos formandos. A resposta vem no estado de Ego activado, não suscitando qualquer surpresa: § Formador Grupo
  53. 53. 0 Formador: "Abram os manuais na pág.30" (Pai Normativo) 0 Grupo: Procuram a página respectiva (Criança Adaptada) I Simétricas O Estado do Eu utilizado é o mesmo que o visado no outro. Por exemplo, o formador utiliza o seu estado de Ego Adulto apelando a idêntico estado do formando: Formando Formador Formando - "Gostaria que desse alguns exemplos sobre o que acaba de referir" Formador - "Claro, por exemplo. .." As transacções paralelas podem ser positivas ou negativas, consoante o Estado do Ego e a Posição Existencial utilizados. No exemplo, abaixo, é utilizado pelo formador o estado do Ego Pal, mas numa perspectiva desvalorizante e a resposta, também negativa, surge através do estado de Ego Criança Rebelde: § Formador Formando
  54. 54. Formador - “Não sei o que hei-de fazer consigo, nunca respeita os horários! " (Pai Perseguidor) Formando - (Provooatoriamente) "E depois? " (Criança Rebelde) 5.2 - TRANSACÇÕES CRUZADAS A transacção cruzada verifica-se quando um individuo, ao solicitar do outro um determinado estado do Ego, recebe uma resposta diferente e, como tal, não esperada. Sendo surpreendentes podem, todavia, ser: l positivas, se os estados do Ego utilizados forem positivos. Ao apelo Adulto do Formador é dada uma resposta noutro estado do Ego: Criança Livre, estando subjacente, em ambos, uma posição existencial positiva (+/ +): Formador Formando Formador - “Quem quer acrescentar alguma coisa sobre a matéria? ” (Adulto) Formando - “Desculpe, mas não tive tempo de ler nada sobre o assunto. " (Criança Livre)
  55. 55. Ou, perante uma critica do formador (não destrutiva) é dada uma resposta também positiva, através do Estado de Ego Adulto: t: Formador Formando Formador - "Vejo que não preparou este assunto. " (Pai Crítico) Formando - “E verdade, não tinha material suficiente. Onde posso obter mais elementos? " (Adulto) l As transacções cruzadas podem ser negativas quando estão em acção estados do Ego negativos. Exemplo: : x Formador Formando Formador - “Sabe quem fundou este modelo? " (Adulto) Formando - "Eu cá não fui! " (Criança Rebelde)
  56. 56. Um tipo de transacção cruzada em que o 29 interlocutor posiciona a interacção ao nível racional (A), pode tornar-se positiva, ainda que se tenha iniciado de forma negativa. Exemplo: Formando Formador Formando - “Caramba, é só trabalho. .." (Criança Rebelde) Formador - “Vamos analisar a situação em conjunto. " (Adulto) O inverso também pode acontecer, ou seja, uma transacção cruzada que começa positiva, pode transformar-se em negativa: N 1 - “O seu relatório está pronto? " (Adulto) 2 - "Pensa que eu não tenho mais nada que fazer? " (Criança Rebelde)
  57. 57. 5.3 - TRANSACÇÕES SUBJACENTES, ULTERIORES OU ESCONDIDAS Frequentemente o que se diz não reflecte aquilo em que se está a pensar. Quando isso acontece, estamos em presença das transacções de duplo sentido: l um nivel aparente ou “sociat” (explicito, verbal, observável) I um nivel escondido ou psicológico (implícito, não-verbal) 2 u_ _t Exemplo: n nivel explicito: transacção A - A 1 - “Não consigo acabar este relatório para amanhã. " 2 - “Queres dizer que não vens à reunião logo à tarde? " II nivel escondido: transacção C - P (a tracejado) 1 - “Se tu meajudasses. .." 2 - “Tenho medo de me confrontar sozinho com o chefe. " Muitas vezes utilizam-se transacções escondidas, como forma de manipular o outro, fazendo com que este tipo de comunicação se torne muito perigoso, uma vez que as relações não se estabelecem num clima franco e aberto. 5.4 - TRANSACÇÕES TANGENCIAIS OU BLOQUEADAS Uma transacção é tangencial quando um dos interlocutores ignora o que diz o outro, quer seja a nivel consciente ou não. Trata-se de uma resposta ao lado, que pode ir no sentido de fugir à questão ou de dar uma informação que não foi solicitada. É o chamado “diálogo de surdos".
  58. 58. --e---› 7 <-- 1 2 Exemplo 1: 1 - "Onde está aquele dossier azul? " 2 - “Para que é que tu o queres? " 'P 1 2 Exemplo 2: 1 - “Ficaste satisfeito com a reunião? " 2 - "O assunto não e assim tão simples como pensas! " Apresenta-se, de seguida, um caso para caracterização em função dos tipos de transacções e dos Estados do Ego adoptados.
  59. 59. EXERCÍCIO : v9 4 Situação: Um participante que chega sistematicamente atrasado à formação. Identifique o que está mal no comportamento do Formador, à luz do modelo da Análise Transaccional. P - F . "Desculpe o atraso, mas não encontrava o local da Formação. " "Com certeza. Aliás começamos há pouco porque no primeiro dia há sempre uma pequena tolerância. Agradeço que todos procuremos, a partir de amanhã, cumprir o horário. Continuando. ..” (de novo atrasado) "Desculpem ahn. .. o intervalo para o almoço é muito pequeno e, sabe, há sempre coisas a tratar. .." (sorrindo) “O. K!” (Chega de mansinho e faz um pequeno gesto de desculpa com a mão. ) (Faz um pequeno gesto de assentimento. ) - (Chega de novo atrasado e senta-se. ) (irritado) “Gostava de ygs lembrar a importância de cumprir o horário da Formação". EXERCÍCIO N? 5 Embora só a própria pessoa saiba, com exactidão, o estado do Ego que utiliza em cada momento, sugere-se a classificação de cada uma das interacções, quer no que respeita ao tipo de transacção efectuado, quer no que se relaciona com a posição existencial, identificando-se com a pessoa que responde. 1. Um formador para um formando: "Trouxe-lhe o artigo que me pediu. " Resposta: "Muito obrigado. Vai ser-me muito útil. "
  60. 60. 10. . Um formando para o formador: “Pode-me dar uma ajudinha! " Resposta: "Claro, vamos lá ver do que se trata. " . Um colega para outro: "Não podes resolver assim os problemas, tens que ter calma. " Resposta: “Olha pela tua vida que pela minha olho eu! " . Um formador para outro: "OIha~me para estes trabalhos, tudo uma porcaria! " Respgstaz "E verdade, as pessoas não têm brio, hoje em dia. " Um formando para o formador: "Está um dia tão bonito lá fora, não acha? " Resposta: "E verdade, mas cá dentro também não se está mai. " Um formando para o formador: “Não consigo trabalhar com esta ferramenta. Sou mesmo desajeitado! " Resposta: "Vamos lá com calma rever todas as operações. " . Formando para o formador: "Gostaria de saber as razões porque nunca me pergunta nada. " Resposta: “Ainda não se proporcionou, mas fique descansado pois toda a gente vai ter a oportunidade de dar a sua opinião. " . Um formando para outro: "Que trabalho tão bem feito. Como foi que conseguiste? " Resposta: "Nem calculas, deu-me um trabalhãol” . Um formando para o formador: "Está-se a perder tempo com coisas que não interessam! " Resposta: "O que o leva a pensar isso? " Um formador para um formando: “Já pensou na melhor forma de realizar este trabalho? " Resposta: "Estou tão desorientado. Nunca sei o que hei~de fazer! "
  61. 61. 60 CAPÍTULO a - AS EMOÇÕES E A PEDAGOGIA As emoções desempenham um papel muito importante na vida das pessoas. Já lá vai o tempo em que se ousava afirmar que os sentimentos ficavam do lado de fora da empresa, como se a pessoa se pudesse dissociar da sua componente emocional e efectiva. Felizmente, hoje em dia, devido, sobretudo, aos trabalhos de António Damásio, já se aceitam as emoções como pane integrante do individuo e, como salientou Damásio, são necessárias para que se possam tomar boas decisões. Ou seja, é impossivel tomar decisões adequadas partindo, exclusivamente, do raciocínio puro. Segundo a Análise Transaccional as emoções autênticas, características da Criança Livre, são cinco: I duas agradáveis: Alegria Afecto l três desagradáveis: Tristeza Medo Cólera Os sentimentos, ou emoções, são positivos quando nos ajudam a ser autênticos nas relações e eficazes no trabalho; são negativos quando expressos pela Criança Rebelde ou Submissa, constituindo autênticos disfarces. EMOÇÕES AUTÊNTICAS DA CRIANÇA LIVRE ALEGRIA AFECTO TRISTEZA MEDO CÓLERA POSIÇÕES -/ + EXISTENCIAIS j DESESPERO INUTILIDADE REJEIÇÂO . ,t¡_ soam DEPRESSÃO ANSIEDADE CULPA REsseNTiMENTo RIVALIDADE sAoisMo | NVEJA AGRESSIVIDADE CIÚME TRIUNFO MALIGNO DISFARCES DA CRIANÇA ADAPTADA INADEQUAÇÃO CONFUSÂO VERGONHA
  62. 62. As emoções funcionam como detectores que nos ajudam a compreender melhor as situações e nos fazem agir de uma forma adequada. l A alegria é o sentimento que indica que alcançamos algo e que tudo está bem. De um modo geral, necessitamos, como seres sociais, de partilhar essa alegria com outras pessoas. l O afecto é o sentimento que nos transmite o significado que o outro tem para nós. O prazer que nos dá a sua companhia (alegria) e o desprazer (tristeza) que, por vezes, sentimos na sua ausência, são sentimentos que, frequentemente, se associam ao afecto. I A tristeza é o indicador que transmite o sofrimento derivado de uma perda, de uma separação ou de uma decepção. E o sentimento que incita à procura de algum conforto e que ajude a superar esse momento dificil. I O medo alerta-nos para o perigo. Faz desencadear mecanismos internos que preparam a pessoa para agir, proteger-se, procurar socorro e segurança. l A cólera indica que existe um obstáculo e incita a pessoa a agir no sentido de o ultrapassar, mobilizando grandes reservas de energia. 5.1 - A CONGRUÊNCIA VERBAL/ NÃO - VERBAL A Análise Transaccional recorda-nos que vivemos, permanentemente, com sentimentos diversos e da importância de os reconhecermos a fim de melhor os gerirmos. Quantas vezes não ouvimos coisas do género: “. ..mas porque estás tu tão irritado(a)? " e respondemos: “Eu, mas quem é que está irritado! " É certo que o outro se pode ter enganado na interpretação feita, mas o mais certo é ter detectado uma incongruência entre o nosso comportamento verbal e o não verbal: o tom de voz podia ter sido elevado, os gestos serem bruscos ou qualquer outro elemento de uma infinidade de sinais não-verbais, ter transmitido ao outro a nossa irritação. Na Pedagogia assume particular importância a autenticidade ou congruência. Não adianta dizer ao grupo o quanto estamos felizes por nos colocarem questões se, de facto, o que desejariamos era não ser confrontados com perguntas que receamos não saber responder. O nosso comportamento não-verbal
  63. 63. vai certamente dizer o contrário do verbal e criar um clima tenso, de não autenticidade. 6.2 - EXPRESSÃO DOS SENTIMENTOS NO CONTEXTO PEDAGÓGICO Todo o sentimento tem uma expressão não-verbal a que o Formador deve prestar atenção e observar os formandos, pois isso possibiiitar-ihe-á responder a essas exigências não-verbais. Apresentam-se alguns exemplos no quadro seguinte: Sentimento O gue a pessoa exprime Estratégia a seguir pelo Formador PERIGO PROTECÇÃO Formandos: o gmpo agita-se após a l Explicar as regras de funciona- proposta de um trabalho. mento. Fonnador'. sentimento de insegurança l Apoiar. perante um grupo difícil. Estado do Ego mais activo: P+ i. Êxrro PARTILHA Formandos/ Formador'. comentamento l Manifestação conjunta durante pelo trabalho realizado, alguns momentos, % Estado do Ego mais activo: Cr. Livre+ OBSTÁCULO MUDANÇA Fonnando; frustração, esperava mais. Necessidade de introduzir uma Formador'. não está a conseguir o que mudança: pretendia. l método? l forma de relacionamento? I mentalidade (aceitar as suas fraquezas, apoiando-se nas quaiidades)? Estado do Ego mais activo: Adulto PERDA RECONFORTO Formando: perda de autmestlma A melhor forma de consolar alguém é perante um insucesso. ouvi-lo e salientar os seus pontos Formador: perda de auto-estima. fortes. Estado do Ego mais activo: Pp+
  64. 64. 6.3 - A EXPRESSÃO NEGATIVA DAS EMOÇÕES Existem três formas de viver negativamente os sentimentos, desperdiçando, assim, energia quer do próprio, quer de outras pessoas. O elástico Acontece quando a situação presente possui uma semelhança com um acontecimento passado, que não foi resolvido satisfatoriamente. Perante uma situação semelhante, os velhos sentimentos vêm à superfície e manisfestam-se de forma desproporcionada em relação ao acontecimento presente. Exemplo: quando um participante é convidado a fazer uma exposição perante o grupo, recorda acontecimentos negativos passados, enquanto estudante, e fica paralisado pelo medo. O primeiro passo para a pessoa ultrapassar esta situação é reconhece-lo, activando o seu estado de Ego Adulto. Perante os elásticos dos outros, que se traduzem por medos ou tristezas exageradas ou ainda cóleras violentas inadequadas à situação, é importante manter a calma e ser tolerante, procurando não se perturbar com o exagero do outro. A colecção de selos É frequente ouvirem-se expressões do género: I "Se fulano me diz mais alguma coisa rebento! " I “Ela que não me taça falar. .." I "isto foi a gota de água que fez transbordar o copo! " Estas observações, que reflectem um conjunto de sentimentos não expressos, assumem, em Análise Transaccional, o nome de “colecção de selos", dado que é um sistema de acumulação de emoções comparável às colecções de selos.
  65. 65. Princípios que regem as "colecções de selos" Uma pessoa pode só coleccionar um tipo de selos (cólera, por exemplo) ou, ao invés, coleccionar todos (cólera, medo, vergonha, etc); Uns selos têm mais força que outros; Alguns guardam zelosamente a sua colecção, outros expõem-na; Também existem colecções de selos a nivel de grupos; Os “falsos amigos" por vezes procuram pressionar a exposição da colecção (". ..não me digas que vais deixar passar isto em branco"); Algumas colecções são abandonadas e outras retomadas; Às vezes, as colecções já são herdadas de um familiar, colega ou departamento. É fundamental estar atento às próprias colecções que vamos fazendo quando, por exemplo, vamos acumulando de modo inconsciente rancores e coisas não ditas que vão ajudar a preencher a "caderneta". Em relação aos outros, nomeadamente os Formandos, é importante criar um clima relacional que não os impeça de exporem as suas emoções. Se algo é "abalado", mais cedo ou mais tarde acaba por emergir e, seguramente, com uma força maior. Os parasitas ou "rackets" Um “racker” é a substituição de um sentimento ou emoção autêntica pela expressão de um outro sentimento ou emoção mais socialmente aceitável. Um “racker” tende a repetir-se sendo, por vezes, reforçado. A Análise Transaccional ajuda uma pessoa a reconhecer os seus “rackets" e a expressar verdadeiramente as suas emoções. Como detectar um “racket"? l Quando a emoção que se exprime não está adequada à situação presente; I Se a emoção se exprime de forma pouco natural; l Se a pessoa tem tendência a utilizar sempre as mesmas emoções, qualquer que seja o contexto;
  66. 66. l Quando o comportamento da pessoa é incongruente, por exemplo: quando tala dos seus infortúnios. Como evitar os “rackets"? 1 - Consciencializar que todos os momentos da vida são marcados por emoções agradáveis ou desagradáveis; 2 - lnteriorizar que os sentimentos não são sinais de fraqueza; 3 - Recusar assumir, simblotlcamente, os actos ou as emoções dos outros; 4 - Ser responsável pelos seus actos e pelas suas emoções. Assumir o seu direito de ter medo, cólera ou outro sentimento. Exemplos de "rackets" I Um formando (ou grupo) que se sente ansioso e que aprendeu a substituir o medo pela cólera, questionando tudo, numa atitude agressiva. l Uma criança que, quando se irrita, a mãe desculpa-a dizendo: “. ..não é nada, ela está apenas cansada". A repetição desta situação pode conduzir a um "racket", em que a criança quando está irritada sente-se tatigada. l Uma jovem que aprendeu nas suas relações com os pais que, quando quer chamar a atenção, a cólera é-Ihe interditada (é castigada) mas a tristeza permitida (os pais apaparicam-na). Aprende, assim, a substituir a cólera pela tristeza. Mais tarde, sempre que se sentir irritada fica triste e chora. Se os outros a consolam val reforçando o seu “racket". EXERCÍCIO N? s Procure identificar as emoções negativas assinalando, à frente de cada observação, o sentimento negativo correspondente. t. Quando estou com medo fico agressivo. 2. Se ele me diz mais alguma coisa rebento! 3. Quando vejo alguém hospitalizado choro sempre; lembro-me da minha mãe. 4. Ele está a precisar de ouvir umas quantas verdades! Os fracos é que choram. 6. Quando ele me gritou fiquei paralisada de medo; era assim que o meu pai me falava. S"
  67. 67. CAPÍTULO 7 - UMA NECESSIDADE FUNDAMENTAL: sen RECONHECIDO Desde há muito, que a Psicologia enfatiza a importância do contacto. Mesmo na Psicologia animal essa necessidade foi detectada. Basta lembrarmo-nos dos trabalhos de Harlow com macacos Rhésus recem-nascidos que, ao serem afastados da mãe biológica, se viam no dilema de optar por uma mãe artificial de arame e com um biberom sempre com leite quentinho e, uma outra substituta materna de peluche e quente, mas sem qualquer alimento. Como é sabido, os macaquinhos optavam por estar a maior parte do tempo no aconchego da "mãe" quente e felpuda, indo só à “mãe" de arame o tempo estrito para satisfazer as suas necessidades alimentares. Já no campo da Psicologia Infantil, Spitz constatou que crianças hospitalizadas sem contactos, a não ser o das enfermeiras que delas tratavam (e que trabalhavam por turnos), desenvolviam, independentemente das suas maleitas, sinais de evidente desconforto, manisfestando tristeza, marasmo e chegando mesmo algumas a morrer. A única razão plausível para explicar este fenómeno reside na ausência de contacto fisico e psicológico. Tratados e bem alimentados, do ponto de vista físico, estas crianças estavam à míngua de “alimentos" de ordem psicológica. O recém-nascido precisa de ser tocado pelos outros. Hoje, os bebés prematuros, recebem, na incubadora, a visita dos pais que os tocam permitindo, assim, um desenvolvimento mais rápido. Sabemos como um bébé agitado se acalma com o simples atagar ou pegar no colo. Ser tocado estimula as funções químicas do recém-nascido. Uma criança privada de carícias e contactos pode padecer de uma grave deficiência, comparável a uma deficiência nutritiva. À medida que a criança cresce, a sede primária de contacto fisico transforma- -se numa sede de sinais de reconhecimento. Um sorriso, um assentimento com a cabeça, uma palavra, um franzir de sobrancelhas, substituem certas carícias.
  68. 68. Também como as carícias, essas formas de reconhecimento, quer sejam positivas ou negativas, estimulam o cérebro da criança permi- tindo-Ihe assegurar-se da sua existência, para si e para os outros. Certas pessoas têm uma grande necessidade de serem reconhecidas para se sentirem em segurança. Essa sede pode ser sentida tanto a nível da família, como da escola ou empresa. As necessidades de reconhecimento devem ser tidas em consideração por todos os que trabalham com outras pessoas. Os formadores eficazes são, seguramente, capazes de dar sinais de reconhecimento indispensáveis para o equilíbrio e para a progressão do formando. A Análise Transaccional chama "stroke" (em inglês), estimulação, carícias psicológicas, toques psicológicos ou sinais de reconhecimento a toda a troca positiva ou negativa pela qual se reconhece a existência do outro, que pode ser feita através de um gesto, de um acto ou de uma palavra. Exemplo: “Bom dia, estás bem? " O mesmo sem palavras: polegar para cima e um gesto de cabeça. A necessidade de estimulações é vital; um verdadeiro alimento que, sempre que seja positivo, devemos armazenar, enquanto reserva de energia. Cada um de nós alimenta-se de energia no contacto com os outros. O desenvolvimento da criança depende, em grande parte, das gratificações que recebe no seu meio social. A necessidade de reconhecimento é uma pulsão tão forte, que somos ávidos de todos os sinais, quer sejam positivos, quer negativos. Na sociedade ocidental e, em particular, na cultura judaico-cristã, é comum pensar-se que se pode "estragar" alguém com elogios e que a crítica é o melhor meio de educação. Muitas crianças e jovens de meios desfavo- recidos passam por essa experiência, recebendo sinais de reconhecimento negativos sob a forma de maus tratos físicos e verbais. Contudo, a sede de energia é tal, que isso é preferível à ausência de estímulos. É uma questão de sobrevivência.
  69. 69. A rejeição e o abandono são ainda piores, pois têm o significado de anulação do outro. E como se lhe dissesse: "Es uma não pessoa ou tu para mim não existes". É assim que, frequentemente, à míngua de sinais de reconhecimento, mesmo negativos, verificamos uma procura, por vezes desesperada, de estímulos de elevada intensidade, colocando mesmo, em alguns casos a pessoa em risco de vida. Esses estímulos podem ser: droga, desvarios sexuais, violência e, mesmo para alguns, desportos radicais. Nunca se falou tanto, como actualmente, na procura de descargas de adrenalina, havendo mesmo os que se intitulam “viciados” em adrenalina, como se de uma droga se tratasse. Quando os meninos de rua brasileiros arriscam a vida subindo para o topo de comboios, junto dos cabos de alta tensão, não estão mais do que a tentar mitigar a sua "fome" de sinais de reconhecimento e a reforçar a sua energia psíquica, ainda que negativa. As transacções negativas, nas quais recolhemos sinais negativos, criam uma certa ilusão de acumular energia. Contudo, a energia negativa é pouco reutilizável e é por isso que, por exemplo, crianças que desencadeiam a ira dos pais, suscitando sinais de reconhecimento negativos, ou determinados colegas de trabalho, encetam relações conflituosas e desagradáveis. Em Formação, é frequente ouvirem-se "queixas" de subordinados, como: “. ..quando faço qualquer coisa bem, o meu chefe não me diz nada, mas se cometo um pequeno erro recrimina-me logo! ” O colaborador está, assim, a referir a sua mágoa pelo não reconhecimento ou pela ausência de estimulações positivas. É, ainda, frequente a afirmação de que se as coisas estão bem feitas é a obrigação do trabalhador. Há é que actuar e chamar a atenção quando as coisas não estão bem. Os sistemas de educação que optam por esta via são menos bem sucedidos, até porque é mais fácil reforçarmos aquilo que temos de positivo, que minimizar os nossos defeitos. Não quer isto dizer, todavia, que não se devam dar sinais de reconhecimento negativos quando as coisas não estão bem. O contrário seria não-pedagógico e hipócrita. A questão é não esquecer os outros: os estímulos positivos.
  70. 70. Os sinais de reconhecimento, para além de serem positivos e negativos, podem ser condicionais e incondicionais. Podem ser representados sob a forma da grelha seguinte: S| NAIS DE Positivos Negativas RECONHECIMENTO condicionais condicionais condicionais positivos negativos lncondicionais lncondicionais lncondicionaís positivos negativos Sinais de Reconhecimento condicionais Estão condicionados a algo que a pessoa tem ou faz. Negativas Exemplos: - “Este trabalho está uma Iástimal" - “chegaste atrasado! " - “Esse corte de cabelo fica-te mal! " Justifica-se este estímulo, desde que seja dado com uma intenção positiva e de forma a não magoar o outro, nem o pôr em causa. Positivos Exemplos: - “Sabe desenhar muito bem! ” - “Este trabalho atinge os objectivos propostos! " - "Tens muito bom gosto! " Sinais de Reconhecimento lncondicionais São os que têm maiores repercussões, quer negativas, quer positivas. Reportam- -se à pessoa como um todo, quer através da rejeição, quer da aceitação incondicional do outro.
  71. 71. Negativas Exemplos: » “És um verdadeiro idiota! " - “Não aprendes nada. Contigo só se perde tempo! " - “És impossível de aturar! " Positivos Exemplos: - “És um tipo fixe! " “Gosto mesmo de ti! " “És a única pessoa que me compreende! " Para ser eficaz, um sinal de reconhecimento deve ser: I autêntico; l apropriado à situação; l fundamentado na realidade observável; l personalizado; l adaptado à forma de ser do outro (nem escasso, nem exagerado); l dado no momento e não diferido no tempo. 7.1 - DAR, PEDIR, ACEITAR E REJEITAR SINAIS DE RECONHECIMENTO Dar Sinais de Reconhecimento É imprescindível dar sinais de reconhecimento às pessoas com quem nos relacionamos. Algumas crenças sociais levam as pessoas a inibirem o seu reconhecimento: l “Se lhe vou dizer que isto está bem, da próxima vez vai-se desleixar' I "Se lhe digo que me agradou a sua forma de lidar com o problema dizem que estou a bajulá-Io” I "Para quê dizer que gosto dela (? ) Se não gostasse não fazia o que faço" Não existem regras nem fórmulas para dar estimulações aos outros, desde que obedeçam às caracteristicas já apontadas. Algumas pessoas são mais exuberantes na sua forma de dar estímulos, outras mais recatadas, mas o que importa é não criar uma situação constrangedora para o outro.
  72. 72. Pedir Sinais de Reconhecimento É certo que, todos nós, precisamos de sinais de reconhecimento que são imprescindíveis para o nosso equilíbrio mas, por vezes, eles não surgem. Que fazer? É perfeitamente legítimo pedirmos os sinais de reconhecimento que julgamos merecer. l "Que pensa do meu trabalho? " l "Gostas de mim? " l “Achas que vou conseguir realizar esta tarefa? " Este pedido é como que uma chamada de atenção do outro para a necessidade de sermos reconhecidos. Desde que não seja uma tentativa de manipulação, é uma forma de suscitar as estimulações de que estamos carenciados. Praticar o Auto-Reconhecimento Por vezes não temos ninguém connosco e sentimo-nos necessitados de reconhecimento. Acabamos, por exemplo, um trabalho e ficámos satisfeitos, conseguimos atingir um objectivo que nos propusemos, etc. Podemos, então, autc-reconhecermo-nos. Pode ser através de uma pausa para ouvirmos música e/ ou descansar, comer um chocolate, oferecermo-nos uma prenda, etc. O auto-reconhecimento é um recurso precioso. É um momento em que tomamos contacto com os nossos pontos fortes e fracos. E uma oportunidade de melhorarmos a consciência de nós próprios. Aceitar os Sinais de Reconhecimento É importante introjectarmos os sinais de reconhecimento autênticos que recebemos. Eles vão contribuir para um melhor auto-conhecimento e para o reforço do EU. Há pessoas que, tendo o privilégio de receber "carícias", desvalorizam-nas e rejeitam-nas. E quase como se fizessem uma “greve de fome de carícias psicológicas". As consequências dessa não aceitação são idênticas às do não reconhecimento. E sabe-se que, pior ainda do que receber sinais negativos e ser ignorado, rejeitado. É importante darmo-nos a permissão de receber os sinais de reconhecimento indispensáveis ao nosso equilíbrio.
  73. 73. Releitar Sinais de Reconhecimento Há máscaras que pretendem passar por sinais de reconhecimento. São sinais inautênticos como a bajulação ou as críticas destrutivas, que visam atingir e perturbar o outro. Quando sentirmos que alguém nos está a dar “um falso alimento" há que rejeitá-lo. Sempre que for detectada uma desvalorização na forma como o outro se exprime sobre nós, é importante não interiorizar essa falsa e maldosa informação evitando, assim, repercussões negativas na nossa auto-imagem suscitadas por alguém mal-intencionado. Sinais de Reconhecimento Resumo 1) Para a A. T. as expressões: I sinais de reconhecimento l "Strokes" l estimulações l toques psicológicos l carícias psicológicas têm o mesmo significado; 2 O sinal de reconhecimento é indispensável ao equilibrio biológico e psicológico; 3 É uma fonte de energia positiva e negativa; ) ) 4) Um indivíduo prefere um estímulo negativo a ser ignorado; 5) Um estímulo pode ser condicional ou incondicional; 6) O estímulo incondicional é mais forte que o condicional; i 7 Para obter a mesma quantidade de energia psíquica, é preciso um estímulo positivo para dez estímulos negativos; 8) Cada indivíduo tem um canal preferencial de “stroke"; 9) Cada um pode armazenar a energia provinda dos "strokesü 10) Os toques ou carícias psicológicas são um recurso natural de energia, gratuito e inesgotável.
  74. 74. 7.2 - UTILIZAR OS SINAIS DE RECONHECIMENTO PARA MOTIVAR EM SITUAÇOES DE APRENDIZAGEM Sendo a ferramenta mais simples da Análise Transaccional, "o stroke” é a melhor forma de motivação pedagógica. É importante, contudo, que se evite desmotivar os formandos que estão empenhados, para motivar os outros. Para tal, é necessário esclarecer o que se espera do grupo e quais os objectivos a atingir. Alguns formadores, com a finalidade de serem aceites pelo grupo, têm tendência a dar muitos estímulos positivos. Mesmo sendo autênticos há que adequa'- -los às circunstâncias porque, se forem inoportunos ou exagerados, podem suscitar rejeição e mal-estar generalizado. Outros, são menos indulgentes e são avaros a dar "Strokes", o que origina um clima tenso e pouco caloroso. Dizer algumas palavras de encorajamento, salientar um progresso, destacar mudanças de comportamento e de atitude, bem como as boas intervenções são formas de encorajar positivamente os formandos. É importante que o Formador reforce as participações positivas, encoraje o envolvimento de todos, reconheça as partes significativas de uma intervenção que foi menos positiva, corrija sem pôr em cheque, utilize os recursos do grupo. Sobretudo para ajudar os formandos que têm mais dificuldades, é bastante eficaz praticar "strokes" positivos não verbais (sorrisos, acenar a cabeça, gesto de vitória. ..) sempre que se constate um esforço de participação. Um esforço, mesmo mínimo, exige um gasto de energia e deve ser reconhecido. Algumas pessoas sentem uma grande necessidade de ser reconhecidas e não hesitam em solicitar sinais de reconhecimento: l “Gostava de saber se concorda comigo. " I "A melhor solução é esta, não é? " I "Já acabei. Está certo? ” Quando assim acontece, é bom que surja o sinal de reconhecimento adequado, que dê satisfação a quem o solicita, mas que não o destaque em demasia, transformando a pessoa na "estrela do grupo". Trata-se, sobretudo, de uma questão de bom senso até porque, alguns "Strokes", ainda que autênticos, são mal recebidos.

×