SemináRio Belo

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Roteiro de comunicação no Seninário Mineiro de Educação Profissional e Tecnológica

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SemináRio Belo

  1. 1. Educação e Trabalho: integrando conhecimentos... [email_address] http://jarbas.wordpress.com
  2. 2. Seminário Mineiro de Educação Profissional... Belo Horizonte, 30/05/2008
  3. 3. Quem sou eu? <ul><li>Não sou consultor </li></ul><ul><li>Fui pesquisador associado da EF/USP </li></ul><ul><li>Sou professor e: </li></ul><ul><li>MA em Edtech pela SDSU </li></ul><ul><li>Dr. Em Educação pela Unicamp </li></ul><ul><li>Um descontente criativo </li></ul>
  4. 4. Proposta: viajar pelos termos propostos no título <ul><li>Educação: o desafio da comunicação </li></ul><ul><li>Trabalho: saberes invisíveis dos trabalhadores </li></ul><ul><li>Conhecimento: relações com informação e desempenho </li></ul><ul><li>Resultados: mudanças e domínio de desempenho desejado </li></ul>
  5. 5. Convite para experimentar comunicação C <ul><li>Tem dinâmica </li></ul><ul><li>Tem significância </li></ul><ul><li>Interage com fontes </li></ul><ul><li>Funda-se em interesse </li></ul><ul><li>Guarda relação com necessidades </li></ul>
  6. 6. Comunicação C <ul><li>Experiência numa GenteGincana </li></ul>
  7. 7. O que os resultados mostram? <ul><li>Interesse pelo assunto e desafio de encontrar boas fontes </li></ul><ul><li>Negociação [interatividade] para obter informação </li></ul><ul><li>Interesse pelo conteúdo e pelo processo </li></ul><ul><li>Humor e surpresa </li></ul><ul><li>Prazer em descobrir e saber </li></ul>
  8. 11. <ul><li>Hora de ir para o trabalho </li></ul>
  9. 12. Espírito Critico,numa análise de Neca Barato, pedreiro. <ul><li>Casas populares: material com vida útil de cinco anos, para pagar em vinte. </li></ul><ul><li>Gente que entende de obra não pode aceitar isso. </li></ul><ul><li>Em tais projetos de moradia popular, um direito foi convertido em favor. </li></ul>
  10. 13. Qual o fundamento de tal crítica? COMPROMISSO PROFISSIONAL COM A OBRA
  11. 14. Mensagem para nós <ul><li>Oficiais querem sempre fazer uma obra bem feita </li></ul>
  12. 15. Consequências da centralidade da obra <ul><li>Beleza é fundamental. </li></ul><ul><li>Mestria é evidenciada pela qualidade da obra. </li></ul><ul><li>Valor da obra é intrínseco. </li></ul>
  13. 16. Valor intrínseco da obra <ul><li>* $$ não importa tanto. </li></ul><ul><li>* t é variável que depende da qualidade </li></ul><ul><li>* sentido de realização se concretiza na obra bem feita. </li></ul>
  14. 17. Outro exemplo: Roseli, instrutora de cabeleireiros. <ul><li>Técnica de penteado </li></ul><ul><li>Apresentação de uma obra pronta para começar a aprendizagem </li></ul><ul><li>Técnica como veículo da obra </li></ul><ul><li>Sentimento de realização. </li></ul>
  15. 18. Compromisso com obra ≠ compromisso com saberes <ul><li>Saberes orientados para a verdade, nos sentidos epistemológicos e ontológicos. </li></ul><ul><li>Saberes orientados para decisões de como levar a boa vida </li></ul><ul><li>Saberes não são produtivos </li></ul><ul><li>Saberes não se orientam para obra </li></ul>
  16. 19. Onde podemos ver tudo isso? <ul><li>Nas relações que acontecem no aprender a trabalhar que continua a ser reproduzido num percurso conhecido como aprendizagem artesanal ou corporativa, hoje glamurizado como </li></ul><ul><li>comunidades de prática . </li></ul>
  17. 20. Quanto mais os saberes teóricos invadem a formação profissional Mais perdemos compromisso com OBRA
  18. 21. Tentativa de provocação <ul><li>É contra a formação profissional um ensino... </li></ul><ul><li>Centrado no aluno </li></ul><ul><li>Valorizador da teoria </li></ul><ul><li>Ignorante da obra </li></ul><ul><li>Valorizador de conteúdos parcelizados </li></ul>
  19. 23. Um conselho de Antonio Vieira A verdadeira fidalguia é a ação, O que fazeis, isso sois, nada mais.
  20. 25. Problemas <ul><li>Tema marginal em faculdades de educação </li></ul><ul><li>Linguagem não sintonizada com pedagogês </li></ul><ul><li>Assunto distante do cotidiano escolar </li></ul><ul><li>Tese não alinhada </li></ul><ul><li>Muitos causos em vez de fundamentação teórica </li></ul>
  21. 26. O que vem por aí? <ul><li>Tentativa de desvelar um saber invisível </li></ul><ul><li>Luta inglória para contestar a precedência da teoria </li></ul><ul><li>Esforço quixotesco para mostrar que a fórmula teoria e prática estigmatiza o trabalho(ador) </li></ul><ul><li>Alguma provocação que talvez não encontre incomodados </li></ul>
  22. 28. <ul><li>Música ilustrativa </li></ul><ul><li>Intervalos comerciais </li></ul><ul><li>Recreio </li></ul><ul><li>Certo ar de sarau lítero-musical </li></ul>
  23. 29. João do Vale <ul><li>Ajudante de pedreiro </li></ul><ul><li>Músico </li></ul><ul><li>Autor de Carcará </li></ul><ul><li>Pisa na Fulô </li></ul><ul><li>Estrela Miúda </li></ul><ul><li>Fez Opinião </li></ul><ul><li>Escreveu “Minha História” </li></ul>
  24. 30. Minha Historia: João do Vale <ul><li>Seu moço, quer saber, eu vou cantar num baião Minha história pra o senhor, seu moço, preste atenção Eu vendia pirulito, arroz doce, mungunzá Enquanto eu ia vender doce, meus colegas iam estudar A minha mãe, tão pobrezinha, não podia me educar A minha mãe, tão pobrezinha, não podia me educar </li></ul>
  25. 31. Minha história <ul><li>E quando era de noitinha, a meninada ia brincar Vixe, como eu tinha inveja, de ver o Zezinho contar: - O professor raiou comigo, porque eu não quis estudar - O professor raiou comigo, porque eu não quis estudar Hoje todo são “doutô”, eu continuo joão ninguém Mas quem nasce pra pataca, nunca pode ser vintém </li></ul>
  26. 32. Minha história <ul><li>Ver meus amigos “doutô”, basta pra me sentir bem Ver meus amigos “doutô”, basta pra me sentir bem Mas todos eles quando ouvem, um baiãozinho que eu fiz, Ficam tudo satisfeito, batem palmas e pedem bis E dizem: - João foi meu colega, como eu me sinto feliz E dizem: - João foi meu colega, como eu me sinto feliz </li></ul>
  27. 33. Minha história <ul><li>Mas o negócio não é bem eu, é Mané, Pedro e Romão, Que também foram meus colegas , e continuam no sertão Não puderam estudar, e nem sabem fazer baião </li></ul>
  28. 34. Idéias do João <ul><li>Incluídos: intelectuais e artistas </li></ul><ul><li>Excluídos: trabalhadores </li></ul><ul><li>Educação precisa de ócio </li></ul><ul><li>Trabalho não é educante </li></ul>
  29. 35. Idéias dos educadores da academia <ul><li>Teoria é soberana </li></ul><ul><li>Busca de fundamentos antes de fazer </li></ul><ul><li>Fazer não tem inteligência </li></ul><ul><li>Habilidade é “mera habilidade” </li></ul><ul><li>Pares necessários: teoria & prática, conhecimento & habilidade </li></ul><ul><li>Os primeiros são primeiros, os outros, consequência </li></ul>
  30. 36. <ul><li>O baile da Hydra </li></ul><ul><li>Massa no teto </li></ul>
  31. 37. Habilidade nasceu primeiro <ul><li>Somos, antes de tudo, inventores de ferramentas </li></ul><ul><li>Habilidade é o saber historicamente fundamental </li></ul><ul><li>A mão educou o cérebro </li></ul>
  32. 39. Caminante no hay camino Se hace camino al andar Antonio Machado, poeta de Espanha
  33. 40. Aprendendo no salão de beleza <ul><li>Aprender com, não aprender o que </li></ul><ul><li>Arte exige participação </li></ul><ul><li>O teste dos bigodis </li></ul><ul><li>História e enrolamento de cabelos </li></ul>
  34. 41. Função da teoria <ul><li>Mostrar ao trabalhador a sua inferioridade, apresentando conteúdos conhecidos de forma arcana (cf. André Gorz). </li></ul>
  35. 42. Um outro modo de ver os saberes <ul><li>Jogo interativo entre conhecimento, informação e desempenho. </li></ul><ul><li>Saber pessoal, saber social e ação. </li></ul><ul><li>Cada um depende do outro. </li></ul><ul><li>Cada um estrutura e desestrutura o outro. </li></ul>
  36. 43. CONHECIMENTO MODELOS MENTAIS MEMÓRIA DE LONGO PRAZO MEMÓRIA DE CURTO PRAZO DESEMPENHO INFORMAÇÃO
  37. 44. Onde procurar o saber do trabalho?
  38. 45. Produzir com outros <ul><li>Impossível planejar a aprendizagem </li></ul><ul><li>Possível planejar ambientes de produção cooperativa </li></ul><ul><li>Aprendizes aprendem participando e mudam os mestres </li></ul><ul><li>Pedagogia pode estruturar tanto a produção que a cooperação desaparece, dando lugar à dependência </li></ul>
  39. 46. Olhar para as ferramentas <ul><li>Um remo não é apenas um remo, mas síntese de uma arte </li></ul><ul><li>Há saberes embutidos num enxó </li></ul><ul><li>Os intelectuais naturalizam as ferramentas </li></ul><ul><li>Pra ficar na moda: ferramentas são mediadoras, de história, saberes, práticas... </li></ul><ul><li>Não esquecer ferramentas intelectuais e metafóricas </li></ul>
  40. 47. Que palavra e conceito se perdeu? O conceito de ARTE . Trabalho é uma arte que se compromete com a OBRA .
  41. 48. Pedagogias articuladas pela lógica da teoria provavelmente <ul><li>Não vêem arte no trabalho </li></ul><ul><li>Privilegiam indivíduo, ignoram ambiente </li></ul><ul><li>Vêem conhecimento como articulação teórica (knowing that) </li></ul><ul><li>Ignoram conhecimento como fazer (knowing how) </li></ul><ul><li>Parcelizam saber (análise ocupacional, competências etc.) </li></ul>
  42. 49. Um Grande Desafio Elaborar uma pedagogia que recupere valores positivos da aprendizagem artesanal e dê oportunidades ao aprendiz para aprender fazendo com outros.
  43. 50. “ Integrando conhecimento e resultados na educação a distância” Que conhecimentos? Que resultados?
  44. 51. Prefiro saber a conhecimento <ul><li>Conhecimento é parte da história </li></ul><ul><li>Informação é outra </li></ul><ul><li>Outra ainda é o desempenho </li></ul><ul><li>O saber articula os três em contínuas interações que geram aprendizagem </li></ul>
  45. 52. DESAFIO PARA EAD <ul><li>Propor atividades de formação profissional que não fiquem apenas no saber declarativo, mas incorporem sentido de orientação para a obra em atos de aprendizagem cooperativa. </li></ul>
  46. 53. Fontes de informação <ul><li>Barato,J. N. Educação Profissional: saberes do ócio ou saberes do trabalho, 2004. </li></ul><ul><li>Rose.M. O saber no trabalho: valorização da intelig~encia do trabalhador, 2007. </li></ul>

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