FamíLia

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  1. 1. FAMÍLIA <br />EM CONTEXTO DE CUIDADOS PALIATIVOS<br />“A família é composta por dois ou mais indivíduos, pertencendo ao mesmo ou a diferentes grupos de parentesco, que estão implicados numa adaptação contínua à vida, residindo habitualmente na mesma casa, experimentando laços emocionais comuns e partilhando entre si e outros certas obrigações.” (Johnson, citado por Stanhop, 1999)<br />Em paliativos a família é vista como a unidade a quem se presta cuidados.<br /> ANA SOUSA <br />
  2. 2. FAMÍLIA <br />EM CONTEXTO DE CUIDADOS PALIATIVOS<br />Falar de família é falar de grupo e, portanto, de uma unidade supra-individual com mecanismos de funcionamento próprios aos quais convém prestar atenção como passo prévio da formulação e evolução do diagnóstico e posteriores intervenções.<br />O objectivo é ajudar as famílias a cumprir com a sua função de cuidadora, como medida saudável de participar em todo o processo de luto que estão a viver.<br />
  3. 3. FAMÍLIA <br />EM CONTEXTO DE CUIDADOS PALIATIVOS<br />Quando surge uma doença ou uma crise, provoca no seio de uma família uma série de mecanismos de defesa que podem ajudar ou prejudicar todo o desenvolvimento da situação<br />A adaptação familiar a uma situação não programada requer um processo de adaptação, por exemplo alterações sociais, alterações a nível económico, etc.<br />
  4. 4. FAMÍLIA <br />EM CONTEXTO DE CUIDADOS PALIATIVOS<br />A doença em fase terminal provoca nos familiares confusão, medo, silêncio…<br />A tarefa da equipa é estabelecer uma relação de ajuda que permita aos familiares passar por esse processo sentindo-se e estando acompanhada.<br />É importante permitir também que os familiares recuperem a confiança quer em si próprios quer na equipa de cuidados, confiança que muitas das vezes já está perdida.<br />Esta confiança não inclui a esperança de cura , mas sim a esperança numa “boa morte”<br />
  5. 5. FAMÍLIA <br />EM CONTEXTO DE CUIDADOS PALIATIVOS<br />Factores importantes para a equipa:<br /><ul><li>O apoio dado à família é no sentido de orientar , de educar, num processo lento em que se respeite o doente, em que se valorize os seus desejos, em que ele seja centro das acção, e que se permita neste processo a entrada da possibilidade de morrer.
  6. 6. Os humanos possuem uma realidade interna formada por sedimentos de experiências. Somos um poço de sentimentos, de emoções, afectos, relações e recordações, que se vão formando mediante a nossa relação com o meio. Portanto pessoas podem reagir de modo diferente perante situações semelhantes.</li></ul>A equipa não deve estabelecer interpretações semelhantes em diferentes casosporque podem conduzir a erros na definição dos objectivos e na intervenção.<br /><ul><li>A idade do doente, sexo e o papel que ocupa no seio da família</li></li></ul><li>FAMÍLIA <br />EM CONTEXTO DE CUIDADOS PALIATIVOS<br />É necessário respeitar os tempos de adaptação, quando se tenta precipitar pode gerar muito sofrimento e a família não se sente ajuda até como se pode sentir ameaçada e atacada.<br /> A não ser se verificamos que quer o doente quer a família não consegue ultrapassar a fase da negação, aqui se deve decidir em equipa os custos/benefícios da informação forçada.<br />Comunicação<br />A informação que a equipa deve oferecer à família deve estar de acordo com as capacidades e possibilidades que tem em assimila-la.<br />Uma estratégia facilitadora da comunicação é permitir, incluir o doente /família na tomada de decisões.<br />
  7. 7. FAMÍLIA <br />EM CONTEXTO DE CUIDADOS PALIATIVOS<br /> Os recursos extra familiares que se oferecem devem ser previamente identificados como existentes para evitar criar falsas expectativas, podendo a família sentir-se enganada se não tiver direito ou acesso a eles.<br />
  8. 8. FAMÍLIA <br />EM CONTEXTO DE CUIDADOS PALIATIVOS<br />Os profissionais são sensíveis às situações porque identificam-nas como algo que lhes poderia suceder também<br />
  9. 9. FAMÍLIA <br />EM CONTEXTO DE CUIDADOS PALIATIVOS<br />Quanto mais intensa for a crise vivida e exposta por uma família, mais obrigação terá a equipa a dar resposta para o alivio do sofrimento. Conseguir quanto antes uma orientação diagnóstica que permita realizar um plano terapêutico de acordo com as possibilidades pessoais de cada membro.<br />
  10. 10. FAMÍLIA <br />EM CONTEXTO DE CUIDADOS PALIATIVOS<br />Para chegar a um diagnóstico da crise familiar é necessário:<br /><ul><li>Genograma e sociograma
  11. 11. Identificar as expectativas familiares depositadas no doente
  12. 12. Mudanças ocorridas na organização familiar
  13. 13. Dificuldades familiares explícitas ou manifestadas pela própria família
  14. 14. Informação que dispõe cada membro familiar
  15. 15. Experiências anteriores
  16. 16. Lutos vividos
  17. 17. Relação da família com a equipa
  18. 18. Detecção de situação de risco</li></li></ul><li>FAMÍLIA <br />EM CONTEXTO DE CUIDADOS PALIATIVOS<br />O sofrimento familiar pode gerar discórdia ao ponto do desequilíbrio e desordem:<br /><ul><li>Cuidador principal não oferece possibilidades de outros membros participarem
  19. 19. Cuidador principal instalado no seu papel, não permite que outros membros intervenham quer por razões de orgulho, ou porque se sente o único capaz para cuidar
  20. 20. A idade das pessoas doentes, os novos estilos de trabalho, novos relacionamentos, etc.</li></li></ul><li>FAMÍLIA <br />EM CONTEXTO DE CUIDADOS PALIATIVOS<br />Realizar reuniões com o máximo de familiares implicados traz vantagens:<br /><ul><li>Ajuda a criar um clima de partilha e compreensão dos outros
  21. 21. Reconhecimento pessoal de cada um dentro do grupo, mostrando -se o mesmo respeito e valor . Evitando o medo que poderão sentir em ter que seguir um mesmo pensamento ou conduta
  22. 22. Facilita o dialogo entre eles
  23. 23. Favorece a diminuição de dependência da equipa de cuidados
  24. 24. Respeito pela sua intimidade, não exigindo respostas imediatas perante uma necessidade de tomar decisões</li></li></ul><li>FAMÍLIA <br />EM CONTEXTO DE CUIDADOS PALIATIVOS<br />Componentes fundamentais:<br /><ul><li>Respeitar todos os elementos, incentivar as famílias a tomar as suas decisões em lugar de adoptar as que a equipa poderá considerar as melhores, evitar aconselhar
  25. 25. Empatia como habilidade de perceber sentimentos e demonstrar
  26. 26. Sinceridade, tolerar a nossa própria ignorância
  27. 27. Capacidade de dialogo e capacidade de escuta e identificação do contexto</li></li></ul><li>FAMÍLIA <br />EM CONTEXTO DE CUIDADOS PALIATIVOS<br /><ul><li>Convidar os familiares a participar nos cuidados directos
  28. 28. Expor os benefícios resultantes da sua participação
  29. 29. Dar a entender que o momento em que se prestam cuidados são íntimos e por sua vez permite conversas de onde os sentimentos podem aflorar de uma forma espontânea
  30. 30. Ensinar determinados aspectos técnicos que lhes dará maior conhecimento do que fazemos e poderá diminuir o seu cansaço
  31. 31. Reconhecer seus progressos e capacidades ao mesmo tempo que se diminui a importância das suas dificuldades</li></li></ul><li>FAMÍLIA <br />EM CONTEXTO DE CUIDADOS PALIATIVOS<br />5 ETAPAS DO PROCESSO DE ADAPTAÇÃO AO LUTO<br />Kübler-Ross originalmente aplicou estas etapas para qualquer forma de perda pessoal catastrófica, desde a morte de um ente querido e até o divórcio.Também alega que estas etapas nem sempre ocorrem em ordem, nem são todas experimentadas por todos os doentes, mas afirmou que uma pessoa sempre apresentará pelo menos duas.<br />Elisabeth Kubler-Ross<br />A família experimenta as etapas de adaptação similares ás dos próprios doentes <br />
  32. 32. FAMÍLIA <br />EM CONTEXTO DE CUIDADOS PALIATIVOS<br />Negação e Isolamento<br /> &quot;Isso não pode estar acontecer.&quot; <br />Cólera<br />&quot;Por que eu? Não é justo.&quot; <br />Negociação<br /> “Só quero viver apenas até meus filhos crescerem.&quot; <br />Depressão<br />“Estou tão triste”<br />Aceitação<br /> &quot;Tudo vai acabar bem.&quot;<br />
  33. 33. FAMÍLIA <br />EM CONTEXTO DE CUIDADOS PALIATIVOS<br />Existe alívio dos familiares quando há expressão dos sentimentos , facilitando a jornada para a morte.<br />É importante o relacionamento emocional entre a família porque o grau de relação emocional e a qualidade de comunicação influenciam o impacto e o efeito do sofrimento, ou seja se os membros da família compartilharem as emoções enfrentarão aos poucos a realidade da separação iminente.<br />
  34. 34. FAMÍLIA <br />EM CONTEXTO DE CUIDADOS PALIATIVOS<br />TODAS AS FAMÍLIAS FELIZES SE ASSEMELHAM, MAS CADA FAMÍLIA INFELIZ É INFELIZ A SEU MODO. <br />(LeonTolstoi)<br />

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