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AULA 3 – O TRABALHO ESCRAVO NO SÉCULO XXI
Embora a abolição da escravatura tenha acontecido no Brasil em 1888, ou seja, no século XIX,
hoje, em pleno século XXI, podemos falar que ainda existe trabalho escravo em nosso país. Porém,
a escravidão contemporânea tem algumas características diferentes da escravidão anterior. Nesta
aula, vamos refletir juntos sobre o que é e como acontece o trabalho escravo no século XXI.
Atualmente, considera-se trabalho escravo a forma degradante de trabalho na qual o trabalhador
não tem a garantia de sua liberdade. Na zona rural, na qual se encontra a maior incidência de
trabalho escravo, os trabalhadores aliciados, ou seja, seduzidos pela falsa promessa de um bom
emprego, são vítimas de fazendeiros que buscam baixos custos e lucros fáceis por meio da
exploração da mão de obra escrava, se aproveitando da situação de vulnerabilidade dos mais
pobres. O Brasil é referência mundial no combate contra o trabalho forçado e busca erradicar essa
forma de trabalho.
Como dissemos, o trabalho escravo é uma forma degradante de trabalho na qual o trabalhador
não tem garantida sua liberdade sendo, na maioria das vezes, escravizado pela servidão por dívida
ilegalmente atribuída ao trabalhador, pelo isolamento geográfico que impede a fuga e pela constante
ameaça a sua vida. Mas como o trabalho escravo acontece atualmente?
Os “gatos”, que são contratadores de mão de obra a serviço dos fazendeiros, aliciam os
trabalhadores oferecendo uma oportunidade de serviço em fazendas, prometendo salário,
alojamento e comida. Para convencer o trabalhador, oferecem o transporte até a fazenda e um
“adiantamento” para a família. Os trabalhadores em busca de uma oportunidade de emprego e para
garantir a sua sobrevivência e de sua família aceitam a proposta. Porém, quando chegam ao serviço
o gato lhes informa que eles têm uma dívida, anotada em um caderno. Neste caderno são anotadas
as dívidas com o adiantamento, o transporte e as despesas de alimentação até a fazenda. Também
são anotadas as dívidas com os instrumentos que o trabalhador precisa para o trabalho, as
despesas com moradia e alimentação. Assim, o trabalhador não pode se desligar devido à divida
ilegalmente atribuída a ele e, caso tente fugir, é ameaçado podendo perder sua própria vida. Dessa
forma, as dividas e as ameaças físicas tornam- se correntes e tiram a liberdade do trabalhador
escravizado.
Como estes trabalhadores são libertos desta situação? Os chamados Grupos móveis de
fiscalização, formados por auditores fiscais do trabalho, procuradores do trabalho e policiais, atuam
fiscalizando as propriedades e apurando denúncias de trabalho escravo e, uma vez confirmada a
situação de trabalho escravo, libertam os trabalhadores. Na maioria das vezes, os trabalhadores
escravizados são encontrados vivendo em situações degradantes, morando em precários barracos
de plástico, bebendo água envenenada ou doente e sem assistência médica.
Na zona rural, a pecuária é uma das principais atividades que utilizam trabalho escravo para
tarefas como derrubada de mata para pastagem e retirada de plantas indesejáveis com uso de
venenos. Este trabalho é feito sem equipamentos de segurança o que leva o trabalhador a ser vítima
de graves acidentes de trabalho, como mutilação, feridas na pele ou intoxicação. Também há casos
de trabalho escravo nas cidades, principalmente, nas oficinas de costura e canteiro de obras. O
Tocantins e a região Nordeste, principalmente os estados do Maranhão e do Piauí, são grandes
fornecedores de mão de obra escrava e o Pará é o principal utilizador destes trabalhadores
escravizados. As principais vítimas do trabalho escravo são os homens na faixa etária dos 18 aos 40
anos. Na zona urbana, há um grande número de sul americanos, principalmente bolivianos, em
situação de trabalho escravo, sobretudo nas oficinas de costura.
ATIVIDADE
Vamos refletir sobre esta forma precária de trabalho que é o trabalho escravo no século XXI?
1. Leia o seguinte relato:
A pele de Manuel se transformou em couro, curtida anos a fio pelo sol da Amazônia e pelo suor de
seu rosto. No Sudeste do Pará, onde boi vale mais que gente, talvez isso lhe fosse útil. Mas acabou
servente dos próprios bois, com a tarefa de limpar o pasto. “Fizeram açude para o gado beber e
nós bebíamos e usávamos também.” Trabalhava de domingo a domingo, mas nada de
pagamento, só feijão, arroz e a lona para cobrir-se de noite. Um outro tipo de cerca, com farpas que
iam mais fundo, o impedia de desistir: “O fiscal de serviço andava armado. Se o pessoal
quisesse ir embora sem terminar a tarefa, eles ameaçavam, e aí o sujeito voltava.” OIT.
TRABALHO ESCRAVO NO BRASIL XXI. Coord. do estudo, Leonardo Sakamoto. Brasília: Organização Internacional do
Trabalho, 2007 . Pág.17
Quais características do trabalho escravo podemos destacar neste relato?
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________
2. A escravidão foi banida no Brasil em 1888 e, ainda hoje, surgem denúncias de que o
trabalho escravo persiste em algumas regiões do país. (...) A maioria desta mão de obra,
fugindo da seca e da falta de trabalho em suas comunidades de origem, se aventura, ou
melhor, sem nenhuma outra opção, acaba migrando em busca da sobrevivência para várias
regiões brasileiras, alguns até para o exterior. Fonte: ROMANO, S. Trabalho escravo no Brasil ainda é uma
realidade.
Segundo o texto, mais de 129 anos após a Lei Áurea, de 1888, a escravidão no Brasil:
(A ) acabou definitivamente e todo trabalho é assalariado.
(B ) persistiu, legalmente, apenas no meio rural.
(C ) existe ainda no Brasil e deriva de problemas sociais.
(D ) pode ser utilizada se a empresa e o trabalhador quiserem.

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Aula 3 O trabalho escravo no seculo xxi - 2º Sociologia - Prof. Noe Assunção

  • 1. AULA 3 – O TRABALHO ESCRAVO NO SÉCULO XXI Embora a abolição da escravatura tenha acontecido no Brasil em 1888, ou seja, no século XIX, hoje, em pleno século XXI, podemos falar que ainda existe trabalho escravo em nosso país. Porém, a escravidão contemporânea tem algumas características diferentes da escravidão anterior. Nesta aula, vamos refletir juntos sobre o que é e como acontece o trabalho escravo no século XXI. Atualmente, considera-se trabalho escravo a forma degradante de trabalho na qual o trabalhador não tem a garantia de sua liberdade. Na zona rural, na qual se encontra a maior incidência de trabalho escravo, os trabalhadores aliciados, ou seja, seduzidos pela falsa promessa de um bom emprego, são vítimas de fazendeiros que buscam baixos custos e lucros fáceis por meio da exploração da mão de obra escrava, se aproveitando da situação de vulnerabilidade dos mais pobres. O Brasil é referência mundial no combate contra o trabalho forçado e busca erradicar essa forma de trabalho. Como dissemos, o trabalho escravo é uma forma degradante de trabalho na qual o trabalhador não tem garantida sua liberdade sendo, na maioria das vezes, escravizado pela servidão por dívida ilegalmente atribuída ao trabalhador, pelo isolamento geográfico que impede a fuga e pela constante ameaça a sua vida. Mas como o trabalho escravo acontece atualmente? Os “gatos”, que são contratadores de mão de obra a serviço dos fazendeiros, aliciam os trabalhadores oferecendo uma oportunidade de serviço em fazendas, prometendo salário, alojamento e comida. Para convencer o trabalhador, oferecem o transporte até a fazenda e um “adiantamento” para a família. Os trabalhadores em busca de uma oportunidade de emprego e para garantir a sua sobrevivência e de sua família aceitam a proposta. Porém, quando chegam ao serviço o gato lhes informa que eles têm uma dívida, anotada em um caderno. Neste caderno são anotadas as dívidas com o adiantamento, o transporte e as despesas de alimentação até a fazenda. Também são anotadas as dívidas com os instrumentos que o trabalhador precisa para o trabalho, as despesas com moradia e alimentação. Assim, o trabalhador não pode se desligar devido à divida ilegalmente atribuída a ele e, caso tente fugir, é ameaçado podendo perder sua própria vida. Dessa forma, as dividas e as ameaças físicas tornam- se correntes e tiram a liberdade do trabalhador escravizado. Como estes trabalhadores são libertos desta situação? Os chamados Grupos móveis de fiscalização, formados por auditores fiscais do trabalho, procuradores do trabalho e policiais, atuam fiscalizando as propriedades e apurando denúncias de trabalho escravo e, uma vez confirmada a situação de trabalho escravo, libertam os trabalhadores. Na maioria das vezes, os trabalhadores escravizados são encontrados vivendo em situações degradantes, morando em precários barracos de plástico, bebendo água envenenada ou doente e sem assistência médica. Na zona rural, a pecuária é uma das principais atividades que utilizam trabalho escravo para tarefas como derrubada de mata para pastagem e retirada de plantas indesejáveis com uso de venenos. Este trabalho é feito sem equipamentos de segurança o que leva o trabalhador a ser vítima de graves acidentes de trabalho, como mutilação, feridas na pele ou intoxicação. Também há casos de trabalho escravo nas cidades, principalmente, nas oficinas de costura e canteiro de obras. O Tocantins e a região Nordeste, principalmente os estados do Maranhão e do Piauí, são grandes fornecedores de mão de obra escrava e o Pará é o principal utilizador destes trabalhadores escravizados. As principais vítimas do trabalho escravo são os homens na faixa etária dos 18 aos 40 anos. Na zona urbana, há um grande número de sul americanos, principalmente bolivianos, em situação de trabalho escravo, sobretudo nas oficinas de costura.
  • 2. ATIVIDADE Vamos refletir sobre esta forma precária de trabalho que é o trabalho escravo no século XXI? 1. Leia o seguinte relato: A pele de Manuel se transformou em couro, curtida anos a fio pelo sol da Amazônia e pelo suor de seu rosto. No Sudeste do Pará, onde boi vale mais que gente, talvez isso lhe fosse útil. Mas acabou servente dos próprios bois, com a tarefa de limpar o pasto. “Fizeram açude para o gado beber e nós bebíamos e usávamos também.” Trabalhava de domingo a domingo, mas nada de pagamento, só feijão, arroz e a lona para cobrir-se de noite. Um outro tipo de cerca, com farpas que iam mais fundo, o impedia de desistir: “O fiscal de serviço andava armado. Se o pessoal quisesse ir embora sem terminar a tarefa, eles ameaçavam, e aí o sujeito voltava.” OIT. TRABALHO ESCRAVO NO BRASIL XXI. Coord. do estudo, Leonardo Sakamoto. Brasília: Organização Internacional do Trabalho, 2007 . Pág.17 Quais características do trabalho escravo podemos destacar neste relato? ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________ 2. A escravidão foi banida no Brasil em 1888 e, ainda hoje, surgem denúncias de que o trabalho escravo persiste em algumas regiões do país. (...) A maioria desta mão de obra, fugindo da seca e da falta de trabalho em suas comunidades de origem, se aventura, ou melhor, sem nenhuma outra opção, acaba migrando em busca da sobrevivência para várias regiões brasileiras, alguns até para o exterior. Fonte: ROMANO, S. Trabalho escravo no Brasil ainda é uma realidade. Segundo o texto, mais de 129 anos após a Lei Áurea, de 1888, a escravidão no Brasil: (A ) acabou definitivamente e todo trabalho é assalariado. (B ) persistiu, legalmente, apenas no meio rural. (C ) existe ainda no Brasil e deriva de problemas sociais. (D ) pode ser utilizada se a empresa e o trabalhador quiserem.