58805337 enfermagem-2010-5-1

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58805337 enfermagem-2010-5-1

  1. 1. Educação sem fronteira enfermagem Autores Caroline Neris Ferreira Sarat Délia Esmeyre Paredes Denize Cristina de Souza Ramos Eliny Aparecida Vargas Machado Salazar Mirella Ferreira da Cunha Santos Priscila Maria Marcheti Fiorin 5 www.interativa.uniderp.br www.unianhanguera.edu.br universidade anhanguera-uniderp Anhanguera Publicações centro de educação a distância Valinhos/SP, 2010zeroUniderp91.indd 1 11/18/09 6:32:51 PM
  2. 2. © 2010 Anhanguera Publicações Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de Ficha Catalográfica realizada pela Bibliotecária impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua Alessandra Karyne C. de Souza Neves – CRB 8/6640 portuguesa ou qualquer outro idioma. Impresso no Brasil 2009 E46 Enfermagem / Caroline Neris Ferreira Sarat …[et al.]. - Valinhos : Anhanguera Publicações, 2010. p. 354 - (Educação sem fronteira ; 5). ISBN: 978-85-62280-93-1 1. Enfermagem – Saúde do idoso. 2. Saúde do idoso – Mental. 3. Enfermagem – Idoso – Doenças crônica. 4. Enfermagem – Idoso – Doenças degenerativas. 5. Enfermagem – Saúde da mulher. I. Sarat, Caroline Neris Ferreira. II. Título. III. Série. CDD: 610.73 ANHANGUERA EDUCACIONAL S.A. CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DE CAMPO GRANDE/MS Presidente Prof. Antonio Carbonari Netto Diretor Administrativo Adm. Marcos Lima Verde Guimarães Júnior ANHANGUERA PUBLICAÇÕES CAMPUS I Gerente Acadêmico Chanceler Prof. Adauto Damásio Profa. Dra. Ana Maria Costa de Souza Reitor Gerente Administrativo Prof. Dr. Guilherme Marback Neto Prof. Cássio Alvarenga Netto Vice-Reitor Profa. Heloísa Helena Gianotti Pereira Pró-Reitores Pró-Reitor Administrativo: Adm. Marcos Lima Verde Guimarães Júnior Pró-Reitora de Graduação: Profa. Heloísa Helena Gianotti Pereira Pró-Reitor de Extensão, Cultura e Desporto: Prof. Ivo Arcângelo Vendrúsculo Busato ANHANGUERA EDUCACIONAL S.A. UNIDERP INTERATIVA Diretor Prof. Ednilson Aparecido Guioti Coodernação Prof. Wilson Buzinaro COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Profa. Terezinha Pereira Braz / Profa. Aparecida Lucinei Lopes Taveira Rizzo / Profa. Maria Massae Sakate / Profa. Adriana Amaral Flores Salles / Profa. Lúcia Helena Paula Canto (revisora) PROJETO DOS CURSOS Administração: Prof. Wilson Correa da Silva / Profa. Mônica Ferreira Satolani Ciências Contábeis: Prof. Ruberlei Bulgarelli Enfermagem: Profa. Cátia Cristina Valadão Martins / Profa. Roberta Machado Pereira Letras: Profa. Márcia Cristina Rocha Figliolini Pedagogia: Profa. Vivina Dias Sol Queiroz Serviço Social: Profa. Maria de Fátima Bregolato Rubira de Assis / Profa. Ana Lucia Américo Antonio Tecnologia em Gestão e Marketing de Pequenas e Médias Empresas: Profa. Fabiana Annibal Faria de Oliveira Biazetto Tecnologia em Gestão e Serviço de Saúde: Profa. Irma Marcario Tecnologia em Logística: Prof. Jefferson Levy Espindola Dias Tecnologia em Marketing: Prof. Jefferson Levy Espindola Dias Tecnologia em Recursos Humanos: Prof. Jefferson Levy Espindola DiaszeroUniderp91.indd 2 11/18/09 6:32:51 PM
  3. 3. AULA 1 — A Base do Pensamento Econômico Nossa Missão, Nossos Valores _______________________________ A Anhanguera Educacional completa 16 anos em 2010. Desde sua fundação, buscou a ino- vação e o aprimoramento acadêmico em todas as suas ações e programas. É uma Instituição de Ensino Superior comprometida com a qualidade dos cursos que oferece e que privilegia a preparação dos alunos para a realização de seus projetos de vida e sucesso no mercado de trabalho. A missão da Anhanguera Educacional é traduzida na capacitação dos alunos e estará sempre preocupada com o ensino superior voltado às necessidades do mercado de trabalho, à adminis- tração de recursos e ao atendimento aos alunos. Para manter esse compromisso com a melhor relação qualidade/custo, adotaram-se inovadores e modernos sistemas de gestão nas instituições de ensino. As unidades de Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul preservam a missão e difundem os valo- res da Anhanguera. Atuando também no Ensino a Distância, a Anhanguera Educacional orgulha-se de poder es- tar presente, por meio do exemplar trabalho educacional da Uniderp Interativa, nos seus pólos espalhados por todo o Brasil. Boa aprendizagem e bons estudos! Prof. Antonio Carbonari Netto Presidente Anhanguera EducacionalzeroUniderp91.indd 3 11/18/09 6:32:52 PM
  4. 4. zeroUniderp91.indd 4 11/18/09 6:32:52 PM
  5. 5. Apresentação ____________________ A Universidade Anhanguera/UNIDERP, ao longo de sua existência, prima pela excelência no desenvolvimento de seu sólido projeto institucional, concebido a partir de princípios modernos, arrojados, pluralistas, democráticos. Consolidada sobre patamares de qualidade, a Universidade conquistou credibilidade de par- ceiros e congêneres no país e no exterior. Em 2007, sua entidade mantenedora (CESUP) passou para o comando do Grupo Anhanguera Educacional, reconhecido pelo compromisso com a qualidade do ensino, pela forma moderna de gestão acadêmico-administrativa e pelos propósi- tos responsáveis em promover, cada vez mais, a inclusão e a ascensão social. Reconhecida pela ousadia de estar sempre na vanguarda, a Universidade impôs a si mais um desafio: o de implantar o sistema de ensino a distância. Com o propósito de levar oportunidades de acesso ao ensino superior a comunidades distantes, implantou o Centro de Educação a Dis- tância. Trata-se de uma proposta inovadora e bem-sucedida, que, em pouco tempo, saiu das frontei- ras do Estado do Mato Grosso do Sul e se expandiu para outras regiões do país, possibilitando o acesso ao ensino superior de uma enorme demanda populacional excluída. O Centro de Educação a Distância atua por meio de duas unidades operacionais: a Uniderp Interativa e a Faculdade Interativa Anhanguera(FIAN). Com os modelos alternativos ofereci- dos e respectivos pólos de apoio presencial de cada uma das unidades operacionais, localizados em diversas regiões do país e exterior, oferece cursos de graduação, pós-graduação e educação continuada, possibilitando, dessa forma, o atendimento de jovens e adultos com metodologias dinâmicas e inovadoras. Com muita determinação, o Grupo Anhanguera tem dado continuidade ao crescimento da Instituição e realizado inúmeras benfeitorias na estrutura organizacional e acadêmica, com re- flexos positivos nas práticas pedagógicas. Um exemplo é a implantação do Programa do Livro- Texto – PLT, que atende às necessidades didático-pedagógicas dos cursos de graduação, viabiliza a compra, pelos alunos, de livros a preços bem mais acessíveis do que os praticados no mercado e estimula-os a formar a própria biblioteca, promovendo, assim, a melhoria na qualidade de sua aprendizagem. É nesse ambiente de efervescente produção intelectual, de construção artístico-cultural, de formação de cidadãos competentes e críticos, que você, acadêmico(a), realizará os seus estudos, preparando-se para o exercício da profissão escolhida e uma vida mais plena na sociedade. Prof. Guilherme Marback NetozeroUniderp91.indd 5 11/18/09 6:32:53 PM
  6. 6. zeroUniderp91.indd 6 11/18/09 6:32:53 PM
  7. 7. Autores ____________________ CAROLINE NERIS FERREIRA SARAT Graduação: Enfermagem – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul –UFMS/2001 Especialização: Enfermagem Intensivista – Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ/2004 Especialização: Didática e Metodologia do Ensino Superior – Anhanguera Educacional – Campo Grande, MS/2008 DÉLIA ESMEYRE PAREDES  Graduação: Enfermagem – Faculdad de Enfermeria Nuestra Señora de la Asunción – Asunção – Paraquay/1984 Especialização: Obstetricia Facultad Andrés Barbero – Asunção – Paraquay – 1985 Prova de Titulo de Enfermeira Obstetra – Salvador – Bahia 2002 Especialização: Formação Pedagógica em Educação Profissional – Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ/2003 DENIZE CRISTINA DE SOUZA RAMOS Graduação: Enfermagem –Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS, Campo Grande, MS/2000 Especialização: Saúde da Família – Fundação Universidade Federal de Rondônia – UNIR, Porto Velho, RO/2002 ELINY APARECIDA VARGAS MACHADO SALAZAR Graduação: Enfermagem – Universidade Católica Dom Bosco/2007 Especialização: Enfermagem com Ênfase em Pediatria – Instituto de Ensino Superior  Pequeno  Príncipe – IESPP/(em andamento) Especialização: Docência no Ensino Superior – Escola Aberta do Brasil – ESAB/(em andamento) Mestrado: Saúde e Desenvolvimento do Centro Oeste – Universidade Federal do Mato Grosso do Sul – UFMS/(em andamento) MIRELLA FERREIRA DA CUNHA SANTOS Graduação: Ciências Biológicas – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS/2003 Especialização: Biologia Molecular – Universidade Católica Dom Bosco – UCDB/2004 Mestrado: Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional – Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal – UNIDERP/2007 Doutorado: Doenças Infecciosas e Parasitárias – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS/(em andamento) PRISCILA MARIA MARCHETI FIORIN Graduação: Enfermagem – Faculdade de Enfermagem e Obstetrícia de Adamantina – FEO/1996 Especialização: Saúde Pública e Ações Comunitárias – Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal – UNIDERP/2004 Especialização: Formação Pedagógica em Educação Profissional – Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ/2005 Especialização: Saúde Mental – Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ/2006zeroUniderp91.indd 7 11/18/09 6:32:53 PM
  8. 8. zeroUniderp91.indd 8 11/18/09 6:32:54 PM
  9. 9. Sumário ____________________ MÓDULO: SAÚDE DO IDOSO UNIDADE DIDÁTICA: SAÚDE MENTAL AULA 1 Saúde mental e a evolução da psiquiatria............................................................................ 3 AULA 2 Saúde mental e desenvolvimento da personalidade............................................................ 12 AULA 3 Processo de assistência de enfermagem psiquiátrica........................................................... 19 AULA 4 Transtornos mentais em idosos e a assistência de enfermagem......................................... . 32 AULA 5 Sistematização da assistência de enfermagem aos pacientes com esquizofrenia, transtornos esquizofrênicos e delirantes.............................................................................. 49 AULA 6 Sistematização da assistência de enfermagem aos pacientes com transtornos afetivos e transtornos neuróticos relacionados ao stress e somatomomorfos................... 61 AULA 7 Cuidados de enfermagem aos pacientes com transtornos alimentares e do sono; suicídios e emergências psiquiátricas......................................................................... 74 MÓDULO: SAÚDE DO IDOSO UNIDADE DIDÁTICA: ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM À SAÚDE DO IDOSO AULA 1 Aspectos sociodemográficos e epidemiológicos do envelhecimento.................................. 93 AULA 2 O processo de envelhecimento............................................................................................. 99 AULA 3 O programa de saúde do idoso............................................................................................. 108 AULA 4 Medicação no paciente idoso................................................................................................ 113 AULA 5 Aplicação da sistematização da assistência de enfermagem ao paciente idoso.................. 116zeroUniderp91.indd 9 11/18/09 6:32:54 PM
  10. 10. MÓDULO: SAÚDE DO IDOSO UNIDADE DIDÁTICA: ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM ÀS AFECÇÕES CRÔNICO-DEGENERATIVAS AULA 1 Doenças crônicas degenerativas: esclerose múltipla, miastenia grave, Alzheimer e Parkinson........................................................................................................ 123 AULA 2 Doenças crônicas degenerativas: osteoporose e tumores de próstata.............................. 134 AULA 3 Aplicação da sistematização da assistência de enfermagem ao paciente com doença crônica degenerativa.............................................................................................. 145 . MÓDULO: Saúde da Mulher e do Neonato UNIDADE DIDÁTICA: ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA CONCEPÇÃO E GESTAÇÃO AULA 1 Estrutura e função gênica e o genoma............................................................................... 153 AULA 2 Padrões de herança gênica na espécie humana. ................................................................ . 168 AULA 3 Aspectos gênicos e cromossômicos da variação genética.................................................. 176 AULA 4 Doenças genéticas................................................................................................................ 181 AULA 5 Biotecnologia e suas implicações na medicina humana................................................... 191 AULA 6 Gametogênese, fecundação, implantação e primeiras semanas do desenvolvimento................................................................................................................. . 197 AULA 7 Períodos embrionário e fetal.............................................................................................. 207 MÓDULO: Saúde da Mulher e do Neonato UNIDADE DIDÁTICA: ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM DURANTE O PARTO E PUERPÉRIO AULA 1 A contextualização histórica da mulher e do pré-natal..................................................... 217 AULA 2 A gestação e o pré-natal...................................................................................................... 229 . AULA 3 O parto................................................................................................................................. 250zeroUniderp91.indd 10 11/18/09 6:32:55 PM
  11. 11. AULA 4 O recém-nascido................................................................................................................... 266 AULA 5 Patologias da lactação........................................................................................................... 276 AULA 6 O ciclo gravídico-puerperal.................................................................................................. 281 AULA 7 Aplicação da sistematização da assistência de enfermagem à mulher e ao recém-nascido....................................................................................................................... 291 MÓDULO: SAÚDE DA MULHER E DO NEONATO UNIDADE DIDÁTICA: ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DA MULHER AULA 1 Conhecendo as principais queixas ginecológicas................................................................ 303 AULA 2 Falando sobre o câncer de colo uterino e câncer de mama. ............................................... . 313 AULA 3 Climatério e suas manifestações........................................................................................... 323 AULA 4 Tipos de violência contra a mulher...................................................................................... 327 AULA 5 Planejamento familiar: você precisa conhecer.................................................................... 332 AULA 6 Aplicação da sistematização da assistência de enfermagem à saúde da mulher............... 337zeroUniderp91.indd 11 11/18/09 6:32:55 PM
  12. 12. Módulo I SAÚDE DO IDOSO Unidade Didática – Saúde MentalBook 1.indb 1 6/1/2010 09:18:12
  13. 13. Book 1.indb 2 6/1/2010 09:18:12
  14. 14. AULA 1 SAÚDE MENTAL E A EVOLUÇÃO DA PSIQUIATRIA Unidade Didática – Saúde Mental I Conteúdo • Evolução da Psiquiatria no Brasil e no Mundo • Reformas Psiquiátricas no Brasil • Setores de atendimento em Saúde Mental (hospitalar e ambulatorial) • Doente mental como ser único I Competências e habilidades • Compreender a evolução histórica da saúde mental no Brasil e no mundo e os serviços vol- tados para o tratamento e a inclusão do paciente na sociedade I Material para autoestudo Verificar no Portal os textos e as atividades disponíveis na galeria da unidade I Duração 2 h-a – via satélite com professor interativo 2 h-a – presenciais com professor local 4 h-a – mínimo sugerido para autoestudo INÍCIO DE CONVERSA EVOLUÇÃO HISTÓRICA DAS REFORMAS Olá! Chegou a grande hora de aprendermos so- PSIQUIÁTRICAS NO MUNDO bre os transtornos psiquiátricos e a saúde mental. A doença mental faz parte do contexto histórico É um tema muito instigante que está tão longe da humanidade, pois, desde os primórdios, sempre e ao mesmo tempo tão presente em nossas vidas. houve aquele que não se enquadrava nas normas Espero que a cada capítulo vocês fiquem curiosos e sociais vigentes em cada cultura, sendo determina- com vontade de querer saber mais. do como indivíduo com poderes sobrenaturais, te- Vamos começar pelo início de tudo, contando um midos e evitado por toda a sociedade. pouco da trajetória histórica da reforma psiquiá- O pensamento grego do século V a.C. elaborou trica no mundo e no Brasil. Vamos falar também o primeiro conceito de causas naturais do mundo, sobre os serviços existentes para o atendimento de incluindo a loucura. Essa época teve como destaque pacientes portadores de tais transtornos. Hipócrates, o qual procurou a relação entre distúr- 3Book 1.indb 3 6/1/2010 09:18:12
  15. 15. Unidade Didática – Saúde Mental bio do cérebro e transtornos mentais, descartando o alucinação, por Alberto, o Grande, e São Tomás de conceito de deuses ou demônios. Descreveu quatro Aquino (NUNES, 2001). humores corporais: sangue, bílis amarela, bílis ne- Os historiadores da medicina árabe demonstra- gra e fleuma, para explicar a base neuro-humoral ram que havia uma assistência psiquiátrica anterior para o temperamento e a loucura, classificando as à cristã, no ano de 1160, relatando a existência de pessoas de acordo com o quadro de temperamen- um manicômio chamado Dar al-Macoristan, em to: sanguíneo (sangue), colérico (bílis amarela), Bagdá (ESPINOSA, 2001). melancólico (bílis negra) e fleumático (fleuma), e As medicinas greco-latina e árabe relacionaram que esses humores dependiam de quatro qualidades alguns sintomas como mania, epilepsia e delírio básicas da natureza: calor, frio, umidade e aridez. como sendo naturais, coisas do espírito e ou feitiça- A doutrina dos fluidos vitais foi rejeitada por As- rias (ASSUNÇÃO; SARTORI, 2004). clepíades, em Roma, descrevendo frenite como fe- Durante os séculos XV e XVI tiveram que romper bre acompanhada por excitação mental, e mania diversas barreiras e aceitar a ideia de que as feiticei- como excitação sem febre. As funções do sistema ras e as pessoas possuídas poderiam estar sofrendo nervoso foram estudadas por Galeano (130-200 uma doença de ordem natural (FOUCAULT, 1993). a.C.), considerando os transtornos mentais distúr- A medicina mental conquistou seus direitos so- bios cerebrais, antecipando Kraepelin, ao classificar mente no final dos séculos XVI e XVII, visto que os as doenças a partir do prognóstico. problemas de preconceito e incompreensão conti- A Idade Média ficou marcada pelo pensamento nuaram. O século XVII ficou conhecido como o pe- fantástico e sobrenatural e pelo desenvolvimento ríodo de transição, em que a psiquiatria atuou nos das escolas médicas voltadas ao estudo das doenças, círculos científicos e culturais da época, e a medici- quando foram descritos sintomas psicóticos como a na voltou-se para o doente mental. A dominância de critérios racionais e científicos ficou conhecida no século XVIII, por Phillipe Pinel e Vincenzo Chiarugi, que se destacaram pela revolução na teoria e na prática de tratamento dos enfermos mentais ao abrir os porões em Bicêtre, França, retirando-os das correntes, oferecendo-lhes ventilação e iluminação, cuidados e respeito humano. Fonte: Ministério da Saúde, 2003. No Brasil, os doentes mentais não tinham nenhu- ma rígida da classificação das entidades e dando ma assistência no período de 1500 a 1822 (período lugar a uma interpretação dinâmica da atividade colonial). Em 1852, iniciou-se a prática psiquiátrica psíquica na formação do quadro clínico para a com- sistematizada com a fundação do hospício Pedro II preensão da mente humana. no Rio de Janeiro e em diversos outros lugares como Emil Kraepelin conseguiu ordenar as descri- Bahia, São Paulo e outros estados. ções dos quadros mentais, como mania de per- No final do século XIX, dois nomes se destaca- seguição (paranoia), psicoses periódicas (surtos ram na psiquiatria mundial: Emil Kraepelin (1856- psicóticos) e demência precoce, contribuindo de 1926) e Sigmund Freud (1856-1939). forma eficaz para a explicação das manifestações Sigmund Freud descobriu estruturas do incons- e servindo de base para exames psicopatológicos ciente e seu papel patogênico, fazendo sumir a for- até hoje. 4Book 1.indb 4 6/1/2010 09:18:12
  16. 16. AULA 1 — Saúde Mental e a Evolução da Psiquiatria Na metade do século XX, os tratamentos biológicos surgiram como uma grande evolução na psiquiatria clínica: • Malarioterapia: retirava-se sangue de um paciente portador de malária e o introduzia em um paciente com transtorno mental, a fim de se obterem picos febris e diminuir o estado de agitação. • Lobotomia: fazia-se uma abertura na caixa craniana, removendo parte do conteúdo cerebral, mais conhecido como lobo. • Insulinoterapia: pessoas doentes recebiam doses de insulina até entrarem em coma hipoglicêmico. • Balneoterapia: colocava-se a pessoa descontrolada imersa em uma banheira de água em elevada temperatura, segura por duas a três pessoas até acalmar-se. • Eletroconvulsoterapia: realizada por meio de um aparelho elétrico, de corrente alternada e regulável, com dois eletrodos que, colocados sobre as regiões temporais direita e esquerda, fechavam um circuito elétrico, passando a corrente pelo cérebro da pessoa e provocando uma convulsão semelhante a uma crise epilética. • Psicofármacos: ajudavam no controle das manifestações sintomáticas e na qualidade de vida das pessoas portadoras de insanidade mental e de seus familiares, contribuindo para a pesquisa em saúde mental. Fonte: Ministério da Saúde, 2003. Vamos conhecer um pouco da trajetória da re- psicológicos e medicamentosos que visam à qualidade forma psiquiátrica brasileira, seguindo o modelo de vida dos doentes mentais e de seus familiares. mundial de saúde. A trajetória das políticas de saúde pública e men- A psiquiatria brasileira é voltada para ajudar o do- tal no Brasil teve momentos marcantes no modelo ente, buscando a revalorização do diagnóstico com de assistência à saúde vigente no país. Em alguns maior precisão e usando classificações internacionais momentos seguiram juntas, outrora uma avançan- e exames laboratoriais auxiliares. Atualmente, é capaz do mais que a outra, devido às suas diferenças his- de apresentar tratamentos ressocializantes, biológicos, tórica e demográficas, entre outros fatores. Os objetivos da reforma psiquiátrica visam mu- danças efetivas em relação à loucura e em buscar um novo lugar social, que não seja em locais de exclusão. A ideia de reforma não passa pela moderniza- Nesse contexto, a família ocupa lugar de desta- ção de meios técnicos, e não será o poder cientí- que ao assumir cada vez mais a responsabilidade fico o responsável por definir esse lugar social da de continuar cuidando da saúde de seus membros, loucura, mas sim a ética, a partir da pessoa como necessitando, portanto, da ajuda de profissionais da meio ambiente. saúde, tanto domiciliar quanto hospitalar. 5Book 1.indb 5 6/1/2010 09:18:12
  17. 17. Unidade Didática – Saúde Mental No período correspondente ao Brasil Colônia, a modelo assistencial era estritamente hospitalocên- assistência à saúde ficou a cargo das Santas Casas de trico, biologista e mecanicista, assim como todo o Misericórdia, com intuito de evangelização e manu- sistema de saúde vigente no país. Somente depois da tenção das tropas. Com a chegada da família real Segunda Guerra Mundial a psiquiatria surgia como chegaram também as escolas médicas e reguladoras instrumento técnico-científico. do exercício profissional da higienização dos por- No final dos anos 1950, a Organização das Na- tos. Nessa época os doentes mentais não tinham ne- ções Unidas (ONU) recomendou aos países em nhum tipo de assistência médica, sendo destinados desenvolvimento que investissem na área de saúde às ruas e aos porões das santas casas. mental, em função do elevado custo para o processo Desde 1830, médicos higienistas exigiam mu- produtivo, com total interesse em preservar e man- danças na saúde pública, incluindo a criação de ter a força de trabalho no desenvolvimento indus- hospícios para doentes considerados loucos. Em trial. 1852, D. Pedro II fundou o primeiro hospício do Na década de 1960, surgiram as primeiras comu- país, na cidade do Rio de Janeiro, sob o comando nidades terapêuticas, com o objetivo de melhorar o das religiosas das santas casas. Nessa mesma época ambiente hospitalar, valorizando os aspectos sadios o estado começou a manifestar preocupação com a e ouvindo o doente em todo o trajeto do tratamento saúde coletiva, visto que os altos índices de doenças e da administração. Com isso, desde então, as in- infecciosas como cólera, peste, febre amarela, entre ternações só ocorrem em caso de emergência, por outras, cresceu por todo o país. As medidas de pro- curto período, ou em casos raros de gravidade. moção de programas de combate às doenças foram A reforma sanitária teve início em 1970, período consideradas de caráter autoritário, discriminatório em que no contexto brasileiro já havia lutas contra e impopular. manicômios (regime manicomial), violência, expe- No ano de 1901, no estado de São Paulo, foi cons- riências com inspiração na comunidade terapêuti- truído um grande asilo, o Juqueri, com objetivo de ca, na psiquiatria de setor e comunitária. Enquanto recolher e tratar terapeuticamente os alienados, no mundo as propostas eram a desospitalização e a devolvendo-os para a sociedade. reestruturação da assistência psiquiátrica, o Brasil, O primeiro encontro entre as reformas psiquiá- dentro da era militar, vivenciava um período con- trica e sanitária brasileira ocorreu em 1903, quando trário, com amplo crescimento do parque manico- Juliano Moreira assumiu o Hospício Nacional de mial, aumentando a contratação de leitos privados Alienados e o Instituto Osvaldo Cruz (Saúde Públi- nos hospitais psiquiátricos tradicionais. Naquele ca). Nesse momento uniram-se as forças no senti- ano ocorreu a Reforma Sanitária Mundial. do de sanear a cidade, remover a sujidade, os focos Conforme Amarante (1995), a participação dos de infecções, os cortiços, os focos de desordem que usuários dos serviços de saúde mental e de seus fa- eram os sem-trabalho e maltrapilhos que infestavam miliares em conferências, reuniões e encontros pas- as ruas do centro da cidade e os portos. Apesar de sou a ser marcante na luta do processo evolutivo da as duas áreas terem os mesmos objetivos, só restou reforma psiquiátrica, sendo instituído, no dia 18 de à psiquiatria apanhar as sobras humanas e asilá-las. maio de 1978, o Dia Nacional da Luta Antimani- A primeira lei federal brasileira, a de no 3.071, de comial. Daí em diante passaram a ser criados novos 1916, relata a preocupação sobre cuidados, interna- dispositivos e novas tecnologias de cuidados na psi- ção e interdição dos pacientes com distúrbios men- quiatria brasileira. tais, sendo que, em 1838, a Itália já havia aprovado A partir da década de 1980, os movimentos de leis que beneficiavam os doentes mentais. oposição aos manicômios e às práticas manicomiais Em 1923, apesar de os estudos e movimentos começaram a surgir com novas experiências na prá- estarem acontecendo no Brasil e no mundo, nosso tica assistencial, que iam ao encontro às novas pro- 6Book 1.indb 6 6/1/2010 09:18:15
  18. 18. AULA 1 — Saúde Mental e a Evolução da Psiquiatria postas da Reforma Psiquiátrica Brasileira, na qual requer integração entre o indivíduo, a família, os se preservam os direitos e a cidadania do indivíduo serviços e a comunidade, vendo na educação o fator portador de sofrimento psíquico. principal para a democratização do conhecimento e Em 1987, foi realizada, no Rio de Janeiro, a I Confe- o modo de entender e compreender a saúde. rência Nacional de Saúde Mental (ICNSM), impor- Um grande marco na saúde mental ocorreu na tante fórum de discussão na luta de classes da saúde década de 1990, com a intervenção da prefeitura mental. Questionou-se o modelo psiquiátrico vigente, de Santos na Casa de Saúde Anchieta, com a sub- propondo-se a substituição dos leitos psiquiátricos por sequente criação dos Núcleos de Atenção Psicos- leitos em hospitais públicos e/ou serviços alternativos social (NAPs) e do Projeto de Lei no 3.657/89, que (Organização Mundial da Saúde [OMS], 2001). prevê a extinção dos manicômios, com substitui- A psiquiatria se fortaleceu ainda mais com o Pro- ção por serviços comunitários, e regulamenta os jeto de Lei no 3.657, de 1989, que dispõe sobre a direitos do doente mental. proteção e os direitos das pessoas portadoras de O movimento da reforma psiquiátrica brasileira transtornos mentais e redireciona o modelo assis- teve grandes impulsos quando o deputado Paulo tencial em saúde mental (BRASIL, 1994). Delgado (PT-MG) conseguiu aprovar o projeto de Segundo a OMS (1990), o documentário de lei de saúde mental (Lei no 10.216, de 6 de abril de Caracas falava da necessidade da compreensão da 2001). Essa lei dispõe sobre a proteção e os direitos saúde mental como um fenômeno complexo, que das pessoas com problemas mentais. Setores de atendimento em saúde mental Fonte: Ministério da Saúde, 2003. Em janeiro de 1992, os Centros de Atenção Psi- tem ocorrido a ampliação dos CAPs. Minzoni suge- cossocial (CAPs) e NAPs, por meio das Portarias riu que a internação psiquiátrica fosse indicada por nos189/1991 e 224/1992 do Ministério da Saúde, curto período de tempo a pacientes com transtor- aperfeiçoaram a regulamentação em dois grandes nos graves, em momentos críticos da doença, e que grupos de atendimento, o hospitalar e o ambula- estivessem temporariamente com limitações para o torial. convívio comunitário (KANTORSKI, et al. 2005). O hospitalar compreende a internação e a semi- O atendimento ambulatorial compreende o am- internação (na forma dos hospitais-dia), o que in- bulatório propriamente dito, incluindo os CAPs e termedeia a internação e o ambulatório, com o pro- NAPs, considerados ambulatoriais, apesar de serem pósito de substituir a internação integral pelo prazo distintos do ambulatório, apresentando estruturas máximo correspondente a 45 dias corridos. O nú- amplas e específicas (BRASIL, 2000). mero de leitos em hospitais psiquiátricos vem apre- Os hospitais-dia apresentam um caráter extra- sentando um declínio contínuo no Brasil. Em 1996, hospitalar de cuidado ampliado, com atendimento o seu número era de 72.514, enquanto em 2002 alternativo à internação, especialmente os serviços- esperava-se uma queda de aproximadamente 20 mil dia, que não podem ultrapassar 45 dias no período leitos. Junto com a diminuição de leitos hospitalares de semi-internação, oferecendo atendimento em 7Book 1.indb 7 6/1/2010 09:18:15
  19. 19. Unidade Didática – Saúde Mental períodos mais agudos, evitando, assim, as interna- O objetivo dos CAPs é oferecer atendimento à ções, ou em saídas de internações, com estrutura de população de sua área de abrangência, realizando passagem, proporcionando atividades terapêuticas o acompanhamento clínico e a reinserção social diversificadas, tanto no que diz respeito às pessoas dos usuários pelo acesso ao trabalho, lazer, exer- com quem ele possa se relacionar, quanto às ativi- cício dos direitos civis e fortalecimento dos laços dades que possam ser prazerosas. O paciente passa familiares e comunitários. Ele foi criado para o dia e retorna para sua família, dormindo na sua substituir as internações em hospitais psiquiátri- residência. cos. Os serviços residenciais terapêuticos, criados As pessoas atendidas nos CAPs apresentam pelas Portarias nos 106 e 1.220/2000 do Ministério transtornos mentais severos e/ou persistentes, com da Saúde, consistem em casas inseridas na comuni- sofrimento psíquico, incluindo os transtornos rela- dade com a finalidade de cuidar dos pacientes e ser- cionados com substâncias psicoativas (álcool e ou- vir de moradia para aqueles que receberam alta das tras drogas), e também crianças e adolescentes com internações psiquiátricas de longa duração, que não transtornos mentais. tenham suporte social, famílias ou laços familiares, Todo o trabalho desenvolvido deverá ser realiza- com o objetivo de contribuir para reinserção social. do em um “meio terapêutico”, isto é, tanto as sessões Trata-se de pessoas que possuem moradia assistida individuais ou grupais como a convivência no ser- igual a uma residência comum em espaço físico, viço têm finalidade terapêutica. com mobiliário, mas fora do ambiente hospitalar, e Os profissionais que trabalham nos CAPs pos- que são acompanhadas no processo de reabilitação suem diversas formações e integram uma equipe psicossocial, um valioso instrumento de recupera- multiprofissional. É um grupo composto por dife- ção da cidadania que resgata um operador da subs- rentes especialistas de níveis superior e médio. Os tituição asilar (BRASIL, 2000). profissionais de nível superior são enfermeiros, Em julho de 2003 foi aprovado o Projeto de Lei médicos, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas o n 1.152/03, denominado “De Volta para Casa”, ocupacionais, pedagogos, professores de educação que institui o auxílio-reabilitação psicossocial, com física ou outros necessários para as atividades ofere- o propósito de garantir a reintegração à sociedade cidas nos CAPs. O papel da equipe técnica é funda- de pacientes com transtornos mentais por longo pe- mental para organização, desenvolvimento e manu- ríodo de internação, com direito ao benefício de um tenção do ambiente terapêutico. A duração da per- salário mínimo por mês para ajudar na assistência manência dos usuários no atendimento dos CAPs extra-hospitalar, além de acompanhamento de pro- depende de muitas variáveis, desde o comprometi- gramas de reintegração assistida com atividades de mento psíquico do usuário até o projeto terapêutico reabilitação, residência terapêutica, trabalho prote- traçado, além das redes de apoio familiar e social gido, lazer monitorado etc. (BRASIL, 2000). que se podem estabelecer. O importante é saber que Os CAPs são instituições destinadas a acolher o CAP não deve ser um lugar que desenvolve a de- os pacientes com transtornos mentais, estimular pendência do usuário ao seu tratamento por toda a sua integração social e familiar, apoiá-los em suas vida. O processo de reconstrução dos laços sociais, iniciativas de busca da autonomia e oferecer-lhes familiares e comunitários, que possibilitarão a auto- atendimento médico e psicológico. Serviço de nomia, deve ser cuidadosamente preparado e ocor- saúde aberto e comunitário do Sistema Único de rer de forma gradativa. Saúde (SUS ), sua característica principal é buscar Brasil (2004) afirma que as atividades terapêu- integrá-los a um ambiente social e cultural con- ticas que os CAPs oferecem são diferenciadas em creto. atendimento individual, orientações, psicoterapia e 8Book 1.indb 8 6/1/2010 09:18:16
  20. 20. AULA 1 — Saúde Mental e a Evolução da Psiquiatria prescrição de medicamentos; atendimento em gru- trocas sociais entre a comunidade e a sociedade, que po com oficinas terapêuticas, oficinas expressivas podem ser realizadas por meio de festas, caminha- (pintura, argila, desenho etc.), oficinas geradoras de das, eventos como gincanas etc.; e assembleias ou renda, de alfabetização, culturais, esportivas, ativi- reuniões de organização do serviço, realizadas de dades de suporte social, grupos de leitura etc.; aten- preferência semanalmente, com usuários, técnicos, dimento familiar, individualizado a familiares e/ou convidados e familiares, com o fim de melhorar o grupo de familiares, atividades de lazer e ensino, atendimento oferecido pelo CAP. visitas domiciliares; atividades comunitárias desen- Os CAPs são divididos em cinco categorias que volvidas com associações de bairros e outras insti- contêm equipe mínima de profissionais, com popu- tuições existentes na comunidade, com o objetivo lação, dias e horários específicos de funcionamento de integração entre o serviço, o usuário e a família, para cada tipo. O CAP I, que funciona das 8 às 18 horas, de segunda a sexta-feira, possui municípios com população entre 20 mil e 70 mil habitantes, contendo a equipe de saúde um médico psiquiatra, ou que tenha formação em saúde mental, um enfermeiro, três profissionais de nível superior (terapeuta ocupacional, assistente social, psicólogo, pedagogo ou outro necessário ao projeto terapêutico), quatro de nível médio (auxiliar ou técnico de enfermagem, técnico educacional, artesão e técnico administrativo). O CAP II, que funciona das 8 às 18 horas, podendo ter um terceiro período que funciona até as 21 horas, de segunda a sexta-feira, possui municípios com população entre 70 mil e 200 mil habitantes, contendo a sua equipe de saúde um médico psiquiatra, um enfermeiro com formação em saúde mental, quatro profissionais de nível superior (terapeuta ocupacional, assistente social, psicólogo, pedagogo, professor de educação física ou outro necessário ao projeto terapêutico) e seis de nível médio (auxiliar ou técnico de enfermagem, técnico educacional, artesão e técnico administrativo). O CAP III, com funcionamento 24 horas por dia, incluindo feriados e fins de semana, com municípios com população acima de 200 mil habitantes, contendo a sua equipe de saúde dois médicos psiquiatras, um enfermeiro com formação em saúde mental, cinco profissionais de nível superior (terapeuta ocupacional, assistente social, psicólogo, pedagogo ou outro profissional necessário ao projeto terapêutico) e oito de nível médio (auxiliar ou técnico de enfermagem, técnico educacional, artesão e técnico administrativo). O CAPi (infantil), que funciona das 8 às 18 horas, podendo ter um terceiro período que funciona até as 21 horas, de segunda a sexta-feira, possui municípios com população acima de 200 mil habitantes, contendo a sua equipe de saúde um médico psiquiatra, ou neurologista ou pediatra com formação em saúde mental, um enfermeiro, cinco profissionais de nível superior (terapeuta ocupacional, assistente social, psicólogo, pedagogo, fonoaudiólogo ou outro profissional necessário ao projeto terapêutico), quatro profissionais de nível médio (auxiliar ou técnico de enfermagem, técnico educacional, artesão e técnico administrativo). O CAPad (álcool e drogas), que funciona das 8 às18 horas, podendo ter um terceiro período que funciona até as 21 horas, de segunda a sexta-feira, possui municípios com população acima de 100 mil habitantes, contendo a sua equipe de saúde um médico psiquiatra, um enfermeiro com formação em saúde mental, cinco profissionais de nível superior (terapeuta ocupacional, assistente social, enfermeiro, psicólogo, pedagogo ou outro profissional necessário ao projeto terapêutico), quatro profissionais de nível médio (auxiliar ou técnico de enfermagem, técnico educacional, artesão e técnico administrativo). A Portaria GM no 336/02 considera que cada usuá- nência no serviço, com base em suas necessidades, rio do CAP deve ter um projeto terapêutico individual sendo divididos em atendimentos intensivo, semi- de atendimento, com atividades durante sua perma- intensivo e não intensivo, conforme o quadro a seguir. Atendimento com base nas necessidades Tratamento intensivo Semi-intensivo Não intensivo Quando o paciente apresenta grave Quando o sofrimento psíquico do Quando já não há necessidade de sofrimento psíquico, dificuldades no paciente diminuiu, e sua condição de atendimento contínuo ao paciente para relacionamento familiar e convívio relacionamento já está melhor, mas que desempenhe suas atividades em social, e requer atendimento diário e ainda necessita de atenção diária, família e trabalho, o atendimento pode contínuo, podendo ser realizado em seu podendo ser domiciliar com até 12 dias ser domiciliar até três dias no mês. domicílio. de atendimentos no mês. Fonte: BRASIL, 2004. 9Book 1.indb 9 6/1/2010 09:18:16
  21. 21. Unidade Didática – Saúde Mental Os pacientes que permanecerem por um perío- Para um CAP iniciar suas atividades, deverá, no do de quatro horas têm direito a uma refeição mínimo, ter os seguintes recursos: sanitários, área ex- diária; os que forem assistidos em dois períodos, terna para oficinas, recreação e esportes, refeitórios, correspondendo a oito horas, duas refeições; e os salas para atividades grupais, oficinas, consultórios com acolhimento noturno ou por 24 horas, quatro para atividades individuais (consultas, terapias, en- refeições. trevistas) e espaço de convivência (BRASIL, 2004). São atividades comuns nos CAPs: • Tratamento medicamentoso: psicoativos ou psicofármacos. • Atendimento a grupo de familiares: reunião de famílias para criar laços, discutir problemas em comum, enfrentar as situações difíceis, receber orientação sobre diagnóstico e sobre sua participação no projeto terapêutico. • Atendimento individualizado a famílias: atendimentos a um membro de uma família que precise de orientação • Orientação: conversa sobre algum tema específico. • Atendimento psicoterápico: encontros individuais ou em grupo em que são utilizados os conhecimentos e as técnicas da psicoterapia. • Atividades comunitárias: atividades que utilizam os recursos da comunidade e que envolvem pessoas, instituições ou grupos organizados que atuam na comunidade. • Atividades de suporte social: projetos de inserção no trabalho, atividades de lazer, encaminhamentos para a entrada na rede de ensino. • Oficinas culturais: atividades constantes que procuram despertar no usuário maior interesse pelos espaços de cultura (monumentos, prédios históricos, saraus musicais, festas anuais etc.). • Visitas domiciliares: atendimento realizado por um profissional do CAP. • Desintoxicação ambulatorial: conjunto de procedimentos destinado ao tratamento da intoxicação/abstinência decorrente do uso abusivo de álcool e de outras drogas. O Programa de Saúde da Família (PSF) come- a qualidade de vida da população. Cada equipe do çou em junho de 1991, com a implantação do Pro- PSF está capacitada para atender de 750 a 1.000 fa- grama de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), mílias ou 3.200 pessoas, sendo composta por: um mas foi em 1994 que o PSF foi normatizado, com médico, um enfermeiro, dois auxiliares de enferma- o propósito de reorganizar a prática da atenção à gem, um dentista, um auxiliar de consultório den- saúde em novas bases e substituir o modelo exis- tário, um técnico de higiene dentário e quatro a seis tente, levar a saúde até as famílias e melhorar a agentes comunitários de saúde. qualidade de vida dos clientes e priorizar as ações de prevenção, promoção e recuperação da saúde Pacientes com transtornos mentais de forma contínua e integral, com o atendimento São pessoas que devem ser vistas na sua totalida- domiciliar ou na Unidade Básica de Saúde (UBS). de como qualquer outro doente. Seu comportamen- O PSF atua na saúde mental buscando compre- to tem sempre um significado que devemos buscar ender as relações entre os indivíduos que compõem entender. uma família e a maneira como essas relações contri- Minzoni afirma que o enfermeiro psiquiátrico buem para a existência de processos protetores ou deve ajudar o paciente, aceitando-o como um ser hu- de desgaste para a saúde e a doença, utilizando os mano com personalidade; que todo comportamento recursos comunitários e reduzindo os fatores que tem um significado; que devemos transmitir-lhe que possam ser considerados prejudiciais. ele é aceito, estimulando o que há de sadio em sua O PSF é capaz de resolver 85% dos problemas personalidade e aceitar seus aspectos doentes. Cada de saúde da sua comunidade, prevenindo doenças, paciente deve ser conhecido como um indivíduo (seu evitando internações desnecessárias e melhorando nome, seus hábitos) e o seu comportamento tem uma 10Book 1.indb 10 6/1/2010 09:18:16
  22. 22. AULA 1 — Saúde Mental e a Evolução da Psiquiatria razão de ser, embora nem sempre essa razão apareça Minzoni definiu a enfermagem psiquiátrica claramente (KANTORSKI, et al., 2005). como um processo interpessoal entre enfermei- A atuação da enfermagem psiquiátrica ainda hoje ro e paciente, com potencial de mudança na busca está voltada ao cumprimento de atividades clínicas de um cuidado humanitário (KANTORSKI, et al., e administrativas, relacionadas com vigilância, ali- 2005). mentação, higiene e administração de medicamen- Falaremos mais sobre relacionamento interpes- tos ao paciente. soal no próximo capítulo. Saúde Mental “Fui convidado a fazer uma preleção sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei. Mas foi só parar para pensar para me arrepender. Percebi que nada sabia. Eu me explico. Comecei o meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que, do meu ponto de vista, tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimento para a minha alma. Nietzsche, Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maiakóvski. E logo me assustei. Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. Van Gogh matou-se. Wittgenstein alegrou-se ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia. Cecília Meireles sofria de uma suave depressão crônica. Maiakóvski suicidou-se. Essas eram pessoas lúcidas e profundas que continuarão a ser pão para os vivos muito depois de nós termos sido completamente esquecidos. Mas será que tinham saúde mental?...” Rubem Alves I Atividades As atividades referentes a esta unidade serão disponibilizadas no Portal. * ANOTAÇÕES 11Book 1.indb 11 6/1/2010 09:18:16
  23. 23. Unidade Didática – Saúde Mental AULA 2 SAÚDE MENTAL E DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE I Conteúdo • Saúde mental • Critérios para se ter uma boa saúde mental • Fatores predisponentes para os transtornos mentais • Desenvolvimento da personalidade Unidade Didática – Saúde Mental • Estrutura da personalidade • Topografia da mente • Estágios do desenvolvimento da personalidade • Transtornos de personalidade I Competências e habilidades • Compreender o significado de saúde mental, os fatores predisponentes para o transtorno mental e o desenvolvimento da personalidade do indivíduo e seus distúrbios I Material para autoestudo Verificar no Portal os textos e as atividades disponíveis na galeria da unidade I Duração 2h-a – via satélite com o professor interativo 2h-a – presenciais com o professor local 4h-a – presenciais de aula prática com o professor local 4h-a – mínimo sugerido para autoestudo Doente Mental? Saúde Mental?... 12Book 1.indb 12 6/1/2010 09:18:16
  24. 24. AULA 2 — Saúde Mental e Desenvolvimento da Personalidade Várias teorias já tentaram definir o conceito de Saúde mental é o equilíbrio emocional interno saúde mental. Muitos desses conceitos trabalham e as exigências ou vivências externas. É a capaci- com diversos aspectos do funcionamento individual. dade de administrar a própria vida e as suas emo- A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma ções dentro de um amplo espectro de variações. que não existe definição “oficial” de saúde mental. É ser capaz de ser sujeito de suas próprias ações Saúde mental é um termo usado para descrever o sem perder a noção de tempo e espaço. É buscar nível de qualidade de vida cognitiva ou emocional de viver a vida na sua plenitude máxima, respeitando cada pessoa, incluindo sua capacidade de apreciar a o outro. vida e procurar um equilíbrio entre suas atividades. Saúde mental é estar de bem consigo e com os Admite-se que o conceito de saúde mental é muito outros, aceitar as exigências da vida, saber lidar mais amplo que a ausência dos transtornos mentais. com as boas emoções e também com as desagradá- veis – alegria/tristeza; coragem/medo; amor/ódio; serenidade/raiva; ciúme; culpa; frustrações –, re- conhecer seus limites e buscar ajuda quando ne- cessário. Critérios para se ter uma boa saúde mental • Crescimento, desenvolvimento e autorrealização; • Integração e resposta emocional; • Autonomia e autodeterminação; • Percepção apurada da realidade; • Domínio ambiental e competência social; • Atitudes positivas em relação a si próprio. O conceito atual de saúde mental difere um são as causas que fazem o indivíduo desenvolver, pouco daquele de psiquiatria. A psiquiatria tem em um determinado momento de sua vida, algum um projeto específico, que é o tratamento me- transtorno mental. dicamentoso. A saúde mental está voltada mais Precisamos compreender que nós, seres huma- para o biopsicossocial do indivíduo, envolvendo nos, funcionamos como um todo, ou seja, vários fa- também o aspecto de trabalhar junto com a fa- tores influenciam ao mesmo tempo os nossos com- mília e a comunidade e a prevenção dos transtor- portamentos, as nossas escolhas. Por exemplo, se nos mentais. Se ela está voltada para a prevenção, alguém desenvolve um medo excessivo da violência também está ligada à saúde pública, existindo atual, a ponto de recusar-se a sair às ruas, podemos trabalhos realizados pelo Sistema Único de Saúde pensar de imediato que há várias causas colaboran- (SUS) para que as pessoas não adoeçam, como o do para isso, como: sua história de vida; se foi uma Programa de Saúde da Família (PSF), o qual tam- criança muito protegida ou excessivamente exposta; bém é responsável por identificar e trabalhar com os mecanismos fisiológicos que atuam na resposta os fatores que desencadeiam as doenças mentais de medo; o próprio aumento da violência nos dias na comunidade. atuais e a exploração que a imprensa faz disso; al- guma perda de pessoa querida em período recente. Fatores predisponentes aos transtornos mentais É por isso que na consulta de enfermagem deve- Vários fatores influenciam ao mesmo tempo os mos tentar conhecer mais as pessoas que estamos nossos comportamentos, as nossas escolhas. Várias atendendo, saber do que gostam, de onde vêm e 13Book 1.indb 13 6/1/2010 09:18:16
  25. 25. Unidade Didática – Saúde Mental como vivem. Assim, torna-se mais fácil fazer uma Dessa forma podemos dizer que três grupos in- ideia dos fatores que possivelmente estão exercendo fluenciam o surgimento da doença mental: os bio- maior influência no momento atual de seu transtor- lógicos, os ambientais e os emocionais. no, elaborando as intervenções necessárias. FATORES FÍSICOS OU BIOLÓGICOS • Alterações ocorridas no corpo como um todo, em determinado órgão ou no sistema nervoso central (SNC): • Fatores genéticos ou hereditários (tendências, predisposições); • Fatores pré-natais (condições da gestação) – álcool, drogas, medicações, estresses, depressão; • Fatores perinatais – durante o nascimento do bebê, sofrimento fetal, placenta prévia, uso de fórceps, outros; • Fatores neuroendocrinológicos (tireoide) – mudanças hormonais podem influenciar nosso estado de humor ou até mesmo estados psicóticos, como psicose puerperal, depressão pós-parto ou transtorno pré-menstrual (TPM); • Fatores ligados à doença orgânica – abuso de substâncias psicoativas, traumatismos cranioencefálico (acidentes), intoxicações, infecções (meningite). FATORES AMBIENTAIS • SOCIAIS: interações que temos com os outros, nossas relações pessoais, profissionais e/ou em grupos. As pessoas significativamente importantes na nossa vida ficam marcadas em nós, na maneira de pensar e agir. Ex.: se em nossa infância aprendemos que existem pessoas que não são confiáveis, é provável que tenhamos dificuldades para confiar em alguém na nossa vida adulta; ou se nos colocam medo de certo objeto ou momento, certamente iremos ter medos também quando adultos. • CULTURAIS: modificam-se de país para país, de estado para estado, ou seja, a noção de certo e errado muda conforme o grupo de convívio (religioso, escola, família, país, cultura) • ECONÔMICOS: a miséria pode levar ao aumento da criminalidade e essa, ao aumento da tensão do nosso dia a dia. Vivemos hoje na era do consumismo; queremos o celular mais moderno ou a TV de 42 polegadas igual à do vizinho e outras coisas mais. Isso acarreta dívidas em bancos, estouro do limite do cartão de crédito e gastos além do que conseguimos ganhar, levando a preocupações e alteração na saúde mental das pessoas. FATORES EMOCIONAIS OU PSICOLÓGICOS • NASCIMENTO: formação da personalidade, segurança, confiança, adaptação às mudanças da família com a presença de um novo integrante; violência e abandono na infância. • MUDANÇAS: adaptação a ambiente, pessoas, locais de trabalho, nova profissão, novo chefe, novas regras, emprego (novo, perda, promoção ou rebaixamento, aposentadoria); relacionamentos (separação, divórcio, quando um filho sai de casa); saúde (doença, ferimento, acidente); perda de propriedade, mudança de fuso horário, de estado ou país, de casa ou de cidade. • ESTUPRO: o impacto do estupro pode ser devastador. O acompanhamento de vítimas de estupro tem repetidamente demonstrado maior tendência a apresentar, a curto e longo prazos, transtornos psiquiátricos. • DESASTRES: o acidente ou desastre não necessariamente precisa ser com o indivíduo. Ele pode ter acontecido em locais distantes e com pessoas desconhecidas. Ex.: algumas pesquisas mostraram um aumento de atendimentos em pronto- socorros de casos de pânico depois da queda das torres gêmeas (World Trade Center). • LUTO: é um processo de sofrimento geralmente associado à morte de uma pessoa amada. Desenvolvimento da personalidade Os enfermeiros devem conhecer o desenvolvi- Define-se personalidade como tudo aquilo que mento da personalidade humana para compreender distingue um indivíduo de outros, ou seja, o conjun- as respostas comportamentais desajustadas muitas to de características psicológicas que determinam a vezes observadas em pacientes com transtornos sua individualidade pessoal e social. A formação da mentais. personalidade é processo gradual, complexo e único Freud, em 1961, identificou o desenvolvimento de cada indivíduo. da personalidade por estágios e também mencio- Personalidade é uma característica individual nou que a experiência da infância tem forte influên- que influencia diretamente a vida de cada um. cia sobre a personalidade do indivíduo adulto. Va- 14Book 1.indb 14 6/1/2010 09:18:17
  26. 26. AULA 2 — Saúde Mental e Desenvolvimento da Personalidade mos falar então sobre estrutura da personalidade, Estrutura da personalidade topografia da mente e estágios do desenvolvimento Freud organizou a estrutura da personalidade em da personalidade de Freud. três componentes principais: id, ego e superego. • Id: é o princípio do prazer. Presente ao nascimento, busca satisfazer as necessidades e obter gratificação imediata. Os comportamentos podem ser impulsivos e irracionais. • Ego: também denominado eu racional ou princípio da realidade. Começa a se desenvolver entre os 4 e 6 meses de idade. Ele vivencia a realidade do mundo externo, adapta-se a ele. À medida que se desenvolve e ganha força, o ego procura fazer as influências do mundo externo agirem sobre o id, para substituir o princípio do prazer pelo da realidade. Sua principal função é manter a harmonia entre o mundo externo, o id e o superego. • Superego: princípio da perfeição, desenvolve-se entre os 3 e 6 anos de idade. Ele internaliza os valores e princípios morais estabelecidos pelos responsáveis pelo indivíduo. Ele é importante para a socialização, pois ajuda o ego no controle dos impulsos. Mas quando se torna muito rígido e punitivo, podem ocorrer baixas autoconfiança e autoestima. Esta figura demonstra os três componentes da estrutura da personalidade. Observe a situação e tente lembrar-se de algo parecido vivenciado por você. – id: estômago roncando – ego: uma coxinha, por favor! – Superego: uma coxinha tem 300 calorias. Viu como você usa a estrutura da personalidade quase a todo momento! Fonte: Ministério da Saúde, 2003 Topografia da mente rias desagradáveis ou não essenciais, que só podem Freud classificou todos os conteúdos e operações ser recuperadas por hipnose ou certas substâncias da mente em três categorias: consciente, pré-cons- que alteram a percepção. Ele pode surgir também ciente e inconsciente. em sonhos ou em um comportamento incompre- Consciente: são todas as memórias que per- ensível. manecem ao alcance da percepção do indivíduo. Eventos e experiências que são facilmente recor- Estágios do desenvolvimento da personalidade dados ou recuperados. É a menor das três cate- As cinco fases universais do desenvolvimento gorias. são chamadas de fases psicossexuais. Freud acre- Pré-consciente: são todas as memórias que po- ditava que a personalidade estaria essencialmen- dem ter sido esquecidas ou não estão, no momento, te formada ao fim da terceira fase, por volta dos na consciência, mas podem ser rapidamente lem- 5 anos de idade, sendo esses os anos mais impor- bradas. tantes. Com essa idade o indivíduo possivelmente Inconsciente: são todas as memórias que não se já teria desenvolvido as estratégias fundamentais conseguem trazer à percepção consciente. É a maior para a expressão dos seus impulsos e formação do das três categorias. Geralmente consiste em memó- seu caráter básico. 15Book 1.indb 15 6/1/2010 09:18:17
  27. 27. Unidade Didática – Saúde Mental • Fase oral (do nascimento aos 18 meses): o foco da energia é a boca, as atividades prazerosas giram em torno da alimentação (sucção). O lactente se sente ligado e é incapaz de diferenciar-se da mãe. Quando o bebê aprende a associar a presença da mãe (4 a 6 meses) à satisfação da pulsão da fome, a mãe passa a ser um objeto à parte, ou seja, o bebê começa a distinguir entre si próprio e os outros. Uma fixação nessa fase provoca o desenvolvimento de um tipo de personalidade de caráter oral do qual os traços fundamentais são o otimismo, a passividade e a dependência. A sensação de segurança e a capacidade de confiar nos outros vêm da gratificação obtida pela satisfação das necessidades básicas neste estágio. • Fase anal (18 meses a 3 anos): o prazer está no ânus. Nessa fase, a criança tem o desejo de controlar os movimentos esfincterianos e começa também a entrar em conflito com a exigência social de adquirir hábitos de higiene. Uma fixação nessa fase pode causar conflitos para o resto da vida em torno de questões de controle, de guardar para si ou entregar. O caráter anal é caracterizado por traços de ordem e teimosia. • Fase fálica (3 a 6 anos): a área fundamental do corpo é a zona genital. A descoberta de diferenças entre os sexos acarreta maior interesse pela própria sexualidade. Nessa fase também ocorre o complexo de Édipo, que consiste, no menino, em desejar a própria mãe, mas, por medo da castração, abandona esse desejo, e, na menina, mudando apenas os papéis, em que o pai seria o seu objeto de desejo. Uma não-resolução nessa fase pode ser considerada causa de grande parte das neuroses. • Fase de latência: ocorre desde os 5 anos e vai até a puberdade, sendo considerada um período de relativa calma na evolução sexual. Durante a escola primária, os indivíduos têm interesses por atividades em grupo, aprendizado e socialização com pares. As crianças nessa idade preferem se relacionar com indivíduos do mesmo sexo, até mesmo rejeitando membros do sexo oposto. • Fase genital (13 a 20 anos): com início na puberdade, o indivíduo desenvolve a capacidade de obter satisfação sexual com um parceiro do sexo oposto. As relações interpessoais se baseiam no prazer verdadeiro derivado da interação. Somente quando os traços de personalidade são tando em rupturas pessoal e social. Algumas teorias inflexíveis e desajustados e causam significativo concordam que, ao nascer, o indivíduo já traz essa grau de distúrbio funcional ou sofrimento é que se predisposição, mas os distúrbios de comportamen- constitui um distúrbio de personalidade. to só serão notados no final da infância ou na ado- lescência. Transtorno de personalidade (TP) Todos esses transtornos têm em comum alguns É um distúrbio grave do comportamento que aspectos básicos, como: envolve todas as áreas de atuação da pessoa, resul- • atitudes e condutas desarmônicas, envolvendo trabalho, família e sociedade; • o padrão anormal de comportamento é constante, de longa duração; • é mal adaptado ao meio; • as manifestações sempre aparecem durante a infância ou na adolescência e continuam por toda a vida; • resultam sempre em problemas nos desempenhos social e ocupacional. O diagnóstico médico é preciso e difícil, mesmo ce as situações; interpreta erroneamente as ações porque a maioria dos indivíduos com esse transtor- amistosas de outros; luta pelos seus direitos pesso- no não procura ajuda médica, o que dificulta ainda ais; apresenta suspeita em relação a qualquer tipo mais sabermos a prevalência dessa patologia na po- de fidelidade, seja paterna, conjugal ou de amizade; pulação. autovaloriza-se excessivamente; vê em tudo uma Foram realizados três grupamentos: relação misteriosa entre si; está sempre preocupado com eventos conspiratórios. GRUPO A: COMPORTAMENTOS DESCRITOS COMO ESTRANHOS OU EXCÊNTRICOS Distúrbio de personalidade esquizoide Distúrbio de personalidade paranoide Seus portadores são indivíduos frios e distantes Seu portador apresenta sensibilidade exagerada a emocionalmente, apresentando frieza emocional, qualquer momento; tende a guardar ódio, rancores, afetividade distanciada ou embotada, poucas ativi- recusando-se a perdoar; sempre desconfia; distor- dades de prazer, capacidade limitada para expressar 16Book 1.indb 16 6/1/2010 09:18:19

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