Ângela Alexandra Lopes Cardoso
A VINCULAÇÃO E A DIFERENCIAÇÃO DO SELF NA VINCULAÇÃO ROMÂNTICA NO
ADULTO
DISSERTAÇÃO DE MES...
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Universidade do Porto
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação
A VINCULAÇÃO E A DIFERENCIAÇÃO DO SELF NA VINCUL...
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RESUMO
Há largos anos que a vinculação é objeto de estudo em psicologia, contudo a
investigação dirigida ao par românti...
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ABSTRACT
Attachment has been for many years a central subject of study in psychology
however research dealing with roman...
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RESUME
Pendant de nombreuses années que la l‟attachement est l'objet d'études en
psychologie, mais des recherches adres...
VII
ÍNDICE
ÍNDICE DE ANEXOS ………………………………………………………………………. IX
ÍNDICE DE QUADROS …………………………………………………………………….. XI
ÍNDICE DE AB...
VIII
3.1.1.1. Questionário da Vinculação Amorosa (QVA) ………………. 26
3.1.1.2. Differentiation of Self Inventory (DSI) …………………...
IX
ÍNDICE DE ANEXOS
Anexo 1 – Caracterização dos participantes, em função de variáveis sociodemográficas
Anexo 2 – Questio...
X
Anexo 9 – Efeito do sexo e da escolaridade sobre a diferenciação do self
9A – Teste dos efeitos principais intersujeitos...
XI
ÍNDICE DE QUADROS
Quadro 1 – Valores mínimo e máximo, média e desvio-padrão para as dimensões
da vinculação ao companhe...
XII
ÍNDICE DE ABREVIATURAS
TSFB - Teoria Sistémica da Família de Bowen
QVA - Questionário de Vinculação Amorosa
DSI - Diff...
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INTRODUÇÃO
Ao longo dos anos, a Teoria da Vinculação tem sido objeto de inúmeros trabalhos
empíricos e científicos, send...
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dos instrumentos, estudos descritivos, estudos correlacionais, estudos diferenciais,
análise de clusters e, por último, ...
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Capítulo IENQUADRAMENTO TEÓRICO E CONCEPTUAL
CAPÍTULO I. ENQUADRAMENTO TEÓRICO-CONCEPTUAL
1. Teoria da vinculação
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motivacional da criança no de sentido de manter a proximidade espacial com ...
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Bretherton e Munholland (1999), os modelos internos dinâmicos permitem aos
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sentido, Hazan e Zeifman (1999) salientaram que as principais funções da vi...
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2. Teoria Sistémica da Família de Bowen (TSFB)
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Capítulo IENQUADRAMENTO TEÓRICO E CONCEPTUAL
3. Teoria da vinculação e TSFB: Que relação?
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Por último, tanto a TSFB como a teoria da vinculação de Bowlby, reconhecem...
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Capítulo IENQUADRAMENTO TEÓRICO E CONCEPTUAL
ansiosa, a reatividade emocional e a incapacidade para manter um self clar...
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OBJECTIVOS E HIPÓTESES DE INVESTIGAÇÃO Capítulo II
Capítulo II - Estudo Empírico
1. Objetivos e hipóteses de investigaç...
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OBJECTIVOS E HIPÓTESES DE INVESTIGAÇÃO Capítulo II
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MÉTODO Capítulo II
2. Método
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MÉTODO Capítulo II
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2.2. Procedimento
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APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS Capítulo II
3. Apresentação dos Resultados
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  1. 1. Ângela Alexandra Lopes Cardoso A VINCULAÇÃO E A DIFERENCIAÇÃO DO SELF NA VINCULAÇÃO ROMÂNTICA NO ADULTO DISSERTAÇÃO DE MESTRADO MESTRADO INTEGRADO EM PSICOLOGIA 2011
  2. 2. I Universidade do Porto Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação A VINCULAÇÃO E A DIFERENCIAÇÃO DO SELF NA VINCULAÇÃO ROMÂNTICA NO ADULTO Ângela Alexandra Lopes Cardoso Outubro, 2011 Dissertação apresentada no Mestrado Integrado de Psicologia, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, orientada pela Professora Doutora Maria Emília Costa (F.P.C.E.U.P.).
  3. 3. II
  4. 4. III
  5. 5. IV RESUMO Há largos anos que a vinculação é objeto de estudo em psicologia, contudo a investigação dirigida ao par romântico adulto é ainda recente. A Teoria dos Sistemas Familiares de Bowen tem muitos pontos de contato com a teoria da vinculação de Bowlby, ambas se debruçam sobre o modo como as pessoas gerem as emoções na interação com os seus significativos e pressupõem que a pessoa aprende e interioriza padrões de comportamento e expectativas ao longo do desenvolvimento, que são usados como modelo na idade adulta. Vários estudos têm vindo a procurar estudar a natureza da relação entre os constructos que compõe estas duas teorias, mas em Portugal ainda nada foi feito neste sentido. Para preencher esta lacuna, foi validado para a população portuguesa um instrumento de autorrelato, o Differentiation of Self Inventory (DSI). O DSI, versão portuguesa, é um instrumento multidimensional de medida da diferenciação do self, inspirado na Teoria de Bowen, que pretende avaliar o funcionamento emocional, a intimidade e a autonomia nas relações interpessoais adultas através da avaliação dos seus relacionamentos significativos e relação atual com a família de origem. Participaram na investigação 486 adultos (243 homens e 243 mulheres), em regime de coabitação há pelo menos três anos com idades compreendidas entre os 21 e os 87 anos. A hipótese de que a qualidade da vinculação ao(à) companheiro(a) estaria associada à diferenciação do self foi, de uma forma geral, confirmada, verificando-se que perceber o(a) companheiro(a) como responsivo às necessidades de vinculação está correlacionado positivamente com a capacidade do indivíduo, a nível intrapessoal, para separar sentimentos e pensamentos; e a nível interpessoal, para se separar emocional e fisicamente da sua família de origem, bem como para alcançar a maturidade emocional e independência, sem que para isso perca a ligação emocional com os outros. Encontraram-se diferenças em função da escolaridade e da duração da relação para a vinculação ao(à) companheiro(a) e ainda em função do sexo para a diferenciação do self. Como o esperado, as dimensões da diferenciação do self constituíram-se preditores nas quatro dimensões da vinculação, ainda que em diferentes combinações. Palavras-chave: Relação romântica, Vinculação no adulto, Diferenciação do self, Teoria de Bowen.
  6. 6. V ABSTRACT Attachment has been for many years a central subject of study in psychology however research dealing with romantic couple is still recent. Bowen‟s Family Systems and Bowlby's attachment have many points of convergence, both concern how people manage emotion in interaction with important others and assume that patterns of behavior and expectations are learned and internalized throughout development and are used as blueprints in adulthood. Several studies have been researching on the relational nature of the constructs that make up these two theories, though in Portugal nothing has been done yet in this regard. To fill this gap, a self-report instrument, the Differentiation of Self Inventory (DSI) has been validated for the Portuguese population. The DSI, Portuguese version, is a multidimensional measure of differentiation, based on Bowen‟s theory, which aims to assess adults emotional functioning, intimacy and autonomy in their significant relationships, and current relations with family of origin. 486 adults (243 men and 243 women) participated in the study, they were cohabitating for at least three years and their ages ranged from 21 to 87 years. The hypothesis that the romantic attachment quality is associated with differentiation of self was, in general terms, confirmed once conceiving the partner as responsive to the attachment needs was positively correlated with the ability of the individual to, at intrapersonal level, separate feelings and thoughts, and at an interpersonal level separate himself emotionally and physically from their family of origin reaching emotional maturity and independence without breaking emotional connection with significant ones. Reliable differences were found for educational level and relationship duration in romantic attachment. For differentiation of self gender differences were also reported. As expected, differentiation of self subscales constitutes predictors for the four attachment dimensions though in different combinations. Keywords: Romantic relationship, Adult attachment, Differentiation of self, Bowen theory
  7. 7. VI RESUME Pendant de nombreuses années que la l‟attachement est l'objet d'études en psychologie, mais des recherches adressée à l‟adduit paire romantique est encore récent. La théorie des systèmes familiaux de Bowen a de nombreux points de contact avec la théorie de Bowlby sur l'attachement, ils sont axés sur la façon dont les émotions sont réglementées au sein des relations significatives et supposons que les modes de comportement et les attentes sont appris et intériorisé sur du développement et sont utilisés comme des modèles à l'âge Plusieurs études ont tenté d'étudier la nature de la relation entre les constructions qui composent ces deux théories, mais au Portugal rien n'a été fait à cet égard. Pour combler cette lacune, a été validé pour la population portugaise un instrument d'autoévaluation, la différentiation du soi (DSI). La DSI, version portugaise, est un outil multidimensionnel de mesure de la différentiation du soi, inspiré dans la théorie de Bowen, qui vise à évaluer le fonctionnement affectif, d'intimité et d'autonomie dans les relations interpersonnelles à travers l'évaluation des relations entre adultes et relation significative avec le courant famille d'origine. Dans cette recherché à participé 486 adultes (243 hommes et 243 femmes), sous une cohabitation pendant au moins trois ans entre les âges de 21 et 87 ans. L'hypothèse que la qualité de l‟attachement au compagnon est associée à la différentiation du soi était, en général, confirmées par la vérification que le compagnon réponde aux besoins de l‟attachement qui était corrélée positivement avec la capacité de l'individu, dans l‟intrapsychique, de séparer les sentiments et les pensées, et dans l‟interpersonnels, de se séparer émotionnellement et physiquement de leur famille d'origine, et d'atteindre la maturité affective et l'indépendance sans avoir à passer cette connexion émotionnelle avec les autres. Nous avons trouvé des différences dans le niveau d'éducation et de la durée de la relation pour l‟attachement au compagnon et par sexe pour la différentiation du delf. Comme prévu, les dimensions de la différentiation du soi constitué des prédicteurs de l'attachement en quatre dimensions, mais dans des combinaisons différentes. Cette étude a été établi comme point de départ pour de nouvelles enquêtes qui cherchent à comprendre les processus de maintenance / réorganisation des modèles de l‟attachement dans les couples romantiques et leurs influences transnationales. Mots-clés: Attachement pour adultes, Relation romantique, Differentiation du soi, La théorie de Bowen.
  8. 8. VII ÍNDICE ÍNDICE DE ANEXOS ………………………………………………………………………. IX ÍNDICE DE QUADROS …………………………………………………………………….. XI ÍNDICE DE ABREVIATURAS ………………………………………………………………. XII INTRODUÇÃO …………………………………………………………………………….. 1 CAPÍTULO I. ENQUADRAMENTO TEÓRICO-CONCEPTUAL 1. Teoria da Vinculação ……………………………………………………………. 3 1.1 História Sumária ………………………………………………………………. 3 1.2 Vinculação: uma necessidade primária que se mantém para toda vida .. 5 1.3 Vinculação romântica no adulto: Modelo Bidimensional de Bartholomew 7 2. Teoria dos sistemas emocionais de Bowen ………………………………... 10 1.1 História Sumária ………………………………………………………………. 10 1.2 A Diferenciação do Self ……………………………………………………… 11 1.3 Investigação …………………………………………………………………… 14 3 Teoria da vinculação e TSFB: Que relação? ……………………………….. 15 CAPÍTULO II. ESTUDO EMPÍRICO 1. Objetivos e hipóteses de investigação …………………………………….. 18 2. Método ……………………………………………………………………………... 20 2.1. Participantes ………………………………………………………………….. 20 2.2. Instrumentos ………………………………………………………………….. 21 2.2.1. Questionário sócio-demográfico …………………………………….. 21 2.2.2. Questionário de Vinculação Amorosa (QVA) – versão breve …… 21 2.2.3. Differentiation of Self Inventory (DSI) ………………………………. 22 2.3. Procedimento ………………………………………………………………… 24 3. Apresentação dos Resultados ………………………………………………... 25 3.1. Análises Preliminares ……………………………………………………….. 25 3.1.1. Estudo da qualidade psicométrica dos instrumentos …………….. 26
  9. 9. VIII 3.1.1.1. Questionário da Vinculação Amorosa (QVA) ………………. 26 3.1.1.2. Differentiation of Self Inventory (DSI) ……………………….. 27 3.1.2. Estudos Descritivos ………………………………………………...… 28 3.1.3. Estudos Correlacionais ………………………………………………. 29 3.1.4. Estudos Diferenciais ………………………………………………….. 31 3.1.4.1. Diferenças em função do sexo e da escolaridade na vinculação ao companheiro ……………………………………………. 31 3.1.4.2. Diferenças em função do sexo e da escolaridade na diferenciação do Self ……………………………………………………. 32 3.1.4.3. Diferenças em função da idade e da duração da relação na vinculação ao companheiro ……………………………………………. 33 3.1.4.4. Diferenças em função da idade e da duração da relação na diferenciação do self ……………………………………………………. 33 3.2. Análise de Clusters ………………………………………………………….. 34 3.3. Regressão Linear Múltipla ………………………………………………….. 38 4. Discussão dos resultados ……………………………………………………... 41 4.1. Examinar de que modo os indivíduos vivenciam as suas relações amorosas …………………………………………………………………………… 41 4.2. Contribuir para o desenvolvimento da metodologia de avaliação da diferenciação do self ……………………………………………………………… 43 4.3. Estudar associações entre as dimensões da vinculação com as dimensões da diferenciação do self …………………………………………….. 45 4.4. Verificar em que medida as dimensões da diferenciação do self são capazes de predizer a qualidade da vinculação ………………………………. 46 4.5. Analisar o efeito das variáveis sócio-demográficas na vinculação ao companheiro e na diferenciação do self ………………………………………... 48 5. Considerações finais ……………………………………………………………. 50 5.1. Limitações do estudo e pistas para futuras investigações …………….... 50 5.2. Implicações para a prática clínica ………………………………………….. 51 5.3. Conclusão …………………………………………………………………….. 53 6. Referências Bibliográficas …………………………………………………….. 55
  10. 10. IX ÍNDICE DE ANEXOS Anexo 1 – Caracterização dos participantes, em função de variáveis sociodemográficas Anexo 2 – Questionário Sócio-demográfico Anexo 3 – Questionário de Vinculação Amorosa (QVA) – versão breve Anexo 4 – Differentiation of Self Inventory (DSI) Anexo 5 – Solicitação de colaboração às famílias Anexo 6 – Qualidades psicométricas do Questionário da Vinculação Amorosa (QVA) – versão breve 6A – Estrutura fatorial do QVA 6A(a) – Medidas de adequabilidade do procedimento de análise fatorial (Kaiser-Meyer-Olkin e Teste de Esfericidade de Bartlett) 6A(b) – Variância explicada pelos quatro fatores extraídos 6A(c) – Dimensões/ Itens e saturações ao longo dos quatro fatores extraídos 6B – Consistência interna das dimensões do QVA 6C – Correlações entre as dimensões do QVA Anexo 7 – Qualidades psicométricas do Differentiation of Self Inventory (DSI) 7A – Estrutura fatorial do DSI 7A(a) – Medidas de adequabilidade do procedimento de análise fatorial (Kaiser-Meyer-Olkin e Teste de Esfericidade de Bartlett) 7A(b) – Variância explicada pelos quatro fatores extraídos 7A(c) – Dimensões/Itens e saturações ao longo dos quatro fatores extraídos 7B – Consistência interna das dimensões do DSI 7C – Correlações entre as dimensões do DSI e DSI Escala Total Anexo 8 – Efeito do sexo e da escolaridade sobre a vinculação ao companheiro 8A – Teste dos efeitos principais intersujeitos do sexo e da escolaridade para as dimensões da vinculação ao companheiro 8B – Médias e desvios-padrão para as dimensões da vinculação ao companheiro onde há diferenças
  11. 11. X Anexo 9 – Efeito do sexo e da escolaridade sobre a diferenciação do self 9A – Teste dos efeitos principais intersujeitos do sexo e da escolaridade para as dimensões da diferenciação do self 9B – Médias e desvios-padrão para as dimensões da diferenciação do self onde há diferenças Anexo 10 – Efeito da idade e da duração da relação na vinculação ao companheiro 10A – Modelos de regressão para as dimensões da vinculação ao companheiro 10B – Análises de variância para os modelos de regressão das dimensões da vinculação ao companheiro 10C – Coeficientes de regressão para as dimensões da vinculação companheiro Anexo 11 – Efeito da idade e da duração da relação na diferenciação do self 11A – Modelos de regressão para as dimensões da diferenciação do self 11B – Análises de variância para os modelos de regressão das dimensões da diferenciação do self 11C – Coeficientes de regressão para as dimensões da diferenciação do self Anexo 12 - Clusters para a vinculação ao companheiro 12A – Teste dos efeitos principais intersujeitos para as dimensões da vinculação ao companheiro, em função do Cluster 12B – Teste dos efeitos principais intersujeitos para as dimensões da diferenciação do self, em função do Cluster 12C – Comparação de pares de médias (Teste de Scheffe) para as dimensões da vinculação ao companheiro e da diferenciação do self, em função do Cluster 12Ca: Dimensões da vinculação ao companheiro 12Cb: Dimensões da diferenciação do self 12D: Composição dos Clusters Anexo 13 – Modelos de regressão para as dimensões da vinculação ao companheiro, obtidos pelo método stepwise 13A: Análise de variância (ANOVA) da regressão 13B: Coeficientes de regressão para as dimensões da vinculação ao companheiro
  12. 12. XI ÍNDICE DE QUADROS Quadro 1 – Valores mínimo e máximo, média e desvio-padrão para as dimensões da vinculação ao companheiro e da diferenciação do self Quadro 2 – Correlações de Pearson entre as dimensões da vinculação ao companheiro e da diferenciação do self Quadro 3 – Médias e desvios-padrão para as dimensões da vinculação ao companheiro e da diferenciação do self, em função do Cluster Quadro 4 – Modelos de regressão para as dimensões da vinculação ao companheiro
  13. 13. XII ÍNDICE DE ABREVIATURAS TSFB - Teoria Sistémica da Família de Bowen QVA - Questionário de Vinculação Amorosa DSI - Differentiation of Self Inventory IP - “I” Position EC - Emotional Cutoff FO - Fusion with Others ER - Emotional Reactivity
  14. 14. 1 INTRODUÇÃO Ao longo dos anos, a Teoria da Vinculação tem sido objeto de inúmeros trabalhos empíricos e científicos, sendo sobejamente conhecida. Esta foi aplicada a vários aspetos da relação do casal, tais como a discórdia, a comunicação, a satisfação e longevidade da relação, sendo que, em termos gerais, a vinculação adulta segura está associada a resultados mais positivos do que a vinculação insegura nas relações de namoro e de casal (Feeney, 1999). Atualmente, um dos constructos relacionados com a relação de casal que se encontra em voga no âmbito da investigação na vinculação, é a diferenciação do self. Com efeito, de entre as teorias relacionais do desenvolvimento, a teoria da vinculação de Bowlby e a teoria sistémica da família de Bowen fornecem, cada uma delas, um quadro de referência para a compreensão de como a internalização das experiências vividas na família facilitam o desenvolvimento da regulação das emoções. Por isso é importante perceber as convergências e as divergências entre ambos os constructos relativamente às relações românticas. Estudos têm demonstrado que vinculações seguras estão associadas à conquista da autonomia, constructo indicativo da diferenciação do self (Skowron & Dendy, 2004). A presente investigação procurou ajudar a clarificar o constructo da diferenciação do self através da exploração da sua relação com a vinculação ao companheiro, e da sua expressão na população portuguesa em termos das variáveis sócio-demográficas. O trabalho encontra-se organizado em dois capítulos. O objetivo do Capítulo I é fornecer uma revisão da literatura sobre as variáveis em estudo: a vinculação ao companheiro e a diferenciação do self. Será, portanto, apresentado de forma breve o panorama da teoria da vinculação, começando pela revisão dos desenvolvimentos teóricos da vinculação na infância, no adulto e na relação romântica do adulto; em seguida, salienta-se a literatura sobre a Teoria dos Sistemas Familiares de Bowen, focando sobretudo o conceito basilar da sua teoria – a diferenciação do self. Finalmente, apresenta-se a revisão da literatura relativa à relação entre a teoria da vinculação e a diferenciação do self. No Capítulo II pretende-se expor o estudo empírico. Em primeiro lugar são apresentados os Objetivos e hipóteses do estudo. Segue-se a apresentação do método, começando pela descrição dos participantes, instrumentos utilizados e respetiva informação psicométrica, e procedimento adotado. Em terceiro lugar são apresentados os resultados, que se iniciam pelas análises preliminares, seguidas do teste das hipóteses: estudo das qualidades psicométricas
  15. 15. 2 dos instrumentos, estudos descritivos, estudos correlacionais, estudos diferenciais, análise de clusters e, por último, análise de regressão linear múltipla. Este capítulo integra ainda a discussão dos resultados, produto da confrontação dos resultados com as hipóteses pré-estabelecidas. Por último, são apuradas as limitações do estudo, avançadas pistas para futuras investigações, e apresentada uma sinopse das conclusões fundamentais do estudo.
  16. 16. 3 Capítulo IENQUADRAMENTO TEÓRICO E CONCEPTUAL CAPÍTULO I. ENQUADRAMENTO TEÓRICO-CONCEPTUAL 1. Teoria da vinculação 1.1. História sumária “We are molded and remolded by those who have loved us; and though the love may pass, we are nevertheless their work, for good or ill”. François Mauriac (cit in Bowlby 1969/1982, p. 331) A teoria da vinculação é fruto do trabalho conjunto de John Bowlby e Mary Ainsworth (Ainsworth & Bowlby, 1991; Bowlby 1969/1982; 1973; 1980). O primeiro foi um psiquiatra e psicanalista inglês que, durante as décadas de 1940 e 50, iniciou o desenvolvimento de uma nova teoria, capaz de explicar a importância da ligação afetiva entre mãe e filho para o desenvolvimento e funcionamento psicológico da criança bem como as consequências da sua rutura por meio de separação, perda ou privação (Bretherton, 1992). Bowlby não concordava com as teorias vigentes na altura que explicavam a ligação mãe-filho ou pela questão biológica de satisfação das necessidades de alimentação (teoria psicanalítica) ou como reforço secundário decorrente da mesma necessidade (teoria da aprendizagem social) (Bowlby, 1969/1982). Então, integrando conceitos retirados da etologia, das teorias da evolução da biologia, das ciências cognitivas, da psicologia do desenvolvimento e da teoria cibernética dos sistemas de controlo, Bowlby propôs que o vínculo que une a criança à sua mãe serve uma importante função biológica - a de proteção da criança; e uma importante função evolutiva - a sobrevivência da espécie (Bowlby, 1969/1982). Por sua vez, Mary Ainsworth foi uma psicóloga clínica canadiana, que em 1950 foi integrada na equipa de Bowlby e cujas contribuições estão associadas ao desenvolvimento de um novo método de estudo que permitiu testar algumas das ideias de Bowlby e assim ampliar e modificar a teoria da vinculação. (Bretherton, 1992). Em linhas sumárias, a teoria da vinculação conceptualiza “the propensity of human beings to make strong affectional bonds to particular others” (Bowlby, 1979, p.127). Ela compreende os conceitos de vinculação, que corresponde à disposição
  17. 17. 4 Capítulo IENQUADRAMENTO TEÓRICO E CONCEPTUAL motivacional da criança no de sentido de manter a proximidade espacial com a figura de vinculação e de comportamentos de vinculação, que, por sua vez, se refere às várias respostas que o indivíduo adota contextualmente para obter a proximidade desejada em relação a uma figura de vinculação. A figura de vinculação é alguém a quem o indivíduo recorre quando se sente angustiado, ansioso ou assustado. A maior parte das pessoas têm uma hierarquia de figuras de vinculação (Berman & Sperling, 1994). Contudo, a figura de vinculação primária é aquela pessoa com quem o sujeito mais gostaria de estar quando se sente angustiado independentemente de ser ou não a pessoa com maior capacidade para o ajudar naquela situação. Para as crianças essa pessoa é normalmente um dos pais; para os adultos a figura primária de vinculação é normalmente o par romântico ou um amigo próximo (Colin, 1996; Hazan & Zeifman, 1994; Weiss, 1996). Os comportamentos de um indivíduo em relação à figura de vinculação podem ser de: procura de proximidade (necessidade de estar perto e/ou manter contato), refúgio de segurança (recurso à figura de vinculação em busca de conforto, apoio e tranquilidade), base segura (utilizar a figura de vinculação como base para explorar o meio) e protesto de separação (resistir à separação e ficar angustiado com a mesma) (Hazan & Zeifman, 1994). Estes comportamentos servem o intuito de maximizar as hipóteses do bebé ser cuidado pelos outros (Bowlby 1969/1982). Bowlby (1969/1982; 1973; 1980) postulou ainda a existência de modelos internos dinâmicos (internal working models) de representação do self e do outro. Segundo o autor, ao longo do primeiro ano de vida o bebé cria expectativas e representações acerca da figura de vinculação (disponibilidade e responsividade) e sobre o self (reconhecimento do seu valor pessoal e capacidade par influenciar a figura de vinculação), tendo por base as repetidas interações com a figura de vinculação (Bowlby, 1973). Essas expectativas vão sendo consolidadas até à adolescência, altura em que os modelos internos dinâmicos se tornam relativamente estáveis. Neste sentido, as crianças fazem uma organização da informação acerca do seu ambiente físico, das suas figuras de vinculação, da sua relação com elas e de si próprias, desenvolvendo uma maneira própria de ver as relações íntimas que generalizam, então, para além da família (Bowlby, 1973). Os modelos internos dinâmicos reúnem expectativas, crenças e emoções acerca da acessibilidade e disponibilidade da figura de vinculação, mas também informações sobre a capacidade do indivíduo para suscitar proteção e carinho, envolvendo representações mentais das figuras de vinculação, de si e do meio ambiente. Para
  18. 18. 5 Capítulo IENQUADRAMENTO TEÓRICO E CONCEPTUAL Bretherton e Munholland (1999), os modelos internos dinâmicos permitem aos indivíduos antecipar o futuro e fazer planos, eles funcionam como um guião de avaliação das situações sociais e de assimilação de novas experiências, que permite ao indivíduo manter uma imagem coerente tanto de si como dos outros. Durante a década de 1970, Ainsworth e colaboradores desenvolveram uma técnica chamada “Situação Estranha” que, de uma forma devidamente normalizada, permitiu observar e medir quatro categorias de comportamentos nas crianças: (1) a ansiedade de separação, isto é, o desconforto que a criança expressa quando é deixada pelo cuidador, (2) a disposição da criança para explorar, (3) ansiedade perante uma situação estranha: a resposta da criança à presença de um estranho e (4) comportamento reunião: forma como o cuidador foi recebido no seu regresso (Ainsworth, Blehar, Waters, & Wall, 1978). Este método possibilitou o estudo das diferenças individuais na organização comportamental da vinculação e categorizar o comportamento de vinculação segundo três padrões: seguro, evitante, e ansioso- ambivalente (Ainsworth et al., 1978). Investigações posteriores sugeriram a existência de um quarto padrão de vinculação designado desorganizado, as crianças com este padrão de vinculação utilizavam uma mistura de estratégias dos outros três padrões nas interações com a figura de vinculação (Main & Solomon, 1986). Mais tarde, Hazan e Shaver (1987) ao estudar o amor romântico no adulto, observaram uma organização da distribuição dos estilos de vinculação similar à encontrada na infância por Ainsworth et al. (1978), com cerca de 56% dos sujeitos seguro, 25% evitantes, e 19% ansiosos/ambivalentes. Desde então têm-se desenvolvido inúmeros trabalhos no âmbito da vinculação ao par amoroso. 1.2 Vinculação: uma necessidade primária que se mantém para toda vida Bowlby (1979) afirmou que a qualidade do laço de vinculação estabelecido entre a criança e a figura de vinculação influencia o indivíduo ao longo de todo o seu ciclo de vida. Esta ideia está sintetizada na célebre citação de Bowlby segundo a qual a vinculação influência o individuo “from the cradle to the grave” (p. 129). Durante a infância a criança tem como principais figuras de vinculação os seus pais. A partir da adolescência verifica-se uma mudança gradual de vários componentes dos comportamentos de vinculação em direção a outras figuras de vinculação que não os pais, resultando numa mudança na hierarquia das figuras de vinculação. Neste
  19. 19. 6 Capítulo IENQUADRAMENTO TEÓRICO E CONCEPTUAL sentido, Hazan e Zeifman (1999) salientaram que as principais funções da vinculação (segurança e proteção) descritas por Bowlby na infância (1969/1972, 1973; 1980) permanecem nas relações íntimas durante a vida adulta, sendo normalmente o par romântico quem funciona como principal figura de vinculação, deste modo, ambas podem ser consideradas relações de vinculação (Hazan & Shaver, 1987). Weiss (1996) sugere que, na idade adulta, a procura de novas figuras de vinculação é motivada pela maturação social e sexual, pelo aumento da capacidade de reconhecer as limitações dos pais, e pelo aumento da autoconfiança e da necessidade de independência. Esta asserção acerca da existência de vinculação na idade adulta é defendida por Hazan e Zeifman (1999): The attachment system helps to ensure the development of an enduring bond that enhances survival and reproductive fitness in direct as well as indirect ways. Pair bonds are not simply mutually beneficial alliances based on the principle of reciprocal altruism. Instead, they involve a profound psychological and physiological interdependence, such that the absence or loss of one partner can be literally life- threatening for the other (p. 351). Deste modo, verifica-se que a vinculação na idade adulta partilha semelhanças com os vínculos formados na infância. Hazan e Zeifman (1999) apoiam a ideia de continuidade da vinculação mediante a análise de quatro variáveis. (1) Relativamente ao contato físico (procura de proximidade e contato), observam-se nas relações de românticas interações íntimas exclusivas destas relações e das interações mãe-filho que não se verificam noutros relacionamentos. (2) Em segundo lugar, os critérios de seleção da figura de vinculação são semelhantes nas crianças e nos adultos, estes vinculam-se preferencialmente àqueles que respondem às suas necessidades próprias e que são agradáveis, responsivos, competentes e familiares. (3) Também a reação à separação da figura vinculação, é semelhante: ansiedade e o stress seguidos de depressão e letargia, e, finalmente, caso a separação seja muito longa, desapego e reorganização afetiva (Bowlby, 1980). (4) Finalmente, os efeitos sobre a saúde física e psicológica. A rutura, as desavenças e os ciúmes no relacionamento com a figura de vinculação, aumentam a suscetibilidade a perturbações fisiológica ou psicológica devido ao seu efeito negativo sobre o sistema imunitário. Apesar das semelhanças entre o sistema de vinculação da criança e o do adulto existem também algumas diferenças significativas entre os dois. Nos relacionamentos
  20. 20. 7 Capítulo IENQUADRAMENTO TEÓRICO E CONCEPTUAL adultos íntimos ambos os elementos da díade oferecem e recebem cuidados e apoio uma vez que o sistema de procura de cuidados (careseeking system) e o de prestação de cuidados (caregiving system) atuam de uma forma simétrica e recíproca. Além disso nestas relações de vinculação há intimidade sexual, que exerce uma importante função na promoção e a manutenção do vínculo entre os parceiros pois induz ao contato, pelo menos nos primeiros estadios das relações (Hazan e Zeifman, 1994, 1999). Em suma, as relações de vinculação na idade adulta, continuam a exercer a função de promover o sentimento de segurança básica e consequentemente a estabilidade emocional do indivíduo (Weiss, 1996). 1.3 A vinculação romântica no adulto: Modelo Bidimensional de Bartholomew Em meados dos anos 80, emergiram duas grandes correntes de investigação sobre a vinculação no adulto (Bartholomew & Shaver, 1998; Simpson & Rholes, 1998). A primeira, desenvolvida por Mary Main e seus colaboradores (Main, Kaplan, & Cassidy, 1985), centrava-se no estudo da relação pais-filhos e recorria à entrevista como técnica principal de investigação, e.g. Adult Attachment Interview (AAI; George, Kaplan, & Main, 1985). O seu objetivo principal era perceber como o adulto organizava e integrava as suas experiências precoces de vinculação e as representações atuais que mantinha acerca delas. A segunda linha de investigação, iniciou-se em 1987 com os trabalhos de Cindy Hazan e Philipp Shaver, centrava-se no estudo das relações românticas e recorria a medidas de autorrelato como técnica principal de investigação. O seu objetivo principal era explorar o amor romântico enquanto processo e contexto de vinculação na idade adulta. Nesse sentido, Hazan e Shaver (1987) organizaram as diferenças individuais relacionadas com os pensamentos, sentimentos e comportamentos dos adultos nos seus relacionamentos íntimos em três padrões de vinculação: seguro, evitante e ansioso-ambivalente, análogos à classificação tradicional da vinculação infantil (Ainsworth et al., 1978). No seguimento dos trabalhos destes autores, Collins e Read (1990), propuseram uma nova linha de abordagem da vinculação do adulto ao par romântico, as abordagens dimensionais. Estas consideravam a possibilidade do sujeito se situar ao longo de dimensões contínuas, possibilitando uma maior variabilidade entre os sujeitos. Deste modo eles pretendiam colmatar as fragilidades associadas à abordagem categorial de Hazan e Shaver (1987) que, ao agrupar os
  21. 21. 8 Capítulo IENQUADRAMENTO TEÓRICO E CONCEPTUAL indivíduos segundo características centrais rígidas, não refletia a dinâmica das relações de vinculação adulta romântica. Posteriormente, Kim Bartholomew (1990, Bartholomew & Horowitz, 1991) com o intuito de conciliar as duas abordagens anteriores, sugeriu uma abordagem prototípica da vinculação romântica do adulto. Este tipo de abordagem prevê a existência de padrões de vinculação distintos, contudo considera a possibilidade da presença de elementos de vários padrões no mesmo sujeito (Bartholomew & Shaver, 1998). Assim, deixa de se falar, e.g., de indivíduos exclusivamente seguros para falar de indivíduos predominantemente seguros. O modelo bi-dimensional da vinculação proposto por Bartholomew (1990, Bartholomew & Horowitz, 1991) é ainda hoje a principal referência dentro das abordagens prototípicas (Matos, 2002). Apoiando-se nos postulados de Bowlby referentes aos MID, a autora configura um modelo que se organiza em torno da positividade e negatividade das representações que o sujeito tem de si próprio e do outro: 1) modelo de si positivo (perceção de si próprio enquanto merecedor de amor e atenção) vs modelo de si negativo (perceção de si próprio como não merecedor de amor e atenção); 2) modelo do outro positivo (perceção do outro como confiável e acessível, capaz de proporcionar apoio e proteção) vs. modelo negativo do outro (perceção do outro como pouco confiável e rejeitante) (Bartholomew & Horowitz, 1991). É das diferentes combinações entre estas duas dimensões e o seu caráter positivo ou negativo que se obtêm quatro padrões de vinculação: Seguro – modelo positivo de si próprio e do outro; Desinvestido – modelo positivo de si próprio e negativo do outro; Preocupado – modelo negativo de si e positivo do outro; e Amedrontado – modelo negativo de si próprio e do outro (Bartholomew & Horowitz, 1991; Matos, 2002). Os padrões também podem ser conceptualizado a partir da combinação da positividade e negatividade de outras duas dimensões, a dependência (necessidade de validação por parte dos outros para manter a autoconfiança) e o evitamento da intimidade (desvalorização do contato com os outros e da expressão emocional pelo medo de rejeição) (Bartholomew & Horowitz, 1991). Assim, os indivíduos com padrão seguro caracterizam-se por elevados níveis de autonomia e baixos de evitamento das relações íntimas. Eles veem-se como merecedores de amor e vêm os outros como dignos de confiança, por isso sentem-se “comfortable with intimacy and autonomy” (Bartholomew & Horowitz, 1991, p. 227) e estão disponíveis para se envolver emocionalmente com os outros.
  22. 22. 9 Capítulo IENQUADRAMENTO TEÓRICO E CONCEPTUAL Por seu turno, indivíduos com padrão de vinculação preocupado caracterizam-se por estarem constantemente “preoccupied with relationships” (Bartholomew & Horowitz, 1991, p. 227). Eles têm uma perceção negativa de si pelo que apresentam uma elevada dependência emocional face aos outros, buscando sempre a sua atenção e aprovação; por outro lado têm um conceito positivo do outro que conduz à idealização do outro, ao envolvimento exacerbado nas relações e à existência de níveis de ansiedade de separação elevados. “Dismissing of intimacy and counterdependent” é assim que Bartholomew & Horowitz (1991, p. 227) descrevem os indivíduos com padrão de vinculação Desinvestido. Estes indivíduos tendem a apresentar elevados níveis de autoconfiança e a valorizar a realização pessoal e independência em detrimento das relações de intimidade, as quais evitam e desvalorizam. Esta postura é interpretada pela autora como uma estratégia de defesa decorrente da disposição negativa que estes indivíduos têm face às outras pessoas. Isto é, negando as necessidades de vinculação pela valorização da independência, o sistema de vinculação é desativado e estes não incorrem nos riscos de rejeição. Finalmente, indivíduos com padrão de vinculação amedrontado são descritos como “fearful of intimacy and socially avoidant” (Bartholomew & Horowitz,1991. p. 227), estes têm uma autoconfiança baixa e desejam as relações de intimidade que simultaneamente evitam pelo medo de serem rejeitados. A teoria da vinculação fornece uma estrutura para a compreensão da forma como as pessoas vivenciam os relacionamentos significativos e, ainda, o seu comportamento nos relacionamentos. São muitos os estudos empíricos que atestam a validade da teoria de Bowlby e particularmente do modelo bidimensinal da vinculação, o modelo de referência a ser utilizado neste estudo (Bartholomew & Horowitz, 1991; Griffin & Bartholomew, 1994).
  23. 23. 10 Capítulo IENQUADRAMENTO TEÓRICO E CONCEPTUAL 2. Teoria Sistémica da Família de Bowen (TSFB) 2.1. História sumária “Después de haber pasado miles de horas en sesiones com las famílias, me resulto cada vez más difícil ver a un individuo sin “ver” a todos los demás miembros de la família, sentados como fantasmas junto a él.” (Murray Bowen, 2010, p. 25) A TSFB como o próprio nome indica foi criada e desenvolvida por Murray Bowen (1913-1990), um investigador, médico, professor e escritor (Guerin & Chabot, 1997) que na década de 1950, aderiu ao movimento emergente das terapias familiares por constatar que, apesar da psicanálise ser capaz de explicar toda a gama de problemas, as suas técnicas não se mostravam eficazes no tratamento dos transtornos emocionais graves devido ao enfoque no individuo isolado e desvalorização das relações familiares (Bowen, 2010). Durante o seu trabalho com pacientes esquizofrénicos Bowen descobriu que a relação simbiótica mãe-paciente, que na altura hipotetizava estar na base da sintomatologia psicótica, era apenas o fragmento de um problema da família, em que o pai detinha um papel fulcral - “the psychosis in the patient was now considered to be a symptom of the total family problem.” (Bowen, 1960, p. 349). Assim, com o olhar ampliado sobre a família esquizofrénica, Bowen notou uma forte interdependência emocional entre os seus membros. Eles eram dominados pelas emoções e as suas decisões essencialmente fundamentadas nos sentimentos (Bowen, 1960; 1990; 2010). Ao estender as suas observações a famílias com menores graus de psicose e depois a famílias “normais”, Bowen constatou que os padrões de relacionamento observados nas famílias esquizofrénicas eram iguais em todas as outras famílias, variando ao longo de um continuum no grau de intensidade e perturbação emocional dos seus membros (Bowen, 1990; 2010). Esta descoberta constituiu um novo ponto de viragem nas investigações de Bowen, no sentido da construção de uma teoria global do funcionamento emocional humano e dos seus processos de transmissão ao longo das gerações (Guerin & Chabot, 1997). A TSFB é, portanto, o resultado da hipótese de pesquisa original, modificada e ampliada centenas de vezes (Bowen, 1990; 2010) e da convergência dos
  24. 24. 11 Capítulo IENQUADRAMENTO TEÓRICO E CONCEPTUAL conhecimentos (1) que Bowen adquiriu na observação de inúmeras famílias humanas nas mais variadas circunstâncias, (2) com os da teoria dos sistemas naturais e (3) os da teoria da evolução das espécies (Bowen, 1990; 2010; Guerrin & Chabot 1997). Atualmente, ela é considerada a teoria mais completa no âmbito das perspetivas sistémicas pois é composta por oito constructos interligados entre si e com metodologia clínica correspondente (Charles, 2001, Guerrin & Chabot 1997, Papero, 1988, 1998 Skowron, Epps & Cipriano, in press). A TSFB vê a família como uma unidade emocional constituída por um conjunto de sistemas e subsistemas interligados entre si1 . Faz parte da natureza de uma família a ligação intensa emocional entre os seus membros, os quais afetam os pensamentos, sentimentos e ações em tal medida que muitas vezes parece que vivem todos sob a mesma "pele emocional". Eles solicitam atenção, aprovação e apoio uns dos outros, e reagem às necessidades, expectativas e angústias de cada um. Esta ligação e reatividade aos outros tornam o funcionamento dos membros da família interdependente, tanto que a mudança no funcionamento de um membro da família é seguida por alterações recíprocas no funcionamento dos outros. As famílias podem diferir no grau de interdependência, mas há sempre algum grau (Bowen, 1990; 2010). 2.2. Diferenciação do Self “The core of my theory has to do with the degree to which people are able to distinguish between the feeling process and the intellectual process.” (Murray Bowen, 1990, p. 355) No desenvolvimento da sua teoria, Bowen (1990) usou o termo diferenciação do self para descrever a capacidade do indivíduo “to maintain autonomous thinking and achieve a clear, coherent sense of self in the context of emotional relationship with important others” (Skowron & Friedlander, 1998, p. 237). Isto compreende a 1 Segundo Bowen (1990), cada indivíduo contém três sistemas básicos de funcionamento (além do biológico), o sistema emocional, o sistema dos sentimentos, e o sistema intelectual. O sistema emocional refere-se às reações automáticas que temos a estímulos ou acontecimentos. Este é o nosso sistema mais primitivo e sobre o qual não temos nenhum controle. O sistema dos sentimentos consiste essencialmente na nossa resposta subjectiva ou avaliação que fazemos do nosso sistema emocional. O sistema intelectual é o nosso sistema de pensamento, aquele que se encontra associado à capacidade racional para decidir como agir acerca da acção. O sistema dos sentimentos é a ponte entre o sistema emocional e o intelectual, ele confere sentido às reações emocionais.
  25. 25. 12 Capítulo IENQUADRAMENTO TEÓRICO E CONCEPTUAL capacidade do sistema familiar e dos seus membros “to manage emotional reactivity, act thoughtfully under stress, and allow for both intimacy and autonomy in relationships” (Skowron et al., in press). A diferenciação do self opera em dois domínios, o intrapessoal e o interpessoal ou relacional. A nível intrapessoal a diferenciação do self consiste na capacidade para distinguir o sistema intelectual do sistema dos sentimentos (Bowen, 1990) e intencionalmente usá-los para gerir as emoções e os comportamentos (Skowron & Friedlander, 1998). Indivíduos com baixo nível de diferenciação não reconhecem a diferença entre os processos emocionais e intelectuais. Eles têm os seus pensamentos e sentimentos fundidos, são emocionalmente reativos e, portanto, tomam decisões fundamentadas nos seus sentimentos. (They) “live in a „feeling‟ controlled world in which feelings and subjectivity are dominant over the objective reasoning process most of the time” (Bowen, 1990, pp.473-474). Em contrapartida, indivíduos com elevados níveis de diferenciação não têm os seus pensamentos e sentimentos fundidos, pelo que o indivíduo é capaz de pensar e responder objetivamente às situações, independentemente dos sentimentos que possam estar presentes (Skowron & Friedlander, 1998). Assim, há medida que a diferenciação aumenta, aumenta também a capacidade do indivíduo para discriminar entre processos de pensamento e de sentimento, gerir emoções fortes, pensar com objetividade em situações de stress e lidar com a incerteza e a ambiguidade nos relacionamentos sem perder a calma (Skonrow, in press). Quando a diferenciação é elevada, o indivíduo tem tempo e energia para atividades dirigidas para Objetivos, ao passo que, quando a diferenciação é baixa, a maior parte da sua energia é gasta na procura da atenção, aprovação e amor dos outros (Bowen, 1990; 2010). A nível interpessoal a diferenciação do self reflete a capacidade do indivíduo para preservar a autonomia nas relações de intimidade, isto é, para fazer uma gestão eficaz entre a proximidade e a separação face ao outro. Indivíduos com baixa diferenciação são emocionalmente reativos, pelo que em situações de ansiedade tendem a gerir as emoções ou pela fusão ou pelo distanciamento emocional, o que resulta na extrema proximidade ou distância interpessoal, respetivamente (Bowen, 1990; 2010). Especificamente, a fusão é o ato de reduzir a distância relacional através da aquisição das crenças e convicções do outro com o intuito de assim, ganhar o seu amor e aceitação; o distanciamento emocional é ato de aumentar a distância relacional pelo isolamento físico e/ou emocional ou pela negação das emoções (Skowron & Friedlander, 1998). Por outro lado, indivíduos com elevados
  26. 26. 13 Capítulo IENQUADRAMENTO TEÓRICO E CONCEPTUAL níveis de diferenciação, porque são capazes de distinguir os seus sentimentos e pensar objetivamente sobre as situações, são também capazes de configurar respostas que não impliquem o uso da sua relação como processo de gestão das emoções; eles negoceiam a proximidade e a distância. Assim, são capazes de estabelecer relações com maior autonomia, sem que sintam medos de abandono debilitantes; e de obter intimidade emocional nesses relacionamentos, sem que experimentem o medo de se sentir sufocados ou aglutinados (Bowen, 1990; 2010). De acordo com o seu grau de diferenciação, as pessoas podem posicionar-se em relação aos outros segundo o seu sentido de self de três modos: (a) I-position, (b) emotional cutoff, e (c) fusão (Bowen, 1990). Segundo Bowen, cada pessoa tem um basic self e pseudo-selves (Bowen, 1990). O basic self é genuíno e constante, e não é influenciado ou alterado por pressões dentro das relações íntimas. Ele só pode ser alterado ou influenciado pela própria pessoa. Por outras palavras, o basic self não oscila a fim de ser querido, amado ou aceite, e não cede à coerção emocional dos outros. Por outro lado, o pseudo-self é alterado pela influência dos relacionamentos importantes. Normalmente, o pseudo-self funde-se com os outros e adquire as crenças e convicções do outro como se fossem suas. Em contraste com o basic self, no qual as crenças e convicções dos outros são ouvidas sem que as do próprio sejam alteradas, para o pseudo-self, partilhar as ideias do outro é visto como uma fonte de amor e aceitação. Quando o pseudo-self se torna maior em relação ao basic self, e a distância do parceiro é percebida pelo indivíduo como uma ameaça, o sujeito tem reações emocionais excessivas, ou no sentido da fusão ou no sentido oposto da distanciação, estes sujeitos são pois, pouco diferenciados. Eles aprendem a gerir a ansiedade fundindo-se com o outro emocionalmente importante (Bowen, 1990) ou através de um processo aparentemente oposto que enfatiza a separação da família ou outro parceiro romântico. A contrastar com as duas posições emocionalmente reativas, a I position reflete uma elevada diferenciação do self (Bowen, 1990). Posicionando-se num I position, e apesar da presença de alguns pseudo-self, o basic self do indivíduo não flutua, a fim de ser querido, amado ou aceite, e por isso, o indivíduo não cede à coerção emocional dos outros. Em vez disso, a pessoa reconhece as emoções do parceiro e inclui essas emoções na resolução dos problemas ou situações de grande carga emocional. No seu âmago, a diferenciação do self envolve a capacidade para regular as emoções e o comportamento nos relacionamentos significativos, o que por sua vez
  27. 27. 14 Capítulo IENQUADRAMENTO TEÓRICO E CONCEPTUAL potencia as capacidades relacionais de autenticidade, intimidade madura bem como a capacidade de manter um self claramente definido no seio das relações significativas (Skonrow, in press). Trata-se de um processo normativo e uma propriedade fundamental das relações familiares; A diferenciação do self e as posições relacionais são aprendidas e estabelecidas na infância, no seio da família de origem (Bowen, 1990; 2010). O nível de diferenciação é relativamente consistente em todo o sistema familiar com um limite de variação entre irmãos e entre gerações (Skonrow, in press). 2.3. Investigação Os conceitos que constituem a TSFB são complexos e de difícil operacionalização. Talvez por isso, durante muito tempo predominou o seu estudo teórico perante o estudo empírico. A construção, de instrumentos psicométricos capazes de medir com precisão constructos como a diferenciação do self vieram abrir novos caminhos à investigação que logo evidenciaram a sua relação com os mais variados constructos: ansiedade crónica e a adaptação psicológica (Skowron & Friedlander, 1998), adaptação ao casamento e satisfação conjugal (Peleg, 2008; Skowron, 2000), stress e estratégias de coping (Murdock & Gore, 2004), ansiedade de separação (Peleg, Halaby, & Whaby, 2006; Peleg & Yitzhak, 2011), stress em alunos do ensino superior na adaptação à faculdade (Skowron, Wester, & Azen, 2004), saúde física (Peleg-Popko, 2002), bem-estar psicológico (Skowron, Holmes, & Sabatelli, 2003), competências de regulação emocional (Skowron & Dendy, 2004), sentimento de pertença a um grupo étnico (Skowron, 2004), violência na relação (Skowron & Platt, 2005). Até ao momento, a pesquisa não conseguiu suportar a hipótese de Bowen de que os casais tendem a emparelhar-se com semelhantes níveis de diferenciação (Skowron, 2000; Spencer & Brown, 2007), nem que pais e filhos adultos operam em níveis semelhantes de diferenciação.
  28. 28. 15 Capítulo IENQUADRAMENTO TEÓRICO E CONCEPTUAL 3. Teoria da vinculação e TSFB: Que relação? Pela leitura da resenha apresentada fica claro que apesar da vinculação e da diferenciação do self compreenderem constructos de teorias diferentes e terem significados diferentes, ambas se debruçam sobre o modo como as pessoas gerem as emoções na interação com os seus significativos. Contudo, nem sempre estes dois constructos têm sido analisados em conjunto. Ecke, Chope e Emmelkamp (2006), na tentativa de perceber como poderiam potenciar os resultados terapêuticos a partir da utilização conjunta dos dois constructos, procuraram os pontos de convergência entre as duas teorias. Eles constataram que ambas as teorias consideram as relações interpessoais e familiares fundamentais para o desenvolvimento saudável dos indivíduos e fonte do desenvolvimento de perturbações; e que, tanto Bowen (1990; 2010) como Bowlby (1969/1982) vêm o desenvolvimento humano como resultado dos relacionamentos estabelecidos, e os relacionamentos como parte de um sistema sustentado por forças opostas de natureza orgânica. As forças de união da TSFB podem ser vistas como análogas aos comportamentos de procura de cuidados e de prestação de cuidados na teoria da vinculação de Bowlby e o desejo de autonomização como análogo ao desejo de exploração do meio (Ecke et al., 2006). Na teoria da vinculação, a ativação do sistema de vinculação é acompanhado por ansiedade, na TSFB o desequilíbrio entre as forças de união e de separação no sistema familiar é vivida pelo indivíduo com ansiedade. Em ambas, é o modo como os indivíduos gerem a ansiedade que permite classificar o seu comportamento. Para os dois autores, em situação de ansiedade, os indivíduos inseguros deixam de ser eles mesmos e passam a viver de acordo com regras externas, criando padrões de resposta inflexíveis que apesar de automáticos, diminuem a qualidade dos relacionamentos. Por seu turno, a flexibilidade de resposta representa o estado saudável e deve ser, por isso, o objetivo da terapia. Também a explicação para a origem dos problemas da criança é consensual nas duas teorias, ambas os consideram enraizados nas práticas e relações parentais - os padrões de relacionamento saudáveis são um mecanismo complexo que envolvem fisiologia e cognição, e que resultam do sistema de relação em que cada um é criado. Bowen define isto como diferenciação do self com um mínimo de fusão e Bowlby como vinculação segura promotora da exploração.
  29. 29. 16 Capítulo IENQUADRAMENTO TEÓRICO E CONCEPTUAL Por último, tanto a TSFB como a teoria da vinculação de Bowlby, reconhecem que os padrões de resposta nos relacionamentos são intergeracionais. Esta ideia está patente nas próprias palavras de Bowlby: (there‟s a) "strong tendency for attachment problems to be transmitted across generations, through the influence on parenting behaviour of relationship problems stemming from the parent's own childhood" (1988, p. 146); e nos conceitos de Bowen de “processo de proyección de la familia”, mediante el cual los problemas de los padres se transmitem a los hijos” (e de) “transmisión multigeneracional”, hecha por los padres, de distintos grados de “madurez” e “inmadurez” através de várias generaciones (2010, p. 37). A investigação empírica começa agora também a confirmar que há mais semelhanças do que diferenças entre as duas teorias. Skowron e Schmitt (2003) descobriram que baixos níveis de diferenciação do self estavam significativamente relacionados com elevados níveis de fusão ao cônjuge e várias dimensões da vinculação insegura; e que estes indivíduos apresentavam uma preferência por relacionamentos íntimos com limites psicológicos e emocionais indefinidos, possivelmente numa tentativa de aliviar a ansiedade que resulta do medo de abandono. Skonrow e Dendy (2004), num outro estudo em que procuravam testar especificamente a convergência entre o conceito de diferenciação do self de Bowen (1990) e a teoria da vinculação de Bowlby (1982), encontraram relações significativas entre as dimensões da diferenciação do self e as da vinculação no adulto, com a diferenciação do self a prever até 40% da variância da vinculação ansiosa e 62% da variância da vinculação evitante. Estes resultados permitiram constatar que as teorias partilham duas dimensões semelhantes - a dialética da necessidade humana de intimidade e autonomia; e que a manutenção de ligações positivas com os cuidadores e parceiros anda de mãos dadas com a conquista da autonomia. Lippitt (2005) vem corroborar estes resultados ao aferir que elevados níveis de diferenciação do self e de segurança na figura de vinculação (i.e., baixos níveis de vinculação evitante e ansiosa) estavam positiva e significativamente associados a uma maior satisfação conjugal. Thorberg Lyvers (2006), quando investigam a diferenciação do self, a vinculação e a intimidade, encontram resultados que vão no mesmo sentido ao constatarem que os clientes com distúrbios relacionados com abuso de substâncias tinham menor diferenciação do self, maior medo da intimidade e um padrão de vinculação predominantemente inseguro quando comparado com clientes sem distúrbios relacionados com abuso de substâncias. Mais recentemente, Hollander (2007) encontrou uma associação significativa e positiva entre (a) a vinculação
  30. 30. 17 Capítulo IENQUADRAMENTO TEÓRICO E CONCEPTUAL ansiosa, a reatividade emocional e a incapacidade para manter um self claramente definido, e (b) a vinculação evitante, baixa reatividade emocional e corte emocional. A teoria da vinculação fornece uma estrutura para a compreensão da forma como as pessoas vivenciam e se comportam nos seus relacionamentos significativos. Por seu turno, a TSFB, tem contribuído substancialmente para a perceção da influência da ansiedade no desenvolvimento de diferentes padrões de resposta nos membros de um sistema familiar, e para o desenvolvimento de intervenções terapêuticas apropriadas às diferentes reações de ansiedade no sistema. Contudo, a avaliação da diferenciação do self, tem sido feita principalmente sob a forma de entrevistas e genogramas que são de aplicação mais exigente e que não propicia uma avaliação pré e pós-tratamento (Ecke et al., 2006). Tanto a vinculação como a diferenciação do self estão teoricamente ligadas à gestão dos afetos nos relacionamentos românticos e no ambiente familiar de origem (Bowen, 1990; 2010; Bowlby, 1969/1982), e pressupõem que a pessoa aprende e interioriza padrões de comportamento e expectativas ao longo do desenvolvimento que são usados na idade adulta, talvez abaixo do nível de consciência. O presente estudo utiliza constructos da teoria da vinculação de Bowlby (1969/1982; 1973; 1980) e da TSFB (1990; 2010) como lentes para melhor compreender as relações românticas. A provar-se que as duas terias estão interligadas, compreender as respostas do cliente à ansiedade e ser capaz de as associar a um padrão de vinculação pode abrir novos caminhos à compreensão das especificidades de construção e manutenção dos mecanismos de gestão dos afetos e assim projetar novas abordagens terapêuticas, potencializando a eficácia do processo psicoterapêutico no sentido da melhoria das relações românticas e familiares da população.
  31. 31. 18 OBJECTIVOS E HIPÓTESES DE INVESTIGAÇÃO Capítulo II Capítulo II - Estudo Empírico 1. Objetivos e hipóteses de investigação Embora Bowlby se tivesse essencialmente debruçado sobre o comportamento de vinculação na infância e lhe atribuísse uma importância fulcral no desenvolvimento da criança, afirmou também que este continua a desempenhar um papel determinante na vida adulta (Bowlby, 1969/1982). Consistente com esta afirmação, nos últimos anos tem-se assistido a uma rápida proliferação da literatura acerca da vinculação no adulto, que tem vindo a prestar suporte empírico à asserção de que a segurança permanece uma característica essencial das relações ao longo da vida adulta (Weiss, 1996; Matos, 2002). Integrado numa investigação sustentada na perspetiva sistémica transgeracional (Bowen, 1990), cujo objetivo é perceber os processos de reorganização/manutenção dos padrões de vinculação romântica em casais, o presente trabalho constituí-se como um estudo exploratório, a partir do qual se desenvolve a validação do instrumento de Diferenciação do Self, a utilizar como variável mediadora na supracitada investigação. Por conseguinte, surge como principal objetivo deste estudo compreender a relação entre a diferenciação do self e a qualidade da relação de vinculação com o companheiro. Especificamente pretende-se: 1. Examinar de que modo os indivíduos vivenciam as suas relações amorosas. Concretamente, perceber a vinculação ao companheiro, partindo do pressuposto que os indivíduos que constituem a amostra têm já uma relação de vinculação ao par amoroso, sendo que este funciona como fonte de conforto, segurança e apoio emocional (Hazan & Shaver, 1994; Hazan & Zeifman, 1999). Pretende-se perceber se a distribuição dos estilos de vinculação corresponde à solução de quatro protótipos interpretáveis à luz do modelo de Kim Bartholomew (1990; Bartholomew & Horowitz, 1991). 2. Contribuir para o desenvolvimento da metodologia de avaliação da diferenciação do self através da validação da versão portuguesa da Differentiation of Self Inventory. Espera-se que a escala seja capaz de
  32. 32. 19 OBJECTIVOS E HIPÓTESES DE INVESTIGAÇÃO Capítulo II apurar, por um lado, a capacidade intrapsiquica do indivíduo para demarcar o sistema de pensamento do de sentimento, e por outro, a habilidade interpessoal para manter as ligações com os significativos e simultaneamente conquistar a autonomia do self. Nomeadamente, espera-se que se organize nos quatro componentes propostos pelas autoras, Skowron e Friedlander (1998): Emotional Cutoff (EC), Emotional Reactivity (ER), “I” Position (IP) e Fusion with Others (FO). Pretende-se ainda explorar como a diferenciação do self se expressa na nossa amostra. 3. Estudar associações entre as dimensões e padrões da vinculação ao companheiro e as dimensões da diferenciação do self. Trabalhar-se-á com a hipótese de que, de acordo com Skowron e Dendy (2004), uma maior segurança da vinculação ao companheiro está relacionada com uma maior diferenciação (isto é, menor distanciamento emocional, reatividade emocional e fusão com os outros; e maior convicção nos seus pontos de vista). Particularmente, espera-se associações positivas do EC e do ER e negativas do IP com a vinculação evitante e associações positivas da ER, EC e FO e negativas do IP com a vinculação ansiosa (Skowron & Dendy, 2004)2 . 4. Explorar em que medida as dimensões da diferenciação do self são capazes de predizer a qualidade da vinculação ao companheiro. Com efeito, espera-se obter modelos diferenciados por dimensão da vinculação. 5. Analisar o efeito das variáveis sócio-demográficas na vinculação ao companheiro e na diferenciação do self. De acordo com a literatura, não são esperadas diferenças etárias e de sexo no que diz respeito às dimensões de vinculação na relação com o companheiro (Brennan & Shaver, 1995), bem como na duração da relação, uma vez que se está a estudar indivíduos com relações de vinculação já estabelecidas (Hazan & Zeifman, 1999). Todas estas variáveis, idade, duração da relação, escolaridade e sexo, também serão alvo de exploração relativamente às dimensões da diferenciação do self. Atendendo à investigação, não são esperadas diferenças relativamente à idade e à escolaridade (Skowron & Friedlander, 1998; Skowron, 2000; Skowron, Holmes & Sabatelli, 2003; Skowron & Dendy, 2004), contrariamente espera-se que as mulheres apresentem maiores níveis de reatividade emocional (Skowron & Friedlander, 1998) e fusão com os seus significativos (Skowron, Holmes & Sabatelli, 2003). 2 Na interpretação dos resultados é necessário ter em atenção os constructos invertidos, e.g. uma correlação com sinal positivo entre o EC e evitamento não significa maior distanciamento emocional mas menor.
  33. 33. 20 MÉTODO Capítulo II 2. Método Nesta secção, é explanada a metodologia do estudo, começando pelos participantes. De seguida, são descritos os instrumentos de medida utilizados e, por fim, é feita a descrição do procedimento. 2.1Participantes O presente estudo empírico contou com a participação de 486 sujeitos, residentes nos distritos do Porto e Braga, onde foi recolhida a amostra. Do número total, 243 (50%) participantes pertencem ao sexo feminino e outros tantos ao sexo masculino, e as idades estão compreendidas entre os 21 e os 87 anos (M = 52.16, DP = 15.16). Em relação ao nível de escolaridade, verificou-se uma elevada heterogeneidade da amostra. Efetivamente, 226 (46.5%) participantes concluíram o primeiro ciclo, 59 (12.1%) completaram o segundo ciclo, 60 (12.3%) findaram o terceiro ciclo, 79 (16.3%) concluíram o Ensino Secundário e 51 (10.5%) participantes possuem formação Superior. Todos os sujeitos que participaram na presente investigação são casados ou vivem em união de fato (numa relação heterossexual) e, do ponto de vista da duração da relação3 , verificou-se uma flutuação entre 3 e 56 anos (M = 27.60, DP = 15.01) de durabilidade. Importa salvar, quanto a esta variável, que um mínimo de três anos em regime de coabitação constituiu um critério para a inclusão na amostra. De fato, pretende-se estudar casais cuja relação de vinculação esteja bem estabelecida e a fase de enamoramento, comum no início das relações, tenha já corrido. De acordo com a investigação, relações com mais de dois anos de duração, são passíveis de serem consideradas relações de vinculação (Hazan & Shaver, 1994; Hazan & Zeifman, 1999). Sublinhe-se que a integração deste estudo numa investigação de maior amplitude, com os Objetivos já enunciados, teve repercussões na caracterização da 3 Note-se que, quando se refere a duração da relação, não se pretende reportar o tempo de namoro, mas apenas o tempo de casamento/união de fato.
  34. 34. 21 MÉTODO Capítulo II amostra, nomeadamente na grande amplitude de idades, na média elevada da duração da relação e no baixo nível de escolaridade que se verificou4 . A caracterização pormenorizada da amostra encontra-se no Anexo 1. 2.1. Instrumentos 2.1.1. Questionário sócio-demográfico O Questionário Demográfico destinava-se à recolha de informação demográfica pertinente para o estudo, como a idade, sexo, escolaridade, a duração da relação e o número de filhos (ver Anexo 2). 2.1.2. Questionário de Vinculação Amorosa (QVA) – versão breve Para a avaliação da qualidade da vinculação dos indivíduos, foi aplicado o Questionário de Vinculação Amorosa (QVA) – versão breve (Anexo 3). Este, é um instrumento de autorrelato de 25 itens, que deriva do seu homónimo de 52 itens, construído e desenvolvido por Matos, Barbosa e Costa (2001) e adaptado para a versão breve por Matos, Cabral e Costa em 2008. Fundamentado na teoria da vinculação de Ainsworth e Bowlby e no modelo bidimensional da vinculação adulta de Kim Bartholomew (1990; Bartholomew & Horowitz, 1991), o QVA procura, através de uma escala tipo Likert com valores de concordância de 1 (“concordo totalmente”) a 6 (“discordo totalmente”), avaliar como se posicionam os participantes acerca do que sentem e pensam em relação ao par romântico. O questionário está organizado em quatro fatores ou dimensões, são elas: a Confiança, que com 6 itens, avalia as perceções do sujeito quanto à responsividade do par romântico para satisfazer as suas necessidades e proporcionar conforto e apoio e, em que medida, o companheiro é percecionado como base segura de incentivo à exploração (e.g., “O(A) meu(minha) companheiro(a) respeita os meus sentimentos”); a Dependência, também com 6 itens, e que avalia a necessidade de proximidade física e emocional (e.g., “Eu e o(a) meu(minha) companheiro(a) é como se fôssemos um só.”, a ansiedade de separação (e.g. “Só consigo enfrentar situações novas, se ele(a) estiver comigo”) e o medo da perda (e.g., “Não sei o que me vai 4 Tal deve-se ao caráter transgeracional do estudo mencionado, cuja amostra são famílias com as seguintes características: jovens heterossexuais, em regime de coabitação há um mínimo de três anos, com pais vivos, também em regime de coabitação e com condições cognitivas para responder aos questionários. Desta forma, em cada família foram acedidas duas gerações, os casais jovens, também denominados de “casais da segunda geração” numa proporção 1/3 e os “casais de primeira geração”, numa proporção de 2/3.
  35. 35. 22 MÉTODO Capítulo II acontecer se a nossa relação terminar”); o Evitamento, que com 6 itens, avalia, por um lado, o papel secundário que o companheiro ocupa no preenchimento das necessidades de vinculação do sujeito (e.g., “Na minha vida, a minha relação amorosa é secundária”), por outro, a centração do sujeito na sua capacidade de resolução de problemas (e.g., “Quando tenho um problema, prefiro ficar sozinho(a) a procurar a(o) minha(meu) companheira(o)”); e por fim, a Ambivalência, com 7 itens, que reflete a insegurança do sujeito, expressa numa forte irritabilidade face a situações imprevisíveis e na dúvida sobre o papel que desempenha enquanto figura amorosa (e.g., “Tenho dúvidas se sou realmente importante para ele(a)”), bem como as suas próprias emoções relativamente ao par romântico (e.g., “Às vezes acho que ela(e) é fundamental na minha vida; outras vezes não”). Salientam-se as boas qualidades psicométricas evidenciadas em diversos estudos com a versão alargada do QVA (Barbosa, 2002; Barbosa, 2008; Rocha, 2008; Santos, 2005) e que começam a ser replicadas nos estudos com o QVA - versão breve (Assunção, 2009). 2.1.3. Differentiation of Self Inventory (DSI) O Differentiation of Self Inventory (DSI), é um instrumento de autorrelato, construído e desenvolvido por Skowron e Friedlander em 1998, cuja versão portuguesa é de Gouveia, Oliveira e Costa (2009). Segundo as autoras, inspirado nas contribuições teóricas de Bowen (1976, 1978, Kerr & Bowen, 1988), ele pretende avaliar o funcionamento emocional, a intimidade e a autonomia nas relações interpessoais adultas através da avaliação dos seus relacionamentos significativos e relação atual com a família de origem (inSkowron & Friedlander, 1988). O DSI contém, 43 itens classificados segundo uma escala tipo Likert de 6 pontos, em que 1 significa “Não é de todo verdade” e 6 “Totalmente verdade” e é constituído por quatro subescalas: Emotional Reactivity (ER), “I” Position (IP), Emotional Cutoff (EC) e Fusion with Others (FO). A primeira, ER, é composta por 11-items e avalia a tendência do sujeito para responder aos estímulos ambientais com recurso a respostas emocionais automáticas e labilidade emocional (e.g., “Por vezes os meus sentimentos tomam conta de mim e fico com dificuldade em pensar com clareza;” item invertido). A subescala IP, é também constituída por 11 itens, que refletem um sentimento de self claramente definido, bem como a capacidade do sujeito de, conscientemente, se manter fiel às suas convicções pessoais mesmo quando pressionado em contrário
  36. 36. 23 MÉTODO Capítulo II (e.g., “Sou capaz de dizer “não” aos outros mesmo quando me sinto pressionada”). Pontuações altas nesta subescala, indicam uma capacidade de mantêm-se fiel às suas convicções e por isso uma maior diferenciação do self. A terceira subescala, EC, contém 12 itens que refletem por um lado o medo de intimidade ou super envolvimento nos relacionamentos (e.g., “Tenho dificuldade em expressar os meus sentimentos às pessoas de quem gosto”; item invertido) e por outro, os comportamentos de defesa contra esses medos (e.g., “Quando algum relacionamento se começa a tornar muito intenso, sinto a necessidade de me afastar”; item invertido). Pontuações altas nesta subescala significam menor evitamento emocional e por isso maior diferenciação. Finalmente, a quarta subescala, FO, com 9 itens, mede o envolvimento emocional com as pessoas significativas (e.g., “Preocupa-me que as pessoas que me são próximas fiquem doentes, magoadas ou preocupadas”; item invertido) e a identificação excessiva com os pais, compreendida como adoção dos valores, crenças e expectativas parentais sem as questionar (e.g., “Procuro corresponder às expectativas dos meus pais”; item invertido). Aqui, sem dúvida, pontuações mais altas significam menos fusão ou seja uma maior diferenciação do self. Para calcular a pontuação total do DSI, todos os itens que constituem as subescalas RE, EC, FO e um da subescala IP devem ser invertidos, de modo que, pontuações mais altas significarão maior diferenciação. Depois de invertidos os itens, o seu valor é somado e dividido pelo número total de itens que compõe o instrumento, assim, na escala total, a pontuação variará de 1 (baixa diferenciação) a 6 (alta diferenciação). Para facilitar a comparação de resultados entre a escala total e as subescalas, é calculada a pontuação de cada subescala individualmente através da inversão dos respetivos itens, soma e divisão pelo número de itens da subescala. Deste modo, e à semelhança do que acontece com a escala total, a pontuação de cada uma das subescalas vai variar entre 1 e 6, com uma maior pontuação a refletir uma maior a diferenciação. Vários estudos levados a cabo pelas autoras, atestam as boas qualidades psicométricas do instrumento (Skowron & Friedlander, 1998; Skowron, 2000; Skowron, Holmes, & Sabatelli, 2003; Skowron & Dendy, 2004)
  37. 37. 24 MÉTODO Capítulo II 2.2. Procedimento Encontrar famílias em que todos os elementos preenchessem os requisitos pré- definidos foi difícil, assim como o foi, em muitos casos, que todos aceitassem participar. Como cada família era composta por 3 casais, numa proporção de dois casais de 1ª geração por cada casal de 2ª geração, optou-se por colocar os questionários em envelopes individuais, passíveis de serem selados. Cada envelope continha uma mensagem de solicitação de colaboração (Anexo 5) que referia o objetivo da investigação e que remetia para a confidencialidade de todo o processo de análise de dados. Seguiam-se, então, os questionários. Primeiro o de recolha dos dados demográficos e depois, sem uma ordem específica, o QVPM (Questionário de vinculação ao pai e à mãe), AIRS (Authenticity inRelationships Scale), DSI (Differentiation of Self Inventory) e QVA (Questionário de Vinculação Amorosa). Foram dadas indicações para selar o envelope assim que terminado o preenchimento do questionário, tendo sido, para isso, utilizados envelopes de fecho rápido. Isto tinha como objetivo garantir aos participantes que apenas o investigador ia ter acesso aos dados presentes do questionário. Cada envelope estava codificado de forma a permitir ao investigador perceber o grau de parentesco dentro das famílias. Foi nestes modos que se efetuou a administração dos mais de 600 envelopes, durante os anos de 2009 e 2010, a casais em regime de coabitação (casados ou em união de fato) há um mínimo de três anos e seus respetivos pais. Regressaram às nossas mãos 570 envelopes, 285 casais, 95 famílias.
  38. 38. 25 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS Capítulo II 3. Apresentação dos Resultados A presente secção destina-se à apresentação dos resultados relativos às análises preliminares e teste de hipóteses. Para tal, recorreu-se ao Pasw Statistics 18. 3.1. Análises Preliminares Nas análises preliminares, foram examinados os dados quanto à normalidade, outliers e dados omissos. De seguida, procedeu-se à análise descritiva dos mesmos para o cálculo das médias, desvios-padrão e consistência interna dos instrumentos, análise das correlações entre as dimensões dos instrumentos e teste dos efeitos das variáveis sócio-demográficas nas dimensões em estudo. Embora tenham respondido aos questionários 570 sujeitos, 72 desses foram eliminados por não completarem uma parte substancial dos mesmos, restando 498 participantes. Além disso, 12 tiveram perdas aleatórias de dados, pelo que também foram excluídos, constituindo, então, a amostra 486 participantes. Para a pesquisa de outliers, recorreu-se à inspeção dos gráficos Boxplot que, embora tenham identificado alguns participantes como possíveis outliers, depois de comparada a média de resposta ao item com a 5% Trimmed Mean5 , nenhum destes se revelou um verdadeiro outlier, pois em todos os itens, ambas as médias eram semelhantes. Deste modo, nenhum participante foi excluído da análise. Os testes de normalidade Kolmogorov-Smirnov e Shapiro-Wilk, revelaram-se significativos, o que indica ausência de normalidade. Contudo, nas Ciências Sociais e Humanas, as distribuições normais são raras e consideradas por muitos autores uma “abstração estatística”. Sobrevém que, como referido na literatura, em amostras de dimensão considerável (≥ 200), a não normalidade não é tão preocupante (Pallant, 2005). Portanto, com uma amostra que ultrapassa em grande margem o valor critério, nada foi feito em relação a este aspeto. 5 Média recalculada após removidos os extremos superiores (5%) e inferiores (5%).
  39. 39. 26 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS Capítulo II 3.1.1. Estudo da qualidade psicométrica dos instrumentos O estudo das qualidades psicométricas dos instrumentos compreendeu a análise da estrutura fatorial, o cálculo do coeficiente de consistência interna e correlação entre as subescalas. 3.1.1.1. Questionário da Vinculação Amorosa (QVA) O primeiro passo ao realizar uma análise fatorial é avaliar a adequação dos dados ao uso desta estatística. Isto requer a inspeção: da matriz de correlação para os coeficientes iguais ou superiores a .3; o cálculo da medida de Kaiser-Meyer-Olkin (KMO) para valores superiores a 0.6; e da significância do teste de esfericidade de Bartlett. O QVA apresentou na matriz de correlação coeficientes que corroboram os supracitados pressupostos de adequação da amostra, obtendo correlações iguais ou superiores a .3 na matriz de correlação, KMO = 0.92 e teste de esfericidade de Bartlett X2 (300) = 4507.04, p < .001. Para determinar o número de fatores a extrair, foi utilizado o critério de Kaiser (eigenvalues maior que 1.0) e o “Teste do Cotovelo” de Catell que sugeriram uma divisão em cinco fatores, com uma variância total de 57.26%. Contudo, optou-se pela extração em quatro fatores, de acordo com a efetuada no instrumento original, pois, por um lado, é a que melhor se coaduna com a bibliografia do fenómeno em estudo, e por outro, não altera em muito a variância total (53.02%). A segunda etapa consiste na Análise Fatorial Exploratória em Componentes Principais, com rotação Varimax. Os itens foram sujeitos à rotação duas vezes, tendo-se, para a segunda, eliminado dois dos 25 itens originais (porque a sua saturação naquele fator era incongruente com o indicado na literatura). O instrumento utilizado no estudo é, por conseguinte, composto por 23 itens, organizados em quatro fatores, que correspondem às dimensões encontradas e explicam 52.67% da variância total. Interpretados os itens que constituem cada um dos fatores, verificamos que estes correspondem, pela seguinte ordem, às dimensões Evitamento, Confiança, Dependência e Ambivalência. A dimensão Evitamento, com 7 itens, explica 18.99% da variância total e as saturações oscilam entre 0.37 e 0.79; a dimensão Confiança, com 5 itens, explica 11.90% da variância total, variando as saturações entre 0.38 e 0.80; a dimensão Dependência, com 6 itens, explica 11.35% da variância total, e as saturações variam entre 0.43 e 0.74; por fim a dimensão Ambivalência, com 5 itens,
  40. 40. 27 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS Capítulo II explica 10.44% da variância total, e as suas saturações variam entre 0.37 e 0.76 (Anexo 6A). No que concerne ao coeficiente Alpha de Cronbach, verificou-se que os fatores respeitaram os valores mínimos recomendados de .7: a dimensão Evitamento obteve um valor de .84, a dimensão Confiança teve um valor de .81, a dimensão Dependência deteve um valor de .71 e a dimensão Ambivalência de .74 (Anexo 6B). Finalmente, a relação entre as dimensões foi avaliada pelo coeficiente de correlação de Pearson. Ao observar as correlações interdimensão, constatou-se que as quatro dimensões que compõem o QVA estão correlacionadas entre si de forma significativa. O Evitamento surge correlacionado de forma negativa alta à Confiança (r = -.52, p < .01), negativa baixa à Dependência (r = -.19, p < .01), e positiva alta à Ambivalência (r = .70, p < .01); a Confiança tem uma correlação positiva alta com a Dependência (r = .53, p < .01) e negativa média com a Ambivalência (r = -.47, p < .01); por fim, a correlação entre a Dependência e a Ambivalência é negativa baixa (r = -.18, p < .01)6 (Anexo 6C). 3.1.1.2. Differentiation of Self Inventory (DSI) Os 43 itens da escala de Diferenciação do self (DSI) foram submetidos à Análise Fatorial Exploratória em Componentes Principais. Antes da sua realização, os dados foram avaliados quanto à adequação para a utilização desta estatística. A matriz de correlação revelou a presença de coeficientes iguais ou superiores a .3, o valor de KMO foi igual a 0.83 (excedendo largamente o valor de 0.6 recomendado) e o Teste de esfericidade de Bartlett alcançou significância estatística. A análise dos Componentes Principais revelou a presença de nove fatores, com eigenvalues acima de 1.0, que explicam 56.27% da variância total. A observação do “Teste de Cotovelo” de Cattel evidenciou uma quebra clara depois do quarto fator, por isso, e por sugestão da literatura, decidiu-se adotar a estrutura em quatro fatores para as restantes análises. Para auxiliar na interpretação destes quatro fatores foi realizada a rotação varimax por duas vezes, tendo-se, para a segunda, eliminado oito dos 43 itens originais (porque ou não saturou em nenhum fator ou a sua saturação no fator era incongruente com o indicado na literatura). 6 Os valores de corte utilizados como referência para a classificação das correlações como baixa, média ou alta foram os sugeridos por Cohen (1988 in Pallant, 2005).
  41. 41. 28 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS Capítulo II O instrumento utilizado no estudo é, por conseguinte, composto por 35 itens, organizados em quatro fatores, que correspondem às dimensões encontradas, e explicam 39.75% da variância total. No fator 1, com as saturações a oscilar entre 0.38 e 0.69, concentraram-se 12 itens relativos ao Emotional Cutoff, que representam 13.25% da variância total. No fator 2, com as saturações a oscilar entre 0.38 e 0.67, agrupam-se 10 itens, relativos ao Emotiona Reactivity, que representam 10% da variância total. Quanto ao fator 3, com as saturações a oscilar entre 0.35 e 0.67, encontraram-se 8 itens relativos ao “I” Position, que representam 8.29% da variância total. Por fim, no fator 4, com as saturações a oscilar entre 0.41 e 0.81, concentraram-se 5 itens, desta feita, relativos ao Fusion with Others, que representam 8.22% da variância total (Anexo 7A). De acordo com Skowron & Friedlander (1998), os fatores revelaram uma boa consistência interna, EC=.82, ER=.84, IP=.83, FO=.74, e a escala total .88. No presente estudo, o coeficiente Alpha de Cronbach foi, para o fator EC .83, o ER .77, o IP .68, o FO .78 e a escala total .80. O fator IP é aquele que tem uma menor consistência interna relativamente às restantes, ainda que os seus valores estejam próximos dos mínimos considerados aceitáveis (Anexo 7B). Para avaliar a correlação entre os quatro fatores do DSI, foi utilizado o coeficiente de correlação de Pearson que revelou para o EC uma correlação positiva média com o ER (r = .39, p < .01) e uma correlação positiva baixa com o IP (r = .22, p < .01), não se correlacionando com o FO (r = -.01, ns). O ER não se correlaciona com o IP (r = - .01, ns), mas revela uma correlação positiva média com o FO (r = .41, p < .01). Por último, o IP e o FO têm uma correlação negativa média (r = -.34, p < .01). (Anexo 7C). 3.1.2. Estudos descritivos Antes de prosseguir com a análise estatística dos dados, é imperativo calcular a pontuação total de cada uma das subescalas uma vez que, a partir de agora é sobre estas que vão incidir as restantes análises. Neste sentido, instruiu-se o Pasw Statistics 18 para somar as pontuações de todos os itens que compõem as subescalas, originando assim nove novas variáveis: quatro, que correspondem a cada uma das dimensões encontradas para o QVA, quatro que correspondem a cada uma das dimensões encontradas para o DSI e relativa à dimensão “diferenciação do self”, concebida através da soma das quatro anteriores. Uma análise descritiva das variáveis relativas à relação com o companheiro revelou que os participantes se percecionam como pouco evitantes (M = 2.67, DP =
  42. 42. 29 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS Capítulo II 1.09) e muito dependentes (M = 4.14, DP = 0.91), percebem alguma ambivalência em relação ao companheiro romântico (M = 3.10, DP = 1.04) e percecionam-no como fonte de apoio e base segura (Confiança, M = 4.84, DP = 0.86). Relativamente à diferenciação do self, cujos itens foram avaliados numa escala de 6 pontos, verificou-se que os sujeitos apresentam uma tendência para serem capazes de gerir habilmente entre o funcionamento emocional e intelectual, e a intimidade e autonomia nas relações, pois a média da escala total é maior que o seu ponto médio (M = 3.57, DP = 0.54), e as suas subescalas apresentam resultados que vão no mesmo sentido: EC, M = 3.88, DP = 0.91 (invertido); ER, M = 3.02; DP = 0.82 (invertido); IP, M = 4.42, DP = 0.74; e FO, M = 2.58, DP = 1.11 (invertido). No Quadro 1 pode-se observar de forma esquematizada os dados expostos. Quadro 1 Valores mínimo e máximo, média e desvio-padrão para as dimensões da vinculação ao companheiro e da diferenciação do self. Instrumento/Dimensões Mínimo Máximo Média Desvio-Padrão Vinculação ao companheiro (N=463) Evitamento 1,00 5,86 2,67 1,09 Confiança 1,60 6,00 4,84 0,86 Dependência 1,50 6,00 4,14 0,91 Ambivalência 1,00 5,80 3,10 1,04 Diferenciação do Self (N=433) Emotional Cutoff 1,33 6,00 3,88 0,91 Emotional Reactivity 1,00 5,40 3,02 0,82 “I” Position 1,88 6,00 4,42 0,74 Fusion with Others 1,00 6,00 2,58 1,11 DSI_Total 2,14 5,23 3,57 0,54 3.1.3. Estudos Correlacionais Como o Quadro 2 expõe, as variáveis foram examinadas quanto à sua correlação com recurso ao coeficiente de correlação de Pearson. Os resultados evidenciaram uma correlação significativa entre todas as variáveis, com exceção da Dependência com o EC (que apresenta uma correlação nula, r = .00), e da confiança com ER (r = - .09, ns).
  43. 43. 30 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS Capítulo II O Evitamento correlaciona-se significativamente, e de modo negativo, com todas as subescalas e a escala total do DSI, à exceção da subescala FO com a qual se correlaciona de forma positiva. Efetivamente, quanto mais a relação com o companheiro é tida como secundária no preenchimento de necessidades de vinculação, mais o distanciamento emocional e a negação da importância da família são usados como estratégias de resolução de problemas (EC; r = -.65, p < .01) e mais as respostas às situações de tensão são preponderantemente automáticas e emocionalmente carregadas (ER; r = -.14, p < .01). Por outro lado, quanto maior o Evitamento, menor é a capacidade do sujeito para se manter fiel ao seu sistema de valores (IP; r = -.25, p < .01) e menor é a tendência para o envolvimento emocional excessivo com os seus significativos (FO; r = .11, p < .05). Portanto, os resultados das subescalas indicam que quanto maior o Evitamento, menor a diferenciação do self. Esta premissa é corroborada pela correlação entre o Evitamento e a Escala Total, pois quanto maior o primeiro, menor o segundo, r = -.48, p < .01. Com a Confiança, correlacionam-se significativa e positivamente as subescalas EC (r = .35, p < .01) e IP (r = .36, p < .01) e a Escala Total (r = .20, p < .01). Correlaciona-se de forma significativa mas negativamente a subescala FO (r =-.26, p < .01). Assim, quanto mais o companheiro é percecionado como base segura e fonte de apoio, menor é o distanciamento emocional e maior é a tendência do sujeito para se manter fiel ao seu sistema de valores e se envolver a nível emocional de modo excessivo. Em suma, quanto maior a confiança maior a diferenciação do self. Também a Dependência apresenta uma correlação significativa positiva, desta feita, somente com a subescala IP (r =.21, p < .01), expondo que quanto maior a dependência, maior a propensão do sujeito para se manter fiel aos seu sistema de valores. Relativamente às restantes subescalas, a Dependência correlaciona-se significativa mas negativamente com a ER (r = -.29, p < .01) e FO (r = -.21, p < .01), o que significa que quanto maior a Dependência, maior a reatividade emocional, maior a convicção no seu sistema de valores e maior a tendência para o envolvimento emocional excessivo com os seus significativos. No computo geral, a relação da Dependência com a Escala Total, indica que quanto maior a primeira, menor a segunda (r = -.15, p < .01). Por fim, a correlação da Ambivalência com a Escala Total é significativa negativa, o que quer dizer que quanto maior é o sentimento de ambivalência menor é a diferenciação do self. Correlaciona-se ainda significativamente com todas as subescalas da diferenciação do self: EC (r = -.53, p < .01), ER (r = -.20, p < .01), IP (r
  44. 44. 31 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS Capítulo II =-.27, p < .01) e FO (r = .12, p < .05). Sendo que, por um lado, elevados níveis de Ambivalência se correlacionam com elevados índices de distanciamento e reatividade emocional e, por outro lado, com baixos índices de convicção no seu sistema de valores e de envolvimento emocional excessivo com os seus significativos. Quadro 2 Correlações de Pearson entre as dimensões da vinculação ao companheiro e as dimensões da diiferenciação do self a Dimensões Vinculação ao companheiro Evitamento Confiança Dependência Ambivalência Emotional Cutoff -0,65 ** 0,35 ** -0,00 -0,53 ** Emotional Reactivity -0,14 ** -0,09 -0,29 ** -0,20 ** “I” Position -0,25 ** 0,36 ** 0,13 ** -0,27 ** Fusion with Others 0,11 * -0,26 ** -0,21 ** 0,12 * DSI_Total -0,48 ** 0,20 ** -0,15 ** -0,44 ** ** p<.01 * p<.05 a. Listwise N=414 3.1.4. Estudos Diferenciais Finalmente, como várias das variáveis se mostraram significativamente relacionadas entre si, foram conduzidas uma série de Análises de Variância Multivariada (MANOVA) para testar os efeitos do sexo e escolaridade (variáveis nominais) e Regressões Múltiplas7 para testar os efeitos da idade e duração da relação (variáveis contínuas), que talvez precisem ser controladas na análise de hipóteses. 3.1.4.1. Diferenças em função do sexo e da escolaridade na vinculação ao companheiro Nestas análises, as variáveis demográficas (sexo e escolaridade) foram as variáveis independentes, e as dimensões da vinculação (Evitamento, Confiança, Dependência e Ambivalência) foram as variáveis dependentes. A MANOVA (traço de Pillai) não revelou qualquer efeito principal do sexo [F(4,458) = 0.86, ns] sobre as dimensões da vinculação. Contrariamente, observou-se um efeito principal da escolaridade [F(16,1788) = 5.28, p < .001] sobre três das 7 Dada a natureza ordinal das variáreis idade e duração da relação, e a impossibilidade da sua transformação em variáveis nominais, recorreu-se à Regressão linear múltipla com método Enter como método de inclusão das variáveis (inclusão simultânea).
  45. 45. 32 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS Capítulo II dimensões em análise: o Evitamento [F(4) = 9.58, p < .001; η² = .079], a Confiança [F(4) = 6.75, p < .001; η² = .057] e a Ambivalência [F(4) = 6.49, p < .001; η² = .055], não se registando diferenças para a dimensão Dependência [F(4) = 2.46, ns]. No que concerne à direção dos efeitos, verificou-se que quanto maior o nível de escolaridade, menor o evitamento (com valores a variar entre M = 2.97, DP = 0.07 para o 1º ciclo e M = 2.17, DP = 0.15 para Ensino Superior); maior a confiança (com valores a variar entre M = 4.66, DP = 0.06 para o 1º ciclo e M = 5.20, DP = 0.12 para Ensino Superior); e menor a ambivalência (com valores a oscilar entre M = 3.29, DP = 0.07 para o 1º ciclo e M = 2.56, DP = 0.15 para Ensino Superior). Relativamente ao tamanho do efeito, observou-se que a escolaridade teve um efeito moderado sobre a dimensão Evitamento (7.9%), e pequeno sobre as dimensões Confiança (5.7%) e Ambivalência (5.5%), pelo que considerou-se desnecessário o controlo destas variáveis para a análise de hipóteses. Para uma observação mais detalhada dos resultados consultar o Anexo 8. 3.1.4.2. Diferenças em função do sexo e da escolaridade na diferenciação do Self Nas análises que se seguem, as variáveis independentes foram o sexo e a escolaridade, e as variáveis dependentes foram as dimensões da diferenciação do self (EC, ER, IP e FO). A MANOVA (traço de Pillai) aferiu um efeito principal do sexo sobre duas das dimensões do DSI [F(4,428) = 8.85, p < 0.001]: o ER [F(1) = 19. 74, p < .001; η² = 0.044] e o FO [F(1) = 11. 00, p <.001; η² = 0.025], ambos com tamanho do efeito pequeno (4.4% e 2.5%, respetivamente). No que se refere à sua direção, verificou-se que os participantes do sexo masculino apresentam menores níveis de reatividade emocional (M = 3.19, DP = 0.84) e de fusão com os seus significativos (M = 2.75, DP = 1.16) comparativamente com os participantes do sexo feminino (M = 2.85, DP = 0.76 e M = 2.40, DP = 1.04). Além deste, foi encontrado um efeito principal da escolaridade [F(20,1676) = 3.54, p < 0.001] para todas as dimensões da diferenciação do self: EC [F(4) = 8.85, p < .001; η² = 0.078], ER [F(4) = 2.51, p <.05; η² = 0.023], IP [F(4) = 5.89, p <.001; η² = 0.053], e FO [F(4) = 4.75, p<.01; η² = 0.043], sendo que para o primeiro o tamanho do efeito é moderado (7.8%) e para os restantes é pequeno (2.3%, 5.3% e 4.3%, respetivamente). Relativamente à direção dos efeitos, observou-se que à medida que aumenta o nível de escolaridade, diminui o distanciamento emocional (1º ciclo, M = 3.68, DP =
  46. 46. 33 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS Capítulo II 0.91 e Ensino superior, M = 4.38, DP = 0.79) e a reatividade emocional (1º ciclo, M = 3.05, DP = 0.81 e Ensino superior, M = 3.20, DP = 0.80). Por outro lado, quanto maior o nível de escolaridade, maior a convicção no sistema pessoal de valores (1º ciclo, M = 4.27, DP = 0.73 e Ensino superior, M = 4.71, DP = 0.56) e maior a fusão com os significativos (1º ciclo, M = 2.80, DP = 1.18 e Ensino superior, M = 2.36, DP = 1.17). No anexo 9, segue a apresentação detalhada dos resultados. 3.1.4.3. Diferenças em função da idade e da duração da relação na vinculação ao companheiro No teste da influência da idade e da duração da relação sobre as dimensões da vinculação ao par amoroso, as primeiras foram introduzidas como potenciais preditores e cada uma das dimensões como variável dependente. Com a dimensão Evitamento como variável dependente, o modelo de predição revelou-se significativo [F(2) = 14.61, p < .001), explicando 6% da variância (r = . 06). No entanto, apenas a variável “duração da relação” evidenciou uma contribuição significativa na predição do evitamento de 1.4%8 (β = 0.038, p<.01),. Também para a dimensão Confiança como variável dependente, o modelo de predição se revelou significativo [F(2) = 11.47, p < .001), explicando 5% da variância (r = .05). Neste, toda a variância se deve ao modelo, pois, isoladamente, nenhum dos preditores mostrou uma contribuição significativa. Quanto à Ambivalência como variável dependente, o modelo de predição revelou-se significativo [F(2) = 9.82, p < .001), explicando 4% da variância (r = .04). À semelhança do que acontece com o Evitamento, apenas a variável duração da relação revela uma contribuição significativa na predição da ambivalência, de 1.1% (β = 0.337, p< .05). Comparativamente, para a dimensão Dependência, o modelo de predição não se revelou significativo [F(2) = 2.33, ns). Uma análise mais detalhada dos resultados encontra-se no Anexo 10. 3.1.4.4. Diferenças em função da idade e da duração da relação na diferenciação do self Para testar a influência da idade e da duração da relação sobre as dimensões da diferenciação do self, as variáveis idade e duração da relação foram introduzidas 8 O quadrado do Coeficiente de Correlação Part indica quanto da variância total na variável dependente é exclusivamente explicada pelo preditor e como o valor do R 2 iria cair se ele não fosse incluído no modelo.
  47. 47. 34 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS Capítulo II como potenciais preditores e cada uma das subescalas da diferenciação do self como variável dependente. Com a dimensão EC o modelo de predição revelou-se significativo [F(2) =12,79, p < .001) explicando 5% da variância (r = .05). No entanto, apenas a variável duração da relação evidenciou uma contribuição significativa na sua predição que foi de 1.3%. (= -0.36, p<.05). Também para as dimensões IP e FO os respetivos modelos de predição revelaram-se significativos [F(2) = 10,18, p < .001)] e [F(2) = 13,89, p < .001)] explicando respetivamente 4% (r = . 04) e 6% (r = . 06) da variância. Para as duas dimensões, a variância é devida ao modelo pois, isoladamente, nenhum dos preditores mostrou contribuição significativa. Para a dimensão Emotional Reactivity o modelo de predição não se revelou significativo [F(2) = 1.66, ns). No anexo 11, segue a apresentação detalhada dos resultados. 3.2. Análise de Clusters Procedeu-se à análise de clusters pelo método K-Means com o propósito de avaliar a existência de configurações específicas na organização das dimensões da vinculação ao companheiro, e verificar em que medida os resultados são consistentes com o modelo bidimensional de Kim Bartholomew (1990; Bartholomew & Horowitz, 1991). É esperado que os valores nas várias dimensões se organizem de acordo com os protótipos de vinculação Seguro, Preocupado, Amedrontado e Desinvestido. Note-se que a análise de clusters pretende definir uma estrutura na qual os dados mais similares se agrupam. Neste caso como se procurava a correspondência com os quatro protótipos, instruiu-se o Pasw Statistics 18 no sentido de agrupar os dados segundo 4 grupos (clusters). A similaridade entre os sujeitos foi medida pela distância euclidiana9 (Euclidean distance) e o procedimento estatístico utilizado para a formação dos clusters foi a combinação do Método Hierárquico com o Não- Hierárquico, que rentabiliza as vantagens e colmata a fragilidades de cada um. Cada cluster correspondeu, em teoria, a um protótipo de vinculação específico. Assim, ao observar o Quadro 3, constata-se que o Cluster 1 (n=105) caracteriza-se por uma muito elevada Confiança (M = 5.66, DP =0.39), elevada Dependência (M = 9 Segundo a qual pequenas distâncias indicam uma maior similaridade entre os sujeitos.

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