A OUTRA QUESTÃO
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DO COIONIAIISMO

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do podcr colonial através do discurso,  exige uma articulação...
dedicou à cstruturação da fronteira México/ Babados Unidos, 
que.  circula pelo texto afirmando e inrercambiando uma certa...
Por mais liberntório que seja,  dt:  um lado,  ver a lógica do
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Minha estratégia de truzitro termos do estereótipo tenta
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correm paralelos à recusa e 1'¡ ¡aercepçãn da castração -- estã...
enquanto a repressão banc seu obielo para o inconsciente_
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nnhanndnn-¡i-on.  .. _--__ . .__ _

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Bhabha, homi k. o local da cultura

  1. 1. A OUTRA QUESTÃO 0 ESTEREÓIIFO, A DISCRIMINAÇÃO E 0 DISCURSO DO COIONIAIISMO ütsupzlr-sc. dus conceitos fundadores de toda a história da filosofia, (iasconstiluí-ios, não E: :isxumir c. ) Irahalltr) (lu lilúingn ou do historiador clássico da filosofia. Apesar das iiparfcmrius, este é provavelmente o meio mais om. . do (le engentirar o começo de um passo pam fora da iilosofia. _lncqncs Dcrrida, “Structure, Sign und Play" ' Um aspecto importante tlo Lliscurso colonial é sua dependêrtcia do conceito (lc "fiXidCZ” na construção ideológica da alteridade. A fixidez, como signo da diferença cultural/ histórica/ racial no discurso do colonialismo, é um modo dc representação parz-ldoxzll: Conota rigidez e ordem imutável como também dCSOrLlCIH, degeneração e repetição dcmoníaca. Do mesmo modo, o estereótipo, qtte é sua principal estratégia discursiva, ú uma forma de conhecimento e identificação que vacila entre o que está sempre "no lugar". já conhecido. c algo que dcvc ser ansiosamente repetido. .. como se a dupli- cidade essencial do asiático ou a bcstial liberdade sexual do africano, que não precisam de prova, não pudessem¡ na verdade ser provados jamais no discurso. esse processo de (IHIÕÍUaÍÔYKZÍH, central par: : o estereótipo, que este capitulo explora quando constrói uma teoria do (iiscurso colonial, Isto porque e' a força da ambiizalêneia que dá ao estereótipo
  2. 2. colonial sua validade: cla garante sua l'Ept1ÍÍl_)Í| Í(l?1(lC um coniunturzrs lnístóricas c discursivas nlutantes; embasa suas estratégias de individuação c margínalização; produz aquele efeito de verdade probubilísticn e predíclulziliLlzultt que, para o esLcrcólipo, devc scmpre estar cm ex-'cesso do que pode ser provado cmpiríczxnnettte ou explicado logicamente. 'Podaviay a função da nmbivnlêncin como uma das estratégias discursivas c psíquicas mais significativas do poder discn-inwirrznlúrio »- suja racista ou sexislu, ptzríférico ou mc-. trrnpnlitnno - está arruda por ser mapeada. A ausência¡ de ml perspectiva tem sun prrãpría história de conveniência política. Rccunhccur o estereótipo como um modo ambivalcntc de conhecimento e poder exige Luma reação teórica c política que desafia os modos Lleltirtrliníslals ou funcionulislas de conceber u relação entre 0 discurso e EI. política. A ; malítictr dz¡ nmhivulência (lucstionzt : ts posições clognuáti. cas c nmoralístas diante do significado da opressão c da dis- criminação. Minha lcitura do (lizecurso LÍOlUIIÍal sugere que o ponto de: intervenção deveria ser deslocado do ÍTHECÍÍHÍQ re- conhccinlctnto das imagens como rmsítívas uu ntegativas para uma compreensão dos _processos de subjelívação tomados possíveis (e plausíveis) através do díscturso do estereótipo. julgar 2¡ imagem ersltrreolíputln com luta: : em uma nonnal. ividude política prévia é descartá-la, ¡Ião deslocá-la. o que só é possivel : to se lidar com sua efxácíu, com o repertório de posições de poder e resistência, dominação e dependência, que constrói u sujeito da identificação colonial (Lanto CUlUIIÍZELlUI' rumo colonlzadn). Não pretendo desconstruir' o discurso colonial para revelar seus equívocos ou rcprcssõcs ideológicas, para exullar diante de sua aulo-rcflexivicintle ou tolerar seu "excessu” liberatórío. Para Compreender a produtividade: do puder colonial e' crucial construir 0 seu regizue de verdade e não submeter suas representações a um julgamento norma- tizantc. SÓ timão toma-se [JQSSÍVEl cnmprcendcr a ambivalência produtiva do objeto do discurso Cnloninl - aquela. "alteridade" que é ao 111051110 tempo um objeto dc dcscio c cscámio, uma articulação da diferença contida dentro da fantasia da origem e da ídctltídade. O qu: : essa leitura revela são as fmmclrus do discurso colonial. permitindo uma Lransgrcssãu dcsscs limites a partir do espaço daquela alteridade. m6
  3. 3. A construção do sujeito colonial no discurso, e n exercício do podcr colonial através do discurso, exige uma articulação das formas da diferença - raciais e sexuais. Essa articulação lOIHÀ-SC crucial se considerarmos que o corpo está sempre simultaneamente (mesmo que de modo Conflituoso) inscrito tanto na economia¡ do prazer e do clcscjo como na economía do discurso, du Llominugzãn L' do pndcr. Não prclendo fundir', .sem problcmatizar. duas formas dc marcar' - c dividir - o sujeito, ncm generalizar duas formas de representação, Que- ro sugerir, porém, que há um espaço teórico e um lugar polí- tico para Lal arziculaçãr) - no sentido em que a palavra mcg: : uma identidade “iuriginal” ou uma "singularidade" : tus uhictos da diferença - sexual ou racial. Sc partinnos dessa visão, como comenta Feuchtxvung em outro Contcxlcf segue-se que ms cpítctos raciais ou sexuais 11321353111 a scr vistos como modos de diferenciação, percebidos como determinações múl- tiplas, cnlrecrtlzadas, polimorfzis t' pcrversus, sempre exigin- do um cálculo específico c estratégico dc seus efeitos. 133.1 é, segundo creio, o ¡nomento do discurso colonial. É uma Íurlna de: xliscurso crucial para a ligngjàr) de uma série dc (life- rcnças e discriminações que cmhasam : as práticas discursivas e políticas du hiel'zli'c_]lli'/ .zlçãt› mtiizll e Culluml. Antes dc passar à construção do discurso colonial, quero discutir brevemcnLc: o pmccssn pelo qua] as forums d: alteri- dade racial/ cultural/ históiica foram marginalizadas nos textos teóricos que se ocupam da : Iniculação da “diferençaH ou da “ntonlradiçãoÍ com o lim de, ;Jlttgzl-SC, rttvclzll* Os limites dr) discurso rcpresentncional do Ocidente. Ao facilitar a passa- gcm “da obra ao texto" e sublinhar a construção arbitrária, diferencial e sistêmica do: : signos . sociais c: culturais, essas eslraLégizis críticas desestabilizam a busca idealista por semi- dos que são. quase sempre, iutencionatlistas e nacionalistas. Isto não está em questão. O que precisa ser (questionado, cntretunm, é o mudo de rem-csernlagíãr) da altczridadei. Onde melhor levantar a questão do sujeito da diferença fâlClill c cultural do que na Inagislral zmzílíse Llc Stephen Heath du IHUIICID (tiara-escuro do clássico dc Welles, A Touch ofEi/ il [Um 'ibquu de Maldadcl? ltefiro-me a uma área desta análise que menos gerou comentários, ou seja, a atenção que Heath 107
  4. 4. dedicou à cstruturação da fronteira México/ Babados Unidos, que. circula pelo texto afirmando e inrercambiando uma certa noção do "ser limiLadifi. O Lrzibalho de Iiczilh : Justa-se da zinálise Irzicliitionzii dus Liiferençxas raciais t! cu| I.ui-:1i. s que idem tificam estereótipo r: imagem e os elaboram em um discurso moralista ou nacionalista quc afirma 21 origem c: '. l tirzidade da identidade nacional. É extremamente xclevantc a preocupa- ção de llearh com os lugares contraditórios c diw-ersos no inlcrior do sisic-. nxm textual que Construcrrz LiiicienuL-s nacio- miis/ cullurnia no USO que fzr/ .ccm dos somas d: : “estrangeiro”, “mistura”, "ímpurezu"_ como Lransgressores e corruptores, A atenção que Heath deciiua aos meandros desse sujeiio [ão negligemtiado como . signo (c não símbolo uu estereótipo) disseminado nos códigos (calmo "clivisãr›", "troca", "nomeaçàgi"_ “caiáteP etc. ) clã-nos uma noção úiil da circulação L' prolife- ração da alteridade racial e cultural. Apesar da consciência das múltiplas e entrecruzadas determinações na czonsrruçãiv dos modos de ciiferenciaçào sexual c racial, em um certo aspecto a análise de Heath mnrginalíza a alteridade. Embora eu vá ¡irgumenlzir que o problema dz¡ fronleirzi &léxico/ Estaçlos Unidos é visto de mzmcirzi por demais . singular, exclusiva- mente 50h f) signo Clzi sexualidade, não é que cu nàn cãsitciíl consciente das muitas razões relevantes e adequadas para a escolha do foco "feminista". A "diversão" operada pelo filme realista hollywoodinno dos anos SCI foi também sempre uma¡ contenção do tikljktilo em uma : economiza narrativa de voycurismo e itttiçtliismr). Além disso_ o LlBSlOCQIHEHIQ que organiza (iualqucr . sistema lcxlunl, dcniro do qual 21 exihi ção dz¡ (liFcrença circula, exige que n jogo das "nzlcinnalida- cics" participe do pnsicinnmncrito sexual, ptflTufljlliltit) a Lei t' u desejo. Há, cntictailto, certa singulziridaile c redutiviiladc na conclusão qua: Vargas é ; I posição do desejo, sua udmissao e sua. pmibiçào. Não é de: sc surpreender que el: lenha doi: numca: o nome do desejo é mexicano, Miguel. .. o da Lei é americano - Mike. .. O filme usa a fionteiia, n jogo anne americano e nlexicanci. .. 210 mesmo Iempo que tema prender aquele fogo finalmente nn oposição entre pureza c mlsluia que_ pu¡ sua vez, é uma versão da Lc¡ c. do descia. ?
  5. 5. Por mais liberntório que seja, dt: um lado, ver a lógica do texto traçada sem cessar entre o Pa¡ Ideal e a Mãe Fálica, por outro lado. Ver apenas uma articulação possivel do complexo diferencial "raça-sexo” conspira em parte com as imagens da ¡narginalídarle oferecidas. Isto porque, se a nomeação de Vargas está cruciaimente misturada e ciiviclícia na economia do desejo, há ainda outras economias mescladas que tornam a xiomeação e o posicionamento igualmente problemáticos "do lado de lá da fronteira". Identificar o “jogo” na fronteira como pureza e mistura e vê-lo como uma alegoria da Lei c do desejo reduz a articulação da diferença racial e sexual : to que está perigosamente perto de . se tornar um círculo, mais do que uma espiral, de tliferengzu. Sobre'. @SSH base, não é possivel construir u conluio perverso e polimorik) entre o racismo e o sexisntu como economía ntista - por exemplo, os discursos do coluniulisnw Cultural americano e da ciependêntria mexicana, o modo/ desejo da miscigenação, a fronteira americana CQTHU significante cultural de um espírito “ame- ricano" pioneiro e masculino sempre illnttzlçíltlí. ) por ragzas c culturas de além da fronteira ou 1121 tliviszl. Se 21 morte do Pati é a interrupção na qual se inicia a. narrativa, é através daquela morte que a miscigenação será ao mesmo tempo possível e adiada; se, ainda, é a intenção da itarrativa recuperar &Lisrm como “bom objeto", torna-sc também seu projeto liiarai' Vargas de sua "i-mistura" racial. Essas (lut-: stões de raça e representação foram retomadas no ¡túmcro de . Scrcert dedicado aos probletnas do “Racismo, colcinialistno c cinema"? Essa é uma intervenção oportuna c bem-vinda no dclmtc sobre ;1 narrativa realista e suas condi- çoes de existência e represcntabilídzlde - um debate que até aqui tem se ocupado principalmente do "sujeito" dc gênero e classe (lcntro (las formações sociais c textuais da sociedade burguesa (lo ocidente. Seria inadequado resenhsir aqui @SSC número de Screen, mas eu gostaria de chamar a atenção para o artigo 'A Política da Distância Estética. - a Apresentação da Representação em São Bernardo”, de Julianne Btlrton. Burton fa? uma leitura interessante do filme São Bernardo, de Hirzman, como uma réplica especificamente terceirn-mnndista aos debates dualísticos da ¡Ilctróprtle sobre o realismo e m9 l i . .
  6. 6. as possibilidades de ruptura. Entbnru ela não use Bztrtlles, seria exato dizer que eli¡ localiza o filme como “texto-limite” tanto dc seu próprio contexto social totalilário quanto dos debates teóricos contemporâneos sobre a representação. Os objetivos anti-colonialislas silo ainda atlmiraxielmentc retomados por Robert Stam e Louise Spence em “colonialismo, Racismo e Representação", com uma útil ênfase brechtiana na politização dos meios de representação. mais especificamente ponto-de-vista e stttura. M215, : apesar da¡ mudança de objetivos políticos e métodos críticos, permanece em seu ei-tsaio uma confiança limiradora e tradicional no estereótipo como capaz de oferecer, em um momento qualquer, um ponto seguro de identificação. lStO não é compcitsado (nem contradito) por sua opinião de que, em outros tempos e lizgares, o mesmo estereótipo possa ser lido dc modo contraditório ou_ (ic fato, ser lido ele modo equivocado. O que é, portanto, Lima simpli- ficação no processo da representação estcreotípic-. t tem um efeito de colisão sobre o seu foco central de abordagem da politica (lo ponto-dC-vista. Eles ciperan¡ com uma noção passiva c tmitária de sutura que simplifica a politica e a “esléticrzw do posicionamento do espectador, ao ignorar o processo ambivalente, psíquico, de identificação que é crucial ao argumento, Ao contrário, proponho que, dt: forma bcm preliminar, o estereótipo é um modo dc representação com- plexo, ambivalcntc c contraditório, ansioso na mesma proporção em que é afirmativo, exigindo irão apenas que ampliemos nossos objetivos críticos e politicos mas que mudemos o próprio objeto da análise. A diferença de outras culturas se distingue do excesso clc significação ou da trajetória do desejo. listas são estratégias teóricas que são necessárias para combnler o "etnoceiilris- mo", mais não podem, por si mesmas, sem serem reconstruirias, representar ziquel-. i alteridade. Não [vodca haver um desliza¡- mentu inevitável da 'atividade semiótica para : i leitura não problemática dc outros sistemas culturais e discursivosf Há nessas leituras uma vontade dc poder c conhecimento que, ao deixar de especificar os limites de seu próprio campo de enunciação e eficácia, passa a individualizur 21 : alteridade como a descoberta dt: suas próprias prcssupusiçõcs. 110
  7. 7. Il A diferença do (iíscurso colonial como aparato de poderñ vai emergir de forma mais corupletu no decorrer dcstc Capitu- lo. Nestc ponto, no entanto, fomcccrci o que considero as Condições ct CbJJCEÍÍAÍLÉHQIÍIELS mínimas tlaquele rlisrurso. 'É um aparato que sc apóia no reconhecimento L' repúdio dc diferenças raciais/ culturais/ históricas. Sua função estrategi- ca pretlorninante é a ríriziçiit. ) de um espaço para “povos sujeitos” através da produção de conhecimentos cm termos dos quais se exerce vigilância e se estimula uma forma complexa (le prazer/ (lesprazer. Ele buscar legitimação para suas estratégias através da produção de conhecimentos do coionizador e do colonizado que são estereotipados mas avaliados antíte- tlcamenle. O objetivo do tliscurso colonial é apresentar o co- Ionizado como uma população dc tipos dcgcncrados com basc na origem racial (lc modo a justificar a conquista e esta- belecer sislemztti (lt: ztrlrninislraçàt) e instrução. Apesar do jugo (lc: poder no interior do discurso colonial c das posicionali- dados cicslizantcs cfc seus sujeitos (por exemplo, efeitos de clas- se, gênero, ideologia, formações sociais diferentes, sistemas diversos dc colonização, u. - assim por clinntc), estou mc refe- rindo a uma forma de governamentulidade que, ao delimitar uma "nação sujeita”, uproprin, dirige e domina suas várias esferas de atividade. Portanto, apesar (Io “jogd” no sistema colonial que é crucial para seu exercício de poder, o (Iíscur- so colonial produz o colonizado como uma realidade social que é ao nmsmo tempo um “outro" c ainda assim inteiramente apreensível e visível. File lembra uma forma de narrativa pela qual : t ¡Jmdutividade e a circulação de sujeitos e signos estão agregadas cm uma totalidade reformada e reconhecível. Ele emprega 11m sistema de representação, um regime de verdade. que é estruturalmente similar ao realismo. 1:'. é com o fim dc intervir no interior desse : sistema dc: representação que Edward Said propõe uma semiótica tlo podcr "oricntalísla", examinando os ciivcrsos discursos europeus que constituem “o Oriente" como uma zona do mundo unificada em termos raciais, geográficos, políticos e culturais. A análise do Said é reveladora do discurso Colonial: INSTITUTO UE ' “FR” 111 mau. ; i _un
  8. 8. Filosoficamcnte, portanto. o tipo dc linguagem, pensamento e visão, que cu vcnho (Thalnallllí. ) dc orítnirnlisnir) tic: modo muitu geral, é uma forma de realismo radical; qualquer um que cniprcguc o urientulismo, que é o hábito dt: lidar com questões, objetos, qualidudczs c regiões consideradas orientais. vai dcsig» nar, nomear. apontar, fixar. aquilo sobre n que está falando ou pensando através de uma palavra ou expressão, que eniào é Viãli-l como ; Ligo que cmquistuu ou simplesmente é : t realidade. .. O tempo verbal que cmprc~gam é o : :temo atcmpoml; transmitem uma impressão dc repetição e forçam Para tüflzlñ casas Fuinçóes é quase sempre suficiente usar a simples cópula a* Para Said, a Cõpula parece ser o ponto no qual o TÍJCÍIJHH- lismu OCÍdCnlHl [JTESEIVZI ; is fmnleims do senlitlo para si próprio. Disto, também, Said está consciente quando alude continua- damentc a uma polaridade ou divisão no próprio Centro do orientalismo. ” Este é, por um lado, um tópico de apiendizadu, descoberta, prática; por outro lado, é o território dc sonhos, imagcns. Fumar: 45, mitos, obsessões e requisitos. É um sistema estático de “ussunciztlistno sincrônico", um conhecimento clc “significantes dc estabilidade" como o lcxicugráfict. : e n enui- clopédico. No entanto, esse território está continuadamuntu sob ameaça por parte de formas tlincrônicas de ltístórin e narrativa. signos de instabilidade. E, finalmente, (lá-se a essa linha dr: pensamento uma forma análoga à da construção do sonho quando Said se refere explicitamente a uma distinção entre “uma IJOSÍILlVÍtÍEIÚE'. inconsciente", que ele denomina orientalisttlt) latente, t: as visões¡ t: SZIbCFCS estabelecidos sobre o Oricntc que clc tthnma de oricntnlismt) manifesw. A originalidade tlcslzi teoria pioneira poderia ser ampliada para ocupar-se da alteridade t: ambivalência do LÍÍSCUISO Orientalísta. Said contém essa amcaça ao introduzir um bin: :- rismo em sua argumentação que, estabelecendo inicialmente uma oposição entre essas duas cenas (ÍÍSCUFSÍVHS, finalmente lhes ¡jctmite a correlação como sislema congrucnte (lr: representaçrão que é Linificado através du uma ¡rttenção politico-ideológica que, em suas palavras, possibilita à Euro- pa avançar segura e nâo-mcalcç/ 'oñrxtrrxrznle sobre o Oriente. Said identifica o cometido du orientnlisntt) como u repnsítórit) inconsciente da fantasia, dos escritos innaginativtis e idéias essenciais, e 21 forma do orientnlismo manifesto como o aspecto
  9. 9. rliacrõnicu, determinado histórica e discursívamcnte. Essa estrutura de divisão/ correlação do orient-. tlisuio tnanifesro c latente faz com que u eficácia do conceito de discurso seja Iriinuda pelo que se poderia chantar polaridudcs da intencionalidade. Isto cria um problema com o uso que Said faz dos conceitos de poder e discurso dc Foucault. . A pmdutivitlatlt do conceito foucztttltiano de ; junior/ conhecimento reside em sua recusa dc um: : epistemologia que opõe essência/ aparência. ideologia/ ciência. Pouuoír/ Savoir Coloca Sujeitos CU] uma relação de poder e reconhecimento que não é parte de tuna relação simêtrica nu dialética - eu/ otttro. senhor/ escravo - que pOdC então scr subvertida pela inversão. Os sujeitos são sempre colocados de forma tlesproporttiurtzrl em Oposição ou domi- nação através do clescentramcnto simbólico dc ittúltiplzts re- lações de puder qttc representam o papel de apoio, assim como o de alvo ou adversário. Torna-se difícil, cittão, conec- ber as enunciaçñes ltistóricrts do discurso colonial sem qu: : elas cstciattt funcionalmente sohredetcrtninadas, estrategica- mente elaboradas ou deslocada: : pela cena ÍIZCONSCÍBVUQ do orientalismo latente. Do tncstno modo, é difícil conceber o processo dc stlbjetificaçãt) como localização no interior do oricntnlismt) ou do discurso colonial para o Sujeito dominado, sem que o (lominador esteja também estrategicamente colocado nesse interior. Os tttrtnos nos quais o orientalismu de Said é unificado - a intencionalidade c unidirccionzt- lidade do poder coloniatl - lanlbértt unifícum o sujeito da enunciação colonial. Tsto resulta na insuficictttc atenção dc Said à representa- ção como cortccito que : trtittula o histórico e a fantasia (como com¡ do tlesejo) na produção dos efeitos "políticos" do dis- curso. Ele corretamente rcjcita a noção dc orientalisino como representaçât) equivocada de uma essência oriental. No entanto, tendo introduzido o conceito de "discurso", Said não encara os problemas que isto cria para uma unção ins» trumcittalista de poder/ saber de que ele parece necessitar. O problema e'. sintetizado em sua : tceitztção imediata da visão de que "Irlcprcscntações são formações. ou, como Roland Bztrlhcs disse de todas : t5 (iperações de linguagetn, elas são deformações" f' 'llj
  10. 10. lslo leva-me a meu segundo argumento. O fechamcnro c coerência atribuídos ao púlo mconscicnlc do (llscurso colonial e à Ficção não problcmzrtizçrrla do sujeito restringem a eficácia tanto do poder como do saber. Não é possível Ver con-ro o poder funciona proclurirxamcnre enquanto estímulo e interdição. Tampouco seria possivel, sem a atribuição de zimbivzalêncizr às relações de poder/ saber, calcular o impacto traumático do retorno do oprimido - aqueles : ltcrrorizantcs cstcrcótipos de selvagcria, Carnlbzrlismo, luxúria e anarquia que São os indicadores de identificar-jo e alienação, cenas de medo e Llcsejo, nos textos coloniais. É precisamente esta função do estereótipo como fobia e fetiche que, segundo Fanon, amcaçn o fechamento do esquema racial/ epídérmico para o sujeito colonial e abre a estrada real à fantasia colonial. Ilá uma passagem pouco desenvolvida em Oriarzlalísnzr) tule_ ao atravessar o corpo do texto, articula a (questão do poder e (lc) (lESCjU que pretendo cxarrlinrlr agrnwl. É a scguinle: No todo, um arquivo internamente estruturado é construido a partir da lilclalura qu? fa¡ [YZIIIC LlcHSZlb CXpfZTÍÊTKÍÍUS, Dele* pru- vÉm um número restrito de cncupsulaçücs lípicur. : J x'iagcltx. u história, El fábula, n esrereótrpo, n confronto polêmico. 1355115 são as lentes atraves das quais o Oricntc e vivenciado c cias n1odc| an1 a linguagem», a pcrccpção c a forma do encontro rtnlrc Oricnlt: c: Ocidente. O quo dzl M) imtnso IIÚKDETO d: cn- cuntros alguma unidade. no entanto, é a hesíraçào de que eu falava antes. Algo parenremenre estrangeira e distante adquire, por alguma razão, um estatuto dc nmior - em n27. dc : ncnm - familiaridade. Tendo-sc a parar dc ¡ulgau as coisas seja como rtmnplc-lanncnrit nuvzrs ou como wmplcurrncnlc conhecidas¡ uma nova categoria mediana emerge. uma categoria que permite que se vejam coisas novas, coisas vista: pela primeira vez, como versões de uma coisa previamente conhccirla. Em essência, css-a categoria não é tanto um modo de: receber informação nova como um rrrãtorlo de controlar o qua: parece ser uma ameaça a alguma visão estabelecida. das coisas. ” A ; rmeaça é emudecida, os valores familiares se impõem e por fim a menta reduz a prrzssãra feita sobre cla classificando as crzísus como “originais” ou "r-cpuitivus". .. O Oricnlc cru geral, porlatnlu, vacila cnlre o (Rcc-preza do Ocidente pclo qu: : é familiar t' seus ; urcpíos de prazer -- ou medo - thank: da noxúdade. ”
  11. 11. O que é esta outra cena do discurso colonial representada cm como da “catcgoriar lhediana"? O que é essa teoria da cncapsulação ou fixação que sc move cntrc n reconheci- alento da diferença cultural c racial r: seu repúdio, fixando o ; não-familiar a algo estabelecido, d: : uma maneira que é repe- titiva e que vacila entre Ú prazer e o medo? A fábula ireudianzl do felíchisrno (e da YECUSH) circularia no interior do discurso do poder colonial exigindo a articulação de modos de diferenciação - sexual e racial- assim como diferentes mo- dos dc discursn teórico - psicanalítíco C histórico? A articulação estratégica dc “coordenadas do saber" _- racial e sexual ~ e sua inscrição no jogo do poder colonial como mudos de diferenciação, defesa, fixação, hierarqui- zaçíio, é um modo de espertificzar o Lliscurso colonial (rue seria esclarecido pcgr referência ao (tonceilo pós-estruturulista foucanlliant) de dísposí! íj'oi1 aparato. Fnucault insiste que a relação de saber e poder no interior do apararo é sempre uma resposta estratégica a uma necessidade urgente cm um dado IIIOIIICTIIO histórico. A força : :lo discurso colonial c pós- colonial como intervenção teórica c: cultural em (10550 ÍÍIOITIÊÍDIU COHIEIUPOTÕRCO TGPTCSCDÍH ? l necessidade: Llrgenle de contestar singularidadcs de diferença e de articular "sujeitos" diversos dc diferenciação. Foucault diz que o : upzlmtu é essencialmenle de natureza eslrzllégiczc_ o que significa presumir que se tram de uma certa manipulação Llc relaçoes de forças, sei: : desenvolvendoars em uma direção particular, ou bloqueando-as, estnbilizando-as_ utilizando-as etc. I) aparato é assim sempre msrrim em um jogo de poder_ pn- rém é também sempre ligada a certas conrdenadas do saber que provêm dele mas que, em igual medida, o condicionam. É ziisro que consiste o aparato: estratégias de relações de Forças que apóiam e, se apóiam rem tipos (lu saber. ” Nesse sentido, proponho a leitura do estereótipo em termos de fetichismo. O mito da origcm histórica - pureza racial, prioridade cullural _ produzido cm relação com o estereóti- po colonial tem a função de “normalirar” 21s crenças múltiplas e os sujeitos divididos que constituem o cliscurao colonial como conseqüência de seu processo de recusa. A cena do 115
  12. 12. Cí . .V. .". _._. . . fctíchisxrln funciona dc forma similar como, uu IIICSIILU lcmpo, uma reativação du material da fantasia original a a unsic- dade da castração c da diferença sexual 4 c como uma norma- lização : incluem diferença e perturbação em termos do objem fetiche como substituto para¡ n pênis da mãe. Dentro do apa- mlo de pode: colonial, os (HSCUYSOS da sexualidade t: da raça sc relacionam: cm um DIUCBSSO de sobredeterrriinação funcional, “porque cada efeito. .. cntra cm ressonância ou contradição com os outros c daí exige um reajuste ou uma recl-aboraçâo dos elementos hetcrugêncos que afloram em diversos pontos? ” Existe tanto Luna justificativa estrutural como uma funcional para sc ler o estereótipo racial do discurso colonial cm termos dc fctichismo. ” Minha releitura dc Said estabelece o elo estru- Jumí. O fetichismo, como a recusa da diferença, é aquela cena repetitiva em torno do problema da castração. O reconheci- mento dz¡ Lliftsrença sexual - como pré-condição para :1 «circu- lação da cadeia de ausência e presença no âmbito do simbólico - é recusado pela fixação em um objelo que mascara ; aquela (liferença e rcsInLIra uma presença original. O elojicncikmal entre 21 fixação do fetiche e o estereótipo (ou n estereótipo como Teria-htc) é ainda mais relevante. Isto porque o fetichismci é sempre um “j0go" ou vacilação entre a afirmação arcaica de toiulidadc/ similaridacle - cm termos frcudiancis: “Fados os humcns têm pênis”, cm nossos termos: “fodas os homens têm a mesma pelc/ raça/ cultura" _ c a ansiedade associada com a falta e a diferença - ainda. para Freud: “Alguns nào têm pênis"; para nós: “Alguns não têm a mesma pele/ raça/ cultura. ” Dentro do discurso, o fetiche representa o jogo simul- lãneo entre a metáfora como substituição (mzlsrztmndo a ausência e a diferença) e : i metonímia (que registra conriguumenlc a fall: : pcníehída). O fetiche nu czstereótipi) dá. acesso a uma "identidade baseada tamo na clnminaçãt) e no prazer quanto na ansiedade e na clefcszi, pois é uma forma dc crença n1últipla e contraditória em seu reconhecimento da diferença c recusa da mesma. Estc conflito entre pruzer/ dcsprazci; dominação/ defesa, conhecimento/ recusa, atusência/ ptcsença, tem Luma significação fundamental para o discurso colonial. Isto porque : I Cena do fetichislno é lambém a cena da reativação e repetição 116
  13. 13. da. fantasia printàritt - o desejo do sujeito por uma origem pura que é sempre ameaçada por sua divisão, pois o sujeito deve ser (lotado de gênero para ser' engcndrzulo, para ser falado. O estereótipo, então, como ponto primário de subjetifica- ção no discurso colonial, tanto para o (zolonízatlnr czomo para o colonizziclo, é : t cena de uma fitntasizi e defesa semelhantes - o (lesciu de uma tóriginzilidazle que é de novo ameaçada pelas diferenças de taça, cor e cultura. Minha afirmativa está contida de forma esplêndido no título dc Eamon, Pele Negra, ;Máscaras Brancas, ondc a recusa da rlifcrcnça transforma 0 sujeito colonial em um desaiustado - uma mímica grotesca ou uma "duplicação" que ameaça dividir a alma e a pele não- cliferertciada, completa, do ego. O estereótipo não é uma simplificação porque é uma falsa representação dc uma dada realidade. É uma simplifittztgtâi) ¡Jorque é uma forma presa, fixa, de representação que. , ao negar o jogo da Llifercngz-, i (que a negação através do Outro permite), constitui um pro- blema para a representação df) sujeito cm significações dc relações psíquicas c. sociais. Quando Fantin lala do posicionamento do sujeito no dis- curso estereotipttdo do ttuloiiinlismo, ele fornece ainda mais . suporte a meu argumento. As lendas, estórias, histórias e anedotas de uma cultura colonial oferecem no sujeito um “Ou/ Ou" primortliald" Ou ele está fixarlo em uma CZDDSKTÍÊHLÍÍQ! tio corpo como uma ; atividade unicamente negadora uu como um novo tipo de hontem, uma nova especie. O que se nega ao sujeito colonial, tanto como colnnizadoi' quanto cnlonizado, é aquela forma de negação que dá acesso ao reconhecimento da diferença. É aquela possibilidade dc diferença c circulação que liberaria o significante de pele/ cultura das fixações da tipologia racial, da analítica do sangue, das ideologias de dominação racial e cultural ou da degeneração. "Onde quer que vá". lamenta Fanart, "o negro permanente um itegro”-“ sua raça sc torna o signo nào-erradicãvcl da diferença negativa nos discursos coloniais. isto porque o estereótipo impede a circulação c a articulação do significante de "raça" ; i não ser em sua fixidezz enquanto racismo. Nós sempre sabemos de antemão que os negros sào licenciosns e os asiáticos díssimulados. .. 'll7 z. : EL_-
  14. 14. ill Há duas "cenas primárias" em Paíeivagru, .izíâscaras Brancas, dc Fation: dois mitos da origem da marcação do sujeito dentro das ¡Jráiicas racistas e dos discursos de uma ttulturzi colonial_ Em certa ocasião uma menina branca fixa Fanon com o olhar c a palavra ao voltar-sc para se identificar com sua mão. É uma Ctillâl que ecoa sum cessar através de seu ensaio “O Fato da Ncgrura": “Olha, um negro. .. (Mamãe, olha o negro! Estou com medo. " "O qu: : trials nie: restava", conclui Fantin, "sertão uma amputação, uma excisêio, uma hemorragia qu: : cobriu todo o meu corpo de: sangue ncgroTlõ Do mesmo modo, cl: : sublinha o momento primário em que ; i ttriariçzi se tlrzfronta com os estereótipos raciais c culturais nas histórias infantis. ondt: heróis brancos c. (lernônios negros São npresctntados como pontos de identificação ideológica e psíquica. Dramas como cssc são cnccnadns diariamente em sociedades colo- niais, diz Fzinvn, empregando uma metáfora teatral - a ccnzi - que enfatiza o visível - n visto. Pretendo jogar com os dois sentidos qu: : St'. rrrferern_ simultaneamente, ao tcrriirãrio da fantasia c do desejo e à visão dc subjetificziçêio e poder. O drama que subjaz a essas dramáticas cenas ttoloníziis “cotidianas” não é difícil di: discernir. Em cada uma dclas o Sujeito gira em torno (lt) pivô do “estereótiptf para rclomnr i1 um ponto dc total identificação. O olhar da menina retorna : i sua mãe no reconhecimento c recusa do tipo ncgróide; n criança iicgra afasta-sc dc s¡ própria, dc sua raça, cm sua total identificação com a positividade da hrancura, quc í: :io mesmo tempo core : urgência de cor. No nto da rectusa e da fixação, o sujeito colonial é remetido dt: volta no narcisismo do imaginário e sua ÍÚCHIÍÍÍCSIÇÕL) d: : um ago ideal que. é lvranco e inteiro. Isto porque o que essas cenas primárias ilustram é qu: : olhar/ tiuvir/ ler Como lugares de subjctificaçãu rio discurso colonial são prova da importância do imaginário visual e auditivo para as histórias das sociedades. ” É nesse conlctxto que quero ; iludir brevemente à proble- mática do iler/ ser visto. Sugiro que para se conceber o sujeito colonial como o cfcíto dc poder que é produtivo - disciplinar e "prazeroso" - é ¡arttciso Ver : i vigilância do poder colonial como algo qu: : funciona cm relação com o regime de [Jutsãci ascõpicrxt. Ou strjzi, H pulsão qut: rcprrtscntzi o prazer 118
  15. 15. de "Ver". que tem o olhar como seu Objeto de desejo, está rc-lacionzulu ianlo ao mim (lay. origens, a cem primária, quanto à PYUhICIIIÕÍÍCQ do fctichismo c localiza o objeto Vigiado no interior da relação “imugináriaif”. Como u voyeurismo, a eficácia da vigilância depende do "cunsvntliznseutzn ativo que é seu corrclato real ou mítico (mas sempre real enquanto mito) c estabelece no espaço cscópico a iiusáo da relação objetaim (grife meu). A zimbivzilência dessa forma de “cnnsenLimenIo” na objetificagño ~ real ou mítica _ é 21 ambiualéncia em torno da qual o estereótipo gira, ilustrando a ligação crucial entre prazer c poder que Foucault postula mas, a meu ver, não consegue explicar. Minha anatomia do discurso colonial permanece incom- pleta até quc cu coloque o estereótipo, como modo retido. fetichirila de representação, dentro de seu campo dc identifi- cação, que identifiquei em minha descrição das cenas pri- márias de Fanon como o esquema lacaniano do imaginário. 0 imaginário” é n transformação que acontece no sujeito durante a fase formativa do espelho, quando ele assume uma imagem distinta que permite : l ele postula: uma série de equi- valêncins, semelhanças_ identidades, entre os dbjertas do mundo : m seu redor. Nr) entanm, esse posicionamento é em si problemático, pois o sujeito encontra-se ou sc reconhece através de uma imagem que é simultaneamente alienante e daí potencialmente fonte de confrontuçàu. Esta é 21 bêibt'. da estreita relação entre as Liuas formas dc identificação associadas com o imaginário - 0 narcisismo e a agressividade. São PFCCÂSAIIICDIC essas duas frirnias de identificação que cons- tilitem : i estratégia dominante do poder (tuloninl exercida em relação ao estereótipo que, como Lima fôrma dc crença múltipla t: Conlradilúria, reconhece a diferença e simultaneamente a recusa ou mascara. Como : i fase do espelho, "a complelude" do estereótipo - sua imagem enquanto identidade - está sempre ameaçada pela "falta". A construção do discurso colonial é então uma articulação complexa dns tropas do Íeiichismu _ a metáfora e a ilietonímía - e as formas de identificação narcfsica e agressiva disponíveis para o imaginário. O discurso racial estereotipado é uma estra- tégia de qualm termos. Há uma amarração Cntrc a furação metafóricu ou mascumdnra dn fetiche L' o nbjetn-cscrolha narci- sico e uma aliança oposta entre a fíguraçâo metonímica da 119
  16. 16. fnllzl e : t fase agressiva do imaginfrio. Um repertório de posições conflituosua Constitui o sujeito no discurso colonial. A tomada (le qualquer posição, dentro de uma forma discur. siva espcçzifíca, cm uma Conjunlurn luistóricn lvarticttliar, é portanto sempre problemática - lugar tanto (la fíxidez coum da fantasia. Esta tomada de posição fornece uma “identidaclç” colonial que é encenada - como [odzts 21s fantasias de origi- nalidade r: miga-tn -v dizmte (lt: e no espaço da ruptura e da IIHICZIÇGI por parte da heterogeneidade de outras pusiçúes_ CUIIIO forma dc crença dividida e múltipla, o estereótipo requer, para uma significação bem sucedida, uma cadeia con- tínua c rcpíâtitiva dc uutros cstcrcótipos. O processo pelo qual o "mztscnrantentd nnelafórico é. inscrito em uma falta_ que deve então ser ocultada, dá ao estereótipo sua fixidez c sua qualidade fantasmãtica - . cempre as ¡nexmas histórias sobre a aninmlldade do negro, 21 increcrutahilidadc do cule ou 21 estupidez do irlandês têm de ser conladas (compulsiira- mcntc) repetidamente, e são gratificantcs e alerrorizantes dc modo diferente : n cada vez. Em qualquer discurso colonial ttspettífitiu. 21-; posições. ¡nclafóriCaS/ narcísicas e meu¡nitnicas/ agizrssitías funcionarão simultaneamente, estrategicamente postadas em relação uma à outra, Clc forma semelhante ao nmmcnw d: : alicnaçáto, qu: : figura como uma ameaça '21 plenitude imaginária e à "crença múltipla" que ameaça a recusa fctichistzt. Os sujeitos do Lliscurso são (tontslruídos (ientro (le kun aparato de poder qu: : Contém, nos dois scnticlrus da palavra, um "outro" sabor _ um : saber que é retido e fetichísta e Circula alrzwés do discurso colonial como aquela forma limitada de alteridade que tlenontirtei estereótipo. Fnnun Liescreve de Íurmzl pungente Os efeitos dCbSS processo sobre uma cultura L'(JlOnÍ“/ .2lLl2I7 Lilhzi agonia prolongada cm litgnr dc um total tlesztpznrccimcnlo da Cultura pré-existente. A Cullum nnterinrníentc VÍVa e aberta para o futuro tomzrse fechada. fixada no estatuto colonial, presa nu ¡ugü da opressão. Pic>erztc ou mumificurln. :: la testce munha contra seus membros. .. A mumificação cultural leva i1 iuumificaçãu do pensamento ¡ndivirlualw Como sc fosse pnssível a um homem dcscrtvolxrer-sc de outro modo senão dentro da moldura de uma cultura que o reconhece e que ele decide assumir. ” 120
  17. 17. Minha estratégia de truzitro termos do estereótipo tenta experimentalmente fornecer uma estrutura e um processo para o "sujeito" (lc um discurso colonial. Pretendo agora tomar o problema da discriminação como o cfcitn político de 1:11 discurso e relacíoná-lo com a questão da "raça" c da "pclu". Para esse fim, é importante lembrar que a crença múltipla que acompanha u Il-. lírzliisrno não ; npenas tem valor de recusa; cia tem ainda “valor d: saber" c é este que cronsirlerarei : I seguir. Ao se Calcular o valor do . saber é crucial levar em conta u que Fanon quer dizer quando añnna qua: Piá uma. procura pelo negro. o negro c' uma. demanda, nim se pode passar sem ele. ele é necessârin, 11125'. só depois rlc tornar-sc palalávcl de uma determinada maneira. lnfelizmenre, o negro (lerruba o sistema e rompe os tratados. 7' Para compreender essa demanda e de que forma sc toma o nzilivu uu negro "pululávcl", lemos de (listinguír algumas diferenças significativas entre a. teoria geral do fetichismo e. seus usos específicos para uma Compreensão do discurso racista. Primeiramente, o fetiche do discurso Colonial - u que Fanon denomina esquema epidérrmmico _ não é, como o fetiche . sexual, um segredo. A pele, como o significante chave da diferença cultural e racial nu cslcrcóiijn), é o mais visível dos fctíchcs, reconhecido como "conhccirncnto geral” em uma série dc discursos culturais, políticos e lIÍhLÓTÍCOS, e rcprcscnia um papel público no drama racial que é encenado todos os días nas sociedades coloniais. Em segundo lugar, pode-se clizcr que o fetiche . sexual está intimamente ligado ao "objeto bom"; é Clc o clcmunlo do cenário que torna o objeto todo desejável f: passível de ser amndr), o que facilita as relações sexuais e pode até promover uma forma dc felicidade. 0 estereótipo também pode. ser visto como aquela forma particular, "fixadr-i”, do sujeito colonial que facilita as relaçõcs coloniais e estabelece uma forma (liscursiva de nposição racial c cultural cm termos da qual é exercido o poder Colonial. Sc alcgarmos que os Colonizadus são. na grande. maioria dos casos. objetos de ódio, podemos rcspnnilcr com Freud que |2l
  18. 18. a ; afeição e a hostilidade no tratamento do fetiche - que correm paralelos à recusa e 1'¡ ¡aercepçãn da castração -- estão tnisltrrutltts : :m prupm-ções desiguais cm casos diversos, de mudo que um uu o outro torna-se mais claramente reconlneçivel” O que : :Sm afirmação reconhece é o ilrnplt) alcance do nslc- reótipo. que vai desde o scnro lcal até Satã, Llcstlc o amado ao odiado, uma tnudaitçat de posições do suicito na circulação do poder colonial que tentei explicar pela motilidade do sistema mctafórico/ narcísicc; e mctrmíniico/ agrcssivo do discurso colonial. O que resta examinar, no entanto, é a cruis- trução do significante de “pele/ raça” naqueles regimes dc x-isibilidnclc c diSCuYSiVÍdilCie - fetichista, escópico, imaginário - dentro dos quais localize¡ os: estereótipos. Apenas sobre cassa [msn ¡aoclcrcmos construir seu "valor-saber" que nos ptrtttitirã, espero, entender o lugar da fantasia no exercício do poder colonial. Minha argumentação baseia-se em uma leitura particular di¡ ¡irobleniíttica da representação que_ como Fanart sugere, é específica da sittlziçào colonial. Fl: : escreve: a originalidade do contexto Colonial E que 21 subcsltuiura cuo- nõtnica é também uma supereslruturzr_ você é rico ; iorque é branco, você: é brztnco porque f: tinto. É por isto que a análise marxista deveria sempre ser um pouco ampliada cada vez que se trata do problema colonial. ” Pode-se avaliar : i posição de Fanon como adesão a um rcflcxionismo simples nu a uma noção dcterminista da signi- litíação Cultural/ Social ou, (J qutt é mais interessante, lCr sua posição como "anti-repressionista" (atacando a noção de que a ideologia como percepção ou representação cqttivocada é a FepfCSsãl. ) 110 real). Para US pt'opt"isil. tis deste texto, lendo para a segunda leitura, que exit-ão dá uma "visibilr dade” ao cxercícir) do poder c fortalccc o argumento dc que a pela, como significante da Lliscriminznção, (leve scr protlui-. itlrt ou processada como 'L'iSÍlr'Cl. Corno diz Paul Abbott em um contexto ntuitn diferente,
  19. 19. enquanto a repressão banc seu obielo para o inconsciente_ esquece c. tenta esquecer o esquccimenlo, ;i discriminação deve constantemente trazer à consciência suas representações_ reforçando o reconhecimento crucial da diferença quc cias encarnam e revitaliznndo-as para a percepção da qual depende sua eficácia. .. Ela devo sc sustentar na presença da própria diferença qm: é também seu objecto. " O quc "autoriza" a (iiscriminação, prossegue Abhol. , é a oclusão da pré-construção ou montagem du diferença: "essa repressão da produção faz com. que o reconhecimento da diferença seja obtido em uma inocência, enquanto uma 'nnturezaj o reconhecimento é projetado como conhecimento primário. efeito espontâneo da 'exriclência do visívcl'. "75 Este é precisamente o tipo dc reconhecimenm, espontâ- neo e xrisível, que é ziiribuído ao eslereóripu. A diferença do objeto da discriminação é ao mesmo tempo visível e natural - cor como signo cultural/ político de inferioridade ou dcgt- neração, a pela como sua idenlídude natural. No entanto. 0 relato de Abbot pára no momento da "identificação" e estra- nhamente entra em Conluio com o . sucesso das práticas discri- minntórias ao sugerir que suas representações exigem a repressão da montagem da diferença; ;ifimmr o contrário_ segundo clc, seria colocar o sujeito cm “uma consciência impossivel, já que isto traria à consciência a heterogeneidade do sujeito como lugar de nrticulaçàoí” Apesar de estar ciente do ; rapel crucial do reconhecimento da diferença para a discriminação c sua problematização da repressão, Abhot fim preso em seu lugar unitário d: : articu- lação. Ele chega quase a sugerir quc é possível, mesmo que de forma momentânea e ilusória, ao perpmzador do discurso CJÍSCFÍIIIÍIIEILÕFÍO, estar em uma posição quc não é nzarcada pelo discurso até o ponto em que o objeto da discriminação é considerado natural e visível. O que Abbot ncgligcncia é o papel facilitador da contradição c da heterogeneidade na construção das práticas autoritária: : e de suas fixações estratégicas, discursivas. ii/ It-: u conceito de eslereótipo-coriio-sritura é um reconheci- mento da ambívalêncicz daquela autoridade t: (iaqutrlzis ordens de identificação. O papel da identificação fctichista 123
  20. 20. na Construção de saberes ciiscriminziltõríos que dependem da "presença da diferença" é fornecer um processo de cisão e crença múlLipla/ contraditória no ponto da enunciação c sub- jetíficação_ É essa cisão (inicial do ego que é representada na descrição que Fzmon fa? , da construção do sujeito culonizudo Cmno efeito do ciiscurso estereotípictu: o sujeito DFÍITILIYÚÍQI- mcntc fixado e, todavia, Lripiamente dividido entre os sahe- res incongruerileà dt: corpo, raça, aziceslraís. Atacado pelo estereótipo, "o esquema corporal se desmnrmta, seu lugar e' tomado por um esquema racial epidérinicn. .. já : tão cra uma questão de estar consciente de meu corpo na terceira pessoa, mas . sim em uma pessoa tripla. .. Eu 11510 linha um, mas dois, três lugares"? Este processo pode ser melhor compreendido em termos da articulação da crença múltipla que Freud propõe em seu ensaio sobre o fetichismo. É uma form: : não-repressívzi de saber que dá margem à possibilidade de se abraçar simulta- neamente duas Crenças contraditórias, uma oficial e uma secreta, uma arcaíca e uma progressista, uma que ; ic-eita o mito das origens, outra que articula a diferença t: a divisão. Seu “valof” de saber reside em sua orientação como rlefeszi emtira a rtutliciacie externa, e fornece, nas palavras de M017., n mamy. duradoura_ o protótipo eficiente (ie. rodas aquelas divi- sõcs da crença de que o homem passa a ser capaz nos mais w-ariadns dominios, de todas as interações infinitamente com- plexas. ixlcoitstrienles e ocasionalmente conscientes, que ele St: permitirá entre o crer e o nào-crer. ” E'. através dessa noção (ie cisão c crença múltipla quc, a meu ver, sc torna mais fácil ver a ligação entre saber e tanta- sia, poder e prazer, que entbasa o regime específico de visibi- lidade empregado no discurso colonial. A visibilidade do Outro racial/ colonial e' ao mesmo tempo um punto de idem¡- dzide (folha, um negro") e um problema para o pretendido fechamento no interior do discurso. Isto porque o reconheci- mento d: : diferença como pontos "inaaginários" de identidade e origem - tais como preto e branco - é perturbado pela represenlação da cisão no discurso. O que eu chamei de jogo entre os momentos melafórittos/ nzlrttísittos e metonímicos/ 134
  21. 21. s i í agressivos no discumo colonial - aqucla estratégia em quatro artes do estereótipo - reconhece cnicialmcntc a prcñgura» çãn do dcsejo como uma força potencialmente confliruosa, Peüurbadora, em Lados aqueles regimes de: "originalidade" quc rttuni. N21 objctificação da pulsão cscópica há sempre : i ameaça do retorno do olhar¡ na identificação da relação ima- ginária hzi sempre o outro alienante (ou espelho) que devolve crucizrlmentc sua imagem ao sujeito; e naquela forma de subs- tituição C fixação que é o lltlichi. ›zmo há sempre o traço da pada, da ausência. Para scr sucinto. o ato dc icconltccimenlo c rg-; ÇIISÉ d: : “diferençzf” é sempre perturbado pela questão dc sua rcaprcsentação ou Construção. O estereótipo é, nesse sentido, um objeto "impossível". Por essa mesma razão, os esforços dos “saberes oficiais" do colonialismo - pseudo-científico, lipológico, legal-adminis- trativo, eugênico _ calão imbricntlos no ponto de sua pro- dução de sentido c poder com a fantasia que dramaliza 0 desejo impossivel (Jc uma origem pura, não-difcrcnciada. Som scr ela mesma o objeto do desejo, mas sim seu cenário, sem ser uma atribuição dt: identidades, e sim auzl produção na sintaxe do panorama do discurso racista, u fantasia¡ colonial exercc: um papel Crucial ¡laqutzlas Celtas cotidianas de Subje- tificação cm uma sociedade colonial a quc Fanon repetida- mente se refere. Como fantasias das origens da sexualidade, as produções do “desejo colonial" marcam o discurso como um "ponto favorecido para ns reações defcnsivas mais primi- tivas. como voltar-sc contra si próprio, tornar-se um oposto, uma projeção, uma negaçãdf” O problema da origem como a problemática do suhcr racista, cstcreotipico, é complcxo c o que eu díssc sobre sua construção se tornará mais claro com um exemplo (le Fanon. O ato de estereotipar não é o cslabeiecimcnto de uma falsa imagem que se torna o bode expiatório de práticas discrimi- natórias. É um tcxto muito : nais ambivalcntc de projeção C intmjecào, estratégias metafóricas e metonímicas, deslo- Camcnlo, sobredeterminação, culpa_ eiggressividercie, o mascaramcnto e cisão (lc: saiba-res "oficiais" (-1 ilinlasináiicos para Corlslruir u: : posicionalidadcs u Uposicionalidades du discurso racista: 123
  22. 22. Meu corpo foi-me devolvido espatrnmndo, ctistorcirlo, recolorido, vestido de. luto naquciv di: : branco de inverno. O negro é um animal. o negro é mau, o negro é ruim, o negro é feio, olha, um preto. está fazendo frio, o preto está tremendo, o pre-lo está tremendo porque está com frio, o Iucnininhu eslú tremendo porque está com medo do preto. o preto está tre- mendo dc frio, aquele frio que axravcssa os ossos, o meníni~ nlm Imnitinhu caiu¡ lremendc) purquu! ele acha que! o prum L-slcí tremendo d: ruísm, u Iuenininho branco atira-se nos braços da 111312: Mamãe, r» preto vai me comer. ” É o cenário da fantasia colonial Lluc, au cnccnar 21 amhivzu- IE-. nciu do Llescjo, articula : I (ícmuncízi ptlu ncgro que o próprio Ilcgro rompe. Isto porque o estereótipo é ao mesmo Lempo um substituto c: uma sombra. Ao 'aceder às fantasias mais selvagens (no sentido popular da palavra) do culonizador, o Outro cstcreotipado revela algo da "fantasia" (enquanto desejo, defesa) daquela posição de dominação, pois, se a "pele" é no discurso racista a visibilidade da escuridão tr um significante primmíro do (YOJÉPO t'. seus corrclalos sociais e (rulunrznís, cent-ão é ínewuiuível qu: lcmlurenws u que di¡ Karl Alwraimnas em sua uhru seminal sobre 21 pulsão cscfxpícn. ” O valor-prazer da cor escura é um recuo a fim dc não saber nada do mundo exterior. Seu significado simbólico, no cn- Lamo, é Lutalmcntc târllbivaluxllu. A cor escura significa ao mcsmo tempo nascimento e anorte; ela é em todos os casos um desejo de retornar à Completude da mãe, um deseío por uma linha de Iísão c dc origem ininterrupta e não-diferenciada. Mas certamente há outra ccna do discurso colonial cm quc o nativo ou o negro corresponde à demanda do discurso Colonial, onde a “cisão" subversora é recuperúvel dentro de uma estratégia de controle social e ¡wolíticu É reconhecida- mente verdade que a cadeia de significação estereotípicn é curiosamente misturada u dividida, pnlimorfa e perversa. uma articulação da crença nmltipla. O negro c' no mesmo tempo selvagem (Canibal) e ainda o mais obediente c digno dos servos (o que serve a comida); ele é a cncamação da sexualidade desenfreada e, todavia, inocente como uma criança; ele é místico, primitivo, simplório e, todavia, o mais escalado e acabado dos mentirosos e manipulntlor de forgzas sociais. Em cada caso, o que está. sendo drumatizadt) é uma separação 126
  23. 23. ,. .. entre raças, culturas, histórias, no interior de histórias i uma separação entre antes t: drqmzls' que repete obsessivo- mcnlc o momento ou dis-junção mítica. Apesar das : iimilariciades cstrttturais com o ¡ogo (la neces- sidade: e do descjo nas fantasias primárias, a fantasia colonial não tcnm encobrir aquele momento de separação. Ela é : nais antbivalente. Por um lado, propõe uma telcologia - sob certas condiçôes dc dominação colonial! c Controle, o nativo é progxcssivamente reformãvel. Por outro lado, no entanto, Cla efetivamente ¡nostra a '°st: p^araçãc›", torna-a mais visível. a visibilidade dçãssa separação quc, ao negar : to colanlzndn : t Capacidade de se autogovernçil', :t indepentlêttcizl, os modos dc civilidade cacidentztis, confere autoridade à versão t: missão oficiais do poder colonial. O discurso HJCÍSLH estara-atípico. cm seu ¡nomento colonial. inscrcvc uma forma dc govcmazncntalidadc que sc baseia cm uma cristão produtiva em sua constituição clo saber c exercício do puder. Algumas de suas práticas reconhecem 21 diferença de raça_ cultura e história como Sentiu elaboradas por sabcrcs cstereotipicus, teorias raciais, experiência co- lonial administrativa e, sobre essa base, institncionalizn uma série de ideologias pDlílltfílS e culturais que são precon- (ÉCÍELLOSLIS, discritnirtntórias, vcstigiais, arcuic-as, “míticas", c, o que é crucial, reconhecidas como tal. Ao "conhecer" a po- pulação nativa nesses termos, formas discriminatórias e au- tnritárins de. controle político são ttmtsideraclas npropriaclus. A população colonizudu é então tomada como a causa c o cfcito do sistctna. presa no círculo da interpretação. O que é visível C- a necessidade de uma regra dessas, o que é justifica" do por aquelas ideologias Ii)0l'3ll. 'ili15 c rtormativus de aperfei- çoamento reconhecidas como Missão Civilizatória ou o Ônus do Homem Branco. No entanto_ coexistem dentro do mesmo upnralo de poder Colonial sistemas e ciências de governo modernos, formas "ocidentais" progressistas de organização social e econômica que fomccetn a justificativa tnanifesta para o projeto do colonialismo - um argumento que, em parte, atraiu Karl itiarx. É no território dessa coexistência que as estratégias da ltierznrquixaçào c marginalização são emprega- das na administração dc sociedades coloniais. 1;' se ntinha 127
  24. 24. nnhanndnn-¡i-on. .. _--__ . .__ _ dedução a partir dc Fanon sobre u VÍSÍbÍlldHdC pcculiai' do poder colonial se justifica. cu diria, cstcndexmdo-ái. quc é uma forma de governamentalidnde em que o espaço "ideo- lógico” funciona de maneiras mais alieriaulenlc conivenlcs cum exigências ¡mlíticas e econômicas. A casema fica perto : la igreja, qu: : fica no lado da szilzi de : iula; n quartel fica hem em lado das "linhas civis". Tal visibilidade das instituições r- aparatos (le poder é possível porque o exercício do poder Colonial torna a relação entre elas nbscura, elabora-as mimo Fetiches, cspctáculos dc precminôncia "natumF/ racial. Só a scdc do governo (r que: fica sempre um algum outro lugar ~ dccstuczidzi t: separada por ; iqucle distanciamenm clc que depende a vigilância para suas estratégias de objetificação, normalização e disciplina. A palavra lina] pertença a Fnnon: essi: cumpurtamcmo ido Eolonizaclorl rm¡ uma dcternninaçãu dc olnicliñcar, confiam, prender_ endurecer. Expressões como "Eu us Conheço”. "é assim quc cics são", mostram css-a ubiULi- fícação máxima atingida com sucesso. .. Hz¡ (lc um lado uma cultura na qual podem ser reconhecidas qualidades de dina- mismo, crescimentu c iaiofundidude. Cunrra isto temos [em culturas coloniais] caracteristicas, curiosidades_ coisas, nunca uma estrutura. ” 128

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