Fátima, a fiandeira

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Fátima, a fiandeira

  1. 1. Fátima, a FiandeiraNuma cidade do mais longínquo Ocidente, vivia uma jovemchamada Fátima, filha de um próspero fiandeiro.Um dia o pai lhe disse: - Vem, filha, faremos uma viagem, pois tenho negócios a resolver nas ilhas do mar Mediterrâneo. Talvez encontres por lá algum jovem atraente, de boa posição, com quem poderias casar.Puseram-se a caminho e viajaram de ilha em ilha; o pai cuidandode seus negócios, enquanto Fátima sonhava com o marido quelogo poderia ter. Mas um dia, quando estavam a caminho deCreta, levantou-se uma tempestade e o barco naufragou. Fátimasemiconsciente, foi arrastada a uma praia perto de Alexandria. Seu pai tinha morrido e ela ficou totalmente desamparada. Podiarecordar-se apenas vagamente de sua vida até aquele momento,pois a experiência do naufrágio, e o fato de ter ficado exposta àsinclemências do mar, tinham-na deixado completamente exausta.Quando vagava na areia, uma família de tecelões a encontrou.Embora fossem pobres, levaram-na para sua casa humilde eensinaram-lhe seu ofício. Desse modo, Fátima iniciou uma novavida, e dentro de um ou dois anos voltou a ser feliz, reconciliadacom sua sorte. Porém, um dia, quando estava na praia, um bandode mercadores de escravos desembarcou e a levou, junto comoutros cativos.
  2. 2. Apesar de Fátima lamentar-se amargamente por seu destino,eles não demonstraram nenhuma compaixão: levaram-na paraIstambul e a venderam como escrava. Seu mundo tinhadesmoronado pela segunda vez.No mercado havia poucos compradores. Um deles era um homemque procurava escravos para trabalhar em sua serraria, ondefabricava mastros para embarcações. Quando viu o abatimento dainfeliz Fátima, decidiu comprá-la pensando que poderiaproporcionar-lhe uma vida um pouco melhor do que teria nasmãos de outro comprador.Levou Fátima para casa, com a intenção de fazer dela uma criadapara sua esposa. Ao chegar, soube que tinha perdido todo o seudinheiro quando um carregamento fora capturado por piratas.Não podia enfrentar as despesas que lhe davam os empregados,e assim ele, Fátima e sua mulher arcaram sozinhos com a pesadatarefa de fabricar mastros.Fátima, grata ao seu patrão por tê-la resgatado, trabalhou tãoarduamente e tão bem que ele lhe deu a liberdade e ela passou aser sua auxiliar de confiança. Assim, chegou a ser relativamentefeliz em sua terceira profissão.Um dia, ele lhe disse:  Fátima, quero que vás a Java, como minha agente, com um carregamento de mastros, procura vendê-los com lucro.Ela se pôs a caminho, mas, quando o barco estava diante dacosta chinesa, um tufão o fez naufragar. Mais uma vez Fátima seviu jogada na praia de um país desconhecido. De novo chorouamargamente, porque sentia que em sua vida nada aconteciacomo esperava. Sempre que tudo parecia andar bem, aconteciaalgo que destruía suas esperanças.
  3. 3.  Porque será – perguntou pela terceira vez – que sempre que tento fazer alguma coisa ela não dá certo? Por que devo passar por tantas desgraças?Como não teve respostas, levantou-se da areia e afastou-se dapraia.Ninguém na China tinha ouvido falar de Fátima e de seusproblemas. Mas existia uma lenda de que chegaria certa mulherestrangeira, capaz de fazer uma tenda para o imperador. Comonaquela época não existia ninguém na China que soubesse fazertendas, todo mundo aguardava com ansiedade o cumprimento daprofecia.Para ter certeza de que a estrangeira, ao chegar, não passariasem ser notada, uma vez por ano os sucessivos imperadores daChina costumavam mandar seus mensageiros a todas as cidadese aldeias do país, pedindo que toda mulher estrangeira fosselevada à corte.Exatamente, numa dessas ocasiões, esgotada, Fátima chegou auma cidade costeira da China. Os habitantes do lugar falaramcom ela através de um intérprete, e lhe explicaram que devia ir àpresença do imperador.  Senhora – disse o imperador quando Fátima foi levada até ele – sabe fabricar uma tenda?  Acho que sim – respondeu a moça.Pediu cordas, mas não tinham. Lembrando-se dos seus temposde fiandeira, Fátima então colheu linho e fabricou-as. Depoispediu um tecido resistente, mas os chineses não tinham do tipoque ela precisava. Então, utilizando suas experiências com ostecelões de Alexandria, fabricou um tecido forte, próprio paratendas. Percebeu que precisava de estacas para a tenda, mas nãoexistiam no país. Lembrando-se do que lhe ensinara o fabricante
  4. 4. de mastros em Istambul, Fátima fabricou umas estacas firmes.Quando tudo estava pronto, deu tratos à bola procurando lembrarde todas as tendas que tinha visto em suas viagens. E uma tendafoi construída.Quando a maravilha foi mostrada ao imperador da China, ele seprontificou a satisfazer qualquer desejo que Fátima expressasse.Ela quis morar na China, se casou com um belo príncipe e,rodeada por seus filhos, viveu muito feliz até o fim de seus dias.Através dessas aventuras, Fátima compreendeu que o que emcada ocasião lhe tinha parecido ser uma experiênciadesagradável, acabou sendo parte essencial para a sua felicidade.(“Fátima, a Fiandeira” é uma história-ensinamento, retirada dolivro “Histórias da Tradição Sufi”, Edições Dervish, seleção eadaptação Grupo Granada de Contadores de Histórias,coordenação Nícia Grillo)

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