SlideShare uma empresa Scribd logo
1
Lendas Indígenas – Hernâni DonatoPROJETODELEITURAPPPRRROOOJJJEEETTTOOODDDEEELLLEEEIIITTTUUURRRAAA
Hernâni Donato é
escritor, jornalista, his-
toriador, relações-públi-
cas e produtor cultural.
Membro do Instituto
Histórico e Geográfico
de São Paulo, integra
também as Academias de Letras de
São Paulo, Santos e Brasília.
Sua vasta obra literária – são mais de
sessenta livros – compõe-se de con-
tos, romances, literatura infantoju-
venil, biografias e historiografia. No
gênero romance, podemos citar Filhos
do Destino, Chão Bruto, Selva Trágica
e O Caçador de Esmeraldas.
Entre os infantojuvenis, foram publica-
dos Histórias da Floresta, Façanhas do
João Sabido, O Tesouro e Contos dos
Meninos Índios. É autor das biografias
de José de Alencar, Vicente de Carva-
lho, Casimiro de Abreu, Vital Brasil, Ra-
poso Tavares, Galileu e outros.
Dentre seus livros de História, des-
tacam-se A Revolução de 32, Dicio-
nário das Batalhas Brasileiras, Breve
História do Brasil, Os Índios do Brasil
e O Cotidiano Brasileiro nos Séculos
XVI, XVII, XVIII e XIX.
Autor Ficha
Gênero: lenda
Palavras-chave: cultura
indígena, lendas carajá, guarani,
taulipang e caiowá
Temas Transversais:
pluralidade cultural e ética
Interdisciplinaridade: Artes,
Língua Portuguesa, Geografia,
Ciências, História, Filosofia e
Educação Física
l d
Quadro sinóptico
8anos
INDICAÇÃO:
Leitor
em processo
a partir dos
ensino
fundamental
>>
Acervo básico
Categoria reconto
2003
Ficha
Autor:
Hernâni Donato
Ilustradora:
Mônica Haibara
Série:
Lendas Indígenas
Títulos: A Barca da Tartaruga, A Desco-
berta das Frutas, As Noivas da Estrela, Os
Meninos Que Se Tornaram Estrelas, Quan-
do os Bichos Eram Gente e Por Que o Sol
Anda Devagar
Formato:
20,5 x 20,5 cm
No
de páginas:
24
Elaboração:
Sonia Maria
Soares dos Reis
Requisitado conferencista, autor de
ensaios e artigos de temas históricos,
Hernâni Donato, na coleção Lendas In-
dígenas, proporciona a construção de
umconhecimentosensívelsobreascos-
movisões e a alteridade indígenas no
país, considerando as culturas carajá,
guarani, taulipangue e caiowá/caiuá.
Revela, por meio das lendas, o papel
da oralidade e das tradições desses
povos. Registra, em palavras impres-
sas sobre o papel, a voz indígena, o
seu saber cultivado de geração em
geração e nos ajuda a rever os con-
ceitos que temos sobre a natureza,
as relações humanas e sobre nossa
casa, a mãe Terra.
m
s:
s
Hernâni DonatoHernâni Donato
Mônica HaibaraMônica Haibara
IlustraçõesIlustrações
A Barca da TartarugaA Barca da Tartaruga
Barca da tartaruga - Capa CP 02ed06.indd 1 08.12.10 13:09:56
Hernâni DonatoHernâni Donato
Mônica HaibaraMônica Haibara
IlustraçõesIlustrações
A Descoberta das FrutasA Descoberta das Frutas
Descoberta das Frutas - Capa CP 02ed05.indd 1 08.12.10 11:44:31
Quando os Bichos Eram GenteQuando os Bichos Eram Gente
Hernâni DonatoHernâni Donato
Mônica HaibaraMônica Haibara
IlustraçõesIlustrações
Quando os bichos eram gente - Capa CP 01ed03.indd 1 08.12.10 14:06:00
As Noivas da EstrelaAs Noivas da EstrelaHernâni DonatoHernâni Donato
Mônica HaibaraMônica Haibara
IlustraçõesIlustrações
Noivas da Estrela - Capa CP 02ed03.indd 1 11.10.10 16:42:57
Por Que o Sol Anda DevagarPor Que o Sol Anda Devagar
Hernâni DonatoHernâni Donato
Mônica HaibaraMônica Haibara
IlustraçõesIlustrações
Porque o Sol anda devagar - Capa CP 02ed05.indd 1 14/12/2010 14:46:19
Hernâni DonatoHernâni Donato
Mônica HaibaraMônica Haibara
IlustraçõesIlustrações
Os Meninos Que Se Tornaram EstrelasOs Meninos Que Se Tornaram Estrelas
Meninos Que Se Tornaram Estrelas - Capa CP 01ed02.indd 1 08.12.10 11:53:23
2
práticas educacionais comprome-
tidos com a reeducação das rela-
ções étnico-raciais e com o ensino
de história e cultura indígenas nas
escolas, motivando um processo
de desconstrução e construção de
representações sobre as culturas
indígenas no Brasil.
políticas públicas efetivas que garan-
tam o registro e a preservação das
expressões culturais indígenas.
Vem daí a importância de conhe-
cer e ler a coleção Lendas Indígenas,
que reúne histórias tradicionais dos
povos carajá, guarani, taulipangue
e caiowá: As Noivas da Estrela, A
Descoberta das Frutas, Por Que o
Sol Anda Devagar, A Barca da Tar-
taruga, Os Meninos Que Se Torna-
ram Estrelas e Quando os Bichos
Eram Gente. Esses relatos mostram
a preocupação do autor com a pre-
servação da língua, fonte de identi-
dade desses povos.
Através do olhar de um observador
de fora da aldeia, o leitor é convida-
do a conhecer obras literárias que
visam o fortalecimento da
ancestralidade indígena
–latente–,queprecisa
ser reforçada para
que se apaguem os
estereótipos que a
população brasileira
em geral tem do índio
em nosso país.
Assim, a coleção contribui para o
aprimoramento dos projetos e das
Indigenista e historiador, o escri-
tor Hernâni Donato, em consonân-
cia com o ponto de vista de Daniel
Munduruku, revela que a oralidade
é imprescindível para o educador
que queira lidar com a temática “a
beleza da cultura indígena brasilei-
ra por meio de suas lendas”.
Sabe-se que os povos indígenas
buscam, em suas comunidades,
praticar sua cultura e fortalecer seu
modo de vida. Jovens e velhos lutam
para manter vivas as formas de rela-
cionamento com a mãe Terra – que
segundo eles é o “berçário da huma-
nidade”, a despeito da ausência de
Outro olhar
Na tradição indígena, o educador
é aquele capaz de contar histó-
rias que ensinam comportamentos
e atitudes. Esses valores humanos
são fundamentais para que todas
as pessoas da comunidade se sin-
tam participantes do grande mis-
tério da existência.
Daniel Munduruku
Disponível em www.cultura.mg.gov.br.
Acesso em 20 jan. 2011.
a coleção Lendas Indígenas,s
ne histórias tradicionais dos
arajá, guarani, taulipangue
á: As Noivas da Estrela, A
erta das Frutas, Por Que o
a Devagar, A Barca da Tar-
Os Meninos Que Se Torna-
relas e Quando os Bichos
ente. Esses relatos mostram
upação do autor com a pre-
o da língua, fonte de identi-
sses povos.
és do olhar de um observador
da aldeia, o leitor é convida-
nhecer obras literárias que
fortalecimento da
lidade indígena
–,queprecisa
rçada para
paguem os
tipos que a
ão brasileira
l tem do índio
so país.
333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333
Caro professor,p
Acredito que ler é configurar uma
terceira história, construída em parce-
ria a partir do impulso movedor contido
na fragilidade humana, quando dela se
toma posse. A fragilidade que funda o
homem é a mesma que o inaugura, mas
só a palavra anuncia.
A iniciação à leitura transcende o ato
simples de apresentar ao sujeito as le-
tras que aí estão já escritas. É mais que
preparar o aluno para a decifração das
artimanhas de uma sociedade que pre-
tende também consumi-lo. É mais do
que a incorporação de um saber frio, as-
tutamente construído.
Fundamental, ao pretender ensi-
nar a leitura, é convocar o aluno para
tomar da sua palavra. Ler a palavra é,
antes de tudo, munir-se para fazer-
-se menos indecifrável. Ler é cuidar-se,
rompendo com as grades do isolamen-
to. Ler é evadir-se com o outro, sem
contudo perder-se nas várias faces da
palavra.
Ler é encantar-se com as diferenças.
(Bartolomeu Campos de Queirós)
Para começar a conversa...
44444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444
Caro professor, as palavras atingem distâncias enormes... Por meio delas ecoa
ainda o “clamor” do cacique Seattle, em 1854, ao Grande Chefe de Washing-
ton, o presidente dos Estados Unidos da América, em resposta aos que vieram
comprar suas terras:
Esta terra é sagrada para nós. Essa
água brilhante que corre nos riachos e
rios não é apenas água, mas o sangue
de nossos antepassados. O murmúrio
das águas é a voz dos meus ancestrais.
Os rios são nossos irmãos, saciam nos-
sa sede, transportam nossas canoas e
alimentam nossos filhos. Se vendermos
esta terra, ensine seus filhos a serem
fraternos com eles. E, aos rios, dedique
todo carinho que caberia a um irmão.
[...]
Talvez, apesar de tudo, sejamos to-
dos irmãos. Veremos isso.
5
Para os índios, as palavras pos-
suem “espírito”; elas só podem di-
zer o que é verdade. O sagrado é
encenado por palavras. Ao lê-las
ou pronunciá-las, a vida dos povos
da floresta se manifesta – os can-
tos sagrados, o som mágico dos
chocalhos, do maracá e das flautas
de bambu, as danças, ecoam e fa-
zem com que nos encantemos com
as diferenças.
Ler Por Que o Sol Anda Devagar,
Quando os Bichos Eram Gente, Os
Meninos Que Se Tornaram Estrelas,
As Noivas da Estrela, A Descoberta
das Frutas e A Barca da Tartaruga é
evadir-se com o outro. Ao ler esses
textos com os alunos, o professor
pode romper as grades do isola-
mento e permitir que o processo
educativo considere toda essa di-
versidade ao estabelecer vínculos
de vivência comum entre índios e
não índios e a construção de laços
profundos entre o seu aluno e as
sociedades indígenas.
Como salienta Campos de Quei-
rós, “é mais do que a incorpora-
ção de um saber frio, astutamente
construído”, trata-se de um concei-
to de educação escolar caracteriza-
do pela afirmação das identidades
étnicas, pela recuperação das me-
mórias históricas, pela valorização
das línguas e conhecimentos dos
povos indígenas. Trata-se da ressig-
nificação da instituição escolar em
um espaço de construção de rela-
ções interétnicas orientadas pela
Lei de Diretrizes e Bases da Educa-
ção para a manutenção da plurali-
dade cultural.
Convidamos você, professor, para
trilhar esse caminho e, com seu alu-
no, configurar uma terceira história,
anunciada por meio das palavras de
Hernâni Donato.
palavras pos-
só podem di-
O sagrado é
ras. Ao lê-las
ida dos povos
esta – os can-
m mágico dos
á e das flautas
s, ecoam e fa-
cantemos com
Anda Devagar,
am Gente, Os
aram Estrelas,
A Descoberta
da Tartaruga é
o. Ao ler esses
s, o professor
ades do isola-
ue o processo
toda essa di-
lecer vínculos
entre índios e
ução de laços
eu aluno e as
.
Como salienta Campos de Quei-
rós, “é mais do que a incorpora-
ção de um saber frio, astutamente
construído”, trata-se de um concei-
to de educação escolar caracteriza-
do pela afirmação das identidades
étnicas, pela recuperação das me-
mórias históricas, pela valorização
das línguas e conhecimentos dos
povos indígenas. Trata-se da ressig-
nificação da instituição escolar em
um espaço de construção de rela-
ções interétnicas orientadas pela
Lei de Diretrizes e Bases da Educa-
ção para a manutenção da plurali-
dade cultural.
Convidamos você, professor, para
trilhar esse caminho e, com seu alu-
no, configurar uma terceira história,
anunciada por meio das palavras de
Hernâni Donato.
6
SOBREACOLEÇÃOAAACCCOOOLLLEEEÇÇÇÇÇÃÃÃOOO Hernâni Donato soube reunir
um material de grande potencial
informativo e educativo acerca das
culturas indígenas. Sábio, o autor
revela, nas entrelinhas dessas histó-
rias, a consciência de que é preciso
agregar à visão do povo brasilei-
ro que somos um povo de etnia
milenar; por isso faz-se necessário
que nos apropriemos da perspec-
tiva de valores universais contidos
nas narrativas e em outras lingua-
gens próprias da cultura indígena.
A vida tecida com fios, tramas da
existência. Experiências humanas –
frustrações, sonhos, solidariedade,
decepções, ambição, brigas. Per-
das e sacrifícios. E o amor – que
se nutre por alguém – ligado a um
sacrifício que se deve fazer
pela felicidade de seu povo,
a dimensão social do amor,
tão próprio dos povos in-
dígenas.
As mãos da ilustradora Mônica
Haibara criam, por meio das tramas
em batique (batik), técnica milenar
de pintura em tecidos, o mágico
tecido do mundo indígena, e este
se delineia através de ornamentos
e de elementos decorativos condi-
cionados por ideias e sentimentos
milenares. São igualmente mági-
cos e simbólicos, e não somente
estéticos. A estilização dos temas,
a gama de cores empregadas, a
textura, o movimento, a composi-
ção dos personagens, enfim cada
um dos elementos utilizados abri-
ga um significado, conta uma his-
tória: a árvore da vida, símbolo da
eternidade; a tartaruga, símbolo
do Universo, garante a sustenta-
ção do mundo, sua estabilidade; o
fogo possui valor de purificação e
iluminação, representa a sabedo-
ria humana; sete meninos que se
transformaram em sete estrelas, o
número sete indicando sentido de
uma mudança depois de um ciclo
concluído e de uma renovação po-
sitiva, ou seja, simbolizando a to-
talidade do espaço e do tempo; o
Sol, fonte da luz, do calor, da vida;
a estrela, símbolo da vida eterna
dos justos...
Donato e Mônica vivificam a poe-
sia dos mitos indígenas! Vamos a
eles!
666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666
SOBREASSSOOOBBRREEAA
milenar; por isso faz-se necessário
que nos apropriemos da perspec-
tiva de valores universais contidos
nas narrativas e em outras lingua-
gens próprias da cultura indígena.
A vida tecida com fios, tramas da
existência. Experiências humanas –
frustrações, sonhos, solidariedade,
decepções, ambição, brigas. Per-
das e sacrifícios. E o amor – que
se nutre por alguém – ligado a um
sacrifício que se deve fazer
pela felicidade de seu povo,
a dimensão social do amor,
tão próprio dos povos in-
dígenas.
milenares. São igualmente mági-
cos e simbólicos, e não somente
estéticos. A estilização dos temas,
a gama de cores empregadas, a
textura, o movimento, a composi-
ção dos personagens, enfim cada
um dos elementos utilizados abri-
ga um significado, conta uma his-
tória: a árvore da vida, símbolo da
eternidade; a tartaruga, símbolo
do Universo, garante a sustenta-
ção do mundo, sua estabilidade; o
fogo possui valor de purificação e
iluminação, representa a sabedo-
ria humana; sete meninos que se
transformaram em sete estrelas, o
Donato e Mônica vivificam a poe-
sia dos mitos indígenas! Vamos a
eles!
7
Preparando a leitura
É muito bom cantar e tocar um
instrumento!
A coleção Palavra Cantada, da
Editora Melhoramentos, traz im-
portantes noções sobre música. Re-
úna, então, os alunos para que se
divirtam com o ritmo das canções.
Brinquem de “ouvir música”. Em se-
guida, assistam ao clipe ou ouçam
o CD Palavra Cantada 5, com a mú-
sica “Sol, Lua, Estrela”:
O livro na sala de aula
Quando a Lua chega,
De onde mesmo que ela vem?
Quando a gente nasce
Já começa a perguntar:
– Quem sou? Quem é?
– Onde é que estou?
Mas, quando amanhece,
Quem é que acorda o Sol?
Quando a gente acorda
Já começa a imaginar:
– Pra onde é que vou? Qual é?
– No que é que isso vai dar?
E, no embalo da músi-
ca, deixe-os se integrar e
se socializar.
Quando a estrela acende,
Ninguém mais pode apagar,
Quando a gente cresce,
Tem o mundo pra ganhar.
– Brincar, dançar, saltar.
– Correr, meu Deus do Céu,
Onde é que eu vim parar?
lo da músi-
e integrar e
dançar, saltar.
meu Deus do Céu,
ue eu vim parar?
8
As atividades sugeridas podem so-
frer “adequação” ou “modifica-
ção” de acordo com o horizonte de
experiência do seu aluno, profes-
sor. Lembre-se de que o leitor em
formação participa desse processo
com o auxílio de um mediador, que
sabe estabelecer a interlocução lei-
tor-texto. No movimento de parti-
cipar e criar, os alunos interagem e
aprendem com o mediador e com
os colegas.
Atividades
Chame a atenção para o ritmo
e peça aos alunos que busquem
identificar os diferentes instrumen-
tos para ativar a percepção musical.
Momento especial
Em homenagem à Palavra Cantada,
sugerimos que os alunos mais adultos,
em parceria com professores de arte,
interpretem a música com outro estilo
(hip-hop, reggae, MPB, rock...). E apre-
sentem para toda a escola.
Individualmente ou em grupo, os
alunos poderão produzir uma repre-
sentação gráfica (desenho, colagem,
mural de fotos) para apresentar seu
entendimento da música: um docu-
mento visual a partir do texto Sol, Lua,
Estrela.
Mediante esse enfoque, aproveite
para aprofundar o tema da música:
qual a importância do Sol, da Lua, das
estrelas para a humanidade?
Dialogar: questione se algum deles
conhece o personagem histórico que
escreveu Canto das Criaturas e que
chamava o Sol, a água e a Lua de ir-
mãos. Quem é ele? Como viveu?
Pergunte se eles também conside-
ram “o Sol, a Lua e a água” seus ir-
mãos e peça que eles expliquem por
quê. Questione-os se conhecem algum
povo, que, como São Francisco de As-
sis, vive em comunhão com os rios, as
árvores, os animais.
Examine com os alunos a letra da
música de Sandra Peres e Paulo Tatit.
Chame a atenção para os questiona-
mentos: Quem sou? Onde estou? Pra
onde vou?
Procure fazer, em conjunto, uma re-
flexão sobre a vivência de cada aluno.
A vivência deles é de relação com os
elementos naturais?
veu Canto das Criaturas e q
9
Articulando sujeito (o aluno),
corpo e arte: retome a canção sua-
vemente e acrescente um ingre-
diente visual ao ambiente – teci-
dos em batique, de preferência
com motivos/estampas indígenas.
Se a escola não conseguir esse tipo
de estamparia, poderá adornar as
paredes da sala com gravuras (ou
qualquer outro tipo de reprodução)
de batique.
A hora e a vez dos livros...
Aguçada a sensibilidade, faça uma
roda com os alunos e mostre os li-
vros da coleção, que deverão ser
passados de mão em mão.
Deixe-ostocaroobjeto“livro”etam-
bémpartilharcomentárioseopiniões.
Chame a atenção para as ilustra-
ções da capa: o que há em comum
entre elas?
Relacione a técnica batique utiliza-
da pela ilustradora com os tecidos
e/ou gravuras expostos: em cada
detalhe, muitos significados.
10
A leitura das lendas pro-
porcionando ao aluno
o encontro com textos
que lidam simbolica-
mente com o real
Caiu chuva tão forte,
tão forte, que durou
dias e noites. A água
subiu, saltou dos rios,
encobriu os campos,
as matas e por fim os
montes. Não se via
árvore, bicho, uma
ave que fosse. To-
dos haviam fugi-
do ou sido levados
pela enchente. A tar-
taruga, não. Ela não foi boba. Não
fugiu para o monte como fizeram
os outros.
Voz do professor:
Múltiplos olhares: o diálogo en-
tre duas linguagens
E a voz do narrador conduz o
ouvinte: No começo dos tempos,
os carajás não sabiam plantar. Não
conheciam a gostosura que é co-
mer mandioca, milho, batatinha e
ananás. [...]. Junto do rio Berô-Can
– nome carajá para o Rio Araguaia
–, moravam duas moças, Imaerô e
Denakê. [...]
– Quem é você?
– Sou Tiná-Kan, a estrela. Ouvi
você dizer que me queria. Aqui es-
tou...
Trabalhando a leitura
p
SOL, LUA, ESTRELA...
Era uma vez sete irmãozinhos sem
pai nem mãe. [...] Os curumins fi-
caram sem ter com quem morar.
Passavam o dia com fome. E a noi-
te com frio... Até que os meninos
se tornaram estrelas.
E, ainda, aguçando o interesse do
aluno: vocês sabem por que o Sol
anda devagar?
Os carajás dizem ter havido um
tempo em que a Terra era um lugar
muito escuro e muito frio. Isso por-
que no céu não havia luz do Sol, da
Lua, nem das estrelas.
E, a cada leitura, em dias ou mo-
mentos variados. Em ambientes
aconchegantes, na sala, na biblio-
teca. Em voz alta, em silêncio... Um
jeito novo de olhar o mundo. E o lei-
tor construindo sentido para o que
ouve, para o que lê.
>>
as lendas pro-
o ao aluno
com textos
simbolica-
o real
tão forte,
ue durou
A água
dos rios,
campos,
r fim os
se via
o, uma
e. To-
fugi-
vados
Múltiplos olhares: o diálogo en-
tre duas linguagens
E a voz do narrador conduz o
ouvinte: No começo dos tempos,
os carajás não sabiam plantar. Não
conheciam a gostosura que é co-
mer mandioca, milho, batatinha e
ananás. [...]. Junto do rio Berô-Can
– nome carajá para o Rio Araguaia
moravam duas moças Imaerô e
11
Ao terminar a leitura da lenda “As
noivas da estrela”, de Hernâni Do-
nato, proponha uma sessão de
vídeo Tiná-Kan, A Grande Estre-
la, que traz uma nova leitura, ou-
tro olhar sobre a lenda. Agora é
a linguagem cinematográfica que
evoca o tema, com a mesma inten-
sidade poética.
Os dois suportes textuais aproxi-
mam o leitor da cultura do índio
carajá, estimulando o estabeleci-
mento de relações de semelhança
entre eles. Entretanto, o professor
deve conduzir o aluno a perceber
que são linguagens diferentes: no
vídeo, há o recorte de imagem de
diferentes ângulos. Sensação do
movimento da câmera de filma-
gem (diferentes enquadramentos
dos espaços). >>
FICHA TÉCNICA DO FILME
Tiná-Kan, A Grande Estrela
Direção: Adriana Figueredo
Ano: 2006
Classificação indicativa: Livre
www.programadorabrasil.org.br
12
Antes de se dedicarem à elabo-
ração do projeto, propomos, ainda,
alguns estudos para aprofundar o
assunto:
Buscar a Memória das Palavras
O Brasil é um país multicultural.
Aqui, em nossas terras, convivem
mais de 225 povos diferentes, fa-
lando 180 línguas e dialetos, vi-
vendo em todos os estados dessa
imensa nação.
12
Buscar a Memória das Pa
O Brasil é um país multic
Aqui, em nossas terras, co
mais de 225 povos diferent
lando 180 línguas e dialet
vendo em todos os estados
imensa nação.
E, ainda,
VALE A PENA...
A elaboração de um projeto inter-
disciplinar, após a leitura das lendas.
Sugerimos que todos se envolvam
na elaboração da atividade, pois
essas versões abordam temas fun-
damentais à sociedade contempo-
rânea. Estamos diante de relatos
míticos que enfocam valores éticos,
questões ecológicas, princípios de
solidariedade, problemas sociais ou
mesmo políticos.
Curiosidade: a língua portugue-
sa original trazida para o Brasil tinha
140 mil palavras. Atualmente, o por-
tuguês falado em nosso país tem 260
mil vocábulos. Grande parte desse
aumento deve-se à incorporação de
palavras das línguas africanas e in-
dígenas. Para os índios, procedentes
de diferentes grupos étnico-linguísti-
cos, elas, as palavras, possuem “es-
pírito” e refletem o sagrado.
Então, que tal criar um Livro/Dicio-
nário Ilustrado que traga palavras
elencadas de A a Z, de origem indí-
gena, usadas atualmente em nosso
vocabulário e, também, vocábulos
retirados dos livros da coleção Len-
das Indígenas?
Exemplos: abacaxi, açaí, aracaju, ca-
pivara,catapora,jabuticaba,mandio-
ca, mingau, peteca, pipoca, pitanga,
sabiá, saci e tantas outras.
ATENÇÃO: consultar os sites www.
areaindigena.hpg.ig.com.br/dicio-
nario.htm e http://orbita.starmedia.
com/~i.n.d.i.o.s/influenc.htm.
Divulgar o livro/dicionário ilustrado,
em uma Feira Cultural ou durante
a culminância do Projeto Interdisci-
plinar.
A elaboração de um projeto inter-
disciplinar, após a leitura das lendas.
Sugerimos que todos se envolvam
na elaboração da atividade, pois
essas versões abordam temas fun-
damentais à sociedade contempo-
rânea. Estamos diante de relatos
míticos que enfocam valores éticos,
questões ecológicas, princípios de
solidariedade, problemas sociais ou
mesmo políticos.
13
Explorando a leituraEExxpplloorraannddoo aa lleeiittuurraa
Os índios de nossa terra buscam,
ainda hoje, protagonizar e conquistar
o exercício pleno de sua cidadania,
seja por meio de seus saberes, seja por
meio de suas práticas medicinais, lín-
guas, religiões ou, principalmente, por
meio de suas concepções do Universo.
Assim nos é colocado o desafio de
compreender e respeitar os povos in-
dígenas. Consequentemente, torna-se
fundamental que os não índios conhe-
çam a origem das lendas dos índios,
onde e como vivem, quais seus so-
nhos, o seu estar no mundo. Faz-se
necessário contextualizar, portanto, a
“obra lida” para que o horizonte de
experiências do leitor se amplie.
Vamos concluir, assim, a pesquisa
abaixo, buscando nos aproximar um
pouco mais da identidade cultural des-
ses povos:
Lenda Povo Tronco
Família
Região
onde
vivem
População Arte
Artesanato
Cestaria
Cantos
Danças
Sabores
Alimentos
POR QUE O
SOL ANDA
DEVAGAR
A DESCOBERTA
DAS FRUTAS
AS NOIVAS DA
ESTRELA
Carajá Macro-Jê
Carajá
Ilha do
Bananal,
Tocantins.
Pará e Mato
Grosso.
Cerca de
8 mil
pessoas
>>
14
Lenda Povo Tronco
Família
Região
onde
vivem
População Arte
Artesanato
Cestaria
Cantos
Danças
Sabores
Alimentos
A BARCA DA
TARTARUGA
Guarani
Tupi
Tupi-
-Guarani
Rio Grande
do Sul,
Santa
Catarina,
Paraná, São
Paulo, Rio
de Janeiro,
Espírito
Santo,
Mato
Grosso do
Sul e Pará
Cerca de
46 mil
índios
OS MENINOS
QUE SE
TORNARAM
ESTRELAS
Taulipangue Caribe Norte do
Planalto
Mato-
-Grossense,
Roraima,
Vale do
Amazonas
Cerca de
600 índios
QUANDO OS
BICHOS ERAM
GENTE
Caiowá/
Caiuá
Tupi
Tupi-
-guarani
Mato
Grosso
do Sul
Cerca de
27 mil
índios
Como você pôde perceber, há um
universo a ser descoberto e lido na
arte, no artesanato, na dança, nos
grafismos, na religião e na língua
indígenas pelo seu aluno e por nós,
mediadores de leitura. Todos esses
povos constituem raiz para nossa
brasilidade.
Elaborar com os alunos um grande
painel com essas descobertas e fa-
zer uma exposição.
15
ABORDAGENSINTERDISCIPLINARESAAABBBOOORRRDDDAAAGGGEEENNNSSSIIINNNTTTEEERRRDDDIIISSSCCCIIIPPPLLLIIINNNAAARRREEESSS Roland Barthes, em Aula (1977,
p. 18), segundo as professoras San-
dra Vivacqua e Norma Lucia, en-
dossa a tese da interdisciplinaridade
na prática educativa, semelhante
àquela proposta nos Parâmetros
em Ação (2001):
[...] a literatura assume muitos sa-
beres [...]; trabalha nos interstícios
da ciência [...]
Se todas as nossas disciplinas de-
vessem ser expulsas do ensino, ex-
ceto uma, a disciplina literária é a
que deveria ser salva, pois todas as
ciências estão presentes no monu-
mento literário.
O universo da literatura indígena
está repleto de conhecimentos geo-
gráficos, científicos, linguísticos, fi-
losóficos... Daí a sugestão do pro-
jeto Pluralidade Cultural: Sabores e
Saberes, para ser desenvolvido du-
rante o ano letivo a partir da leitura
das adaptações de Hernâni Donato.
PLURALIDADE CULTURAL
Geografia
Educação Física
História Filosofia
Língua Portuguesa
Artes Ciências
>>
16
Educação Física e Geografia:
Festival Folclórico de Parintins
OfestivalfolclóricodeParintins,no
Amazonas, tem sua história repre-
sentada pelos grupos de boi-bumbá
ou bumba meu boi. Durante três
noites de apresentação, o Boi Ga-
rantido, de cor vermelha, e o Boi
Caprichoso, de cor azul, exploram
as temáticas regionais, como rituais
indígenas, lendas, costumes dos ri-
beirinhos, por meio de alegorias e
encenações.
1.º momento – Para envolver seu
aluno e mostrar a grandiosidade do es-
petáculo, leve para a sala de aula uma
toada, canção que acompanha as três
horas de encenação. Selecionamos
uma toada, do grupo Boi Garantido,
cujo tema relata o universo mítico do
povo carajá.
Ouça-a com seus alunos e, em se-
guida, converse sobre o acompanha-
mento dos ritmistas e a letra da toada.
Cante! Dance!
Carajá, O Povo das Águas
Boi Garantido
Habitantes do vale, o mundo das águas
Cristalinas, nascentes de lágrimas
Carajá, o povo Berahatxi Mahadu
Clamava o guerreiro Kynixiwe,
Herói mítico, do fundo das águas
Do antigo rio frio Araguaia
A cobiça do carajá emergiu
Como um brilho no rio
Desvendando um mundo
De floresta e riquezas
Lindas praias de rara beleza
Um lugar da mãe da gente
Que encanta os seres tribais
Mas escondia a certeza da morte
O funesto fatal e na volta ao fundo do rio
Impedidos por Koboí, a cobra animal
A rainha do povo das águas
E viverão nas margens do Araguaia
Na floresta, caçando animais
No rio, a fartura de peixes,
Na terra, o chão onde brotam
os vegetais
Carajá, carajá
Ah, ah, ah, o povo das águas
Carajá, carajá
Ah, ah, ah, o povo das águas,
Das águas, das águas
Do Rio Araguaia
>>
17
Educação Artística: outro
olhar por meio de oficinas
temáticas
O trabalho artístico é um fio con-
dutor de extensas narrativas dos
povos indígenas, daí a importância
de vivenciá-lo por meio de oficinas
temáticas.
1.º momento: Técnica batique
Chame a atenção do leitor: A
ilustração tem linguagem própria,
com sintaxe e técnicas específicas
que interferem sutilmente na lei-
tura. Como isso se dá na proposta
desses livros?
Questione seus alunos: A lingua-
gem plástica da coleção Lendas
Indígenas, da Editora Melhoramen-
tos, permite ao leitor “um tipo de
fruição estética” em nível visual?
Veja que a narrativa imagética
de Mônica Haibara tem o cunho
de um viés antropológico sobre a
importância do povo indígena e de
sua arte pictórica.
2.º momento – Leitura carto-
gráfica: onde fica Parintins? Como
chegar lá? Quem são seus habitan-
tes? Como vivem?
3.º momento – Conhecer a es-
trutura do festival, as etapas da fes-
ta (grupos folclóricos Garantido e
Caprichoso; Bumbódromo; música;
ritual; personagens da festa: apre-
sentador, levantador de toadas,
figuras típicas e outros; galera; jura-
dos). Para ampliar as informações,
sugerimos que pesquisem “Amazô-
nia de A a Z: Festival Folclórico de
Parintins – Portal Amazônia”.
4.º momento – A culminância
da atividade poderá ser uma relei-
tura teatral ou de uma etapa do
festival. Como exemplo, sugerimos
a encenação do Ritual dos Bumbás,
que mostra a lenda de Pai Francis-
co e Mãe Catirina que conseguem,
com a ajuda do Pajé, fazer renascer
o boi do patrão.
Informe-os de que o batique é
uma técnica de tingimento artesa-
nal em tecido; o efeito final é pro-
duzido por sucessivos tingimentos
no tecido, protegido por másca-
ras de cera, em que somente as
partes não vedadas pela cera são
tingidas. Convide-os a confeccio-
nar tecidos em batique (pesquise
como fazer na internet ou convide
alguém da comunidade que saiba
para orientá-los).
>>
18
Informar aos alunos que grande
parte dos indígenas brasileiros vive
do seu trabalho com recursos na-
turais – madeira, sementes, penas
de aves, casca das árvores e outros.
Mas é importante ressaltar que a
utilização desses recursos não é
predatória: a exaustão dos bens
naturais não faz parte do sistema
econômico indígena.
Convidar indígenas (descenden-
tes) da comunidade para ensinar
os alunos a confeccionar cestas,
cerâmica, trançados, instrumentos
musicais.
Fazer releitura simbólica de uma
lenda de Hernâni Donato, utilizan-
do pigmentos e recursos naturais,
combinados com materiais rústicos
ou reaproveitados.
2.º momento: Artesanato, o
legadog
Eu faço todos os tipos de artesanato,
faço brincos de coquinho de tucum,
faço brincos de penas de papagaio
e de periquitos. Também faço brin-
cos de uma madeira que se chama
braúna.
Com a madeira do angico vinháti-
co e arruda, eu faço gamelas, co-
lheres, pilão e colares.
Com as madeiras e sementinhas
da mata, posso tentar mauí e com
dentes de caititu, sariguê, paca,
macaco e outras caças. Eu gosto
muito de fazer artesanato, porque
é a minha arte e faz parte da mi-
nha cultura.
Aqui na aldeia é assim, todos fa-
zem artesanato.
(PATAXÓ, Kanátyo. O Povo Pataxó
e Sua História. MEC/UNESCO/SEE-
-MG , p. 41)
>>
19
Ciências: Saberes e sabores
Segundo o antropólogo Darcy
Ribeiro, os índios compuseram,
nos milhares de anos em que aqui
viveram antes da chegada dos eu-
ropeus, uma sabedoria copiosa
na convivência e aproveitamento
equilibrado da floresta, no nome
que deram às frutas, ervas, árvo-
res, rios, lugares e animais. Eles
identificaram sessenta e quatro
tipos de árvores frutíferas, cultiva-
ram muitas plantas, como milho,
mandioca, amendoim. Alimentos
que fazem parte do cardápio do
brasileiro hoje.
No entanto, o hábito da roça e
o conhecimento do plantio foram
se perdendo, porque os índios se
viram forçados a migrar com a che-
gada de invasores. Pode-se afirmar
que 85% das terras indígenas são
objeto de diversos tipos de inva-
são, como abertura de estradas, hi-
drovias, a presença de garimpeiros,
madeireiros e outros.
A despeito dos problemas, os
idosos que mantêm o hábito da
roça afirmam:
Temos muitas crianças desnutridas
e pessoas com diabetes, hiperten-
são e dores no estômago. Antiga-
mente não havia esses problemas,
por isso vimos a importância de res-
gatar os alimentos tradicionais e na-
turais para o nosso povo. Para isso
nos reunimos e decidimos fazer
uma horta comunitária, em que os
jovens vão aprender como plantar
e poderão vender o excedente na
cidade.
(Prêmio Culturas Indígenas – depoi-
mento de um tikuna, p. 247)
19
No entanto, o hábito da roça e
o conhecimento do plantio foram
se perdendo, porque os índios se
viram forçados a migrar com a che-
gada de invasores. Pode-se afirmar
que 85% das terras indígenas são
objeto de diversos tipos de inva-
são, como abertura de estradas, hi-
drovias, a presença de garimpeiros,
madeireiros e outros.
A despeito dos problemas, os
idosos que mantêm o hábito da
roça afirmam:
>>
20
2.º momento: Saberes
Existem muitos projetos de hor-
tas comunitárias no Brasil e em ou-
tros países. Na maioria dos lugares
onde o projeto já foi implantado, as
hortas tornaram laboratórios vivos
para discutir saúde, nutrição, eco-
nomia e outros temas.
Consulte:
http://www.fnde.gov.br/portal/
index.php/noticias-2005/1489-
-mec-e-fao-desenvolvem-projeto-
-de-horta-escolar.
1.º momento: Sabores
Fazer uma “ceia” com comidas
típicas indígenas, usando, princi-
palmente, a mandioca. Aproveitar
o livro/dicionário ilustrado para co-
nhecer quais são os alimentos que
os índios nos deixaram como lega-
do. Saborear os alimentos, sucos
e frutas.
Posteriormente, juntos, catalo-
gar os valores nutritivos desses ali-
mentos. Para que servem? Curam
quais doenças?
20202020222202222202002020202000020222200222222202022222000220220222020022202020220020202002022202020222200202202000020202220202220220220202000220
nomia e outros temas.
Consulte:
http://www.fnde.gov.br/portal/
index.php/noticias-2005/1489-
-mec-e-fao-desenvolvem-projeto-
-de-horta-escolar.
do. Saborear os alimentos, sucos
e frutas.
Posteriormente, juntos, catalo-
gar os valores nutritivos desses ali-
mentos. Para que servem? Curam
quais doenças?
>>
21
Então, mãos à obra
Convide os alunos para observar
os espaços livres da escola e avalie
qual seria o mais adequado para
uma horta escolar. Caso não haja
espaço físico, a instituição escolar
pode recorrer a um órgão públi-
co, solicitando parceria, para que a
horta possa ser feita num espaço
comunitário. Caso essa proposta
não seja viável, é possível fazê-la
em extensão menor, plantando er-
vas, verduras e alguns legumes em
vasos.
Pesquise como preparar a terra,
como selecionar mudas e sementes
e como plantá-las. Procure envolver
toda a comunidade escolar. Com
certeza, o envolvimento efetivo fará
toda a diferença.
Depois, converse com os alunos
sobre o valor nutritivo desses ali-
mentos.
Outros Saberes
O conhecimento das propriedades
terapêuticas das plantas faz parte da
cultura oral transmitida de geração
para geração. A flora brasileira é riquís-
sima. Exemplares são utilizados pela
população como plantas medicinais,
por isso é importantíssimo que nossos
alunos as conheçam. Sugerimos, en-
tão, algumas atividades:
Fazer levantamento das plantas medi-
cinais conhecidas pelos alunos e fazer
pesquisas sobre outras.
Após as pesquisas e com todo o le-
vantamento feito, os alunos devem
catalogar os diversos tipos de plantas
medicinais (planta, utilização, parte da
planta utilizada, forma de utilização e
toxicidade), como no exemplo abaixo:
Nome vulgar Nome científico Parte usada Indicação
Alecrim Rosmarinus
officinalis
Folhas Afecções febris, inapetência
Arruda Ruta graveolens Folhas Afecção dos rins, dor intestinal,
dor de ouvido
Camomila Matricaria
chamomilla
Florais secos Insônia, inapetência
Carqueja Baccharis
ochracea
Hastes Afecções hepáticas, diabete, males
do fígado
Cravo-da-
-índia
Syzygium
aromaticum
Botões florais
secos
Higiene bucal, micose de unha,
vermes
>>
22
Para terminarPara terminar
Essa temática tem uma riqueza de
possibilidades que torna impossí-
vel abarcar todo esse universo em
um roteiro de leitura. As atividades
não se esgotam. Cabe a você, caro
colega, articulá-las, a partir de seu
horizonte de experiências e do de
seus alunos, com novos conheci-
mentos e novas histórias.
Ainapó Nhacoé, Boinún.
Poé Caxé!
Muito obrigado, meus irmãos.
Até outro Sol!
Poé Caxé!
Muito obrigado, meus irmãos.
Até outro Sol!
Língua Portuguesa:
Articulando discursos
Por ora [meu caro amigo], à distân-
cia de seu corpo, confio-lhe meu
espírito, que sem poder pairar so-
bre as águas, ainda assim inventa
o mundo.
(Eliana Yunes)
Cabe a essa disciplina encurtar
distâncias, confortar o espírito e
inventar o mundo, articulando os
diversos discursos do roteiro de lei-
tura e do projeto interdisciplinar.
Para isso, caro colega, crie um
blog (ou revista ou, ainda, um mu-
ral) em que os envolvidos na leitura
das obras de Donato e participantes
das propostas deste roteiro possam
relatar as atividades desenvolvidas,
postar os resultados das pesquisas
e o dicionário de verbetes indíge-
nas, mostrar fotografias de suas
atividades artísticas, compartilhar
o discurso do Grande Chefe Seat-
tle, revelar suas descobertas cien-
tíficas e, por fim, configurar uma
terceira história.
23
REFERENCIALTEÓRICO Compor a Educação Escolar Indígena: Um Sonho PossívelRRREEEFFFEEERRREEENNNCCCIIIAAALLLTTTEEEÓÓÓRRRIIICCCOOO CCoommppoorr aa EEdduuccaaççããoo EEssccoollaarr IInnddííggeennaa:: UUmm SSoonnhhoo PPoossssíívv
Zaqueu Key Claudino Kaingang
“Os povos indígenas, antes da co-
lonização europeia, tinham uma vida
mais digna. Viviam conforme seus cos-
tumes, ritos e tradições. Alimentavam-
-se da caça, da pesca e de coletas de
frutas e legumes. Essa memória de-
termina qualquer consciência histórica
dos povos indígenas. Ainda que estes
se reconheçam como parte da história
e da cultura brasileira, desde sua auto-
compreensão, sua origem é anterior e
remete a um início que precede concei-
tos como história e cultura. O processo
levado a cabo pelos colonizadores, por
meio de sua concepção de trabalho e
suas formas de produção, influenciou
o modo de viver destas sociedades ori-
ginárias vivendo em um território ocu-
pado. Porém, hoje fazemos eco ao que
alguns historiadores dizem há muito
tempo: os europeus muito aprenderam
com os povos indígenas e, em inúme-
ras situações, assumiram como seus os
modos de vida dos povos originários
desta terra.
Na visão dos povos indígenas, as
variáveis e as interpretações, embo-
ra muitas, são determinadas por essa
memória: o território que hoje é o Bra-
sil, após ser tomado pela colonização
europeia, começou a ser depredado
ao longo de sua extensão. Começan-
do com o distúrbio e a interferência na
vida daqueles que, neste lugar, esta-
vam vivendo conforme seus usos, cos-
tumes e tradições.
Passo decisivo nessa direção foi
dado na introdução das instituições
de ensino em território indígena. A ini-
ciativa dessa introdução, bem como a
própria instituição, declara a desquali-
ficação e não reconhecimento de cul-
tura entre os povos tradicionais. Os
rituais e os costumes indígenas, que
vinham sendo praticados desde tem-
pos imemoriais, estiveram então com
seus dias contados; tornaram-se ob-
jetos de superação. A falta de reco-
nhecimento dos métodos próprios de
ensino-aprendizagem desses povos le-
vou a uma crescente perda de referen-
ciais. Os costumes tradicionais foram
aos poucos sofrendo modificações,
sufocados pelas ditas culturas domi-
nantes. Desconsiderando-se o papel
da oralidade e das tradições para man-
ter conhecimentos próprios, essas so-
ciedades foram desqualificadas e tidas
velvveell
ra-
ão
do
an-
na
ta-
os-
foi
ões
ni-
o a
ali-
ul-
Os
ue
m-
om
ob-
co-
de
le-
en-
am
es,
mi-
pel
an-
so-
das
>>
24
por povo sem lei, sem história, sem pe-
dagogia e sem cultura.
Hoje, entretanto, a formação da
consciência da cidadania, a capacida-
de de reformulação de estratégias de
resistência, a promoção de suas cultu-
ras e a apropriação das estruturas da
sociedade não indígena pela aquisição
de novos conhecimentos úteis para
melhoria de suas condições de vida
são matérias em pauta nas propostas
relativas à educação escolar indígena.
A educação escolar que a sociedade
indígena almeja hoje é a solidária e
democrática, como uma das vias para
a construção de uma sociedade mais
justa. Nesse sentido, a Lei 11.645/08
constitui-se em uma poderosa ferra-
menta para essa mudança social.
Embora seja tangível a distância
entre o ‘legal’ e o ‘real’, nunca antes
no Brasil se falou tanto em questões
relevantes ao indígena, tais como: va-
lorização da cultura, da história, do
respeito aos costumes e às crenças,
acesso aos conhecimentos etc. Tudo
isso demonstra que, mesmo em meio
a tantos percalços, um novo olhar vem
sendo construído.
A Lei 11.645/08, criada e sanciona-
da pelo presidente da República, obri-
ga instituições públicas e privadas do
ensino fundamental e médio no país
a dar valor e visibilidade à cultura e à
história dos povos indígenas.
Os povos de tradição oral acreditam
que essa lei ajudará a resgatar a cultu-
ra, os costumes e as tradições daqueles
que ao longo da história do Brasil aju-
daram a formar a sociedade brasileira.
Acreditam também que a implantação
do artigo 1.º, em seu parágrafo 2.º,
possibilite que sejam respeitados e va-
lorizados como povos portadores de
diferença étnica, plenos de autorreco-
nhecimento.”
ão de suas cultu-
das estruturas da
na pela aquisição
entos úteis para
ondições de vida
uta nas propostas
escolar indígena.
que a sociedade
e é a solidária e
uma das vias para
a sociedade mais
a Lei 11.645/08
poderosa ferra-
dança social.
gível a distância
eal’, nunca antes
nto em questões
na, tais como: va-
, da história, do
es e às crenças,
mentos etc. Tudo
mesmo em meio
m novo olhar vem
história dos povos indígenas.
Os povos de tradição oral acreditam
que essa lei ajudará a resgatar a cultu-
ra, os costumes e as tradições daqueles
que ao longo da história do Brasil aju-
daram a formar a sociedade brasileira.
Acreditam também que a implantação
do artigo 1.º, em seu parágrafo 2.º,
possibilite que sejam respeitados e va-
lorizados como povos portadores de
diferença étnica, plenos de autorreco-
nhecimento.”
>>
25
“As sociedades indígenas esperam
dessa lei:
• que as instituições de ensino funda-
mental e médio transmitam, através
de seus docentes, a cultura e a his-
tória dos povos indígenas de forma
mais plena. Pois sabem que a dis-
criminação deve ser combatida por
meio da formação escolar;
• a capacitação de docentes para tra-
balhar essas questões também é im-
prescindível, a preparação adequada
de professores para realizar essas
tarefas precisará de cuidados, pois
estudar uma sociedade indígena re-
quer respeito e formação com prin-
cípios contundentes. Há necessidade
de subsídios sobre a temática indíge-
na voltada para a cultura das socie-
dades tradicionais;
• além de qualquer possibilidade su-
gerida pela obrigatoriedade da lei, a
implementação dos estudos das cul-
turas dos povos indígenas nas esco-
las públicas e privadas poderá, aos
poucos, oportunizar conhecimentos
dos saberes tradicionais dessas so-
ciedades. Na verdade, deve-se dizer
que esse é um aspecto primeiro en-
tre prioridades. E as escolas devem
ter o embasamento necessário no
que diz respeito a culturas indígenas;
por essa razão a sociedade indígena
está presente na Educação Escolar
Brasileira (LDB 9394/96), referencia-
dos no IPICNEI, Plano Curricular Na-
cional da Educação Indígena, e na
Constituição Brasileira de 1988.
Assim, a comunicação e a apresen-
tação de atividades sobre os povos
indígenas nas escolas poderão fi-
nalmente interceder pela sobre-
vivência histórica e cultural de
povos que ao longo da história
da educação brasileira foram
marginalizados.”
(Séculos Indígenas no Brasil –
Fórum de Atualização sobre
Culturas Indígenas. Módulo
II. Disponível em: www.
seculosindigenasnobrasil.com.
Acesso em 20 jan. 2011.).
prioridades. E as escolas devem
o embasamento necessário no
e diz respeito a culturas indígenas;
r essa razão a sociedade indígena
á presente na Educação Escolar
sileira (LDB 9394/96), referencia-
s no IPICNEI, Plano Curricular Na-
nal da Educação Indígena, e na
nstituição Brasileira de 1988.
sim, a comunicação e a apresen-
o de atividades sobre os povos
enas nas escolas poderão fi-
ente interceder pela sobre-
cia histórica e cultural de
s que ao longo da história
educação brasileira foram
inalizados.”
ulos Indígenas no Brasil –
m de Atualização sobre
uras Indígenas. Módulo
isponível em: www.
osindigenasnobrasil.com.
so em 20 jan. 2011.).
26
REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO SITES
BARTHES, Roland. Aula. São Paulo:
Cultrix, 1978.
CHEVALIER, Jean. Dicionário de
Símbolos. Rio de Janeiro: José Olympio,
1999.
MUNDURUKU, Daniel. A Palavra do Grande
Chefe. São Paulo: Global, 2008.
Nos caminhos da literatura [realização]
Instituto C&A; [apoio] Fundação Nacional
do Livro Infantil e Juvenil. São Paulo:
Peirópolis, 2008.
Prêmio Culturas Indígenas. São Paulo:
SESC SP, 2008.
QUEIRÓS, B. C. de. Era uma Vez uma
Escola... Memórias pedagógicas da escola
em Minas Gerais. Faculdade de Educação.
Universidade Federal de Minas Gerais,
1990.
SANTAELLA, Lúcia; NOTH, Winfried.
Imagem – Cognição, semiótica, mídia.
São Paulo: Iluminuras, 1998.
TIESENHAUSEN, Sandra Vivacqua von;
QUEIROZ, Norma Lucia Neris de. As
Relações Intertextuais no Ensino da
Literatura. Brasília: CEAD/UnB, 2008.
www.museudoindio.org.br
www.funai.gov.br
www.socioambiental.org
www.fengshuibrasil.com.br/imprimir/
discurso.pdf
http://blog.cidandrade.pro.br/cartas/
carta-do-cacique-seattle-da-tribo-
-suquamish-do-estado-de-washington
SITES
www.museudoindio.org.br
www.funai.gov.br
www.socioambiental.org
www.fengshuibrasil.com.br/imprimir/
discurso.pdf
http://blog.cidandrade.pro.br/cartas/
carta-do-cacique-seattle-da-tribo-
-suquamish-do-estado-de-washington

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

A minha cidade
A minha cidadeA minha cidade
A minha cidade
profdeia
 
Projeto de leitura. 1º ao 9º ano
Projeto de leitura. 1º ao 9º anoProjeto de leitura. 1º ao 9º ano
Projeto de leitura. 1º ao 9º ano
jose ebner
 
Atividades cordel (1)
Atividades cordel (1)Atividades cordel (1)
Atividades cordel (1)
Atividades Diversas Cláudia
 
JOGO DA MEMÓRIA (FIGURAS DE LINGUAGEM).docx
JOGO DA MEMÓRIA (FIGURAS DE LINGUAGEM).docxJOGO DA MEMÓRIA (FIGURAS DE LINGUAGEM).docx
JOGO DA MEMÓRIA (FIGURAS DE LINGUAGEM).docx
Paula Meyer Piagentini
 
Trabalho de leitura 9º ano
Trabalho de leitura 9º anoTrabalho de leitura 9º ano
Trabalho de leitura 9º ano
Neide Santos
 
Sequência de atividades despertar da cidadania_hino nacional
Sequência de atividades despertar da cidadania_hino nacionalSequência de atividades despertar da cidadania_hino nacional
Sequência de atividades despertar da cidadania_hino nacional
Adriana Melo
 
FIGURAS DE LINGUAGEM
FIGURAS DE LINGUAGEMFIGURAS DE LINGUAGEM
FIGURAS DE LINGUAGEM
Paula Meyer Piagentini
 
cordel - histórico e características.pptx
cordel - histórico e características.pptxcordel - histórico e características.pptx
cordel - histórico e características.pptx
CeaspOliveira
 
Culinária afro-brasileira
Culinária afro-brasileiraCulinária afro-brasileira
Culinária afro-brasileira
Mary Alvarenga
 
Castro Alves
Castro  AlvesCastro  Alves
Castro Alves
030577
 
Gonçalves dias
Gonçalves diasGonçalves dias
Gonçalves dias
Lany da Silva
 
Livro Iracema Jose de alencar
Livro Iracema Jose de alencarLivro Iracema Jose de alencar
Livro Iracema Jose de alencar
thaahmendesbq
 
Miniprojeto para trabalho escolar
Miniprojeto para trabalho escolarMiniprojeto para trabalho escolar
Miniprojeto para trabalho escolar
Vitrine Trabalhos
 
Atividade sobre lugar com a música casinha branca
Atividade sobre lugar com a música casinha brancaAtividade sobre lugar com a música casinha branca
Atividade sobre lugar com a música casinha branca
Edivonaldo Costa
 
Plano de Aula Tarsila do Amaral
Plano de Aula Tarsila  do AmaralPlano de Aula Tarsila  do Amaral
Plano de Aula Tarsila do Amaral
ANA MARIA DE PAULA E SILVA
 
Sequência Didática: Ôxente! Isso Aqui é Nordeste: Um passeio entre a Literatu...
Sequência Didática: Ôxente! Isso Aqui é Nordeste: Um passeio entre a Literatu...Sequência Didática: Ôxente! Isso Aqui é Nordeste: Um passeio entre a Literatu...
Sequência Didática: Ôxente! Isso Aqui é Nordeste: Um passeio entre a Literatu...
Pibid-Letras Córdula
 
LÍNGUA PORTUGUESA | 3ª SÉRIE | HABILIDADE DA BNCC - (EM13LP04) D4
LÍNGUA PORTUGUESA | 3ª SÉRIE | HABILIDADE DA BNCC - (EM13LP04) D4LÍNGUA PORTUGUESA | 3ª SÉRIE | HABILIDADE DA BNCC - (EM13LP04) D4
LÍNGUA PORTUGUESA | 3ª SÉRIE | HABILIDADE DA BNCC - (EM13LP04) D4
GernciadeProduodeMat
 
Sequencia receita culinaria
Sequencia receita culinariaSequencia receita culinaria
Sequencia receita culinaria
Fernando Faustino
 
Slides htpc-poesia na escola-25-26-06-13
Slides htpc-poesia na escola-25-26-06-13Slides htpc-poesia na escola-25-26-06-13
Slides htpc-poesia na escola-25-26-06-13
Luana Maria Ferreira Fernandes
 
Plano de Aula - Água - turma de EJA
Plano de Aula - Água - turma de EJAPlano de Aula - Água - turma de EJA
Plano de Aula - Água - turma de EJA
Maria Flores
 

Mais procurados (20)

A minha cidade
A minha cidadeA minha cidade
A minha cidade
 
Projeto de leitura. 1º ao 9º ano
Projeto de leitura. 1º ao 9º anoProjeto de leitura. 1º ao 9º ano
Projeto de leitura. 1º ao 9º ano
 
Atividades cordel (1)
Atividades cordel (1)Atividades cordel (1)
Atividades cordel (1)
 
JOGO DA MEMÓRIA (FIGURAS DE LINGUAGEM).docx
JOGO DA MEMÓRIA (FIGURAS DE LINGUAGEM).docxJOGO DA MEMÓRIA (FIGURAS DE LINGUAGEM).docx
JOGO DA MEMÓRIA (FIGURAS DE LINGUAGEM).docx
 
Trabalho de leitura 9º ano
Trabalho de leitura 9º anoTrabalho de leitura 9º ano
Trabalho de leitura 9º ano
 
Sequência de atividades despertar da cidadania_hino nacional
Sequência de atividades despertar da cidadania_hino nacionalSequência de atividades despertar da cidadania_hino nacional
Sequência de atividades despertar da cidadania_hino nacional
 
FIGURAS DE LINGUAGEM
FIGURAS DE LINGUAGEMFIGURAS DE LINGUAGEM
FIGURAS DE LINGUAGEM
 
cordel - histórico e características.pptx
cordel - histórico e características.pptxcordel - histórico e características.pptx
cordel - histórico e características.pptx
 
Culinária afro-brasileira
Culinária afro-brasileiraCulinária afro-brasileira
Culinária afro-brasileira
 
Castro Alves
Castro  AlvesCastro  Alves
Castro Alves
 
Gonçalves dias
Gonçalves diasGonçalves dias
Gonçalves dias
 
Livro Iracema Jose de alencar
Livro Iracema Jose de alencarLivro Iracema Jose de alencar
Livro Iracema Jose de alencar
 
Miniprojeto para trabalho escolar
Miniprojeto para trabalho escolarMiniprojeto para trabalho escolar
Miniprojeto para trabalho escolar
 
Atividade sobre lugar com a música casinha branca
Atividade sobre lugar com a música casinha brancaAtividade sobre lugar com a música casinha branca
Atividade sobre lugar com a música casinha branca
 
Plano de Aula Tarsila do Amaral
Plano de Aula Tarsila  do AmaralPlano de Aula Tarsila  do Amaral
Plano de Aula Tarsila do Amaral
 
Sequência Didática: Ôxente! Isso Aqui é Nordeste: Um passeio entre a Literatu...
Sequência Didática: Ôxente! Isso Aqui é Nordeste: Um passeio entre a Literatu...Sequência Didática: Ôxente! Isso Aqui é Nordeste: Um passeio entre a Literatu...
Sequência Didática: Ôxente! Isso Aqui é Nordeste: Um passeio entre a Literatu...
 
LÍNGUA PORTUGUESA | 3ª SÉRIE | HABILIDADE DA BNCC - (EM13LP04) D4
LÍNGUA PORTUGUESA | 3ª SÉRIE | HABILIDADE DA BNCC - (EM13LP04) D4LÍNGUA PORTUGUESA | 3ª SÉRIE | HABILIDADE DA BNCC - (EM13LP04) D4
LÍNGUA PORTUGUESA | 3ª SÉRIE | HABILIDADE DA BNCC - (EM13LP04) D4
 
Sequencia receita culinaria
Sequencia receita culinariaSequencia receita culinaria
Sequencia receita culinaria
 
Slides htpc-poesia na escola-25-26-06-13
Slides htpc-poesia na escola-25-26-06-13Slides htpc-poesia na escola-25-26-06-13
Slides htpc-poesia na escola-25-26-06-13
 
Plano de Aula - Água - turma de EJA
Plano de Aula - Água - turma de EJAPlano de Aula - Água - turma de EJA
Plano de Aula - Água - turma de EJA
 

Semelhante a Lendas Indígenas – Hernâni Donato

Suri[1]poscrivo.pdf
Suri[1]poscrivo.pdfSuri[1]poscrivo.pdf
Suri[1]poscrivo.pdf
AlexandreKragabrek
 
A magia de contar histórias
A magia de contar históriasA magia de contar histórias
A magia de contar histórias
Pedro da Silva
 
A magia de contar histórias
A magia de contar históriasA magia de contar histórias
A magia de contar histórias
Rossita Figueira
 
A EDUCACAO COMO CULTURA - RELATO DE MEMÓRIAS - rosa dos ventos.pdf
A EDUCACAO COMO CULTURA - RELATO DE MEMÓRIAS - rosa dos ventos.pdfA EDUCACAO COMO CULTURA - RELATO DE MEMÓRIAS - rosa dos ventos.pdf
A EDUCACAO COMO CULTURA - RELATO DE MEMÓRIAS - rosa dos ventos.pdf
ssuser0c9a32
 
Contos de Fadas em libras.pdf
Contos de Fadas em libras.pdfContos de Fadas em libras.pdf
Contos de Fadas em libras.pdf
CarlosPereiradaSilva16
 
Adriana franciellen erika
Adriana  franciellen erikaAdriana  franciellen erika
Adriana franciellen erika
Fernando Pissuto
 
Suri.pdf
Suri.pdfSuri.pdf
Suri.pdf
usesolues
 
Leitura e conhecimento no espaço da biblioteca escolar
Leitura e conhecimento no espaço da biblioteca escolarLeitura e conhecimento no espaço da biblioteca escolar
Leitura e conhecimento no espaço da biblioteca escolar
Ana Paula Cecato
 
A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS E SUA IMPORTÂNCIA NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL
A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS E SUA IMPORTÂNCIA NO  DESENVOLVIMENTO INFANTILA ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS E SUA IMPORTÂNCIA NO  DESENVOLVIMENTO INFANTIL
A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS E SUA IMPORTÂNCIA NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL
Rossita Figueira
 
Literatura infantil.narrativa
Literatura infantil.narrativaLiteratura infantil.narrativa
Literatura infantil.narrativa
Ana Paula Cecato
 
Da crítica e da seleção de livros para crianças e jovens
Da crítica e da seleção de livros para crianças e jovensDa crítica e da seleção de livros para crianças e jovens
Da crítica e da seleção de livros para crianças e jovens
leandronegreiros2004
 
Sugestão de leitura - livros 2011
Sugestão de leitura - livros 2011Sugestão de leitura - livros 2011
Sugestão de leitura - livros 2011
Sistema Municipal de Bibliotecas
 
A mata-dos-medos
A mata-dos-medosA mata-dos-medos
A mata-dos-medos
Sónia Neves
 
Oficina 02 -contos-de-fadas-e-aprendizagem
Oficina 02 -contos-de-fadas-e-aprendizagemOficina 02 -contos-de-fadas-e-aprendizagem
Oficina 02 -contos-de-fadas-e-aprendizagem
Marlete Outeiro
 
Cyro na feira do livro de itapé
Cyro na feira do livro de itapéCyro na feira do livro de itapé
Cyro na feira do livro de itapé
Roberto Rabat Chame
 
Apostila do módulo de Contação de Histórias, por Cris Velasco
Apostila do módulo de Contação de Histórias, por Cris VelascoApostila do módulo de Contação de Histórias, por Cris Velasco
Apostila do módulo de Contação de Histórias, por Cris Velasco
institutobrincante
 
Contos Indigenas de Terror para Crianças.docx
Contos Indigenas de Terror para Crianças.docxContos Indigenas de Terror para Crianças.docx
Contos Indigenas de Terror para Crianças.docx
Roosevelt F. Abrantes
 
Quebradas (aula 27 de novembro)
Quebradas   (aula 27 de novembro)Quebradas   (aula 27 de novembro)
Quebradas (aula 27 de novembro)
Universidade das Quebradas
 
Contador de Histórias
Contador de HistóriasContador de Histórias
Contador de Histórias
Ainsf Eder Dalberto
 
Rita cristina professor inovador
Rita cristina  professor inovadorRita cristina  professor inovador
Rita cristina professor inovador
SimoneHelenDrumond
 

Semelhante a Lendas Indígenas – Hernâni Donato (20)

Suri[1]poscrivo.pdf
Suri[1]poscrivo.pdfSuri[1]poscrivo.pdf
Suri[1]poscrivo.pdf
 
A magia de contar histórias
A magia de contar históriasA magia de contar histórias
A magia de contar histórias
 
A magia de contar histórias
A magia de contar históriasA magia de contar histórias
A magia de contar histórias
 
A EDUCACAO COMO CULTURA - RELATO DE MEMÓRIAS - rosa dos ventos.pdf
A EDUCACAO COMO CULTURA - RELATO DE MEMÓRIAS - rosa dos ventos.pdfA EDUCACAO COMO CULTURA - RELATO DE MEMÓRIAS - rosa dos ventos.pdf
A EDUCACAO COMO CULTURA - RELATO DE MEMÓRIAS - rosa dos ventos.pdf
 
Contos de Fadas em libras.pdf
Contos de Fadas em libras.pdfContos de Fadas em libras.pdf
Contos de Fadas em libras.pdf
 
Adriana franciellen erika
Adriana  franciellen erikaAdriana  franciellen erika
Adriana franciellen erika
 
Suri.pdf
Suri.pdfSuri.pdf
Suri.pdf
 
Leitura e conhecimento no espaço da biblioteca escolar
Leitura e conhecimento no espaço da biblioteca escolarLeitura e conhecimento no espaço da biblioteca escolar
Leitura e conhecimento no espaço da biblioteca escolar
 
A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS E SUA IMPORTÂNCIA NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL
A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS E SUA IMPORTÂNCIA NO  DESENVOLVIMENTO INFANTILA ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS E SUA IMPORTÂNCIA NO  DESENVOLVIMENTO INFANTIL
A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS E SUA IMPORTÂNCIA NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL
 
Literatura infantil.narrativa
Literatura infantil.narrativaLiteratura infantil.narrativa
Literatura infantil.narrativa
 
Da crítica e da seleção de livros para crianças e jovens
Da crítica e da seleção de livros para crianças e jovensDa crítica e da seleção de livros para crianças e jovens
Da crítica e da seleção de livros para crianças e jovens
 
Sugestão de leitura - livros 2011
Sugestão de leitura - livros 2011Sugestão de leitura - livros 2011
Sugestão de leitura - livros 2011
 
A mata-dos-medos
A mata-dos-medosA mata-dos-medos
A mata-dos-medos
 
Oficina 02 -contos-de-fadas-e-aprendizagem
Oficina 02 -contos-de-fadas-e-aprendizagemOficina 02 -contos-de-fadas-e-aprendizagem
Oficina 02 -contos-de-fadas-e-aprendizagem
 
Cyro na feira do livro de itapé
Cyro na feira do livro de itapéCyro na feira do livro de itapé
Cyro na feira do livro de itapé
 
Apostila do módulo de Contação de Histórias, por Cris Velasco
Apostila do módulo de Contação de Histórias, por Cris VelascoApostila do módulo de Contação de Histórias, por Cris Velasco
Apostila do módulo de Contação de Histórias, por Cris Velasco
 
Contos Indigenas de Terror para Crianças.docx
Contos Indigenas de Terror para Crianças.docxContos Indigenas de Terror para Crianças.docx
Contos Indigenas de Terror para Crianças.docx
 
Quebradas (aula 27 de novembro)
Quebradas   (aula 27 de novembro)Quebradas   (aula 27 de novembro)
Quebradas (aula 27 de novembro)
 
Contador de Histórias
Contador de HistóriasContador de Histórias
Contador de Histórias
 
Rita cristina professor inovador
Rita cristina  professor inovadorRita cristina  professor inovador
Rita cristina professor inovador
 

Último

Portfólio Estratégico da Marinha do Brasil (MB).pdf
Portfólio Estratégico da Marinha do Brasil (MB).pdfPortfólio Estratégico da Marinha do Brasil (MB).pdf
Portfólio Estratégico da Marinha do Brasil (MB).pdf
Falcão Brasil
 
Portfólio Estratégico da Força Aérea Brasileira (FAB).pdf
Portfólio Estratégico da Força Aérea Brasileira (FAB).pdfPortfólio Estratégico da Força Aérea Brasileira (FAB).pdf
Portfólio Estratégico da Força Aérea Brasileira (FAB).pdf
Falcão Brasil
 
Organograma do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia...
Organograma do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia...Organograma do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia...
Organograma do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia...
Falcão Brasil
 
Caça-palavras - multiplicação
Caça-palavras  -  multiplicaçãoCaça-palavras  -  multiplicação
Caça-palavras - multiplicação
Mary Alvarenga
 
A GEOPOLÍTICA ATUAL E A INTEGRAÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL
A GEOPOLÍTICA ATUAL E A INTEGRAÇÃO ECONÔMICA E SOCIALA GEOPOLÍTICA ATUAL E A INTEGRAÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL
A GEOPOLÍTICA ATUAL E A INTEGRAÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL
ArapiracaNoticiasFat
 
gestão_de_conflitos_no_ambiente_escolar.pdf
gestão_de_conflitos_no_ambiente_escolar.pdfgestão_de_conflitos_no_ambiente_escolar.pdf
gestão_de_conflitos_no_ambiente_escolar.pdf
Maria das Graças Machado Rodrigues
 
17 Coisas que seus alunos deveriam saber sobre TRI para melhorar sua nota no ...
17 Coisas que seus alunos deveriam saber sobre TRI para melhorar sua nota no ...17 Coisas que seus alunos deveriam saber sobre TRI para melhorar sua nota no ...
17 Coisas que seus alunos deveriam saber sobre TRI para melhorar sua nota no ...
Estuda.com
 
A Atuação das Forças Armadas na Garantia da Lei e da Ordem (GLO).pdf
A Atuação das Forças Armadas na Garantia da Lei e da Ordem (GLO).pdfA Atuação das Forças Armadas na Garantia da Lei e da Ordem (GLO).pdf
A Atuação das Forças Armadas na Garantia da Lei e da Ordem (GLO).pdf
Falcão Brasil
 
Guia Genealógico da Principesca e Ducal Casa de Mesolcina, 2024
Guia Genealógico da Principesca e Ducal Casa de Mesolcina, 2024Guia Genealógico da Principesca e Ducal Casa de Mesolcina, 2024
Guia Genealógico da Principesca e Ducal Casa de Mesolcina, 2024
principeandregalli
 
Organograma do Ministério da Defesa (MD).pdf
Organograma do Ministério da Defesa (MD).pdfOrganograma do Ministério da Defesa (MD).pdf
Organograma do Ministério da Defesa (MD).pdf
Falcão Brasil
 
Slide | Eurodeputados Portugueses (2024-2029) - Parlamento Europeu (atualiz. ...
Slide | Eurodeputados Portugueses (2024-2029) - Parlamento Europeu (atualiz. ...Slide | Eurodeputados Portugueses (2024-2029) - Parlamento Europeu (atualiz. ...
Slide | Eurodeputados Portugueses (2024-2029) - Parlamento Europeu (atualiz. ...
Centro Jacques Delors
 
Introdução ao filme Divertida Mente 2 em pdf
Introdução ao filme Divertida Mente 2 em pdfIntrodução ao filme Divertida Mente 2 em pdf
Introdução ao filme Divertida Mente 2 em pdf
valdeci17
 
Relatório do Ministério da Defesa (MD) 2017.pdf
Relatório do Ministério da Defesa (MD) 2017.pdfRelatório do Ministério da Defesa (MD) 2017.pdf
Relatório do Ministério da Defesa (MD) 2017.pdf
Falcão Brasil
 
Slides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptx
Slides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptxSlides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptx
Slides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptx
LuizHenriquedeAlmeid6
 
P0107 do aluno da educação municipal.pdf
P0107 do aluno da educação municipal.pdfP0107 do aluno da educação municipal.pdf
P0107 do aluno da educação municipal.pdf
Ceiça Martins Vital
 
Aula 3 CURSO LETRANDO (classes gramaticais).pdf
Aula 3 CURSO LETRANDO (classes gramaticais).pdfAula 3 CURSO LETRANDO (classes gramaticais).pdf
Aula 3 CURSO LETRANDO (classes gramaticais).pdf
ProfessoraSilmaraArg
 
Administração Em Enfermagem.pptx caala - Cópia-1.pptx
Administração Em Enfermagem.pptx caala - Cópia-1.pptxAdministração Em Enfermagem.pptx caala - Cópia-1.pptx
Administração Em Enfermagem.pptx caala - Cópia-1.pptx
helenawaya9
 
A Participação do Brasil nas Operações de Manutenção da Paz da ONU Passado, P...
A Participação do Brasil nas Operações de Manutenção da Paz da ONU Passado, P...A Participação do Brasil nas Operações de Manutenção da Paz da ONU Passado, P...
A Participação do Brasil nas Operações de Manutenção da Paz da ONU Passado, P...
Falcão Brasil
 
Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (ECEMAR).pdf
Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (ECEMAR).pdfEscola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (ECEMAR).pdf
Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (ECEMAR).pdf
Falcão Brasil
 

Último (20)

Portfólio Estratégico da Marinha do Brasil (MB).pdf
Portfólio Estratégico da Marinha do Brasil (MB).pdfPortfólio Estratégico da Marinha do Brasil (MB).pdf
Portfólio Estratégico da Marinha do Brasil (MB).pdf
 
Portfólio Estratégico da Força Aérea Brasileira (FAB).pdf
Portfólio Estratégico da Força Aérea Brasileira (FAB).pdfPortfólio Estratégico da Força Aérea Brasileira (FAB).pdf
Portfólio Estratégico da Força Aérea Brasileira (FAB).pdf
 
Organograma do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia...
Organograma do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia...Organograma do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia...
Organograma do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia...
 
Caça-palavras - multiplicação
Caça-palavras  -  multiplicaçãoCaça-palavras  -  multiplicação
Caça-palavras - multiplicação
 
A GEOPOLÍTICA ATUAL E A INTEGRAÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL
A GEOPOLÍTICA ATUAL E A INTEGRAÇÃO ECONÔMICA E SOCIALA GEOPOLÍTICA ATUAL E A INTEGRAÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL
A GEOPOLÍTICA ATUAL E A INTEGRAÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL
 
gestão_de_conflitos_no_ambiente_escolar.pdf
gestão_de_conflitos_no_ambiente_escolar.pdfgestão_de_conflitos_no_ambiente_escolar.pdf
gestão_de_conflitos_no_ambiente_escolar.pdf
 
17 Coisas que seus alunos deveriam saber sobre TRI para melhorar sua nota no ...
17 Coisas que seus alunos deveriam saber sobre TRI para melhorar sua nota no ...17 Coisas que seus alunos deveriam saber sobre TRI para melhorar sua nota no ...
17 Coisas que seus alunos deveriam saber sobre TRI para melhorar sua nota no ...
 
A Atuação das Forças Armadas na Garantia da Lei e da Ordem (GLO).pdf
A Atuação das Forças Armadas na Garantia da Lei e da Ordem (GLO).pdfA Atuação das Forças Armadas na Garantia da Lei e da Ordem (GLO).pdf
A Atuação das Forças Armadas na Garantia da Lei e da Ordem (GLO).pdf
 
Guia Genealógico da Principesca e Ducal Casa de Mesolcina, 2024
Guia Genealógico da Principesca e Ducal Casa de Mesolcina, 2024Guia Genealógico da Principesca e Ducal Casa de Mesolcina, 2024
Guia Genealógico da Principesca e Ducal Casa de Mesolcina, 2024
 
Organograma do Ministério da Defesa (MD).pdf
Organograma do Ministério da Defesa (MD).pdfOrganograma do Ministério da Defesa (MD).pdf
Organograma do Ministério da Defesa (MD).pdf
 
Slide | Eurodeputados Portugueses (2024-2029) - Parlamento Europeu (atualiz. ...
Slide | Eurodeputados Portugueses (2024-2029) - Parlamento Europeu (atualiz. ...Slide | Eurodeputados Portugueses (2024-2029) - Parlamento Europeu (atualiz. ...
Slide | Eurodeputados Portugueses (2024-2029) - Parlamento Europeu (atualiz. ...
 
Introdução ao filme Divertida Mente 2 em pdf
Introdução ao filme Divertida Mente 2 em pdfIntrodução ao filme Divertida Mente 2 em pdf
Introdução ao filme Divertida Mente 2 em pdf
 
Relatório do Ministério da Defesa (MD) 2017.pdf
Relatório do Ministério da Defesa (MD) 2017.pdfRelatório do Ministério da Defesa (MD) 2017.pdf
Relatório do Ministério da Defesa (MD) 2017.pdf
 
Slides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptx
Slides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptxSlides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptx
Slides Lição 4, CPAD, O Encontro de Rute com Boaz, 3Tr24.pptx
 
P0107 do aluno da educação municipal.pdf
P0107 do aluno da educação municipal.pdfP0107 do aluno da educação municipal.pdf
P0107 do aluno da educação municipal.pdf
 
Festa dos Finalistas .
Festa dos Finalistas                    .Festa dos Finalistas                    .
Festa dos Finalistas .
 
Aula 3 CURSO LETRANDO (classes gramaticais).pdf
Aula 3 CURSO LETRANDO (classes gramaticais).pdfAula 3 CURSO LETRANDO (classes gramaticais).pdf
Aula 3 CURSO LETRANDO (classes gramaticais).pdf
 
Administração Em Enfermagem.pptx caala - Cópia-1.pptx
Administração Em Enfermagem.pptx caala - Cópia-1.pptxAdministração Em Enfermagem.pptx caala - Cópia-1.pptx
Administração Em Enfermagem.pptx caala - Cópia-1.pptx
 
A Participação do Brasil nas Operações de Manutenção da Paz da ONU Passado, P...
A Participação do Brasil nas Operações de Manutenção da Paz da ONU Passado, P...A Participação do Brasil nas Operações de Manutenção da Paz da ONU Passado, P...
A Participação do Brasil nas Operações de Manutenção da Paz da ONU Passado, P...
 
Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (ECEMAR).pdf
Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (ECEMAR).pdfEscola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (ECEMAR).pdf
Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (ECEMAR).pdf
 

Lendas Indígenas – Hernâni Donato

  • 1. 1 Lendas Indígenas – Hernâni DonatoPROJETODELEITURAPPPRRROOOJJJEEETTTOOODDDEEELLLEEEIIITTTUUURRRAAA Hernâni Donato é escritor, jornalista, his- toriador, relações-públi- cas e produtor cultural. Membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, integra também as Academias de Letras de São Paulo, Santos e Brasília. Sua vasta obra literária – são mais de sessenta livros – compõe-se de con- tos, romances, literatura infantoju- venil, biografias e historiografia. No gênero romance, podemos citar Filhos do Destino, Chão Bruto, Selva Trágica e O Caçador de Esmeraldas. Entre os infantojuvenis, foram publica- dos Histórias da Floresta, Façanhas do João Sabido, O Tesouro e Contos dos Meninos Índios. É autor das biografias de José de Alencar, Vicente de Carva- lho, Casimiro de Abreu, Vital Brasil, Ra- poso Tavares, Galileu e outros. Dentre seus livros de História, des- tacam-se A Revolução de 32, Dicio- nário das Batalhas Brasileiras, Breve História do Brasil, Os Índios do Brasil e O Cotidiano Brasileiro nos Séculos XVI, XVII, XVIII e XIX. Autor Ficha Gênero: lenda Palavras-chave: cultura indígena, lendas carajá, guarani, taulipang e caiowá Temas Transversais: pluralidade cultural e ética Interdisciplinaridade: Artes, Língua Portuguesa, Geografia, Ciências, História, Filosofia e Educação Física l d Quadro sinóptico 8anos INDICAÇÃO: Leitor em processo a partir dos ensino fundamental >> Acervo básico Categoria reconto 2003 Ficha Autor: Hernâni Donato Ilustradora: Mônica Haibara Série: Lendas Indígenas Títulos: A Barca da Tartaruga, A Desco- berta das Frutas, As Noivas da Estrela, Os Meninos Que Se Tornaram Estrelas, Quan- do os Bichos Eram Gente e Por Que o Sol Anda Devagar Formato: 20,5 x 20,5 cm No de páginas: 24 Elaboração: Sonia Maria Soares dos Reis Requisitado conferencista, autor de ensaios e artigos de temas históricos, Hernâni Donato, na coleção Lendas In- dígenas, proporciona a construção de umconhecimentosensívelsobreascos- movisões e a alteridade indígenas no país, considerando as culturas carajá, guarani, taulipangue e caiowá/caiuá. Revela, por meio das lendas, o papel da oralidade e das tradições desses povos. Registra, em palavras impres- sas sobre o papel, a voz indígena, o seu saber cultivado de geração em geração e nos ajuda a rever os con- ceitos que temos sobre a natureza, as relações humanas e sobre nossa casa, a mãe Terra. m s: s Hernâni DonatoHernâni Donato Mônica HaibaraMônica Haibara IlustraçõesIlustrações A Barca da TartarugaA Barca da Tartaruga Barca da tartaruga - Capa CP 02ed06.indd 1 08.12.10 13:09:56 Hernâni DonatoHernâni Donato Mônica HaibaraMônica Haibara IlustraçõesIlustrações A Descoberta das FrutasA Descoberta das Frutas Descoberta das Frutas - Capa CP 02ed05.indd 1 08.12.10 11:44:31 Quando os Bichos Eram GenteQuando os Bichos Eram Gente Hernâni DonatoHernâni Donato Mônica HaibaraMônica Haibara IlustraçõesIlustrações Quando os bichos eram gente - Capa CP 01ed03.indd 1 08.12.10 14:06:00 As Noivas da EstrelaAs Noivas da EstrelaHernâni DonatoHernâni Donato Mônica HaibaraMônica Haibara IlustraçõesIlustrações Noivas da Estrela - Capa CP 02ed03.indd 1 11.10.10 16:42:57 Por Que o Sol Anda DevagarPor Que o Sol Anda Devagar Hernâni DonatoHernâni Donato Mônica HaibaraMônica Haibara IlustraçõesIlustrações Porque o Sol anda devagar - Capa CP 02ed05.indd 1 14/12/2010 14:46:19 Hernâni DonatoHernâni Donato Mônica HaibaraMônica Haibara IlustraçõesIlustrações Os Meninos Que Se Tornaram EstrelasOs Meninos Que Se Tornaram Estrelas Meninos Que Se Tornaram Estrelas - Capa CP 01ed02.indd 1 08.12.10 11:53:23
  • 2. 2 práticas educacionais comprome- tidos com a reeducação das rela- ções étnico-raciais e com o ensino de história e cultura indígenas nas escolas, motivando um processo de desconstrução e construção de representações sobre as culturas indígenas no Brasil. políticas públicas efetivas que garan- tam o registro e a preservação das expressões culturais indígenas. Vem daí a importância de conhe- cer e ler a coleção Lendas Indígenas, que reúne histórias tradicionais dos povos carajá, guarani, taulipangue e caiowá: As Noivas da Estrela, A Descoberta das Frutas, Por Que o Sol Anda Devagar, A Barca da Tar- taruga, Os Meninos Que Se Torna- ram Estrelas e Quando os Bichos Eram Gente. Esses relatos mostram a preocupação do autor com a pre- servação da língua, fonte de identi- dade desses povos. Através do olhar de um observador de fora da aldeia, o leitor é convida- do a conhecer obras literárias que visam o fortalecimento da ancestralidade indígena –latente–,queprecisa ser reforçada para que se apaguem os estereótipos que a população brasileira em geral tem do índio em nosso país. Assim, a coleção contribui para o aprimoramento dos projetos e das Indigenista e historiador, o escri- tor Hernâni Donato, em consonân- cia com o ponto de vista de Daniel Munduruku, revela que a oralidade é imprescindível para o educador que queira lidar com a temática “a beleza da cultura indígena brasilei- ra por meio de suas lendas”. Sabe-se que os povos indígenas buscam, em suas comunidades, praticar sua cultura e fortalecer seu modo de vida. Jovens e velhos lutam para manter vivas as formas de rela- cionamento com a mãe Terra – que segundo eles é o “berçário da huma- nidade”, a despeito da ausência de Outro olhar Na tradição indígena, o educador é aquele capaz de contar histó- rias que ensinam comportamentos e atitudes. Esses valores humanos são fundamentais para que todas as pessoas da comunidade se sin- tam participantes do grande mis- tério da existência. Daniel Munduruku Disponível em www.cultura.mg.gov.br. Acesso em 20 jan. 2011. a coleção Lendas Indígenas,s ne histórias tradicionais dos arajá, guarani, taulipangue á: As Noivas da Estrela, A erta das Frutas, Por Que o a Devagar, A Barca da Tar- Os Meninos Que Se Torna- relas e Quando os Bichos ente. Esses relatos mostram upação do autor com a pre- o da língua, fonte de identi- sses povos. és do olhar de um observador da aldeia, o leitor é convida- nhecer obras literárias que fortalecimento da lidade indígena –,queprecisa rçada para paguem os tipos que a ão brasileira l tem do índio so país.
  • 3. 333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333333 Caro professor,p Acredito que ler é configurar uma terceira história, construída em parce- ria a partir do impulso movedor contido na fragilidade humana, quando dela se toma posse. A fragilidade que funda o homem é a mesma que o inaugura, mas só a palavra anuncia. A iniciação à leitura transcende o ato simples de apresentar ao sujeito as le- tras que aí estão já escritas. É mais que preparar o aluno para a decifração das artimanhas de uma sociedade que pre- tende também consumi-lo. É mais do que a incorporação de um saber frio, as- tutamente construído. Fundamental, ao pretender ensi- nar a leitura, é convocar o aluno para tomar da sua palavra. Ler a palavra é, antes de tudo, munir-se para fazer- -se menos indecifrável. Ler é cuidar-se, rompendo com as grades do isolamen- to. Ler é evadir-se com o outro, sem contudo perder-se nas várias faces da palavra. Ler é encantar-se com as diferenças. (Bartolomeu Campos de Queirós) Para começar a conversa...
  • 4. 44444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444444 Caro professor, as palavras atingem distâncias enormes... Por meio delas ecoa ainda o “clamor” do cacique Seattle, em 1854, ao Grande Chefe de Washing- ton, o presidente dos Estados Unidos da América, em resposta aos que vieram comprar suas terras: Esta terra é sagrada para nós. Essa água brilhante que corre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. O murmúrio das águas é a voz dos meus ancestrais. Os rios são nossos irmãos, saciam nos- sa sede, transportam nossas canoas e alimentam nossos filhos. Se vendermos esta terra, ensine seus filhos a serem fraternos com eles. E, aos rios, dedique todo carinho que caberia a um irmão. [...] Talvez, apesar de tudo, sejamos to- dos irmãos. Veremos isso.
  • 5. 5 Para os índios, as palavras pos- suem “espírito”; elas só podem di- zer o que é verdade. O sagrado é encenado por palavras. Ao lê-las ou pronunciá-las, a vida dos povos da floresta se manifesta – os can- tos sagrados, o som mágico dos chocalhos, do maracá e das flautas de bambu, as danças, ecoam e fa- zem com que nos encantemos com as diferenças. Ler Por Que o Sol Anda Devagar, Quando os Bichos Eram Gente, Os Meninos Que Se Tornaram Estrelas, As Noivas da Estrela, A Descoberta das Frutas e A Barca da Tartaruga é evadir-se com o outro. Ao ler esses textos com os alunos, o professor pode romper as grades do isola- mento e permitir que o processo educativo considere toda essa di- versidade ao estabelecer vínculos de vivência comum entre índios e não índios e a construção de laços profundos entre o seu aluno e as sociedades indígenas. Como salienta Campos de Quei- rós, “é mais do que a incorpora- ção de um saber frio, astutamente construído”, trata-se de um concei- to de educação escolar caracteriza- do pela afirmação das identidades étnicas, pela recuperação das me- mórias históricas, pela valorização das línguas e conhecimentos dos povos indígenas. Trata-se da ressig- nificação da instituição escolar em um espaço de construção de rela- ções interétnicas orientadas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educa- ção para a manutenção da plurali- dade cultural. Convidamos você, professor, para trilhar esse caminho e, com seu alu- no, configurar uma terceira história, anunciada por meio das palavras de Hernâni Donato. palavras pos- só podem di- O sagrado é ras. Ao lê-las ida dos povos esta – os can- m mágico dos á e das flautas s, ecoam e fa- cantemos com Anda Devagar, am Gente, Os aram Estrelas, A Descoberta da Tartaruga é o. Ao ler esses s, o professor ades do isola- ue o processo toda essa di- lecer vínculos entre índios e ução de laços eu aluno e as . Como salienta Campos de Quei- rós, “é mais do que a incorpora- ção de um saber frio, astutamente construído”, trata-se de um concei- to de educação escolar caracteriza- do pela afirmação das identidades étnicas, pela recuperação das me- mórias históricas, pela valorização das línguas e conhecimentos dos povos indígenas. Trata-se da ressig- nificação da instituição escolar em um espaço de construção de rela- ções interétnicas orientadas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educa- ção para a manutenção da plurali- dade cultural. Convidamos você, professor, para trilhar esse caminho e, com seu alu- no, configurar uma terceira história, anunciada por meio das palavras de Hernâni Donato.
  • 6. 6 SOBREACOLEÇÃOAAACCCOOOLLLEEEÇÇÇÇÇÃÃÃOOO Hernâni Donato soube reunir um material de grande potencial informativo e educativo acerca das culturas indígenas. Sábio, o autor revela, nas entrelinhas dessas histó- rias, a consciência de que é preciso agregar à visão do povo brasilei- ro que somos um povo de etnia milenar; por isso faz-se necessário que nos apropriemos da perspec- tiva de valores universais contidos nas narrativas e em outras lingua- gens próprias da cultura indígena. A vida tecida com fios, tramas da existência. Experiências humanas – frustrações, sonhos, solidariedade, decepções, ambição, brigas. Per- das e sacrifícios. E o amor – que se nutre por alguém – ligado a um sacrifício que se deve fazer pela felicidade de seu povo, a dimensão social do amor, tão próprio dos povos in- dígenas. As mãos da ilustradora Mônica Haibara criam, por meio das tramas em batique (batik), técnica milenar de pintura em tecidos, o mágico tecido do mundo indígena, e este se delineia através de ornamentos e de elementos decorativos condi- cionados por ideias e sentimentos milenares. São igualmente mági- cos e simbólicos, e não somente estéticos. A estilização dos temas, a gama de cores empregadas, a textura, o movimento, a composi- ção dos personagens, enfim cada um dos elementos utilizados abri- ga um significado, conta uma his- tória: a árvore da vida, símbolo da eternidade; a tartaruga, símbolo do Universo, garante a sustenta- ção do mundo, sua estabilidade; o fogo possui valor de purificação e iluminação, representa a sabedo- ria humana; sete meninos que se transformaram em sete estrelas, o número sete indicando sentido de uma mudança depois de um ciclo concluído e de uma renovação po- sitiva, ou seja, simbolizando a to- talidade do espaço e do tempo; o Sol, fonte da luz, do calor, da vida; a estrela, símbolo da vida eterna dos justos... Donato e Mônica vivificam a poe- sia dos mitos indígenas! Vamos a eles! 666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666666 SOBREASSSOOOBBRREEAA milenar; por isso faz-se necessário que nos apropriemos da perspec- tiva de valores universais contidos nas narrativas e em outras lingua- gens próprias da cultura indígena. A vida tecida com fios, tramas da existência. Experiências humanas – frustrações, sonhos, solidariedade, decepções, ambição, brigas. Per- das e sacrifícios. E o amor – que se nutre por alguém – ligado a um sacrifício que se deve fazer pela felicidade de seu povo, a dimensão social do amor, tão próprio dos povos in- dígenas. milenares. São igualmente mági- cos e simbólicos, e não somente estéticos. A estilização dos temas, a gama de cores empregadas, a textura, o movimento, a composi- ção dos personagens, enfim cada um dos elementos utilizados abri- ga um significado, conta uma his- tória: a árvore da vida, símbolo da eternidade; a tartaruga, símbolo do Universo, garante a sustenta- ção do mundo, sua estabilidade; o fogo possui valor de purificação e iluminação, representa a sabedo- ria humana; sete meninos que se transformaram em sete estrelas, o Donato e Mônica vivificam a poe- sia dos mitos indígenas! Vamos a eles!
  • 7. 7 Preparando a leitura É muito bom cantar e tocar um instrumento! A coleção Palavra Cantada, da Editora Melhoramentos, traz im- portantes noções sobre música. Re- úna, então, os alunos para que se divirtam com o ritmo das canções. Brinquem de “ouvir música”. Em se- guida, assistam ao clipe ou ouçam o CD Palavra Cantada 5, com a mú- sica “Sol, Lua, Estrela”: O livro na sala de aula Quando a Lua chega, De onde mesmo que ela vem? Quando a gente nasce Já começa a perguntar: – Quem sou? Quem é? – Onde é que estou? Mas, quando amanhece, Quem é que acorda o Sol? Quando a gente acorda Já começa a imaginar: – Pra onde é que vou? Qual é? – No que é que isso vai dar? E, no embalo da músi- ca, deixe-os se integrar e se socializar. Quando a estrela acende, Ninguém mais pode apagar, Quando a gente cresce, Tem o mundo pra ganhar. – Brincar, dançar, saltar. – Correr, meu Deus do Céu, Onde é que eu vim parar? lo da músi- e integrar e dançar, saltar. meu Deus do Céu, ue eu vim parar?
  • 8. 8 As atividades sugeridas podem so- frer “adequação” ou “modifica- ção” de acordo com o horizonte de experiência do seu aluno, profes- sor. Lembre-se de que o leitor em formação participa desse processo com o auxílio de um mediador, que sabe estabelecer a interlocução lei- tor-texto. No movimento de parti- cipar e criar, os alunos interagem e aprendem com o mediador e com os colegas. Atividades Chame a atenção para o ritmo e peça aos alunos que busquem identificar os diferentes instrumen- tos para ativar a percepção musical. Momento especial Em homenagem à Palavra Cantada, sugerimos que os alunos mais adultos, em parceria com professores de arte, interpretem a música com outro estilo (hip-hop, reggae, MPB, rock...). E apre- sentem para toda a escola. Individualmente ou em grupo, os alunos poderão produzir uma repre- sentação gráfica (desenho, colagem, mural de fotos) para apresentar seu entendimento da música: um docu- mento visual a partir do texto Sol, Lua, Estrela. Mediante esse enfoque, aproveite para aprofundar o tema da música: qual a importância do Sol, da Lua, das estrelas para a humanidade? Dialogar: questione se algum deles conhece o personagem histórico que escreveu Canto das Criaturas e que chamava o Sol, a água e a Lua de ir- mãos. Quem é ele? Como viveu? Pergunte se eles também conside- ram “o Sol, a Lua e a água” seus ir- mãos e peça que eles expliquem por quê. Questione-os se conhecem algum povo, que, como São Francisco de As- sis, vive em comunhão com os rios, as árvores, os animais. Examine com os alunos a letra da música de Sandra Peres e Paulo Tatit. Chame a atenção para os questiona- mentos: Quem sou? Onde estou? Pra onde vou? Procure fazer, em conjunto, uma re- flexão sobre a vivência de cada aluno. A vivência deles é de relação com os elementos naturais? veu Canto das Criaturas e q
  • 9. 9 Articulando sujeito (o aluno), corpo e arte: retome a canção sua- vemente e acrescente um ingre- diente visual ao ambiente – teci- dos em batique, de preferência com motivos/estampas indígenas. Se a escola não conseguir esse tipo de estamparia, poderá adornar as paredes da sala com gravuras (ou qualquer outro tipo de reprodução) de batique. A hora e a vez dos livros... Aguçada a sensibilidade, faça uma roda com os alunos e mostre os li- vros da coleção, que deverão ser passados de mão em mão. Deixe-ostocaroobjeto“livro”etam- bémpartilharcomentárioseopiniões. Chame a atenção para as ilustra- ções da capa: o que há em comum entre elas? Relacione a técnica batique utiliza- da pela ilustradora com os tecidos e/ou gravuras expostos: em cada detalhe, muitos significados.
  • 10. 10 A leitura das lendas pro- porcionando ao aluno o encontro com textos que lidam simbolica- mente com o real Caiu chuva tão forte, tão forte, que durou dias e noites. A água subiu, saltou dos rios, encobriu os campos, as matas e por fim os montes. Não se via árvore, bicho, uma ave que fosse. To- dos haviam fugi- do ou sido levados pela enchente. A tar- taruga, não. Ela não foi boba. Não fugiu para o monte como fizeram os outros. Voz do professor: Múltiplos olhares: o diálogo en- tre duas linguagens E a voz do narrador conduz o ouvinte: No começo dos tempos, os carajás não sabiam plantar. Não conheciam a gostosura que é co- mer mandioca, milho, batatinha e ananás. [...]. Junto do rio Berô-Can – nome carajá para o Rio Araguaia –, moravam duas moças, Imaerô e Denakê. [...] – Quem é você? – Sou Tiná-Kan, a estrela. Ouvi você dizer que me queria. Aqui es- tou... Trabalhando a leitura p SOL, LUA, ESTRELA... Era uma vez sete irmãozinhos sem pai nem mãe. [...] Os curumins fi- caram sem ter com quem morar. Passavam o dia com fome. E a noi- te com frio... Até que os meninos se tornaram estrelas. E, ainda, aguçando o interesse do aluno: vocês sabem por que o Sol anda devagar? Os carajás dizem ter havido um tempo em que a Terra era um lugar muito escuro e muito frio. Isso por- que no céu não havia luz do Sol, da Lua, nem das estrelas. E, a cada leitura, em dias ou mo- mentos variados. Em ambientes aconchegantes, na sala, na biblio- teca. Em voz alta, em silêncio... Um jeito novo de olhar o mundo. E o lei- tor construindo sentido para o que ouve, para o que lê. >> as lendas pro- o ao aluno com textos simbolica- o real tão forte, ue durou A água dos rios, campos, r fim os se via o, uma e. To- fugi- vados Múltiplos olhares: o diálogo en- tre duas linguagens E a voz do narrador conduz o ouvinte: No começo dos tempos, os carajás não sabiam plantar. Não conheciam a gostosura que é co- mer mandioca, milho, batatinha e ananás. [...]. Junto do rio Berô-Can – nome carajá para o Rio Araguaia moravam duas moças Imaerô e
  • 11. 11 Ao terminar a leitura da lenda “As noivas da estrela”, de Hernâni Do- nato, proponha uma sessão de vídeo Tiná-Kan, A Grande Estre- la, que traz uma nova leitura, ou- tro olhar sobre a lenda. Agora é a linguagem cinematográfica que evoca o tema, com a mesma inten- sidade poética. Os dois suportes textuais aproxi- mam o leitor da cultura do índio carajá, estimulando o estabeleci- mento de relações de semelhança entre eles. Entretanto, o professor deve conduzir o aluno a perceber que são linguagens diferentes: no vídeo, há o recorte de imagem de diferentes ângulos. Sensação do movimento da câmera de filma- gem (diferentes enquadramentos dos espaços). >> FICHA TÉCNICA DO FILME Tiná-Kan, A Grande Estrela Direção: Adriana Figueredo Ano: 2006 Classificação indicativa: Livre www.programadorabrasil.org.br
  • 12. 12 Antes de se dedicarem à elabo- ração do projeto, propomos, ainda, alguns estudos para aprofundar o assunto: Buscar a Memória das Palavras O Brasil é um país multicultural. Aqui, em nossas terras, convivem mais de 225 povos diferentes, fa- lando 180 línguas e dialetos, vi- vendo em todos os estados dessa imensa nação. 12 Buscar a Memória das Pa O Brasil é um país multic Aqui, em nossas terras, co mais de 225 povos diferent lando 180 línguas e dialet vendo em todos os estados imensa nação. E, ainda, VALE A PENA... A elaboração de um projeto inter- disciplinar, após a leitura das lendas. Sugerimos que todos se envolvam na elaboração da atividade, pois essas versões abordam temas fun- damentais à sociedade contempo- rânea. Estamos diante de relatos míticos que enfocam valores éticos, questões ecológicas, princípios de solidariedade, problemas sociais ou mesmo políticos. Curiosidade: a língua portugue- sa original trazida para o Brasil tinha 140 mil palavras. Atualmente, o por- tuguês falado em nosso país tem 260 mil vocábulos. Grande parte desse aumento deve-se à incorporação de palavras das línguas africanas e in- dígenas. Para os índios, procedentes de diferentes grupos étnico-linguísti- cos, elas, as palavras, possuem “es- pírito” e refletem o sagrado. Então, que tal criar um Livro/Dicio- nário Ilustrado que traga palavras elencadas de A a Z, de origem indí- gena, usadas atualmente em nosso vocabulário e, também, vocábulos retirados dos livros da coleção Len- das Indígenas? Exemplos: abacaxi, açaí, aracaju, ca- pivara,catapora,jabuticaba,mandio- ca, mingau, peteca, pipoca, pitanga, sabiá, saci e tantas outras. ATENÇÃO: consultar os sites www. areaindigena.hpg.ig.com.br/dicio- nario.htm e http://orbita.starmedia. com/~i.n.d.i.o.s/influenc.htm. Divulgar o livro/dicionário ilustrado, em uma Feira Cultural ou durante a culminância do Projeto Interdisci- plinar. A elaboração de um projeto inter- disciplinar, após a leitura das lendas. Sugerimos que todos se envolvam na elaboração da atividade, pois essas versões abordam temas fun- damentais à sociedade contempo- rânea. Estamos diante de relatos míticos que enfocam valores éticos, questões ecológicas, princípios de solidariedade, problemas sociais ou mesmo políticos.
  • 13. 13 Explorando a leituraEExxpplloorraannddoo aa lleeiittuurraa Os índios de nossa terra buscam, ainda hoje, protagonizar e conquistar o exercício pleno de sua cidadania, seja por meio de seus saberes, seja por meio de suas práticas medicinais, lín- guas, religiões ou, principalmente, por meio de suas concepções do Universo. Assim nos é colocado o desafio de compreender e respeitar os povos in- dígenas. Consequentemente, torna-se fundamental que os não índios conhe- çam a origem das lendas dos índios, onde e como vivem, quais seus so- nhos, o seu estar no mundo. Faz-se necessário contextualizar, portanto, a “obra lida” para que o horizonte de experiências do leitor se amplie. Vamos concluir, assim, a pesquisa abaixo, buscando nos aproximar um pouco mais da identidade cultural des- ses povos: Lenda Povo Tronco Família Região onde vivem População Arte Artesanato Cestaria Cantos Danças Sabores Alimentos POR QUE O SOL ANDA DEVAGAR A DESCOBERTA DAS FRUTAS AS NOIVAS DA ESTRELA Carajá Macro-Jê Carajá Ilha do Bananal, Tocantins. Pará e Mato Grosso. Cerca de 8 mil pessoas >>
  • 14. 14 Lenda Povo Tronco Família Região onde vivem População Arte Artesanato Cestaria Cantos Danças Sabores Alimentos A BARCA DA TARTARUGA Guarani Tupi Tupi- -Guarani Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Pará Cerca de 46 mil índios OS MENINOS QUE SE TORNARAM ESTRELAS Taulipangue Caribe Norte do Planalto Mato- -Grossense, Roraima, Vale do Amazonas Cerca de 600 índios QUANDO OS BICHOS ERAM GENTE Caiowá/ Caiuá Tupi Tupi- -guarani Mato Grosso do Sul Cerca de 27 mil índios Como você pôde perceber, há um universo a ser descoberto e lido na arte, no artesanato, na dança, nos grafismos, na religião e na língua indígenas pelo seu aluno e por nós, mediadores de leitura. Todos esses povos constituem raiz para nossa brasilidade. Elaborar com os alunos um grande painel com essas descobertas e fa- zer uma exposição.
  • 15. 15 ABORDAGENSINTERDISCIPLINARESAAABBBOOORRRDDDAAAGGGEEENNNSSSIIINNNTTTEEERRRDDDIIISSSCCCIIIPPPLLLIIINNNAAARRREEESSS Roland Barthes, em Aula (1977, p. 18), segundo as professoras San- dra Vivacqua e Norma Lucia, en- dossa a tese da interdisciplinaridade na prática educativa, semelhante àquela proposta nos Parâmetros em Ação (2001): [...] a literatura assume muitos sa- beres [...]; trabalha nos interstícios da ciência [...] Se todas as nossas disciplinas de- vessem ser expulsas do ensino, ex- ceto uma, a disciplina literária é a que deveria ser salva, pois todas as ciências estão presentes no monu- mento literário. O universo da literatura indígena está repleto de conhecimentos geo- gráficos, científicos, linguísticos, fi- losóficos... Daí a sugestão do pro- jeto Pluralidade Cultural: Sabores e Saberes, para ser desenvolvido du- rante o ano letivo a partir da leitura das adaptações de Hernâni Donato. PLURALIDADE CULTURAL Geografia Educação Física História Filosofia Língua Portuguesa Artes Ciências >>
  • 16. 16 Educação Física e Geografia: Festival Folclórico de Parintins OfestivalfolclóricodeParintins,no Amazonas, tem sua história repre- sentada pelos grupos de boi-bumbá ou bumba meu boi. Durante três noites de apresentação, o Boi Ga- rantido, de cor vermelha, e o Boi Caprichoso, de cor azul, exploram as temáticas regionais, como rituais indígenas, lendas, costumes dos ri- beirinhos, por meio de alegorias e encenações. 1.º momento – Para envolver seu aluno e mostrar a grandiosidade do es- petáculo, leve para a sala de aula uma toada, canção que acompanha as três horas de encenação. Selecionamos uma toada, do grupo Boi Garantido, cujo tema relata o universo mítico do povo carajá. Ouça-a com seus alunos e, em se- guida, converse sobre o acompanha- mento dos ritmistas e a letra da toada. Cante! Dance! Carajá, O Povo das Águas Boi Garantido Habitantes do vale, o mundo das águas Cristalinas, nascentes de lágrimas Carajá, o povo Berahatxi Mahadu Clamava o guerreiro Kynixiwe, Herói mítico, do fundo das águas Do antigo rio frio Araguaia A cobiça do carajá emergiu Como um brilho no rio Desvendando um mundo De floresta e riquezas Lindas praias de rara beleza Um lugar da mãe da gente Que encanta os seres tribais Mas escondia a certeza da morte O funesto fatal e na volta ao fundo do rio Impedidos por Koboí, a cobra animal A rainha do povo das águas E viverão nas margens do Araguaia Na floresta, caçando animais No rio, a fartura de peixes, Na terra, o chão onde brotam os vegetais Carajá, carajá Ah, ah, ah, o povo das águas Carajá, carajá Ah, ah, ah, o povo das águas, Das águas, das águas Do Rio Araguaia >>
  • 17. 17 Educação Artística: outro olhar por meio de oficinas temáticas O trabalho artístico é um fio con- dutor de extensas narrativas dos povos indígenas, daí a importância de vivenciá-lo por meio de oficinas temáticas. 1.º momento: Técnica batique Chame a atenção do leitor: A ilustração tem linguagem própria, com sintaxe e técnicas específicas que interferem sutilmente na lei- tura. Como isso se dá na proposta desses livros? Questione seus alunos: A lingua- gem plástica da coleção Lendas Indígenas, da Editora Melhoramen- tos, permite ao leitor “um tipo de fruição estética” em nível visual? Veja que a narrativa imagética de Mônica Haibara tem o cunho de um viés antropológico sobre a importância do povo indígena e de sua arte pictórica. 2.º momento – Leitura carto- gráfica: onde fica Parintins? Como chegar lá? Quem são seus habitan- tes? Como vivem? 3.º momento – Conhecer a es- trutura do festival, as etapas da fes- ta (grupos folclóricos Garantido e Caprichoso; Bumbódromo; música; ritual; personagens da festa: apre- sentador, levantador de toadas, figuras típicas e outros; galera; jura- dos). Para ampliar as informações, sugerimos que pesquisem “Amazô- nia de A a Z: Festival Folclórico de Parintins – Portal Amazônia”. 4.º momento – A culminância da atividade poderá ser uma relei- tura teatral ou de uma etapa do festival. Como exemplo, sugerimos a encenação do Ritual dos Bumbás, que mostra a lenda de Pai Francis- co e Mãe Catirina que conseguem, com a ajuda do Pajé, fazer renascer o boi do patrão. Informe-os de que o batique é uma técnica de tingimento artesa- nal em tecido; o efeito final é pro- duzido por sucessivos tingimentos no tecido, protegido por másca- ras de cera, em que somente as partes não vedadas pela cera são tingidas. Convide-os a confeccio- nar tecidos em batique (pesquise como fazer na internet ou convide alguém da comunidade que saiba para orientá-los). >>
  • 18. 18 Informar aos alunos que grande parte dos indígenas brasileiros vive do seu trabalho com recursos na- turais – madeira, sementes, penas de aves, casca das árvores e outros. Mas é importante ressaltar que a utilização desses recursos não é predatória: a exaustão dos bens naturais não faz parte do sistema econômico indígena. Convidar indígenas (descenden- tes) da comunidade para ensinar os alunos a confeccionar cestas, cerâmica, trançados, instrumentos musicais. Fazer releitura simbólica de uma lenda de Hernâni Donato, utilizan- do pigmentos e recursos naturais, combinados com materiais rústicos ou reaproveitados. 2.º momento: Artesanato, o legadog Eu faço todos os tipos de artesanato, faço brincos de coquinho de tucum, faço brincos de penas de papagaio e de periquitos. Também faço brin- cos de uma madeira que se chama braúna. Com a madeira do angico vinháti- co e arruda, eu faço gamelas, co- lheres, pilão e colares. Com as madeiras e sementinhas da mata, posso tentar mauí e com dentes de caititu, sariguê, paca, macaco e outras caças. Eu gosto muito de fazer artesanato, porque é a minha arte e faz parte da mi- nha cultura. Aqui na aldeia é assim, todos fa- zem artesanato. (PATAXÓ, Kanátyo. O Povo Pataxó e Sua História. MEC/UNESCO/SEE- -MG , p. 41) >>
  • 19. 19 Ciências: Saberes e sabores Segundo o antropólogo Darcy Ribeiro, os índios compuseram, nos milhares de anos em que aqui viveram antes da chegada dos eu- ropeus, uma sabedoria copiosa na convivência e aproveitamento equilibrado da floresta, no nome que deram às frutas, ervas, árvo- res, rios, lugares e animais. Eles identificaram sessenta e quatro tipos de árvores frutíferas, cultiva- ram muitas plantas, como milho, mandioca, amendoim. Alimentos que fazem parte do cardápio do brasileiro hoje. No entanto, o hábito da roça e o conhecimento do plantio foram se perdendo, porque os índios se viram forçados a migrar com a che- gada de invasores. Pode-se afirmar que 85% das terras indígenas são objeto de diversos tipos de inva- são, como abertura de estradas, hi- drovias, a presença de garimpeiros, madeireiros e outros. A despeito dos problemas, os idosos que mantêm o hábito da roça afirmam: Temos muitas crianças desnutridas e pessoas com diabetes, hiperten- são e dores no estômago. Antiga- mente não havia esses problemas, por isso vimos a importância de res- gatar os alimentos tradicionais e na- turais para o nosso povo. Para isso nos reunimos e decidimos fazer uma horta comunitária, em que os jovens vão aprender como plantar e poderão vender o excedente na cidade. (Prêmio Culturas Indígenas – depoi- mento de um tikuna, p. 247) 19 No entanto, o hábito da roça e o conhecimento do plantio foram se perdendo, porque os índios se viram forçados a migrar com a che- gada de invasores. Pode-se afirmar que 85% das terras indígenas são objeto de diversos tipos de inva- são, como abertura de estradas, hi- drovias, a presença de garimpeiros, madeireiros e outros. A despeito dos problemas, os idosos que mantêm o hábito da roça afirmam: >>
  • 20. 20 2.º momento: Saberes Existem muitos projetos de hor- tas comunitárias no Brasil e em ou- tros países. Na maioria dos lugares onde o projeto já foi implantado, as hortas tornaram laboratórios vivos para discutir saúde, nutrição, eco- nomia e outros temas. Consulte: http://www.fnde.gov.br/portal/ index.php/noticias-2005/1489- -mec-e-fao-desenvolvem-projeto- -de-horta-escolar. 1.º momento: Sabores Fazer uma “ceia” com comidas típicas indígenas, usando, princi- palmente, a mandioca. Aproveitar o livro/dicionário ilustrado para co- nhecer quais são os alimentos que os índios nos deixaram como lega- do. Saborear os alimentos, sucos e frutas. Posteriormente, juntos, catalo- gar os valores nutritivos desses ali- mentos. Para que servem? Curam quais doenças? 20202020222202222202002020202000020222200222222202022222000220220222020022202020220020202002022202020222200202202000020202220202220220220202000220 nomia e outros temas. Consulte: http://www.fnde.gov.br/portal/ index.php/noticias-2005/1489- -mec-e-fao-desenvolvem-projeto- -de-horta-escolar. do. Saborear os alimentos, sucos e frutas. Posteriormente, juntos, catalo- gar os valores nutritivos desses ali- mentos. Para que servem? Curam quais doenças? >>
  • 21. 21 Então, mãos à obra Convide os alunos para observar os espaços livres da escola e avalie qual seria o mais adequado para uma horta escolar. Caso não haja espaço físico, a instituição escolar pode recorrer a um órgão públi- co, solicitando parceria, para que a horta possa ser feita num espaço comunitário. Caso essa proposta não seja viável, é possível fazê-la em extensão menor, plantando er- vas, verduras e alguns legumes em vasos. Pesquise como preparar a terra, como selecionar mudas e sementes e como plantá-las. Procure envolver toda a comunidade escolar. Com certeza, o envolvimento efetivo fará toda a diferença. Depois, converse com os alunos sobre o valor nutritivo desses ali- mentos. Outros Saberes O conhecimento das propriedades terapêuticas das plantas faz parte da cultura oral transmitida de geração para geração. A flora brasileira é riquís- sima. Exemplares são utilizados pela população como plantas medicinais, por isso é importantíssimo que nossos alunos as conheçam. Sugerimos, en- tão, algumas atividades: Fazer levantamento das plantas medi- cinais conhecidas pelos alunos e fazer pesquisas sobre outras. Após as pesquisas e com todo o le- vantamento feito, os alunos devem catalogar os diversos tipos de plantas medicinais (planta, utilização, parte da planta utilizada, forma de utilização e toxicidade), como no exemplo abaixo: Nome vulgar Nome científico Parte usada Indicação Alecrim Rosmarinus officinalis Folhas Afecções febris, inapetência Arruda Ruta graveolens Folhas Afecção dos rins, dor intestinal, dor de ouvido Camomila Matricaria chamomilla Florais secos Insônia, inapetência Carqueja Baccharis ochracea Hastes Afecções hepáticas, diabete, males do fígado Cravo-da- -índia Syzygium aromaticum Botões florais secos Higiene bucal, micose de unha, vermes >>
  • 22. 22 Para terminarPara terminar Essa temática tem uma riqueza de possibilidades que torna impossí- vel abarcar todo esse universo em um roteiro de leitura. As atividades não se esgotam. Cabe a você, caro colega, articulá-las, a partir de seu horizonte de experiências e do de seus alunos, com novos conheci- mentos e novas histórias. Ainapó Nhacoé, Boinún. Poé Caxé! Muito obrigado, meus irmãos. Até outro Sol! Poé Caxé! Muito obrigado, meus irmãos. Até outro Sol! Língua Portuguesa: Articulando discursos Por ora [meu caro amigo], à distân- cia de seu corpo, confio-lhe meu espírito, que sem poder pairar so- bre as águas, ainda assim inventa o mundo. (Eliana Yunes) Cabe a essa disciplina encurtar distâncias, confortar o espírito e inventar o mundo, articulando os diversos discursos do roteiro de lei- tura e do projeto interdisciplinar. Para isso, caro colega, crie um blog (ou revista ou, ainda, um mu- ral) em que os envolvidos na leitura das obras de Donato e participantes das propostas deste roteiro possam relatar as atividades desenvolvidas, postar os resultados das pesquisas e o dicionário de verbetes indíge- nas, mostrar fotografias de suas atividades artísticas, compartilhar o discurso do Grande Chefe Seat- tle, revelar suas descobertas cien- tíficas e, por fim, configurar uma terceira história.
  • 23. 23 REFERENCIALTEÓRICO Compor a Educação Escolar Indígena: Um Sonho PossívelRRREEEFFFEEERRREEENNNCCCIIIAAALLLTTTEEEÓÓÓRRRIIICCCOOO CCoommppoorr aa EEdduuccaaççããoo EEssccoollaarr IInnddííggeennaa:: UUmm SSoonnhhoo PPoossssíívv Zaqueu Key Claudino Kaingang “Os povos indígenas, antes da co- lonização europeia, tinham uma vida mais digna. Viviam conforme seus cos- tumes, ritos e tradições. Alimentavam- -se da caça, da pesca e de coletas de frutas e legumes. Essa memória de- termina qualquer consciência histórica dos povos indígenas. Ainda que estes se reconheçam como parte da história e da cultura brasileira, desde sua auto- compreensão, sua origem é anterior e remete a um início que precede concei- tos como história e cultura. O processo levado a cabo pelos colonizadores, por meio de sua concepção de trabalho e suas formas de produção, influenciou o modo de viver destas sociedades ori- ginárias vivendo em um território ocu- pado. Porém, hoje fazemos eco ao que alguns historiadores dizem há muito tempo: os europeus muito aprenderam com os povos indígenas e, em inúme- ras situações, assumiram como seus os modos de vida dos povos originários desta terra. Na visão dos povos indígenas, as variáveis e as interpretações, embo- ra muitas, são determinadas por essa memória: o território que hoje é o Bra- sil, após ser tomado pela colonização europeia, começou a ser depredado ao longo de sua extensão. Começan- do com o distúrbio e a interferência na vida daqueles que, neste lugar, esta- vam vivendo conforme seus usos, cos- tumes e tradições. Passo decisivo nessa direção foi dado na introdução das instituições de ensino em território indígena. A ini- ciativa dessa introdução, bem como a própria instituição, declara a desquali- ficação e não reconhecimento de cul- tura entre os povos tradicionais. Os rituais e os costumes indígenas, que vinham sendo praticados desde tem- pos imemoriais, estiveram então com seus dias contados; tornaram-se ob- jetos de superação. A falta de reco- nhecimento dos métodos próprios de ensino-aprendizagem desses povos le- vou a uma crescente perda de referen- ciais. Os costumes tradicionais foram aos poucos sofrendo modificações, sufocados pelas ditas culturas domi- nantes. Desconsiderando-se o papel da oralidade e das tradições para man- ter conhecimentos próprios, essas so- ciedades foram desqualificadas e tidas velvveell ra- ão do an- na ta- os- foi ões ni- o a ali- ul- Os ue m- om ob- co- de le- en- am es, mi- pel an- so- das >>
  • 24. 24 por povo sem lei, sem história, sem pe- dagogia e sem cultura. Hoje, entretanto, a formação da consciência da cidadania, a capacida- de de reformulação de estratégias de resistência, a promoção de suas cultu- ras e a apropriação das estruturas da sociedade não indígena pela aquisição de novos conhecimentos úteis para melhoria de suas condições de vida são matérias em pauta nas propostas relativas à educação escolar indígena. A educação escolar que a sociedade indígena almeja hoje é a solidária e democrática, como uma das vias para a construção de uma sociedade mais justa. Nesse sentido, a Lei 11.645/08 constitui-se em uma poderosa ferra- menta para essa mudança social. Embora seja tangível a distância entre o ‘legal’ e o ‘real’, nunca antes no Brasil se falou tanto em questões relevantes ao indígena, tais como: va- lorização da cultura, da história, do respeito aos costumes e às crenças, acesso aos conhecimentos etc. Tudo isso demonstra que, mesmo em meio a tantos percalços, um novo olhar vem sendo construído. A Lei 11.645/08, criada e sanciona- da pelo presidente da República, obri- ga instituições públicas e privadas do ensino fundamental e médio no país a dar valor e visibilidade à cultura e à história dos povos indígenas. Os povos de tradição oral acreditam que essa lei ajudará a resgatar a cultu- ra, os costumes e as tradições daqueles que ao longo da história do Brasil aju- daram a formar a sociedade brasileira. Acreditam também que a implantação do artigo 1.º, em seu parágrafo 2.º, possibilite que sejam respeitados e va- lorizados como povos portadores de diferença étnica, plenos de autorreco- nhecimento.” ão de suas cultu- das estruturas da na pela aquisição entos úteis para ondições de vida uta nas propostas escolar indígena. que a sociedade e é a solidária e uma das vias para a sociedade mais a Lei 11.645/08 poderosa ferra- dança social. gível a distância eal’, nunca antes nto em questões na, tais como: va- , da história, do es e às crenças, mentos etc. Tudo mesmo em meio m novo olhar vem história dos povos indígenas. Os povos de tradição oral acreditam que essa lei ajudará a resgatar a cultu- ra, os costumes e as tradições daqueles que ao longo da história do Brasil aju- daram a formar a sociedade brasileira. Acreditam também que a implantação do artigo 1.º, em seu parágrafo 2.º, possibilite que sejam respeitados e va- lorizados como povos portadores de diferença étnica, plenos de autorreco- nhecimento.” >>
  • 25. 25 “As sociedades indígenas esperam dessa lei: • que as instituições de ensino funda- mental e médio transmitam, através de seus docentes, a cultura e a his- tória dos povos indígenas de forma mais plena. Pois sabem que a dis- criminação deve ser combatida por meio da formação escolar; • a capacitação de docentes para tra- balhar essas questões também é im- prescindível, a preparação adequada de professores para realizar essas tarefas precisará de cuidados, pois estudar uma sociedade indígena re- quer respeito e formação com prin- cípios contundentes. Há necessidade de subsídios sobre a temática indíge- na voltada para a cultura das socie- dades tradicionais; • além de qualquer possibilidade su- gerida pela obrigatoriedade da lei, a implementação dos estudos das cul- turas dos povos indígenas nas esco- las públicas e privadas poderá, aos poucos, oportunizar conhecimentos dos saberes tradicionais dessas so- ciedades. Na verdade, deve-se dizer que esse é um aspecto primeiro en- tre prioridades. E as escolas devem ter o embasamento necessário no que diz respeito a culturas indígenas; por essa razão a sociedade indígena está presente na Educação Escolar Brasileira (LDB 9394/96), referencia- dos no IPICNEI, Plano Curricular Na- cional da Educação Indígena, e na Constituição Brasileira de 1988. Assim, a comunicação e a apresen- tação de atividades sobre os povos indígenas nas escolas poderão fi- nalmente interceder pela sobre- vivência histórica e cultural de povos que ao longo da história da educação brasileira foram marginalizados.” (Séculos Indígenas no Brasil – Fórum de Atualização sobre Culturas Indígenas. Módulo II. Disponível em: www. seculosindigenasnobrasil.com. Acesso em 20 jan. 2011.). prioridades. E as escolas devem o embasamento necessário no e diz respeito a culturas indígenas; r essa razão a sociedade indígena á presente na Educação Escolar sileira (LDB 9394/96), referencia- s no IPICNEI, Plano Curricular Na- nal da Educação Indígena, e na nstituição Brasileira de 1988. sim, a comunicação e a apresen- o de atividades sobre os povos enas nas escolas poderão fi- ente interceder pela sobre- cia histórica e cultural de s que ao longo da história educação brasileira foram inalizados.” ulos Indígenas no Brasil – m de Atualização sobre uras Indígenas. Módulo isponível em: www. osindigenasnobrasil.com. so em 20 jan. 2011.).
  • 26. 26 REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO SITES BARTHES, Roland. Aula. São Paulo: Cultrix, 1978. CHEVALIER, Jean. Dicionário de Símbolos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1999. MUNDURUKU, Daniel. A Palavra do Grande Chefe. São Paulo: Global, 2008. Nos caminhos da literatura [realização] Instituto C&A; [apoio] Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. São Paulo: Peirópolis, 2008. Prêmio Culturas Indígenas. São Paulo: SESC SP, 2008. QUEIRÓS, B. C. de. Era uma Vez uma Escola... Memórias pedagógicas da escola em Minas Gerais. Faculdade de Educação. Universidade Federal de Minas Gerais, 1990. SANTAELLA, Lúcia; NOTH, Winfried. Imagem – Cognição, semiótica, mídia. São Paulo: Iluminuras, 1998. TIESENHAUSEN, Sandra Vivacqua von; QUEIROZ, Norma Lucia Neris de. As Relações Intertextuais no Ensino da Literatura. Brasília: CEAD/UnB, 2008. www.museudoindio.org.br www.funai.gov.br www.socioambiental.org www.fengshuibrasil.com.br/imprimir/ discurso.pdf http://blog.cidandrade.pro.br/cartas/ carta-do-cacique-seattle-da-tribo- -suquamish-do-estado-de-washington SITES www.museudoindio.org.br www.funai.gov.br www.socioambiental.org www.fengshuibrasil.com.br/imprimir/ discurso.pdf http://blog.cidandrade.pro.br/cartas/ carta-do-cacique-seattle-da-tribo- -suquamish-do-estado-de-washington