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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO
      CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA




     LEONARDO DE ARRUDA DELGADO




AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL




                São Luis
                 2004
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                                    2
                                                                                     Leonardo de Arruda Delgado


                                                SUMÁRIO

1     INTRODUÇÃO ............................................................................................ 6
2     APLICAÇÕES DA AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL ............. 9
3     CONCEITOS RELACIONADOS COM A COMPOSIÇÃO CORPORAL .... 10
    3.1    Massa gorda total (MGT) ................................................................... 10
    3.2    Gordura essencial .............................................................................. 10
    3.3    Gordura não-essencial....................................................................... 10
    3.4    Gordura corporal relativa (%GC)........................................................ 11
    3.5    Massa do tecido adiposo ................................................................... 11
    3.6    Massa livre de gordura (MLG) ........................................................... 12
    3.7    Massa corporal magra (MCM) ........................................................... 12
    3.8    Densidade corporal total (Dc) ............................................................ 12
    3.9    Sobrepeso.......................................................................................... 12
    3.10 Obesidade.......................................................................................... 13
    3.11 Modelo de dois compartimentos ........................................................ 13
    3.12 Modelo de multicomponentes ............................................................ 13
    3.13 Equação de predição ......................................................................... 14
4     MODELOS DE ANALISE DE COMPOSIÇÃO CORPORAL...................... 15
5     MÉTODOS DE MEDIDAS DA COMPOSIÇÃO CORPORAL .................... 18
    5.1    Método direto ..................................................................................... 18
    5.2    Métodos indiretos............................................................................... 19
    5.3    Métodos duplamente indiretos ........................................................... 20
6     TÉCNICAS DE MEDIDA DA COMPOSIÇÃO CORPORAL....................... 21
    6.1    Técnicas diretas de medidas para analise da composição corporal .. 21
    6.2    Técnicas indiretas de medidas para analise da composição corporal 21
      6.2.1    Pesagem hidrostática ................................................................. 22
      6.2.2    Plestismografia de deslocamento de ar ...................................... 26
      6.2.3    Absorção radiológica de dupla energia (DEXA).......................... 29
    6.3    Técnicas duplamente indiretas .......................................................... 32
7     ANTROPOMÉTRIA ................................................................................... 33
    7.1    Técnicas que utilizam dobras cutâneas ............................................. 34
      7.1.1    Pressupostos da técnica de dobras cutâneas............................. 35
      7.1.2    Princípios da técnica de dobras cutâneas .................................. 37
      7.1.3    Fontes de erro de medida ........................................................... 38
        7.1.3.1     Habilidade do avaliador ....................................................... 38
        7.1.3.2     Tipo de adipômetros ............................................................ 40
        7.1.3.3     Fatores individuais ............................................................... 42
        7.1.3.4     Equações de predição de dobras cutâneas......................... 42
      7.1.4    Equações de regressão .............................................................. 46
        7.1.4.1     Equações de PARIZKOVA (1961) ....................................... 50
        7.1.4.2     Equação de FAULKNER (1968) .......................................... 52
        7.1.4.3     Equações de DURNIN & RAHMAN (1967).......................... 55
        7.1.4.4     Equações de DURNIN & WOMERSLEY (1974) .................. 55
        7.1.4.5     Equações de JACKSON & POLLOCK (1975-1978-1980) ... 57
        7.1.4.6     Equações de LOHMAN (1981-1986) ................................... 66
        7.1.4.7     Equações de KATCH & McARDLE (1983) .......................... 67
        7.1.4.8     Equações de MUKHERJEE & ROCHE (1984) .................... 68
        7.1.4.9     Equações de THORLAND (1984)........................................ 69
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     7.1.4.10 Equações de BOILEAU (1985) ............................................ 70
     7.1.4.11 Equações de GUEDES (1985) ............................................ 71
     7.1.4.12 Equações de SLAUGHTER (1988)...................................... 72
     7.1.4.13 Equações de PETROSKI (1995) ......................................... 74
 7.2    Técnicas que utilizam as medidas de circunferências ....................... 79
   7.2.1    Pressupostos .............................................................................. 79
   7.2.2    Equações de predição de circunferências .................................. 80
     7.2.2.1    Equações de KATCH & McARDLE (1983) .......................... 81
     7.2.2.2    Equações WELTMAN et al (1987-1988).............................. 82
     7.2.2.3    Equações de DOTSON e DAVIS (1991) ............................. 84
8 FRACIONAMENTO DA MASSA CORPORAL TOTAL.............................. 85
 8.1    Fracionamento da composição corporal em dois componentes ........ 89
   8.1.1    Massa gorda (MG) ...................................................................... 89
   8.1.2    Massa livre de gordura (MLG) .................................................... 89
 8.2    Fracionamento da composição corporal em quatro componentes..... 90
   8.2.1    Massa óssea (MO)...................................................................... 90
   8.2.2    Massa residual (MR)................................................................... 91
   8.2.3    Massa muscular (MM) ................................................................ 91
 8.3    Massa ideal (MI)................................................................................. 91
   8.3.1    Relações entre peso e estatura .................................................. 92
     8.3.1.1    Estatura/Peso ...................................................................... 92
     8.3.1.2    Estatura e circunferência do punho ..................................... 93
     8.3.1.3    Estatura² x IMC Médio ......................................................... 93
   8.3.2    Relação entre MLG e %GC desejável ........................................ 94
REFERÊNCIAS................................................................................................ 97
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LISTA DE TABELAS

Tabela 1 Classificação dos níveis de obesidade.............................................. 13
Tabela 2 Relação entre temperatura da água e densidade ............................. 25
Tabela 3 Padrões de avaliação de erros de prognóstico (EPE). ...................... 44
Tabela 4 Equações DURNIN & RAHMAN........................................................ 55
Tabela 5 Equações de DURNIN & WOMERSLEY ........................................... 56
Tabela 6 Equações de conversão de Dc para %GC ........................................ 57
Tabela 7 Fórmulas para converter Dc em %GC para população negra........... 59
Tabela 8 Estimativa do percentual de gordura de POLLOCK para homens a
    partir da idade e do somatório das dobras cutâneas do tórax, abdome e
    coxa........................................................................................................... 64
Tabela 9 Estimativa do percentual de gordura de POLLOCK, para mulheres a
    partir da idade e do somatório das dobras cutâneas do tórax, suprailíaca e
    coxa........................................................................................................... 65
Tabela 10 Equações de convenção de Dc para percentual de gordura de
    acordo com a idade................................................................................... 66
Tabela 11 Constate de ajuste por idade de acordo com o sexo....................... 67
Tabela 12 Tabela de constantes por idade, sexo e raça................................. 67
Tabela 13 Equações de MUKHERJEE & ROCHE ........................................... 69
Tabela 14 Equações de THORLAND............................................................... 69
Tabela 15 Equações de BOILEAU ................................................................... 70
Tabela 16 Equações de Slaughter ................................................................... 73
Tabela 17 Equações de PETROSKI ................................................................ 74
Tabela 18 Fórmulas para conversão de Dc em %GC ...................................... 76
Tabela 19 Estimativa do Percentual de Gordura para Homens de acordo com
    PETROSKI, a partir do Somatório das Dobras Subescapular, Triceps,
    Suprailíaca, Panturrilha Medial* ................................................................ 77
Tabela 20 Estimativa do Percentual de Gordura para Mulheres a Partir da
    Idade e do Somatório das Dobras Cutâneas: axilar medial, Suprailíaca,
    Coxa e Panturrilha Medial ......................................................................... 78
Tabela 21 Gordura desejável para adultos sedentários. .................................. 96
Tabela 22 Valores Médios de Percentuais de Gordura para Algumas
    Modalidades Desportivas .......................................................................... 96
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                                       LISTA DE FIGURAS

Figura 2 Pesagem hidrostática......................................................................... 23
Figura 3 Pletismografia. ................................................................................... 27
Figura 4 DEXA. ................................................................................................ 30
Figura 5 Modelos de adipômetros mais utilizados............................................ 41
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     AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL


1 INTRODUÇÃO



             A composição corporal é a proporção entre os diferentes

componentes corporais e a massa corporal total, sendo normalmente expressa

pelas porcentagens de gordura e de massa magra (HEYWARD, 1998a; KISS,

BÖHME & REGAZZINI, 1999; NIEMAN, 1999, apud COSTA, 2001, p.21).



             A obtenção dos valores de tais porcentagens constitui informação de

grande importância para os profissionais de Educação Física, visto que as

quantidades dos diferentes componentes corporais, principalmente gordura e

massa muscular, apresentam estreita relação com a aptidão física, tanto

relacionada à saúde quanto ao desempenho esportivo.



             De acordo com DE ROSE et alii (1984) apud COSTA (1999 s/p) a

composição corporal constitui um aspecto dinâmico dos componentes

estruturais do corpo humano, sofrendo alterações durante toda a vida dos

indivíduos em decorrência de inúmeros fatores como: crescimento e

desenvolvimento, status nutricional e nível de atividade física.



             A avaliação da composição corporal torna-se extremamente

necessária, haja visto que para o desenvolvimento de uma avaliação mais

criteriosa sobre os efeitos da atividade física no organismo humano existe a
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necessidade de fracionamento corporal em seus diferentes componentes

(GUEDES, 1989, apud GOMES & FILHO, 1995, p.34)



             Através da avaliação da composição corporal pode-se, além de

determinar os componentes do corpo humano de forma quantitativa, utilizar-se

os dados dessa análise para detectar o grau de desenvolvimento e crescimento

de crianças e jovens, o status dos componentes corporais de adultos e idosos,

bem como, prescrever exercícios.



             Existe um consenso entre autores, no sentido de colocar a

composição corporal como um dos componentes da aptidão física, devido às

relações existentes entre a quantidade e distribuição da gordura com

alterações do nível de aptidão física, e o estado de saúde das pessoas.



             Reduzir a quantidade de gordura e/ou aumentar a quantidade de

massa muscular estão entre os anseios de grande parte dos praticantes de

exercícios físicos, esta preocupação deve ser considerada não somente do

ponto de vista da estética, mas também de qualidade de vida dos indivíduos, já

que a obesidade, está associada a um grande número de doenças crônico-

degenerativas.



             Considerando a relação existente entre a obesidade e doenças

crônico-degenerativas, fica evidentes a importância da realização de estudos

com o objetivo de verificar os níveis de adiposidade da população, bem como a

realização de avaliações de aspectos da composição corporal a fim de oferecer
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subsídios para a prescrição e o acompanhamento de programas de exercícios

físicos e/ou dietas, que podem ser úteis no combate a estes problemas.



             COITINHO et alii apud COSTA (op.cit) realizou um estudo

epidemiológico sobre as condições nutricionais da população brasileira e

idosos, que indicou que cerca de 27 milhões de brasileiros apresentavam

sobrepeso, sendo que destes estimava-se á época do estudo que 6,8 milhões

eram indivíduos obesos. Para os autores, estes resultados indicaram que o

excesso de peso corporal da população constitui um grande problema de

saúde coletiva no Brasil, já que nos 15 anos que antecederam o referido estudo

a população de obesos quase dobrou.



             De acordo com GUEDES & GUEDES (1985), tão importante quanto

o excesso de peso corporal à custa de um maior acúmulo de gordura, é o seu

“déficit”.

                           “A redução excessiva do peso corporal pode induzir o organismo a
                           uma série de complicações, notadamente no que se refere á
                           produção e á transformação de energia para a manutenção das
                           condições vitais e para a realização das tarefas do cotidiano”.




             A importância da avaliação da composição corporal deve-se ao fato

de o peso corporal isoladamente não poder ser considerado um bom parâmetro

para a identificação do excesso ou déficit dos componentes corporais (massa

gorda, massa muscular, massa óssea e massa residual) ou as alterações nas

quantidades proporcionais dos mesmos em decorrência de um programa de

exercícios físicos e/ou dieta alimentar.
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2 APLICAÇÕES                   DA         AVALIAÇÃO                DA          COMPOSIÇÃO
  CORPORAL

             Além de avaliar a quantidade total e regional de gordura corporal

para identificar os riscos de saúde, há outras medidas importantes que podem

ser   utilizadas     por    médicos       e    outros    profissionais        da    saúde      e    do

condicionamento físico. HEYWARD (2000, p.6) diz que estas medidas podem

servir para:



             -   Identificar riscos á saúde associados aos níveis excessivamente

                 altos ou baixos de gordura corporal total.

             -   Identificar riscos à saúde associada ao acúmulo excessivo de

                 gordura intra-abdominal.

             -   Proporciona entendimento sobre o risco à saúde associado á

                 falta ou ao excesso de gordura corporal.

             -   Monitorar mudanças na composição corporal associada a certas

                 doenças.

             -   Avaliar a eficiência de intervenções nutricionais e de exercícios

                 físicos na alteração da composição corporal.

             -   Estimar o peso corporal de atletas e não atletas.

             -   Formular recomendações dietéticas e prescrição de exercícios

                 físicos.

             -   Para monitora mudança na composição corporal associada ao

                 crescimento, desenvolvimento, maturação e idade.
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3 CONCEITOS                 RELACIONADOS                   COM         A       COMPOSIÇÃO
  CORPORAL


    3.1 Massa gorda total (MGT)



             A MGT inclui todos os lipídios que podem ser extraídos do tecido

adiposo e outros tecidos. É formada pelas gorduras essencial mais a não-

essencial.




    3.2 Gordura essencial



             É a gordura acumulada na medula dos ossos e no coração, nos

pulmões, fígado, baço, rins, intestino, músculos e tecidos ricos em lipídeos

espalhados por todo o sistema nervoso central. São compostos de

fosfolipídeos,      necessários        para     formação       da     membrana           celular      e

funcionamento fisiológico normal (~10% MGT). Na mulher, a gordura essencial

também inclui a gordura específica ou característica do sexo.



    3.3 Gordura não-essencial



             Consiste na gordura acumulada no tecido adiposo. São formadas

por triglicerídeos encontrados principalmente no tecido adiposo (~90% da

MGT). Essa reserva nutricional inclui os tecidos que protegem dos

traumatismos os vários órgãos internos, assim como o volume ainda maior de

gordura subcutânea localizada por debaixo da superfície cutânea.
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             As quotas proporcionais de gordura de armazenamento em homens

e mulheres são semelhantes (12% nos homens, 15% nas mulheres), porém a

quantidade total de gordura essencial nas mulheres, que inclui a gordura

específica do sexo, é quatro vezes maior que nos homens. É mais que

provável que a gordura essencial adicional seja biologicamente importante para

a procriação e outras funções relacionadas aos hormônios.



             De acordo com o modelo teórico de distribuição da gordura corporal

para mulheres de BEHNKE, observa-se que, como parte dos 5 a 9% de

gordura de armazenamento de reserva específica do sexo, as mamas contribui

com aproximadamente 4,4% da massa total de gordura corporal, ou no máximo

12,5% da quantidade de gordura específica do sexo, e o restante deve

localizar-se nas regiões pélvicas, das nádegas e coxas, que contribuem

quantitativamente para as reservas adiposas das mulheres.



    3.4 Gordura corporal relativa (%GC)



             É a massa gorda total (MGT) expressa como porcentagem da massa

corporal total.



    3.5 Massa do tecido adiposo



             É a massa corporal composta de + ou – 83% de gordura mais as

suas estruturas de suporte (~2% de proteínas e ~15% de água).
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    3.6 Massa livre de gordura (MLG)



             A MLG consiste em todos os tecidos e substâncias residuais livres

de lipídeos, incluindo água, músculos, ossos, tecidos conjuntivos e órgãos

internos.



    3.7 Massa corporal magra (MCM)



             É a massa livre do gordura (MLG) mais os lipídeos essenciais que

são: 2 a 3% em homens e 5 a 8% em mulheres (LOHMAN, 1992).



    3.8 Densidade corporal total (Dc)



             Total da massa corporal expressa em relação ao total do volume

corporal.



    3.9 Sobrepeso



             É o peso corporal que excede o peso normal ou padrão de uma

determinada pessoa, baseando-se na sua altura e constituição física. Os

padrões começaram a serem estabelecidos em 1959 com a proposição de

tabelas de peso e estatura, que ainda hoje são amplamente utilizadas.
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    3.10 Obesidade



             É a quantidade excessiva de gordura corporal total para um dado

peso corporal, que estão fortemente associados ao aumento de fatores de risco

para a saúde, bem como dos índices de morbidade e mortalidade.



             Veja a classificação de obesidade de acordo com NIDDK (1993),

apud COSTA (2001,p.28)



Tabela 1 Classificação dos níveis de obesidade
        Classificação                       Masculino                            Feminino
            Leve                             15-20%                               25-30%
          Moderada                           20-25%                               30-35%
           Elevada                           25-30%                               35-40%
           Mórbida                            >30%                                 >40%



    3.11 Modelo de dois compartimentos



             Refere-se a modelos de avaliação de composição corporal que

dividem o corpo em 2 partes com compartimento de gordura e sem gordura.



    3.12 Modelo de multicomponentes



             Modelo de composição corporal que leva em conta a variação

interindividual em conteúdo de água, mineral e proteína da massa livre de

gordura.
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         14
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


    3.13 Equação de predição



             Fórmulas matemáticas derivadas da análise de regressão múltipla e

utilizadas para estimar medidas da composição corporal (por exemplo, %GC,

Dc, e MLG).



             As equações podem ser específicas à populações, quando são

equações de predição utilizadas para estimar a composição corporal de

indivíduos de um grupo homogêneo específico (por exemplo; crianças, atletas,

obesos e etc) e equações generalizadas, quando são equações de predição

utilizadas para estimar a composição corporal de grupos heterogêneos que

variam bastante em idade, sexo, etnia, nível de gordura corporal e nível de

atividade física.
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         15
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


4 MODELOS DE ANALISE DE COMPOSIÇÃO CORPORAL



             Modelos teóricos são usados para obter medidas referenciais de

composição        corporal     para     desenvolvimento         de    métodos         e   equações

antropométricas, de dobras cutâneas, análise de impedância bioelétrica e

interactância de infravermelho. WANG, PIERSON & HEYMSFIELD (1992),

apud     COSTA        (2001,p.21-22)       propuseram         um     modelo        que     divide     o

fracionamento da massa corporal em cinco diferentes níveis:



            -    Nível I (atômico) – compreende cerca de 50 elementos, sendo

                 que mais de 98 % da massa corporal total é determinada pela

                 combinação de oxigênio, carbono, hidrogênio, nitrogênio, cálcio e

                 fósforo, com os 44 elementos restantes representando menos de

                 2 % da massa corporal total.

            -    Nível II (molecular) – divide os compostos químicos corporais,

                 que compreendem mais de 100.000 moléculas diferentes, em

                 cinco grupos: lipídios, água, proteínas, carboidratos e minerais.

            -    Nível III (celular) – divide o corpo em três componentes: massa

                 celular total, fluídos extracelulares (incluindo plasma intra e

                 extracelular) e sólidos extracelulares.

            -    Nível IV (tecidos, órgãos e sistemas) – são quatro as categorias

                 de tecidos apresentadas nesse nível: tecido conectivo, tecido

                 epitelial, tecido muscular e tecido nervoso. É importante ressaltar

                 que os tecidos adiposo e ósseo são formas de tecido conectivo.
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         16
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


            -    Nível V (corpo todo) – neste nível o corpo é analisado segundo

                 suas características morfológicas, com medidas relacionadas ao

                 tamanho, forma e proporções do corpo humano.



             Os cinco níveis de organização do corpo fornecem uma estrutura

conceitual dentro da quais as diversas pesquisas em composição corporal

podem ser realizadas. É evidente que deve haver inter-relações dos diferentes

níveis que, se constantes, podem fornecer associações quantitativas facilitando

estimativas de compartimentos previamente desconhecidos. A compreensão

das inter-relações dos diferentes níveis de complexidade evita a interpretação

errônea de dados determinados em níveis diferentes (HAWES, 1996).



             Observando a complexidade exigida em cada nível é possível

perceber que a avaliação do corpo como um todo é aquela que está mais

próxima da realidade dos profissionais que atuam na área clínica ou em testes

de campo, pois as características físicas a que se refere podem ser analisadas

a partir de medidas de estatura, massa corporal, perímetros, diâmetros e

espessura de dobras cutâneas, por exemplo, que não exigem equipamentos

sofisticados ou procedimentos laboratoriais.



             Neste sentido podemos dizer que, os cientistas utilizam modelos

teóricos de composição corporal, que subdividem a massa corporal total, em

dois ou mais componente, usando-se modelos químicos, anatômicos ou fluido-

metabólicos. Geralmente, os modelos químicos e corpo total têm sido

amplamente utilizados na pesquisa de composição corporal.
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         17
                                                                               Leonardo de Arruda Delgado




                                                                            Tecido
                 Gordura             Gordura            Gordura             Adiposo


                                                                           Tecidos
                                                                           moles e
                                      Água                ECF              músculo
                                                                            lisos

                   MLG
                                                                           Músculos
                                    Proteínas             ICF
                                                                          esqueléticos
                                                          ICS

                                     Minerais             ECS              Minerais


              Modelo de 2C        Modelo de 4C        Modelo de          Modelo de 4C
                                  Químico             Fluídos            Anatômico
                                                      Metabólicos


Figura 1: Modelos de predição de dobras cutâneas de dois componentes (2C) e multicomponentes.
ECF=fluido extracelular; ICF=fluido intracelular; ICS= sólidos intracelulares; ECS= sólidos
extracelulares.
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                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


5 MÉTODOS DE MEDIDAS DA COMPOSIÇÃO CORPORAL



             De acordo com MARTIN & DRINKWATER (1991), existem três

métodos que podem ser utilizados para a determinação da composição

corporal, são eles: métodos direto, indiretos e duplamente indiretos.



    5.1 Método direto



             É aquele onde ocorre à separação dos diversos componentes

estruturais do corpo humano afim de pesá-los e estabelecer relações entre eles

e o peso corporal total, o que só é possível através de dissecação de

cadáveres. Desta forma podemos perceber a dificuldade de estudos

envolvendo este procedimento, o que justifica a pequena quantidade de

estudos com cadáveres e a utilização de metodologia mais acessível.



             Entretanto, cabe citar dois estudos de grande relevância nesta área

que se utilizaram da metodologia direta, o de MATIEGKA (1921) e o de

DRINKWATER et alii (1984).



             No estudo de DRINKWATER et alii, 1984, foram estudados 25

cadáveres, com idades variando entre 55 e 94 anos, que foram medidos e

dissecados. Este estudo foi o único onde os dados de medidas de superfície e

composições anatômicas foram coletadas nos mesmos cadáveres; o mesmo

contribuiu para a obtenção de novos dados sobre as quantidades dos tecidos e

órgãos no corpo humano adulto, relatando as quantidades destes tecidos e
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                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


órgãos por medidas corporais externas, produzindo dados que podem ser

usados para a validação de vários métodos de estimativa da composição

corporal humana "in vivo", e para o desenvolvimento de novos métodos

antropométricos (DRINKWATER et alii, 1984). É importante ressaltar que a

utilização das equações propostas por este estudo deve ser cuidadosa no que

se refere a populações jovens, crianças e atletas, pois a amostra era composta

só por indivíduos idosos e isso pode proporcionar um erro significativo nos

resultados.




    5.2 Métodos indiretos



             São aqueles onde não há a manipulação dos componentes

separadamente, mas a partir de princípios químicos e físicos visam a

extrapolação das quantidades de gordura e de massa magra; estes métodos

são validados a partir do método direto.



             Entre os métodos indiretos podemos citar como métodos químicos a

contagem de potássio radioativo (K40 e K42), diluição de óxido de deutério,

excreção de creatinina urinária e etc., com relação aos métodos físicos os mais

conhecidos são o ultra-som, o raio-x, o raio-x de dupla energia, a ressonância

nuclear magnética e a densimetria. Entre estes, a pesagem hidroestática tem

sido considerada como referencia para a validação de métodos duplamente

indiretos. Ela é baseada no princípio de Arquimedes, onde um corpo quando

mergulhado em água desloca um volume de água igual ao seu próprio volume.
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         20
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado




             Devido      à    necessidade        de    técnicos      altamente        treinados       e

equipamentos laboratoriais caros, a determinação da composição corporal por

pesagem hidrostática é raramente utilizada em situações de campo. A

alternativa mais comum é o uso de algumas formas de métodos

antropométricos. Estes incluem proporções peso-estatura, circunferências

corporais e medidas de dobras cutâneas (BAUMGARTNER & JACKSON,

1995).



    5.3 Métodos duplamente indiretos



             São aqueles validados a partir de um método indireto, mais

comumente         a   densimetria.       Temos        como     mais     utilizados       a    técnica

antropométrica e a impedância bioelétrica.



             Medidas antropométricas são aplicáveis para grandes amostras e

podem proporcionar estimativas nacionais e dados para a análise de mudanças

seculares, este método pode incluir medidas de peso, estatura, perímetros

corporais, diâmetros ósseos e espessura de dobras cutâneas, sendo esta

última a mais utilizada quando o objetivo é predizer a quantidade de gordura

corporal.
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         21
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


6 TÉCNICAS DE MEDIDA DA COMPOSIÇÃO CORPORAL



             Para analise da composição corporal podem-se empregar técnicas

com procedimentos de determinação direta, indireta e duplamente indireta. Nos

últimos anos, os recursos indiretos de maior destaque envolvem a técnica da

densiometria, espectrometria e da absortometria radiológica de dupla energia.

Contudo, não se pode ignorar a existência de outros métodos igualmente

importantes, como a ultrasonografia, a tomografia axial computadorizada, a

ressonância magnética ativa.



    6.1 Técnicas diretas de medidas para analise da composição
        corporal



             As técnicas diretas de analise da composição corporal são aquelas

em que o avaliador obtém informações “in loco” dos diferentes tecidos do

corpo, mediante dissecação macroscópica ou extração lipídica. Apesar da

relevância e precisão, esse procedimento implica incisões no corpo, o que

limita sua utilização a laboratórios e cadáveres humanos.



    6.2 Técnicas indiretas de                        medidas           para        analise         da
        composição corporal

             As principais técnicas indiretas utilizadas na analise da composição

corporal são a pesagem hidrostática, Plestismografia de Deslocamento de Ar e

a Absorção Radiológica de Dupla Energia (DEXA).
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         22
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


        6.2.1 Pesagem hidrostática



             A pesagem hidrostática, também conhecida como densiometria, é

um dos meios mais comuns para estimar a composição corporal em locais de

pesquisa e é freqüentemente utilizada como método de critério para avaliar o

percentual de gordura corporal. Um método de critério fornece o padrão com os

quais outras metodologias são comparadas, baseia-se no princípio de

Arquimedes, onde:



                          “Todo corpo mergulhado num fluído (liquido ou gás) sofre, por parte do
                         fluido, uma força vertical para cima, cuja intensidade é igual ao peso do
                         fluido deslocado pelo corpo”.



             Assim, quando um corpo é pesado dentro da água é possível obter

seu volume e através da relação entre massa e volume, calcula-se sua

densidade. Ao realizar esse procedimento, uma pessoa entra em um taque de

água norma, submerge abaixo da superfície da água e então expira

completamente,         enquanto       técnicos     registram      seu     peso.       Como       esse

procedimento envolve adaptação ao meio líquido, são realizadas de 8 a 12

pesagens submersas, sendo que é utilizada na fórmula a média das três

maiores médias.
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         23
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado




                            Figura 2 Pesagem hidrostática.
   Fonte: CD-ROM Avaliação da Composição Corporal. Prof° Roberto Fernandes da Costa


             A determinação do volume se dá pela diferença entre o peso

corporal do indivíduo fora da água e completamente submerso na água.

Considerando que corpos mais densos que a água tendem a afundar e menos

densos tendem a flutuar, quanto mais pesado for um corpo dentro da água em

relação a um mesmo volume, maior a sua densidade.



             A seguir há orientações que ajudarão a garantir uma avaliação mais

precisa da composição corporal utilizando técnica de pesagem hidrostática:



             -   Não coma dentro de 4h antes do teste;

             -   Urine e defeque antes do teste;

             -   Vista menos roupa possível. Remova qualquer bolha de ar

                 presas na roupa antes da pesagem;

             -   Expire completamente enquanto estiver submerso.(isso exigirá

                 prática da parte da maioria dos indivíduos!);
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         24
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


             -   Permaneça o mais imóvel possível enquanto estiver submerso a

                 fim de aumentar a precisão;



             Como a densidade da água sofre alterações em função da

temperatura ou de impurezas e a densidade corporal é influenciada pelo

volume de ar pulmonar e pelo ar que permanece no aparelho gastrointestinal, o

calculo da densidade corporal deve levar em consideração todas essa

variáveis, sendo realizado através da seguinte relação:



                           Dc(g/ml)=Pa/((Pa/Ps)/Da)-(VR+VGI)


Onde:
Pa = Peso do indivíduo fora da água (g)
Ps = Peso do indivíduo completamente submerso (g)
Da = Densidade da água na temperatura vigente (g/ml)
VR = Volume Residual (ml)
VGI = Volume Gastrointestinal = 100 (BUSKIRK, 1961)



             O VR representa a quantidade de ar presente nos pulmões após a

expiração máxima. O volume residual se mede normalmente pela técnica da

lavagem de nitrogênio em circuito aberto ou pelos métodos do circuito fechado

de oxigênio ou da diluição do hélio. O volume residual também poderia ser

estimado a partir dos valores encontrados na media da população,

considerando sexo, idade e altura ou através de uma percentagem estimada da

capacidade vital (aproximadamente 25 a 30%). Se o VR de uma grande

população tiver sido medido pelos três métodos (média percentual real; valor

baseado na idade, sexo e altura ou capacidade vital), pode-se observar pouca

variação entre os resultados encontrados.
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         25
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


             Na determinação da densidade corporal, caso se empregue uma

estimativa do VR, recomenda-se a utilização das seguintes equações:



Homens:
   VR = 0,0115(idade em anos) + 0,019(estatura) - 2,24(BOREN et alii, 1966)


Mulheres:
                      VR = 0,021(idade) + 0,023(estatura) - 2,978


             Deve-se também levar em conta a densidade da água na equação

para determinar a densidade corporal. A densidade da água varia com a

temperatura e requer um fator de conversão padronizado. Para o maior

conforto do indivíduo, recomenda-se realizar a pesagem hidrostática a

temperatura entre 32 e 35°C.


Tabela 2 Relação entre temperatura da água e densidade
               Temperatura °C                                      Densidade (g/ml)
                    27                                                 0,9965
                    28                                                 0,9963
                    29                                                 0,9960
                    30                                                 0,9957
                    31                                                 0,9954
                    32                                                 0,9951
                    33                                                 0,9947
                    34                                                 0,9944
                    35                                                 0,9941
                    36                                                 0,9937
                    37                                                 0,9934
                    38                                                 0,9930



             Apesar de a densidade da água representar um elemento importante

a ser determinada, sua variação muito discreta dentro desta faixa de

temperatura usada para a pesagem hidrostática torna este efeito desprezível,

como erro no cálculo da densidade corporal.
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         26
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


             O grau de precisão considerado aceitável, na determinação do VR,

depende do equipamento e da técnica utilizada e do objetivo do teste

(screening ou pesquisa). Uma vez calculada a densidade corporal, podemos

converter este valor em porcentagem de gordura, que, em última análise, é o

resultado que mais nos interessa quando realizamos avaliações da composição

corporal. Esta conversão pode utilizar o modelo de dois componentes, equação

SIRI(1961) ou BROZEK (1963), para estimativa da composição corporal de

jovens e adultos de raça branca, para outras populações devem-se utilizar o

modelo de multicomponentes com equações específicas, para sexo, idade,

quantidade de gordura e etc.



             Embora esta técnica apresente valores de densidade corporal muito

precisos, somente indivíduos com razoável adaptação ao meio aquático podem

ser submetido aos seus procedimentos, o que limita enormemente sua

utilização em analises rotineiras da composição corporal.



        6.2.2 Plestismografia de deslocamento de ar



             Este é um método relativamente recente para avaliação da

composição corporal, com a vantagem de ser simples, seguro e requerer uma

cooperação mínima do sujeito avaliado. Porém, exigindo equipamento

complexo, sofisticado e de alto custo. A principal vantagem desse método em

comparação à pesagem hidroestática é que essa técnica é mais rápida e

produz menos ansiedade para muitos indivíduos. A principal desvantagem é o

custo dos equipamentos técnicos necessários para realizar as medições.
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         27
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


             A avaliação através da pletismografia consiste de uma câmara cujo

modelo mais utilizado na atualidade é o BOD POD©-Body Composition System

(LIFE MEASUREMENT INSTRUMENTES, 1997).




                                Figura 3 Pletismografia.
    Fonte: CD-ROM avaliação da composição corporal. Prof° Roberto Fernandes da Costa




             Este modelo é constituído em fibra de vidro, contendo janela de

acrílico, com assento em seu interior para o avaliado se acomodar, e porta com

dispositivos eletromagnéticos para o seu fechamento. No interior da câmara o

volume aproximado é de 450 litros, constituindo um ambiente confortável para

o sujeito testado. Através de um software específico, instalado em um

microcomputador conectado à câmara, são determinadas variações de

volumes de ar e de pressão em seu interior, com a câmara desocupada e com

o avaliado, além de variáveis pulmonares necessárias às estimativas do

volume corporal (GUEDES & GUEDES, 1998).



             Os procedimentos da plestimografia têm como base a aplicação da

lei de deslocamento de ar de Boyle (GARROW et alii, 1979). Normalmente,
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         28
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


durante uma transformação gasosa, a pressão, o volume e a temperatura

variam. Mas, sob determinadas condições, onde se variando a pressão e o

volume a temperatura do gás permanece constante. Assim, ROBERT BOYLE

(1627-1691), físico e químico irlandês, estabeleceu a seguinte relação:”sob

temperaturas constante, a pressão de um gás [é inversamente proporcional ao

seu volume”. Isto equivale a dizer que um ambiente fechado de temperatura

constante, se dobrarmos o volume do gás sua pressão se reduzirá à metade;

ou se reduzir seu volume a um terço, sua pressão triplicara, o que pode ser

representado pela expressão: P1.V1=P2.V2



             Por esse raciocínio, ao introduzir o avaliado em câmara fechada e

isolada do meio exterior em condições isotérmicas, com pressão (P1) e volume

(v1) de ar em seu interior previamente conhecido, a quantidade de ar

comprimida em razão do espaço ocupada por sua massa corporal deverá

diminuir o volume de ar existente na câmara em proporção idêntica ao aumento

da pressão interna. Ao se determinar a nova pressão interna (P2) com o

avaliado dentro da câmara, torna-se possível estimar o volume (V2) do ar em

seu interior mediante utilização da relação P1.V1=P2.V2. Por subtração de

ambos os volumes de ar no interior da câmara (V1 e V2), corrigido pelo ar dos

pulmões computado automaticamente por sistema de análise respiratória

acoplada ao avaliado, determina-se o volume corporal.



             Uma vez determinada o volume corporal, é possível obter-se a

densidade corporal através da relação entre a massa corporal e seu volume.
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         29
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


                 Dc(kg/l)=Massa Corporal(kg)/Volume corporal (l)



        6.2.3 Absorção radiológica de dupla energia (DEXA)



             A densiometria com emissão de raios-X de dupla energia (DEXA) é

considerada uma técnica avançada para medir a densidade do osso e avaliar a

composição corporal. Utilizada como rotina no diagnóstico da osteoporose,

analisa o conteúdo mineral ósseo de coluna lombar e fêmur proximal, dois

principais sítios de fraturas. Além disso, é um procedimento que vem sendo

utilizado para quantificar massa magra e massa gorda em segmentos isolados

e corpo total (BLAKE, 1997).



             O princípio básico do DEXA é a utilização de uma fonte de raio-X

com um filtro que converte um feixe de raio-X em picos fotoelétricos de baixa

energia que atravessam o corpo do paciente. A obtenção da composição

corporal é feita através da medida de atenuação dos picos fotoelétricos no

corpo. Os maiores fabricantes dos equipamentos DEXA são Norland, Lunar e

Hologic (BONNICK, 1998).



             O rastreamento para corpo total requer aproximadamente 5 minutos

e a exposição à radiação é de 0,05 a 1,5 mrem, dependendo do instrumento.

Em termos comparativos, a radiação recebida em raio-X de tórax é de

aproximadamente 25 a 270 mrem. A medida é feita com o indivíduo em

decúbito dorsal, através de uma série de varreduras transversais a partir da
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         30
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


cabeça até o pé, para se obter o rastreamento. Não é preciso nenhum preparo

ou requisitos especiais para a execução do exame.




                                    Figura 4 DEXA.
     Fonte: CD-rom avaliação da composição corporal. Prof° Roberto Fernandes da Costa



             A nomenclatura aplicada à técnica inclui; conteúdo mineral ósseo

(BMCT), densidade mineral óssea total (BMDT), massa magra sem tecido

ósseo (LEAN), massa gorda (FAT), partes moles (LEAN+FAT) e partes moles

sem gordura (LEAN+BMC)(LOHMAN, 1996).



             A Padronização da nomenclatura em português ainda é deficitária. O

calculo de massa mineral óssea (g), do conteúdo mineral ósseo (g/cm) e da

densidade óssea (g/cm²) pode ser obtido através do DEXA. Nestes cálculos, as

medidas expressas em relação a cm e cm² são ajustadas para a larguras e

áreas, respectivamente, das partes do esqueleto que são rastreadas.



             A estimativa do conteúdo de gordura em massa magra sem tecido

ósseo é derivada a partir de uma constante de atenuação de gordura pura (Rf)
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         31
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


e de massa magra sem osso (RI). A Rf é 1,21 para gorduras puras, usando

raios-X de energia de 40 Kv e 70 Kv. HEYMSFIELD et alli (1994), mediram seis

elementos químicos em 11 homens por ativação de nêutrons.



             Eles relataram um valor de 1,18 para Rf, similar ao Rf teórico

calculado a partir dos elementos medidos era 1,399+/- 0,002. Dado a

Constancia próxima destes dois valores de indivíduo para indivíduo, segue que

a razão da atenuação da menor energia relativa para a maior energia em

partes moles (Rst), para raios-X de baixa e alta energia, é uma função de

proporção de gordura (Rf) e massa magra (RI) em cada pixel. A partir de Rst, a

fração de partes moles como massa magra é dada pela equação:



                                     Rst=(Rst-Rf)/(RI-Rf)



             A forma, portanto, para calcular massa gorda e massa magra é a

resolução das duas equações, usando valores conhecidos de Rf e RI. Algumas

suposições devem ser adotadas para a obtenção da composição corporal,

sendo uma delas o efeito da variação da água do corpo total e a outra, a

espessura do indivíduo examinado.



             A medida de massa gorda por Dexa presume que o compartimento

magro contém uma fração de água (73,2%). Erros sistemáticos podem ser

esperados em relação à composição corporal em determinadas condições

clínicas, já que a água do corpo varia a partir deste valor (HERD et alli, 1993).

Em relação á espessuras do corpo, estudos têm mostrado que quando esta
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         32
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


excede 20 a 25 cm, tanto massa gorda quanto massa magra apresentam

valores superestimados, observando-se erro e imprecisão aumentados quando

comparados a indivíduos com espessura corporal menor que 20 cm (LOHMAN,

1996).



             Atualmente, a informação sobre composição corporal é de grande

interesse para estudos de consumo de energia, estoque de energia, massa

protéica, posição mineral do esqueleto, definir hidratação relativa, e em estudos

de crescimento e desenvolvimento (FOEMICA et alli, 1993).



             Quando comparada a outros métodos para avaliar composição

corporal (medida de dobras cutâneas, impedância bio-elétrica, espectrometria e

pesagem hidrostática), o DEXA é considerado um procedimento um

procedimento não evasivo, não traumático, altamente preciso e reprodutivo

(GUTIN, 1996), que permite a medida compartimental e proporcionam uma

avaliação longitudinal de um indivíduo com maior segurança, rapidez e baixo

custo. Já vem sendo empregada em pesquisas médicas, experimentais e

clinicas, inclusive no Brasil. A sua utilização efetiva na prática clinica virá dos

estudos comparativos de diferentes métodos.



    6.3 Técnicas duplamente indiretas



             As técnicas duplamente indiretas utilizadas na avaliação da composição

corporal utiliza-se de equações de predição baseadas nas medidas antropométricas,

impedância bioelétrica e a interactância de infravermelho.
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         33
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


7 ANTROPOMÉTRIA

             A antropometria é o método mais utilizado para avaliação da

composição corporal pela sua aplicabilidade tanto no laboratório como no

campo, na área clínica e em estudos populacionais. Sendo que sua relativa

simplicidade e o baixo custo dos equipamentos contribuem para sua

popularidade.



             Através       de     medidas        antropométricas          é      possível        fazer

acompanhamento de crescimento morfológico, bem como de alterações de

medidas corporais decorrentes da prática de exercícios físicos e dietas,

proporcionando dados de grande valia para os profissionais que atuam nestas

áreas.



             Este acompanhamento pode ser realizado simplesmente pela

observação da alteração das medidas em valores absolutos ou através da

utilização das mesmas em modelos matemáticos que têm a finalidade de

estimar as quantidades dos diferentes componentes corporais: massa

muscular, óssea, gorda e residual.



             No método antropométrico destacam-se várias técnicas (protocolos),

que podem ser dividas em: índices antropométricos, técnicas que utilizam a

espessura       de    dobras      cutâneas,      técnicas      que     utilizam      medidas        de

circunferência e técnicas mistas que combinam dobras, cutâneas com medidas

de circunferência e diâmetros ósseos.
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         34
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


    7.1 Técnicas que utilizam dobras cutâneas

             Ao longo dos anos, o método de medidas de dobras cutâneas (DOC)

tem sido largamente utilizado para estimar a gordura corporal total em

situações de campo e clinicas.



             Como forma de definição podemos dizer que dobra ou prega

cutânea, é uma medida que visa avaliar, indiretamente, a quantidade de

gordura contida no tecido celular subcutâneo e, a partir daí, podermos estimar

a proporção de gordura em relação ao peso corporal do indivíduo.



             De acordo com FERNANDES (2003, p.48):



                         “A mensuração das pregas cutâneas, por ser uma técnica simples,
                         pouco onerosa e de fácil manuseio e, sobretudo, por apresentar alta
                         fidedignidade, correlaciona-se otimamente com técnicas mais
                         sofisticadas, tem sido o método          preferido dos pesquisadores na
                         área do exercício físico e nos esportes”.




             A base lógica para as mensurações das pregas cutâneas com a

finalidade de estimar a gordura corporal total reside no fato de existir uma

relação entre a gordura localizada nos depósitos adiposos existentes

diretamente debaixo da pele e essa está diretamente relacionada com a

gordura total.



             As medidas das espessuras de dobras cutâneas em determinados

locais do corpo podem ser um bom subsidio para a predição da quantidade de

gordura corporal. McARDLE, KATCH & KATCH (1992, p.48)
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         35
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


             Essa metodologia é passível de ser utilizada em pesquisas

epidemiológicas de grande escala e na avaliação nutricional. Além disso,

medidas de DOC podem ser usadas para estabelecer perfis antropométricos.



             As mensurações das dobras cutâneas poderão proporcionar

informação bastante constante e significativa acerca da gordura corporal e de

sua distribuição. A medida da espessura de dobras cutâneas pode ser utilizada

basicamente de duas maneiras.



             A primeira consiste em somar os escores como uma indicação do

grau relativo de adiposidade entre os indivíduos. A segunda maneira é em

combinação com equações matemáticas destinadas a predizer a densidade

corporal ou o percentual de gordura corporal.



        7.1.1 Pressupostos da técnica de dobras cutâneas



             De acordo com HEYWARD & STOLARCZYK (2000,p.14), os

pressupostos da técnica de dobra cutânea são:



             - A DOC é uma boa medida da gordura subcutânea: a DOC é

                 uma medida da espessura de duas camadas de pele e a gordura

                 subcutânea adjacente. Pesquisas demonstraram que a gordura

                 subcutânea, avaliada pelo método de DOC em doze locais, é

                 similar ao valor obtido nas imagens de ressonância magnética

                 (MRI). Entretanto, em alguns locais específicos, medidas de DOC
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         36
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


                 acusaram quantidades de gordura significativamente menores

                 comparadas às medidas obtidas diretamente da MRI.

             - A distribuição da gordura subcutânea e interna é similar para

                 todos os indivíduos do mesmo sexo: a validade deste

                 pressuposto é questionável. Sujeitos mais velhos de um mesmo

                 sexo e densidade corporal tem proporcionalmente menos gordura

                 subcutânea que seus pares mais jovens. Além disso, o nível de

                 gordura corporal afeta a quantidade relativa de gordura localizada

                 internamente e sob a pele. Indivíduos magros têm uma proporção

                 mais alta de gordura interna e a proporção de gordura localizada

                 internamente diminui à medida que a gordura corporal total

                 aumenta.

             - Devido        à    existência       de     uma      relação       entre      gordura

                 subcutânea e gordura corporal total, a soma de várias dobras

                 cutâneas pode ser utilizada para estimar a gordura corporal

                 total: pesquisas estabelecem que as espessuras das dobras

                 cutâneas em diversos locais medem um fator comum de gordura

                 corporal. Estabelece-se que aproximadamente um terço da

                 gordura da gordura corporal total está localizada sob a pele nos

                 homens e nas mulheres. Entretanto, existe uma variação

                 biológica considerável nos depósitos de gordura subcutâneo,

                 intramuscular e dentro dos órgãos internos, assim como nos

                 lipídeos essenciais na medula óssea e no sistema nervoso

                 central. A variação biológica na distribuição da gordura é afetada

                 por idade, sexo e grau de obesidade. Portanto, esses fatores
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         37
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


                 precisam ser considerados ao se desenvolver equações de

                 predição para estimar a gordura corporal relativa.



        7.1.2 Princípios da técnica de dobras cutâneas



             - Há uma relação entre a somatória das DOC e a densidade

                 corporal (Dc): essa relação é linear em amostras homogêneas

                 (equações de DOC para grupos populacionais específicos) e não-

                 linear em uma grande variação de Dc (equações generalizadas

                 de DOC) tanto para homens como para mulheres. Uma reta de

                 regressão linear, representando a relação entre o somatório de

                 DOC e Dc, irá dispor bem os dados apenas dentro de uma

                 estreita faixa de valores de gordura corporal. Assim, usar uma

                 equação específica a um grupo populacional para estimar a Dc de

                 clientes não-representativos dos grupos utilizados originalmente

                 para desenvolver a equação pode levar a uma estimativa inexata

                 da Dc desses clientes.

             - A idade é uma variável de predição independente da Dc tanto

                 para homens como para mulheres: usar a idade e a expressão

                 quadrada da soma das dobras cutâneas resulta em uma maior

                 variação na Dc de uma população heterogênea em relação ao

                 uso da somatória de Doc sozinha.
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         38
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


        7.1.3 Fontes de erro de medida



             A validade e fidedignidade das medidas de DOC e do método de

DOC são afetadas por: Habilidade do avaliador, tipo de adipômetro, fatores do

sujeito e equação de predição utilizada para estimar a gordura corporal.



             A exatidão teórica das equações de DOC para predizer a DC é

0,0075g/cm³ ou 3,3%GC devido à variabilidade biológica em estimar a gordura

subcutânea através da espessura de DOC e diferenças interindividuais na

relação entre a gordura subcutânea e a gordura corporal total. Portanto, erros

de predição ≤ 3,5% GC ou ≤ 0,008 g/cm³ para as equações através da

espessura de DOC são aceitáveis, porque uma parte desse erro é atribuída ao

método de referência.



             Entre os principais fatores de erros temos:



            – Habilidade do avaliador;

            – Tipo de adipômetro;

            – Fatores individuais;

            – Equações de predição



            7.1.3.1      Habilidade do avaliador



             Uma grande fonte de erro em medidas de DOC é a variabilidade

existente entre os avaliadores. Aproximadamente de 3 a 9% da variabilidade
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                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


em medidas de DOC podem ser atribuídas a erro de medida devido a

diferenças entre avaliadores.



             O tamanho do erro entre avaliadores depende do ponto que está

sendo medido, com erros maiores reportados para as dobras cutâneas

abdominal (5,7%) e da coxa (7,1%) comparados aos locais de DOC tríceps

(~3,0%), subescapular (~3,0 a 5,0%) e supra-íliaca (~4,0%).



             A objetividade, ou fidedignidade entre avaliadores, é aumentada

quando estes seguem procedimentos de testes padronizados, praticam

tomadas de DOC juntos e marcam o local da DOC.



             Para aumentar a habilidade do avaliador de dobras cutâneas

recomendamos os seguintes procedimentos, elaborados por peritos na área

como POLLOCK & LOHMAN:



             - Ser meticuloso ao localizar os pontos anatômicos usados para

                 identificar o local da DOC, ao medir distância e ao marcar o local

                 com uma caneta marcadora cirúrgica;

             - Ler o mostrador do adipômetro em seu 0,1mm mais próximo;

             - Tomar um mínimo de duas medidas para cada local. Se os

                 valores diferirem em mais de 10%, tomar medidas adicionais;

             - Tomar medidas de DOC em uma ordem rotativa (circuitos), em

                 vez de leituras consecutivas em cada local;
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                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


             - Tomar medidas de DOC, quando a pele do cliente estiver seca e

                 sem loções;

             - Não medir DOC imediatamente após o exercício, porque a

                 mudança dos fluidos corporais para a pele tende a aumentar o

                 tamanho da DOC;

             - Praticar as medidas de DOC de 50 a 100 clientes;

             - Procurar treinamento adicional em workshops realizados em

                 conferências estaduais, regionais e nacionais.



             Como se pode calcular são necessárias muita prática e paciência

para se formar um avaliador de DOC habilidoso. Em certos casos, mesmo

avaliadores altamente habilidosos não estão aptos a medir a espessura da

DOC em indivíduos extremamente obesos ou altamente musculosos. Nesses

casos, métodos alternativos, como o BIA, podem ser utilizados para avaliar a

gordura corporal.



            7.1.3.2      Tipo de adipômetros



             Tanto os adipômetros de metal de alta qualidade como os plásticos

podem ser utilizados para medir a espessura das DOC. O custo dos

adipômetros varia, dependendo dos materiais utilizados em sua confecção

(mental e plástico) e a precisão e exatidão de sua escala de medida.



             Os modelos mais conhecidos são os da “SANNY”, “CESCORF”,

"LANGE" e "HARPENDER". Esses aparelhos possuem características
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         41
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


especiais, sendo a mais importante a que faz com que esses apresentem uma

pressão constante de preensão, independente da abertura do aparelho. Essa

pressão é de aproximadamente 10 g/mm². Sua precisão de medida é de 0,1

mm no caso do Harpender, Cescorf e o Sanny e 0,5 mm no Lange.




                        Figura 5 Modelos de adipômetros mais utilizados


             COSTA, STEFANONI & BÖHME (2001) que realizaram um estudo

comparativo de diferentes compassos de dobras cutâneas utilizando as

equações de PETROSKI (1995) – PE95 , JACKSON, POLLOCK & WARD

(1980) – JPW80 , DURNIN & WOMERSLEY (1974) – DW74 e concluíram que,

não houve diferença estatisticamente significativa entre os compassos para

nenhuma das dobras avaliadas, bem como para nenhuma das equações

utilizadas. Com isso concluíram que os quatro compassos podem ser

utilizados, independentes do protocolo utilizado para avaliação.



             Dado que o tipo de adipômetro pode ser uma fonte potencial de erro

de medida, nós recomendamos que:



             - Se use o mesmo adipômetro ao monitora mudanças na

                 espessura das DOC.

             - Checagem periódica da exatidão do adipômetro.
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         42
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


            7.1.3.3      Fatores individuais



             A variabilidade em medidas de DOC entre indivíduos pode ser

atribuída não apenas à diferença na quantidade de gordura subcutânea no

local, mas à diferença na espessura da pele, compressibilidade do tecido

adiposo, manuseio e nível de hidratação.



             A variabilidade interindividual na espessura da pele (0,5 a 2mm) é

pequena e não contribui substancialmente para o erro total da medida de

espessura da DOC. Entretanto, variação na compressibilidade da DOC pode

ser um importante fator limitante do método de DOC.



            7.1.3.4      Equações de predição de dobras cutâneas



             Para evitar erros acentuados é muito importante, quando da escolha

de uma equação, verificar com base em que população ela foi elaborada:

homens, mulheres, crianças, jovens, idosos, indivíduos ativos, atletas, etc. Com

relação a atletas, cabe ressaltar que existem equações para diversas

modalidades esportivas. É necessário levar-se em consideração que estas

equações normalmente vêm de outros países, o que também pode causar

equívocos com relação aos resultados (COSTA, 1996).



             Tendo em vista a necessidade de minimizar os erros de predição

das equações existentes, são encontrados numerosos estudos para testar a
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                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


validade destas equações propostas para grupos específicos ou grupos

populacionais em diferentes localidades.



             Para selecionar a equação mais apropriada é importante avaliar a

validade relativa dos métodos de campo e equações de predição da

composição corporal. As seguintes perguntas devem ser analisadas:



             - Qual foi o método de pesquisa utilizado para desenvolver a

                 equação? A medida de referência estimada por equações de

                 predição varia dependendo do método de campo utilizado.

             - Qual o tamanho da amostra utilizada para desenvolver as

                 equações de predição? Qual a proporção entre o tamanho da

                 amostra e o número de variáveis preditivas na equação?

                 Geralmente, amostras grandes (N = 100 a 400) e aleatórias são

                 necessárias para assegurar que os dados são representativos

                 para aquela população para a qual a equação foi desenvolvida.

             - Qual foi o valor Rmc e o erro padrão da estimativa (EPE) para

                 essa equação? Quanto maior o Rmc (até o valor máximo de

                 1,00), maior a correlação. HEYWARD & STOLARCZYK (2000,

                 18) apresenta a seguinte tabela dos valores de avaliação de erros

                 de prognóstico (EPE)
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         44
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


Tabela 3 Padrões de avaliação de erros de prognóstico (EPE).
Fonte: LOHMAN (1992, 3-4)
EPE %GC masc.         EPE Dc (g/cm³)                 EPE MLG (kg)
    e fem              masc. e fem.                                                 Escala Subjetiva
                                                Masc.               Fem.
       2,0                0,0045               2,0-2,5             1,5-1,8                Ideal
       2,5                0,0055                 2,5                 1,8                Excelente
       3,0                0,0070                 3,0                 2,3                Muito bom
       3,5                0,0080                 3,5                 2,8                   Bom
       4,0                0,0090                 4,0                 2,8                 +/- Bom
       4,5                0,0100                 4,5                 3,6                Razoável
       5,0                0,0110                >4,5                >4,0                  Ruim

             - Para quem essa equação de predição é aplicável? Para

                 responder a essa questão, é necessário prestar atenção às

                 características físicas da amostra usada para derivar a equação.

                 Fatores como idade, sexo, raça nível de gordura e nível de

                 atividade     física    devem       ser    examinados          cuidadosamente.

                 Equações de predição podem ser generalizadas ou específicas a

                 grupos populacionais. Equações específicas devem ser usadas

                 apenas para estimar a variável de indivíduos de um grupo

                 homogêneo específico.

             - Como as variáveis foram medidas pelos pesquisadores que

                 desenvolveram a equação de predição? Não é apenas

                 importante saber quais variáveis foram incluídas em uma

                 equação de predição, mas também como cada uma dessas

                 variáveis foi medida pelos pesquisadores que desenvolveram a

                 equação.

             - A validade da equação de predição foi investigada em uma

                 amostra da população (validação cruzada)? A fim de

                 determinar a validade ou precisão de estimativa de uma equação
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         45
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


                 de composição corporal, é necessário que ela seja testada em

                 outras amostras da população.

             - Qual foi o valor da correlação (ry,y’,) entre a medida referência

                 (y) e a prevista (y’) (coeficiente de validade)? Qual foi o valor

                 do EPE quando a equação foi aplicada na amostra de

                 validação cruzada? Em geral, uma equação com boa precisão

                 deve ter um coeficiente de validade moderadamente alto (ry,y’,>80)

                 e um EPE aceitável.

             - O valor predito médio foi similar ao valor de referência médio

                 para a amostra de validação cruzada? A equação de predição

                 deve gerar médias de predição comparáveis ás medidas de

                 referência. Isso é testado usando-se o teste-t pareado. As duas

                 médias não devem diferir significativamente. Uma grande

                 diferença entre as médias de predição e de referência indica que

                 há diferença sistemática (subestimada ou superestimada) entre

                 as amostras de validação e de validação cruzada, devido a erro

                 técnico ou variabilidade biológica (LOHMAN, 1981)

             - Qual foi o erro total (E) da equação? “E” representa o desvio

                 médio dos valores individuais da reta de identificação. Quando

                 uma equação prevê com boa precisão os valores de identidade

                 com um pequeno grau de desvio ao longo da reta.
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         46
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


        7.1.4 Equações de regressão



             São apresentadas na literatura dezenas de equações de predição de

densidade ou de gordura corporal a partir da medida da espessura de dobras

cutâneas. Para desenvolver equações de predição de composição corporal,

pesquisadores comumente usa uma técnica estatística chamada regressão

múltipla. Esta técnica permite aos pesquisadores identificar uma equação que

usa a melhor combinação de variáveis de medida para predizer as medidas de

referência da composição corporal, como Dc ou MLG.



             Boas equações de predição apresentam uma alta correlação

(denominada de coeficiente de correlação múltipla ou Rmc) entre a medida de

referência (que está sendo predita) e a combinação das variáveis medidas

usadas para predizê-la (variáveis de predição).



             O valor da medida de referência é estimado com uma pequena

margem de erro (erro padrão da estimativa ou EPE), significando que o valor

predito para o indivíduo está perto do valor para a medida de referência

daquele indivíduo. A linha ajustada através dos pontos dos dados é a linha de

melhor ajuste (linha de regressão).



             Quando o erro padrão de estimativa é pequeno, os pontos dos

dados não se desviam muito da linha de melhor ajuste. Na verdade, se uma

equação prediz cada valor de referência perfeitamente, todos os pontos dos

dados vão cair ao longo de curva de melhor ajuste.
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         47
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


              Para utilizar uma equação de predição, os valores individuais para

cada variável preditora devem ser multiplicados pela sua respectiva constante.

Todos os produtos são somados para levar a um valor de predição para aquele

indivíduo. As constantes (pesos de regressão) para as variáveis de predição

são obtidas através da análise de regressões múltiplas.



              Uma boa equação tem pesos de regressão estável, significando que

seus valores não mudam muito de grupo para grupo. Para obter pesos de

regressão estáveis o pesquisador deve usar um número grande de sujeitos (a

amostra de validação cruzada) e comparando esses pesos de regressão com

aqueles obtidos da amostra original (amostra de validação). Para estabelecer a

aplicabilidade da equação de predição a outras amostras independentes da

população, devem ser executados procedimentos de validação cruzada

adicionais.



              Estas equações são desenvolvidas usando-se tanto modelos de

regressão linear (através de propostas com base em estudos de grupos

homogêneos e populacionais específicos) quanto quadráticos (generalizadas,

quando desenvolvidas a partir de estudos populacionais com grupos

heterogêneos).



              As primeiras equações de regressão para a composição corporal

que empregavam as técnicas antropométricas foram publicadas em 1951 por

BROZEK & KEYS, que usuram as dobras corporais e equações específicas,

para avaliar a densidade corporal de homens jovens e de meia idade.
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         48
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado




             No início da década de 60, LOAN e col. & YOUNG e col., publicaram

equações semelhantes para mulheres de grupos etários selecionados. Tais

equações foram desenvolvidas a partir de varias combinações de medidas de

dobras cutâneas. De meados da década de 60 até a década de 70, numerosos

pesquisadores publicaram outras equações para homens e mulheres. Os

objetivos destas pesquisas eram produzir equações mais precisas. Além das

medidas de dobras cutâneas e de diversas circunferências corporais, bem

como em algumas situações, os diâmetros ósseos foram usados como

variáveis independentes.



             Essas pesquisas levaram ao desenvolvimento de equações

específicas, as quais mostraram que fatores como idade e sexo representam

fontes importantes de variações de densidade corporal. As diferenças na

densidade corporal entre homens e mulheres podem ser amplamente

reputadas à variabilidade no tecido adiposo dito essencial. Além disso, as

equações de populações específicas para o sexo tornaram-se importantes, em

decorrência das diferenças na distribuição do tecido adiposo subcutâneo para

homens e mulheres.



             As equações desenvolvidas a partir de indivíduos mais jovens

subestimavam a densidade corporal de indivíduos mais velhos. O emprego de

equações específicas para um dos sexos em indivíduos pertencentes ao outro

sexo produz um erro sistemático na avaliação de cerca de 0,025 g/ml (11% de

gordura). Os achados das pesquisas com equações para populações
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         49
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


específicas mostraram que o sexo, a idade, o grau de gordura corporal e em si

tratando de crianças do nível de maturidade sexual, precisam ser considerados

na avaliação antropométrica da densidade corporal.



             A tendência mais recente tem sido desenvolver equações mais

gerais, em vez de equações específicas para determinadas populações. Estas

últimas oferecem estimativas valiosas para os indivíduos representativos das

populações por elas definidas.



             DURNIN & WORMERSLEY (1974) foram os primeiros a considerar a

abordagem generalizada. Estes autores publicaram equações representadas

por uma única curva comum, mas que podia ser ajustada para levar em conta a

idade.     JACKSON          &     POLLOCK          (1978-1980)         publicaram         equações

generalizadas para homens e mulheres adultos. As pesquisas destes últimos

autores representam uma extensão do trabalho de DURNIN & WORMERLEY,

tendo sido realizadas para superar algumas das limitações associadas às

equações para populações específicas, acrescentando o fator idade à equação

para a estimativa das alterações potenciais na razão entre gordura externa e

interna e densidade óssea.
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         50
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


            7.1.4.1      Equações de PARIZKOVA (1961)



             PARIZKOVA utilizou a tomada das dobras cutâneas triciptal no

braço esquerdo e a subescapular no braço direito, dividindo a determinação do

percentual de gordura em função do sexo e da faixa etária, preconizando os

intervalos de 9 a 12 anos e 13 a 16 anos.1



             E desenvolve equações de uma e de duas dobras, para predizer a

densidade corporal deste grupo. Os três grandes problemas com a técnica de

PARIZKOVA são:



            -    A medida a dobra cutânea de tríceps no braço esquerdo, que

                 corresponde uma medida não padronizada;

            -    Não levar em conta o nível de maturidade sexual; e a

            -    Utilização de um modelo de dois componentes, com a densidade

                 da MLG igual a 1,10 g/cm³.



             No entanto, o terceiro problema pode ser amenizado, utilizando-se

equações, baseadas em modelos de multicomponentes de conversão de

densidade corporal para %GC, encontradas em HEYWARD & STOLARCZYK

(2000,14), já que segundo POLLOCK (1993, 324), as equações possuem um

fator de correlação aceitável entre (0,81 a 0,92) de densidade corporal.




1
    CARNAVAL 1997,57
AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações                         51
                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


MENINAS DE 9 A 12 ANOS

                         DC= 1,088 - 0,014 (log10 TR)-0,036 (log10 SE)
                                  Dc=1,079-0,043Log10(SE)
                                 %GC= [(5,35/Dc)-4,95]x1002


             Este estudo foi realizado em 56 meninas na faixa etária de 9 a 12

anos, o erro padrão estimado (EPE) da equação foi calculado em 0,012 g/ml e

a correlação múltipla(R) foi de 0,81.



MENINAS DE 13 A 16 ANOS

                        DC=1,114 - 0,031 (log10 TR) - 0,041 (log10 SE)
                                DC=1,102-0,058 Log10(SE)
                                %GC= [(5,10/Dc)-4,66]x1003



             Amostragem de 62 meninas na faixa etária de 13 a 16 anos, o erro

padrão estimado (EPE) da equação foi calculado em 0,010 g/ml e a correlação

múltipla(R) foi de 0,82.



MENINOS 9 A 12 ANOS

                       DC= 1,1088 - 0,027 (log10 TR)-0,0388 (log10 SE)
                                DC=1,1094-0,054 Log10(SE)
                                %GC=[(5,30/Dc)-4,89]x1004



             Esta equação envolveu 57 meninos de 9 a 12 anos, o erro padrão

estimado (EPE) é de 0,011 g/ml e a correlação múltipla e de 0,92.



MENINOS DE 13 A 16 ANOS

                        DC=1,130 - 0,055 (log10 TR) - 0,026 (log10 SE)
                                DC=1,131-0,083 Log10(SE)
                                %GC=[(5,07/Dc)-4,64]x100


2
  HEYWARD & STOLARCZYK, 2000,p.14
3
  Id ibid.
4
  Id Ibid.
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                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


             Não encontramos os valores de erro padrão estimado (EPE) e

correlação múltipla para essa equação, em POLLOCK (1993,p.324-325).



            7.1.4.2      Equação de FAULKNER (1968)



             As investigações sistemáticas sobre composição corporal, no Brasil,

iniciaram-se, praticamente, na década de 70, sendo que a maior parte das

publicações utilizava unicamente a equação de FAULKNER (1968), também

conhecida de YUHASZ (1962), para caracterizar o percentual de gordura

corporal (%GC).



             De     acordo      com      CARNAVAL           (1997,      p.49)      YAHASZ,          no

desenvolvimento de sua técnica, preconizava a utilização de 6 dobras (peito,

tríceps, supra-iliaca, subescapular, abdominal – lado esquerdo- e coxa) e

calculava o percentual de gordura usando a seguinte equação:



                          %GC = 0,095 x Σ(das 6 Dobras)+3,64




             Segundo CARNAVAL (op.cit) e FERNANDES (2003, p.64-65),

FAULKNER, desenvolvendo pesquisa em nadadores americanos e observou

que as medidas de peito e coxa constituíam-se em fatores de erro, passando a

usar apenas 4 dobras (tríceps, subescapular, supra-íliaca e abdominal- lado

direito) e calcula o percentual de gordura usando a seguinte fórmula:
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                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


                         %GC = Σ(das 4 dobras)x0,153 + 5,783



             Os índices 0,153 e 5,783 referem-se aos valores de amostragem da

população por ele estudada, nadadores, relacionando estatura, tipo de ossos e

outras variáveis étnicas e ambientais. Com os pesos da massa gorda (MG) e

Massa Livre de Gordura sendo calculadas em kg pelas equações:



                   MG = %GC x Massa Corporal Total (MCT)/100
                               MLG = MCT - MG


             De acordo com o autor chegou a equações para determinação de

peso ideal seria:



                           Peso Ideal (PI) = MLG x constante



             Com as constantes fixadas pelo autor:

Nadadores                                                                 1,09
Futebolistas                                                              1,12
Demais esportes e mulheres                                                1,14



             De acordo com PETROSKI (1995, p.90), em seu estudo sobre o

início da pesquisa em composição corporal e sua evolução no Brasil, foi

observado que a equação, mais utilizada no Brasil e nos países vizinhos, era a

de FAULKNER e que a mesma era utilizada indiscriminadamente para ambos

os sexos, em diferentes níveis de aptidão física e sem considerar a

especificidade da equação que foi desenvolvida para o sexo masculino. Assim,

a magnitude dos erros na utilização dessa equação em amostras nacionais é
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desconhecida. No entanto, durante esse período, não foi averiguada ou

discutida a origem e a validade de sua utilização na população brasileira.



             A primeira preocupação neste sentido surgiu com GUEDES (1986)

que realizou estudo de validação da equação proposta por FAULKNER (1968)

em jovens pertencentes à população brasileira, através de pesagem

hidrostática, e encontrou erros bastante elevados, tanto para homens quanto

para mulheres. Este estudo constatou que a referida equação poderia deturpar

o resultado da quantidade de gordura corporal em torno de 37 % para o grupo

feminino e 23 % para o grupo masculino.



             GAGLIARDI (1996) apud COSTA (2001, p.28) testou a validade de

30 equações de predição de componentes corporais, utilizando a pesagem

hidrostática, em uma amostra composta por 45 atletas divididos em nadadores

de provas de velocidade, triatletas e jogadores de pólo aquático; concluindo

que apenas três mostraram consistência em seus resultados para todos os

grupos: BROZEK (1963), BEHNKE & WILMORE (1966) e FAULKNER (1968).



             Logo concluímos que a equação FAULKNER, pode ser utilizada

desde que os avaliados sejam nadadores, triatletas e ou jogadores de pólo

aquático e com idade variando entre 18 a 25 anos.
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            7.1.4.3      Equações de DURNIN & RAHMAN (1967)



             Este estudo deve como amostra 86 crianças, sendo 48 do sexo

masculino e 38 do sexo feminino com faixas etárias variando entre 12 e 15

anos a equação masculina deve densidade corporal média de 1,068 g/cm³ com

desvio padrão de 0,013 g/cm³ e a feminina de 1,045 g/cm³ e desvio padrão de

0,011 g/cm³.



             O erro padrão estimado (EPE) foi de 0,008 g/ml e a correlação

múltipla e de 0,76, para os meninos e 0,008 g/ml de EPE e 0,78 de correlação

múltipla para as meninas.



Tabela 4 Equações DURNIN & RAHMAN
           Sexo                                                  %GC
           Masculino                       %GC=1,1533 - 0,0643 log10 (BI+ TR+ SE+SI)
           Feminino                        %GC=1,1369 - 0,0598 log10 (BI+ TR+ SE+SI)




            7.1.4.4      Equações de DURNIN & WOMERSLEY (1974)



             DURNIN & WOMERSLEY, foram os primeiros a considerar a

abordagem generalizada. Estes autores publicaram equações representadas

por uma única curva comum, mas que poderia ser ajustada para levar em

conta a idade. Com base em estudo de 209 homens de 17 a 72 anos de idade

e 272 mulheres de 16 a 68 anos de idade, propõe 10 equações por faixa etária

e 2 generalizadas, para cada gênero.
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Tabela 5 Equações de DURNIN & WOMERSLEY
    Sexo        Faixa Etária                               Equação
               17-19 anos         Dc=1,1620-0,0630 Log10(TR+BC+SE+SI)
               20-29 anos         Dc=1,1631-0,0632 Log10(TR+BC+SE+SI)
               30-39 anos         Dc=1,1422-0,544 Log10(TR+BC+SE+SI)
  Homens
               40-49 anos         Dc=1,1620-0,0700 Log10(TR+BC+SE+SI)
               50 a 72 anos       Dc=1,1715-0,0779 Log10(TR+BC+SE+SI)
               17 a 72 anos       Dc= 1,1765-0,0744 Log10(TR+BC+SE+SI)
               16 a 19 anos       Dc=1,1549-0,0678 Log10(TR+BC+SE+SI)
               20 a 29 anos       Dc=1,1599-0,0717 Log10(TR+BC+SE+SI)
               30 a 39 anos       Dc=1,1423-0,0612 Log10(TR+BC+SE+SI)
  Mulheres
               40 a 49 anos       Dc=1,1333-0,0645 Log10(TR+BC+SE+SI)
               50 a 68 anos       Dc=1,1339-0,0645 Log10(TR+BC+SE+SI)
               16 a 68 anos       D=1,1567-0,0717 Log10(TR+BC+SE+SI)



              BARRERA, SALAZAR, GAJARDO, GATTÁS & COWARD (1997)

utilizaram a diluição isotópica de deutério como método referencial para testar

a validade de três técnicas de determinação da composição corporal:

absortometria radiológica de dupla energia, bio-impedanciometria, e espessura

de dobras cutâneas, através da equação proposta por DURNIN &

WOMERSLEY (1974).



              A amostra foi constituída de 31 homens saudáveis, na qual todos os

métodos       apresentaram        resultados       similares     aos     valores       referenciais,

conferindo validade aos mesmos para a avaliação da gordura corporal neste

grupo.



              KURIYAN, PETRACCHI, FERRO-LUZZI, SHETTY & KURPAD

(1998), utilizaram a pesagem hidrostática para testar a validade da impedância

bioelétrica    e    da    antropometria        através     da    equação        de     DURNIN        &

WOMERSLEY (1974) em uma amostra composta por 99 homens e 89

mulheres do sul da Índia. Para ambos os sexos foram encontrados resultados
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                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


válidos tanto para a bio-impedância quanto para a equação de espessura de

dobras cutâneas.



             Para converter Dc em %GC usa-se as seguintes fórmulas:



Tabela 6 Equações de conversão de Dc para %GC
           Idade                         Sexo                                      %GC
                                      Masculino                               (4,99/Dc)-4,55
           17-19
                                       Feminino                               (5,05/Dc)-4,62
                                      Masculino                               (4,95/Dc)-4,50
           20-80
                                       Feminino                               (5,01/Dc)-4,57




            7.1.4.5      Equações de JACKSON & POLLOCK (1975-1978-1980)



             POLLOCK (1975) realizou um estudo em 83 mulheres jovens com

idade variando entre 18 a 29 anos e criou uma equação de 4 dobras para

estimar a densidade corporal. Está equação têm uma correlação múltipla R =

0,84 e erro padrão estimado EPE de 0,008g/cm³



           Dc = 1,096095-0,0006952(X1)+0,0000011(X1)-0,0000714(X2)
Onde:
Dc= Densidade Corporal
X1=∑4DOC (tríceps + supra-ilíaca + abdome +coxa)
X2 = Idade em anos




             SINNING & WILSON (1984) relataram que essa equação estimou

com validade a gordura corporal média de mulheres atletas partindo de dez

diferentes esportes universitários (EPE=3,2%GC). Sendo então recomendada

para mulheres atletas jovens e adolescentes. E a equação de para converter

Dc em %GC é:
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                                                                              Leonardo de Arruda Delgado


                                 %GC=[(5,01/Dc)-4,57]x100




             Em 1978, JACKSON & POLLOCK, proporão duas equações para a

estimativa da densidade corporal de homens, com base em estudo de 308

indivíduos de 18 a 61 anos de idade, utilizando-se de soma de 7 e 3 dobras

cutâneas, além da idade.



             Na equação de 7 dobras cutâneas para homens de 18 a 61 anos, a

correlação múltipla da equação (R) é de 0,9 e o erro padrão de estimativa de

densidade (EPE) é de 0,008.



           Dc=1,112-0,00043499(X1)+0,00000055(X1)²-0,00028826(X4)


Onde:
Dc= Densidade Corporal
X1=∑7DOC (peitoral + axilar medial + tríceps + subescapular + supra-ilíaca + abdome +coxa).
X2 = Idade em anos




             Segundo HEYWARD & STOLARCZYK (2000, p.164) a equação

generalizada da soma de sete dobras de JACKSON & POLLOCK (1978) tem

se mostrado válida para estimar a gordura corporal média de homens

fisicamente ativos (ISRAEL et al., 1989) e de homens participando de 12

diferentes esportes universitários de 18 a 29 anos (SINNING et.al.,1985).



             O erro de predição dessa equação variou de 2,2% a 2,9% de GC.

Sendo então recomendada à utilização da equação de DOC de JACKSON &
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  • 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA LEONARDO DE ARRUDA DELGADO AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL São Luis 2004
  • 2. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 2 Leonardo de Arruda Delgado SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................ 6 2 APLICAÇÕES DA AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL ............. 9 3 CONCEITOS RELACIONADOS COM A COMPOSIÇÃO CORPORAL .... 10 3.1 Massa gorda total (MGT) ................................................................... 10 3.2 Gordura essencial .............................................................................. 10 3.3 Gordura não-essencial....................................................................... 10 3.4 Gordura corporal relativa (%GC)........................................................ 11 3.5 Massa do tecido adiposo ................................................................... 11 3.6 Massa livre de gordura (MLG) ........................................................... 12 3.7 Massa corporal magra (MCM) ........................................................... 12 3.8 Densidade corporal total (Dc) ............................................................ 12 3.9 Sobrepeso.......................................................................................... 12 3.10 Obesidade.......................................................................................... 13 3.11 Modelo de dois compartimentos ........................................................ 13 3.12 Modelo de multicomponentes ............................................................ 13 3.13 Equação de predição ......................................................................... 14 4 MODELOS DE ANALISE DE COMPOSIÇÃO CORPORAL...................... 15 5 MÉTODOS DE MEDIDAS DA COMPOSIÇÃO CORPORAL .................... 18 5.1 Método direto ..................................................................................... 18 5.2 Métodos indiretos............................................................................... 19 5.3 Métodos duplamente indiretos ........................................................... 20 6 TÉCNICAS DE MEDIDA DA COMPOSIÇÃO CORPORAL....................... 21 6.1 Técnicas diretas de medidas para analise da composição corporal .. 21 6.2 Técnicas indiretas de medidas para analise da composição corporal 21 6.2.1 Pesagem hidrostática ................................................................. 22 6.2.2 Plestismografia de deslocamento de ar ...................................... 26 6.2.3 Absorção radiológica de dupla energia (DEXA).......................... 29 6.3 Técnicas duplamente indiretas .......................................................... 32 7 ANTROPOMÉTRIA ................................................................................... 33 7.1 Técnicas que utilizam dobras cutâneas ............................................. 34 7.1.1 Pressupostos da técnica de dobras cutâneas............................. 35 7.1.2 Princípios da técnica de dobras cutâneas .................................. 37 7.1.3 Fontes de erro de medida ........................................................... 38 7.1.3.1 Habilidade do avaliador ....................................................... 38 7.1.3.2 Tipo de adipômetros ............................................................ 40 7.1.3.3 Fatores individuais ............................................................... 42 7.1.3.4 Equações de predição de dobras cutâneas......................... 42 7.1.4 Equações de regressão .............................................................. 46 7.1.4.1 Equações de PARIZKOVA (1961) ....................................... 50 7.1.4.2 Equação de FAULKNER (1968) .......................................... 52 7.1.4.3 Equações de DURNIN & RAHMAN (1967).......................... 55 7.1.4.4 Equações de DURNIN & WOMERSLEY (1974) .................. 55 7.1.4.5 Equações de JACKSON & POLLOCK (1975-1978-1980) ... 57 7.1.4.6 Equações de LOHMAN (1981-1986) ................................... 66 7.1.4.7 Equações de KATCH & McARDLE (1983) .......................... 67 7.1.4.8 Equações de MUKHERJEE & ROCHE (1984) .................... 68 7.1.4.9 Equações de THORLAND (1984)........................................ 69
  • 3. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 3 Leonardo de Arruda Delgado 7.1.4.10 Equações de BOILEAU (1985) ............................................ 70 7.1.4.11 Equações de GUEDES (1985) ............................................ 71 7.1.4.12 Equações de SLAUGHTER (1988)...................................... 72 7.1.4.13 Equações de PETROSKI (1995) ......................................... 74 7.2 Técnicas que utilizam as medidas de circunferências ....................... 79 7.2.1 Pressupostos .............................................................................. 79 7.2.2 Equações de predição de circunferências .................................. 80 7.2.2.1 Equações de KATCH & McARDLE (1983) .......................... 81 7.2.2.2 Equações WELTMAN et al (1987-1988).............................. 82 7.2.2.3 Equações de DOTSON e DAVIS (1991) ............................. 84 8 FRACIONAMENTO DA MASSA CORPORAL TOTAL.............................. 85 8.1 Fracionamento da composição corporal em dois componentes ........ 89 8.1.1 Massa gorda (MG) ...................................................................... 89 8.1.2 Massa livre de gordura (MLG) .................................................... 89 8.2 Fracionamento da composição corporal em quatro componentes..... 90 8.2.1 Massa óssea (MO)...................................................................... 90 8.2.2 Massa residual (MR)................................................................... 91 8.2.3 Massa muscular (MM) ................................................................ 91 8.3 Massa ideal (MI)................................................................................. 91 8.3.1 Relações entre peso e estatura .................................................. 92 8.3.1.1 Estatura/Peso ...................................................................... 92 8.3.1.2 Estatura e circunferência do punho ..................................... 93 8.3.1.3 Estatura² x IMC Médio ......................................................... 93 8.3.2 Relação entre MLG e %GC desejável ........................................ 94 REFERÊNCIAS................................................................................................ 97
  • 4. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 4 Leonardo de Arruda Delgado LISTA DE TABELAS Tabela 1 Classificação dos níveis de obesidade.............................................. 13 Tabela 2 Relação entre temperatura da água e densidade ............................. 25 Tabela 3 Padrões de avaliação de erros de prognóstico (EPE). ...................... 44 Tabela 4 Equações DURNIN & RAHMAN........................................................ 55 Tabela 5 Equações de DURNIN & WOMERSLEY ........................................... 56 Tabela 6 Equações de conversão de Dc para %GC ........................................ 57 Tabela 7 Fórmulas para converter Dc em %GC para população negra........... 59 Tabela 8 Estimativa do percentual de gordura de POLLOCK para homens a partir da idade e do somatório das dobras cutâneas do tórax, abdome e coxa........................................................................................................... 64 Tabela 9 Estimativa do percentual de gordura de POLLOCK, para mulheres a partir da idade e do somatório das dobras cutâneas do tórax, suprailíaca e coxa........................................................................................................... 65 Tabela 10 Equações de convenção de Dc para percentual de gordura de acordo com a idade................................................................................... 66 Tabela 11 Constate de ajuste por idade de acordo com o sexo....................... 67 Tabela 12 Tabela de constantes por idade, sexo e raça................................. 67 Tabela 13 Equações de MUKHERJEE & ROCHE ........................................... 69 Tabela 14 Equações de THORLAND............................................................... 69 Tabela 15 Equações de BOILEAU ................................................................... 70 Tabela 16 Equações de Slaughter ................................................................... 73 Tabela 17 Equações de PETROSKI ................................................................ 74 Tabela 18 Fórmulas para conversão de Dc em %GC ...................................... 76 Tabela 19 Estimativa do Percentual de Gordura para Homens de acordo com PETROSKI, a partir do Somatório das Dobras Subescapular, Triceps, Suprailíaca, Panturrilha Medial* ................................................................ 77 Tabela 20 Estimativa do Percentual de Gordura para Mulheres a Partir da Idade e do Somatório das Dobras Cutâneas: axilar medial, Suprailíaca, Coxa e Panturrilha Medial ......................................................................... 78 Tabela 21 Gordura desejável para adultos sedentários. .................................. 96 Tabela 22 Valores Médios de Percentuais de Gordura para Algumas Modalidades Desportivas .......................................................................... 96
  • 5. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 5 Leonardo de Arruda Delgado LISTA DE FIGURAS Figura 2 Pesagem hidrostática......................................................................... 23 Figura 3 Pletismografia. ................................................................................... 27 Figura 4 DEXA. ................................................................................................ 30 Figura 5 Modelos de adipômetros mais utilizados............................................ 41
  • 6. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 6 Leonardo de Arruda Delgado AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL 1 INTRODUÇÃO A composição corporal é a proporção entre os diferentes componentes corporais e a massa corporal total, sendo normalmente expressa pelas porcentagens de gordura e de massa magra (HEYWARD, 1998a; KISS, BÖHME & REGAZZINI, 1999; NIEMAN, 1999, apud COSTA, 2001, p.21). A obtenção dos valores de tais porcentagens constitui informação de grande importância para os profissionais de Educação Física, visto que as quantidades dos diferentes componentes corporais, principalmente gordura e massa muscular, apresentam estreita relação com a aptidão física, tanto relacionada à saúde quanto ao desempenho esportivo. De acordo com DE ROSE et alii (1984) apud COSTA (1999 s/p) a composição corporal constitui um aspecto dinâmico dos componentes estruturais do corpo humano, sofrendo alterações durante toda a vida dos indivíduos em decorrência de inúmeros fatores como: crescimento e desenvolvimento, status nutricional e nível de atividade física. A avaliação da composição corporal torna-se extremamente necessária, haja visto que para o desenvolvimento de uma avaliação mais criteriosa sobre os efeitos da atividade física no organismo humano existe a
  • 7. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 7 Leonardo de Arruda Delgado necessidade de fracionamento corporal em seus diferentes componentes (GUEDES, 1989, apud GOMES & FILHO, 1995, p.34) Através da avaliação da composição corporal pode-se, além de determinar os componentes do corpo humano de forma quantitativa, utilizar-se os dados dessa análise para detectar o grau de desenvolvimento e crescimento de crianças e jovens, o status dos componentes corporais de adultos e idosos, bem como, prescrever exercícios. Existe um consenso entre autores, no sentido de colocar a composição corporal como um dos componentes da aptidão física, devido às relações existentes entre a quantidade e distribuição da gordura com alterações do nível de aptidão física, e o estado de saúde das pessoas. Reduzir a quantidade de gordura e/ou aumentar a quantidade de massa muscular estão entre os anseios de grande parte dos praticantes de exercícios físicos, esta preocupação deve ser considerada não somente do ponto de vista da estética, mas também de qualidade de vida dos indivíduos, já que a obesidade, está associada a um grande número de doenças crônico- degenerativas. Considerando a relação existente entre a obesidade e doenças crônico-degenerativas, fica evidentes a importância da realização de estudos com o objetivo de verificar os níveis de adiposidade da população, bem como a realização de avaliações de aspectos da composição corporal a fim de oferecer
  • 8. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 8 Leonardo de Arruda Delgado subsídios para a prescrição e o acompanhamento de programas de exercícios físicos e/ou dietas, que podem ser úteis no combate a estes problemas. COITINHO et alii apud COSTA (op.cit) realizou um estudo epidemiológico sobre as condições nutricionais da população brasileira e idosos, que indicou que cerca de 27 milhões de brasileiros apresentavam sobrepeso, sendo que destes estimava-se á época do estudo que 6,8 milhões eram indivíduos obesos. Para os autores, estes resultados indicaram que o excesso de peso corporal da população constitui um grande problema de saúde coletiva no Brasil, já que nos 15 anos que antecederam o referido estudo a população de obesos quase dobrou. De acordo com GUEDES & GUEDES (1985), tão importante quanto o excesso de peso corporal à custa de um maior acúmulo de gordura, é o seu “déficit”. “A redução excessiva do peso corporal pode induzir o organismo a uma série de complicações, notadamente no que se refere á produção e á transformação de energia para a manutenção das condições vitais e para a realização das tarefas do cotidiano”. A importância da avaliação da composição corporal deve-se ao fato de o peso corporal isoladamente não poder ser considerado um bom parâmetro para a identificação do excesso ou déficit dos componentes corporais (massa gorda, massa muscular, massa óssea e massa residual) ou as alterações nas quantidades proporcionais dos mesmos em decorrência de um programa de exercícios físicos e/ou dieta alimentar.
  • 9. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 9 Leonardo de Arruda Delgado 2 APLICAÇÕES DA AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL Além de avaliar a quantidade total e regional de gordura corporal para identificar os riscos de saúde, há outras medidas importantes que podem ser utilizadas por médicos e outros profissionais da saúde e do condicionamento físico. HEYWARD (2000, p.6) diz que estas medidas podem servir para: - Identificar riscos á saúde associados aos níveis excessivamente altos ou baixos de gordura corporal total. - Identificar riscos à saúde associada ao acúmulo excessivo de gordura intra-abdominal. - Proporciona entendimento sobre o risco à saúde associado á falta ou ao excesso de gordura corporal. - Monitorar mudanças na composição corporal associada a certas doenças. - Avaliar a eficiência de intervenções nutricionais e de exercícios físicos na alteração da composição corporal. - Estimar o peso corporal de atletas e não atletas. - Formular recomendações dietéticas e prescrição de exercícios físicos. - Para monitora mudança na composição corporal associada ao crescimento, desenvolvimento, maturação e idade.
  • 10. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 10 Leonardo de Arruda Delgado 3 CONCEITOS RELACIONADOS COM A COMPOSIÇÃO CORPORAL 3.1 Massa gorda total (MGT) A MGT inclui todos os lipídios que podem ser extraídos do tecido adiposo e outros tecidos. É formada pelas gorduras essencial mais a não- essencial. 3.2 Gordura essencial É a gordura acumulada na medula dos ossos e no coração, nos pulmões, fígado, baço, rins, intestino, músculos e tecidos ricos em lipídeos espalhados por todo o sistema nervoso central. São compostos de fosfolipídeos, necessários para formação da membrana celular e funcionamento fisiológico normal (~10% MGT). Na mulher, a gordura essencial também inclui a gordura específica ou característica do sexo. 3.3 Gordura não-essencial Consiste na gordura acumulada no tecido adiposo. São formadas por triglicerídeos encontrados principalmente no tecido adiposo (~90% da MGT). Essa reserva nutricional inclui os tecidos que protegem dos traumatismos os vários órgãos internos, assim como o volume ainda maior de gordura subcutânea localizada por debaixo da superfície cutânea.
  • 11. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 11 Leonardo de Arruda Delgado As quotas proporcionais de gordura de armazenamento em homens e mulheres são semelhantes (12% nos homens, 15% nas mulheres), porém a quantidade total de gordura essencial nas mulheres, que inclui a gordura específica do sexo, é quatro vezes maior que nos homens. É mais que provável que a gordura essencial adicional seja biologicamente importante para a procriação e outras funções relacionadas aos hormônios. De acordo com o modelo teórico de distribuição da gordura corporal para mulheres de BEHNKE, observa-se que, como parte dos 5 a 9% de gordura de armazenamento de reserva específica do sexo, as mamas contribui com aproximadamente 4,4% da massa total de gordura corporal, ou no máximo 12,5% da quantidade de gordura específica do sexo, e o restante deve localizar-se nas regiões pélvicas, das nádegas e coxas, que contribuem quantitativamente para as reservas adiposas das mulheres. 3.4 Gordura corporal relativa (%GC) É a massa gorda total (MGT) expressa como porcentagem da massa corporal total. 3.5 Massa do tecido adiposo É a massa corporal composta de + ou – 83% de gordura mais as suas estruturas de suporte (~2% de proteínas e ~15% de água).
  • 12. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 12 Leonardo de Arruda Delgado 3.6 Massa livre de gordura (MLG) A MLG consiste em todos os tecidos e substâncias residuais livres de lipídeos, incluindo água, músculos, ossos, tecidos conjuntivos e órgãos internos. 3.7 Massa corporal magra (MCM) É a massa livre do gordura (MLG) mais os lipídeos essenciais que são: 2 a 3% em homens e 5 a 8% em mulheres (LOHMAN, 1992). 3.8 Densidade corporal total (Dc) Total da massa corporal expressa em relação ao total do volume corporal. 3.9 Sobrepeso É o peso corporal que excede o peso normal ou padrão de uma determinada pessoa, baseando-se na sua altura e constituição física. Os padrões começaram a serem estabelecidos em 1959 com a proposição de tabelas de peso e estatura, que ainda hoje são amplamente utilizadas.
  • 13. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 13 Leonardo de Arruda Delgado 3.10 Obesidade É a quantidade excessiva de gordura corporal total para um dado peso corporal, que estão fortemente associados ao aumento de fatores de risco para a saúde, bem como dos índices de morbidade e mortalidade. Veja a classificação de obesidade de acordo com NIDDK (1993), apud COSTA (2001,p.28) Tabela 1 Classificação dos níveis de obesidade Classificação Masculino Feminino Leve 15-20% 25-30% Moderada 20-25% 30-35% Elevada 25-30% 35-40% Mórbida >30% >40% 3.11 Modelo de dois compartimentos Refere-se a modelos de avaliação de composição corporal que dividem o corpo em 2 partes com compartimento de gordura e sem gordura. 3.12 Modelo de multicomponentes Modelo de composição corporal que leva em conta a variação interindividual em conteúdo de água, mineral e proteína da massa livre de gordura.
  • 14. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 14 Leonardo de Arruda Delgado 3.13 Equação de predição Fórmulas matemáticas derivadas da análise de regressão múltipla e utilizadas para estimar medidas da composição corporal (por exemplo, %GC, Dc, e MLG). As equações podem ser específicas à populações, quando são equações de predição utilizadas para estimar a composição corporal de indivíduos de um grupo homogêneo específico (por exemplo; crianças, atletas, obesos e etc) e equações generalizadas, quando são equações de predição utilizadas para estimar a composição corporal de grupos heterogêneos que variam bastante em idade, sexo, etnia, nível de gordura corporal e nível de atividade física.
  • 15. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 15 Leonardo de Arruda Delgado 4 MODELOS DE ANALISE DE COMPOSIÇÃO CORPORAL Modelos teóricos são usados para obter medidas referenciais de composição corporal para desenvolvimento de métodos e equações antropométricas, de dobras cutâneas, análise de impedância bioelétrica e interactância de infravermelho. WANG, PIERSON & HEYMSFIELD (1992), apud COSTA (2001,p.21-22) propuseram um modelo que divide o fracionamento da massa corporal em cinco diferentes níveis: - Nível I (atômico) – compreende cerca de 50 elementos, sendo que mais de 98 % da massa corporal total é determinada pela combinação de oxigênio, carbono, hidrogênio, nitrogênio, cálcio e fósforo, com os 44 elementos restantes representando menos de 2 % da massa corporal total. - Nível II (molecular) – divide os compostos químicos corporais, que compreendem mais de 100.000 moléculas diferentes, em cinco grupos: lipídios, água, proteínas, carboidratos e minerais. - Nível III (celular) – divide o corpo em três componentes: massa celular total, fluídos extracelulares (incluindo plasma intra e extracelular) e sólidos extracelulares. - Nível IV (tecidos, órgãos e sistemas) – são quatro as categorias de tecidos apresentadas nesse nível: tecido conectivo, tecido epitelial, tecido muscular e tecido nervoso. É importante ressaltar que os tecidos adiposo e ósseo são formas de tecido conectivo.
  • 16. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 16 Leonardo de Arruda Delgado - Nível V (corpo todo) – neste nível o corpo é analisado segundo suas características morfológicas, com medidas relacionadas ao tamanho, forma e proporções do corpo humano. Os cinco níveis de organização do corpo fornecem uma estrutura conceitual dentro da quais as diversas pesquisas em composição corporal podem ser realizadas. É evidente que deve haver inter-relações dos diferentes níveis que, se constantes, podem fornecer associações quantitativas facilitando estimativas de compartimentos previamente desconhecidos. A compreensão das inter-relações dos diferentes níveis de complexidade evita a interpretação errônea de dados determinados em níveis diferentes (HAWES, 1996). Observando a complexidade exigida em cada nível é possível perceber que a avaliação do corpo como um todo é aquela que está mais próxima da realidade dos profissionais que atuam na área clínica ou em testes de campo, pois as características físicas a que se refere podem ser analisadas a partir de medidas de estatura, massa corporal, perímetros, diâmetros e espessura de dobras cutâneas, por exemplo, que não exigem equipamentos sofisticados ou procedimentos laboratoriais. Neste sentido podemos dizer que, os cientistas utilizam modelos teóricos de composição corporal, que subdividem a massa corporal total, em dois ou mais componente, usando-se modelos químicos, anatômicos ou fluido- metabólicos. Geralmente, os modelos químicos e corpo total têm sido amplamente utilizados na pesquisa de composição corporal.
  • 17. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 17 Leonardo de Arruda Delgado Tecido Gordura Gordura Gordura Adiposo Tecidos moles e Água ECF músculo lisos MLG Músculos Proteínas ICF esqueléticos ICS Minerais ECS Minerais Modelo de 2C Modelo de 4C Modelo de Modelo de 4C Químico Fluídos Anatômico Metabólicos Figura 1: Modelos de predição de dobras cutâneas de dois componentes (2C) e multicomponentes. ECF=fluido extracelular; ICF=fluido intracelular; ICS= sólidos intracelulares; ECS= sólidos extracelulares.
  • 18. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 18 Leonardo de Arruda Delgado 5 MÉTODOS DE MEDIDAS DA COMPOSIÇÃO CORPORAL De acordo com MARTIN & DRINKWATER (1991), existem três métodos que podem ser utilizados para a determinação da composição corporal, são eles: métodos direto, indiretos e duplamente indiretos. 5.1 Método direto É aquele onde ocorre à separação dos diversos componentes estruturais do corpo humano afim de pesá-los e estabelecer relações entre eles e o peso corporal total, o que só é possível através de dissecação de cadáveres. Desta forma podemos perceber a dificuldade de estudos envolvendo este procedimento, o que justifica a pequena quantidade de estudos com cadáveres e a utilização de metodologia mais acessível. Entretanto, cabe citar dois estudos de grande relevância nesta área que se utilizaram da metodologia direta, o de MATIEGKA (1921) e o de DRINKWATER et alii (1984). No estudo de DRINKWATER et alii, 1984, foram estudados 25 cadáveres, com idades variando entre 55 e 94 anos, que foram medidos e dissecados. Este estudo foi o único onde os dados de medidas de superfície e composições anatômicas foram coletadas nos mesmos cadáveres; o mesmo contribuiu para a obtenção de novos dados sobre as quantidades dos tecidos e órgãos no corpo humano adulto, relatando as quantidades destes tecidos e
  • 19. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 19 Leonardo de Arruda Delgado órgãos por medidas corporais externas, produzindo dados que podem ser usados para a validação de vários métodos de estimativa da composição corporal humana "in vivo", e para o desenvolvimento de novos métodos antropométricos (DRINKWATER et alii, 1984). É importante ressaltar que a utilização das equações propostas por este estudo deve ser cuidadosa no que se refere a populações jovens, crianças e atletas, pois a amostra era composta só por indivíduos idosos e isso pode proporcionar um erro significativo nos resultados. 5.2 Métodos indiretos São aqueles onde não há a manipulação dos componentes separadamente, mas a partir de princípios químicos e físicos visam a extrapolação das quantidades de gordura e de massa magra; estes métodos são validados a partir do método direto. Entre os métodos indiretos podemos citar como métodos químicos a contagem de potássio radioativo (K40 e K42), diluição de óxido de deutério, excreção de creatinina urinária e etc., com relação aos métodos físicos os mais conhecidos são o ultra-som, o raio-x, o raio-x de dupla energia, a ressonância nuclear magnética e a densimetria. Entre estes, a pesagem hidroestática tem sido considerada como referencia para a validação de métodos duplamente indiretos. Ela é baseada no princípio de Arquimedes, onde um corpo quando mergulhado em água desloca um volume de água igual ao seu próprio volume.
  • 20. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 20 Leonardo de Arruda Delgado Devido à necessidade de técnicos altamente treinados e equipamentos laboratoriais caros, a determinação da composição corporal por pesagem hidrostática é raramente utilizada em situações de campo. A alternativa mais comum é o uso de algumas formas de métodos antropométricos. Estes incluem proporções peso-estatura, circunferências corporais e medidas de dobras cutâneas (BAUMGARTNER & JACKSON, 1995). 5.3 Métodos duplamente indiretos São aqueles validados a partir de um método indireto, mais comumente a densimetria. Temos como mais utilizados a técnica antropométrica e a impedância bioelétrica. Medidas antropométricas são aplicáveis para grandes amostras e podem proporcionar estimativas nacionais e dados para a análise de mudanças seculares, este método pode incluir medidas de peso, estatura, perímetros corporais, diâmetros ósseos e espessura de dobras cutâneas, sendo esta última a mais utilizada quando o objetivo é predizer a quantidade de gordura corporal.
  • 21. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 21 Leonardo de Arruda Delgado 6 TÉCNICAS DE MEDIDA DA COMPOSIÇÃO CORPORAL Para analise da composição corporal podem-se empregar técnicas com procedimentos de determinação direta, indireta e duplamente indireta. Nos últimos anos, os recursos indiretos de maior destaque envolvem a técnica da densiometria, espectrometria e da absortometria radiológica de dupla energia. Contudo, não se pode ignorar a existência de outros métodos igualmente importantes, como a ultrasonografia, a tomografia axial computadorizada, a ressonância magnética ativa. 6.1 Técnicas diretas de medidas para analise da composição corporal As técnicas diretas de analise da composição corporal são aquelas em que o avaliador obtém informações “in loco” dos diferentes tecidos do corpo, mediante dissecação macroscópica ou extração lipídica. Apesar da relevância e precisão, esse procedimento implica incisões no corpo, o que limita sua utilização a laboratórios e cadáveres humanos. 6.2 Técnicas indiretas de medidas para analise da composição corporal As principais técnicas indiretas utilizadas na analise da composição corporal são a pesagem hidrostática, Plestismografia de Deslocamento de Ar e a Absorção Radiológica de Dupla Energia (DEXA).
  • 22. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 22 Leonardo de Arruda Delgado 6.2.1 Pesagem hidrostática A pesagem hidrostática, também conhecida como densiometria, é um dos meios mais comuns para estimar a composição corporal em locais de pesquisa e é freqüentemente utilizada como método de critério para avaliar o percentual de gordura corporal. Um método de critério fornece o padrão com os quais outras metodologias são comparadas, baseia-se no princípio de Arquimedes, onde: “Todo corpo mergulhado num fluído (liquido ou gás) sofre, por parte do fluido, uma força vertical para cima, cuja intensidade é igual ao peso do fluido deslocado pelo corpo”. Assim, quando um corpo é pesado dentro da água é possível obter seu volume e através da relação entre massa e volume, calcula-se sua densidade. Ao realizar esse procedimento, uma pessoa entra em um taque de água norma, submerge abaixo da superfície da água e então expira completamente, enquanto técnicos registram seu peso. Como esse procedimento envolve adaptação ao meio líquido, são realizadas de 8 a 12 pesagens submersas, sendo que é utilizada na fórmula a média das três maiores médias.
  • 23. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 23 Leonardo de Arruda Delgado Figura 2 Pesagem hidrostática. Fonte: CD-ROM Avaliação da Composição Corporal. Prof° Roberto Fernandes da Costa A determinação do volume se dá pela diferença entre o peso corporal do indivíduo fora da água e completamente submerso na água. Considerando que corpos mais densos que a água tendem a afundar e menos densos tendem a flutuar, quanto mais pesado for um corpo dentro da água em relação a um mesmo volume, maior a sua densidade. A seguir há orientações que ajudarão a garantir uma avaliação mais precisa da composição corporal utilizando técnica de pesagem hidrostática: - Não coma dentro de 4h antes do teste; - Urine e defeque antes do teste; - Vista menos roupa possível. Remova qualquer bolha de ar presas na roupa antes da pesagem; - Expire completamente enquanto estiver submerso.(isso exigirá prática da parte da maioria dos indivíduos!);
  • 24. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 24 Leonardo de Arruda Delgado - Permaneça o mais imóvel possível enquanto estiver submerso a fim de aumentar a precisão; Como a densidade da água sofre alterações em função da temperatura ou de impurezas e a densidade corporal é influenciada pelo volume de ar pulmonar e pelo ar que permanece no aparelho gastrointestinal, o calculo da densidade corporal deve levar em consideração todas essa variáveis, sendo realizado através da seguinte relação: Dc(g/ml)=Pa/((Pa/Ps)/Da)-(VR+VGI) Onde: Pa = Peso do indivíduo fora da água (g) Ps = Peso do indivíduo completamente submerso (g) Da = Densidade da água na temperatura vigente (g/ml) VR = Volume Residual (ml) VGI = Volume Gastrointestinal = 100 (BUSKIRK, 1961) O VR representa a quantidade de ar presente nos pulmões após a expiração máxima. O volume residual se mede normalmente pela técnica da lavagem de nitrogênio em circuito aberto ou pelos métodos do circuito fechado de oxigênio ou da diluição do hélio. O volume residual também poderia ser estimado a partir dos valores encontrados na media da população, considerando sexo, idade e altura ou através de uma percentagem estimada da capacidade vital (aproximadamente 25 a 30%). Se o VR de uma grande população tiver sido medido pelos três métodos (média percentual real; valor baseado na idade, sexo e altura ou capacidade vital), pode-se observar pouca variação entre os resultados encontrados.
  • 25. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 25 Leonardo de Arruda Delgado Na determinação da densidade corporal, caso se empregue uma estimativa do VR, recomenda-se a utilização das seguintes equações: Homens: VR = 0,0115(idade em anos) + 0,019(estatura) - 2,24(BOREN et alii, 1966) Mulheres: VR = 0,021(idade) + 0,023(estatura) - 2,978 Deve-se também levar em conta a densidade da água na equação para determinar a densidade corporal. A densidade da água varia com a temperatura e requer um fator de conversão padronizado. Para o maior conforto do indivíduo, recomenda-se realizar a pesagem hidrostática a temperatura entre 32 e 35°C. Tabela 2 Relação entre temperatura da água e densidade Temperatura °C Densidade (g/ml) 27 0,9965 28 0,9963 29 0,9960 30 0,9957 31 0,9954 32 0,9951 33 0,9947 34 0,9944 35 0,9941 36 0,9937 37 0,9934 38 0,9930 Apesar de a densidade da água representar um elemento importante a ser determinada, sua variação muito discreta dentro desta faixa de temperatura usada para a pesagem hidrostática torna este efeito desprezível, como erro no cálculo da densidade corporal.
  • 26. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 26 Leonardo de Arruda Delgado O grau de precisão considerado aceitável, na determinação do VR, depende do equipamento e da técnica utilizada e do objetivo do teste (screening ou pesquisa). Uma vez calculada a densidade corporal, podemos converter este valor em porcentagem de gordura, que, em última análise, é o resultado que mais nos interessa quando realizamos avaliações da composição corporal. Esta conversão pode utilizar o modelo de dois componentes, equação SIRI(1961) ou BROZEK (1963), para estimativa da composição corporal de jovens e adultos de raça branca, para outras populações devem-se utilizar o modelo de multicomponentes com equações específicas, para sexo, idade, quantidade de gordura e etc. Embora esta técnica apresente valores de densidade corporal muito precisos, somente indivíduos com razoável adaptação ao meio aquático podem ser submetido aos seus procedimentos, o que limita enormemente sua utilização em analises rotineiras da composição corporal. 6.2.2 Plestismografia de deslocamento de ar Este é um método relativamente recente para avaliação da composição corporal, com a vantagem de ser simples, seguro e requerer uma cooperação mínima do sujeito avaliado. Porém, exigindo equipamento complexo, sofisticado e de alto custo. A principal vantagem desse método em comparação à pesagem hidroestática é que essa técnica é mais rápida e produz menos ansiedade para muitos indivíduos. A principal desvantagem é o custo dos equipamentos técnicos necessários para realizar as medições.
  • 27. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 27 Leonardo de Arruda Delgado A avaliação através da pletismografia consiste de uma câmara cujo modelo mais utilizado na atualidade é o BOD POD©-Body Composition System (LIFE MEASUREMENT INSTRUMENTES, 1997). Figura 3 Pletismografia. Fonte: CD-ROM avaliação da composição corporal. Prof° Roberto Fernandes da Costa Este modelo é constituído em fibra de vidro, contendo janela de acrílico, com assento em seu interior para o avaliado se acomodar, e porta com dispositivos eletromagnéticos para o seu fechamento. No interior da câmara o volume aproximado é de 450 litros, constituindo um ambiente confortável para o sujeito testado. Através de um software específico, instalado em um microcomputador conectado à câmara, são determinadas variações de volumes de ar e de pressão em seu interior, com a câmara desocupada e com o avaliado, além de variáveis pulmonares necessárias às estimativas do volume corporal (GUEDES & GUEDES, 1998). Os procedimentos da plestimografia têm como base a aplicação da lei de deslocamento de ar de Boyle (GARROW et alii, 1979). Normalmente,
  • 28. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 28 Leonardo de Arruda Delgado durante uma transformação gasosa, a pressão, o volume e a temperatura variam. Mas, sob determinadas condições, onde se variando a pressão e o volume a temperatura do gás permanece constante. Assim, ROBERT BOYLE (1627-1691), físico e químico irlandês, estabeleceu a seguinte relação:”sob temperaturas constante, a pressão de um gás [é inversamente proporcional ao seu volume”. Isto equivale a dizer que um ambiente fechado de temperatura constante, se dobrarmos o volume do gás sua pressão se reduzirá à metade; ou se reduzir seu volume a um terço, sua pressão triplicara, o que pode ser representado pela expressão: P1.V1=P2.V2 Por esse raciocínio, ao introduzir o avaliado em câmara fechada e isolada do meio exterior em condições isotérmicas, com pressão (P1) e volume (v1) de ar em seu interior previamente conhecido, a quantidade de ar comprimida em razão do espaço ocupada por sua massa corporal deverá diminuir o volume de ar existente na câmara em proporção idêntica ao aumento da pressão interna. Ao se determinar a nova pressão interna (P2) com o avaliado dentro da câmara, torna-se possível estimar o volume (V2) do ar em seu interior mediante utilização da relação P1.V1=P2.V2. Por subtração de ambos os volumes de ar no interior da câmara (V1 e V2), corrigido pelo ar dos pulmões computado automaticamente por sistema de análise respiratória acoplada ao avaliado, determina-se o volume corporal. Uma vez determinada o volume corporal, é possível obter-se a densidade corporal através da relação entre a massa corporal e seu volume.
  • 29. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 29 Leonardo de Arruda Delgado Dc(kg/l)=Massa Corporal(kg)/Volume corporal (l) 6.2.3 Absorção radiológica de dupla energia (DEXA) A densiometria com emissão de raios-X de dupla energia (DEXA) é considerada uma técnica avançada para medir a densidade do osso e avaliar a composição corporal. Utilizada como rotina no diagnóstico da osteoporose, analisa o conteúdo mineral ósseo de coluna lombar e fêmur proximal, dois principais sítios de fraturas. Além disso, é um procedimento que vem sendo utilizado para quantificar massa magra e massa gorda em segmentos isolados e corpo total (BLAKE, 1997). O princípio básico do DEXA é a utilização de uma fonte de raio-X com um filtro que converte um feixe de raio-X em picos fotoelétricos de baixa energia que atravessam o corpo do paciente. A obtenção da composição corporal é feita através da medida de atenuação dos picos fotoelétricos no corpo. Os maiores fabricantes dos equipamentos DEXA são Norland, Lunar e Hologic (BONNICK, 1998). O rastreamento para corpo total requer aproximadamente 5 minutos e a exposição à radiação é de 0,05 a 1,5 mrem, dependendo do instrumento. Em termos comparativos, a radiação recebida em raio-X de tórax é de aproximadamente 25 a 270 mrem. A medida é feita com o indivíduo em decúbito dorsal, através de uma série de varreduras transversais a partir da
  • 30. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 30 Leonardo de Arruda Delgado cabeça até o pé, para se obter o rastreamento. Não é preciso nenhum preparo ou requisitos especiais para a execução do exame. Figura 4 DEXA. Fonte: CD-rom avaliação da composição corporal. Prof° Roberto Fernandes da Costa A nomenclatura aplicada à técnica inclui; conteúdo mineral ósseo (BMCT), densidade mineral óssea total (BMDT), massa magra sem tecido ósseo (LEAN), massa gorda (FAT), partes moles (LEAN+FAT) e partes moles sem gordura (LEAN+BMC)(LOHMAN, 1996). A Padronização da nomenclatura em português ainda é deficitária. O calculo de massa mineral óssea (g), do conteúdo mineral ósseo (g/cm) e da densidade óssea (g/cm²) pode ser obtido através do DEXA. Nestes cálculos, as medidas expressas em relação a cm e cm² são ajustadas para a larguras e áreas, respectivamente, das partes do esqueleto que são rastreadas. A estimativa do conteúdo de gordura em massa magra sem tecido ósseo é derivada a partir de uma constante de atenuação de gordura pura (Rf)
  • 31. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 31 Leonardo de Arruda Delgado e de massa magra sem osso (RI). A Rf é 1,21 para gorduras puras, usando raios-X de energia de 40 Kv e 70 Kv. HEYMSFIELD et alli (1994), mediram seis elementos químicos em 11 homens por ativação de nêutrons. Eles relataram um valor de 1,18 para Rf, similar ao Rf teórico calculado a partir dos elementos medidos era 1,399+/- 0,002. Dado a Constancia próxima destes dois valores de indivíduo para indivíduo, segue que a razão da atenuação da menor energia relativa para a maior energia em partes moles (Rst), para raios-X de baixa e alta energia, é uma função de proporção de gordura (Rf) e massa magra (RI) em cada pixel. A partir de Rst, a fração de partes moles como massa magra é dada pela equação: Rst=(Rst-Rf)/(RI-Rf) A forma, portanto, para calcular massa gorda e massa magra é a resolução das duas equações, usando valores conhecidos de Rf e RI. Algumas suposições devem ser adotadas para a obtenção da composição corporal, sendo uma delas o efeito da variação da água do corpo total e a outra, a espessura do indivíduo examinado. A medida de massa gorda por Dexa presume que o compartimento magro contém uma fração de água (73,2%). Erros sistemáticos podem ser esperados em relação à composição corporal em determinadas condições clínicas, já que a água do corpo varia a partir deste valor (HERD et alli, 1993). Em relação á espessuras do corpo, estudos têm mostrado que quando esta
  • 32. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 32 Leonardo de Arruda Delgado excede 20 a 25 cm, tanto massa gorda quanto massa magra apresentam valores superestimados, observando-se erro e imprecisão aumentados quando comparados a indivíduos com espessura corporal menor que 20 cm (LOHMAN, 1996). Atualmente, a informação sobre composição corporal é de grande interesse para estudos de consumo de energia, estoque de energia, massa protéica, posição mineral do esqueleto, definir hidratação relativa, e em estudos de crescimento e desenvolvimento (FOEMICA et alli, 1993). Quando comparada a outros métodos para avaliar composição corporal (medida de dobras cutâneas, impedância bio-elétrica, espectrometria e pesagem hidrostática), o DEXA é considerado um procedimento um procedimento não evasivo, não traumático, altamente preciso e reprodutivo (GUTIN, 1996), que permite a medida compartimental e proporcionam uma avaliação longitudinal de um indivíduo com maior segurança, rapidez e baixo custo. Já vem sendo empregada em pesquisas médicas, experimentais e clinicas, inclusive no Brasil. A sua utilização efetiva na prática clinica virá dos estudos comparativos de diferentes métodos. 6.3 Técnicas duplamente indiretas As técnicas duplamente indiretas utilizadas na avaliação da composição corporal utiliza-se de equações de predição baseadas nas medidas antropométricas, impedância bioelétrica e a interactância de infravermelho.
  • 33. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 33 Leonardo de Arruda Delgado 7 ANTROPOMÉTRIA A antropometria é o método mais utilizado para avaliação da composição corporal pela sua aplicabilidade tanto no laboratório como no campo, na área clínica e em estudos populacionais. Sendo que sua relativa simplicidade e o baixo custo dos equipamentos contribuem para sua popularidade. Através de medidas antropométricas é possível fazer acompanhamento de crescimento morfológico, bem como de alterações de medidas corporais decorrentes da prática de exercícios físicos e dietas, proporcionando dados de grande valia para os profissionais que atuam nestas áreas. Este acompanhamento pode ser realizado simplesmente pela observação da alteração das medidas em valores absolutos ou através da utilização das mesmas em modelos matemáticos que têm a finalidade de estimar as quantidades dos diferentes componentes corporais: massa muscular, óssea, gorda e residual. No método antropométrico destacam-se várias técnicas (protocolos), que podem ser dividas em: índices antropométricos, técnicas que utilizam a espessura de dobras cutâneas, técnicas que utilizam medidas de circunferência e técnicas mistas que combinam dobras, cutâneas com medidas de circunferência e diâmetros ósseos.
  • 34. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 34 Leonardo de Arruda Delgado 7.1 Técnicas que utilizam dobras cutâneas Ao longo dos anos, o método de medidas de dobras cutâneas (DOC) tem sido largamente utilizado para estimar a gordura corporal total em situações de campo e clinicas. Como forma de definição podemos dizer que dobra ou prega cutânea, é uma medida que visa avaliar, indiretamente, a quantidade de gordura contida no tecido celular subcutâneo e, a partir daí, podermos estimar a proporção de gordura em relação ao peso corporal do indivíduo. De acordo com FERNANDES (2003, p.48): “A mensuração das pregas cutâneas, por ser uma técnica simples, pouco onerosa e de fácil manuseio e, sobretudo, por apresentar alta fidedignidade, correlaciona-se otimamente com técnicas mais sofisticadas, tem sido o método preferido dos pesquisadores na área do exercício físico e nos esportes”. A base lógica para as mensurações das pregas cutâneas com a finalidade de estimar a gordura corporal total reside no fato de existir uma relação entre a gordura localizada nos depósitos adiposos existentes diretamente debaixo da pele e essa está diretamente relacionada com a gordura total. As medidas das espessuras de dobras cutâneas em determinados locais do corpo podem ser um bom subsidio para a predição da quantidade de gordura corporal. McARDLE, KATCH & KATCH (1992, p.48)
  • 35. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 35 Leonardo de Arruda Delgado Essa metodologia é passível de ser utilizada em pesquisas epidemiológicas de grande escala e na avaliação nutricional. Além disso, medidas de DOC podem ser usadas para estabelecer perfis antropométricos. As mensurações das dobras cutâneas poderão proporcionar informação bastante constante e significativa acerca da gordura corporal e de sua distribuição. A medida da espessura de dobras cutâneas pode ser utilizada basicamente de duas maneiras. A primeira consiste em somar os escores como uma indicação do grau relativo de adiposidade entre os indivíduos. A segunda maneira é em combinação com equações matemáticas destinadas a predizer a densidade corporal ou o percentual de gordura corporal. 7.1.1 Pressupostos da técnica de dobras cutâneas De acordo com HEYWARD & STOLARCZYK (2000,p.14), os pressupostos da técnica de dobra cutânea são: - A DOC é uma boa medida da gordura subcutânea: a DOC é uma medida da espessura de duas camadas de pele e a gordura subcutânea adjacente. Pesquisas demonstraram que a gordura subcutânea, avaliada pelo método de DOC em doze locais, é similar ao valor obtido nas imagens de ressonância magnética (MRI). Entretanto, em alguns locais específicos, medidas de DOC
  • 36. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 36 Leonardo de Arruda Delgado acusaram quantidades de gordura significativamente menores comparadas às medidas obtidas diretamente da MRI. - A distribuição da gordura subcutânea e interna é similar para todos os indivíduos do mesmo sexo: a validade deste pressuposto é questionável. Sujeitos mais velhos de um mesmo sexo e densidade corporal tem proporcionalmente menos gordura subcutânea que seus pares mais jovens. Além disso, o nível de gordura corporal afeta a quantidade relativa de gordura localizada internamente e sob a pele. Indivíduos magros têm uma proporção mais alta de gordura interna e a proporção de gordura localizada internamente diminui à medida que a gordura corporal total aumenta. - Devido à existência de uma relação entre gordura subcutânea e gordura corporal total, a soma de várias dobras cutâneas pode ser utilizada para estimar a gordura corporal total: pesquisas estabelecem que as espessuras das dobras cutâneas em diversos locais medem um fator comum de gordura corporal. Estabelece-se que aproximadamente um terço da gordura da gordura corporal total está localizada sob a pele nos homens e nas mulheres. Entretanto, existe uma variação biológica considerável nos depósitos de gordura subcutâneo, intramuscular e dentro dos órgãos internos, assim como nos lipídeos essenciais na medula óssea e no sistema nervoso central. A variação biológica na distribuição da gordura é afetada por idade, sexo e grau de obesidade. Portanto, esses fatores
  • 37. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 37 Leonardo de Arruda Delgado precisam ser considerados ao se desenvolver equações de predição para estimar a gordura corporal relativa. 7.1.2 Princípios da técnica de dobras cutâneas - Há uma relação entre a somatória das DOC e a densidade corporal (Dc): essa relação é linear em amostras homogêneas (equações de DOC para grupos populacionais específicos) e não- linear em uma grande variação de Dc (equações generalizadas de DOC) tanto para homens como para mulheres. Uma reta de regressão linear, representando a relação entre o somatório de DOC e Dc, irá dispor bem os dados apenas dentro de uma estreita faixa de valores de gordura corporal. Assim, usar uma equação específica a um grupo populacional para estimar a Dc de clientes não-representativos dos grupos utilizados originalmente para desenvolver a equação pode levar a uma estimativa inexata da Dc desses clientes. - A idade é uma variável de predição independente da Dc tanto para homens como para mulheres: usar a idade e a expressão quadrada da soma das dobras cutâneas resulta em uma maior variação na Dc de uma população heterogênea em relação ao uso da somatória de Doc sozinha.
  • 38. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 38 Leonardo de Arruda Delgado 7.1.3 Fontes de erro de medida A validade e fidedignidade das medidas de DOC e do método de DOC são afetadas por: Habilidade do avaliador, tipo de adipômetro, fatores do sujeito e equação de predição utilizada para estimar a gordura corporal. A exatidão teórica das equações de DOC para predizer a DC é 0,0075g/cm³ ou 3,3%GC devido à variabilidade biológica em estimar a gordura subcutânea através da espessura de DOC e diferenças interindividuais na relação entre a gordura subcutânea e a gordura corporal total. Portanto, erros de predição ≤ 3,5% GC ou ≤ 0,008 g/cm³ para as equações através da espessura de DOC são aceitáveis, porque uma parte desse erro é atribuída ao método de referência. Entre os principais fatores de erros temos: – Habilidade do avaliador; – Tipo de adipômetro; – Fatores individuais; – Equações de predição 7.1.3.1 Habilidade do avaliador Uma grande fonte de erro em medidas de DOC é a variabilidade existente entre os avaliadores. Aproximadamente de 3 a 9% da variabilidade
  • 39. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 39 Leonardo de Arruda Delgado em medidas de DOC podem ser atribuídas a erro de medida devido a diferenças entre avaliadores. O tamanho do erro entre avaliadores depende do ponto que está sendo medido, com erros maiores reportados para as dobras cutâneas abdominal (5,7%) e da coxa (7,1%) comparados aos locais de DOC tríceps (~3,0%), subescapular (~3,0 a 5,0%) e supra-íliaca (~4,0%). A objetividade, ou fidedignidade entre avaliadores, é aumentada quando estes seguem procedimentos de testes padronizados, praticam tomadas de DOC juntos e marcam o local da DOC. Para aumentar a habilidade do avaliador de dobras cutâneas recomendamos os seguintes procedimentos, elaborados por peritos na área como POLLOCK & LOHMAN: - Ser meticuloso ao localizar os pontos anatômicos usados para identificar o local da DOC, ao medir distância e ao marcar o local com uma caneta marcadora cirúrgica; - Ler o mostrador do adipômetro em seu 0,1mm mais próximo; - Tomar um mínimo de duas medidas para cada local. Se os valores diferirem em mais de 10%, tomar medidas adicionais; - Tomar medidas de DOC em uma ordem rotativa (circuitos), em vez de leituras consecutivas em cada local;
  • 40. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 40 Leonardo de Arruda Delgado - Tomar medidas de DOC, quando a pele do cliente estiver seca e sem loções; - Não medir DOC imediatamente após o exercício, porque a mudança dos fluidos corporais para a pele tende a aumentar o tamanho da DOC; - Praticar as medidas de DOC de 50 a 100 clientes; - Procurar treinamento adicional em workshops realizados em conferências estaduais, regionais e nacionais. Como se pode calcular são necessárias muita prática e paciência para se formar um avaliador de DOC habilidoso. Em certos casos, mesmo avaliadores altamente habilidosos não estão aptos a medir a espessura da DOC em indivíduos extremamente obesos ou altamente musculosos. Nesses casos, métodos alternativos, como o BIA, podem ser utilizados para avaliar a gordura corporal. 7.1.3.2 Tipo de adipômetros Tanto os adipômetros de metal de alta qualidade como os plásticos podem ser utilizados para medir a espessura das DOC. O custo dos adipômetros varia, dependendo dos materiais utilizados em sua confecção (mental e plástico) e a precisão e exatidão de sua escala de medida. Os modelos mais conhecidos são os da “SANNY”, “CESCORF”, "LANGE" e "HARPENDER". Esses aparelhos possuem características
  • 41. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 41 Leonardo de Arruda Delgado especiais, sendo a mais importante a que faz com que esses apresentem uma pressão constante de preensão, independente da abertura do aparelho. Essa pressão é de aproximadamente 10 g/mm². Sua precisão de medida é de 0,1 mm no caso do Harpender, Cescorf e o Sanny e 0,5 mm no Lange. Figura 5 Modelos de adipômetros mais utilizados COSTA, STEFANONI & BÖHME (2001) que realizaram um estudo comparativo de diferentes compassos de dobras cutâneas utilizando as equações de PETROSKI (1995) – PE95 , JACKSON, POLLOCK & WARD (1980) – JPW80 , DURNIN & WOMERSLEY (1974) – DW74 e concluíram que, não houve diferença estatisticamente significativa entre os compassos para nenhuma das dobras avaliadas, bem como para nenhuma das equações utilizadas. Com isso concluíram que os quatro compassos podem ser utilizados, independentes do protocolo utilizado para avaliação. Dado que o tipo de adipômetro pode ser uma fonte potencial de erro de medida, nós recomendamos que: - Se use o mesmo adipômetro ao monitora mudanças na espessura das DOC. - Checagem periódica da exatidão do adipômetro.
  • 42. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 42 Leonardo de Arruda Delgado 7.1.3.3 Fatores individuais A variabilidade em medidas de DOC entre indivíduos pode ser atribuída não apenas à diferença na quantidade de gordura subcutânea no local, mas à diferença na espessura da pele, compressibilidade do tecido adiposo, manuseio e nível de hidratação. A variabilidade interindividual na espessura da pele (0,5 a 2mm) é pequena e não contribui substancialmente para o erro total da medida de espessura da DOC. Entretanto, variação na compressibilidade da DOC pode ser um importante fator limitante do método de DOC. 7.1.3.4 Equações de predição de dobras cutâneas Para evitar erros acentuados é muito importante, quando da escolha de uma equação, verificar com base em que população ela foi elaborada: homens, mulheres, crianças, jovens, idosos, indivíduos ativos, atletas, etc. Com relação a atletas, cabe ressaltar que existem equações para diversas modalidades esportivas. É necessário levar-se em consideração que estas equações normalmente vêm de outros países, o que também pode causar equívocos com relação aos resultados (COSTA, 1996). Tendo em vista a necessidade de minimizar os erros de predição das equações existentes, são encontrados numerosos estudos para testar a
  • 43. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 43 Leonardo de Arruda Delgado validade destas equações propostas para grupos específicos ou grupos populacionais em diferentes localidades. Para selecionar a equação mais apropriada é importante avaliar a validade relativa dos métodos de campo e equações de predição da composição corporal. As seguintes perguntas devem ser analisadas: - Qual foi o método de pesquisa utilizado para desenvolver a equação? A medida de referência estimada por equações de predição varia dependendo do método de campo utilizado. - Qual o tamanho da amostra utilizada para desenvolver as equações de predição? Qual a proporção entre o tamanho da amostra e o número de variáveis preditivas na equação? Geralmente, amostras grandes (N = 100 a 400) e aleatórias são necessárias para assegurar que os dados são representativos para aquela população para a qual a equação foi desenvolvida. - Qual foi o valor Rmc e o erro padrão da estimativa (EPE) para essa equação? Quanto maior o Rmc (até o valor máximo de 1,00), maior a correlação. HEYWARD & STOLARCZYK (2000, 18) apresenta a seguinte tabela dos valores de avaliação de erros de prognóstico (EPE)
  • 44. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 44 Leonardo de Arruda Delgado Tabela 3 Padrões de avaliação de erros de prognóstico (EPE). Fonte: LOHMAN (1992, 3-4) EPE %GC masc. EPE Dc (g/cm³) EPE MLG (kg) e fem masc. e fem. Escala Subjetiva Masc. Fem. 2,0 0,0045 2,0-2,5 1,5-1,8 Ideal 2,5 0,0055 2,5 1,8 Excelente 3,0 0,0070 3,0 2,3 Muito bom 3,5 0,0080 3,5 2,8 Bom 4,0 0,0090 4,0 2,8 +/- Bom 4,5 0,0100 4,5 3,6 Razoável 5,0 0,0110 >4,5 >4,0 Ruim - Para quem essa equação de predição é aplicável? Para responder a essa questão, é necessário prestar atenção às características físicas da amostra usada para derivar a equação. Fatores como idade, sexo, raça nível de gordura e nível de atividade física devem ser examinados cuidadosamente. Equações de predição podem ser generalizadas ou específicas a grupos populacionais. Equações específicas devem ser usadas apenas para estimar a variável de indivíduos de um grupo homogêneo específico. - Como as variáveis foram medidas pelos pesquisadores que desenvolveram a equação de predição? Não é apenas importante saber quais variáveis foram incluídas em uma equação de predição, mas também como cada uma dessas variáveis foi medida pelos pesquisadores que desenvolveram a equação. - A validade da equação de predição foi investigada em uma amostra da população (validação cruzada)? A fim de determinar a validade ou precisão de estimativa de uma equação
  • 45. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 45 Leonardo de Arruda Delgado de composição corporal, é necessário que ela seja testada em outras amostras da população. - Qual foi o valor da correlação (ry,y’,) entre a medida referência (y) e a prevista (y’) (coeficiente de validade)? Qual foi o valor do EPE quando a equação foi aplicada na amostra de validação cruzada? Em geral, uma equação com boa precisão deve ter um coeficiente de validade moderadamente alto (ry,y’,>80) e um EPE aceitável. - O valor predito médio foi similar ao valor de referência médio para a amostra de validação cruzada? A equação de predição deve gerar médias de predição comparáveis ás medidas de referência. Isso é testado usando-se o teste-t pareado. As duas médias não devem diferir significativamente. Uma grande diferença entre as médias de predição e de referência indica que há diferença sistemática (subestimada ou superestimada) entre as amostras de validação e de validação cruzada, devido a erro técnico ou variabilidade biológica (LOHMAN, 1981) - Qual foi o erro total (E) da equação? “E” representa o desvio médio dos valores individuais da reta de identificação. Quando uma equação prevê com boa precisão os valores de identidade com um pequeno grau de desvio ao longo da reta.
  • 46. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 46 Leonardo de Arruda Delgado 7.1.4 Equações de regressão São apresentadas na literatura dezenas de equações de predição de densidade ou de gordura corporal a partir da medida da espessura de dobras cutâneas. Para desenvolver equações de predição de composição corporal, pesquisadores comumente usa uma técnica estatística chamada regressão múltipla. Esta técnica permite aos pesquisadores identificar uma equação que usa a melhor combinação de variáveis de medida para predizer as medidas de referência da composição corporal, como Dc ou MLG. Boas equações de predição apresentam uma alta correlação (denominada de coeficiente de correlação múltipla ou Rmc) entre a medida de referência (que está sendo predita) e a combinação das variáveis medidas usadas para predizê-la (variáveis de predição). O valor da medida de referência é estimado com uma pequena margem de erro (erro padrão da estimativa ou EPE), significando que o valor predito para o indivíduo está perto do valor para a medida de referência daquele indivíduo. A linha ajustada através dos pontos dos dados é a linha de melhor ajuste (linha de regressão). Quando o erro padrão de estimativa é pequeno, os pontos dos dados não se desviam muito da linha de melhor ajuste. Na verdade, se uma equação prediz cada valor de referência perfeitamente, todos os pontos dos dados vão cair ao longo de curva de melhor ajuste.
  • 47. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 47 Leonardo de Arruda Delgado Para utilizar uma equação de predição, os valores individuais para cada variável preditora devem ser multiplicados pela sua respectiva constante. Todos os produtos são somados para levar a um valor de predição para aquele indivíduo. As constantes (pesos de regressão) para as variáveis de predição são obtidas através da análise de regressões múltiplas. Uma boa equação tem pesos de regressão estável, significando que seus valores não mudam muito de grupo para grupo. Para obter pesos de regressão estáveis o pesquisador deve usar um número grande de sujeitos (a amostra de validação cruzada) e comparando esses pesos de regressão com aqueles obtidos da amostra original (amostra de validação). Para estabelecer a aplicabilidade da equação de predição a outras amostras independentes da população, devem ser executados procedimentos de validação cruzada adicionais. Estas equações são desenvolvidas usando-se tanto modelos de regressão linear (através de propostas com base em estudos de grupos homogêneos e populacionais específicos) quanto quadráticos (generalizadas, quando desenvolvidas a partir de estudos populacionais com grupos heterogêneos). As primeiras equações de regressão para a composição corporal que empregavam as técnicas antropométricas foram publicadas em 1951 por BROZEK & KEYS, que usuram as dobras corporais e equações específicas, para avaliar a densidade corporal de homens jovens e de meia idade.
  • 48. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 48 Leonardo de Arruda Delgado No início da década de 60, LOAN e col. & YOUNG e col., publicaram equações semelhantes para mulheres de grupos etários selecionados. Tais equações foram desenvolvidas a partir de varias combinações de medidas de dobras cutâneas. De meados da década de 60 até a década de 70, numerosos pesquisadores publicaram outras equações para homens e mulheres. Os objetivos destas pesquisas eram produzir equações mais precisas. Além das medidas de dobras cutâneas e de diversas circunferências corporais, bem como em algumas situações, os diâmetros ósseos foram usados como variáveis independentes. Essas pesquisas levaram ao desenvolvimento de equações específicas, as quais mostraram que fatores como idade e sexo representam fontes importantes de variações de densidade corporal. As diferenças na densidade corporal entre homens e mulheres podem ser amplamente reputadas à variabilidade no tecido adiposo dito essencial. Além disso, as equações de populações específicas para o sexo tornaram-se importantes, em decorrência das diferenças na distribuição do tecido adiposo subcutâneo para homens e mulheres. As equações desenvolvidas a partir de indivíduos mais jovens subestimavam a densidade corporal de indivíduos mais velhos. O emprego de equações específicas para um dos sexos em indivíduos pertencentes ao outro sexo produz um erro sistemático na avaliação de cerca de 0,025 g/ml (11% de gordura). Os achados das pesquisas com equações para populações
  • 49. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 49 Leonardo de Arruda Delgado específicas mostraram que o sexo, a idade, o grau de gordura corporal e em si tratando de crianças do nível de maturidade sexual, precisam ser considerados na avaliação antropométrica da densidade corporal. A tendência mais recente tem sido desenvolver equações mais gerais, em vez de equações específicas para determinadas populações. Estas últimas oferecem estimativas valiosas para os indivíduos representativos das populações por elas definidas. DURNIN & WORMERSLEY (1974) foram os primeiros a considerar a abordagem generalizada. Estes autores publicaram equações representadas por uma única curva comum, mas que podia ser ajustada para levar em conta a idade. JACKSON & POLLOCK (1978-1980) publicaram equações generalizadas para homens e mulheres adultos. As pesquisas destes últimos autores representam uma extensão do trabalho de DURNIN & WORMERLEY, tendo sido realizadas para superar algumas das limitações associadas às equações para populações específicas, acrescentando o fator idade à equação para a estimativa das alterações potenciais na razão entre gordura externa e interna e densidade óssea.
  • 50. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 50 Leonardo de Arruda Delgado 7.1.4.1 Equações de PARIZKOVA (1961) PARIZKOVA utilizou a tomada das dobras cutâneas triciptal no braço esquerdo e a subescapular no braço direito, dividindo a determinação do percentual de gordura em função do sexo e da faixa etária, preconizando os intervalos de 9 a 12 anos e 13 a 16 anos.1 E desenvolve equações de uma e de duas dobras, para predizer a densidade corporal deste grupo. Os três grandes problemas com a técnica de PARIZKOVA são: - A medida a dobra cutânea de tríceps no braço esquerdo, que corresponde uma medida não padronizada; - Não levar em conta o nível de maturidade sexual; e a - Utilização de um modelo de dois componentes, com a densidade da MLG igual a 1,10 g/cm³. No entanto, o terceiro problema pode ser amenizado, utilizando-se equações, baseadas em modelos de multicomponentes de conversão de densidade corporal para %GC, encontradas em HEYWARD & STOLARCZYK (2000,14), já que segundo POLLOCK (1993, 324), as equações possuem um fator de correlação aceitável entre (0,81 a 0,92) de densidade corporal. 1 CARNAVAL 1997,57
  • 51. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 51 Leonardo de Arruda Delgado MENINAS DE 9 A 12 ANOS DC= 1,088 - 0,014 (log10 TR)-0,036 (log10 SE) Dc=1,079-0,043Log10(SE) %GC= [(5,35/Dc)-4,95]x1002 Este estudo foi realizado em 56 meninas na faixa etária de 9 a 12 anos, o erro padrão estimado (EPE) da equação foi calculado em 0,012 g/ml e a correlação múltipla(R) foi de 0,81. MENINAS DE 13 A 16 ANOS DC=1,114 - 0,031 (log10 TR) - 0,041 (log10 SE) DC=1,102-0,058 Log10(SE) %GC= [(5,10/Dc)-4,66]x1003 Amostragem de 62 meninas na faixa etária de 13 a 16 anos, o erro padrão estimado (EPE) da equação foi calculado em 0,010 g/ml e a correlação múltipla(R) foi de 0,82. MENINOS 9 A 12 ANOS DC= 1,1088 - 0,027 (log10 TR)-0,0388 (log10 SE) DC=1,1094-0,054 Log10(SE) %GC=[(5,30/Dc)-4,89]x1004 Esta equação envolveu 57 meninos de 9 a 12 anos, o erro padrão estimado (EPE) é de 0,011 g/ml e a correlação múltipla e de 0,92. MENINOS DE 13 A 16 ANOS DC=1,130 - 0,055 (log10 TR) - 0,026 (log10 SE) DC=1,131-0,083 Log10(SE) %GC=[(5,07/Dc)-4,64]x100 2 HEYWARD & STOLARCZYK, 2000,p.14 3 Id ibid. 4 Id Ibid.
  • 52. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 52 Leonardo de Arruda Delgado Não encontramos os valores de erro padrão estimado (EPE) e correlação múltipla para essa equação, em POLLOCK (1993,p.324-325). 7.1.4.2 Equação de FAULKNER (1968) As investigações sistemáticas sobre composição corporal, no Brasil, iniciaram-se, praticamente, na década de 70, sendo que a maior parte das publicações utilizava unicamente a equação de FAULKNER (1968), também conhecida de YUHASZ (1962), para caracterizar o percentual de gordura corporal (%GC). De acordo com CARNAVAL (1997, p.49) YAHASZ, no desenvolvimento de sua técnica, preconizava a utilização de 6 dobras (peito, tríceps, supra-iliaca, subescapular, abdominal – lado esquerdo- e coxa) e calculava o percentual de gordura usando a seguinte equação: %GC = 0,095 x Σ(das 6 Dobras)+3,64 Segundo CARNAVAL (op.cit) e FERNANDES (2003, p.64-65), FAULKNER, desenvolvendo pesquisa em nadadores americanos e observou que as medidas de peito e coxa constituíam-se em fatores de erro, passando a usar apenas 4 dobras (tríceps, subescapular, supra-íliaca e abdominal- lado direito) e calcula o percentual de gordura usando a seguinte fórmula:
  • 53. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 53 Leonardo de Arruda Delgado %GC = Σ(das 4 dobras)x0,153 + 5,783 Os índices 0,153 e 5,783 referem-se aos valores de amostragem da população por ele estudada, nadadores, relacionando estatura, tipo de ossos e outras variáveis étnicas e ambientais. Com os pesos da massa gorda (MG) e Massa Livre de Gordura sendo calculadas em kg pelas equações: MG = %GC x Massa Corporal Total (MCT)/100 MLG = MCT - MG De acordo com o autor chegou a equações para determinação de peso ideal seria: Peso Ideal (PI) = MLG x constante Com as constantes fixadas pelo autor: Nadadores 1,09 Futebolistas 1,12 Demais esportes e mulheres 1,14 De acordo com PETROSKI (1995, p.90), em seu estudo sobre o início da pesquisa em composição corporal e sua evolução no Brasil, foi observado que a equação, mais utilizada no Brasil e nos países vizinhos, era a de FAULKNER e que a mesma era utilizada indiscriminadamente para ambos os sexos, em diferentes níveis de aptidão física e sem considerar a especificidade da equação que foi desenvolvida para o sexo masculino. Assim, a magnitude dos erros na utilização dessa equação em amostras nacionais é
  • 54. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 54 Leonardo de Arruda Delgado desconhecida. No entanto, durante esse período, não foi averiguada ou discutida a origem e a validade de sua utilização na população brasileira. A primeira preocupação neste sentido surgiu com GUEDES (1986) que realizou estudo de validação da equação proposta por FAULKNER (1968) em jovens pertencentes à população brasileira, através de pesagem hidrostática, e encontrou erros bastante elevados, tanto para homens quanto para mulheres. Este estudo constatou que a referida equação poderia deturpar o resultado da quantidade de gordura corporal em torno de 37 % para o grupo feminino e 23 % para o grupo masculino. GAGLIARDI (1996) apud COSTA (2001, p.28) testou a validade de 30 equações de predição de componentes corporais, utilizando a pesagem hidrostática, em uma amostra composta por 45 atletas divididos em nadadores de provas de velocidade, triatletas e jogadores de pólo aquático; concluindo que apenas três mostraram consistência em seus resultados para todos os grupos: BROZEK (1963), BEHNKE & WILMORE (1966) e FAULKNER (1968). Logo concluímos que a equação FAULKNER, pode ser utilizada desde que os avaliados sejam nadadores, triatletas e ou jogadores de pólo aquático e com idade variando entre 18 a 25 anos.
  • 55. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 55 Leonardo de Arruda Delgado 7.1.4.3 Equações de DURNIN & RAHMAN (1967) Este estudo deve como amostra 86 crianças, sendo 48 do sexo masculino e 38 do sexo feminino com faixas etárias variando entre 12 e 15 anos a equação masculina deve densidade corporal média de 1,068 g/cm³ com desvio padrão de 0,013 g/cm³ e a feminina de 1,045 g/cm³ e desvio padrão de 0,011 g/cm³. O erro padrão estimado (EPE) foi de 0,008 g/ml e a correlação múltipla e de 0,76, para os meninos e 0,008 g/ml de EPE e 0,78 de correlação múltipla para as meninas. Tabela 4 Equações DURNIN & RAHMAN Sexo %GC Masculino %GC=1,1533 - 0,0643 log10 (BI+ TR+ SE+SI) Feminino %GC=1,1369 - 0,0598 log10 (BI+ TR+ SE+SI) 7.1.4.4 Equações de DURNIN & WOMERSLEY (1974) DURNIN & WOMERSLEY, foram os primeiros a considerar a abordagem generalizada. Estes autores publicaram equações representadas por uma única curva comum, mas que poderia ser ajustada para levar em conta a idade. Com base em estudo de 209 homens de 17 a 72 anos de idade e 272 mulheres de 16 a 68 anos de idade, propõe 10 equações por faixa etária e 2 generalizadas, para cada gênero.
  • 56. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 56 Leonardo de Arruda Delgado Tabela 5 Equações de DURNIN & WOMERSLEY Sexo Faixa Etária Equação 17-19 anos Dc=1,1620-0,0630 Log10(TR+BC+SE+SI) 20-29 anos Dc=1,1631-0,0632 Log10(TR+BC+SE+SI) 30-39 anos Dc=1,1422-0,544 Log10(TR+BC+SE+SI) Homens 40-49 anos Dc=1,1620-0,0700 Log10(TR+BC+SE+SI) 50 a 72 anos Dc=1,1715-0,0779 Log10(TR+BC+SE+SI) 17 a 72 anos Dc= 1,1765-0,0744 Log10(TR+BC+SE+SI) 16 a 19 anos Dc=1,1549-0,0678 Log10(TR+BC+SE+SI) 20 a 29 anos Dc=1,1599-0,0717 Log10(TR+BC+SE+SI) 30 a 39 anos Dc=1,1423-0,0612 Log10(TR+BC+SE+SI) Mulheres 40 a 49 anos Dc=1,1333-0,0645 Log10(TR+BC+SE+SI) 50 a 68 anos Dc=1,1339-0,0645 Log10(TR+BC+SE+SI) 16 a 68 anos D=1,1567-0,0717 Log10(TR+BC+SE+SI) BARRERA, SALAZAR, GAJARDO, GATTÁS & COWARD (1997) utilizaram a diluição isotópica de deutério como método referencial para testar a validade de três técnicas de determinação da composição corporal: absortometria radiológica de dupla energia, bio-impedanciometria, e espessura de dobras cutâneas, através da equação proposta por DURNIN & WOMERSLEY (1974). A amostra foi constituída de 31 homens saudáveis, na qual todos os métodos apresentaram resultados similares aos valores referenciais, conferindo validade aos mesmos para a avaliação da gordura corporal neste grupo. KURIYAN, PETRACCHI, FERRO-LUZZI, SHETTY & KURPAD (1998), utilizaram a pesagem hidrostática para testar a validade da impedância bioelétrica e da antropometria através da equação de DURNIN & WOMERSLEY (1974) em uma amostra composta por 99 homens e 89 mulheres do sul da Índia. Para ambos os sexos foram encontrados resultados
  • 57. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 57 Leonardo de Arruda Delgado válidos tanto para a bio-impedância quanto para a equação de espessura de dobras cutâneas. Para converter Dc em %GC usa-se as seguintes fórmulas: Tabela 6 Equações de conversão de Dc para %GC Idade Sexo %GC Masculino (4,99/Dc)-4,55 17-19 Feminino (5,05/Dc)-4,62 Masculino (4,95/Dc)-4,50 20-80 Feminino (5,01/Dc)-4,57 7.1.4.5 Equações de JACKSON & POLLOCK (1975-1978-1980) POLLOCK (1975) realizou um estudo em 83 mulheres jovens com idade variando entre 18 a 29 anos e criou uma equação de 4 dobras para estimar a densidade corporal. Está equação têm uma correlação múltipla R = 0,84 e erro padrão estimado EPE de 0,008g/cm³ Dc = 1,096095-0,0006952(X1)+0,0000011(X1)-0,0000714(X2) Onde: Dc= Densidade Corporal X1=∑4DOC (tríceps + supra-ilíaca + abdome +coxa) X2 = Idade em anos SINNING & WILSON (1984) relataram que essa equação estimou com validade a gordura corporal média de mulheres atletas partindo de dez diferentes esportes universitários (EPE=3,2%GC). Sendo então recomendada para mulheres atletas jovens e adolescentes. E a equação de para converter Dc em %GC é:
  • 58. AVALIAÇÃO DA APTIDÃO FÍSICA Projeto de elaboração de sistema de informações 58 Leonardo de Arruda Delgado %GC=[(5,01/Dc)-4,57]x100 Em 1978, JACKSON & POLLOCK, proporão duas equações para a estimativa da densidade corporal de homens, com base em estudo de 308 indivíduos de 18 a 61 anos de idade, utilizando-se de soma de 7 e 3 dobras cutâneas, além da idade. Na equação de 7 dobras cutâneas para homens de 18 a 61 anos, a correlação múltipla da equação (R) é de 0,9 e o erro padrão de estimativa de densidade (EPE) é de 0,008. Dc=1,112-0,00043499(X1)+0,00000055(X1)²-0,00028826(X4) Onde: Dc= Densidade Corporal X1=∑7DOC (peitoral + axilar medial + tríceps + subescapular + supra-ilíaca + abdome +coxa). X2 = Idade em anos Segundo HEYWARD & STOLARCZYK (2000, p.164) a equação generalizada da soma de sete dobras de JACKSON & POLLOCK (1978) tem se mostrado válida para estimar a gordura corporal média de homens fisicamente ativos (ISRAEL et al., 1989) e de homens participando de 12 diferentes esportes universitários de 18 a 29 anos (SINNING et.al.,1985). O erro de predição dessa equação variou de 2,2% a 2,9% de GC. Sendo então recomendada à utilização da equação de DOC de JACKSON &